Blog do Vicente


08.02.2010

CARNAVAL E FÉRIAS


Caros leitores,


ficarei ausente por duas semanas, numa combinação perfeita: férias e carnaval.


Até breve!!!!




Brasília, 00h01min

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Tags: Carnaval    férias    Estação  Primeira  de  Mangueira 
07.02.2010

QUEBRANDO A ROTINA


CRÔNICA

LUCIANA ASSUNÇÃO (*)


lulupisces@gmail.com


ILHA PAVILOCHE


Florianópolis tem praias e recantos para todos os gostos e bolsos e isto não é clichê. Eu sei que vocês já devem ter lido esta mesma frase em alguma matéria de revista de viagem, mas não pude evitar a exata constatação.


Tem argentino brotando da terra como erva daninha também. Em Canasvieiras, uma grande feira do Paraguai, ops, da Argentina a gente não sabe se existem mais quinquilharias para abarrotar os turistas ou argentinos a gritar pelas calçadas em bandos, como gralhas tostadas pelo sol. Comecei a pensar que o estrangeiro ali era eu e que estava nas férias erradas.


Não sou xenófoba, já escrevi esta sentença aqui também (acho que hoje estou muito repetitiva), mas seria um tantinho legal se a prefeitura de Floripa ou a secretaria do meio ambiente e turismo fizesse uma campanha a cada verão com o tema: “Salvem as areias finas e brancas das praias catarinenses dos tocos de cigarro!!!!”


Argentinos...êta povo que fuma! E depois espalha seu vício por todas as belas praias da ilha, se esbaldando em grupos ruidosos como se fossem leões marinhos (eu disse que estava repetitiva). Nós deveríamos ter uma atitude solidária e camarada com nossos hermanos e emprestar – por prazo determinadíssimo – o Ziraldo para eles. O genial cartunista BRASILEIRO faria os portenhos entender que “fumar é brega”, “fumar é cafona”. Assim como os cabelos a la Messe que 9 entre 10 da espécie masculina argentina insistem em ostentar.


Gaúcho também sai pelo ladrão em Floripa. Sempre em patotas, tomam chimarrão na praia formando uma roda. A cuia a passar de cadeira de praia em cadeira de praia, mantendo a rotina da calçada da casa nas tardes tranquilas, eu suponho. Uma espécie orgulhosa encontrada na ilha na mesma proporção em que podemos comer as fartas e famosas ostras locais.


Mas, acredite, passar as férias na santa e bela Florianópolis (outro bordão pra não perder a linha de raciocínio) é gostoso sim. Palavra de bruxa. O lance é deixar a mente aberta para os engarrafamentos e a indefectível instabilidade metereológica. “Tirante” esses pequenos contratempos, Floripa é uma festa de praias lindas. A maioria dos morros ainda preservada, sem favelas a roubar toda a vegetação nativa. Não há meninos e meninas pedindo esmolas em cada semáforo...Meu filho de dois anos e meio, que não entende a lógica perversa desta situação, sempre me pergunta: “mamãe, o que ele deu?” Ô inocência...


É quase como se estivéssemos num país mais justo e civilizado. Se você for à praia Jurerê Internacional dá até para crer que podemos chegar lá. O nome patético não compactua com a beleza e a qualidade do lugar. Tudo limpo, organizado e de encher os olhos. “Luxo é lixo no lixo”, as plaquinhas explicam.


Cruzei com o técnico Bernardinho e a mulher, Fernanda Venturini, em quase tranquila caminhada pela areia (porque, cá pra nós, aquele cara consegue relaxar?) Engraçado que a televisão o torna atarracado...Na minha cabeça ele era um nanico. Mas o homem é grande. A Fernanda, em shape após o nascimento da segunda filha, uma vara pau magrinha...


A questão é que a nova geração de jogadores de vôlei chega, e às vezes passa, de dois metros. Então, um cara de 1.80 fica parecendo baixinho no meio deles. Ah, e para quem tem fetiche com louras, Floripa é o canal. Centenas de milhares desfilam seus corpos vermelhos pela orla.


Esta foi a quarta vez que estive na ilha, porém a primeira em que alugamos uma casa de praia e estacionamos por 15 dias. A praia da Daniela, para quem tem criança, é a pedida perfeita. Mar calmo e raso, lotação não tanto esgotada, água não tão fria...A gente acorda ao som dos passarinhos e pode fazer uma caminhada matinal pela areia até a pontinha da reserva dos Carijós (tipo de caranguejo). Ali, longinho da farofada, você acredita que é o único sobrevivente do naufrágio e fica em paz com a natureza, completamente sozinho. O visual é espantosamente espiritual.


E para terminar, defendendo nossa bandeira verde e amarela mais uma vez, não deixe de provar o sorvete da Paviloche. O carrinho compete com os das marcas Kibon e Nestlé na areia da praia e, apesar do nome parecer argentino e você já estar com uma certa alergia a eles, a fábrica fica em Joinville. O melhor picolé da praia, cem por cento nacional, cem por cento saboroso. Aposte!


Xô Unilever! Tome Paviloche e se sinta em Bariloche, sem argentinos, porque todos vieram para a Florianópolis. Ainda por cima, o vendedor que ficava na Daniela era um gato e muito simpático, o que me fez decretar aos meninos: “Vamos esperar o da Paviloche!” Afinal, também sou filha de Deus e estava ali para me divertir.


Agora vou tomar meu colírio alucinógeno, certo Macaco Simão? Fui!



(*) Jornalista e publicitária, escreve todos os domingos neste blog.


Brasília, 11h55min

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Tags: Luciana  Assunção    Florianópolis    praias    filhos 
05.02.2010

CÚPULA DO PMDB INSISTIRÁ NA INDICAÇÃO DE TEMER PARA VICE DE DILMA. MEIRELLES DEVE DISPUTAR GOIÁS


No que depender da cúpula do PMDB, a vaga de vice-presidente na chapa da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, será ocupada por Michel Temer, e ponto final. É o que diz um dos caciques do partido, Moreira Franco, hoje vice-presidente da Caixa Econômica Federal. Essa posição, por sinal, será reforçada neste fim de semana, durante a convenção nacional do partido, em Brasília.


Na avaliação de Moreira, o candidato a vice na chapa de Dilma é aquel que tem maior capacidade de unificação do partido. "E essa pessoa é o Michel Temer, que expressa, de verdade, a identidade do PMBD", diz. "Não vamos fazer improvisos. Queremos ganhar as eleições. E isso exige um partido todo mobilizado", acrescenta.


Para Moreira, apesar de estar fazendo um excelente trabalho à frente do Banco Central, de ter ótima visibilidade no mercado financeiro internacional, Henrique Meirelles não deve levar adiante o seu desejo de disputar com Temer a vaga de vice de Dilma. "O Meirelles deve disputar o governo de Goiás. Tenho ouvido de todos os representantes do PMDB local que ele tem todas as condições de ganhar essa eleição", frisa.


O vice-presidente da Caixa ressalta que Dilma Rousseff vai ganhar as eleições em outubro deste ano. E que o PMDB será vital para essa vitória. "Desde que apoiamos a candidatura de Tancredo Neves à presidência da República (em 1985), nunca o partido esteve tão unido em torno de uma candidatura", conta. A seu ver, o amplo apoio à Dilma se deve ao fato de o governo Lula valorizar as três principais bandeiras do partido: 1) apoio à democracia, 2) desenvolvimento com distribuição de renda, 3) negociação com os movimentos sociais. "Por isso, estamos confortáveis em apoiar Dilma", assinala.


Quanto às desavenças que ainda atormentam as relações entre o PMDB e o PT, Moreira ressalta que os problemas estão basicamente localizados na Bahia, onde haverá dois palanques, um para Geddel Vieira Lima, outro para Jaques Wagner, e no Pará. "Em Minas, apesar de o ministro (das Comunicações) Hélio Costa aparecer em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de votos, houve um acerto com Patrus Ananias e com Fernando Pimentel, ambos do PT. O Hélio aceitou fazer uma pesquisa para ver quem tem mais condições de vencer o candidato do governador Aécio Neves (PSDB). Se for ele, quer que todos se unam em torno de sua candidatura, para vencer", diz.


Brasília, 17h35min

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05.02.2010

DÚVIDAS SOBRE O QUE DIZ MEIRELLES


As declarações do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, à alta cúpula do governo, de que ainda não há necessidade de alta da taxa básica de juros (Selic), mesmo com a inflação de janeiro tendo vindo muito acima do esperado, geraram dúvidas em alguns auxiliares do presidente Lula.


Para essa ala, ao dizer que a inflação está sob controle e que o "mercado vai perder" dinheiro, Meirelles quis expressar duas coisas. Primeiro: que não há risco de a inflação se distanciar muito do centro da meta (4,5%). Por isso, se a Selic subir, será apenas um ajuste fino para o controle de expectativas, alta que poderá ser revertida tranquilamente ao longo de 2011. Segundo: não há a menor possibilidade de o Copom sancionar o aumento de quatro pontos percentuais como se prevê no mercado futuro de juros.


Na avaliação de auxiliares de Lula, assim como tem traçado um cenário benigno para a economia brasileira, com crescimento consistente e inflação dentro das metas, o presidente do BC tem alertado para os ricos de uma nova onda de crise no mercado internacional, que terá, sim, repercussões no Brasil, mas em muito menor escala do que o que se viu em 2008. Dependendo do estrago, nem haveria porque o BC subir juros, já que a demanda se ajustaria, por exemplo, a um aperto natural do crédito por parte dos bancos.


Portanto, avisam os assessores presidenciais, o ideal é que os juros não subam. E essa é a aposta principal no Palácio do Planalto. Mas, se subirem, será um processo lento e suave. E nada será feito antes de abril, quando se terá um quadro "mais limpo" da inflação, agora, contaminada por uma série de fatores que não sofrem qualquer interferência dos juros: as tarifas públicas e o excesso de chuvas, que tem prejudicado a colheita de produtos de safra mais curta, como frutas e legumes.


Brasília, 12h28min

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Tags: Banco  Central    Henrique  Meirelles    juros    Selic    inflação 
05.02.2010

MEIRELLES TRANQUILIZA CÚPULA DO GOVERNO E SINALIZA QUE AINDA NÃO HÁ RAZÃO PARA ALTA DOS JUROS


O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, comandou, nos últimos dias, uma operação dentro do governo para “tranquilizar” os que temem uma possível alta da taxa básica de juros (Selic) nos próximos meses. Tanto ao presidente Lula quanto ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que tem sido um crítico ferrenho do BC, Meirelles sinalizou que, por enquanto, ainda não há motivos concretos para que a instituição promova um arrocho monetário.


Essa visão, segundo auxiliares de Lula, teria sido passada por meio da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada ontem (dia 4), e que serviu para derrubar as taxas futuras de juros com vencimento em janeiro de 2011, de 10,40% ao ano, registrados no início da semana, para 10,27%. “As apostas na alta dos juros em março ou em abril diminuíram e isso derrubou os juros”, explicou um dos assessores mais próximos do presidente da República.


Diante dos relatos de Meirelles – também reforçados por lideranças do PMDB, partido pelo qual ele deve disputar um cargo político neste ano –, o Palácio do Planalto não trabalha com a possibilidade de alta da Selic neste ano, um alívio nos planos de Lula de eleger a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), como sua sucessora. Um ministro que reforça a visão do Planalto contou ter ouvido de Meirelles, em uma das reuniões da coordenação política, que representantes do mercado estão apostando errado ao prever a alta da Selic em 2010. O presidente do BC teria, inclusive, ironizado tais prognósticos: "Vão perder muito dinheiro".


Esse mesmo ministro alegou que a ação contrária ao aumento dos juros não está sendo estimulada pelo fato de este ser um eleitoral. E justificou tal posição com argumentos supostamente técnicos. Por exemplo: a retomada dos investimentos produtivos e a previsão de que isso garantirá a sintonia entre demanda e oferta. “Não seremos um instrumento a serviço do mercado”, disse.


Ontem, durante o balanço de três anos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Mantega rechaçou a tese dos economistas que pregam a alta da Selic alegando que o país está entrando em uma onda inflacionária. Em linha com o Planalto, o ministro confirmou a sua conversa com Meirelles. Disse que, na última quarta-feira, o presidente do BC teria descartado a necessidade de arrocho monetário. “O Meirelles está tranquilo com um crescimento de 5,8% sem pressões inflacionárias”, afirmou. “O crescimento é sustentável e equilibrado. Significa que não causa pressão inflacionária”, acrescentou.


Para o ministro, não há pontos fora da curva. O que se viu na inflação de janeiro, que registram os níveis mais elevados desde o início de 2003, foram reajustes sazonais, já esperados, como os das passagens de ônibus e os das mensalidades escolares. Além disso, admitiu Mantega, o governo tem instrumentos para manter a inflação sob controle, como a redução da Cide, imposto que incide sobre a gasolina. Anteontem, o tributo foi reduzido em R$ 0,10.


Texto escrito em parceria com DANIEL PEREIRA, do Correio Braziliense.


Brasília, 00h01min


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04.02.2010

MERCADO VÊ EXAGERO NA PROJEÇÃO DO BC PARA OS PREÇOS ADMINISTRADOS


Ao mesmo tempo em que alerta para a necessidade de aumento da taxa básica de juros (Selic) com o intuito de combater pressões inflacionárias, o mercado vê exageros nas estimativas do Banco Central. Segundo a economista Luíza Rodrigues, do Banco Santander, o BC pesou na mão ao prever alta de 4% neste ano para os preços administrados, que incluem as tarifas públicas. “Estamos trabalhando com um índice menor, próximo de 3%”, afirmou.


Os preços administrados representam cerca de 30% da inflação total medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ou seja, quanto menor for alta dos administrados, mais espaço haverá para acomodação dos reajustes dos chamados preços livres, que sofrem influência direta das taxas de juros. “Estamos trabalhando, inclusive, com queda nas tarifas de energia elétrica em várias distribuidoras, como a Eletropaulo, por causa das deflações dos IGPs (índices gerais de preços)”, ressaltou.


Pelas projeções do BC, na média, as contas de luz ficarão 3,3% mais caras e as de telefone, 1,6%. Já o gás de cozinha e a gasolina não deverão ter reajustes ao longo deste ano. O Ministério da Fazenda acredita que a gasolina fique até mais barata, devido à redução da Cide, imposto que incide sobre o valor do combustível. Para 2011, o BC não detalha as estimativas de aumento para cada um desses itens. Divulga apenas uma projeção fechada para os preços administrados, que deverão subir 4,1%.


Brasília, 20h34min


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04.02.2010

MEIRELLES SUSPENDE AGENDA EM SÃO PAULO PARA TRATAR DE ASSUNTOS POLÍTICOS EM BRASÍLIA


O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, mudou sua agenda. Em vez de participar da solenidade de formatura das turmas de Ciências Econômicas e Contábeis da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, ficará em Brasília, muito provavelmente para tratar de assuntos políticos.


Meirelles esteve ontem (quarta-feira, dia 3), com o presidente Lula no Palácio da Alvorada. Assunto dominante da conversa: o destino político do presidente do BC. Interlocutores de Lula dizem que Meirelles está com um pé fora do banco. E deverá se desligar mesmo que não vingue o seu desejo (alimentado dia e noite) de ser vice na chapa presidencial de Dilma Rousseff.


Os mesmos interlocutores também descartam a possibilidade de o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, suceder Meirelles no BC. Um dos ministros mais próximos de Lula é enfático: "Palocci será o coordenador da campanha presidencial de Dilma. Isso já está definido". E se Meirelles realmente sair do BC (quem sabe para concorrer ao governo de Goiás, conforme desejo do PMDB local), seu sucessor será o diretor de Normas, Alexandre Tombini.


Lula, inclusive, já bateu o martelo para essa sucessão caseira. Não quer marola no Banco Central, especialmente num ano eleitoral e quando há pressões do mercado para que o Comitê de Política Monetária (Copom) aumente a taxa básica de juros.


Brasília, 12h25min

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04.02.2010

ROSENBERG & ASSOCIADOS APOSTA EM ALTA DOS JUROS EM MARÇO


Economista da Rosenberg & Associados, Thaís Marzola Zara alerta que a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), referente à reunião da semana passada, confirmou o esperado: subiu bastante o tom em relação à ata anterior, aumentando a probabilidade de aumento da taxa básica de juros (Selic) já em março. "Houve uma grande alteração na ata, sinalizando a mudança de postura do Banco Central", diz.


Segundo ela, a avaliação com relação ao nível de atividade é de que o processo de retomada da economia já se encerrou e que a atividade mostra sinais consistentes de expansão, reduzindo a margem residual de ociosidade da capacidade instalada. "Com relação ao cenário externo, como já havíamos alertado, o Copom chegou a mencionar um recrudescimento, mas alerta que ainda existe uma liquidez abundante, favorecendo ainda as condições financeiras domésticas e, portanto, ainda não suficiente para alterar a percepção quanto à trajetória de inflação e atividade", frisa.


Sobre a inflação, Thaís ressalta que o Comitê mostrou-se especialmente preocupado com a tendência crescente das expectativas do mercado (que já superam o teto da meta perseguida pelo BC, de 4,5%) e com a possibilidade de repasse de altas dos preços no atacado para os preços no varejo, de forma que sinaliza a sua intenção de agir de forma preventiva, evitando que a inflação destoe das metas.


Brasília, 12h14min

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Tags: Rosenberg  &  Associados    Copom    juros    alta    Thaís  Marzola  Zara 
04.02.2010

PARA SANTANDER, COPOM ADMITE PIORA NA INFLAÇÃO, MAS SÓ DEVE SUBIR JUROS EM ABRIL

 

Veja, abaixo, a análise feita pela equipe do Departamento Econômico do Banco Santander, chefiado por Alexandre Schwartsman, sobre a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira (dia 4).

 

A ata da última reunião do Copom apresentou alterações qualitativas não sutis em relação às notas da reunião anterior. 1) A influência do cenário internacional sobre a inflação deixou de ser favorável em função da alta de preços de commodities e, mais recentemente também da depreciação do real, 2) o hiato do produto parece estar diminuindo de forma mais rápida do que o anteriormente esperado (a margem de ociosidade remanescente não é mais suficiente para assegurar um cenário inflacionário benigno), 3) o ritmo de recuperação não pode ser considerado apenas moderado (a demanda doméstica já se recuperou, ao invés de apresentar apenas evidências de recuperação), 4) as expectativas de inflação (medidas pela pesquisa Focus) não estão mais consistentes com a trajetória das metas.

 

Em resumo: "a perspectiva de intensificação das pressões da demanda doméstica sobre o mercado de fatores, a probabilidade de que desenvolvimentos inflacionários inicialmente localizados venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação poderia estar se elevando".

 

As projeções, por outro lado, alteraram-se pouco em relação à reunião anterior e aos números apresentados no relatório de inflação, persistindo em trajetória compatível com as metas.

 

A principal mensagem é que a convicção quanto ao quadro inflacionário favorável deixou de existir. Ao mesmo tempo ainda existem dúvidas quanto a uma deterioração rápida do cenário, motivo pelo qual entendemos que o BC aguardará mais uma reunião antes de começar a aumentar os juros, com o objetivo de angariar mais fundamentos para sua decisão. Mas o balanço de riscos piorou de forma clara.

 

Brasília, 10h30min

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03.02.2010

LULA CONVOCA MEIRELLES PARA APARAR ARESTAS COM A FAZENDA E ABAFAR DISPUTA SOBRE JUROS


O presidente Lula confidenciou a assessores que vai aproveitar a conversa na tarde desta quarta-feira (dia 3) com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para aparar as arestas com o Ministério da Fazenda. Desde que voltou de férias, há pouco mais de duas semanas, o ministro Guido Mantega tem dito, dia sim, outro também, que não há necessidade de se aumentar a taxa básica de juros (Selic), como projeta o mercado financeiro.


Apesar de, externamente, não expressar o seu descontentamento com a "intromissão" de Mantega em um assunto de competência exclusiva do BC, Meirelles tem se queixado muito dos "ruídos" provocados pelo ministro. Assessores do presidente do BC dizem, inclusive, que a postura de Mantega podem estar estimulando um movimento preventivo de remarcações de preços, por se temer a leniência do BC com a inflação em um ano eleitoral.


É bom que fique claro que, pelo presidente Lula, também não há razão para aumento da taxa de juros neste momento. Mas ele reconhece que disputas públicas como as que vem sendo travada entre Mantega e Meirelles -- que hoje saíram de uma entrevista de braços dados -- só estimulam os especuladores. Portanto, a ordem do presidente será para os dois baixarem a bola e cada um tomar conta de sua área, sem alarde.


Lula também aproveitará o encontro com Meirelles para tratar de política. Desde que o presidente do BC se colocou como candidato a vice na chapa presidencial liderada por Dilma Rousseff, abriu-se um fosso com o PMDB, cuja cúpula quer porque quer emplacar o deputado Michel Temer (SP) para a vaga. Lula vê Meirelles como uma boa opção para compor a chapa do governo com Dilma. Mas não quer entregar Temer de braços abertos ao candidato da oposição, José Serra (PSDB).


Brasília, 16h09min

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03.02.2010

BANCOS PÚBLICOS NÃO SERÃO ENQUADRADOS POR LIMITES IMPOSTOS PELO BANCO CENTRAL


Os limites que o Banco Central quer impor ao pagamento de bônus a executivos do sistema financeiro não devem atingir as instituições públicas. É essa a visão predominante no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal e no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O argumento dos dirigentes dessas instituições é o seguinte: elas não pagam bônus vinculados ao desempenho de determinadas operações que podem colocar os bancos em risco, as quais o BC quer regular. Seguem o Programa de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), regido pela lei 10.101 e sacramentada em muitos acordos coletivos de trabalho. Além disso, uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), que regulamentará o pagamento de bônus, não pode se sobrepor à lei.


Segundo os três bancos federais, o valor a ser pago como PLR é definido pelo Departamento de Controle das Estatais (Dest), vinculado ao Ministério do Planejamento. Todos os anos, esse órgão fixa um percentual mínimo de rentabilidade que as instituições devem apresentar. Caso atinjam as metas, poderão distribuir entre seus empregos, incluindo os executivos dos mais altos escalões, uma parte do lucro. O percentual também é fixado pelo Dest. A diferença é que os benefícios pagos aos administradores não entram na negociação com os sindicatos nas datas-base. No caso do Banco do Brasil, por exemplo, uma parte dos lucros é separada e os executivos podem receber até o equivalente a três salários como PLR por semestre. Para os demais funcionários, o rateio segue uma série de condições, como tempo de trabalho, função e responsabilidades assumidas.


Outro argumento dos bancos públicos é o de que eles já são regulados demais, tendo de prestar contas a vários órgãos de controle e de fiscalização, o que não ocorre com a iniciativa privada. Mas, apesar de reconhecer esses limites, o BC não quer deixar nenhuma brecha aberta. Quer dizer: suas decisões, ratificadas pelo CMN, valerão para qualquer pagamento de remunerações variáveis a dirigentes de bancos públicos que forem além do PLR. “Foi justamente para amarrar todas as regras, que o BC decidiu colocar o projeto que regula os bônus em audiência pública”, explicou um técnico do governo. “Teremos 90 dias (até 2 de maio), para ouvir todo mundo, consolidar as sugestões que serão apresentadas à diretoria do BC e, em seguida, ao CMN”, explicou.


Fraude com crédito


Em 2009, até setembro, o Banco do Brasil pagou R$ 22,7 milhões a seus executivos, incluindo os integrantes dos conselhos de Administração e Fiscal. A instituição não informou, porém, o quanto esse valor foi maior do que o desembolsado no mesmo período do ano anterior. Já a Caixa Econômica Federal gastou R$ 7 milhões com remunerações (incluindo o PLR) com 28 executivos, 10,4% a mais do que nos nove primeiros meses de 2008. O BNDES se limitou a dizer que seus dirigentes embolsaram, no ano passado, 2,6 salários como participação nos lucros.


Para Edison Garcia, superintendente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), independentemente da estrutura de capital dos bancos, o controle para evitar abusos cometidos por dirigentes para inflar seus resultados e, com isso, levar bônus milionários para casa é importantíssimo. “Não podemos esquecer o caso do Banco Nacional, que criava créditos fictícios para aumentar seus ativos e distribuir lucros à família Magalhães Pinto e a seus dirigentes. Os administradores devem ter responsabilidades com a saúde de longo prazo das companhias”, frisou.


Brasília, 00h01min

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02.02.2010

BRADESCO, ITAÚ UNIBANCO E SANTANDER PAGARAM R$ 830,5 MILHÕES A EXECUTIVOS EM 2009


Os três maiores bancos privados do país – Itaú Unibanco, Bradesco e Santander – pagaram R$ 839,5 milhões entre salários e bônus a seus executivos em 2009. Esse número, porém, pode ser ainda maior, pois os dados liberados pelo Itaú e pelo Santander vão até setembro. Ou seja, as duas instituições terão de agregar às contas os desembolsos feitos nos últimos três meses do ano.


No Itaú Unibanco, os pagamentos a executivos somaram, nos nove primeiros meses do ano passado, R$ 503,6 milhões, desembolso 44% maior do que o verificado em igual período de 2008. No Santander, as remunerações a administradores deram um salto, na mesma comparação, de 145,7%, passando de R$ 52,3 milhões para R$ 128,7 milhões. No Bradesco, o movimento foi o inverso: os pagamentos caíram 57%, pois o banco cortou, principalmente, os bônus. Em 2008, essa rubrica havia consumido R$ 146,6 milhões. No ano passado, a conta encolheu para R$ 23,9 milhões.


A obrigatoriedade de explicitar os gastos com os executivos, incluindo salários e bônus, não está restrita aos bancos. Depois de muita pressão da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a todas as empresas com ações negociadas em bolsa de valores que informem ao mercado o quanto custam seus dirigentes e divulguem o salário mais alto e o mais baixo pagos a eles, além de uma média dos rendimentos. O valor máximo de remunerações pagas aos executivos deve ser definido em Assembléia Geral Ordinária (AGO) de acionistas.


Brasília, 21h30min

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02.02.2010

LIVRE COMÉRCIO COM O MÉXICO


Em  meio  a  uma  extensa  agenda de encontros no Itamaraty, a delegação de representantes do governo mexicano marcou presença nesta terça-feira na sede  da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. Obetivo: discutir as possibilidades de ampliação dos acordos comerciais entre os dois países.


A visita dos mexicanos é o primeiro passo para a abertura de negociações em torno da liberalização do comércio bilateral, acertada em agosto do ano passado durante encontro oficial entre os presidentes Lula e Felipe Calderón. Atualmente, os dois países mantêm o Acordo Comercial 55, que trata do setor automotivo, e o Acordo Comercial 53, que estabelece preferências tarifárias a um número limitado de produtos.


O aprofundamento dos acordos incrementará a corrente de comércio entre os dois países, que somou US$ 5,4 bilhões em 2009. As importações brasileiras do México alcançaram US$ 2,78 bilhões e as exportações para aquele país foram de US$ 2,65 bilhões, com predominância de veículos e autopeças, favorecidos pelo acordo automotivo.


Brasília, 21h17min

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Tags: Brasil    México    livre  comércio    setor  automotivo    Confederação  Nacional  da  Indústria    CNI 
02.02.2010

FUNCEF SOCORREU ATÉ 20 PEQUENOS BANCOS NO AUGE DA CRISE MUNDIAL COM R$ 300 MILHÕES


Guilherme Lacerda, presidente da Funcef, o fundo de pensão dos empregados da Caixa Econômica Federal, admite que a entidade distribuiu entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões para até 20 bancos de pequeno porte no auge da crise mundial.


Foi uma forma de irrigar essas instituições, que vinham enfrentando saques maciços de recursos, devido às desconfianças do mercado se teriam ou não condições de sobreviver ao terremoto provocado pelo estouro da bolha imobiliária americana. O socorro só foi possível, porém, depois da criação dos títulos com garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de até R$ 20 milhões.


Lacerda garante, no entanto, que a ajuda aos bancos não foi uma determinação do governo. "Foi, sim, um ótimo negócio para a Funcef", afirma.


Brasília, 12h31min

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02.02.2010

BRADESCO APOSTA EM CRESCIMENTO DE 9,8% NA PRODUÇÃO INDUSTRIAL EM 2010


Depois de destrinchar os números da produção industrial em dezembro (queda de 0,3% ante o mês anterior) e no ano todo de 2009 (retração de 7,4%), o Departamento Econômico do Bradesco, chefiado por Octávio de Barros, aposta que a indústria terá expansão de 9,8% neste ano.


No entender dos economistas do Bradesco, o processo de crescimento da indústria será puxado pelo setor de bens intermediárias e de capital (ligados a investimentos), devido à recuperação consitente que mostraram nos últimos meses. Além disso, eles destacam que os indicadores de demanda final, divulgados recentemente, continuam fortes, com destaque para o mercado de trabalho e o nível de utilização da capacidade instalada medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV).


Brasília, 11h42min

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02.02.2010

PARA ITAÚ UNIBANCO, PRODUÇÃO E DEMANDA EM ALTA VÃO LEVAR O BC A AUMENTAR SELIC EM MARÇO


Ao comentar o resultado da produção industrial, que caiu 0,3% em dezembro ante o mês anterior, o economista Maurício Oreng, do Itaú Unibanco, ressaltou que a economia está caminhando a pleno vapor, o que levará o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) a elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual em março próximo. A taxa passará dos atuais 8,75% para 9,25% ao ano. O movimento de alta se estenderá até o fim do ano, com a Selic cravando 11,50% -- ou seja, o total a alta será de 2,75 pontos.


Para Oreng, apesar de a produção industrial ter apresentado, em dezembro, o segundo mês consecutivo de queda na série com ajuste sazonal, o setor está trabalhando a pleno vapor. Ele estima que 85% dos 27 setores pesquisados pelo IBGE estejam em expansão, o melhor resultado em aproximadamente cinco anos. O economista ressalta ainda que a queda de dezembro foi puxada por ajustes pontuais na indústria automobilística (1-,2%) e nos setores de eletroeletrônicos e de equipamentos de comunicação (-12,2%). Por isso, para janeiro, ele prevê alta de 1% na produção industrial em relação ao mês anterior.


Com o resultado da indústria de dezembro, o Itaú Unibanco calcula que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha registrado expansão de 2% no quatro trimestre de 2009, taxa que, anualizada, representa crescimento de 8%. Esse avanço foi puxado pela demanda, que deve ter computado alta de 4,5% no período.


Brasília, 11h22min




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01.02.2010

BC LIMITA PAGAMENTO DE BÔNUS EM BANCOS: MAIS DETALHES


O Banco Central vai limitar o pagamento de bônus (parte variável dos salários) a executivos de bancos. A meta é evitar que as instituições assumam riscos exagerados em suas operações para garantir a remuneração extra a seus dirigentes, mesmo que, mais à frente, os negócios resultem em prejuízos. Foi a falta desses limites que levou gestores de bancos americanos a fazerem estripulias com operações de crédito para engordar seus rendimentos, resultando na bolha imobiliária que estourou em setembro de 2008 e empurrou o mundo para a mais grave crise em quase 80 anos. Além do Brasil, a Inglaterra e a União Européia estão seguindo nessa direção, conforme ficou acertado no G-20, o grupo das nações mais ricas do mundo. Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama, propôs tal controle, mas vem sendo bombardeado pelo sistema financeiro.


Segundo a chefe-adjunta do Departamento de Normas do BC, Sílvia Marques, para que os gestores garantam a sustentabilidade dos bancos a médio e longo prazos, os bônus não poderão mais ser pagos de uma única vez. Ou seja, até 60% da remuneração além do salário fixo poderão ser quitados no primeiro ano após o fechamento dos balanços dos bancos. Os 40% restantes serão desembolsados em, no mínimo, três anos. Assim, em vez de receberem, por exemplo, R$ 1 milhão no ato, R$ 400 mil ficarão retidos e só serão pagos se, nos anos seguintes, as instituições registrarem lucro. Em caso de prejuízo, os bônus ficarão represados, com o pagamento condicionado à volta de bons resultados. “O objetivo é não descapitalizar as instituições sem saber a performance nos anos seguintes”, frisou.


O BC definiu ainda que 50% do total dos bônus terão que ser pago em ações dos bancos ou de acordo com a variação desses papéis. É uma forma, no entender de Sílvia, de garantir a agregação de valor às instituições. “No ano em que o banco tiver prejuízo, os preços das ações vão cair e não haverá remuneração extra”, afirmou. Mas não é só. Para que os bônus sejam pagos, os bancos terão de criar um Comitê de Remuneração, formado por no mínimo três integrantes com mandatos fixos de até 10 anos. Esse Comitê ficará responsável pela elaboração da política de remuneração dos executivos e pela supervisão, de forma a garantir que tudo o que foi colocado no papel esteja sendo seguido à risca.


Outros pontos relevantes são: a limitação do prazo de pagamento de “luvas” na contratação ou demissão de executivos a um ano; a obrigatoriedade para que todos os gastos com salários e bônus a dirigentes sejam explicitados nos relatórios de administração publicados anualmente pelas instituições; e a proibição para que os executivos que medem os riscos assumidos pelos bancos recebam remuneração extra vinculadas às operações aprovadas por eles – é a chamada segregação. Todas as regras valem, inclusive, para os níveis de gerência, desde que as funções tenham a ver com riscos assumidos pelos bancos, e terão de ser incorporadas por todas as instituições financeiras com ações em bolsa de valores e que tenham auditoria independente.


Para aprimorar as medidas, o BC abriu um processo de audiência pública. Ao longo de 90 dias, encerrados em 2 de maio, receberá sugestões dos interessados. Logo depois, consolidará as propostas, que serão levadas à diretoria do banco e encaminhadas à aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN). Só então, entrarão em vigor. A Federação das Associações de Bancos (Febraban) só comentará as medidas depois de uma ampla análise.


Brasília, 21h07min


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01.02.2010

BANCO CENTRAL QUER LIMITAR GANHOS DE DIRIGENTES DE BANCOS


Diante dos abusos cometidos pelos bancos de todo o mundo no pagamento de salários e bônus a seus executivos, o Banco Central do Brasil está colocando em audiência pública proposta para limitar esses benefícios, de forma a não colocar em risco a saúde das instituições.


Veja, abaixo, a íntegra nota sobre o tema divulgada pela BC:


A Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil decidiu colocar em audiência pública, pelo prazo de noventa dias, proposta de resolução que dispõe sobre a política de remuneração de administradores e empregados das instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil.


A proposta de regulação baseia-se nos compromissos assumidos pelos líderes do G20 em abril (“London Summit”) e setembro de 2009 (“Pittsburgh Summit”) voltados ao fortalecimento do sistema financeiro e à implementação coordenada de padrões de regulação prudencial para gestão de riscos. Em Londres, os Líderes do G-20 assumiram compromisso com a implementação de boas práticas para políticas de remuneração. Tal compromisso foi reafirmado em Pittsburgh, quando os Líderes destacaram ainda a necessidade de implementar padrões internacionais robustos para a política de remuneração, visando desencorajar práticas que levem à assunção de riscos excessivos, como forma de fortalecer a estabilidade do sistema e alinhar práticas de remuneração com criação de valor a longo prazo.


Nesse contexto, foram utilizadas como base as recomendações contidas em dois documentos divulgados pelo Financial Stability Board (FSB) em 2009 e referendados pelo G20: FSB Principles for Sound Compensation Practices e FSB Implementation Standards on Compensation. O propósito é adequar o arcabouço regulatório nacional às boas práticas bancárias internacionais. O primeiro documento define princípios gerais com o objetivo de alinhar as políticas de remuneração das grandes instituições financeiras a uma prudente filosofia de gerenciamento de riscos. O segundo adota abordagem mais prática, contendo propostas específicas e detalhadas de reformas na governança corporativa e nos padrões globais de estrutura de remuneração, trazendo ainda recomendações destinadas a elevar a transparência das políticas e práticas de remuneração de administradores e empregados.


A participação em fóruns como o G20 pode demandar ações específicas inclusive no que se refere a iniciativas que tenham como objetivo desenvolver e fomentar a implementação de políticas de regulação e de supervisão no interesse da estabilidade financeira, foco principal das discussões desenvolvidas no âmbito do FSB. O FSB é um organismo internacional integrado por representantes de bancos centrais, autoridades nas áreas de regulação e supervisão, ministros de finanças e instituições financeiras internacionais, entre outros. São representantes brasileiros no FSB o Banco Central, a Comissão de Valores Mobiliários e o Ministério da Fazenda.


O objetivo da proposta de normativo colocada em audiência pública é alinhar, de um lado, as políticas de remuneração aplicáveis a administradores e empregados que exerçam funções com impacto relevante sobre a exposição ao risco, e de outro, os riscos assumidos pelas instituições financeiras. Busca-se, assim, promover o desenvolvimento de políticas de remuneração compatíveis com a estratégia global de gestão de riscos, formuladas de modo a não incentivar comportamentos capazes de elevar a exposição ao risco acima dos níveis considerados prudentes no curto, médio e longo prazos.


A proposta normativa dispõe que uma política de remuneração variável implementada pelas instituições financeiras deve levar em conta, entre outros fatores, os riscos correntes e potenciais; o resultado geral da instituição, excluídos os resultados extraordinários; a capacidade de geração de fluxo de caixa da instituição financeira; e o ambiente econômico e suas tendências. Além disso, o valor final da remuneração variável paga a administradores e empregados cujas ações tenham impacto material sobre a exposição a risco deverá considerar fatores como desempenho individual; desempenho da unidade de negócios; desempenho institucional; e a relação entre desempenho e risco assumido (desempenho ajustado pelo risco).


A proposta estipula ainda que o Conselho de Administração deve ser o órgão responsável pela política de remuneração, cabendo-lhe supervisionar o planejamento, operacionalização, controle e revisão da referida política. Instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, constituídas sob a forma de companhia aberta ou que sejam obrigadas a constituir comitê de auditoria nos termos da regulamentação em vigor, passariam a ser obrigadas a instituir órgão estatutário denominado “Comitê de Remuneração”. Tal comitê será responsável por elaborar a política de remuneração da instituição, propor ao Conselho de Administração as diversas formas de remuneração, fixa e variável; supervisionar a implementação e operacionalização da política de remuneração da instituição; e zelar para que a política de remuneração esteja permanentemente compatível com a política de gestão de riscos, com as metas e a situação financeira atual e esperada da instituição e com o disposto na regulamentação.


Após o período de audiência pública, a proposta revisada deverá ser submetida à aprovação da Diretoria Colegiada do Banco Central e, posteriormente, do Conselho Monetário Nacional.



Brasília, 18h50min

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01.02.2010

HSBC VÊ INDÚSTRIA FORTE EM JANEIRO


O IBGE divulgará amanhã (terça-feira, dia 2), o resultado da produção industrial de dezembro, com queda de até 0,8%, mas, segundo Banco HSBC, não há o que temer. Pesquisa realizada pela instituição -- o Índice Gerentes de Compras (PIM) -- mostra que a indústria brasileira teve um começo de ano promissor, com o setor expandindo-se por um ritmo considerável. O índice, sazonalmente ajustado e uma consolidação de dados criada para fornecer, em um único número, uma visão geral e instantânea do desempenho do setor industrial brasileiro, alcançou 57,8 pontos em janeiro (contra 55,8 de dezembro), o patamar mais elevado desde o início da coleta dos dados em fevereiro de 2006.


Para o economista-chefe do HSBC, André Lóes, todos os componentes do Índice Gerentes de Compras HSBC mostraram, em janeiro, desempenhos superiores a dezembro. “Em nossa visão, a combinação de forte crescimento do indicador relativo à produção com a elevação do ritmo de novos pedidos e estoques – todos atingindo seu pico – sugere tendência de continuidade do forte ritmo de expansão da atividade industrial à frente", diz.


Ele ressalta ainda que, no item relativo a emprego, o índice segue reagindo favoravelmente. Mas avisa que as empresas têm reportado alguma elevação de preços finais -- o quarto mês consecutivo. “No conjunto, os dados de janeiro confirmam a dinâmica muito favorável da indústria. E acrescentam mais uma evidência na história de rápida redução da capacidade ociosa, que tem sido vista com preocupação pelo Banco Central”, afirma.


Brasília, 16h56min

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01.02.2010

SANTANDER: "A CHAPA DA INFLAÇÃO ESTÁ ESQUENTANDO"


Com ânimos exaltados no mercado, a inflação amplificou os temores dos analistas, o que, por tabela, acendeu a luz amarela no Banco Central (BC). Por isso, o título acima, muito bem empregado pelo Banco Santander em seu relatório semanal.


Para Tatiana Pinheiro, economista da instituição, a evolução dos preços ao consumidor e no atacado começam o ano descontando o movimento de desinflação registrado nos últimos meses de 2009. Pelas suas contas, o IPCA de janeiro, que será divulgado na próxima sexta-feira (dia 5), ficará em 0,68%. Jpa o IGP-DI, que também sairá na sexta, deve bater em 0,68%.


"A pergunta a ser respondida é o quanto dessa aceleração de preços ultrapassa o 'comum' para o período. Apesar de ser muito cedo para responder, se a expectativa para janeiro for confirmada, a indicação será que a pressão inflacionária neste período está ligeiramente acima do sazonal. Se a nossa expectativa for confirmada, o IPCA subirá para 4,52% no acumulado de 12 meses (era 4,31% em 2009)", diz.


Para Tatiana, a aceleração (do IPCA) em janeiro deve-se à alta sazonal nos preços dos alimentos in-natura, dos combustíveis, da recreação e pelo reajuste da tarifa de transporte urbano. Todas, pressões muito comuns ao primeiro trimestre do ano que, em fevereiro, deverão se somar ao reajuste das tarifas escolares.


"A questão está no quanto da alta a ser observada será simplesmente sazonal. Parece que, salvo deflação muito forte no bimestre fevereiro-março, alguns itens devem apresentar aceleração de preços acima do sazonal, tais como: álcool combustível, alimentos, serviços pessoais e recreação", afirma a economista do Santander. A seu ver, esse quadro sinaliza que a projeção do Banco Central para o IPCA do primeiro trimestre, de 1,5%, publicada no relatório de inflação de dezembro de 2009, tem grande chance de ser frustrada.


"Com relação aos preços no atacado, tanto os preços dos produtos industrias, quanto ao consumidor e da construção civil apresentam aceleração forte, seja por pressão do preço de commodities, por recomposição de margens ou efeito climático. Esperamos alta de 0,68%, com a inflação dos preços agrícolas desacelerando (principalmente devido aos grãos) e com a inflação dos preços industriais acelerando. No acumulado 12 meses, a inflação no atacado (IGP-DI) passará de -2,16%, dezembro passado, para -1,5%", frisa.


Brasília, 15h35min

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01.02.2010

O CUSTO SERRA

 

Assim como analistas e investidores esperam um compromisso mais forte do governo Lula com um ajuste fiscal rigoroso neste 2010 de pressões inflacionárias advindas do crescimento mais forte da economia, a cobrança é grande em relação a um posicionamento mais claro do que será a política econômica de um eventual governo José Serra, do PSBD.

 

Até bem pouco tempo, seria absurdo pensar na possibilidade de o mercado financeiro levantar qualquer suspeita sobre uma administração tucana, associada a gestões responsáveis, comprometidas com um Estado enxuto e medidas ortodoxas de controle da inflação. Mas, hoje, nove em cada dez analistas mostram preocupação diante das chances reais de o PSDB voltar a comandar o país a partir de janeiro de 2010.

 

A desconfiança ganhou corpo depois das declarações do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, em entrevista à revista Veja, de que, “sem dúvida nenhuma”, no governo tucano, se mexerá na taxa de juros, no câmbio e nas metas de inflação — o tripé-base da economia construído durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso. Por mais que Guerra tenha tentado, desde então, negar o que disse, aumentou a suspeição quanto ao que Serra fará se vencer a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, do PT, em outubro próximo.

 

Serra nunca foi o candidato preferido do mercado financeiro, por considerá-lo intervencionista demais. Portanto, quando o presidente do PSDB diz que, no governo tucano, tudo será diferente na política econômica que, nos últimos dez anos, conseguiu finalmente mudar o Brasil de patamar e garantir crescimento a taxas superiores a 4% ao ano sem pressões inflacionárias, só resta aos que tripudiam o governador de São Paulo aumentar o tiroteio contra ele.

 

Mercado cobra caro


Apesar de ciente do estrago, Serra acredita que ainda não é o momento de tornar público o seu projeto de política econômica, até porque não assumiu oficialmente a sua candidatura, por mais explícita que ela seja. Certamente, está cometendo mais um erro e incentivando a candidatura de Dilma Rousseff, que, a cada nova pesquisa eleitoral, ganha pontos importantes, levando integrantes do PT a acreditar que a ministra, uma escolha pessoal do presidente Lula, vencerá as próximas eleições do primeiro turno.

 

Em meio à postura arredia de Serra, o mercado tenta mapear quem serão os nomes fortes da equipe econômica tucana. Ainda que inexpressivos politicamente, dois nomes têm circulado entre os analistas. Os de Mauro Ricardo Costa, hoje secretário de Fazenda do estado de São Paulo, para o Ministério da Fazenda, e de Gesner Oliveira, atual presidente da Sabesb, para a presidência do Banco Central. São especulações? Com certeza. Mas elas têm feito parte do cenário traçado pelo mercado, e vêm sendo embutidas nos elevados “prêmios de risco” cobrados pelos investidores para atravessar o ano de eleições presidenciais.

 

Dias de tensão


Por falar em riscos, teremos uma semana movimentada, com indicadores que vão reforçar, ou não, as apostas de alta da taxa básica de juros (Selic) entre março e abril próximos. Na terça, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o resultado da produção industrial de dezembro e de todo 2009. Muito provavelmente, o que se verá no último mês do ano é uma indústria em crescimento, mas em processo de desaceleração, com queda de 0,8% ante novembro.

 

Na quinta, todas as atenções estarão voltadas para a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada. O comunicado emitido pelo Banco Central para justificar a decisão de manter a Selic em 8,75% ao ano induziu os agentes econômicos a verem o arrocho monetário mais próximo. O BC não só deixou de destacar o que chamava de “ociosidade” no parque produtivo e no mercado de trabalho, como não frisou ver a inflação convergindo para o centro da meta de 4,5% definida pelo governo.

 

No dia seguinte, o IBGE dará um número que, com certeza, será usado de forma enfática pelos que pregam o aumento de juros já. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro deve ter ficado em 0,71%, indicando inflação anualizada de quase 9%, ou seja, muito acima do teto da meta perseguida pela BC, de 6,5%. Todo mundo sabe que esse resultado está influenciado por fatores pontuais, como o aumento de 17% nas passagens dos ônibus urbanos de São Paulo e a alta dos alimentos afetados pelo excesso de chuvas. Mas, mesmo assim, as expectativas de inflação colhidas pelo BC vão subir, estimulando um movimento perigoso de remarcações preventivas que podem se traduzir em real disparada dos preços.

 

Recado a Mesquita

O governo está em polvorosa. Desde que voltou de férias, há duas semanas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, assumiu para si a missão de convencer a todos — sobretudo a ala mais conservadora do BC, comandada pelo diretor de Política Econômica, Mário Mesquita — de que não há razões efetivas para aumento de juros. Assim como, em janeiro, o IPCA foi puxado por fatores que não sofrem qualquer influência da taxa de juros, em fevereiro, acontecerá o mesmo, pois o índice captará o reajuste das mensalidades escolares. E como, nesse período, já se verá a economia crescendo a um ritmo mais moderado, não haverá porque o Copom ser tão duro. Pelo menos até agora, tendo a concordar com Mantega.

 

Brasília, 12h25min

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31.01.2010

SEMANA DE MUITA TENSÃO


ARTIGO

JANKIEL SANTOS E FLÁVIO SERRANO (*)


A alteração feita no comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) na última quarta-feira (dia 27) não deixou dúvidas: o Banco Central está na iminência de elevar a meta da taxa Selic. Agora, a questão é: quando o processo de aperto monetário será iniciado? Março ou abril?


Na tentativa de esclarecer esse ponto, os agentes de mercado deverão avaliar minuciosamente a ata do último encontro, que será divulgada na próxima quinta-feira. Avaliamos que a chance de um aumento de juros em Março aumentou recentemente, já que o comunicado não fez qualquer referência à ociosidade remanescente dos fatores de produção da economia brasileira – quadro bastante divergente daquele apresentado na reunião de dezembro de 2009 – nem tampouco à convergência da inflação para a trajetória objetivo ao longo do horizonte relevante de tempo.


Desta vez, os membros do comitê mencionaram apenas que adotarão uma abordagem do tipo “esperar para ver” com relação aos desdobramentos das condições econômicas até Março, antes de estabelecer o patamar da taxa básica.


Esta é uma grande mudança em comparação à postura anterior, quando o BC parecia bastante confiante no cumprimento da meta inflacionária concomitante à manutenção da taxa Selic no patamar corrente. Aparentemente, essa confiança foi erodida, especialmente por conta da deterioração nas expectativas inflacionárias, que são o cerne do modelo de projeções macroeconômicas do BC. Caso essa tendência se perpetue, as estimativas de inflação do BC para os próximos anos deverão divergir da meta de 4,5%, fazendo com que ele tenha de alterar sua atual postura acomodatícia para uma mais restritiva.


Infelizmente, dadas as surpresas negativas com as recentes divulgações dos indicadores de inflação, julgamos que a mediana das projeções de inflação dos agentes de mercado está fadada a permanecer em alta, uma vez que os próximos resultados dos índices de preços vão girar – devido a fatores sazonais – em patamar não consistente com as metas estabelecidas para 2010 e 2011. Aliás, esperamos que o IPCA de Jan10, a ser divulgado na próxima sexta-feira, releve variação mensal de 0,71% – ou 8,9% em termos anualizados – impulsionado pela alta de preços dos produtos alimentícios e da tarifa de transporte público.


O primeiro está sendo influenciado pelo período chuvoso, enquanto o último está refletindo a ajuste na passagem de ônibus em São Paulo, o que ilustra o caráter temporário dos fatores que estão empurrando os índices de preço para cima neste início de ano. Levando em consideração as medidas de núcleo inflacionário, os três indicadores avaliados pelo BC deverão ter registrado média de 0,53% no mês – ou 6,5% em termos anualizados, que é o teto da margem de tolerância da meta de inflação – também parcialmente pressionadas por fatores sazonais.


Não obstante o fato de que parte da recente aceleração de inflação deverá recuar – em outubro a média dos núcleos foi de 3,5% em termos anualizados – é verdade que a retomada econômica fará com que alguns itens apresentem uma inflação mais alta do que no ano passado. É por este motivo que avaliamos que as expectativas inflacionárias permanecerão em alta nas próximas semanas.


Contudo, ainda que reconheçamos que nossa projeção possa ser superada, ainda acreditamos que o ritmo da economia não será suficiente para levar o IPCA a patamares muito superiores à meta estabelecida para 2010. Aliás, os indicadores de atividade econômica programados para serem divulgados ao longo da próxima semana deverão dar suporte à percepção de que a expansão desacelerará à frente. Dentre eles, o destaque ficará a cargo da produção industrial de Dez09, para a qual estimamos queda mensal de 0,8% em termos dessazonalizados.


É importante lembrar que o crescimento interanual projetado de 17,1% será altamente influenciado pela baixa base de comparação e, por conta disto, não deve ser levada “a ferro e fogo”. Como temos dito há algum tempo, embora a produção tenha retornado a patamares pré-crise em alguns segmentos – em parte por conta dos incentivos fiscais – a situação em diversos deles ainda permanece difícil. Consequentemente, caso nossas projeções sejam confirmadas, a visão de que a economia brasileira continuará acelerando seu ritmo poderá ficar sob júdice (bem como as apostas em um aperto monetário agressivo).


(*) Economistas do Banco BES Investimento.


Brasília, 15h01min

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31.01.2010

QUEBRANDO A ROTINA


CRÔNICA

LUCIANA ASSUNÇÃO (*)


lulupisces@gmail.com


SURFANDO NO TSUNAMI


Como uma apaixonada e dependente das palavras impressas no papel, me recuso a acreditar que livros e jornais desaparecerão um dia, e tudo o que nos restará será este espaço virtual em que agora navego. Mas não se pode negar que a internet é a “quarta onda” que, talvez, Alvin Toffler tenha querido prever, mas não ousou acreditar tanto.  Afinal, quem poderia imaginar a existência de uma mídia versátil que numa única interface pode assumir a postura de jornal, revista, rádio ou televisão?


A internet está aí e ainda é um desafio para todos nós que trabalhamos com comunicação. Os meios tradicionais são veículos que comunicam em uma única direção, tendo como objetivo levar uma mensagem para muitas, milhares de pessoas. A tão propalada, estudada e criticada “comunicação de massa” da nossa velha companheira “Escola de Frankfurt”.


Entretanto, o hipertexto e as tecnologias são aspectos da internet que permitem uma maior personalização e interatividade, o que muda totalmente a maneira de transmitir informações, pois o emissor deixa de ter o completo domínio do processo. O centro das atenções, agora, é o receptor, ou seja, o foco da comunicação passou a ser o consumidor de “qualquer dado”.


Mudança que veio bem a calhar para uma sociedade cada vez mais hedonista e individualista. O consumidor de hoje quer exclusividade, mesmo que aparente; quer personalização. A internet oferece exatamente isso: a individualização de do processo comunicativo. O indivíduo, do conforto da sua casa ou da sua estação de trabalho, pode assumir o controle do que quer ver, ler, comprar... Acredito que esteja aí a chave para entender porque o investimento em publicidade virtual cresce a passos largos, enquanto o faturamento das mídias de massa tradicionais está sofrendo retração bastante acentuada nos EUA e também no Brasil.


O alto valor da veiculação e produção da publicidade em meios massivos pode ser o causador desse comportamento. Por outro lado, a facilidade em segmentar adequadamente o público-alvo oferecida pelos sites é tentadora para as empresas anunciantes. As características gráficas e de texto presentes na internet auxiliam na qualificação do segmento de público que se quer atingir, facilitando a venda de espaços publicitários. Imagina, então, ter a possibilidade de escolher em que páginas específicas de determinado site você quer que o seu anúncio apareça? É o sonho de consumo de todo profissional de mídia!


Todos esses processos fazem parte da evolução (revolução) da comunicação no mundo globalizado e digitalizado. Não há como apertar o reward. A quarta onda, ou melhor, o tsunami já devastou o paraíso e agora só resta aos veículos de massa reconstruir, remodelar, repensar e criar novas alternativas de sobrevivência neste cenário de luta extremamente agressiva pelas verbas publicitárias.


Não me espantaria que o Google anunciasse em tom triunfal a compra de um gigante “de papel” como o New York Times. Conglomerados de comunicação já são uma realidade nestes insanos tempos em que, viver ou não viver na “matrix”, se transformou na charada filosófico-existencialista das próximas décadas. 



(*) Jornalista e publicitária, escreve todos os domingos neste blog.


Brasília, 08h10min

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30.01.2010

COPOM DEIXA AS PORTAS ABERTAS PARA A ALTA DA SELIC


ARTIGO

MARISTELLA ANSANELLI E GUSTAVO ARRUDA (*)


Sem novidades na decisão pela manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 8,75% por mais um período, o destaque ficou para as mudanças no comunicado divulgado após a reunião de política monetária de janeiro. Corroborando as expectativas, o Banco Central retirou a sinalização de manutenção dos juros, que vigorava nos comunicados até dezembro, e deixou as portas abertas para dar início ao ciclo de aperto monetário em março ou abril.


A mudança de tom fica muito clara com a exclusão das referências sobre o cenário inflacionário benigno e a margem de ociosidade remanescente na economia, que foram substituídas pela frase “O Comitê irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até a sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária.” Além disso, o texto do comunicado é uma repetição do comunicado da reunião de janeiro de 2008, que antecedeu o início do ciclo de aperto monetário em abril daquele ano.


Tudo somado, fica clara a intenção do Copom de dar início do ciclo de alta dos juros em breve. A questão em aberto é se a alta deve ocorrer em abril ou ser antecipada para março. Nosso cenário segue apontando para o início do ciclo em abril, fundamentado nos atuais níveis de utilização de capacidade instalada (NUCI) e no hiato do produto ainda negativo.


É fato que a velocidade de fechamento do hiato e aumento do NUCI tem superado as expectativas, mas acreditamos que os níveis atuais permitem que o Copom espere até abril para dar início ao ciclo de aperto, até para ter maiores informações sobre o real ritmo de recuperação das economias mundial e brasileira.


Os riscos de uma elevação em março, no entanto, não são desprezíveis, especialmente por conta dos impactos da inflação corrente mais elevada sobre as expectativas. Novas surpresas negativas do lado da inflação, especialmente por conta das incertezas no grupo dos alimentos, podem ter impacto severo sobre as expectativas e antecipar a necessidade de uma elevação da Selic para março.


Em resumo, mantemos nossa expectativa de alta da Selic em abril e também nossa percepção de riscos assimétricos para uma antecipação para março. Com relação à magnitude do ciclo, também mantemos os 2,5 pontos de alta ao longo deste ano como o cenário mais provável.


(*) Economistas do Banco Fibra.


Brasília, 22h26min

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29.01.2010

MEIRELLES VAI AO ESTADO DE DILMA. ISSO AINDA ACABARÁ EM CHAPA PRESIDENCIAL


Disposto a brigar pela vaga de vice na chapa presidencial liderada por Dilma Rousseff, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, aportará, na próxima sexta-feira (dia 5 de fevereiro), em Caxias do Sul, uma das cidades mais importantes do Rio Grande do Sul, estado no qual a ministra da Casa Civil fez carreira política.


Meirelles fará uma palestra na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) sobre as perspectivas econômicas para 2010. Será uma reunião-almoço que custará R$ 40 a cada associado.


Quem entende de política diz que a ida de Meirelles a Caxias será um afago e tanto em Dilma, que também deverá estar na cidade no mesmo dia, assim como o presidente Lula, que vê, com bons olhos o presidente do BC como vice da ministra.


Brasília, 19h22min

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29.01.2010

BANCO UBS ESTÁ PRONTO PARA RETORNAR AO BRASIL


Depois de comprar o Pactual e de revendê-lo aos ex-donos, o Banco UBS prepara se retorno ao Brasil. A estrutura do banco suíço está prontinha para operar. Só está esperando as aprovações do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).


Brasília, 16h25min

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29.01.2010

SUPERÁVIT PRIMÁRIO DE 2010 SERÁ DE R$ 114 BILHÕES


Se realmente cumprir a promessa de entregar, em 2010, um superávit primário de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB), como forma de recuperar a credibilidade das contas públicas, o governo terá que fazer uma economia de pelo menos R$ 114 bilhões. É esse o cálculo que os analistas estão fazendo e que tem provocado descrédito quanto à capacidade de a administração Lula atingir, em um ano eleitoral, tal quantia para o pagamento de juros da dívida.


Para se ter uma idéia do tamanho do esforço a ser empreendido, o superávit primário de 2010 terá que ser R$ 49,5 bilhões superior ao registrado no ano passado, de R$ 64,5 bilhões. A missão ganhará uma dimensão ainda maior se for levado em conta que, da economia de 2009, R$ 26 bilhões decorreram de receitas extraordinárias – dividendos de estatais, depósitos judiciais e absorção do patrimônio do Fundo Nacional de Desenvolvimento (FND) –, que não tendem a se repetir na mesma proporção.

“São esses números que nos fazem acreditar que a meta de 3,3% do PIB não será cumprida neste ano”, disse o economista-chefe da Corretora Convenção, Fernando Montero, um dos maiores especialistas em contas públicas do país. Segundo ele, para cada ponto percentual de aumento do superávit primário em relação ao PIB, as receitas do governo terão de crescer 5% acima das despesas. “Mas não vejo espaço para isso acontecer, ainda que a atividade econômica avance muito, devido ao excesso de despesas já contratadas pelo setor público”, acrescentou.


No entender de Montero, a intenção do governo de cumprir a meta de superávit primário de 3,3% do PIB em 2010 é boa. “Mas, infelizmente, a promessa não tem credibilidade”, disse. A seu ver, mesmo que o governo entregue a meta, a desconfiança dos analistas e dos investidores será grande, pois o número em si deixou de ser relevante. “Agora, o que realmente importa, quando se olha para as contas públicas, é a qualidade do superávit, de onde vieram as receitas para a economia”, assinalou.


Artificialismo


O descrédito, destacou o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, aumentou ontem (dia 28), depois da divulgação dos resultados das contas públicas de 2009 pelo Banco Central. O superávit primário consolidado do setor público – União, estados, municípios e estatais – ficou em 2,06% do PIB, o pior saldo desde 2001, início da série histórica do BC que agrega as estatais, excluindo-se a Petrobras. A meta oficial, porém, era de 2,5%. Para chegar a ela, o governo foi obrigado a lançar mão de um expediente pouco ortodoxo: o abatimento de gastos com obras previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O desconto chegou a R$ 13,9 bilhões, o equivalente a 0,44% do PIB. Foi a primeira vez que se usou tal mecanismo.


“É preciso ressaltar que todas as operações – uso de receitas extraordinárias e abatimento de gastos com o PAC – estão em conformidade com as regras. São coerentes com a metodologia”, assegurou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Ele ressaltou, ainda, que o compromisso do governo de fazer a economia de 3,3% do PIB neste ano para o pagamento de juros da dívida é real. E isso será facilitado pela forte retomada da atividade econômica, que impulsionará a arrecadação de impostos. Além disso, acabará a redução de tributos (IPI) dada a vários setores, entre eles o automobilístico e de eletrodomésticos, para amainar os impactos negativos da crise mundial.


Altamir reconheceu, contudo, que o melhor seria o governo não contar apenas com o aumento de impostos para cumprir a meta de superávit primário. “Se houvesse espaço, de fato, seria melhor fazer o superávit por meio da contração de despesas”, afirmou. É o que também acredita Newton Rosa. “Muito do descrédito do mercado em relação às contas públicas decorre dos artificialismos aos quais o governo recorreu e do fato de o superávit estar sustentado apenas nas receitas”, emendou.


Outro dado decepcionante, no entender dos analistas, foi o déficit nominal. Como o superávit primário, de R$ 64,5 bilhões, não foi suficiente para cobrir as despesas com juros, de R$ 169,1 bilhões, o rombo total das contas públicas atingiu R$ 104,6 bilhões, o maior da série histórica do BC e o equivalente a 3,34% do PIB. “Foi o impacto da crise. Mas se compararmos esse resultado com os das economias desenvolvidas, veremos que o país foi menos afetado”, disse Altamir. Nos Estados Unidos, o déficit nominal saltou de 5,9% para 10,1% do PIB entre 2008 e 2009. Na Alemanha, o aumento foi de 0,1% para 4,2%.


Brasília, 00h01min


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28.01.2010

CADA BRASILEIRO PAGOU R$ 880 EM JUROS DA DÍVIDA PÚBLICA EM 2009


A queda da taxa básica de juros (Selic), de 13,75% para 8,75% ao ano em 2009, não aliviou o peso da dívida pública nas contas do governo. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, as despesas com juros totalizaram R$ 169,1 bilhões – recorde histórico –, o correspondente a 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso significa dizer que, ao longo do ano passado, cada um dos 192,4 milhões de brasileiros arcou com R$ 880 dessas despesas, fatura que pode aumentar neste ano caso o BC seja obrigado a elevar a Selic para conter pressões inflacionárias decorrentes, sobretudo, do incremento dos gastos públicos.


A conta dos juros acompanhou o crescimento da dívida líquida do setor público, que pulou, entre 2008 e 2009, de R$ 1,153 trilhão para R$ 1,345 trilhão – um aumento de R$ 192 bilhões –, batendo em 43% do PIB. No entender de Altamir, esse salto não deve, porém, ser visto com preocupação, pois não se trata de descontrole. “Do ponto de vista de solvência (da dívida), não há com o que se preocupar. A dinâmica da dívida é de queda. Pelas nossas projeções, a relação com o PIB fechará 2010 em 40%”, assegurou.


Ele destacou ainda que boa parte do aumento da dívida no ano passado decorreu do comportamento do câmbio. Enquanto, em 2008, a moeda americana registrou alta de 32%, jogando o endividamento para baixo, já que o Brasil é credor em dólar, em 2009, houve o inverso, uma vez que o real subiu 26%. “Tudo o que se ganhou com o câmbio em 2008, devolveu-se em 2009”, frisou. Para cada 1% de alta do dólar, a relação entre a dívida e o PIB cai 0,11 ponto percentual. Quando o real se valoriza, o indicador faz a trajetória inversa.


Na avaliação do economista do BC, também a dívida bruta do setor público, que não desconta as reservas internacionais do país, de US$ 240 bilhões, nem os créditos a receber, está com trajetória de queda. Não foi, porém, o que se viu no ano passado, quando o endividamento bruto passou de R$ 1,740 trilhão ( 56,3% do PIB) para R$ 1,973 trilhão (63% do PIB). É a dívida bruta que os analistas e as agências de classificação de risco olham para avaliar a saúde financeira de um país.


Brasília, 20h16min


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28.01.2010

PARA ALTAMIR LOPES, MELHOR SERIA FAZER SUPERÁVIT POR CORTE DE GASTOS. MAS NÃO DÁ


O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, mostra-se confiante em relação ao cumprimento da meta de superávit primário de 3,3% do Produto Inetrno Bruto (PIB) em 2010, número visto com reservas pelo mercado. Segundo ele, com a forte retomada da atividade econômica, as receitas com impostos vão aumentar, facilitando a vida do governo para se chegar aos 3,3% do PIB sem qualquer desconto de investimentos, como o verificado em 2009.


Altamir reconheceu, porém, que o melhor seria o governo não contar somente com o aumento das receitas para fazer o superávit de 3,3%, mas também cortar gastos. "Se houvesse, de fato, espaço para a compressão das despesas, seria melhor", disse ao blogueiro. Ele lembrou que, neste ano, o governo terá de volta receitas das quais abriu mão no ano passado por meio da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), para amainar os efeitos da crise mundial.


Ele chamou ainda a atenção para a trajetória cadente da relação entre a dívida líquida e o PIB, que deve fechar este ano em 40% ante os 43% de 2009. "Portanto, não há com o que se preocupar com essa questão de solvência", afirmou.


Brasília, 12h48min

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28.01.2010

DÉFICIT NOMINAL, QUE INCLUI A CONTA DE JUROS, AUMENTOU 82,8% NO ANO PASSADO


Mesmo com a queda da taxa básica de juros (Selic) para ajudar a reverter a recessão na qual o país mergulhou no ano passado, por causa da crise mundial, o setor público não conseguiu economizar o suficiente para pagar seus credores. Com isso, o Brasil fechou 2009 com déficit nominal de R$ 104,6 bilhões, com crescimento de 82,8% sobre o ano anterior.


Para calcular o déficit nominal, o Banco Central levou em conta os gastos com juros, de R$ 169,1 bilhões em 2009, e, desse valor, descontou o superávit primário de R$ 64,5 bilhões.


Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o déficit nominal alançou 3,34%, mostrando que as contas públicas estão em franca deterioração.


Para os analistas, o governo precisa dar uma demonstração clara ao longo de 2010 de que realmente está comprometido com o ajuste fiscal, tão necessário para manter a inflação sob controle e tirar um peso sobre o BC, que pode ser obrigado a elevar os juros a partir de abril, como projeta a maior parte do mercado.


Brasília, 11h06min

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