
ARTIGO
CARLOS FRANCO (*)
carlosfranco@cheeta.com.br
O consumidor deve ficar atento neste neste segundo semestre: as promoções de aparelhos de televisão analógicos cresce barbaramente, especialmente porque a Copa 2010, na África do Sul, já se foi e nem todas foram desovadas. O padrão analógico, muitos ainda não sabem, está caindo por terra em todo o mundo e no Brasil também tem data de validade.
Até 29 de junho de 2016, os nobres telespectadores terão acesso aos dois padrões, tanto o digital como analógico, mas, a partir desta data, prevalecerá o padrão digital. Ou seja, quem compra hoje uma televisão analógica, aquela tradicional, deve saber que a partir desta data ela ficará cega e muda ou necessitará de um conversor.
É claro que os fabricantes se mobilizam para pedir prazo extra. Mas uma coisa é certa: o padrão digital veio para ficar. As promoções, portanto, devem ser consideradas pelo consumidor com extremo cuidado, uma vez que os aparelhos de plasma e LCD com tecnologia digital embarcada - sem precisar de conversor à parte - também começam a cair de preço e são garantia de um bem mais duradouro.
A publicidade, é claro, entrou em campo. Afinal, o fenômeno da troca ocorre em todo o mundo, com prazos mais curtos que os nossos na Europa e Estados Unidos. Alice Cooper - alguém se lembra do roqueiro que incendiava platéias de todo o mundo nos anos 1980? - é a estrela de campanha da Sony. O cantor que tinha o hábito de quebrar televisores por onde passava, atirando-as das janelas de hotéis, agora diz em comercial criado pela TBWA de Londres que ninguém precisava jogar seus aparelhos de televisão velhos - incluindo os analógicos fora. É que a Sony está oferecendo 150 euros pelos aparelhos antigos de quem compra o Bravia, a sua linha mais sofisticada de aparelhos digitais.
A propaganda faz sucesso e é também um pedido de Alice Cooper para que ninguém atire os seus sucessos, também do passado, pela janela. A publicidade tem o hábito de reciclar ideias. O problema é que num planeta onde apenas 2 bilhões de pessoas consomem e outras 6 bilhões, fora da linha de consumo, estão doidas para realizarem seus sonhos, tanta troca soa mal. A Sony, porém, pega na jugular do que muitas organizações ambientalistas - hoje com grande poder, mais que no passado - apregoam: a indústria deve ser cada vez mais responsável por reciclar o que produz.
No Brasil, fabricantes de pneus já se oferecem para ser depósito dos usados assim como a indústria de pilhas e baterias promete recolher aquelas que, sem energia, poluem o meio ambiente e podem colocar em risco, jogadas em lixões, os lençóis freáticos e água é uma preocupação hoje global. Por aqui, ainda temos muito água, mas pequenos gestos, podem ajudar e muito.
Leitores podem estar ser perguntando: Será o fim delas (daqueles televisões com cabeça de ET)?. Sim, mas é claro, que se até hoje têm os que preferem aparelhos preto e branco, e gastam fortunas para mantê-los, algumas irão sobreviver, mas essa era está chegando ao fim e começa a reciclagem, enquanto isso esses aparelhos do passado estão em oferta. A linha do tempo com que viram peças de museus é hoje muito mais rápida, em tempo real e em ondas digitais.
Ou alguém ainda usa computadores com cabeças de E.T.? Tudo bem que muitas empresas ainda vão levar tempo para substituí-los, mas o fato é que começam a irem para museus. A propósito, o MoMA, o Museu de Arte Moderna, em Nova York, em que computadores e televisores de cabeça de E.T. já estão expostos nas mostras de como o homem vivia no passado. E lembrar que comecei em jornalismo usado máquina de escrever redigindo em laudas com três cópias em papel carbono. É o tempo passa.
Brasília, 12h20min
As informações são do repórter Ricardo Allan, do Correio Braziliense.
Inconformado com uma série de problemas numa empresa que já foi símbolo de eficiência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu ontem o presidente dos Correios (ECT), Carlos Henrique Custódio. Para o seu lugar, a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, emplacou o braço direito do presidente do PMDB do Distrito Federal, Tadeu Filippelli. A nomeação do engenheiro David José de Mattos, atual secretário-geral da Novacap, deve ser publicada hoje no Diário Oficial da União (DOU). A diretoria da empresa federal também será modificada.
“Foi uma necessidade de oxigenar os Correios. O governo entendeu que era hora de dar uma nova administração, dar possibilidade de a empresa continuar de forma mais normalizada”, justificou o ministro das Comunicações, José Artur Filardi. Segundo ele, os atrasos nas entregas de encomendas e a dificuldade na realização de concurso para a estatal contribuíram para a saída. A companhia emperrou a licitação para a renovação das franquias, o que levantou suspeitas da Oposição de que o atraso teria sido proposital — a intenção seria manter as licenças de pessoas ligadas a peemedebistas.
Os atuais franqueados estão trabalhando irregularmente. Outro problema é a dívida de R$ 1 bilhão que a ECT tem com o fundo de pensão de seus funcionários, o Postalis. Protegido do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), Custódio caiu em desgraça de vez depois que os Correios lançaram um sistema para ajudar candidatos nas próximas eleições a usar o serviço de mala direta. A Casa Civil não gostou do site na internet, que chegava a dar conselhos de como os postulantes a cargos políticos deveriam se aproximar dos eleitores. Ontem, ele se disse “surpreso” com a demissão.
Quando Filippelli, candidato a vice na chapa de Agnelo Queiroz (PT) ao governo do DF, foi chefe da Agência de Infra-Estrutura e Obras, Mattos era seu adjunto. Ele era nome certo para a Secretaria de Obras na administração de Rogério Rosso, mas seu grupo político se desentendeu com o governador. Lula também afastou o diretor de Gestão de Pessoas dos Correios, Pedro Magalhães, irmão do deputado João Magalhães (PMDB-MG), envolvido no Escândalo das Sanguessugas. Ele será substituído por Nelson Oliveira de Freitas, ligado ao Ministério do Planejamento.
Ligação pessoal
Encarregada pelo presidente Lula de encontrar um substituto para Custódio, a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, fez o convite a David José de Mattos há mais de duas semanas. O engenheiro tem antigas relações pessoais com a ministra desde a época em que ambos trabalharam na Eletronorte. Mattos foi chefe de um departamento da companhia no período em que Erenice trabalhava numa outra divisão. Quando apresentou o nome a Lula, ouviu como resposta: “Se ele é homem de sua confiança, é da minha confiança também”. Entre outros cargos ocupados no governo do DF, Mattos chefiou a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento (Adasa).
Brasília, 22h10min
Pesquisa da multinacional francesa Ipsos com residentes de 23 países do mundo mostra como anda a satisfação da população em relação aos locais onde vivem e quais as três principais prioridades que cada um deles deseja para desenvolver suas comunidades.
O levantamento mostra que, no Brasil, 61% estão satisfeitos com os locais onde vivem e 62% apontam os serviços de saúde como prioridade para o desenvolvimento de sua comunidade, seguido por oportunidades de trabalho (56%) e nível de criminalidade (56%).
Entre os países pesquisados, os mais satisfeitos estão na Holanda (85%), Canadá (83%), Austrália (82%), Índia (76%), Alemanha (74%) e Estados Unidos (73%). Já os mais insatisfeitos estão na Coreia do Sul (34%), Hungria (45%), Japão (46%), China (48%) e Rússia (49%). Veja abaixo o ranking:
Holanda 85%
Canadá 83%
Austrália 82%
Índia 76%
Alemanha 74%
Estados Unidos 73%
Grã-Bretanha 72%
República Tcheca 70%
Suécia 69%
México 67%
Espanha 64%
Bélgica 64%
Polônia 63%
Argentina 63%
Brasil 61%
França 56%
Turquia 56%
Italia 52%
Rússia 49%
Japão 48%
China 46%
Hungria 45%
Coreia do Sul 34%
A Ipsos informa que os entrevistados também responderam quais são as três principais prioridades para que as suas comunidades possam se desenvolver. Muitas coincidiram em diferentes locais do mundo, tais como oportunidades de trabalho, ruas limpas, nível de criminalidade e transporte público. A pesquisa mostra que a diversidade de países não é barreira para encontrar similaridades locais. Por exemplo: realização de reparos no asfalto das vias é a prioridade número um na Bélgica, Polônia, Rússia, Canadá e Índia.
Mas há diferenças claras também. Por exemplo: na Grã-Bretanha, atividades para adolescentes são a preocupação número um (único país onde isto ocorre); no Brasil, são os serviços de saúde; e na China, é a poluição que os residentes colocam como prioridade número um para seu desenvolvimento local.
“Nosso estudo mostra o quanto a satisfação com as áreas locais varia de um país para outro – mas também que muitas preocupações são bastante consistentes em todo o mundo. Os cidadãos globais estão preocupados principalmente com a economia e com o emprego, mas também com coisas relativamente pequenas, tais como ruas limpas”, ressalta Bobby Duffy. Para ele, existem ainda algumas diferenças significativas na ênfase entre países. "E nós podemos aprender muito sobre nossas próprias prioridades nacionais ao estabelecer estas comparações internacionais”, conclui.
Brasília, 15h10min
Se o mercado financeiro está em polvorosa em relação à ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na qual a taxa básica de juros (Selic) passou de 10,25% para 10,75% ao ano, o mesmo acontece no governo.
Dentro do Ministério da Fazenda e no entorno do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, as apostas são quase unânimes de que a ata indicará, mesmo que de maneira pouco enfática, que o ciclo de aumento da Selic chegou ao fim.
Essa visão, inclusive, é compartilhada por técnicos do próprio BC. Para eles, a inflação desabou, o IPCA está convergindo para o centro da meta de 4,5%, a atividade está avançando abaixo do PIB potencial, as expectativas dos agentes formadores de preços voltaram ao controle e a economia global está capengando.
Ou seja, mais aumento de juros só serviria para derrubar o crescimento econômico para um patamar abaixo de 4% em 2011, o que é considerado um exagero.
Brasília, 14h54min
ARTIGO
JOSÉ LUIZ RODRIGUES (*)
joseluiz@jlrodrigues.com.br
Quando ocorrem situações adversas no mercado financeiro, sempre volta a ser discutido o papel do Banco Central no controle e regulação. O assunto do momento, que entra neste contexto, envolve as formas de pagamento que foram introduzidas no mercado pelos cartões de crédito e débito. Esses instrumentos modernos e versáteis, de forma veloz, estão substituindo os cheques, ordens de pagamento e outras formas de pagamento, com muita vantagem.
O movimento é tão grande e importante que a área responsável pelo Sistema Brasileiro de Pagamentos no BC vem acompanhando de perto e desenvolvendo, em conjunto com outras áreas de governo, estudos para verificar a necessidade de regulação do setor.
Os principais problemas detectados foram a falta de concorrência e o excesso de tarifas. Para a chamada “moeda plástica” foram transferidas muitas das tarifas que eram cobradas pelos bancos e que foram proibidas ou reguladas pelo Banco Central, e que devem ser corrigidas por novas regras a serem aprovadas na reunião do Conselho Monetário Nacional de setembro próximo.
Esse é só mais um dos produtos criados pelo mercado financeiro que, depois de ter tido a chance de assumir a autoregulação, esperou a interferência do governo para promover mudanças. Assim ocorreu também com os consórcios, fundos de investimento (hoje sob a tutela da Comissão de Valores Mobiliários, CVM), limites operacionais e direcionamento dos fundos de pensão, operações estruturadas etc., e está longe de ser o fim. Muitas e variadas são os formas de pagamentos, crédito e investimentos que terão que ser tuteladas por algum regulador. O endereço tende a ser o BC.
Outras atividades e produtos, além dos cartões, ocupam a pauta das discuções sobre regulação, a exemplo das Factorings, que resistem sempre que são chamadas a conversar sobre seu real papel. Se dizem comerciais, mas comportam-se como instituições financeiras, concedendo crédito e captando recursos. Há ainda aqueles que, aproveitando o espaço que acreditam existir entre o mercado financeiro e o de capitais, se escondem atrás das famosas Assets (administradoras de recursos), exercendo atividades típicas de instituições financeiras.
À medida que a economia se desenvolve, aparecem outros atores, formas de pagamento, instrumentos de captação, operações estruturadas e diversas outras que terão que ser reguladas e controladas. E todo dia surge uma. A da vez, acredito, é a carta-frete, instrumento criado para viabilizar o sistema de pagamento dos serviços de frete prestados por profissionais autônomos, que hoje movimenta R$ 60 bilhões e que se transformou em um grande e lucrativo negócio para postos de combustível, autopeças, serviços de manutenção de veículos e atravessadores, que se desviam de sua atividade principal para exercer atividade típica de instituição financeira, descontando estas ordens de crédito, dando em contrapartida moedas como combustível, serviços e peças, quase sempre com os preços aviltados e o troco, se houver, em reais, já descontadas o taxas da operação de desconto.
Atendendo à reivindicação da Associação Nacional dos Caminhoneiros, o Presidente Lula sancionou a Lei 12.249, que acaba com a carta-frete e exige que os pagamentos dos fretes sejam feitos aos transportadores autônomos de cargas e empresas de transporte rodoviário de cargas que possuírem frota de até três veículos, por meio de crédito em conta bancária de livre movimentação ou outro instrumento de pagamento homologado para este fim.
A expectativa é de que não seja um novo problema. A regulação da matéria, que é tipicamente bancária uma vez que envolve formas de pagamento que, em última análise, irão compor o sistema brasileiro de pagamentos, será feita pela ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, que já ouviu o Banco Central. Queira ou não, este governo, ou o próximo, terá que aparelhar melhor o Banco Central, que já tem uma clientela enorme.
Não podemos negar que, em matéria de regulação e controle, não dá para deixar para depois. Nosso grande teste foi a última crise!
(*) Sócio da JL Rodrigues, Carlos Atila & Consultores Associados, Especialistas em assuntos do Sistema Financeiro e Relações Institucionais.
Brasília, 17h02min
CRÔNICA
LUCIANA ASSUNÇÃO (*)
lulupisces@gmail.com
VIDA CAMPEIRA
“Cavala de flancos intensos, patas rebeldes,
sem dono nem domação, rebentando espumas nesse galope,
namora mais do que o amor, a sorte.”
(Lya Luft)
Esse país sempre surpreende. E não apenas quando entrega o jogo das quartas de final para a Holanda. É de arrepiar o ecletismo do Brasil-mosaico. Num momento você pensa que está na Itália, comendo galeto da Colônia. Não o que encontramos aqui em Brasília, mas o verdadeiro, pequenino e tenro franguinho. Asinhas e coxinhas quase garnizés, acompanhadas de polenta suculenta, não esturricada. E de raddichio novinho, colhido na horta do fundo da casa.
Cem quilômetros pra frente, já estamos em outra história. O que se vê são os Campos de Cima da Serra da tal Vacaria, que hoje poderia trocar de nome para Sojaria. O gado se foi, mas a tradição de criar cavalos crioulos fincou pé. Não tem monocultura que faça esses animais valentes saírem do coração dos gaúchos.
Na minha volta ao mundo brasileiro em cinco dias, nunca imaginei que fosse pernoitar em uma fazenda de criação desses seres simpáticos. Sempre gostei de cavalos. Aliás, o único animal pelo qual nutro uma genuína vontade de aproximação. Infelizmente os cachorros não sabem disso e insistem em me cheira e lamber. Se manquem, tá!
Amanheci na Capão do Índio, propriedade tradicional, que há 30 anos se especializou no plantel crioulo e já ganhou vários prêmios, e aguardei ansiosa a chegada de Olga, a professora que, em duas horas de cavalgada com direito a trote e também a um galopezinho, me proporcionou uma autêntica aula de equitação gaúcha. Que sempre começa com o vocabulário específico, é claro. Nada de arrear a égua. É encilhar. Nada de amansar o garanhão, que ninguém quer tirar a personalidade do bicho. Em Vacaria se doma. Ponto.
Raça valente, tenaz essa dos crioulos. Animais bom de lida e bom de trato, com suas cabeças curtas e um pouco mais de um metro de altura, de pelagem acastanhada. O trote é macio. O galope, audaz. As fêmeas geralmente ganham o nome de gurias. A minha era Gabriela. E Olga, a apaixonada amazona-advogada, que prefere cavalgar a elaborar petições iniciais, seguia me explicando tudo: da geografia à economia da região. Dos tipos de aves encontradas na propriedade a melhor maneira de aderir o bumbum à sela e desfrutar dessa parceria caprichosa:
cavalo-cavaleiro.
O vento gélido rasgava as narinas. O céu tinindo de azul se mesclava ao verde vasto lá no longe. Uma manhã de julho considerada quente para os nativos. Mas eu não sabia se minha mão doía de frio por apertar a rédea ou se era por estar vivendo aquela sensação fronteiriça de prazer e medo que somente as experiências lúdicas e inesquecíveis podem proporcionar.

(*) Jornalista e publicitária, escreve pelos cotovelos todos os domingos neste blog.
Brasília, 11h55min
ARTIGO
MARISTELLA ANSANELLI E GUSTAVO ARRUDA (*)
O Banco Central surpreendeu e optou por diminuir o ritmo de aperto monetário em julho. Segundo o comunicado divulgado após a reunião, a decisão foi tomada baseada na percepção “de redução de riscos para o cenário inflacionário”. O COPOM afirma que fatores internos e externos influenciaram a decisão. Entendemos que duas perguntas devem ser feitas: 1.) quais foram os fatores internos e externos que, na percepção do banco central, foram determinantes para a "redução do risco inflacionário?” e 2.) a mais importante delas: “esses fatores são conjunturais ou estruturais?”
Revisitando os dados disponíveis para economia brasileira até o momento, podemos observar que houve efetivamente certa acomodação do ritmo de crescimento no segundo trimestre. A produção industrial e o varejo, nos últimos meses, sinalizaram uma adequação do setor de duráveis ao fim da política de incentivos fiscais. Para o segundo semestre, no entanto, passado o período de ajuste de estoques, esperamos uma retomada generalizada do crescimento econômico nos diversos setores, configurando um risco ao processo de convergência da inflação à trajetória de metas.
Os preços ao consumidor, que sofreram importantes choques no primeiro trimestre do ano, mostraram desaceleração em junho e as coletas sugerem que esse movimento deve se estender pelo mês de julho. A dinâmica dos preços de serviços e a evolução dos núcleos, no entanto, não permitem maiores comemorações. Estes grupos não têm dado sinais de arrefecimento, o que sinaliza um quadro preocupante para o cenário prospectivo da inflação e também sugere uma ambiente desfavorável à convergência inflacionária. Os índices de preços ao consumidor, portanto, devem voltar a preocupar já nos próximos meses.
Neste contexto, e buscando entender a decisão da autoridade monetária, a percepção de um aumento da probabilidade de um cenário externo mais adverso nos parece a principal novidade na decisão de julho. Com os dados domésticos sinalizando movimentos de acomodação somente conjunturais, a percepção de maior fragilidade da economia mundial parece ter sido o fator determinante para a redução do ritmo nesse momento. Sendo assim, para as próximas reuniões, o balanço de riscos entre economia doméstica em expansão e economia mundial passível de surpresas negativas deverá determinar os próximos passos do ciclo de altas de juros.
(*) Economistas do Banco Fibra.
Brasília, 15h08
Em meio aos intensos debates sobre os rumos da taxa básica de juros (Selic) dentro do governo e no mercado, vale a pena ler, atentamente, o texto abaixo elaborado pelo Departamento Econômico do Bradesco, liderado por Octávio de Barros.
Os dados mais recentes na economia internacional e no Brasil indicam uma mudança de velocidade da atividade econômica e, igualmente importante, um aumento da incerteza sobre o crescimento no 2º semestre. Não estamos falando de crise, mas sim de uma redução, possivelmente por alguns trimestres, do ritmo de recuperação da economia global. Da mesma forma, a forte expansão doméstica da atividade no 1º trimestre cedeu lugar a um crescimento mais moderado recentemente, removendo parte do risco de que houvesse um sobreaquecimento no ciclo atual.
Sempre insistimos que não devemos dar peso excessivo aos dados de curto prazo pela sua natural volatilidade. Contudo, a sequência de dados mais fracos alcançou um período e um número razoável de indicadores para que se faça necessária uma mudança da leitura sobre a velocidade subjacente de expansão da economia. Na última semana, dados de emprego (Caged), vendas no varejo e vendas de imóveis continuaram a surpreender negativamente os analistas.
O próprio IBC-Br, indicador que reproduz o PIB, calculado pelo Banco Central, mostra acomodação em maio. Os dados preliminares de julho ainda contrariam a expectativa de retorno a uma trajetória de forte expansão. Essas novas informações têm duas implicações: (1) faz-se necessária alguma revisão para baixo da estimativa sobre a velocidade de expansão subjacente do PIB; (2) há um claro aumento da incerteza sobre o cenário prospectivo.
A experiência internacional de bancos centrais, assim como a teoria econômica, mostra que quando há aumento da incerteza, a política monetária caminha mais devagar, ainda que mantenha a direção. Por esses motivos, acreditamos que o Copom seguirá esse procedimento frente ao conjunto de novas informações que indicam um crescimento firme, mas com riscos de sobreaquecimento substancialmente mais baixos, reduzindo o ritmo para 50 pontos nesta semana. Isto levaria a Selic para 10,75% e não 11% como o esperado anteriormente.
Apesar da redução do risco de crise na Europa, o conjunto das últimas informações aponta para um crescimento mais lento da economia mundial. A constituição do Fundo Europeu de Estabilização Financeira foi efi caz para possibilitar que os países com dificuldades fiscais na região voltassem a acessar em condições mais favoráveis os mercados privados de captação. A Espanha, em particular, conseguiu passar pela concentração crítica de vencimento de dívida em julho. As simulações disponíveis até o momento para o cenário de estresse que está sendo conduzido para os bancos na Europa apontam para uma necessidade máxima de capitalização de cerca de 80 bilhões de euros, grande parte para os bancos regionais alemães e para as caixas espanholas.
A Alemanha enfrenta uma situação fiscal confortável, que permite ao país enfrentar com tranquilidade a necessidade de capitalização. Ainda que com um pouco mais de difi culdade, a avaliação é de que a necessidade de capitalização será administrável também nos outros países. Ainda que o risco de uma crise propriamente dita tenha diminuído no período recente, a necessidade de aperto da política fi scal e outros eventos indicam crescimento mais lento da economia mundial.
A combinação das turbulências na Europa com a reversão de políticas de estímulo em diversos países, notadamente na China, levou a um esfriamento sincronizado da atividade global no 2º trimestre do ano. No caso de EUA e Europa, deveremos observar um crescimento próximo ou ligeiramente abaixo do potencial no 2º semestre, resultado em desacordo com o comportamento pós-recessão que é geralmente observado (expansão bem superior à potencial). As políticas de aperto do setor imobiliário e do investimento na China provocaram uma redução mais rápida do crescimento naquele país.
Estima-se que a expansão do PIB tenha passado de cerca de 11,5% nos últimos trimestres para algo estimado entre 7,5% a 8% no 2º trimestre (variação na margem em termos anualizados – não há dados oficiais dessazonalizados, por isso o intervalo). Naturalmente, existem oscilações normais no PIB, mas o fato de que as medidas restritivas das autoridades chinesas sobre o setor imobiliário e sobre o investimento em geral ainda não surtiram todo seu efeito e de que há indicadores apontando para aumento dos estoques na indústria implica em continuidade da acomodação da produção industrial no 3º trimestre e, possivelmente, também depois disso.
A acomodação do crescimento mundial é, a nosso ver, benigna para o cenário de infl ação brasileiro, uma vez que implicaria em preços de commodities em reais mais baixos (especialmente de insumos para a indústria), em alguma perda de dinamismo das exportações e também em um crescimento um pouco abaixo do que se esperava da demanda doméstica. Ainda que seja praticamente impossível quantifi car os efeitos indiretos sobre a demanda doméstica, é razoável considerar que há reflexos sobre a intenção de investimento, sobre o ingresso de investimentos estrangeiros diretos e sobre a confi ança dos agentes. De todo modo, consideramos que tais efeitos seriam relativamente modestos para a economia brasileira.
Em nossa visão, a informação mais relevante desde a última reunião do Copom é que presenciamos uma desaceleração maior do que aquela que era amplamente esperada na atividade doméstica. Essa maior desaceleração foi concentrada na demanda das famílias (vendas no varejo, vendas de automóveis novos e, em muito menor medida, também no setor imobiliário) e também se mostrou presente na produção industrial. Isto não implica em inversão da tendência de crescimento sólido, mas é forçoso reconhecer que as novas informações reduzem o excesso de expansão em relação ao crescimento potencial que se enxergava anteriormente.
Depois de um crescimento muito elevado no 1º trimestre, os indicadores de atividade mostraram desaceleração relevante. Uma acomodação do ritmo de expansão da atividade era amplamente esperada e seria um evento normal, assim como foi observado em outros ciclos de expansão. A partir de junho e com base nos dados preliminares de julho, a interpretação de uma acomodação temporária
dentro de um ciclo de forte expansão passou a ser questionada.
As hipóteses para explicar essa desaceleração acima do esperado eram: (1) desaquecimento das vendas após a antecipação de consumo por conta da remoção das isenções de impostos; (2) algumas famílias poderiam ter atingido o seu limite de endividamento; (3) no caso das vendas mais fracas de veículos, poderia estar havendo substituição da compra de veículos por imóveis. Os últimos dados disponíveis para o setor imobiliário (apenas para o município de São Paulo) apontaram também para um desaquecimento no 2º trimestre, tornando pouco provável a terceira hipótese.
Além disso, estimamos que as vendas de imóveis poderiam estar substituindo apenas cerca de 5% das vendas de veículos, nível insufi ciente para explicar o movimento recente das fracas vendas de automóveis. Mais importante, mesmo se houvesse uma substituição do lado da demanda em direção ao setor imobiliário, isto seria positivo para a produção industrial e para o PIB, ao contrário do observado.
A primeira hipótese nos parece ser a mais provável, ainda que não seja perfeitamente compatível com alguns fatos. Por exemplo, a hipótese de que o fi m dos benefícios tributários distorceu o consumo implicaria em substituição entre os bens de consumo, mas no começo do ano todos os segmentos do varejo mostraram crescimento forte. Além dessa hipótese, devemos reconhecer que o forte aumento do salário mínimo no início do ano difi cultou a leitura sobre a velocidade subjacente da demanda final e que o “efeito Copa” também difi culta a leitura dos dados mais recentes.
O setor automobilístico tem, em especial, mostrado um desempenho aquém do esperado. As vendas finais estão abaixo do patamar registrado no 1º semestre de 2008 e sem mostrar sinal de reversão na margem. Mais importante, a produção do setor ainda não foi ajustada às vendas mais baixas, o que nos leva a esperar uma queda da produção em julho e, provavelmente, crescimento moderado da produção no 3º trimestre.
No cenário de inflação, esperamos que o arrefecimento dos preços dos alimentos e outros eventos sazonais levem o IPCA a permanecer abaixo de 0,10% em julho. Vale destacar o fato de que os núcleos em termos dessazonalizados também mostraram alguma desaceleração no 2º trimestre, ainda que permaneçam acima de 4,5% em termos anualizados. Chama atenção o fato de que a cadeia de veículos não repassou a pressão dos preços do aço, tendo em vista o arrefecimento da demanda.
Ainda que os preços dos alimentos nos mercados internacionais tenham mostrado alta relevante nas últimas semanas, o cenário de desaceleração da economia mundial, em especial da suavização do crescimento da China, implica em menor pressão para os preços na cadeia industrial. Frente a esse conjunto de informações, a pergunta com a qual temos nos deparado, portanto, é se os últimos indicadores não seriam uma “pista falsa”.
A criação de empregos, o aumento de renda, a disponibilidade de crédito e os gastos fi scais seguem sendo fatores de estímulo. A taxa de desemprego e o nível de utilização da capacidade na indústria permanecem mostrando que existe pressão sobre a utilização de recursos na economia. Contudo, os últimos dados indicam que, mesmo com esses fatores presentes, a trajetória subjacente de expansão do PIB é inferior àquela sugerida pelos resultados do 1º trimestre e pode estar um pouco menos distante do crescimento potencial. Assim, é forçoso reconhecer que houve um aumento significativo da incerteza sobre o cenário prospectivo, tanto no que diz respeito à economia internacional quanto ao comportamento da demanda doméstica.
Os formuladores de política monetária costumam dizer que pilotar a política monetária é parecido com dirigir um carro na estrada. Não dá para ficar olhando no retrovisor, é verdade. Mas com chuva e neblina, é prudente continuar a viagem mais devagar. Nesse contexto, acreditamos que o Copom reduzirá o ritmo de aperto da política monetária para que se possa acumular novas informações que poderão contribuir para reduzir a incerteza atual. Vale notar que o ritmo de 50 pontos corresponderia a um ritmo “normal” observado nos últimos ciclos de aperto.
Além disso, um aumento de 50 pontos manteria a margem de manobra para a política monetária e continuaria a indicar disposição em tornar a velocidade de expansão da economia compatível com a ausência de pressões infl acionárias. Por último, após elevar a Selic para 10,25% na última reunião, o Banco Central está um pouco mais próximo do juro neutro, o que também justifi caria uma redução do ritmo. O ciclo total, ainda que cercado de maior incerteza, poderá ficar, assim, abaixo dos 12% com o qual trabalhávamos anteriormente.
Brasília, 18h32min
Às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), o presidente Lula pediu ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, e ao presidente do BC, Henrique Meirelles, que tenham "calma" no debate público que os dois vêm travando sobre os rumos da taxa básica de juros (Selic).
Desde que voltou de férias, há pouco mais de uma semana, Mantega vem soltando os cachorros sobre o BC contra a elevação dos juros na quarta-feira. O ministro alega que o Copom pode até dar mais "uma pauladinha" nos juros para satisfazer o mercado. Mas deve indicar que o arrocho monetário acabou, pois os riscos inflacionários se dissiparam e o ritmo de crescimento da economia diminuiu consideravelmente.
Meirelles, por sua vez, vem difundido a visão de que tem todo o apoio de Lula "para fazer o que for necessário" para manter a inflação dentro das metas. Assessores do presidente do BC dizem que o presidente da República reconhece, sempre que possível, o "trabalho excepcional" feito pelo BC durante a crise mundial e no controle dos preços. Alegam ainda que Lula não quer ver a inflação subindo ao longo da campanha presidencial, pois conta com os votos dos mais pobres -- os que mais o apóiam -- para eleger a petista Dilma Rousseff como a sua sucessora.
Brasília, 12h55min
CRÔNICA
LUCIANA ASSUNÇÃO (*)
DEGUSTAR É PRECISO
lulupisces@gmail.com
“Nosso cérebro não cria aromas.
O que existe é a memória olfativa do que a gente já experimentou”.
(Jhonatan Marini, enólogo da Casa Valduga)
Fascinante desvendar um Brasil que a gente não sabe que existe. A epopeia italiana de verdade, e não aquela máscara apresentada em novelas das oito. Rota das Vinícolas, Caminhos de Pedra, Vale dos Vinhedos. Bem podia se chamar Alameda da Gentileza ou Travessia da Cordialidade. Porque daquele estereótipo rude e espalhafatoso impingido aos italianos, nessas bandas não se vê rastro.
A simpatia e o bem atender não parecem ser truques lucrativos de marketing, mas um modo de ser e de estar da jovial e graciosa população das cidadezinhas que formam o circuito de uvas e vinhos do Rio Grande do Sul. Bento Gonçalves, Garibaldi, Pedro Bandeira, Carlos Barbosa, Farroupilha...
O vinho aqui é soberano. Por isso, o garçom me lançou um olhar consternado quando pedi uma coca-cola zero. Quando percebi, já era tarde demais para reparar tamanha indelicadeza. No Vale dos Vinhedos, ou você incorpora o ‘mondovino’ ou perde a chance de se sentir na mais italiana das regiões brasileiras.
Ballochio, Uberti, Tombini, Bassanesi, Cadore, Soprano, Scapinelli, Mansan, Damiani, Titton, Vêneto, Muraro, Tonello, Zanotto, Andreazza, Machiotto, Bertelli, Facchini, Menegotto, Pellin, Vicenzi, Grendene, Catani, Rossoni, Bernardi, Perine, Valduga, Vettura, Ciconetto, Guazelli, Canello, Mussato, Susin, Angeretti, Valduga, Salton, Variani, , Giacomelli, Tramontina, Ferrarezi, Giordani, Ferrari, Ziliotto, Viali, Polesso, Volpato, Pavan, Zurlo, Gonzatto...
Nas pracinhas tomadas pelos habitantes curtindo o sol de inverno, não deve existir um sequer que não carregue sobrenome italiano. Eles estão estampados em todos os tipos de atividades comerciais. Só não vi motel batizado à moda da Colônia. Também pudera, seria uma vero heresia para povo tão pio. Cada casa, um santinho. Cada curva, um oratório.
Nas fruteiras, lancherias, cruzando os arroios...É Itália para todo lado. Respira-se e bebe-se os mais diversos aromas do que há de melhor na produção de vinhos, espumantes e sucos de uva. Sem falar nas geleias de sabor gourmet. Deitar os olhos nos parreirais que sobem e descem o vale; nas árvores de plátano – a mesma que produz o xarope de maple e cuja folha é símbolo do Canadá; degustar todas as cores da bebida de Baco produzida em pequenas reservas ou em escala industrial. Tudo é novidade para uma garota do Goiás enturmada apenas com o cultivo de arroz, milho e feijão.
Mesmo para quem não pretende ser enólogo ou se tornar um enochato, a experiência de conhecer a linha de produção do vinho, acompanhada de um curso de degustação, é imperdível. Jamais imaginei usar adjetivos como rústico e enigmático para algo que estivesse bebendo, mas fiz, intuitivamente, sem afetação. E o simpático professor sinalizou que eu estava quase chegando lá.
Você sabia que o cogumelo é um aroma mineral? Coisas do deus Dionísio. Também aprendi que o vinho deve passear por toda língua antes de ser ingerido. Assim, a bebida é sentida pelas papilas ácidas da lateral, salgadas do meio, doces da ponta e amargas do fundo, já lá perto da garganta. De fato, faz diferença. Até eu que não bebo, bebi. Degustei tantos exemplares que bati o meu pífio recorde. De golinho em golinho devo ter alcançado uns 1.500 mililitros.
Cor violácea apresentam os vinhos jovens. Os mais maduros ganham tons granada-alaranjados. Há aromas que remetem a pão tostado. Outros vinhos podem lhe recordar um pimentão verde. Resumindo, é um universo totalmente subjetivo, sutil e volátil. O que vale é penetrar e se divertir.
Só é preciso cuidar para não pagar excesso de bagagem no aeroporto. Afinal, depois de tanta provação, fica irresistível não praticar em casa as lições absorvidas na sala de degustação.


(*) Jornalista e publicitária, escreve pelos cotovelos todos os domingos neste blog.
Brasília, 11h15min
ARTIGO
MARISTELLA ANSANELLI E GUSTAVO ARRUDA (*)
O Banco Central deve dar continuidade ao processo de ajuste da taxa básica de juros na próxima semana visando assegurar a convergência da inflação à meta. Apesar dos dados correntes de atividade indicarem uma desaceleração do ritmo de crescimento da economia e os dados de inflação sugerirem que o mês de julho ainda deve mostrar índices de preços bem comportados, acreditamos que a evolução da economia no segundo semestre tenderá a pressionar o cenário prospectivo para a inflação.
O segundo trimestre foi marcado por uma desaceleração no crescimento da economia brasileira. Números preliminares indicam uma alta de cerca de 0,8% do PIB no segundo trimestre, taxa bem inferior aos 2,7% anteriores. Esse movimento já era esperado, em resposta ao fim dos incentivos fiscais. O setor de bens duráveis, por exemplo, ainda procura adequar seu nível de produção e estoque a uma demanda menos pujante. Para o restante do ano, no entanto, esperamos uma retomada do crescimento desses setores.
A despeito destes resultados, que consideramos conjunturais, os investimentos e setor de serviços não sinalizaram mudança significativa nos últimos meses, e prometem ser importantes para determinar a dinâmica da economia brasileira a partir do trimestre que se inicia. Como publicamos recentemente, acreditamos que o crescimento acelerado da demanda domestica e a limitação de mão-de-obra disponível devem causar desconforto para a dinâmica de preços do segundo semestre.
Sendo assim, apesar da seqüência de dados positivos para dinâmica inflacionária no curto prazo, acreditamos que o Comitê de Política Monetária (COPOM) deva seguir com o processo de ajuste da taxa básica de juros, implementando mais uma alta de 0,75 ponto percentual em julho. Com relação ao restante do ciclo de aperto monetário, os dados recentes elevaram as incertezas quanto a magnitude do ciclo a ser implementado no curto prazo. Não deve ser desprezado, ainda, o risco de surpresas negativas no tocante ao crescimento mundial, em especial EUA e China, que pode ter papel importante para ajudar na convergência da inflação à meta no ano de 2011 e, portanto, afetar as próximas decisões de política monetária.
(*) Economistas do Banco Fibra.
Brasília, 23h52min
O Conselho Nacional de Justiça determinou a substituição imediata de 5.561 titulares (donos) de cartórios por concursados, conforme exige a Constituição.
Em janeiro, o órgão havia constatado a existência de 7.828 cartórios em situação irregular. Foi dado um prazo, mas a grande maioria não se ajustou às leis. Segundo o CNJ, 470 cartórios se recusam a substituir seus titulares e recorreram a liminares.
As investigações do CNJ mapearam 153 cartórios fantasmas. As piores situações foram encontradas no Paraná, Pernambuco, Acre e Amazonas.
Brasília, 17h50min
CRÔNICA
LUCIANA ASSUNÇÃO (*)
lulupisces@gmail.com
RASCANTE
“...Não se apresse não, que nada é pra já.
Amores serão sempre amáveis...”
(Chico Buarque)
Às sete amanhece no Vale dos Vinhedos. Sinto nessa frase o potencial para um romance. “Olhai os lírios do campo”, “Floradas na Serra”, “Orgulho e Preconceito”... Pelo menos pronta para pegar uma tuberculose eu já estou, aqui fora, escrevendo em pé imersa em uma sensação térmica de grau negativo. Os dedos enrijecidos truncam o pensamento.
Os arruaceiros quero-queros parecem ser os únicos acordados comigo. Então adentro o parreiral ressequido. É inverno. Tempo de refletir, não de “bloomir”. E sem que me dê conta, me transponho para um campo de concentração. Que nebulosas associações mentais uniram a bela vinícola à funesta comparação...
Os primeiros empregados do lugar chegam para mais uma jornada. Faz diferença trabalhar nesse recanto especial ou logo se enjoa e nem se liga? A solidão do nazismo volta à carga. A trama irregular dos fios de arame, os galhos retorcidos das videiras secas. Sou um deles suplicando salvação. Mas não há remédio. O ciclo de vida e morte é imperativo. Às vezes natural; outros, brut.
Grandes galpões estão aqui do lado. Suas chaminés fumegam e o barulho constante de forno que cumpre sua função ecoa. No entanto, é apenas a fábrica produzindo seu vinho de renome. Casa Valduga. Nas caves, pilhas de garrafas sem rótulo, não de corpos sem rosto.
E minha memória-documento prega sua peça me transportando para as câmaras de gás de Auschwitz. Talvez porque a região seja profundamente europeia em sua aparência. Talvez porque eu seja lúgubre de nascença. Porém, não há espaço para tristeza. Paira somente a agridoce poesia do dia que acorda.
Austeras paredes de tijolos, quartos de hóspedes quase vazios. A crueza das edificações de pedra rivaliza com as araucárias na busca por atenção. O vale é lindo e desperta devagar. Só os quero-queros e eu testemunhamos as saudações matinais das árvores.
(*) Jornalista e publicitária, escreve pelos cotovelos todos os domingos neste blog.
Brasília, 10h10min
As informações são do repórter Luciano Pires, do Correio Braziliense:
O ministro Guido Mantega voltou de férias disposto a partir para cima do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.. Mantega não esconde a insatisfação com os últimos movimentos da cúpula da autoridade monetária, que há várias semanas desqualifica seu discurso sobre os rumos da inflação. Para o ministro, a alta dos preços nos primeiros meses do ano era esperada, assim como seu arrefecimento motivado pela queda dos itens alimentícios. O BC discorda da análise, ao mesmo tempo em que manda recados cada vez mais claros de que a política de elevação da Selic continuará.
Além das divergências com a Fazenda em relação ao comportamento dos preços, o presidente do BC também tem criticado bastante os efeitos dos créditos direcionados — aqueles com taxas subsidiadas — oferecidos principalmente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). De acordo com Meirelles, tais mecanismos acabam obrigando o BC a elevar a taxa básica de juros, hoje em 10,25% ao ano.
A próxima reunião do Comitê de Polícia Monetária (Copom) acontecerá neste mês. Pelas previsões do mercado, os juros vão subir 0,75 ponto percentual e alcançar 11% ao ano.
Brasília, 20h25min
ARTIGO
MARISTELLA ANSANELLI E GUSTAVO ARRUDA (*)
A estabilidade do índice oficial de inflação no mês de junho trouxe ótima notícia para a economia brasileira. Seria o grande vilão do primeiro semestre o candidato a herói a partir de agora? Os dados sugerem que não. Ainda esperamos algum reflexo da desaceleração dos preços de gêneros alimentícios na inflação de julho, entretanto, não acreditamos na manutenção desse cenário benigno para o restante do ano. Os maiores riscos para o cenário prospectivo seguem concentrados na preocupante inflação de serviços, que tende a não ser impactada pelos dados de curto prazo.
A abertura dos dados do IBGE apresenta um quadro, à primeira vista, otimista do cenário inflacionário, com desaceleração até mesmo dos núcleos. Entretanto, um olhar mais atento deve creditar aos gêneros alimentícios quase que a totalidade dos méritos pela estabilidade da inflação em junho. Importante destacar que a deflação no grupo alimentos não foi uma exclusividade brasileira, países como Turquia, México e Índia, companheiros na alta de preços deste grupo no início do ano, já observavam deflação desde abril.
Por outro lado, os determinantes da inflação de serviços parecem trazer cada vez mais riscos à tendência inflacionária. Enquanto o IBGE apontou para estabilidade do índice geral, os itens relacionados ao setor de serviços continuaram mostrando inflação anualizada acima do centro da meta. Nos últimos doze meses o grupo observou elevação de preços de 6,82%, e seus determinantes sugerem novas pressões à frente, vindas principalmente do mercado de trabalho.
Sendo assim, acreditamos que o resultado de junho não deve ser tomado como uma tendência, assim como os números em torno de 0,8% no inicio do ano não o foram. Análises a propósito da tendência inflacionária devem levar em conta os núcleos, em especial o de serviços, por ser esse determinado principalmente por salários e expectativa de inflação. Desta forma, apesar dos dados no curto prazo sugerirem um refresco das pressões inflacionárias, o crescimento forte da economia e a limitação de mão-de-obra disponível devem causar desconforto para a dinâmica de preços do segundo semestre.
(*) Economistas do Banco Fibra.
Brasília, 20h57min
O coordenador do Centro de Estudo em Finanças da FGV-EAESP, William Eid Junior, está convencido de que a inflação não será problemas nos próximos meses, um alívio para o Banco Central, que vinha temendo a possibilidade de o superaquecimento da economia resultar em descontrole dos preços.
Segundo o economista, a queda significativa dos preços de alimentos e a mudança de hábitos de consumo por conta da Copa do Mundo garantiram a estabilidade do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou junho com variação zero, o melhor resultado em quatro anos. "Também influenciaram na estabilidade do índice a perspectiva de alta nas taxas de juros, que inibe o consumo; a estagnação na oferta de crédito; e a as boas safras agrícolas, que resultaram na queda dos preços dos alimentos", diz Eid.
Na opinião do professor o IPCA deverá continuar estável nos próximos meses em função dos juros e de uma possível pressão cambial. "Para quem quer investir, a recomendação é manter o controle do orçamento e gerar reservas futuras. Não interessa o cenário. O importante é resistir à euforia do consumismo", destaca. Para aqueles que dispõem de menos capital para investir, a indicação de Eid é aplicar em caderneta de poupança, fundos DI e fundos de renda fixa. Para o investidor que pode aplicar quantias maiores e aguardar o retorno após alguns meses ou anos, o professor sugere o mercado de ações. "Procure um bom fundo de ações. Mas isso é para o longo prazo”, alerta.
Brasília, 17h20min
A DASA, maior empresa de medicina diagnóstica na América Latina e quarta no mundo, entrou, pela primeira vez, no ranking das 100 Maiores Empresas de Capital Aberto e dos 200 Melhores e Maiores Grupos no Brasil publicado pela revista Exame em conjunto com o anuário 500 Melhores e Maiores Empresas, no qual a companhia cresceu 100 posições em 2009 ante 2008. No Distrito Federal, os laboratórios Exame e Pasteur fazem parte do grupo DASA.
Na avaliação de Marcelo Noll Barboza, presidente da DASA, tais premiações reafirmam o sucesso da companhia no mercado brasileiro de serviços médicos. “A empresa cresceu expressivamente em 2009 conquistando sólidos resultados financeiros”, diz. “Conquistamos maior gestão do nosso portfólio de unidades e produtos, migramos a produção de análises clínicas, modificamos os preços sem alterações significativas para as fontes pagadoras e otimizamos as negociações com fornecedores”, complementa.
Segundo o executivo, a DASA continuará trabalhando para conquistas melhores posições nos próximos anuários. “O reconhecimento da companhia favorece nossos colaboradores, clientes, pagadores e também o mercado de saúde brasileiro como um todo”, acrescenta.
Brasília, 17h03min
ARTIGO
EDUARDO VELHO (*)
A inflação cheia de junho medida pelo IPCA de 0% ante uma alta de 0,43% em maio, de uma certa forma não surpreendeu, pois se esperava uma inflação ao consumidor significativamente reduzida. Esse movimento já havia sido detectado pelo IPC-S e pelo IPC-Fipe. A mediana esperada pelos analistas do mercado era de 0,11%, com um piso de 0,05% e um limite superior de 0,18%.
A surpresa, e de forma muito positiva, foi a desaceleração dos núcleos de inflação, de uma forma generaliza e com taxas abaixo das previsões: (i) o núcleo por média aparada com suavização recuou de 0,62% em maio para 0,40% em junho, enquanto o indicador sem suavização passou de 0,53% para 0,26%; (ii) na mesma comparação, o núcleo por exclusão dos alimentos e administrados caiu de 0,61% para 0,4% enquanto, o de dupla ponderação registrou uma queda acentuada, de 0,57% para 0,29%. A média dos núcleo caiu de 0,58% em maio (7,2% em termos anualizados) para 0,34% em junho (4,2% ao ano.), ou seja, abaixo da meta.
A desaceleração do núcleo do IPCA provocou a devolução de prêmios na curva curta, ou seja, redução das taxas de juros nos contratos curtos, como, por exemplo, de outubro deste ano e também do DI de janeiro de 2011. Outro impacto que será observado nas próximas pesquisas de mercado estará vinculado à revisão para baixo do IPCA de 2010.
Nos recentes documentos do Banco Central, na ata do Copom de junho e no relatório trimestral, a autoridade monetária alertava de forma implícita sobre os riscos de avaliar o contexto corrente para concluir a direção da política monetária nos próximos meses. É fato que nos parágrafos 20, 21 e 22 da última ata, o BC afirma que: “...a análise de decisões alternativas de política monetária deve se concentrar, necessariamente, no cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar valores correntes e passados para essa variável...”. "Para o Copom, os riscos para a consolidação de um cenário inflacionário benigno se circunscrevem essencialmente ao âmbito interno...”
Nossa avaliação, com base nesse parágrafo 20 da ata, reforçaria o argumento de que a queda acentuada do grupo alimentação e dos IPCs a partir da segunda quinzena de maio, mas com maior intensidade em junho, não deveria ser considerado como fator preponderante na próxima decisão do Copom e, sim , o cenário prospectivo, que leva em conta o potencial de repasse do crescimento econômico interno (e não o fator externo) e IGPs muito elevados para os IPCs no segundo semestre.
Outros pontos relevantes a serem observados nas próximas sete semanas, antes do Copom de agosto, serão os números de atividade econômica, sobretudo do mercado de trabalho, com sua influência direta nos custos das empresas e, portanto, na formação dos preços e das conas públicas. Deve-se lembrar que no parágrafo 19 da ata de junho, o BC afirmou que “..O Copom entende que os indicadores divulgados desde a última reunião reforçam a percepção de existência de pressões sobre o mercado de fatores....” e “....risco de repasse de pressões de alta de custos para os preços no atacado e destes para os preços ao consumidor..”.
Mantemos a avaliação que o BC deverá concentrar o ajuste da política monetária no curto prazo, ou seja, em 2010. A estratégia mais eficiente é garantir a convergência da inflação plena de 2001, até o final do terceiro trimestre. Em princípio, essa desaceleração mais acentuada dos núcleos abre espaço para recuo dos prêmios na curva de juros, inclusive na curta também, como por exemplo nos contratos do DI de outubro de 2010 e de janeiro de 2011. Também reforça o leque da discussão em torno de uma moderação potencial no ritmo de alta da Selic em agosto/setembro, e até mesmo uma posterior interrupção do ciclo a partir de novembro. Sobre isso, devemos fazer as seguintes considerações:
(i) O BC não deverá reduzir o ritmo da alta dos juros na reunião de julho, elevando de 10,25% para 11%. Para agosto/setembro, mantemos a avaliação de que o cenário de maior probabilidade é de elevação no mesmo ritmo , de 0,75 ponto percentual;
(ii) A demanda no varejo foi afetada pela presença do fator “Copa do Mundo” teria reduzido a demanda por bens consumo duráveis, como automóveis e alimentos no comércio, além é claro, que uma boa parcela de consumidores teria realizado esse movimento mesmo nos jogos com outras seleções. Essa parcela de “demanda oculta” retornaria em julho , mas claro é que o efeito predominante foi a queda da inflação dos produtos alimentícios.
(iii) Nos índices de preços ao consumidor de julho, ocorrerão impactos dos reajustes já determinados no setor de Transportes e de energia elétrica, além do retorno da inflação do grupo alimentação. O impacto do repasse do canal da atividade sobre os preços futuros ainda carrega uma dose de incerteza, em particular em ano eleitoral;
(iv) A queda dos indicadores de núcleo em junho deve ser observada com certa cautela,pois de uma certa forma, o indicador ainda carrega uma dose de volatilidade, como pode ser constatado na série mensal. Em suma, devemos aguardar os números preliminares da inflação de julho para constatar se esse núcleo abaixo de 0,4% e mais próximo de 0,3% tem maior consistência, ou seja, é de fato uma tendência. Para citar um exemplo, o núcleo por médias aparadas com suavização se manteve entre 0,25% e 0,39% durante junho e novembro de 2009. Por ser um indicador que reflete a tendência dos preços no médio prazo, em princípio, esse movimento deveria indicar um inflação mais moderada em 2010, sobretudo no primeiro semestre, mas isso não ocorreu;
(v) Por isso, a nossa avaliação é de que o BC precisará “vizualizar” a consistência da estabilização do núcleo em patamar mais baixo, inferior a 0,4% ao mês. Como a reunião do Copom no final de agosto/setembro ainda está distante, a autoridade monetária tem ‘tempo disponível” para analisar os próximos resultados: o IPCA-15 de julho e agosto e o IPCA de julho. Será importante também uma revisão para baixo da mediana das expectativas do IPCA de 2011, atualmente na casa de 4,8%. Em suma, o BC poderá usar a Ata de julho para sinalizar uma moderação no ritmo de alta da Selic ainda no terceiro trimestre, mas isso ainda é uma incógnita.
(*) Economista-chefe da Prosper Corretora
Brasília, 13h05min
ARTIGO
CARLOS FRANCO (*)
Lembra aquela lista de amigos a qual recorremos quando queremos chamar para uma festa de formatura, casamento, aniversário ou batizado? Ela virou dinheiro, se monetizou como gostam de classificar economistas, e estão se tornando um canal de comunicação para empresas num mundo em busca de resultados rápidos e recursos menores para fazer propagar uma informação. Nada a ver com a valorização de marcas.
Os dias que correm nas agências de publicidade são outros: um diretor comercial e de marketing forçados a cumprir uma meta de vendas de um lado e uma agência empurrada a oferecer resultados de outro. O que vai acontecer com a marca são outros quinhentos. Ou melhor, depois de cansadas de guerra, serão entregues à agências mais capazes de dar consistência ao que se fragmentou a exemplo de AlmapBBDO, DPZ, F/Nazca, NeogamaBBH, Ogilvy, JWT, Talent, W-McCann-Erickson, Y&R e Leo,Burnett, entre outras.
Mas no mundo do fast-food e do fast-sexo, o que está em voga é o imeadiatismo. É nesse mundo que entra o fabuloso mailling. Até porque mesmo o mais simples cidadão divide a sua listinha entre aqueles que têm poder aquisitivo e os que são mais ou menos apesar do afeto que as relações - o chamado network - podem gerar. É por este critério da renda que, na maioria dos casos, escolhemos padrinhos de casamento ou batismo. Por esse mesmo motivo, convidamos aquele que pode não ser o cara para a festa de aniversário, mas o cara que sempre dá um belo e bom presente, isto é, caro.
É essa lista o alvo de muitas agências e várias a transformam em dinheiro para seus clientes, ainda que imediato. Afinal, se mandamos uma carta oferecendo pente para quem sabemos que é louco por pente, as chances de venda são infinitamente maiores. O mailling tem esse poder. Por isso, empresas de diferentes setores o vendem e ele é tão importante. O mesmo vale para nossa agenda pessoal na qual temos um dentista para uma emergência, um amigo a quem recorrer para ser fiador ou doador de crédito ou aquela pessoa que trabalha no serviço público ou num hospital e possa nos desembaraçar em casos de urgentes necessidades.
A operadora de telefonia Oi, por exemplo, lançou o Oi Pago, com os qual seus clientes poderão fazer compras em estabelecimento credenciados por meio de seu celular - basta o número e uma senha. Aproveita assim, o seu mailling, os cadastros dos clientes e oferece um serviço a mais. Em retribuição, fideliza esses clientes. Segue o exemplo daqueles que com seu mailling organizam festas e as vendem para empresas. Foi conhecendo a noite, seus frequentadores e o poder aquisitivo de cada um que José Victor Oliva fez do seu Banco de Eventos referência no mercado assim como são badaladas as festas da Casa Fasano by Andrea Fasano.
Outros têm lista mais Big Brother Brasil como Alicinha Cavalcanti. Mas, todos têm algo em comum: a agenda. Portanto, cuide bem da sua, ela pode valer uma fortuna quando uma empresa quiser falar com a sua tribo, ou melhor, a sua vibe como preferem os publicitários. Essa mania aculturada de emprestar com inglês um certo glamour à velha e boa agenda, aquele mailling dos assessores de imprensa. A roda da publicidade muitas vezes anda para trás para poder seguir em frente. Faz parte desse mercado: sempre nu no parque para pensar em como vender roupas ao próximo. Tem até quem leve a brncadeira a sério na tentativa de obter da experiência (desculpe: experience é a palavra dessa vibe) algumas lições como a suavidade da pele e sua perfeita sintonia com as roupas. Tudo absolutante "taylor made", feito sob medida, como deve ser. Nada de novo, portanto, no Quartel dos Abrantes. Só palavras. Palavras desnudas.
(*) Jornalista.
Brasília, 17h25min
ARTIGO
DARWIN DIB (*)
O senso comum considera o Vento de Popa o melhor. Ledo engano. Na realidade, era o melhor para as antigas caravelas. Nos veleiros modernos vai depender da construção, mas quase sempre o vento lateral, quase frontal, funciona melhor. De forma similar, o relativamente bom desempenho do saldo comercial deste ano decorre de uma espécie de Vento de Popa.
O saldo tem vindo bom, porém empurrado por excepcionalmente elevados termos de troca com o exterior, inflados por uma fraca recuperação dos preços da pauta importada. Como a economia brasileira deixou de ser uma caravela, este vento que empurra o nosso saldo não é exatamente o ideal, porém funciona. A notável dinâmica dos termos de troca se refletiu nos valores da balança comercial do segundo trimestre deste ano e do ano-calendário, levando-nos a elevar a projeção de saldo comercial para 2010.
O saldo comercial de junho veio pouco menor do que sugeria a média diária até a terceira semana. Os últimos oito dias úteis foram responsáveis por mais US$ 0,5 bilhão de saldo positivo, permitindo que o mês fechasse com superávit de US$ 2,3 bilhões (exportação, US$ 17,1 bilhões, e importação, US$ 14,8 bilhões). No entanto, o que torna mais relevante o resultado de junho é que este encerra o desempenho do comércio exterior do segundo trimestre, permitindo uma reavaliação mais substancial das perspectivas para o ano. Assim, o saldo acumulado no segundoi trimestre de 2010 fechou com superávit de US$ 7,0 bilhões, elevando o acumulado do ano para US$ 7,9 bilhões.
Apesar da aquecida absorção doméstica, a diferença entre os ritmos de expansão das exportações e importações do segundo trimestre permaneceu similar àquela registrada no primeiro. No segundo trimestre, a média diária sazonalmente ajustada das exportações cresceu 7,7% contra 10,1% das importações; no primeiro trimestre essa relação foi de 12,4% e 14,4%, respectivamente. A capacidade do nosso comércio exterior de manter a estabilidade na diferença entre os ritmos de crescimento das exportações e importações deve-se à incomum dinâmica dos termos de troca com o exterior.
Vejam que os dados parciais do segundo trimestre (abril e maio) consolidaram uma tendência de forte elevação dos termos de troca, que ultrapassa em mais de 5% o pico do período pré-crise do terceiro trimestre de 2008. Notem, também, que essa privilegiada situação ocorre apesar de os preços da pauta exportada estarem ainda 10% abaixo do melhor momento do pré-crise (terceiro trimestre de 2008). A razão disso é evidente: os preços da pauta importada estão ainda mais baixos, com recuo de 14% na mesma comparação. Assim, o segundo trimestre consolidou uma inusitada tendência de abertura nas trajetórias de recuperação da pauta exportada e importada, permitindo um excepcional patamar nos termos de troca. Os bons resultados do saldo comercial acumulados no primeiro semestre de 2010 são reflexo deste fato.
Essa conclusão torna-se evidente ao observarmos a trajetória do quantum do comércio exterior sazonalmente ajustado. Observem que, enquanto a recuperação dos preços da pauta exportada corre na frente das importações, quando o assunto é o volume físico das transações o quadro é inverso, com as importações crescendo muito à frente das exportações. Desde o pior trimestre do pós-crise (primeiro trimestre de 2009) o volume importado sazonalmente ajustado cresceu, nada mais nada menos que 50%, enquanto que a expansão das exportações foi de apenas 21%. Comparem agora os preços da pauta no mesmo período: as importações cresceram apenas 2%, enquanto as exportações se beneficiaram de uma alta de 20%.
Por que os preços da pauta importada estão se recuperando tão devagar em comparação com os da pauta exportada? Afinal, os dados históricos mostram que esse descolamento é um fato incomum. Fatos incomuns sugerem razões incomuns. Se olharmos o atual panorama da economia mundial veremos o incomum fato de as economias centrais estarem crescendo num ritmo muito abaixo de um seleto grupo de economias emergentes, das quais o Brasil é destaque (a ”porta-bandeira” continua sendo a China). Talvez a diminuta recuperação dos preços da pauta importada reflita o ainda medíocre nível de atividade das economias centrais. A correta resposta a essa questão parece ser relevante para o destino do nosso saldo comercial.
Assim, apesar de o ritmo de crescimento do volume importado prevalecer largamente sobre as exportações, a excepcional fraqueza na recuperação dos preços da pauta importada, em contraste com os preços das exportações, produziu valores mais altos do que esperávamos para o saldo comercial no segundo trimestre e no acumulado do ano, levando à revisão da nossa projeção anual para US$ 13 blhões, de US$ 9 bilhões. Resta lembrar que, sobre essa perspectiva de um saldo comercial mais robusto, paira o risco de recuo dos preços internacionais das commodities e, por tabela, dos preços da pauta exportada, levando à reversão do atual excepcional patamar dos termos de troca com o exterior.
(*) Economista do Banco Itaú Unibanco.
Brasília, 16h40min
CRÔNICA
LUCIANA ASSUNÇÃO (*)
lulupisces@gmail.com
HEXADIVAGAÇÕES
Veja bem. Quando a gente engata com essa, não se iluda: vem encrenca. Eu tive uma chefe que amava o tal do veja bem. Em seguida, ferrava a gente, desculpe o trocadilho em ano de Copa, de verde e amarelo. Falando nas nossas cores mais emblemáticas, o que deu na cabeça daquele paspalho do Alexandre Herchcovitch ao afirmar que acha essa combinação cromática “pavorosa”? O cara tá ficando mais rico com o modelo Dunga desfilando casaco de marinheiro da marca dele e tem coragem de ficar cuspindo na bandeira do país que compra as coisas que ele inventa? Eu avisei: o veja bem não tem boa fama.
Mas, veja bem. Eu escrevo esse texto numa quinta-feira e o jogo da verdade ainda demora 24 horas para acontecer. Não sei se o Brasil vai passar da Holanda, porque esse é o primeiro jogo de fato que vamos jogar nessa Copa. Mas eu torço, claro, para que façamos aquela final tão sonhada: Tupiniquins x Hermanos. É ou não é o desejo enrustido de todos nós? Sei que o risco de ter de engolir Maradona, o deus consagrado do mundo da bola, é pagar pra ver demais. Mas, veja bem: se a gente vencesse seria a suprema glória: divino!
Eu queria ver sangue na final. Roer as unhas até chegar no toco. Brasil x Uruguai (só pra contrariar). Brasil x Argentina... Mas algo me diz que os alemães vão despachar nossos rivais cabeludos. E não estou sendo influenciada pelas apostas do polvo vidente não. A Alemanha está jogando um bolão simpático, alegre, contagiante. Nessa Copa de bizarrices, até seres aquáticos dão seus palpites. Por que não eu? Uma mamífera apaixonada por esse esporte definido pela direita reaça dos Estados Unidos como terceiro mundista.
Eu disse que era bizarro. Cada uma. Essa galera dos EUA não brinca em serviço quando o lance é tomar partido. Se alguém é republicano, é mesmo. Nada de tucanagem e nem de veadagens, porque reaça de direita é muito macho até quando (lembra aquela piada de gaúcho?). O preconceito rola em alto em bom som. Não há espaço para panos quentes e evasivas na cabeça dessa turma abjeta.
Por isso mesmo é que eu quero é ver gol! Tô na torcida para que os cucarachas levem a febre do soccer em definitivo para o Tio Sam. Só vai ser chato ter de ver a “Stars and Stripes” também vitoriosa nos estádios de futebol. A gente tem um pouco de trauma daquele som do hino norte-americano tocando 150 vezes nas premiações olímpicas.
A Copa da África do Sul está bem africana: não tem glamour, não tem perfeição, não tem maquiagem que esconda os estádios nunca lotados, os arredores sempre empoeirados. A gente tem a real percepção de que os templos foram erguidos às pressas, sem infraestrutura de apoio adequada. Os times africanos foram sendo limpados da tabela sem chance de redenção, assim como são seus próprios países no cenário global.
O nível de sinistrice dessa jabulani está de arrepiar. Dava pra imaginar Nova Zelândia tentando jogar bola, Sérvia vencendo Alemanha e Japão x Paraguai? A partida rivotril da história das Copas! Valeu para tirar de Brasil x Portugal o título de o mais tedioso de 2010.
Essa Copa está tão esquisita que acabei me entregando a mais inexplicável das atividades: assistir aos programas da TV paga que discutem “em profundidade” as peripécias futebolísticas. Caramba, os caras se levam a sério de com força. Troca de Passes-África, SportTV News...Um time de gente que sabe o que rolou na partida que aconteceu no planeta Kaprutz e desclassificou o elenco dos Na’vi, que era, sem dúvida, o franco merecedor da vitória.
Por isso, sem mais delongas, uma vez que o importante é o drible, colocar a culpa na arbitragem, sacanear argentino e conferir o Kaká exercitando seu lado negro da força, faço minhas as palavras de Dom Diego: “Favorito é o Brasil, que ganha mesmo jogando mal”. Veja bem, se a taça vier para a nossa casa, algo mais importa?
(*) Jornalista e publicitária, escreve pelos cotovelos todos os domingos neste blog.
Brasília, 11h20min
A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) vai realizar junto aos seus 1.600 afiliados, uma pesquisa sobre o mercado de cartões de crédito. Segundo o presidente da entidade, Roque Pellizzaro, a idéia é verificar junto aos lojistas quais as taxas que eles estão pagando.
“Queremos mostrar se existe concorrência, e, para isso, vamos usar nossa base de lojistas em cada estado e cidade do Brasil, e depois confrontar os dados para negociar melhores taxas”, diz Pellizzaro.
Brasília, 07h01min
ARTIGO
MARISTELLA ANSANELLI E GUSTAVO ARRUDA (*)
Os últimos indicadores de atividade industrial trouxeram sinais ambíguos, apontando alguma acomodação no setor, sem alterar as perspectivas de crescimento robusto para a economia brasileira neste ano. Enquanto a produção industrial de maio surpreendeu negativamente, registrando crescimento nulo em relação ao mês anterior, o indicador de utilização da capacidade instalada da indústria calculada pela FGV, voltou a mostrar aceleração no mês de junho.
Vale ressaltar que, apesar de a produção industrial ter mostrado uma acomodação nos últimos dois meses, sinalizando uma aparente desaceleração, a abertura por setor não aponta para uma inversão da tendência de crescimento. Os setores favorecidos pela ação anticíclica do governo, como os bens duráveis, são os que vêm apresentando sinais mais claros de acomodação, na tentativa de adequar sua produção a uma realidade sem incentivos. Já o setor de bens de capital, no extremo oposto, segue em crescimento acelerado, sinalizando a manutenção do investimento na indústria e o otimismo do empresariado com o quadro de crescimento econômico.
Neste sentido, e avaliando uma série de outros indicadores da atividade doméstica, notadamente o mercado de trabalho e o mercado de credito, mantemos nossa estimativa de um crescimento da ordem de 7% neste ano, o que é preocupante no que diz respeito ao comportamento da inflação. O próprio Banco Central, em seu último relatório trimestral de inflação, mostrou preocupação quanto aos possíveis impactos da dinâmica doméstica nos preços mais sensíveis ao superaquecimento da economia, principalmente a inflação de serviços e salários.
Sendo assim, mantemos nosso cenário, tanto para o crescimento econômico (7%), quanto para a inflação (5,8%) neste ano, o que dá sustentação para a manutenção, também, de nosso cenário para a evolução da taxa Selic nos próximos meses. Esperamos mais duas altas de 0,75 ponto percentual (em julho e setembro), seguidas de uma alta de 0,50 ponto percentual em outubro, o que levaria a taxa básica de juros a encerrar 2010 em 12,25%.
(*) Economistas do Banco Fibra.
Brasília, 13h35min
Sempre atenta, a economista Tatiana Pinheiro, do Banco Santander, chama a atenção para a divulgação de dois dos mais importantes índices de inflação, o IPCA e o IGP-DI, ambos referentes a junho. Ela projeta taxas de 0,12%, para o IPCA, usado como referência para o sistema de metas do governo, e de 0,54%, para o IGP-DI, indicando forte desaceleração frente aos meses anteriores.
A queda do IPCA, ressalta a economista, decorrerá dos preços dos alimentos no varejo, e a resistência maior do IGP-DI virá do minério de ferro e da renegociação salarial da construção.
Certamente, diante desses números, muita gente alardeará sobre o fim das pressões inflacionárias. Mas, de antemão, Tatiana ressalta: não é possível avaliar a inflação apenas pelos índices cheios. É preciso ir além, destrinchar os seus núcleos, de descontam os fatores atípicos dos preços.
"A desaceleração da inflação entre junho e julho já esta prevista pelo consenso de mercado. Logo, não deveria modificar a avaliação do cenário de inflação. Tanto, que, na última pesquisa Focus (do Banco Central), a mediana das expectativas para a inflação de 2010 foi reduzida de 5,61% para 5,55%, sendo essa mudança exclusivamente devida à redução das expectativas de inflação para junho e julho, pois as estimativas para os demais meses apresentaram pequenas revisões para cima", diz a economista.
Nesse sentido, acrescenta Tatiana, os núcleos contribuem para a formação do cenário mais provável para inflação. Para ela, o IPCA de junho deve apresentar alguma melhora nos núcleos, exceto no que exclui alimentação e combustíveis. "Contudo, esses números, em média, devem continuar apontando para uma variação mensal não condizente com a meta de 4,5%", frisa.
O mesmo, diz ela, deve ocorrer com o IGP-DI, que, segundo as suas estimativas, a despeito da desaceleração recente, deve continuar apontando aceleração da inflação dos bens intermediários. "Entre janeiro e junho, a inflação dos preços dos bens intermediários alcança 7,6% e de matérias-primas, 53,2% (devido ao minério). Se nossas expectativas forem confirmadas, o IPCA acumulará 4,97% em 12 meses, um pouco inferior aos 5,06% acumulados até o IPCA-15. Já o IGP-DI acumulará 5,3%, bastante diferente dos 0,7% acumulados em 12 meses até junho de 2009", afirma.
Por último, destaca Tatiana, o IPCA acumulado em 12 meses deve cair um pouco mais até os resultados de julho e, a partir daí, voltar a acelerar por conta dos efeitos da demanda doméstica aquecida e da forte pressão por parte dos custos de produção (vide a evolução dos IGPs).
Brasília, 17h57min
O economista-chefe da Corretora Convenção, Fernando Montero, refez as contas e viu perspectivas de melhora nas contas externas do país, fonte de preocupação no governo e em boa parte do mercado.
Ele aumentou de US$ 4 bilhões para US$ 16 bilhões a projeção de saldo na balança comercial. Para a conta de transações correntes, a estimativa de déficit baixou de US$ 54 bilhões para US$ 48 bilhões, o correspondente a 2,55% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso, apesar da piora na conta de serviços, cuja previsão de rombo passou de US$ 61,5 bilhões para US$ 67,5 bilhões.
Brasília, 15h08min
Segue, abaixo, uma boa reflexão do Departamento Econômico do Banco Itaú Unibanco sobre o país.
A atividade econômica está vigorosa. O PIB brasileiro cresceu substanciais 2,7% no primeiro trimestre, na medida não-anualizada e sazonalmente ajustada. A demanda domestica foi muito forte, particularmente a formação de capital bruto, que se expandiu 7,4% e completou três trimestres consecutivos de crescimento anualizado acima de 30%. O crescimento econômico se desacelerou no segundo trimestre, e o PIB deve ter se expandido menos de 1,0% segundo nossas estimativas. Nos relatórios da Fundação Getulio Vargas para junho, a confiança do consumidor continuou a crescer, enquanto a confiança do empresário caiu um pouco. A utilização da capacidade instalada, que havia caído em maio, cresceu novamente e alcançou seu nível mais alto desde agosto de 2008. Para o ano como um todo, o relatório trimestral de inflação recentemente divulgado pelo Banco Central aumentou sua expectativa de crescimento do PIB de 5,8% para 7,3%, em linha com nossas expectativas.
O Banco Central aperta a política monetária. Pela segunda vez consecutiva, o comitê de política monetária do Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, situando-a em 10,25%. Graças principalmente à redução das pressões em preços de alimentos, a inflação se desacelerou um pouco em junho. Para os próximos meses, entretanto, os núcleos de inflação continuam apontando para uma inflação acima da meta. Além disso, sob a hipótese de taxas de juros e de câmbio constantes, o Banco Central antecipa que a inflação permanecerá acima da meta até 2011. Por esta razão, acreditamos que o Banco Central elevará a taxa básica de juros por mais 1,5 ponto antes das eleições de outubro. Para compensar pela redução do volume obrigatório da oferta de credito rural pelo sistema bancário, o Banco Central aumentou o volume de depósitos compulsórios sobre depósitos à vista. Enquanto isso, o credito bancário total continuou a se expandir fortemente em junho.
Os mercados permaneceram voláteis. Em resposta à incerteza continuada sobre o ritmo da recuperação global, os mercados locais permaneceram voláteis. Com volume de negócios se reduzindo por causa da Copa do Mundo, o Ibovespa fechou junho com uma queda de 2,5% em dólares. O real se valorizou marginalmente de R$ 1,82 para R$ 1,80. O spread do CDS brasileiro de 5 anos sobre a Libor aumentou de 135 pontos em maio para 138 pontos em junho.
A política fiscal se mantém expansionista. Apesar de amplas receitas tributárias, o superávit primário (excluindo o pagamento de juros) permaneceu estável em níveis relativamente baixos por causa do crescimento vigoroso nos gastos. A composição dos gastos públicos está melhorando, com um aumento de investimentos de 63% em termos reais nos três meses terminados em maio, relativamente ao mesmo período do ano passado. Mas outros gastos — em custeio, previdência social e salários de servidores públicos — também estão crescendo mais rápido do que o PIB. Considerando-se as restrições legais do orçamento, efetivas em julho por causa das eleições de outubro, o crescimento dos gastos provavelmente se desacelerará na segunda metade do ano. Separadamente, o presidente Lula vetou o projeto de lei que revogava um mecanismo automático que aumenta a idade mínima de aposentadoria de acordo com a longevidade da população do país. Ele concordou, entretanto, em aumentar as aposentadorias em significativos 7,7% (ao invés dos 6,1% da sua proposta original ao Congresso).
Os investimentos internacionais retornaram. O investimento direto estrangeiro no Brasil alcançou robustos US$ 3,5 bilhões em maio, mas o investimento brasileiro no exterior também foi forte, em US$ 2,4 bilhões. A balança comercial registrou um sólido superávit de US$ 2,3 bilhões em junho. Estamos agora projetando que o superávit comercial alcance US$ 16 bilhões neste ano, o que se compara favoravelmente com os US$ 9 bilhões da nossa projeção anterior. As reservas internacionais continuaram a se expandir, alcançando US$ 253 bilhões em junho.
Os mercados de capitais estão em ritmo moderado. Devido ao atraso na avaliação das reservas do pré-sal que o governo federal transferirá para a Petrobras, a empresa petrolífera estatal adiou para setembro sua enorme oferta de ações. O Senado aprovou a maior parte dos novos projetos de lei para a exploração do petróleo do pré-sal, mas o pacote retornou à Câmara, onde espera-se que seja votado em julho. O Banco do Brasil prosseguiu com a grande oferta de ações que alcançou R$ 9,8 bilhões (US$ 5,4 bilhões).
A candidata do Presidente Lula passa à liderança. Dilma Rousseff, ex-chefe da Casa Civil do Presidente Lula e sua candidata à presidência nas eleições de outubro, passou à frente do candidato de oposição, o ex-governador de São Paulo José Serra, nas pesquisas. Ela está claramente se beneficiando da imensa popularidade do Presidente Lula, além do crescimento econômico do país. Os Tribunais Regionais Eleitorais começaram a pôr em prática uma nova lei que impede que indivíduos condenados por transgressões legais sejam candidatos a postos eleitorais. O Tribunal Federal Eleitoral ainda tem que se manifestar sobre esta legislação, que, de acordo com algumas estimativas, poderia afetar cerca de 5000 prováveis candidatos às Câmaras Legislativas Municipais, Estaduais e Federais, além de Governos Estaduais.
Além do mais. Após o término da Copa do Mundo em 11 de julho, a temporada eleitoral se iniciará de fato. O governo espera que o congresso aprove as novas legislações do petróleo antes de efetivamente interromper as atividades até o fim de outubro. No mais, os participantes de mercado dividirão suas atenções entre a turbulência financeira internacional e a decisão do Banco Central sobre a taxa de juros em 21 de julho.
Brasília, 12h15min
Vale a pena dar uma lida na entrevista concedida pela presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana, aos repórteres Marcone Gonçalves e Vera Batista, do Correio Braziliense.
Rafael Ohana/CB/D.A Press |
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O Correio mostrou, recentemente, que o grande especulador do mercado tem sido o próprio governo, em função da atuação das grandes estatais. Como fica a CVM na sua função de controlar o próprio governo?
Não é a situação mais cômoda do mundo, obviamente. Talvez o ideal fosse não existir empresa estatal aberta para não haver qualquer dúvida da sociedade e dos investidores em relação à capacidade do regulador de fazer o seu papel integralmente. Em outros países é assim. Agora, o México, por exemplo, está querendo mudar sua lei para ter companhias de controle estatal captando dinheiro no mercado. Isso, na verdade, tem prós e contras. Acho que o fato de as estatais terem acesso a esse capital pode fortalecer diversas atividades. E é isso que nós temos aqui, já é a nossa realidade e precisamos lidar com ela. Garanto que trabalhamos, em relação às companhias de controle estatal e às mistas com o mesmo rigor, com o mesmo empenho e com a mesma autonomia que temos em relação às companhias 100% privadas.
Então por que as dificuldades e desconfianças?
O que tem em relação às estatais ou às de economia mista é o grau de envolvimento de outros órgãos públicos, de ministérios, de instâncias do poder público nos seus negócios. É esse envolvimento de outros agentes, e nem todos estão sob a competência da CVM, que complica mais a situação. Em relação aos agentes que são administradores da companhia, nossa competência é evidente. Nós atuamos com eficácia, com resultados. A dificuldade está concentrada nos agentes que estão fora da nossa jurisdição e que se manifestam: agentes públicos que podem estar em ministérios e autarquias.
Trata-se de um problema institucional ou são limitações da cultura do setor público? Esses agentes não compreenderam ainda o papel da CVM?
Acho que o problema é de cultura mesmo. Seria muito importante que todos identificassem e percebessem a importância do mercado, a importância que a informação tem para o mercado, que a informação fornecida de forma simétrica, para todos os agentes, pelo canal oficial, não pode dar margem a dúvidas e causar incertezas na formação de preço e na negociação no mercado secundário. Os gestores profissionais de recursos e as pessoas físicas que usam o mercado para poupar são prejudicados na hora em que uma informação não confirmada, ainda preliminar demais, é divulgada passando ao largo do envolvimento da própria administração da companhia.
O mercado vem reclamando que a CVM estaria sendo pouco rígida na fiscalização, deixando de impor regras para algumas empresas que estão praticamente falidas, como Laep (Parmalat), Grupo Inepar, Tek Toy, entre outras. Por que a CVM não obriga essas empresas a fazer um grupamento de ações?
A formação de preço de ação de empresas que tem valor muito baixo realmente é um drama. É complicado porque qualquer mexidinha resulta num percentual muito alto e dá muita oportunidade para quem especula, para quem tenta adivinhar tendências e atua no curto prazo. Acaba virando um papel meio de jogo. Não acho que seja uma coisa que nós, da CVM, devamos fazer. A Bolsa tem feito. Mas não tem que fazer por regra, obrigar.
Nos Estados Unidos parece que o preço mínimo é US$ 3 ou US$ 4?
É US$ 1, mas é uma regra da Bolsa, não é uma regra da legislação. Se a ação baixar de US$ 1, por um determinado período, a bolsa tira, deslista. O que eu também não acho que seja do interesse dos acionistas minoritários. A bolsa não pode obrigar a empresa a fazer um grupamento para voltar a um valor unitário razoável. Ela tira a ação de negociação e deixa o minoritário sem uma bolsa para negociar. É pior.
Diante dessa crise de confiança por que passa a Europa, vários países estão tentando taxar o capital especulativo e evitar uma série de procedimentos. A CVM não se mexeu em relação a isso. Esse ambiente de desconfiança não pode contaminar o Brasil e fazer com que se tome uma medida urgente?
Quando estourou a crise, os países do G-20 fizeram aquela primeira cúpula e acordaram que era necessário adotar medidas para evitar e prevenir aquela crise e até outra de outro tipo. Em relação a esse tema dos derivativos, nós estávamos e estamos muito melhores do que a imensa maioria desses países. Estamos, na verdade, bem adiante de onde eles querem chegar com essas reformas que estão sendo colocadas. Esse mercado de derivativos, de balcão, por exemplo, é totalmente opaco, por aí afora, e gerou a crise justamente porque uma instituição como o Lehman Brothers, que operava com muita gente, era uma grande mesa de negociação global. De repente, todos os milhões de contratos com ela ficaram pendurados e ninguém sabia quantos eram nem quais. Não havia registro centralizado e informação sobre isso em lugar nenhum. Isso travou tudo, todo o sistema financeiro internacional. Aqui, esses contratos bilaterais que são feitos usando instrumentos derivativos ,têm que ser registrados numa central. Lá fora estão chamando de Trade Repository essa central, que para eles é uma coisa nova, que estão tentando implementar. Nós já temos. A Cetip e a BM&FBovespa fazem registro de derivativos de balcão.
Mas o nosso sistema tem sido aprimorado, até em função desse contexto de crise?
Nós avançamos desde 2008. Melhoramos as informações incluídas na Central de Registro, que não estavam tão boas para serem usadas, para somá-las e, a partir daí, termos uma boa visão sobre a exposição dentro do nosso mercado. E o que está em andamento agora é mais avançado ainda: vamos somar as exposições a derivativos que as instituições brasileiras tenham e que estejam registradas na Cetip ou na BM&FBovespa numa única central. Mediante autorização dos participantes, porque é coisa protegida por sigilo bancário, os próprios bancos vão poder consultar. A Central de Exposição de Derivativos está sendo estruturada.
Nós não corremos os mesmos riscos?
Não dá para dizer. Nós achamos que estamos detectando os problemas, que estamos resolvendo as questões da última crise. A próxima não sabemos qual será.
Estamos em processo eleitoral e a CVM é um dos órgãos de estado que passou por um processo de consolidação forte nos últimos dois governos. Como a senhora avalia as perspectivas do mercado de capitais e sua institucionalização a partir dos dois principais candidatos?
Acho que os dois estão mais ou menos no mesmo campo em relação a suas intenções quanto à economia. Apostam na previsibilidade, na manutenção da estabilidade, que é importantíssima para um ambiente econômico e para os investimentos. Acho que os dois certamente apostam na força do mercado de capitais para ajudar a financiar o ciclo de crescimento de que ainda precisamos e vamos precisar ainda por muito anos para poder incluir a parcela da população que está fora. Tenho a impressão de que, nesse campo, os dois estão muito próximos. Não vejo nenhum risco de que qualquer medida adotada por eles venha significar prejuízo para o mercado ou para o próprio órgão regulador, a CVM. Uma das razões para o aumento da arrecadação de 2007 foram as aberturas de capitais, que geraram mais pagamentos de impostos. Devemos esperar a continuidade disso, com maior grau de formalização, com valorização dos ativos. Também deve aumentar a capacidade das empresas brasileiras para captarem e concorrerem com as estrangeiras. As nossas empresas ficarão mais prósperas, usando as suas ações como moeda. É um mundo que se abre para o Brasil e eu tenho certeza de que nenhum dos dois candidatos vai jogar isso fora.
Brasília, 20h20min
ARTIGO
LIANA VERDINI (*)
A reunião de líderes das grandes economias mundiais e dos principais países emergentes (G-20) terminou e deixou claro para todos que o mundo está mesmo rachado. Depois daquela união inicial, quando a crise global arrastou os bancos e as economias de todo o planeta, eliminando empregos e provocando recessão de uma hora para outra de norte a sul, leste a oeste do globo, percebe-se facilmente os blocos que se formaram.
De um lado, as nações que ainda lutam para escapar da crise e recuperar a confiança dos investidores, lançando mão de medidas de ajuste fiscal, como corte de gastos e aumento das receitas, para reequilibrar as contas públicas. Providências que fazem parte do tradicional receituário do Fundo Monetário Internacional (FMI) e que é tido e havido como recessivo. De outro, aqueles países que já conseguiram superar as maiores dificuldades e começam a crescer novamente, ainda que em ritmo mais lento do que o previsto pelos próprios governos.
Os menos afortunados agora estão obrigados a reformar os sistemas de previdências, limitar os ganhos e benefícios dos servidores públicos e taxar os bancos, alçados à condição de vilões depois que se fartaram de ganhar dinheiro ao conceder empréstimos com critérios de aprovação no mínimo duvidosos. É nessa situação que se encontram diversos países europeus. Na Grécia, que passou a ocupar espaço inédito na imprensa mundial, é onde a crise ganhou contornos dramáticos, com o governo ameaçando dar calote nos investidores que compraram títulos públicos por total incapacidade financeira de pagar a dívida. Mas outros vários também foram obrigados a fazer pesados ajustes nas contas públicas para evitarem a tragédia grega, caso de Letônia, Portugal, Itália, Espanha, Inglaterra. Também anunciaram medidas de austeridade França e Alemanha.
Os mais sortudos falam em manter os benefícios fiscais de estímulo ao consumo e ao crescimento econômico e nem querem ouvir falar em cortes de gastos públicos e taxação do sistema financeiro. Esse é o caso de Estados Unidos e China. O Brasil também sentiu os efeitos do tranco mundial, mas superou as dificuldades rapidamente, graças à redução de impostos incidentes sobre produtos e à expansão da oferta de crédito. Portanto, faz parte do segundo grupo.
Lados opostos
É esse o racha que se evidenciou na reunião de líderes no Canadá. Ao Brasil, e também aos Estados Unidos e à China, interessa que a Europa, destino certo de uma parcela expressiva das exportações brasileiras, mas também norte-americanas e chinesas, ajuste suas finanças estimulando o crescimento e o aumento da receita com impostos, não cortando despesas e promovendo uma recessão. Um modelo alinhado com o que fazem as autoridades brasileiras para equilibrar as contas públicas.
Para o bloco de países que começam a fazer a roda da economia girar novamente, o cenário europeu representa alto risco, pois ameaça abortar a incipiente recuperação mundial. Mas aos europeus, preocupados que estão em salvar a ideia do bloco e da união monetária, interessa recuperar a confiança dos investidores para que voltem a comprar títulos públicos e a financiar o rombo de suas contas. Crescer pouco, para eles, não é problema, pois há anos não conseguem fazer deslanchar a economia e a geração de empregos. Seria apenas mais do mesmo.
Especuladores de olho
No Brasil, o freio de arrumação europeu foi sentido na expressiva redução do dinheiro enviado para cá para ser aplicado em empresas e no mercado financeiro. Pelas estimativas do Banco Central, o investimento direto em empresas em todo este ano não será mais de US$ 45 bilhões, como previsto inicialmente, mas de US$ 38 bilhões. Para a Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), o ano termina com investimentos no setor produtivo ainda menores, de US$ 35 bilhões. Já o capital destinado ao mercado financeiro — à compra de títulos de renda fixa e ações — deverá chega a US$ 35 bilhões, mas pode crescer ainda mais, dependendo de como se comportem os juros pagos aos investidores. Essa é uma conta que interessa aos especuladores.
Parceiros encolhidos
O resultado disso tudo é que nos cinco primeiros meses deste ano, segundo o Banco Central, o dinheiro proveniente da Holanda e da Espanha não tomaram o rumo do Brasil, como estava ocorrendo nos últimos anos. No ano passado (janeiro a maio), o total de recursos oriundos da Holanda foi de US$ 2,6 bilhões. Este ano, em igual período, baixou para US$ 1,1 bilhão, fazendo com que a participação holandesa no total de investimentos diretos no Brasil caísse de 20,6% em 2009 para 7,3% em 2010. O mesmo ocorreu com a Espanha, que reduziu de US$ 1 bilhão para US$ 313 milhões os investimentos diretos — retração de 10,8% para 2% na participação nessa conta.
Com crescimento econômico expressivo, em alguns momentos rivalizando com o chinês, o Brasil acabou mesmo foi atraindo a atenção mundial. E o que todos se perguntam agora é até onde isso vai. É o que a revista inglesa The Economist, uma das mais importantes do mundo, está fazendo. Sob o tema “Essa história de sucesso vai continuar?”, a publicação realiza nesta sexta-feira, dia 2, em Paris, na França, o seminário The Brazil Business Summit, para tentar concluir se o momento vivido pela economia brasileira é de crescimento sustentável. E essa é uma questão que também os brasileiros querem saber: esse ciclo de benesse econômica veio pra ficar?
(*) Jornalista, subeditora de Economia do Correio Braziliense.
Brasília, 20h10min
CRÔNICA
LUCIANA ASSUNÇÃO (*)
lulupisces@gmail.com
O BREU E SUAS HISTÓRIAS
Programa da noite na fazenda era tomar banho, forrar a barriga com uma boa comida feita no fogão à lenha e correr para as redes da varanda da velha casa. Limpinhos, meus amigos e eu nos aninhávamos para evitar o frio que sempre vem quando se está no mato. As histórias de terror começavam. Cada um tinha um caso sobrenatural para contar.
– E aquela da mulher que morreu quando o carro caiu no despenhadeiro, mas voltou para a estrada para avisar do acidente? Disparava Marco Antônio.
– Cruzes!! Encolhia-se Lara, cobrindo o corpo com a rede.
– Mas por que ela voltava? Eu queria saber.
– Porque o filho dela estava vivo no carro e ela queria que algum motorista ajudasse a salvar a criança.
– Nossa! Que coisa! Será que foi verdade mesmo? Embarcou a Dri.
– Quem te contou essa história? Desconfiou Dedéia.
– Ah, foi o Peba, lá no Notre Dame, respondeu o contador.
– Xiii... O Peba é o maior mentiroso da sala!! Lembrou Bila.
E assim acabava uma e começava outra. Não sei por que tinha de ser de terror. Mas tinha. Acho que era o escuro em volta. No mato, a noite cai como uma lata de tinta preta sobre tudo. Onde a luz elétrica não ilumina, fica um breu danado. A gente não enxerga nem a ponta do nariz. Mas quando tem lua cheia é diferente. Um brilho pálido, meio prateado, enche toda a paisagem. A gente vê o contorno das árvores, dos morros, dos casebres...
Mas as histórias de assombração combinavam mesmo eram com as noites escuras. Nada se via fora da varanda iluminada. Mamãe ligada na TV na parte de cima da casa. E a gente contando e ouvindo casos espantosos.
– Vocês ouviram esse barulho?
– Que barulho, Bila? Perguntava Lígia, com os olhos apavorados.
– Esse vrum, vrum, vrum...
– Ah, deve ser morcego, explicava eu, achando graça do medo das duas.
– Ai, eu detesto morcego! Chiava Patty, com seu jeitinho tímido.
– Pois eu sei uma história super legal de vampiro...Recomeçava Marco Antônio, para assustar ainda mais as meninas.
– Ai meu Deus, esses morcegos chupam o sangue da gente? Berrou Lara, dramática que só ela.
– Claro que não, Lara. Estes morcegos não são da espécie vampiro. Os que vivem na região Centro-Oeste se alimentam apenas de frutas e do sangue de animais como vacas e cavalos. Desfiou Cacau, num tom wikipédico.
E eu, para amedrontar ainda mais as já medrosas, adicionava um temperinho:
– É verdade. Eu já vi cavalo com marcas de mordida no pescoço. O pelo do coitado fica todo sujo de sangue.
– Que nojo, Lu! Se esse morcego chupa ou não o sangue de pessoas, eu não quero nem saber. Só sei dizer que não vou ficar esperando ele aparecer na minha frente, decidiu Dri, já pulando fora da rede.
– Então eu acho melhor a gente subir, porque o frio está aumentando e o barulho de morcego também. VRUMMMMMMM! Gritou Marco Antônio, atacando a gente como um Conde Drácula.
Aí foram pernas pra que te quero. O escuro + histórias de fantasma + morcegos = medo. Um baita medão. Quando a gente se deu conta, já tinha subido a escada correndo, atropelando uns aos outros. Minha mãe viu aquela correria toda e adivinhou:
– Ei, que caras são essas? Parece que viram assombração!
(*) Jornalista e publicitária, escreve pelos cotovelos todos os domingos neste blog.
Brasília, 11h15min
Os próximos dias serão agitados no mercado financeiro, refletindo a enxurrada de importantes indicadores que vão ser divulgados. Boa parte dos números tenderá a confirmar o que já está tirando o sono da equipe chefiada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega: a acomodação da atividade que se viu em abril foi passageira. A economia voltou a crescer com força, reforçando no Banco Central a necessidade de manter a mão pesada sobre os juros, a despeito de os atuais índices de inflação estarem em queda, puxados pelos voláteis preços dos alimentos.
Os economistas Jankiel Santos e Flávio Serrano, do Banco BES Investimento, são taxativos: "Embora os dados de atividade econômica de abril tenham apontado para alguma desaceleração no ritmo de expansão, já que tanto a produção industrial e as vendas do comércio varejista recuaram no período, a divulgação dos números de maio está demonstrando que aquele foi um respiro temporário".
Eles ressaltam que a evidência de que o superaquecimento da economia continua será reforçado pela produção industrial, que, pelas contas deles, cresceu 1,8% em maio frente ao mês anterior em termos dessazonalizados (ou 18% em termos interanuais). "Mais importante: caso nossas estimativas se mostrem corretas, a queda mensal de abril será alterada para um número positivo – idiossincrasias do processo de ajuste sazonal – diminuindo assim a percepção de que a economia brasileira esteja reduzindo o passo", afirmam.
Santos e Serrano dizem que, tomando a nova série dessazonalizada estimada, a média de abril e maio da produção industrial teria acelerado a taxa de crescimento em comparação ao trimestre anterior de 3,1% para 3,5%. Para eles, tal ambiente apenas reforçaria o acerto da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter o processo de alta da taxa básica de juros (Selic), a despeito das turbulências internacionais, e deverá levar os agentes econômicos a apostarem em outra alta de 0,75 ponto percentual na reunião de julho.
"Além dos prováveis dados robustos de atividade econômica, o Relatório Trimestral de Inflação do BC, que será divulgado no dia 30 de junho, deverá também dar suporte à necessidade de retirada adicional de estímulos monetários concedidos anteriormente. Isso porque avaliamos que a projeção de inflação para 2011 no cenário de referência – e o BC sinalizou isto na ata da última reunião do Copom – tenha subido na comparação com o relatório anterior, não obstante o maior patamar de juros frente a março e a manutenção da taxa de câmbio no mesmo nível", frisam.
Nas estimativas dos economistas do BES Investimento, a projeção do BC para inflação do próximo ano deve ter subido de 4,9% para 5,1%. "Portanto, o desempenho econômico mais forte do que o esperado e a deterioração das expectativas deverão ter mais do que contrabalanceado os efeitos de condições monetárias mais restritivas", assinalam. E acrescentam: "Consequentemente, para garantir a convergência da inflação para as metas, mais aperto monetário será requerido. Não é surpresa, portanto, que as cotações de mercado remetem a uma probabilidade de 100% para uma elevação de 0,75 ponto percentual na próxima reunião do Copom, visão que compartilhamos", concluem.
Brasília, 20h15min