Decididamente, essa frase não serviria de mote para uma propaganda de vinho e eu a coloquei aqui só para causar curiosidade nos leitores e introduzir o tema de rótulos e identificações de vinhos! Como eu dizia na coluna Lugares sobre o Vinisud, tenho visto muitos rótulos com referências dos solos de onde provêm as uvas dos vinhos na França, seja por meio de pequeno texto descritivo, normalmente colocado no contra-rótulo do vinho, seja na própria criação do conceito do vinho, fazendo parte de seu nome e de sua imagem.

Imagem de solo de xisto em rótulo de vinho suíço
Mostrar a identidade do vinho é muito importante para esse mercado, dado que, salvo marcas que ficaram muito difundidas nacional e internacionalmente, como, por exemplo, Concha y Toro, o universo do vinho é marcado pela diversidade (tomara que ela se mantenha). Essa concentração do produto em algumas marcas não é uma característica desse “mercado de qualidade”, como ocorre com outras bebidas, pois a própria quantidade de produtos é limitada e, normalmente, quanto melhor o vinho, menor a quantidade produzida. Com o processo de globalização do vinho, que multiplicou a oferta internacional em termos de origens e estilos, identificá-los se tornou uma ferramenta essencial para quem quer vendê-los.

Uma das alas de vinhos do hipermercado Auchan, em Bordeaux
Os vinhos mais “modernos” seguem o uso generalizado da linguagem da varietal, que quer dizer apresentar e destacar o nome da uva que deu origem ao vinho no rótulo. Não entrarei em mais detalhes sobre varietais, dado que o tema já foi trabalhado nesta coluna, quando eu falava sobre o Chile. Segundo Jean-Marc Bousquet, em sua palestra sobre a geologia no vinho (ver em Sobre Vinhos), trazer o solo para o rótulo virou moda por aqui. Este dado, pouco familiar para quem tem uma leitura do vinho a partir das varietais e do gosto, é menos estranho a populações que há séculos convivem com a cultura do terroir, que relaciona não apenas o vinho, mas vários produtos agroalimentares a sua origem, clima, solo e um modo de produção local. Na França, isso é muito forte e essas referências ganharam mais legitimidade com a criação das indicações geográficas (AOC’s) em 1935.

Referência à moda de inserir esses dados nos rótulos
em palestra s/ influência dos solos nos vinhos – Vinisud 2012
As apelações francesas são, para eles, as chaves de leitura da qualidade de um vinho, assim como as varietais são para a gente. Como o solo faz parte desse conceito, é como se os produtores convidassem os consumidores a fazerem um mergulho em um dos elementos importantes para a qualidade do vinho. Não deixa de ser também um esforço de falar sobre a qualidade do produto independentemente do reconhecimento da indicação geográfica, já que esse é um dado ainda novo para muitos países. Além disso, combina com uma tendência de valorização do vinho orgânico no continente europeu, cuja qualidade está diretamente relacionada aos elementos da natureza.

De acordo com os autores do livro francês, intitulado Le vin pour les nuls (Os vinhos para os nulos), citar as varietais tem a ver com a tendência moderna de rotular os produtos com uma bula. Nunca pensei sobre isso, mas, de fato, o consumidor hoje quer saber mais sobre o que consome, especialmente os mais exigentes e, no caso do vinho, o rótulo tradicional era pouco didático e extensivo a quem não pertencia ao universo. Com algumas exceções, normalmente a produção mais tradicional de vinhos, como a europeia, identifica o vinho pelo tipo, origem e produtor. Isso implica uma maior familiaridade com as produções e respectivas indicações implícitas em cada nome. Por exemplo, o vinho Chianti, muito vendido no Brasil, normalmente é identificado como sendo um estilo de vinho tinto, de nacionalidade italiana, seco, com médio corpo, acidez marcante, dentre outros aspectos de seu gosto.

Rótulo de Chiantivinhoegastronomia.uol.com.br
Fonte: vinhoegastronomia.uol.com.br m.br vinhoegastvinhoegastronomia.uol.com.br vinhoegastronomia.uol.
Uma pessoa mais curiosa por este universo saberia que ele vem da região da Toscana, é feito, predominantemente, com uva sangiovese e que existem diferentes produtores desse mesmo tipo de vinho. Alguém mais conhecedor, que frequenta cursos, visita lojas especializadas e pede orientações a profissionais da área saberia que a qualidade desse vinho pode variar muito se ele estiver acompanhado de referências como Clássico, Rufina, Colli di Senesi – pois isso determina diferenças entre a localização dos vinhedos que deram origem ao vinho e suas características. E, ainda, que o Chianti Riserva passa mais tempo envelhecendo, antes de ser comercializado, portanto, é um vinho com mais estrutura e complexidade. Finalmente, alguém que lê guias, livros e acompanha indicações dos especialistas saberia que comprar um Chianti 2006 pode ser mais vantajoso do que arriscar um 2002, em função da qualidade das safras naquela região. E ainda falta o produtor, que pode reverter tudo isso...

Elementos num rótulo de vinho de Bordeaux - Fonte: gastronomieufc.blogspot.com
Identificar um vinho é difícil mesmo e, especialmente, identificar a sua qualidade, dado que essa composição de dados pode de fato fazer diferença e a constatação gustativa é fundamental para validá-la. Afinal, de que adiantam as brilhantes referências se o vinho não agrada o seu paladar? Se não é gostoso, eu viro a página... ou não? Dizem por aí que muita gente bebe rótulo de vinho...
Atualmente, entretanto, o velho mundo do vinho também vem adotando a linguagem das varietais em muitas produções, especialmente nas mais novas, no sul da França, por exemplo. Outra ação para facilitar a leitura do consumidor é indicar as uvas que entraram no corte e, além disso, dar descrições em relação ao seu gosto, às ocasiões mais adequadas para bebê-lo, às combinações do vinho com a comida, etc. Será que as pessoas que bebiam o seu vinho francês do dia a dia sabiam ler todas essas insígnias, ou seja, era preciso conhecer esse universo todo para escolher o vinho? Claro que não. No universo mais tradicional de vinhos é muito comum se beber o vinho local, que agrada, é habitual e, especialmente, porque é “próprio da região”! Esse espírito patriota que tanto nos falta é abundante no mundo europeu.
Dica: já que falei sobre Chianti, na dúvida, opte pelos Chianti’s que apresentam este selinho do “galo” no rótulo (nada a ver com Clube A. M.!) , que significa ser um Chianti Classico, com mais chances de qualidade.

Fonte: www.paperblog.fr

Centro Histórico de Bordeaux
Essa é a segunda vez que venho a Bordeaux em função da minha pesquisa e a sensação de encantamento com a cidade permanece. A cidade, que é um ponto apenas dentro da região de Bordeaux, tem um centro histórico maravilhoso, que combina com a sua majestosa condição de representante da mais famosa região produtora de vinhos do mundo. Cruzando a cidade e compondo sua bela paisagem, está o rio La Garonne, que, a alguns quilômetros dali, irá se encontrar com o rio/riviera La Dordogne para, juntos, formarem o La Gironde, estuário que desemboca no oceano atlântico e que foi essencial para a conquista da atual reputação de seus vinhedos.

La Garonne, Bordeaux
Foi por meio desse percurso que os vinhos de Bordeaux, apelidados clairets, abasteceram o consumo inglês entre os séculos XIII e XVII, abrindo caminho para a consolidação de sua fama de celeiro dos vinhos de qualidade. O clairet (re-promovido atualmente em Bordeaux, visando atingir um público mais jovem) é um vinho tinto mais claro, leve, feito com as mesmas cepas usuais na região: cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc – corte variável segundo produtor. Nos séculos em que foi destinado ao mercado inglês era de qualidade muito inferior, se comparados aos dias de hoje, mas seu êxito comercial favoreceu o grande investimento na melhoria da qualidade dos vinhos bordaleses, notadamente, a partir do século XIX.

Vinho clairet produzido pelo Château Penin, na AOC Bordeaux Clairet
Fonte: http://www.chateaupenin.com/fr/
Hoje, 54 AOC’s se distribuem entre a margem direita (Rive Droite) e esquerda (Rive Gauche) do La Gironde e entre os seus dois confluentes, La Dordogne e La Garonne (Entre-deux-mers). Um cenário pleno de vinhedos e história! Em Bordeaux estão os privilegiados cinco premiers grand crus classés, categoria de excelência da Classificação de 1855, criada para sinalizar a qualidade de vinhos de alta gama de Bordeaux, majoritariamente do Médoc. Uma categoria à parte classificou os brancos licorosos (Barsac e Sauternes) e as produções de Saint Emilion e Graves ganharam classificações próprias um século depois. Mas não pensem que tudo que vem de Bordeaux é bom, pois há muitos que se valem da marca para aparentarem a qualidade que não têm e inflacionarem o mercado.

Mapa AOCs mais conhecidas de Bordeaux
http://www.cavedeschouans-jard.com/medias/images/carte-des-vins-de-bordeaux.gif
É muito difícil descrever a complexidade dessa região vitivinícola em termos de denominações, delimitações e classificações – há que se degustar Bordeaux aos poucos... Cheguei a Bordeaux na semana do “Primeur”, um evento anual que acontece na primavera e que se destina à apresentação dos vinhos da última safra, neste caso, da safra de 2011, cujas colheitas de uvas se deram no último verão (entre setembro e outubro). Bordeaux é uma região de business do vinho e nessa semana são promovidos vários eventos para a degustação dos vinhos da última safra pelos profissionais do mercado e pelo meio especializado (experts e imprensa).

Millésime 2011
Grande parte dos vinhos, especialmente os tintos, só devem estar disponíveis daqui a um ano. Como o perfil de vinho predominante em Bordeaux é um vinho de guarda, muitos vinhos ainda estão bem fechados, tânicos e mostrando apenas o seu potencial de qualidade. Suficiente, entretanto, para se estimar seus valores, a partir das classificações de influentes degustadores, como o norte-americano Robert Parker, por exemplo. Estive em três eventos: o primeiro no Médoc, dos vinhos de classificação “Cru Bourgeois” (tema da coluna Signos dos Vinhos dessa seção), que aconteceu no Château d’Arsac, em Margaux – majestoso castelo do século XII, renovado internamente e rodeado por um jardim de esculturas contemporâneo. Ali se reuniram vinhos, com respectivos proprietários e negociantes de 210 châteaux.

O segundo evento foi promovido pela organização Le Cercle Rive Droite, reunindo 139 châteaux no Hôtel Grand Barrail, em Saint- Emilion – região de beleza encantadora e que tem, atualmente, uma das mais apreciadas produções de Bordeaux, em função da elegância de seus vinhos, com predominância da uva merlot em suas assemblages (composição de uvas para a produção de um vinho).

O terceiro Primeur foi no interior do Château Pape-Clement, AOC Graves, onde estive, primeiramente, para uma entrevista. Ali se faz um Grand Cru Classé tinto, muito apreciado internacionalmente, cuja produção (90%) é vendida antes de o vinho estar pronto, pelo sistema de vendas sob encomenda de Bordeaux, chamado “en primeur”. Graves é muito conhecida também pelos seus vinhos brancos, com aromas bem particulares.
A origem do Château Pape-Clement se deu no século XIV e seu nome se deve a um nobre proprietário, o Papa Clement V, que se instalou em Avignon, e que durante um período administrou vinhas em Bordeaux. Assim como outros renomados produtores, eles realizam seu próprio evento de Primeur para mostrar seus vinhos bordaleses e novas inserções, como no sul da França, onde faz parceria com o ator francês Gérard Dépardieu, e em países do Novo Mundo, inclusive Chile e Argentina.

Foi ali que eu fotografei muitas garrafas de vinhos, que me inspiraram para a pauta da coluna Sobre Vinhos dessa seção. A safra de 2011 ainda está em fase de avaliação e precificação. Segundo palpite dos produtores, é uma boa safra, mas de qualidade heterogênea, cujo julgamento pode ser prejudicado, se comparada às duas safras maravilhosas que a antecederam: 2009 e 2010. As avaliações dos especialistas mostram bons resultados para os brancos e licorosos, mas os tintos deixaram a desejar e especula-se que os preços devam ficar 50% abaixo da safra de 2010. Uma boa oportunidade para quem quer ter um ícone de Bordeaux! A título de curiosidade: o Premier Grand Cru Château Lafite Rothschild 2010 está sendo vendido por, aproximadamente, 1.190 euros a unidade e o de 2011 a 490 euros!
Falar sobre geologia e vinho não é tarefa fácil, creio que até mesmo para enólogos e geólogos, dada a variedade de solos nos quais as uvas se desenvolvem e outros aspectos que podem afetá-los – solo e vinha. Proponho aqui simplesmente ressaltar a importância dessa relação, que passa ao largo de nosso contato com o produto pronto, mas que tem muito a nos revelar sobre as características dos vinhos que bebemos. Essa é mais uma das relações que nos faz pensar que fazer vinho bom é muito mais complexo do que se pensa. Afinal, quanto mais perto do elixir de Dionisos, mais se percebe quão longínquo é o conhecimento que deu origem ao líquido que salta da garrafa de um bom vinho. Tomar contato com a relação entre vinho e geologia é tomar contato com a maturidade de seu produto e com a capacidade de sermos tocados pela ancestralidade da terra.
Fonte: domaine-rozel.isasite.net
Um pouco de estudo sobre o tema nos faz perceber que são necessárias várias gerações de produtores de vinhos para se conseguir fazer um bom extrato daquele local de produção. Digo extrato porque numa concepção mais tradicional sobre qualidade do vinho, como a de terroir, a regra é extrair da uva toda a riqueza que ela conseguiu acumular em seu fruto para se tornar matéria prima do vinho. Nove entre dez produtores de vinho afirmam que o principal fator de influência à qualidade do vinho é a qualidade de sua(s) cepa(s).

Gewurztraminer, variedade que confere aromas singulares
aos vinhos, quando plantada na Alsácia, França
http://www.group-trotter.net/alsace-route-du-vin-d-alsace_p-136-fr.htm
Conhecer a uva que deverá pertencer a uma região e solo e qual o vinho produzido a partir dela é um processo longo, uma vez que demanda não só conhecimento, mas experimentações. É assim que muitas regiões atualmente vêm trabalhando em parceria com entidades de pesquisa agroalimentar para descobrir o verdadeiro potencial de produção de uma região. No caso do Brasil, isso acontece, por exemplo, no estado de Santa Catarina com a Epagri e, no Rio Grande do Sul, com a Embrapa Uva e Vinho.
Fonte: http://www.clmais.com.br/negocios/view/1857
Na França, a relação entre geologia e vinho é trabalhada por publicações, instituições, pesquisadores e tem sido constantemente debatida em eventos de vinho e em degustações especializadas. Falar desse aspecto vai além de falar simplesmente da origem do vinho; significa mostrar a identidade do vinho, isto é, seus aromas, seu gosto, sua capacidade de envelhecimento e sua tipicidade (ver em Signos dos Vinhos). Falar da geologia no vinho é falar do subsolo da região que lhe dá origem, que, associado ao clima, irá criar um tipo de solo no qual a vinha se reproduzirá para servir de base ao vinho.

Superfícies de solos distintos de regiões vinícolas
Fonte: www.sigales.fr/etudes_sols_terroirs

Corte em profundidade de solos distintos de regiões vinícolas
Fonte: www.sigales.fr/etudes_sols_terroirs
Caracterizar um solo envolve aspectos físicos (cor, textura, estrutura, porosidade, permeabilidade), químicos (poder de absorção, pH, composição química) e biológicos. Por incrível que pareça, as vinhas se beneficiam de solos pobres, pouco férteis. Suas necessidades de nutrientes e de água são baixas e passar por certo stress no processo de aquisição dessa seiva, por meio do sistema radicular (raízes) da vinha, faz parte da trajetória de um vinho de grande qualidade. Sendo assim, é muito comum encontrar aridez e paisagens aparentemente inóspitas para a agricultura em regiões de bons vinhedos.
Vinhedos de Chateauneuf-du-pape, França - início da primavera 2012
Os tipos de solo mais encontrados nas regiões de produção de vinho são predominantemente compostos por um ou mais elementos dentre areia, argila, limo, calcário, cascalho, pedras, pedregulhos, granito e xisto – que cumprem funções de conceder maior ou menor permeabilidade, drenagem, resfriamento, conservação de calor, absorção dos minerais, entre outros. Como se trata de um assunto muito técnico, pulo os detalhes e falarei mais especificamente do solo de xisto, que foi tema de palestra e degustação no Vinisud, como visto na seção Lugares, à qual se liga esse post.

O 10° Vinisud 2012 aconteceu entre os dias 20 e 22 de fevereiro de 2012 no Parque de Exposições de Montpellier, sul da França. É um evento bienal orientado aos profissionais da enogastronomia com a proposta de reunir vinhos da bacia do Mar Mediterrâneo. Da França, estavam lá representados as regiões do Languedoc-Roussillon, Provence, Vale do Rhône, Sudoeste e Córsega. Da Europa, além da França, Espanha, Itália, Portugal e Grécia; da África do Norte, Algéria, Marrocos e Tunísia.

Mapa das regiões banhadas pelo mar mediterrânea (fonte: saladaverde.com.br/a-dieta-mediterranea)
Ao todo, cerca de 52% dos vinhedos do mundo estão na região mediterrânea. O evento é estritamente destinado aos profissionais do vinho (comerciantes, cavistas, profissionais da hotelaria e gastronomia, importadores, sommeliers, críticos, imprensa e sites/blogs especializados) e conta com uma participação de cerca de 1700 expositores. Mesmo com a restrição à entrada do público consumidor, mais de 30 mil pessoas se espalharam em 10 pavilhões nos 3 dias de evento para conhecer as novas safras, atualizar-se nas discussões desse mercado e dar início a negociações. Além dos produtores, expositores de produtos e serviços relacionados a esse mercado, bem como palestras, intervenções e degustações. Eu precisaria de vários posts para mostrar tudo que aconteceu por lá, mas me contento em destacar alguns aspectos, que eu considerei mais relevantes.

A internet e a web 2.0 mais uma vez tratam de se aproximar do mercado de vinhos, com a oferta de produtos hipermídia para computadores e dispositivos móveis com o objetivo de informar, divulgar e comercializar vinhos e eventos relacionados ao tema. Um espaço inédito foi criado no Vinisud para esse fim: o Pavilhão 2.0. Profissionais do marketing e da comunicação ditial sobre vinhos, muitos deles promotores do Le Vin 2.0 em Paris, já reportado aqui, criaram uma agenda de “ateliers”, para falar das redes sociais, dos produtos de comunicação digital e para promover abordagens inusitadas de possíveis contatos com o consumidor.

Pavilhão 2.0
Foi ali que o grupo Outsiders, que reúne novos produtores vindos de várias regiões do mundo promoveu uma degustação diferente, cujo método busca fugir da linguagem formal das usuais degustações de vinho, incentivando o consumidor a expressar a sua real percepção dos aromas e gostos do vinho.
Outro tema interessante foi uma conferência a respeito da influência do solo na qualidade do vinho. Jean-Claude Bousquet, autor do livro Terrois viticoles : paysages et géologie en Languedoc, falou da significativa influência do solo na qualidade do vinho (ver em Sobre Vinhos) e de como isso poderia ser percebido na taça, bem como sinalizado ao consumidor (ver em Signos dos Vinhos).

Após algumas pronunciações sobre o tema, uma degustação conduzida por produtores apresentou vinhos de terroirs com solos de xisto de diferentes regiões mediterrâneas (Faugères, Córsega, Priorat, Suíça Romana). Além da qualidade dos vinhos (ver em Dicas), a degustação trouxe algumas cepas bem típicas dessas regiões, como as brancas vermentino (AOC Patrimônio, Córsega) e amigne (Valais, Suíça Romana).

Vinho 100% varietal vermentino, AOC Patrimonio, Córsega
Mais uma vez os chineses são os centros das atenções do mercado europeu, pelo rápido crescimento de consumidores, que vêm absorvendo grande parcela das exportações europeias (2° maior importador dos vinhos do sul da França). Seja como importadores, consultores, críticos e sommeliers, a China esteve presente em público e em algumas apresentações, como na do sommelier Yang Lu, de Shangai, eleito por alguns concursos nacionais como melhor somelier da China.

Segundo Yang Lu, o mercado chinês é grande e difícil de definir e generalizar; mesmo que estejam comprando vinho em grande quantidade, trata-se de um público que conhece o vinho recentemente e está em processo de iniciação. São chamados de new drinkers. Uma certeza: a China é a bola da vez no mundo dos negócios, sem sombra de dúvidas. Quem diria que um dia veríamos franceses aprendendo mandarim...coisas do mercado!
Acompanhem os desdobramentos deste post nos textos a seguir das seções: Sobre Vinhos, Signos dos Vinhos, Dicas e Harmonias.