Quarta-feira, 11 de março de 2009 07:56 am

Kalil Gibran ensinou



"O juiz deve julgar pelo que houve, não pelo que ouve."

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Quarta-feira, 11 de março de 2009 07:55 am

Suicidar-se


Cristiane Melo escreve: "Está correto dizer que alguém se suicidou? Acho exagerado! Tenho a impressão de que o sui- já dá a idéia de se, si mesmo. Nesse caso ficaria: alguém se matou a si mesmo? No Houaiss eletrônico , para minha surpresa, só existe suicidar-se, o que me deixou ainda mais confusa. Estou errada?"


Pois é, Cristiane. A língua tem razões que a própria razão desconhece. Suicidar-se é sempre pronominal. Talvez porque tenhamos memória e fraca e esquecemos a etimologia da palavra. Assim, conjuguemos o verbinho como manda o dicionário: eu me suicid o, ele se suicida, nós nos suicidamos, eles se suicidam.

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Terça-feira, 10 de março de 2009 07:38 pm

Dicas para Concursos

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Terça-feira, 10 de março de 2009 06:00 pm

Wilson Ximenes observa


 
Prezada Dad


Na página 7 da edição do Correio Braziliense de hoje, está escrito: "Em janeiro, manteve o mesmo percentual de retração de novembro, de 7%". Manter o mesmo é pleonasmo, não? Se não for o mesmo, o verbo dá passagem a outros. Pode ser mudar. Ou alterar.
 

Na mesma página, a manchete "Mudanças no Judiciário" possibilita interpretação equivocada. É que a matéria aponta substituições na Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF). No entanto, a PGDF não é órgão do Poder Judiciário, como levar a crer o título, é do GDF. Logo, a manchete correta poderia ser "Mudanças no GDF". Além disso, o Distrito Federal não possui Poder Judiciário. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, por exemplo, ao contrário do que muitos pensam, não é órgão do GDF, é da União.
 

Grato
 

Wilson Ximenes

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Terça-feira, 10 de março de 2009 02:00 pm

Promessa da Dad



Amanhã o blog trará os esclarecimentos feitos pela ABL (apresentados na íntegra em dois posts) explicados tintim por tintim. Por ora, leia o texto dos donos do acordo. Registre as dúvidas. Se puder, faça comentários.

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Terça-feira, 10 de março de 2009 01:00 pm

Notícias da Academia Brasileira de Letras



ABL ANUNCIA PARA O DIA 19/3 O LANÇAMENTO DO VOLP

 

E   EXPLICA OS CRITÉRIOS DEFINITIVOS PARA A IMPLANTAÇÃO DO

 ACORDO ORTOGRÁFICO  NO BRASIL

 


Volume   contém  349.737 vocábulos distribuídos em   887 páginas

 


O presidente da Academia Brasileira de Letras, Cícero Sandroni, anunciou hoje que será no   próximo  dia 19, às 17h30min, no Petit Trianon, o lançamento da  quinta  edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), que incorpora as novas normas estabelecidas pelo Acordo Ortográfico de 1990, regulamentado   no Brasil por   força de decretos assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na ABL, no dia 29 de setembro do ano passado,  e já em vigor desde  1º de janeiro deste ano.


O volume, de 887 páginas, contém     349.737    vocábulos, apresentados    sob forma de lista, por ordem alfabética, incluindo-se a classificação gramatical de cada um , além  dos estrangeirismos (cerca de 1.500), que  aparecem na parte final  da obra. A impressão    foi confiada pela ABL  à editora Global . 


Sandroni afirmou  que,   com o lançamento, “a língua portugusa deixa para trás a condição de ser idioma cujo peso cultural e político ainda  encontrava, na vigência de dois sistemas ortográficos oficiais,   um entrave ao  seu prestígio e difusão internacional”.


Acrescentou   que “ esta edição se apresenta   aumentada em seu universo lexical, corrige falhas tipográficas e oferece informações ortoépicas sobre possíveis dúvidas resultantes do emprego de algumas das normas ortográficas”.


Sandroni  também informou que, antes do dia 19, a Academia deverá entregar, em Brasília,  alguns volumes prioritários ao Presidente Lula, aos presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados  e aos Ministros da Educação, Cultura e Relações Exteriores.

 


NOTA EXPLICATIVA

 

A ABL também apresentou hoje  texto de   Nota Explicativa na qual informa sobre os procedimentos metodológicos seguidos na elaboração desta 5º edição do Volp.


O acadêmico Evanildo Bechara, coordenador da Comissão de Lexicografia e Lexicologia da ABL (integrada por ele e pelos acadêmicos Eduardo Portella e Alfredo Bosi), disse que, “com a realização deste trabalho, a ABL  traz contribuição relevante ao sonho de unificação ortográfica acalentado por tantos filólogos portugueses e brasileiros. Acreditamos ter contribuído para a a elaboração do futuro Vocabulário Ortográfico Comum da língua portuguesa, tarefa não só proposta pelos signatários do novo acordo, mas que foi também sonho dos fundadores da ABL em 1897”.


Sobre a Nota Explicativa (texto apresentado em post à parte),  Bechara ressaltou a  importância de que  a opinião pública seja  corretamente informada a respeito dos  quatro princípios  norteadores adotados pela ABL  e que “garantem fiel compromisso aos propósitos dos signatários oficiais do Acordo”
        


São os seguintes  esses  princípios:

 

a) respeitar a lição do texto do Acordo;

b)  estabelecer uma linha de coerência do texto como um todo;

c) acompanhar o espírito simplificador do texto  do Acordo.

d) preservar a tradição ortográfica refletida nos formulários e vocabulários oficiais anteriores,  quando das omissões do texto do  Acordo.

 

Bechara  alertou para a necessidade de que a correta assimilação das modificações ortográficas dependerá , com  mais  facilidade,  do adequado conhecimento  que  as instituições de ensino, editores, o público em geral tenham  a respeito  das normas ortográficas vigentes até 1990.

 

 

(Informação distribuída pela ABL)

 

               

 

               

 



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Terça-feira, 10 de março de 2009 12:50 pm

Nota explicativa da ABL



DA
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS SOBRE OS  PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS SEGUIDOS NA ELABORAÇÃO DA 5ª EDIÇÃO DO VOLP,  EM CONSONÂNCIA COM O QUE DISPÕE O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA E A NOTA EXPLICATIVA QUE LHE SERVE DE ADENDO COMO ANEXO II, APROVADO EM  LISBOA EM 1990

O sintético e enxuto texto oficial do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa levou esta Comissão e sua Equipe de Lexicografia a procederem a minuciosa análise de suas Bases para que o numeroso repertório lexical que integra a  a 5ª edição do VOLP correspondesse com rigor aos propósitos unificadores e simplificadores das delegações oficiais signatárias do supracitado texto.


Preliminarmente, cabe insistir no propósito de o  novo Acordo Ortográfico  proporcionar razoável simplificação no uso de sinais diacríticos auxiliares do sistema ortográfico, especialmente no emprego mais parcimonioso de acentos gráficos com função de diferenciação semântica e gramatical, como começara, no Brasil, nas alterações aprovadas em 1971, algumas das quais já correntes em Portugal, sancionadas  pelo texto oficial de 1945.


Tais iniciativas devolviam ao contexto escrito –o que constituíra prática antiga no sistema ortográfico da língua portuguesa- a tarefa de desfazer possíveis duplicidades de interpretação  motivadas pelas homografias entre palavras. O Acordo estendeu, por coerência, à participação elucidadora do contexto o mesmo papel de desfazer ambiguidades, quando propôs a supressão do hífen  nas  locuções de quaisquer naturezas, eliminando ainda,  com a providência, para o homem comum, a razão, nem sempre ao seu alcance, de perceber artificialismos gráficos do tipo, por exemplo,  do emprego de à toa ( sem hífen),  quando locução adverbial (viajou à toa)    de à-toa  (com hífen), quando locução adjetiva (problema à-toa) , práticas então vigentes entre brasileiros.


As críticas que em Portugal se fizeram ao texto de 1986 e hão, em rigor, de prevalecer para o texto de 1990, pelas quais o excesso de homografias provocado também pela omissão do hífen nas locuções iria trazer dificuldades para o entendimento do homem comum, não têm fundamento nem lógico, nem histórico. Não têm fundamento lógico  porque cresceu o número de homografias vocabulares quando o Acordo de 1945 suprimiu.  em Portugal, o acento diferencial de formas como  sede (ê) e sede (é) , o primeiro,  verbo e substantivo;o segundo, substantivo. Ninguém veio à rua brigar, protestando contra a simplificação. E a medida  deve ter agradado tanto, que em 1971 o Brasil a agasalhou, excluindo apenas os casos em que o  acento agudo marcava  a distinção entre vocábulos tônicos e vocábulos átonos, como pára, verbo, e para, preposição. Desapareceu, com isto, o fundamento histórico.


Se, desde o início da língua escrita portuguesa, aí pelos séculos XII ou XIII, até a época em que os ortógrafos do séc. XIX sistematizaram o emprego do acento diferencial, o contexto oral ou escrito, coadjuvado pela situação e pelos saberes que o utente opera em favor da perfeita comunicação linguística, cumpriu adequadamente ser papel desambiguizador das incômodas homografias, podemos ter a certeza de que os utentes do século XXI terão o poder de sagacidade para continuar dispensando tais artifícios diferenciadores num sistema ortográfico que se quer mais simples, coerente e científico.


Para viabilizar o rico repertório lexical desta 5ª edição do VOLP com o sintético e enxuto texto do Acordo de 1990, esta Comissão estabeleceu quatro princípios metodológicos que, pelo que se lhe afigura, garantem fiel compromisso aos propósitos dos signatários oficiais:


a) respeitar a lição do texto do Acordo;
b)- estabelecer uma linha de coerência do texto como um todo;
c) acompanhar o espírito simplificador do texto  do Acordo.
d) preservar a tradição ortográfica refletida nos formulários e vocabulários oficiais anteriores,  quando das omissões do texto do  Acordo.


São as seguintes principais medidas tomadas por esta Comissão:


1)- Restabelecer o acento gráfico nos paroxítonos com os ditongos ei e oi
quando incluídos na regra geral dos terminados em –r: Méier, destróier, blêizer


2)- Restabelecer o acento circunflexo nos paroxítonos com o encontro  ôo  quando incluídos na regra geral dos terminados em –n: herôon


3)- Incluir na regra geral de acentuação os paroxítonos terminados em –om: iândom, rádom (variante de rádon)


4)- Incluir o emprego do acento gráfico na sequência ui   de hiato, quando a vogal   tônica for  i  , como na  1ª pessoal do singular do pretérito do indicativo: arguí


5)- Limitar as exceções de emprego do hífen às palavras explicitamente relacionadas no Acordo, admitindo apenas as formas derivadas e aquelas consagradas pela tradição ortográfica dos vocabulários oficiais, como passatempo


6)- Incluir  no caso 1º da Base XV o emprego do hífen nos compostos formados com elementos repetidos, com ou sem alternância vocálica ou consonântica de formas onomatopeicas, por serem de natureza nominal, sem elemento  de ligação, por constituírem unidade sintagmática e semântica e por  manterem acento próprio, bem  como as formas deles derivadas, conforme preceitua o texto oficial: blá-blá-blá,  reco-reco, trouxe-mouxe, zigue-zaguear


7)- Incluir no caso 3º da Base XV, relativo às denominações botânicas e zoológicas, as formas designativas de espécies ou  produtos afins e derivados, conformer prática da tradição ortográfica: azeite-de-dendê, bálsamo-do-canadá, água-de-coco


8)- Excluir do emprego do hífen as formas homógrafas de denominações botânicas e zoológicas  que têm significações diferentes àquelas: bico de papagaio,  “nariz adunco”,     “saliência óssea”


9)- Excluir o prefixo co do caso 1º, a), da Base XVI por merecer do Acordo exceção especial na Obs. da letra b) da mesma Base XVI e por também poder ser incluído no caso 2º, letra b), da Base II (coabitar, coabilidade, etc.). Assim, por coerência, co-herdeiro passará a coerdeiro


10)- Incluir, por coerência e  em atenção à tradição ortográfica, os prefixos re-, pre-  e pro-  à excepcionalidade do prefixo co- , referida na Obs. da letra b)- do caso 1º da Base XVI: reaver, reeleição, preencher, proótico.


11)- Registrar a duplicidade de formas quando não houver perda de fonema vocálico do 1º elemento e o elemento seguinte começar por h- , exceto os casos já consagrados , com eliminação desta letra: bi-hebdomadário e biebdomadário, carbo-hidrato e carboidrato, mas só cloridrato.


12)- Incluir entre as  locuções, portanto não hifenadas, as unidades fraseológicas constitutivas de lexias nominalizadas do tipo de deus nos acuda, salve-se quem puder, faz de conta , etc.


13)- Excluir o emprego do hífen nas expressões latinas quando não aportuguesadas: ab ovo, ad immortalitatem, carpe diem, in octavo, mas
in-oitavo  


14)- Excluir o emprego do hífen com o prefixo an-  quando o 2º elemento começar por h-  , letra que cai, à semelhança dos prefixos des-  e in-:
anistórico, anepático .  Na forma a-   usa-se o hífen e não se elimina o h-
a-histórico


15)- Excluir o emprego do hífen nos casos em que as palavras não e quase funcionam como prefixos: não agressão, não fumante, quase delito, quase irmão


Está claro que, para atender a especiais situações de expressividade estilística com a utilização de recursos ortográficos, se pode recorrer ao emprego do hífen nestes e em todos os outros casos que o uso permitir. É recurso a que se socorrem muitas línguas. Deste não  hifenado se serviram no alemão Fichte e Hegel para exercer importante função significativa nas respectivas terminologias filosóficas: nicht-sein e nicht-ich,  de que outros idiomas europeus se apropriaram como calcos linguísticos. Não é, portanto, recurso  para ser banalizado.


É evidente que tais propostas, sempre dimanadas de escrupulosa leitura e interpretação do texto do Acordo e de sua Nota Explicativa, estão sujeitas ao juízo crítico  dos especialistas para sugestões e  emendas que esta Comissão recolhe e agradece antecipada e cordialmente.

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Terça-feira, 10 de março de 2009 12:30 am

Buffon ensinou


"O estilo é o homem."

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Terça-feira, 10 de março de 2009 12:00 am

Moçada, olho no plural




A regra é fácil como andar pra frente. Mas dá nó nos miolos de estudantes e de profissionais com quilômetros rodados. Trata-se de distinguir o singular e o plural de verbos pra lá de conhecidos. Dois deles jogam na mesma equipe. São ter e vir. Vale lembrar que eles têm família. Filhos, irmãos, tios e primos das pequeninas criaturas contribuem para a confusão. A origem do tumulto reside na pronúncia.


Que tal desatar os nós? Comecemos pelo faladíssimo ter. Marque a forma certíssima da silva:


  1. ele tem, eles têm
  2. ele tem, eles teem
  3. ele tem, eles têem

 


E daí?


E daí? Marcou a letra a ? Viva! Ele tem. Eles têm. Singular e plural soam do mesmo jeitinho. Mas a escrita diferencia os dois números. Brinda o plural com chapéu pra lá de charmoso e, por isso, não admite que o acessório passe despercebido. Exige que olhemos pra ele e o mantenhamos no lugar. Assim: Um dos assaltantes tem ficha limpa. Os demais têm passagem pela polícia.



Filhotes


Manter, conter, deter, reter & cia. são filhotes de ter. Eles têm algo mais que o paizão. Ao ganhar sílabas, deixam o time dos monossílabos. Obedecem, então, à regra de acentuação gráfica da nova turma. No caso, as oxítonas. No singular, exibem grampinho pra lá de vistoso. Tu manténs, ele mantém; tu conténs, ele contém; tu deténs, ele detém; tu reténs, ele retém se juntam a armazém, armazéns, amém, améns, porém, parabéns. Olho vivo! O plural não muda (mantêm, contêm, detêm, retêm).



Vir


Vir segue modelo idêntico ao ter (ele vem, eles vêm). Os derivados também percorrem a trilha tintim por tintim. É o caso de convir, provir, advir. Vale o exemplo de intervir: Tu invervéns nos negócios da tua família. Maria intervém nos da família dela. João e Rafael intervêm nos deles e nos da família. Queiram ou não, todos intervêm nos assuntos de uns e outros. Valha-nos, Deus!

 


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Segunda-feira, 09 de março de 2009 06:30 pm

Mão no fogo


Agiu erradamente? Agiu erroneamente? A dúvida bateu no José Cruz. As duas formas lhe pareciam corretas. Mas não punha a mão no fogo por nenhuma. O jeito? Consultar a gramática. Lá, encontrou a resposta. Os advérbios terminados em -mente se formam de adjetivos femininos: bela (belamente), sábia (sabiamente), feia (feiamente), sensata (sensatamente).


Existem dois adjetivos derivados de erro. Um: errado. O outro: errôneo. Ambos têm o gênero feminino. Conclusão: erradamente e erroneamente merecem nota mil. Palmas pra eles.

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Segunda-feira, 09 de março de 2009 06:00 pm

Morfeu, o dono do sono


Morfeu é um deus grego. Com as asas enormes, voa muito rápido. Num abrir e fechar de olhos, está no Japão. Dali a pouco, vai à Patagônia. Se sente vontade, dá uma voltinha em Nova York. Em seguida, vem a Pindorama curtir o Cristo Redentor.


No vai-e-vem, carrega uma papoula na mão. Com ela, faz as pessoas dormirem. Ele toca a criatura com a flor. Dá uma moleeeeeeeza. A criança ou o adulto não tem saída. Cai nos braços de Morfeu.


Há pessoas que não conseguem dormir. Às vezes, porque sentem muitas dores. Gemem. Choram. E nada de fechar os olhos. Com a papoula, Morfeu prepara uma poção mágica. O doente toma-a. A dor se vai. O sono vem. Ah, que bom! A poção é a morfina. O nome presta homenagem ao deus. Ele merece.


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Segunda-feira, 09 de março de 2009 05:00 pm

Erramos


"Nunca comparecer a um encontro marcado virtualmente sozinho", escrevemos na pág. 15. Viu o problema da colocação? O encontro não é marcado sozinho como diz o texto. O sozinho se refere a comparecer . Assim: Nunca comparecer sozinho a um encontro marcado virtualmente.

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Segunda-feira, 09 de março de 2009 08:30 am

O sufixo –isar não existe



Os professores repetem e repetem. O sufixo -isar não existe. Mal eles falam, a meninada se lembra de paralisar, analisar, pesquisar. As quatro letrinhas lá estão, firmes e fortes. Também se lembram de civilizar, organizar, catequizar & cia. Como explicar a aparente contradição? É simples. A chave da resposta se encontra no nome que dá origem ao verbo.

 


Vale o exemplo de analisar. Ele é derivado de análise. Ora, se análise tem s no radical, nada mais justo que ele se mantenha no verbo. É o caso de bis (bisar), catálise (catalisar), pesquisa (pesquisar), análise (analisar), liso (alisar), improviso (improvisar). Reparou? O is faz parte da palavra primitiva. O verbo se formou com o acréscimo do ar . Palmas pro professor. Isar não existe.

 

 


A família das ilustres criaturas rezam pela mesma cartilha: análise, analisar, analisado, analisador; paralisia, paralisar, paralisante, paralisado, paralisação; pesquisa, pesquisar, pesquisador, pesquisado; catálise, catalisador, catalisante, catalisado; impriviso, improvisar, improvisação, improvisado, improvisador. E por aí vai.



Como explicar a presença do -izar em   amenizar, capitalizar, humanizar e simbolizar etc. e tal? Os coitados não têm o s onde o ar possa se agarrar. Precisam de uma ponte. Construíram o iz , que se mantém nos derivados: ameno (amenizar, amenização), capital (capitalizar, capitalização, capitalizado), humano (humanizar, humanização, desumanizado), canal (canalizar, canalizado, canalizante).

 


Alguns são privilegiados. Têm o z no radical. Nada mais justo que respeitar a família. É o caso de cicatriz (cicatrizar, cicatrização), deslize (deslizar), juízo (ajuizar, ajuizado), cicatriz (cicatrizar, cicatrização), raiz (enraizar, enraizado).

 


Moral da história: o emprego de isar e izar é questão de fam ília.

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Segunda-feira, 09 de março de 2009 08:00 am

Estrangeiro fica no meio do caminho


 

Filho de peixe peixinho é? É. A hereditariedade não pesa só nos reinos animal e vegetal. Pesa também no linguístico. Por isso as palavras derivadas seguem as primitivas. Sem vacilar, ficam no encalço de pai e mãe.

 


Se a primitiva se escreve com s, a derivada não hesita. Vai atrás. Se com z, x, ch ou qualquer outra letra, também. Pode ser adjetivo, verbo, substantivo. A regra vale pra todos. Exemplos pululam a torto e a direito.

 


Eis alguns: atrás, atraso, atrasar, atrasado; exame, examinar, examinador, examinado; fazer, fazedor, fiz, fez; cheio, encher, enchente; charco, encharcar, encharcado; paralisia, paralisar, paralisante, paralisação.

 


A origem é levada tão a sério que nem os nomes estrangeiros escapam. Mas lidar com eles exige algo mais que o respeito à família. Os importados ficam no meio do caminho. Eles têm um olho na nacionalidade. O outro, na língua portuguesa. Em outras palavras: respeitam a grafia original. Depois, acrescentam os sufixos ou prefixos como se a palavra fosse 100% nacional.

 


O resultado é híbrido – meio estrangeiro, meio português. Mas tem seu charme. Veja: Freud (freudiano), Marx (marxismo, marxista), Hollywood (hollywoodiano), Spielberg (sipelberguismo, spelberguiano), Kant (kantiano, pós-kantismo), Byron (byronismo, byroniano), Shakespeare (shakespeariano), Bach (bachianas), Hobbes (hobbesiano), Sarney (sarneysismo), Taylor (taylorismo), Thatcher (thatcherismo), Weber (weberniano, pré-werberiano), windsurf (windsurfista), kart (kartismo, kartódromo).

 


Percebeu? A estrutura original do vocábulo permanece. Ela transmite o significado da palavra. É como o sobrenome. Com ele se identifica a família. Os híbridos

parecem adotar o conselho de Eça de Queiroz. “Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra. Todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro”.

 

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Domingo, 08 de março de 2009 05:00 am

Dia de saia e batom

 


Vão longe os tempos em que ela era a rainha do lar. Ou os tempos descritos pelo Padre Vieira. “A mulher”, dizia ele, “só deve sair de casa em três ocasiões: no batizado, no casamento e no enterro”. Os ventos mudaram. Embarcando na onda libertária da segunda metade do século passado, ela deu o grito de independência ou morte. Enfrentou preconceitos. Desfilou barriga grávida pelas areias de Copacabana. Queimou sutiã em praça pública. E chegou lá.

 

Hoje disputa direitos e divide deveres de igual para igual com o sexo oposto. Veste toga, ocupa assentos no Congresso, dirige estados e preside países. Mais: impôs mudanças na língua. Palavras antes só usadas no masculino ganharam forma de saia e batom. É o caso de bebê. O dissílabo englobava menininhos e menininhas. Agora a bebê pede passagem. O mesmo ocorre com presidenta. Presidente vale pra senhores e senhoras. Mas as poderosas preferem presidenta. Com o a, o feminino ganha visibilidade. Manda quem pode. Obedece quem tem juízo.
 

Pra lá de chique

 

É mulherzinha pra cá, mulherzinha pra lá, mulherzinha pracolá. O diminutivo ganha espaço cada vez mais generoso em casa e na rua. Grifes famosas lançam moda pra mãe e filha. São vestidos, calças, sapatos, bolsas etc. e tal iguaizinhos pra umas e outras. Daí a necessidade da forma que vale por duas -- mulherzinha indica tamanho pequeno e exprime carinho.

 

Vale a questão: como fazer o plural de criatura tão em alta? Ops! Esse plural tem tratamento pra lá de sofisticado. Pra chegar a ele, impõem-se três etapas. Uma: pôr a palavra primitiva no plural (mulheres). Duas: esconder o s (mulhere). A última: acrescentar o sufixo –zinhas (mulherezinhas).

 

A regra vale para as palavras que fazem o diminutivo com o acréscimo de –zinho: colherzinha (colherezinhas), caracolzinho (caracoizinhos), botãozinho (botoezinhos), igualzinho (iguaizinhos), papelzinho (papeizinhos), coraçãozinho (coraçõezinhos).
 

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Domingo, 08 de março de 2009 12:00 am

Ramón Gómez de La Serna conclui

 

 

"O livro é um pássaro com mais de 100 asas para voar."

 

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Sábado, 07 de março de 2009 12:30 pm

Arrepios

 

O jornal publicou: "Com suas fardas azuis-marinhos, os PMs ocuparam a área central de Brasília". O Flatônio viu. Arrepiou-se da cabeça aos pés. Ele aprendeu na escola uma regrinha pra lá de simples. O adjetivo azul-marinho é preguiçoso. Não tem feminino nem plural. Com ele é tudo igual: terno azul-marinho (ternos azul-marinho), vestido azul-marinho (vestidos azul-marinho), sandália azul-marinho (sandálias azul-marinho). Às vezes, o boa-vida deixa um pedacinho da palavra pra lá. Assume a forma marinho. Mas mantém-se invariável: bolsa marinho (bolsas marinho), vestido marinho (vestidos marinho). 
 

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Sábado, 07 de março de 2009 12:00 pm

Um pra lá e outro pra cá

 

 

O Roberto Pompeu de Toledo escreveu: "Numa parte, o sistema confirmou a capacidade de os Estados Unidos conviverem com situações de incerteza política." O Aníbal Barca leu. E comentou: "Sei que o texto está correto. Mas gostaria de saber o porquê do divórcio de de e os . Pode me explicar?"

 

Aníbal, na gramática nem todos são iguais perante a lei. Alguns são mais iguais. É o caso do sujeito. Dono e senhor da oração, ele manda e desmanda. Com ele ninguém pode. Um dos caprichos do mandachuva: nunca vir preposicionado. Por isso, nem em delírio combine o artigo ou o pronome que acompanha o todo-poderoso com a preposição. É briga certa. Dizer "é hora do show começar"? Pode lhe custar bons pontinhos na prova. Peça perdão de joelhos. E redima-se: É hora de o show começar.

 

Veja exemplos: É hora de o trem (sujeito) chegar. Sobre a possibilidade de Bush (sujeito) ganhar as eleições, muito se falará. É tempo de a TV (sujeito) diminuir a violência. A mesma distância aristocrática vale para o pronome. Diante do sujeito, não duvide. É um pra lá e outro pra cá: Chegou o momento de ela (sujeito) agir. Está na hora de eu (sujeito) entrar.

 

Não seja mais real que o rei. Só o sujeito rejeita a preposição. Os outros termos pertencem ao time dos iguais: É hora do descanso. Falamos sobre a possibilidade de reconciliação dos dois. Gosto dela. Dica: para ser mais igual, o sujeito vem seguido de verbo no infinitivo: Antes de o galo cantar, tu me negarás três vezes. Dito e feito. Amém. 
 

 

 

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Sábado, 07 de março de 2009 12:00 am

O burro e a sombra -- o detalhe e o principal


Era uma vez…


Paulo tinha de fazer uma viagem compriiiiiiiiiiiiiiiiiiida. Fazia muito calor. Resolveu, então, alugar carona num burro. O dono do animal e ele pegaram a estrada. No caminho, pararam pra descansar. O sol estava forte. Paulo se deitou debaixo do asno pra aproveitar a sombra.


O dono ficou com inveja. Também queria a somba. Mas ali só cabia uma pessoa. Começou a discussão. Paulo disse que alugou a carona e a sombra. O dono dizia que não. Só a carona. Enquanto batiam boca, ops! O burro fugiu pra bem longe. Os dois estão chupando o dedo sob um solão de 40 graus.


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Juca e Luís iam ao cinema. O ônibus passava às duas e meia. Eles estavam prontinhos pra sair quando Juca olhou pro tênis do irmão. Achou que a cor não combinava com a roupa. Luís pensava diferente. Considerava a cor pra lá de legal. A discussão foi longe. Quando pararam de bater boca, olharam pro relógio. Eram 3h. Resultado: perderam o ônibus e o filme. Bem-feito! Quem manda perder tempo com coisas sem importância?


*


Moral da história: Numa di scussão em torno do detalhe, a gente se descuida do assunto principal.

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Sexta-feira, 06 de março de 2009 04:00 pm

Erramos


"Policiais federais encontraram em um dos endereços do ex-técnico judiciário Hélio Garcia Ortiz em Brasília um centro de treinamento para rinhas de galo", escrevemos na pág. 21. Acredite: rinhas são sempre de galo. O "de galo" sobra.

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Sexta-feira, 06 de março de 2009 02:05 pm

A praga da frase


Existem palavras e expressões que viram praga. Espalham-se como água morro abaixo e fogo morro acima. Como quem não quer nada, caem na boca do povo. Todos as repetem como se fossem de carne e osso.


Uma delas é a nível de . No rádio, na tevê, nos discursos em plenário, na conversa dos amigos, pululam frases como estas:

Faço um curso a nível de pós-graduação.
A decisão foi tomada a nível de diretoria.
O projeto ainda está a nível de papel.


Outro dia, em festa no Itamaraty, Paulo chegou perto de Grace. Cheio de sedução, perguntou:


-- A nível de doce, qual desses você prefere?


O afetado espera a resposta até hoje.


Acredite: a nível de não existe. Xô!


O que há é ao nível de e em nível de . As duas expressões se parecem. Mas não se confundem:

Ao nível de significa à altura de : Recife fica ao nível do mar. O cargo de Maria está ao nível do de Luís.

Em nível de quer dizer no âmbito de : Faço um curso em nível de pós-graduação. A decisão foi tomada em nível de diretoria.


Cá entre nós. Em nível de existe. Mas é dispensável. Como tudo que é dispensável, sobra. Livre-se dele. A frase ganha em concisão e elegância: Faço um curso de pós-graduação. A decisão foi tomada pela diretoria. O projeto ainda está no papel.


É isso. A língua é um sistema de possibilidades. Democrática, dá liberdade de escolha. Podemos dizer a mesma coisa de diferentes maneiras. A mais curta e enxuta ganha disparado. Fique com ela.

 

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Sexta-feira, 06 de março de 2009 01:00 pm

Eu presenteio. E você?




Domingo é Dia Internacional da Mulher. Um verbo é pra lá de conjugado. Trata-se de presentear. Ele joga no time de cear, que, por sua vez, se flexiona do mesmo jeitinho de passear. A família -ear tem uma marca. O presente do indicativo e o presente do subjuntivo são perdulários. Têm uma letra a mais. É o i. Mas o nós e o vós não entram na gastança. Ficam com as outras pessoas dos outros tempos. Não querem saber da vogal excedente.


Veja:


Presente do indicativo: eu passeio (presenteio, ceio), tu passeias (presenteias, ceias), ele passeia (presenteia, ceia), nós passeamos (presenteamos, ceamos), vós passeais (presenteais, ceais), eles passeiam (presenteiam, ceiam)


Presente do subjuntivo: que eu passeie (presenteie, ceie), que tu passeies (presenteies, ceies), que ele passeie (presenteie, ceie), que nós passeemos (presenteemos, ceemos), que vós passeeis (presenteeis, ceeis), que eles passeiem (presenteiem, ceiem)


É isso. Antigamente eu presenteava e era presenteada. No ano passado, eu presenteei e fui presenteada. Hoje eu presenteio e sou presenteada. E você?

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Sexta-feira, 06 de março de 2009 08:30 am

Olho no adiar



Rafael Silva, do Guará, pergunta: "Li no jornal que “o presidente adiou a decisão pra depois”. Fiquei encucado. O “adiar pra depois” soou como o subir pra cima, descer pra baixo, entrar pra dentro, sair pra fora. Estou certo? Trata-se de pleonasmo?"


Palmas pra você, Rafael. Adiar é verbo pra lá de mascarado. Ao menor descuido, a gente deixa-se enganar. Não caia na dele. Pode-se trocar uma data por outra. Mas só se adia o evento propriamente dito. A razão é simples. Não se mudam as datas de lugar no calendário. Adia-se a festa. Não se adia a data da festa. Adia-se o tratamento. Nunca a data do tratamento. Mais: prazos podem ser ampliados ou encurtados. Nunca adiad os.

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Sexta-feira, 06 de março de 2009 08:00 am

Impresso ou umprimido?



Henrique Flores, de Imperatriz, pergunta: "Impresso ou imprimido? Nunca sei quando usar um ou outro. Pode me dar uma luz?"


Imprimir é verbo generoso. Tem dois particípios. Um é regular (imprimido). Outro, irregular (impresso). O emprego de um ou outro depende da companhia. Com os auxiliares ser e estar, é a vez de impresso: O livro foi (está) impresso. Com ter e haver, imprimido: Ele já tinha (havia) imprimido o cartaz quando descobriu o erro.



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Quinta-feira, 05 de março de 2009 05:42 pm

Dicas para Concursos

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Quinta-feira, 05 de março de 2009 02:10 pm

Mário Feitosa pergunta:

 

 

"Por isso ou porisso? Nunca sei."

Mário, guarde isto: por isso significa “por essa razão”. Ninguém escreve “por essa” junto, não é? Por isso segue a  mesma trilha. É um pra lá e outro pra cá. 
 

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Quinta-feira, 05 de março de 2009 02:00 pm

Verbo mascarado


 

Rafael, do Guará, escreve: "Li no jornal que `o presidente adiou a decisão pra depois´. Fiquei encucado. O `adiar pra depois´ soou como o subir pra cima, descer pra baixo, entrar pra dentro, sair pra fora. Estou certo? Trata-se de pleonasmo?

 

Palmas pra você, Rafael. Adiar é verbo pra lá de mascarado. Ao menor descuido, a gente deixa-se enganar. Não caia na dele. Pode-se trocar uma data por outra. Mas só se adia o evento propriamente dito. A razão é simples. Não se mudam as datas de lugar no calendário. Adia-se a festa. Não se adia a data da festa. Adia-se o tratamento. Nunca a data do tratamento. Mais: prazos podem ser ampliados ou encurtados. Nunca adiados.

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Quinta-feira, 05 de março de 2009 10:00 am

Taxar pode ser tachar

 

 

As palavras são enganosas. Às vezes parecem o que não são. É o caso de intempestivo. O vocábulo não tem nada que ver com temperamental. Refere-se a tempo, prazo. Os advogados o usam a torto e a direito. Volta e meia, lá está a declaração: "O recurso foi apresentado de forma intempestiva" (fora do prazo).

 

Outras vezes, são o que parecem não ser. Vale o exemplo de taxar. Seu significado vai além de tributar. Atrevido, o verbo avança no território do tachar. Aí, quer dizer avaliar, julgar, qualificar: Taxou a apresentação de perfeita. Taxou-o de ignorante.

 

Uma vez perguntaram ao velho professor Aires da Mata Machado Fº o porquê da ousadia. Ele ensinou: "O nó da questão está na etimologia e na semântica dos vocábulos. Taxar é regular o preço de alguma coisa. Daí avaliar, julgar. Assim, examinando o procedimento de alguém, posso taxá-lo de exemplar ou de incorreto. Mas não ficaria bem dizer que alguém tachou de exemplar seu procedimento.

 

Tachar vem de 'tachar´, que quer dizer mancha, defeito. Explica-se, pois, a mistura de águas nas vertentes semânticas dos dois vocábulos. É erro dizer tachar de bom um trabalho. Mas tanto se pode dizer taxar de bom como taxar de mau. Ambos os verbos significam, ao cabo de contas, o resultado de um julgamento".

 

Mas há um porém. A língua é como a mulher de César. A poderosa senhora, dizia-se em Roma, não só tinha de ser honesta. Precisava parecer honesta. A palavra não só tem de ser correta. Tem de parecer correta. É senso comum considerar taxar o ato de cobrar taxa. E tachar, avaliar, considerar. Assim: O diretor tachou o auxiliar de preguiçoso. O governo taxa pesadamente o contribuinte.

 

Vamos combinar? No dia a dia, siga a maioria. Em provas, vestibular e concurso, faça valer seus direitos. Se você perder pontos ao usar taxar como o dicionário abona, recorra. Com uma certeza – o que é seu ninguém tasca. 

 

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Quinta-feira, 05 de março de 2009 12:00 am

Porcada

 

 

Marcelo Abi circulava pela internet. Ao chegar à capa do UOL, ops! Eis o que leu: "Concorrência do concurso da Anatel chega a 2.535 por cada lugar". Recuperado do susto, comentou: " Uma vara de porquinhos vai compor o quadro da Anatel".


                
 

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Quarta-feira, 04 de março de 2009 12:10 am

É a pedra no caminho

 

 

Ops! O ano de 2009 começou farto. A safra de vexames bate recordes. Partidos vão pra lama. Políticos se afundam em denúncias. Executivos escondem com palavras o que os fatos teimam em mostrar. Resultado: o vocábulo escândalo reina glorioso. Figura em manchetes de jornais e na boca do povo, do povinho e do povão.

 

De onde vem ser tão abrangente? A criatura vem do grego. Na língua de Platão e Aristóteles, skándalon quer dizer pedra que faz tropeçar. Depois, passou para o latim. Com o tempo, mudou de país, idioma e cultura. Disseminou-se. Mas manteve o significado. Lá, cá e acolá, alia-se a erros e pecados. Valha-nos, Deus!
 

De castelos e mansões

 

O escândalo passou por Edmar Moreira, dono do castelo mineiro. Bateu no PMDB, o maior partido do país. Chegou ao diretor geral do Senado. Agaciel Maia mora em luxuosa mansão de luxuoso bairro de Brasília. A casa é dele, mas está no nome do irmão, o deputado João Maia. Sua Excelência não declarou o imóvel à Receita. O caso veio à tona. Agaciel teve de se explicar. Diante de microfones e câmeras, declarou: "O acerto foi feito entre eu e meu irmão. É coisa fraterna, de família".

 

Não convenceu. O xis da questão não se deve ao contrato de gaveta. Mas ao tropeço. Tal como diz a etimologia da palavra, escândalo é pedra que faz tropeçar. No caso, a pedra foi a língua. O pronome eu tem alergia a preposição. Antecedido pela indesejada classe, dá a vez ao mim: Gosta de mim (não de eu). Trabalha para mim (não para eu). Falou por mim (não por eu).

 

Fácil? Fácil. Tão fácil quanto andar pra frente. Ou tirar chupeta de bebê. Mas, por alguma razão que até Deus ignora, a turma tropeça no entre. Vale lembrar: entre é preposição como de, por, para & cia. limitada. Provoca as mesmas erupções no intolerante pronome eu. Depois dele, só o mim ganha banda de música e tapete vermelho: Nada existe entre mim e você. O acerto foi feito entre mim e meu irmão. Trabalha para mim, para ti e para o presidente.
 

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