Blog do Vicente


04.03.2010 12:48 pm

JUROS PODEM SUBIR MAIS FORTE AGORA, PARA ALTA SE ENCERRAR NO INÍCIO DA CAMPANHA ELEITORAL


De volta ao Brasil, depois de um longo período assessorando o governo de Angola, o economista Eduardo Velho enriquece o debate sobre os rumos da política monetária. Como chefe do Departamento Econômico da Prosper Corretora, ele diz que dificilmente o Banco Central não elevará a taxa básica de juros (Selic) na reunião da próxima semana do Comitê de Política Monetária (Copom).


A seu ver, o mais provável é que o BC opte por um aumento gradual, começando com uma alta de 0,5 ponto percentual, dos atuais 8,75% para 9,25% ao ano. Mas ele não descarta, porém, a possibilidade de o Copom adotar uma linha mais dura. Ou seja, dar aumentos mais fortes na Selic logo, de forma que o processo de aperto monetário se encerre em julho, ou seja, quando começará, de verdade, a campanha eleitoral, já que a Copa do Mundo estará chegando ao fim. Nesse cenário, os juros já subiriam 0,75 ponto em março.


No entender de Velho, para o governo, que quer eleger Dilma Rousseff como sucessora do presidente Lula, o mais importante é que, quando esquentar a disputa eleitoral, os brasileiros não tenham mais a sensação da inflação em alta. A manutenção do poder de compra será vital na hora de os eleitores decidirem pelo futuro comandante do país. Sendo assim, destaca o economista, o melhor que o BC tem a fazer é controlar rapidamente as expectativas inflacionárias.


Ele lembra que, no início desta semana, o BC informou, por meio do boletim Focus, que a mediana das expectativas de inflação atingiu 4,91%, devendo superar os 5% no curtíssimo prazo. "Deve-se ressaltar que, no modelo econométrico do BC (função reação), o peso das expectativas é elevado e como o indicador efetivo não mostra, até o momento, qualquer sinal de reversão, o ciclo de alta dos juros deverá ser acionado em março", afirma. "Quanto mais cedo o aumento do juro básico, mais rápido será a reversão das expectativas de inflação no curtíssimo prazo e, mais rapidamente, o ciclo de alta será finalizado antes da eleição", acrescenta.


Segundo Velho, pela ótica do governo, o panorama mais apropriado seria a manutenção do juro básico em 2010, para não ocorrer qualquer desgaste da candidatura de Dilma em função da política monetária. "Entretanto, a inflação está em alta e avaliamos que o cenário mais desgastante é iniciar a eleição com uma inflação subindo, principalmente se o ciclo de alta dos juros se prolongar até um período posterior à eleição", frisa.


Ele detalha que trabalha com dois cenários para a Selic. No primeiro, a maior probabilidade é de que os juros aumentem 0,5 ponto em cada uma das cinco próximas reuniões (início em março e término em setembro). "Esse ciclo controlaria as expectativas de curto prazo, mas teria algum custo político com a continuidade do ciclo de alta dos juros durante a campanha eleitoral, ou seja, em agosto e setembro", diz. "Nesse cenário, os juros atingiriam taxa mínima de 11,25% até o final de 2010 , com limite superior de 11,50% (o ciclo de alta se prolongaria durante o período de campanha) na dependência do comportamento dos índices de preços, sobretudo atrelados ao câmbio, que podem sofrer com a volatilidade durante o calendário eleitoral", complementa.


No segundo cenário, que atenderia aos “torcedores” do governo que gostariam que as taxas de juros não aumentassem nos noventa dias anteriores à eleição presidencial, a Selic subiria mais forte agora, ou seja, 0,75 ponto em março, permitindo que, nas duas reuniões seguintes do Copom, em junho e julho, o ajuste fosse menor, encerrando o aperto monetário.


A discussão é muito boa.


Brasília, 12h40min

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Tags: Eduardo  Velho    Prosper  Corretora    Banco  Central    alta  dos  juros    Selic    Dilma  Rousseff    inflação    eleições 

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