Faltam quatro meses para o fim do meu mandato e, em breve, vamos conhecer o novo presidente do clube para o próximo triênio. No fim do ano, vou deixar o principal cargo do Cruzeiro Esporte Clube com a certeza do meu dever cumprido, mesmo tendo ouvido diversas críticas da administração dos irmãos Perrellas nos últimos dias. Algumas, que mais me pareceram de cunho político, foram feitas de forma precipitada sem levar em consideração uma história de conquistas e realizações.
Desde a minha chegada à presidência, em 1995, até os dias atuais, tive o orgulho de erguer, juntamente com meu irmão Alvimar de Oliveira Costa, nada menos do que 23 troféus de campeão. Fomos campeões da Copa do Brasil três vezes, duas vezes da Copa Sul-Minas, Copa Libertadores, Copa Centro-Oeste, Copa Master, Copa Ouro, Recopa Sul-Americana, Campeonato Brasileiro, Torneio Internacional de Verão do Uruguai, Copa dos Campeões Mineiros, Supercampeonato Mineiro e nove vezes campeão mineiro. Somos a diretoria recordista de títulos no futebol brasileiro, contribuindo para que o Cruzeiro fosse ainda considerado o Melhor Clube Brasileiro do Século XX.
Em meu último mandato, que tem sido rotulado como um fracasso, fui campeão mineiro duas vezes, vice-campeão da Copa Libertadores, em 2009, e vice-campeão Brasileiro, em 2010, em um ano em que não pudemos jogar no Mineirão e ainda fomos duramente prejudicado pela arbitragem. Quantos clubes e presidentes no Brasil não gostariam de ter feito campanhas parecidas, jogando ainda a Copa Libertadores em todos os anos de seu mandato?
Tenho ouvido na imprensa que o time de 2011 é fraquíssimo. Ora, também cansei de ouvir dos mesmos profissionais no primeiro semestre, quando o Cruzeiro fez a melhor campanha da Copa Libertadores, que o nosso time era o melhor da América do Sul. Quem chamava o Cruzeiro de Barcelona das Américas não éramos nós, mas, sim, os jornalistas, ou estou equivocado? E esse time agora é o pior do Brasil? Não é isso que mostraram os números do primeiro turno do Brasileirão.
Fora de campo vou deixar também uma das maiores estruturas de clubes do país. Em nossa gestão construímos a Toca da Raposa II e a Sede Administrativa.
Mas não foi nada fácil conseguir fazer tanto pelo Cruzeiro. Nos últimos anos, os custos para se manter um clube cresceram de forma assustadora devido, em grande parte, à irresponsabilidade de muitos administradores de clubes, que pagam salários milionários, acima da realidade brasileira. Ver jogadores e treinadores com remunerações acima de R$ 500 mil se tornou uma rotina. O inflacionamento provocado por inconseqüentes, refletiu em todos os clubes. Para se manter times competitivos no Brasil hoje, todos gastam mais do que arrecadam. No Cruzeiro não é diferente. Trabalhamos, atualmente, com um déficit mensal de cerca de R$ 3 milhões, o que, no fim da temporada, representa um estouro de R$ 36 milhões a R$ 40 milhões. Para isso, é que precisamos vender jogadores. Essa é a realidade do futebol brasileiro. Como sempre repeti, não vendo porque gosto, mas, sim, por necessidade.
A minha esperança de reverter esse quadro está no programa sócio-futebol, que implantamos em 2009, mas não conseguimos manter com um bom número de associados desde 2010 por causa do fechamento dos estádios em Belo Horizonte. Se, no futuro, com a reabertura do Mineirão, chegarmos a ter 30, 40 mil fidelizados em dia com as mensalidades, atingiremos uma arrecadação que vai cobrir nossas despesas. O Internacional, de Porto Alegre, é um exemplo de um clube bem sucedido e com situação financeira favorável. Hoje, os gaúchos têm quase 110 mil sócios contribuindo, o que proporciona uma arrecadação de mais de R$ 100 milhões por ano.
Esse é um apelo que gostaria de fazer para o torcedor do Cruzeiro, que sempre nos ajudou. Façam parte do programa e colaborem com a próxima administração, só assim vamos nos livrar dessa recorrente obrigatoriedade de negociar craques e ídolos.
Tudo o que relatei aqui foram números e realizações. Torço para que os futuros presidentes possam fazer até mais do que pude dar ao Cruzeiro, mas tenho certeza que nossa obra jamais deixará de ser reconhecida. Aprendi na vida pública que a falta de reconhecimento é normal, mas jamais vou aceitar que injustiças sejam feitas com uma história vitoriosa.
Um abraço e até a próxima
Zezé Perrella