saude para todos!


Segunda-feira, 08 de fevereiro de 2010

Recado do neurologista



O excesso de analgésicos ao invés
de ajudar pode até piorar a enxaqueca



Por Ricardo Teixeira*


A cada ano, até 15% das pessoas com enxaqueca passam a apresentar crises quase diárias. Já conhecemos alguns fatores de risco modificáveis que aumentam o risco para a cronificação da enxaqueca: obesidade, distúrbios do sono, excesso de cafeína, tabagismo, eventos estressantes e dor crônica. Entretanto, nenhum fator tem tanto impacto como o uso excessivo de analgésicos. Os estudos epidemiológicos revelam que cerca de 3% a 4% da população mundial sofre de dor de cabeça diária, grande parte devido ao excesso de analgésicos. Seu consumo não deve exceder mais do que duas vezes por semana. É um ciclo vicioso: quanto mais analgésicos, mais dor de cabeça. Entretanto, não é difícil imaginar que a divulgação desse problema contraria interesses comerciais de proporções gigantes.
 


Resolve-se o problema com a suspensão abrupta dos analgésicos e o início de um tratamento com medicação que recolocará a química cerebral no seu lugar certo e que deve durar pelo menos seis meses. Há evidências do benefício do uso de corticóides e/ou neurolépticos nos primeiros dias da “abstinência” dos analgésicos. Durante a retirada, deve-se evitar o uso de analgésicos associados a tranquilizantes, opióides, barbitúricos, cafeína, assim como mistura de analgésicos. Os anti-inflamatórios não hormonais são boas opções nesses casos.


Além do risco de cronificação da enxaqueca, o uso de analgésicos sem instrução médica pode levar a outros riscos, já que algumas medicações são contra-indicadas a depender do tipo de enxaqueca e dos antecedentes patológicos do indivíduo.


* Ricardo Teixeira é doutor em neurologia e pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp. Escreve todas as segundas-feiras neste blog.

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Quarta-feira, 03 de fevereiro de 2010

Internet depressiva



"Nossa pesquisa indica que o uso excessivo da internet está associado com depressão, mas o que não sabemos é o que vem primeiro. As pessoas depressivas são atraídas pela internet ou é o uso da rede que causa depressão?"


Catriona Morrison, responsável pela pesquisa sobre internet e depressão, realizado na Universidade de Lees (Grã-Bretanha) . Segundo o estudo, pessoas que navegam horas na internet possuem mais chances de serem depressivas.


E conclui:


"Enquanto a maioria usa a rede mundial para se informar, pagar contas, fazer compras e trocar e-mails, há uma pequena parcela dos usuários que acha difícil controlar o tempo gasto on-line. Isso ao ponto em que tal hábito passa a interferir em suas atividades diárias."


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Terça-feira, 02 de fevereiro de 2010

Vacina não causa autismo



A revista médica britânica The Lancet se retratou formalmente hoje de um estudo de 1998 que vinculava a vacina tríplice viral (sarampo, rubéola, caxumba) com o autismo.


A revista decidiu também retirar esse artigo de seus arquivos. A informação gerou um retrocesso no uso desta tríplice inoculação no Reino Unido.


A Lancet já havia reconhecido em 2004 que não devia ter publicado esse estudo do pesquisador Andrew Wakefield, que gerou, além disso, uma forte polêmica no país.


"Retiramos totalmente este estudo de nossos arquivos de publicações", disseram os editores em um comunicado publicado on-line.






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Terça-feira, 02 de fevereiro de 2010

Protetor solar: o jeito certo de usar



O sol forte pede o uso de protetor solar. Não apenas no rosto, mas nas partes expostas aos raios solares. Um exemplo: o braço esquerdo de quem dirige. O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgaram nesta semana um boletim sobre o uso correto de protetor solar. Confira a cartilha.



Verão mais seguro: orientações sobre protetor solar


Com a chegada da estação do verão é necessário aumentar os cuidados com a proteção da pele, pois a exposição excessiva ao sol contribui para o desenvolvimento do câncer de pele e o envelhecimento precoce.


Esses cuidados contra os efeitos danosos do sol, que são cumulativos, devem se estender durante todo o ano e não só no verão, pois os raios ultravioletas (UV) conseguem alcançar a Terra também em dias nublados e com pouca luminosidade.



Para melhor entender o conceito, a radiação ultravioleta (UV) é formada por raios UVA, UVB e UVC que são invisíveis, mas penetram na pele e podem provocar queimadura solar, envelhecimento precoce, câncer de pele, além de danos nos olhos e no sistema imunológico.



A radiação UVA possui intensidade o ano todo e penetra na pele profundamente enquanto a radiação UVB tem intensidade maior no verão e ela que causa a queimadura solar e predispõe ao câncer de pele. Por isso, os cuidados com a exposição ao sol devem iniciar principalmente na infância porque a radiação é cumulativa e se estende ao longo da vida.



Usar protetor solar com Fator de Proteção (FPS) de no mínimo 15, diariamente, independente da cor da sua pele; evitar expor-se ao sol no período entre 10 e 16 horas; usar chapéu com abas, óculos escuros e roupas apropriadas, são medidas que ajudam a se proteger e aproveitar melhor o verão e as outras estações.



Conceito dos protetores solares


Os protetores solares são produtos de uso externo que contêm em sua formulação filtros solares que são substâncias químicas e/ou físicas que atuam como barreiras protetoras da pele protegendo-a contra as radiações solares.


FPS - Fator de Proteção Solar


FPS - Fator de Proteção Solar - mencionado no rótulo do produto identifica a proteção oferecida pelo produto contra os raios UVB.


Para fins de registro dos protetores solares, a Anvisa estabelece metodologias de referências para determinação do nível de proteção solar e para resistência à água e também estabelece a lista de substâncias que podem ser usadas como filtro solar em produtos cosméticos.


Além disso, determina como requisitos obrigatórios os dados de segurança e a comprovação de eficácia, dentre outros. Para registro destes, é necessária ainda, a apresentação de teste de eficácia de uso do produto acabado antes da liberação para o mercado.


Orientações na compra e uso de protetores solares


Aplique o protetor solar na pele no mínimo 30 minutos antes da exposição ao sol. Todos os protetores solares, mesmo os resistentes à água, devem ser reaplicados após:


    * duas horas de exposição contínua ao sol
    * nadar ou mergulhar
    * secar-se com toalhas
    * praticar exercícios físicos
    * suar excessivamente


Utilização do protetor solar


Ao comprar um protetor solar, leia e observe atentamente se na embalagem contém:


    * Número de registro do produto na Anvisa/MS. O número de registro de produtos cosméticos inicia-se com o número 2 e pode ter 9 ou 13 dígitos.
    * Indicação do FPS (de acordo com o tipo de pele)
    * Modo de usar
    * Prazo de validade
    * Indicação da necessidade de reaplicação do produto para manutenção de sua eficácia
    * Orientações e advertências, tais como: "Atenção: este produto não oferece nenhuma proteção contra insolação".


Outras dicas para uso do protetor solar


Não se esqueça de passar protetor nas partes mais vulneráveis como: orelhas, pescoço, nariz, pés e mãos.


Lembre-se: a simples utilização do protetor solar não garante a total prevenção, e nem significa que podemos nos expor por mais tempo ao sol, o objetivo do seu uso é amenizar e proteger dos efeitos nocivos da radiação solar.


Além disto, o produto só será eficaz se utilizado corretamente.



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Segunda-feira, 01 de fevereiro de 2010

Recado do neurologista



Pilritos, pilriteiros e equilíbrio mental


Por Ricardo Teixeira*


Adorei uma frase que conheci há alguns anos por meio de um grande psiquiatra de Campinas, Pedro Amparo, quando ele me convencia que não deveríamos nos martirizar por ficarmos exigindo dos outros aquilo que eles não podem nos oferecer. Com sotaque bem português a frase dizia assim: Cada qual dá o que tem conforme a sua pessoa.

 
Anos depois aprendi com uma senhora portuguesa que na verdade essa frase é parte de uma quadra popular bastante conhecida em Portugal:

 
Pilriteiro, dás pilritos
Porque não dás coisa boa?
Cada qual dá o que tem
Conforme a sua pessoa.

 
Em Portugal há também um ditado muito popular que diz a mesma coisa:
 

 
Pilriteiro dá pilritos, a mais não é obrigado.

 
O pilriteiro é um arbusto espinhoso bastante comum em Portugal e dá uma frutinha muito ácida, o pilrito. Pela quadrinha popular, parece que o pilrito não deve mesmo ser uma fruta muito apreciada. Tenho uma teoria sobre frutas exóticas que pode se aplicar a esse caso. Se pilrito fosse bom mesmo, seu nome seria morango ou banana e seria exportado para todos os cantos do planeta.

 

Boa parte das situações do dia-a-dia que poderiam nos afastar do nosso equilíbrio mental tem a ver com o potencial que elas têm de nos deixar indignados com o desempenho ou atitudes de outras pessoas. É o prestador de serviço que não terminou o serviço direito; é um motorista que passa à nossa frente pelo acostamento enquanto estamos parados direitinhos na fila do engarrafamento ou é a moça do caixa do supermercado que é meio lenta. Podemos começar a enxergar esse cotidiano através de uma outra ótica. O cara que fura fila não tem educação e princípios de cidadania. Vamos nos irritar? Brigar? A moça lenta no caixa do supermercado é lenta mesmo e nem foi treinada para ser mais rápida. O mau prestador de serviços é ruim de serviço mesmo e foi a gente que fez a escolha. Antes de reagirmos de forma a perder nosso dia, podemos pensar que pilriteiros dão pilritos  … E sempre que tivermos poder de escolha, não precisamos insistir em comer pilritos. Mudamos a página e seguimos em frente com morangos.


* Ricardo Teixeira é doutor em neurologia e pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp. Escreve todas as segundas-feiras neste blog.

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Quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Cirurgia segura



A morte de Lanusse Martins Barbosa, durante uma lipoaspiração, mais uma vez desperta o interesse delicado: há cirurgia segura?  O artigo da jornalista Carla Furtado, do Grupo Athena, informa que cerca de um milhão de pessoas morrem todos os anos em decorrência de procedimentos cirúrgicos. E o Protocolo de Cirurgia Segura reduz em 42% a mortalidade. Confira.


O QUE OS PACIENTES PRECISAM SABER

Carla Furtado

 

Por aqui o tema ainda é pouco debatido, mas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa a preocupação com a segurança dos procedimentos cirúrgicos é recorrente. Tanto, que para obtenção da Acreditação Hospitalar concedida pela Joint Comission International (JCI) – privilégio de poucas instituições brasileiras, como Albert Einstein, Sírio Libanês e Oswaldo Cruz - a implantação do Protocolo de Cirurgia Segura é passo imprescindível.

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), no mundo anualmente 7 milhões de pacientes sofrem complicações após intervenções cirúrgicas e, desses, 1 milhão vão a óbito. Muitas complicações e mortes podem ser evitadas com a implantação de rotinas simples. E é isso que prega a JCI, representada no País pelo Consórcio Brasileiro de Acreditação.

 

O Protocolo de Cirurgia Segura implica na utilização de um checklist para verificação de pontos-chave antes de fases específicas da assistência perioperatória. “A primeira checagem se dá antes da anestesia e visa garantir que o procedimento correto seja realizado no paciente correto e na região do corpo correta”, descreve Rejane Mariotto, diretora de qualidade e segurança do Hospital Brasília, primeira entidade das regiões centro-oeste e norte em fase de preparação para a Acreditação Internacional pela JCI.

 

“Verificam-se também se o consentimento informado, bem como todos os exames e avaliações médicas e de enfermagem pré-operatórios necessários para definição do risco cirúrgico e anestésico foram realizados e se todos os profissionais e materiais necessários para o procedimento estão disponíveis. Só então é feita a indução anestésica”, complementa a executiva. Além disso, antes da incisão, todos os profissionais avaliam possíveis intercorrências durante o ato cirúrgico. Ao final do procedimento e antes de deixar a sala, a equipe conta compressas e instrumentais, identifica materiais de biópsia e avalia os pontos mais importantes para a recuperação pós-anestésica e pós-operatória do paciente.

 

O professor Edmundo Ferraz, consultor do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e da OMS, é atuante defensor do Protocolo. Ele participou, em 2007, do encontro realizado em Genebra, com vistas a validar a rotina-padrão de segurança para cirurgias. “Os resultados do estudo piloto realizado em nove cidades do mundo, publicado em janeiro de 2009 no New England Journal of Medicine, foram surpreendentes e decisivos. A introdução do checklist reduziu em 37% as complicações pós-cirúrgicas e em 42% a mortalidade”, enfatiza. Ferraz espera agora o anúncio da implantação oficial da política de cirurgia segura no Brasil: “Por enquanto é privilégio dos hospitais de elite”.

 
A implantação do Protocolo demanda uma profunda mudança cultural. José Henrique Germann Ferreira, ex superintendente do Hospital Albert Einstein e atual diretor geral do São Lucas - de Ribeirão Preto, lembra que toda instituição de saúde que atua com corpo clínico aberto enfrenta dificuldades para implementar normas universais de funcionamento. “O médico que trabalha em vários hospitais sofre mais a pressão do tempo e a adoção de sistemas de gerenciamento normalmente demanda o cumprimento de novos passos, ou seja, mais tempo”, comenta. Para o executivo, a saída para envolver esse personagem fundamental no processo está no relacionamento: “Quanto mais a instituição investe na disseminação de informações e no estreitamento de laços com seu corpo clínico, menor é a resistência”. 

 

Convidado para falar sobre o tema em vários países, o professor Edmundo Ferraz é enfático sobre os benefícios para o próprio médico. “É importante que trabalhemos com segurança e tranqüilidade, sabendo que dispomos de todos os recursos para operar”. Em uma profissão na qual um erro pode trazer sensível impacto à vida pessoal, não resta dúvida de que segurança é palavra de ordem.

 

Espera-se que, com o tempo, a disseminação de informações sobre a Cirurgia Segura dê ao paciente a condição de verificar e até exigir que a instituição na qual será operado ofereça as condições ideais – seja ela pública ou privada. “O paciente ainda avalia a qualidade de um serviço de saúde a partir de determinados critérios, usualmente por aquilo que ele consegue ver. Esses aspectos são importantes, mas há outros que ele não consegue reconhecer e que são vitais”, destaca Dr. Erickson Blun, superintendente do Hospital Brasília. “Como o paciente saberá se o hospital realiza manutenção preventiva de seus equipamentos, por exemplo?”, questiona Dr. Blun.

 

O movimento pela Acreditação Hospitalar, em ascendência no Brasil, sinaliza um futuro promissor no que diz respeito à qualidade da assistência médico-hospitalar. Para o Dr. José Henrique esse é um caminho sem volta: “Em pouco tempo não haverá mais espaço no mercado para hospitais que não utilizam algum sistema de controle de qualidade e segurança”.

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Quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Dieta ácida danifica dentes infantis



A erosão dentária causada por ácidos gástricos ou presentes na dieta já atinge metade das crianças em idade pré-escolar, que ainda possuem dentes de leite.  A erosão desgasta a dentina, a camada externa dos dentes.


O diagnóstico faz parte de uma pesquisa realizada na Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP). O estudo, da dentista Christiana Murakami, aponta um maior número de casos de erosão entre crianças com refluxo gastroesofágico.


A ingestão frequente de sucos ácidos e refrigerantes também é um indicador de risco para a doença.


Como medida de prevenção, a pesquisadora propõe a restrição do consumo de bebidas ácidas. Na hora de beber, os pais devem optar pelo suco gelado e orientar a criança a usar o canudo corretamente, posicionado na língua e não a frente dos dentes.


Entre as providências que podem ser tomadas, a dentista recomenda que as crianças não escovem os dentes imediatamente após a ingestão de sucos ácidos e refrigerantes, e em caso de vômito.


"Como os ácidos ainda estão em contato com os dentes, amolecendo o seu esmalte, o uso da escova provocará abrasão e desgastará ainda mais o esmalte", diz. "O ideal é esperar ao menos dez minutos e fazer um bochecho com água ou enxaguatório bucal neutro antes da escovação."


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Segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Recado do neurologista



Será que é só um hobbie ou já virou compulsão?


Por Ricardo Teixeira *


O hábito de colecionar coisas, mesmo que não tenham qualquer utilidade à primeira vista, é um hábito comum entre crianças e adultos, tanto em sociedades modernas como primitivas. Tal hábito também é descrito em outras espécies. O hábito de estocar comida é descrito em pelo menos 12 famílias de pássaros, 21 famílias de mamíferos e vários tipos de insetos. E o hábito de colecionar não é restrito à comida. Alguns tipos de pássaros costumam juntar objetos metálicos e coloridos e hamsters preferem juntar contas de vidro a juntar comida.

 
A estocagem de alimento faz todo sentido do ponto de vista de adaptação das espécies como forma de preparação para tempos de vacas magras. Entre os humanos, o comportamento de colecionador pode representar esse mesmo instinto arcaico e é difícil pensar em alguém que nunca tenha colecionado nada durante a vida. As coleções podem ser justificadas pelo valor estético e emocional dos objetos, e até mesmo pelo valor material mesmo, como é o caso de obras de arte.

 
O fato é que em algumas situações o comportamento de colecionador não traz nenhuma dessas justificativas anteriores e pode representar um sintoma patológico. Nessa situação o indivíduo coleciona exageradamente, de forma indiscriminada, e tem muita dificuldade de se desfazer das “quinquilharias”. Nesses casos, é mais comum a coleção de objetos que podem ser facilmente obtidos e após a aquisição eles são deixados de lado. O interesse pelos objetos volta a acontecer quando outra pessoa ameaça dar um fim na coleção. O ato de colecionar é um fim em si mesmo, comportamento semelhante ao dos roedores, que acumulam por acumular, independentemente se suas reservas estão em alta ou em baixa. 

 
Várias doenças neuro-psiquiátricas podem estar associadas a um comportamento de colecionador patológico, como é o caso do transtorno obsessivo-compulsivo, autismo, esquizofrenia, síndrome de Tourette e diferentes tipos de demência. Estudos recentes têm demonstrado que lesões ou alterações no funcionamento de regiões frontais do cérebro, especialmente do lado direito, estão associadas ao comportamento de colecionador patológico. É como se essa região do cérebro funcionasse como freio para o instinto arcaico de acumular por acumular, que tem origem em outras regiões do cérebro como o sistema límbico, um dos maestros de nosso comportamento. Talvez as crianças ainda não tenham esse freio bem desenvolvido, pois se dependesse delas, elas teriam todos os modelos de brinquedos disponíveis no mercado. Consumismo pode não ser o melhor nome para isso.    
 
 
Num extremo podemos imaginar o colecionador comum e “saudável” que tem toda a obra de seu escritor predileto e já leu boa parte dos livros que comprou. No outro extremo está o indivíduo que começa a guardar em casa quilos e quilos de objetos sem utilidade que deveriam estar num ferro velho. Entre os dois extremos, estariam aquelas pessoas que lêem ou consultam apenas uma mísera parte dos livros que compram, mulheres que têm um quarto em casa só para guardar a coleção de centenas de sapatos, pessoas que já têm uma respeitável “coleção” de dinheiro suficiente para sustentar três gerações, mas continuam a trabalhar 18 horas por dia pelo prazer de ver sua coleção aumentando.


* Ricardo Teixeira é doutor em neurologia e pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp. Escreve todas as segundas-feiras neste blog.

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Terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Proteja os olhos do sol forte




O sol brilha absoluto no cerrado. É o veranico de janeiro. A preocupação é com a pele, mas a maioria se esquece da proteção dos olhos.


Eis um  alerta: o contato prolongado com os raios UV pode causar sérios danos à visão, entre eles, a catarata. Segundo o oftalmologista Daniel Moon Lee, a radiação ultravioleta provoca alterações nas células epiteliais do cristalino, a lente natural do olho.


No quesito prevenção, a orientação é usar óculos escuros, com capacidade de filtrar os raios UVA e UVB. O uso de óculos de má qualidade pode ser mais danoso que a não utilização. Pelo fato de terem lentes escuras, provocam a dilatação das pupilas, enganando os olhos e permitindo maior entrada de radiação.

   

Outro alerta vai para a população entre 30 e 40 anos de idade. “Há estudos que revelam que pessoas nessa faixa etária têm mais propensão de desenvolver a catarata”, diz.



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Segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Recado do neurologista



O uso de medicação anti-hipertensiva
reduz o risco da doença de Alzheimer



Por Ricardo Teixeira*

As medicações usadas para controlar a hipertensão arterial têm se mostrado a cada dia mais interessantes ao cérebro. E os efeitos benéficos vão além da capacidade de proteger o cérebro de altos níveis de pressão arterial.  Em 2009, dois estudos avançaram muito na discussão da relação entre a hipertensão arterial e o risco de demência. Um deles demonstrou que o uso de anti-hipertensivos reduz o risco de demência, e o risco é menor até mesmo quando comparado ao das pessoas que nem apresentam pressão alta. O segundo estudo mostrou que o tratamento da hipertensão arterial reduziu o risco de demência, especialmente entre pessoas com menos de 75 anos de idade, onde a redução do risco foi de 8% quando comparado àquelas que nunca fizeram tratamento para pressão alta. Nenhuma classe de anti-hipertensivo foi superior às demais.


Uma pesquisa publicada na última edição do British Medical Journal confirma esse efeito protetor dos anti-hipertensivos sobre o cérebro, e desta vez tivemos uma pista de que alguns medicamentos podem ser mais eficazes que outros. Pesquisadores da Universidade de Boston nos Estados Unidos acompanharam por quatro anos mais de 800 mil indivíduos com mais 65 anos de idade (98% homens) e em tratamento para doença cardiovascular. Aqueles que faziam uso de medicações da classe bloqueadores dos receptores da angiotensina (ex: candesartan, losartan, valsartan) tiveram menos risco de desenvolver doença de Alzheimer e outros tipos de demência do que aqueles que usaram outros tipos de anti-hipertensivos. Além disso, entre aqueles que já apresentavam diagnóstico de demência, o uso de anti-hipertensivos também promoveu uma menor chance de internação em clínicas geriátricas.


Já é bem reconhecido que os bloqueadores dos receptores de angiotensina têm efeitos positivos sobre os pequenos vasos sanguíneos como um todo, incluindo os do cérebro. Um dos principais marcadores da doença de Alzheimer é o depósito de proteínas no cérebro e é fundamental o pleno funcionamento da microcirculação cerebral para que essas proteínas não se acumulem de forma exagerada. Essa é uma das formas de entender a razão pela qual a atividade física, uma dieta rica em frutas e vegetais, com alto teor de ômega-3, consumo moderado de álcool, todos esses sejam considerados fatores protetores da doença de Alzheimer. Se é bom para os vasos, é bom para o cérebro.


* Ricardo Teixeira é doutor em neurologia e pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp. Escreve todas as segundas-feiras neste blog.


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