Blog do Vicente


02.09.2010 05:28 pm

OTACÍLIO CARTAXO DEVE SER EXONERADO DA RECEITA FEDERAL


O Palácio do Planalto e o comando da campanha da petista Dilma Rousseff à Presidência da República já bateram o martelo: diante do caos que se instalou na Receita Federal, por causa da farra de dossiês e de vazamento de informações, o comandante do órgão, Otacílio Cartaxo, deve ser exonerado rapidamente -- ainda hoje, se possível.


Ele terá o mesmo destino de sua antecessora, Lina Vieira, que caiu depois de uma sucessão de escândalos e de desmandos dentro da Receita.


Triste fim para um órgão que sempre foi respeitado por sua postura técnica e que sempre foi visto como referência dentro do serviço público.


Brasília, 17h27min

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Tags: Receita  Federal 
01.09.2010 09:21 pm

PARA LULA, MEIRELLES FEZ UM "BOM TRABALHO"


Assim que foi informado da decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros (Selic) em 10,75% ao ano, o presidente Lula fez questão de ressaltar o "bom trabalho" de Henrique Meirelles à frente da instituição.


Havia, dentro do governo, o temor de que mais uma alta da Selic agora, às vésperas das eleições, criasse ruídos desnecessários na disputa pelo Palácio do Planalto. Mas, no entender de Lula, prevaleceu o bom senso, pois há três meses seguidos a inflação está zerada.


Nos últimos dias, Meirelles fez um trabalho importante de convencimento dentro do Comitê de Política Monetária (Copom) para que a decisão sobre a Selic fosse unânime, o que se confirmou. O BC ficou em uma situação desconfortável desde a reunião do Copom de julho, quando decidiu reduzir o ritmo de alta da Selic de 0,75 para 0,5 ponto percentual. Vários analistas levantaram a possibilidade de a decisão ter sido política.


Mas os números da inflação divulgadas desde então e o fraco ritmo da produção acabaram confirmando o acerto do BC.


Brasília, 21h15min

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Tags: Lula    juros    Copom    Banco  Central 
01.09.2010 08:45 pm

COMO ESPERADO, BC MANTÉM JUROS EM 10,75% AO ANO


Conforme antecipado pelo mercado, o Banco Central manteve a taxa básica de juros (Selic) em 10,75% ao ano. Mas dúvidas persistem no horizonte. A indagação entre os analistas é grande: será que a estabilidade da Selic agora significará aumento mais adiante, mais precisamente em 2011?


Particularmente, acho que o Comitê de Política Monetária (Copom) tomou a decisão correta. E se, futuramente, a Selic tiver que mudar, será para baixo. Não há porque o BC insistir em sustentar o título do país de maior taxa de juros do mundo.


Brasília, 20h40min

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Tags: Banco  Central    taxa  de  juros    inflação 
31.08.2010 03:06 pm

NA FAZENDA, APOSTA É DE MANUTENÇÃO DA SELIC


Auxiliares do ministro da Fazenda, Guido Mantega, estão apostando, de forma unânime, que o Banco Central manterá a taxa básica de juros (Selic) em 10,75% na reunião desta quarta-feira (dia 1 de setembro) do Comitê de Política Monetária (Copom),


A certeza na manutenção veio com o resultado da produção industrial de julho divulgada hoje pelo IBGE, mostrando avanço de apenas 0,4% sobre junho. No entender dos assesserores do ministro, esse desempenho, apontado como fraco pela maioria do mercado, mostra que a economia iniciou o segundo semestre em um ritmo moderado, o que indica um consumo tranquilo, que tende a manter a inflação sob controle nos próximos meses.


Dentro do Banco Central, também as análises informais indicam estabilidade na taxa Selic. Mas o martelo só será batido amanhã.


Brasília, 15h02min

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Tags: Banco  Central    Copom    Guido  Mantega    Ministério  da  Fazenda 
29.08.2010 12:47 pm

QUEBRANDO A ROTINA


CRÔNICA

LUCIANA ASSUNÇÃO (*)


lulupisces@gmail.com


NÃO SEJA POR ISSO



“Sei que as pessoas estão pulando na jugular uma das outras. Sei que viver está cada dia mais dificultoso. Mas de novo vos digo: sejamos delicados.

                E, se necessário for, cruelmente delicados”

                                  (Affonso Romano de Sant’Anna)


Talvez não seja o momento mais adequado, quando o país pega fogo literalmente. Esse clima selvagem, com a seca a maltratar nossos corpos de norte a sul. Acho que nunca vi o Brasil sofrer tanto com a estiagem. O fim dos tempos parece cada dia mais palpável. Nossos desmandos contra a natureza também.


Mas o que mais me aflige atualmente, apesar de estar rogando a Deus como uma sertaneja pra chuva cair nesse sertão, é a indelicadeza sistematicamente crescente das pessoas. Não sou a única a perceber tal fenômeno atmosférico, ainda bem. Sinto em alguns textos (e em alguns incautos) a preocupação em resgatar o que há de humano na espécie.


De quando em quando, a gente vê um adesivo no carro que pede gentileza. Uma crônica que nos faz sonhar, um obrigado desavisado, um presente sem data marcada... Mas esse movimento não parece fazer frente à avalanche de grosserias diárias a que somos submetidos. A impressão que tenho é de que o importante é “impermanecer”.


Sei que não tenho o direito de criar neologismos na terra de Guimarães Rosa, mas essa frivolidade me fere como uma faca. Ninguém se lixa, ninguém quer saber. O que vale é viver inconsequentemente cada dia como se fosse o último, e isso, claro, significa passar por cima dos outros sem cerimônia e literalmente, no mais das vezes.


Ontem, parei na faixa de pedestre, mas um caminhãozinho que vinha ao meu lado seguiu como se nada estivesse acontecendo. Quase atropela o rapaz que, por milagre ou sorte, não tinha alcançado o meio da rua. Falando em vias públicas, a manchete de jornal dizia que o fusca do cara pifou no meio do caminho. Outro motorista enfurecido com o problema matou o coitado. Tirou a vida do semelhante porque o carro dele estava atrapalhando o tráfego. Chico Buarque, meu caro amigo, você nunca esteve tão atual.


Hoje as pessoas acham que podem falar o que bem entendem para qualquer um a qualquer hora. Cordialidade, semancol, decência são comportamentos obsoletos. Você dá um presente de aniversário para um amigo e ele dispara: “Não gostei!”. Tudo bem, é chegado, é íntimo, mas nem por isso a gente quer saber. Gentileza, otimismo e compaixão são o tripé que alimenta a sensação de ser feliz por mais tempo. Só para lembrar aos que confundem liberdade de expressão com falta de tato e gosto.


Não sei se é culpa das novas tecnologias que nos escondem atrás da tela do computador e dos torpedos dos celulares, vaporizando sentimentos e cortesias. Não sei se estamos imersos em um comportamento típico das sociedades que atingiram o ápice do capitalismo – o que nos faz recordar que, para todo apogeu existe um declínio – não sei. Não sou filósofa, antropóloga ou socióloga. Essas profissões, inclusive, estão em baixa (seria mais um dos efeitos sintomáticos da nossa degradação como coletividade?) Todo mundo quer fazer Direito porque a grana é boa. Em terra de poucos letrados, quem tem um título de doutor é rei.


Em uma coincidência temática, revi o belo filme do mestre Kurosawa, ‘Dersu Uzula”, na mostra de filmes que está em cartaz no CCBB. Um épico ecológico-humanista de 1975 com conteúdo que nos confronta com o mundo-cão no qual a gente vive agora. Quando a projeção terminou, fiquei a me perguntar: onde se esconderam a pureza de propósitos, a ética da verdadeira amizade? O respeito pela simplicidade? Ó corações rudes, acordai-vos!


A felicidade mudou de casa, trocou de roupa, de carro, de blueberry. Mas nada adiantou, porque não somos felizes por adquirir bens, e sim por projetos de vida. Recente pesquisa sei lá de onde chegou a seguinte conclusão: para alcançar a paz de espírito é preciso investir em produção de memórias afetivas. Sinto informar que elas não vêm necessariamente como acessório do último modelo da Tucson. Tenho frequentado o Templo da Terra Pura aos domingos. Entre os ensinamentos budistas está: viver livre dos condicionamentos, das ilusões imediatas. Eis um objetivo a se almejar e praticar um pouco a cada dia.


E para terminar, uma pequena parábola de Rômulo, meu filho de três anos: O menino entrou no banheiro onde a mãe se arrumava para ir ao trabalho. O relógio em cima da bancada atraiu o olhar e as mãozinhas do garoto. “Vou colocar o relógio em você, mamãe." A mãe respondeu: "Não precisa, meu filho, mamãe já está com um relógio, olha aqui" - e mostra o pulso já ornado com outro marcador de horas. O sensato guri replicou: "Mas pra quê você tem dois relógios, mamãe?”



(*) Jornalista e publicitária, escreve pelos cotovelos todos os domingos neste blog.



Brasília, 12h37min

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27.08.2010 12:40 pm

MANTEGA E AUGUSTIN SÃO ALVOS DE PIADA. MAS SOCIEDADE PAGARÁ CARO


As declarações cada vez mais inconsistentes do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, de que o setor público cumprirá, sem abatimentos, a meta de superavit primário de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, Transformaram-se em motivo de chacota no mercado financeiro.


Basta um deles tocar no assunto para que os analistas deem início a campanha: "Cala a boca, Mantega" e "Cala a boca, Augustin".


Apesar de saberem que estão mentido deslavadamente, o ministro da Fazenda e seu secretário do Tesouro estão tranquilos. Sabem que poderão continuar com a política de enganar trouxas ao longo do próximo governo, já que a petista Dilma Rousseff será eleita no primeiro turno das eleições de outubro próximo.


Mesmo que não continuem nos mesmos cargos, Mantega e Augustin vão usufruir da máquina montada durante o governo Lula. E, melhor, sem nenhuma cobrança pela irresponsabilidade fiscal que têm patrocinando sem nenhum constrangimento. A conta, como sempre, cairá no nosso colo, pobres contribuintes.


Brasília, 12h36min




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Tags: Guido  Mantega    Ministério  da  Fazenda    Arno  Augustin    Tesouro  Nacional    piada    superavit  primário 
27.08.2010 12:25 pm

O DEVER DE CASA DA POLÍTICA INDUSTRIAL


Ainda restritas a um grupo pequeno dentro do governo e na sociedade, as políticas de investimentos em pesquisa e desenvolvimento garanharão cada vez mais relevância nos debates. Na avaliação do pesquisador Maurício Canêdo, do Ibre/FGV, mesmo que os investimentos tenham aumentado nos últimos anos - principalmente pela participação mais ativa do BNDES e da criação de novos mecanismos de financiamento da inovação no âmbito da empresa - é preciso desenvolver instituições que superem os objetivos que esbarram no ciclo eleitoral e avaliar as políticas públicas em termos de causa e efeito.


 Autor do estudo “A Recente Política Industrial Brasileira”, Canêdo ressalta que, alcançar este ano uma taxa de investimento de 21% do Produto Interno Bruto (PIB), aumentar a participação brasileira nas exportações mundiais de 1,18% em 2005 para 1,25%, alcançar nível de gastos privados em P&D equivalente a 0,65% do PIB contra os modestos 0,51% em 2005, e aumentar o número de micro e pequenas empresas exportadoras de 11.792 em 2006 para 12.971 em 2010, são o dever de casa da política industrial.


Para ele, em vários países da América Latina, a política industrial – muitas vezes com a denominação de política de competitividade – aparentemente voltou ao cardápio de políticas públicas de desenvolvimento. No caso brasileiro, acrescenta o economista, o anúncio da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE) em 2003 e da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) de 2008 trouxe de volta o debate a respeito da necessidade de adoção de políticas industriais para garantir o crescimento sustentado do país.


No entender de Canêdo, “existe um amplo debate sobre a necessidade de política industrial – entendida como intervenções setoriais voltadas para mudar a especialização da economia – na agenda de desenvolvimento brasileiro. No entanto, reconhece ele, há um certo consenso entre as diferentes correntes de pensamento de que a inovação é uma atividade elegível como objeto de política pública. Também se percebe, a seu ver, que boa parte das medidas adotadas recentemente – de caráter horizontal – dificilmente seria objeto de contestação. "Em resumo, há mais convergência entre as diferentes correntes de pensamento do que se costuma pressupor”, assinala.


Brasília, 12h23min

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23.08.2010 07:01 pm

A COPA E A PRODUÇÃO INDUSTRIAL


Craque inquestionável quando o assunto é economia, Fernando Montero, economista-chefe da Corretora Convenção, fez um amplo levantamento sobre o impacto da Copa do Mundo na produção industrial brasileira. Com dados retroativos a 1986, ele mostra que os jogos acabam reduzindo o volume de mercadorias que saem das fábricas.


No gráfico abaixo, o recuo ficou evidente, sobretudo, nas Copas realizadas na Itália, na França, na Alemanha e na África do Sul. "Já nas Copas no México, do Japão e dos Estados Unidos não parecem ter nos afetado. A explicação mais óbvia, nesses casos, é o fuso horário", diz Montero. Ou seja, a maior parte dos jogos ocorreu a noite ou de madrugada.





Brasília, 18h43min


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22.08.2010 11:39 am

QUEBRANDO A ROTINA


CRÔNICA

LUCIANA ASSUNÇÃO (*)


lulupisces@gmail.com



PARA VENCER O CONCRETO DE NIEMEYER


                      “Canta, canta passarinho, canta, canta miudinho

                                                       Na palma da minha mão

                                          Quero ver você voando, quero ouvir você cantando

                                                      Quero paz no coração

                                          Quero ver você voando, quero ouvir você cantando

                                                       Na palma da minha mão”

                                                       (Geraldo Azevedo)


Ele aparece escondido entre os arbustos, piando alto. Sua cabeça listrada de cinza e preto surge em meio ao verde vivo. “Olha aí, já está pedindo comida”, explica Roberto Teixeira Barbosa, 45 anos, segurança do Superior Tribunal de Justiça há 18 anos. Essa rotina se repete há mais de seis anos na portaria lateral do edifício Ministros I: passarinhos de várias espécies fazem do lugar um porto-seguro para procriação e alimentação graças ao talento de Roberto para interagir com os bichinhos.


Roberto estala a língua e de repente já são dois tico-ticos. Ressabiada, a dupla vai se aproximando do pedaço de pão até dar a primeira bicada. Depois, é só alegria. “Eu comecei a conversar com eles, a chamá-los de nego... Eles foram chegando, chegando... Todo dia eu dou comida para eles. Quando não tem ração, coloco pão”.


E assim, com sintonia e paciência, Roberto cativou sabiás, joões-de-barro, beija-flores e os pequeninos tico-ticos. “Aqui só vem passarinho de raça. De vez em quando tem até pássaro preto, mas nada de pardal”. Orgulhoso, o amigo dos pássaros mostra o ninho de beija-flor há pouco tempo desabitado. Na moita de bambuzinho ao lado, também tem ninho abandonado de tico-tico. “Nasceram dois beija-florzinhos, eu tirei foto”, revela Roberto como pai-coruja.


Mas o segurança não está sozinho nessa aventura. Algumas servidoras que transitam por aquela portaria também aderiram ao movimento e trazem alpiste com vitaminas e ração balanceada própria para os sabiás. Francisco Carlos Alberto Arruda, 53 anos, funcionário da segurança desde 1989, é outro que também assumiu o compromisso: “Eu sou o substituto do Roberto. Quando ele não está, sou eu que coloco comida para os bichinhos. É bom demais!”


Roberto lembra que os passarinhos costumavam comer na mão dele e arriscavam, inclusive, a entrar no elevador. “Mas um ascensorista os assustou e agora eles ficaram mais ariscos, como as andorinhas, que tiram fino da gente e não se aproximam. Elas fazem ninho ali, ó”, aponta o segurança para o vão no concreto do Ministros I.


Entretanto nem tudo é satisfação. Zeloso, Roberto faz um alerta sobre as dedetizações periódicas realizadas no Tribunal: “Já vi três, quatro passarinhos mortos logo após o procedimento. Acho que deveríamos procurar um produto que fosse inofensivo aos pássaros”, pondera. Enquanto isso, Francisco recorda a fragilidade dos filhotes ao aprender a voar: “Eles batem no blindex e a gente tem que pegá-los na mão, fazer massagem para que eles voltem a tentar”.


Com todo esse amor, natural seria que Roberto e Francisco tivessem pássaros em suas casas. Nada disso. Liberdade é a palavra de ordem para os dois. “Eu sou doido para ter um papagaio, mas para criar solto. Passarinho tem de ser livre”, arremata sabiamente Roberto, o encantador de pássaros.



(*) Jornalista e publicitária, escreve pelos cotovelos todos os domingos neste blog.


Brasília, 11h30min

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20.08.2010 12:47 pm

BRADESCO VÊ ACELERAÇÃO DA INFLAÇÃO NOS PRÓXIMOS MESES. BES FALA EM ESTABILIDADE DE JUROS


Apesar de o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de agosto, com deflação de 0,05%, ter vindo abaixo das estimativas do mercado (+0,06%) e de suas próprias projeções (+0,07%), o economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros, acredita que, daqui para frente, a inflação ao consumidor voltará a subir, motivada, principalmente, pela recuperação dos preços de alimentos e pelo fim da sazonalidade de baixa de artigos de vestuário.


"Assim, mesmo para o fechamento de agosto, deveremos observar alguma aceleração no índice cheio, ainda que o resultado seja inferior ao inicialmente esperado. Para os meses à frente, acreditamos em continuidade da aceleração, com o IPCA encerrando o ano em 5,10%", diz.


A boa notícia do IPCA-15 é que, pela primeira vez neste ano, o índice acumulado em 12 meses ficou abaixo do centro da meta de 4,5% perseguida pelo Banco Central. No período, o indicador cravou alta de 4,44%, consolidando, segundo Flávio Serrano, economista do Banco BES Investimento, a percepção de que não haverá mais aumento da taxa básica de juros (Selic) neste ano. Caso o BC volte a apertar a política monetária, isso só ocorrerá no ano que vem, se a esperada aceleração da inflação se confirmar.



Na visão de Octávio de Barros, o novo alívio da inflação ao consumidor refletiu a queda dos preços de alimentos, de 0,68% na primeira quinzena, após uma retração de 0,76% em julho; além do arrefecimento do item de vestuário, que passou de uma queda de 0,04% em julho para -0,09% no IPCA-15, em linha com a sazonalidade de baixa do período.


"Contudo, vale destacar o reajuste mais baixo do que esperado no grupo educação (o item cursos apresentou elevação de 0,33%), e a desaceleração do item de transportes, que passou de 0,08% para 0,02%, refletindo principalmente uma queda dos preços de passagens aéreas (-10,31% no período)", ressalta o economista do Bradesco.


Os núcleos do IPCA-15 também apontaram desaceleração, oscilando entre 0,12% e 0,15% de acordo com as medidas. Na direção contrária, os preços de serviços (0,47%) mantiveram a trajetória de aceleração, acumulando alta de 6,90% nos últimos 12 meses.


Brasília, 12h43min


 

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18.08.2010 10:05 pm

CAIXA TEM R$ 12,3 BILHÕES EM CRÉDITO PODRE


A Caixa Econômica Federal fechou o primeiro semestre de 2010 com R$ 12,3 bilhões em créditos pobres, cuja conta poderá ser paga pelo Tesouro Nacional — ou seja, os contribuintes. Em relação ao mesmo período do ano passado, as dívidas de má qualidade aumentaram 18%, um sinal da fragilidade no sistema de análise de riscos da instituição.


Somente para cobrir os eventuais calotes, a Caixa foi obrigada a reservar, de janeiro a junho deste ano, R$ 1,8 bilhão a mais do que em iguais meses de 2009. Com isso, as chamadas provisões para débitos de liquidação duvidosa feitas pelo banco atingiu o recorde de R$ 9,8 bilhões.


Brasília, 22h05min

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18.08.2010 10:01 pm

BARCLAYS ACEITA PAGAR MULTA DE US$ 300 MILHÕES POR NÃO CUMPRIR SANÇÕES AO IRÃ E A CUBA


O banco britânico Barclays aceitou pagar multa de US$ 300 milhões por ter violado sanções impostas pelos Estados Unidos contra vários países, entre eles, Cuba, Irã e Sudão. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, "as violações envolvem transações efetuadas de forma ilegal pelo Barclays em nome de clientes de Cuba, Irã, Sudão e de outros países sancionados em programas administrados pelo Bureau de Controle de Ativos Estrangeiros".


Diretor do Bureau, Adam Szubin destaca que o banco britânico violou as sanções de forma organizada e por longo prazo, mas admitiu seu erro e revelou as transações ilegais. Ele afirma que a multa seria "muito maor se o Barclays não tivesse admitido (as violações) e cooperado voluntariamente com a investigação".


Brasília, 21h58min

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18.08.2010 09:52 pm

GM PODE CAPTAR US$ 16 BILHÕES


Depois de ser resgatada da bancarrota, a montadora de automóveis norte-americana General Motors (GM) espera o apoio dos investidores para o lançamento de ações que fará, com o intuito de levantar entre US$ 12 bilhões e US$ 16 bilhões para reforçar seu caixa.


A operação tem todo o apoio do governo dos Estados Unidos, que espera se desfazer de parcela da participação acionária que assumiu na empresa. No auge da crise das hipotecas, no fim de 2008, o Tesouro norte-americano injetou US$ 50 bilhões na montadora para evitar a sua falência.


No comunicado feito ao mercado, a GM menciona uma quantia máxima de US$ 100 milhões em ações, um montante teórico correspondente a um preço virtual de 1 centavo por título. "O número de ações oferecido será determinado pelas condições de mercado e outros fatores no momento da oferta. O número de ações e a banda de preços para a oferta ainda não foram determinados", completa o comunicado.


Se confirmada o valor esperado pelo mercado para a emissão da GM, será o segundo maior lançamento de ações já realizado nos Estados Unidos, atrás somente do feito pela Visa.


Brasília, 21h48min

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16.08.2010 12:01 am

COMPOM SOB ATAQUE


Um clima de desconforto tomou conta do Banco Central. Há um descontentamento geral com as críticas do mercado financeiro em relação à última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), de aumentar a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, para 10,75% ao ano, quando a grande maioria dos analistas apostava em elevação de 0,75 ponto.


Na avaliação de integrantes do governo, o que se vê nos bancos e nas corretoras é um processo de desqualificação do Copom. “Muita gente vem comentando que a atual composição do Comitê, apenas de funcionários de carreira do BC e do Banco do Brasil, não tem conhecimento suficiente para traçar, com eficiência, o que realmente está acontecendo na economia. Por isso, há tanto ruído na comunicação com o mercado”, disse um integrante da equipe econômica.


Para os técnicos do BC, essa visão é “equivocada”. Eles ressaltam que o fato de um diretor do banco Carlos Hamilton, diretor de Política Econômica, é o alvo principal ser ou não oriundo do mercado financeiro em nada garante qualificação. “Isso é bobagem. Todas as informações apresentadas e avaliadas nas reuniões do Copom são levantadas pelos funcionários do BC. É o corpo técnico que comanda todas as pesquisas, que seleciona e avalia os indicadores. Na verdade, os diretores apenas decidem sobre o que lhes é entregue”, afirmou um servidor.


No entender desse funcionário do BC, não se pode esquecer, ainda, que Carlos Hamilton, que agora é diretor de Política Econômica, até bem pouco tempo chefiava o grupo de economistas do banco. “Então, sinceramente, quem vem do mercado para o BC ganha mais conhecimento do que agrega à instituição. Ser diretor do BC dá status. Quando a pessoa volta à iniciativa privada é contratada a peso de ouro pelo conhecimento que adquiriu”, ressaltou.


Apesar das queixas em relação ao mercado, os servidores reconhecem que, podem, sim, ter errado em algum momento. “Faz parte do jogo. Mas, com certeza, não foi nada que justificasse tanta comoção. As incertezas da economia são muitas. Veja o que está ocorrendo no mercado mundial. Até duas semanas atrás, o grosso do mercado apostava em recuperação consistente da atividade global. As bolsas vinham subindo sem parar. Nesta semana, tudo mudou por completo. Os Estados Unidos mostraram fragilidade e a China apontou desaceleração. Resultado: as bolsas despencaram”,acrescentou um outro técnico do BC ouvido pelo blog.


Justificativas à parte, é importante assinalar que, nos dias seguintes à decisão do Copom, o BC tratou de disseminar que o aumento de 0,5 ponto nos juros naquele momento, em que a inflação apontava para variação zero e a atividade dava sinais de desaceleração, era uma “paulada”. Pouco depois, com a divulgação da ata da reunião do Comitê, ficou a impressão de que o BC necessitava provar que estava certo.


Diante dos índices de inflação, ainda satisfatórios, e dos indicadores de atividade apontando acomodação do ritmo de crescimento, passou a ficar evidente a necessidade de o Banco Central reforçar seu acerto. Todo esse movimento está, no entanto, sendo interpretado ao contrário pelo mercado. “Se o BC precisa provar algo, é porque sabe que errou”, disse um analista.


Brasília, 00h01min

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15.08.2010 11:25 am

QUEBRANDO A ROTINA


CRÔNICA

LUCIANA ASSUNÇÃO (*)


lulupisces@gmail.com



LOUCA POR TEMPESTADES


Você já experimentou a velhice chegando a galope na sua vida? Que pergunta mais besta. Quem é que deseja uma coisa dessas? Mas às vezes é involuntário. Acontece. Eu não queria, juro, mas fui obrigada.  Uma pseudogripe não me abandonava há mais de mês. Decidi, pela primeira vez, procurar um otorrinolaringologista.


Dor de garganta não faz parte do meu histórico médico. Ainda bem. Minhas amígdalas não foram extirpadas como foram de tantos da minha geração. Não pude tomar potes de sorvete para me recuperar da cirurgia, tratamento que me dava uma inveja daquelas. Mas eis que o meu ouvido direito começou a doer no meio da madrugada.


Agosto em Brasília é mesmo um tour de force. Deveriam dar férias coletivas para toda a população. As aulas retornando somente “quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos”, ou seja, naquele momento em que a chuva, tão sumida, tão querida, retornasse para a salvação das vias aéreas superiores dos habitantes desse não regadio planalto central.


Então estava com otite. Algo surreal para mim. A primeira dor de ouvido aguda a gente não esquece. Fui para a médica que me indicaram porque não aguentava mais pigarrear, espirrar e desenvolver doenças da infância aos 39 anos. A otorrino, simpática, porém enérgica, saiu a enfiar cabos na minha garganta e no meu nariz.


Vídeo disso, vídeo daquilo. Treco esquisito e incômodo. Mas foi até divertido ver meus cornetos hiper atrofiados na tela. “Você tem um desvio do septo nasal”. Também? Levanta o dedo quem não tem o nariz torto!


“Acredito que esses sintomas são um processo alérgico”. Caramba, logo eu que me gabava de não ter alergia a nada. Brasília, agosto, velhice...Trinômio espinhoso. Mas o tiro de misericórdia veio mesmo com o tal exame de audiometria. Ela precisava checar se o meu ouvido havia sobrevivido à otite.


Primeira parte: outra médica também simpática coloca um fone em minhas orelhas e dá-lhe apitos de todos os jeitos a retumbar nos tímpanos. Segunda parte: a gente entra na cabine acusticamente isolada e o show de horrores já vai começar!!!


Inevitável não associar aquele teste ao programa do Silvio Santos nas manhãs de domingo de décadas atrás: você troca essa bicicleta Caloi supermegablaster por um chiclete? Sim! Quanta tensão e um bocado de crueldade havia naquela brincadeira. Acho que a médica estava se divertindo com o meu sofrimento assim como o sádico apresentador de TV morria de rir da gurizada em estado de pânico.


Instruções dadas: aperte o botão toda vez que ouvir um som. Qualquer som. E o jogo de gato e rato tem início. Você não sabe se ouve ou se aperta. É difícil fazer as duas coisas ao mesmo tempo e sob pressão. A gente se sente tolo e desprotegido. E voltei a me compadecer daquelas crianças presas na cabine sem ouvir o que o Sílvio realmente perguntava.


De repente, the sound of silence. Meu Deus, será que está apitando e eu não estou ouvindo? Será que já estou com perda auditiva grave? Aperto o botão na vã tentativa de enganar a mim mesma. E a médica lá de fora: “Nada?” Ai, ai, estou surda! Nem 40 e surda como uma porta!


Mas o pior estava por vir. A especialista pediu que eu repetisse as palavras que ela estava falando lá do lado de fora, do jeito que eu entendesse. Ela pôs a folha de papel na frente da boca e iniciou um ditado de ventríloquo. Não deu pra fazer leitura labial e a médica falou um monte. Saí a perseguir o som como se caçasse em desespero várias borboletas. Agora quem ataca é a velhinha da Praça é Nossa. É desolador... Como? Hein? Prata ou palha? Trator ou castor? Deixo a cabine vencida e convencida de que o aparelho Telrex se tornaria o meu fiel companheiro dali para frente.


“Isso é que é sentir a velhice chegar a galope na nossa vida”, desabafo exaurida. A médica dá uma boa gargalhada, pergunta se eu também sou gaúcha (outra pitada nonsense nessa tarde de hospício) e dispara: “Você está ótima. Audição dentro dos padrões da normalidade”. Mas e agora? O que faço com o meu coração quase infartado? Francamente, alguns exames médicos deveriam ser proibidos por fazer mal à saúde. Eu hein!



(*) Jornalista e publicitária, escreve pelos cotovelos todos os domingos neste blog.


Brasília, 11h21min

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13.08.2010 11:01 am

CAIXA PRETA


Foi muito bom pegar a edição de hoje (dia 13) da Folha de S. Paulo e ver estampada a manchete "Caixa omite dado negativo sobre casas populares". O jornal mostra que o banco público, cuja administração está rateada entre o PT e o PMDB, escondeu no balanço do primeiro semestre números ruins sobre o Minha Casa, Minha Vida, uma das plataformas eleitorais da petista Dilma Rousseff à Presidência da República. Foram entregues somente 556 de 240,5 mil casas.


Nos últimos anos, a Caixa se especializou em esconder ou maquiar números ruins. A instituição comandada por Maria Fernanda Ramos Coelho chegou ao ponto de suspender a divulgação de seus balanços em Brasília para não ser obrigada a prestar contas aos jornalistas que acompanham, diariamente, os números da instituição.


Primeiro, transferiu a divulgação dos balanços para São Paulo para "esfriar" os ânimos e tentar manter os dados maquiados. Agora, sequer os seus diretores dão entrevistas coletivas temendo ter que explicar o inexplicável: que a Caixa manipula dados para mostrar uma saúde financeira que não tem.


Realmente a Caixa preta precisa ser aberta para o bem da sociedade, que já torrou bilhões de reais para manter a instituição de pé. Mas ninguém aguenta mais a politização do banco, que deveria estar cumprindo seu papel básico, o de emprestar dinheiro para financiar o crescimento do país.


Brasília, 10h56min




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11.08.2010 02:38 pm

JORNADA NOITE ADENTRO


ARTIGO

CARLOS FRANCO (*)


Em 1951, o dramaturgo Eugene O'Neill colocava o seu ponto final numa peça de teatro que tornaria-se referência em todo o mundo logo após a sua primeira montagem em 1956, quando o autor já havia partido para outra jornada.


Longa Jornada Noite Adentro, mais que um texto brilhante, é revelador de situações limite com as quais nos esbarramos todos os dias. Nele, uma mãe padece num "paraíso" prestes a ruir e a cair por terra a qualquer instante devido à sua aderente fragilidade.


A situação das grandes e tradicionais agências de publicidade brasileiras não é diferente. Vivem longas jornadas noite adentro buscando fórmulas capazes de recuperar a saúde financeira e criativa do passado de opulência, de dias felizes. Tal qual a personagem de O'Neill, Mary Tyrone, parecem estar em busca do tempo perdido.


Jader Rossetto, publicitário domador de inúmeros leões de Cannes e um dos mais brilhantes de sua geração, com passagem por DM9DDB, Fischer America, Euro RSCG, tem dedicado o seu tempo a entender as novas ferramentas da comunicação. "É um desafio imenso, pois todos têm noção da importância das plataformas digitais, mas não sabem como monetizar essas novas ferramentas". Em português claro, cobrar pelo que aparentemente é de graça.


O desafio das agências, que iniciaram o ano anunciando áreas de mídias digital e inovação, a exemplo de DPZ, MPM, McCann-Erickson, Loducca, NeogamaBBH, Fischer America, Havas e nove entre dez do mercado, não é muito diferente do enfrentado pelas operadoras de telefonia celular.


No início, davam de graça os famosos torpedos, agora os transformaram em moeda de troca para recarga e fidelidade, uma vez que a portabilidade (você é dono do seu número) mudou o cenário. Mas, o fator relevante é que estão ganhando dinheiro com isso. O presidente da Claro, João Cox, tem a exata visão de que, cada vez mais, a receita das operadoras virá de outros produtos do que um consumidor simplesmente receber e fazer ligações telefônicas.


O mundo da publicidade não é diferente, ainda não sabe como vai ganhar dinheiro com ferramentas mais simples, mas sabe que esse é o caminho. Nessa jornada, algumas patetices de fazer rir crianças de colégio entram para o anedotário. Uma agência, das grandes e tradicionais, apresentou para cliente conhecido do colunista proposta para criar um blog por R$ 80 mil. O empresário deu sonora gargalhada, pois, na semana anterior, seu filho de 16 anos o havia ensinado a criar o seu próprio blog, com todos os recursos e gratuitamente no www.blogspot.com. A agência em questão não entendeu que não é aí que irá ganhar dinheiro, mas sim com a divulgação do blog até mesmo fazendo uso da mídia tradicional.


A Fallon ao criar o projeto BMW Films, que estreou a categoria Titanium do Festival de Cannes, colocou filmes dirigidos por nomes como Ridley Scott (Blade Runner e Gladiador) gratuitamente na internet e ganhou na divulgação avisando que os filmes estavam lá. É uma outra e nova forma de fazer publicidade. Só que as novidades do mundo da tecnologia ainda assustam e se atropelam todos os dias. Daí a dificuldade do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), assim como as agências, de entenderem o mundo da blogsfera, onde todos são mídias, não há controle e não há censura. É a liberdade de expressão no seu mais elevado nível. E que bom que seja assim.


(*) Jornalista.


Brasília, 14h20min

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09.08.2010 08:10 am

O RELATÓRIO DE MANTEGA


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, divulgará, na terça-feira (dia 10) — se nada sair do controle — a primeira versão de um documento periódico, seguindo o modelo do Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central. Na visão do ministro, não se trata de uma competição para saber qual órgão do governo faz as melhores análises da economia.


A ideia é difundir, com maior substância, a visão da Fazenda, que, ressalte-se, fez a análise mais consistente sobre os rumos da inflação e anteviu que os índices cederiam, depois de iniciarem o ano em disparada por causa de choques nos preços dos alimentos.


O ministério tende a mostrar, no seu relatório, projeção de 5,2% para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano, mas indicará a possibilidade de o indicador fechar 2010 abaixo de 5%, mais próximo do centro da meta perseguida pelo BC, de 4,5%.


A Fazenda reforçará, também, que a economia perdeu força, fato que será confirmado pelo fraco resultado da produção industrial de julho, mesmo com o setor automobilístico apontando bom desempenho. Nas projeções do ministério, o crédito continuará crescendo, puxado pelos desembolsos direcionados, tendo à frente o BNDES, cravando, em dezembro, 48,5% do Produto Interno Bruto (PIB).


Brasília, 08h10min


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09.08.2010 12:01 am

TORCIDA COM O BOLSO ALHEIO


A falta de limites das operadoras de planos de saúde é cada vez maior. Na mesma semana que em o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) revelou que os reajustes dos contratos nos últimos 10 anos passaram de 200%, a Unimed, uma das maiores empresas do setor, anunciou que pagará R$ 9 milhões por ano em salários ao jogador Deco, do Fluminense. Isso, sem contar os R$ 10 milhões que despeja todos os anos no caixa do clube carioca em forma de patrocínio e das remunerações a outros atletas que ninguém sabe quanto custam.


Que a direção da Unimed torça fervorosamente para o Fluminense, tudo bem. Mas convenhamos: diante da péssima qualidade dos serviços prestados pela companhia, dos preços absurdos de seus planos e da mixaria que paga aos médicos conveniados, é um acinte tamanho desprendimento com uma agremiação futebolística.


Por mais que a empresa diga que não incorpora tais desembolsos como custos na hora de pedir reajustes para seus planos à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), é difícil acreditar na benemerência. De uma forma ou de outra, a Unimed repassará os salários de Deco e os patrocínios ao Fluminense a seus clientes. São eles, na verdade, que bancarão os gestos caridosos da empresa por meio de mensalidades maiores. Mesmo que não sejam informados disso.


Os órgãos de defesa do consumidor, conforme mostrou a bela reportagem de Gustavo Henrique Braga na edição de ontem do Correio Braziliense, vêm alardeando sobre a falta de transparência na definição dos reajustes dos planos de saúde. Mesmo sendo obrigada a dar visibilidade aos números, a ANS se faz de morta. Limita-se a declarar que os percentuais de aumento são definidos com base na Variação dos Custos Médico Hospitalares (VCMH), que ninguém sabe o que é e se os números apresentados pelas operadoras são consistentes.


Abusos constantes


Transparência mesmo se vê na péssima prestação de serviços pelas operadoras. Há casos de usuários que saem de casa para um exame de cateterismo, mas o procedimento indica a necessidade imediata de uma angioplastia, ou seja, a introdução de stents nas coronárias. Em vez de autorizarem imediatamente a operação, as operadoras exigem tempo para analisar os pedidos médicos. A avaliação pode, porém, demorar dias ou semanas e os pacientes, morrerem.


O descaso é tanto que uma simples consulta pode levar até sete meses para ser concretizada. Isso acontece porque, devido ao baixo valor, os médicos priorizam os que podem pagar pelo atendimento. Os que dependem dos planos são constantemente jogados para o fim da fila, mesmo os casos de urgência. A vida, nesses casos, é mero detalhe.


Tudo isso acontece sob a complacência da ANS e da legislação. Se os consumidores estiverem presos a contratos antigos e coletivos, livres da regulamentação fixada por meio da Lei nº 9656/1998, a situação é ainda pior, pois só cabe a ANS cruzar os braços e assistir aos abusos de camarote. Isso, mesmo os planos coletivos representando cerca de 70% do total de contratos no Brasil.


Intervenção na ANS


O governo até que tentou impor um revés às operadoras, instituindo o sistema de portabilidade nos planos de saúde. Ou seja, aqueles que se acham mal atendidos têm a prerrogativa de mudarem de empresa em busca de mais respeito. Mas, passado um ano, apenas 1.290 pessoas recorreram ao mecanismo. Motivo: as companhias criam enormes dificuldades para permitir a transferência. Não aceitam, de forma nenhuma, liberar os prazos de carência para consultas, exames e cirurgias.


Diante desse quadro, não resta outra alternativa. A ANS deve seguir à risca a missão que justificou a sua criação: garantir os direitos aos usuários de planos de saúde e punir com rigor as empresas. Mantida a farra atual, será a agência que precisará passar por um amplo processo de regulação e de fiscalização.



Brasília, 00h01min

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08.08.2010 11:12 pm

IGP-M VOLTA A ACELERAR


Os analistas estão de olho na primeira prévia de agosto do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) que será divulgada nesta segunda-feira (dia 9). Na avaliação do economista Elias Celestino, do Banco Santander, o indicador mostrará aceleração dos preços, reflexo do aumento de 35% do minério de ferro no mês passado. Ele aposta em taxa de 0,45% ante o 0,14% de igual período de julho.


Pelas suas contas, ainda não haverá repasse total da alta no minério para a inflação, mas, ainda assim, o impacto no IGP-M será de 0,44%. O economista chama a atenção para o comportamento dos produtos agropecuários, pois a deflação registrada em coletas anteriores de preços deve diminuir, devido ao aumento dos preços dos bovinos e da soja. Já o leite e o milho ajudarão a aliviar o indicador.


O IGP-M deve trazer duas boas notícias: a manutenção da queda do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a desaceleração do Índice Nacional da Construção Civil (INCC).


Brasília, 23h11min

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08.08.2010 11:08 pm

BB FINCA OS PÉS EM ANGOLA E EM XANGAI


As informações são da repórter Rosana Hessel, do Correio Braziliense.


O Banco do Brasil dará, nesta segunda-feira (dia 9), mais um passo no seu processo de internacionalização. Depois de comprar o Banco Patagônia, na Argentina, por quase US$ 500 milhões e receber o sinal verde do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, para se firmar em solo norte-americano, a maior instituição financeira do país deve anunciar a compra de um banco na África — mais precisamente, em Angola — e a abertura de uma agência em Xangai, na China. Há chances ainda de ser divulgado um negócio na América do Sul.


A expansão do BB será anunciada com pompas, em comunicado conjunto do presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Espera-se que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participe, pois ele despacha no escritório da Presidência da capital paulista, e, inclusive, tem uma reunião com Mantega pela manhã.


Fontes do mercado dizem que o avanço do BB no exterior passa pelo vizinho Paraguai, onde, estima-se, está a terceira maior população de imigrantes de brasileiros, atrás dos Estados Unidos e do Japão. As mesmas fontes também confirmam o interesse do banco estatal por outros mercados asiáticos, como a Índia e Cingapura, com o intuito de financiar o comércio internacional.



Brasília, 23h05min

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08.08.2010 12:05 pm

QUEBRANDO A ROTINA

CRÔNICA

LUCIANA ASSUNÇÃO (*)


lulupisces@gmail.com


FOTOGRAMA


    Se a vida não faz sentido por que é que morrer haveria de fazer?

               (Arnaldo Antunes e Nando Reis)


Tenho mania de rever trechos de filmes ao acaso. Não importa se são do início, do meio ou do fim. A ordem dos fatores não altera o produto, já dizia irmã Servácia, a professora de matemática da quinta série. Só existe uma única regra para o meu passatempo: não vale pegar pedaço de filme que eu já não tenha visto integralmente. Cinéfilos não devem estragar o prazer do ineditismo por causa de alguns minutos.


Meu marido acha que não bato bem porque vejo filmes em pedacinhos. A questão é que ele não capta o deleite dessa prática. Rever, rever e rever uma película que agrada a gente é o mesmo que bebericar o mesmo bom vinho em várias oportunidades diferentes. Ou desfrutar daquele tipo de bombom preferido sempre que tiver uma chance. Não dá para deixar passar, entende?


Com o advento da TV a cabo, cultivar esse tipo de maluquice ficou ainda mais fácil. Na época do videocassete, era um tal de apertar o rew pra cá, o foward pra lá e sair copiando os diálogos da história num caderno. Nesse mesmo caderno, eu também fazia uma classificação com estrelas para todos os longas-metragens a que assistia. Nada como ser jovem, desprovida de coisas mais bizarras pra fazer como, por exemplo, limpar meleca do nariz do filho. O tempo tinha outra dimensão, podes crer.


Um dia desses, entre uma série e outra, peguei um momento do filme “Lado a Lado”. Quando o vi da primeira vez, não me disse muita coisa. Gênero de diversão gás lacrimogêneo, apesar das presenças estupendas de Susan Sarandon e Ed Harris, atores que admiro.


Entretanto, quando mudei de canal e revi Susan, sempre bela e poderosa, na cena em que se despede do filho antes de sucumbir ao câncer, tudo fez completo sentido. Ela diz ao pimpolho que eles poderão conversar por meio dos sonhos. E eu descobri que não se trata de frase de efeito: realmente acontece.


Acabei de perder minha mãe. Sinto tanto a falta dela que, às vezes, tenho a nítida sensação de que meu peito está em queda livre. Mamãe era minha leal companheira para todos os programas de índio. Vamos à feira? Sim. Ao supermercado? Claro. Comigo aos exames de laboratório dos meninos? Sem dúvida. Faz aquele mingau de maisena com chocolate? Faço. Galinha caipira com pequi? É pra já.


Não estou falando nenhuma novidade. Acho que a maior parte das mães é assim mesmo. Você que me lê agora deve ter memórias semelhantes. E aí reside a mágica desse relacionamento. Profundo na superficialidade das atividades rotineiras. O interessante foi mudar a minha percepção sobre o filme: de meloso passou a contar uma história crível.


O diretor de “Lado a Lado”, Chris Columbus, estava certo: nós temos os sonhos e neles nos reencontramos com quem amamos. Nessa semana eu sonhei com mamãe. Ela estava exatamente do jeito que era, serelepe e pronta para sair comigo para onde quer que eu fosse. Maria chegou a enumerar todas as feirinhas, lojinhas e bobeirinhas que a gente iria fazer juntas naquele dia. Acordei com coração embrulhado em paz.


E, então, frente a frente com esse exato trecho do filme, intuí que era mamãe que estava ali, me dando um recado. Já na leitura dos créditos, percebi que o longa foi feito “in the loving memory of Irene Columbus”. Que bonito poder criar uma obra em homenagem à própria mãe! Mostrando suas recordações, o diretor atingiu dezenas de milhares de filhos que conversam com suas saudosas progenitoras em sonhos.


Ao promover essa interação, Chris Columbus elevou um simples trabalho de sessão da tarde à categoria de pérola. O que me leva a uma conclusão um tanto óbvia, mas válida: toda forma de arte carrega em si essa necessidade de identificação. Nada além de um narcisismo inofensivo que movimenta milhões em lenços de papel mundo afora. Snif!


(*) Jornalista e publicitária, escreve pelos cotovelos todos os domingos neste blog.



Brasília, 11h15min

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07.08.2010 08:06 pm

CHOQUE DE ALIMENTOS


ARTIGO

MARISTELLA ANSANELLI E GUSTAVO ARRUDA (*)



O IBGE trouxe ótimas notícias no campo inflacionário, com dois meses de inflação zero, as projeções para o IPCA de 2010 devem se acomodar em patamar distante do teto da meta (6,5%). O herói desse período, vilão de outrora, o grupo “alimentação” mostrou reversão dos choques observados nos primeiros meses do ano. Com variação acumulada de 4,3% nos últimos 12 meses, e IPCA de 4.7% no mesmo período, os dados suportam, enfim, não ser esse o grupo fundamental para explicar a dinâmica inflacionária atual.


Ao analisar a abertura dos dados, podemos identificar dois movimentos bastante contrastantes. Se por um lado, os alimentos continuam em queda de aproximadamente 1% ao mês, por outro, o núcleo de serviços continua subindo, sem se sensibilizar com o movimento recente da inflação. Esse comportamento sugere que nos encontramos em um momento bastante propicio aos reajustes do setor.


As perspectivas para os próximos cinco meses sugerem uma dinâmica pouco favorável tanto para os gêneros alimentícios, quanto para o já pressionado setor de serviços. Problemas de sazonalidade (por exemplo, alta de carne bovina a partir de agosto), além do possível impacto da alta do preço do trigo motivado por problemas na Rússia, prometem um horizonte mais obscuro aos preços de produtos in-natura até o final do ano. Já o estreito mercado de trabalho brasileiro deve pressionar as negociações salariais agendadas para o segundo semestre do ano, acelerando ainda mais a inflação do setor de serviços.


Apesar de vislumbrarmos um cenário mais nebuloso para o restante do ano, não acreditamos que as informações disponíveis até a reunião do final de agosto serão suficientes para evitar que o Banco Central opte por encerrar o ciclo de aperto monetário. Entretanto, seguimos acreditando que, caso nosso cenário se confirme, a autoridade monetária deverá retomar o ciclo de aperto já no inicio de 2011.


(*) Economistas do Banco Fibra.



Brasília, 20h04min

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04.08.2010 10:30 am

FAZENDA É ALVO DE DISPUTA


As informações abaixo são da repórter Rosana Hessel, do Correio Braziliense.


Elza Fiuza/ABr - 10/2/09

Luciano Coutinho é considerado pelo mercado como um economista desenvolvimentista, ...


Valério Ayres/Esp. CB/D.A Press - 27/4/10

... enquanto Henrique Meirelles, na condução da política monetária, mostrou ser conservador

 


Uma briga antes velada e restrita aos bastidores do governo ganhou as ruas nos últimos dias. De um lado, está o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. De outro, o comandante do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. E, no centro da disputa, a vaga de ministro da Fazenda em um eventual governo da petista Dilma Rousseff, a partir de 2011. Nas últimas semanas, os dois decidiram deixar explícitas as diferenças, apesar das negativas, em uma clara tentativa de se gabaritarem para o cargo de substituto de Guido Mantega.

Meirelles vem atribuindo ao BNDES boa parte da culpa do aumento da taxa básica de juros (Selic) promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) desde abril. Alega que, por oferecer crédito subsidiado pelo Tesouro Nacional ao setor produtivo, o banco de desenvolvimento mina os efeitos do arrocho monetário, dificultando o controle da inflação. O presidente do BC vem difundindo ainda os riscos da supercapitalização do BNDES feita pelo governo, operação que resultou em aumento de quase R$ 200 bilhões da dívida bruta do país.


De início, Coutinho optou pelo silêncio público, apesar de, no interior do governo, criticar Meirelles. Nos últimos dias, porém, diante da intensificação dos ataques patrocinados por economistas ligados ao presidente do BC, o chefe do BNDES decidiu botar a cara para fora. E assegurou que, nas suas contas, “os repasses de títulos do Tesouro ao banco responderam apenas por um terço do crescimento da dívida pública bruta”. Os dois terços restantes, segundo ele, foram responsabilidade do BC, ao retirar de circulação os reais injetados na economia por meio da compra de dólares que estão engordando as reservas internacionais. O enxugamento dos recursos é feito pela venda de títulos públicos no mercado, que totalizou, em junho, R$ 351 bilhões.


Briga antiga


As divergências entre Meirelles e o presidente do BNDES não vêm de hoje. Enquanto alimentou o desejo de ser vice na chapa presidencial liderada por Dilma, o presidente do BC estimulou, entre os agentes de mercado, o temor de um economista desenvolvimentista, como Coutinho, assumir o comando da política monetária. Por diversas vezes em que essa possibilidade foi ressaltada, as bolsas caíram e o dólar subiu. O “risco-Coutinho”, como se acostumou a falar nos corredores do BC, foi inflado, principalmente, às vésperas de Meirelles decidir se ficaria ou não no cargo.


Nos momentos em que o tiroteio foi mais intenso, Coutinho reclamou ao presidente Lula da “queimação”. E, aos mais próximos, assegurou que jamais pensou em trocar o BNDES pelo BC. Quanto à hipótese de liderar a Fazenda a partir do ano que vem, nunca desmentiu. Recentemente, inclusive, sentiu-se muito lisonjeado ao ser chamado de “ministro” em um evento no exterior. Procurados pelo Correio, nem Meirelles nem Coutinho se manifestaram.


Para economistas ouvidos pelo Correio, ambos possuem currículo para o cargo, uma vez que são extremamente capacitados. Fontes próximas à chapa de Dilma dizem que, nesse páreo, quem tem a vantagem é Coutinho, pois ele é bem mais próximo da ex-ministra do que Meirelles.



Desconforto eleitoral


As disputas públicas entre o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, têm causado desconforto dentro do governo e do PT, pois tendem a alimentar a oposição. O argumento é que a campanha eleitoral mal começou. Portanto, não é hora de inflar desejos que ainda estão longe de serem realizados.


Entre os economistas, o discurso é que, ao trocarem acusações, Meirelles e Coutinho estão assumindo a culpa pelo aumento da dívida pública bruta. “Na discussão, os dois estão certos, pois as duas medidas (a capitalização do BNDES e a compra de dólares pelo BC) impactam diretamente o endividamento do governo”, afirmou o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal. “O BC é muito mais claro sobre qual é o real custo de suas operações. No caso do BNDES, não existe a mesma transparência”, acrescentou. Para ele, cada um cumpre o seu papel no equilíbrio da economia.


Na avaliação do diretor de crédito da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Fernando Blanco, os presidentes do BNDES e do BC não deveriam entrar em qualquer tipo de disputa, mas ela é inevitável, devido ao papel de cada instituição na economia. “Em um país sem tradição de financiamento de longo prazo, é importante ter um banco como o BNDES para estimular os investimentos necessários em infraestrutura, telecomunicações e energia”, disse.


Em concordância com Blanco, o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, destacou que nem todos os financiamentos dados pelo BNDES são subsidiados. Para ele, essa disputa entre Meirelles e Coutinho é totalmente fora de propósito. “Não consigo ver nenhum deles como ministro da Fazenda”, afirmou.


Brasília, 10h30min

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01.08.2010 10:40 am

QUEBRANDO A ROTINA


CRÔNICA

LUCIANA ASSUNÇÃO (*)


lulupisces@gmail.com


SEM PESO NEM MEDIDA



            "Eduquemos os adultos de hoje, e teremos as crianças do amanhã"

                                                (Pitágoras)


O pediatra dos meus filhos estava desconsolado. Comentava comigo que o maior problema enfrentado no consultório ultimamente era a permissividade dos pais. “As crianças dormem tarde, mandam na casa, os pais não têm tempo para viver a vida a dois, os meninos perdem horas importantes de desenvolvimento”.


Com certeza ele sabe do que fala. Tenho uma amiga que reclama não ter mais controle sobre o controle remoto: “A gente não consegue ver mais nenhum filme. São dez da noite e ela ainda acordada”. Informação importante: a filha da minha amiga acabou de completar três anos. Três anos e tiranizando os pais. Que fenômeno maluco é esse que roubou a autoridade dos mais velhos?


De uns anos pra cá parece que papais e mamães tomaram água envenenada com o pó da omissão. Ou terá sido leitura em demasia? “Como criar meninos”, “Como criar meninas”... Excesso de informações criou deseducação, embaralhou o pensamento. Ninguém mais sabe o que é certo ou errado porque tudo pode estar certo e ao mesmo tempo errado. É tanta baboseira psicopedagógica que confunde ao invés de esclarecer.


Outro dia a professora do meu filho mais novo mandou um bilhetinho na agenda comunicando que ele estava indisciplinado. Eu respondi: “Coloca de castigo! Essa indisciplina não é falta de aperto do lado de cá. Rômulo tem gênio transgressor e precisa de limites bem estabelecidos. Aqui em casa a gente está sempre em cima, etc. e tal.”


Ela respondeu de volta que a escola não permite colocar a criança de castigo. Mas o que é isso? Se a professora não pode exercer sua autoridade e fazer o menino ficar sentado refletindo um pouco sobre o que fez de errado, onde é que estamos? Sei que muitos pais vão ficar de cabelo em pé com a minha opinião, mas não acho que chinelada no bumbum faz alguém virar marginal. O excesso de mimos sim. É melhor pecar pela austeridade do que pela mãozinha na cabeça.


Agora tem projeto de lei para proibir a palmada. Sei que a intenção é coibir agressões, espancamentos. Mas essa história pode sair pela culatra, aumentando ainda mais a tirania da gurizada sobre a família e os professores... E todos os dias assistimos aos maus exemplos do que é feito em casa gerar consequências graves na comunidade: é o jovem que atropela, mata e foge. Detalhe: o pai leva o carro para ser consertado na tentativa de acobertar o crime.


É garoto de classe média espancando doméstica em ponto de ônibus. É menino “de boa família” incendiando índio ou moradores de rua. É menina arrebentando a cabeça da outra com barra de ferro.... O que aconteceu com o bom e velho “te pego lá fora?”. Essa ameaça, comum na agressividade natural de crianças e adolescentes, no máximo se traduzia em uma porradinha sem grandes desdobramentos. Puxões de cabelo daqui e dali, rasteiras, soquinhos. Agora as desavenças estão sendo resolvidas à faca, a tiro, a gangues que trucidam.


Fui criança. Levei surras que não me deixaram marcas emocionais ou físicas, pois nem me recordo delas. A ausência da minha mãe em uma única reunião ou festinha do colégio foi mais sentida. Lembro também que me envolvi em algumas brigas. Aos nove anos, bati em Catarina porque ela mentia demais. E olha que naquela época não havia redes de relacionamento capazes de devastar a vida de alguém. Ou seja, aumentou, sim, a responsabilidade dos pais.


Estarrecida assisti a uma reportagem sobre vício em videogames recheada de inacreditáveis testemunhos de pais: “eu não consegui tirar ele do computador porque ele gritava comigo, ficou agressivo”. Que declaração é essa? Os pais se esqueceram quem é que manda? Quem é o dono da grana que compra o computador e as horas de internet? Acho que criança em casa virou déspota esclarecido nas artimanhas de tudo ter e nada ser.


Chocada também presenciei mães e pais levarem meninos e meninas na faixa de oito anos para ver o filme “Predadores” no cinema. Como mães zelosas e pais corujas agem dessa maneira? O filme é de uma violência perturbadora. Em cada cena me incomodava saber que havia uma criança ali na frente deglutindo tudo aquilo. Outro detalhe: era a última sessão do dia, ou seja, crianças pequenas dormindo pra lá da meia-noite...


Às vezes me dá um medo muito grande da futura turma de conhecidos, amigos e afins dos meus filhos...Os tipos de monstros que eles vão conviver lá fora me aflige. Cabe a nós, somente a nós, papais e mamães, mudar a máxima do quem tudo quer tudo pode. E tem de ser pra já!


(*) Jornalista e publicitária, escreve pelos cotovelos todos os domingos neste blog.


Brasília, 10h30min

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31.07.2010 11:30 am

JUROS PARADOS À VISTA


ARTIGO

MARISTELLA ANSANELLI E GUSTAVO ARRUDA (*)



A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de julho procurou esclarecer os motivos da redução do ritmo de alta de juros na última reunião. Com um viés diferente dos comunicados até então divulgados, o comitê se mostrou menos preocupado com o descompasso entre as condições de oferta e demanda da economia doméstica. Além, disso, mostrou maior preocupação com a situação da economia mundial e seus impactos sobre o cenário local.


No campo doméstico, o Copom avalia que “o dinamismo da atividade doméstica continuará a ser favorecido, entre outros fatores, pelos efeitos remanescentes dos estímulos fiscais, pelas políticas dos bancos oficiais”, sugerindo, portanto, certa artificialidade no descompasso atual entre oferta e demanda, que tenderia a ser atenuado à medida que os efeitos dos estímulos se dissipem. No campo externo, o BC procurou destacar sua reticência quanto à situação da economia mundial, afirmando que “aumentou a probabilidade de que se observe alguma influência desinflacionária do ambiente externo sobre a inflação doméstica”.


Apesar de o comitê reafirmar que “a análise de decisões alternativas de política monetária deve se concentrar, necessariamente, no cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar valores correntes e passados para essa variável”, aparentemente os dados correntes mais fracos tanto de atividade quanto de inflação foram determinantes em sua última decisão. Isso sinaliza que o Banco Central entende como estrutural, e não conjuntural, o desempenho mais fraco da economia brasileira no segundo trimestre, diferentemente de nosso cenário.


Além disso, a ata revela maior preocupação da autoridade monetária com os riscos provenientes do exterior e seus impactos sobre a economia doméstica. O comunicado afirma que “se elevou a probabilidade de desaceleração do já lento processo de recuperação em que se encontram as economias do G3. Por conseguinte, a influência do cenário internacional sobre o comportamento da inflação doméstica passou a revelar um viés desinflacionário”.


Dessa forma, entendemos que a opção do Comitê em alterar o ritmo do ajuste monetário em curso não pode ser classificada somente como um ajuste fino, mas sim, como uma conseqüência da mudança de percepção do BC quanto ao estágio de recuperação da economia mundial e brasileira. Sendo assim, acreditamos que muito provavelmente o BC optará por parar o ciclo de alta dos juros já na reunião de setembro.



(*) Economistas do Banco Fibra.


Brasília, 11h30min

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29.07.2010 12:29 pm

O FIM DELAS?


ARTIGO

CARLOS FRANCO (*)


carlosfranco@cheeta.com.br


O consumidor deve ficar atento neste neste segundo semestre: as promoções de aparelhos de televisão analógicos cresce barbaramente, especialmente porque a Copa 2010, na África do Sul, já se foi e nem todas foram desovadas. O padrão analógico, muitos ainda não sabem, está caindo por terra em todo o mundo e no Brasil também tem data de validade.


Até 29 de junho de 2016, os nobres telespectadores terão acesso aos dois padrões, tanto o digital como analógico, mas, a partir desta data, prevalecerá o padrão digital. Ou seja, quem compra hoje uma televisão analógica, aquela tradicional, deve saber que a partir desta data ela ficará cega e muda ou necessitará de um conversor.


É claro que os fabricantes se mobilizam para pedir prazo extra. Mas uma coisa é certa: o padrão digital veio para ficar. As promoções, portanto, devem ser consideradas pelo consumidor com extremo cuidado, uma vez que os aparelhos de plasma e LCD com tecnologia digital embarcada - sem precisar de conversor à parte - também começam a cair de preço e são garantia de um bem mais duradouro.


A publicidade, é claro, entrou em campo. Afinal, o fenômeno da troca ocorre em todo o mundo, com prazos mais curtos que os nossos na Europa e Estados Unidos. Alice Cooper - alguém se lembra do roqueiro que incendiava platéias de todo o mundo nos anos 1980? - é a estrela de campanha da Sony. O cantor que tinha o hábito de quebrar televisores por onde passava, atirando-as das janelas de hotéis, agora diz em comercial criado pela TBWA de Londres que ninguém precisava jogar seus aparelhos de televisão velhos - incluindo os analógicos fora. É que a Sony está oferecendo 150 euros pelos aparelhos antigos de quem compra o Bravia, a sua linha mais sofisticada de aparelhos digitais.


A propaganda faz sucesso e é também um pedido de Alice Cooper para que ninguém atire os seus sucessos, também do passado, pela janela. A publicidade tem o hábito de reciclar ideias. O problema é que num planeta onde apenas 2 bilhões de pessoas consomem e outras 6 bilhões, fora da linha de consumo, estão doidas para realizarem seus sonhos, tanta troca soa mal. A Sony, porém, pega na jugular do que muitas organizações ambientalistas - hoje com grande poder, mais que no passado - apregoam: a indústria deve ser cada vez mais responsável por reciclar o que produz.


No Brasil, fabricantes de pneus já se oferecem para ser depósito dos usados assim como a indústria de pilhas e baterias promete recolher aquelas que, sem energia, poluem o meio ambiente e podem colocar em risco, jogadas em lixões, os lençóis freáticos e água é uma preocupação hoje global. Por aqui, ainda temos muito água, mas pequenos gestos, podem ajudar e muito.


Leitores podem estar ser perguntando: Será o fim delas (daqueles televisões com cabeça de ET)?. Sim, mas é claro, que se até hoje têm os que preferem aparelhos preto e branco, e gastam fortunas para mantê-los, algumas irão sobreviver, mas essa era está chegando ao fim e começa a reciclagem, enquanto isso esses aparelhos do passado estão em oferta. A linha do tempo com que viram peças de museus é hoje muito mais rápida, em tempo real e em ondas digitais.


Ou alguém ainda usa computadores com cabeças de E.T.? Tudo bem que muitas empresas ainda vão levar tempo para substituí-los, mas o fato é que começam a irem para museus. A propósito, o MoMA, o Museu de Arte Moderna, em Nova York, em que computadores e televisores de cabeça de E.T. já estão expostos nas mostras de como o homem vivia no passado. E lembrar que comecei em jornalismo usado máquina de escrever redigindo em laudas com três cópias em papel carbono. É o tempo passa.


Brasília, 12h20min

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28.07.2010 10:10 pm

LULA DÁ O COMANDO DOS CORREIOS AO PMDB DE BRASÍLIA


As informações são do repórter Ricardo Allan, do Correio Braziliense.


Inconformado com uma série de problemas numa empresa que já foi símbolo de eficiência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu ontem o presidente dos Correios (ECT), Carlos Henrique Custódio. Para o seu lugar, a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, emplacou o braço direito do presidente do PMDB do Distrito Federal, Tadeu Filippelli. A nomeação do engenheiro David José de Mattos, atual secretário-geral da Novacap, deve ser publicada hoje no Diário Oficial da União (DOU). A diretoria da empresa federal também será modificada.


“Foi uma necessidade de oxigenar os Correios. O governo entendeu que era hora de dar uma nova administração, dar possibilidade de a empresa continuar de forma mais normalizada”, justificou o ministro das Comunicações, José Artur Filardi. Segundo ele, os atrasos nas entregas de encomendas e a dificuldade na realização de concurso para a estatal contribuíram para a saída. A companhia emperrou a licitação para a renovação das franquias, o que levantou suspeitas da Oposição de que o atraso teria sido proposital — a intenção seria manter as licenças de pessoas ligadas a peemedebistas.


Os atuais franqueados estão trabalhando irregularmente. Outro problema é a dívida de R$ 1 bilhão que a ECT tem com o fundo de pensão de seus funcionários, o Postalis. Protegido do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), Custódio caiu em desgraça de vez depois que os Correios lançaram um sistema para ajudar candidatos nas próximas eleições a usar o serviço de mala direta. A Casa Civil não gostou do site na internet, que chegava a dar conselhos de como os postulantes a cargos políticos deveriam se aproximar dos eleitores. Ontem, ele se disse “surpreso” com a demissão.


Quando Filippelli, candidato a vice na chapa de Agnelo Queiroz (PT) ao governo do DF, foi chefe da Agência de Infra-Estrutura e Obras, Mattos era seu adjunto. Ele era nome certo para a Secretaria de Obras na administração de Rogério Rosso, mas seu grupo político se desentendeu com o governador. Lula também afastou o diretor de Gestão de Pessoas dos Correios, Pedro Magalhães, irmão do deputado João Magalhães (PMDB-MG), envolvido no Escândalo das Sanguessugas. Ele será substituído por Nelson Oliveira de Freitas, ligado ao Ministério do Planejamento.


Ligação pessoal


Encarregada pelo presidente Lula de encontrar um substituto para Custódio, a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, fez o convite a David José de Mattos há mais de duas semanas. O engenheiro tem antigas relações pessoais com a ministra desde a época em que ambos trabalharam na Eletronorte. Mattos foi chefe de um departamento da companhia no período em que Erenice trabalhava numa outra divisão. Quando apresentou o nome a Lula, ouviu como resposta: “Se ele é homem de sua confiança, é da minha confiança também”. Entre outros cargos ocupados no governo do DF, Mattos chefiou a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento (Adasa).


Brasília, 22h10min


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28.07.2010 03:10 pm

61% DOS BRASILEIROS ESTÃO SATISFEITOS COM O LUGAR ONDE VIVEM E APONTAM SAÚDE COMO PRIORIDADE



Pesquisa da multinacional francesa Ipsos com residentes de 23 países do mundo mostra como anda a satisfação da população em relação aos locais onde vivem e quais as três principais prioridades que cada um deles deseja para desenvolver suas comunidades.


O levantamento mostra que, no Brasil, 61% estão satisfeitos com os locais onde vivem e 62% apontam os serviços de saúde como prioridade para o desenvolvimento de sua comunidade, seguido por oportunidades de trabalho (56%) e nível de criminalidade (56%).


Entre os países pesquisados, os mais satisfeitos estão na Holanda (85%), Canadá (83%), Austrália (82%), Índia (76%), Alemanha (74%) e Estados Unidos (73%). Já os mais insatisfeitos estão na Coreia do Sul (34%), Hungria (45%), Japão (46%), China (48%) e Rússia (49%). Veja abaixo o ranking:


Holanda                           85%


Canadá                            83%


Austrália                          82%


Índia                               76%


Alemanha                       74%


Estados Unidos              73%


Grã-Bretanha                72%


República Tcheca         70%


Suécia                          69%


México                        67%


Espanha                       64%


Bélgica                         64%


Polônia                        63%


Argentina                     63%


Brasil                          61%


França                        56%


Turquia                      56%


Italia                           52%


Rússia                        49%


Japão                         48%


China                         46%


Hungria                      45%


Coreia do Sul            34%


A Ipsos informa que os entrevistados também responderam quais são as três principais prioridades para que as suas comunidades possam se desenvolver. Muitas coincidiram em diferentes locais do mundo, tais como oportunidades de trabalho, ruas limpas, nível de criminalidade e transporte público. A pesquisa mostra que a diversidade de países não é barreira para encontrar similaridades locais. Por exemplo: realização de reparos no asfalto das vias é a prioridade número um na Bélgica, Polônia, Rússia, Canadá e Índia.


 


Mas há diferenças claras também. Por exemplo: na Grã-Bretanha, atividades para adolescentes são a preocupação número um (único país onde isto ocorre); no Brasil, são os serviços de saúde; e na China, é a poluição que os residentes colocam como prioridade número um para seu desenvolvimento local.


“Nosso estudo mostra o quanto a satisfação com as áreas locais varia de um país para outro – mas também que muitas preocupações são bastante consistentes em todo o mundo. Os cidadãos globais estão preocupados principalmente com a economia e com o emprego, mas também com coisas relativamente pequenas, tais como ruas limpas”, ressalta Bobby Duffy. Para ele, existem ainda algumas diferenças significativas na ênfase entre países. "E nós podemos aprender muito sobre nossas próprias prioridades nacionais ao estabelecer estas comparações internacionais”, conclui.


Brasília, 15h10min

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Tags: Ipsos    pesquisa    Brasil    moradia    satisfação 
28.07.2010 02:57 pm

NO GOVERNO, A CERTEZA É DE QUE A ATA DO COPOM MOSTRARÁ QUE A ALTA DOS JUROS CHEGOU AO FIM


Se o mercado financeiro está em polvorosa em relação à ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na qual a taxa básica de juros (Selic) passou de 10,25% para 10,75% ao ano, o mesmo acontece no governo.


Dentro do Ministério da Fazenda e no entorno do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, as apostas são quase unânimes de que a ata indicará, mesmo que de maneira pouco enfática, que o ciclo de aumento da Selic chegou ao fim.


Essa visão, inclusive, é compartilhada por técnicos do próprio BC. Para eles, a inflação desabou, o IPCA está convergindo para o centro da meta de 4,5%, a atividade está avançando abaixo do PIB potencial, as expectativas dos agentes formadores de preços voltaram ao controle e a economia global está capengando.


Ou seja, mais aumento de juros só serviria para derrubar o crescimento econômico para um patamar abaixo de 4% em 2011, o que é considerado um exagero.


Brasília, 14h54min

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