Sexta-feira, 16 de janeiro de 2009 08:00 pm

Erramos

 

"Manobra espetacular do piloto salva todas as 115 pessoas a bordo", escrevemos na capa. Desperdício, não? O "todas" sobra. Melhor: Manobra espetacular do piloto salva as 115 pessoas a bordo.
 

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Sexta-feira, 16 de janeiro de 2009 05:03 pm

Dicas de Concursos

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Sexta-feira, 16 de janeiro de 2009 08:10 am

De meias e meios



    Meio-dia e meia? Meio-dia e meio? Criança meio adoentada? Criança meia adoentada? A dúvida tem diagnóstico. É a confusão entre adjetivo e advérbio. Adjetivo é variável. Advérbio, invariável. Como identificar um e outro?

    Avalie seu domínio do assunto. Faça o teste. Leia as frases com muiiiiiiita atenção. Analise-as. Depois, assinale as certinhas da silva:


    a. Meia verdade é meia mentira. Depende do ponto de vista.

    b. Maria anda meia chateada com as notas baixas da filha.
    c. Adoro minha meia-irmã.
    d. Dona Marisa Letícia anda meia desaparecida da mídia.
    e. Saiu de casa ao meio-dia e meia.


    E daí?

   
    Escolheu a, c, e? Certíssimo. Você sabe distinguir gato de lebre. A disputa adjetivo x advérbio não pegará você pelo pé vida afora. Mas, se você preferiu outra letra, a história muda de enredo. Arregace as mangas e dê uma estudadinha no assunto. No fim, você ficará com uma certeza: o bicho não é tão feio quanto o pintam.


Muda de cara
   
    Adjetivo ou advérbio? O adjetivo é mutável. Tem feminino, masculino, singular e plural. Subordinado ao substantivo, concorda com o chefão em gênero e número: menino alto, meninos altos; menina alta, meninas altas.

   
    O adjetivo meio não goza de privilégios. Também acompanha o substantivo sem tossir nem mugir. Se o nome estiver no masculino singular, ele se flexiona no masculino singular (meio quilo). Se no masculino plural, o subalterno não pensa duas vezes. Vai pro masculino plural (meios quilos).

   
    Se no feminino, a história se repete. Substantivo no singular leva o verbo pro singular. Substantivo no plural arrasta o verbo para o plural: meia verdade, meias verdades; duas dúzias e meia (dúzia).


Não muda de cara
   
    O advérbio joga em outro time. Para ele não existe gênero nem número. No caso, meio acompanha o adjetivo. Quando aparece, quer dizer um tanto, mais ou menos: Maria anda meio (um tanto) chateada com as notas baixas da filha. Dona Marisa Letícia anda meio (um tanto) desaparecida da mídia. Deixe as portas meio (mais ou menos) abertas.


Macete
   
    Na dúvida, pare e pense. Na frase, meio quer dizer “metade”  ou “um tanto”? Se metade, é adjetivo. Dança conforme a música do substantivo. Se um tanto, é advérbio. Mantém-se imutável — indiferente ao feminino, masculino, singular ou plural:

   
   A senadora saiu ao meio-dia e meio? Ou ao meio-dia e meia? Ela se retirou ao meio-dia e meia (hora), não? Então ela se foi ao meio-dia e meia.


Teste

    Está pra lá de certa a frase:

    a. A professora falou meia aborrecida.

    b. A professora falou meio aborrecida.

    Resposta nota 10? É a b, claro. Ela falou “um tanto” aborrecida.


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Sexta-feira, 16 de janeiro de 2009 08:00 am

André Arruba concluiu



“Existem basicamente dois tipos de pessoas: as que não falam o que pensam e as que não pensam o que falam.”

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Sexta-feira, 16 de janeiro de 2009 12:00 am

Roupa nova ao velho idioma



Frei Betto

Vejam só: eu, a língua portuguesa, falada por pelo menos 230 milhões de pessoas de oito países que oficialmente me adotam, estou de roupa nova. Sempre foi assim, de tempos em tempos decidem auto-regular o modo como sou escrita, ou melhor, autorregular. Agora é assim, sabia?

Bom exemplo é o pronome você. Nasceu ‘vossa mercê’, virou ‘vossemecê’, derivou para ‘vosmecê’, reduziu-se a ‘você’, é falado ‘ocê’ ou ‘cê’ (cê vai lá?). Não duvido nada, daqui a pouco só se pronuncia o acento circunflexo.

Oficialmente meu alfabeto passa a ter 26 letras, com a inclusão de k, y e w. Ora, na prática isso já ocorria: km, yang e yin, show etc. Meio kafkiano, não?

Cai a coroa de certas palavras, o velho trema, tão frequente (agora sem trema) na tranquila (idem) sequência (idem) de vocábulos como linguiça. Qüinqüênio, duplamente coroado, agora é quinquênio. Também perco o acento no casal de vogais, conhecido por ditongo, em palavras paroxítonas, como alcateia, androide, boia, colmeia, celuloide.

Confesso que me sinto meio nua... Será paranoia? Ao menos me sobraram os acentos das oxítonas como papéis, heróis e troféu. E o Piauí ficou a salvo, como em toda oxítona terminada por i e u ou seguida de s.

Língua é também uma questão de elegância. Imaginem uma mulher descabelada numa festa em que todas as outras estão bem penteadas! É como me sinto nos vocábulos terminados em eem e oo. Adeus ao chapeuzinho em creem, magoo, perdoo, veem (do verbo ver), voo, zoo. “Será que abençoo tais mudanças?”, pergunta o autor deste texto. Ou ele encara isso com certo enjoo?

Será que os leitores, sem o circunflexo (que belo vocábulo!), distinguirão facilmente o casamento da preposição com o artigo no vocábulo pelo do substantivo pêlo, que agora é pelo, assim pelado? Perdem o acento: pêra e pára. Num texto na nova ortografia, agora vamos ler que a moça gritou no carro para o namorado: “Para! Desço na esquina, seu hálito, de quem comeu pera podre, me dá enjoo”. “Pode descer”, dirá ele. Ela retrucará: “Como você pôde sair de casa sem escovar os dentes?”

Outra exceção é a preposição por e o verbo pôr. Por que será? Mas ao menos uma liberdade resta a quem redige: você pode ou não enchapelar forma quando se referir à vasilha de fazer bolos e escrever: “Qual a forma da fôrma do bolo?” Estará também certíssimo se redigir: “Qual a forma da forma do bolo?”

O hífen, coitado, foi o que mais sofreu nessa reforma ortográfica. Salvou-se frente ao h: super-homem, sobre-humano. Mas dançou quando o prefixo termina diferente do segundo elemento: aeroespacial, antiaéreo, extraescolar. Sobrou o vice: vice-presidente.
Sai de cena o hífen se o prefixo termina em vogal e o resto se inicia com r ou s. Nesse caso, duplicam-se tais letras: antissocial, ultrassom, biorritmo. Estranho, né?

Há certas palavras com as quais é preciso cuidado devido à carga ideológica. O hífen permanece para o i não beijar o seu clone: anti-imperialista, anti-inflacionário. Também quando o r ameaça arranhar o seu duplo: inter-racial, super-romântico. Superinteressante, não?

Se o prefixo sub topar com o r, que mantenha distância: sub-região, sub-raça. Pan-americano fica assim mesmo. Quando o prefixo terminar por consoante e o segundo elemento começar por vogal, una tudo: hiperativo, hiperacidez, interestadual.

Porém, mantenha distância se o prefixo for ex, sem, além, pós, pré: além-túmulo, ex-diretor, pós-graduação, pré-vestibular, recém-casado. E sem-terra (mas com muita garra na luta por reforma agrária).

E algo fantástico: o hífen é preservado se o sufixo tiver origem tupi-guarani (olha ele aí): capim-açu, amoré-guaçu. Supõe, evidentemente, que você saiba identificar o vocábulo como derivado do tupi-guarani.

Sei que não sou um idioma fácil. Além da correta grafia, exijo perfeita sintaxe. E vivo provocando pegadinhas: aluvião, apesar do tom, é substantivo feminino. E imagina um estrangeiro me aprendendo: “Pedro bota a calça e, em seguida, calça a bota”. E manga? De camisa, a fruta, parte do eixo do carro e mais oito significados pelo menos. Banco então nem se fala: de praça, de guardar dinheiro, de areia, de sangue e do presente do indicativo do verbo bancar.

Para fazer bom uso de mim só há uma receita: leia, leia muito, bons autores. E, quanto à minha roupa nova, fique tranqüilo, pois esse trema e todas as demais mudanças ortográficas têm (o circunflexo do plural dos verbos ter e vir foram salvos pelo gongo) prazo até 2012 para serem implementados.


(artigo publicado no Correio Braziliense)

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Quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 06:04 pm

Fale Certo

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Quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 04:00 pm

Erramos


O leitor Flatônio José da Silva escreve: "Na matéria `A vontade de gastar sempre mais´ ( pág. 2), saiu `A solução seria simples: cortaria-se quase pela metade o valor pago aos diretores sem titulação acadêmica´.  Ops! Com verbo no futuro do pretérito, a ênclise é proibida. No caso, ou se emprega a mesóclise ( cortar-se-ia ), ou a passiva analítica ( seria cortado ). Assim: A solução seria simples: cortar-se-ia quase pela metade o valor pago aos diretores sem titulação acadêmica. A solução seria simples: seria cortado quase pela metade o valor pago aos diretores sem titulação acadêmica" .

 


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Quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 01:10 pm

Solange pergunta


Socorro! É verdade que o velho e amigo pára-quedas virou paraquedas?


Os ilustres membros da Academia Brasileira de Letras consideraram que o falante se esqueceu da formação de para-quedas (para, do verbo parar + quedas). Decidiram pela grafia paraquedas. Mas os irmãozinhos do guarda-chuva protetor mantêm o hífen. Perdem, claro, o acento diferencial: para-raios, para-choque, para-brisa.

 

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Quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 01:05 pm

Clarice Chagas pergunta


Na cobertura da guerra Israel X Palestina, tenho lido e ouvido construções como esta: "Três mísseis foram lançados a partir do Líbano". Acho esquito. O emprego do "a partir de" está correto?


O trio é modismo. Como fogo morro acima e água morro abaixo, a novidade se mostra cada vez mais atrevida. Na narração dos desfiles do Rio Fashion, sobraram "blusas feitas a partir de seda", vestidos confeccionados "a partir de tecidos reciclados" e outros atentados à língua e aos ouvidos. Não entre na onda. Ela passa. Mas o texto que você assina fica. Escreva: mísseis lançados do Líbano, blusas feitas de seda, vestidos confeccionados com tecidos reciclados.


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Quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 01:00 pm

Jamir pergunta


Bom-dia perdeu o hífen? Com essa reforma, não sei mais nada. Tenha um bom dia.


Jamir, o cumprimento bom-dia continua bom-dia. A reforma não se meteu com ele.



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Quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 12:00 am

Redação da mídia internacional




Palavras inocentes? Não existem. Escolhas implicam juízos. Muitas reforçam preconceitos. A jornalista inglesa Mona Baker, do Translator , analisou vocábulos empregados na cobertura do conflito Israel X Gaza. Provou que a mídia que se diz imparcial é pra lá de parcial. Vale ler o texto.

Doze regras de redação da mídia internacional quando o assunto é Oriente Médio




1) No Oriente Médio são sempre os árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Essa defesa chama-se "represália".

2) Os árabes, palestinos ou libaneses não têm o direito de matar civis . Isso se chama "terrorismo''.

3) Israel tem o direito de matar civis . Isso se chama ''legítima defesa''.

4) Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedida. Isso se chama ''reação da comunidade internacional''.

5) Os palestinos e os libaneses não têm o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isso se chama ''sequestro de pessoas indefesas ''.

6)
Israel tem o direito de sequestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinos e libaneses desejar. Atualmente são mais de 10 mil, 300 dos quais são crianças e 1.000 são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter sequestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades eleitas democraticamente pelos palestinos. Isso se chama ''prisão de terroristas''.


7) Quando se menciona a palavra Hezbollah, é obrigatória a mesma frase conter a expressão ''apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã''.

8) Quando se menciona Israel, é proibida qualquer menção à expressão ''apoiada e financiada pelos EUA''. Isso pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo de existência.

9) Quando se referir a Israel , são proibidas as expressões ''territórios ocupados'', ''resoluções da ONU'', ''violações dos direitos humanos'' ou ''Convenção de Genebra''.

10) Tanto os palestinos quanto os libaneses são sempre ''covardes'', que se escondem entre a população civil, que ''não os quer ''. Se eles dormem em casa, com a família, a isso se dá o nome de ''covardia''. Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles estão dormindo. Isso se chama "ação cirúrgica de alta precisão''.

11) Os israelenses falam melhor o inglês, o francês, o espanhol e o português que os árabes. Por isso eles e os que os apoiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidades do que os árabes para explicar as presentes Regras de Redação (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama ''neutralidade jornalística''.

12) Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são ''terroristas antissemitas de alta periculosidade''.


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Quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 12:00 am

Dicas para Concursos

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Quarta-feira, 14 de janeiro de 2009 04:00 pm

Erramos



Para reduzir o índice de roubos nos arredores dos colégios e planejar ações preventivas, Secretaria de Segurança pretende implementar um sistema de registro de ocorrências”, escrevemos na pág. 19. Cadê o artigo? Sem o pequenino, dizemos que existem várias secretarias de segurança. Uma delas tomou a medida. Não é o caso. Vem, artigo: Para reduzir o índice de roubos nos arredores dos colégios e planejar ações preventivas, a Secretaria de Segurança…

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Quarta-feira, 14 de janeiro de 2009 01:00 pm

Ímã de geladeira



Um poeminha de Paulo José Cunha que vai virar ímã de geladeira. É parte de projeto chamado Ímãs com rimas,  que será lançado no mês quer vem:
 
O que é poesia?
É assim, tia:
uma palavra roça na outra
e arrepia.
 

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Quarta-feira, 14 de janeiro de 2009 08:00 am

Octave Uzanne disse



"A moda é a literatura da mulher. A toalete é o estilo pessoal dela."


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Quarta-feira, 14 de janeiro de 2009 12:00 am

O show das passarelas


 

A moda está na moda. O Rio Fashion abriu a temporada brasileira de outono e inverno. Começou com os desfiles da criançada. Menininhas sérias com cara de gente grande exibiram a grife Lilica Ripilica. Em seguida, a Sta. Ephigênia   mostrou calças largas com cintura alta e tecidos molengos. São as velhas bags dos anos 80 com cara nova.

 

O show ficou com Walter Rodrigues. O estilista abusou do preto. Misturou-o com roxo, marrom e rosa. Fez um desfile alegre, com gente como a gente. As manequins, cheinhas de corpo, encheram a passarela e os olhos dos presentes. Alegres, sorriam enquanto mostravam longos, curtos, decotados, comportados, opacos ou brilhantes. Grazi Massafera fez a festa. Exibiu peitos, braços, dentes e charme. Foi a dona da noite.

 

 
Mistura exótica


A ordem é o vale tudo. Ou quase tudo. Misturas exóticas se exibiram sem constrangimentos. Flores, listras, laços, superposições apareceram em sedas, cetins, veludos molhados. O conjunto tem um quê sensual e romântico. O abuso dos contrastes provocou duas reações. Uma: do público, que ora aplaudia, ora ficava paradinho como nas brincadeiras de estátua.

 

A outra: dos comentaristas. Acostumados às palavras francesas e inglesas que imperam no mundo da moda, eles não vacilavam na pronúncia de top models, glamour, high-tech, charme, grife, look, frisson, out e in. Mas, ao se depararem com as pobres listas, pintou a dúvida. Listado ou listrado? Na pressa, uns chutaram uma forma. Outros, outra. Ambos acertaram. As duas convivem muito bem no dicionário e na língua afiada do povo.

 


Fim da mamata


Com as listas (ou listras) a alternativa era acertar ou acertar. O mesmo privilégio não atinge o tecido das roupas. "Blusa em seda", "calça em veludo", "xale em tricô", informavam elegantes especialistas no assunto. Nada feito. Eles trocaram a preposição. A blusa (é feita) de seda. A calça, de veludo. O xale, de tricô.

 


Mesmo time


Não só o tecido exige a preposição de . Construções semelhantes jogam na mesma equipe: Cadeira de couro, aliança de prata, mesa de madeira, escultura de cerâmica, boneca de louça, brinquedo de plástico, panela de alumínio, soldadinho de ferro, sapato de couro, pasta de plástico.

  E por aí vai.

 


Ops!


"O português é uma língua muito difícil. Tanto é que calça é uma coisa que a gente bota e bota é uma coisa que a gente calça", ensinou o Barão de Itararé.

 

Anos 80


As calças bags -- soltas, largonas, em que se enfia o corpo lá dentro e sobra tecido pra dar e vender – revivem a moda de 30 anos atrás. Elas fizeram furor nos anos oitenta. O singular do numeral se explica. Escondidinha, está a expressão "da década de": anos (da década de) sessenta, anos (da década de) cinquenta, anos (da década de) vinte .

 

 
Somas e mais somas

Chegar às passarelas não é fácil. Tampouco é fácil sobressair em universo tão competitivo. Os estilistas, por isso, conjugam o verbo ousar. Surpreendem nas formas e no material. Globalizados, misturam os estilos pra misturar as culturas. A África está em alta. Com ela, o conceito afro, inspirado no livro África Fantasma , de Michel Leiris.

 

A dissílaba deu nó nos miolos de comentaristas e repórteres. Eles se esqueceram de pormenor pra lá de repetido. Adjetivo, afro

se flexiona como qualquer irmãozinho dele -- concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere: estilo afro, estilos afros; roupa afra, roupas afras.

 


 
De olho na reforma


Na formação de palavras, afro- entrou na reforma ortográfica. O danadinho joga no time dos prefixos. Com ele, vale a regra: os iguais se rejeitam, os diferentes se atraem. Afro- termina com a vogal o. Se encontrar a mesma vogal, xô! Chama o hífen. Se tropeçar em vogal ou consoante diferente, cola-se a ela sem pudor: afro-organização, afro-ótica, afroamericano, afroestética, afrodescendente, afrobrasileiro.

 

Se o encontro se der com r ou s, ops! É importante manter a pronúncia. Dobra-se a letra: afrossistema, afrorrevista .

 

O h? Com ele o hífen ganha banda de música e tapete vermelho: afro-humano, afro-hipocrisia, afro-histórico.  

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Terça-feira, 13 de janeiro de 2009 05:39 pm

Dicas para Concursos

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Terça-feira, 13 de janeiro de 2009 12:01 am

Jorge Luis Borges ensinou

 

 

"O livro eterniza a memória."
 

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Terça-feira, 13 de janeiro de 2009 12:00 am

Bem-vindo

 

 

O verbo vir é um calo no pé. Estudantes morrem de medo dele. Concursandos são fregueses certos do monossílabo malandro. Em todas as provas, ele aparece. Em todas elas, a moçada tropeça. As trombadas ocorrem em duas frentes. A primeira refere-se à conjugação do danadinho. A segunda, à grafia.

 

Você joga no time dos calejados? Antes de responder, faça o teste. Se as frases abaixo estiverem do jeitinho que o professor ensina, assinale-as. Se tropeçarem no caminho, deixe-as pra lá.

 

a. Vimos aqui, neste momento, para apresentar nossa solidariedade.
b. Eles vêm mais cedo para trabalhar melhor.
c. Maria fará as provas quando vir de São Paulo.

E daí?

Marcou as letras a e b ? Nota mil. Tenha a certeza de que o verbo vir não pegará você pelo pé. Preferiu outra letra? Nada feito. Você faz a confusão que todos fazem. Mistura ver e vir. O resultado é um só. Perde preciosos pontinhos no vestibular e nos concursos. É hora de reagir. Conhecendo os mistérios do vir, ninguém segura você.

 

Filho de peixe

 

Os verbos têm pai e mãe. Vir não foge à regra. Para conjugá-lo conforme o figurino, é importante decorar o presente e o pretérito perfeito do indicativo. Os tempos e modos que metem você em enrascadas são filhotes dos dois. Vamos a eles:


presente: eu venho, ele vem, nós vimos, eles vêm
pretérito perfeito: eu vim, ele veio, nós viemos, eles vieram.

 

Armadilhas

 

Preste atenção sobretudo ao nós e ao eles . São essas pessoas que armam as maiores ciladas. Lembre-se:
Vimos é presente. Viemos , passado.
Vem é singular. Vêm , plural. 
 
Eis a questão

Quando eu vier de São Paulo? Quando eu vir de São Paulo? Eis a grande questão. Para respondê-la, só há uma saída. Lembre-se de que o futuro do subjuntivo é filhote do pretérito perfeito do indicativo. Sai da 3ª pessoa do plural menos o -am final:

Pretérito perfeito: eu vim, ele veio, nós viemos, eles vier(am)
Futuro do subjuntivo: quando eu vier, ele vier, nós viermos, eles vierem.

 

Moleza, não? Quem conhece esse truque não tropeça em questões malandras.
 
Os concorrentes

 

Muita gente confunde ver com vir. A razão é simples: na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo, os dois se parecem:
vir: eles vêm
ver: eles veem

Como não se atrapalhar com eles? Existe um macete. Na dúvida, dê uma espiadinha na 3ª pessoa do singular. Se ela terminar com e e tiver acento, não duvide. Na 3ª pessoa do plural, dobre o e :

ele vê -- ­ eles veem
ele lê --­ eles leem
ele crê --­ eles creem

 

Compare:

ele vem --­ eles vêm
ele tem --­ eles têm

 

Irmãozinho

As 3ªs pessoas do verbo vir têm irmãozinhos. São as 3ªs pessoas do verbo ter. Compare:

ele tem --­ eles têm
ele vem ­-- eles vêm

Teste

 

Está pra lá de certa a frase:
a. Logo que eu vir da reunião, faço o trabalho.
b. Logo que eu vier da reunião, faço o trabalho.

 

A resposta? A b , claro.

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Segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 05:00 pm

Erramos



Inimigos da concordância? Há muitos. Um deles se chama distância. O verbo ficou longe do sujeito? Não dá outra. A gente o esquece. Vale o exemplo de hoje. Escrevemos na pág. 7: “Segundo relatos, o grupo chegou ao local em 10 carros, renderam o porteiro e alguns moradores”. Viu? O primeiro verbo respeitou o sujeito (grupo). O segundo partiu pra ignorância. Culpa da lonjura. 

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Segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 04:56 pm

Fale Certo

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Segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 07:30 am

Armando Nogueira disse



“Não gosto de escrever. Gosto de ter escrito.”

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Segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 07:00 am

Xô, confusão



    Há palavras e expressões que confundem. Parecidas, parecem iguais. Mas não são. Valem os exemplos de caso e acaso ou de despender e dispender. Você sabe empregá-las conforme manda o figurino? Para responder com 100% de acerto, faça o teste. Leia as frases com atenção. Depois, assinale as que merecem nota mil:

   
    a. Se acaso você chegar a tempo, grave o capítulo de Maysa.

    b. Se caso você chegar a tempo, grave o capítulo de Maysa .
    c. Eu tinha despendido muito dinheiro nas compras de Natal quando chegou o convite para a viagem.
    d. Eu tinha dispendido muito dinheiro nas compras de Natal quando chegou o convite para a viagem.
    e. Caso despenda muito dinheiro nas férias, dificilmente você poderá fazer a viagem conosco.

   
   E daí?

   Marcou as letras a , c , e ? Pra lá de certo. Você sabe distinguir alhos de bugalhos. Siga em frente. Preferiu outras letras? Nada feito. Respire fundo, arregace as mangas e ponha mãos à obra.


Caso e acaso

   

    Acaso e caso têm um ponto em comum. Indicam condição. E têm um ponto diferente. É o emprego. Acaso exige a conjunção se . Caso dispensa-a. Compare: 
   Se acaso você chegar a tempo, grave o programa da Maysa. Caso você chegue a tempo, grave o programa da Maysa. Se acaso você quiser fazer o vestibular da UnB, terá de se inscrever até o dia 24. Caso você queira fazer o vestibular da UnB, terá de se inscrever até o dia 24.


Despender e dispender

   

     Despender é fazer despesas. Daí o e . Dispender não existe. Nasceu de uma baita confusão. Por quê? Há palavras da família de despender que se escrevem com i. É o caso de dispêndio e dispendioso. Abra o olho! Com elas, todo o cuidado é pouco.



Teste

    Entendeu? Então escolha a frase certinha da silva:
    a. Se acaso você despender muita energia, estará cansado na festa de logo mais à noite.
    b. Se caso você dispender muita energia, estará cansado na festa de logo mais à noite.


A resposta? É a a , claro.




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Segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 12:06 am

Horacio Quiroga ensina

 

 

"Não comece a escrever sem saber aonde vai. Em um bom texto, as três primeiras linhas têm quase a mesma importância que as três últimas."

 

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Segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 12:05 am

Time seleto

 

 

Há vícios que pegam. Um deles:trocar a terminação dos verbos terminados em uir. A 3 ªpessoa do singular do presente do indicativo termina em i (possui, contribui, substitui). Mas só vê o e no lugar do i . O troca-troca tem explicação. Chama-se semelhança. Como são verbos de 3 ª conjugação, os desavisados dão-lhes a terminação dos simplesmente terminados em i (parte, dorme, veste). Nada feito. A família uir jogam time mais seleto. PT saudações. 

 

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Segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 12:01 am

Idiossincrasia

 

 

Escreve Pedro Rogério: "Um inesquecível chefe de redação, Evandro C arlos de Andrade, dava parabéns ao redator que escrevesse p a r e n t e para designar pessoa da família. E mandava fuzilar quem escrevesse f a m i li a r. " Familiar é adjetivo", ensinava. "O substantivo é parente".

 

Convenhamos. É questão de preferência. O dicionário registra familiar como substantivo também. Uma ou outra palavra merecem nota10. É acertar ou acertar.

 

 

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Segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 12:00 am

De hábitos e monges

 

 

O Gledson Reis acordou encucado. U m dito popular não lhe saía da cabeça. É "o hábito faz o monge" Afinal, que hábito é esse? O de vestir? Ou o uso habitual? Sem paz, tomou Lexotan. A ansiedade passou. Mas o martelar da dúvida permaneceu impiedoso. Ele, então, com medo de enlouquecer, pediu socorro o blog.

 

Quando nasceu, o provérbio tinha sentido contrá rio do atual. Era "o hábito não faz o monge". Tradução: os homens não devem ser julgados só pela aparência, mas também por seus atos e condutas. T empos depois, ganhou versão contrária. O responsável? Nosso José de Alencar. E m 1 8 5 4 , no folhetim Ao C o r r e r d a P e n a , o cearense escreveu: "Hoje, apesar do rifão antigo, todo o mundo entende que o há bitofaz o monge. V ista alguém uma calça velha e uma casaca de cotovelos roídos. Embora seja o homem mais relacionado do Rio, passará incógnito e invisível".

 

M oral da história: a bela plumagem faz os pássaros belos. 

 

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Domingo, 11 de janeiro de 2009 12:00 am

O que fica?

 

 

Que confusão! A reforma ortográfica fez nós e nós na cabeça dos brasileiros. O tumulto chegou a tal ponto que deu margem a delírios à mil e uma noites. Fala-se em fim dos acentos. Decretou-se que viúva perdeu o grampo. Decidiu-se que têm e vêm deram adeus ao chapéu e, embora com menos charme, sentem-se mais livres e soltas.


"Alto lá", dizem as palavras indignadas. Com razão. Elas há muito assinaram um contrato e o registraram em cartório. Quando o português usava fraldas, lá pelo século 12, era pra lá de difícil acertar a sílaba tônica dos vocábulos. Rubrica ou rúbrica? Nobel ou Nóbel? Que rolo! As ilustres senhoras, então, se reuniram em conselho. Discute daqui, negocia dali, ajeita dacolá, firmaram este acordo:


Artigo 1º — As palavras terminadas em a , e e o seguidas ou não de s são paroxítonas.


Artigo 2º — As terminadas em i e u seguidas ou não de qualquer consoante são oxítonas.


Artigo 3º — Quem se opuser ao acordo será punido com acento gráfico.

 

Protestos

Acordo implica renúncias, perdas e ganhos. O melhor é aquele no qual todos ficam satisfeitos. Não foi o caso do acerto feito pelas poderosas da língua. Daí os protestos. As primeiras a reclamar foram as proparoxítonas. Se aderissem ao acordo, elas desapareceriam. Por isso todas se enquadraram no artigo 3º. Rebeldes, são acentuadas: rítmico, álibi, satélite.

As oxítonas também demonstraram descontentamentos. Pura ciumeira. Elas foram brindadas com duas vogais (i, u). As paroxítonas, com três (a, e, o). Por isso a maior parte das palavras em português tem o acento tônico na penúltima sílaba. A menor? Na antepenúltima. As proparoxítonas são minoria.
 

Inimizade eterna

 

Oxítonas e paroxítonas são inimigas até hoje. O que acontece com umas não acontece com as outras. Quer ver? Compare:
 
Oxítonas

1. Terminadas em i e u seguidas ou não de qualquer consoante: não são acentuadas (tupi, tupis, caju, cajus, partir)

2. Terminadas em a , e , o :
2.1. seguidas ou não de s: são acentuadas (está, estás; você, vocês; compô-lo, compôs)
2.2. seguidas de consoante diferente de s: não são acentuadas (jornal, vender, Nobel, amor)
Exceção: em, ens (refém, reféns).
 
Paroxítonas

1. Terminadas em a, e , o :
1.1. seguidas ou não de s : não são acentuadas (rubrica, rubricas; vende, vendes; livro, livros)
1.2. seguidos de consoante diferente de s : são acentuados (tórax, revólver, Nélson)
Exceção: am, em, ens (amam, nuvem, nuvens)
2. Terminados em i e u seguidas ou não de qualquer consoante: são acentuadas (táxi, difícil, ônus)
 

Fatos estranhos

 

Reparou? Por causa do acordo, há fatos estranhos. É o caso da grafia de hífen , éden e poucas mais. No singular, elas têm acento. No plural, não (hifens, edens). Por quê? Trata-se da velha briga entre oxítonas e paroxítonas. As oxítonas terminadas em ens são acentuadas (armazéns). As paroxítonas não.


Reforma ortográfica

 

Guarde isto: antiguidade é posto. A reforma ortográfica não tocou nem uma vírgula do acordo. O que ali está firmado continua válido. As mudanças atingiram outras regras.

Como foram as grandes vencedoras do acordo do século 12, as paroxítonas receberam o troco agora. A reforma só mexeu nelas. Perderam o acento os hiatos oo e eem (voo, perdoo, zoo; leem, deem, veem), o u tônico dos verbos apaziguar, arguir, averiguar & cia. (apazigue, averigue, argue), o i e o u antecedidos de ditongo (feiura, Sauipe), os ditongos abertos ei e oi (ideia, joia); os acentos diferenciais (para, pelo, polo, pera).
Exceção: pôde.

Por ter atingido só as paroxítonas, as oxítonas e os monossílabos tônicos mantêm os acentos intocáveis. Joia perde o acento por ser paroxítona. Herói o conserva por ser oxítona. Dói, monossílabo tônico, também permanece com o agudão.

 

Ufa!
 

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Sábado, 10 de janeiro de 2009 12:00 am

O peru, o galo e a raposa -- a prudência

 

 

Era uma vez…

O peru e o galo viviam pra lá de bem. Comiam milho à vontade, passeavam na floresta, dormiam em galhos de árvores. Eram gordos e felizes. Um dia a raposa os viu no alto de uma mangueira. Lambeu os beiços. Morta de fome, pensou:


— Encontrei minha comida de hoje.


O galo, quando a viu, achou graça. Sabia que raposa não sobe em árvore. Por isso estava seguro. O peru, coitado, tremia como vara verde. Não ouvia as palavras do peru. Só olhava pra criatura lá embaixo. A raposa fazia caretas, mostrava os dentes, fingia que ia avançar. Ele tremia, tremia, tremia. Não dormiu a noite inteira. Resultado: caiu da árvore.

*

Que coisa, hein? O galo sabia que a raposa era perigosa. Mas não podia subir na árvore. Por isso não deu bola pras ameaças dela. O peru bobeou. Sabia, mas não confiou. Luã viveu um caso parecido. Ele estava no parque quando viu uma briga de meninos. Eles atiravam pedras pra todos os lados. Ele entrou no castelinho, fechou a porta e esperou a confusão passar. A mãe dos garotos chegou e pôs os brigões no castigo. Luã saiu do esconderijo e continuou a brincar.  

*

Moral da história: ter cuidado é bom. Mas não exagere.

 

(Fábula publicada no suplemento Super, que circula aos sábados no Correio Braziliense)

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Sexta-feira, 09 de janeiro de 2009 07:00 pm

De olho na reforma



Clara Arreguy


Dois ecochatos — sem hífen — conversam ao balcão da cantina:

— Os meus pães de queijo podem vir embrulhados no saco de papel. É para economizar.

— Como assim, para economizar? Você não pensa nas árvores derrubadas para fabricar este papel?

— Mas se vierem no pratinho de vidro, ele terá que ser lavado. E a água que será desperdiçada lavando tanto pratinho?

— Você prefere derrubar árvores?

— Você prefere consumir água, recurso não-renovável?

— Você não acompanha os níveis de desmatamento?

— Você não sabia que a guerra em Gaza tem como pano-de-fundo a disputa por mananciais de água?

— Com hífen ou sem hífen?


Na reforma ortográfica parou a diatribe entre os ecoxiitas. Como tudo agora. Para estranhamento de uns, revolta de outros, indignação de alguns. Afinal, em que a mudança de acentos e hífens pode prejudicar quem leva sua vida distante do mercado editorial ou da função de revisor — esses, sim, têm (ainda acentuado) interesse direto na questão.

Para facilitar a memorização das regras e acostumar a vista à nova grafia de palavras, o pessoal do caderno C travou o seguinte diálogo:

— Apoio a estreia do asteroide da Coreia junto à plateia europeia. Uma jiboia heroica na assembleia. Há paranoia na ideia da boia em forma de joia.

— Fiquem tranquilos que os erros serão frequentes, mas não hesitem em usar a metalinguística!

— Os voos ao zoo atenderão aos que creem que leem os maoistas.

— Que a feiura das ideias apazigue o heroico apoio dessa assembleia frequente de paranoia linguística.

— Tudo com linguiça, por favor!

— Vejo feiura nas linguiças expostas na baiuca.

— Vamos esquentar tudo no micro-ondas e depois jogar de paraquedas sem anti-inflamatório na cabeça do mandachuva dessa reforma, que deveria ter sido inter-regional mas atingiu toda a circum-navegação!!!!

— No sub-reino tem mini-hotel com micro-ondas de ultrassom antissocial e autossustentável!

— Uma ideia europeia no país do amoré-guaçu, do anajá-mirim e do capim-açu.

E tenho dito!



(artigo publicado em Opinião do Correio Braziliense )

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