Sexta-feira, 18 de abril de 2014 01:00 pm

Erramos


"Retorna à Colômbia junto ao amigo Fidel Castro e é acusado pelo então presidente de financiar os gru e rrilheiros do grupo M-19", escrevemos na pág. 4 do caderno Especial. Esquisito, não? Culpa da preposição. Melhor: … retorna à Colômbia com o amigo Fidel Castro .

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Sexta-feira, 18 de abril de 2014 09:05 am

Cochilos da revisão



Flatônio José Da Silva

No título "Um amor sem limites" (capa), saiu este texto:

"Por que leio? Brasilienses de todas as gerações vão ao estande do Correio na Bienal do Livro para responder a pergunta" .

Corrigindo: ...para responder à pergunta .

Explicação -- Erro de regência: o verbo responder é transitivo indireto e constrói-se com a preposição "a": responder à carta, responder ao ofício, responder ao documento, responder às calúnias, responder ao desafio .

Veja a lição do mestre Cegalla: "A regência que se alicerça na tradição da língua é 'responder a uma carta', 'responder a um questionário', 'responder a uma pergunta', e não 'responder uma carta', 'responder um questionário', 'responder uma pergunta'. Em escritores brasileiros modernistas  encontramos frequentemente a regência direta, que não aconselhamos. Construa-se pois deste modo: Ele desconversou, não respondeu à pergunta que lhe fiz. / Na prova, ele respondeu a todas as questões. / O secretário respondeu às acusações sem perder a serenidade. / Valerá a pena responder a esse caluniador? / Respondi-lhe com firmeza. / 'Ao cabo de alguns meses, Capitu começara a escrever-me cartas, a que eu respondi com brevidade e sequidão'. (Machado de Assis, Dom Casmurro, cap. CXLI) / 'O jornaleiro, já se vê, não é obrigado a responder a perguntas desta natureza' (Carlos Drummond de Andrade, Os Dias Lindos , p. 114)".


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Sexta-feira, 18 de abril de 2014 08:00 am

Leitor pergunta


Sou repórter de site. O que mais me assusta é a pressa. Morro de medo de escrever palavras incorretas. Na dúvida, recorro a sinônimos. Estou certo? (Mariano Cascais)


Certíssimo. A preocupação com a grafia certinha não vem de hoje. Na dúvida, o dicionário quebra o ganho.  Mas, s em o paizão por perto, o jeito é encontrar saídas. Uma delas: trocar seis por meia dúzia. A língua é um conjunto de possibilidades. Você as aproveita como o chefe que presente ou os subordinados com ovos de Páscoa. Depois da cotação de preços, fez a compra e pediu  à secretária que pagasse a despesa. Eis o diálogo:


— Faça um cheque de R$ 600.

— Como se escreve seiscentos?

— Faça dois cheques de 300.

— Trezentos se escreve com s ou z?

— Não sabe escrever 300? Faça quatro cheques de R$ 150.

— Chefe, o trema foi abolido?

— Pelo amor de Deus, mande pagar em dinheiro.


Resposta


O trema?  A reforma ortográfica deixou a língua órfã das duas asinhas de urubu. Agora o u dos dígrafos gu e qu seguidos de e ou i está livre e solto. Mas nem tudo está perdido. A pronúncia se mantém como se nada tivesse mudado: tranquilo, aguentar, linguística .

 

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Quinta-feira, 17 de abril de 2014 07:00 am

Leitor pergunta


O porquê dos porquês


Sei que o blogue já tratou do assunto. Mas a dúvida assaltou meus filhos. Tentei bancar o professor. Não deu. Pode repetir a história do porquê dos porquês? (Camélia Araújo)


Leitor manda. Não pede. A dúvida da moçada é de jornalistas, advogados & cia. Não há quem não hesite na hora de escrever uma forma ou outra. Muitos chutam. Mas, como a língua não é loteria, a Lei de Murphy entra em vigor. O que pode dar errado dá. Melhor não correr riscos. Eis as manhas da caprichosa criatura. Use:


Por que


1. nas perguntas: Por que os professores estimulam a leitura? Por que a evasão escolar é alta no Brasil?


2. nos enunciados em que é substituível por "a razão pela qual": É bom saber por que (a razão pela qual) os professores estimulam a leitura. Explique por que (a razão pela qual) a evasão escolar é alta no Brasil.


Por quê


A dupla com chapéu só tem vez quando o quezinho for a última — a última mesmo — palavra da frase. Por quê? Ele é átono. No fim do enunciado, torna-se tônico. O acento lhe dá a força: Os professores estimulam a leitura por quê? A evasão escolar continua alta, mas poucos sabem por quê. Que tal descobrir por quê?


Porque


Com essa cara, juntinho, sem lenço nem documento, porque é conjunção causal ou explicativa: Os professores estimulam a leitura porque bons textos enriquecem o vocabulário. A evasão escolar é alta porque muitas crianças trabalham em vez de ir à aula.


Porquê


Assim, coladinho e com chapéu, o porquê torna-se substantivo. Para mudar de classe, precisa da companhia do artigo ou de pronome: Explicou o porquê da evasão escolar. Certos porquês quebram a cabeça da gente. Esse porquê se inspira em outro porquê.


Resumo da ópera: não há por que temer os porquês. Quem entendeu a lição sabe por quê.


 

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Quarta-feira, 16 de abril de 2014 04:11 pm

Fale certo

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Quarta-feira, 16 de abril de 2014 02:55 pm

Ler e ler


"Os homens não sabem ler. Aplicam a um poema o mesmo processo que aplicam a anúncios de jornal ou a notícias de propaganda política: contentam-se com o sentido superficial das palavras, sem explorar a intenção de quem fala. Confundem duas coisas que estão juntas em cada palavra falada ou escrita: a expressão e a intenção." (Otto Maria Carpeaux)

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Quarta-feira, 16 de abril de 2014 02:00 pm

Erramos


"São nas relações humanas e em fatos políticos que ele busca uma interpretação irreverente para o cotidiano", escrevemos na pág. 30. Ops! Flexionamos partícula invariável. É que não admite plural nem a pedido dos orixás. Melhor: É nas relações humanas e em fatos políticos que ele busca interpretação irreverente para o cotidiano.

 

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Quarta-feira, 16 de abril de 2014 12:00 am

Festa do livro e da leitura



A Bienal de Brasília está a toda. Celebridades nacionais e estrangeiras viraram gente de casa. Não só romancistas e poetas, mas  músicos , palhaços e contadores de histórias enchem auditórios e fazem a festa. O verbo ler, claro, entrou em cartaz. Gente grande e gente pequena o conjugam com desenvoltura.


Mas, na hora de escrever, pinta a dúvida. O responsável pelo nó nos miolos é o presente do indicativo. A questão: a reforma ortográfica alterou a grafia de pessoas do verbinho sabido? A resposta: alterou. A 3ª do plural do presente do indicativo perdeu o acento. Ficou assim: eu leio, ele lê, nós lemos, eles leem.


Companhia


Sem o chapéu, ler ficou mais leve. Outros verbos lhe fizeram companhia. É o caso de ver, crer e dar . O quarteto joga no mesmo time. Quanto aparece o hiato eem , o acento não tem vez. Xô! Assim: eu vejo, ele vê, nós vemos, eles veem; eu creio ele crê, nós cremos, eles creem; que eu dê, ele dê, nós demos, eles deem.


Filhotes


Os derivados não têm alternativa. Seguem os paizões sem pestanejar: eles reveem, preveem, releem, descreem.


Sem confusão


Atenção, marinheiros de poucas viagens. Parecido não é igual. Mas confunde. O tumulto tem tudo a ver com a semelhança. São todos verbos pequeninos, com uma só sílaba. Mas eles se dividem em dois grupos. O primeiro tem quatro membros (ler, ver, crer e dar). O segundo, dois (ter e vir).


O primeiro está no papo e na ponta da língua. A 3ª pessoa do plural termina com o hiato - eem (eles veem, creem, leem, deem). O segundo dispensa a dose dupla. Tem só um e . Mas mantém o chapeuzinho : eu tenho, ele tem, nós temos, eles têm; eu venho, ele vem, nós vimos, eles vêm.

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Terça-feira, 15 de abril de 2014 12:00 pm

Erramos


"Ataque à bomba mata 71 e fere 124", escrevemos na pág. 15. Você leu que a bomba sofreu o ataque? Leu. A crase se encarregou de dar o recado falso. Melhor livrar-se dela pra fazer as pazes com a verdade: Ataque a bomba mata 71 e fere 124.

 

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Terça-feira, 15 de abril de 2014 12:00 am

Deuses, heróis & cia.



Autografo livros hoje na Bienal de Brasília. Em destaque, Deuses e Heróis, mitologia para crianças -- com jogos, contação de histórias e prêmios. É no estande da Arco-Íris a partir das 15h. Apareça. Leve a meninada.



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Segunda-feira, 14 de abril de 2014 05:00 pm

Erramos


"Cruzeiro usa vantagem, empata novamente com o atlético e leva para si, na edição nº 100 do Mineiro, o 37º título", escrevemos na capa. Reparou? O para si sobra. Melhor: Cruzeiro usa vantagem, empata novamente com o atlético e leva, na edição nº 100 do Mineiro, o 37º título.

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Segunda-feira, 14 de abril de 2014 09:30 am

Palavras de Saramago


"Escrever é trabalho guiado pela inspiração. Há escritores que fazem um plano do que será o livro, com os personagens, as situações e tudo. Eu prefiro deixar que cada palavra que escrevo dê origem à palavra seguinte. E a palavra nova vai criando situações também novas dentro da minha cabeça. E aí me cabe decidir se continuo pelo caminho por onde ia ou se aceito a minha provocação involuntária de tomar novo rumo. E essa é a coisa mais interessante que há neste ofício de escrever."

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Domingo, 13 de abril de 2014 12:05 am

O show das passarelas



A moda está na moda. A 37ª edição da São Paulo Fashion Week abriu a temporada brasileira de verão 2014-15. Gisele Bünchen & cia. charmosa se exibiram e exibiram tendências. Mostraram longos, curtos, decotados, comportados, opacos ou brilhantes. A ordem é o vale tudo. Ou quase tudo. Misturas exóticas se expuseram sem constrangimentos. Flores, listras, laços, superposições apareceram em sedas, cetins, linhos, rendas, bordados e tricô. O conjunto tem um quê sensual e romântico.


Comentaristas deitaram, rolaram e…tropeçaram. Acostumados às palavras francesas e inglesas que imperam no mundo da moda, eles não vacilavam na pronúncia de top models, glamour, high-tech, charme, grife, look, frisson, out e in. Mas, ao se depararem com as pobres listas, pintou a dúvida. Listado ou listrado? Na pressa, uns chutaram uma forma. Outros, outra. Ambos acertaram. As duas convivem muito bem no dicionário e na língua afiada do povo.


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Domingo, 13 de abril de 2014 12:00 am

O show das passarelas 1


Exclusividade


Com as listas (ou listras) a alternativa era acertar ou acertar. O mesmo privilégio não atinge o tecido das roupas. "Blusa em seda", "calça em linho", "chale em tricô", informavam elegantes especialistas no assunto. Nada feito. Eles trocaram a preposição. A blusa (é feita) de seda. A calça, de linho. O chale, de tricô.


Mesmo elitismo


Não só o tecido exige a preposição de. Construções semelhantes jogam na mesma equipe: Cadeira de couro, aliança de prata, mesa de madeira, escultura de cerâmica, boneca de louça, brinquedo de plástico, panela de alumínio, soldadinho de ferro, sapato de couro, pasta de plástico. E por aí vai.

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Sábado, 12 de abril de 2014 12:00 am

Diquinha infantil 14


A 1ª viagem de Simbad, o marujo

Lembra-se? Sherazade contou histórias durante 1.001 noites. Valeu. Salvou a vida e nos apresentou montões de personagens. Um deles é Simbad. Ele nasceu em Bagdá, lá no Oriente Médio. Louco por aventuras, Simbad virou marinheiro e navegou por este mundão afora. Queria ficar muiiiiiiiiiiito rico.

Fez sete viagens. Encontrou povos estranhos, seres monstruosos e fenômenos fantásticos. Na primeira, pegou um navio que o levaria para bem longe. Depois de semanas, desembarcou numa ilha. Estava escuro. Ao acender o fogo, ops! A terra se mexeu. Ele estava em cima de uma baleia gigante.

Ela abanou o rabo e o jogou no fundo do mar. Que medão! Ele, bom nadador, sobreviveu. Voltou pra casa rapidinho. Mas não resistiu por muito tempo. Pouco depois, pegou outra vez o navio. E outra aventura aconteceu.


Gente de mentirinha

Personagem é gente de mentirinha. Vive em novelas, filmes, revistas, romances. Simbad é personagem do livro 1.000 noites. Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão são personagens do reino dos quadrinhos.


Bichos e coisas


Bichos e coisas também podem ser personagens. A baleia é personagem da primeira viagem de Simbad. O cachorrinho Bidu é personagem da Turma da Mônica. A espada Excalibur é personagem do rei Artur.


Sabia?

Personagem pode ser feminino e masculino. A gente pode dizer:
Simbad é um personagem das 1.001 noites.
Simbad é uma personagem das 1.001 noites.


Agora você

Escreva o nome de três personagens que você acha bem legais:

1.
2.
3.

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Sexta-feira, 11 de abril de 2014 06:00 pm

Erramos


"Isso é muito importante porque hoje os movimentos de rua, assim como a juventude pobre e negra, sofre muita repressão policial", escrevemos na pág. 4. Reparou? A distância representa alto risco para a concordância. O olho se descuida e não dá outra. Fixa-se em outra criatura que não é o sujeito. Melhor corrigir: Isso é muito importante porque hoje os movimentos de rua, assim como a juventude pobre e negra, sofrem muita repressão policial.

 

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Sexta-feira, 11 de abril de 2014 10:10 am

Chatinhos e chatinhas


Conceição Freitas


Meu amigo Carlos Tavares estava à morte, mas continuava tão Carlos Tavares quando nos tempos de vida plena. A enfermeira entrava no quarto do hospital com os instrumentos para injeção: "Seu Carlos, me dê seu bracinho…Pode ficar tranquilo que não vai doer nadinha". O irado Tavares retrucava, sem dó nem piedade: "Não me trate como idiota." Estava vivo como nunca.


Uma amiga me conta que, quando vai à pedicure de um salão do circuito chique, e a moça pede: "Estique o seu pezinho", ela responde, com a voz calma que lhe é habitual: "Desde os 12 anos calço 40. Estou longe de ter um pezinho".


Outra amiga estava ensaiando o casamento do filho, com o cerimonial, quando teve de reagir à moça que a convocava: "Mãezinha, venha cá. Mãezinha, o seu lugar será aqui. Mãezinha…". A mãe de um marmanjo de 32 anos não viu nenhuma graça em ser tratada com tatibitates. "Meu nome é Sônia, Sô-ni-a", retrucou, para espanto da interlocutora que deve ter considerado a cliente uma mal-educada. A propósito de educação, o "mãezinha" é usado à exaustão pelas professoras e afins nas escolas particulares, nas clínicas pediátricas e, já se tem notícia, até nas clínicas veterinárias!


O uso do diminutivo na prestação de serviço se alastrou tanto quanto o execrável gerundismo, onda que parece ter se aquietado nos últimos tempos. Quanto mais chique o lugar, maior o uso do diminutivo. A gente rica precisa ser bajulada, gosta de ser bajulada e nada mais eficaz do que ser tratada como um bebê de maternal.


Também está se alastrando irritantemente pela cidade o tratamento afetivo entre desconhecidos. Conta-se que num dos restaurantes do circuito da alta gastronomia, os garçons chamam os clientes de "meu amor"(Meu amor?!).


"Querida", "meu bem" têm sido recursos muito utilizados, nos estabelecimentos comerciais da cidade, para tentar estabelecer uma falsa intimidade com o cliente. Até o "amada", característico de Belém do Pará, chegou a Brasília. O muito afetivo paraense usa com muita naturalidade o "adorada" e o "mana", claro.


Daqui a uns dias vão nos chamar de "minha rainha" ou "meu rei", à moda baiana. Muito mais simpático, aos meus ouvidos pelo menos, é o modo como as vendedoras de roupas da Feira do Guará tratam as freguesas. "Meninas, vamos olhar calça, bermudinha, cós alto, cós médio, cós baixo", elas anunciam para mim e minha mãe, de 81 anos, e para qualquer possível cliente. "Meninas" é termo consagrado na Feira do Guará, não sei se em outras.


Sorte das vendedoras e dos garçons é que o Carlos Tavares não está mais por aqui. Ele já teria lançado uma campanha furiosa contra os diminutivos e a falsa intimidade no circuito comercial: "Me respeite!", ele exigiria, para começar os trabalhos.

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Sexta-feira, 11 de abril de 2014 10:00 am

Leitor pergunta


Minha função é elaborar pareceres. Impõe-se, por isso, que a escrita seja correta e de fácil entendimento. Dúvidas surgem a todo instante. Uma delas: qual é o plural de
anotação de responsabilidade técnica ? (Ramiro Ferreira)


É anotações de responsabilidade técnica.

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Sexta-feira, 11 de abril de 2014 08:00 am

Palavra de Saramago


"Escrever é trabalho guiado pela inspiração. Há escritores que fazem um plano do que será o livro, com os personagens, as situações e tudo. Eu prefiro deixar que cada palavra que escrevo dê origem à palavra seguinte. E a palavra nova vai criando situações também novas dentro da minha cabeça. E aí me cabe decidir se continuo pelo caminho por onde ia ou se aceito a minha provocação involuntária de tomar novo rumo. E essa é a coisa mais interessante que há neste ofício de escrever."

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Quinta-feira, 10 de abril de 2014 05:00 pm

Erramos


"STJ nega recurso de ex-senador contra a condenação pelo suposto faturamento em obra do TRT de São Paulo", escrevemos na pág. 25. Vamos combinar? Se a criatura foi condenada, o crime não é suposição. É fato. Outro vício frequente ocorre com acusado . Ninguém é acusado de suposto crime. É acusado de crime. Em bom português: antes de usar suposto , pare , pense e duvide .

 

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Quinta-feira, 10 de abril de 2014 02:23 pm

Fale certo

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Quinta-feira, 10 de abril de 2014 09:00 am

Questão de gente


O quem é pronome muito elitista. Adora gente. E só gente. Sempre que aparece, fala de pessoas. Exemplos não faltam: Quem chegou? Não sei quem chegou. Foi Gisele quem chegou?


Simples, não? Mas o mundo é cheio de maldade. Ou de descuidados. Com frequência, pessoas sem coração agridem o quem . Uma das violências é empregá-lo em frases como estas: Foi o Ministério da Fazenda quem recebeu a atribuição. É a UnB quem divulga o número de vagas adicionais do próximo semestre.


Observou o tropeço? Entidades não são pessoas. Por isso construções como essas pegam mal. Comprometem a reputação até de Deus. A boa forma recorre ao pronome que: Foi o Ministério da Fazenda que recebeu a atribuição. É a UnB que divulga o número de vagas adicionais do próximo semestre.


Há outra agressão muito comum contra o quem . Volta e meia ele aparece em textos acompanhado da preposição a . Disfarçado, como quem não quer nada: O Senado Federal, a quem compete autorizar empréstimos externos, é composto de 81membros.


Cruz credo! Benza-nos, Deus. O Senado Federal não é pessoa. O quem fica longe dele. Xô! O que fazer? É vez do pronome o qual : O Senado Federal, ao qual compete autorizar empréstimos externos, é composto de 81membros .


É isso: o pronome quem só gosta de gente.

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Quarta-feira, 09 de abril de 2014 11:00 am

Erramos


"Antes que a seca chegue em Brasília, o bom é aproveitar a umidade alta", escrevemos na pág. 26. Guarde isto: quem chega em não chega. Só se chega a . Assim: Antes que a seca chegue a Brasília, o bom é aproveitar a unidade alta.

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Quarta-feira, 09 de abril de 2014 08:50 am

Recado da Bienal de Brasília


"Pra quem lê nunca falta assunto."


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Quarta-feira, 09 de abril de 2014 08:00 am

Popozudas, boazudas e peitudas


Vamos combinar? Vida de professor não é mole. Salas cheias, alunos desinteressados, material didático  fraco , competição com os games e a gen e rosidade da internet tornam a tarefa do mestre missão quase impossível. Mas ele não  d esiste. Lança mão de criatividade e recursos disponíveis pra chamar a atenção da moçada.


Escola do Distrito Federal não deixou por menos. Aproveitou a popularidade da funkeira Valesca Popozuda e a levou pra sala de aula. Ela pintou em prova de filosofia. Eis o enunciado: "Segundo a grande pensadora contemporânea Valesca Popozuda, se bater de frente…" A questão caiu na rede. E, claro, na boca do povo.


Em meio à tempestade de críticas, uma pergunta se impôs. De onde vem a palavra popozuda? O dicionário responde. E la e stá no verbete popô . Forma informal de popa, quer dizer traseiro. O sufixo -uda entra em cartaz. Ele forma adjetivos derivados de substantivos com noção de provido ou cheio de .


Não existem aumentativos inocentes. Eles transmitem sentimentos de afeto, desprezo, ironia. Mulherão, por exemplo, é muito mais que mulher grande. O filhão não raro usa fraldas. Trapalhão desperta risos. Uda não foge à regra. Também transmite conotação pejorativa ou irônica. Exemplos pululam pela língua. É o caso de pernuda, beiçuda, cabeçuda, peituda, orelhudo, barrigudo, pontudo, narigudo, testudo.


Popozuda e boazuda tem um z intrometido. Por quê? Porque o sufixo não pôde se colar ao radical. Pediu a ajuda de uma consoante de ligação. O z funciona como ponte que  junta as duas partes: popoZuda, boaZuda.

 


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Terça-feira, 08 de abril de 2014 05:00 pm

Erramos


"Vale lembrar que o usuário tem a alternativa de pegar um ônibus até a Rodoviária do Plano Piloto e, de lá, embarcar em outro com destino a L2 Norte", escrevemos na pág. 31. Cadê a crase? Melhor: …embarcar em outro com destino à L2 Norte.

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Terça-feira, 08 de abril de 2014 12:05 pm

Santidade e majestade


A rainha se encontrou com o papa. O fato mereceu fotos e comentários na mídia. O assunto de um deles era a lembrancinha que Francisco de u a Elizabeth. Lá estava: "A soberana recebeu um presente de lápis lázuli. Leitor atento, Temístocles  C astro viu. Não deixou por menos. Encaminhou à coluna a correção. A pedra se chama lápis-lazúli .

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Terça-feira, 08 de abril de 2014 12:00 pm

Surra na língua


Pobre língua! Ela apanha todos os dias, a toda hora. Jornais, rádios e tevês  a espancam  a torto e a direito. Vale o exemplo do comentário em que se falava do preço dos estádios construídos para a Copa. Um entrevistado escandalizou-se com uma cifra. Anunciou-a com todas as sílabas — 1,9 bilhões. Insatisfeiro, repetiu-a. O apresentador não deixou por menos. Frisou-a — 1,9 bilhões.


Tomados pela indignação, eles se descuidaram da concordância. Esqueceram-se de pormenor pra lá de ardiloso. Milhão, bilhão, trilhão & cia. ricaça fica m de olho no número que vem antes da vírgula. É ele que dita o singular ou plural. Assim: 1,9 bilhão, 9,5 bilhões, 1,4 milhão, 2,6 milhões, 1,3 trilhão, 2,4 trilhões.

 


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Terça-feira, 08 de abril de 2014 11:50 am

Leitor pergunta


Qual o correto: alegoria do bom e do mau cavaleiro ou alegoria do bom e do mau cavaleiros . (Hamilton Junqueira)


O adjetivo concorda com o substantivo a que se refere: bom e mau cavalheiro, bons e maus cavalheiros.


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Terça-feira, 08 de abril de 2014 11:20 am

Leitor pergunta 2

Os juízes escrevem nas sentenças:


Homologo por sentença para que produza seus jurídicos e legais efeitos. O correto é produza ou produzam? (João Siqueira)


O verbo concorda com o sujeito. No exemplo, o sujeito oculto é sentença (para que  a sentença  produza). O singular, por isso, pede passagem. Abra-lhe alas.

 

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