03 maio 2012 03:48 pm

MAIS DO QUE UMA SENTENÇA JUDICIAL, UM MARCO HISTÓRICO

 

 

Guardem esse nome: Wagner Sana Duarte Morais.

 

Ele é o juiz da 22a Vara Cível de Belo Horizonte.

 

Em 27 de abril passado, o dr. Wagner Morais decidiu pela condenação do administrador de empresas Gustavo Henrique Oliveira Bittencourt. Em fevereiro de 2008, Gustavo Henrique matou o empresário Fernando Paganelli de Castro numa batida de carros na avenida Raga Gabaglia, em um caso com contornos trágicos.

 

Paganelli era arrimo de família. Casado, pai de dois filhos, ia sempre muito cedo para o trabalho. Naquela madrugada de primeiro de fevereiro, ao volante de um Citroen Xsara, deu de frente com um Honda CRV na contramão, em alta velocidade, quando passava pelo trevo do BHShopping.

 

A morte foi instantânea. Já os ocupantes do Honda sobreviveram. Dois fugiram, sem prestar socorro, um ficou ferido e abandonado, no banco de trás. Dentro do carro, também foram encontradas latas de cerveja. Os policiais constataram que Gustavo Henrique já havia sido preso e autuado no artigo 306 do Código de Trânsito por dirigir alcoolizado.




      Foto: Marlos Ney Vidal / Estado de Minas



A considerar o histórico da Justiça em acidentes de trânsito, essa era mais uma ocorrência para terminar em pizza, seja na vara cível, seja na criminal. O mais comum é vermos o réu, no máximo, ser condenado a pagar algumas cestas básicas a instituições de caridade.

 

Mas não desta vez.

 

A família do empresário Fernando Paganelli de Castro garantiu, em 1ª Instância, o direito a indenização de R$ 450 mil reais por danos morais e ainda o recebimento de pensão, a serem pagas pelo causador da morte. A empresa Pneuaço Ltda, proprietária do Honda envolvido no acidente, também foi condenada de forma solidária.


A pensão chegou a ser estipulada em R$5.600, em pedido de tutela antecipada, aceito pelo juiz, que, assim, já sinalizava o que estava por vir. Mas, em atendimento parcial ao recurso requerido pelos réus, a partir de julho daquele ano, foi reduzida para R$3.700.

 

Os argumentos usados pela defesa de Gustavo Henrique não comoveram o juiz.  Nem que ele não estava na contramão, nem que não estava sob influência de álcool. Para o dr. Wagner Morais, os dois argumentos ficaram prejudicados; o primeiro, pelo que relataram o boletim de ocorrência, testemunhas e o laudo da Criminalística, que caracterizou a imprudência e a infração de trânsito. O segundo, não só pelo mesmo boletim, como também por exame de corpo de delito e pelo antecedente do réu.

 

A defesa ainda tentou um recurso, no mínimo sacana, para atribuir a Paganelli a responsabilidade pelo desfecho trágico do “acidente”. Alegou que o motorista do Citroen carregava uma geladeira no banco de trás, que, no choque, provocou a morte dele.

 

Mais uma vez, o juiz foi brilhante. Qualificou a alegação como “falta de bom senso”.

Ao final do processo, decidiu pelo pagamento de indenização de R$150 mil a cada integrante da família, mulher e dois filhos, e pelo pagamento de pensão à viúva até a idade de 65 anos e aos filhos até os 25.

 

Pena que a sentença ainda é de primeira instância. Ou seja, cabe recurso e pode ser modificada na instância superior.

 

Mas a sociedade espera que a Justiça mantenha (e até aumente) a condenação cível, porque já está provado que, no Brasil, a coisa só funciona quando dói no bolso.

 

Resta também aguardar o julgamento do caso na justiça criminal. De onde se espera que venha também condenação exemplar, que atenue a dor e o sofrimento de uma família diminuída de forma violenta em um de seus membros. Lá também a esperança de um momento histórico é grande. O Ministério Público ofereceu denúncia contra Gustavo Henrique Bittencourt por homicídio doloso (com intenção de matar), a Justiça entendeu que não, que era crime culposo (sem intenção), mas o MP recorreu e o STF concordou. Gustavo Henrique aguarda julgamento por homicídio doloso em liberdade.
 
Ao dr. Wagner Morais, os meus parabéns.

 

E VOCÊ, O QUE ACHA DESSE CASO? E DA VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO? PARTICIPE, OPINE. E LEMBRE-SE DE QUE OFENSAS DE QUALQUER TIPO NÃO SERÃO PUBLICADAS.

Para outros detalhes sobre o caso,
clique aqui

                                  Com informações da Assessoria de Comunicação Institucional do Fórum Lafaiete

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16 fevereiro 2012 01:44 pm

BLITZ: MOTIVO PARA MEDO OU SEGURANÇA?


Tenho notado pelos comentários dos internautas nos dois últimos posts do blog (e já tinha percebido em outras ocasiões, quando o tema versou sobre BHTrans, por exemplo), que muita gente tem diversas restrições quanto às blitzes policiais e, em função disso, defende as páginas de twitter que alertam sobre horários e locais das operações de fiscalização.

Algumas pessoas usaram termos fortes para caracterizar como abuso a simples realização das blitzes.

O internauta que se identificou apenas como "José" diz: "não tem nada mais constrangedor que um policial pedindo documentos e o outro apontando escopeta pra gente", para ressaltar que pessoas de bem eventualmente são tratadas como bandidos.

Pois eu já passei por experiência assim e, de fato, foi humilhante. Nunca tornei isso público porque considerava desnecessário. Mas como o debate está quente, acho que chegou a hora de compartilhar o episódio.

Certa vez, à noite, eu voltava do treino de tênis numa academia no Olhos D´Água. Era por volta de 9:30 da noite, e dei carona para meu professor, que morava nos arredores da av. Barão Homem de Melo. Pra chegar à casa dele, cruzávamos um trecho de favela considerada perigosa na região.

Fazíamos esse trajeto sempre, mas, nesse dia, demos de cara com uma blitz da PM.

Ao entrar na rua, vejo de longe faróis fortes acesos na minha direção. Avanço lentamente até enxergar que se trata de uma operação policial. Há duas viaturas e um ônibus da PM atravessados na pista, o que impede que qualquer veículo cruze a barreira. Ao me aproximar, pergunto ao policial se posso seguir em frente e ele, imediatamente, responde aos gritos: "Você pode é sair agora desse carro!", ao que, de pronto, outros dois PMs apontam escopetas contra nós.

Eu e meu treinador descemos, mãos para cima, e somos obrigados a nos apoiar no carro para a revista. Imagine a cena, dois sujos do pó de tijolo da quadra de tênis, bonés virados pra trás, suados. Não é uma imagem agradável...

"Documentos! Seu e do veículo!" Berra de novo o policial. Entrego e sigo em silêncio. Naquela época, ainda trabalhava na TV Alterosa e apresentava o Jornal da Alterosa primeira edição. Mas, por princípio meu, que uso como regra de vida, nunca me utilizei da condição de jornalista para pedir qualquer favor ou privilégio. E, sendo assim, mantenho-me calado.

Os policiais reviram o carro em busca de armas e drogas ou qualquer coisa que nos incrimine. A bolsa do meu treinador é dessas raqueteiras triplas, enormes. E, como ele havia dado aulas o dia todo, a bolsa está cheia de roupas sujas, que um policial do outro lado, do passageiro, vai jogando pro alto.

Ao conferir os documentos e ver meu nome, noto que o policial próximo de mim muda de atitude. Pergunta, já sem berrar, mas ainda em tom forte: "Onde você mora?". Informo o bairro. "Está longe de casa, hein? O que você veio fazer aqui?" Conto que estava dando carona ao meu professor, que mora perto dali.

"Você trabalha aonde?", já em tom normal. Quando digo "TV Alterosa", o policial fica, digamos, "desarmado". Olha por cima do teto do carro para o companheiro, e dá um sinal de mão para que pare a revista. E aos policiais de escopeta apontada, que baixem as armas.

Aí, o discurso muda, agora é de orientação. "Olha, isso aqui é uma área muito perigosa, de tráfico de drogas. Você deveria evitar passar aqui. Muito cuidado e pode ir em frente, uma boa noite." Refeitos do susto e do medo de uma escopeta daquelas disparar a qualquer momento, entramos no carro e vamos embora. Mas conscientes de que, não fosse a situação peculiar que nos favoreceu, o desfecho daquele momento poderia ter sido diferente.

Cerca de um mês depois, num domingo à tarde, por volta de 5h, sigo com meu filho para a casa de meus pais. Ao virar a rua Prof. Moraes, encontro outra blitz. Mas agora, em plena Savassi e à luz do dia. O policial faz sinal com a mão para que eu pare. Encosto o carro e ele, ao chegar à janela do carro para pedir educadamente os documentos, vê meu filho, então 6 anos, sentado no banco de trás, na cadeirinha apropriada para crianças. Aí, chama outro policial que também participa da fiscalização e diz: "Fulano, veja que pai exemplar, carregando o filho de maneira adequada", e, voltando-se para mim, cumprimenta: "Parabéns ao senhor". Não revista o carro, não abre o porta-malas, nada. Então, devolve os documentos e pergunta: "o senhor se importaria de responder a uma pesquisa sobre a qualidade do trabalho da PM? Pode fornecer um contato para participar da pesquisa?"

Na hora, me vêm à memória as imagens de terror vividas na blitz anterior e a diferença de tratamento recebida dos policiais em uma ocasião e na outra. Penso comigo que é hora de aproveitar e reclamar. Passo o contato e espero dias e dias que alguém me ligue para relatar o ocorrido, mas nada acontece.

Posso ter sido omisso, negligente, em não ter contatado alguém da Polícia Militar. Mas, na época, considerei prudente que guardasse o caso comigo. Até entendo que, numa rua estreita de favela, à noite, o policial, num ambiente "hostil", em território dominado por traficantes, deve estar orientado a agir com mais rigor e firmeza do que à luz do dia na Savassi. Mas fico pensando em como um cidadão comum, sem débitos com a Polícia ou a Justiça, morador das regiões menos favorecidas, sofre de pavor e medo em situações como essa pela qual passei.

Ainda assim, considero a blitz uma operação legítima e necessária. Porque a PM é uma instituição de respeito, que prepara e treina seus integrantes e, portanto, está apta a lidar com as diversas situações.

E me mantenho contrário às páginas de twitter que avisam internautas que bebem e depois querem dirigir a evitar as fiscalizações e o flagrante de embriaguez. Como já comentei anteriormente, esses tuítes também servem a ladrões de carro e outros criminosos a fugir, bastando usar um celular para ter acesso às informações, evitar as operaçoes policiais, com isso, se safar da prisão.

O uso estratégico de informações faz parte da rotina da Polícia, da Justiça e até de quem não está diretamente ligado à Segurança Pública.

Na relação com a Imprensa, por exemplo, muitos órgãos públicos ou privados pedem bloqueio de divulgação quando decidem adiantar o envio de informações. O IBGE, por exemplo, envia um dia antes informações sobre pesquisas que realiza, mas marca o horário a partir do qual os dados podem ser divulgados, geralmente só no dia seguinte. Isso acontece porque, adiantando as informações, permite que os veiculos de imprensa preparem  reportagens mais completas; por exemplo, conseguindo personagens para humanizar o que seria apenas uma estatística fria.

A Polícia também faz isso. Eventualmente, avisa à imprensa que em tal dia, a tal hora, haverá uma operação em tal lugar. Isso serve para que emissoras de rádio e TV, jornais e portais de notícias escalem suas equipes para acompanhar o trabalho. Obviamente, ninguém divulga a informação de que haverá uma blitz, porque isso alertaria os criminosos e os permitiria fugir.

Sendo assim, sugiro a todos que me dão a honra de frequentar este blog, que voltem a refletir sobre a conveniência de se divulgar alertas de blitz via twitter. A quem, de fato, isso serve? Qual é a grande finalidade de se revelar hora e local das operações policiais? Que utilidade social isso tem?

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15 fevereiro 2012 10:27 am

PRA MIM, MINISTÉRIO PÚBLICO ERROU



Lamentável. É o que posso dizer neste momento.

O MP de Goiás se manifestou contra a ação pedida pela AGU, que pede a suspensão das contas de twitter que avisam sobre blitz de trânsito. Leia aqui.

Pra mim, os promotores andaram na contramão do combate ao crime e aos infratores de trânsito.

Essas contas têm sido usadas com a finalidade de orientar quem bebe e depois dirige a evitar ser pego pela fiscalização. Mas é óbvio que, como qualquer um tem acesso, permite também que motoristas inabilitados, com carteira vencida ou em qualquer outra situação irregular, também escapem.

E não só eles: ladrões de carros e outros criminosos em fuga também podem se orientar com o uso do twitter.

Ou seja, consciente ou inconscientemente, quem tuíta nessas páginas está contribuindo (in) diretamente para a ocorrência de acidentes de trânsito e, de forma geral, com a criminalidade. Este blog se manifestou a respeito do tema recentemente. Leia aqui.

Espero que, apesar da manifestação contrária do MP, o juiz acate o pedido de ação e siga em frente.

Tem gente confundindo liberdade de expressão com anarquia.




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08 fevereiro 2012 03:53 pm

REAÇÃO CONTRA TWITTER DE BLITZ: TOMARA QUE CHEGUE LOGO A BH


Antes tarde do que tarde demais, diria um amigo meu.


Finalmente, alguém no país começou a se movimentar contra esse crime que são as páginas de twitter que alertam motoristas sobre os pontos de fiscalização do trânsito.

Em Goiás, a Advocacia Geral da União entrou com pedido na Justiça para que essas páginas sejam retiradas do ar. Leia aqui.

No mês passado, a primeira ação concreta aconteceu no Espírito Santo. Um juiz determinou a retirada do ar de toda e qualquer página do Facebook e Twitter que avisasse sobre operações policiais de trânsito.

Este blog já havia provocado o assunto, em 12 de maio do ano passado. Relembre aqui.

De lá pra cá, minha indignação só aumentou, porque as estatísticas mostram que, se aumentou o número de blitzes em BH, aumentou também a quantidade de autuações. Traduzindo: motoristas estão se lixando para a Lei e seguem bebendo e dirigindo, dirigindo e bebendo.

E muitos se utilizam desse "serviço". Em Belo Horizonte, a página do @blitzBH tem atualmente mais de 46 mil seguidores (o número aumenta sem parar, em maio passado eram pouco mais de 10 mil), e já emitiu mais de 10 mil tuítes, desde que foi criada.

Se eu quisesse ser demagógico e populista, diria "como é possível contrariar um movimento que só cresce, refletindo um desejo  de parte da sociedade?"

Mas não vacilo em me opor a esse fenômeno, que considero grave e que contribui (in)diretamente para a ocorrência de acidentes envolvendo embriagados.

Receita dos espertinhos: beber, checar no celular onde estão as blitzes e passar por outro caminho. Consequência: pessoas seguem se embriagando e acham que estão enganando a Polícia. Resultado: o número de acidentes com bêbados ao volante se mantém alto.

O idiota (me perdoem, não encontro outra palavra) que tuíta a localização de uma blitz contribui não só para manter bêbados circulando nas ruas como alerta também ladrões de carro e outros marginais, de qualquer tipo, a evitar o encontro com policiais. Ou seja, colabora com a ocorrência de acidentes de trânsito e ainda com furto e roubo de carros e outros tipos de crime, dos quais o tuíteiro inconsequente deveria ser processado por coautoria.

Esta é uma situação que deve e pode ser melhorada. Há gente que argumenta que tirar essas páginas do ar fere a liberdade de expressão. Não vou perder tempo com esse argumento falacioso.

Portanto, é hora de uma reação forte das autoridades competentes, Polícia e Justiça, contra essas páginas e a favor dos motoristas de bem, que respeitam a lei e têm consciência dos riscos de misturar bebida e direção. O momento é favorável. O STF está julgando a possibilidade do uso de outras provas além do bafômetro para se indiciar alcoolizados ao volante, tais como imagens de vídeo. E parlamentares defendem alterações na Lei, como, por exemplo, a retirada do artigo que especifica a quantidade de álcool permitida no sangue, já que está provado que o efeito da bebida varia de pessoa para pessoa.

Vamos torcer.

E VOCÊ, O QUE ACHA? COMENTE AQUI, MANDE SUA OPINIÃO. E LEMBRE-SE DE QUE OFENSAS DE QUALQUER TIPO NÃO SERÃO PUBLICADAS.

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03 fevereiro 2012 10:42 am

CRIME DA PROCURADORA: O QUE VAI SER DAS CRIANÇAS?


Só consigo pensar nos filhos.

O caso envolvendo a morte da procuradora federal Ana Alice teve um desfecho ainda mais trágico: pouco depois de matar a ex-mulher, o empresário Djalma Brugnara Veloso se matou em um motel próximo do condomínio de onde fugiu. Usou a mesma faca com que tirou a vida da mãe de seus dois filhos para tirar a própria vida.

E só consigo pensar nos filhos.

O que será dessas crianças? Com quem ficará a guarda? Com a avó paterna (o avó, cardiologista de renome em Belo Horizonte, já morreu) ou com os avós maternos?

Que consequências psicológicas para a formação da personalidade e do caráter desses dois meninos provocará o fim terrível dos pais?

Como eles serão tratados por parentes, amigos da família, colegas de escola e vizinhos? Com indiferença? Piedade? Discriminação? Carinho? Preconceito? Amor?

A notícia do suicídio do homem que matou a ex-mulher e abandonou os filhos aumenta a nossa perplexidade.

E só consigo pensar nos filhos.

Que imagem eles guardarão dos pais? À medida que crescerem, de que maneira a história será a eles revelada? Quem terá essa tarefa ingrata de contar a verdade, antes que eles próprios descubram tudo, neste mundo digital que nada nos esconde, em que os registros do drama familiar estarão permanentemente disponíveis na internet? A forma como a imprensa está cobrindo o caso dará a eles a oportunidade de manter o amor pelo pai, tal como certamente manterão a admiração pela mãe, vítima daquele que esses meninos provavelmente tinham como herói, repentinamente transformado em algoz e vilão?

Até a revelação da segunda morte no caso, os comentários de internautas condenavam a Lei Maria da Penha, que não serviu para proteger essa mãe (como de resto milhares de outras mulheres vítimas de seus maridos, namorados, amantes, companheiros) e previam que ele, na condição de pessoa rica, não iria pra cadeia. É provável que hoje muita gente se divida, parte aumentando a ira contra o empresário, por ter matado uma mãe amorosa com os filhos, e parte poderá ter pena desse homem que matou por ciúmes e talvez por outros motivos que jamais serão conhecidos e só encontrou a solução no próprio extermínio.

A propósito, fico imaginando o que se passou na cabeça de Djalma, no caminho de fuga da cena do crime, a mansão no condomínio Villa Alpina, e o Motel Capri, que fica a poucos minutos dali. Um turbilhão de pensamentos ruins? De desespero? Confusão mental? Revolta contra o mundo, contra si mesmo, contra tudo e contra todos? Com ele, estavam a mesma arma branca, já manchada de vermelho, com que assassinou a ex-mulher e também o passaporte. Fugir do Brasil ou fugir do mundo?

O suícidio tem diversas interpretações. No Judaísmo, por exemplo, o ato é condenado, porque só Deus tem o direito de decidir sobre tirar a vida de alguém. Quem se suicida não pode ser enterrado no cemitério judeu no mesmo espaço que outros, há um espaço separado para esses.

Há pessoas que consideram o suícidio um ato de coragem. Outros, de covardia. Covardia por não querer seguir vivo e enfrentar os problemas que nos afligem.

E ele, o que pensou nesse curto caminho entre a casa e a suíte do motel?
Não sei, porque agora só consigo pensar nos filhos.

Sou pai, tenho um menino a caminho de completar 8 anos, e só quem é pai sabe o que é ter um filho, como é o amor de pai para filho, é um amor incondicional, acima de tudo.

Esse empresário sofreu remorsos terríveis a caminho da própria morte? Arrependimento? Carregou a faca com ele para tirar a prova do crime do local ou já tinha se decidido pelo suicídio? Posso visualizar o choro desse homem no carro, pensando em como ficarão os filhos lindos que teve com a mulher que acabara de matar.

Mas, na verdade, só consigo pensar nos filhos.

Pouco importa se a separação do casal se deu por fim do amor entre eles, por ciúmes, se a partilha de bens era uma preocupação da família do empresário. Nada disso interessa agora.

E não me peçam coerência, não me peçam rigor jornalístico neste momento. Este blog é também um espaço para o meu desabafo diante do que penso deste mundo.

E, neste momento, só consigo pensar nos filhos.



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02 fevereiro 2012 03:46 pm

CRIME PASSIONAL EM NOVA LIMA: A LEI MARIA DA PENHA E OS RICOS NA CADEIA

O crime dessa madrugada no condomínio Villa Alpina, em Nova Lima, região metropolitana de BH, tornou-se um dos principais assuntos - da mídia e da sociedade em geral - nesta quinta-feira.

O assassinato de uma procuradora federal já seria assunto pra muitas notícias. Mas, nas condições em que ocorreu, tornou-se ainda mais "atraente". Mulher bonita, bem-sucedida na carreira, mãe de dois filhos lindos, ainda pequenos, e casada com um homem de família rica é morta violentamente dentro de casa, onde também estavam as crianças e a babá.
Leia aqui.

Não vou analisar aqui o que ocorreu porque isso é tarefa da Polícia - que já apurou muito: casal em separação, litígio, boatos de traição de ambas as partes, briga na madrugada, babá esconde as crianças no banheiro e, quando sai, encontra a patroa morta com várias perfurações, provavelmente de faca.


O que está me chamando a atenção neste momento é a repercussão do noticiário na internet, em relação a dois aspectos. O primeiro, sobre a eficácia da Lei Maria da Penha. A procuradora havia pedido medidas protetivas à Justiça no mês passado. Somente ontem à noite o pedido foi atendido, sem tempo hábil para que as providências fossem tomadas no sentido de evitar um contato do marido com a mulher. 
Leia aqui.

Sobre a Lei, os internautas são descrentes.


Marcello Lopes afirma que "É mais uma vítima de violência doméstica e mais uma evidência da incompleta incapacidade do Estado em proteger nossas mulheres. A Lei Maria da Penha demonstra muito pouco resultado e muito marketing."


Pedro Vilela se refere especificamente à deficiência de atendimento na cidade palco do crime: "Mulher ameaçada por marido ou ex em Nova Lima não adianta procurar a policia. Já é tradição não fazerem nada. Tempos atrás um comerciante de apelido Pelé matou a esposa e se suicidou, apesar de várias queixas feitas por ela contra ele na policia."


Flávio Morais acha que as providências só são tomadas depois que o "leite foi derramado": "Enquanto as leis não protegerem, as denúncias não tiverem força, várias mulheres serão mortas para depois a 'justiça' prender o 'suspeito'!!!"


O outro aspecto que aparece em destaque nas dezenas de comentários postados é sobre a teoria de que rico não vai pra cadeia no Brasil - o que poderia acontecer com o suspeito desse caso, que, por enquanto, está desaparecido.


José Carlos Viana prevê: "Daqui uns dias, se apresenta, confessa o crime e, vai embora pra casa.... como se nada tivesse acontecido..."


Luiz Brito compara o caso a um outro, ocorrido também hoje, mas em outra cidade e com gente pobre, humilde. "Será que policia esta com o mesmo empenho em achar o marido que matou a esposa na periferia de Sabará?"


William Mateus acha que nem precisa a Polícia ir atrás do suspeito: "Vai simplesmente gastar dinheiro publico na busca dele.. ele nao fica preso... vcs vao ver..."


E Gilberto Bueno vai mais longe: "Fechar o certo vai gastar uns 50 mil entre pessoal, veículo, combustível, helicóptero pra levar na delegacia e depois voltar pra casa, melhor deixar depois do carnaval ele apresenta".


Finalmente, há um elogio isolado de Márcio Lima à atitude da babá, em meio à situação de violência: "Deste episódio terrivel, fica-se o exemplo de destemor e senso profissional da babá. Ela não fugiu e largou as crianças, que talvez na fúria do machão, poderiam também sofrer alguma agressão. Ela as protegeu. Fiquei sinceramente emocionado com esta anônima heroína. Ela foi a mãe substituta."


Muitos outros comentários ainda vão ser postados, porque a investigação sobre o caso está apenas começando e a história promete se transformar em mais uma referência sobre como as autoridades e a sociedade têm enfrentado o grave problema da violência doméstica no país.


Eu tendo a concordar com os internautas: acho que a Lei é menos eficaz do que deveria e rico, de fato, pode até ir pra cadeia, mas em número menor do que os réus pobres e leva tempo até ele ficar atrás das grades.


E você, o que acha? Opine aqui. E lembre-se de que ofensas pessoais de qualquer espécie não serão publicadas.


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Tags: lei  maria  da  penha  crime  assassinato  nova  lima  condomínio  villa  alpina   

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30 novembro 2011 10:47 pm

PRA QUE SERVE MESMO O DIPLOMA DE JORNALISTA?


O Senado aprovou nesta quarta, 30/11, o projeto que ressuscita a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista.

Não quero entrar no mérito da questão por esse ângulo. Até porque, confesso, ainda tenho muitas dúvidas.

Mas tem algo que não se pode deixar de lado, é preciso ser dito.

Vamos parar de hipocrisia com esse tal diploma. Pra que ele serve exatamente? A quem ele tem servido? Ao bom jornalismo, não é.

Tenho atualmente 26 anos de carreira nessa profissão. Em boa parte desse tempo, ocupei cargos dos quais é tarefa selecionar profissionais para contratação.

Nos últimos 8 anos, devo ter recebido mais de 5 mil currículos. Não entrevistei todas essas pessoas, é óbvio. Mas conversei com dezenas, centenas talvez, e delas exigi que redigissem redações com temas específicos, um dos exames no processo de escolha.

Pois bem, o que vi, na média, não foi nada bom.

Erros de português, de raciocínio, dificuldade para fechar um pensamento, confusão na construção de histórias com começo, meio e fim. São alguns dos problemas que vi nessas redações.

Nas entrevistas, insegurança, dificuldade de expressão, falta de clareza e objetividade sobre o que se quer na profissão e sobre tantos outros assuntos que usava para provocar uma boa conversa e poder perceber, no decurso do bate-papo, as qualidades que se espera de um jornalista promissor. 

Claro que estive com muita gente boa também. Mas foram exceções. A regra foi (e ainda é) uma porção de gente mediana, que me leva a pensar exatamente em qual foi a contribuição da faculdade e, por consequência, de conseguir o tal diploma, para exercer o Jornalismo.

Se são pessoas que não conseguem falar nem escrever direito, o que é que estão fazendo nessa profissão???

Tá bom, tá bom, não vamos culpar exclusivamente as universidades, as escolas de Comunicação. Os problemas no Brasil vêm de bem antes, lá do ensino básico, fundamental. E muita coisa não dá pra corrigir na faculdade. Aprender português, por exemplo, não é no curso superior, é mais cedo, né?

Mas o contrário também é verdade. Se o ensino no Brasil está longe do ideal, os cursos de Comunicação Social/Jornalismo não têm dado uma grande contribuição para corrigir o rumo desses estudantes e trazê-los para o caminho certo. 

O que vi, e continuo vendo, porque sigo eventualmente selecionando pessoas, é gente em sua maioria despreparada, vazia de conteúdo, sem uma identidade própria como profissional pra chegar e fazer a diferença num mercado repleto de novos jornalistas saindo do forno a cada semestre e se misturando na vala comum.

Então, afinal de contas, pra que é mesmo que esse diploma tem servido? Sinceramente, vamos pensar nisso em vez de só ficar defendendo a obrigatoriedade dele mas sem sabermos exatamente pra quê?

O diploma tem servido só pra manter um número enorme de faculdades abertas? Faculdades que, cada vez mais, têm deixado de lado a formação humanística (é, tá lembrando que Comunicação Social é do campo de Humanas?) para focar na formação de profissionais "prontos" para o mercado. Prontos mesmo?? Gente que sabe, no caso de televisão, por exemplo, o que é um off, passagem, sonora etc e tal, mas que não consegue construir um bom off, uma boa passagem, fazer uma boa entrevista. 

Há poucos dias, fui entrevistado por uma aluna de uma faculdade de Jornalismo de BH, que estuda reabrir a TV universitária, fechada por problemas diversos. Queriam saber de mim o que acho que é uma boa TV universitária, qual o papel dela e da própria faculdade na formação profissional etc. 

Fui sincero, como tento ser sempre. Disse que as TVs universitárias deixaram de lado a experimentação, a inovação, para se acomodar na zona segura e confortável da formação de gente para o mercado. Uma formação "padrão", claramente inspirada no modelo imposto pela maior emissora do país, porque, afinal de contas, todo jornalista sonha em ser o William Bonner ou a Fátima Bernardes (e agora vai ser a Patrícia Poeta...), não é mesmo? E que, por conta disso, os novos profissionais que chegam ao mercado têm cara de  "velhos", de "mais do mesmo"; raramente, mas muito raramente aparece alguém com sangue novo, com jeito de que chegou pra ser original, diferente. 

Aliás, era o que eu falava pras pessoas que entrevistava e nas quais via algum valor a ser desenvolvido: "seja alguém diferente, busque a sua 'assinatura própria', a sua identidade, de tal modo que, quando começar a sua reportagem na TV e eu não estiver olhando pro vídeo, mas apenas ouvindo a sua voz, eu consiga reconhecê-la, saber que é você. Porque hoje, o que acontece é que é tudo igual, tudo do mesmo jeito, e de um jeito ruim".

Então, pra que mesmo que essas faculdades e o tal diploma têm servido?

Como eu disse lá no início, tenho muitas dúvidas sobre a real necessidade do diploma. Há momentos em que o considero muito importante; em outros, nem tanto. Há momentos em que acho que o curso de Jornalismo poderia ser técnico em vez de curso superior. Porque, na verdade, o talento para o vídeo, para escrever, para contar histórias é da própria pessoa. Talento é inerente. O curso pode ajudar a desenvolver a técnica no uso das ferramentas e do corpo, mas o talento e a "queda" para a profissão o sujeito já nasce com eles, cresce com eles, é da personalidade, do caráter, da formação pessoal. O faro, o tino para a investigação, a curiosidade, o jeitinho para perguntar, fuçar, descobrir, juntar as peças, resolver o quebra-cabeças... Isso não se ensina na faculdade, a pessoa tem ou não tem. E, vamos combinar, tem muita gente que vai pra faculdade de Comunicação porque acha charmoso, bacana, mas não tem a mínima ideia do que vai encontrar pela vida de jornalista afora. 

Na semana passada, tive a prova clara disso: não vou citar nomes, obviamente, porque isso pouco importa aqui. Mas presenciei o descaso, o desinteresse de um jornalista por uma boa história que estava na cara dele. Vi como ele foi incapaz de se indignar, de ter a curiosidade despertada para correr atrás de um fato, investigar, fazer a notícia crescer. Mas também conheci o caso de um sujeito que não é jornalista formado, mas tem mais gana, sangue e vontade do que a maioria das pessoas que ocupam cadeiras em redações. Esse sujeito investigou por conta própria uma notícia durante dias, descobriu os horários em que um crime acontecia, botou uma câmera escondida para gravar tudo e quando estava com o flagrante registrado, ainda chamou a Polícia. Como se não bastasse, também foi à delegacia e completou a gravação com a prisão dos envolvidos para só então oferecer o conteúdo a uma emissora. 

Pergunto: quem é o jornalista de verdade? Esse sujeito sem diploma ou o outro que está numa redação vendo o tempo e as notícias passarem? 

Sei que muita gente vai se sentir ofendida e ficar com raiva desse texto, mas apelo de novo para o bom senso e peço um minutinho de reflexão: se vamos lutar para que o diploma seja obrigatório, então vamos fazer com que ele seja digno de se conquistar. Vamos lutar por faculdades melhores e vamos ser mais exigentes na hora de dar a alguém a grave responsabilidade de reportar o que acontece na nossa cidade, no nosso estado, no nosso país.

 


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23 novembro 2011 10:50 am

MOBILIDADE URBANA E A COPA: AINDA ESTAMOS LONGE DO ESPERADO


Os governos federal e estaduais andam dizendo que, apesar dos atrasos nas obras e da falta de recursos, vai dar tudo certo, que a Copa no Brasil será um grande evento (leia aqui), mas basta uma rápida viagem ao exterior pra ver que ainda estamos longe, muito longe do que se deve esperar de um país que quer sediar um evento desse porte.

Estive a trabalho em Nova Iorque e Boston, nos Estados Unidos, entre os dias 6 e 13 de novembro, com meu colega Alexandre Magno, dos Diários Associados. Nem vou gastar tempo e espaço falando de coisas muito batidas, quero me concentrar apenas em mobilidade urbana.

Nas duas cidades, usamos o metrô quase o tempo todo. Ambos extremamente eficientes, te levam de um lado a outro de forma rápida e segura. É difícil imaginar que qualquer pessoa possa diariamente se deslocar em Nova Iorque ou Boston a pé ou usando ônibus e carro. O transporte subterrâneo, por sua vez, cumpre de maneira eficiente o caos da superfície. Ponto pras duas, zero pra nós.




                                                Metrô de Boston, o mais antigo dos EUA



Entre Nova Iorque e Boston, optamos por ir de trem, em vez de avião. Compramos passagem pela internet, ainda no Brasil, e pegamos os bilhetes de embarque na estação em NY. A estação, aliás, é extremamente organizada, parece um aeroporto moderno, com amplas salas de espera, painéis luminosos com os horários de partida e chegada, locutores anunciando as viagens em alto e bom som, e diversas opções de lanchonetes, restaurantes e serviços. Para nossa grata surpresa, a passagem era de segunda classe, mas o trem era um luxo, parecia de primeira classe. Poltronas de couro, grandes, confortáveis, com encosto de cabeça, mesas à frente de cada 4 poltronas, carro-restaurante, banheiros limpos, guarda-volumes por carro. Viagem de 3h e 20 minutos, curtindo a belíssima paisagem do caminho, repleto de florestas, rios, lagos e mar, com pequenas cidades balneárias de marinas lotadas de lanchas, barcos e iates e casas de veraneio.

No Brasil, quem vai trocar uma cidade por outra durante a Copa, se não for de avião ou estrada? Ponto pras cidades americanas, zero pra nós.




                                                  Trem Nova Iorque - Boston







                                                        Dentro do trem, com todo conforto


Na volta pra casa, fizemos o trajeto de avião Boston-Atlanta. O avião da Delta era digno de uma viagem internacional, embora fosse um voo doméstico. Tá certo que entre duas das maiores cidades daquele país, mas pouco importa, o mesmo não acontece no Brasil. A aeronave tinha poltronas de couro, com telas de vídeo individuais à frente, com TV por satélite ou "on demand", filmes à escolha e canais de áudio. O serviço de bordo excelente constou de lanche completo e bebidas.

Na mesma viagem, fizemos o trecho Brasília - Belo Horizonte. Comparando, também é a ligação entre duas cidades importantes do país, a capital federal e a capital do terceiro maior estado brasileiro. Mas a diferença dos voos é absurda. Vamos combinar, esses voos domésticos no Brasil estão mais pra ônibus do que pra avião. Poltronas apertadas, com distância mínima entre as filas, lanche zero.

Ou seja, mais um ponto pra NY e Boston, zero pra nós.

E os aeroportos? Ah, agora a coisa vai piorar.

O funcionamento dos aeroportos norte-americanos dá gosto de ver. Organização, segurança, sinalização, tudo funciona perfeitamente. E os confortos postos a serviço do passageiro  aliviam o estresse da viagem.

Os aeroportos de Boston e Atlanta são gigantes. Mas só uma pessoa muito distraída se perde neles. Embora você tenha até de trocar de terminal, em alguns casos, tudo está tão bem determinado e avisado nos painéis que não há como errar.

Os dois aeroportos contam com esteiras horizontais, para descansar o passageiro nos longos trajetos entre os embarques e desembarques e facilitar o deslocamento de pessoas com deficiência ou mais velhas. E mais: há também carrinhos de transporte de passageiros, parecidos com aqueles de campos de golfe.



                                                Esteira horizontal no aeroporto de Boston



Carrinhos para passageiros com dificuldade de deslocamento circulam pelos longos corredores


Em Atlanta, há até um trem subterrâneo que interliga os diversos terminais, como se fosse um metrô particular, só do aeroporto. Um luxo. Você faz a troca rapidinho.




                       O trem subterrâneo que liga os terminais do aeroporto de Atlanta






Já nas áreas de embarque, o passageiro tem à disposiçao salas enormes de espera, com cadeiras espaçosas e áreas de alimentação com muitas opções. Não é como no aeroporto de Confins, onde o passageiro fica sujeito a uma única lanchonete, que cobra preços absurdos por produtos simples como um café e um pão de queijo.







                       Amplas e confortáveis salas de espera na área de embarque



Então, aeroportos americanos, 1 ponto a mais; aeroporto de BH, zero.

Placar final: EUA 4 x 0 BH.

Belo Horizonte, coitada, não tem metrô, nem vai ter até a Copa (e sabe-se lá quando esse tal metrô vem mesmo). Não tem um sistema de transporte público eficiente e o próprio BRT já está sendo questionado. O aeroporto de Confins é lamentável, mal aguenta um feriadinho prolongado. As companhias aéreas, em busca de uma competitividade que vem se dando por preço e não por qualidade, cortaram custos e serviços para deixar as passagens mais baratas (e olha que muitas ainda são bastante caras) e tiraram todo o diferencial que existia em viajar de avião.

Esse post não é uma crítica de um especialista, não sou engenheiro nem técnico da área, é só a visão de cidadão. Que é a visão da maioria leiga, certo? Na minha opinião, estamos muito mal.

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22 setembro 2011 10:26 am

ESSE É O NOSSO BRASIL...


A mesma Justiça que decretou a ilegalidade da greve dos professores estaduais por melhores salários estava nessa quarta na escadaria do Fórum manifestando por um reajuste de 14,7%.

E, como se não bastasse, também nesse dia, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) concederam  a si mesmos um aumento de 59% no auxílio-moradia. O valor passa de R$ 2.750 para R$ 4.377,73.


Lembrando que muitos brasileiros não têm casa própria, mas contribuem do próprio bolso para pagar a moradia dos juízes, como se eles não tivessem condições de arcar com a despesa.


Esse é o Brasil...


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07 setembro 2011 04:41 pm

No dia da Marcha contra a corrupção, a honestidade anônima das ruas


Plantão de feriado no Portal, um dia morno de notícias e quente nas ruas. Temperatura batendo nos 30, desfile de 7 de setembro e algumas manifestações populares, mas nada muito empolgante. Um daqueles dias que passam e, quando chega a noite, você tem a sensação incômoda de que não acrescentou nada à sua vida.

 

Eu mal poderia imaginar.

 

Saí para almoçar na Pizzaria Mangabeiras, que fica perto da redação, na avenida Assis Chateaubriand, logo depois do cruzamento com a Francisco Sales. Local de boas massas e bebida gelada. Quando sentei-me à mesa, veio até mim um dos garçons que sempre me atendem, com um dinheiro na mão.

 

“Benny, você esqueceu esse dinheiro aqui há mais de um mês. Na última vez que você veio, você pagou com 50 reais e deixou o troco aí na mesa.”

 

E me devolveu exatamente 28 reais e 10 centavos.

 

Fiquei bobo, olhando pra ele.

 

“Como é que é?”, pedi ao garçom pra contar tudo de novo.

 

E, depois de repetir a história, ele emendou: “o que é meu, é meu. O que é seu, é seu.”

 

Confesso que nem me lembro do dia em que isso aconteceu. Ele diz que foi num domingo, mas estou certo que domingo não foi, porque nunca estive ali nesse dia. E eu cada vez mais perplexo.

 

Almocei sentindo um misto de euforia e incredulidade. “Como é que ainda existe gente assim, meu Deus?” No dia em que a Marcha contra a corrupção agitou várias capitais, um cidadão anônimo dá um exemplo incrível de honestidade. O mundo ainda tem salvação.

 

Satisfeito, ao fim da lasanha, pedi a conta. Tirei de novo uma nota de 50 e, desta vez, avisei: “Agora não vou esquecer o troco, vou deixar de propósito, tá?” E saí feliz, emocionado. Pra quem achou que lá ia perdendo o dia, eu ganhei o ano.


Ah, e pra que nosso herói não fique mais anônimo, aí vai a ficha dele: Adenilton, vulgo Nil, casado, um filho, 15 anos trabalhando como garçom, há 6 na Pizzaria.





  Adenilton, honestidade no dia contra os corruptos


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