Sexta-feira, 05 de fevereiro de 2010

Kleber e Cruzeiro no mesmo caminho


Jamais foi pensamento da diretoria do Cruzeiro negociar qualquer jogador no começo desta temporada. Prova maior da nossa intenção foi ver a janela de transferências para os principais países da Europa se fechar no dia 1º de fevereiro e ninguém sair, apesar de termos recebido vários telefonemas e mantido contatos com representantes de diversos clubes interessados em nossos jogadores.

O que afirmamos em outras oportunidades, reitero aqui. Nas últimas duas temporadas qualificamos a equipe atual com contratações importantes como as de Fabrício, Leonardo Silva, Thiago Ribeiro, Wellington Paulista, Henrique, Gilberto, Gil, Guérron e Pedro Ken e ainda renovamos contratos de ídolos como Fábio e Marquinhos Paraná. Hoje, temos, com certeza, um grupo muito bom, tido pelos críticos como um dos melhores do futebol brasileiro. Isso sem falar na continuação do trabalho do técnico Adilson Batista.

A estratégia que adotamos vai levar o Cruzeiro a continuar brigando por todos os títulos que disputar em 2010. Não tenho dúvidas em fazer tal afirmação. Mas apesar de termos definido essas metas, no fim de janeiro me deparei com uma situação que sabia ser inevitável: a possível venda de Kleber.

Tenho recebido muitas mensagens de torcedores que se mostraram decepcionados com a chance de o negócio ser realizado. Ouvi protestos impulsivos de descontentamentos. Exatamente as mesmas atitudes que nos levaram à possibilidade de vender o jogador.

Em setembro de 2009, quando Kleber foi à festa de uma torcida organizada do Palmeiras, em São Paulo, chegaram ao clube milhares de e-mails e telefonemas de pessoas que se mostravam indignadas com o comportamento do Gladiador. O tom era sempre o mesmo, de condenação e exigência de rescisão de contrato do jogador. Na véspera da partida contra o Palmeiras, cerca de 300 torcedores foram à Toca da Raposa II querendo impor a saída do atacante, chegando inclusive a fazer ameaças. As pessoas se esqueceram daquele dia? Será que alguém não se lembra mais das vaias que o Kleber recebeu ao ser substituído no dia seguinte?

Ouvi tudo com muita atenção e, como sempre faço, todas as decisões que tomei naquele episódio foram com a razão, jamais motivado pela emoção dos fatos. Banquei a permanência do jogador no clube, contrariando quase 100% da torcida, que não admitia mais a sua continuidade. Dei tranquilidade ao Gladiador e todas as garantias para que ficasse, mas assumi junto ao jogador o compromisso de negociá-lo quando surgisse uma proposta boa para todas as partes.

No mês de janeiro, o Cruzeiro foi procurado pelo Palmeiras, que apresentou propostas para retirar o K30 de Belo Horizonte. Resisti, mostrei ao Kleber que a oferta do clube paulista estava longe do seu valor. Ele entendeu e nunca nos questionou. Posteriormente recebemos a visita de um representante do Futebol Clube do Porto, que ofereceu 5,5 milhões de euros (cerca de R$ 14 milhões) pelo Gladiador e mais 75% dos direitos do atacante argentino Ernesto Farías. Em reunião com Kleber e seu empresário, ficou acertado que eles abririam mão dos 20% que tinham direito por contrato e o Cruzeiro não arcaria com a comissão ao agente que intermediava a negociação, cerca de 10%. Para resumir: 1,6 mihões de euros, mais de R$ 4,2 milhões, que deveriam ser pagos pelo clube continuariam em nossos cofres.

Diante do compromisso que havia assumido com o Kleber e dos valores acertados, não me restava outra alternativa. Mesmo contra a saída do jogador eu me senti na obrigação de vendê-lo, mas deixei claro ao Gladiador que se ele quisesse permanecer seria um prazer muito grande. Ao não acertar seu contrato com o Porto, Kleber me telefonou falando da sua vontade de dar continuidade à carreira no Cruzeiro, o que foi motivo de muita felicidade.

Sempre estive ao lado do Kleber e dei apoio incondicional às decisões que ele tomou. Tenho certeza de meu equilíbrio em todos os momentos e da convicção na condução correta de toda a trajetória do Gladiador aqui.

Uma demonstração de nossa vontade de ter um time forte na Copa Libertadores está na contratação do meia Roger. O vice-presidente Gustavo Perrella fez diversos esforços nos últimos dias para antecipar em cinco meses o retorno do jogador ao Brasil. Ele já está no clube e será inscrito para a segunda fase.

Ninguém quer mais do que eu ver o Cruzeiro ser campeão de tudo com ídolos em campo. Mas também ninguém mais do que o presidente precisa ter discernimento e equilíbrio para tomar as decisões sem precipitações e com responsabilidade.

Um abraço e até a próxima

Zezé Perrella
Presidente do Cruzeiro Esporte Clube

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