Segunda-feira, 08 de fevereiro de 2010

E o frango do Carini?

Três rodadas do Campeonato Mineiro estão concluídas e destacam-se no interior as equipes: Democrata-GV, Tupi e Ipatinga. Para o experiente Euller, atacante do Coelho, o Democrata está sabendo usar o fator campo e ainda tem um bom técnico. Moacir Júnior apareceu bem no Tupi e não teve sucesso no Ipatinga. Ele conhece o interior, estuda bem seus jogadores e sabe armar tecnicamente suas equipes.

No Tupi, o trabalho de Leonardo Condé também merece destaque. Em pouco tempo deu padrão de jogo à equipe, mostrou eficiência dentro de casa e no Mineirão, mesmo perdendo por 3 a 2 para o Atlético. A prova de que não está apenas participando do Campeonato ficará para sexta-feira, contra o América, no Mineirão.

A terceira boa surpresa é o Ipatinga, que mesmo sem jogar em casa, está somando pontos. Foram excelentes suas atuações contra Cruzeiro e Atlético. Também teve problemas, porque está armando o time em cima da hora, e mesmo com limitados recursos, cresceu depois que perdeu para o Tupi, em Juiz de Fora. Caso vença o Uberlândia, na sexta-feira, vai ficar bonito na competição.

O Uberaba chegou a pintar, depois das duas vitórias iniciais, mas não resistiu diante do Uberlândia. A decepção fica para os desempenhos de Villa Nova e Ituiutaba. O encontro deles, em Nova Lima, será decisivo. A Caldense terá sua prova de fogo sábado, em casa, contra o Cruzeiro.

O Atlético segue com sua pré-temporada e está se ajustando, mas não há dúvidas de que poderia ter alcançado resultados melhores pela estrutura e os valores técnicos. O time criou chances e não as aproveitou contra o Ipatinga. Depois foi aquele drama para conseguir o empate. Méritos para o Tigre do Vale do Aço que soube jogar defendendo e no erro do adversário.

Vanderlei Luxemburgo está dizendo que sabe perfeitamente o que está fazendo. Ele quer evolução tática e técnica, sem ilusões. O que está claro é que terá de trabalhar muito. O importante é que a torcida está acreditando e apoiando, mas não está preparada para continuar condenada, sem as grandes alegrias. Não é preciso ser nenhum professor de futebol para ver que o problema de sua equipe está no meio de campo. Ele necessita, acima de tudo, de jogadores rápidos, com capacidade para defender e que imediatamente estejam no ataque. Quando houver o ajuste, caso Tardelli, Muriqui e Obina sejam os efetivados, já que a proposta é ofensiva, então o técnico vai poder dizer com confiança e certeza: “Vim para o Atlético para que o Brasil inteiro saiba que o terreiro do Galo não é só o Mineirão”.

E o frango do Carini? Lembram o que escrevi sobre os reflexos dele. Foi lenta a reação do corpo e ele foi traído pelo pique da bola. Esperava que ela viesse um pouco mais alta. É um gol que goleiro de sua experiência e categoria não pode levar.

Um detalhe que chama a atenção sobre o Campeonato: os árbitros estão tendo desempenho regular. Prova que houve preparação e eles estão mais concentrados no trabalho. Que seja assim até o final. 

Muito triste e vergonhosa a decisão de algumas equipes em marcar seus jogos para quando o sol está mais forte.  É uma derrota para o futebol.

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Domingo, 07 de fevereiro de 2010

Cruzeiro jogou para o gasto

Sem a necessidade de imprimir um ritmo forte para que seu futebol ficasse mais vistoso, dando a nítida impressão de que jogou apenas para o gasto, o Cruzeiro não teve dificuldades para vencer o Villa Nova por 4 a 2, ontem, no Mineirão, recuperando-se da derrota por 3 a 0 para o Ipatinga. Dorme na liderança como esperavam e desejavam seus torcedores. Foi um jogo tranquilo. O time, mesmo sem os principais jogadores (Gil, Fabrício, Henrique, Gilberto e Kléber) foi pouco exigido, ficando claro também que o Leão do Bonfim, que a partir da próxima rodada terá o comando do técnico Flávio Lopes, precisará melhorar muito para fugir do rebaixamento. Seus próximos jogos serão em Nova Lima, contra o Ituiutaba e Tupi, enquanto o time celeste vai a Poços de Caldas enfrentar a Caldense. Em seguida, terá o clássico com o Atlético.

Mesmo com a bela atuação, quarta-feira, quando goleou o Real Potosí, da Bolívia, por 7 a 0, classificando-se para a fase de grupos da Copa Libertadores (vai enfrentar o Vélez Sarsfield, quarta-feira, em Buenos Aires), havia uma interrogação. O time, sem os principais jogadores, teria atuação segura? O técnico Adílson Batista soube dar motivação aos comandados e a equipe entrou num ritmo bem diferente da derrota para o Tigre do Vale do Aço. Tocou a bola com segurança, correu quando necessário e liquidou o jogo na hora certa.

Foi tão tranquilo para os celestes que, mesmo que os jogadores de melhor qualidade que estavam no banco – Jonathan, Marquinhos Paraná e Thiago Ribeiro – não tivessem entrado, o jogo em pouco mudaria. O Cruzeiro os colocou em ação na segunda etapa apenas com o objetivo de ainda se tornar mais superior. Deu tudo certo, sem um desgaste maior para aqueles que estarão, no meio de semana, jogando pela Libertadores.

(Este é meu comentário de hoje no jornal ESTADO DE MINAS)

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Sexta-feira, 05 de fevereiro de 2010

A confiança do comandante

Esta semana conversei com Vanderlei Luxemburgo e também com Adílson Batista. Claro que ainda vou bater um papo com Marco Aurélio e, se possível, com os outros técnicos dos times do interior para poder transmitir a vocês o pensamento deles sobre o futebol mineiro, seus times e perspectivas para a temporada.

Vou começar por Adílson Batista, que é quem acompanho há mais de dois anos. Tenho respeito por ele e admiro seus conhecimentos, sua seriedade no trabalho e o desejo de fazer história. Ele tem muitos sonhos, graças à base construída, de ver sua equipe nas alturas. Queria ser tricampeão mineiro invicto e se sentiu muito derrotado pelos 3 a 0 contra o Ipatinga. “Doeu muito”, diz. Isso para que vocês tenham idéia de como um resultado mexe com os sentimentos de quem comanda uma equipe. Ele acha cedo para fazer previsões: “Sei o que podemos alcançar com nosso trabalho e com as opções que tenho”. E o time? “Cresceu muito, no todo, pela conscientização, responsabilidade, empenho e união dos jogadores, mas é apenas o começo”. O que mais lhe agrada: “É ver a bola sair do nosso campo e em apenas 12 segundos estarmos no gol do adversário”. Ele não tem dúvidas de que a manutenção do grupo está sendo essencial para o Cruzeiro: “Porque conhecemos a capacidade de cada jogador. Muitos vão evoluir e ainda temos a experiência do ano passado”. O recado para o torcedor em relação ao  que esperar do Cruzeiro na Copa Libertadores: “Uma campanha superior à do ano passado. É o que queremos e estamos trabalhando. Vejo meu grupo muito unido e comprometido. O espírito é mais forte”. Adilson foi quem mais gostou da permanência de Kleber: “Porque ele é profissional, tem qualidade e define. Transmite muita força para os companheiros. Jogador brigão, de caráter, vencedor e que enfrenta os desafios. Vai para a briga mesmo, como tem de ser”.  Roger: “Recuperando a sua condição física vai ser importantíssimo. Sua qualidade técnica não se discute. Sabe jogar. Não tem a explosão do Wagner, mas é mais inteligente para jogar. Quando estiver pronto vamos tentar utilizá-lo bem”.

Sobre os adversários na Copa Libertadores: “Vamos vê-los em ação para opinar. É preciso ver os primeiros jogos para chegarmos às conclusões. Respeito a todos, mas o Cruzeiro está ficando pronto para a briga. Já demos as primeiras respostas. A goleada por 7 a 0 sobre o Real Potosí foi excelente”. E os demais concorrentes brasileiros: “Na mesma situação. Buscaram reforços, mas é preciso jogo para poder afirmar quem tem chances. Por enquanto pesa a tradição, são grandes e eles querem o título, como nós”. Atlético: “Cresceu e agora tem um comandante que merece todo o respeito pela inteligência e currículo. Vai dar muito trabalho, mas eu não abro mão do título mineiro”. América: “Seus resultados indicam que terá uma boa campanha no Campeonato Mineiro. Vai disputar o título?: “Não sei. Vamos ver mais um pouco o time em ação”. Interior: “Nada diferente dos outros anos, mas é preciso tomar cuidado para não sermos surpreendidos”. Gilberto: “É um jogador importantíssimo. Obediente, de caráter, de grupo e guerreiro”. Adílson prepara todas as situações possíveis para definir a equipe e admitiu mais uma: “Posso até escalar Gilberto e Roger”.  

 

Também conversei com o armador Gilberto, sobre a expulsão em Potosí: “Fiquei assustado comigo. Fui atingido na jogada e achei que foi agressão. Ele me deu um chute por baixo e revidei. Errei. Sinto-me envergonhado por causa das minhas filhas e minha mãe. Não é essa a educação que recebi. Sobre o futebol, esteja certo de que eu sempre recebo as criticas e elogios da mesma forma. Jamais vou para o céu ou para o inferno. Para os que exageraram nas críticas posso dizer que nunca fui ou serei desonesto. Um mau caráter."

 

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