
"Nossa pesquisa indica que o uso excessivo da internet está associado com depressão, mas o que não sabemos é o que vem primeiro. As pessoas depressivas são atraídas pela internet ou é o uso da rede que causa depressão?"
Catriona Morrison, responsável pela pesquisa sobre internet e depressão, realizado na Universidade de Lees (Grã-Bretanha) . Segundo o estudo, pessoas que navegam horas na internet possuem mais chances de serem depressivas.
E conclui:
"Enquanto a maioria usa a rede mundial para se informar, pagar contas, fazer compras e trocar e-mails, há uma pequena parcela dos usuários que acha difícil controlar o tempo gasto on-line. Isso ao ponto em que tal hábito passa a interferir em suas atividades diárias."
A revista médica britânica The Lancet se retratou formalmente hoje de um estudo de 1998 que vinculava a vacina tríplice viral (sarampo, rubéola, caxumba) com o autismo.
A revista decidiu também retirar esse artigo de seus arquivos. A informação gerou um retrocesso no uso desta tríplice inoculação no Reino Unido.
A Lancet já havia reconhecido em 2004 que não devia ter publicado esse estudo do pesquisador Andrew Wakefield, que gerou, além disso, uma forte polêmica no país.
"Retiramos totalmente este estudo de nossos arquivos de publicações", disseram os editores em um comunicado publicado on-line.
O sol forte pede o uso de protetor solar. Não apenas no rosto, mas nas partes expostas aos raios solares. Um exemplo: o braço esquerdo de quem dirige. O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgaram nesta semana um boletim sobre o uso correto de protetor solar. Confira a cartilha.
Verão mais seguro: orientações sobre protetor solar
Com a chegada da estação do verão é necessário aumentar os cuidados com a proteção da pele, pois a exposição excessiva ao sol contribui para o desenvolvimento do câncer de pele e o envelhecimento precoce.
Esses cuidados contra os efeitos danosos do sol, que são cumulativos, devem se estender durante todo o ano e não só no verão, pois os raios ultravioletas (UV) conseguem alcançar a Terra também em dias nublados e com pouca luminosidade.
Para melhor entender o conceito, a radiação ultravioleta (UV) é formada por raios UVA, UVB e UVC que são invisíveis, mas penetram na pele e podem provocar queimadura solar, envelhecimento precoce, câncer de pele, além de danos nos olhos e no sistema imunológico.
A radiação UVA possui intensidade o ano todo e penetra na pele profundamente enquanto a radiação UVB tem intensidade maior no verão e ela que causa a queimadura solar e predispõe ao câncer de pele. Por isso, os cuidados com a exposição ao sol devem iniciar principalmente na infância porque a radiação é cumulativa e se estende ao longo da vida.
Usar protetor solar com Fator de Proteção (FPS) de no mínimo 15, diariamente, independente da cor da sua pele; evitar expor-se ao sol no período entre 10 e 16 horas; usar chapéu com abas, óculos escuros e roupas apropriadas, são medidas que ajudam a se proteger e aproveitar melhor o verão e as outras estações.
Conceito dos protetores solares
Os protetores solares são produtos de uso externo que contêm em sua formulação filtros solares que são substâncias químicas e/ou físicas que atuam como barreiras protetoras da pele protegendo-a contra as radiações solares.
FPS - Fator de Proteção Solar
FPS - Fator de Proteção Solar - mencionado no rótulo do produto identifica a proteção oferecida pelo produto contra os raios UVB.
Para fins de registro dos protetores solares, a Anvisa estabelece metodologias de referências para determinação do nível de proteção solar e para resistência à água e também estabelece a lista de substâncias que podem ser usadas como filtro solar em produtos cosméticos.
Além disso, determina como requisitos obrigatórios os dados de segurança e a comprovação de eficácia, dentre outros. Para registro destes, é necessária ainda, a apresentação de teste de eficácia de uso do produto acabado antes da liberação para o mercado.
Orientações na compra e uso de protetores solares
Aplique o protetor solar na pele no mínimo 30 minutos antes da exposição ao sol. Todos os protetores solares, mesmo os resistentes à água, devem ser reaplicados após:
* duas horas de exposição contínua ao sol
* nadar ou mergulhar
* secar-se com toalhas
* praticar exercícios físicos
* suar excessivamente
Utilização do protetor solar
Ao comprar um protetor solar, leia e observe atentamente se na embalagem contém:
* Número de registro do produto na Anvisa/MS. O número de registro de produtos cosméticos inicia-se com o número 2 e pode ter 9 ou 13 dígitos.
* Indicação do FPS (de acordo com o tipo de pele)
* Modo de usar
* Prazo de validade
* Indicação da necessidade de reaplicação do produto para manutenção de sua eficácia
* Orientações e advertências, tais como: "Atenção: este produto não oferece nenhuma proteção contra insolação".
Outras dicas para uso do protetor solar
Não se esqueça de passar protetor nas partes mais vulneráveis como: orelhas, pescoço, nariz, pés e mãos.
Lembre-se: a simples utilização do protetor solar não garante a total prevenção, e nem significa que podemos nos expor por mais tempo ao sol, o objetivo do seu uso é amenizar e proteger dos efeitos nocivos da radiação solar.
Além disto, o produto só será eficaz se utilizado corretamente.
Pilritos, pilriteiros e equilíbrio mental
Por Ricardo Teixeira*
Adorei uma frase que conheci há alguns anos por meio de um grande psiquiatra de Campinas, Pedro Amparo, quando ele me convencia que não deveríamos nos martirizar por ficarmos exigindo dos outros aquilo que eles não podem nos oferecer. Com sotaque bem português a frase dizia assim: Cada qual dá o que tem conforme a sua pessoa.
Anos depois aprendi com uma senhora portuguesa que na verdade essa frase é parte de uma quadra popular bastante conhecida em Portugal:
Pilriteiro, dás pilritos
Porque não dás coisa boa?
Cada qual dá o que tem
Conforme a sua pessoa.
Em Portugal há também um ditado muito popular que diz a mesma coisa:
Pilriteiro dá pilritos, a mais não é obrigado.
O pilriteiro é um arbusto espinhoso bastante comum em Portugal e dá uma frutinha muito ácida, o pilrito. Pela quadrinha popular, parece que o pilrito não deve mesmo ser uma fruta muito apreciada. Tenho uma teoria sobre frutas exóticas que pode se aplicar a esse caso. Se pilrito fosse bom mesmo, seu nome seria morango ou banana e seria exportado para todos os cantos do planeta.
Boa parte das situações do dia-a-dia que poderiam nos afastar do nosso equilíbrio mental tem a ver com o potencial que elas têm de nos deixar indignados com o desempenho ou atitudes de outras pessoas. É o prestador de serviço que não terminou o serviço direito; é um motorista que passa à nossa frente pelo acostamento enquanto estamos parados direitinhos na fila do engarrafamento ou é a moça do caixa do supermercado que é meio lenta. Podemos começar a enxergar esse cotidiano através de uma outra ótica. O cara que fura fila não tem educação e princípios de cidadania. Vamos nos irritar? Brigar? A moça lenta no caixa do supermercado é lenta mesmo e nem foi treinada para ser mais rápida. O mau prestador de serviços é ruim de serviço mesmo e foi a gente que fez a escolha. Antes de reagirmos de forma a perder nosso dia, podemos pensar que pilriteiros dão pilritos … E sempre que tivermos poder de escolha, não precisamos insistir em comer pilritos. Mudamos a página e seguimos em frente com morangos.
* Ricardo Teixeira é doutor em neurologia e pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp. Escreve todas as segundas-feiras neste blog.
A morte de Lanusse Martins Barbosa, durante uma lipoaspiração, mais uma vez desperta o interesse delicado: há cirurgia segura? O artigo da jornalista Carla Furtado, do Grupo Athena, informa que cerca de um milhão de pessoas morrem todos os anos em decorrência de procedimentos cirúrgicos. E o Protocolo de Cirurgia Segura reduz em 42% a mortalidade. Confira.
O QUE OS PACIENTES PRECISAM SABER
Carla Furtado
Por aqui o tema ainda é pouco debatido, mas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa a preocupação com a segurança dos procedimentos cirúrgicos é recorrente. Tanto, que para obtenção da Acreditação Hospitalar concedida pela Joint Comission International (JCI) – privilégio de poucas instituições brasileiras, como Albert Einstein, Sírio Libanês e Oswaldo Cruz - a implantação do Protocolo de Cirurgia Segura é passo imprescindível.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), no mundo anualmente 7 milhões de pacientes sofrem complicações após intervenções cirúrgicas e, desses, 1 milhão vão a óbito. Muitas complicações e mortes podem ser evitadas com a implantação de rotinas simples. E é isso que prega a JCI, representada no País pelo Consórcio Brasileiro de Acreditação.
O Protocolo de Cirurgia Segura implica na utilização de um checklist para verificação de pontos-chave antes de fases específicas da assistência perioperatória. “A primeira checagem se dá antes da anestesia e visa garantir que o procedimento correto seja realizado no paciente correto e na região do corpo correta”, descreve Rejane Mariotto, diretora de qualidade e segurança do Hospital Brasília, primeira entidade das regiões centro-oeste e norte em fase de preparação para a Acreditação Internacional pela JCI.
“Verificam-se também se o consentimento informado, bem como todos os exames e avaliações médicas e de enfermagem pré-operatórios necessários para definição do risco cirúrgico e anestésico foram realizados e se todos os profissionais e materiais necessários para o procedimento estão disponíveis. Só então é feita a indução anestésica”, complementa a executiva. Além disso, antes da incisão, todos os profissionais avaliam possíveis intercorrências durante o ato cirúrgico. Ao final do procedimento e antes de deixar a sala, a equipe conta compressas e instrumentais, identifica materiais de biópsia e avalia os pontos mais importantes para a recuperação pós-anestésica e pós-operatória do paciente.
O professor Edmundo Ferraz, consultor do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e da OMS, é atuante defensor do Protocolo. Ele participou, em 2007, do encontro realizado em Genebra, com vistas a validar a rotina-padrão de segurança para cirurgias. “Os resultados do estudo piloto realizado em nove cidades do mundo, publicado em janeiro de 2009 no New England Journal of Medicine, foram surpreendentes e decisivos. A introdução do checklist reduziu em 37% as complicações pós-cirúrgicas e em 42% a mortalidade”, enfatiza. Ferraz espera agora o anúncio da implantação oficial da política de cirurgia segura no Brasil: “Por enquanto é privilégio dos hospitais de elite”.
A implantação do Protocolo demanda uma profunda mudança cultural. José Henrique Germann Ferreira, ex superintendente do Hospital Albert Einstein e atual diretor geral do São Lucas - de Ribeirão Preto, lembra que toda instituição de saúde que atua com corpo clínico aberto enfrenta dificuldades para implementar normas universais de funcionamento. “O médico que trabalha em vários hospitais sofre mais a pressão do tempo e a adoção de sistemas de gerenciamento normalmente demanda o cumprimento de novos passos, ou seja, mais tempo”, comenta. Para o executivo, a saída para envolver esse personagem fundamental no processo está no relacionamento: “Quanto mais a instituição investe na disseminação de informações e no estreitamento de laços com seu corpo clínico, menor é a resistência”.
Convidado para falar sobre o tema em vários países, o professor Edmundo Ferraz é enfático sobre os benefícios para o próprio médico. “É importante que trabalhemos com segurança e tranqüilidade, sabendo que dispomos de todos os recursos para operar”. Em uma profissão na qual um erro pode trazer sensível impacto à vida pessoal, não resta dúvida de que segurança é palavra de ordem.
Espera-se que, com o tempo, a disseminação de informações sobre a Cirurgia Segura dê ao paciente a condição de verificar e até exigir que a instituição na qual será operado ofereça as condições ideais – seja ela pública ou privada. “O paciente ainda avalia a qualidade de um serviço de saúde a partir de determinados critérios, usualmente por aquilo que ele consegue ver. Esses aspectos são importantes, mas há outros que ele não consegue reconhecer e que são vitais”, destaca Dr. Erickson Blun, superintendente do Hospital Brasília. “Como o paciente saberá se o hospital realiza manutenção preventiva de seus equipamentos, por exemplo?”, questiona Dr. Blun.
O movimento pela Acreditação Hospitalar, em ascendência no Brasil, sinaliza um futuro promissor no que diz respeito à qualidade da assistência médico-hospitalar. Para o Dr. José Henrique esse é um caminho sem volta: “Em pouco tempo não haverá mais espaço no mercado para hospitais que não utilizam algum sistema de controle de qualidade e segurança”.