Dezoito dias sem internet, sem ter de vestir roupas de trabalho, sem bolsa grande, sem hora pra ir e vir, sem a angústia de ter de enfrentar a peleja diária e às vezes ter tão poucos recursos para dar conta dela, sem a zoeira da redação (que me alimenta, mas também me exaure), sem as notícias incessantes do mundo, sem crachá (sem crachá!), sem despertador, sem banho apressado, sem almoço apressado, sem supermercado apressado, bem longe da vida corrida, bem perto do silêncio, de mim mesma e dos meus.
A todos os que passam por este blog, desejo valentia, serenidade e saúde para enfrentar 2009.
A primeira vez que ouvi a palavra anistia, no final da década de 70, eu era uma caloura da universidade, encantada com a descoberta de um novo mundo. Tive vergonha de dizer a meus novos colegas que desconhecia o significado da palavra. Corri ao dicionário: a primeira acepção é a de esquecimento, no sentido amplo do perdão. A segunda é a que valia para as circunstâncias: “Ato do poder público que declara impuníveis delitos praticados até determinada data por motivos políticos ou penais, ao mesmo tempo que anula condenações e suspende diligências persecutórias”. Eu descobria a anistia e no esteio a razão pela qual os segmentos progressistas reivindicavam o perdão aos presos, exilados e perseguidos políticos. Lá fui eu de novo ao dicionário: Exilado vinha de exílio. E eu lá sabia o que era exílio? “Expatriação forçada ou por livre escolha; degredo”.
A descoberta do sentido de novas palavras não é meramente um aumento de vocabulário. Essa a menos importante das conseqüências. Desbravar palavras desconhecidas amplia a nossa perspectiva de vida, aumenta o entendimento das coisas do mundo e de si mesmo, expande a cosmogonia de cada um de nós. Cosmogonia, a propósito, é o conjunto de princípios que explica a origem do universo e, por extensão, o sentido da vida.
Anistia foi só o começo. Foi uma tempestade de novas palavras que alargaram o modo como em entendia o mundo e, portanto, o território do mundo que me acolhia. E tome Aurélio (naquele tempo ainda não havia Houaiss): Dialética, capitalismo, comunismo, imperialismo, socialismo — cada nova palavra abria um clarão no viver. E não era de flores que se falava, era da realidade cruenta daquele tempo.
Ao contrário do que se aprende na escola, as novas palavras não saíam dos livros — ainda que neles estivessem. Saíam dos debates, das reuniões, das manifestações. Tinham vida autônoma, aquelas palavras. Ferviam, vibravam, buscavam, protestavam, denunciavam. Depois, é verdade, se transformavam em jargão cansativo e alimentavam dogmas. Mas até aí já tinham transformado a vida de muitos jovens estudantes loucos pra mudar o mundo.
As palavras envelhecem e surgem novas, sucessivamente, como se estivessem reinventando o mundo. E estão. Sem as palavras, não existimos, somos o vazio. As palavras são a ponte entre o nada e a promessa de alguma coisa — a saber que coisa será. Saber, aliás, é a palavra. Saber, sapiência, sábia, sabidão, sabichão, sabedor, sabedoria. E, se for um saber no rastro de Roland Barthes, saber com prazer, então… é o mote para a vida.
Andam dizendo por aí que 2009 vem pra arrebentar, que já está afiando os dentes, que vai esfolar a nossa pele. De minha parte, já estou pondo meus cabelos enroladinhos de molho e armazenando valentia e calma, que é do que a gente mais precisa nas horas extremas.
Até eu, que nunca dei importância ao calendário, que nunca acreditei no determinismo das datas, que nem sei dizer que ano foi o melhor ou o pior da minha vida, ando com medo deste que se anuncia.
Temo por mim e pelos meus, mas temo também pelo que faremos de todos nós. As crises costumam revelar o que o humano tem de pior ou de melhor. Quando o Titanic começou a dar sinais de que iria afundar, apareceram os que queriam socorrer os que estavam se afogando, os que só pensaram em se salvar, os que se mostraram capazes de morrer para salvar os companheiros, os que seriam capazes de matar para se salvar. E os que ensaiaram uma ou outra coisa, uma e outra coisa.
Eu poderia fazer bonito aqui e dizer ou deixar implícito que sou da turma dos que quererão se salvar e ajudar a salvar quem eu puder. Não sei. Nunca se sabe quem se é na hora do desespero. Esse instante-limite nos revela a nós mesmos. Nos momentos de desespero, o desconhecido que há em nós aparece sem que tenhamos controle sobre ele.
Quando eu era adolescente, vivi uma grande tragédia, a maior de minha vida e da minha família. Quem mais nos ajudou, quem nos deu a ajuda fundamental, foi uma moça de 22 anos, que não tinha nenhum parentesco com a gente e, até então, uma ligação de afeto quase superficial. Era uma moça aparentemente frívola, vaidosa com as roupas, a maquiagem, o cabelo, uma moça que parecia nunca ter tido contato com a dor e que parecia não querer saber de nada que fosse complicado.
Linda é o nome dela. Linda largou tudo para cuidar de minha família nos cafundós do Judas. Ficou mais de mês ao nosso lado sem que em nenhum momento eu a tenha visto reclamar da falta de manicure, cabeleireiro, das poucas roupas que havia levado, das acomodações não muito confortáveis. Estava o tempo inteiro sorridente, mesmo quando não sabia o que dizer ou o que fazer. Sorriso límpido, verdadeiro.
A presença de Linda em minha vida, em circunstâncias tão penosas, me fez acreditar que os humanos podem ser surpreendentemente solidários. E é disso, de solidariedade, que mais se precisa quando a terra treme sob os nossos pés. Por isso, que venha 2009. Ninguém está sozinho, por mais amargo e descrente que seja.
P.S. O antepenúltimo erro do ano: na crônica de ontem, citei os municípios que fazem fronteira com o DF. Na verdade, não são oito, são 12. Além dos citados, há também Águas Lindas de Goiás, Cidade Ocidental, Novo Gama e Cocalzinho de Goiás, todos esses municípios recém-criados.
A cidade da Semana Santa mais importante da região, de uma das capelas de arquitetura colonial mais singelas, completa 150 anos em agosto próximo. As comemorações começam no último dia do ano, numa grande festa no estacionamento do Ginásio de Funções Múltiplas. Haverá shows da Brazilians Band, Os Marotos, Sambrasilia, Dj Gelin, Zezito & Zé Paulo e Rodrigo Estrada & Rangel. Está sendo montada uma megaestrutura de palco, luz e som, parque de diversões, boate, queima de fogos, banheiros químicos, praça da alimentação e como o Brasil é sempre o Brasil, haverá também uma área VIP para os vips planaltineses.
Planaltina nasceu como um povoado, de nome Mestre d’Armas, alçado à condição de distrito de Formosa em 19 de agosto de 1859. A data continuou a ser considerada a de fundação da cidade, mesmo depois que Planaltina se transformou em município. O historiador Paulo Bertran atribuiu o primeiro nome da cidade, Mestre d’Armas, à existência de um ferreiro, mestre no conserto e na fabricação de armas.
Praça dos Namorados fotos do site www.distritofederal.df.gov.br
Apesar dos 150 anos oficialmente comemorados, há registros da existência do povoado desde a metade do século 18, quando ali havia um ponto de parada da estrada real, trilha por onde escoava o ouro e onde a Coroa Portuguesa arrecadava dízimos territoriais.
A cidade de Planaltina começou a mudar o próprio destino com a passagem da Missão Cruls, em 1892 e, 30 anos mais tarde, quando ali foi assentada a pedra fundamental da futura capital do país. Hoje é uma cidade de 234 mil habitantes, muita pobreza, muita violência, mas com uma rica história que precisa ser resgatada e cultivada para que seus habitantes conquistem cidadania.
O Distrito Federal faz divisa com doze municípios, sete deles goianos e um mineiro (e não é Unaí nem Paracatu, como apressadamente se pode imaginar). Quando se desenhou o quadradinho no mapa de Goiás, o DF engoliu pedaços de três municípios: Planaltina, Luziânia e Formosa. O que sobrou deles passou a fazer fronteira com o território da capital federal e outros cinco municípios encostaram suas terras nas terras de Brasília. São eles (além dos três supracitados): Padre Bernardo, Cristalina, Santo Antônio do Descoberto, Valparaíso, Águas Lindas, Cocalzinho, Novo Gama, Cidade Ocidental e o município mineiro de Cabeceira Grande. Essa foi a grande surpresa. Onde fica CG? Por que quase nunca se fala dela?
É minúscula a fronteira entre o DF e Cabeceira Grande. É uma pontinha que se encosta na quina sudoeste do quadradinho, a 170 km do Plano Piloto. CG pertencia ao município de Unaí até 1995. É pequeno, tem seis mil habitantes e é muito pobre. De acordo com o Mapa da Pobreza e Desigualdade dos Municípios Brasileiros, de 2003, metade da população, 50,27%, está na linha de pobreza. Essa, aliás, é uma realidade comum a todos os municípios que rodeiam a capital do maior índice per capita do país: são municípios de uma pobreza excruciante. Nos doze municípios, vivem mais de 600 mil pessoas, e em quase todos a pobreza atinge metade ou quase metade da população. Exceto Cristalina, que apresenta menor índice, 38% de pobreza.
A maioria dos municípios surgiu entre os séculos 18 e 19. Cristalina, por exemplo, foi fundada na segunda metade do século 19, por dois franceses mercadores de pedras preciosas, Etiene Leperqueur e Leon Laboissière. Os dois conheceram a Serra dos Cristais e enviaram amostras do minério para Paris. Os parisienses gostaram da qualidade do cristal para utilização ótica e artesanal. Em 1880, os dois se instalaram na região, com isso estimularam o garimpo e logo, logo os cristais estavam sendo transportados em lombo de burro até Paracatu e dali para o porto do Rio de Janeiro.
São cidades cheias de história. Dos doze vizinhos, Planaltina foi o mais foi atingido pela nova capital. O pedaço de chão onde estava a cidade passou a fazer parte do DF. O restante ficou sem sede. Criou-se então Planaltina de Goiás, cidade que nasceu com um plano urbanístico, que começou com barracos de madeira e por isso passou a ser chamada de Brasilinha.
Planejada para ter 110 mil habitantes em 2017, Planaltina de Goiás já tem 76 mil e um perímetro urbano seis vezes maior do que o do projeto original. Padece, como as demais, de falta de serviços básicos de educação, saúde, segurança e de um serviço de transporte público minimamente decente.
A criação de Brasília redistribuiu a pobreza. Trouxe-a para perto do poder. O que não é de todo mau. Põe o Brasil de verdade mais perto de quem nele manda.
Em tempos de gastronomia sofisticada, de pequenas esculturas no centro de um prato, de doces desenhados a mão, o alfenim deixa na gente um gosto de saudade. É um doce de origem árabe/portuguesa, cultivado durante séculos pelas cozinheiras de Goiás Velho e vendidos pela janela dos casarões e das casinhas da cidade. Dizem que hoje quase não se vê mais alfenim em Goiás.
Luís da Câmara Cascudo definiu o doce como “uma massa de açúcar, seca, muito alva” em forma de animais, flores, cachimbos, peixes. O alfenim é um puxa-puxa moldado com as mãos, no limite da insistência e da paciência, até que a massa fique branca e se deixe levar pelo desejo das mãos do cozinheiro até tomar a forma que ele queira.
Quando os árabes invadiram a Península Ibérica, no século 8, levaram consigo o alfenim, por eles chamado de “al-fenid” ou “al-fanid”, que em árabe significa branco ou alvo. Com o descobrimento do Brasil e o desenvolvimento do cultivo da cana-de-açúcar, o alfenim passa a fazer parte da culinária brasileira. Gilberto Freyre cita-o em sua obra.
Encontrei receitas de alfenim em sites portugueses. Clique aqui se quiser aproveitar as folgas de fim de ano para aprender a fazer docinhos brancos com jeito de bibelô de porcelana.
A chuva que cai sobre o quadradinho ainda não umedeceu a secura dos 124 dias sem gota d’água. As chuvadas dos últimos muitos dias ainda está nos redimindo da aridez de agosto/setembro/outubro. Pra quem já se esqueceu, a temporada de seca deste ano desafiou a valentia dos brasilienses, exigiu de nós uma resistência de povos do deserto, nos roubou o ar, nos deixou à beira da loucura.
Por tudo o que experimentamos nesse passado recente, não vale reclamar que está chovendo demais, que essa chuva não pára, que essa cidade tem um clima maluco, que ora é seca de deserto, ora é chuva amazônica, que Lucio Costa poderia ter dado um jeito nisso.
A natureza não existe para apaziguar nossas demandas. Ela existe, ponto. Ela é deserto, é vulcão, é neve, furacão, tormentas, tufão, geleiras. E o destino do homem tem sido domá-la — em vão. Mas conseguiu a ela se adaptar, sobreviver e ocupou regiões onde a adversidade parecia insuportável para a frágil espécie bípede e falante.
O povo tuaregue é mestre na arte de viver em condições de suprema dificuldade. (Tuareg significa “abandonado pelos deuses”). Nômades, habitam o miolo do deserto do Saara. Convivem com a contínua morte de seus animais, fundamentais para sua sobrevivência. Nas caminhadas sem fim, cabras, ovelhas, camelôs, vacas vão sendo derrotados pela seca. Caem como moscas.
Os tuaregues seguem, vestidos da cabeça aos pés com longos mantos, de onde uma fresta os permite ver o mundo e enfrentar a crueza do deserto. Apesar de tudo isso, e de viverem em constantes conflitos, os tuaregues são músicos — as mulheres tocam violino, os homens, tambores ou flautas de madeira. É um povo artesão, que dá novos sentidos ao metal, à madeira e ao couro.
É uma etnia que ama o deserto, a ponto de querer transformar o lugar onde vive numa nação. Para os tuaregues, o deserto é a corporificação do divino. Eles não existem sem o deserto, são parte dele como o são a areia, os ventos, o frio intenso da noite e o calor causticante do dia.
Não se vê um tuaregue reclamando da falta de chuva. Não se ouve reclamações do gênero: “Ah, que deserto horroroso. Isso não é vida. Não chove nunca nesse lugar”. Um tuaregue traz nele todo o deserto, como o sertanejo carrega o sertão dentro de si por toda a vida.
Mais chuva, menos chuva, mais seca, menos seca, o brasiliense da gema vai incorporar a dualidade do clima da cidade. Meio ano de aguaceiro, meio ano sem gota d’água. E vai levar aonde for essa dupla natureza e traduzi-la no seu modo mesmo de ser, estar, agir e fazer.
Então, o aguaceiro incômodo destes e dos próximos dias deixará de nos incomodar. Será parte de nós. E disso o Nicolas Behr fará um poema (se é que já não fez), o Vladimir Carvalho incluirá uma cena de seca/chuva em seus filmes, o Zé Mulato e Cassiano fará uma música caipira, o Ralph Gehre produzirá uma tela. Como o deserto para os taruegues, a chuva e a seca fará parte de nós.
Faz 25 anos que Miró morreu. Foi na tarde do Natal de 1983, aos 90 anos, em Palma de Mallorca, na Espanha. Com seu jeito singular de entender a arte moderna, Joan Miró deixou não apenas obras que estão no imaginário do mundo ocidental, mas deixou também uma frase famosa: “Quero assassinar a pintura” (“Quiero asesinar la pintura”).
Miró foi também um homem apaixonado mas, ao contrário de seu amigo Picasso, foi um homem fiel. Tanto que, dias antes de morrer, escreveu com uma letra quase ilegível: “Pilar, t’estimo”. E quando a conheceu, comentou com um amigo que ela era “a mulher mais formosa e mais doce do mundo, e sem mácula de intelectualidade”.
Era o que Miró procurava e foi desse modo que tingiu suas telas: usou uma linguagem de símbolos primitivos, surrealistas, porém sem mergulhar nas entranhas conturbadas da psiquê. Trabalhava muito. Levantava às seis e ia para o ateliê. Parava às oito, descansava e volta às telas até as duas. Parava até as quatro e começava de novo, até as oito. Era muito metódico e trabalhador, segundo contou ao jornal El Pais, Lluís Juncosa, seu cunhado, hoje com 90 anos. Clique aqui para ler mais.
“Brasília é construída na linha do horizonte. Brasília é artificial. Tão artificial como devia ter sido o mundo quando foi criado. Quando o mundo foi criado, foi preciso criar um homem especialmente para aquele mundo. Nós somos todos deformados pela adaptação à liberdade de Deus. Não sabemos como seríamos se tivéssemos sido criados em primeiro lugar e depois o mundo deformado às nossas necessidades. Brasília ainda não tem o homem de Brasília. Se eu dissesse que Brasília é bonita veriam imediatamente que gostei da cidade. Mas se digo que Brasília é a imagem da minha insônia vêem nisso uma acusação. Mas a minha insônia não é bonita nem feia, minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto. É o ponto de vírgula. Os dois arquitetos não pensaram em construir beleza, seria fácil: eles ergueram o espanto inexplicado. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério”. (Clarice Lispector)
Estranho fenômeno aconteceu hoje, 25 de dezembro, na cidade de Belém, em Jerusalém. Os planetas alinharam-se no céu, como nunca dantes se viu, formando o desenho de uma estrela muito brilhante. No mesmo instante, uma mulher viajante, de nome Maria, deu a luz a um bebê numa gruta onde havia um estábulo. Maria e seu marido, João, fizeram feito longa e penosa viagem vindos de Nazaré, mas não conseguiram encontrar quarto em nenhum hotel da cidade. A grávida Maria viajou em um burrico, guiada pelo marido e durante certo tempo cavalgou sentindo as dores do parto. José contou que houve momentos muito difíceis na caminhada. Cruzaram montanhas traiçoeiras, enfrentaram rios nervosos e desertos impiedosos.
Quando não havia mais jeito, dadas as dores cada vez mais fortes e mais freqüentes, José improvisou um berço numa manjedoura, o cocho onde se deposita a comida dos bichos.
Pouco depois do nascimento da criança, o casal se surpreendeu com a visita de três reis magos, para assombro ainda maior dos pastores de ovelhas que estavam por ali. O sábio Melquior, o tradutor Gaspar e o astrônomo Baltazar contaram que vinham seguindo a estrela brilhante desde a Pérsia até a Judéia. Eles previram o alinhamento dos planetas e sabiam que o fenômeno era o anúncio do nascimento do tão esperado Messias.
Se os reis magos tinham certeza de que o bebê de Maria e José era o filho de Deus, Maria não estava tão certa assim. Nem os pais dela nem o marido acreditaram quando ela disse que ouviu de um anjo a notícia de que daria à luz o filho de Deus. Sorte dela é, que na noite seguinte, José teve um sonho no qual o anjo Gabriel diz a ele a mesma coisa. Desde então, passou a dar todo apoio à mulher e ela se deu conta que o marido era um mesmo um bom homem, um cara corajoso.
Mas o pior ainda viria. O casal teve de fugir de Nazaré, depois que o rei Herodes baixou decreto ordenando a realização de um censo demográfico para, assim, contar todos os bebês e encontrar o filho de Deus. José e Maria, então, fugiram para Belém. Mas, antes, José teve de prometer aos sogros que protegeria a filha deles e o bebê com todas as forças das quais dispusesse.
Com o nascimento do bebê e a chegada dos reis magos, cheios de presentes de ouro, incenso e mirra, o casal se esqueceu de todo o sofrimento. Mais ainda quando Melquior, espantado com o nascimento do novo rei em circunstâncias tão miseráveis, proclamou: “O maior dos reis, nascido no mais humilde dos locais”. Eles então sabiam do segredo de José e Maria. E provavelmente o rei Herodes logo saberá.
Dizem que o mundo nunca mais será o mesmo. E durante milênios os cristãos vão celebrar o dia do nascimento do bebê de Maria. E que ele, quando crescer, vai deixar ao mundo montanhas de ensinamentos, mas que poucos vão aprender verdadeiramente a lição do filho do Messias. Dizem.