11 março 2010

Entre clássicos e porcarias: Guns





João Renato Faria


uando comecei a gostar de rock e música pesada, um rolo compressor chamado Nirvana já havia triturado as bandas de metal farofa e estabelecido um novo paradigma musical. Por isso, sempre vi o Guns N' Roses como uma espécie de monstro do Lago Ness, um dinossauro que de alguma maneira conseguiu evitar a extinção e estava entre nós no mundo moderno, o último remanescente de uma espécie extinta.

Não que isso me importasse. Já que dava o estilo como morto (e ele de fato estava), me preocupei em concentrar meus parcos reais em discos de thrash e heavy metal. Nunca dei alguma atenção para o Guns e seu vocalista de sunga e voz estridente, que achava que jogar uma cadeira de um quarto de hotel era o máximo da subversão. Tinha (e ainda tenho) bandas muito melhores para ouvir e acompanhar.

Portanto, qualquer um pode imaginar qual foi a minha surpresa quando vi não um, mas dois dinossauros ao vivo, na minha frente. Curioso pensar que, quase 20 anos depois do meteoro chamado Nevermind, Kurt Cobain é que está morto e quem ele matou está vivo.

O caos no trânsito era parecido com o de um jogo de futebol. Nem o tradicional atalho pelo Padre Eustáquio e o Caiçara estavam escapando no engarrafamento infernal. "64.800", pensei, invocando o número mágico que indica a atual (e pífia) capacidade máxima do Mineirão e, fatalmente, um inferno de carros até o estádio. Mas qual não foi minha surpresa quando, depois de passar por duas batidas, o tráfego fluiu e eu cheguei ao Mineirinho sem problemas.

Devidamente credenciado, entrei no ginásio, que, ao contrário do que a pequena aglomeração na porta sugeria, estava lotado. Bem mais cheio que o Iron Maiden, para citar um show recente no mesmo lugar. O calor que imperava foi como um abraço gordo: úmido, denso, pesado. O desconforto é nítido e evidente, e fica a torcida para que na Copa, façam um favor para Belo Horizonte e derrubem o ginásio. Vai ficar menos pior, vai queimar menos o filme da cidade.

Após a banda Uberro (esforçada, mas deslocada no evento), entrou no palco Sebastian Bach, ex-vocalista de uma banda de glam metal que não sobreviveu ao meteoro do grunge. Acompanhado do tio Chico da Família Addams em uma guitarra e de um membro perdido dos Hanson na outra, ele batia a cabeça e rodava o fio do microfone de maneira sincronizada. Tenho que dar o braço a torcer. Foi uma das coisas mais legais do show inteiro, junto dos fogos de artifício e da guitarra sem trastes de um sósia do Ritchie Sambora que está no Guns.

A sensação de estar numa máquina do tempo, de volta à 1989, iria me acompanhar até os acordes de My way, de Frank Sinatra, que anunciaram o fim do show do Guns, que subiu ao palco liderada por um senhor de meia idade. Se arrastando, parecia uma paródia de si mesmo. A tenebrosa acústica atrapalhou pouco. As músicas de Chinese democracy, o disco-que-nunca-ia-sair-mas-acabou-saindo atrapalharam muito mais. Se no disco elas já eram ruins, ao vivo, elas eram piores ainda. Enquanto eram executadas, pensamentos disconexos sobre meio ambiente, macroeconomia, a possível existência de vida em outros planetas e o novo episódio de Lost faziam o favor de me entreter, já que, se dependesse das tais músicas novas, estaria ferrado.

Tal como uma montanha-russa, o Guns alternava clássicos e porcarias, entremeados por solos intermináveis. Os altos e baixos chegavam a dar vertigem, enquanto me sentia vendo um diorama de um museu americano: homem-das-cavernas, idade média, descobrimentos, era vitoriana, Guns N' Roses. Como toda representação, não era exatamente a História que estava na minha frente. Faltavam alguns músicos e muita rebeldia. Quem era fã, gostou e saiu satisfeito. Quem não era, não virou com o show. Fica para a próxima.



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11 março 2010

Megadeth confirma novas datas no Brasil



João Renato Faria

 turnê de 20 de Rust in Peace começa a tomar corpo. Depois de anunciar que a vinda do Megadeth estava garantida para, pelo menos um único show em São Paulo, o Twitter da casa de shows paulista Credicard Hall anunciou hoje mais duas datas.

Antes de SP, no dia 24 de abril, o Megadeth vai passar no Recife, dia 20 e em Brasília no dia 22. Agora é cruzar os dedos por BH.


Valeu!



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10 março 2010

Review: Orphaned Land - O Oriente Médio ganha o mundo





Christiano Gomes



 música pesada é aberta e se permite influências inúmeras. Da música clássica ao punk, tudo se mistura ao heavy metal. O resultado é um sem-número de gêneros e sub-gêneros cada vez mais difíceis de se explicar. Quem por exemplo um dia imaginou ouvir índios e batidas tribais em meio à guitarras e vocais guturais? Mais uma mistura (no mínimo) interessante chegou às prateleiras gringas neste início de ano: "The Never Ending Way of ORwarriOR", (Century Media) quarto álbum da banda israelense Orphaned Land, que mistura com maestria sua música regional com o heavy metal. A música é ousada e talvez não agrade a todos, mas merece ao menos uma audição. Poderia ser classificada como folk metal, mas o rótulo, ainda muito abrangente, não explica a sonoridade da banda. Mais apropriado então seria usar um sub-gênero - Oriental Metal - que designa bandas que misturam a música pesada com sonoridades tradicionais do Oriente Médio ou asiáticas.

"The Never Ending Way of ORwarriOR" ("A guerra sem fim entre a luz e as trevas", em uma tradução livre) é um álbum conceitual, dividido em 3 partes e cantado em 3 línguas: inglês, árabe e hebraico, o que pode até soar estranho à primeira audição, mas que faz todo sentido quando se ouve o álbum todo. Além da facilidade em cantar nas 3 línguas, o vocalista Kobi Farhi é versátil e vai do vocal mais melódico ao gutural mais tenebroso dentro da mesma música.

Além da honesta mistura de sons (afinal de contas todos seus integrantes são israelenses), a banda sabe capitalizar a temática do Oriente Médio. Tanto que em suas sessões de fotos seus integrantes aparecem vestidos de sacerdotes da igreja, árabes, judeus ortodoxos e até mesmo Jesus Cristo, encarnado pelo vocalista Kobi Farhi, que de fato, caracterizado, se assemelha muito ao líder católico. Mas não espere uma pregação sem fim em nome de Deus pois a figura do demônio (ou um Cristo demoníaco) também encarnado por Kobi Farhi, também aparece nas fotos!




Não se deve esperar deste quarto trabalho do Orphaned Land um álbum absurdamente pesado. O que diferencia este de outros tantos álbuns que estão chegando às prateleiras é justamente a facilidade da banda em compor faixas extremamente melodiosas, com passagens muito bonitas da rica música local e mesclar com o indiscutível peso das guitarras e dos pedais duplos presentes em suas canções.


Destacar uma ou outra faixa é tarefa difícil, mas as faixas cantadas em árabe ou hebraico são especialmente interessantes, pois é algo que não se vê na música pesada. Entre elas destacam-se "Olat Ha'tamid" e "Sapari", faixa que abre o álbum e é ótimo cartão de visitas do que está por vir.

Se o Orphaned Land já chamava atenção do público norte-americano, europeu e árabe (estes dois últimos principalmente), "The Never Ending Way of ORwarriOR" acaba de colocá-los ainda mais em evidência, tanto que a agenda de shows está cheia e até o mês de agosto a banda terá passado por pelo menos uma dezena de países como Estados Unidos, Canadá, Israel, Espanha, Portugal, França, Suíça, Inglaterra, Alemanha, Itália e Bélgica tocando para grandes públicos em festivais como o Gods of Metal, na Itália ou Wacken Open Air, na Alemanha.

Classificado (erroneamente) por alguns como prog metal, doom metal e até mesmo death metal, "The Never Ending Way of ORwarriOR" é honesto e competente. É um álbum para ser ouvido, de preferência, despido de qualquer preconceito.


Confira o track-list de "The Never Ending Way of ORwarriOR":
Part I: Godfrey's Cordial – An ORphan's Life
1. "Sapari"
2. "From Broken Vessels"
3. "Bereft in the Abyss"
4. "The Path Part 1 – Treading Through Darkness"
5. "The Path Part 2 – The Pilgrimage to Or Shalem"
6. "Olat Ha'tamid"

Part II: Lips Acquire stains – The WarriOR Awakens
7. "The Warrior"
8. "His Leaf Shall Not Wither"
9. "Disciples of the Sacred Oath II"
10. "New Jerusalem"
11. "Vayehi Or"
12. "M i ?"

Part III: Barakah – Enlightening the Cimmerian
13. "Barakah"
14. "Codeword: uprising"
15. "In Thy Never Ending Way (Epilogue)"

Confira o clipe da música "Sapari"




E você, o que achou da mistura de sons promovida pelo Orphaned Land? Deixe seu comentário.




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05 março 2010

Megadeth confirmado no Brasil





João Renato Faria



 Megadeth está confirmado no Brasil. A informação chegou via Twitter, através do perfil oficial da casa de shows paulista Credicard Hall.

O Megadeth toca no Credicard Hall no dia 24 de abril, um sábado. Os ingressos estarão disponíveis na pré-venda para clientes Diners, Credicard e Citibank no dia 12 de março. Para o público em geral, as entradas podem ser compradas a partir do dia 19.

Por enquanto, não existem informações sobre possíveis shows do Megadeth em outras cidades, mas no site oficial é possível ver que a banda tem datas em abril e maio ainda em aberto.

A banda de Dave Mustaine está na turnê de comemoração dos 20 anos do lançamento do clássico Rust in Peace e que conta com o retorno do baixista David Ellefson, que ficou oito anos fora da banda.



UPDATE: O Megadeth vai trazer ao Brasil a
"Rust in Peace 20th Anniversary Tour". A notícia foi confirmada no final da tarde desta sexta-feira pela casa de shows paulista Credicard Hall.


Leia também: Revelado o set-list para a turnê Rust in Peace




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03 março 2010

Burzum: Varg Vikernes não vem à BH





João Renato Faria


e repente, a bomba: o polêmico e lendário Varg Vikernes, líder e único membro do Burzum, uma das mais famosas bandas de black metal, estaria a caminho da capital mineira para discotecar em um show de grindcore. Vários sites começaram a repercutir a notícia sobre a possível passagem do norueguês, assassino confesso do guitarrista Euronymous, da banda Mayhem e notório incendiário de igrejas.

A excitação tem motivos. Vikernes foi preso em 1993, após assassinar à facadas
Euronymous. Ele foi condenado a 21 anos de prisão e passou 16 anos preso. Ele foi solto em liberdade condicional em maio de 2009. Na cadeia, ele gravou discos que fugiam do black metal inicial do Burzum e foram classificados como dark ambient. Além disso, no flyer divulgado, junto das bandas Warcry, dos EUA, e Crash Playground, constam os nomes de Paulista, ex-Reffer, como DJ, e Varg Vikernes, da Noruega.

Porém, tudo não passou de uma brincadeira de mau gosto. O MONDO METAL entrou em contato com proprietários do local do evento, que esclareceram a história. "Gente do país inteiro ligou para saber como que é essa história, mas é mentira. Varg Vikernes do Burzum não está vindo para Belo Horizonte. O DJ que vai tocar é fã de Burzum, e resolveu fazer uma brincadeira, meio homenagem ao cara. Mas ele não sabia que ia ter essa proporção toda", explicou a boate Velvet, que apesar de abrigar o evento, não tem nada a ver com a organização do show. "Como foge da proposta da casa, nem estamos divulgando nos nossos meios. É um evento terceirizado, produzido por outras pessoas", esclareceram.

É remota, na verdade, qualquer chance de Vikernes sair da Noruega. Além de ter que se apresentar uma vez por mês ao juiz, ele se enfiou em uma fazenda no interior do país nórdico para gravar mais um disco do Burzum. Belus, o sétimo trabalho da banda, está previsto para chegar ás lojas ainda este mês.

Portanto, fica o alerta. Quando você se aventurar no mundo do som mecânico, não escolha o nome de um polêmico músico do black metal como pseudônimo. Alguém pode acreditar.


Veja o cartaz onde consta o nome de Varg Vikernes:






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27 fevereiro 2010

Depois de Rammstein... Mudvayne tem vídeo proibido

 




Christiano Gomes


 Mudvayne é uma banda que não agrada a todos. Nasceu e cresceu em meio à leva de bandas norte-americanas de nu-metal que tocavam basicamente em sua terra natal rodando o país em intermináveis festivais onde bandas como Limp Bizkit, Linkin Park, Static-X, Spineshank, Korn, Deftones, entre outras eram figurinhas fáceis. Com o passar dos anos e dos álbuns a banda foi incorporando novas influências e seu som se distanciou do início de carreira chegando a flertar fortemente com o machcore.

Mas quem achava que a banda iria se enquadrar, errou! O Mudvayne acaba de lançar um polêmico vídeo para a música Beautiful and Strange com cenas de sexo certamente não tão explícitas quanto Pussy, dos alemães de Rammstein, mas tão inquietantes quanto. Cenas de sadismo e tortura conduzidas por um sacerdote também estão presentes no novo clipe da banda que acabou banido de todos os meios de comunicação onde tentou ser veiculado. Assim como o Rammstein, restou ao grupo o lançamento em um único site, neste caso o Vampire Freaks.

Beautiful and Strange é o segundo clipe de uma trilogia iniciada em dezembro, quando foi lançado Scream with me. Este, nada polêmico, mostra os mesmos personagens do clipe seguinte. A banda completa a história no próximo mês com o lançamento de Heard it all before.

O vídeo pode ser conferido neste link.

Leia também: Rammstein perdendo a noção!


Qual a sua opinião sobre clipes polêmicos como estes?



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25 fevereiro 2010

Rocket Skates: Deftones mostra nova música






João Renato Faria


aixista em coma, disco engavetado, uma nova gravadora. Até o lançamento de Rocket Skates, a primeira música do novo disco Diamond Eyes, o Deftones passou por poucas e boas.

O caminho até aqui foi bastante tortuoso para o grupo californiano. Em 2007, a banda começou a trabalhar em Eros, o sexto disco da carreira. Quando ele estava praticamente pronto, a bomba: em novembro, baixista Chi Cheng sofreu um gravíssimo acidente de carro e estava em coma, entre a vida e a morte, em um hospital.

A condição se estabilizou em um estado de semi-consciência. Hoje, mais de um ano após o acidente, baixista abre os olhos, e parece ter ciência de sua condição, mas não se mexe, não fala e precisa de ser cuidado 24 horas por dia.

A situação mexeu com o grupo, que havia largado a gravadora Maverick, da cantora Madonna, pela Reprise. Se sentindo extremamente desconfortável com o material de Eros, que segundo os membros do grupo, "não refletia mais como o Deftones estava", a banda engavetou o disco de inéditas e convocou o amigo Sergio Vega, ex-Quicksand, para segurar a barra enquanto Chi Cheng não se recupera.

A banda decidiu trabalhar em um novo disco em junho, de 2009, e agora, Diamond Eyes, previsto para chegar às lojas em maio deste ano, tem sua primeira amostra, que pode ser baixada no site oficial do grupo.

Por toda essa história, vale a pena conferir o que pode ser considerada uma baita volta por cima, mesmo se a banda não estiver no rol das suas preferidas. Afinal de contas, num mundo onde bandas acabam por motivos cada vez mais imbecis, é bom saber que tem gente que persiste.

Confira a música!





Valeu!



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22 fevereiro 2010

Fã sobe ao palco e toca com o Machine Head





Christiano Gomes


ocê é fã de uma banda. Compra camiseta, tem todos os álbuns, acompanha as notícias e aprende até mesmo a tocar algumas de suas músicas. Um dia a banda vem tocar na sua cidade e você dá a tacada da sua vida: prepara um cartazão que diz: "Deixem-me tocar aí. É sério! Eu consigo!" O que você espera? Subir ao palco e tocar com a banda, claro!

Pois foi exatamente isso que aconteceu no último dia 10 em Viena, na Áustria, durante o show dos norte-americanos do Machine Head, quando um fã levantou um cartaz que dizia: "Deixe-me tocar Aesthetics Of Hate na guitarra, Robb. É sério!!"

O guitarrista e vocalista Robert Flynn viu o cartaz e aceitou o desafio. Pouco antes da música começar deixou o fã identificado apenas como Peter subir ao palco entregando sua própria guitarra para delírio do público. Para surpresa de todos Peter realmente sabia todas as partes da guitarra e não decepcionou.

Ao final da música o fã se jogou na platéia em um stage diving e foi conduzido no alto até o bar da casa de show onde três copos de cerveja - de graça - já o aguardavam.

Assista ao vídeo e veja como foi:





Atitudes como esta do Machine Head eternizam a banda e entram para a história da música pesada. E você, o que achou da banda ter permitido ao fã tocar com ela?


Valeu!


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18 fevereiro 2010

Europa Burns - Baroness: London Underworld





Europa Burns é a nova coluna do Mondo Metal que vai mostrar um pouco mais do que acontece na música pesada do velho continente. As novas bandas, os "peso-pesados", grandes festivais ou shows em pequenos pubs, tudo sob um olhar diferenciado, um olhar local. Direto de Londres ou de algum ponto da Europa, Eduardo Piloni será o Mondo Metal no velho continente.

Nesta primeira coluna, Piloni acompanhou o show da banda Baroness, que pertence ao chamado Sludge Metal, um sub-gênero da música pesada que se não é tão conhecido pelo nome, pode ser mais facilmente reconhecido pelas bandas que o representam como Mastodon, Fudge Tunnel, Superjoint Ritual, entre outras. Na estrada desde 2003, a banda faz parte do cast da renomada Relapse Records, por onde lançou seus últimos 2 álbuns.
Embora pouco conhecido no Brasil, o Baroness tem chamado cada vez mais atenção da imprensa européia e dos fãs pelo impacto de suas músicas e técnica de seus integrantes. Direto de Londres, Eduardo Piloni nos conta como foi.




Eduardo Piloni, de Londres
Especial para o Mondo Metal


Baroness: London Underworld
19 de janeiro de 2010

sta seria a 6ª vez que o Baroness iria passar pelas ilhas britânicas. Sua turnê européia está passando pela Bélgica, Holanda, França, Alemanha, Dinamarca e Escócia, também no Reino Unido. Embalados pelo lançamento do impactante “Blue Record” que teve um trabalho nada fácil de seguir o aclamado “Red Album”, o Baroness também fez este mês 5 datas na Austrália e 3 no Japão.

O metal renova-se constantemente e tem sido comum na última década novas bandas explorarem a complexidade e técnica das composições, ganhando rápida distinção e reconhecimento global. É exatamente neste ponto que Baroness se difere da maioria dos seus companheiros do gênero, como Mastodon, Kylesa e Isis. A proposta da banda é evidentemente simples, naturalmente genuína e extremamente cativante. Como se o legado de Black Sabbath e Led Zeppelin aqui se encontrasse despropositadamente, de uma maneira moderna – na pegada das guitarras, no groove das batidas e como a composição em si extende-nos um convite para uma viagem conjunta – o artista e seu público. Para quem terá o prazer de ouvir pela primeira vez Baroness, uma boa viagem!




A noite na Inglaterra começa cedo e 21h15 em ponto, membros a postos, logo as guitarras começam a falar mais alto. Nada de samplings, triggers ou efeitos de mesa. O vocalista, frontman e mente criativa do grupo John Baizley inicia os timbres que ditarão o rítmo na próxima hora, acompanhado sempre pelo novo guitarrista Peter Adams. “Bullhead’s Psalm” é a obra que inicia o espetáculo, e com sua levada crescente embala o público que enchia de sorrisos e satisfação o Underworld. As 3 primeiras faixas do novo álbum abrem o concerto, fortificando a estrutura escolhida para “Blue Album”.  “The Sweetest Curse” e “Jake Leg” têm uma levada distinta e Allen Blickle demonstra-se muito mais confiante com sua pegada distinta, e passeia carregando as guitarras sempre afiadas que fazem esta banda.

A intimidade dos dois guitarristas é nítida. Grandes amigos de infância, a harmonia se evidencia em palco, dando ao concerto uma nova dimensão. O vocal sujo e imponente de Baizley traz um peso constante à cada tema. Soando como um quinto instrumento, contrasta propositadamente com a beleza das cordas, auxiliado também no backing vocal por Peter, que mostra-se extremamente a vontade e trouxe muita vivacidade às atuações da banda, explorando a dimensão do palco com destreza, comunicando-se ao longo de todo o show com o público e seus colegas de banda – Allen Blickle na bateria e Summer Welch no baixo.

Uma pequena pausa com muito barulho das guitarras, um medley com o cover de Machine Gun (Jimi Hendrix), Baroness abre a porta para a parte mais ativa do set, com as consagradas “Isak” e “The Birthing” do Red Album. É impossível não notar a reação do público, alguns completamente extasiados com os riffs cativantes dos temas e outros atônitos, boca meio aberta em perplexidade não escondendo um grande sorriso de satisfação. Ao lado da banda, a massa da imprensa tomava nota e registrava imagens, e sim, todos com um grande sorriso no rosto!




Voltando ao novo álbum, Baroness mostra que é um trabalho que vem para ficar. Não é à toa que foi eleito pela Decibel Magazine o melhor álbum de 2009. A banda vive em um show todas as fases de sua carreira, não esquecendo suas origens, tocando criações de seus primeiros EP’s intercaladas com expressões instrumentais que é uma constante na abordagem da banda. Vê-se nitidamente como Peter está presente no processo criativo do “Blue Record” que matém toda a aura da banda e traz consigo uma nova harmonia, rejuvenecida com momentos calmos e picos explosivos.

Ao passo que a apresentação encaminha para seu fim, Allen mostra-se fundamental no desempenho do grupo, apresentando 2 precisos solos de bateria enquanto guitarras eram preparadas. Juntamente com Summer, fazem a parede perfeita e bem dosada entre o acompanhamento e o groove não linear que é uma constante. “Grad” é o tema que fecha o primeiro set da noite e aquele que não deixou uma alma descansar no Underworld. Totalmente instrumental, é como uma continuação de “Rays On Pinion” (primeira faixa do Red Album), adicionando um teor de caos organizado entre os quatro integrantes, que se despediram satisfeitos e muito aplaudidos.

Quem não ficou tão satisfeito foi o publico que e ficou a posto até a banda retornar. John agradeceu muito a todos presentes e relembrou que a Inglaterra foi o primeiro país que a banda se apresentou fora dos EUA e que tem um lugar muito especial na história da banda. Para fechar a noite, Towers Fall, a primeira faixa que a banda escreveu, parte de seu primeiro EP.  Não podia ter sido melhor!

Se houve algum desapontamento por parte do público, este só pode ser a sensação de “já acabou?”, com uma performance de 80 minutos que pareceram mais como 30. John Baizley, que quase não falou com o público durante toda a apresentação – imendando uma música na outra incessantemente, - fez questão de agradecer imensamente a todos presentes, distribuindo mais uma vez elogios ao sempre presente público londrino: “Se vocês nos virem nas ruas, vêm tomar uma cerveja com a gente... não estranhem, não somos “freaks”, não somos estrelas, somos apenas caras normais apaixonados por música como vocês”.




Não posso deixar de notar o impacto que o merchandising criado por Baizley traz ao espetáculo. Você pode comprar camisetas, e blusas (sim, como todas as outras bandas), mas também telas profissionais com o fantástico artwork dos álbum, e todos os materiais só podem ser encontrados no recinto, não estão a venda online, o que dá uma sensação especial para o fã que irá usar. Ah, e tudo por um valor bem acessível!

Baroness caminha consciente na exigente estrada do mundo metal. Sinto que ainda é um prazer vê-los em palcos menores, onde a força expressada pela banda consegue alcançar a todos os presentes com a mesma intensidade, mas como previ há alguns anos, sabia que não tardaria para estes que aqui se apresentaram estarem figurando nas maiores arenas do rock. Soundwave here they go!

Set list:
Bullhead’s Psalm
The Sweetest Curse
Jake Leg
Machine Gun (Jimi Hendrix cover)
Isak
The Birthing
Ogeechee Hymnal
A Horse Called Golgotha
War, Wisdom and Rhyme
Steel That Sleeps the Eye
Swollen and Halo
The Gnashing
Red Sky
Wanderlust
Grad
Tower Falls

Confira alguns trechos do show em Londres e uma imagem captada nos bastidores do guitarrista e vocalista Peter Adams:




Saiba mais:
MySpace Baroness
Baroness na Relapse Records
Baroness - site oficial

Em breve o Mondo Metal publica uma entrevista exclusiva com a banda feita em Londres.



Valeu!



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15 fevereiro 2010

Revelado o set-list para a turnê Rust in Peace

 



Christiano Gomes



 Megadeth revelou neste domingo em seu site oficial o set-list para a tão aguardada "Rust in Peace 20th anniversary tour" que vai percorrer os Estados Unidos em março juntamente com as bandas Testament e Exodus. Conforme anunciado anteriormente, todas as músicas do álbum Rust in Peace serão tocadas. Confira o set-list completo:

Holy Wars... The Punishment Due
Hangar 18
Take No Prisoners
Five Magics
Poison Was the Cure
Lucretia
Tornado of Souls
Dawn Patrol
Rust in Peace... Polaris
Set The World Afire
Wake Up Dead
In My Darkest Hour
Sweating Bullets
Skin O' My Teeth
Head Crusher
A Tout Le Monde
Symphony Of Destruction
Trust
Peace Sells, But Who's Buying?

A turnê já contará com o baixista David Ellefson que retornou à banda após um hiato de 8 anos.

E você, o que achou do set-list? Opine!



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