

Para quem não sabe o que é, o National Novel Writing Month (Mês Nacional de escrever romances) é um evento completamente maluco e sem pé nem cabeça que um grupo de americanos criou em 1999. O objetivo é escrever um livro de 50 mil palavras em um mês. Para isso, existem guerras de escritas, milhares de blogs dando dicas pelo mundo e fóruns intermináveis com centenas de milhares de participantes comentando, se declarando, pedindo ajuda ou penico.
É nesse universo que estou entrando. A partir de 1º de Novembro dedicarei grande parte do meu tempo livre nisso. Afinal de contas, para atingir a meta preciso escrever 1.600 palavras por dia (para você ter uma ideia, a matéria principal do meu querido
Ragga Drops tem por volta de mil palavras - e só sai uma dessa por semana.
Além de escrever uma quantidade de texto impressionante, também vou manter o blog atualizado com meus esforços para quem quiser acompanhar. E sempre que puder, postar uma dica.
Aqui vai a de hoje:
Dizem que o grande segredo de ganhar - você só ganha se completar o número de palavras - é planejar. Ou seja, é preciso ter um plano do que seu livro será, o que vai acontecer em que parte, etc. Estou me planejando e juntando coragem desde o começo de outubro com as dicas do guru americano da escrita
Larry Brooks. Ele posta uma dica todos os dias de outubro. Vale recuperar os posts do começo do mês e seguir os conselhos.

Quando aquele livro incrível, que o deixou acordado durante madrugadas e fez você sonhar acordado durante o dia, acaba, é impossível não sentir um vazio. Depois de dedicar horas preciosas àquelas páginas, tudo acabou. Para preencher a lacuna, nada melhor do que buscar a próxima leitura, o próximo livro que vai transportar você para um mundo, se não melhor, diferente.
Porém, nem sempre descobrir qual será sua próxima leitura é uma tarefa fácil. Na livraria (ou na biblioteca) existem milhares de opções, mas – apesar de o Livro Livre ter um tutorial de como escolher livros no
bit.ly/escolherlivros – é difícil reconhecer uma obra que vai tocar você quando se está limitado a olhar a capa e conferir a orelha. Se for uma pessoa que tem o hábito de comprar mais livros do que é capaz de ler, provavelmente passa pelo mesmo problema, só que dentro de casa. Na pilha de livros a ler é sempre difícil achar algo que complemente seu estado de espírito do momento e ela tende a crescer sem que você encontre o momento de dar atenção às obras.
Para superar o problema, vale acompanhar colunas (como essa!) e blogs de literatura, assinar newsletters de livrarias virtuais, conferir os outros livros de autores que você curtiu e entrar em redes sociais dedicadas a leitores vorazes, como olivreiro.com.br, goodreads.com e shelfari.com.

Criado pelo vocalista da banda My Chemical Romance, Umbrella Academy tinha tudo para ser mais um projeto de gente famosa que não deu certo. Isso até que foi anunciado que o brasileiro Gabriel Bá iria ficar responsável pela ilustração. Já conhecido no mundo dos quadrinhos pelo genial 10 pãezinhos, Gabriel deu esperança aos fãs que queriam um produto bem acabado, com uma história interessante.
A dupla não decepcionou. O livro conta a história de um inexplicável evento, no qual 43 crianças foram geradas espontaneamente por mulheres que não apresentavam sinais de gravidez. Sete delas, que apresentavam superpoderes, foram escolhidas por sir Reginald Hargreeves para integrar a Umbrella Academy, onde cada um ganha nomes como “um”, “dois” e a criação é rígida.
Apesar de ser especial, a família briga constantemente e os “irmãos” se separam. Porém, quando Hargreeves morre, eles se reúnem e são obrigados a ficar juntos para proteger o mundo – e uns aos outros – de terríveis ataques ao planeta. A série é composta de seis volumes, sendo que o primeiro e o segundo já foram publicados no Brasil.
INFO
Devir // 192 páginas // R$ 34

Mais importante do que ler esse texto até o fim é ler O homem do castelo alto, o romance de estreia de Philip K. Dick (PKD) e um dos seus melhores livros. Contando a história de como seria o mundo se os nazistas tivessem ganhado a Segunda Guerra Mundial, o livro mostra que a versão que fica é, de fato, a dos vencedores.
Se você ainda não está convencido a ler a obra de PKD, assista ao recém-lançado Os agentes do destino. E, depois, leia o conto no qual ele foi baseado, Adjustment team. Se você ler essas duas obras e curtir o trabalho do autor, pode ficar feliz. PKD foi um dos mais importantes escritores de ficção científica e lançou 44 livros e 121 contos ao longo da sua vida. É história o bastante para dedicar um ano da vida ao autor. Agora, se você está decidido a não ler nenhum livro, faça-se o favor de assistir a Minority report, O vingador do futuro e Blade runner e repensar a decisão. Todos esses filmes foram baseados em obras do autor.

Para ser escritor você tem que escrever e ler muito todos os dias. Pelo menos é isso que aconselha Thalita Rebouças, autora de Fala sério, mãe! e outros 11 livros. Aprofissão não exige diploma, mas grande parte dos escritores já passou pela faculdade de jornalismo, e Thalita não é uma exceção. “O jornalismo é uma profissão em que você exerce a curiosidade e a observação todos os dias. Virar escritor é um caminho natural”, conta.
Além de escrever – e se tudo der certo – publicar livros, o escritor deve falar bem em público, uma vez que é convidado a dar palestras em eventos literários. Thalita também conta que para se dar bem é preciso saber vender bem sua história. “No Brasil, não se tem o hábito de leitura de outros países, é preciso estar preparado para uma luta constante e receber não”, alerta. Todo esse esforço pode ser recompensado se o seu livro vender bem. O escritor recebe, em média, 10% do preço de capa por livro. “Eu vendi um milhão. É só fazer as contas”, revela Thalita. Quem quiser saber mais sobre a profissão pode conferir o iedb. com.br, que a escritora vai dar um curso sobre mercado editorial para futuros escritores.
Texto originalmente publicado na coluna "Você quer ser" do caderno Ragga Drops de 28 de julho de 2011.