Quinta-feira, 27 de novembro de 2014 05:00 pm

Erramos


"…no início da tarde passou a circular a informação de que o atual presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, será ministro da Integração Nacional", escrevemos na pág. 4. O atual sobra, não?

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Quinta-feira, 27 de novembro de 2014 01:30 pm

Sem privilégios


Há concordâncias que dão nó nos miolos. Uma delas é a do particípio quite. Dizemos "nós estamos quite ou nós estamos quites"? (Carlota Nunes, São Luiz)


Quite não goza de privilégios. Joga no time dos adjetivos como feliz, alegre, triste. Flexiona-se como qualquer um deles. Veja: estou feliz, estamos felizes, estou alegre, estamos alegres, estou triste, estamos tristes. Logo, estou quite, estamos quites. Você está quite com suas obrigações? Eu estou. Então estamos quites.


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Quinta-feira, 27 de novembro de 2014 01:00 pm

Língua de toga


Sou advogada. No tribunal onde trabalho, usa-se "a folhas" para indicar a página. A duplinha está certa? No plural? (Cynara Martins, Brasília)


Cynara, trata-se de linguagem forense. Juízes, advogados, promotores & cia. são loucos pela forma rançosa. A gramática os abona. Mas… vamos combinar? Não a adote fora do âmbito das togas.


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Quarta-feira, 26 de novembro de 2014 04:00 pm

Erramos


"Em pauta, um pedido do governo para que os representantes do povo autorizem-no a deixar de cumprir uma das leis mais importantes do país", escrevemos na pág. 12. Viu? Esquecemos o poder de atração da conjunção que. Não só. Deperdiçamos um artigo indefinido. Melhor: Em pauta, pedido do governo para que os representantes do povo o autorizem a deixar de cumprir uma das leis mais importantes do país.

 

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Quarta-feira, 26 de novembro de 2014 08:00 am

Você escolhe o nome


As Olimpíadas do Rio serão em 2016. Mas os preparativos começaram há anos. Transporte, construção de estádios, acomodação de  delegações etc. e tal não se compram em supermercado. Exigem planejamento e tempo de execução. Mãos à obra, pois. O marketing não fica atrás. Vale tudo pra conquistar simpatizantes e atrair turistas.


Mascotes entram em cartaz. As cariocas se mostraram na segunda. São duas. Uma homenageia a flora brasileira. A outra, a fauna. A primeira trará sorte aos atletas paraolímpicos. A segunda, aos olímpicos. Elas têm cara, mas não têm nome. Têm proposta de nome. O público vai escolher uma entre três sugestões. Ei-las:


a. Oba e Eba

b. Tiba Tuque e Esquindim

c. Vinicius e Tom

 

Eu voto em...


Que tal excluir? Tiba Tuque e Esquindim são nomes difíceis e compridões. Xô! Vinícius e Tom homenageiam dois compositores verde-amarelos conhecidos mundo afora. Os brasileiros os adoram. Fáceis de memorizar, são bem-vindos. Mas... Oba e Eba transmitem alegria. São interjeições que traduzem comemoração. Curtinhos, colam na memória. Fico com eles. E você?

 



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Quarta-feira, 26 de novembro de 2014 07:00 am

Mascote é...


... pessoa, animal ou coisa a que se atribui poder mágico – dar sorte ou trazer felicidade.

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Terça-feira, 25 de novembro de 2014 05:00 pm

Erramos


"Preferem mais as sementes do que as polpas das frutas", escrevemos na pág. 26. Um período, dois tropeços. O primeiro: prefere-se uma coisa a outra (não do que outra). O outro: preferir subentende mais. O monossílabo sobra. Melhor: Preferem as sementes às polpas das frutas .

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Terça-feira, 25 de novembro de 2014 12:00 pm

Verbo em cartaz 1


Com a reforma ministerial, um verbo ocupa as manchetes. É suceder. A regência do trissílabo  maltrata falantes e escritores. Levy sucede Mantega? Levy sucede a Mantega? As duas formas aparecem a torto e a direito. Mas a norma culta tem preferência. Morre de amores pela preposição a. Na acepção de substituir, vir depois, o objeto indireto é pra lá de bem-vindo. Assim: Levy sucede a Mantega. A noite sucede ao dia. Ninguém sabe se conseguirá lhe suceder.


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Terça-feira, 25 de novembro de 2014 10:00 am

Verbo em cartaz 2


Senhor se


Olho vivo! Suceder pode ser pronominal. Vira, então, suceder-se. Significa vir ou acontecer depois. Eis exemplos: Na fazenda, os dias e as noites sucediam-se com irritante monotonia. Governantes se sucedem a governantes. Grifes se sucederam na passarela d a São Paulo Fashion com criatividade, talento e ousadia.

 

Nem pensar


Na acepção de ocorrer, todo cuidado é pouco. Suceder, aí, tem alergia ao se . Pra evitar vermelhões e brotoejas, manda o monossílabo bater à porta de outra freguesia: O horror está sucedendo (não: se sucedendo)  no Oriente Médio . O que sucedeu nas conversações do ministro brasileiro com a ministra  belga ? O que sucederá nos  dois anos do governo Obama? Só a bola de cristal pode responder.

 

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Segunda-feira, 24 de novembro de 2014 06:00 pm

Erramos


"Dilma chamou Eunício apenas para evitar que ele fosse candidato a governador, não pelas qualidades dele enquanto gestor", escrevemos na pág. 2. Viu? Tropeçamos no modismo. Xô! O enquanto deve dar passagem ao como . Assim: … não pelas qualidades dele como gestor .

 

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Segunda-feira, 24 de novembro de 2014 05:00 pm

É ela


Mascote é substantivo feminino: a mascote, a mascote das Olimpíadas, mascotes russas, inglesas e brasileiras.
 

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Segunda-feira, 24 de novembro de 2014 03:00 pm

Leitor pergunta


Ando encucada. A culpa é do bastante . Ora a trissílaba aparece no singular. Ora, no plural. A forma com s me parece estranha. Ela tem vez? (Cleide Morgano)



Bastante vale por dois. Às vezes é advérbio. Não tem plural. Na dúvida, pode ser substituído por muito (sempre no singular): Comi bastante (muito). Trabalho bastante (muito). Comprou carros bastante (muito) caros .


Outras vezes, é adjetivo. No caso, quase sempre vem junto do substantivo e concorda com ele em número. Se o nome está no singular, o bastante vai atrás. Se no plural, vai também. Na incerteza, recorra ao troca-troca com muito : Tem motivos bastantes (muitos) para reclamar. Saí com ele bastantes (muitas) vezes. Apresentou bastantes (muitas) razões.

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Domingo, 23 de novembro de 2014 06:00 pm

Governo, que governo?


Há governos e governos. Democracia é o governo do povo. Teocracia, governo de religiosos. Plutocracia, governo de ricos. Cleptocracia, governo de ladrões. Na língua de Platão e Aristóteles, demos quer dizer povo. Daí democracia. Teo , Deus. Dele se formou teocracia. Os mais curiosos são os dois últimos.

 

Plutocracia


Plutocracia vem de Plutão. Na mitologia romana, Plutão era o deus dos mortos e do mundo subterrâneo. (Equivalia a Hades, dos gregos.) Por que a associação à riqueza? Por duas razões. Uma: o ouro e a prata se extraem das minas. A outra: para entrar no mundo dos mortos, os cadáveres precisavam pagar pedágio. A família, então, punha uma moeda sob a língua de cada morto. Já imaginou a riqueza acumulada?

 

Cleptocracia


Clepsidra vem do grego klepsydra. A sofisticada palavra dá nome aos primitivos relógios de água ou areia. Duas palavras a formam. Uma: clepto, que quer dizer roubar. A outra: hidra, que significa água. A clepsidra deixa o seguinte recado aos mortais: o tempo não discrimina. Rouba a vida de pobres e ricos a cada gota d´água ou grãozinho de areia que sai do relógio.

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Sábado, 22 de novembro de 2014 12:00 am

Diquinhas infantis 32


Zorro, o senhor Z


Zorro não era Zorro. Era Dom Diogo de la Vega, rapaz rico e charmoso. Gostava de namorar, cantar e tocar violão.


Um dia, Bernardo, o empregado da fazenda californiana, estava indignado. Mas, como era mudo, não conseguia falar. Só gesticulava.


Dom Diego virou bicho. Ou melhor, virou Zorro. Mascarado, montou o cavalo negro e partiu como flecha noite afora.


Cavalgou. Cavalgou. Cavalgou. Ao chegar à cidade, encontrou o sargento Garcia. O militar era da turma do mal. Zorro o desafiou para um duelo.


O sargento, covarde que só, convocou os subordinados. Quando Zorro viu o batalhão de soldados, não teve saída. Precisou fugir. Mas deixou um Z no peito do covarde. Era a marca do Zorro.

 


O personagem


Johnston McCullei é escritor americano que criou centenas de histórias. Uma delas é Zorro . O mascarado nasceu em 1919. Virou filme e seriado de televisão. É sucesso até hoje.

 

Sabia?


Zorro é palavra espanhola. Quer dizer raposa.

 

Letras


Em português, as letras são masculinas — o á, o bê, o cê, o dê, o ê, o efe, o gê, o agá. E por aí vai.

 

Complete:


O alfabeto português tem …………. letras.

 

Resposta

26 .

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Sexta-feira, 21 de novembro de 2014 11:30 am

Erramos


"…devem priorizar a alimentação e ao direito à vida", escrevemos na pág. 13. Viu? Pisamos a regência. Melhor corrigir. Assim: …devem priorizar a alimentação e o direito à vida.

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Sexta-feira, 21 de novembro de 2014 09:00 am

Dedo-duro


A palavra mais em alta em tempos de lavagem de roupa suja? É ela mesma. Delação, que rima com corrupção, que significa podridão. Quando nasceu, a latina delatione queria dizer ato de entregar . Como quem fica parado é poste, a palavra ganhou outra acepção. É denúncia. Em português que todo mundo entende: deduragem, que vem de dedurar, que nasceu de dedo-duro.

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Quinta-feira, 20 de novembro de 2014 01:00 pm

Gol contra


Em dia de festa, o Palmeiras apanhou. Levou dois gols do Sport. Não fez nenhum. "O que aconteceu?", perguntavam gregos, troianos e torcidas atônitas. A resposta não estava no gramado. Estava na língua. "O bom filho à casa torna", diz frase que figura na camiseta do time.


Com ela, os dirigentes da equipe paulista miravam um gol de placa — homenagear a volta do Verdão ao velho estádio novo. Mas pisaram na bola. Puseram crase onde crase não há. Esqueceram-se (ou nunca aprenderam) que o acento grave indica o casamento de dois aa. Um deles é a preposição. O outro, quase sempre, o artigo definido.


O xis da confusão: a palavra casa . Jogo de mata-mata, a dissílaba exige atenção plena. Se falamos da nossa casa, o artigo não tem vez. (Saiu de casa. Voltou para casa.) Sem o pequenino, o uso do acento da crase é impedimento certo: Depois da partida, o goleiro se dirigiu a casa sem demora. O bom filho a casa torna.


Se for a casa dos outros, o jogo vira. O artigo entra em campo (a casa dos pais, saiu da casa dos amigos). Aí, escala-se a crase: Depois da partida, o goleiro se dirigiu à casa dos amigos. O bom filho à casa dos pais torna. Foi à casa do adversário.


Moral do placar: A história de bola cheia virou história de bola murcha. O que fazer? Cartaz, meio sem graça, se esforçou pra apagar o fiasco. Com texto nota 10, fez bonito com a mensagem: "Bem-vindo a casa, Palmeiras".

 

Bola no pé


Há um acento indicador de crase solto no campo. Onde colocá-lo? Você decide. Olho na palavra casa :


a. José voltou a casa depois de meses de ausência.

b. Quando retorna a casa, Neymar desliga o celular.

c. Os católicos dizem que bons filhos a casa voltam sempre.

d. Será que todos retornaremos a casa do Pai?

 

Bola na rede


Escolheu a letra d? Gol de placa. Casa , nas demais opções, se refere à casa onde a pessoa mora. Aí, não tem artigo. Sem artigo, frustra-se o casamento de dois a. Um azinho, solitário, pode fazer verão. Mas não admite crase.

 

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Quarta-feira, 19 de novembro de 2014 03:06 pm

Fale certo

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Quarta-feira, 19 de novembro de 2014 01:00 pm

Erramos


"…caso o assunto siga, é necessário a continuidade do direito de entrar com pedido de cassação", escrevemos na pág. 19. Ops! Pisamos concordância pra lá de sofisticada. É bom, é necessário, é proibido & cia. só se flexionam se o nome a que se referem estiver determinado. É o caso. Continuidade está determinado pelo artigo. Melhor: … é necessária a continuidade do direito de entrar com pedido de cassação.

 

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Quarta-feira, 19 de novembro de 2014 08:30 am

Criança diz cada coisa... 1


Pedro Bloch sabia das coisas. Pediatra, prestava atenção às histórias contadas pelas crianças. Depois, anotava tudo e publicava na revista Pais e filhos . Roberto Freire, colaborador da coluna, encaminhou uma para os leitores. Ei-la:


Uma menina estava conversando com a professora. A mestra disse que era fisicamente impossível uma baleia engolir um ser humano porque, apesar de ser um mamífero enorme, tinha a garganta muito pequena. A garota bateu pé: afirmou e reafirmou que Jonas tinha sido engolido por uma baleia. Irritada, a professora repetiu que uma baleia não poderia engolir nenhum ser humano. Era fisicamente impossível. Seguiu-se este bate-papo:


--
Quando eu morrer e for pro céu, vou perguntar a Jonas.

--
E se Jonas tiver ido pro inferno?

--
Aí a senhora pergunta.

 

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Quarta-feira, 19 de novembro de 2014 07:00 am

Criança diz cada coisa... 2


Por falar em ir…


Viu? Criança sabe mesmo das coisas. A garota acertou em cheio a regência do verbo ir. A gente pode ir a ou ir para . Vai a quem vai e volta, rapidinho: Vou ao clube. Vamos ao cinema. Fomos ao Rio conhecer os cartões-postais do Brasil. Vocês foram ao parque no domingo? Ou preferiram ir à missa?


Ir para joga em outro time. Trata-se de ir para ficar bom tempo: Vou para Londres fazer minha pós-graduação. Vou-me embora pra Pasárgada. A menina da história de Pedro Bloch tinha duas certezas. Uma: ao morrer, ela iria pro céu. A outra: a professora iria pro inferno.

 

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Terça-feira, 18 de novembro de 2014 03:00 pm

Erramos


"Depois de anunciar a criação de uma diretoria de governança na Petrobras, a presidente da empresa, Graça Foster, admitiu ontem pela primeira vez que foi informada pela empresa SBM Offshore que funcionários da empresa receberam propina da companhia holandesa", escrevemos na pág. 4. Quanta repetição! Em época de vacas magras, a ordem é poupar. Assim: Depois de anunciar a criação de uma diretoria de governança na Petrobras, a presidente Graça Foster admitiu ontem, pela primeira vez, que foi informada pela SBM Offshore que funcionários da petrolífera brasileira receberam propina da companhia holandesa .

 

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Terça-feira, 18 de novembro de 2014 11:00 am

Todo mundo nu


A moda pegou. Sem mais nem menos, peladões ocupam as ruas de grandes cidades. A história começou em Porto Alegre. Homens e mulheres apostaram corrida nuzinhos. Depois, foi a vez de São Paulo. Um macho, sem uma peça de roupa sobre o corpo, percorreu a Avenida Paulista falando ao telefone. O que eles querem? Ninguém sabe. Enquanto se investiga a razão oculta atrás da nudez, vale uma diquinha de português. Nu, como cru, é nuzinho mesmo. Monossílaba terminada em u, não aceita acento nem a pedido de Adão e Eva.

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Terça-feira, 18 de novembro de 2014 10:00 am

Nu e urubu


Nu rima com caju, urubu e Aracaju. Uma e outras não aceitam acento. É que os monossílabos tônicos jogam no time das oxítonas. Os terminados em i e u agradecem, mas dispensam o agudão. Xô!

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Segunda-feira, 17 de novembro de 2014 12:00 am

Leitor pergunta


Nos três últimos anos? Nos últimos três anos? Qual o correto? (Renato Mendes)


Ambas as formas merecem nota 10. Escolha. É acertar ou acertar. Oba!

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Domingo, 16 de novembro de 2014 08:00 am

O choro de Deus 1


A palavra mais importante da língua? É o verbo. Antes de duvidar, pense em pormenor simples, mas que fala por si. Existem orações sem sujeito, mas não existem orações sem verbo. Daí a citação de Eno Teodoro Wanke. Nos idos de 1929, ele escreveu: "No princípio era o verbo. Depois, veio o sujeito e os outros predicados — os objetos, os adjuntos, os complementos, os agentes, essas coisas. E Deus ficou contente. Era a primeira oração".


Que pena! A alegria do Senhor durou pouco. No país do jeitinho, nem o comunismo quis fixar raízes. Temia a desmoralização. O verbo, coitado, não teve igual sorte. A desonra veio rapidinho. Notícias da semana servem de exemplo. Assuntos que foram manchete pisaram o mandachuva da frase sem piedade. Quatro vítimas sobressaíram: maquiar, mediar, intervir e pôr.


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Domingo, 16 de novembro de 2014 07:00 am

O choro de Deus 2


Vítima 1


O governo entregou os pontos. Gastou demais. Em 2014, tinha de economizar R$ 99 bilhões para pagar juros da dívida. Não deu conta. Ficou no vermelho em R$ 25,5 milhões. A farra leva pro xilindró. E daí? O jeito foi dar um jeito. O Planalto encaminhou ao Congresso projeto que disfarça o desastre fiscal.


Veio ao cartaz o verbo maquiar. "O governo maqueia as contas", escreveram jornais e blogues. Rádios e tevês não ficaram atrás. Repetiram "maqueia" à exaustão. Bobearam. Maquiar se conjuga como premiar: premio (maquio), premia (maquia), premiamos (maquiamos), premiam (maquiam).


Como na natureza, na língua nada se perde. Tudo se aproveita. A dica de conjugação do verbo maquiar não serve só pras manobras de Suas Excelências. Serve pra nós, mortais. O trato que dá charme a pele, olhos, sobrancelhas e lábios se flexiona do mesmo jeitinho. Dizer "eu me maqueio pra festa"? Valha-nos, Deus! Melhor: "Eu me maquio pra festa".

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Domingo, 16 de novembro de 2014 06:00 am

O choro de Deus 3


Vítima 2


Há uma semana empresas de ônibus do Distrito Federal cruzaram os braços. Deixaram 200 mil usuários a pé. Entra dia, sai dia, nada muda. Quem paga o pato? Estudantes que não chegam à escola, profissionais que faltam ao trabalho, comerciantes que perdem vendas. E daí?


O Ministério Público entrou na jogada. A imprensa anunciou: "Procuradores mediam negociações entre as partes". Ops! Mediar se conjuga como odiar: odeio (medeio), odeia (medeia), odiamos (mediamos), odeiam (medeiam).


Resultado: o desânimo tomou conta da população. Se os repórteres tivessem dito que "procuradores medeiam o conflito", a notícia teria merecido banda de música e tapete vermelho. Agora, é apostar na sorte.

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Domingo, 16 de novembro de 2014 04:00 am

O choro de Deus 4


Vítima 3


Sem-teto invadiram prédio na capital paulista. A Justiça entrou na briga. Mandou desocupar a área. Na foi fácil. Os recém-chegados reagiram. Foi um corre-corre. A repressão entrou em cartaz. Notícia: "Polícia interviu no conflito". Uiiiiiiiiiiiiiiiiiii! O verbo geme até hoje.


Explica-se. Intervir deriva de vir. Como filho de peixe peixinho é, um e outro se conjugam do mesmo jeitinho. Assim: venho (intervenho), vem (intervém), vimos (intervimos), vêm (intervêm); vim (intervim), veio (interveio), viemos (interviemos), vieram (intervieram).


Conclusão: A polícia interveio no conflito.

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Domingo, 16 de novembro de 2014 02:00 am

O choro de Deus 5


Vítima 4


A Casa Civil obrigou os ministros a entregar os cargos. Quinze obedeceram. O fato, claro, ganhou espaço na mídia. Lá e cá se leu que Suas Excelências "puzeram os cargos à disposição". Viu? Pôr pegou os bobos na casca do ovo. O xis da cilada está no infinitivo. Se o nome do verbo tem z, sempre que soar z, a lanterninha do alfabeto entra em cartaz. Se não tem z, a letrinha fica banida da conjugação. Compare:


Fazer ( faz, fazemos, fazem; fiz, fez, fizemos, fizeram; fizer, fizerem; fizesse). Dizer ( diz, dizemos, dizem). Pôr ( pus, pôs, pusemos, puseram; puser, pusemos, puserem; pusesse, puséssemos, pusessem) . Querer ( quis, quisemos, quiseram; quiser, quisermos, quiserem; quisesse, quiséssemos, quisessem) .


É isso: Quinze ministros puseram o cargo à disposição.

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