Pesquisa confirma que exercitar o cérebro ameniza
as perdas cognitivas do envelhecimento
Por Ricardo Teixeira
Um estudo publicado na última edição da revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, demonstrou que atividades que estimulam o cérebro, como é o caso da leitura e palavras cruzadas, podem reduzir a velocidade de perdas cognitivas associadas ao envelhecimento, mas no futuro, se o indivíduo apresentar um quadro de demência, faz com que a evolução da doença seja mais rápida.
Os pesquisadores acompanharam por um período de doze anos cerca de 1100 americanos com mais de 65 anos de idade e sem o diagnóstico de demência. Os voluntários foram testados do ponto de vista cognitivo e interrogados quanto ao nível de participação em atividades mentais estimulantes como leitura, jogos e passeios dedicados a atividades culturais. Aqueles que apresentaram mais atividades estimulantes eram os que tinham menores perdas cognitivas ao longo dos anos. Esse efeito já havia sido demonstrado anteriormente e o que a atual pesquisa trouxe de novo foi a evidência de que os indivíduos com o diagnóstico da Doença de Alzheimer tiveram uma evolução mais rápida da doença quando tinham um histórico de muita atividade estimulante antes do diagnóstico.
Os resultados sugerem que um idoso que estimula bastante o cérebro, mesmo que já apresente lesões cerebrais silenciosas associadas a doenças que levam à demência, conseguirá manter seu desempenho cerebral normal por mais tempo que aquele com pouca estimulação. Neste caso, o estado de equilíbrio cerebral tem o seu limite. Quando um cérebro bem estimulado começar a apresentar sintomas de uma síndrome demencial, o contingente de alterações cerebrais já é maior do que nos cérebros pouco estimulados, e por isso, a evolução da doença tenderá a ser mais rápida. Isso nos faz pensar na estimulação cerebral como uma estratégia que não evita o aparecimento de uma síndrome demencial como a Doença de Alzheimer, mas uma forma de se viver mais tempo com o cérebro funcionando bem, sem sintomas da doença.
* Ricardo Teixeira é médico, doutor em neurologia e pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp. Escreve todas as segundas-feiras neste blog.
Adeus aos óculos fundo-de-garrafa pesando na fisionomia dos jovens, portadores de alta miopia. Uma nova lente intraocular com grau, produzida em acrílico hidrofóbico para ser implantada em frente à íris, no ângulo irido-corneano, foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) há cerca de um mês e permite que míopes de até 16 graus possam ficar livres das grossas lentes.
Segundo o oftalmologista Leonardo Akaishi, do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), esta é a mais recente geração de lentes para correção de altas miopias e é feita por uma cirurgia descomplicada para o médico e de fácil adaptação pelo paciente.
Lente dobrável produzida em acrílico hidrofóbico, esta lente fácica é indicada para pacientes com mais de 6 graus de miopia, que não sejam portadores de glaucoma e cuja contagem de células seja adequada na parte interna da córnea. “Os critérios para indicar ou contra-indicar as novas lentes, contudo, serão definidos pelo médico, a partir da análise dos resultados obtidos com os exames pré-operatórios”, diz Akaishi.
Residual - É possível que um paciente com miopia muito alta fique com um residual e necessite manter óculos para corrigi-lo ou, devido ao baixo grau desse residual, se o paciente estiver apto pode submeter-se a um ajuste com laser e dispensar os óculos, afirma o oftalmologista.
Idade - Segundo Akaishi, que é presidente da Sociedade Brasileira de Catarata e Implantes Intraoculares (SBCII), se um paciente de 46 anos de idade com alta miopia lhe procurasse, indicaria o implante, mesmo com idade mais próxima de fazer a correção por meio da cirurgia de catarata. Ele defende que seja mantido cristalino, o qual é substituído na cirurgia de catarata, e implantada a lente intraocular para tratar a opacificação somente quando ela aparecer. “Quando for o momento de fazer a catarata, a lente de alta miopia será removida e no lugar do cristalino uma lente multifocal ou monofocal vai corrigir o grau e retirar a catarata”, explica.
A cirurgia a laser para corrigir altas miopias não são as mais indicadas uma vez que as condições da córnea do paciente precisam ser especialmente espessas, pondera Akaishi ao considerar que por esta razão a lente fácica oferece vantagens a essas pessoas.
A cirurgia pode ser feita nos dois olhos, com um prazo de uma semana a 15 dias entre um e outro e dentro de três a cinco dias o paciente estará apto para retomar suas atividades normais.
QUEIMADURAS DE SOL MESMO EM DIAS FRIOS
Ricardo Fenelom
Com a temperatura amena do último final de semana em Brasília, uma de minhas pacientes se expôs ao sol com as amigas entre 10h e 13h. Quando se levantou, tinha queimaduras em todo o corpo. Suas pernas, na região da canela, ficaram tão afetadas que ela ainda está sem andar 48 horas após a exposição ao sol, besuntada de pomada, de repouso, em casa.
O inverno, especialmente em Brasília, induz a erros de interpretação na nossa relação com os banhos de sol. Na capital do país, o céu claro e a elevada altitude (mais de mil metros acima do nível do mar) favorecem a intensidade das queimaduras solares, mesmo em dias frios. No domingo, como não fazia calor e havia muito vento, a paciente não observou a “fritura” gradual de sua pele, no horário de maior intensidade dos raios nocivos à pele UVA e UVB.
Além de mudar imediatamente de cor, pois tem a pele muito clara, classificada como tipo 2 pela escala de Fitzpatrick*, ela está com inchaços em algumas regiões do corpo e muita dor nos locais da queimadura. Na região próxima aos pés chegou a formar bolhas. Evitar esse transtorno depende de cuidados antes e durante a exposição ao Sol.
Os principais responsáveis por essa reação são os efeitos nocivos dos raios ultravioletas (UV), principalmente os do tipo B e A, sobre a pele. Embora a maioria das pessoas não sinta, o sol continua a atuar, mesmo nos dias frios. Até mesmo quem permanece sob uma cobertura ou um guarda-sol, ao ar livre, acaba se bronzeando.
Uma combinação de fatores é fundamental como precaução ao problema: aplicar fotoprotetores à pele e evitar o sol entre 10h e 15h. Nesse horário, se intensifica a atuação dos raios UVB, que são responsáveis pelo eritema (vermelhidão da pele), pigmentação da pele e, principalmente, alterações que induzem a doenças mais graves. Descascar e ficar manchada são consequências das queimaduras. Quem castiga a pele continuamente dessa maneira pode vir a ter problemas mais graves. Esse tipo de ocorrência pode desencadear até mesmo um câncer de pele.
Os benefícios evidentes do uso diário de filtros solares bem formulados e seguros são muito maiores que os riscos potenciais à saúde. Se, mesmo com as precauções, você ainda sofrer queimaduras, tome cuidados para que elas não se infeccionem. O tratamento para essas bolhas é feito à base de compressas de tecidos naturais, enchacardos com água boricada, pasta d’água ou cremes à base de corticóide diluído. Evite chumaços de algodão ou gaze para as compressas, por serem materiais hidrófilos. Lembre-se: o uso do filtro de proteção solar deve ser diário, ainda que a luminosidade esteja oculta sob nuvens, ou disfarçada pela temperatura amena.
*Classificação de Fitzpatrick - escala científica que divide a pele de acordo com a coloração, em seis tipos. Vai do nível Um, a cor mais clara, ao Seis, que é a gradução para peles negras.
Ricardo Fenelon é dermatologista
HUMANIZAÇÃO EM UTI E
O PAPEL DA ARQUITETURA HOSPITALAR
Por Délcio Rodrigues Pereira
Para muitas pessoas Unidade de Terapia Intensiva ainda remete a um ambiente frio, com pacientes em sofrimento profundo ou risco iminente. Foi pensando nisso que sonhamos, há alguns anos, com a UTI ideal. Claro que alcançá-la é um desafio constante, quase infindável, mas sabíamos que era possível realizar algo inovador - tanto para o paciente e sua família, quanto para a equipe. Depois de quase dois anos e meio, tornamos o sonho tangível no Hospital Anchieta, através de um cuidadoso projeto de arquitetura.
Com a proposta de gerar um ambiente totalmente humanizado, que observasse as necessidades biopsicossociais da comunidade UTI, pensamos com muito cuidado nos espaços. Enquanto a média brasileira é de 9 metros por leito, optamos por 15 metros. Pesquisa realizada em nossa instituição mostrou que um dos principais estressores para o paciente de terapia intensiva era a ausência de sua família. Com uma área maior, pudemos contemplar o acompanhante, devidamente acomodado. Tal decisão implicou na perda da possibilidade de abrir mais leitos, mas impactou decisivamente no bem-estar das famílias.
Como nem sempre é possível manter o acompanhante ao lado de seu ente querido, devido aos procedimentos inerentes à assistência, criamos áreas de conforto dentro da própria UTI, com sala de TV e estar, salas privativas para conversa com os médicos, vestiários e até mesmo copa para os familiares. Em nosso hospital, não é retórica, realmente acreditamos na formação de uma rede afetiva paralela ao processo terapêutico.
A privacidade também mereceu atenção especial: os leitos possuem painéis de correr individualizados que evitam a exposição do paciente a barulhos externos e possíveis situações constrangedoras. Janelas amplas, com tratamento entrevidros foram projetadas para garantir que a luz natural permeie sempre o espaço, permitindo com isso que pacientes, acompanhantes e equipe vejam o ambiente externo e tenham noção do tempo.
Prestamos também especial atenção aos profissionais de saúde que transitam pelo ambiente todos os dias e por longos períodos. Os postos de trabalho, de enfermagem e as áreas administrativas foram concebidos levando-se em consideração distâncias, iluminação e ergonomia. O leito mais distante está a 15 metros do posto de enfermagem, atendendo à norma do Ministério da Saúde, que define 36 metros como distância máxima. Isso sem falar dos repousos amplos e extremamente confortáveis.
Quando nos perguntam sobre tecnologia, a resposta é rápida: claro que a Unidade conta com equipamentos de última geração – inclusive instalados em plataformas suspensas, sem fios e tomadas aparentes. Contudo, fazemos questão de destacar que uma filosofia calcada nos valores humanos potencializa os benefícios da tecnologia, porque coloca o ser no centro das atenções e nos rememora, a todo instante, da real função de uma entidade hospitalar.
Diretor superintendente do Hospital Anchieta (DF)
SERVIÇO
Fórum de Humanização da Saúde
Data: 27 de agosto de 2010 – sexta-feira
Hora: Das 08h às 18h
Local: Auditório - Hospital Anchieta
Coordenação: ONG Viva e Deixe Viver - www.vivahumanizacao.org.br
Inscrições Gratuitas: (61) 3353 9433
Programação Completa: www.hospitalanchieta.com.br
Pede-se a doação de material escolar que será revertido a ONG Viva e Deixe Viver
O cérebro parece se dar bem com baixas doses de álcool. Em altas doses ele só atrapalha
Por Ricardo TeixeiraTemos acompanhado nos últimos anos uma série de estudos que demonstra que o consumo leve a moderado de álcool reduz o risco de doenças cardiovasculares, incluindo o infarto do coração e o derrame cerebral. Devemos entender consumo moderado como até duas doses de bebida por dia para homens e uma dose para mulheres. Além disso, é bem reconhecido que a relação entre álcool e doenças cardiovasculares tem um comportamento estatístico conhecido como curva J. Quanto mais alta a posição na curva J, maior o risco. Isso significa que a ausência de consumo de álcool, que está na ponta inferior do J, está associada a um risco maior de doenças cardiovasculares do que o consumo moderado que se encontra na “barriga” do J. Quem bebe pouco tem menos eventos cardiovasculares do que quem não bebe. Por outro lado, o consumo exagerado de álcool, que se encontra na ponta superior do J, reflete um maior risco de doenças cardiovasculares. Alguns estudos epidemiológicos têm demonstrado que o álcool também tem um comportamento semelhante à curva J quando o assunto é declínio das capacidades cognitivas com o envelhecimento, sendo que o consumo moderado está associado a um menor risco de demência, e o consumo excessivo a um maior risco (ponta superior do J). Temos ainda resultados de pesquisas nos mostrando que o excesso de álcool está associado à redução do volume do cérebro. E será que o consumo moderado de álcool reduz esse ritmo de perda de volume cerebral? Na tentativa de responder a essa pergunta, uma população significativa de americanos sem história de derrame cerebral ou demência (grupo Frahmingham Offspring) foi avaliada quanto ao histórico de consumo de álcool e submetida à ressonância magnética do crânio. Os resultados foram publicados no ano de 2008 na revista Archives of Neurology. Confirmaram-se resultados anteriores de que o consumo excessivo de álcool está associado a um maior risco de redução do volume cerebral, e esse efeito foi mais forte nas mulheres do que nos homens. Além disso, não foi possível demonstrar que o uso moderado de álcool tenha efeito protetor sobre a redução do volume cerebral. Um novo estudo acaba de ser publicado no periódico Acta Neurologica Scandinavica evidenciando que o consumo leve a moderado do vinho está associado a um melhor desempenho cognitivo na idade adulta. Desta vez foram estudados mais de cinco mil noruegueses por um período de sete anos. O efeito protetor do vinho foi maior que o de outras bebidas. Uma questão bastante discutida na literatura é que o vinho tinto tem efeitos mais positivos que as demais bebidas, pois além do álcool, ele possui outras substâncias nobres antioxidantes (ex: polifenóis). Do ponto de vista de saúde pública, não se deve fazer campanhas convidando a população a começar a beber. A recomendação é de que quem já cultiva o hábito não precisa parar, desde que consiga beber dentro dos limites considerados seguros (duas doses diárias para homens e uma dose para mulheres). Quem não bebe não deveria começar a beber, já que hábitos como uma dieta inteligente e atividade física regular podem ser mais interessantes à saúde que os potenciais efeitos positivos do álcool. * Ricardo Teixeira é médico, doutor em neurologia e pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp. Escreve todas as segundas-feiras neste Blog.
Adolescentes com um estilo de vida pouco saudável têm mais dores de cabeça
Por Ricardo Teixeira*
A revista Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, acaba de publicar em sua última edição uma pesquisa apontando que adolescentes com maus hábitos de vida têm dores de cabeça com maior freqüência e que essa associação é mais forte nos casos de dor do tipo enxaqueca.
Cerca de seis mil noruegueses com idades entre 13 e 18 anos foram estudados através de avaliação clínica e de um questionário que abordava a prática de atividade física e a presença ou não de tabagismo. Os resultados mostraram que sedentarismo, sobrepeso e tabagismo estavam associados de forma independente à freqüência de dor de cabeça experimentada pelos adolescentes. Além disso, esses fatores tinham efeito aditivo: os que apresentavam dois ou três fatores tinham mais dor de cabeça do que aqueles que possuíam apenas um deles.
Enxaqueca é uma disfunção cerebral com forte componente genético e que sofre grande influência de fatores ambientais, já que vários estímulos são capazes de disparar as crises de dor de cabeça. A resposta a cada estímulo é muito individual e por isso é desejável que cada indivíduo identifique os fatores que provocam suas crises e tente evitá-los. Para alguns, o contato com a fumaça do cigarro representa um forte componente desencadeador. Quanto ao exercício físico, alguns portadores de enxaqueca até têm crises por ele provocadas, mas também é bem reconhecido que é um grande aliado para o controle de crises de enxaqueca. Sabe-se também que o sobrepeso está associado a crises de enxaqueca mais freqüentes e o presente estudo foi o primeiro a demonstrar que esse efeito ocorre também entre os adolescentes.
De uma forma geral, qualquer atitude que promova um melhor estado de equilíbrio do corpo e da mente pode ajudar a evitar crises de enxaqueca de quem sofre do problema. E esse problema não tem nada de pequeno. Cerca de 20% das mulheres e quase 10% dos homens têm enxaqueca e a Organização Mundial da Saúde a classifica como a 19ª doença que mais leva à incapacidade funcional das pessoas em países desenvolvidos. No caso da mulher, ela fica em 12º lugar.
* Ricardo Teixeira é médico, doutor em neurologia e pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp. Escreve todas as segundas-feiras neste blog.
As fotos acimas mostram a realidade de uma parcela dos 85 mil doentes renais crônicos brasileiros: eles não podem ficar sem diálise e a fazem em suas casas.
Fotos como estas fazem parte do livro Escolher e Viver - Tratamento e Qualidade de Vida dos Pacientes Renais Crônicos, do fotógrafo André François. O lançamento será nesta segunda-feira, às 19h30, na Livraria Saraiva, no shopping Pátio Brasil.
A obra retrata histórias de pacientes portadores de doença renal crônica que realizam Diálise Peritoneal (DP) - uma modalidade domiciliar de terapia renal. A partir de terça-feira, a exposição com fotos extraídas do livro será montada no Ministério da Saúde, na Esplanada dos Ministérios.
Dezesseis pacientes tiveram suas histórias de vida e tratamento registrados pelas lentes de André François, fundador da Organização ImageMágica, que percorreu o Brasil, durante 18 meses em busca desses relatos.