Blog do Cruz


30.07.2009

O drible do ministro


     A convite do ex-craque Raí, do São Paulo Futebol Clube, participei há poucos meses de uma reunião na capital paulista. Raí lidera o movimento Atletas pela Cidadania, de apoio às boas causas sociais, reunindo expoentes do esporte olímpico e paraolímpico: Magic Paula, Lars Grael, Gustavo Borges, Ana Moser, Joaquim Cruz, Fernando Meligeni, Rosane dos Santos, Gustavo Borges, Clodoaldo da Silva, Branca, Rogério Ceni e tantos outros.


     Minha participação foi para apresentar algumas análises sobre o que temos e como são usados os recursos públicos para o esporte. Lá pelas tantas, entrou na pauta a questão do momento, os gastos do governo com a realização dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, em 2007. Era recente o primeiro relatório dos auditores do Tribunal de Contas da União (TCU), com indícios de irregularidades - superfaturamentos, principalmente.
                 

    Com base no que os auditores escreveram, manifestei aos atletas minha esperança de que teríamos um relatório final surpreendente e exemplar, assinado pelo então ministro do TCU, Marcos Vilaça, há pouco aposentado.


    Até então apenas ouvindo, Cláudio Weber Abramo manifestou-se. Diretor da ONG Transparência Brasil, ele discordou de meu entusiasmo e sentenciou, para a decepção de todos:

     “Não se iludam. Isso não dará em nada”, afirmou.

 
    Voltei aos argumentos otimistas e lembrei de um rápido encontro que tive com Marcos Vilaça, em seu gabinete. Na ocasião, ele recebia a visita do ministro do Esporte, Orlando Silva. Mais três ou quatro funcionários do TCU - imagino que fossem os auditores que trabalhavam no processo do Pan - estavam numa ampla sala.


    Antes da primeira pergunta e adiantando que não tinha muito tempo para atender repórter, Vilaça foi direto em sua mensagem. Em resumo, disse o seguinte:

     “Estou explicando ao ministro Orlando que não é possível driblar a lei. Sei que estamos próximos da realização do Pan-americano e promover licitações agora pode provocar mais atrasos nas obras. Mas não tem desculpas, pois não podemos concordar com qualquer proposta em contrário”.


    Ficou claro que Orlando Silva foi ao TCU pedir para “driblar a lei”, isto é, contratar obras e serviços sem licitação, uma afronta, uma agressão, uma fraude para quem conhece um mínimo sobre administração pública.
E insisti aos Atletas pela Cidadania que não deveríamos temer, pois o TCU seria, como é seu dever, rigorosíssimo, indiciando os fraudadores. Ricardo Vidal, que em Brasília dirige o Instituto Joaquim Cruz, estava nesse encontro de São Paulo e testemunhou a sentença de Cláudio Abramo:


     “Não se iludam. Conheço essa gente. Essa manifestação do ministro foi uma encenação”.


    Passa o tempo e sai, enfim, o terceiro relatório sobre os gastos nos Jogos Rio 2007. E o que se constatou? Que, lamentavelmente, Cláudio Abramo tinha razão.


     É preciso dizer que os técnicos, os auditores do TCU foram rigorosos. O levantamento que fizeram não deixa dúvidas sobre os deslizes cometidos com o dinheiro público, no Pan. Mas o ministro, em ato decisivo que antecedeu sua aposentadoria, foi complacente, omisso e parceiro do ato ilegal e imoral.


     Pior: consagrou que sua declaração à imprensa, naquela reunião com Orlando Silva foi, de fato, encenação. No melhor estilo do drible da vaca, Marcos Vinicius Vilaça encenou o jogo da mentira e driblou a lei, como foi lhe propor o senhor ministro do Esporte. Por tabela, colocou na cara do gol da salvação e da impunidade o presidente do Comitê Organizador dos Jogos Pan-americanos, Carlos Arthur Nuzman.


Profissionalmente, confesso, tomei o drible da ingenuidade. Acreditei na autoridade, competência e firmeza de uma autoridade do TCU, Marcos Vilaça. Não honrou esses princípios.

    Vilaça, que chefiou a delegação da Seleção Brasileira num jogo contra a Argentina, é amigo íntimo de Ricardo Teixeira, o que dispensa comentários para traçar um perfil mais fiel sobre o ministro aposentado.
                 

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26.07.2009

Depoimento de Poliana


   

    Poliana Okimoto, que recentemente ganhou a medalha de bronze no Mundial de Maratona Aquática, respondeu às minhas indagações sobre o seu orçamento de atleta. Acompanhe o depoimento:



 



     "O Pinheiros foi o grande incentivador da minha carreira. Eles acreditaram em meu potencial, mesmo antes de dar algum resultado internacional. Quando passei das piscinas para as maratonas, houve muita dúvida se eu iria me adaptar ou não. Porém, o clube me apoiou muito na nova decisão, acreditando no meu trabalho."


     "Além do Pinheiros, nadei em outros clubes, e desde 14 anos me mantenho entre as melhores nadadoras de fundo do Brasil. Desde então, tive incentivo, com ajuda de custo e bolsa de estudos, para continuar a treinar tranquila."


     "A CBDA sempre pagou minhas viajens com a Seleção Brasileira (minha primeira Seleção, foi em 1997). Porém, não recebia ajuda de custo. Após minhas duas medalhas de prata no Campeonato Mundial de maratonas aquáticas, em Nápoles (2006), comecei a receber ajuda financeira deles".



Análise

   
Com essa declaração ficam claras: a importância do Clube Pinheiros na formação de Poliana e a comprovação de que o dinheiro que a CBDA recebe do patrocinador (Correios) e da Lei Agnelo Piva não chegava ao atleta. Pode até estar chegando, agora, depois da bronca do medalhista de ouro, Césa Cielo, logo após os Jogos de Pequim.


     E a CBDA, é oportuno lembrar, tem patrocínio dos Correios desde 1991 e é contemplada com cerca de R$ 2 milhões anuais da Lei Agnelo Piva (via COB), desde julho de 2001.

       Portanto, não é exagero pedir que as confederações apresentem não só as suas prestações de contas, mas seus planejamentos de gastos com verbas públicas, justamente para se saber quanto está sendo destinado aos atletas de ponta. Afinal, eles são a razão de ser do esporte. Sem eles, não haveria necessidade de patrocínios de estatais e outras verbas públicas.

  
     Com essa manifestação de Poliana, fica fortalecida  a bronca dos clubes sociais formadores, com o COB, ao pedirem participação na Lei Agnelo Piva. Sobre isso, trataremos no decorrer da semana que se inicia.




 

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25.07.2009

JOGOS PAN-AMERICANOS

 


Tribunal aprova a farra


Mesmo com irregularidade constatada, TCU isenta autoridades do Jogos Pan-Americanos em gastos de R$ 21,5 milhões, aplicados nas solenidades de abertura e encerramento do evento

 

José Cruz

 

     Dois anos depois de ter sido realizado, revela-se o mais recente escândalo financeiro dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, conforme auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU).

 

     No terceiro processo que julgou a exorbitância dos gastos naquele evento — cerca de R$ 4 bilhões —, auditores do TCU identificaram que as cerimônias de abertura e enceramento da competição esportiva, ao custo de R$ 21,5 milhões aos cofres públicos, não teve licitação de preços.

 

     Apesar dessa flagrante irregularidade, plenamente identificada pelos auditores do processo, o então ministro relator, Marcos Vinicios Vilaça (aposentado no último dia 30), isentou os acusados de qualquer culpa. Entre eles estão o presidente do Comitê Organizador do Pan, Carlos Arthur Nuzman, e Ricardo Leyser Gonçalves, do Ministério do Esporte. A ordem de Vilaça foi arquivar o processo.

 

    Ao fugir da exigência legal, o Comitê Organizador do Pan e Parapan-americanos fez duas contratações. Inicialmente, chamou o senhor Scott Givens como consultor. Ele é da Five Currents, empresa dos Estados Unidos, especializada em grandes eventos, entre eles os Jogos de Inverno de Salt Lake City (EUA), em 2002, as Olimpíadas de Atlanta, em 1996, e comemorações dos 50 anos da Disneilândia.

 

     Só por essa consultoria, o governo do Estado do Rio de Janeiro pagou R$ 883.350.

 

    Em seguida, o Comitê Organizador do Pan contratou a brasileira WA Tranze Eventos, Promoções e Publicidade Ltda para executar o projeto das cerimônias do Pan. A abertura, inclusive, ganhou destaque internacional devido a uma vaia do público ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua chegada ao estádio do Maracanã.

 

    O mais estranho nesse processo que o TCU arquivou é que o presidente do Comitê Organizador do Pan e Parapan, Carlos Arthur Nuzman, justificou que fugiu da concorrência para contratar serviços por se tratar de uma "emergência".

 

     A explicação, contudo, contrasta com o anúncio do Rio de Janeiro para receber o Pan, feito em 2002, isto é, cinco anos antes.

    

     Sobre esse argumento, que está no Acórdão 1250/2009, o ministro relator do processo, Marcos Vilaça, reforça as datas extremas:

 

     "A necessidade de realização das cerimônias e mesmo sua data já eram conhecidas pela administração pública em 2002, quase cinco anos antes do evento, quando foi assinado o Acordo de Obrigações e Responsabilidades com a Organização Desportiva Pan-americana (Odepa)".

 

Jogo de empurra

 

     A análise que consta no relatório não deixa dúvida de que houve séria irregularidade. A demora para realizar a tal licitação de preços deveu-se à indecisão dos governos municipal e estadual do Rio de Janeiro, bem como o Governo Federal, que se lançaram em um jogo de empurra para decidir quem pagaria a conta.

 

     Na emergência, e apenas a seis meses da abertura do Pan, sobrou para a União desembolsar os R$ 21,5 milhões.

 

     Em decorrência, o Comitê Organizador formou um Núcleo de Criação e Gerência das Cerimônias dos Jogos (NCGJ). Mas a iniciativa da equipe liderada por Nuzman não foi bem-sucedida, com afirma o próprio relatório de Marcos Vilaça, quando ressaltou "a inexperiência gerencial do Comitê Organizador do Pan, que, mesmo após dispor da verba federal, demorou demasiadamente em adotar medidas à celebração do convênio (com a WA Tranze Eventos)"

 

Superfaturamento identificado duas vezes

 

     O primeiro processo do TCU já concluído, em maio, com indícios de irregularidades nos gastos dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro refere-se ao contrato de R$ 22,4 milhões, entre o Ministério do Esporte e a empresa Fast Engenharia, para a construção de estruturas temporárias na Vila do Pan.

 

     O TCU exigiu que Luiz Custódio Orro Freitas, da Fast, e Ricardo Leyser Gonçalves, do Ministério do Esporte, envolvidos na execução do contrato, apresentassem defesa à denúncia de superfaturamento ou devolvessem R$ 2,7 milhões ao Tesouro Nacional. A defesa já foi apresentada.

 

     O segundo processo do TCU, em junho, identificou superfaturamento de R$ 2,7 milhões no serviço de hotelaria da Vila Pan-Americana. Nesse documento, mais uma vez Ricardo Leyser Gonçalves, representante do Ministério do Esporte no Comitê Organizador do Pan, é citado como um dos responsáveis pelo ato, ao lado da empresa Consórcio Interamericano.

 

O perdão oficial

 

    Depois que os envolvidos neste processo apresentaram suas jutificativas, o ministro Marcos Vilaça sentenciou:

  "Pelo exposto julgo que as razões de justificativas apresentadas por Ricardo Leyser Gonçalves, do Ministério do Esporte, devem ser acolhidas, afastando-se sua responsabilidade em relação aos atos praticados. Quanto aos gestores do Comitê Organizador, senhores Carlos Arthur Nuzma, André Gustavo Richer e Leonardo Gryner, mesmo reconhecendo que suas condutas foram irregulares, acredito que suas razões de justificativas também possam ser acolhidas, em caráter excepcional, em face do conjunto de circunstâncias atenuantes mencionado anteriormente (no processo)".

 

 

 

 

 

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24.07.2009

O dinheiro do esporte

     O título deste artigo não é novidade. Nem o assunto que tratarei. Até os personagens se repetem. Mas é justamente por isso que volto ao assunto.


     Ainda é recente a polêmica envolvendo a ginasta Jade  Barbosa e a falta de dinheiro para tratamento médico. Mais: falta de um salário para que pudesse ter uma garantia mínima como atleta profissional.O esporte de hoje, com mais recursos públicos do que privados, precisa, sim, remunerar os seus destaques olímpicos.

     Agora, vem a história da judoca Ketleyn Quadros, bronze nos Jogos de Pequim, que caiu no rendimento técnico porque não se dedicou aos treinos, como deveria. E isso ocorreu porque Ketleyn dedicava boa parte do tempo à busca de patrocínios.


     Atleta do Minas Tênis, de Belo Horizonte, a judoca deve ter um salário. Mas não é o suficiente, quer mais. E está certa. Sua carreira é de prazo limitado, precisa garantir o seu futuro enquanto estiver no auge.


     Paralelamente, da Itália o presidente da Confederação de Desportos Aquáticos, Coaracy Nunes, revela que premiará os atletas que forem ao pódio no Mundial. Algo que a Confederação de Atletismo faz há bom tempo. Mais: paga bom salário aos atletas de ponta, para que tenham tranquilidade nos treinos e competições e não precisem se expor à busca de dinheiro extra.


    Enfim, essa é a realidade do esporte. As loterias repassam 2% do que recebem aos comitês Olímpico e Paraolímpico. Só o COB recebeu R$ 92 milhões, em 2008. As estatais financiam o esporte com generosos recursos, mas os atletas mais expressivos reclamam e esperneiam.


    Mais do que nunca, está na hora de serem abertas essas prestações de contas do dinheiro público. Tanto as estatais, como o Tribunal de Contas da União, devem exibir os relatórios dos gastos com esses recursos, para se saber, exatamente, em que o dinheiro está sendo gasto e porque, na maioria dos casos, não chega à ponta, isto é, ao atleta.


    O próprio presidente Coaracy Nunes revela, hoje, que além das loterias e Correios (patrocinador desde 1991), a CBDA recebe também de outras fontes, entre elas a Rede Globo. Logo, o esporte olímpico não é mais o "pobrezinho" de outros tempos, em que os cartolas mendigavam verbas na Esplanada dos Ministérios. Justamente por isso, por serem subsidiados principalmente por verbas públicas, devem, têm a obrigação de exibir onde o dinheiro é consumido.

    Sobre isso, o próprio Ministério do Esporte deveria se manifestar, ao invés de ficar encolhido, como se não fosse de sua competência fiscalizar o uso do dinheiro público. Justamente porque não fez isso, no Pan-americano do Rio de Janeiro, é que seus funcionários são obrigados, agora, a devolver quase R$ 3 milhões aos cofres do governo. Por enquanto.


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24.07.2009

Exploração abusada



     Ao final do Campeonato Brasileiro de Tênis juvenil, semana passada, em Brasília, a organização entregou aos campeões bonés de divulgação do programa “Bolsa Atleta”, para serem usados na premiação.
      Essa é uma atitude estranha, intrometida, até, que sugere exploração indevida de imagem dos campeões, por parte do Ministério do Esporte.


     Seguidamente, atletas em geral solicitam que, quando se citar seus nomes em reportagens, seja feita referência à bolsa que recebem. O pedido vem em tom de apelo constrangido, como se houvesse coação do órgão gestor do programa, na tentativa de vincular o sucesso do atleta ao benefício que recebe.

     
      Em nível distrital, também a Secretaria de Esportes tem o mesmo comportamento. Até o secretário, Aguinaldo de Jesus, já foi à televisão para insistir sobre a necessidade de recadastramento dos bolsistas, na própria secretaria.


     Ora, quem cadastra os atletas é a federação de cada modalidade. Isso está na lei que criou a Bolsa Atleta distrital (nº 2.402/1999). É o órgão responsável para selecionar e avalizar quem tem direito a tal benefício.


     Porém, com essa exigência de recadastramento, a Secretaria de Esportes do Distrito Federal aproxima o atleta da administração da secretaria, sugerindo interesse político de possíveis candidatos do órgão em futuras eleições.


     Como se sabe, o próprio secretário Aguinaldo de Jesus é deputado distrital, e, principalmente por isso, não pode usar a máquina pública para se relacionar com atletas, em favor de seus interesses partidários.

    
     O mesmo ocorre em nível federal. O pagamento da Bolsa Atleta não é nenhum benefício do ministro do Esporte, Orlando Silva. Também não é favor liberar os pagamentos mensais devidos. Trata-se, isso sim, de cumprir uma lei federal, sem necessidade de agradecimentos ou contra-partida de quem quer que seja. Ou seja, os atletas não têm qualquer obrigação de agradar este ou aquele governo pelo recebimento da bolsa. Fizeram por merecer. Treinaram, viajaram, competiram, enfim. Nada mais justo.


    Portanto, é preciso acabar com esse abuso de políticos se beneficiarem do sucesso alheio para projetarem seus desejos pessoais ou partidários. Que façam o mesmo que os atletas, madruguem e trabalhem.


Previsões assustadoras


     É impressionante o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) divulgado terça-feira pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos: mais de 33,5 mil jovens, de 12 a 18 anos, morrerão por homicídio, até 2012.

    
     Não fosse por questões afetiva de perdas humanas, essas mortes de brasileiros são um prejuízo espetacular ao patrimônio humano nacional. Convivemos com risco de mortalidade por assassinato entre jovens, antes mesmo de completarem 19 anos.


     Pode parecer estranho tratarmos desse assunto num espaço de esportes. Mas esses números revelam que os projetos sociais do governo — entre eles o do Ministério do Esporte — não estão alcançando seus objetivos.


     A propósito, é oportuno analisar os discursos de nossas autoridades, que usam os projetos esportivos, como o Segundo Tempo, por exemplo, como “instrumento de inserção e recuperação social”, batendo e rebatendo o antigo e desgastado chavão.


     No entanto, oito anos depois da implantação de várias iniciativas governamentais, os índices agora divulgados exibem o fracasso e previsão assustadora.

     Falta, insistimos, política integrada de educação, saúde e esportes. O que temos são projetos frágeis de políticos e partidos, sem durabilidade ou sequência. O resultado é essa previsão triste que agora é divulgada.

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21.07.2009

A primeira medalha


Está no blog Alberto Murray Olímpico


"Poliana ganhou a primeira medalha do Brasil aqui na Itália, no Campeonato Mundial de Desportos Aquáticos.


E daí? E daí que todos os méritos são dessa excelente Atleta que, na Olimpíada, já havia mostrado seu grande potencial.


Poliana é produto de um trabalho planificado, de longo prazo, que massificou a modalidade para dela se tirar a qualidade?


Não. Poliana é Poliana. Uma Atleta excepcional, produto de si mesma e do pequeno grupo que a acompanha, médicos, fisioterapeutas e técnicos.


Que a cartolagem do Brasil não tenha a cara de pau de dizer que Polyana é produto da melhora da estrutura da natação brasileira. Não é. A natação brasileira continua rigorosamente no mesmo nível em que sempre esteve ao longo dos vários anos, a despeito do dinheiro público da Lei Piva.


São valores esporádicos aqui e ali que, independentemente da existência do cartolas, nadariam da mesma forma.


Que a cartolagem brasileira não tenha o despautério de faturar em cima da Poliana, assim como tentaram fazer com Cesar Cielo. E que foram imediatamente desmarcarados pelos pais do campeão e recordista olímpico na televisão, nos jornais e nas rádios.


Que a cartolagem brasileira tenha plena consciência que, enquanto a piscina Maria Lenk servir apenas para ser fotografada e enfeitar os dossies mirabolantes do Comitê Olímpico Brasileiro, a natação do País vai continuar vivendo de gênios que aparecem de tempos em tempos.


Ter uma piscina daquelas e não abrí-la ao povo do Rio de Janeiro é um crime lesa esporte. É o legado zero do Pan Americano Rio 2007, cujas contas, hoje, recheiam os escaninhos do Tribunal de Contas da União ("TCU").


Utilizem o Ibirapuera como exemplo, aonde a construção do Parque Aquático está lá para o povo, desde a década de quarenta.


Viva o feito de Poliana. E ainda, espero, devem vir mais umas três medalhas por aí. Medalhas dos Atletas. E não da cartolagem."

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20.07.2009

Indignação de corredor

 

    A mensagem abaixo, com denúncia gravíssima, será investigada. 

 

     Há bom tempo temos nos manifestado sobre as corridas de rua na cidade, que cresceram assustadoramente, tornando-se, muitas, uma forma de ganhar dinheiro fácil.

 
 
 
"Senhor Governador
 
   Senhor Secretário de Esportes

 

     Brasília vem se tornando um lugar diferenciado em corridas de ruas. Por aqui, tudo ajuda: as vias largas, diversos percursos, o clima (seja dia ou noite) e a quantidade de corridas. Segundo dados da FADF serão pelo menos 55 corridas reconhecidas neste ano, muitas contando com mais de 4.000 participantes.

 

A corrida de rua se tornou um grande negócio no Distrito Federal, principalmente, pelo preço alto da maioria das inscrições (em média R$ 40,00). Se considerarmos que as pessoas que praticam o esporte se inscrevem em pelo menos duas corridas por mês, temos que anualmente gastamos (média per capita) algo em torno de R$ 2.200,00.

 

Outro dado interessante é que se consideramos um público médio de 2.000 participantes por corrida, temos que elas rendem, em média, R$ 80.000,00, apenas com inscrições (não podemos esquecer que a maior parte da grana vem de patrocínios).

 

Isto significa que formamos um público que merece respeito por parte de quem está ganhando rios de dinheiro com esse negócio.

 

Eu, sendo muito sincero, nunca achei muitos motivos para reclamar das empresas que organizam corridas no DF. Os aborrecimentos são aqueles de praxe e que já foram mencionados: problemas com os kits, falhas na estrutura de apoio, sinalização deficiente etc.

 

No entanto, o que aconteceu sábado passado (18/07) na corrida 10 Knight, não foi apenas desorganização. Os organizadores foram, na verdade, DESONESTOS.

 

ROUBARAM pelo menos 1 KM DE PROVA! Pagamos para correr 10 Km e nos deram apenas 9 KM e em péssimas condições: ruas estreitas, escuras e com sinalização de prova errada. Não sei se vocês perceberam, mas sequer existia o sensor de chip na largada! Isso é um absurdo.

 

Estou indignado! Investi muito nesta corrida, que pensei ser séria,  já que constava do calendário oficial da FADF e era apoiada pelo GDF (trazia uma mensagem do secretário de Esportes no folder promocional). Muito mais do que a inscrição. Deixei de participar de outras provas e treinei para atingir uma meta na corrida de ontem. Criei toda uma expectativa sobre meu desempenho nos 10 km e me frustrei por que me ROUBARAM 1 Km de prova.

 

É necessário que autoridades públicas do DF tomem uma MEDIDA URGENTE no sentido de COIBIR PRÁTICAS DESTA NATUREZA. O GDF e a FADF, como divulgadores do evento TEM O DEVER SE PRONUNCIAR OFICIALMENTE SOBRE O CASO, sob pena de serem apontados, posteriormente, como cúmplices DESTE GOLPE PERPETRADO CONTRA MILHARES DE BRASILIENSES.

 

Por outro lado,  gostaria de propor a todos que foram lesados ontem que façam uma reclamação formal no PROCON ou na Curadoria do Consumidor contra os organizadores da corrida 10 Knight. Não se trata de ter qualquer ganho financeiro, mas de nos preservar que essa prática possa se repetir.

 

Se isso voltar a acontecer, nossas corridas vão ficar sem credibilidade, as pessoas vão deixar de se inscrever e as empresas e patrocinadores sérios não se envolverão mais com o esporte. Será o fim de tudo de bom que as corridas de rua estão trazendo para Brasília e seus cidadãos.

 

Assim, é nosso DEVER tomar as atitudes necessárias para evitar que as empresas que agem desonestamente possam sair impunes.

 

Desculpem pelo tamanho do e-mail, mas ele é do tamanho da minha indignação!

 

Jeconias Rosendo da Silva Júnior

 

Cidadão"

 

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19.07.2009

Mais uma tapiocada

Nossos colegas do Correio Braziliense,

Izabelle Torres e Ugo Braga, nos premiam com mais esta preciosidade.

 

Secretária Nacional de Esporte, indicada pelo PT, recebe quase R$ 10 mil mensais e passa três dias por semana longe do escritório na Esplanada dos Ministérios

 

 

    Uma indicação do PT, mordomia e pouca presença no trabalho. Essas características são conhecidas nos corredores do Ministério do Esporte, onde não são raras as críticas à ausência constante da titular da Secretaria Nacional de Desenvolvimento de Esporte e Lazer, Rejane Penna. Estudante de mestrado em Piracicaba, interior paulista, a secretária passa cerca de três dias por semana viajando e despacha em Brasília dois dias: geralmente às segundas e sextas-feiras, de acordo com servidores do órgão.

 

 

     Para aprimorar o currículo acadêmico na Universidade Metodista de Piracicaba, a secretária recebe do ministério cerca de R$ 10 mil mensais. Se fosse receber uma bolsa de estudo como aluna de mestrado, a remuneração de Rejane não passaria de R$ 1.200. Com a ajuda dos cofres públicos e com uma agenda diária “por telefone”, como relataram funcionários, a secretária divide o cargo de confiança no ministério com a rotina de estudante. “Ela sempre participa das decisões, mas durante a semana a maior parte das discussões se dá por telefone mesmo”, relata um subordinado da secretária.

 

 

    Apesar da ausência no ministério, Rejane é presença frequente em eventos e debates, principalmente acompanhando o ministro Orlando Silva. Ela também integra o Conselho Nacional de Esporte.

 

 

Políticas

 

 

     A relação da secretária com os partidos que a apoiam vem de longa data. Em 2004, ela foi candidata a vereadora no Rio Grande do Sul pelo PT, mas não se elegeu. Um ano antes, já frequentava reuniões do Conselho Nacional de Esporte como representante dos secretários de Esporte do país, função que ocupou em Porto Alegre. Em 2006, mais próxima ao PCdoB, Rejane Penna colaborou com a campanha do ex-ministro do Esporte Agnelo Queiroz.

 

 

     Depois de várias tentativas de falar com a secretária, a reportagem encaminhou os questionamentos (veja ao lado) sobre a ausência da servidora para a assessoria do ministro Orlando Silva. Por e-mail, os funcionários informaram que o ministro garante não ter conhecimento da pouca frequência da secretária e que, ao nomeá-la, não sabia do mestrado. O curso de Rejane teve início em 2009.

 

 

Respostas, só por e-mail

 

     A reportagem do Correio tentou localizar a secretária do ministério durante quatro dias. Primeiramente, foi informada que Rejane Penna somente poderia ser encontrada por telefone. A reportagem aceitou a conversa e adiantou o assunto. Dois dias depois, a história mudou e a secretária de Rejane informou que ela estava de férias e não poderia mais ser contatada. O Correio então encaminhou por escrito dois e-mails para a assessoria do ministério. Confira abaixo o diálogo nos dois e-mails:

 

 

E-mail 1:

 

Temos a informação de que a secretária Rejane Penna passa três dias da semana cursando mestrado em Piracicaba e realiza uma “agenda telefônica” no ministério. Como ela é indicação do PT e ligada ao ministro, gostaria de saber se há licença formal para secretários se ausentarem por três dias na semana de Brasília. De acordo com nossa apuração, ela vai terça e volta sexta de Piracicaba.

 

·  Resposta: Não

 

 

E-mail 2:

 

Então, há uma liberação informal para que ela se ausente tantos dias assim de Brasília?

 

·  Resposta: Não.

 

 

Como servidora pública, a Rejane Penna não deveria dar expediente normalmente em vez de “despachar por telefone”, como afirmam funcionários do órgão?

 

·  Resposta: Todos os servidores devem dar expediente.

Quando o ministro nomeou a secretária sabia que ela não poderia comparecer ao trabalho diariamente?

 

. Resposta: Nao.

 

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16.07.2009

A marolinha e o tsunami


    A reportagem que publicamos, há uma semana, sobre o desvio de R$ 633 mil do projeto Segundo Tempo, pela ONG Novo Horizonte, é apenas a ponta o iceberg de um escândalo maior. Ou, como diria o presidente Lula da Silva, é uma “marolinha” anunciando que o tsunami vem aí.


     Ao governo, porém, nada disso assusta, mas para os desportistas de um país candidato à sede olímpica é uma vergonha espetacular ver o seu principal órgão gestor do dinheiro público — o Ministério do Esporte — agindo com fragilidade administrativa impressionante.


     Nesse órgão, dirigido pelo ministro Orlando Silva, notícias como esta e tantas outras que publicamos são classificadas como “negativas”, assunto de comentário passado. Ou seja, para os analistas ministeriais a culpa é da imprensa…
    
            
     Negativo, porém, é o ministério estar incapacitado tecnicamente para administrar o dinheiro que distribui sem critério nem fiscalização adequadas.


     Negativo é ter um quadro de assessores de ocasião, políticos do PC do B disfarçados de funcionários públicos, que denigrem a imagem de um órgão que deveria ser orgulho da comunidade esportiva.


     Negativo é ter um Conselho Nacional de Esportes que apenas dá o aval às ações ministeriais, sem questionar a impotência do governo na implantação de uma política de esportes efetiva, fixando prioridades para o uso do dinheiro, que é um bem público.


     Negativo é gerenciar um programa como o Segundo Tempo, de inegável apelo político para campanhas eleitorais, ignorando o desenvolvimento técnico dos jovens atendidos.


     Negativo é se tornar parceiro de entidades de fachada, que usam cadastro falso para se beneficiarem de dinheiro público do Segundo Tempo de forma fraudulenta.


     Negativo é aceitar notas fiscais frias em prestações de contas do Segundo Tempo, para justificar despesas que não houve, caracterizando-se o desvio do dinheiro.


     Negativo, enfim, é fechar os olhos às denúncias e cobranças do Tribunal de Contas da União e do Ministério Público às dezenas de irregularidades que se somam, atingindo a atual gestão e a anterior do Ministério do Esporte.
                  

     Sobre tudo isso, é oportuno lembrar a farra de quatro instituições do Distrito Federal fizeram, entre 2005 e 2007, quando receberam R$ 4,7 milhões do Ministério do Esporte para aplicarem em projetos do segundo tempo. Uma investigação oficial em curso desnudará essa fraude, oportunamente.
                  

     E por que tratamos desse assunto insistentemente?


     Porque, sete anos depois de ter sido criado, o Ministério do Esporte perdeu a credibilidade e se tornou sinônimo da irregularidade pública. Ao tratarmos das denúncias de falcatruas no Segundo Tempo, não falamos de caso exclusivo, mas o ministério responde por outras dezenas de irregularidades e suspeitas de fraudes em contratos dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, em 2007.
                   

     E o que diz o governo sobre tudo isso? Do Ministério do Esporte recebemos respostas evasivas, dizendo que “já sabia sobre as denúncias” e até “tinha se antecipado às decisões de suspender convênios”, etc.


    Diz mais o governo.

    Em sua coluna semanal “O presidente responde”, Lula da Silva ignora as denúncias ao responder à professora universitária, Natália Miranda, de Natal. Ela indagou como o governo evitará sangria de dinheiro público nas obras para a Copa do Mundo de 2014, a exemplo da que ocorreu nas obras para os Jogos Pan-americanos de 2007 — gastos R$ 4 bilhões”?


     A resposta presidencial:

     “Não houve sangria do dinheiro público. Os investimentos no Pan superaram o previsto porque o planejamento inicial, que não foi da responsabilidade do nosso governo, não previu itens necessários para a execução do evento, como, por exemplo, segurança pública e a capacidade de 45 mil lugares do estádio João Havelange, projetado para apenas 10 mil pessoas. O governo federal teve que arcar com compromissos do estado e do município, o que não acontecerá com a Copa de 2014. Vamos fazer um planejamento detalhado das obras e depois reunir representantes dos estados e dos municípios sedes para definir responsabilidades, dando transparência ao processo. O Ministério do Esporte vai monitorar as obras para que tudo esteja pronto antes de 2014.”

    Quem, mesmo, Presidente, vai monitorar?

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09.07.2009

Os fenômenos isolados do esporte


     Ex-atleta, que entre 1992 e 1997 presidiu a Federação Paulista Universitária de Esportes, Cláudio Damore analisa, em seu blog, “o país que vive de fenômenos isolados no esporte”. Diz ele:


     “Tivemos a tenista Maria Ester Bueno, e esperamos mais de três décadas para a chegada de Guga, que, infelizmente, não deixou herdeiros. Tivemos Éder Jofre, e aguardamos quase o mesmo tempo para termos Popó, que também não deixou seguidores para manter a popularidade do boxe.


     Argumentando sua tese, o autor passa à analise de dois esportes básicos, atletismo e natação. “Por que demoramos 24 anos, desde Joaquim Cruz, ouro em 1984 (800m), até vermos Maurren Maggi (salto em distância) se destacar, no ano passado? Por que César Cielo foi o primeiro nadador nacional a ser campeão olímpico em mais de 70 anos de participação do Brasil nessa competição?”


     Segundo Cláudio, a população brasileira dobrou em pouco mais de 30 anos. E a quantidade de medalhas que cabiam em uma mão, agora não cabem em duas — são 90 em 20 olimpíadas. “Mas não é por esta matemática que podemos dizer que estamos a caminho de nos consolidarmos como potência olímpica.


     Vivemos ainda de fenômenos esportivos, como éramos naquela época! Se estudarmos nossa participação olímpica de três décadas para cá veremos que o único esporte individual que ´furou` esta tradição foi o taekwondo, com a também fenômeno Natália Falavigna” — bronze nas Olimpíadas de Pequim.


     Faz sentido, pois “naquela época” as confederações não tinham o dinheiro que hoje sustentam os atletas profissionais. Não havia lei de incentivo nem bolsa para os atletas. E os patrocinadores estatais, como o Banco do Brasil, o mais antigo, não eram fartos como hoje.


     Por conta dessa escassez de dinheiro, “naquela época” nossos atletas não participavam de treinamentos no exterior, e ir a um evento internacional era viagem para pouquíssimos. Também sob esses aspectos nossa evolução olímpica ainda é pífia.


Timemania


     A Confederação Brasileira de Clubes (CBC), que tem nos cofres públicos boa parte de seu orçamento, recebeu, até maio último, R$ 1,6 milhão do governo federal. O dinheiro veio da Timemania, a partir de 2008, que repassa 1% do que arrecada para a CBC. No entanto, que projetos esportivos são amparados por essa instituição no contexto olímpico nacional?


Boa notícia


     Ricardo Vidal, que dirige o Instituto Joaquim Cruz, em Brasília, visitou o projeto Rede de Atletismo, em Bragança Paulista (SP). E revela que, pela primeira vez no Brasil, o alto rendimento é desenvolvido com o mesmo incentivo ao trabalho de base, onde se formam novos atletas, e com forte apelo educacional.


     Com pouco mais de um ano de existência, o projeto é patrocionado pela empresa Rede, responsável pela distribuição de 30% da energia no país.

 
     Com esse perfil, as atletas da nova equipe já têm resultados a comemorar, pois conquistaram o último Troféu Brasil de Atletismo, caso inédito em 10 anos, quando a competição foi dominada pela BM& F, que este ano ganhou só no masculino.
Loterias


Dinheiro das loterias

     A Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados apresentará emenda ao projeto de lei que altera a Lei Pelé, aumentando de 2% para 2,5% o percentual das loterias federais destinado aos comitês Olímpico e Paraolímpico.


     Porém, a proposta será votada só em agosto, depois do recesso, com a promessa de os parlamentares negociarem junto ao governo e Caixa Econômica Federal a aprovação da proposta. Com isso, será possível atender aos projetos do Conselho Nacional de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos (Confao).

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06.07.2009

Caso de polícia



    Lendo o noticiário do Tribunal de Contas da União (TCU) têm-se a impressão de que aquele órgão trabalha com dedicação exclusiva aos assuntos do Ministério do Esporte. Impressiona o volume de processos que são relatados nessa corte, envolvendo a pasta do ministro Orlando Silva.


     São fatos gravíssimos que sugerem questionar sobre a competência técnica do pessoal que ocupa cargos de confiança do gabinete ministerial. Como a maioria desses funcionários temporários é de origem política, não é difícil explicar a incompetência para conduzir os negócios do órgão.


     Por exemplo:

     O Acórdão 3.450/2009 do TCU trata do convênio do Ministério do Esporte e o Instituto de Tecnologia Aplicada à Educação Novo Horizonte, cujo processo foi originado pelo delegado da Polícia Civil do Distrito Federal, Giancarlos Zuliani Junior.

     Assunto: “possível não aquisição de materiais no valor de R$ 397.500,00, objeto de notas fiscais inidôneas, que teriam sido utilizadas para suportar despesas atinentes ao Convênio 039/2006 (Siafi 559451)”. O dinheiro se destinaria à implantação de 30 núcleos do Segundo Tempo em Brasília.


     Em resumo:
  
     o Ministério do Esporte repassou R$ 397.500,00 ao tal Instituto, que teria apresentado notas fiscais frias para justificar despesas que não teve. E de onde vieram tais notas fiscais: das empresas JG Comércio de Alimentos Preparados e Serviços Gerais e Infinita Comércio e Serviços de Móveis Ltda. 


     Porém, um laudo de exame contábil do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do DF constatou que tais empresas não contabilizaram esse negócio com o Instituto Novo Horizonte.Ou seja, forneceram notas sem prestar serviços. Tudo no "faz de conta"...


    Pior:

    As notas fiscais de venda emitidas pela Infinita dizem respeito ao fornecimento de “kit de lanches”, mas a atividade econômica principal dessa empresa, conforme apurado pelas polícia, é o comércio atacadista de móveis e artigos de colchoaria, totalmente estranho ao objeto dos referidos documentos fiscais.


Quem é?

     Pesquisando sobre as empresas envolvidas, encontramos a seguinte notícia na página da Procuradoria Reginal Federal da 1ª Região, publicada no dia 31 de março último:


     “A Procuradoria Regional Federal da 1ª Região obteve o deferimento de liminar em Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa ajuizada em desfavor do Instituto de Tecnologia Aplicada à Educação Novo Horizonte e de Antônio Carlos de Souza Medeiros.


     Conforme divulgado no dia 23/03, a PRF1, representando o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE, ingressou com duas Ações Civis Públicas por Ato de Improbidade Administrativa contra o Instituto de Tecnologia Aplicada a Educação Novo Horizonte e a Associação Positiva de Brasília e seus respectivos gestores, Antônio Carlos de Souza Medeiros e Gláucia Oliveira Abreu, pelo fato de as referidas empresas não terem prestado contas dos recursos transferidos pelo Fundo.


       A Procuradoria demonstrou que a não prestação de contas dos valores recebidos caracteriza ato de improbidade dos réus, nas modalidades enriquecimento ilícito, lesão ao erário e violação dos princípios da Administração Pública, e pediu liminarmente a indisponibilidade dos bens dos réus até o montante dos repasses efetuados pelo FNDE, a fim de garantir bens suficientes para ressarcir o dano aos cofres públicos.


    Acolhendo os fundamentos apresentados pelo Procurador Federal Milton Carvalho Gomes, o juízo federal da 3ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal deferiu a liminar e determinou a indisponibilidade dos bens dos réus, no valor de R$ 104.767,68, montante do repasse efetuado pelo FNDE.”


Mais


    Em outra pesquisa, o Instituto de Defesa do Consumidor — Procoun-DF — lista os principais fornecedores que não cumpriram o Código de Defesa do Consumidor. E quem comparece lá, com sete processos?  O Instituto de Tecnologia aplicada à Educação Novo Horizonte...


    Quando se critica que o programa Segundo Tempo é ilusório, é porque o Tribunal de Contas da União já identificou fragilidade na sua execução.


     Além disso, falta responsabilidade nas autoridades do Ministério do Esporte em escolher os seus parceiros, como se prova nesse caso acima narrado, provocando um espetacular desperdício de dinheiro público, somando-se a dezenas de outros, de várias origens.

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03.07.2009

Tempo quente

   As auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) no Ministério do Esporte continuam.

 

    Na quinta-feira, dois auditores chegaram por lá para novas investigações em contas suspeitas. E isso, sabe-se bem, é o que não falta.

 

     Como diz "o Cara":

     "Nunca, antes, na história deste país..."  se constatou tantas irregularidades, tanto jogo de influências, tanto dinheiro desperdiçado, tantas aplicações suspeitas na área do esporte como o do atual governo.

 

 

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02.07.2009

As culturas formal e real

 

     Nos últimos dois anos, dedicamos bom espaço desta coluna para comentar sobre os legados dos jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro: o formal, que estava na proposta de candidatura, e o real, isto é, o que de fato ficou.

 

     Ficaram, por exemplo, o discurso de nossas autoridades, civis e públicas, a insegurança dos cariocas, modernos ginásios fechados por falta de competições, contas públicas que não fecham, superfaturamento comprovados - R$ 2,9 bilhões, até agora -, dúvidas sobre o destino de equipamentos esportivos, e serviços pagos mas que não foram executados.

 

     Na prática, o Brasil é capaz, por suas entidades afins, de realizar qualquer grande evento. Há dúvidas sobre isso? Falta-nos, porém, a tal cultura esportiva, aquela que se forma na infância, na educação escolar e que inclui a atividade física na rotina dos jovens.

 

     Essa ausência, gravíssima, evolui nos estágios seguintes até constatarmos que os ginásios estão fechados por falta de calendários atrativos. E se não atraem é porque não há competidores do mesmo nível, para eventos emocionantes e periódicos: atletismo, natação, judô, ciclismo, tênis de mesa, saltos ornamentais, tênis, esgrima etc. E onde estão os tais competidores? Estão aí, mas em número limitadíssimo, apesar do potencial de 33 milhões de crianças e jovens em idade escolar.

 

     Observem: recentemente, a imprensa nacional noticiou que "a grande campeã" dos 100 metros rasos do Troféu Brasil de Atletismo, foi Lucimar Moura, com 11s28. Aos 35 anos, Lucimar é nossa eterna melhor fundista. Resultado dessa matemática: o tempo da corredora no Troféu Brasil (11s28) a colocaria, sim, numa final de campeonato mundial, mas de atletas juvenis, porque, como adulta, Lucimar não aparece entre as 40 do ranking internacional. Onde está a renovação? Será que com a entrada em campo do Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos (Confao), esse problema será solucionado?

 

     Vamos para a promoção de eventos. Em 2007, a Confederação Brasileira de Desportos para Cegos (CBDC), promoveu em São Paulo o Campeonato Mundial de 2007. É a principal competição da categoria, depois das Paraolimpíadas. E o que se viu: autoridades que não honraram os compromissos - por escrito.

 

     Assim, apesar do sucesso nas disputas, as contas do Mundial foram um fracasso. Hoje, a direção da CBDC faz apelo dramático para tentar pagar a dívida de R$ 2,5 milhões. É vergonhoso para um país que tem o Rio de Janeiro como candidato à sede olímpica e paraolímpica de 2016.

 

     Afinal, que estrutura esportiva é essa que dispomos? Porque tanta fragilidade e omissão? Porque os ministros do Esporte, de ontem e de hoje, fazem discursos motivadores e depois destinam miseráveis reais de "ajuda"?

 

     E o que dizer dos governos estaduais e municipal de São Paulo, que também apoiaram previamente o Mundial de Desportos para Cegos e não compareceram no caixa, como o combinado? E o Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), que, além de ter em sua cúpula de gestão a própria CBDC, é um dos interessados em eventos internacionais desse tipo no país? Em resumo, é a tal falta de "cultura esportiva", que sucumbe à cultura política, aquela do discurso de ocasião e promessas sem compromissos. Nesse caso, a cultura é formal e real.

 

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30.06.2009

A Copa de 2014 no Legislativo

 

    A bola da Copa de 2014 começa a rolar nesta terça-feira, dia 30 de junho, na Câmara dos Deputados.

 

    Às 14h30, no plenário 13, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara realiza a primeira audiência pública sobre os gastos do governo federal na organização do Mundial do Brasil. A audiência é conjunta com as comissões de Desenvolvimento Urbano e Turismo e Desporto.

 

     O debate sobre as necessidades e carências das cidades-sedes será com o presidente do Sindicato Nacional da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco), José Roberto Bernasconi, e o diretor-executivo da Confederação Nacional de Transportes(CNT), Bruno Batista. (Informação transmitid pelo jornalista Wilson Teixeira, que assessora o deputado Silvio Torres (PSDB-SP)  

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28.06.2009

Gesto elogiável

  

   Continuando o debate   sobre o projeto de lei, no Senado, que propõe passar ao futebol amador 20% do que o governo federal vier a investir na organização da Copa do Mundo de 2014, o senador Cristovam Buarque, autor da proposta, também escreveu.

   

   Num gesto elogiável, o representante de Brasília no Senado Federal quer conhecer mais sobre os dados publicados na coluna Jogo Aberto, de quinta-feira. E nos convidou, inclusive, para ir ao seu gabinete e trocar idéias, a fim de ajudar a aprimorar a sua proposta.

 

    Essa manifestação do senador, num momento em que o Legislativo convive com uma série de denúncias de irregularidades, nos anima na certeza de que nem tudo está perdido. Principalmente porque, no gesto desse parlamentar, fica valorizada a importância da imprensa no indispensável diálogo com os representantes públicos.

   

 

 

 

  

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28.06.2009

Debate com o Senador Cristovam Buarque

    Da leitora Mery Lucy Souza recebemos o email que publicamos abaixo:

 

     "Referenciando  sua   coluna Jogo Aberto do dia  25/06/09, te  cumprimento pela  sensatez  da análise, pois é  realmente surpreendente  que o  senador Cristovasm esteja  sendo ludibriado...

 

     Se  ele  quer  de  fato  ajudar escolas e  comunidades mais  carentes, posso indicar várias,  começando pela Escola Rural Carlos Motta Ramos, no  Lago Oeste, onde o  diretor morreu, assassinado, sonhando transformá-la em  exemplo  de  educação com  inclusão social da maioria  dos  moradores daquela região pobre do Distrito Federal.


     Por  aquelas paragens,  as  crianças que  gostam de uma  bolinha de futebol  enfrentam  é  o poeirão de um  campo da Associação  de Produtores Rurarais, ASPROESTE,  onde passam  parte  do  dia em  nome da escola  tempo integral.

 


     Como  parceira  daquela  Escola em  trabalhos  de Educação Ambiental implantamos um projeto de "ecoatletismo". Mas, para desenvolvê-lo andamos  como  pedintes, inclusive para  improvissar uma pista com  marcação  de  cal,que  desaparece a cada  ventania. Isso , sem  falar  na falta de  monitoria,  uniformes e mínimos equipamentos para a preparação  fisica.

 

    Por isso  tudo é  triste e  revoltante  ver  logo o  senador  Cristovam querendo passar  bilhões para  grupos que  já  dão  braçadas  em  dinheiro.

 


    Está aí a oportunidade para ser apresentado um projeto  de  lei que repassasse recursos para programas sociais de   "comprovada competência e objetivos educacionais". Com  certeza, isso abriria horizontes  para muitas crianças  e jovens e,  sem  dúvida, o senador continuaria  a merecer respeito   de muitos educadores e, quem  sabe, de futuros  atletas".

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25.06.2009

Projeto eleitoreiro



   Além de eleitores e promessas, obras e futebol atraem os políticos. Dependendo da época, um assunto tem prioridade sobre o outro. Mas se puder juntar os dois, a festa fica mais alegre. De olho nesse público - torcedor e eleitor - crescem os projetos de leis, como o que tramita no Senado Federal, criando o “Fundo Copa Amador para o apoio ao futebol não profissional no país”.


    Trata-se de uma preciosidade, para os que, em tese, serão beneficiados. Ou algo inacreditável, para quem acompanha o esporte diariamente. O tal projeto determina que 20% do que a União aplicar na realização da Copa do Mundo de 2014 sejam destinados ao futebol amador. Não há números confiáveis nesse sentido, pois nem o próprio Palácio do Planalto tem a noção do que investirá nesse projeto. Mas fala-se em algo de R$ 100 bilhões - a maior parte aplicados em obras de infraestrutura.


     Ou seja, se o projeto for aprovado, o governo se tornará financiador de clubes amadores com algo em torno de espetaculares R$ 20 bilhões. Para que se tenha uma ideia, esse valor é 10 vezes mais do que o futebol profissional movimenta no país, anualmente, aí, incluídas as transações milionárias de jogadores para o exterior. Estamos, enfim, perto de uma revolução fenomenal, com os clubes regredindo ao amadorismo para serem, então, subvencionados pelo governo federal.
                                  …

    A proposta é mal elaborada e tem argumentação frágil, inconsistente. Poucas vezes se viu, na área do esporte, algo com objetivo tão eleitoreiro como esse. Nem o polêmico e truculento ex-presidente do Vasco da Gama, Eurico Miranda, também ex-deputado, conseguiu produzir peça com tal agressão aos cofres públicos. No entanto, o tal projeto de lei para o futebol amador foi apresentado por um senador que tem um perfil e discurso justamente contrários a essa prática, o representante do Distrito Federal, Cristovam Buarque (PDT).


    Para piorar, o relator desse projeto, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), argumenta com informações que não refletem a realidade. Por exemplo, “o esporte amador jamais recebeu apoio e incentivo …” É de uma desinformação espetacular.


    Repetindo o presidente Lula, “nunca antes na história deste país” o esporte teve tanto dinheiro público. O esporte no Brasil, senhores parlamentares, é fruto da iniciativa privada, mas estatizado na sua gestão financeira, a partir dos milhões repassados pelas loterias. A mais recente aberração nesse sentido é a Lei de Incentivo ao Esporte, que atende, inclusive, o futebol amador, que o senador Cristovam Buarque agora quer destinar bilhões de reais.
  
                                  ...
           
    Diz ainda o senador Eduardo Azeredo: “Nossas escolas são carentes de espaço, de material e de profissionais preparados para oferecer aos alunos práticas esportivas que lhes permitam desenvolver não apenas seu potencial física, como aprimorar sua formação humana e social.”


     Oposicionista, o senador acerta nessa informação e não perde a oportunidade de criticar o governo federal por sua incapacidade de resolver esse que é um dos maiores problemas da educação no país, a falta de atividade física regular nas escolas públicas. Porém, em vez de levar a plenário propostas para debater essa grave questão, que se arrasta desde o governo passado, apoia uma proposta ilusória, pois o dinheiro não chegará aos campos de várzea.


    Ao contrário, será o profissionalismo, mais uma vez, que se beneficiará desse dinheiro. Disfarçados de amadores, lá estarão os cartolas, eternos pedintes do dinheiro público, criando times de arrabaldes, para terem acesso ao dinheiro fácil. E será com esse recurso que formarão atletas para vendê-los ao exterior, como já ocorre vergonhosamente, aqui mesmo em Brasília, com garotos de até 14 anos deixando a família para tentar realizar um sonho duvidoso em outros países.
                                      …

     Suspenda esse projeto, senador Cristovam Buarque. Faça uma consulta ao Siafi e veja quanto o esporte  - futebol, inclusive -  recebe dos cofres públicos. O senhor se surpreenderá com os valores ali registrados nos últimos anos. E, se avançar nessa consulta, observará o desperdício que ocorre em nosso país com as fartas verbas para o setor. Reverta a sua proposta, e terá, com certeza, um maior número de eleitores ao seu lado, bem superior aos que espera ganhar com essa gentileza que projeta fazer com o dinheiro público.

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22.06.2009

Vôo cego



    O Brasil esportivo continua vivendo de euforias. Quem fala em construção de estádios para a Copa de 2014? Licitação, parceria público privada, algo parecido? Que iniciativa foi tomada, efetivamente, para tirar do papel os maravilhosos projetos?

   
      Pior: só em agosto o governo federal saberá quanto será necessário investir nas obras de infraestrutura para a realização da Copa no Brasil. Notícia de fonte segura. Faz sentido, porque até o ministro das Cidades silenciou sobre o assunto.

        Ou seja, em matéria de necessidades de $$$$ (do distinto público, claro, para o evento), o presidente Lula da Silva embarcou em um vôo cego, quando, eufórico, matou a bola no peito e comprometeu o governo com a realização do Mundial.


         Memória: o anúncio da Fifa de que o Brasil sediará a Copa de 2014 foi feita em outubro de 2007. Quase dois anos. Continuamos nos discursos...

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20.06.2009

Pistas da ilusão



    João Sena, do Clube de Atletismo de Sobradinho, está angustiado. Um mês depois de concluída a obra de recapeamente da pista de atletismo, a nova área ainda não foi liberada para a garotada. Em decorrência, os treinos dos atletas — muitos na elite nacional — se realiza na rua, disputando espaço no movimentado trânsito.


    Pista de atletismo em Brasília é uma história espetacular, que começou em 1991, quando o então governador, Joaquim Roriz, prometeu ao campeão olímpico, Joaquim Cruz, construir um espaço para a formação de talentos.


    Depois, foram mais três encontros entre os dois, com apelos de Cruz e promessas de Roriz. Como estava lidando com políticos, Joaquim, o Cruz, ficou decepcionado e não procurou mais o xará, Roriz.  E a pista ainda não saiu…

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20.06.2009

Atletismo concentrado



    Professor de educação física da rede pública do Distrito Federal, o carioca Fernando Franco pesquisa como ninguém sobre o atletismo nacional e estrangeiro. Sua mais recente produção é com base no Troféu Brasil de Atletismo, encerrado há dois fins de semana, no Rio de Janeiro.


     O resultado desse evento mostrou como a elite da modalidade está concentradíssima em apenas duas equipes, ambas de São Paulo, a BM & F e a novata Rede Atletismo. Em resumo: a campeã masculina foi a BM&F, com 388 pontos, seguida da Rede, com 318. Os pontos dos 27 clubes seguintes chegam a apenas 311 pontos.


    Mais: no total, a Confederação Brasileira de atletismo distribuiu 168 medalhas. Dessas, a BM&F e a Rede ficaram com 123, ou seja, 73,21% dos troféus. Algo como se no restante do país não tivéssemos competidores.


     Além disso, pergunta o professor Fernando Franco: “Quantos técnicos existem na Rede e na BM&F para treinar esse potencial de atletas?”


     Em decorrência dessas disparidades, o professor Franco tem outro questionamento oportuno: “Essas duas equipes fornecem o maior número de atletas das representações  de nossas equipes em eventos internacionais, mas sem traduzir em sucesso essas participações”.


     De fato, afora as provas de saltos em que Jadel Gregório, Maurren Maggi e Fabiana Murrer são os expoentes, o outro destaque é Marilson Gomes, nos 10.000m. É uma miséria para um país do tamanho do nosso.


     
 

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