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<category>Blog Dzai</category>
<description>blog para quem ama ou gostaria de amar Brasília</description>
<copyright>UAI - Nenhum é tão você. Todos os direitos reservados</copyright>
<title>Blog da Conceição</title>
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<title>Blog da Conceição</title>
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		<title><![CDATA[Saio de férias por três semanas. Me esperem, por favor]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

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		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

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		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<P><FONT face=Arial size=2><FONT face="Utopia,Times New Roman" size=2><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><STRONG></STRONG></FONT>&nbsp;</P> <DIV align=justify> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=6>O bandido e a mamadeira</FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Aconteceu num bairro de classe média de uma das mais desenvolvidas cidades-satélites do DF. A dona da história só me permitiu contá-la neste pé de página depois que lhe dei minha palavra de que não revelaria nomes nem cidade.</FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Foi num dos sábados de junho. Toda a família estava em casa — mãe, avó, uma adolescente de 16 anos, uma garotinha de 10, um quase-bebê, e a empregada. Uma voz de homem, se dizendo dedetizador, tocou o interfone e disse estar a serviço do condomínio. "Queremos ver se sua casa vai precisar de ser dedetizada". </FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Não fosse sua irritação, a adolescente teria consultado a mãe antes de liberar a entrada do estranho. Estava colocando os pés na bacia d’água quando teve de atender ao interfone, a pedido da mãe. Emburrada, nem desconfiou de que estava abrindo a porta para o perigo.</FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>O portão se abriu e três homens mascarados e armados entraram aos berros no jardim da casa e em menos de dez segundos (como contar o tempo numa hora dessas?) estavam dentro da casa — ampla moradia de um único pavimento, construída depois de penosos anos de trabalho. </FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Pelo tom de voz e pela textura da pele da mão não eram adolecentes. Havia brutalidade e nervosismo, mas eles pareciam ter alguma segurança de movimentos. Não eram bandidos atiçados pelo consumo exagerado de drogas. </FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Logo, todos foram confinados num dos quartos. Cinco mulheres e um homenzinho — um garotinho de 3 anos que ainda toma suco na mamadeira. Dois dos bandidos cuidavam de amarrar as mulheres umas às outras, sentadas no chão e um terceiro vasculhava a casa. "Eu só ouvia o barulho dele abrindo as gavetas, despejando tudo no chão". </FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Quando faltava apenas uma vítima para ser imobilizada, a mãe do bebê suplicou ao bandido: "Por favor, não amarre ele, não". O mascarado hesitou um instante, largou o menino e disse: "Tenho dois lá em casa". E saiu para ajudar na varredura da casa. <SCRIPT><!-- D(["mb","\u003c/p\u003e\n\u003cp\u003ePara desespero da mãe, o menino decidiu acompanhar o bandido. \u0026quot;Mateus, \npela-amor-de-deus, vem cá, filho\u0026quot;. Mas o garoto desapareceu. Menos de cinco \nminutos depois (um tempo que passa no ritmo do desespero), um dos bandidos \nentrou no quarto e o menino atrás dele. \u0026quot;Mãe, quero suco\u0026quot;. E ela, aflita: \n\u0026quot;Filho, vem cá pra perto da mãe, por favor\u0026quot;. O garoto não tinha noção do que \nestava acontecendo: \u0026quot;Tô com sede, mãe\u0026quot;. O bandido resolveu agir: \u0026quot;Vem cá, \nmoleque\u0026quot; e saiu com o garoto pela mão. \u003c/p\u003e\n\u003cp\u003eUm século se passou no coração da mãe do menino quando eles voltaram. O \ngaroto trazia a mamadeira cheia de suco. \u0026quot;Filho, não toma, não. Dá aqui pra mãe, \nvai\u0026quot;. O mascarado, já irritado: \u0026quot;Tá desconfiando de mim, patroa? Peguei o suco \nda caixinha. Nâo vou envenenar seu moleque não, na boa\u0026quot;. Os três assaltantes \ndeixaram o menino, a mamadeira e as mulheres trancados no quarto, a casa de \nperna pro ar e foram embora. \u0026quot;Mãe, ele é um bandido, é?\u0026quot; \u003c/p\u003e\n\u003cp\u003eP.S.Saio de férias por três semanas. Me esperem, por favor.\u003ca name\u003d\"122337c65afb21e2_Save1\"\u003e\u003c/a\u003e\u003c/p\u003e\u003c/font\u003e\u003cfont face\u003d\"Centennial,Times New Roman\" size\u003d\"2\"\u003e\n\u003cp\u003e\u003c/p\u003e\u003c/font\u003e\u003c/font\u003e\u003c/div\u003e\u003c/div\u003e\n",0] );  //--></SCRIPT>  </FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Para desespero da mãe, o menino decidiu acompanhar o bandido. "Mateus, pela-amor-de-deus, vem cá, filho". Mas o garoto desapareceu. Menos de cinco minutos depois (um tempo que passa no ritmo do desespero), um dos bandidos entrou no quarto e o menino atrás dele. "Mãe, quero suco". E ela, aflita: "Filho, vem cá pra perto da mãe, por favor". O garoto não tinha noção do que estava acontecendo: "Tô com sede, mãe". O bandido resolveu agir: "Vem cá, moleque" e saiu com o garoto pela mão. </FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Um século se passou no coração da mãe do menino quando eles voltaram. O garoto trazia a mamadeira cheia de suco. "Filho, não toma, não. Dá aqui pra mãe, vai". O mascarado, já irritado: "Tá desconfiando de mim, patroa? Peguei o suco da caixinha. Nâo vou envenenar seu moleque não, na boa". Os três assaltantes deixaram o menino, a mamadeira e as mulheres trancados no quarto, a casa de perna pro ar e foram embora. "Mãe, ele é um bandido, é?" </FONT></P> <P><A name=122337c65afb21e2_Save1></A>&nbsp;</P></FONT><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=2> <P></P></FONT></FONT></DIV> <SCRIPT><!-- D(["ce"]);  //--></SCRIPT>  <P align=justify><BR style="FONT-SIZE: 8px" clear=all></P>
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=41576</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 168px; height: 223px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/05d9cc66741263e80e973143b77f4577.jpg"><img style="width: 184px; height: 224px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/5519bdddd58088197dcd2a675b4da90c.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">Seu Isidoro e seu Victor, dois pioneiros</font> <br> <br> <br><font size="6"> <br>A lista do silêncio</font> <br> <br> <br> <br>Todo dia, morre um pouco da história. Os pequenos textos em homenagem aos sepultados, que agora acompanham o Obituário do Correio, são a evidência de que a memória de Brasília está virando pó.  <br> <br> <br> <br> <br>Possuída de mórbido fascínio pela morte, passei a acompanhar com ainda mais assiduidade a coluna que informa os sepultamentos do dia anterior. Nos sete dias em que o novo Obituário foi publicado, sem contar o de hoje, a coluna noticiou com destaque a morte de sete pioneiros — sete dias, sete candangos que se foram e levaram junto a memória dos primeiros anos da incrível cidade construída em pouco mais de 1.200 dias. <br> <br> <br> <br> <br>Cinquenta anos depois, Brasília está perdendo parte preciosa de sua história. Perdeu Victor Pereira, mestre de obras da construção do Ministério da Aeronáutica. Tinha 86 anos, seu Victor. Veio do Rio com a mulher e duas filhas, em 1962, quando essa cidade ainda era um canteiro de obras. Uma de suas filhas, Rosalina Pereira, contou ao Obituário que o pai “era um cidadão brasileiro de pouca instrução que venceu na vida. Um verdadeiro herói”.  <br> <br> <br> <br> <br>No mesmo dia em que o herói de Rosalina foi sepultado, outro pioneiro, José de Souza Garcia, 92 anos, também chegou ao Campo da Esperança. Garcia foi um dos primeiros comerciantes da nova capital. Virou candango em 1961 e começou a nova vida vendendo eletrodomésticos. Foi presidente da Câmara dos Dirigentes Lojista no período em que a W-3 Sul era a rua do comércio de Brasília. História que virou silêncio. <br> <br> <br> <br> <br>Há uma semana, o Campo da Esperança recebeu o corpo de mais um pioneiro, o piauiense Isidoro Mesquita da Silva, 79 anos. Ele chegou aqui em 1961 para trabalhar como vigilante na Escola Fazendária. Depois, aprendeu o ofício de mestre de obras. Morava no Gama com a mulher. Mais silêncio.  <br> <br> <br> <br> <br>O Campo da Esperança sepultou, no domingo, Antônio Pinho da Cruz, 70 anos. Foi armador da construção da cidade (armador é o cara que prepara as armações das estruturas de concreto). A neta Eglantina disse que o avô acreditava que “ser grande era viver com menos” — rara sabedoria, a de Antônio.  <br> <br> <br> <br> <br>O potiguar Celso Azevedo Neto, sepultado em 23 de junho, morreu jovem, aos 53 anos. Veio bem criança para Brasília, em 1959. Viveu toda a vida em Taguatinga — foi vidraceiro e depois dono da própria vidraçaria, “Celso saiu do nada para conquistar todos os sonhos”, disse a mulher dele, Maria Aparecida.  <br> <br> <br> <br> <br>Pioneiro veio conquistar o próprio sonho e de lambuja participou de um sonho coletivo, inédito na história do Brasil. A lista diária dos mortos e sepultados na capital do país é o álbum vazio de uma história não contada, não ouvida, não escrita, não registrada. A lista do silêncio. <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=41573</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<P><IMG style="WIDTH: 265px; HEIGHT: 345px" height=332 src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/bda2730fc7e40681b0bf1f86ed0dd755.jpg" width=252></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Adelice posando para o blog</FONT></P> <P align=justify>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=6>Coragem brasileira</FONT></P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Na subida da ladeira do Sudoeste, encontrei Adelice Pereira da Silva, 58 anos, nascida no Morro do Chapéu, a uma hora de Salvador, no rumo do sertão. Foi uma aparição na manhã de sexta-feira passada. Passava pouco das nove, o sol de fim de junho já garboso, quando vi a mulata de ancas largas saídas dos livros de Jorge Amado. Ela subia o terreno inclinado do Sudoeste, do Parque da Cidade em direção às 300, com uma trouxa na cabeça. Acima da trouxa, uma bolsa.</FONT></P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>O conjunto Adelice, trouxa e bolsa renovou a minha manhã recém-começada. Aquela mulher acrescentava elegância ao esforço físico e dignidade ao trabalho. Estava de saia até o joelho, blusa de manga e gola V, tênis e meia. Subia a ladeira candanga com a malemolência baiana. Eram passos firmes, porém vagarosos, braços estendidos ao longo do corpo, cabeça se movendo suavemente, toda ela, Adelice, concentrada em equilibrar a trouxa e a bolsa sobre a cabeça.</FONT></P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>O bairro do metro quadrado mais caro da cidade e, por certo, um dos mais caros do país estava sendo visitado pelo Brasil antigo, sábio (ou carregar uma trouxa na cabeça com um porte de princesa não é sabedoria?), pelo Brasil sertanejo, sofrido, corajoso. </FONT></P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Alcancei Adelice antes que ela chegasse aonde ia. Pedi licença para fazer uma foto e ela abriu um sorriso, quase uma gargalhada, mas fez exigência. Precisava de uma paisagem bonita, não podia seria ali no meio da rua. Olhou ao redor, sempre com a trouxa na cabeça, e achou um arbusto do jardim do bloco. Foi até perto dele, fez uma pose de lado, um pé paralelo ao outro, o esquerdo um pouco mais à frente que o direito, braços e mãos tranquilamente estendidos ao longo do corpo, a trouxa incólume na cabeça, e um sorriso de genuína alegria. <SCRIPT><!-- D(["mb","\u003c/font\u003e\u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\u003e\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\u003e \u003c/font\u003e\u003c/p\u003e\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\u003e\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\u003eA trouxa de Adelice continha uma panela de alumínio, daquelas de restaurante, e dentro dela roupas e material para tingimento de tecidos. A baiana do Morro do Chapéu tinge roupas (cobra R$ 60 a diária). Renova roupas surradas, cozinha para festas e faz congelamento. “Se a pessoa me der liberdade, faço até massagem”, diz, rindo, Adelice, uma evangélica da Congregação Cristã do Brasil que quis me convencer a largar minha vida de pecadora. \u003c/font\u003e\u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\u003e\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\u003e \u003c/font\u003e\u003c/p\u003e\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\u003e\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\u003eMenina, Adelice carregava lata d’água na cabeça para abastecer a casa e lavava roupa e louça na beira do rio – trouxa ou bacia na cabeça. Até hoje, mãe de três e avó de quatro, Adelice põe a rodilha no cocuruto (rodilha é uma rosca de pano sobre a qual vai a trouxa) e sai para o mundo equilibrando a carga do viver com os passos vagarosos de uma coragem tipicamente brasileira.\u003c/font\u003e\u003c/p\u003e\n",0] );  //--></SCRIPT>  </FONT></P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>A trouxa de Adelice continha uma panela de alumínio, daquelas de restaurante, e dentro dela roupas e material para tingimento de tecidos. A baiana do Morro do Chapéu tinge roupas (cobra R$ 60 a diária). Renova roupas surradas, cozinha para festas e faz congelamento. “Se a pessoa me der liberdade, faço até massagem”, diz, rindo, Adelice, uma evangélica da Congregação Cristã do Brasil que quis me convencer a largar minha vida de pecadora. </FONT></P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Menina, Adelice carregava lata d’água na cabeça para abastecer a casa e lavava roupa e louça na beira do rio – trouxa ou bacia na cabeça. Até hoje, mãe de três e avó de quatro, Adelice põe a rodilha no cocuruto (rodilha é uma rosca de pano sobre a qual vai a trouxa) e sai para o mundo equilibrando a carga do viver com os passos vagarosos de uma coragem tipicamente brasileira.</FONT></P> <SCRIPT><!-- D(["mi",8,2,"12222734806b5ce6",0,"0","postmaster@cbnet.com.br","postmaster@cbnet.com.br","postmaster@cbnet.com.br",[[] ,[["mim","conceicaofreitas50@gmail.com","12222734806b5ce6"] ] ,[] ] ,"27 jun (3 dias atrás)",["conceicaofreitas50@gmail.com"] ,[] ,[] ,[] ,"27/06/2009 13:01","Delivery Status Notification (Failure)","",[] ,0,,,"27 de junho de 2009_13:01","2009/6/27, postmaster@cbnet.com.br \u003cpostmaster@cbnet.com.br\u003e:","2009/6/27, postmaster@cbnet.com.br \u0026lt;postmaster@cbnet.com.br\u0026gt;:","S-FRONTMXCB.CBNET.COM.BR",,,"","",0,,"\u003cGhFmiTVaF000108d6@s-mxcb.CBNET.COM.BR\u003e",0,,0,"crônica de domingo",0] );  //--></SCRIPT>  <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P>
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=41324</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<P><IMG src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/dc3f3476c1a0d65d96049c417c23b9b3.jpg"></P> <P>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=6></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=6>Levo comigo</FONT></P> <DIV align=justify><FONT size=2><FONT size=2> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Quando fui fazer a inscrição ao vestibular, marquei um xis no quadradinho do jornalismo sem ter pensado nisso antes e nem pensei depois. O jornal que o pai trazia todas as manhãs junto com o pão quentinho havia se incorporado tanto à minha vida que eu tinha de entrar dentro dele. Do mesmo modo, eu não havia escrito no meu futuro o projeto de morar em Brasília. </FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Foi a morte de Mário Eugênio que me trouxe para perto de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, do mar de ponta-cabeça e da vastidão dos espaços. Repórter de polícia, vim participar da cobertura das investigações do crime. Cheguei na noite em que o país soube que Tancredo Neves havia sido internado no Hospital de Base. Desde então, saltei de espanto em espanto nesta cidade que tem tanto a ensinar sobre o Brasil e os brasileiros, no que neles há de pior e de melhor. (E o pior tem estado bem pior do que o melhor, melhor).</FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Por mais singular que seja, Brasília é uma cidade como outra qualquer na profusão de estímulos que provoca em cada um de seus habitantes e visitantes. Uma cidade grande é um acontecimento contínuo, nela ressurgem diariamente as formas mais inesperadas de vida urbana. Mas Brasília se distancia das demais metrópoles nesse estouro sucessivo de acontecidos porque nela há uma interrupção entre um movimento e outro. </FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Brasília deixa a gente respirar de estouro em estouro mesmo que o dia seja infernal. O Plano Piloto e as 29 cidades-satélites têm poros abertos de ponta a ponta. Dá pra ficar sozinho mesmo no pior dos congestionamentos. Basta olhar pra cima, pro horizonte, pra arquitetura, pros vazios entre prédios. Brasília dá tempo de a gente se recompor. Ao mesmo tempo, Brasília é provocadora. Nos convida a entendê-la e com isso nos seduz a dela fazer parte.</FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Somando e diminuindo, já escrevi mais de mil e quinhentas crônicas sobre o mesmo e múltiplo tema, Brasília. Fosse outra cidade, teria escrito tanto? Eu não, mas outras cidades já foram escritas muito mais que mil e quinhentas vezes. Quanto já se escreveu sobre o Rio, Paris, Veneza, Florença? Quanto mais formosa, mas escritos. Porém, não somente sobre elas. Toda cidade inspira escritos, porque nela persistem rastros da história de seus habitantes. Uma cidade é a casa do lado de fora de quem nela vive. <SCRIPT><!-- D(["mb","\u003c/p\u003e\n\u003cp\u003eA mim coube a casa-Brasília não por um acaso do destino. Eu a escolhi, eu a \nquis, insisti e esperei. Não desisti de Brasília, mesmo quando ela me maltratou, \nme esnobou, disse pra mim nem-te-ligo. Nem quando ela se confunde com as contas \nclandestinas que nela se escondem. Ou quando se mistura com um certo esnobismo \npróprio de suas elites. Ou quando é desigual, e o é o tempo todo, de Brazlândia \nao Gama. \u003c/p\u003e\n\u003cp\u003eQuando chega a hora de eu escrever nesse pé de página, Brasília não é uma \ncidade propriamente dita. 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Ou quando é desigual, e o é o tempo todo, de Brazlândia ao Gama. </FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Quando chega a hora de eu escrever nesse pé de página, Brasília não é uma cidade propriamente dita. É uma inspiração. </FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Se um dia eu morrer, levo Brasília escrita na palma da mão. </FONT></P></FONT><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=2> <P></P></FONT></FONT></DIV> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><BR style="FONT-SIZE: 8px" clear=all><FONT color=#666666></FONT></FONT></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P>
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=40920</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img style="width: 427px; height: 325px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/8ec7265cc554043cb3d10834c0aba040.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">Foto de Elza Maria Ferraz Barboza</font> <br><br style="font-weight: bold;"> <br><font size="6"> <br>As águas</font> <br> <br> <br>Esqueça as casas, as pontes, as lanchas, os barcos, as garças, os sargaços. Não deseje o píer, abandone as prainhas, abdique do mergulho, esqueça a linha e o anzol. Não pense que ele está sendo privatizado, que se fechou para o conjunto da população, que é privilégio de poucos. Concentre-se unicamente no espelho d’água do Lago Paranoá. Deite os olhos nele, só e exclusivamente nele. <br> <br> <br> <br>A lâmina líquida que abraça o Plano Piloto de norte a sul tem o mistério das montanhas e a profundidade dos céus. Peço licença ao mar, o deus das águas infindas, para reverenciar a infinitude das águas candangas. São quase 500 bilhões de litros d’água, tantas canequinhas derramadas no vão do Paranoá quanto nossa imaginação não consegue alcançar. Pense numa caixa d’água de cinco mil litros. Agora, imagine um milhão delas. São as águas do Paranoá. <br> <br> <br> <br>Têm malemolência, as águas do lago. Quando é dia de ventania, dançam em passos miudinhos, de ondas-bebês, umas sobre as outras, umas ao lado das outras, não fazem espuma nem marola. Em dias de pouco vento, elas tremulam docemente, como se lá no fundo alguém estivesse lhes fazendo cócegas. Coceguinhas. Movem-se em círculos concêntricos, nas margens, escorrem em pequenas ondas espumantes.  <br> <br> <br> <br>Há dias em que o espelho d’água do Paranoá fica em estado de descanso. Estende-se calmamente ao redor do Plano Piloto. Não treme, não ondula, não faísca, não corre. Fica em silêncio, mas não está inerte. Nunca está inerte, mesmo quando aparentemente parece não mover um músculo.  <br> <br> <br> <br>As águas do Paranoá nunca têm pressa. Pelo contrário, são indolentes, mas estagnadas, jamais. Uma gota de lago gasta 299 dias para sair do ponto mais diante até alcançar a barragem. Quase um ano nadando vagarosamente. Desconfia-se que seja o ritmo goiano, de quem com calma assunta o novo território. As águas que caem no Paranoá vêm de quatro ribeirões, Torto, Gama, Riacho Fundo e Bananal. Quando chegam ao lago, viram candangas e se transformam no “mais belo monumento da escala bucólica da cidade”, frase que consta do <span style="font-style: italic;">Olhares sobre o Lago Paranoá</span>, biografia ecológica e histórica das águas que nos cercam.  <br> <br> <br> <br>Elas mudam de cor de acordo com a hora do dia ou da noite, da vontade do sol e do humor da lua. As águas do Paranoá ora são azuis da cor do mar, ora esverdeadas como esmeraldas, ficam vermelhas com o pôr do sol ou amarelas com a luz da lua ou cinza com a proximidade das chuvas. São escuras perto dos brejos e emitem uma luz prateada em dias sem nenhuma nuvem.  <br> <br> <br> <br>O espelho d’água do Lago Paranoá é um oceano para meus olhos cansados. Aquelas águas me contam que tem mais coisa pra eu ver, descobrir e aprender nessa cidade que nunca termina, nunca se esgota, nunca é toda escrita e contada. Essa cidade não cabe em mim, vivê-la é muito maior que eu e por isso é bom de doer. <br></div> <br> <br>  
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		<title><![CDATA[A guerra santa -- parte 2]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=40632</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/70b24580c85c94042ded3eef0ff8a271.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2"><span style="font-style: italic;">A Natividade</span>, por Cláudio Pastro</font> <br> <br> <br> <br> <br> <br>Depois da manifestação dos fiéis que não gostaram dos painéis do Galeno na Igrejinha, agora os que gostaram também vão se manifestar. Os pró-Galeno vão se reunir no próximo sábado, às 14h, na Igrejinha. Brasilienses que querem a permanência da obra nas paredes da mais delicada das igrejas de Niemeyer estão fazendo um abaixo-assinado em defesa do artista e sua simbologia alegre para representar a fé em Nossa Senhora de Fátima. O texto do abaixo-assinado, que já tem 176 adesões, é o seguinte:&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <br> <br> <br> <br> <br><span style="font-style: italic;">“Nós, abaixo-assinados, moradores de Brasília, fomos atingidos pela decisão judicial que suspendeu a pintura dos painéis da Igrejinha de Fátima.</span><br style="font-style: italic;"><span style="font-style: italic;">Os mais antigos já sofremos com o desaparecimento da obra de Volpi que a prepotência e a ignorância destruíram há décadas sob a alegação de que o artista teria retratado a santa errada e usado uma simbologia alegre demais.</span><br style="font-style: italic;"><span style="font-style: italic;">Estavam enganados: Volpi estudara o assunto e, apenas, não acreditava que só o sofrimento redime.</span><br style="font-style: italic;"><span style="font-style: italic;">Agora, novamente querem extirpar a leveza e a alegria dos painéis com que Galeno soube tão bem representar a cena de aparição de Nossa Senhora de Fátima.</span><br style="font-style: italic;"><span style="font-style: italic;">Infelizmente, a Igreja Católica sempre teve de lutar contra uma vertente interna obscurantista, prepotente e distante da simplicidade do que é caro ao homem comum, aquela que chamou de santa a Inquisição.</span><br style="font-style: italic;"><span style="font-style: italic;">Obras de arte inovadoras muitas vezes são incompreendidas. Isso se repete ao longo da história dos homens e da arte. Mas o ultraje, a indignação, a interdição judicial não se justificam.</span><br style="font-style: italic;"><span style="font-style: italic;">Não houve afronta: apenas a visão lírica de um artista da terra para uma cena religiosa da tradição católica. </span><br style="font-style: italic;"><span style="font-style: italic;">Não é possível que o apego aos velhos conceitos estéticos de uns poucos impeça a fruição dessas obras de arte por todos os brasilienses.</span><br style="font-style: italic;"><span style="font-style: italic;">Somos, portanto, favoráveis à finalização dos painéis por Galeno.”</span><br style="font-style: italic;"><br style="font-style: italic;"><br style="font-style: italic;"></div><br style="font-style: italic;"><br style="font-style: italic;"><br style="font-style: italic;"> <br>  
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		<title><![CDATA[ “Que se f….”]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=40603</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 467px; height: 342px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/d250814b1a198e0ff8d2c8190dd0b6a0.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="3"><font size="2">Fotos de Jorge Bispo</font> <br> <br><font size="6"></font> <br> <br>A revista <span style="font-style: italic;">Audi Magazine</span>, de junho de 2009, publicou entrevista com o arquiteto Oscar Niemeyer, ilustrada com belas fotos de Jorge Bispo.&nbsp; Uma das respostas é um recado aos brasilienses. É sobre a Praça da Soberania. Ele repete o que já havia dito em entrevistas ao <span style="font-weight: bold;">Correio Braziliense</span>, mas para a <span style="font-style: italic;">Audi</span> ele se solta um pouco mais — bem no final. (A entrevista é anterior à apresentação do segundo projeto que foi engavetado depois que o governador José Roberto Arruda disse não ter recursos para construí-lo). <br> <br> <br> <br>— <span style="font-weight: bold;">Ao propor o projeto da Praça da Soberania, no gramado central da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ideia rejeitada no começo do ano pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o senhor pareceu manifestar um antigo gosto pelo risco.</span><br style="font-weight: bold;"> <br> <br> <br>Brasília não tem uma praça que dê uma ideia da importância do país, da tendência de imaginação. Uma praça que você passa e não esquece mais. É uma burrice danada tombar uma cidade. No Brasil, se o Rio de Janeiro fosse tombado, o prefeito Pereira Passos <span style="font-style: italic;">[engenheiro responsável pela modernização da cidade em seu mandato, entre 1902 e 1906]</span> não poderia ter feito a avenida Rio Branco, que cortou o país de lado a lado. Me lembro quando Corbusier chegou aqui e viu essa solução do Passos, abrindo espaços, ele ficou espantado. Todas as cidades foram modificadas. Paris foi modificada pelo Haussmann <span style="font-style: italic;">[prefeito que promoveu um grande processo de renovação urbanística entre 1852 e 1870]</span> ao criar aquelas avenidas enormes. Na Espanha, as cidades foram caminhando para o mar, que era a tendência natural. E todas as cidades, assim, sofreram modificações. De&nbsp; modo que fiquei, assim, meio chateado. Até fiz uma nota quando retirei o projeto [em fevereiro passado]. No meu texto, me permiti dizer que não concordava com eles. Se eles estão tão interessados na ideia de que Brasília deve ser tombada, que se fodam.<span style="font-style: italic;"> [Risos]</span>.&nbsp;&nbsp;  <br> <br> <br> <br> <br></font></div> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=40565</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/b32cd1434db16303001f982cf4451ea6.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2"><span style="font-style: italic;">Meteoro</span>, de Bruno Giorgi, foto de Marcel Gautherot</font> <br><font size="4"> <br></font> <br><font size="6"> <br>Os amantes</font> <br> <br> <br> <br>Brasília é uma cidade que experimenta na pele as delícias de ser muito amada e o desconforto de ser mal-amada. Nasceu sob o peso da crítica e da oposição. É mal falada, odiada, rejeitada, mal entendida, mas inacreditavelmente mantém a auto-estima lá em cima. É fácil explicar: primeiro, porque nasceu de um surto de amor, é filha de uma paixão alucinada. E, desde então, não lhe faltam amantes. Pense numa cidade bem-amada. Vai pensar no Rio, claro — o de antes. Mas ali é um outro tipo de amor; é um deslumbramento instantâneo. Dificilmente, alguém não ficaria boquiaberto diante de Angelina Jolie ou de Scarlett Johansson. (Marlon Brando, santo-pai, não havia mais belo). É assim, o Rio.  <br> <br> <br> <br>O gostar de Brasília é de outra natureza. É aprendido, experimentado, construído. É um amor comprometido. São incontáveis os seus amantes e até podem ser discretos, mas não são clandestinos. Brasília é cidade colecionada, pendurada na parede, guardada na prateleira, fotografada, filmada, versejada, traduzida em romance, em crônica, em quadros. Esculpida, pintada, desenhada. Os amantes de Brasília dedicam-lhes sites, blogs, twitters. Os apaixonados publicam livros dedicados à amada, montam bibliotecas só de títulos sobre a tão querida. <br> <br> <br> <br>&nbsp;Mesmo antes de ser construída, a bela cidade foi muito cobiçada. Um célebre franco-suíço que por esses dias expõe telas na cidade queria o privilégio de tê-la concebido. Desejava a nova capital do Brasil e disso não fazia segredo. Em carta ao modernista Paulo Prado, ainda em 1929, portanto quase 30 anos antes de Brasília começar a ser construída, Le Corbusier declarou seu interesse em pôr a mão na nova cidade. O arquiteto combinava com Prado o roteiro de sua viagem à América do Sul, nela incluída o Brasil: “Efetivamente, o sonho de “Planaltina” não me sai da cabeça: gostaria de poder construir nesses seus países novos alguns dos grandes trabalhos de que me tenho ocupado aqui, cuja realização a letargia continental certamente jamais permitirá”. Mais tarde, voltaria a cantá-la. Em vão, como se sabe. <br> <br> <br> <br>Nenhuma outra cidade brasileira e raras no mundo foram tão longamente sonhadas. Brasília já existia mais de uma centena de anos antes de ser construída. Brasileiros desbravadores a queriam, homens libertários imaginavam como seria viver nela e com ela. Quando anunciada, passou a receber a visita de estrangeiros sedentos de vontade de conhecer a cidade com nome feminino, corpo sinuoso e&nbsp; pele cor da paixão.&nbsp;  <br> <br> <br> <br>Os de fora foram embora e escreveram ardentes declarações de espanto e encanto pela cidade e seu movimento arrebatador de homens, mulheres e máquinas sobre um solo até então intocado. Bela, esplendorosa, singular, Brasília até hoje deixa seus amantes perplexos. Brasília guarda um segredo, o de ter sido possível. Daí que tenha tantos amantes. Todos querendo experimentar a vibração que, sabemos, ela guarda no reverso de si mesma.&nbsp;  <br> <br> <br> <br>&nbsp; <br>  </div>
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		<title><![CDATA[Pintura dos painéis da Igrejinha]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=39117</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/ac50d1c8bd7b4e11bebcd4ebe398a4dc.jpg"> <br> <br> <br><font size="5"> <br></font><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-style: italic;">Por Omar Franco</span> <br><font size="2">artista plástico</font> <br> <br> <br> <br> <br>Está na hora de esclarecer alguns aspectos inerentes à arte e à cultura, quando a pedido de carolas, trazem à cena o Ministério Público Federal para salvaguardar suas vontades e desejos de ver fora das paredes da Igrejinha uma obra de arte autêntica e de valor inestimável, tanto do ponto de vista estético, quanto pelo valor social/cultural&nbsp; que o artista Galeno representa.  <br> <br> <br> <br> <br>A Igrejinha não é propriedade particular dos seus fiéis frequentadores, que lá encontram espaço para o exercício de sua fé. Ela pertence a todos os brasileiros. Ela é parte de um todo. Ela é maior do que a população que a circunda e dela se apropria. O trabalho de arte, que nela está sendo feito, transcende a existência imediatista dos seus frequentadores.  <br> <br> <br> <br> <br>Dessas paredes já foram retiradas as pinturas do genial Alfredo Volpi. Foram vilipendiados os azulejos de Athos Bulcão, transformaram seus arredores em mictórios fétidos. O desejo de retornar as cores azul e branco das paredes refletem muito bem o vazio existente na cabeça dessas pessoas. A igreja católica foi o maior mecenas que humanidade já conheceu. Se esqueceram da Capela Sixtina?&nbsp;  <br> <br> <br> <br> <br>Quem conhece um pouco de semiótica sabe o poder que a imagem tem. A arte é reflexo imediato de uma ação cerebral criativa. O que mais nos aproxima de Deus do que a nossa capacidade de criação? Seria conveniente substituir a obra do Galeno por uma N.S. de gesso? Como ousam destruir o que não conhecem? Essa atitude tomada por pessoas, contrárias ao trabalho tão bom e honesto que vem sendo realizado pelo Francisco de Fátima Galeno (nascido em Parnaíba, Piauí, em 13 de maio de 1956, mesma data em que nasci) nos devolve à penumbra, à escuridão, às trevas e ao obscurantismo recente da nossa história política, quando os poderosos chamavam a polícia para resolver querelas que contaminavam seus interesses particulares comezinhos.  <br> <br> <br> <br> <br>Não é possível em uma cidade como Brasília, cercada de arte por os todos lados e tombada pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade, se submeta a uma minoria ignorante, limitada e poderosa, sem argumentos,&nbsp; acione o Ministério Público Federal, já sobrecarregado, para se meter numa ação de poucos, que novamente se dispõem a dar um grande chute na Santa, mas dessa vez, como fogo amigo, dando um tiro no próprio pé. <br></div> <br> <br> <br> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=39099</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 392px; height: 296px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/fefb3ce2aa448fce168c956d01a39df7.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="3"><font size="2">Cicinho Filisteu, o de óculos de grau e cabelos brancos&nbsp;  <br>à direta, no carnaval de 2007 <br></font><font size="4"> <br></font><font size="6"> <br> <br>Cicinho Filisteu</font> <br> <br> <br> <br>Campeão dos campeões das marchinhas de carnaval do Pacotão, Cicinho Filisteu, 68 anos, parou de beber. Em termos. De março a novembro, não chega nem perto de um copo de cerveja— diz ele. Reserva o fígado para os meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Nesses noventa dias, Cicinho libera geral. Tem dado certo há quatro anos.  <br> <br> <br> <br>Quem vai muito ao Conic conhece o Cicinho. Quem já saiu no Pacotão também. Ex-coroinha, jornalista aposentado, irmão do Escurinho, Cicinho é o compositor de algumas marchinhas tipicamente brasilienses: “Carlinhos Beauty se apaixonou por mim e só me chama de mon amour. Quer me levar pro seu chatô e vai me receber de penhoar. Carlinhos Beauty, larga do meu pé. Arranja outro bofe. Dona Rosa ainda me quer”. <br> <br> <br> <br>Para quem eventualmente não conhece os personagens homenageados na letra, Carlinhos Beauty é um cabeleireiro muito conhecido na cidade e Rosa é a patroa do Cicinho. Que, aliás, não gostou nada de ser incluída numa música pra ser cantarolada por bebuns na contramão da W-3. “Me tira de suas bagunças. Sou mulher séria”, reclamou a mulher do compositor. Carlinhos Beauty adorou! <br> <br> <br> <br>Cicinho Filisteu tem o porte físico e um jeito de falar que lembra Zé Trindade, humorista baiano de rosto malicioso. Cearense de Juazeiro do Norte, gosta de contar que foi educado pelo meu padrinho padim Ciço. Filho de uma sertaneja “muito braba” e de um sapateiro, estudou em colégios salesianos, congregação do padre Cícero Romão Batista.  <br> <br> <br> <br>Cicinho Filisteu é também o jornalista Cícero Ferreira Lopes, que durante quinze anos trabalhou produção do jornalismo da Rede Globo em Brasília. E bem antes, foi jornalista de A Notícia, em Manaus, jornal que o mandou para um curso em Iowa (pronuncia-se aiôua), centro-oeste dos Estados Unidos. Dona Joaninha, mãe de Cicinho, dizia aos amigos que o filho estava em Iôva, ao que o interlocutor franzia a testa, tentando imaginar o que ela estava querendo dizer com aquilo. <br> <br> <br> <br>Outra marchinha do eminente compositor: “Encontraram o dedo de Lula que ele perdeu quando era trabalhador. Sabe onde, meu bem? No fiofó do servidor”.  <br> <br> <br> <br>Já foi comunista, agora é rorizista, o Filisteu. “Fui da esquerda festiva com toda honra e toda glória, mas quando apertou eu caí fora”, diz, com uma sinceridade que poderia ser desconcertante, mas é divertida. De tanto espicaçar os petistas em mesa de bar (“quem tem CUT tem medo”), ganhou a antipatia de muitos deles. Foi a deixa para cair de vez nos braços de Roriz. “Toda vez que ele me vê, me trata bem, faz festa e me chama pelo nome”. Durante muito tempo, o então governador o chamava de Pedrinho, outras vezes de Zezinho ou arriscava um Luisinho. Até que um dia, um de seus assessores o corrigiu. “Governador, o nome dele é Cicinho, da terra de meu padim padre Ciço”. Nunca mais Roriz errou o nome do Filisteu. O apelido, diz ele, deve-se ao fato de gostar muito da história do povo judeu.  <br> <br> <br> <br>Enquanto dezembro não chega, Cicinho Filisteu vai pensando em marchinhas para o próximo Pacotão. E contando os meses, os dias e as horas que faltam para o próxima cerveja.  <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br></font></div> <br>  
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		<title><![CDATA[Faça em casa]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=39013</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 377px; height: 283px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/88e542a2427b93350e1f6d58accbb902.jpg"> <br> <br> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="6"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"></span></font> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">A rag chair é uma divertida cadeira ecológica. Quinze camadas de bolsas de tecido sobrepostos resultam numa cadeira colorida, macia, mas aparentemente pouco confortável. A cadeira original, assinada pelo designer holandês Tejo Remy, custa em torno de R$ 9 mil. Remy faz parte da empresa Droog, de Amsterdã, que atua com designers, artistas plásticos e arquitetos do mundo inteiro. A proposta da empresa se traduz pela rag chair: anticonvencional, ecológica e, nesse caso, bastante possível de ser copiada em casa mesmo. Basta juntar um monte de peças de roupas…Quem gostou e quer saber mais, acesse <a href="http://www.droog.com/">http://www.droog.com</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <br></div> <br> <br> <br> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=38942</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 397px; height: 294px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/95331a053a8ff05e2e4a348a35e3d374.jpg"> <br><img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/06b3d0d2b7b03c28eaa971650768025d.jpg"> <br><img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/c06466d05e3792b94e30d36ba688b734.jpg"> <br><font size="4"><font size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">A capela de Vence </span></font> <br></font><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="6"> <br> <br>A igrejinha de Matisse</font> <br> <br> <br> <br> <br>O escriturário Henri-Émile-Benoît Matisse havia acabado de sair da adolescência quando caiu de cama por longo tempo. Deram-lhe uma caixa de tinta e uma nova vida. Quando ficou de pé, se matriculou num curso de desenho. Não muito tempo depois, o francesinho foi atacado por um apendicite e lá foi ele de novo pra cama. Dessa vez, decidiu se dedicar à pintura com os dois pés, as duas mãos e os vinte dedos. Dessa multiplicação de forças, nasceria um dos mais importantes artistas do seu tempo. <br> <br> <br> <br> <br>Os traços do destino são um surpreendente mistério. Já velho, aos 74 anos, Matisse adoece novamente e dessa vez de um grave mal que o deixa de cama entre os anos de 1942 e 1943. A enfermeira Jacques-Marie cuida dele e o acompanha nas noites de insônia. Tornam-se amigos. Alguns anos depois, em 1946, Maria já é uma irmã dominicana. Pede conselhos ao ex-paciente para a construção de uma capela na cidade de Vence, sul da França, e lhe mostra o projeto de um vitral.  <br> <br> <br> <br> <br>Matisse começa dando pequenas sugestões à amiga. Aos poucos, o artista vai se envolvendo com o projeto das freiras e se propõe a fazer os vitrais e mais adiante em desenhar o projeto arquitetônico da Capela do Rosário. Anota numa caderneta, referindo-se a si mesmo na terceira pessoa:  <br> <br> <br> <br> <br>“Oh! Eis que o velho Matisse, que vive quase o ano todo em Vence, colocou na cabeça, há seis meses, a princípio pela amizade por uma religiosa que lhe deu seus cuidados, depois por um interesse cada vez mais profundo que tomou pela coisa, pôs na cabeça fazer os vitrais, duas mesas de altar e a via sacra da capela que deverá ser construída para a Casa Lacordaire. Isto é completamente sensacional, quando se sabe quem é Matisse. Nós nunca poderíamos crer que este artista, cuja arte parece irremediavelmente fechada ao sobrenatural, se apaixonaria por tal tarefa”. <br> <br> <br> <br> <br>Mesmo apaixonado, Matisse reconhece que não é arquiteto, que precisa de suporte técnico. Os dominicanos apresentam-no a um jovem estudante de arquitetura, frei Rayssiguier, que logo esboça um plano de um capela (de fachada muito parecida com a do Santuário Dom Bosco, na 502 Sul). Matisse gosta do que vê e diz que as paredes da capela oferecem-lhe “o equivalente visual de um grande livro aberto”. <br> <br> <br> <br> <br>Alguns meses depois, porém, começam os desentendimentos entre o artista e o arquiteto até que encontram uma solução apaziguadora: chamar um arquiteto profissional para fazer a mediação. Matisse segue impregnado pela capela, tão tomado por ela que constrói uma maquete de grandes proporções dentro de seu ateliê e põe nela uma cama. “Ainda vou dormir na igreja”. Invadido pelas cores e pela transcedência dos vitrais, Matisse registra: “Agora posso compreender tudo o que faço, não sei o porquê… Deus me tomou pela mão”.  <br> <br> <br> <br> <br>Em carta de julho de 1950, Matisse escreve: “A capela, naquilo que depende de mim, está terminada. O que quer dizer que eu já posso morrer; fiz a minha parte original e pessoal”. E diz: “[fiz] a obra-prima de toda a minha vida”.  <br> <br> <br> <br>P.S. Doce Nahima, obrigada por ter me apresentado a tão linda história.  <br> <br> <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=38681</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/1ca37476970c66a88d54204442ed1dda.jpg"> <br> <br><font size="4"> <br></font><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br><font size="6">Dona Nêga</font> <br> <br> <br> <br>Só ontem soube que dona Nêga morreu. A notícia demorou quase dois anos pra chegar até aqui. Veio no ritmo dos passos miúdos da goiana de pele negra e cabelos lisos, que usava combinação, nunca tinha ficado nem de calcinha que dirá nua diante do marido e que usava as palavras de um modo muito particular. Dona Nêga viveu boa parte de seus 78 anos no povoado de Saco Grande, na beira do Rio Preto, na esquina do DF com Minas e Goiás, a noventa quilômetros do Plano Piloto.  <br> <br> <br> <br> <br>Estive com dona Nêga três ou quatro vezes — tão pouco, tão nada, diante da tamanha admiração que eu tinha por ela. Era festeira do Divino. Quando chegava a época das festas, dona Nêga sumia pelo interiorzão de Goiás fazendo o que mais gostava. A felicidade era contínua em dona Nêga. Ela mastigava docemente o seu viver, mesmo que às vezes sentisse um gostinho de fel. <br> <br> <br> <br> <br>Em meados de 2001, o fotógrafo Sérgio Amaral e eu procurávamos histórias de Goiás antigo que porventura tivesse sobrevivido à chegada da nova capital. Numa casinha meio trôpega, seguramente muito mais velha que Brasília, encontramos dona Nêga, seu Pedro e seu Sebastião. Um Brasil antigo que continuava a existir ao largo da modernidade.  <br> <br> <br> <br> <br>Dona Nêga se dizia “filha oca de pai”, porque nascida de mãe solteira. Aos 3 anos, ficou inteiramente órfã. “Fiquei em pé nas coxas. A única coisa que meu criador me deu foi meu registro. Ele dizia que moça não tinha que estudar. A valência é que Deus não me deixou nem ignorante nem sem compreensão”. <br> <br> <br> <br> <br>Conversar com dona Nêga era habitar um mundo arcaico, vagaroso, de recatada sabedoria: “Nunca me aconteceu de ter raiva, nunca tive vontade de discutir. Nunca arranjei coisa grave pra romper na pessoa e desmoralizar ela. Não tenho coragem de voltar a palavra pra trás. Se errei, peço que me desculpe. Não guardo negativa no coração”. <br> <br> <br> <br> <br>O coração fraquejou quando seu Pedro, o marido com quem viveu durante 47 anos, morreu de câncer de próstata, doença de Chagas e diabetes. Encontrei dona Nêga arrastando tristeza na beira do fogão a lenha, enquanto enrolava um cigarro de palha. O médico a havia proibido de fumar, mas ela continuava puxando a fumaça pra dentro do peito. Era seu modo de “se entreter do desvair”.  <br> <br> <br> <br>Quando perguntei a ela qual tinha sido a época mais feliz de sua vida, disse que foi quando conheceu seu Pedro. Ela já estava com 25 anos, vivia sozinha, trabalhando em casa alheia. Se achava velha e feia pra casamento. Os dois se encantaram um pelo outro. A mãe dele parecia não apreciar a escolha do filho, mas não disse nada. “Ela nunca escapuliu pra mim que não queria, nunca jogou um sotaque, não deu sintoma de quantia nenhuma”, me contou dona Nêga, com seu vocabulário de personagem de Guimarães Rosa.  <br> <br> <br> <br>Essa foi a última vez que estive com dona Nêga. Sem seu Pedro, a felicidade tinha se dissolvido em saudade.&nbsp;  <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[Um fotógrafo e três cidades]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=38680</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 443px; height: 293px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/a59fe4cd7d61b7ab082401057efb7668.jpg"> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Brasília, data desconhecida, Lucien Hervé</span></font> <br> <br> <br><img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/c50c0ebfdda541e3589e3fa14a53da2e.jpg"> <br><font size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">Chandigarh, 1955, Lucien Hervé</span></font><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="6"><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"></span></font> <br><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">O fotógrafo francês Lucien Hervé era comunista, foi capturado pela Alemanha nazista e, fugitivo, participou da resistência francesa. Tinha forte ligação com a arquitetura. Desde que conheceu Le Corbusier, em 1949, passou a fotografar suas obras e a de muitos arquitetos contemporâneos entre os quais Alvar Aalto, Kenzo Tange e Oscar Niemeyer. Hervé esteve em Brasília e fotografou também Chandigarh e Le Havre, fotos que farão parte da exposição <span style="font-style: italic;">Retratos de Cidades</span> que começa em 14 de julho no Museu Nacional, em Brasília, e no Museu de Arte Contemporânea, em Niterói como parte do Ano da França no Brasil. Hervé nasceu na Hungria em 1910, foi naturalizado francês em 1940 e morreu 2007</span>.&nbsp;&nbsp;  <br></div> <br> <br> <br> <br> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=38658</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/93e4ceb0b9504fd3e2f36d49a5eec443.jpg"> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Fernanda Torres pedindo um marido pro santo em<span style="font-style: italic;"> A Marvada Carne <br> <br></span><font size="3"></font><font size="6"><span style="font-style: italic;"> <br></span></font></span></font><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="6">Pobre</font><font size="6"> </font><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="6">Antônio <br> <br></font><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="3">Santo Antônio acordou hoje bastante preocupado. Antes da primeira das muitas missas do dia, sua caixa de entrada já estava entupida de pedidos de terráqueas e terráqueos solitários. O velho Antônio já andava desconfiado de que sua vocação casamenteira havia esbarrado num iceberg de imensurável envergadura. O que terá acontecido com essa gente tão desejosa de outra gente que não consegue se juntar num par de gente? </font><font size="3"> <br></font><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="3"> <br> <br> <br> <br>Antes de sair para as celebrações do dia, as quermesses, as procissões, as fogueiras, os quentões e as canjicas, Santo Antônio vai tentar acudir os mais desesperados e ver se diminui a fila de e-mails pedintes. O sábio Tonho anda bem aflito com tudo o que anda vendo por aqui. Teme decepcionar os fiéis que há sete séculos o acompanham e a quem ele, salvo um ou outro caso mais complicado, nunca decepcionou. De um jeito ou de outro, sempre conseguiu juntar um pé torto a um chinelo velho, a panela à tampa, a mão à luva, a metade da laranja à outra metade, mas de uns bons tempos pra cá ficou tudo tão confuso, tão embarafustado, que Antõnio anda com medo de Deus lhe retirar a condição (e os privilégios) de santo dados os seus sucessivos fracassos.</font><font size="3"> <br></font><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="3"> <br> <br> <br> <br>O bom Antônio teme não ser capaz de reverter a pandemia de solidão que contamina o mundo. Está encafifado, o pobre. Não consegue entender a razão de tanto isolamento entre os da Terra se o tráfego virtual segue fremente. Nunca tantos estiveram tão conectados a tantos. A galáxia virtual expandiu o universo de possibilidades de gente conhecer gente em qualquer canto do mundo, a qualquer hora do dia ou da noite. O fuso horário perdeu a razão de ser. A hora agora é uma só, a do teclar. Era de se esperar que a tecnologia do contato virtual pudesse facilitar os encontros verdadeiros entre humanos, mas não é o que sua caixa de entrada anda lhe dizendo.</font><font size="3"> <br></font><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="3"> <br> <br> <br> <br>Diante da situação de emergência, o santo cometeu um pecado — foi bisbilhotar o conversê na internet pra tentar entender de onde vem tanto desencontro. O celestial Antônio demorou um tempão pra aprender a língua gráfica das emoções virtuais, mas logo percebeu que por trás dos emoticons há muito pouco ou quase nada de emoção verdadeira. </font><font size="3"> <br></font><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="3"> <br> <br> <br> <br>O santo casamenteiro logo percebeu que a internet é um território de superficialidades. Tudo pode e nada acontece. No mundo dominado pelos teclados, o outro é facilmente deletável. Meio segundo e, tlec, você manda o interlocutor pro espaço. Internet tem webcan, mas webcan não é olho, não é tato, não sente o cheiro nem ouve a voz. A internet desumaniza a invenção de Deus.</font><font size="3"> <br></font><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="3"> <br> <br> <br> <br>O atribulado Antônio ficou mais estarrecido quando percebeu que a internet internetizou a vida real. Que os humanos estão nadando na superfície, que perderam o jeito de fazer contato verdadeiro com o outro, que já não sabem mais estabelecer conexões genuínas. Continuam virtuais no mundo real. Andam preferindo nadar no espelho das superficialidades. Ficar na crosta das relações é mais fácil, menos arriscado, mas vai criando um buraco negro dentro do peito. E não há Santo Antônio que dê jeito.</font><font size="3"> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br></font></div> <br>  
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		<title><![CDATA[Um passeio pela Brasília de Le Corbusier]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=38657</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/b18d46917b1eda67e31a36add320885d.jpg"> <br><font style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" size="2">Chandigarh, foto de Miyki Droz Amaraki</font> <br> <br><img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/1344d3e0b6aee82351eb0226fa97c5b0.jpg">  <br><font style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" size="2">Jardim de Pedra, feito de lixo doméstico e industrial, em Chandigarh</font> <br> <br> <br><font size="5"><span style="color: rgb(102, 102, 102); font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"></span></font> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br>Brasília de Le Corbusier, Chandigarh é a cidade mais limpa da Índia. Em texto publicado no <a href="http://www.vitruvius.com.br/arquiteturismo/arqtur_26/arqtur26.asp"><span style="font-style: italic;">www.vitruvius.com.br</span></a>, Julia Bussius e Nelson Barbieiri relatam impressões de uma passeio pela cidade. Tal qual a Brasília de Lucio Costa, Chandigarh também está maltratada pelo tempo, apesar de ser tão jovem. Também a cidade projetada pelo franco-suíço foi cercada pela Índia real, mas ela continua sendo um exemplo de que a ordenação proposta pelo projeto modernista protege a vida urbana do caos absoluto. <br>&nbsp; <br> <br> <br> <br>&nbsp;“As bordas de Chandigarh têm jeito de Índia: ruas confusas, lotadas, barracos, vendas amontoadas. Mas quando entramos no plano piloto a coisa começa a se organizar. Avenidas largas ladeadas de árvores e rotatórias (hoje adaptadas com faróis). O trânsito caótico indiano é incomparavelmente mais tranquilo aqui. Os carros tendem a manter-se nas faixas, as manobras não parecem tão desvairadas. Riquixás azuis também estão por todo lado. Passamos pela rodoviária e o sentimento é familiar: nos lembra algumas cidades do interior de São Paulo. Arcos altos, concreto aparente. <br> <br> <br> <br>Começamos a perceber a estrutura das quadras, e Brasília vem à mente, mas vemos que muito do desenho original dos prédios se perdeu. Os blocos de comércio têm as fachadas tomadas por grandes e desiguais placas das lojas. O concreto de fato está maltratado pelo tempo, imprimindo um ar muito decadente às construções e escondendo o que deveria haver de “modernista” na cidade. Fomos até a quadra principal, o centro do governo local, onde estão o complexo do capitólio e a suprema corte, porém seguranças armados com metralhadoras não nos deixaram entrar no primeiro — exigiam uma autorização, algo improvável para nós que passaríamos apenas uma noite por lá. Pudemos ver o edifício da corte do lado de fora e nos surpreendemos com a graça dos desenhos das grades inventadas por Le Corbusier. <br> <br> <br> <br>Circulamos mais pela cidade e nos surpreendíamos de vez em quando com um ou outro belo edifício, mas a impressão geral não era de beleza, e sim de algo diverso, algo suspenso no meio desse turbilhão indiano. Os moradores de lá sentem orgulho da cidade, por ser muito mais limpa e organizada do que no restante do país. A universidade de Punjab é muito conceituada e tem um campus fascinante (…) Estivemos na cidade universitária num domingo e ela estava tão viva quanto um dia qualquer da semana: a população que vive nela de fato forma uma “cidade”. Muitas moradias de professores, alunos e funcionários, pequenos parques, berçários, escolas e, claro, salas de aula. Era como um bairro, mas um bairro mais harmônico com as construções modernas e um dos lugares mais acolhedores de Chandigarh." <br> <br> <br> <br> <br>&nbsp; <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA["Fiquei fascinado"]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=38311</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		&nbsp;<img style="width: 420px; height: 294px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/55f475e2438d484b099c131b3405daa5.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">&nbsp;<font size="2">Mathieu veio visitar Brasília e Juscelino visitou a exposição  <br>&nbsp;das obras do artista no Museu de Arte Moderna do Rio, em novembro de 1959 </font> <br> <br> <br> <br> <br> <br>O pintor francês Georges Mathieu visitou Brasília no tempo da constrção. Ficou assombrado com o que viu. Era uma reação que se repetia, principalmente entre os estrangeiros. Havia uma força descomunal movendo milhares de homens num canteiro de obras continuamente envolvido por uma névoa de poeira (ou no tempo da chuva por um pântano de lama). O mundo ainda guardava os traumas recentes do&nbsp; final da guerra. Ver um povo estremecendo o chão de um cerrado até então desabitado trazia de volta a esperança de que a civilização era um projeto possível. O que disse Mathieu:&nbsp;&nbsp;  <br> <br> <br> <br> <br>“Trata-se de uma das maiores epopéias da história dos homens, talvez mesmo a maior. E vi Brasília de avião, de automóvel, andando a pé e em helicóptero. E fiquei fascinado. Como disse a Niemeyer, era preciso ser Paul Valéry para falar de Brasília. E se esse nome me ocorreu não foi por acaso. Se Valéry tivesse visto Brasília, talvez duvidasse da mortalidade das civilizações. Depois de sete séculos, no curso dos quais a busca da evidência não escondeu a verdade, nosso Ocidente reencontra o caminho de sua verdadeira vocação, pela rota de Brasília. Nunca o mundo teve tantas razões de esperança como convosco, brasileiros.” (Declaração retirada de História de Brasília, de Ernesto Silva). <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=38269</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 387px; height: 259px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/49e5dbc07fd6fcc1bc5573437dbe82dc.jpg"> <br><font size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">Volpi, antes das demãos de tinta</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"></font> <br> <br><img style="width: 385px; height: 256px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/21f1280a1aff0ea887c649d391c0eb2b.jpg"> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">O que restou de Volpi na Igrejinha</span></font> <br> <br> <br> <br><img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/24896e8a1f09d02c538d63e130633638.jpg"> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Nossa Senhora de Fátima, Galeno</span></font> <br> <br><font size="4"> <br></font><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="6"> <br>Moderno não é santo? </font> <br> <br> <br> <br>De sob uma ou mais camadas de tinta surgiu a presença de Volpi na Igrejinha Nossa Senhora de Fátima. É uma pomba gigante, pintada na porta que dá acesso à antiga sacristia. Tem pés pequenos, a pomba do Volpi. Por ora, está escondia atrás de entulhos da restauração e da grade de ferro que protege os guardados da secretaria da igreja. <br> <br> <br> <br>Faz mais de quarenta anos que os painéis de Volpi foram cobertos de tinta e sobre eles foram colocadas imagens sacras, flores de plástico, quadros com molduras de madeira em estilo rococó representando a via-crúcis. A igrejinha moderna de Niemeyer tinha se transformado, do lado de dentro, numa capela do interior do país — que têm seu encanto próprio, do lugar e da comunidade a quem serve. Mas de moderna não tinha nada. E assim continuou até que o Iphan decidiu restaurá-la e reconduzi-la às suas características originais. <br> <br> <br> <br>É tristemente irônico que a pomba de Volpi tenha reaparecido do desterro nos dias que antecederam o embargo (por ora provisório) a Galeno. A história se repete algumas demãos de tinta depois de Volpi. Como se nesses quarenta anos continuássemos nos debatendo com os mesmos dilemas, a mesma resistência à arte moderna nas igrejas.  <br> <br> <br> <br>Foi assim com Portinari na Igreja de São Francisco de Assis, uma das obras do conjunto da Pampulha que anunciou ao mundo que no Brasil havia um arquiteto moderno que gostava de desenhar sinuosidades e que se chamava Oscar Niemeyer.  <br> <br> <br> <br>A Igreja Católica estranhou as formas da igreja e do mesmo modo não gostou dos traços de Portinari, especialmente da imagem de um cachorro no lugar do lobo que faz parte da história de São Francisco de Assis. (Conta-se que um lobo estava aterrorizando uma cidade, devorando pessoas, destruindo plantações. Francisco de Assis conseguiu se aproximar do lobo feroz e fez um acordo com ele: a de que a cidade o alimentaria por muitos anos e em troca ele deixaria de atacar as pessoas e os lugares. O lobo aceitou e ficou manso até a morte). <br> <br> <br> <br>Durante 15 anos, a Igreja da Pampulha ficou fechada, período em que foi aplaudida nos quatro cantos do mundo moderno, foi chamada de “aberração” pela Igreja Católica e de “ruína” pela impressa do período.  <br> <br> <br> <br>Até que o papa João 23 pediu de empréstimo a Via Sacra de Portinari para que fosse exposta no Vaticano. Vislumbrou-se então a possibilidade de a Igreja da Pampulha passar a existir como tal. Um mês antes da inauguração de Brasília, quando a Igrejinha de Fátima já havia sido inaugurada, a igreja em forma de cadeia de montanhas foi finalmente consagrada com a presença do presidente Juscelino Kubitschek. E com as obras de Portinari. <br> <br> <br>&nbsp; <br>&nbsp; <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[Arquitetura popular brasileira]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=38165</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		&nbsp;<img style="width: 430px; height: 288px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/90ec33c0aa0973f93a8bf294218f45ba.jpg"> <br><font style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" size="2">Casa em Pirenópolis</font> <br> <br> <br><img style="width: 436px; height: 291px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/ac5069b8f0898c425394fc5e11095cf5.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">Casa em Rosário, Maranhão</font> <br> <br> <br> <br> <br>Lançado há um ano, resultado de 30 anos de viagens do fotógrafo Rui Faquini,&nbsp; <span style="font-style: italic;">Moradas do Brasil</span> é um álbum de retratos das habitações modestas do interior do Brasil, uma homenagem à arquitetura popular brasileira, que herdou do negro, do índio e do europeu o conhecimento sedimentado ao longo dos séculos. Casas coloridas, floridas, iluminadas, enfeitadas, bordadas com imagens de santos nas paredes, panelas brilhando nos cantos da cozinha, velhos calendários, flores de plástico em palafitas ribeirinhas, ocas no meio da mata, casas de adobe, de madeira, do extremo sul ao extremo norte do país.  <br> <br> <br> <br> <br>O livro do Faquini é um passeio pelo Brasil do interior, pelas reminiscências de um país que há bem pouco tempo largou o campo e veio para a cidade. O país das moradas de fogão a lenha, do chão de terra batida, das cozinhas que eram o mais importante cômodo da casa, da luz entrando pelas frestas da madeira, das fachadas de cores fortes, das fachadas rosas e portas azuis, das casas penduradas nos rios, milagrosamente equilibradas entre a água e o ar. Casas brasileiras para uma gente inventiva.&nbsp;&nbsp;  <br> <br> <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=38091</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/f4658398bcfcd1a6da1e709c7babff92.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="3"><font size="2">Mário Faustino(E) com o crítico de arte <br>Harry Laus, em Copacabana, 1955 <br></font> <br> <br></font><title>Mensagem</title></div><font style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" size="3" face="Arial"> <p><font size="6">A morte no avião</font></p> <p style="font-weight: bold; font-style: italic;"> <br></p><p style="font-weight: bold; font-style: italic;">Severino Francisco</p> <p> <br></p><p>A tragédia do voo 447 do Air Bus 330-200, da Air France, teve lances de uma  trama misteriosa. Gente que insistiu tenazmente em embarcar até conseguir. Gente  que teimou em procurar uma vaga, mas foi salva milagrosamente. Marido e mulher  que viajaram juntos. Pai e filho que embarcaram em voos diferentes. Amigos que  escaparam por pouco. Nós não sabermos verdadeiramente ou inteiramente o que é  melhor para nós. Por mais que sejamos previdentes, a nossa vida se move em  território imponderável, instável, imprevisível.</p> <p> <br></p><p> <br></p><p>O poeta Drummond escreveu um poema narrando o último dia na vida de um homem  que explodirá em um avião. "Acordo para a morte./Barbeio-me, visto-me, calço-me.  (…) Tudo funciona como sempre./Saio para a rua. Vou morrer". Mas a hora fatídica  chega inapelavelmente. A experiência da morte é um fato já completamente  enredado na comunicação de massa. "O avião decola. Mais uns minutos, e  então…/Golpe vibrado no ar, lâmina de vento/no pescoço, raio/choque, estrondo,  fulguração/rolamos pulverizados/caio verticalmente e me transformo em  notícia".</p> <p> <br></p><p> <br></p><p>Contudo, um caso mais intrigante é o do poeta-crítico piauiense Mário  Faustino, que transitava por 11 línguas e parecia ter na memória o melhor da  poesia mundial. Reza a lenda que, certa vez, Drummond teria ficado tão irritado  com uma das críticas de Mário Faustino, que teria raspado gilete na parede. Em  sua poesia, o escorpiano Mário Faustino sempre cantou a morte: ("Não morri de  mala sorte/Morri de amor pela morte") ou ("Sinto que o mês presente me  assassina/Cavaleiro gentil que me abomina/E atrai-me ao despudor da luz  esquerda/A morte espacial que me ilumina"). </p> <p> <br></p><p> <br></p><p>Nos tempos que morou em Brasília, o romancista paraense, Haroldo Maranhão, me  contou uma história p . Mário estava hospedado na casa de um amigo em Nova York.  Com a roupa suja, ele pegou um catálogo telefônico em busca de uma lavanderia.  No entanto, o seu olhar colidiu o telefone de uma astróloga e frenóloga  irlandesa. Ela disse: é absolutamente imperioso um encontro e entrevista. Depois  de fazer um levantamento minucioso da vida de Mário, ela anunciou: "O senhor  está em uma encruzilhada: poderá alcançar o apogeu da glória em seu país, mas um  acontecimento poderá cortar tudo. A decisão sobre isto depende do seu arbítrio".  </p> <p> <br></p><p> <br></p><p>Mário riu muito da história, mas ficou impressionado. Tanto que armou um  esquema para ficar um ano sem vínculos de trabalho e poder dedicar-se à  realização de um grande poema. Ele só queria transitar de bicicleta. Mas,  atendendo a um pedido do seu chefe, ele resolveu viajar e, na madrugada de 27 de  novembro de 1962, explodiu, próximo a Lima, no Peru, o avião que o conduzia ao  México, em missão profissional.  <br></p><p> <br></p><p> <br></p><p>Para Glauber Rocha, Mário Faustino foi o mais  talentoso poeta de sua geração. Como sempre, ficou a dúvida sobre o futuro  brilhante de Mário, cortado pela morte, quando o poeta tinha 32 anos de idade.  Mas talvez ele mesmo tenha respondido antecipadamente à indagação em um belo  verso: "Afinal, compreendo/Toda vida é perfeita/E pungente, e raro e breve/É o  instante que dão para viver-me". </p></font><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="3"> <br> <br></font></div> <br>  
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		<title><![CDATA[Uma casa na descida do morro  ]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=38072</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 402px; height: 268px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/db3734801252f3070832fb649001515b.jpg"> <br> <br><img style="width: 401px; height: 246px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/fb3897900a200aea402e29fd0a92dd8d.jpg"> <br> <br><font size="6"> <br></font><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br>O terreno era muito inclinado, o cliente, um jovem engenheiro aeronáutico, o lugar, Hollywood e o arquiteto, um autodidata que trabalhou com Frank Lloyd Wright. O resultado dessa combinação de ingredientes tão singulares é uma das casas mais emblemáticas e conhecidas do século 20, a Chemosphere. A casa se equilibra num único pilar que brota de uma escarpa. Tem planta octogonal que se sustenta com a ajuda de colunas que se parecem com os arcos de um guarda-chuva.  <br> <br> <br> <br> <br>O norte-americano John Lautner (1911-1995) dedicou a vida a experimentar formas livres e&nbsp; novos métodos de construção. Seus projetos causaram espanto em meio mundo pela audácia futurista, cuidado de realçar a paisagem, aproveitar a luz, desafiar os princípios estruturais e experimentar novos materiais. As cobiçadas casas de Lautner viraram cenários de filmes, entre eles — <span style="font-style: italic;">Dublê de corpo</span>, de Brian De Palma e 007 — <span style="font-style: italic;">Os diamantes são eternos</span>, de Guy Hamilton.  <br> <br> <br> <br> <br>O museu Arquitetura e Design Centre, em Los Angeles, está exibindo, desde 20 de março até 26 de junho a exposição E<span style="font-style: italic;">ntre a terra e o céu — A arquitetura de John Lautner. </span> <br> <br> <br> <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=38042</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<P><IMG src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/be52bc3b3cc161e6914d9976fb5f72f7.jpg"></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><EM>Namoradeira</EM>, de Zanine</FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=6></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=6>Zanine, 90 anos</FONT></P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Zanine está para a madeira como Niemeyer está para o concreto e Athos para o azulejo. José Zanine Caldas era orgânico muito antes de a palavra entrar na moda e nos supermercados. Construía casas (de madeira) respeitando a topografia do terreno. Projetava abrigos merecedores do título – abrigos. Amplos, avarandados, abertos à intensa luz natural do Brasil. Tem mais de 500 residências no país, mais de dez em Brasília.</FONT></P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Teria feito 90 anos no último 25 de abril não fosse um infarto que o derrotou em 2001, aos 82 anos, depois de uma hidrocefalia que muito o maltratou. A derradeira e inevitável derrota fez o que costuma fazer: ativou o distanciamento necessário para que ele seja inteiramente reconhecido no seu real valor. Não que Zanine tenha sido injustiçado do começo ao fim. Tanto não foi que, aos 70 anos, mereceu uma mostra de suas obras no Museu do Louvre, em Paris. Diz a lenda que foi mais visitado que Picasso, exposto na sala ao lado.</FONT></P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Antes, porém, de chegar ao Louvre, o baiano de Belmote padeceu com a má vontade do Instituto de Arquitetos do Brasil que não permitiu que ele assinasse alguns de seus projetos. Zanine era autodidata, tinha experiência, talento, razoável reconhecimento público, mas não havia passado pela faculdade. O sempre surpreendente Lucio Costa entrou na briga e Zanine acabou recebendo o título de arquiteto honoris causa. E entregou a ele o diploma. </FONT></P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Bem antes disso, no início da década de 1960, Zanine tinha ocupado a cadeira de professor de maquete da Faculdade de Arquitetura da UnB. Saiu na leva que foi arrastada pelo golpe de 1964. </FONT></P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>O talento começou a se exercitado quando o menino filho de médico fazia presépios de Natal com caixas de papelão onde vinham guardadas as seringas. (Bem mais tarde, em Brasília, Zanine criou presépios de flora do cerrado). Era arquiteto, paisagista, designer de móveis, professor, ecologista. “Na verdade, não há nas minhas obras, sejam casas ou móveis ou objetos místicos, outra intenção que não seja a de abrigar ou refletir a natureza humana em não-humana do Brasil”, ele disse, certa vez.</FONT></P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Reproduzo declaração do arquiteto Ricardo Caruana, amigo e discípulo de Zanine, à revista <I>IstoÉ</I>, em junho de 1999: “Ele é o homem mais culto que conheço, não o mais erudito. Ele sabe como o pescador dá nó na rede, como o lenhador corta a árvore, como o índio come. Ele andou e fuçou por todos os lugares. Rodou a Ásia e a África, foi ao Togo, a Daomé, foi ver de onde vieram os negros brasileiros. Dormiu enrolado em lençol, numa praia da Mauritânia, conversou com as pessoas. </FONT></P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>E entende de tudo. Outras pessoas vão para esses lugares e não entendem nada.”</FONT></P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Enquanto os modernistas faziam casas de concreto, retangulares, de telhados planos, branquinhas, Zanine projetava casas de madeira, de telhado inclinado, suprema desobediência. </FONT></P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>José Zanine Caldas se casou seis vezes, teve três filhos. Morreu em Vitória (ES) no dia 20 de dezembro de 2001. Não deixou patrimônio financeiro para os herdeiros. Deixou um tesouro para os brasileiros e um tesouro particular para os brasilienses.</FONT></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><BR style="FONT-SIZE: 8px" clear=all><FONT color=#666666></FONT></FONT></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P>
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		<title><![CDATA[Casa cor na favela]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=38002</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
		<img src="http://www.dzai.com.br/tv/avatar?a=/18/18744"/>
		<P><IMG src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/b41e19df9c8135c860a486888cf84c1c.jpg"></P> <P><IMG src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/2850c90a16ebcfcf6adf6c69e2081b6e.jpg"></P> <P>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>&nbsp;</FONT></o:p><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>&nbsp;</FONT></o:p></P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><FONT color=#666666>A artista plástica Mônica Nador foi a favelas de São Paulo e do México para ensinar os moradores a colorir seus barracos. Com a técnica de pintura em estêncil, ela promoveu oficinas <?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" /><st1:PersonName w:st="on" ProductID="em São Remo">em São Remo</st1:PersonName>, na Vila Rodhia, e no Jardim Santo André, em SP, e <st1:PersonName w:st="on" ProductID="em Maclovia Rojas">em Maclovia Rojas</st1:PersonName>, no México. Os moradores criaram seus próprios desenhos e com eles enfeitaram as fachadas, os muros, as cercas e as paredes internas de suas casas. Fotos e DVDs dessa intervenção urbana da artista e dos moradores compõem a exposição Pintura na Margem da Cidade, no Museu da Casa Brasileira, <st1:PersonName w:st="on" ProductID="em São Paulo">em São Paulo</st1:PersonName>, de 10 de junho a 12 de julho. <A href="http://www.mcb.sp.gov.br/">Quem quiser saber mais clique aqui</A>.<SPAN style="mso-spacerun: yes">&nbsp;&nbsp;&nbsp; </SPAN></FONT></FONT></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P>
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=38000</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
		<img src="http://www.dzai.com.br/tv/avatar?a=/18/18744"/>
		<P><IMG height=388 src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/957ed8d8e8df0480d0a2bae53c36b5bc.jpg" width=369></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=2>Escritórios, Brasília, 1960, Peter Scheier</FONT></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face=Verdana color=#666666 size=4></FONT>&nbsp;</P> <DIV align=justify> <P><A name=121b272a1fae4969_Save1></A><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=6>Dois fotógrafos</FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Quem nasceu primeiro: Brasília ou o fotógrafo Mário Fontenelle? Tudo indica que nasceram juntos, a cidade e o mecânico do avião de Juscelino. Pode-se pensar que Brasília, máquina fotográfica e Fontenelle se juntaram ao acaso. Mas teria sido um encontro fugaz, burocrático, circunstancial se o fotógrafo não tivesse sido arrebatado pela perplexidade. As imagens da iniciação de cidade invadiram a lente de Fontenelle com a força de um fenômeno da natureza. </FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Tanta perplexidade não cabia numa foto ou em milhares delas. Mário Fontenelle continuava a expressar seu espanto convulsivo em textos que escrevia, com a sua letra tosca, no verso da fotografia, no tempo em que elas só existiam no papel ou em slide. Estarrecido, siderado, maravilhado, pasmado, transtornado — era esse o estado do fotógrafo. Deixou textos escritos em papel fotográfico, folhas de papel avulsas e em pedaços de filmes. Não represou o impacto que lhe causou o excesso de acontecimentos dos quais participava. Brasília ficou em Fontenelle para sempre. </FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>A cidade que estava sendo construída num mar de cerrado provocava estremecimentos em quem assistia ao espetáculo, ao movimento de poeira, lama, concreto e gente. Um enxame de fotógrafos desembarcava no Planalto Central com sede de fotografar o que nunca dantes havia sido fotografado e nunca mais seria. Era como fotografar um tsunami, um vulcão irado, era como fotografar a dança monumental de uma <I>cumulus nimbus</I> — dentro dela.</FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Foram muitos os fotógrafos que vieram registrar a cidade nascente. Um deles, o judeu alemão Peter Scheier, deixou uma coleção pouco conhecida de retratos do começo de Brasília. É um fotógrafo de outra linhagem — não era intuitivo como Fontenelle nem parecia cultivar a paixão rascante do piauiense pela nova capital.</FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Scheier era da turma dos fotógrafos especializados em arquitetura, que enxergava a forma, as proporções, o contraste do homem com a obra. Já tinha experiência na área. Tinha sido fotógrafo oficial do Masp e havia fotografado para Lina Bo Bardi (são dele as belíssimas fotos da Casa de Vidro, uma jóia da arquitetura moderna brasileira). Tinha um olho preparado para registrar um outro tipo de perplexidade — o da obra em concreto, nua e crua, entre a terra cor de ferrugem e o céu de infinito azul. <SCRIPT><!-- D(["mb","\u003c/p\u003e\n\u003cp\u003eHerdeiro do fotojornalismo, Scheier também fotografou o modo de vida \ncandango. Os peões de obras enfileirados, com expressões de rude cansaço, roupas \namarfanhadas, botinas e chapéu. A maior parte do acervo de Scheier está no \nArquivo Histórico Judaico Brasileiro. Filho de um oficial do exército alemão que \nlutou na Primeira Grande Guerra, nasceu em 1908 e veio para o Brasil já adulto, \nem 1937, fugindo da perseguição nazista.\u003c/p\u003e\n\u003cp\u003eFotografou intensamente Brasília, mas não morou aqui. Voltou para a Alemanha \nem 1975 e morreu quatro anos depois. \u003c/p\u003e\u003c/font\u003e\u003c/font\u003e\u003c/div\u003e\u003c/div\u003e\n",0] ); D(["ce"]);  //--></SCRIPT>  </FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Herdeiro do fotojornalismo, Scheier também fotografou o modo de vida candango. Os peões de obras enfileirados, com expressões de rude cansaço, roupas amarfanhadas, botinas e chapéu. A maior parte do acervo de Scheier está no Arquivo Histórico Judaico Brasileiro. Filho de um oficial do exército alemão que lutou na Primeira Grande Guerra, nasceu em 1908 e veio para o Brasil já adulto, em 1937, fugindo da perseguição nazista.</FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Fotografou intensamente Brasília, mas não morou aqui. Voltou para a Alemanha em 1975 e morreu quatro anos depois. </FONT></P></DIV> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><BR style="FONT-SIZE: 8px" clear=all><FONT color=#666666></FONT></FONT></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P>
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		<title><![CDATA[A casa do pé de pequi ]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=37979</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
		<img src="http://www.dzai.com.br/tv/avatar?a=/18/18744"/>
		<P><IMG height=302 src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/a735a6daa21642c7563e7cfcaef94198.jpg" width=458></P> <P>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify>&nbsp;<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>&nbsp;</FONT></o:p></P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Esta casa de brincadeira de criança abriga também uma&nbsp;fonte lúdica: é o ateliê de Frans Krajcberg, o genial escultor polonês que entregou a vida a defender a Amazônia e a flora brasileira, quando o Brasil nem disso se preocupava e muito pouco ainda se preocupa. A casa construída sete metros acima do chão se equilibra num tronco de <?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" /><st1:metricconverter ProductID="2,60 metros" w:st="on">2,60 metros</st1:metricconverter> de diâmetro de um pequizeiro <st1:PersonName ProductID="em Nova Viçosa" w:st="on">em Nova Viçosa</st1:PersonName>, no sul da Bahia.</FONT></P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>É um projeto construído a quatro mãos – e que quatro mãos! Frans Krajcberg e seu amigo José Zanine Caldas desenharam e ergueram a casa no começo dos anos 1970. Foi de Zanine a idéia de construir um lugar onde Krajcberg pudesse trabalhar – até então ele vivia a esmo dentro dos matagais, catando madeira morta para suas obras de arte.A casa também foi construída com pedaços de árvores encontrados na mata. Zanine e Krajcberg eram ecologistas muito antes de o mundo começar a ter consciência de que a Terra não é uma fonte inesgotável de vida. </FONT></P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>&nbsp;</FONT></o:p></P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Zanine tem forte ligação com Brasília. Veio para a cidade em 1958. Construiu várias casas aqui e foi professor de maquete da Universidade de Brasília até o golpe militar. O arquiteto sem diploma teve o primeiro contato com a arquitetura e com a madeira fazendo maquetes de madeira. Foi daí que surgiu o arquiteto e dele o designer de móveis. Zanine morreu em 2001. Há muito dele em Brasília.</FONT></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P>
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=37649</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img style="width: 378px; height: 255px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/3789c4355fc21c5880e01f9a99f289c1.jpg"> <br><font style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" size="2">Hospital Regional de Taguatinga, obra do Lelé</font> <br> <br><img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/a4c12e28feb2a270d0e01fd7f7a782a8.jpg">&nbsp; <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Antiga Caixa D'Água, foto do Ivaldo Cavalcanti</span></font> <br> <br><img style="width: 400px; height: 254px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/c0203f74d329d9c0a851216e3e2c9652.jpg">  <br><font size="4"> <br></font><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br> <br><font size="6">Veio, viu, venceu</font> <br> <br> <br> <br>Taguatinga não estava no mapa, mas ela se impôs nas pranchetas  <br>dos urbanistas pela insistência dos brasileiros que queriam aproveitar, um cadinho que fosse, da utopia que estava sendo construída. Veio, viu e venceu. Mas, para vencer, construiu uma estratégia de deixar Juscelino sem saída. Aquela que todo taguatinguense conhece: para comover o Presidente da República, os sem-terra daquele tempo ocuparam uma área próxima à Cidade Livre e deram a ela o nome de Sarah Kubitschek.  <br> <br> <br> <br>Naquele 1958, os nordestinos estavam enfrentando uma das piores secas da história. Sabedores de que Juscelino estava construindo uma nova capital, eles desceram em grandes levas para o Planalto Central, mas foram barrados na porta de entrada, onde hoje é o começo do Núcleo Bandeirante (de quem vem do Plano). Israel havia mandado fechar as entradas da cidade, assustado com a chegada ininterrupta de paus-de-arara superlotados de nordestinos. Era pouca Brasília para tantos brasileiros. <br> <br> <br> <br>Às pressas, Lucio Costa esboçou uma cidade-satélite — a primeira—, mas os novos candangos não sabiam esperar, não podiam esperar o planejamento do urbanista e a vontade de Israel. Cerca de três mil brasileiros recém-chegados a Brasília, que se amontoavam em barracas de saco de cimento, pedaços de madeira velha, de folhas de zinco, fizeram uma manifestação histórica, na noite de 5 de junho de 1958, no restaurante onde Juscelino iria jantar, na Cidade Livre. <br> <br> <br> <br>JK não foi e Israel mandou Ernesto Silva enfrentar a multidão. “Subi num caixote de madeira e falei com os manifestantes”, lembra doutor Ernesto. Eram homens e mulheres agitados, cansados da peleja, da viagem, da penúria, esperando por Juscelino. “Disse a eles que a Novacap já providenciara a criação de uma cidade-satélite a 25 quilômetros do Plano Piloto”. Marcou nova reunião para o dia seguinte, um domingo. Doutor Ernesto foi e levou a planta da nova cidade — era o trunfo que tinha para acalmar aquela gente com os nervos despedaçados. <br> <br> <br> <br>Se Juscelino tinha pressa para construir a nova capital, os brasileiros tinham mais urgência ainda para ter um lugar para viver. Aqueles migrantes, a maioria nordestinos fugindo da seca, precisavam desesperadamente de Brasília, mas até àquele dia 5 de junho de 1958, Brasília não havia pensado que aqueles homens não podiam esperar pelas pranchetas.&nbsp;  <br> <br> <br> <br>Ao longos de 51 anos, Taguatinga repetiu incontáveis vezes o gesto de resistência. Na cidade nasceram movimentos culturais de resistência e contestação — o Teatro Rolla Pedra, o Teatro da Praça, o Mamulengo Presepada, o Detrito Federal, o Bar do Careca, lugares, bandas, trupes, projetos, sonhos de gerações de taguatiguenses para quem a utopia não era exclusividade do Plano Piloto. <br> <br> <br> <br>Na intensa e múltipla Avenida Comercial Norte, existe uma loja de R$ 1,99 chamada Shop Jota Ka. É Taguatinga inventando um novo Juscelino, mais popular, mais engraçado, bem menos solene que Brasília. É o jeito taguatinguense de ser brasiliense.  <br> <br> <br> <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=37602</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/d01237feb5eb63a6c98fc68e29733254.jpg">  <br> <font style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;" size="2">Um galo que também é um peixe  <br>e parece voar, obra de seu Pedro</font> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">  <br><font size="6">  <br>Seu Pedro</font>  <br>  <br>  <br>  <br>Mesmo corroído por um câncer detectado aos 86 anos, seu Pedro continuava esculpindo bichos em troncos do cerrado. Fazia mais de trinta anos que Pedro de Oliveira Barros tirava onças, cobras, tatus, corujas, dinossauros, aves, bonecos e plantas de dentro dos pedaços de árvore retorcida e seca que encontrava no meio do mato. Esculturas talhadas em faca, facão e machado por um homem que passou a primeira parte da vida trabalhando na lavoura em Barra do Corda, Maranhão.   <br>  <br>  <br>  <br>Faz quatro anos que seu Pedro morreu, em 13 de junho de 2005. Seria uma segunda morte, não fosse o sopro de renascimento que experimentou quando se aposentou por invalidez, devido a um desvio de coluna, aos 57 anos. Foi na cidade de Barra do Corda, onde vivia, que seu Pedro começou dar um sentido aos troncos, galhos e raízes secos e soltos na mata.   <br>  <br>  <br>  <br>(Barra do Corda tem esse nome porque fica às margens do rio Corda, de águas esverdeadas e grande quantidade de cipós na mata ciliar que antes o protegia. Os moradores da região faziam corda com esse cipó, daí o nome do rio).  <br>  <br>  <br>  <br>Se de cipó se fazia corda, de toco de árvore seu Pedro começou a fazer esculturas. “Foi como uma visão. A inspiração que veio de Deus”. A cidade não entendia muito bem o que havia acontecido com o lavrador que já não podia mais lavrar a terra, tantas as dores no espinhaço. Chamavam-no de doido. Mas seu Pedro não se importava muito com o pensamento dos outros. Cada um pensa o que quiser, porque cabeça de gente não é igual pedaço de pau que você dá a ele nova forma. “O pessoal de lá nunca tinha visto nada parecido, e por isso não poderia entender. Eu mesmo nunca havia visto”, disse Pedro certa vez.  <br>  <br>  <br>  <br>Pouco tempo depois, seu Pedro veio ao encontro das filhas que já estavam em Brasília e aqui encontrou fartura de material para trabalhar, troncos, galhos e raízes secas do cerrado. Acordava de madrugada para se embrenhar na escuridão atrás de pedaços de pau que mais tarde se transformariam em esculturas. O cerrado de morto passava a vibrar.   <br>  <br>  <br>  <br>Brasília soube reconhecer o talento de seu Pedro e logo ele estava fazendo a primeira exposição e daí em diante outras e mais outras. Ele contava que havia peças suas em 22 países. Uma das explicações para o cosmopolitismo de suas obras é o encanto que ela produzia em diplomatas de passagem por Brasília.&nbsp;   <br>  <br>  <br>  <br>Estive na casa de seu Pedro, na Cidade Ocidental, antes de ele adoecer. A quantidade de peças espalhadas pela casa modesta, a intensa dedicação do artista à criação de suas obras e sua extrema simpatia são inesquecíveis. Seu Pedro criava a sua própria fauna: um mesmo bicho era a mistura de vários. Uma onça podia ter rabo de macaco e focinho de tatu, por exemplo. Terminado o entalhe, seu Pedro pintava as peças com tinta a óleo em cores intensas.   <br>  <br>  <br>  <br>No próximo dia 15 faz quatro anos que seu Pedro morreu. O Museu Vivo da Memória Candanga mantém uma exposição permanente de suas obras.   <br>&nbsp;  <br>  <br>  <br>  <br></div>  <br>  
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		<title><![CDATA[O lindo da UnB ]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=37582</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 423px; height: 275px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/75f7f8d53edd13e98614dc450d566e59.jpg"> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br>Essa coisa linda é um pica-pau-verde-barrado e foi vista passeando pela UnB na hora do almoço. O nome&nbsp; dele vem da estampa de fundo verde, mas o que atrai de logo os olhos são as barras vermelhas rodeando os olhos. Não dá pra ver mas ele tem manchas em forma de coração na parte inferior do corpo. O verde-barrado é um pica-pau que vive na beira da mata, no cerradão, em mata de galeria e gosta de se arriscar em regiões de pouca vegetação alta.  <br> <br> <br> <br> <br>O pica-pau-verde-barrado tem um modo estranho de se locomover. Ele pula de gralha em gralha sempre no mesmo nível, como se desenhasse uma linha reta horizontal. Como os demais pica-paus, verde-barrado passa o dia inteiro procurando o que comer. Quando percebe que sob a casca da árvore há larvas de insetos (besouros são o prato preferido do cardápio), eles martelam a superfície com o bico até conseguir perfurar espaço suficiente que lhe permita buscar a presa com a língua de ponta afilada.  <br> <br> <br> <br> <br>Pesquisas realizadas ao longo de dez anos pelo professor Marcelo Bagno, morto em 2002, estimaram em perto de 200 as espécies de pássaros que habitam os&nbsp; 3,5 milhões de metros quadrados do câmpus da UnB.&nbsp; <a href="http://www.museuvirtual.unb.br/">Saiba mais sobre os bichinhos voadores da UnB. </a> <br>&nbsp;  <br> <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=37565</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		&nbsp;<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/776a0edfb614c106e8d05d2f1a2f7b1a.jpg"> <br><font size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Ilustração anônima, não é a do Millôr</span></font> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br><font size="6"> <br>Não é&nbsp; preciso</font> <br> <br> <br> <br> <br>Faz uma pá de tempo que guardo uma charge do Millôr, publicada num jornal : Traços finos delineiam um navio afogado por uma tempestade e em cima vem escrito: “Navegar é preciso, viver é não é preciso”. A conjunção da imagem com a frase de antigos navegadores (mais tarde usada por Fernando Pessoa) tocou fundo em mim quando eu ainda era uma jovem estudante de jornalismo. O texto no qual o poeta usa a frase é uma declaração de&nbsp; fidelidade à poesia. Diz assim: <br> <br> <br> <br> <br>“Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou. Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de perder como minha. Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho na essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade.”  <br> <br> <br> <br> <br>Conta-se que foi Pompeu, general romano de antes de Cristo, quem primeiro usou a expressão. O prosador e filósofo grego Plutarco relatou as circunstâncias em que Pompeu pronunciou a frase. Diante de uma forte tempestade, os capitães temiam lançar seus navios ao mar. Ao que o general destemido subiu no navio e gritou: “É necessário navegar, viver não é”. Para Pompeu, navegar era viver, mesmo que para isso fosse preciso por a vida em risco.&nbsp;  <br> <br> <br> <br> <br>Mas há um outro sentido que se dá comumente à frase, a de que navegar é preciso, dada a precisão dos instrumentos de navegação; mas viver não é preciso, não é exato; é impreciso, inexato. É dessa acepção que eu gosto.&nbsp;  <br> <br> <br> <br> <br>Quando todo o mundo se pergunta e especula, afinal, o que aconteceu com o avião da Air France, Fernando Pessoa ressurge com a precisão do navegar e a imprecisão do viver. A acuidade dos instrumentos de navegação contrastam com a inexatidão das circunstâncias. A máquina excepcional que atravessava o Atlântico na noite de domingo passado tinha sido criada para, como um Titanic, enfrentar tormentas esperadas e inesperadas.  <br> <br> <br> <br> <br>Como então se desfez no mar? Que combinação de circunstâncias engoliu o A330-200? A pergunta não angustia somente os navegadores. Inquieta os navegantes e quem nunca navegou.  <br>Um dos muitos especialistas entrevistados num dos muitos noticiários das excessivas horas dedicadas ao assunto nos últimos dois dias comentava que tragédias como essas resultam em enormes saltos na tecnologia da aviação. Ele dizia que é descobrindo o que aconteceu com o Airbus que se saberá como desenvolver novas máquinas, ainda mais seguras. <br> <br> <br> <br> <br>Fica-se assim com a impressão de que um dia, depois de outras tragédias como essa, a ciência chegará ao avião perfeito. Pobre ilusão. Por mais que o homem contra isso se debata,&nbsp; navegar pode ser preciso, mas não há instrumento de navegação capaz de nos resgatar da imprecisão do viver.  <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[Shakespeare, Flósculo e Brasília]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=37564</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<font size="5"> <br></font><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-style: italic;"><font size="6">&nbsp;</font> <br> <br>“Aquilo, definitivamente, não era Goyaz, nem Rio de Janeiro, nem lugar nenhum que tenha visto: todos aqueles prédios pareciam ter descido do céu, como naves interplanetárias, interestelares, intergalácticas, inter-universais. Pousaram sobre colunatas iluminadas, que aumentavam a sua irrealidade, sua origem área. Ferdinando sorriu.</span><br style="font-style: italic;"> <br> <br><br style="font-style: italic;"><span style="font-style: italic;">Era incrível. Ele gostava de pregar peças, de surpreender, sentia-se em casa ali. Abriu um sorriso. Sentia que pregavam uma grande peça no Brasil. Aquilo, sim, era algo brasileiro, leve e novo, sem velhacaria, sem engodo, sem visco. Era brasileiro e surpreendente. Nada daquelas coisas antigas, do centro do Rio de Janeiro, daquilo de querer uma cidade européia sem ser, aquela cidade pesada e triste, exilada e decepcionada consigo mesma — a cidade armorial dos aristocratas. “Gostei, gostei”, repetia, rindo baixinho, sentido uma afinidade que crescia, como se entrasse numa realidade que desejava — e que o desejava. Nunca sentira nada como aquilo, por um lugar.”</span><br style="font-style: italic;"> <br> <br> <br> <br>Trecho de <span style="font-style: italic;">Próspero &amp; Lúcio, a tempestade em Brasília</span>, romance de Frederico Flósculo Barreto que será lançado amanhã, na Livraria Cultura, às 19h30.  <br> <br> <br> <br> <br>Frederico Flósculo é professor de arquitetura da Universidade de Brasília e um apaixonado pela cidade que Lucio Costa inventou e Oscar Niemeyer ergueu palácios, igrejas, escolas, prédios públicos e superquadras. O romance se passa em três dias de 1958 e conta uma história de vingança e magia que se passa durante a construção da nova capital. Flósculo baseou-se numa obra de Shakespeare, <span style="font-style: italic;">A Tempestade</span>, na qual o inglês trata da renúncia do poder em troca da liberdade de criar.  <br></div> <br> <br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <br><img style="width: 455px; height: 277px;" src="../../static/user//18/18744/9cbb6a9ae0e99b85dfc2e652e20d3cae.jpg"> <br><font size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Ilustração de Rui de Oliveira para a adaptação infanto-juvenil <br>de </span><span style="font-style: italic; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">A Tempestade</span><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">, de Shakespeare, editora Companhia das Letrinhas </span></font> <br>
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=37488</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		&nbsp;<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/7d4be923a4dea6f202af3ba7af7f00b8.jpg"> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" id=":10k" class="ii gt">  <p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><font size="6"> <br></font></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><font size="6">Voar é para os pássaros</font></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><font size="6"> <br></font></p> <p style="margin: 0cm 0cm 0pt;">A capacidade de fazer um monstro de não sei quantas toneladas flutuar muito acima de nossas cabeças é uma das mais fascinantes conquistas do gênio humano. Ter a ousadia de imaginar que seria possível inventar uma máquina voadora é um dos mais belos exemplos de nossa ilimitada capacidade de sonhar e inventar.</p>  <p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;">Assistir à decolagem de um avião, do lado de fora dele, me causa espanto a cada novo embarque. Que conjugação de forças permite que um objeto muito mais pesado que o ar não apenas saia do estado de inércia como se incline para cima até superar todas as impossibilidades e planar, com a solenidade das grandes máquinas, ao redor da Terra, como uma estrela cadente que consegue dominar o seu destino?</p>  <p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;">O avião é, não será necessário explicar, um dos meios de transportes mais seguros que já se inventou, mas o ser humano não será inteiramente humano se não sentir um estranhamento, por menor que seja, ao entregar o rumo de sua vida a uma máquina bicuda que ruge com todas as forças de seu pulmão de ferro para conseguir se despreender do solo e se estabilizar num chão sem chão.</p>  <p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;">Não à-toa, as pessoas que precisam ter sempre o controle da situação sofrem mais que as outras numa poltrona de avião. Ali não há nada onde se segurar, nenhum plano B, ninguém a quem pedir socorro, nenhuma estratégia fenomenal pra se salvar. O ser humano, dentro de um avião, é um bicho indefeso (e sem asas) pendurado no vazio, sem ter uma mísera alça onde se agarrar em caso de urgência.</p>  <p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;">Pra facilitar a minha vida, fico imaginando que por trás daquela portinha estreita da cabine de comando há um Flashman que saberá tomar todas as decisões necessárias para, em caso de emergência, segurar o avião com uma das mãos e aterrissar docemente numa ilha paradisíaca até que um transatlântico venha me socorrer.</p>  <p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;">Dentro de um avião, o ser humano fica apartado da própria vida. Há um corte, uma interrupção – por mais cara de paisagem que o passageiro faça, por mais interessante que seja o programa de viagem, por mais agradável que seja o livro que se esteja lendo, esteja na primeira classe ou sentado na poltrona perto do banheiro, tanto faz. Alguma coisa nos diz que não era ali que se deveria estar.<span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span></p>  <p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br></p><p style="margin: 0cm 0cm 0pt;">Dentro de um avião, entre as nuvens ou acima delas, cada um de nós é apenas um pobre diabo que teve a má idéia de entregar sua vida a uma máquina voadora cujo comandante é tão humano quanto qualquer passageiro. Aviões deveriam ser pilotados por super-heróis, só assim dava pra dar bom-dia ao comissário de bordo com a felicidade dos passarinhos em dia de baile no céu.</p>  <p style="margin: 0cm 0cm 0pt;">&nbsp;</p> <p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span>&nbsp;&nbsp; </span></p> <p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span></p> </div><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br> <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[O cotidiano da Esplanada]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=37394</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		 <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br><font style="font-style: italic;" size="2"><strong> <br>Eduardo Pierrotti Rossetti, arquiteto  </strong></font><br style="font-style: italic;"><style>.hmmessage P { margin:0px; padding:0px } body.hmmessage { font-size: 10pt; font-family:Verdana }</style> <br> </div><p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="3"> <br></font></p><p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="3">No dia seguinte à divulgação pública da nova proposta  de intervenção arquitetônica de Oscar Niemeyer na Esplanada dos Ministérios, é  possível perceber o quanto a cidade está mesmo distante daquela lenga-enga  sobre a falta de ocupação, uso e apropriação de seus espaços públicos, sejam  eles cívicos ou não. Mesmo sendo possível ignorar isso, o fato é que há uma vida  urbana intensa e diversificada transcorrendo no cotidiano da Capital. Apenas a  agenda de atividades previsas para hoje no Eixo Monumental atesta tal  movimentação.</font></p><p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br></p><p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="3"> <br></font></p><p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="3"> Com certo grau de simultaneidade três eventos: um festival de  música (<i>Rolla pedra</i>), uma corrida (<i>Fila Night Runner</i>) e uma sessão  de observações astronômicas promovida pelo CAsB ocorriam respectivamente na  Torre de TV, na Esplanada, e na Praça dos Três Poderes. Estes três eventos  mobilizaram e atraíram milhares de pessoas para o Eixo Monumental, além daqueles  tantos outros que rotineiramente já movimentam seus espaços cívicos: as  atividades do <span>Teatro Nacional e do Museu, as missas da Catedral, a  agitação do Conic e do Conjunto Nacional, as partidas de futebol americano em  frente ao Itamaraty, as crianças que escorregam no gramado do Congresso, os  ciclistas, os grevistas, os turistas, os jornalistas e equipes de televisão, os  pipoqueiros, sorveteiros, carteiros, etc; os outros milhares de funcionários  públicos de todos os escalões...</span> Assim, Brasília se&nbsp;mostra bastante à  vontade e íntima com a soberania cotidiana de sua própria monumentalidade.  </font></p><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> </div><p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br></p><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> </div><p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br></p><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> </div><p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><strong> <br></strong></p><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> </div><p class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br></p> <br>
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=37364</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<P><IMG src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/bf6716efd45f83c71aef6787af449eea.jpg"></P> <P>&nbsp;</P><FONT face=Arial size=2><FONT face="Utopia,Times New Roman" size=2> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3><STRONG></STRONG></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=6>Caro Oscar,</FONT></P> <P align=justify><FONT face=Verdana color=#666666 size=6></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3>Faz algum tempo que estou aqui com o jornal aberto, pensando no que você disse sobre arquitetura e urbanismo, sobre o seu direito de fazer a praça na Esplanada dos Ministérios. Peço licença ao meu velho amigo para reproduzir o trecho da entrevista que mais me chamou a atenção:</FONT></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3>"A praça se impõe. Tenho o direito de fazê-la. Brasília não é só urbanismo, é também arquitetura. E eu tenho direito de defender a minha arquitetura. Todos os países desenvolvidos do mundo têm uma praça de verdade. Você vai lá e não esquece o que viu. A praça revela muito do país. A praça é fundamental". Mais adiante, Oscar, você diz: "A arquitetura de Brasília tem direito a uma praça mais digna".</FONT></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3>Suas palavras, Oscar, ficaram ecoando longamente no meu ouvido e quando me dei conta estava rememorando tudo o que fizemos juntos desde que você chegou ao meu escritório, ainda um garoto, pedindo para trabalhar comigo. Lembro-me de que tentei dissuadi-lo uma vez que o serviço era pouco e não lhe daria a necessária remuneração. E você me surpreendeu propondo pagar para ter direito de participar de algum modo do meu dia a dia profissional. <SCRIPT><!-- D(["mb","\u003c/p\u003e\n    \u003cp\u003eQuando minha equipe e eu começamos o projeto do Ministério da Educação e \n    Saúde Pública, você se ofereceu para participar, quando soube que um outro \n    arquiteto, de fora da equipe, seria convidado. Estranhamos que um rapaz \n    conhecido como modesto, generoso e despreendido tivesse tal iniciativa. Mas, \n    se levarmos em conta a sua proeminente contribuição ao projeto, será fácil \n    perceber, nesse comportamento, o ímpeto inconsciente de uma personalidade \n    fora do comum em busca de afirmação. \u003c/p\u003e\n    \u003cp\u003eLembra-se quando o convidei, Oscar, para projetarmos o Pavilhão do Brasil \n    na Feira Mundial de Nova York? Você já manifestava a vaidade artística e o \n    orgulho profissional que, velados, geralmente marcam o início das grandes \n    vocações. Fui percebendo, nesses episódios, que o aprendiz daquela época já \n    era consciente do seu valor e tinha um vago e confuso pressentimento de seu \n    destino. Tudo isso está escrito no prefácio que fiz para o livro do Stamo \n    Papadaki, sobre sua obra, em 1950. Lembra? \u003c/p\u003e\n    \u003cp\u003eAgora, passado tanto tempo, me parece que você se esqueceu completamente \n    ou desprezou do mesmo modo a Praça dos Três Poderes e a concepção da \n    Esplanada dos Ministérios. Como escrevi, em carta ao então senador Cattete \n    Pinheiro, em 1974, ela é a praça onde os três poderes como que se oferecem \n    ao povo na palma da mão do braço estendido da Esplanada dos Ministérios. É \n    uma praça de triangular de intencional apuro teórico que tem o sentido \n    simbólico de pôr o s três poderes ao alcance direito do Brasil sofrido.\u003c/p\u003e\n    \u003cp\u003eQuerido Oscar, sugiro que o amigo passe os olhos no relatório do Plano \n    Piloto de Brasília, especialmente no item 9, onde explico que a Catedral, a \n    belíssima Catedral que mais tarde você projetaria, deveria ser disposta \n    lateralmente, como todos os ministérios. Uma das razões era de ordem \n    arquitetônica: a perspectiva do conjunto da esplanada deve prosseguir \n    desimpedida até além da plataforma onde os dois eixos urbanísticos se \n    cruzam. ",1] );  //--></SCRIPT>  </FONT></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3>Quando minha equipe e eu começamos o projeto do Ministério da Educação e Saúde Pública, você se ofereceu para participar, quando soube que um outro arquiteto, de fora da equipe, seria convidado. Estranhamos que um rapaz conhecido como modesto, generoso e despreendido tivesse tal iniciativa. Mas, se levarmos em conta a sua proeminente contribuição ao projeto, será fácil perceber, nesse comportamento, o ímpeto inconsciente de uma personalidade fora do comum em busca de afirmação. </FONT></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3>Lembra-se quando o convidei, Oscar, para projetarmos o Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York? Você já manifestava a vaidade artística e o orgulho profissional que, velados, geralmente marcam o início das grandes vocações. Fui percebendo, nesses episódios, que o aprendiz daquela época já era consciente do seu valor e tinha um vago e confuso pressentimento de seu destino. Tudo isso está escrito no prefácio que fiz para o livro do Stamo Papadaki, sobre sua obra, em 1950. Lembra? </FONT></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3>Agora, passado tanto tempo, me parece que você se esqueceu completamente ou desprezou do mesmo modo a Praça dos Três Poderes e a concepção da Esplanada dos Ministérios. Como escrevi, em carta ao então senador Cattete Pinheiro, em 1974, ela é a praça onde os três poderes como que se oferecem ao povo na palma da mão do braço estendido da Esplanada dos Ministérios. É uma praça de triangular de intencional apuro teórico que tem o sentido simbólico de pôr o s três poderes ao alcance direito do Brasil sofrido.</FONT></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3>Querido Oscar, sugiro que o amigo passe os olhos no relatório do Plano Piloto de Brasília, especialmente no item 9, onde explico que a Catedral, a belíssima Catedral que mais tarde você projetaria, deveria ser disposta lateralmente, como todos os ministérios. Uma das razões era de ordem arquitetônica: a perspectiva do conjunto da esplanada deve prosseguir desimpedida até além da plataforma onde os dois eixos urbanísticos se cruzam. <SCRIPT><!-- D(["mb","\u003c/p\u003e\n    \u003cp\u003eA arquitetura que construiu Brasília, Oscar, é sua. Mas o urbanismo é \n    meu.\u003c/p\u003e\n    \u003cp\u003eForte abraço, Lucio Costa \n\u003c/p\u003e\u003c/font\u003e\u003c/font\u003e\u003c/div\u003e\u003c/blockquote\u003e\u003c/blockquote\u003e\u003c/div\u003e\n",0] ); D(["ce"]);  //--></SCRIPT>  </FONT></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3>A arquitetura que construiu Brasília, Oscar, é sua. Mas o urbanismo é meu.</FONT></P> <P align=justify><FONT face=Verdana color=#666666 size=3></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=3>Forte abraço, Lucio </FONT></P></FONT></FONT>
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		</description>
		</item>
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		<title><![CDATA[Modos de ser brasiliense]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=37358</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
		<description>
		<![CDATA[
		<img src="http://www.dzai.com.br/tv/avatar?a=/18/18744"/>
		<P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=5></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><FONT color=#666666><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><FONT size=4>(crônica publicada em 2004, no <STRONG>Correio Braziliense)</STRONG></FONT></FONT></FONT></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><STRONG></STRONG></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><FONT size=4>&nbsp;<FONT color=#666666></FONT></FONT></FONT></P> <P align=left><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><U>Segue&nbsp;uma ninhada de definições do que é ser brasiliense. Feita com<SPAN style="mso-spacerun: yes">&nbsp; </SPAN>a colaboração dos leitores Ana Soares, Letícia Monteiro, Ana Cristia Moraes, Raimundo Nonato da Silva e Salvador Pereira.</U></FONT></SPAN></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><FONT size=4><U><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"></SPAN><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><FONT color=#666666></FONT></SPAN></U></FONT></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><STRONG>Ser brasiliense é:</STRONG></FONT></SPAN></P> <P align=left><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4></FONT></SPAN>&nbsp;</P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><STRONG>Esperar o amiguinho gritar do pilotis ‘‘desceeee’’...</STRONG></SPAN></FONT></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><EM><STRONG><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"></SPAN></STRONG></EM></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><EM><STRONG><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular">Saber quem é Pedrinho, vê-lo na rua e se sentir meio tia/tio, primo/prima dele...</SPAN></STRONG></EM></FONT></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"></SPAN></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><STRONG>Encontrar um ministro, um senador, alguma autoridade na fila do supermercado e se perguntar ‘‘quem é esse importante? Já vi ele na televisão, mas não me lembro quem ele é’’...</STRONG></SPAN></FONT></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: ZapfDingbats"><STRONG></STRONG></SPAN></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><EM><STRONG>Emparelhar o carro ao lado de um carro oficial e esticar o pescoço pra ver quem é a Vossa Excelência que está lá dentro...</STRONG></EM></SPAN></FONT></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: ZapfDingbats"></SPAN></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><STRONG>Ter ficado todo orgulhoso do sucesso da Legião, da Cássia Eller, do Paralamas, da Zélia Duncan...</STRONG></SPAN></FONT></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: ZapfDingbats"></SPAN></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><EM><STRONG>Ter um amigo que tem um amigo que estudou com a Zélia Duncan ou o Renato Russo no Marista...</STRONG></EM></SPAN></FONT></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><STRONG><EM></EM></STRONG></SPAN></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><STRONG>Ter brincado de escorregão nos gramados inclinados do Congresso Nacional...</STRONG></SPAN></FONT></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><STRONG></STRONG></SPAN></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><STRONG><EM>Andar de bicicleta, em turma e de noite, pelo Parque da Cidade (hábito mais ou menos recente)...</EM></STRONG></FONT></SPAN></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: ZapfDingbats"></SPAN></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><STRONG>Levar a família para passear no supermercado nos finais de semana e nos feriados...</STRONG></SPAN></FONT></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"></SPAN></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><EM><STRONG>Esperar que uma dia a fonte da Torre de Tevê volte a funcionar normalmente...</STRONG></EM></SPAN></FONT></P> <P align=left><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4></FONT></SPAN>&nbsp;</P> <P align=left><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><STRONG>Juntar uma turma e ir para Pirenópolis só com o dinheiro da gasolina, da cachaça e do cachorro-quente...</STRONG></FONT></SPAN></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><FONT size=4><FONT color=#666666><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"></SPAN></FONT><FONT color=#666666><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"></SPAN></FONT></FONT></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><FONT color=#666666><EM><STRONG><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><FONT size=4><SPAN>Ter comprado o Iogurte com Farinha </SPAN><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular">do Nicolas Behr em papel mimeografado...</SPAN></FONT></FONT></STRONG></EM></FONT></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: ZapfDingbats"></SPAN></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><STRONG><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular">Ter cantarolado ‘‘um telefone é muito pouco pra quem ama como louco e mora no Plano Piloto’’, do Renato Matos...</SPAN></STRONG></FONT></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: ZapfDingbats"></SPAN></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><EM><STRONG>Odiar a cidade quando se precisa ir da 913 Sul para a 605 Sul e não ter uma linha de ônibus que faça esse ou outro percurso semelhante...</STRONG></EM></SPAN></FONT></P> <P align=left><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4></FONT></SPAN>&nbsp;</P> <P align=left><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><EM><STRONG>Chiar com o preço exorbitante da corrida de táxi na cidade e não entender por que é tão mais cara que em outras capitais...</STRONG></EM></FONT></SPAN></P> <P align=left><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><STRONG><EM><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4></FONT></EM></STRONG></SPAN>&nbsp;</P> <P align=left><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><STRONG><EM>Ouvir histórias sobre quem foi o primeiro médico, o primeiro bombeiro, o primeiro juiz, a primeira miss, a primeira professora, o primeiro qualquer coisa...</EM></STRONG></FONT></SPAN></P> <P align=left><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4></FONT></SPAN>&nbsp;</P> <P align=left><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><STRONG>Saber que, no carnaval do ano que vem, o governo vai dizer que não tem dinheiro para as escolas e que a Aruc vai ser campeã...</STRONG></FONT></SPAN></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"></SPAN></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><EM><STRONG>Conhecer o neto de alguém que garante ter sido amigo de Juscelino... Ou ter sido batizado por Juscelino ou ter apertado a mão de Juscelino ou ter visto Juscelino de longe...</STRONG></EM></SPAN></FONT></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"></SPAN></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><STRONG>Ouvir alguém contar que abriram o caixão de Bernardo Sayão e que o corpo não estava lá... ou que havia uma pedra no lugar do corpo...</STRONG></SPAN></FONT></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"></SPAN></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"><EM><STRONG>Saber que Venâncio, Gilberto e Gilbertinho são conjuntos comerciais da cidade...</STRONG></EM></SPAN></FONT></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><STRONG><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"></SPAN></STRONG></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><STRONG><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular">Fazer trilha no cerrado, ir de bicicleta até Pirenópolis, nadar no canyon da Chapada...</SPAN></STRONG></FONT></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular"></SPAN></FONT>&nbsp;</P> <P align=left><FONT color=#666666><STRONG><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><FONT size=4><EM><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Utopia-Regular">Ficar irado, tresloucado, insano quando alguém declara nos jornais que odeia Brasília. E mandar um recado: ‘‘O aeroporto é serventia da casa’’.</SPAN>&nbsp; <BR></EM>&nbsp;</FONT></FONT></STRONG></FONT></P> <P align=left><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4></FONT>&nbsp;</P>
		]]>
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		<title><![CDATA[Galeno na Igrejinha]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=37288</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
		<img src="http://www.dzai.com.br/tv/avatar?a=/18/18744"/>
		<img style="width: 432px; height: 324px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/baadcf2dd371a65ff9aa832dc188256b.jpg"> <br> <br><font size="6"> <br></font><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">&nbsp; <br> <br>Os painéis internos das duas paredes laterais da Igrejinha estão prontos. Agora, falta o painel do altar, o mais complicado dos três. Os paroquianos da Nossa Senhora de Fátima não gostaram da santa que Galeno desenhou. Acharam o primeiro esboço muito parecido com a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Depois de muitas reuniões do arquiteto do Iphan responsável pela restauração da Igrejinha com a comunidade, Galeno fez novo esboço, com um traço mais figurativo. A comunidade continuou insatisfeita. E Galeno também. A segunda santa não tinha nada do traço de Galeno — lúdico, geométrico, colorido.  <br> <br> <br> <br>Galeno foi escolhido pelo Iphan para substituir Volpi, autor dos primeiros afrescos da Igrejinha. Na década de 60, um pároco decidiu cobrir as pinturas com uma demão de tinta. Depois, vieram outra e outra até que se tornou impossível recuperar a obra original. Enquanto estudava a restauração, o arquiteto Rogério Carvalho, pensou na possibilidade de reproduzir o traço original de Volpi, mas considerou que seria uma farsa histórica. Avaliou também a hipótese de deixar exposta a ferida: a parede descarnada com o que restou de Volpi, mas descartou logo a ideia.  <br>A Igrejinha é uma obra moderna e em busca de conhecer a arquitetura e a arte do período&nbsp; que todos os dias dezenas de turistas, estrangeiros especialmente, visitam a jóia de Oscar Niemeyer. Então decidiu convidar Galeno, por ser um artista da cidade, consagrado no Brasil e com muitas afinidades com Volpi — lúdico e moderno, popular e erudito, abstrato e geométrico. <br> <br> <br> <br> <br>Mas, desde o começo, a obra de Galeno encontrou a resistência da comunidade — em maior ou menor tom. Tal qual aconteceu com Volpi.&nbsp;  <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36969</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/2e49376338f1ff808f928fd61d44bdcc.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">Catedral, foto de Daniel Ferreira/DA Press</font> <br> <br><font size="6"> <br>O tanto que falta</font> <br> <br> <br> <br> <br>Faltam 334 dias para os 50 anos de Brasília. <br> <br> <br> <br> <br>Há mais de mil dias, a Catedral espera por uma reforma que nunca começa. Enquanto isso, os pés dos apóstolos estão mergulhados em poças d’água, que Deus os proteja, contam-se às centenas os buracos nos vitrais de Mariane Peretti e as promessas se sucedem, constrangedoramente.  <br> <br> <br> <br>Há mais de 365 dias o Panteão da Pátria foi cercado por um tapume. Reforma que é bom, nada.  <br> <br> <br> <br>Faz pelo menos mil e 500 dias que a Torre de Tevê espera que alguém olhe por ela. A obra de Lucio Costa resiste ao abandono e à falta de manutenção.  <br> <br> <br> <br>Contei 403 dias desde que o Teatro Nacional começou a ser reformado.  <br> <br> <br> <br>Há monótonos 171 dias, talvez um pouco mais, as fachadas sul e norte do Teatro Nacional estão sem os 3.391 cubos de Athos Bulcão.  <br> <br> <br> <br>Há sete anos ou 2.555 dias espera-se pela revitalização da W-3 Sul, contagem feita a partir do primeiro anúncio oficial de que a principal avenida (avenida, sim!) da cidade seria recuperada. <br> <br> <br> <br>A Praça dos Três Poderes, o triângulo solene da cidade, vive em estado de desolação há mais de 786 dias, e esse é um número completamente aleatório, mas com certeza nada longe da verdade. <br> <br> <br> <br>Há três governadores que a Rodoviária do Plano Piloto está em reforma sem que ela tenha recuperado, em nenhum momento, o vigor, a agilidade e a beleza projetadas por Lucio Costa. A engenhosidade da obra do doutor Lucio se transformou num centro velho de uma velha cidade desprezada.  <br> <br> <br> <br>Há tantos dias quantos eu não consigo mais contar Brasília espera pela volta da Piscina de Ondas, dos pedalinhos, do pesque-pague e do bicicletário do Parque da Cidade.  <br> <br> <br> <br>Há mais de 4 mil dias (multiplique 365 dias por onze anos) esperamos pela volta do Planetário. A bem da verdade, ele já nasceu degringolado e incompleto. O projeto original, do arquiteto Sérgio Bernardes, previa 16 aquários — céu e mar, juntos. Inaugurado em 1974, foi fechado um mês depois porque o governador da época inaugurou uma obra inacabada. <br> <br> <br> <br>Há 5.110 dias, um pouco mais ou um pouco menos, o que sobrou da Igreja São Geraldo, no Paranoá, insiste em esperar que algum dia volte a compor uma réplica da obra original. Depois de esperar dez anos pela restauração, a igreja desmoronou.  <br> <br> <br> <br>Faz 5.475 dias, no mínimo, que a Igreja São José Operário, na Candangolândia, espera por uma restauração. Há onze anos foi tombada pelo GDF, mas a igrejinha de madeira está cercada por um imenso muro de concreto e se transformou num esqueleto oco do que um dia foi a igreja dos candangos que construíram a cidade. <br> <br> <br> <br>Faz tanto tempo e falta tão pouco tempo.  <br> <br> <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[A forma, a função e a criança]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36960</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/f166147fe438be6ed989f55a81eb1f86.jpg"> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Edifício Seagram, NY, Mies van der Rohe&nbsp; </span></font><br style="color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br><img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/74d55de09c102581e3b7a2401392c5b7.jpg"> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Paul Klee</span></font> <br> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br>A forma segue a função, é o primeiro mandamento da Bauhaus, a escola alemã de arquitetura e design&nbsp; fechada pelos nazistas em 1933 sob a acusação de ser um antro de comunistas. O mundo comemora, neste 2009, os 90 anos da Bauhaus, escola que não deu muita bola para a arquitetura de Oscar Niemeyer. Quando visitou a Casa das Canoas, pequena jóia de ON,&nbsp; Walter Gropius (o guru da Bauhaus) se limitou a constatar que aquela não era uma obra para ser multiplicada. Gropius pregava a democratização da arquitetura e do design a todas as classes sociais. <br> <br> <br> <br>No rastro das comemorações pelos 90 anos da escola de Gropius, acaba de ser lançado o ABC da Bauhaus, dos designers Ellen Lupton e J. Abbott Miller, pela Cosac Naify. O MoMA, New York, promete workshops sobre a escola para novembro e no Museu da Universidade de Artes de Tóquio está em cartaz a exposição Bauhaus Experience.  <br> <br> <br> <br> <br>Walter Gropius acreditava na responsabilidade política e moral da arquitetura para melhorar o mundo, daí a ameaça que representou para o Terceiro Reich. Mas a Bauhaus não era apenas uma escola com bandeiras revolucionárias. Da linguagem enxuta, de cores básicas e formas elementares, nasceu um olhar lúdico/infantil/artístico que estão vivamente presentes, por exemplo, na pintura de Paul Klee.  <br> <br> <br> <br> <br>Não são poucos os críticos da Bauhaus, o escritor e jornalista Tom Wolfe é um deles. Implica, entre outras coisas, com o fato de a Bauhaus ter criado uma arquitetura uniforme que se reproduziu à exaustão nos Estados Unidos. Ao tirar os elementos decorativos da arquitetura, transformou tudo numa sucessão de prédios fabricados em série. No que ele tem toda razão.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <br>&nbsp;&nbsp;  <br> <br></div> <br> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36936</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img style="width: 391px; height: 293px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/8ebd48c53d0bfa48f878bf630a7266a3.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">A Terra aos olhos da Lua</font> <br> <br> <br> <br><font size="6">Duas Luas </font> <br> <br> <br> <br> <br>Quando um jornalista norte-americano perguntou a Juscelino por que ele construiu Brasília, ouviu a seguinte resposta: Pelo mesmo motivo que levou vocês a irem à Lua (já contei isso aqui, mas não me canso de repetir). Foram muitos os motivos para a conquista do interior do Brasil e do solo da Lua, mas o principal deles era o mais incorpóreo de todos, o desejo de conquista, a vontade de ir além, de desafiar o impossível. <br> <br> <br> <br> <br>No próximo 20 de julho, às 23 horas, 56 minutos e 20 segundos, horário de Brasília, a humanidade comemora 40 anos do dia em que o primeiro homem desceu num chão fora da Terra. Este foi um dia daqueles que todo mundo se lembra onde estava. Como naquele tempo não havia internet e na minha cidade ainda eram poucos os aparelhos de televisão, só no dia seguinte fui saber que Louis Amstrong e Edwin Aldrin tinham pisado suas botas de astronauta no solo solitário da Lua. Soou pra mim como se homem tivesse inventado um inacreditável brinquedo e umas roupas bem gordas que transformavam humanos em super-heróis e com as quais se podia brincar de pula-pula.  <br> <br> <br> <br> <br>Toda a cidade ficou entre espantada e feliz. Se conseguimos aterrissar na Lua, do que não seremos capazes? Era o sentimento que inchava o peito de quase toda a gente. Havia os céticos, que não acreditavam serem os humanos capazes de tão inimaginável façanha. <br> <br> <br> <br> <br>Desse ceticismo surgiu uma corrente que coleciona evidências de que o homem nunca jamais em tempo algum pôs seus pezinhos na terra de São Jorge. As sombras nas fotos feitas pelos astronautas em solo lunar são indícios aos quais os desconfiados mais se apegam. A foto da bandeira americana tremulando num ambiente sem atmosfera e, portanto, sem vento, é outro detalhe que intriga os descrentes.  <br> <br> <br> <br> <br>Há também aqueles que creem na façanha americana, mas suspeitam que as fotos foram pós-produzidas em solo terrestre. Por alguma razão, a máquina fotográfica astronáutica falhou e foi preciso forjar as imagens para não decepcionar os extasiados terráqueos. Quem gosta de uma conspiração vai se deliciar com os sites (são muitos) que se dedicam a tentar provar que o homem não pisou na Lua. <br> <br> <br> <br> <br>Mesmo que toda a humanidade tenha sido enganada pela mais colossal mentira de todos os tempos, faria pouca diferença para o sentimento que se instalou em todos nós desde então. A conquista da Lua virou mito. Os astronautas passaram a ser nossos heróis, a versão em carne e osso dos deuses mitológicos. Por um instante, acreditamos fortemente no futuro do homem sobre a Terra. <br> <br> <br> <br> <br>Por isso, quando Juscelino comparou a construção de Brasília à conquista da Lua, falou com sua experiência de astronauta. Ele havia pousado sua Apolo 11 no chão virgem de uma terra que até então só se conhecia de ouvir-dizer. E assombrou o mundo construindo uma cidade num lugar tão distante do Brasil quanto a Lua era distante da Terra. Mas até hoje boa parte do Brasil desconhece a verdadeira Brasília e tudo o que ela representou para o país. O brasileiro conquistou a sua própria Lua e nem soube disso. <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36898</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=4></FONT>&nbsp;</P> <DIV align=justify> <DIV> <P><A name=1215ff009ef4603c_Save1></A><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=6>Uma linda mulher</FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Ela é linda. Fico paralisada diante dela. Olho para o rosto , para os cabelos, para a cintura fina, para os gestos sibilinos (ela se move como uma cobra), para os panos que escorrem sobre seu corpo até os pés.Quem é esta mulher, o que houve com ela, que deusa é essa que flutua pelas entrequadras e superquadras da Asa Sul, entre a 102/302 até a 109/309, todos os dias? É uma deusa muitas vezes irada, mas é uma deusa de cabelos brancos cacheados, volumosos, que lhe roçam os ombros.</FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Chama-se Joana, é o que sei. Poderia ser chamada de uma senhora, mas é uma mulher, antes de tudo. Para os comerciantes do começo das Cem e das Trezentos, é dona Joana. Faz mais de dois anos que ela apareceu pela Asa Sul. Os cabelos ainda eram louros e a pele ainda não estava tão amorenada pelo sol.</FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Uma lenda já acompanha os passos lentos e o corpo esguio de dona Joana. Dizem que ela foi uma mulher rica. Se não foi, chegou perto. A linda senhora fala suavemente, fixa os olhos claros no interlocutor e sorri como quem anuncia que sabe das coisas. Conta que está escrevendo um livro — vejo um caderno com anotações em letra de forma. Nada além me é permitido.</FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>As lojas de tecido da 108/108 Sul conhecem bem dona Joana. Ela para, admira os tecidos, pede um corte. Tem preferência pelas texturas sedosas, pelas estampas delicadas, pelas roupas compridas, acinturadas e decotadas. Contam as vendedoras que dona Joana vivia pedindo cortes de tecido, mas depois de algum tempo, não aceitava mais qualquer pano. Queria só os de melhor qualidade e portanto mais caros. </FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Na minha até agora vã tentativa de seduzir dona Joana para uma entrevista e um ensaio fotográfico, me aproximei com alguns lenços, echarpes e cortes pequenos de tecidos que estavam engavetados. Dona Joana investigou a textura e a estampa de cada peça, e aceitou apenas duas, as duas melhores e mais bonitas: uma echarpe florida e outra, de artesanato mexicano. Rejeitou tudo o que lhe pareceu refugo. Aprendi com ela. </FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Numa manhã de sábado em que, mais uma vez, tentei me aproximar de dona Joana, a encontrei sentada no canteiro do Eixão, sob a copa de uma árvore. Havia pendurado um pedaço de tecido cor de mel num dos galhos, tal qual uma toalha num varal, mas o efeito era o de uma tenda para uma princesa . (Não exagero, acredite. Dona Joana é uma aparição no caos em que vivem os moradores de rua). </FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>De longe, fiquei observando a mulher emoldurada por um tecido esvoaçante, sentada com as pernas viradas para a esquerda, em forma de colherzinha. O torso estava ereto e os braços descansavam sobre o colo, como uma donzela do século 19 posando para um pintor. Ela deve ter percebido minha indisfarçável admiração. Conversamos por quase uma hora. Eu disse qual era a minha profissão e o que pretendia: ela disse que queria ver minhas credenciais, palavras dela. Dias depois, a reencontrei e apresentei a ela minhas credenciais. Conversamos mais algum tempo e marcamos novo dia para fotos. Trouxe-lhe novos tecidos, mas ela não os aprovou e me deixou falando sozinha. Então, escrevo. Quem sabe assim consigo convencê-la.</FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT></P></DIV></DIV> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><BR style="FONT-SIZE: 8px" clear=all><FONT color=#666666></FONT></FONT></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P>
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		<title><![CDATA[Planaltina numa caixa de fósforo]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36897</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<P><IMG src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/75b2351d3effa4cb9df6060c7582e1da.jpg"></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size=2>Igreja de São Sebastião, em Planaltina</FONT></P> <P><IMG src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/bfb42bd98fe7aaa5b07df8d35d13166d.jpg"></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=2>Pracinha em Planaltina</FONT></P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=5></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>&nbsp;</FONT></o:p></P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>&nbsp;</FONT></o:p></P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Juliana Mendes é aluna de final de curso de Jornalismo. Ela fez uma experiência que a surpreendeu pelo tanto de gente que se interessou por uma caixa de fósforo. Juliana fez fotos de Planaltina em câmaras artesanais e montou uma exposição no Museu Histórico e Artístico da cidade e reproduziu as fotos em dois blogs. Os espectadores tinham de escrever as legendas das fotos. Ou seja: tinham de descrever o que estavam vendo. Recebeu mais de cem legendas.</FONT></P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face=Verdana color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face=Verdana color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face=Verdana color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face=Verdana color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>No final da exposição, ela fez um rápido curso de fotos pinhole (como se chama o método de fotografia artesanal – vem de pin-hole, buraco de alfinete: uma caixa hermeticamente fechada, com um furo da espessura de um alfinete por onde passa a luz e junto com ela a imagem que estiver à frente. A imagem é projetada na parede do outro lado do buraquinho e nessa parede a imagem é fixada num filme ou papel fotográfico). Juliana teve uma surpresa: "Eu não esperava três pessoas, apareceram mais de vinte".</FONT></P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face=Verdana color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Em tempos extremamente digitalizados, a máquina pinhole tem sido explorada tanto em escolas, como hobbies para adultos e crianças, quanto para pesquisas e produções fotográficas refinadas. </FONT></P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>A Juliana conta que as legendas são o tesouro de sua exposição. Gente que, por exemplo, diante da imagem de uma palmeira viu uma libélula, um anjo, uma explosão. Como a imagem precisa ficar exposta por algum tempo à luz (às vezes horas), a impressão dela no filme surge com a superposição dos movimentos ocorridos no período, tanto do objeto quanto da luz.</FONT></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P>
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		<title><![CDATA[crônica da cidade ]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36801</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 387px; height: 257px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/415f2bc2317f0bd7b8569e2e856a4136.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">Céu de Brasília (lá no Padef) em maio. Foto da Monique Renne</font> <br> <br> <br> <br><font size="6">Maio já é junho</font> <br> <br> <br> <br> <br>Os brasilienses estamos de castigo: abril acabou e começou junho, mas ainda é março. Hoje já é 18 do mês 5 e nada de maio aparecer. Mandou seu representante burocrático, o mês 5, só pra não criar confusão no calendário, e se recolheu a seus aposentos. Num ou noutro dia da primeira quinzena, maio deu o ar de sua graça celestial, ensaiou alguns passos de dança de nuvens sobre um fundo azulado, atirou chuva de faíscas resplandescentes na atmosfera e foi embora.  <br> <br> <br> <br> <br>Cá estamos e cá ficamos todos meio atordoados. Abril passou com a maior cara de dezembro, que por sua vez surgiu com a maior pinta de agosto. Tudo indica que há um complô contra o calendário gregoriano, juliano, adriano, mariano, qualquer que seja o ano. Alguém está interessado em transformar o calendário num almanaque ultrapassado de divisão do tempo.  <br> <br> <br> <br> <br>Até abril, deu pra aguentar sem protesto. Os quatro primeiros meses do ano são a sala de espera de maio, o mês em que Brasília fica inteiramente formosa, em que ela ainda está úmida, mas já não mais chuvosa; em que o Sol recuperou seu domínio sobre a cidade, mas ainda passa parte do dia namorando as nuvens e a outra parte aquecendo os brasilienses e nos oferecendo espetáculos inéditos durante o dia e antes da noite. Maio é o mês de Brasília de roupa limpa e da grama verdinha. Maio é o instante depois da chuva e a sombra antes da seca. Cadê você?  <br> <br> <br> <br> <br>Quando o estranhamente chuvoso abril terminou, fiquei esperando maio, mas dezoito dias depois, tive de me conformar. Maio está de férias ou, o que é inadmissível, pediu demissão do calendário e foi aproveitar a vida escondido no paraíso de onde vieram os doze meses. Fez de propósito, pra que os brasilienses sentissem a sua falta. Brasília sem maio é como uma mulher sem vaidade, sem charme, sem roupa nova, sem perfume, sem lingerie rendada, sem salto alto.  <br>&nbsp; <br> <br> <br> <br>Brasília sem maio é menino sem brinquedo, mar sem onda, comida sem cheiro, rio sem corredeira, passarinho sem canto. Não sei exatamente a quem recorrer em protesto contra o sumiço de maio. Já olhei bem feio pro céu, mas ele me devolveu um olhar de cima pra baixo. Me pus no meu devido lugar. Mas ele bem podia entender que tive, tivemos, dezoito dias de paciência. A cada manhã, corro pra janela procurando maio. Teve dia que até pareceu maio, mas era fevereiro disfarçado.  <br> <br> <br> <br>Ontem foi a gota d’água. Dia dezoito do mês cinco e me aparece um dia de junho misturado com dia de março. Nuvens de chuva e temperatura abaixo dos vinte graus. Segundo a meteorologia, a temperatura vai cair nos próximos dias e depois da manhã vai descer aos 13 graus. Ou seja: estamos sob o reino de junho e junho. Depois, virá a seca de agosto, setembro e outubro. Aí já começa o período das novas chuvas. <br> <br> <br> <br> <br>E maio? Não virá este ano? De tão delicado, se deixou engolir pelos meses imperativos, de muito sol, de muita chuva, de muita seca? Diz o poeta que os delicados prefeririam morrer. Maio se cansou de lançar sobre nós sua mais suave beleza? Maio nunca mais?  <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[O vestido de Frida]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36770</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/f6c654f06ac9a15123240be238cbdbbc.jpg"> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br> <br>Um vestido pendurado num varal que se sustenta num troféu e num vaso sanitário, a Estátua da Liberdade ao fundo, fogaréu à esquerda, a industrialização e seus destroços ajudam a compor o <span style="font-style: italic; font-weight: bold;">Meu vestido engancha aqui</span>, quadro de Frida Kahlo que faz parte da exposição Latitudes, em cartaz no Museu da&nbsp; República até 14 de junho. Tudo doía em Frida, mas ela continuava feminina, incisiva, insinuante e colorida. Além de Frida, outros dos principais nomes da arte moderna e contemporânea da América Latina estão no museu. São 41 peças de Botero, Jesús Soto, Frida e Diego Rivera.&nbsp;  <br>  </div>
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36729</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 421px; height: 285px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/e6019a51292ffbae326297557ea1a319.jpg">  <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">Chico Science</font>  <br>  <br>  <br>  <br><font size="6">Questão de classe</font>  <br>  <br>  <br>  <br><span style="font-style: italic;">Severino Francisco </span>  <br>   <br>  <br>  <br>  <br>“Há um tempo atrás se falava em bandidos/Há um tempo atrás se falava em solução/Há um tempo atrás se falava em progresso/Há um tempo atrás eu vi na televisão”. No início da década de 1990, numa noite fria, na Esplanada dos Ministérios, tendo como cenário a arquitetura espectral de Niemeyer, assisti, pela primeira vez, a um show de Chico Science e Nação Zumbi. Sempre me lembro da canção Banditismo por uma questão de classe quando leio notícias ou ouço histórias sobre a explosão da violência.   <br>  <br>  <br>  <br>  <br>A entrada de Chico e banda no palco era fulminante: parecia um ataque de cangaceiros, armados não de fuzis, mas de guitarras, tambores, distorções eletrônicas, sons espaciais. Era um maracatu atômico de uma tonelada balançando a Esplanada dos Ministérios. Chico deve ter gostado de Brasília, pois era ligado em ficção científica e a cidade tem algo de história em quadrinhos de Flash Gordon.  <br>  <br>  <br>  <br>  <br>Brasília foi criada na prancheta para ser um monumento modernista, uma cidade-escultura, cidade-totem, que materializasse o grandioso projeto de superar as mazelas e defasagens do subdesenvolvimento. Em uma colagem surrealista, Caetano Veloso desvelou as contradições de Brasília: “O monumento não tem porta/A entrada é uma rua antiga, estreita e torta/E no joelho uma criança sorridente, feia e morta estende a mão”.  <br>  <br>  <br>  <br>  <br>Mas a visão de Chico sobre o caos das cidades modernas não é nada alegórica; é muito direta: “A cidade não para/A cidade só cresce/O de cima sobe e o de baixo desce”. No século 18, o grande líder do abolicionismo, Joaquim Nabuco, já avisava: “O problema não é abolir a escravidão; o problema é desfazer a obra da escravidão”. Desde então, sucessivos governos têm revelado uma incompetência cósmica em resolver os problemas básicos de educação, trabalho e moradia digna para todos. É a isso que se refere a canção de Chico Science, em ritmo de heavy metal mixado com maracatu, se desdobrando como um filme do Cinema Novo, Deus e o Diabo revisitado na terra do sol.  <br>  <br>  <br>  <br>  <br>É como se Corisco, Lampião e seus cangaceiros fossem transplantados para o cenário urbano e pós-moderno: “Oi sobe morro, ladeira, córrego, beco, favela/A polícia atrás deles/E eles no rabo delas/Acontece hoje, acontecia no sertão/Quando um bando de macaco perseguia Lampião/E o que ele falava outros hoje ainda falam/’Eu carrego comigo: coragem, dinheiro e bala’/Em cada morro uma história diferente/E a polícia mata gente inocente/O que era inocente/Hoje já virou bandido/Pra comer um pedaço de pão todo f...”  <br>  <br>  <br>  <br>  <br>Alienados ou não, todos estamos dentro deste faroeste caboclo. A OMS vem alertando para as consequências da crescente favelização do mundo como fonte de graves problemas de saúde em escala mundial, do qual a gripe suína seria o exemplo mais próximo. É como se existisse uma ordem do universo, um lei maior não escrita regendo o mundo, uma justiça cósmica inscrita na natureza, que viesse cobrar o que devemos de forma implacável.  <br> <br> <br> <br>Chico deixou um recado aos pós-modernos, descolados, mas conformistas: “São demônios os que destroem o poder bravio da humanidade/Viva Sandino, os Panteras Negras, Lampião sua imagem e semelhança/Eu tenho certeza/Eles cantaram um dia.”  <br>  <br>  <br>  <br></div>  <br>  
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		<title><![CDATA[O túnel da Bolívia ao mar ]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36703</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<P>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=-1><EM>Do Financial Times/Folha de S. Paulo</EM></FONT></P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666>Três arquitetos chilenos afirmam ter descoberto uma maneira de restaurar o acesso perdido da Bolívia ao oceano Pacífico sem que isso prejudique a soberania chilena: um túnel de 150 km, que correria sob a fronteira entre o Peru e o Chile e terminaria em uma ilha artificial construída com os resíduos da própria escavação, cerca de um quilômetro mar adentro.</FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666> <P> <BR>A Bolívia perdeu o acesso ao mar após derrota em uma guerra contra o Chile há 130 anos. A questão ainda é ferozmente contenciosa. Além de prejudicar a relação diplomática entre os dois países, atrapalha a abertura de mercado para o gás natural e a riqueza mineral bolivianos na região do Pacífico. <BR>"No começo, achávamos a ideia um tanto maluca, mas a verdade é que ela pode se provar viável", disse um dos arquitetos, Humberto Eliash. <BR></P> <P>&nbsp;</P> <P>Eliash começou a discutir a ideia com Fernando Castillo Velasco e Carlos Martner, dois dos mais respeitados arquitetos chilenos, há três anos. Mariano Fernández, ministro do Exterior do Chile, diz que deseja saber mais sobre a proposta "de vanguarda" e convidou os arquitetos para uma reunião, ainda sem data definida. <BR></P> <P>&nbsp;</P> <P>O túnel seria um dos mais longos do mundo, mas Eliash diz que, em termos técnicos, seria um projeto menos exigente do que o túnel sob o canal da Mancha, que conecta França e Reino Unido, já que sua porção submarina seria muito curta. <BR>Chile e Peru são regiões altamente sísmicas, mas ele lembra que túneis foram construídos com sucesso no Japão, também propenso a terremotos. <BR></P> <P>&nbsp;</P> <P>O principal problema é político. Peru e Chile ainda não se entenderam sobre suas fronteiras marítimas. O Peru, aliado da Bolívia na guerra contra o Chile em 1879, está defendendo seu direito a um triângulo de 38 mil km2 nas águas do Pacífico diante da Corte Internacional de Justiça, em Haia. <BR>Pela a proposta, a ilha -que, como o túnel, seria boliviana- ficaria no vértice do triângulo. <BR></P> <P>&nbsp;</P> <P>As águas em disputa seriam internacionalizadas. Nenhum país perderia território. <BR></P> <P>&nbsp;</P> <P>Apesar da perda de sua área costeira, a Bolívia mantém Marinha com cerca de 170 embarcações nas águas do lago Titicaca, e Eliash diz que o país poderia criar um porto na ilha artificial. Ele acredita que o túnel poderia ser construído em prazo de uma década e que serviria para transportar carga e veículos passageiros, com uma linha de trens e um gasoduto. <BR>A Bolívia não reagiu à ideia, mas Manuel Rodríguez Cuadros, ex-chanceler peruano e autor de livro sobre a disputa, diz que a proposta, apesar de bem-intencionada, é "bizarra" e um "absurdo judicial". <BR></P></FONT>
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		<title><![CDATA[A história do copo perfeito  ]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36679</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		 <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br>O copo americano foi criado na década de 40 pela empresa Nadir Figueiredo, criada no Brasil no começo do século 20. Eleito pela revista Exame, há alguns anos, como o melhor copo para se tomar cerveja no país, o americano serve para um gole de café, um pingado, uma cerveja sempre renovada e sempre gelada. É o copo mais popular do país. Em Belo Horizonte, ele ganhou um apelido: copo lagoinha. Acredita-se que o nome surgiu do fato de ser muito usado no Bairro Lagoinha, a zona boêmia da cidade. Nadir Figueiredo é o nome do fundador da empresa. Aos 20 anos, ele montou em São Paulo uma oficina de consertos de máquinas de escrever e equipamentos elétricos. Logo em seguida, com um sócio, passou a produzir artigos de iluminação e aparelhos elétricos. Na década de 30, começou a fabricar peças de vidro. Na década seguinte, surgiu o copo americano. Daí em diante,&nbsp; a cerveja parou no copo o tempo suficiente para não esquentar. &nbsp;  <br></div> <br>
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		<title><![CDATA[Copo americano é brasileiro]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36678</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img style="width: 228px; height: 228px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/13e9f0d173d69a6fcd0a9da06f7be813.jpg">  <br>  <br>  <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="4">Deu na Folha</font>  <br>  <br><b><font size="+1"></font></b><br style="font-style: italic;"> <b style="font-style: italic;"><font size="+1"></font></b><b style="font-style: italic;">  <br>Débora Mismetti</b>  <br>&nbsp;   <br>  <br>    <br>  <br>Uma visão americana do estilo de vida brasileiro está exposta na loja do Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA.  A mostra "Destination: Brazil"  reúne mais de 75 produtos criados por designers brasileiros.  Os objetos estão à venda e também podem ser comprados pelo site da loja do museu  (<b><a href="http://www.momastore.org/">www.momastore.org</a></b>). Alguns  são vendidos no Brasil.  <br>  <br>  <br>   <br>A seleção da mostra foi feita  por uma comissão de diretores  do MoMA, que visitou feiras de  design e showrooms no Brasil.  <br>   <br>  <br>  <br>Marco Pulchério, dono do  showroom de design Marco  500, de São Paulo, auxiliou na  curadoria. Algumas peças precisaram de adaptações para  atender o mercado americano.  "Havia vasos muito grandes,  então recomendamos que o designer fizesse uma versão menor. As casas lá não são tão amplas", diz Pulchério.  <br>   <br>  <br>  <br>A seleção do MoMA inclui  uma bolsa com a bandeira do  Brasil, mas símbolos nacionais  e artesanato não predominaram. "A comissão se encantou  com a cerâmica, com as peças  de resina e com a mistura de  materiais", diz Pulchério.  <br>   <br>  <br>  <br>O estilo de vida brasileiro  surge em citações discretas de  trabalhos manuais, como no  brinco Colmeia, de Camila Sarpi, com bordado sobre o metal.  O banco Bate-Papo, de Flávia  Pagotti, é inspirado nos tradicionais móveis caipiras cujos  assentos são próximos do chão.  O copo "americano" Nadir Figueiredo está lá também, por  US$ 3 a unidade.  <br></div>           <br>  <br>  <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36677</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/54f6af6de699206d025b815f77cdd650.jpg"> <br> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="4"> <br></font></div><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" id=":y6" class="ii gt"> <p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><font size="6">Pedido de amigo</font></p> <div style="margin: 0cm 0cm 0pt;">&nbsp;</div> <div style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br> <br>Por uma estranha e insondável razão, sou depositária constante de um único e mesmo pedido de amigos: velório, enterro e o destino da carcaça que lhes restar. Salvo pela suposta crença de que eles morrerão primeiro do que eu, o que de algum modo me faz acreditar que terei vinda longa, fico desconfiada de que tenho vocação para carpideira, papa-defunto e ofícios próximos.</div>  <div style="margin: 0cm 0cm 0pt;">&nbsp;</div> <div style="margin: 0cm 0cm 0pt;">&nbsp;</div> <div style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br> <br>O mais recente pedido me foi feito há poucos dias: querido amigo me fez prometer que se ele morrer em Brasília, me encarregarei de trasladar o caixão ou as cinzas, à minha escolha, de volta à terra natal. Também não detalhou se quer um réquiem com honrarias, se um velório discreto, se um mausoléu de mármore ou uma plaqueta encostada à terra. Nem com o epitáfio ele se preocupou. Quer apenas que eu mande a sua carcaça de volta à terra querida. Será que custa caro? Ele me perguntou a certa altura, justamente quando minha máquina calculadora estava me cutucando, cheia de cifrões.</div>  <div style="margin: 0cm 0cm 0pt;">&nbsp;</div> <div style="margin: 0cm 0cm 0pt;">&nbsp;</div> <div style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br> <br>Faz tempo, outra amiga me elegeu a encarregada de mandar cremar o seu corpo. De família católica-apostólica-romana, teme que ninguém na casa se disponha a transformar em pó o que dela sobrar. Lá vou eu ter de interromper as lágrimas familiares, pedir licença e carregar o corpo até Valparaíso. Minha sorte é que as cremações estão ficando mais em conta, dizem que até mais baratas que os enterros. Mas a despesa não vai parar por aí. Ainda vou ter de pegar um avião e descer na praia mais próxima. Temi que ela quisesse suas cinzas atiradas no Mediterrâneo, mas, pra minha sorte, a amiga ficará feliz se eu lançar suas cinzas em Copacabana ou em Porto Seguro. O preço da passagem decidirá o destino dos restos mortais de minha queridíssima. Não que minha amiga planeje me passar o golpe do cadáver, mas dificilmente uma de nós vai se lembrar de antecipar as contas da morte.<span>&nbsp;&nbsp; </span></div>  <div style="margin: 0cm 0cm 0pt;">&nbsp;</div> <div style="margin: 0cm 0cm 0pt;">&nbsp;</div> <div style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br> <br>Parceira de outros carnavais (e que carnavais!), minha mais vaidosa amiga não quer ninguém no enterro dela. Quer ser enterrada na cidade onde estiver, no cemitério mais próximo, tanto faz. O que ela não quer é que ninguém a veja com uma roupa que ela não escolheu e uma maquiagem que não foi ela quem fez. “Você vai ter de me prometer que quando eu morrer o caixão será lacrado. Não quero nem aquela janelinha, pelamordedeus! Cadáver maquiado é um troço horroroso, me livra desse vexame!”</div>  <div style="margin: 0cm 0cm 0pt;">&nbsp;</div> <div style="margin: 0cm 0cm 0pt;">&nbsp;</div> <div style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br> <br>Um outro amigo me pediu, não há muito tempo, para que o velório dele seja transformado numa roda de samba. Não quer nem choro nem vela. Quer Noel Rosa de fundo musical. Perguntei se ele se importava de acrescentar à programação um pouco de Zeca Pagodinho e de Amir Guineto, ele fez uma cara meio sem jeito, mas não teve como dizer não. Até porque estará morto.</div>  <div style="margin: 0cm 0cm 0pt;">&nbsp;</div> <div style="margin: 0cm 0cm 0pt;">&nbsp;</div> <div style="margin: 0cm 0cm 0pt;"> <br> <br>Se eu puder cumprir cada uma das promessas, não terá sido de todo mau. </div> <p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span><span>&nbsp;</span><span>&nbsp;  <br></span></p> </div><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br> <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[Elegância anos 50]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36659</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<P><IMG height=306 src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/1ed8b75485c429a288a7f245dd52344d.jpg" width=470></P> <P align=justify><FONT color=#666666><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"></FONT></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT color=#666666><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aeroviárias no Aeroporto de Brasília, foto de Mário Fontenelle na exposição <EM>Candangas</EM>,&nbsp;no Museu Vivo da Memória Candanga. A foto&nbsp;é do final da década de 50, mas as moças estão vestidas com a elegância clean das executivas&nbsp;dos tempos modernos.&nbsp;</FONT>&nbsp;</FONT></P>
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36646</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img style="width: 316px; height: 335px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/dc6bba852df31e90c7f6b56c40ab69cc.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">Professorinha dando aulas no cerrado</font> <br> <br> <br><font size="5"> <br>Lindas candangas</font> <br> <br> <br> <br>Se são muito poucas as imagens do cotidiano da construção de Brasília, são rarefeitas as das mulheres que aqui chegaram entre 1956 e 1960. A fartura de fotos e de filmes da época ocupa-se do canteiro de obras, das obras de arquitetura brotando da terra, dos tratores ferindo o cerrado, de Juscelino, Israel, Oscar e os milhares de visitantes que vieram conhecer a cidade em construção.  <br> <br> <br> <br> <br>“As mulheres não tinham nenhuma importância na sociedade naquela época. Imagine se iam fotografar enfermeiras, cabeleireiras, lavadeiras?”, comenta Ana Cristina Campos, historiadora do Museu Vivo da Memória Candanga, onde se aloja a singela Candangas, exposição de 25 fotos de Mário Fontenelle nas quais o personagem principal são aeromoças, telefonistas, ciganas, secretárias, professoras, cozinheiras, enfermeiras, visitantes ilustres, migrantes recém-chegadas.  <br> <br> <br> <br>Há belas e elegantes mulheres na exposição, mas todas elas, bonitas ou feias, sem nome. Não houve, por parte do fotógrafo, o cuidado de identificá-las pelo nome. É preciso considerar, no entanto, que o tempo naquele tempo era marcado por um relógio frenético. Não fosse autoridade nem celebridade, o cidadão ou cidadã não era identificado na foto. Não havia tempo nem o cuidado com a precisão do registro histórico.  <br> <br> <br> <br>As mulheres da construção de Brasília não usavam calças compridas. Cobriam-se com vestidos de cintura fina (elas não malhavam, não faziam dieta e tinham cintura de pilão!!!), usavam óculos de gatinho, envolviam os cabelos com lenços finos e calçavam sapatinhos de princesa. Duas moças, identificadas como “visitantes, 1957”, surgem com vestidos de botões e cintos do mesmo tecido, colados ao corpo irrepreensível. Ao fundo, as colunas do Alvorada, igualmente irrepreensível. <br> <br> <br> <br>Uma garotinha de uniforme escolar (saia de quadriculado bem miúdo, suspensório, e camisa de manga comprida) admira as fotos do filme em exibição. Parece uma história de aventura. A menina olha, encantada, para as imagens do cartaz sem saber que ela é coadjuvante de uma aventura única, sem reprise, mas numa tela aberta e semovente, freneticamente fulgurante. <br> <br> <br> <br>Havia mulheres entre os arquitetos, os engenheiros e os desenhistas, e talvez as que aparecem mostrando mapas e imagens aerofotogramétricas do Plano Piloto sejam duas delas, mas a história também se esqueceu de identificá-las. Duas outras, identificadas como mulheres que participaram da inauguração da placa em homenagem à construção do Catetinho, parecem prontas para um editorial de moda. A morena veste um vestido de poá acinturado e a loura, quase nórdica, lindíssima, usa um vestido branco com uma faixa de mesmo tecido e cor nos cabelos.  <br> <br> <br> <br>Os homens ainda não sabiam, mas as mulheres daquele final de década de 50 já não eram bonequinhas de luxo. Já tinham se despojado do excesso de acessórios, encurtado os vestidos, enxugado os detalhes do modelo, tirado o laquê dos cabelos. Estavam se preparando para a revolução que proximamente viria. Mas na moderna capital em construção elas ainda eram invisíveis.  <br>&nbsp; <br> <br> <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[O Beije-me do Nicolas]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36586</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		&nbsp;<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/b0e47dec78dc5ded89b7d47239d6a02e.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">Quarto do Nicolas, na 415 Sul. Tubo de spray faz companhia pra máquina de escrever. Na parede um Congresso Nacional de bunda e peito, com todo respeito</font> <br> <br><font size="5">&nbsp;</font> <br>Nahima Maciel<span style="font-weight: bold;">, Correio Braziliense</span> <br> <br> <br> <br>“Há quatro anos, o poeta Nicolas Behr encontrou uma caixa de negativos em preto-e-branco num canto de casa. Dentro dele repousavam cerca de 800 imagens. Behr decidiu ampliar para ver o que acontecia. Assim aconteceu <span style="font-style: italic;">Beije-me</span>, o livro-álbum que poeta lançou ontem, e no qual reuniu fotografias dos cenários e personagens de sua juventude. A Brasília de <span style="font-style: italic;">Beije-me</span> é uma capital de gramados ocupados, muros pichados com reivindicações ideológicas em tempos de repressão militar e de reuniões de poetas e artistas marginais. “É o livro-álbum da minha juventude em Brasília no fim dos anos 1970 para 1980. É um livro passadista, saudosista, de uma cidade que não existe mais. Ali tem imagens de uma Brasília bem orgânica. Não tem ministérios nem três poderes”, avisa o poeta, tema do documentário <span style="font-style: italic;">Braxília,</span> da diretora Danyella Proença, que começou a ser rodado hoje.” <br>&nbsp; <br> <br> <br>&nbsp;  <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade ]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36581</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		&nbsp;<img style="width: 477px; height: 304px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/321cbf1b3c8fefcc7f27f09a0d0f2192.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2"><span style="font-style: italic;">A árvore da vida</span>, de Gustav Klimt</font> <br> <br> <br><font size="5"> <br>Deu a louca nas palavras</font> <br> <br> <br> <br>Funcionários do cartório de Alto Paraíso costumam contar, em tom de gracejo, que os goianos humildes que aparecem em busca dos serviços cartoriais, sem entender muito bem para que servem os cartórios (dúvida muito legítima) e tendo de esperar pelos carimbos e assinaturas, costumam comentar: “Meu Deus, quanta democracia!”.  <br> <br> <br> <br>No começo, ninguém entendia. Até que finalmente alguém matou a charada. Os cidadãos nativos da Chapada confundem a palavra democracia com sua prima distante, a burocracia. São todas herdeiras do grego, cracia, mas as duas tomaram rumos bem diferente uma da outra. Imagino que por ser de mais fácil pronúncia, democracia se fixa mais rapidamente na memória do goiano do sertão.  <br> <br> <br> <br>A empregada de uma amiga levou a filha de um mês para o trabalho. A patroa se preocupou com a saúde da criança. Disse que não era recomendável que um bebê tão novinho andasse em ônibus lotado. Ao que a mãe respondeu: “É bom pra ela. Assim ela pega impunidade”. A patroa não perdeu a piada: “Então ela terá de ser política”. Quase gêmea, na grafia, da imunidade, a impunidade tem surgido com muito mais frequência no noticiário da tevê, por motivos que todos nós sabemos muito bem. Daí, talvez, esteja mais à mão da memória. <br> <br> <br> <br>Outro dia, um amigo contratou um pintor de paredes para renovar as cores da casa. Havia chovido bastante e o pintor sentiu dificuldades para dar início à tarefa. Chamou o meu amigo e explicou que era preciso esperar o fim das chuvas porque as paredes estavam cheias de humildade. Meu amigo, que tem a virtude de ser humilde (mas não subserviente, palavras de sentidos muito diferentes), quis rir da confusão do operário, mas conseguiu se conter. Concordou em esperar que a seca acabasse com a umidade das paredes para que elas, humildes, se deixassem mudar de cor. <br> <br> <br> <br>Durante muito tempo, usei a palavra magnânimo crente de que era sinônima de magnífico. Então, dizia (ou escrevia, o que é pior): “São magnânimas as colunas do Alvorada”, certa de que estava exibindo minhas melhores palavras. Até que um colega me alertou (e eu ainda teimei em não acreditar) para a confusão. Magnânimo, ensina o Houaiss ,é alguém “que, a despeito de todos os riscos e perigos, age ou pensa desinteressadamente com vistas a servir alguém ou a encarnar um ideal”. É também sinônimo de generoso, bondoso e de, se prepare, de lônganime. Magnífico, no sentido que eu pretendia usar, quer dizer “que é de uma beleza radical ou aparatosa e suntuosa”. (As colunas do Alvorada não têm beleza suntuosa, têm beleza radical.)  <br> <br> <br> <br>Também derrapei várias vezes no uso da palavra vetusto. Imaginava que tinha o sentido de alguém meio casmurro, contido, severo. E tasca vetusto nos textos. Até descobrir, com cara de tacho, que é alguém “de idade muito avançada; antigo, velho”, que provém de época remota.  <br> <br> <br> <br>Pra ficar imune aos vexames, aprendi a ser mais humilde e passei a visitar o dicionário com muito mais frequência, sem burocracia. Quem sabe assim um dia eu fico magnânima.  <br></div> <br> <br> <br>  
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		<title><![CDATA[À noite, na Torre ]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36521</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 449px; height: 336px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/707a63ded6db3dc1922e4d4eb5c56fde.jpg"> <br> <br> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="6"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"></span></font> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">Este esplendor de foto é do arquiteto Eduardo Rossetti. Foi feita do mirante da Torre de TV que está aberto, todos os dias, até as oito da noite. A Torre está maltratada, os elevadores malcuidados, mas a paisagem que se vê lá de cima enche o peito de espanto, quase 50 anos depois que tudo começou. &nbsp;  <br></div> <br> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36504</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 413px; height: 272px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/be11a81725de18909cc5286005b4c4ee.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">Foto de Edson Gês/DA Press</font> <br> <br> <br> <br><font size="5">O incrível QG do Exército</font> <br> <br> <br> <br>O mais incrível do Quartel-General do Exército não é que ele foi vítima de um assalto, que os ladrões fugiram com R$ 8 mil e deixaram um general imobilizado. O mais inacreditável do QG do Exército é que ele é obra de um arquiteto comunista. A segunda coisa mais incrível é que dentro da concha acústica dá pra brincar de eco, que nem menino. Alô!!!, você grita. Alôôôôôôôôô!!!, responde a voz gigante do outro lado. A terceira coisa mais incrível do incrível QG é a Praça dos Cristais, do outro lado da Avenida do Exército. Tão bela, tão esparramada e tão indiferente ao que um humano procura quando vai a uma praça. <br> <br> <br> <br> <br>No meu gosto de leiga, o QG do Exército é das obras mais belas de Niemeyer. O comunista que projetou uma das mais belas igrejas já construída em todos os tempos desenhou um quartel-general para um governo militar no auge de sua demonstração de força, 1968. O mesmo Niemeyer que criou um palácio flutuante, o Alvorada, transparente como cabe a uma democracia, inventou um quartel-general com a solenidade majestática que função exige.  <br> <br> <br> <br> <br>Há algo de kremiliano no QG do Exército, mas, como me alertou Eduardo Rossetti, arquiteto e professor, é uma imponência menos suntuosa que o Pentágono, por exemplo. Rossetti me contou que o QG é obra da dupla Niemeyer e Lelé, o João Filgueiras Lima. Daí que os volumes são feitos de pré-moldados, a especialidade do Lelé. Rossetti também me chamou a atenção para o fato de o conjunto de dez blocos do QG terem sido projetados numa escala monumental comedida. Os blocos não agridem a paisagem, não invadem o horizonte (com acontece, por exemplo, com o conjunto de escritórios ao lado da Torre de Tevê ou com o Centro de Convenções). São solenes e serenos. <br> <br> <br> <br> <br>Até mesmo o obelisco à frente do QG consegue ser discreto. De longe, das pedras portuguesas da praça de Burle Marx, dá pra ver o efeito que Niemeyer buscou: obelisco e cúpula formam a espada de Duque de Caxias. Poderia ser kitsch, ser militarista demais, mas o resultado é de uma beleza arquitetônica que escapa das fronteiras ideológicas.  <br> <br> <br> <br>Se o assalto foi uma ousadia de bom tamanho, pequenas ousadias têm sido cravadas na capa da concha acústica. Corações riscados com nome de apaixonados (Henrique e Ivana), de soldados, do Arraes (seria uma provocação?), do Pereira viado (com todo respeito, mas é assim que está escrito), e mais corações de enamorados, tudo riscado bem perto da constante vigilância que existe na concha. <br> <br> <br> <br>A bela Praça dos Cristais foi recentemente reformada, mas o paisagismo de Burle Marx desapareceu quase por completo. No lugar das espécies brasileiras que o paisagista tão bem combinava, há arbustos que brotam como mato. As pedrinhas portuguesas, brancas e pretas, estão cobertas, em muitos pontos, por uma teimosa vegetação rasteira. Exceto em um canteiro protegido por grandes copas de árvores, rodeados pelos bancos compridos de Burle Marx, não há sombras, banquinhos, pipoqueiros, coretos, nada que convide à aproximação. A belíssima Praça dos Cristais enche os olhos e deixa vazio o corpo. O QG consegue ser mais acolhedor.&nbsp;&nbsp;  <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[Poesia ao rés-do-chão]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36443</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/4e082d9e8c2baf3eda08b91c0490f330.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">Calçada de Vila Isabel </font> <br> <br> <br> <br> <br>Gougon, o poeta, quer transformar as calçadas da W-3 Sul que, algum dia, serão revitalizadas, em calçadas com pedrinhas poéticas, inspiradas no exemplo da Vila Isabel, no Rio, que nos anos 60 encheu o chão de pedras portuguesas com partituras de grandes compositores, Noel, Pixinguinha, Lamartine, Orestes Barbosa. A ideia de Gougon é a de calçadas com poesia, escritas com&nbsp; pedras portuguesas. Segue um resumo da proposta de Gougon, escrita por ele mesmo: <br> <br> <br> <br> <br><font style="font-weight: bold;" size="4">“</font>O projeto nasce da compreensão de que Brasília abriga um dos mais ativos núcleos de poetas deste país, com nomes que se destacam todos os dias, fazendo ecoar seus versos muito além do Distrito Federal. É um movimento que cresceu de forma espontânea, confirmando a profecia do urbanista Lucio Costa, que via a cidade como propícia à ação criadora e ao devaneio. <br> <br> <br> <br>Apesar de seu caráter transformador, o urbanismo e a arquitetura de Brasília não formularam soluções criativas para o calçamento da Capital da República. Nossos pisos nasceram monocromáticos nas pedras portuguesas exclusivamente brancas (calcários) colocadas no primeiro momento na Praça dos Três Poderes. Desprezou-se a tradição portuguesa, herdada no século passado, que recomenda o uso de desenhos de toda espécie para embelezar as áreas de passeio dos pedestres. <br> <br> <br> <br>O primeiro calçamento efetivo com pedra portuguesa em Brasília ocorreu em 1972, quando a Novacap pavimentou a Avenida W-3 Sul (que não se chamava “Sul” porque a Norte ainda não se concretizara). O órgão recorreu aos préstimos do arquiteto Fabrício Pedroza, que efetuou uma proposta de desenhos geométricos, cujos contornos ainda são identificados ao longo da via, a despeito dos estragos do tempo e da falta de reparos por parte do GDF e dos comerciantes locais. <br> <br> <br> <br>No momento em que se deseja hoje, declaradamente, restaurar o piso da Avenida W-3 Sul, o mais adequado seria calçá-lo com poesias dos ilustres poetas nascidos ou criados na cidade. Nada seria mais simples (e módico) projetar uma imagem humanista de Brasília, sobretudo nesses tempos em que a cidade padece do desconforto de ser associada muitas vezes a desmandos que não são de seus cidadãos, mas de políticos vindos de for a. <br> <br> <br> <br>Afinal, um gesto semelhante foi feito nos anos 60 no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, onde se plasmou no chão de pedras portuguesas todas as partituras dos grandes nomes do samba com vínculos no bairro, de Noel a Pixiguinha, de Lamartine a Orestes Barbosa. As partituras continuam ali, muito bem preservadas, juntamente com nomes dos autores de texto e música, que muito orgulham os cariocas e todos os brasileiros, de forma geral. <br> <br> <br> <br>O mesmo poderia ser feito pelos calceteiros brasilienses, ilustrando o piso com as poesias dos poetas de Brasília. A obra é viável, não haveria nenhum encarecimento pelo desenho das letras. Cada letra pode ser executada em pedra portuguesa numa escala de 40cm x&nbsp; 40cm&nbsp; ou de 30cm x 30cm, o que viabiliza a transcrição de todo tipo de poemas, desde pequenos hai-kais, até alguma redondilha menos exagerada nas calçadas. Não será a falta de recursos técnicos que inviabilizará o projeto. Bastam vontade política e os recursos naturais para uma restauração dos pisos. <br> <br> <br> <br>Todos sabem que o interesse governamental nem sempre é sensível aos artistas e poetas da cidade, mas as circunstâncias conspiram para que a iniciativa se concretize desde que venha a ser assumida por toda a categoria de poetas brasilienses. São eles que detêm as condições de transformar sonhos em realidade, desejos em atitudes e ideias em compromissos. Ao plantar versos na sarjeta, vão subverter a botânica e fazer vicejar uma nova flor na cidade, de fragrância delicada e sofisticada: a calçada poética.<font size="4"><span style="font-weight: bold;">" </span></font> <br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <br>&nbsp; <br> <br> <br></div> <br> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36441</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/aac2c0646569dc686261a91554e4da27.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">Eli Veríssimo, da Pizzaria Dom Bosco, um dos poucos  <br>patrimônios da gastronômia popular brasiliense  <br></font> <br> <br><font size="6"> <br>A comida e o poder</font> <br> <br> <br> <br>Gay Talese, guru de quem é chegado num jornalismo literário, é repórter de si mesmo no primoroso Vida de escritor. Ainda estou nas primeiras cem das quinhentas páginas, mas já me deliciei o sufuciente para não me conter e aproveitar um comentário que ele faz sobre os poderosos de Nova York (ah, como eles se parecem, aqui ou acolá). <br> <br> <br> <br> <br>O novaiorquino craque em fazer jornalismo com rigor de apuração e jeito de ficção conta de seu hábito de jantar fora na maioria dos dias da semana, durante toda a vida. (Gay está com 77 anos). Talese aproveita a solidão de muitos desses jantares para ver e ouvir o que se passa ao redor. Donde concluiu que uma cidade poderosa acaba criando, obrigatoriamente, uma rede de bons restaurantes que sirvam de extensão do poder. <br> <br> <br> <br> <br>Gay Talese: “Faz muito tempo que acredito que em cidades tão imensas e movediças como Nova York até mesmo alguns dos mais influentes cidadãos muitas vezes se sentem insignificantes à noite, em parte porque seus escritórios estão fechados e eles estão distantes de seus assistentes e das atenções dos subalternos, e às vezes são até esquecidos pelos motoristas de suas limusines, que os esperam diante de restaurantes mas adormeceram atrásdo volante e só acordam depois de algumas batidas fortes com os nós dos dedos na janela lateral ou no para-brisa”. <br> <br> <br> <br> <br>Graças à necessidade que os poderosos têm de continuar poderosos depois que anoitece, os grandes chefs tiveram chance de construir carreira bem-sucedida. Foi o que constatou Gay Talese depois de muito comer e muito observar a comilança nas noites de Nova York. <br> <br> <br> <br> <br>Brasília não é Nova York, mas desde antes da inauguração já tinha restaurantes para atender os poderosos. O mais mítico deles, o Chez Willy, tinha cozinha internacional entre paredes de madeira na inacreditável Cidade Livre. O dono do restaurante, o austríaco Willy Zweideck trouxe para o chão rude do cerrado sua experiência em hotelaria e restaurantes na Áustria, Alemanha, Bélgica, Holanda, França, Itália, Egito, Inglaterra e Argentina, segundo conta Adirson Vasconcelos em <span style="font-style: italic;">Os Pioneiros da Construção de Brasília.</span> <br> <br> <br> <br>De mesa em mesa, a cidade foi se transformando num polo gastronômico. Só perde para o Rio e São Paulo. Como escreveu Liana Sabo: os restaurantes de Brasília tem um cardápio cosmopolita. Há de tudo. “Do maná-cubiu (fruta exótica) da Amazônia às ostras de Santa Catarina, do queijo árabe fetah ao baru de Goiás, do tomate pelati italiano ao presunto de Parma”.  <br> <br> <br> <br> <br>Mas aqui a gastronômia é capenga. Se no Rio e em São Paulo, há fartura de cozinhas internacionais, de chefs renomados, há também uma riqueza incomensurável de comida popular. Pizzas, sanduíches, petiscos, feijoadas, rabadas, cozidos, dobradinhas, tudo da melhor qualidade a preços que cabem no orçamento dos mortais de dinheiro contado.  <br> <br> <br> <br>Salvo alguns bons restaurantes populares nas cidades-satélites e alguns botequins e casas modestas no Plano Piloto, na Asa Sul especialmente, Brasília ainda não desenvolveu uma cozinha de qualidade para quem gosta de comer bem e não pode gastar um terço de um salário mínimo, por cabeça, num jantar.&nbsp; Comida boa e bonita também pode ser barata. Brasília é que só pensa em servir aos poderosos.  <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[O que ler para conhecer Brasília]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36414</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 393px; height: 302px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/e888822f3749892f19c29cb5f112c9db.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">Balão do Aeroporto, que os mais antigos conhecem como <br>Balão da dona Sarah em foto de Luiz Clementino</font> <br> <br> <br> <br>&nbsp; <br> <br>O poeta Nicolas Berh, que amanhã lança mais um livro, <span style="font-style: italic;">Beije-me</span>, fez para o Sérgio de Sá uma lista das dez obras fundamentais para quem queira conhecer Brasília e história de a como e por que ela foi construída.  <br> <br> <br> <br><span style="font-style: italic; font-weight: bold;">Relatório do Plano Piloto de Brasília</span>, de Lucio Costa (GDF, 1991) <br> <br><br style="font-style: italic;"><span style="font-style: italic; font-weight: bold;">Por que construí Brasília</span>, de Juscelino Kubitschek (Bloch Editores, 1975) <br> <br> <br><span style="font-style: italic; font-weight: bold;">História de Brasília</span>, de Ernesto Silva (Coordenada Editora de Brasília, 1971) <br> <br> <br><span style="font-style: italic; font-weight: bold;">Brasília: o mito na trajetória da nação</span>, de Márcio de Oliveira (Paralelo 15, 2005) <br> <br> <br><span style="font-style: italic;"><span style="font-weight: bold;">Brasília: a construção do cotidiano</span>,</span> de Brasilmar Ferreira Nunes (org.) (Paralelo 15, 1997) <br> <br> <br><span style="font-style: italic; font-weight: bold;">Brasília: dimensões da violência urbana</span>, de Aldo Paviani, Frederico Flósculo e Ignez Ferreira (org.) (Editora Unb, 2005) <br> <br> <br><span style="font-style: italic;"><span style="font-weight: bold;">A cidade modernista: uma crítica de Brasília e sua utopia</span>,</span> de James Holston (Companhia das Letras, 1993) <br> <br><span style="font-style: italic;"> <br><span style="font-weight: bold;">Abstrata Brasília Concreta</span>,</span> de Wagner Hermuche (org.) (Mediale, 2003) <br> <br> <br><span style="font-style: italic; font-weight: bold;">História da terra e do homem no Planalto Central</span>, de Paulo Bertran (Verano Editora, 2000) <br> <br><span style="font-style: italic; font-weight: bold;"> <br>Relatório da Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil — Relatório Cruls</span> (Codeplan, GDF, 1984)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36412</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 305px; height: 233px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/f77e89e99a189cb3b620c7065def35ee.jpg"> <br> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br><font size="6">Onde está a&nbsp; honestidade?</font> <br> <br> <br><br style="font-style: italic;"><span style="font-style: italic;">Severino Francisco</span> <br> <br> <br> <br> <br>O nosso padre Antônio Vieira já dizia que o livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. Às vezes, tenho a nítida impressão de que certos livros se dedicam a me empreender uma perseguição implacável. E este foi o caso de <span style="font-style: italic;">Noel Rosa – uma biografia</span>, de João Máximo e Carlos Didier, um tijolaço de mais de 700 páginas, publicado pela Editora Universidade de Brasília. Quando passava pela biblioteca, lá estava Noel me mirando obsessivamente com um olhar inquisidor: “E aí, sua besta, quando encontrará tempo para me ler?” <br> <br> <br> <br> <br>No ano passado, torci o tornozelo, fui obrigado a ficar recolhido em casa durante uma semana e, finalmente, pude encarar a magnífica biografia sobre Noel. O que me chamou a atenção ao final da leitura foi o contraste entre a vida dramática do poeta e a sua capacidade de dar a volta por cima com uma verve tipicamente carioca: ágil, elegante, leve. De fato, tudo em sua vida termina em sambas geniais. Sempre se salva pela bossa. O queixo afundado, consequência de um parto a fórceps, que o deixava envergonhado de comer nos restaurantes e tanto o atormentou é exorcizado desta maneira nos seus versos: <span style="font-style: italic;">“Eu nascendo pobre e feio/Ia ser triste o meu fim/Mas crescendo a bossa veio/Deus teve pena de mim”.</span> <br> <br> <br> <br> <br>O problema no queixo não impediu que Noel tivesse uma galeria de musas. Contudo, a mais amada foi a morena Cecy, que inspirou obras-primas como Pra que mentir, a Dama do cabaré ou O maior castigo que te dou. A bela Cecy era instável, adejava de braço em braço, o que provocava ciúmes e muitas brigas com Noel. Quando a discussão esquentava,&nbsp; Cecy descia o braço em Noel, que se recusava a apelar para a violência. Mas ele se vingou em um samba em que firma uma posição aristocrática, elegante e bem humorada em relação à mulher: <span style="font-style: italic;">“O maior castigo que te dou/É não te bater/Pois sei que gostas de apanhar/Não há ninguém mais calmo do que eu sou/Nem há maior prazer do que te ver me provocar/Vou me vingar em meus versos/Dos teus instintos perversos/É este outro castigo que te dou”.&nbsp;</span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <br> <br> <br> <br> <br>O pai de Noel era um funcionário público de alto escalão no Rio de Janeiro. Mas, em determinado momento, teve uma desavença com outro colega que queria instituir um imposto penalizador para a população. O pai de Noel foi destituído do cargo, e, mais tarde, restituído ao posto original. Contudo, o episódio o marcou para sempre. Nunca se recuperou da injustiça, terminou a vida enclausurado em instituições psiquiátricas e se suicidou. Enlouqueceu de honestidade. <br> <br> <br> <br> <br>Noel guardou cuidadosamente todos os documentos administrativos sobre a pendenga envolvendo o pai e teria buscado inspiração no caso para compor o samba Onde está a honestidade?, de uma atualidade estarrecedora: <span style="font-style: italic;">“Você tem palacete reluzente/Tem joias e criados à vontade/Sem ter nenhuma herança ou parente/Só anda de automóvel pela cidade.../E o povo já pergunta com maldade:/Onde está a honestidade?/Onde está a honestidade?/O seu dinheiro nasce de repente/E embora não se saiba se é verdade/Você acha nas ruas diariamente/Anéis, dinheiro e felicidade/E o povo já pergunta com maldade/Onde está a honestidade?/Onde está a honestidade?” </span> <br> <br> <br> <br></div> <br> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36366</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 372px; height: 281px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/194662e2f00eedfe965782b921ef8d99.jpg"> <br> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="3"> <br> <br></font><font size="3">  <p><font size="5">Mãe que é mãe</font></p> <p> <br></p><p> <br></p><p> <br></p><p>Já tomou café? Comeu o quê? Só isso? Pudim não é café da manhã, tem de comer  fruta, tomar suco. Já terminou de escovar os dentes? Tão rápido assim? Deixa eu  ver a língua… Quer perder os dentes todos antes dos trinta anos? Isso são modos  de se sentar? Cumprimenta o moço, filho. Dá um beijinho na tia, dá… Cadê a  bênça? </p> <p> <br></p><p> <br></p><p>Tá dodói, tá? Quer uma sopinha… Mamãe faz. Chega de comer besteira, menino.  Não quero mais saber de bagunça nesta sala. Você quer me enlouquecer! Já te pedi  mi l vezes pra não comer nada no sofá. E essa luz acesa, acha que somos donos da  Celg? Já falei pra fechar a torneira da pia enquanto escova os dentes, eu não  sou dona da Caesb.</p> <p> <br></p><p> <br></p><p>Que banho mais rápido foi esse? Deixa eu ver este pé, pode voltar pro  banheiro e esfregar essas unhas. Esta é a última vez que estou te avisando: não  quero mais ver essa porta do armário aberta. Você não aprende mesmo: tomou  banho, se enxugou, pendura a toalha pra secar. Cama não é lugar de toalha. E  esses tênis no meio da casa? Você quer mesmo me enlouquecer.</p> <p> <br></p><p> <br></p><p>Eu já te disse que não quero mais ver essa bagunça no seu quarto. Pensa que  homem gosta de mulher bagunçada? Vem cá que vou te ensinar a fazer um arroz.  Mulher tem de saber cozinhar, sim, senhora. Aliás, todo mundo tem de saber  cozinhar, nunca se sabe o dia de amanhã.</p>  <p> <br></p><p> <br></p><p>O que foi que eu te disse da última vez, seu João Gabriel? Tirou do lugar,  põe de novo. Dona Maria Rafaela, a senhora até hoje não aprendeu a tomar água e  pôr o copo na pia? Pra ir pra rua está boazinha, mas pra fazer o dever está  doente. Hoje você não me sai de casa enquanto não fizer as tarefas.</p> <p> <br></p><p> <br></p><p>Não falei que não era pra jogar bola na chuva, não falei? Não me escuta, acha  que nasceu sabendo tudo. Deixa eu ver essas unhas? Valha-me, Deus! Que porcalhão  você me saiu! Vamos cortar essas unhas já já que eu não quero um filho  sugismundo. </p> <p> <br></p><p> <br></p><p>Mamãe vai fazer bolinho de chuva pra bebezinha doente, tá? Vamô calçar umas  meias quentinhas, vamô? Quer dormir na cama da mãe esta noite quer? Mãe deixa.  Neném de mamãe está dodói.</p> <p> <br></p><p> <br></p><p>Já te chamei três vezes, pela-amor-de-Deus, levanta, menina, que hoje você  vai chegar atrasada na escola. A blusa, aqui… o braço direito… o direito. Agora,  o esquerdo. O pescoço, êta juba. O pé… o outro. Agora, a saia. Corre… vai  escovar os dentes, anda, anda, anda…Come um pedacinho de bolo, só um pedacinho  que é pra não ir pra escola de estômago vazio. Um gole de suco… isso. Vamô,  vamô, anda menina, parece que nasceu com os pés grudados no chão. Você ainda vai  me enlouquecer!</p><p> <br></p><i> <p>*Inspirada em <span style="font-weight: bold;">Exageros de mãe</span>, de Millôr Fernandes.</p></i> <br></font><font size="3"> <br></font><font size="3"> <p>&nbsp;</p></font></div>
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36354</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<font size="4"> <br></font><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="3"> <br></font></div><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" id=":7j" class="ii gt">       <font size="3">  <p><font size="6">Da cobertura do Conic</font></p> <p><a name="121255cdd2869f75_Save1"></a> <br></p><p> <br></p><p>Fazia tempo, ficava imaginando que Brasília existiria nas  coberturas do Conic. Do Eixo Monumental, descendo em direção à Rodoviária, dava  para ver que no sexto andar havia pequenas construções recuadas da fachada. Dava  para ver que o lugar era habitado, mas o que haveria ali? E o que se veria  dali?</p> <p> <br></p><p> <br></p><p>Ontem pela manhã, fui atrás da resposta e ela encheu os meus olhos. Para se  chegar à cobertura do Conic é preciso subir de elevador até o quinto andar.  Depois, vencer um lance de escadas e, toc-toc-toc, pedir licença ao proprietário  de uma das muitas salas do sexto andar. A casualidade me levou ao ponto mais  privilegiado da cobertura do Conic, as salas que ficam de frente para a  Esplanada. São de uma agência de notícias para rádio. </p> <p> <br></p><p> <br></p><p>Depois da Torre de TV, não há, podem acreditar, nenhum mirante da Esplanada  mais privilegiado. Nem o restaurante do Teatro Nacional, de funcionamento  precário desde a inauguração da cidade, nem ele oferece Esplanada mais  panorâmica. </p> <p> <br></p><p> <br></p><p>Da cobertura do Conic dá pra ver quão cuidadoso e engenhoso foi o doutor  Lucio quando entrelaçou o Eixo Monumental com o Eixo Rodoviário sem elevar  nenhum monstro de concreto acima do solo, como aconteceu com os viadutos mais  tarde construídos ao redor da cidade. Na confluência dos dois eixos, são três  níveis de solo, o do Eixão, o do Eixo e do Buraco do Tatu que mergulha na  Rodoviária para sair do outro lado do Eixão. Que elegância de propósito a do  doutor Lucio. </p> <p> <br></p><p> <br></p><p>Lá de cima, o prédio da Rodoviária é um discreto volume acima do solo (sujo,  abandonado, desprezado, para quem o vê de perto). Esconde, timidamente, a  engenhosidade de sua arquitetura que se estende em vias de trânsito. </p> <p> <br></p><p> <br></p><p>De tudo, de tudo, a surpresa mais encantadora é o telhado do antigo Touring,  hoje sede do Núcleo de Ação Integrada do GDF (cuja placa enorme enfeia e encobre  a fachada da obra de Oscar Niemeyer). Todo ele, o telhado, é um bordado de  nervuras, como se fossem franjas dispostas paralelamente, ondas de um mar de  concreto modernista.</p> <p> <br></p><p> <br></p><p>(Parênteses pra mais dois feiosos: A Biblioteca Nacional, com sua arquitetura  da década de 50 construída no século 21 encobre o Museu que, claro, encobre a  Catedral).</p> <p> <br></p><p> <br></p><p>Tirando esse erro no calendário do doutor Oscar, toda a Esplanada desdobra-se  até o horizonte, aberta e imponente, suavemente altiva, mais altiva que suave,  sem no entanto perder a leveza. Segue assim até chegar às duas torres e às duas  cúpulas, todas elas, que pena, transformadas em logotipo da corrupção e do  cinismo. Mas o Mastro da Bandeira, atrás do Congresso, está ali para nos lembrar  que os tempos já foram piores e que, seja como for, a democracia é o que de  melhor o homem já inventou para conviver civilizadamente.</p> <p> <br></p><p> <br></p><p>Do sexto andar do Conic, da esquina do Eixão com o Eixo, dá pra ver que a  somado gênio, da criatividade, da resistência física, da capacidade de  improvisar e achar soluções imediatas, do querer e do poder, fez da utopia uma  cidade. Que, se está muito longe de ser utópica, é a prova de que sonhar pode  ser concreto. </p></font> </div> <br>
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		<title><![CDATA[O Conjunto, por Hermuche]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36323</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/3831a3099d4a68ca0d32b087c234a3cb.jpg"> <br> <br> <br><font size="6"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"></span></font> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-style: italic;">Sob o céu de Brasília</span>, obra do artista plástico, fotógrafo e designer W.Hermuche. A fachada do Conjunto Nacional, um dos retratos mais coloridos e iluminados de Brasília, reaparece sob um céu da cor do sol na obra de Hermuche. A peça está reproduzida no lindíssimo <span style="font-style: italic;">Abstrata Brasília Concreta,</span> livro de arte, artigos, crônicas, poesias e ensaios, certamente um dos mais diversificados e bem feitos do todo o muito que já se publicou sobre a cidade. &nbsp;  <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[Os barracos de Galeno]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36321</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/fae72ad1f1b2f73c0dab72ae3e7eca2c.jpg"> <br> <br> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="6"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"></span></font> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">Quando chegou a Brasília, menino, vindo de Parnaíba (PI), Galeno foi morar com a família na Invasão do Iapi, uma das muitas que surgiram na cidade em construção. Da lembrança dos barracos de madeira ele fez obra de arte. Carretéis, caixas de sapato, antenas, para uma Brasília muito menos utópica do que se sonhou, mas muito colorida aos olhos de Galeno.&nbsp;  </div>
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36218</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img style="width: 435px; height: 247px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/376a2951660a078983a4426eab81de34.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">Leonilson <br> <br> <br> <br> <br><font size="6">O cronista e o travesseiro</font> <br> <br> <br> <br>Se a literatura fosse uma cama, a crônica seria o travesseiro. Não tem a imponência nem a robustez da literatura, não suporta todas as dores do humano, mas na sua reduzida extensão territorial nos retira do embate diário do viver, convida o sono a se aproximar, abre as portas do sonho, nos afasta momentaneamente dos fatos implacáveis do cotidiano.  <br> <br> <br> <br> <br>Tem gente que não dorme sem seu travesseiro. Eu não durmo sem minhas crônicas. Não as minhas minhas, óbvio. As minhas escritas pelos meus cronistas preferidos. Leio nem que seja um parágrafo ou releio ou trileio. Deixo que o cronista cante no meu ouvido a sua doce canção de ninar.  <br> <br> <br> <br> <br>Fosse escolher a crônica que mais gosto de todas quantas já li, diria que é a de Clarice Lispector sobre Brasília. Não é um texto, é uma revelação, uma epifania. (“Sou atraída aqui pelo que me assusta em mim. — Nunca vi nada igual no mundo. Mas reconheço esta cidade no mais fundo de meu sonho. O mais fundo de meu sonho é uma lucidez”.) <br> <br> <br> <br> <br>Pego ao léu outras crônicas que me servem de travesseiro. Uma bem curtinha, que me faz rir riso de criança, nem é de um cronista muito conhecido. É do Luís Martins e se chama Tragédia concretista. Ele brinca com a forma das palavras, a sua concretude. Começa assim: “O poeta concretista acordou inspirado. Sonhara a noite toda com a namorada. E pensou: lábio, lábia. O lábio em que pensou era o da namorada, a lábia era a própria”. <br> <br> <br> <br> <br>Entre os grandes da crônica, meus mestres do fim de noite, está um que também não é muito conhecido pelos textos-travesseiros. É o Millôr, o genial Millôr que faz o maior charme em Notas de um ignorante, na qual ele desfila as muitas humilhações que diz sofrer continuamente. “Em matéria de cultura encontro imediatamente quinhentas pessoas, só entre as que conheço, que sabem mais línguas do que eu, leram mais, falam melhor e mais logicamente, conhecem mais de teatro e citam com precisão escolas filosóficas, afirmando que tal pensamento pertence a esta e contradiz aquela. Que fiz eu?”. Dá pra ver que não apenas o poeta é um fingidor, o cronista também.  <br> <br> <br> <br>O Verissimo é um dos meus travesseiros preferidos, que dona Lúcia me entenda. A da gramática dá vontade de decorar, mas como tenho memória de lesma, deixo o gaúcho encostado na cama, sempre. Se um escritor tivesse de respeitar a gramática com o rigor de um lexicógrafo, diz o filho do seu Erico, “acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda”.  <br> <br> <br> <br> <br>Antológica também é a crônica de Nelson Rodrigues que definiu o complexo de vira-latas do brasileiros, escrita às vésperas da Copa de 58. Nem é um dos textos mais primorosos da flor de obsessão, mas isso não teve a menor importância. Em sete curtos parágrafos, ele definiu um dos traços mais fortes do caráter verde-e-amarelo. <br> <br> <br> <br>Acabou meu espaço, que pena. Porque tinha muito mais crônica pra me lembrar, cronista pra me embalar, travesseiro pra me acalmar. Ainda bem que, se tudo der certo, mais uma noite virá.  <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[Você já foi a Paris? Então vá]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36217</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		 <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br>Nada, nenhuma tecnologia, substitui o corpo presente. Com o corpo a gente se incorpora à atmosfera, respira o ar, ouve os sons estourando a cada instante, vê o movimento das nuvens, a dança das sombras, acompanha o inesperado dos acontecimentos. Mas a imagem que a tecnologia oferece reforça o desejo de ir aonde mais vida está. É o caso desse link que nos leva à Torre Eiffel e dentro dela dá pra ter uma noção do quem é Paris. É preciso ter um tantinho de paciência, mas a espera não dura um minuto. Boa viagem! &nbsp; </div> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"><a href="http://photo.photojpl.com/tour/08toureiffel/08toureiffel.html">http://photo.photojpl.com/tour/08toureiffel/08toureiffel.html</a> <br></div> <br> <br>  
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		<title><![CDATA[Brasilia, por Sylvia Plath]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36201</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 279px; height: 330px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/70896696fbca371deb39c1b0a7f8867f.jpg"> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Sylvia Plath</span></font> <br> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br>Sylvia Plath escreveu o poema <span style="font-style: italic;">Brasilia</span> (sem acento) poucos meses antes de se suicidar. O poema foi escrito no final de 1962 e a poeta exalou gás de fogão até a morte, em 1963, aos 31 anos. Não consegui saber, até agora, se ela esteve em Brasília — muito provavelmente não. Deve ter tido notícias da cidade lá de longe e transformado o impacto das imagens da cidade modernista&nbsp; (“essas pessoas com torso de aço”) num espelho partido de sua dor (“seus três dentes cortando-se em meu polegar”). A norte-americana Sylvia Plath, uma das mais importantes poetas de sua geração, escrevia com o punhal fincado na ferida, mas com alma feminina e rigor de esteta. Atribui-se o seu suicídio à traição do marido, o também poeta Ted Hughes, o que provocou a ira das femininas incendiárias da época. Mas Sylvia tinha histórico de depressão e já havia tentado o suicídio&nbsp; ainda bem jovem. Há pouco mais de um mês, um dos dois filhos de Sylvia, o cientista Nicholas Hughes se suicidou, aos 47 anos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <br> <br> <br> <br> <br> <br><font size="5">Brasilia</font> <br> <br> <br> <br>Sylvia Plath <br>Tradução: José Jorge de Carvalho <br> <br> <br> <br> <br>Chegarão a manifestar-se <br>essas pessoas com torso de aço <br>cotovelos e sobrancelhas alados. <br>Aguardando massas <br>de nuvens para dar-lhes expressão, <br>esses super-seres! <br>E meu bebê, uma unha <br>bem metida. <br>Ele grita em sua gordura <br>ossos farejando distâncias. <br>e eu, quase extinta, <br>seus três dentes cortando-se <br>em meu polegar — <br>e a estrela, <br>a velha história. <br>Na pista cruzo ovelhas e vagões, <br>terra vermelha, sangue materno. <br>Oh! vocês me comovem. <br>pessoas com raios leves, deixem <br>a salvo este espelho <br>não redimido, <br>pela pomba aniquilada <br>a glória, <br>o poder, a glória. <br> <br><font size="2"> <br> <br>(Retirado de <span style="font-style: italic;">Abstrata Brasília Concreta</span>, concepção e direção de criação e arte de W. Hermuche).</font>  <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[O jardim do Ivan ]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36165</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <img style="width: 260px; height: 347px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/daae7993fe54942a36db80b3883a035f.jpg"> <br> <br><font size="6"> <br></font><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">O jardineiro-andarilho da 307 Sul continua enfeitando o gramado com flores que ele inventa. Uma fita colorida, uma tampa de garrafa, uma lata vazia, tudo vira flor no jardim do Ivan da Cunha, carioca de 57 anos que anda pelaí criando jardins e vivendo de fantasias. Ele continua esperando que o “vovô” Fernando Henrique Cardoso e suas "irmãs" Gisele Bündchen, Celine Dion e Juliana Paes venham buscá-lo para uma viagem a Toronto. Nesse dia, Ivan diz que vai tomar banho de sabonete, trocar de roupas e calçar tênis novos.  <br></div> <br>&nbsp;&nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;  
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		<title><![CDATA[crônica da cidades]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36158</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
		<img src="http://www.dzai.com.br/tv/avatar?a=/18/18744"/>
		 <br><img style="width: 402px; height: 314px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/8d24c2f417c84dc2cc57b6dd8f55c76c.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">O sertão do compadre Quelemém <br></font> <br> <br> <br><font size="6">Meu amigo Severino</font> <br> <br> <br> <br>Tenho um amigo que se chama Severino Francisco. Ele escreve neste pé de página às segundas-feiras e todos os dias passa por mim, sempre apressado, magro como o companheiro do Sancho Pança, os olhos voltados para dentro, o coração e o sorriso voltados pra fora.  <br> <br> <br> <br>Nunca tive muitos amigos, e nunca entendi muito bem o que era um amigo. Não era um parente, não era um namorado, não era apenas um colega de escola ou de trabalho. Também não era somente alguém com quem se partilhava crenças, ideias, opiniões, juízos, princípios éticos e morais. Nem com quem a gente ia pra balada nem somente com quem se fazia confidências. Era uma coisa que eu ainda não havia experimentado de verdade. Porque a gente só sabe o que é um amigo quando precisa dele e ele está lá, firme, forte e afetuoso. <br> <br> <br> <br>Alguns dos meus maiores afetos morreram jovens e me deixaram meio solta, meio vaga, meio viúva, tiritando de saudade. Mas eu ainda não havia precisado de verdade de um amigo. <br> <br> <br> <br>Como o Severino não bebe, não fuma, não come carne vermelha, pratica tai chi chuan e não dirige, fico mais tranquila. Mas o Severino não cuida da saúde apenas para aumentar as suas chances de continuar vivinho da silva. O Severino é um homem de entrelaçamentos: viver para ele é muito mais do que se manter vivo. É um compromisso ético, mas isso não significa que Severino seja um empertigado defensor das leis e da ordem, como pode parecer. Severino é um glauberiano, um rodrigueano, um gilbertofreyreano, um darcyribeiriano. Brasileiros insubordinados, audaciosos, aguerridos, geniais. Bem acompanhado o Severino, não?  <br> <br> <br> <br>Meu amigo Severino é parente do compadre meu Quelemém, que vive nos sertões do Rosa. Tem uma intuição que faz a gente suspeitar que ele tenha o e-mail do Divino e viva de bate-papo na internet celestial.  <br> <br> <br> <br>Quando Severino inclina a cabeça para perto do peito , cofia a barba e olha por cima dos óculos é porque em seguida ele vai oferecer a quem o escuta um jeito inesperado de ver o mundo, de entendê-lo e de nele viver o mais humana e corajosamente possível. E com um inesgotável senso de humor.  <br> <br> <br> <br>Faz algum tempo a vida andou aprontando das suas com o Severino (com quem ela não apronta?). Pensam que ele azedou? Que criou ranço? Que ficou exigindo dos céus o pagamento da dívida? Severino continuou límpido como as águas nascentes. O mundo mudou muito desde que Severino fazia inesquecíveis matérias, críticas e entrevistas sobre literatura, cinema, poesia em publicações culturais, desde que travava duelos enriquecedores com grandes nomes da cultura brasileira. <br> <br> <br> <br>Mas Severino não mudou. Guardou a faca afiada, porque aprendeu que não dá mais pra sair por aí enfrentando de peito aberto o mundo dominado pelas forças do mercado.  <br> <br> <br> <br>Tudo aquilo em que o Severino acreditava saiu de moda. Mas Severino não é prêt-à-porter nem é alta-costura. Severino Francisco é homem artesanal, genuinamente brasileiro, humano como o quê. Severino é meu amigo e isso suaviza um bocado a minha vida. <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36106</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 396px; height: 297px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/e291073bd673946ddfc8674abdbb8e8a.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">A terra bonita depois da Baleia virou Jardim de Maytreia</font> <br> <br> <br> <br><font size="6"> <br>Histórias do Paraíso</font> <br> <br> <br>“Havia um amigo meu, morador desta cidade, que era bastante chegado na famosa canabis. Juntou um bom dinheiro e, pra não faltar a ‘bendita’, comprou logo um quilo e a mantinha escondida. Mas um conhecido seu, que não tinha bom caráter, entrou furtivamente e roubou sua canabis! Quando ele descobriu que tinha sido roubado, não pensou duas vezes e foi dar queixa ao delegado! <br> <br> <br> <br>“—Foi um quilo da boa que o safado levou! Que seja preso agora e devolva o que me roubou! <br> <br> <br> <br>“O delegado, ouvindo aquilo, ficou todo atrapalhado, não sabia se prendia o ladrão ou o roubado! E naquela confusão, sem saber o que fazer, a melhor solução foi o caso esquecer! E aquele meu amigo foi pra casa indignado e ficou por três dias atrás do delegado: ‘De que serve a polícia quando somos roubados!”  <br> <br> <br> <br>Quem conta essa história, em forma de cordel, e garante que o acontecido aconteceu, é a professora Geraldina Lombardi num singelo livreto que ela oferece, a R$ 15, aos turistas de Alto Paraíso de Goiás. <br> <br> <br><br style="font-style: italic;"><span style="font-style: italic;">Altas Histórias do Paraíso</span> reúne histórias verídicas, diz a autora, ocorridas nos últimos vinte anos, desde que ela deixou Curitiba e foi ao encontro do paraíso. Parece tê-lo encontrado. Geraldina se aproxima suavemente, tem gestos curtos e calmos, e a voz pura e límpida como se tivesse acabado de nascer, de tomar banho, de brota no mundo. Voz e gestos sem afetação, de quem não aprendeu a falsear ou de quem, se aprendeu, esqueceu. <br> <br> <br> <br>A professora conta como era o Paraíso antes de nele aterrissarem estranhas naves vindas dos pontos mais distantes do país, do continente e do mundo, e delas descerem terráqueos em busca de alguma coisa que a vida na cidade grande havia lhes roubado. Alguma coisa real ou ilusória ou imaginária ou fantasiosa, alguma coisa. <br> <br> <br> <br> <br>Antes da chegada dos primeiros esotéricos, Alto Paraíso era tão-somente um povoado goiano bordado numa das mais belas paisagens brasileiras. Geraldine conta como era a cidade antes da invasão dos terráqueos de outras paragens: <br> <br> <br> <br>“Nasci aqui no meu pequeno Paraíso. Aqui cresci brincando, correndo por todo cerrado, plantando, colhendo, criando meu gado. (…) E as cachoeiras de águas limpinhas acolhiam a todos de graça, por nada, só para verem o sorriso, a alegria da moçada (…) <br> <br> <br> <br>“Mas hoje tanta gente chegou e tudo mudou! Cachoeira virou Parque e agora tudo se paga. Pra brotar o campim novo, já não posso fazer queimada. O sítio do seu Manu agora é Vale da Lua! A terra bonita depois da Baleia agora é jardim de um tal Maitreya! E esse, quem será? E a terra do Vá, que virou Sertão Zen! Eu, hein? E esse povo todo que agora está aí diz que vem uma nave tirá-lo daqui. Será? Será, meu Deus, que se essa nave vier e levar todo esse povo, sabe-se lá, pra onde quiser, meu Paraíso volta a ser aquele da minha infância, tão cheio de graça, de fé, tão puro como era, tempos atrás, Alto Paraíso de Goiás?” <br>&nbsp; <br> <br>&nbsp; <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[O Guará chega aos 40 ]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36083</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img style="width: 388px; height: 300px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/8bf2658b292efeb3d2380845d4111625.jpg"> <br><font size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">Guará, 1971</span></font> <br> <br><img style="width: 391px; height: 290px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/41704377504f7e19f42400c20f6bd7ba.jpg"> <br><div style="text-align: justify; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Guará, 1975</span></font><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"> <br> <br><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"><font size="6"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"></span></font><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">A cidade mais simpática do quadradinho está de aniversário hoje. O Guará ainda conserva o jeitão de conjunto habitacional da década de 1970, mas ao mesmo tempo é uma cidade confortável, aprazível, terreno de uma classe média-média que ainda conserva hábitos dos antigos bairros das velhas cidades. Muito bem arborizado, o Guará tem fartura de calçadões, pracinhas que poderiam ser mais bem&nbsp; cuidadas e tem se transformado numa nova fronteira para o mercado imobiliário. Não fosse o preconceito que o morador do Plano Piloto tem de tudo o que não pertence à área tombada, descobriria que a quinze minutos do Plano existe uma cidade muito boa pra se viver. </span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"></span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"></div> <br> <br> <br>  
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		<title><![CDATA[Rio, candidato a Patrimônio da Humanidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36065</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img style="width: 405px; height: 282px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/f83ff94bad50c0cf2a9d4cc59e5746a1.jpg"> <br> <br> <br><title>Mensagem</title><div style="text-align: justify;"><font size="2" face="Arial"> </font> <div style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" class="grupoC2"> <p class="fonte"><font size="3"> <br></font></p><p class="fonte"><font size="3">Agência Brasil </font></p> <p class="tmTexto" id="ctrl_texto"><font size="3"> <br></font></p><p class="tmTexto" id="ctrl_texto"><font size="3">RIO&nbsp;-&nbsp;A candidatura do Rio de Janeiro a  Patrimônio da Humanidade na categoria paisagem cultural, título conferido pela  Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco),  foi formalizada na manhã desta segunda-feira,&nbsp;4. Durante o evento, o ministro da  Cultura, Juca Ferreira, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes  assinaram um termo de cooperação para viabilizar a campanha. Se conquistar o  título, a capital fluminense será a primeira cidade em todo o mundo a ser  enquadrada nessa categoria. </font></p></div> <div style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" id="corpoNoticia"> <p><font size="3">&nbsp;</font></p> <p><font size="3">O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional  (Iphan), Luis Fernando Almeida, explicou que o selo de reconhecimento é  atribuído a porções dos territórios onde a relação entre a cultura humana e o  ambiente natural conferem à cidade uma identidade particular. Ele ressaltou que  entre os destaques do espaço urbano carioca estão as florestas tropicais e  parques, suas praias, além de manifestações populares como o carnaval, o samba e  a bossa nova, que juntos constroem o mosaico da paisagem cultural do Rio.</font></p> <p><font size="3">&nbsp;</font></p> <p><font size="3">"Nada representa mais o estágio civilizatório do Brasil, a nossa genialidade,  os nossos desafios, as contradições e a singularidade cultural do que a cidade  do Rio. A paisagem construída, transformada é um exemplo único, um monumento à  qualidade de vida, ao senso estético e ao prazer de viver na cidade. Não existe  nenhuma cidade patrimônio enquadrada na categoria paisagem cultural, também não  existe nenhuma cidade no mundo igual ao Rio de Janeiro", defendeu Almeida.</font></p> <p><font size="3">&nbsp;</font></p> <p><font size="3">O ministro da Cultura destacou algumas possíveis conseqüências que o título  pode trazer, como a elevação da auto-estima dos cariocas e a recuperação da  paisagem e da cultura na cidade. Juca Ferreira defendeu que a candidatura tenha  um caráter nacional.</font></p> <p><font size="3">&nbsp;</font></p> <p><font size="3">"O Rio é tido, no mundo inteiro, como referência de uma cidade idílica apesar  de todos os seus problemas. A sua candidatura representa um gesto de  generosidade porque, com o reconhecimento, ela passa a ser parte da humanidade,  podendo ser apropriada por todos e trará efeitos práticos em todos os sentidos.  Por isso, a candidatura tem que ser encarada como brasileira", afirmou.</font></p> <p><font size="3">&nbsp;</font></p> <p><font size="3">O governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes também apresentaram  discursos otimistas. De acordo com Paes, a cidade contará com maior compromisso  dos governos para preservação e proteção de seu patrimônio.</font></p> <p><font size="3">&nbsp;</font></p> <p><font size="3">"É uma oportunidade fantástica, já que a cidade vai ter mais projeção  internacional. O título também vai obrigar uma ação integrada de preservação  entre as três esferas de governo, independentemente de quem são os governantes",  disse.</font></p> <p><font size="3">&nbsp;</font></p> <p><font size="3">O movimento pela candidatura do Rio é liderado por organizações como Ordem  dos Advogados do Brasil, Associação dos Empreendedores Amigos da Unesco,  Associação Comercial do Rio de Janeiro, Associação Brasileira de Imprensa,  Academia Brasileira de Letras, Comitê Olímpico Brasileiro e Federação das  Indústrias do Rio de Janeiro, entre outras.</font></p> <p><font size="3">&nbsp;</font></p> <p><font size="3">Até o final deste ano, será encaminhado à Unesco um dossiê técnico  justificando a proposta de inscrição da cidade. O documento está sendo preparado  por técnicos dos governos federal, estadual e municipal com a assessoria de  especialistas contratados. O resultado só será conhecido em agosto de 2010.</font></p> <p></p></div><font style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" size="3" face="Arial"> <br> </font><p style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" class="texto"><font size="3">&nbsp;</font>script>r keywords = "Patrimônio da Humanidade; Rio";</script> <!-- Fim Body --><a name="comentar"></a> </p></div>  
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		<title><![CDATA[Mais um exemplo de preconceito]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=36059</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img style="width: 310px; height: 298px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/f3668467b1f9b2e98355d1de216c69bb.jpg"> <br><font size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Teatro Amazonas, Manaus</span></font> <br> <br><font size="3"> <br><br style="color: rgb(102, 102, 102); font-weight: bold;"></font><font style="color: rgb(102, 102, 102); font-weight: bold;" size="3"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Enviado por Jaques Jesus</span></font><br style="color: rgb(102, 102, 102);"><br style="color: rgb(102, 102, 102);"> <br><br style="color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">Estou em Manaus, grata oportunidade de conhecer mais uma capital&nbsp; brasileira, como sempre muito diferente de Brasília. Pude assistir&nbsp; alguns concertos no esplêndido Teatro Amazonas, cujo Festival de Ópera este ano homenageia a França. Fiquei extasiado com a qualidade do evento e imaginei a possibilidade de Brasília ser homenageada ano que vem, tendo tantos turistas alemães, franceses, poloneses e ingleses assistindo (encontrei todos esses). Repetiu-se uma situação que ocorrera no Rio de Janeiro, da qual já reclamei: no meu camarote estavam um casal paulistano e outro alemão. Eu já havia conversado com&nbsp; </span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">os paulistas, e o marido resolveu me apresentar aos alemães - que&nbsp; falavam português - como de Brasília, “capital da corrupção”! A alemã&nbsp; me indagou se eu era corrupto! De imediato respondi que, além de não ser corrupto, a capital do Brasil tinha corruptos eleitos por pessoas de fora de Brasília, e aproveitei para explicar um pouco sobre a&nbsp; História e os monumentos de Brasília aos dois casais (a esposa&nbsp; paulistana não sabia que Brasília é patrimônio cultural da&nbsp; humanidade). Os alemães visitarão Brasília esta semana.</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br></span><br style="color: rgb(102, 102, 102);"><div style="text-align: left; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35857</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/294221809bc10676aa2a44e36086260b.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">Praça do Índio, onde os dois moradores de rua foram mortos. No mesmo local,&nbsp; jovens de classe média-alta mataram o índio Galdino. O monumento é de Siron Franco. <br></font> <br> <br> <br><font size="6">Mendigo não é gente</font> <br> <br> <br> <br>Escrito assim assusta. Mas esse é um sentimento coletivo, que está alojado sem disfarce em muito mais gente do que nenhuma pesquisa de opinião é capaz de estimar.  <br> <br> <br> <br> <br>Mendigo de hoje merece bem menos compaixão do que os de antigamente. Os da minha infância eram, na grande maioria, o s doidinhos do bairro ou os que chamamos&nbsp; hoje de portadores de necessidades especiais. Eram os aleijados. Paraplégicos, corcundas, leprosos, gente sem perna, sem braço, com feridas pútridas, com bócio, elefantíase. Uma legião de humanos deformados e desassistidos convocava a piedade dos não-deformados e não-desassistidos. <br> <br> <br> <br> <br>Homens e mulheres em situações de tão extrema devastidão humana, tão corroídos no corpo, tão despossuídos de humanidade, que nós, os humanos em perfeitas condições, nos curvávamos condoídos com tanto padecimento. <br> <br> <br> <br> <br>Mendigo de hoje tem cabeça, tronco e membros. Anda, ri, conversa, tem amigos, bebe, come, ocupa os espaços públicos, pratica atos libidinosos. E ganhou um novo nome, mais respeitoso: morador de rua. <br> <br> <br> <br>Mas é um respeito de fachada.  <br> <br> <br> <br> <br>Morador de rua sem nenhuma deficiência física ou mental claramente perceptível é, aos olhos dos moradores de casa e de apartamento, e de mansões e de aviões, um subumano. Não é nem um cão nem um cavalo ou um gatinho vira-lata. Não é bicho nem é gente. É da família do lixo.&nbsp;  <br> <br> <br> <br> <br>Vou arriscar uma comparação terrível, mas o morador de rua é hoje, para o morador de casa, um ser tão execrável quanto os judeus foram para os anti-semitas. Para a sorte do “de rua”, a possibilidade de genocídio é remotíssima, dado que o sentimento de rejeição a eles não é publicamente bem aceito. <br> <br> <br> <br>Tudo isso pra dizer que o servidor do Banco Central José Cândido do Amaral Filho, 48 anos, casado, pai de três filhos, disparou os tiros que estavam engatilhados no tambor do 38 de muita gente que nem 38 tem. <br> <br> <br> <br>Amaral Filho surtou? Tem transtorno bipolar? A psiquiatria vai dizer. Mas com certeza não era apenas ele que carregava — e carrega — ódio mortal de morador de rua, especialmente quando ele tem o acinte de empestear as cercanias de nossas vidas tão honradas e perfeitas.  <br> <br> <br> <br>Tem gente que investiga morador de rua pra saber se ele precisa mesmo pedir esmola. Como se ficar nos semáforos esperando uma moeda de dez centavos cair de uma janela de carro fosse um divertimento, um esporte (ou um crime).&nbsp;  <br> <br> <br> <br>O que me faz lembrar o documentário <span style="font-style: italic;">Arquitetura da Destruição</span>, de Peter Cohen, um dos mais certeiros e inquietantes estudos sobre o nazismo. Artista medíocre, Hitler era apreciador da arte clássica e perseguia a beleza absoluta. Rejeitava a arte impressionista e colecionava, às custas de saques inclusive, a arte grega e romana, com sua representação figurativa do belo. Hitler queria “aperfeiçoar” o mundo e os homens. Queria expurgar as impurezas, destruir a fealdade e as doenças. Teria destruído tudo o que tivesse a mácula da imperfeição, se tivesse vencido.&nbsp;  <br>&nbsp; <br>  </div>
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		<title><![CDATA[Lençóis mais bonita]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35855</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 327px; height: 289px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/55b68fae0ad684402449cb421620022d.jpg"> <br> <br><img style="width: 387px; height: 266px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/fc823482625260dc1955d00fef4b5540.jpg"> <br> <br><img style="width: 253px; height: 338px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/f5f3c981614317073700acfe380eb14b.jpg"> <br> <br> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br>Durante dois anos, o pintor, ilustrador e grafiteiro paulista Stephan Doitschinoff, 28 anos, deixou São Paulo para viver em Lençóis, a porta de entrada da Chapada Diamantina. Tinha um objetivo: colorir a cidade com grafites, produzir um livro com o trabalho feito e ser objeto de um documentário. Fácil não foi. O Jesus que Doitschinoff pintou numa cruz no alto de um morro foi vítima de vandalismo: arrancaram um pedaço de madeira e depois caiaram a peça. Quando isso aconteceu, SD estava lá havia só três meses, mas ele não desistiu. Pintou fachadas de casas, muros, lápides, uma capela. Calma, como é conhecido, voltou no final do ano passado para SP. O livro (em inglês, da editora alemã Gestalten) será lançado no próximo dia 6 no MAM de São Paulo. O curta <span style="font-style: italic;">Temporal</span> será exibido durante o lançamento.&nbsp;&nbsp;  <br> <br> <br> <br>Calma começou pintando cenários para grandes shows de rock (de bandas como Sepultura e Black Sabbath). Seus desenhos e pinturas juntam simbolismos afro-brasileiros, religiosos, do imaginário popular do Nordeste, arte urbana, tatuagem e tudo o mais da cultura pop. Já participou de exposições coletivas no Brasil, em Nova York e em Londres. O livro <span style="font-style: italic;">Palavra Cigana</span>, da Cosac Naify, que ele ilustrou, ganhou o Prêmio Jabuti de Ilustração, 2006.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <br> <br> <br></div> <br> <br> <br> <br> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35839</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 370px; height: 247px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/d14887d56fe97ef60973a565075ea972.jpg"> <br> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="5"> <br><font size="6">Tem de tudo</font></font> <br> <br> <br> <br>Tubos de tecidos finos enfeitam, docemente, a paisagem da 306/307 Sul. A entrequadra não precisa de decoração: é&nbsp; linda desde que os comerciantes abrem as portas e expõem a intensidade das cores e a diversidade das estampas das texturas. Tecidos molinhos caem em cascata na porta das lojas, manequins impávidas vestem-se de festa nas vitrines. É a rua das sedas, dos tafetás, dos crepes, das musselines, das organzas. Rua dos shantungs, das malhas, dos tules, dos cetins, dos chiffons e das cambraias.  <br> <br> <br> <br> <br> <br>Se fosse só até aí, a Rua dos Tecidos seria linda, mas seria de uma beleza monocórdica. Mas ela é mais que isso. Ela é diversa, é um empório, um mercadinho, um tem de tudo. Uma rua curtinha, de dois lados, entremeada de estabelecimentos sofisticados e de lojinhas populares. De brechó, sorveteria de sabores exóticos e boteco de cerveja no copo americano.  <br> <br> <br> <br> <br>As entrequadras comerciais do Plano Piloto emendam surpresas uma atrás da outra, sem a plasticidade padronizada e asséptica dos shoppings, sem o cheiro forte de bom-ar de loja chique. As lojas das entrequadras, mesmo as destinadas ao consumidor letra A, são aberta para a vida comum, para o sol, a chuva, o vento, os moradores de rua, o cachorro vira-lata, o cão de pedigree e coleira, para o vendedor de fruta no carrinho, o sapateiro no beco, o chaveiro mais atrás, o restaurante cinco estrelas e o de PF, o serviço de manobrista e o do flanelinha.  <br> <br> <br> <br> <br>Doutor Lucio talvez reclamasse da razoável alteração no projeto original (no qual as lojas seriam voltadas para dentro das quadras), Niemeyer já criticou a bagunça nos painéis, letreiros e outras parafernálias do gênero. Tem muita gente que reclama dos puxadinhos — e há muitos que são mesmo um desaforo, um desrespeito ao pedestre, um crime contra a urbanidade. Mas, tirante os excessos, o alarido das entrequadras lhe dá mais charme, mais vida, mais gosto, cheiro e cor de cidade. <br> <br> <br> <br> <br>Ao todo, são 59 entrequadras nas Asas Sul e Norte, diferentes como o quê entre si, mas a maioria delas iguais na insubordinação à mesmice, à repetição, à exclusão dos botecos, padarias, barbearias e lojinhas populares. As entrequadras são o paraíso do R$ 1,99, com suas portas emolduradas com flores artificiais. São a inclusão da diferença.  <br> <br> <br> <br> <br>Nas entrequadras, Brasília tem calçada, tem esquina, tem gente entrando, gente saindo, gente esbarrando em gente. Tem briga de motorista fechado por motorista que parou em fila dupla (vamos e venhamos!). Tem fofoca de comerciante, conversa de vendedor na porta da loja, tem freguesia cativa. Nas entrequadras, Brasília nem se lembra que nasceu pra ser comportada. Ela é irrequieta, indisciplinada, desobediente, múltipla, inconstante. Inconstante até demais: de repente, um loja desaparece e mais rapidamente ainda surge outra no lugar. <br> <br> <br> <br> <br>O que não muda é a vocação de algumas delas: tem a dos Tecidos, a das Farmácias, a das Elétricas, a dos Restaurantes, a das Roupas de Festas e de Noivas; a das Cozinhas (211/212 Sul), a da Informática — nessa há um infeliz excesso de especialização, que transformou um comércio de múltiplos sons numa rua de uma nota só. Fora esse tom desafinado, nas entrequadras do Plano Piloto, Brasília é uma cidade-cidade. E ainda melhor, porque intensamente pensada.&nbsp;  <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[Estátuas violadas]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35761</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		&nbsp; <img style="width: 401px; height: 285px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/39b46ad114d947c02d606441e5e782c5.jpg">  <br>  <br>  <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">  <br>  <br>As estátuas de Niemeyer e JK, no Caminho de Niterói, foram atacadas por vândalos. Os braços da estátua do arquiteto foram serrados e a do presidente foi pichada. A prefeitura de Niterói informou que as partes cortadas já foram recuperadas e que as duas estátuas serão restauradas. Niemeyer segurava uma prancheta nas mãos, que já havia desaparecido antes desse ataque. Dois suspeitos foram presos.&nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;   <br>  </div>
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35703</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img style="width: 261px; height: 288px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/6442e2911e47bcd36491c336d28155e7.jpg"> <br> <br> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br><font size="6">Os três quizileiros</font> <br> <br><span style="font-style: italic;"> <br> <br><br style="font-weight: bold;"><span style="font-weight: bold;">Severino Francisco</span></span> <br> <br> <br> <br>Em tempos de bolha global, a ordem é economizar. Sei que algumas pessoas não precisam cortar gastos e apertar o cinto, pois não ganham em reais; faturam em surreais. Quem recebe em surreais, a moeda imaginária dos que não necessitam trabalhar para ficar milionários, ergue castelos, compra Mercedez-Bens com cascata artificial e filhote de jacaré ou tênis com farol de neblina e air bag duplo. Como ganho em reais, resolvi reparar os sapatos e os óculos. Contudo, não é fácil encontrar serviços baratos, mas com qualidade. Por isso, resolvi escrever uma crônica de utilidade pública sobre quizileiros brasilienses, em uma homenagem antecipada ao dia do trabalhador.  <br> <br> <br> <br>Quizila é um vocábulo de origem africana. O nosso pai dos orelhudos, o Aurelião, registra como sinônimos para quizila: aversão espontânea e gratuita por algo ou por alguém. Mas também consigna: briga, rixa, pendência. Na banca do Mineiro, em um centro comercial do Lago Sul, próxima ao Jardim Botânico, um folheto anuncia: quizileiro. Perguntei ao Mineiro que diabos era aquilo e ele explicou: quizileiro é o sujeito que não foge da briga, topa qualquer encrenca. E, de fato, o Mineiro ressuscitou&nbsp; três pares de sapatos que se encontravam em estado de ruína e voltaram à vida civil de maneira digna.  <br> <br> <br> <br>Já disse um amigo metido a filósofo que sou uma pessoa com os pés no chão. De Marte. E, como se sabe, Marte é um lugar de muita poeira. Por isso, os meus sapatos precisam, de vez em quando, de cuidados especiais. Se o seu também está neste estado precário, recomendo os serviços do Chico, instalado na Barbearia do Onofre, na 708 Norte. O Chico é um cearense de Sobral, que tinha um açougue em Planaltina e matava 12 vacas por semana para atender a restaurantes, hotéis e clubes do Plano Piloto.  <br> <br> <br> <br>No entanto, com chegada das grandes redes de supermercados, o açougue quebrou. Ele sobreviveu por algum tempo com uma banca de venda de sapatos, mas acabou optando pela profissão de engraxate, que desempenha com dignidade e arte. O Chico deixa os seus sapatos impecáveis, sem nenhum vestígio da poeira de Marte. Detalhe: é um engraxate ilustrado, gosta de ler bons livros: “Da próxima vez, vê se me traz algum livro do Rubem Braga ou do Machado de Assis”, pede o Chico.  <br> <br> <br> <br>Minha mulher quebrou os óculos e fomos a uma ótica providenciar o reparo: “Olha, só tem uma pessoa que conserta isso: é o Miguel Ourives, na 505 Sul,”, avisou o funcionário da ótica. Era quase que um ex-óculos. Será que tem conserto?, perguntamos: “Se não tiver, a gente faz outro”, respondeu Miguel, um paraibano que está radicado em Brasília desde 1957: “Eu sou um piotário, ganhei muito dinheiro, mas apliquei tudo ajudando os outros. Trouxe mais de 200 pessoas da Paraíba para Brasília”, conta Miguel. Em poucos minutos, numa obra de ouriversaria, o emaranhado de arame volta a ser uns óculos. Se você não ganha em surreais e precisa de um serviço de qualidade e, ao mesmo tempo, econômico,&nbsp; recomendo os bons ofícios desses três quizileiros.  <br>&nbsp; <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[Antes de Brasília, Cataguases ]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35668</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		 <br> <br><img style="width: 285px; height: 335px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/135d2e5e394559d3d8cb7d3518f7a20b.jpg"> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Igreja Matriz, de Edgar Guimarães do Valle</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">foto de Antônio L.D.de Andrade e Cecília Rodrigues dos Santos</span></font> <br> <br>&nbsp;<img style="width: 282px; height: 282px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/f859757d77a6c1e8a1dbd457bdc959ed.jpg"> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Residência Nanzita Salgado, de Francisco Bolonha</span></font> <br> <br> <br><img style="width: 283px; height: 321px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/47df7627b1cf72269d82336d82d9b3d8.jpg"> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Residência Nanzita Salgado</span></font> <br> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="3"> <br> <br>Antes da construção do maior sítio de arquitetura moderna do planeta, já existia no Brasil uma cidadezinha de 20 mil habitantes com surpreendente concentração de projetos modernistas. Localizada na Zona da Mata de Minas Gerais, Cataguases viveu um período áureo de obras de grandes arquitetos, de paisagismo e de designer. Entre os anos de 1941 e 1951, a cidade (que nasceu com o delicioso nome de Arraial de Meia Pataca) viveu o esplendor da arquitetura moderna. Casas, colégio, hotel, hospital, igreja, cinema, praça, vila operária — um conjunto arquitetônico que prenunciava Brasília. <br> <br> <br> <br> <br>A Cataguases moderna não nasceu do nada. Havia, desde os anos 20, intensa produção cultural na cidade. Nessa década, o Ciclo Cinematográfico de Cataguases lançou o cineasta Humberto Mauro, um dos pioneiros do cinema brasileiro, e na mesma década surgiu uma revista modernista, Verde, que surpreendeu os modernos do sudeste. <br> <br> <br> <br> <br>A cidade abrigava uma elite intelectual antenada com a nova arquitetura. Um dos fundadores da revista <span style="font-style: italic;">Verde</span>, o industrial e escritor Francisco Inácio Peixoto foi o responsável pela explosão moderna&nbsp; em Cataguases. No início da década de 1940, Peixoto pediu a Oscar Niemeyer projeto para sua casa.&nbsp; A obra teve paisagismo de Roberto Burle Marx, mobília de Joaquim Tenreiro e esculturas de José Pedrosa. Nos dez anos seguintes, a cidade ganhou dezenas de projetos da arquitetura moderna. Carlos Leão, Francisco Bolonha, os irmãos Roberto (que&nbsp; participaram do concurso do Plano Piloto) deixaram obras em Cataguases. Do mesmo modo, Cândido Portinari, Djanira, Bruno Gorgi,&nbsp; Paulo Werneck, Iberê Camargo, Cícero Dias, Vicente do Rego Monteiro — um time de deixar Brasília se contorcendo de inveja. <br> <br> <br> <br> <br>Como em Brasília, a feição moderna de Cataguases só foi possível graças a um projeto político. Primeiro prefeito eleito da cidade, depois da era Vargas, João Inácio Peixoto se dispõe a apoiar as ideias e iniciativas de Francisco Inácio Peixoto, seu irmão.&nbsp;  <br> <br> <br> <br>&nbsp;  <br>Não sem enfrentar muita polêmica, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)&nbsp; decide tombar uma poligonal do centro de Cataguases, aproximadamente 60 quadras, onde estão concentradas as obras modernas.  <br> <br> <br></font></div> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35654</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img style="width: 404px; height: 245px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/74584dd3de68e4f6d297559f8edb95a3.jpg">  <br><font style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;" size="2">Representação do genoma humano</font>  <br><font size="4">  <br></font><div style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="3">  <br></font></div><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;" size="3">  <p><font size="5">  <br></font></p><p><font size="5">Os olhos de Deus</font></p> <p>  <br></p><p>  <br></p><p>Era o outro o assunto programado para este pé de página de domingo, mas a  notícia da doença da ministra Dilma me pegou no contrapé. Não sou petista (já  fui, muuuiito tempo atrás), não sei se votarei nela caso venha a ser candidata a  presidente, mas a história de vida dela me impressiona. Tem fibra,&nbsp; a ministra.  Mas fibra por fibra não quer dizer nada. De que adiantam força e valentia se  usadas para o mal? No caso da ministra, tudo indica que ela tem preocupações  sociais genuínas. </p> <p>  <br></p><p>  <br></p><p>Mas não será de política o assunto desta crônica. Pretendo me aproximar até  onde der conta do imprevisto do viver. Um linfoma na provável candidata a  presidente para 2010 é uma brincadeira de mau gosto do destino. Pelas funções que exerce&nbsp; e pelo percurso de sua vida até agora, a ministra gosta de ocupar cargos  de comando. É o barato dela, seu projeto de vida. Aí vem o destino e dá um  tranco na ministra. Que seja só um susto — é o que um ser humano pode desejar de  melhor a outro, nessas circunstâncias.</p> <p>  <br></p><p>  <br></p><p>Decididamente, viver é caminhar sobre um terreno absolutamente imponderável.  Não existe nenhuma certeza que possa nos amparar nessa travessia. Estamos  sujeitos a tremores de terra imprevisíveis, por mais diligente que cada um de  nós seja na condução da própria vida. Descobrir que a Terra é redonda, que ela  não é o centro do universo, aprender a produzir o fogo, ir à Lua, decifrar o  genoma, descobrir a técnica da reprodução animal a partir de uma célula,  construir computadores capazes de conectar todos os bilhões de humanos — nada,  nada, nada nos dá um mínimo de segurança diante das reviravoltas da vida.</p> <p>  <br></p><p>  <br></p><p>No fundo, no fundo, cada um de nós desconfia do quanto tudo é muito frágil.  Melhor não chegar muito perto dessa vulnerabilidade aterrorizante.  A realidade é demasiada para o ser humano, disse T.S.Eliot no célebre poema.  </p> <p>  <br></p><p>  <br></p><p>Desconfiamos tanto de que somos uma formiguinha tentando sobreviver a uma  multidão de sapatos que ficamos inventando subterfúgios os mais sofisticados  para disfarçar o espanto diante do terrível e estupendo mistério que a vida.  Criamos mecanismos de defesa, tábuas de sobrevivência, às vezes os mais cruéis,  e nem nos damos conta disso. </p> <p>  <br></p><p>  <br></p><p>O armário fica cheio de sapatos; a garagem, de carros; o email, de amigos  virtuais; a conta bancária, de investimentos; a cabeça, cheia de projetos, tudo,  tudo pra gente dar conta da travessia inconstante e traiçoeira que é a vida.  </p> <p>  <br></p><p>  <br></p><p>Somos os únicos viventes que temos consciência disso tudo. Somos os olhos de  Deus, as testemunhas do quão esplendorosa é a Sua criação, somos os únicos que  podemos assinar o documento que comprova a existência (tal qual a conhecemos).  Somos os escolhidos para atestar que o grandioso projeto de inventar a vida deu  certo. Mas ele pode ruir a nossos pés a qualquer hora. Por isso, pise com gosto  no chão da vida. Cada instante é sagrado. </p>  </font><font size="3">  <br></font></div><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="3">  <br></font></div>  <br>  
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		<title><![CDATA[Tenreiro, o mestre da leveza]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35631</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/7b3605c04f71f3848c859d6adfbef690.jpg"> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">A Cadeira de Balanço</span></font> <br> <br><img style="width: 233px; height: 250px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/c760c6ddbc57e59ec4768d5aa68aa133.jpg"> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102); font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;" size="2">A Cadeira de Três Pés</font> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br> <br>A mobília de autor que está sendo levada a leilão por órgãos públicos federais sediados em Brasília tem assinatura de alguns dos mais importantes designers de móveis do país em atividade nos anos 40, 50 e 60.&nbsp; O móvel brasileiro respondia à maestria de Lucio Costa e Oscar Niemeyer.  <br> <br> <br> <br>Joaquim Tenreiro é um deles. Considerado o grande mestre do móvel brasileiro, Tenreiro aprendeu marcenaria com o pai, no norte de Portugual. No Brasil, ainda jovem, estudou desenho e trabalhou com carpintaria. Entre os anos 30 e 40, trabalhou em fábrias de móveis que imitavam os estilos europeus. Era moda na época, se ter em casa um Luis 15 qualquer. “Luizes de todos os números e renascimentos tarios de 400 anos”, diria ele em entrevista.&nbsp;  <br> <br> <br> <br>Enquanto isso, desenhava seus próprios projetos até que, depois de uma encomenda bem-sucedida, passou a se dedicar inteiramente às suas próprias concepções.&nbsp; Usava madeiras brasileiras e juntava leveza à sobriedade. Fez tanto sucesso que, pouco tempo depois, já comandava uma fábrica com cem artesãos. <br> <br> <br> <br> <br>É de Tenreiro a decoração do salão de banquete do Itamaraty em Brasília. Depois dessa encomenda, Terreiro passou a se dedicar exclusivamente às artes plásticas. Estava com 60 anos, cansado dos problemas com marcenaria e com o preço alto da madeira. Decidiu se dedicar à pintura e à escultura.  <br> <br> <br> <br> <br>Daí em diante, e por mais de 20 anos, Tenreiro esculpiu e pintou. Conta-se que no final da vida, quase sozinho e sem dinheiro, dedicou-se a fazer gaiolas de passarinho em Irajá, subúrbio do Rio. Morreu de câncer, em 1992.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35625</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/0d70680a3c232c4db0bd58edfb294870.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">Móveis de Sérgio Rodrigues</font> <br> <br><font size="4"> <br></font><font size="6"> <br> <br>É do Estado, é de ninguém</font> <br> <br> <br> <br>A farra das passagens aéreas é somente a ponta mais visível da montanha de escândalos que enriquece dúzia e meia e indigna a maioria. O dinheiro do Estado deságua incessantemente para os bolsos de políticos, servidores, empresas contratadas e por quem mais tenha a oportunidade de conseguir uma boquinha. <br> <br> <br> <br> <br>A farra da venda, a preços irrisórios, de mobiliário brasileiro das décadas de 1950 e 1960, denunciada em matéria de Helena Mader publicada na edição de ontem do Correio, é a farra do desinteresse pelo bem público, da ignorância de quem dele cuida e da esperteza de quem sabe o valor dos móveis. “A Câmara dos Deputados é um dos principais pontos de descarte de móveis antigos. Por causa de alguns riscos ou de rasgos em um estofado, por exemplo, muitas peças foram incluídas em lotes de leilões. Outras foram até doadas”, denuncia o arquiteto Rogério Carvalho, do Iphan/DF. <br> <br> <br> <br> <br>É do Estado — pode pegar, levar pra casa, gastar, fraudar nota fiscal, comer do bom e do melhor, gastar com telefone, gasolina. É do Estado, é de ninguém. É esse o pensamento da maioria. Estamos contaminados até a a última gota de sangue com a idéia de que temos de aproveitar o dinheiro público farto para cada um amealhar o seu enquanto tem chance.  <br> <br> <br> <br> <br>No caso dos móveis assinados por um grupo de designers brasileiros consagrados dentro e fora do país, o tesouro brasileiro é vendido em leilões a preço de banana para gente muito esperta que restaura as peças que aqui são tratadas como velharia e as repassam ao mercado internacional. A matéria da Helena mostra uma mesa de Jorge Zalszupin, que ainda pode ser encontrada em gabinetes da Câmara, oferecida por até US$ 7,7 mil.  <br> <br> <br> <br> <br>Tem sido assim desde a inauguração de Brasília. O poeta Ferreira Gullar tem uma história exemplar nesse sentido: no começo dos anos 60, ele veio dirigir a então Fundação Cultural do Distrito Federal. Planejou um grande museu do artesanato brasileiro e despachou emissários para o interior do país. Farto mostruário da produção dos melhores artesãos brasileiros veio para Brasília, mas mesmo antes de se inaugurar o museu (o que nunca aconteceu), muita gente ficou de olho nas peças. Alguém viu alguma dessas peças por aí? Desapareceram. <br> <br> <br> <br> <br>“O descarte de móveis brasileiros de qualidade virou uma indústria lucrativa”, diz Carvalho. E quem se aproveita do descarte é gente que conhece designer, sabe da história do mobiliário brasileiro dos anos 50 e 60, está atento ao interesse cada vez maior desses relíquias fora do Brasil.  <br> <br> <br> <br> <br>É só descer ao depósito de móveis estragados de cada órgão público federal à espera do próximo leilão. Haverá de chorar quem sabe o valor histórico, cultural e artístico das peças e tem respeito pelo patrimônio público. O ouro brasileiro continua a escorrer para fora do país, agora como&nbsp; sempre neste país.&nbsp;  <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[Gersion das cores do Paranoá]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35602</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/c100fae1ef9c6cb2f667de69b0a41cbb.jpg"> <br><div style="text-align: justify; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"><span style="font-style: italic;">Tarado no cerrado</span>, 2005</span> <br></font></div> <br> <br><font size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-style: italic;"></span></span></font><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br>O artista naif Gersion de Castro lança daqui a pouco, na Casa Thomas Jefferson, da 706/906 Sul, o catálogo Paranoá em quadros e versos, um outro olhar sobre Brasília. Gersion juntou reproduções de seus quadros com textos que contam o que era a vida no Paranoá antes de ele ser fixado e urbanizado. "O Paranoá vive dentro de mim", ele diz. Brasiliense de nascimento, Gersion gostava de desenhar desde menino. Um dia, adolescente, viu o artista Milton Ramos chegar na vila, tirar do carro as telas, as tintas, o cavalete e começar a transportar para o quadro as cores pungentes do acampamento. Gersion nunca tinha visto uma bisnaga e nem imaginava que as cores pudessem ser tão fortes e nem que pudessem ser criadas. Desde então, Gersion coleciona prêmios pelo país. &nbsp; &nbsp; &nbsp;  <br></div> <br> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35587</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/691dfc962c8287f63a3c16e66ee177da.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">José Wilker e Beth Faria em <span style="font-style: italic;">Bye, Bye, Brazil</span></font> <br> <br><font size="4"> <br></font><font size="5"> <br>Na boléia, sobre o mar</font> <br> <br> <br> <br>Quando eu tinha 20 e poucos anos (eu já tive 20 e poucos anos!) peguei carona de caminhão, de Goiânia até Belém do Pará, a cidade onde por pouco não nasci. No começo dos anos 80, a aventura era possível sem riscos extremos. E fui uma hippie previdente — procurei uma empresa transportadora, me informei sobre os motoristas que faziam o percurso e acertei com um deles. Expliquei que era universitária, que queria voltar à minha terra e não tinha dinheiro para a passagem. A voz goiana do motorista me tranquilizou. <br> <br> <br> <br> <br>Já havia percorrido a Belém-Brasília de carro e de ônibus, várias vezes. Tinha quase de memória a sequência das cidades mais importantes do norte goiano — Anápolis, Jaraguá, Ceres, Uruaçu, Porangatu, Araguaína, Colinas, Guaraí, Miranorte, Paraíso do Norte, Gurupi (claro que agora pedi ajuda ao Google). Mas de caminhão era como sobrevoar o mar.  <br> <br> <br> <br>Não me lembro da marca nem do modelo do caminhão, mas era grande o suficiente para eu me sentir um astronauta de primeira viagem. Vista metro e meio acima do chão, a Belém-Brasília era um oceano em linha reta, nunca mais acabava. Cada cidade era uma ilha oceânica. Eu descia do caminhão com o orgulho com que um comandante desce de seu Boeing 717. Era preciso dar um salto rumo ao chão, como fazem os astronautas. <br> <br> <br> <br> <br>Naquele tempo, não eram bem cidades o que havia às margens da Belém-Brasília, Eram currutelas empoeiradas, meia dúzia de casebres de um lado, meia dúzia de outro, uma bodega na parada de ônibus que eles chamavam de rodoviária e o trio Waldick Soriano/Evaldo Braga/Claudia Barroso se revezando na aparelhagem de som.  <br> <br> <br> <br> <br>O Brasil da beira da estrada, rumo ao norte, usava chapéu de abas largas, não raramente coldre à mostra na cintura, e os brasileirinhos tinham a barriga estufada como um balão. Era a esquitossomose que infestava as crianças por falta de saneamento básico e água tratada. O Brasil da Belém-Brasília tinha dente de ouro — quando ainda tinha dente.  <br> <br> <br> <br> <br>Nenhuma novidade para quem havia crescido indo e vindo por essa estrada que atravessava todo o mundo que eu conhecia. Era o balanço da poltrona do caminhão, a paisagem escancarada no pára-brisa do tamanho de uma tela de cinema, e a sensação de estar sobrevoando a estrada, a paisagem, as pessoas, os carros, as carroças, os burros. O barulho rouco e potente do motor do caminhão anunciava que dele desceriam pessoas muito importantes: o caminhoneiro e a caroneira, o goiano recém-saído da roça e a amazonense meio louquinha, aos olhos dele. <br> <br> <br> <br> <br>(Pra matar a fatal curiosidade: no começo ele achou que a carona seria completa, mas depois que eu expliquei que não era bem assim, ele ainda tentou mais um pouquinho, mas na segunda parada já tinha aceitado bem os limites territoriais da carona. Doce Valmir. — Você tem sorte de ter sido eu, se fosse outro, você teria passado maus momentos, ele me disse na despedida).  <br> <br> <br> <br> <br>Durante algum tempo, depois daquela viagem, eu pensava — nos momentos de raiva do chefe, da profissão, da cidade, do país, do mundo — em virar caminhoneira. Acho que teria sido bem feliz na boléia de um caminhão.  <br>&nbsp;  </div>
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		<title><![CDATA[Juscelino na Time]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35582</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/06e8743c3d1907415bf215b3c7f07384.jpg"> <br> <br> <br> <br><div style="text-align: justify;"><font size="5"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"></span></font><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">Em&nbsp; 13 de fevereiro de 1956, um mês e pouco depois da posse na Presidência da República, a revista <span style="font-style: italic;">Time </span>dedica a capa a Juscelino Kubitschek. A ilustração ao fundo apresenta um Brasil urbano e selvagem, de grandes cidades e imensas florestas. E se movimentando para fora, emergindo na direção do desenvolvimento. A longa matéria conta a história da vida de Juscelino, fala do contexto em que ele foi eleito, de Getúlio, e de seus projetos de industrialização, construção de rodovias e atração do capital estrangeiro. Nenhuma palavra sobre Brasília. </span><a style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102); font-weight: bold;" href="http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,893381,00.html">Clique aqui</a><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> para ler a matéria.&nbsp; &nbsp; &nbsp;</span> &nbsp;   </div>
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35383</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/f140e23e5251f0efb6cd40ec164c1d8b.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">Os Melhores do Mundo na faixa de pedestre</font> <br> <br><font size="5"> <br></font> <br><font size="5">O menino e a cidade </font> <br> <br> <br> <br>Na vinda pra redação, parei na faixa de pedestre para um rapaz de uns 25 anos que atravessava a pista trazendo pela mão um garotinho de não mais de 4. O garoto de cabelos cor de folha seca, chinelo de dedo com tira no calcanhar, fez a travessia com o braço direito estendido. Ao fim do percurso no asfalto, com os dois pés já sobre a calçada, o menino-pedestre deu tchau para a motorista e abriu um lindo sorriso. <br> <br> <br> <br> <br>Me senti parte da vida daquele garotinho e o senti parte da minha. Naquele instante, éramos dois brasilienses dando sentido à mesma linguagem: em Brasília, pedestre pede passagem e motorista para na faixa.  <br> <br> <br> <br> <br>Uma cidade, seja ela Brasília, Barcelona, Bombaim, Hum, Jericó ou Aroeiras do Itaim, tenha sido planejada ou não, seja ela um das maiores do planeta ou uma das menores, milenar ou recente, uma cidade é o sentido que damos a ela ao longo das sucessivas estações. Uma cidade é a tradução mais adensada do que viria a ser a humanidade. Digo “viria a ser” pensando em Milton Santos, o geógrafo que desde a década de 1990 criticava o projeto de globalização em benefício de poucos. O professor Milton, morto em 2001, dizia que os humanos ainda caminhávamos para experimentar o sentimento de humanidade. <br> <br> <br> <br> <br>O garotinho que atravessou a pista já aprendeu o que é ser brasiliense e o que é caminhar pra uma condição de desejada humanidade. Já sabe que tem direitos como pedestre, mas que também tem deveres: o de esticar o bracinho para que o motorista saiba que ele quer atravessar a via. Já aprendeu, na cartilha da cidadania brasiliense, o bê-á-bá do que é viver coletivamente. <br> <br> <br> <br> <br>Não tenho tanta crença quanto tinha o extraordinário Milton Santos de que estejamos a caminho da humanidade ( o professor acreditava que a expansão vertiginosa da tecnologia permitirá aos povos excluídos amplificar suas demandas e, então, ser ouvidos pelos que comandam o mundo). E o fato de ser cidadã de Brasília me tornou mais descrente ainda: vivemos encostados no pior dos mundos, o do uso farto do dinheiro público em benefício próprio, entre outras tantas desumanidades que esta cidade abriga.  <br> <br> <br> <br> <br>Mas quando um garoto do tamanho do meu braço atravessa a faixa e me dá tchauzinho, fico pensando que Brasília não começa nem termina nos gabinetes. Que tem muita vida vindo pelaí, contínua renovação de espíritos, que o mundo já mudou pra melhor muitas vezes, e que quando a gente menos esperar quem aprendeu a ser cidadão desde bebê pode nos ensinar novos passos a caminho da humanidade.  <br> <br> <br> <br> <br>Viver tão próximo das grandes falcatruas nacionais pode nos ensinar muito sobre a Brasília que não queremos. Aqui, não há meio tom. Somos a cidade com maior qualidade de vida e com maior desigualdade social — somos extremos, somos o contraste brasileiro. <br> <br> <br> <br> <br>Mas quem nasce aqui tem o gene da democracia, da coragem, da vontade de melhorar o mundo, o gene da cidadania que se aprende desde menino. Mais dia, menos dia, algo haverá de surgir dessa valiosa herança.&nbsp;  <br> <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[A menor do mundo]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35363</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		 <br> <br><img style="width: 361px; height: 272px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/2037862cc32d5f7510516c3a56426956.jpg"><img style="width: 361px; height: 278px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/a755662a4c67bfa1e9960b06159be408.jpg"> <br><img style="width: 363px; height: 272px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/6571346d4261e3059ff70ddc671a95c3.jpg"> <br> <br> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br>Tem 23 habitantes, a menor cidade do mundo.&nbsp; O nome é apropriado ao tamanho, Hum. Fica no coração da Ístria, na Croácia. A Ístria é uma península, a maior do mar Adriático, cheia de praias de nudismos. A maior parte do território da península território pertence à Croácia, um pequeno pedaço, à Eslovênia e um menor ainda, à Itália. A cidade de Hum se resume a um castelo medieval. Cercada por murros, toda ela feita de pedra, Hum não tem para onde crescer.&nbsp; Resume-se a três ruas paralelas que partem da entrada do castelo. A cidade conserva até hoje características medievais. Quem a visita lê, logo que chega, uma placa informando que é a menor cidade do mundo, de acordo com o <span style="font-style: italic;">Guiness Book</span>.&nbsp;&nbsp;  <br></div> <br> <br> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35321</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/64783ab7ebe5c0bddf5e9733cd375798.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">Dostoiévski</font> <br> <br><font size="5"> <br> <br>Os demônios <br> <br></font> <br><span style="font-style: italic;">Severino Francisco</span> <br> <br> <br> <br> <br>A todo momento somos assolados por notícias de crimes que parecem desafiar a nossa inteligência e a nossa capacidade de explicação. Na semana atrasada, o caderno <span style="font-style: italic;">Cidades</span> publicou matérias estarrecedoras sobre um garoto de 13 anos que atirou em outro adolescente dentro de uma igreja evangélica e de um homem que matou o outro também em um templo em razão de ciúmes de uma ex-namorada. Não há mais nenhum território sagrado.  <br> <br> <br> <br> <br>Claro que existem muitas explicações sociológicas, psicológicas, psicanalíticas e filosóficas. Mas, de minha parte, sempre busco uma luz na obra do escritor russo Fiódor Dostoiévski. Sou um leitor de Dostoiévski desde os 16 anos. Morava em São Paulo e os meus amigos da rua se divertiam com a suposta brincadeira de pegar os gatos pelo couro e atirá-los nas paredes dos muros. Certo dia, me revoltei e chamei a todos de imbecis, provocando uma explosão de gargalhadas e deboches.  <br> <br> <br> <br> <br>Fiquei me achando o último dos homens, como diria o Nietzsche. Mas a sensação de ser um extraterráqueo com um olho no meio da testa se desfez ao ler o romance <span style="font-style: italic;">Crime e castigo,</span> de Dostoiévski. A certa altura, uma criança testemunha a cena do espancamento de um cavalo e se abraça ao animal ensangüentado, impedindo a sessão de chicotes, aplaudida pela platéia de rua.  <br> <br> <br> <br> <br>Com o seu espírito visionário, Dostoiévski já antecipava, no século 19, a crise moral que viveríamos nos séculos 20 e atual: “Se Deus não existe, então tudo é permitido”, dizia o personagem Ivan, de <span style="font-style: italic;">Os irmãos Karamazóvi</span>, enunciando uma fórmula para a nossa crise moral,  <br> <br> <br> <br> <br>Sempre tive muita curiosidade de ler Os demônios, uma ficção de quase 700 páginas. Imaginava que se tratava de um fenômeno de possessão espiritual que interferisse na ação dos personagens. Mas, na verdade, Dostoievski realiza uma crítica incisiva à crise de valores do mundo ocidental. É possível vivermos sem valores morais, movidos apenas pelos nossos desejos, prazeres ou ideais?  <br>Dostoiévski era fascinado pelos casos criminais. Ele ficava impressionado pelo fato de que, na língua russa, criminoso e infeliz fossem quase que sinônimos. Os personagens de Os demônios cometem crimes estarrecedores. Mas ao contrário do que sugere o título eles não realizam nenhum pacto com o diabo ou qualquer outro tipo de transação com o sobrenatural. Na verdade, o que os torna demônios é o fato de serem niilistas, de não acreditarem em nenhum valor moral, de agirem animados pela idéia de que a sua liberdade está acima de tudo.  <br> <br> <br> <br> <br>É claro que existem graves problemas sociais envolvendo os crimes estarrecedores. Mas há também uma dimensão moral. Sem valores firmes inculcados na consciência e transformados quase que em um instinto nós nos transformamos em demônios, para além do bem e do mal. <br> <br> <br> <br> <br>Mesmo dominados por valores egoístas, os personagens de <span style="font-style: italic;">Os demônios</span> têm vislumbres de alguma dimensão divina: “Há momentos”, diz o personagem Kirilov, “— duram cinco ou seis segundos — em que a gente sente de súbito a presença da harmonia eterna:isso quer dizer que a atingimos (...) É uma alegria tão grande. Se durasse mais de cinco segundos a alma não a suportaria e teria de desaparecer”. <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[De São Paulo para Brasília ]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35320</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		 <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="3"> <br> <br>Do<font size="6"> <font size="3"><span style="font-weight: bold;">Estado de S. Paulo</span>,</font></font> <br> <br> <br> <br> <br>(Esta ideia bem poderia servir de exemplo para Brasília, a cidade moderna cercada por feiosos, desajeitados e mal-cuidados setores de indústria, abastecimento, armazenagem e de oficinas. Aí vai:) <br> <br> <br> <br> <br>Um dos mais consagrados escritórios de arquitetura do mundo, o Foster + Partners, liderado pelo arquiteto inglês Norman Foster, prepara, em parceria com empresários de São Paulo, um plano de revitalização para uma área industrial degradada de São Paulo, entre a Mooca e o Ipiranga. São 150 indústrias e armazéns em 1,5 milhão de metros quadrados. <br> <br> <br> <br> <br>O urbanista Brandon Haw, sócio sênio do escritório, esteve em São Paulo quatro vezes para estudar a região e conversar com autoridades municipais. “O futuro de nossas cidades vai depender da habilidade de conseguirmos regenerar regiões centrais como essas e criarmos comunidades sustentáveis socialmente, economicamente e ambientalmente”, disse o arquiteto ao jornal <span style="font-weight: bold;">O</span> <span style="font-weight: bold;">Estado de S. Paulo</span>. <br> <br> <br> <br> <br>O escritório britânico acredita que dá para conciliar os interesses das cidades e o lucro das incorporadoras: “Ainda não existem no Brasil boas experiências de revitalização em regiões degradadas. Nomes internacionais de peso podem trazer ganhos para a cidade e para todos os envolvidos, inclusive os empreendedores”, afirma ao <span style="font-weight: bold;">Estado</span> o engenheiro Bernd Rieger, diretor-executivo da Rieger Reurbanização, que coordena o projeto em parceria com o escritório de Foster. <br> <br> <br> <br> <br>A fórmula é simples: os arquitetos abrem espaço para novos prédios para escritórios, residências, bares, hotéis e shopping center. E em contrapartida, os incorporadores constroem parque, infraestrutura, prédios públicos (escolas, equipamentos de saúde).  <br> <br> <br> <br> <br>O projeto liderado por Norman Foster prevê a reciclagem do entulho da demolição das casas: com eles, seriam construídas rampas de 20 metros de altura, paralelas às linhas de trem, que permitiriam acesso de um lado a outro por ruas que passariam por cima dos vagões.&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <br> <br></font></div> <br>
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		<title><![CDATA[Capela da cor do céu]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35196</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/e9d0a8a8fc230852b77d325270162255.jpg"> <br> <br> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="6"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"></span></font> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">Faz tempo que namoro essa capela cor do céu. Nunca consegui encontrá-la aberta, mas ontem tive a sorte de encontrar aberto&nbsp; o portão da Associação Casa do Maranhão, na 914 Sul, onde ela fica, e pude fotografá-la. Dedicada a São José de Ribamar, padroeiro dos maranhenses, a capela é uma réplica do santuário de São Luís do Maranhão. A graciosa igrejinha correu o risco de ser demolida porque o padre da Paróquia Santo Cura d’Ars pretendia fechar a Casa do Maranhão e derrubar a igreja, segundo o jornal <span style="font-style: italic;">O Estado</span> <span style="font-style: italic;">do Maranhão</span>. Até que, no final do ano passado, a Justiça negou o pedido do padre. O pároco alegava o barulho das festas da Associação, ao som do cacuria, do bumba-meu-boi, do tambor de crioula e do reggae. A capelinha fica meio escondida, aos fundos das 914. Mas que prestar atenção vai vê-la de longe, azulzinha, parecendo capela de casa de boneca.&nbsp; &nbsp; &nbsp;  <br>  </div>
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35180</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/81ecafba56902c9ec0b1ba8d35eefe17.jpg"> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br> <br><font size="6">Antes do abismo</font> <br> <br> <br> <br>A vida ainda era pura promessa para o adolescente de 17 anos quando o dia 15 de abril de 1972 chegou com o propósito de destruir seus sonhos. De férias em casa de parentes no interior do Ceará, Carlinhos Alcantara mergulhou num rio e numa tragédia. Saiu da água tetraplégico. Bem podia ter entregue a vida ao lamento, à amargura, à mendicância, mas havia uma máquina fotográfica antes do abismo. <br> <br> <br> <br> <br>Um ano antes, Carlinhos havia sido presenteado com uma máquina fotográfica de plástico — Flika era o nome dela. Desde então, o adolescente começou a fazer retratos da vida, dos irmãos, de cachorro de rua, de avião. “Eu ficava sempre com a máquina na mão, nada escapava ao s meus olhos”. Paixão em estado bruto. <br> <br> <br> <br> <br>A tragédia tirou os movimentos de Carlinhos e, por algum tempo, o prazer de viver. Mas logo ele descobriu a fonte de sua nova vida: “…após o desânimo inicial, comecei com as massagens e alguns exercícios, sempre pensando muito em minhas fotos e meus amigos”.  <br> <br> <br> <br> <br>Algum tempo depois, foi transferido para o Sarah — “e minha vida mudou”. Todos os dias, o jovem paciente se extasiava com uma invasão à sua enfermaria. Eram médicos equipados com máquinas fotográficas de última geração — possantes Canon, Minolta e Pentax. “Eu nunca tinha visto e m minha vida tanta sofisticação em câmaras fotográficas”. Eram cirurgiões documentando o antes e o depois da cirurgia.  <br> <br> <br> <br> <br> <br>Logo, Carlinhos fez amizade com o fotógrafo do hospital e mais um pouco estava acompanhando o trabalho dele no laboratório — sempre deitado. Até que um dia um novo paciente lhe trouxe mais ânimo. Era um fotógrafo do jornal Zero Hora, Roni Paganella. Estava paraplégico, o que não o impedia de fotografar. “Aí pensei: se ele pode fazer fotos sentado, por que eu também não posso?” <br> <br> <br> <br> <br>Ficaram amigos. Quando pode se sentar em cadeira de rodas, começou a fazer fotos com uma Kodak argentina. Fotografava colegas da enfermaria, os jardins do hospital, tudo o que seu olho podia alcançar dentro do hospital. Dois anos mais tarde, suficientemente reestabelecido, Carlinhos Alcantara sabia o que iria fazer da vida. <br> <br> <br> <br> <br> <br>Continuou a fotografar a gente miúda que vivia ao seu redor. Com seu talento para realçar o que a realidade tem de inesperadamente belo, Carlinhos construiu acervo fotográfico da melhor qualidade. Mesmo rodeado de pobreza, não há nas fotos dele a intenção da denúncia plástica.  <br> <br> <br> <br> <br>Carlinhos procura a beleza dos personagens da vida anônima que cruzam nossos caminhos todos os dias. O fotógrafo na cadeira de rodas vê vida na pele ressequida e enrugada dos velhinhos, no corpo arredondado da moça, na lavadeira e seus três bebês brincando na terra, numa velha cadeira de metal contra o sol, na trama de madeira da casa que espera o adobe. Antes de ser pobreza, é vida.  <br> <br> <br> <br> <br>Carlinhos fotografou até a morte, aos 49 anos, em 2004. Pude conhecer a história dele no livro Na palma da mão, lançado em Fortaleza em 2007 e que chegou a Brasília no final do ano passado.&nbsp;  <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=35102</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/69143bc1c3a4f22a9bf011d956979e5f.jpg"> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">Este relógio, com a efígie de JK, e a data de 1960,  <br>está à venda no mercadolivre.com Não há indicação de preço </font> <br> <br><font size="4">&nbsp;</font> <br><font size="5"> <br>História à venda </font> <br> <br> <br> <br>Vende-se por R$ 3,8 milhões precioso acervo histórico da construção de Brasília. Vende-se e não é de hoje. Os herdeiros do fotógrafo e colecionador Gabriel Gondim tenta, há pelo menos uma década, passar a coleção adiante em troca de uma pequena fortuna. <br> <br> <br> <br>O colecionador Gabriel Gondim levava a extremos a sua obsessão — guardou duas das alças do caixão e velas tiradas do mausoléu de Juscelino no dia do enterro. Arquivou em casa documentos públicos, como os mapas e plantas originais das fazendas desapropriadas no território que hoje é o Distrito Federal e plantas aerofotogramétricas feitas em 1958.  <br> <br> <br> <br> <br>Há pelo menos duas décadas a cidade está impedida de conhecer rastros arqueológicos de sua história, porque o acervo é particular e a família Gondim insiste em vendê-lo e ninguém insiste em comprá-lo, seja uma instituição pública ou privada. <br> <br> <br> <br> <br>O que a família Gondim guarda em casa é de deixar o Museu Vivo da Memória Candanga, o Arquivo Público, o Instituto Histórico e Geográfico, o Museu da Cidade, todos envergonhados e indignados. Envergonhados porque nenhuma guardião oficial da memória da cidade teve o cuidado que Gondim teve (retirados os excessos como as alças do caixão) de fazer o que ele fez: preservar a história no calor dela mesma. E indignados por saber que 33.500 documentos sobre a construção da cidade não podem ser conservados, pesquisados, admirados, porque são propriedade particular.  <br> <br> <br> <br> <br>Cearense de Fortaleza, Gabriel Gondim veio para Brasília em 1959 e desde então foi contaminado pelo vírus da paixão pela cidade. Fotografava, vasculhava sebos no Rio, comprava selos, cartões, objetos tudo quanto tinha a ver com a história da construção. Gravava entrevistas, juntava souvenirs da época. <br> <br> <br> <br> <br>Em depoimento ao Arquivo Público, em 1990, Gondim confessou que queria vender o acervo — de quase 60 mil peças, nas contas dele. “Eu gostaria de passar esse arquivo para uma companhia, um banco ou vários bancos comprarem e doarem ao governo pra fazer um museu sobre Brasília”. Não chegou a falar em preço. <br> <br> <br> <br> <br>Desde depois de sua morte, em 1994, os herdeiros tentam negociar o acervo. Em 1999, o avaliaram em R$ 800 mil. Ofereceram-no, segundo reportagem publicada no Correio em 6 de junho de 1999, às prestigiadas Sotheby’s e Christie’s, casas internacionais de leilão. Em vão. <br> <br> <br> <br> <br>Em e-mail assinado pela viúva e pelos quatro filhos, os herdeiros de Gondim afirmam que o preço estipulado é bem inferior ao que eles acreditam que o acervo vale: “Apesar do valor histórico, monetário e sentimental para a nossa família, reconhecemos que, apesar de justo, se avaliarmos todo o acervo, chegaríamos a um valor muito alto (…). E declaram: “Porém, como nosso maior interesse é preservar a memória da nossa cidade e daquele que mais lutou para que isso acontecesse, resolvemos em comum acordo (com a família), oferecer o acervo completo para aquisição pelo Governo do Distrito Federal, pelo valor de R$ 3.800.000,00 líquidos, livres de impostos”.  <br> <br> <br> <br>É esse o preço. <br> <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[Sagrada e profana]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=34935</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img style="width: 293px; height: 293px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/908182abe1f7e1a255a42aacb0a46cf5.jpg">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <img style="width: 294px; height: 294px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/517fafbdc0a665af955df3570fcc7db2.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="2">Capela de Urubo, Bolívia</font> <br> <br> <br></div><p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="3"> <br></font></p><p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="3"> <br></font></p><p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="3">Bonita, bonita ela não é, mas é funcional, leva em conta  o movimento do sol nas estações do ano e foi feita pela comunidade rural de  Urubo, na Bolívia. O autor do projeto é o americano Jae Cha. O projeto tem dois  tipos de material de construção: madeira trabalhada pela comunidade e painéis de  policarbonato translúcido trazidos de fora. São eles que compõem o duplo  invólucro circular. Um corredor perimetral protege a igreja do calor e do frio.  As atividades coletivas são realizadas no vão interno. O arquiteto levou em  conta as atividades dos moradores da região. A igreja tem para eles funções  sacras e profanas. Daí ela ser pouco cerimoniosa. Pelo exemplo de combinação  entre arquiteto e comunidade, o projeto mereceu prêmio da <span style="font-style: italic;">Architectural Review</span> e  <span style="font-style: italic;">d linha internacional</span>, fabricante de aço inoxidável para arquitetura, em  2001.<span style="">&nbsp; </span></font></p><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br> <br></div> <br> <br>&nbsp;  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=34914</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		 <br> <br><img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/97df465dee48a5c8e849ffc0a15d30b2.jpg"> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Capela em Sumvitg</span></font><font style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" size="2">, Suíça</font> <br>&nbsp; <br><img style="width: 418px; height: 314px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/41b0c0a2d803c4bef284976f350c97a5.jpg">  <br><font style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" size="2">Termas em Vals, Suíça</font> <br> <br><font size="4"> <br></font><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br><font size="5">Pequenas e gigantes</font> <br> <br> <br> <br>Quem vive no quadradinho é de algum modo filho, primo, sobrinho, parente, agregado ou simpatizante da arquitetura. As formas concretas que separam o azul do vermelho, o céu da terra, nos ensinam lições da arte de construir abrigo. Nenhuma outra cidade brasileira é tão arquitetônica e urbanística quanto Brasília.  <br> <br> <br> <br> <br>Filha das palafitas de Manaus e Belém, de uma arquitetura de sobrevivência, que se põe de pé contra a força das águas, sobrevoa os igarapés, teme as inundações e as doenças, e brinca de canoa dentro de casa, aprendi aos poucos a gostar do concreto armado. Ele é o avesso de toda a arquitetura que abrigou minha infância. Não mais a instabilidade malemolente das águas. Em seu lugar, a sólida estrutura do concreto.  <br> <br> <br> <br>Muito eu tinha a perder quando deixei as palafitas amazônicas, toda ela cheia de sentidos. Brasília seria o meu exílio? Onde guardar o som das tábuas rangendo, o balanço das águas subindo, o cheiro mutante dos dias e das noites, o barulho carnavalesco das chuvas de fim de tarde, o mormaço que nos punha acima do chão, como se vivêssemos eternamente embalados por uma nuvem úmida e quente? Em que gaveta caberiam todos os sentidos que sustentaram minhas pernas-palafitas depois que cheguei ao mundo de concreto armado?  <br> <br> <br> <br>Era preciso partir do grau zero, como um astronauta que desce no chão arenoso da Lua. Nada do que meus olhos haviam aprendido tinha serventia na nova arquitetura. Era preciso se calar para poder ouvi-la — duro aprendizado, o de escutar o estranhamento. Mas o exílio, mestre da solidão, acabou me forçando a querer conhecer os homens que inventaram essa arquitetura tão em busca da beleza, tão plástica, tão tecnológica, tão calculada.  <br> <br> <br> <br>Quando dei por mim estava admirando a arquitetura como admirava a vitória-régia, com espanto de quem tenta entender como isso flutua sobre as águas, como aquilo fica de pé sobre a terra. Desde então me pego sentindo uma fisgada no estômago diante de uma obra de arquitetura. Não qualquer uma, muito possivelmente nem mesmo as que são objeto da admiração dos críticos da área. As que me encantam. <br> <br> <br> <br>Comecei a escrever esse pé de página querendo contar para quem eventualmente ainda não sabe que o arquiteto suíço Peter Zumthor ganhou o prêmio Pritzker deste ano, o mais importante da arquitetura do planeta. (Oscar Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha receberam a mesma honraria). <br> <br> <br> <br>Zumthor é um homem recatado. Aos 65 anos, vive numa vila com menos de mil habitantes nos Alpes suíços. Não gosta de entrevistas, aceita poucas encomenda, repudia a sociedade do espetáculo e do consumo, vive radicalmente suas escolhas. Em um comunicado oficial, disse: “Em uma sociedade que celebra o não essencial, a arquitetura pode colocar-se como resistência”.  <br> <br> <br> <br>Ainda sou feita de palafitas, a arquitetura dos pequenos, mas a arquitetura dos gigantes entrou na minha vida definitivamente.&nbsp;  <br>&nbsp; <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[Da Folha Online ]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=34871</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/bc06207476cde6a86133b9b3bf6f7e36.jpg"> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="3">Capela rural em Wachendorf, Alemanha, projeto de Peter Zumthor <br> <br></font><title>Mensagem</title></div><font style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" size="3"> <h1><font size="5">Arquiteto suíço ganha o Pritzker</font><!--/TITULO--> </h1><!--noindex--><!--PRINT:EXCLUDE--><!--PUBLICIDADE--> script language="javascript" type="text/javascript"><!-- folha_ads_show( "online.ilustrada" , "180x150" , "1" ) ; //--></script>  script language="javascript1.1" src="http://bn.uol.com.br/js.ng/site=folha&amp;chan=online.ilustrada&amp;size=180x150&amp;page=7&amp;expble=1&amp;conntype=0&amp;tile=1115431377007396?" type="text/javascript"></script>  </font><font style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" size="3"><div class="ad1"><span class="687041219-13042009"> <br> <br></span><!-- Sniffer Code for Flash version=70 --></div><!--/PUBLICIDADE--><!--/PRINT:EXCLUDE--><!--/noindex--><!--/--><!--TEXTO--><p>Depois de dois anos seguidos premiando "estrelas" da  arquitetura --Richard Rogers, em 2007, e Jean Nouvel, no ano passado--, o júri  do Pritzker 2009 reservou a um ex-marceneiro, que vive recluso em uma vila nos  Alpes suíços, o prêmio máximo da área. </p> <p> <br></p><p> <br></p><p>Peter Zumthor, 65, é o detentor da honraria, que equivale a  um Nobel da arquitetura, em sua 31ª edição. O prêmio, de US$ 100 mil (cerca de  R$ 217 mil) e uma medalha de bronze, será dado em cerimônia que vai acontecer  pela primeira vez na América do Sul --em Buenos Aires, em 29 de maio. O anúncio  do prêmio foi feito ontem.  <br></p><p> <br></p><p>Pouco afeito a entrevistas, conhecido por recusar diversos projetos e morador de uma vila com menos de mil habitantes (Haldenstein), Zumthor era um dos nomes sempre citados nos bastidores do meio como possível premiado.  <br></p><p> <font><font style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" size="3"> <br></font></font></p><p><font><font style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" size="3">Na nota oficial da fundação Hyatt, que organiza o Pritzker,  Zumthor é considerado um profissional "excepcionalmente determinado", que  "combina clareza e rigor por meio de uma verdadeira dimensão poética".  </font></font><font style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" size="3"><p> <br></p><p>Os brasileiros Oscar Niemeyer, 101, e Paulo Mendes da Rocha,  80, venceram as edições de 1988 e 2006 do Pritzker. </p></font> </p></font> <font style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);" size="3"> <table style="width: 2px; height: 73px;" class="fe175"> <tbody> <tr> <td class="fo1c"> <br></td></tr> <tr> <td> <br> <br></td></tr> <tr> <td class="fo1l"> <br></td></tr></tbody></table>  <p> <br></p></font> <br>  
		]]>
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		<title><![CDATA[Bilac e Brasília ]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=34867</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/aafa7a61724fc7243b856a24f1840551.jpg"> <br> <br> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="5"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"></span></font> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-style: italic;">Olavo Bilac publicou crônica, em 1905, defendendo a ocupação do interior do Brasil e Juscelino aproveitou a deixa para incluir o texto do poeta na <span style="font-weight: bold;">Coleção Brasília</span>, série de documentos históricos sobre a&nbsp; mudança da capital publicados pela Presidência da República em 1960. Segue a crônica:&nbsp;  <br></div> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="5"> <br> <br>Registro</font> <br> <br> <br> <br>Olavo Bilac <br> <br> <br><font size="2">(publicado em<span style="font-style: italic;"> A Notícia</span>, 1º de dezembro de 1905)</font> <br> <br> <br> <br>Dizem os jornais que em Guaratiba apareceu há dias uma onça. <br>Uma onça em Guaratiba, ali adiante na encosta da serra do Bangu, em pleno território da civilizada capital da República! Não acham que é um assunto merecedor de registro e comentário? <br> <br> <br> <br>Este caso é uma espécie de memento, dirigido à nossa filáucia. Chegando até o seio da nossa civilização, esse imprudente felino, que pagou com a vida a sua imprudência, veio lembrar-nos o que é o Brasil ainda hoje, ao expirar do ano da graça de 1905: um território imenso e despovoado, cheio ainda de florestas virgens. <br> <br> <br> <br>É essa uma coisa de que nunca nos lembramos... Embebidos na contemplação da nossa vida social, muito contentes com a nossa luz elétrica, com as nossas avenidas, com os nossos teatros, com o nosso parlamento, com as nossas academias, muito satisfeitos com o povoamento e o progresso desta faixa do litoral do Brasil, achamos que todo o Brasil é isto, e vivemos, numa doce ilusão, acreditando que a nossa pátria já é um país, uma nação. <br> <br> <br> <br>E eis que, de repente, uma onça aparece bem perto de nós, como a dizer-nos: <br> <br> <br> <br>“Sabem vocês quem eu sou? Eu sou a vida selvagem, eu sou a natureza bruta, eu sou a mata virgem, eu sou a era primitiva! <br>Não nasci e não vivo em Goiás, ou em Mato Grosso, ou no Amazonas: nasci e vivo aqui, pertinho de vocês, da sua luz elétrica, das suas avenidas, da sua civilização. Isto quer dizer, meus amigos, que a mata virgem não está somente lá dentro, no âmago dos apartados sertões: não! a mata virgem está aqui, no litoral, no seio da capital da República. <br> <br> <br> <br>Compreendem vocês? Se aqui, no Distrito Federal, há ainda selvas brutas e onças, imaginem vocês o que haverá por estes matagais do Brasil, que nunca mais acabam, e onde até o Judeu Errante seria capaz de perde as botas, e onde até Satanás seria capaz de perder os chavelhos! <br> <br> <br> <br>Meus amigos, eu bem sei que vocês não gostam de ouvir conselhos: mas ouçam sempre este conselho, que é de onça matreira e experimentada... Vocês devem tratar quanto antes de explorar, de desbravar, de povoar, de fecundar este país imenso e inculto... Porque, reparem: isto é tão grande, isto é tão bom, isto é tão rico, isto é tão apetecível, que não falta quem o apeteça... <br>Tomem tento, e não se fiem somente na Providência Divina!” <br> <br> <br> <br>Oh! que onça de bom senso! Oh! que onça de juízo!  <br> <br> <br> <br>Infelizmente aconteceu-lhe o que sempre acontece a quem se mete a dar conselhos aos que não gostam de recebê-los: apanhou meia dúzia de tiros, e perdeu, na aventura, a vida.... e a pele foi vendida por trinta mil réis!  <br></div> <br> <br> <br> <br>  
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=34727</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		<P><IMG style="WIDTH: 165px; HEIGHT: 243px" height=229 src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/90e0e92fff025dfebe284138000ad3e1.jpg" width=158></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666 size=2>Cartaz de <EM>O Idiota</EM>, de Kurosawa (1951). O príncipe Míchkin&nbsp;encarna&nbsp;a inteira compaixão de que um homem&nbsp;é capaz&nbsp;&nbsp;&nbsp;</FONT></P> <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666></FONT>&nbsp;</P> <P align=justify><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666><FONT size=6>A&nbsp;virtude número 8</FONT></FONT></P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" color=#666666><FONT size=6> <P> <BR></FONT>Falávamos mal de alguém. Somávamos argumentos para reforçar o erro do outro e, com isso livrarmos nossa cara, nossa linda cara àquele instante corada de virtudes. Alguns dias depois, nos reencontramos e, num simultâneo impulso, começamos a expurgar nosso sentimento de culpa. Na verdade, o cidadão de quem havíamos falado tão mal era apenas… um de nós.  <BR></P> <P>&nbsp;</P> <P>Ou seja: um ser humano, "ordinariamente humano", como disse o amigo. Que cruel destino o nosso: cada um de nós, dos mais de seis bilhões de bípedes falantes que há sobre a crosta da terra, cada um é um frágil, espantado e assustado humano obrigado a dar conta de sua existência na selva cada dia mais implacável que nós mesmos construímos. <BR></P> <P>&nbsp;</P> <P>A consciência de que somos todos errantes solitários fazendo de conta que somos os imponentes donos do nosso destino nos levou a experimentar a compaixão. Foi o amigo quem disse: "Olhei para ele e vi nele um pobre ser humano como eu, com suas dificuldades, seus medos, suas trevas. Senti compaixão por ele, do mesmo modo que sinto por mim". <BR></P> <P>&nbsp;</P> <P>Foi então que decidi bater à porta da compaixão. Queria conhecê-la, saber quem ela, onde ela nasceu, quais são suas credenciais, o que ela pretende. Comecei confessando a ela, dona compaixão, minha antipatia: de longe, achava que ela era irmã gêmea da piedade, as duas quase sendo uma só, e piedade é um sentimento ruim, por assim dizer.  <BR></P> <P>&nbsp;</P> <P>Fui à casa de dona compaixão pelo caminho mais fácil: googlei e cheguei ao capítulo oito do Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, livro de André Comte-Sponville. A oitava virtude é exatamente ela. Para defini-la, o autor a diferencia da piedade. Cita Aristóteles, para quem a irmã feia da compaixão é um sentimento que surge diante de "um infortúnio de que somos testemunhas (…), quando presumimos que ele pode alcançar a nós mesmos ou a um dos nossos".  <BR></P> <P>&nbsp;</P> <P>O piedoso sobe um degrau para praticar sua suposta virtude. "A piedade, parece-me, nunca existe sem uma parte de desprezo ou, pelo menos, sem o sentimento, em quem a sente, de sua superioridade", escreve Comte-Sponville. O piedoso se sente o ó do borogodó, lambe os beiços para saborear o que considera uma demonstração de que ele é melhor do que, no mínimo, aquele a quem destina piedosamente a sua piedade.</P> <P>&nbsp;</P> <P> <BR>A compaixão é de outra linhagem. É sentimento nobre, refinado, de igual pra igual. Quem se compadece habita o mesmo chão do compadecido não por uma concessão, mas porque se sente, genuinamente, igualzinho àquele por quem sente compaixão. "Compartilhar o sofrimento do outro não é aprová-lo nem compartilhar suas razões, boas ou más, para sofrer; é recusar-se a considerar um sofrimento, qualquer que seja, um fato indiferente, e um ser vivo, qualquer que seja, como coisa", escreveu Comte-Sponville. <BR></P> <P>&nbsp;</P> <P>Meu amigo e eu combinamos que, da próxima vez que o assunto compaixão surgir à mesa, vamos fazer bonito e tascar um Schopenhauer: "O destino é cruel e os homens são dignos de compaixão". Como ninguém suporta tanta virtude, decidimos que de vez em quando vamos continuar praticando a arte de falar de mal de alguém. Somos humanos, fazer o quê?</P> <P>......</P> <P>P.S. Saio de recesso até segunda 13. Feliz Páscoa</FONT></P>
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		<title><![CDATA[Os azulejos e a palha de aço ]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=34709</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/f5e43cad2c862cac1c19a32910d6f188.jpg"> <br> <br><font style="color: rgb(102, 102, 102);" size="5"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"></span></font> <br> <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br>Enquanto os paroquianos se inquietam com os painéis que Galeno está pintando na Igrejinha (lindos, fortes e ao mesmo tempo introspectivos), os azulejos de Athos estão renascendo da sujeira longamente acumulada. O arquiteto da Superintendência do Iphan&nbsp; no DF, Rogério Carvalho, responsável pelo restauro,conta que se tentou de tudo para tentar limpar os azulejos sem alterar as diferentes tonalidades de azul. Usou-se removedores de última geração e nada. Até que se pensou em usar palha de aço — e deu supercerto. Ela limpa o azulejo e mantém a cor original. Carvalho explicou também que quando os azulejos foram trocados, na década de 1990, Athos usou uma fornalha não-industrial para preparar as peças. Método que resultou em diferentes nuances de azul. Que estão sendo respeitados nesta restauração e com a ajuda daquele que tem mil e uma utilidades. Jason Moura da Silva, o restaurador dos azulejos que aparece na foto, já terminou toda a parede esquerda. Faltam os fundos e a parede direita.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <br>  </div>
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		<title><![CDATA[À espera da ressurreição]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=34707</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		&nbsp;<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/d6244ed659363981ea2154e7d4503fad.jpg"> <br> <br><div style="text-align: left;"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"><span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"> <br> <br> <br>Jesus Cristo crucificado espera a ressurreição que logo virá. A Catedral onde ele está também espera pelo renascimento que não se sabe se virá, apesar de tantas vezes prometido e adiado. Escolhida pelos brasilienses a maravilha número 1 da cidade, a Catedral vive um destino complicado. Esperou longos anos pela conclusão das obras, depois teve de suportar uma briga dos párocos que não gostavam da arquitetura de Niemeyer (e eles têm lá sua razão, a Catedral é uma obra de manutenção custosa). Faz mais de dez anos que ela espera por uma grande reforma. Na última contagem feita, havia mais de 300 buracos nos vitrais de Mariane Perretti. (Foto de Gustavo Dourado/D.A.Press).&nbsp;&nbsp;</span> &nbsp; </span>&nbsp; &nbsp;  <br>  </div>
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=34706</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		 <br><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br><font size="6">Do NY ao Beirute</font> <br> <br> <br> <br> <br>Desde que se aposentou, há 23 anos, o professor José Andrade, 83 anos, tem mesma e sagrada rotina: às dez e meia da manhã, sai de casa, na 109 Sul, e sobe a pé até a 107. Senta-se à mesa aos fundos do New York e se diverte com uma lata de cerveja e uma dose de uísque caubói (ou de cachaça). A diversão prossegue até a uma da tarde quando Andrade volta para casa. Almoça, descansa, e às cinco e meia desce para o Beirute. Mais uma latinha de cerveja, mais um caubói e, por volta das sete da noite, o professor volta para casa.  <br> <br> <br> <br>Há dois anos, o médico perguntou se seu Andrade fumava. Ele respondeu que não. Se bebia. Ele respondeu que sim, e contou da latinha e do copo. Há quanto tempo o senhor tem essa rotina? — o doutor quis saber. Há quase 40 anos, respondeu seu Andrade, já esperando severa repreensão, seguida de ordens imperativas. O médico deu uma gargalhada: “Continue, seu Andrade, continue”.  <br> <br> <br> <br>Terminada a consulta médica, não só o professor seguiu expressamente as recomendações médicas como escreveu um livro com uma galeria dos personagens que conheceu durante o exercício da arte de beber cerveja e uísque de manhã e à tarde, religiosamente. O lançamento não é recente, mas só agora esse pé de página dele tomou conhecimento. Brincadeiras de botequim (… de New York a Beirute!!!) é o nome da coletânea de poemetos biográficos que o professor escreveu sobre seus parceiros de copo, latinha, mesa, palavras cruzadas, confusões e confissões. <br> <br> <br> <br>Juntou 62 personagens, 25 do New York e 37 do Beirute, velhos parceiros de mesa de bar, garçons, donos e ex-donos dos bares e a cozinheira Dôra. Bebedores como o Ernesto, que o professor descreve como “excêntrico! Diferente!/Deus fez e rasgou a forma/Quem o olha só por fora/Não vê quem está lá por dentro!”. Ernesto, “cabeludo, despenteado,/É o maltrapilho ambulante./Mas, debaixo daquele semblante,/É um nobre com todo requinte.” <br> <br> <br> <br>Faz algum tempo, um dos assíduos clientes do New York morreu e deixou uma conta enorme na caderneta dos fiados. “Quem vai pagar o prejuízo?”, preocupou-se o dono do bar. Ernesto foi lá e zerou o saldo devedor do amigo morto. Descanso para o comerciante e para o beberrão morto, que pôde então pedir mais uma lá em cima sem ter conta nenhuma aqui em baixo. <br> <br> <br> <br>Mesmo cheio de histórias de mesa de bar, seu Andrade esclarece: ele não sai de casa para beber. Sai para ir à ou agência da Caixa ou ao mercadinho Hitomi. Coincidentemente, os dois ficam na comercial do NY. Também não sai de casa com a idéia de ir ao Beirute. Sai para ir à padaria. Foi assim no tempo em que sua mulher, dona Nicia, era viva e continua sendo assim nove anos depois. <br> <br> <br> <br>Professor de português durante 40 anos; de latim durante 20; e de francês durante cinco, seu Andrade tem seis filhos, dez netos, um relógio de 1847 na sala, fotos da família e quadros do filho nas paredes do apartamento, lembranças da mulher e da casa onde nasceu, em Miradouro, Minas Gerais. E litros de histórias de bebuns. <br></div> <br>
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		<title><![CDATA[crônica da cidade]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=34629</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		&nbsp;<img src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/4640ef8f0dc1d6ac13318fcd35d8386f.jpg"> <br><font size="4"> <br></font><div style="text-align: justify; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="6"> <br>De meninos e heróis</font> <br> <br> <br> <br>Quando as crianças ficaram sabendo que no acampamento da Rodobrás, a empresa responsável pela construção da Belém-Brasília, havia uma caixa mágica que falava e cantava, elas se juntavam todas as tardes ao redor do rádio do vigia da empresa. Precisavam trilhar longa distância entre suas casas no povoado e a casa da caixa falante. Uma tarde, de tão encantados com as músicas e as vozes que saíam do pequeno caixote de madeira, eles adormeceram como bebês ouvindo canções de ninar. Com já havia escurecido, tiveram de dormir no acampamento da obra em Açailândia. Voltar para casa, pelo mato, era correr risco de ser devorado pelas onças. <br> <br> <br> <br>Essa história foi contada pelo maranhense de Barra do Corda, João Neves de Oliveira, João Mariquinha, um dos caboclos que enfrentaram a selva amazônica, armado de coragem e facão, para abrir a Belém-Brasília. Mariquinha é um dos heróis da construção da rodovia que juntou Belém a Brasília e trouxe o Norte para dentro do Brasil.&nbsp;  <br> <br> <br> <br>Não houve festa, pelo menos até agora, e bolo, se houvesse, haveria de ter 2 mil quilômetros de extensão para que pudesse ser ofertado a todos quantos vivem na borda da estrada do herói. A Belém-Brasília, ou rodovia Bernardo Sayão, fez 50 anos este ano. Há meio século, no dia 31 de janeiro de 1959, a turma de trabalhadores que vinha de Belém se encontrou com a turma que vinha de Brasília num lugar que, a partir deste dia, passou a se chamar de Ligação. A linha reta que unia Anápolis a Belém estava concluída.  <br> <br> <br> <br>Bernardo Sayão havia morrido dezesseis dias antes, quando uma árvore amazônica caiu sobre ele. Brasília ainda chorava a morte do herói quando Juscelino levou para a selva meio governo: dona Sarah, as duas filhas, vários ministros, embaixadores, jornalistas brasileiros e estrangeiros. Mais de trezentos anos depois da ocupação do extremo norte do país, finalmente o Brasil se completava.  <br> <br> <br> <br>O progresso se aproximava, mas cobrava um preço alto pela aventura. Não se fez ainda as contas de quantos adoeceram e morreram de malária ou de ataque de bicho ou de ferimentos no trabalho de desbravar a selva com a força dos braços e o corte do facão. <br> <br> <br> <br>Era uma guerra com um inimigo ubíquo e onipotente, a selva amazônica. Desbravá-la a golpes de terçado, em curtíssimo espaço de tempo, tinha o sentido das grandes conquistas. O progresso não conseguia vencer as defesas da insondável Amazônia . Os alimentos eram lançados dos aviões nas clareiras abertas na mata. Tudo isso somado à dificuldade de contato entre a frente de trabalho e o acampamento mais próximo transformava cada dia numa experiência de vida e morte. Bernardo Sayão tinha consciência da experiência extrema que vivia: “Se não mandarem mantimentos, estamos com os dias contados”, dizia um bilhete que mandou para Açailândia, uma semana antes de morrer. <br> <br> <br> <br>Antes mesmo de a Belém-Brasília ser asfaltada já se contavam quase cem cidades às suas margens. O Brasil esquecido aparecia na beira da pista.&nbsp;  <br> <br> <br> <br></div> <br>  
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		<title><![CDATA[Fábula de um arquiteto]]></title>
		    <author><![CDATA[Conceição Freitas]]></author>

		<link>http://www.dzai.com.br/blogdaconceicao/blog/blogdaconceicao?tv_pos_id=34616</link>
		<!--<pubDate>Sábado, 04 de julho de 2009</pubDate>-->
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		<![CDATA[
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		&nbsp;<img style="width: 417px; height: 313px;" src="http://www.dzai.com.br/static/user//18/18744/5ceb80acc27789ebca12e2ea70c0dd0b.jpg"> <br><font size="2"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">Pavilhão Alemão na Exposição Internacional em Barcelona,  <br>obra de Mies Van der Rohe, 1929 </span></font><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><font size="5"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"></span></font><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">João Cabral de Melo Neto</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br>A arquitetura como construir portas,</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">de abrir; ou como construir o aberto;</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">construir, não como ilhar e prender,</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">nem construir como&nbsp; fechar secretos;</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">construir portas abertas, em portas;</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">casas exclusivamente portas e tecto.</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">O arquiteto: o que abre para o homem</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">(tudo se sanearia desde casas abertas)</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">portas por-onde, jamais portas-contra;</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">por onde, livres: ar luz razão certa.</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br>2.</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br>Até que, tantos livres o amedrontando,</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">renegou dar a viver no claro e aberto.</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">Onde vãos de abrir, ele foi amurando</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">opacos de fechar; onde vidro, concreto;</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">até refechar o homem: na capela útero,</span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);">com confortos de matriz, outra vez feto.&nbsp; </span><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"><br style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; color: rgb(102, 102, 102);"> <br> <br> <br>  
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