James Iha ficou popularmente conhecido como o guitarrista na melhor fase do Smashing Pumpkins. Mas paralelamente, possui uma carreira solo, que pode ser tímida, mas que é belíssima. Após o ótimo Let it come down (1998), acaba de sair Look to the sky. Neste meio termo, participou de dezenas de projetos e bandas, como A Perfect Circle e projetos de amigos como Melissa Auf Der Maur, Isobel Campbell e Fountains of Wayne.
Esses 14 anos fizeram muito bem a ele. O som continua calmo, mas com arranjos ainda mais bonitos, contemplativos e interessantes. Mergulhe o country rock do primeiro álbum em uma sonoridade que passeia por Flaming Lips, Grandaddy e post-rock. O resultado são faixas de arrepiar.
Summer days tem um refrão marcante e um xilofone que faz toda a diferença. To who knows where e Gemini possuem um claro (e ótimo) ranço de Smashing Pumpkins (nas faixas menos pesadas do Machina - The machines of god). Till next tuesday joga pra escanteio todo o indie rock dessas novas bandas elogiadas que você vê na mídia todos os dias. Appetite lembra Tom Waits, ou vá lá, Mark Lanegan, destaque para o piano. Já o acento pop aparece forte em Speed of love, talvez com uma sonoridade que mais se assemelha ao seu primeiro álbum. Da mesma forma, remetendo 1998, a belíssima 4th of july, é repleta de belos arranjos.
Difícil não se arrepiar com Diamond eyes (bonus track), desde já uma das melhores músicas do ano, confira logo abaixo.
Dica: escute com fones de ouvido para seu prazer ser ampliado, o som de todo este álbum é recheado de detalhes e minúcias, que merecem ser contempladas com atenção.
Show de verdade. Ponto. Show pequeno, meus amigos, é outra coisa. Não sei quantas pessoas cabem no Vivo Rio, mas sei que lá só tinham fãs de Noel Gallagher. Não é aquela coisa de tirar foto pra postar no Facebook e ficar alheio a toda a apresentação. Só estava lá quem gostava. E isso faz TODA A DIFERENÇA.
Fãs do Rio e de todo o país, cantando em uníssono, todas as faixas. Pulando (?!) nos refrões de Dream on e If I had a gun. Cantando de olho fechado, se emocionando sem vergonha da pieguice com as mágicas Half the world away e Talk tonight.
Com este clima, qualquer show morno fica empolgante e qualquer show bom fica histórico. Tem noção do que é o público, no intervalo do bis, cantar Rockin' chair? Não é Wonderwall, é um b-side dos menos comentados. Amigo leitor, é outro nível. Isso em BH jamais aconteceria (vergonha).
Outra coisa, as canções solo do Noel Gallagher são muito boas. Mesmo. Nota 8, vai, com algumas beirando a nota máxima. Mas competir com as melhores do Noel da fase Oasis ainda é covardia.
Primeiramente, pela carga emocional. Esperei 14 anos pra escutar estes b-sides maravilhosos, que o Oasis não tocou quando esteve aqui. E o mais importante: as músicas são verdadeiros clássicos de uma fase recente e gloriosa do rock inglês. Little by little e Don't look back in anger dispensam apresentações. Ainda soltou a jóia Whatever e se deu ao luxo de esnobar Where did it all go wrong, The importance of being idle, The materplan e muitas outras. As músicas recentes são de fatos boas, mas este enfoque em canções menos óbvias como Mucky fingers, To be free e a desconstruída Supersonic, é um prato cheio para os fãs do Oasis, que convenhamos, já iria de toda a forma, mas acaba saindo impressionado.
Mesmo com um setlist imperfeito, o público respondia unido, eufórico, súditos que imploravam pela próxima canção. Era tanta bajulação que até cansou, mas quer saber? É isso que quero ver em shows. Plateia na mesma sintonia que o artista. E desta forma, não tem como um show dar errado. E pela carteira recheada de hits, pela competente banda e pelo show direto, sem pirotecnia, sem precisar encenar pra ganhar o público (né, Foo Fighters?), Noel Gallagher, sucinto e ranzinza fez o show (a ser batido) do ano. E sem tumulto, cheguei ao show sem filas e assisti confortavelmente a poucos metros do palco, com um som impecável. É outro nível. Mega shows de arena, manifesto toda a minha preguiça.
O Bob é um velho safado. Não deu “boa noite”, “olá” e nem “tchau”. Subiu ao palco pontualmente, tocou por 1h50 com a sua competentíssima banda, com direito a bis. E é isso.
Reações opostas nas redes sociais. Muitos gratos por estarem lá, que apesar dos pesares, estavam compartilhando um momento único, de ver o maior letrista vivo da música popular ali. Agora, precisava ser assim, velho safado?
Já tinha visto um show do Bob em 1999 (com os Stones, no Rio de Janeiro). A voz já não era essas coisas, mas o show foi legal. Lembro vagamente que ele deixou vários hits de lado e focou mais no (ótimo) Time out of mind (1997). Agora não foi diferente, só acentuou seu jeito peculiar de se apresentar.
Dylan sempre foi desafiador. Pra que imprensa? Para que tocar os grandes hits? Por que não descontruir e (destruir) vários arranjos clássicos e me divertir tocando de forma diferente? Desde que ele trocou o violão pela guitarra, lá nos anos 1960 ele curtiu esse gostinho de polemizar. E quem não goste, paciência, este senhor de 70 anos não precisa mais provar nada a ninguém.
Agora, para quem queria cantar as músicas e curtir o show, foi decepcionante. Além de mudar os arranjos, Dylan mudava a entonação das letras, cantava fora do compasso, atravessava os tempos das melodias. Parece que se divertia para irritar o público, como um jogo. Não teve Hurricane, nem Knockin’ on heaven’s door, nem I want you, muito menos Blowin’ on the wind. Ele nunca foi de seguir o óbvio. Se enfileirasse todos os sucessos burocraticamente, ele não se contentaria, ele não é nenhum compositor folk que precisa cantar os hits pra conquistar o público. Ele está em outro nível. E lá de cima, ele caçoa de todos, fazendo os shows do jeito que quiser. Você compactua ou não.
Se valeu a pena? Valeu. Comprei uma camiseta linda, reencontrei vários amigos e no bis, exatamente para contrariar a todos, ele tocou Rainy day woman #12 & 35 EXATAMENTE como nos álbuns, com os arranjos originais. O Bob é um velho safado.
Lollapalooza chegou ao fim, vamos a algumas constatações:
- 50 mil pessoas é o limite para os grandes palcos. O conforto em assistir ao Arctic Monkeys no segundo dia contrastava com o sufoco em ver o Foo Fighters no primeiro dia, com 70 mil pessoas brigando por cada centímetro (me lembrou o último dia do Rock in Rio 3, em 2001, quando eu e 250 mil malucos nos apertávamos pra ver Red Hot Chili Peppers, Silverchair e Deftones...);
o palco 'Perry' vazava o som e atrapalhava bastante os demais palcos;
faltaram lixeiras, muitas lixeiras
o som oscilava bastante, às vezes claro e nítido, em outras baixo e abafado
muito legal o festival disponibilizar alimentação pra quem não come carne ou tem alergia ao glúten, uma pena que ofereceram em número muito pequeno, e vegetarianos e celíacos passaram aperto
sábado, o metrô inexplicavelmente fechou as portas mais cedo (no Butantã), eu tive que andar uns 3km até a estação Faria Lima (transtorno geral)
os preços dos alimentos e bebidas estavam justos, convenhamos, abaixo de outros festivais e shows de grande porte
a lojinha do merchandise estava uma bagunça, todos os dias
os funcionários que trabalhavam no evento sempre foram solícitos e educados (milagre)
os shows foram pontuais, com raras exceções
os copos personalizados da Coca Zero/Lollapalooza são lindos (se juntam aos meus belos copos da Budweiser do show do Pearl Jam)
Em relação aos shows, como não estava "a trabalho", cheguei mais tarde e só vi os shows que queria, alguns infelizmente não vi por completo, por imprevistos e percalços, mas vamos a rápidas análises:
Cage the Elephant: peguei o final e achei muito legal. São loucos e os loucos precisam estar em todos os festivais, na cota que a sanidade do organizador permite;
Band of Horses: show lindo, combinou com o entardecer. Canções belas, contemplativas. Um pouco "calmo" para um evento desta magnitude, mas contribui e acrescenta na própria diversidade do festival.
Foo Fighters: cabuloso. Dave Grohl basicamente se resume a ser frontman. Os demais guitarristas "seguram" as músicas, ele se limita a (tentar) cantá-las. Mas quer saber, e daí? O que importa é a emoção e banda se entrega, seja Pat Smear quebrando trocentas guitarras, Taylor Hawkins horrorizando na bateria... O público estava na mão mas a banda soube por onde levar o show. O único porém foram alguns breaks desnecessários e um pouco longos nas próprias músicas (impaciência em virtude da idade, desconsiderem), mas Foo Fighters fez um show pra galera. E pra eles também, seja chamando Joan Jett pra duas músicas dela, seja tocando Led Zeppelin e Pink Floyd. Arrepiei e quase fui às lágrimas com Best of you e Everlong. Vibrei de emoção com a surpresa de tocarem Hey, Johnny Park! Isso já bastou. Estar lá, in loco, serve pra isso. Pra deixar o show te contagiar. E isso não faltou. O repertório podia ser melhor, claro. Mas já foi o suficiente, tomara que não demorem mais 11 anos pra retornar.
O dia 2 foi MUITO MELHOR. Menos gente, menos filas, mais conforto, era possível caminhar sem esbarrar, sem pedir licença ou desculpas. Estava confortável, como todo show deveria ser.
MGMT: loucos. O céu escuro e os raios que cruzavam o céu contribuíram para uma catarse coletiva de até quem estava sóbrio, poderia embarcar na viagem.
Jane's Addiction: começo empolgante, mas a banda já perdeu o timing. Feliz em ver o grande Dave Navarro ainda tocando demais e os bons hits Caught been stealing e Just because.
Foster the People: mais uns 10 anos de rock, estrada e loucuras e eles podem, quem sabe, serem considerados uma promessa para ser um próximo Primal Scream. Falta muito ainda, mas estão se esforçando.
Arctic Monkeys: não são (ainda) headliners. Possuem algumas boas músicas, a grande maioria do mais recente álbum. O público cantava todas as recentes músicas (fãs antigos e novos) e antigas eram entoadas apenas por alguns. A banda cresceu, ganhou novos fãs, mas precisa saber conciliar as "duas fases". Show irregular, mas a banda é ok. Mais um tempo na Califórnia e a promessa é de ótimos álbuns por aí. E shows, em consequência.
De resto, fiquei conversando com amigos, bebendo cerveja, comprando quinquilharias e certamente, foram momentos tão bons quanto estes acima. Valeu muito a pena ter ido, mesmo com os alguns pesares, que servirão (?) de aprendizado para os próximos.
Esta foto aí é do (até então) único show do Foo Fighters no Brasil, lá em 2001, no Rock in Rio. Um show memorável. Desde então, foram 3 álbuns de estúdio, uma coletânea e dois álbuns ao vivo. Portanto, Dave Grohl tem novidades para nos contar.
Abaixo, as 5 razões pra você IR ao festival:
1. Foo Fighters - e as expctativas aumentaram ainda mais após o excelente show no Lollapalooza Chile, com um ótimo repertório e boas covers. Estão em um grande momento, com um ótimo álbum debaixo do braço e o público nas mãos há onze anos. Promessa de show histórico.
2. Arctic Monkeys - Suck it and see representa a virada na carreira, na qual estão se tornando menos juvenis/inglesinhos e mais roqueiros/globais, com um belo álbum pra mostrar e bons hits dos álbuns anteriores.
3. Band of Horses - confesso que nunca vi nada deles ao vivo, se chegar perto da beleza que demonstram no estúdio, vão fazer marmanjos chorarem pelo gramado.
4. Cage the Elephant - porque eles são muito loucos.
5. MGMT - porque eles são muito loucos e psicodélicos.
Cinco razões pra NÃO IR:
1. O Rappa - hã? Pagar 300 reais pra vê-los? Podem tocar na esquina da sua casa por muito menos. E ainda sair caro.
2. Gogol Bordello - punk cigano é coisa de universitário engajado, se você já passou dos 25 anos, tá na hora de repensar seu gosto musical.
3. MGMT - porque eles são muito loucos e psicodélicos.
4. Cage the Elephant - porque eles são muito loucos.
5. Velhas Virgens - hã? Pagar 300 reais pra vê-los? Podem tocar na esquina da sua casa por muito menos. E ainda sair caro.
Caravana sereia bloom, terceiro álbum da cantora Céu, expande e diversifica o seu repertório. Após o introspectivo e delicioso Vagarosa (2009), quem esperava por outro álbum sombrio, climático e flertando com o trip-hop, pode se decepcionar. Ele até está representado, na melhor faixa do álbum, a surpreendente Retrovisor que encanta os fãs de Portishead. Mas o novo disco é mais diversificado.
E ensolarado. Falta de ar, que toca pelas rádios, é um bom cartão de visita. Outro ótimo exemplo é no lindo e ensolarado reggae You won’t regret it, regravação deLloyd Robinson e Glen Brown, remete à Jamaica dos anos 1960 com total fidelidade.
A “marchinha envelhecida”, com levada jazz Amor de antigos é outro destaque, com seus lindos teclados dialogando e te deixando perplexo. Palhaço representa uma típica (e bela) canção tradicional de MPB. Não posso esquecer de citar a insinuante Chegar em mim e sua guitarra, digna de aplauso.
Céu apresenta um trabalho para aumentar e diversificar seu público por aqui, além de consolidadr seus fãs no exterior. É um belo e digno trabalho.
Esse cara é um dos maiores injustiçados da história do rock. Ele é genial. Repito, em caixa alta: GENIAL. Não teve sua importância reconhecida. E nem terá. Pois ele não trilha os caminhos fáceis do mainstream e da música pop. Vamos aos fatos.
Paul Weller já fez muita coisa relevante com suas bandas The Jam e Style Council. E tem uma carreira-solo de muito respeito. Em 2008, ele lançou o espetacular 22 dreams, sem dúvida um dos 10 melhores álbuns da década. Sério, pare de ler e vá escutá-lo, é um favor que você faz pra você mesmo. Dois anos depois, lançou o bom Wake up the nation. E agora, resolveu desafiar o público.
Adoro artistas que saem da zona do conforto. Weller poderia fazer mais álbuns de rock, com acentos folk e orquestrações. Ele sempre se deu MUITO BEM nessa área, influenciando todo o britpop dos anos 1990. Mas resolveu se reinventar (o que não é novidade pra ele). Só por isso, já merece meu aplauso. O risco da subversão é lindo. Essa frase podia ser do Gilberto Gil, mas atesta o choque ao escutar Sonik kicks, seu 11º álbum de estúdio. E endossa a beleza de um disco que nasceu para ser incompreendido, mas que é belíssimo.
É eletrônico. Ponto. Mas não por inteiro, é cerceado por jóias pop, como a faixa 5, a linda By the waters.Kling I klang é divertidíssima. The attic veio diretamente dos anos 1980 e não faz feio. O pop descarado (e sem vergonha) aparece em That dangerous age. Qualquer desavisado pensaria que Study in blue é Gorillaz. Mas é (ainda) melhor.
Ouça este novo álbum deixando para trás o que conhece de Paul Weller. Descobrirá, que mais uma vez, ele te testa, mexe com sua paciência, mensura seus limites e sem perceber, você se dá por vencido. Não é um álbum fácil. Mas os álbuns mais deliciosos, são assim que são concebidos. Lembra do Kid A do Radiohead? Odelay do Beck? Up do R.E.M.?Sonik kicks é o "Up" do Paul Weller, tanto no conceito, como na subversão.
Será preterido agora, porém aclamado depois. Podem anotar.
Eu poderia "chover no molhado" e explicar a importância de Bruce Springsteen para o cidadão norte-americano. Poderia discordar deste estereótipo e dizer que as "canções do proletariado" de Bruce são universais e são sucesso em todo o mundo. Esta foto, do show dele na Inglaterra e a posição dos seus álbuns, que vendem bem, não apenas nos EUA, é prova irrefutável disso.
Mas vou fugir da óbvio. Aliás, nem tanto, pois vou elogiar o já incensado Wrecking ball, mais recente álbum dele, recentemente lançado. É uma coletânea de hinos pra embalar multidões. Canções com refrões fortes, palavras de guerra, movidas por muita energia e emoção.
Não vai ser fácil algum álbum neste ano apresentar uma trilogia de músicas tão bonitas, como a sequência das faixas Wrecking ball, You've got it e Rocky ground. Só elas já valem o disco inteiro e são de arrepiar.
The Boss ainda nos presenteia com músicas com forte influência do folk irlandês, como Easy money, Death to my hometown e (principalmente) We are alive. E ainda emociona em canções grandiosas, pra levantar estádios, do porte de Land of hope and dreams ou na balada Jack off all trades, simplesmente maravilhosa.
O disco é tão bom, mas tão bom, que nem precisei citar o primeiro single, já bastante divulgado por aí. E nem vou me dar ao trabalho. E nem é por desmerecimento. É porque Wrecking ball, de fato, é bom demais. Springsteen continua urgente e necessário. Assim como um show dele por aqui...
Ben Kweller tem pressa. Aos oito, já tocava violão. Aos doze, montava sua primeira banda, a grunge Radish. Seis anos depois, após dois EPs e um álbum (com o hit Little pink stars), inicia sua carreira solo.
Em 2002, o aclamadíssimo Sha sha é lançado. Primor pop com temperos de grunge e rock alternativo, alternando Beatles, Weezer e Elton John. Sério. Dois anos depois, o surpreendente On my way te conquista aos poucos, com suas baladas arrasadoras e seus rocks mais agressivos. Mas o pop nunca o abandonou e prosseguiu conduzindo Kweller, no subsequente e homônimo álbum (2006), na sua aventura pelo country em Changing horses (2009). E agora o abraça no mais recente álbum, Go fly a kite, lançado há menos de um mês.
Mais uma vez, o garoto (que já está com 30 anos, mas continua um adolescente no fôlego e no espírito) nos oferece uma coleção variada de especiarias de alta qualidade. I miss you é fácil uma das cinco baladas mais bonitas do ano. Já You can count on me é aquela canção perfeita para as manhãs ensolaradas de sábado, para acompanhar seu sorriso após o café-da-manhã enquanto espreita o sol que vagarosamente invade a sala. Sim, pra comerciais de margarina também.
O pop irresistível de Kweller ganha fôlego na linda Out the door, com ecos de George Harrison e um sutil flerte com o country rock. Full circle também tem um pé na roça e o sorriso fácil de quem por ventura a escuta. O refrão de Jealous girl é pegajoso. Gossip é sutil e encantadora, com o piano conduzindo a música. (Aliás, não há uma canção de Kweller ao piano que seja ruim). Free tem um jeitão meio T-Rex e o rock setentista. The rainbow é apenas a melhor do disco e uma das melhores do ano.
Desde By the way (2002), do Red Hot Chili Peppers, eu não escutava um álbum com tantos hits. É um disco fácil de ouvir e gostar, mas não se engane. A arte em se fazer (e acertar!) canções com acento pop é dificílimo. Kweller tem este dom. Ouça agora! Sem pressa.
Um dos grandes nomes do rock inglês anunciou seu retorno. O Blur tocará na cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Londres. E na última semana, deu uma prévia de como serão seus shows ao relembrar quatro sucessos no Brit Awards: Tender, Girls & Boys, Song 2, Parklife, além da menos popular e bela This is a low. Ainda levaram o prêmio de “contribuição pela música inglesa”, que geralmente recebem bandas que estão próxima do fim. No caso do Blur, que turbine o seu retorno.
O Blur teve uma estréia (convenhamos) tímida, medíocre, com Leisure (1991). Dois anos depois, Modern life is rubbish já era melhor, mas ainda não empolgava.
Com Parklife (1994), o grupo marcou seu nome entre os grandes do rock inglês. E sua popularidade se manteve firme, com o bom The great escape (1995), o espetacular Blur (1997), o excelente e esquisito 13 (1999) e se despediu com o belo Think tank (2003).
Sim, é puro saudosismo. E a esperança se renova de fim ver um show deles. Só vieram ao Brasil, uma vez, em 1999 e não pude ir pois era muito novo (mentira, era época de vestibular e apanhava horrores de matemática, química, física e biologia).
Então é aguardar por mais boas notícias e que Damon Albarn, Graham Coxon, Alex James e Dave Rowntree nos apresentem músicas novas, como a ótima Under the westway, que já costumam apresentar nos shows.
Abaixo, assista a um dos melhores videoclipes da história, Coffee & TV, do Blur: