Quinta-feira, 07 de maio de 2009 01:10 pm

Frei Betto escreveu



"A escrita é uma forma de tentar organizar o caos  interior. Por isso, todo artista é clone de Deus. A escrita é terapêutica, libertadora." 

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Quinta-feira, 07 de maio de 2009 12:10 pm

Sempre plural



Não bobeie. Óculos é substantivo plural. Artigos, adjetivos e pronomes que o acompanham não têm saída -- vão para o plural: os óculos, meus óculos, óculos escuros, você viu meus óculos?

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Quinta-feira, 07 de maio de 2009 12:00 pm

À la carte



Por que à la carte tem crase? Porque é expressão francesa. Na língua de Voltaire, a preposição à ganha grampinho. 

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Quinta-feira, 07 de maio de 2009 12:10 am

Vez das maiúsculas



Senhoras e senhores, abram alas, que as grandonas pedem passagem. Elas são as maiúsculas. O nome veio do latim. Na língua dos Césares, majusculus quer dizer “um tanto maior”. Maioral , maioria , maioridade , major , majoritário , majorar pertencem à mesma família. Todos são aparentados com maior


Por isso, têm complexo de Deus. Se deixar, ocupam um senhor espaço. Manda o bom-senso pôr-lhes o pé no freio. Para dar-lhes um chega pra lá, dois princípios se impõem. Um deles: só as use nos casos obrigatórios. O outro: não as empregue para valorizar ou destacar ideias. Maiúsculas devem ser as ideias, não as letras. Dê a vez às grandonas:      


    1. nos nomes próprios reais ou fictícios: Rafael ; João da Silva ; Branca de Neve ; Europa ; França ; Bahia ; Maputo ; Atlântida ; Renascimento ; Idade Média ; Região Norte ;


    2. no primeiro elemento do título de livros (escrito em itálico): O tempo e o vento; Memórias póstumas de Brás Cubas ; Vocabulário ortográfico da língua portuguesa ;


    3. no nome que designa instituição: Presidência da República ; Poder Judiciário ; Ministério da Educação ;


    4. no nome de impostos e taxas: Imposto de Renda ; Imposto Predial e Territorial Urbano ; Taxa do Lixo ;       


    5. nos atos de autoridades quando especificado o número ou o nome: Lei 2.346 ; Medida Provisória 242 ; Decreto 945 ; Lei Antitruste.


    O ato perde a majestade em dois casos. Um: depois da primeira referência. O outro: na ausência do número ou do nome: A medida provisória trata do Plano Real ;   


    6. nas palavras Estado (país), União e Federação (associação de estados): “A sociedade controla o Estado”; “A Constituição enumera as competências da União”; “Impõe-se preservar a Federação”;      


    7. nas datas comemorativas e nome de festas religiosas: Sete de Setembro; Proclamação da República; Dia das Mães; Natal.

     

Alerta! Nomes de dias, meses, estações do ano e festas pagãs não têm privilégios: Se o carnaval cair em fevereiro, vou desfilar em escola de samba. Espero que seja no sábado.   
 

 



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Quinta-feira, 07 de maio de 2009 12:00 am

Mudar pra ficar na mesma


Dad Squarisi // dadsquarisi.df@diariosassociados.com.br


Urgências? O Brasil tem muitas. A saúde pede socorro. Sobram pacientes, mas faltam leitos, remédios, profissionais. A segurança assusta. Homicidas, latrocidas, traficantes fazem a festa com crescente desenvoltura. O cidadão ergue grades, tranca portas, esconde-se em casa. Torna-se prisioneiro enquanto os bandidos invadem ruas, escolas, comércio e prédios.


A educação não fica atrás. Pais fazem a parte deles. Mandam os filhos à escola. Passados os anos, descobrem que ter o nome na lista de chamada não significa acesso ao conhecimento. Crianças tornam-se jovens incapazes de ler e entender, escrever e ser entendido, resolver questão que envolva as quatro operações. Em suma: bancos escolares viraram sinônimo de perda de tempo.


Ano após ano, fazem-se avaliações. Ano após ano, confirma-se o diagnóstico — a escola vai mal. O mais recente retrato da tragédia mostrou o ensino médio de corpo inteiro. Na lista do Enem, os colégios municipais e estaduais figuraram na rabeira. Os particulares, no topo. Ora, como a maior parte da população depende de instituições públicas, algo precisa ser feito. E não é de hoje.


O ensino fundamental é exigência da Constituição. Pais que não matriculam os filhos correm o risco de parar atrás das grades. A obrigatoriedade, porém, para aí. O descalabro revela-se, então, sem eufemismos. Situado no meio do caminho, o nível médio serve de ponte para a universidade. Mas muitos não têm vocação para a academia. Mesmo assim, têm de se submeter à decoreba sem fim pra passar no vestibular. Sem base e sem motivação, a moçada cai fora. Resultado: torna-se presa fácil do tráfico & cia. bandida.


O que fazer? O MEC anunciou projeto de mudanças — distribui as 12 disciplinas em quatro grupos (línguas, matemática, humanas, exatas e biológicas) e aumenta a carga horária (de 2.400 para 3 mil horas). O modelo está previsto nas diretrizes do ensino médio desde 1988. De lá pra cá, o país não se preparou pra novidade. Mas quer implantá-la em 2010. Conclusão: sem qualificar professores, equipar laboratórios e modernizar bibliotecas, confirma-se a tese do italiano Giuseppe di Lampedusa. Muda-se pra ficar tudo na mesma.


(artigo publicado em Opinião do  Correio Braziliense)

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Quarta-feira, 06 de maio de 2009 07:00 pm

Erramos


"O caderno Turismo preparou uma edição com alguns dos mais fascinantes lugares para se passar a lua de mel", escrevemos na capa do suplemento Turismo. Reparou? O se, na companhia do infinitivo, sobra. Melhor: O caderno Turismo preparou uma edição com alguns dos mais fascinantes lugares para passar a lua de mel.

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Quarta-feira, 06 de maio de 2009 05:30 pm

Fale Certo

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Quarta-feira, 06 de maio de 2009 01:00 pm

Porcaria



"O Senado paga quatro vezes mais POR CADA terceirizado", escreveu O Globo na pág. 3. Que cacófato porco, não?

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Quarta-feira, 06 de maio de 2009 12:05 am

Nomes próprios viram comuns



   
Mudar é bom? Os mesmeiros dizem que não. Preferem deixar tudo como está para ver como é que fica. Os adeptos da transformação, por seu lado, inspiram-se na natureza. Citam o suceder do dia e da noite, das estações do ano, das fases da lua. Citam, também, o ciclo da vida humana – nascemos, crescemos, morremos. No percurso, quem não andava anda, quem não falava fala, quem tomava só leite passa a comer cereais, carnes, frutas e verduras.

     

A língua joga no time dos mutantes. Instrumento de comunicação das pessoas, muda de acordo com o avanço do tempo e as circunstâncias dos falantes. Concordâncias, regências, colocações, significados trocam o passo conforme a música. A grafia não fica atrás. Maiúsculas e minúsculas servem de exemplo.

    

Os nomes próprios se escrevem com inicial grandona. É o caso de João, Maria, José, Pará, Colônia, Brasil. Às vezes, porém, eles entram na composição de substantivos comuns. O resultado não poderia ser outro. Perdem o pedigree e tornam-se vira-latas: joão-de-barro ; joão-doido ; joão-ninguém ; joão-teimoso ; josé-mole ; castanha-do-pará ; castanha-da-índia ; castanha-da-áfrica ; água de colônia ; bambu-da-china ; pau-brasil ; banho-maria ; maria-sem-vergonha ; maria-preta ; maria vai com as outras.


Norte, Sul, Leste, Oeste, Nordeste, Ocidente, Oriente, quando aparecem majestosamente solitários, são nomes próprios. Mas, se definem direção ou limite  geográfico, cessa tudo que a musa antiga canta. As moçoilas põem o rabinho entre as pernas e entram na vala comum: O leste dos Estados Unidos tem grande influência latina ; O carro avançava na direção sul ; Cruzou o país de norte a sul, de leste a oeste; Oriente e Ocidente se encontraram no século XX . O oriente asiático, porém, ainda guarda muitos mistérios ”.


É isso. Na língua, quem foi rei perde a majestade sim, senhor.

 

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Terça-feira, 05 de maio de 2009 05:31 pm

Dicas para Concursos

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Terça-feira, 05 de maio de 2009 02:40 pm

Erramos



"Estamos trabalhando de cima para baixo na educação porque busca-se o voto e criança não vota", escrevemos na pág. 11. Nossa! Esquecemos o poder do porque . A conjunção é tão forte que funciona como ímã. Atrai o pronome esteja ele onde estiver. Melhor respeitá-la: Estamos trabalhando de cima para baixo na educação porque se busca o voto , e criança não vota.

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Terça-feira, 05 de maio de 2009 02:00 pm

Como é?




Atenção, gente. A moça vende colcha de retalhos. Cocha é cabo formado de fios torcidos (coisa da Marinha). E coxa? Ah, é aquela parte da perna que abriga o fêmur.

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Terça-feira, 05 de maio de 2009 10:40 am

Rede Sarah



A inauguração de hospital da Rede Sarah no Rio mereceu muitos aplausos e levantou uma dúvida. As louvações têm tudo a ver com a excelência do tratamento oferecido pelas unidades Brasil afora. A dúvida refere-se à grafia. Nos documentos aparece "neuroreabilitação". A presença de um r depois do neuro compromete a pronúncia. Como a letra está entre duas vogais, só há uma saída pra manter a prosódia -- a presentá-la em dose dupla como em neuro rr adiologia.  A forma: neuro rr eabilitação.

 


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Terça-feira, 05 de maio de 2009 10:30 am

Amábile Pimenta quer saber



Vi anúncio do Minidicionário Aurélio . Na imagem do próprio produto, está grafado Míni, com acento no i . Existe alguma explicação para a presença do agudo? Pelo amor de Deus, me explica isso.


Amábile, o míni (com acento, viu?) joga em dois times. Um deles: o dos prefixos. Aí, não aceita acento (minidicionário, mini-ideia). O outro: o dos substantivos. No caso, joga no time de táxi . Paroxítona terminada em i , pede acento: Os mínis entraram na moda lá por 1960. Não gosto de míni nem mídi. Prefiro longo.

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Terça-feira, 05 de maio de 2009 10:00 am

Luciana Farias pergunta



Pré-sal ou pressal? Qual a forma correta?


Luciana, o pré, no caso, é tônico. Por isso se separa por hífen. É o caso de pré-escola, pré-natal, pré-nupcial.



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Terça-feira, 05 de maio de 2009 12:00 am

Papa nota 10



Como faz sempre, o papa falou aos fiéis no domingo. Lá do alto, da janela papal, Sua Santidade dirigiu mensagem especial aos mexicanos. "Que Nossa Senhora de Guadalupe os assista e proteja sempre", disse com fé. Deus o ouça. E a língua lhe agradeça. Bento XVI conhece as manhas do verbo assistir.


Na acepção de estar presente , o trissílabo é transitivo indireto. Exige a preposição a (assistiu ao show, assiste à aula, assistirá ao espetáculo). No sentido de ajudar , socorrer , o bonzinho é transitivo direto. Dispensa preposição. O pronome átono que funciona como objeto direto é o , a : O governo assiste os flagelados. (O governo os assiste.) Nossa Senhora assiste os mexicanos. (Nossa Senhora os assiste.) O médico assiste a enferma. (O médico a assiste .)

 


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Segunda-feira, 04 de maio de 2009 06:05 pm

Divórcio à italiana




"Chega!', exclamou a primeida-dama da Itália. "Não aguento mais as traições públicas do  Sílvo. Vou cair fora." Dito e feito. Veronica Lario vai se separar do marido depois de 30 anos de casamento. O fato foi divulgado em Europa, França e Bahia. Nesta terra descoberta por Cabral, jornais e telejornais se saíram com esta: "Veronica divorcia de Berlusconi". Nada feito. No caso, o verbo é pronominal. Não abre mão do complemento nem a pedido do Senhor: Veronica se divorcia de Berlusconi.

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Segunda-feira, 04 de maio de 2009 05:00 pm

erramos


"Os auditores vistoriaram folhas de pagamento, comprovantes de rendimento, escrituras de imóveis, entre outras coisas, para confirmar a queda de 2% a menos em relação aos anos de 2003 a 2005", escrevemos na pág. 2. Redundância, não? "Queda" e "a menos" dizem a mesma coisa. Melhor descer do muro e escolher uma das construções. Assim: … para confirmar a queda de 2% em relação aos anos de 2003 a 2005 . Ou … para confirmar os 2% a menos em relação aos anos de 2003 a 2005.

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Segunda-feira, 04 de maio de 2009 01:00 pm

Eu no Twitter




Gente, agora estou no Twitter. Me sigam neste endereço: twitter.com / dadsquarisi. Tchau.

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Segunda-feira, 04 de maio de 2009 10:00 am

Mascote em questão





Veja só. O Universo ia enfrentar o Flamengo no dia 1º de maio. Era o mais esperado jogo da Liga Nacional de Basquete. O Ginásio Nilson Nelson se preparou para a grande encontro. Mas era importante a participação da torcida. Como animar adultos e crianças?


Pensa daqui, pergunta dali, conversa dacolá, eureca! Pintou a ideia. Pra pôr fogo na torcida, o time de Brasília lançou um concurso. Os moradores da capital escolheriam mascote para a equipe.



Três candidatos disputavam a preferência do povo. Um deles era o imponente lobo-guará. O outro, a ágil siriema. O último, o esperto calango. A votação seria feita pela internet. Na hora de lançar a campanha, ops! A equipe se desentendeu.

O pomo da discórdia foi o gênero de mascote.


Os homens disseram que a palavra era masculina. As mulheres juraram que era feminina. Alguns afirmaram que ela jogava nos dois times. Foi um pega pra capar. Se você estivesse lá, apostaria em que opção?



a.    masculina

b.    feminina
c.    dois gêneros


E daí?



Diante do dilema, só havia uma saída — consultar o dicionário. Ele diz que mascote é palavra feminina. Os homens tremeram nas bases. Como um time poderia ter uma mascote? O símbolo deveria ser aguerrido, forte, competitivo. E por aí vai. As lamentações não comoveram ninguém. A mascote continua a mascote.




O vencedor



Definido o sexo, a campanha foi ao ar. Adultos e crianças votaram. A disputa foi pra lá de emocionante. Ora o lobo-guará ficava na frente. Depois, a seriema ganhava a dianteira. O calango não deixava por menos. Ao menor descuido, lá estava ele correndo atrás do título. Depois do vaivém, saiu o recultado. O vencedor foi…o lobo-guará.

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Segunda-feira, 04 de maio de 2009 08:00 am

Estudantes perguntam



Paraquedas agora se escreve junto. As outras palavras formadas com para também perderam o hífen?

Juliana Ornelas, 18, está estudanto para passar no curso de letras inglês ou relações internacionais


Juliana, paraquedas foi citada como exemplo de palavras que perderam a noção de composição. Só ela mudou. As irmãzinhas ficaram como dantes no quartel de Abrantes. Escrevem-se separadas. Mas deram adeus ao acento, claro. O grampinho de para diferenciava o verbo da preposição. Esse acento caiu. Agora a família para ficou assim: para-raios, para-brisa, para-lama, para-choque. Viu? Sem intimidade, fica um lá e outro cá.



***



Ouvi dizer que porta-retratos ganhou nova grafia — portarretrato. É verdade?



Thiago Henrique Modesto, 18, está estudando para passar no curso de medicina



Não, Thiago, não é. Antes da publicação do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), havia muiiiiiiiiiiiiiiita confusão sobre as manhas do hífen. Aí, não deu outra. Sobraram chutes. Uma das vítimas foi porta-retratos. Porta-retratos e toda a turma formada pelo verbo porta mantêm o tracinho. É o caso de porta-malas, porta-luvas, porta-voz, porta-chaves, porta-celular, porta-copos, porta-revistas.



***



Pé de moleque perdeu o hífen. Mas joão-de-barro e castanha-do-pará continuam com o hífen. Por quê?



Filipe de Abreu, 19, está estudando para passar no curso de desenho industrial



Acredite, Filipe. São caprichos da reforma. Palavras compostas com partícula de ligação perderam o elo. Valem os exemplos de dor de cotovelo, mula sem cabeça, bicho de sete cabeças, dia a dia, joão sem braço, mão de obra. Alguns vocábulos escaparam da tesoura: pé-de-meia, água-de-colônia, cor-de-rosa.



Abra os olhos. João-de-barro e castanha-do-pará não são exceção. Eles mantêm o tracinho porque nomeiam bichos e plantas. Cana-de-açúcar, bicho-do-pé, bicho-da-seda e tantos outros estão no mesmo saco.



***  



Tão só e tão somente agora se escrevem soltos. Há outros exemplos?



Letícia Gobbi, 19, está estudando para passar no curso de medicina



À toa entrou na faca. Sabe por quê?  Os hifens dessas palavras não tinham nenhuma função. Foram tarde. Adeus!






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Segunda-feira, 04 de maio de 2009 12:00 am

Tudo acontece




As palavras, como as pessoas, têm manias. Combinam. Brigam. Fazem exigências. Armam ciladas. Um verbo cheio de caprichos é o acontecer. Elitista tem poucos empregos. E quase nenhum amigo. Mas, por capricho do destino, os colunistas sociais o adotaram. A moda se espalhou como fogo morro acima ou água morro abaixo.



O pobre virou praga. Tudo acontece. Até pessoas: Kaká está acontecendo nos gramados europeus. O casamento acontece na catedral. O show acontece às 22h. E por aí vai.



Violentado, o verbo vira a cara. Esperneia. E se vinga. Deixa mal quem abusa dele. Diz que o atrevido sofre de pobreza de vocabulário. Para não cair na boca do povo, só há uma saída. Empregá-lo na acepção correta. Sabe qual é?



a. suceder de repente

b. prever


E daí?



Marcou a letra a? É ela mesma. Acontecer dá sempre a idéia do inesperado, desconhecido: Caso acontecesse a explosão, muitas mortes poderiam ocorrer.

O verbinho de sangue azul sente-se muito bem com os pronomes indefinidos (tudo, nada, todos), demonstrativos (este, isto, esse, aquele) e o interrogativo que: Tudo acontece no feriado. Aquilo não aconteceu por acaso. O que aconteceu?


Olho vivo



Não use acontecer no sentido de ser, haver, realizar-se, ocorrer, suceder, existir, verificar-se, dar-se, estar marcado para. Se você insistir, prepare-se. É briga certa. Melhor não entrar nessa. Busque saídas.



Uma delas é substituir o verbo: O show acontece (está marcado para) às 21h. O festival aconteceu (realizou-se) ano passado. O crime não aconteceu (ocorreu). Acontecem (ocorrem) casos de prisão de inocentes durante as batidas policiais. O vestibular está previsto para acontecer em julho (previsto para dezembro). Não aconteceu (houve) o rigoroso interno.



Outra é mudar a frase. A prisão aconteceu ontem. (A polícia prendeu o ladrão ontem). O show de Ivete Sangalo acontece no Morumbi. (Ivete Sangalo faz show no Morumbi.). A divulgação do resultado acontece logo mais. (O resultado será divulgado logo mais.) O início da prova aconteceu às 8h. (a prova iniciou-se às 8h.)



Teste


O verbo acontecer está pra lá de bem empregado no período:



a. O show só aconteceu de madrugada.

b. O que aconteceu de madrugada?


Escolheu a letra b? Viva!


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Domingo, 03 de maio de 2009 12:30 pm

Exagero

 

 

"Com relação à gripe suína que vem atingindo alguns países do mundo, o Ministério da Saúde adverte". Assim começa a nota veiculada pela imprensa. Exagero? Sem dúvida. "Países do mundo" é baita pleonasmo. Todos os países são do mundo. Países é suficiente para dar o recado. Do mundo sobra. Xô!  

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Domingo, 03 de maio de 2009 12:00 pm

Criatividade é isto

 

 

Lúcia Faria recebeu este texto. Achou-o genial. Quis, então, compartilhá-lo com o blog. Que tal?


Antes da posse:



O nosso partido cumpre o que promete.
Só os tolos podem crer que
não lutaremos contra a corrupção.
Porque, se há algo certo para nós, é que
a honestidade e a transparência são fundamentais.
para alcançar os nossos ideais
Mostraremos que é uma grande estupidez crer que
as máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguramos sem dúvida que
a justiça social será o alvo da nossa acção.
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
se possa governar com as manchas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
as nossas crianças morram de fome.
Cumpriremos os nossos propósitos mesmo que
os recursos econômicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
Compreendam que
Somos a nova política.

Depois da posse:

Basta ler este mesmo texto, DE BAIXO PARA CIMA,
frase a frase.

 

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Domingo, 03 de maio de 2009 08:00 am

Kleber pergunta

 
 
Ontem um amigo teimou que a palavra, pelo menos como usada no direito, é RERATIFICAÇÃO. Consultei o Aurélio e lá está RERRATIFICAÇÃO. No caso em tela trata-se de RERRATIFICAÇÃO DE CONVENÇÃO DE CONDOMÍNIO. Afinal, assiste a ele razão?
 
 
Kleber, pra manter a pronúncia do R de ratificação, deve-se dobrá-lo. A regra vale para outros prefixos. Assim: telerrevista, antirrealismo, corresponsabilidade. 

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Domingo, 03 de maio de 2009 12:00 am

Os que circulam


 

As pessoas vão e vêm. Algumas circulam pelo próprio país. São os migrantes. O Brasil está cheinho deles. O gaúcho vai para Rondônia. O pernambucano se muda para São Paulo. O carioca parte para Brasília. São todos migrantes. 


Há gente que troca de país. Aí recebe dois nomes. Os que saem são emigrantes. Os que chegam, imigrantes. São Paulo tem montões de estrangeiros que escolheram o estado para viver. Árabes, alemães, italianos, russos, franceses, americanos emigraram da terra deles e estão entre nós. Bem-vindos!

Não são só as pessoas que emigram. As palavras também mudam de país. Nossa língua recebeu imigrantes pra dar e vender. Você conhece todas. Quer ver? Carnaval e fiasco vieram da Itália. Algodão, azeite e alface, do árabe. Abajur, garagem e musse, do francês. Show, shopping e gangue, do inglês. Ufa! É por causa das estrangeirinhas que o português é pra lá de rico. O dicionário registra mais que 400 mil vocábulos. Já imaginou? Por isso ele é gordão. Viva!

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Sábado, 02 de maio de 2009 12:00 am

O gato e os camundongos — a prudência


 

Era uma vez…

 

Um gato, pra lá de esperto, estava velhinho. Por isso não podia correr rápido. Não podia, também, caçar camundongos. O que fazer? Pensou, pensou, pensou. Depois, bolou um plano. Ia fazer de conta que era uma sacola. Assim, curiosos, os ratinhos chegariam perto pra ver se encontravam um queijinho. E ele… crack! Pegaria os bobões.

 

O gato, então, se pendurou em uma estaca pelas patas de trás. A boca ficou pra baixo. Que decepção! O primeiro camundongo chegou perto e cochichou pro outro:

 

-- Vi muitas sacolas na minha vida. Mas nenhuma com cabeça de gato.

 

Os ratinhos, mortos de rir, disseram pro felino:

 

-- Fique aí pendurado o tempo que quiser. Nenhum de nós vai parar na sua boa. Tchau!

 

*

 

Nós também temos de ser espertos, não é? O João Marcelo sabe disso. Ele estava se preparando para uma corrida de bicicleta. Um vizinho dele, louco pra chegar em primeiro lugar, disse que não ia treinar. João Marcelo não acreditou. Treinou muito. Ganhou a medalha de ouro. O outro, que também treinou muito, ganhou a medalha de prata.

 

*

 

Moral da história: Truques não enganam gente sabida.

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Sexta-feira, 01 de maio de 2009 03:40 pm

Alexandre Garcia comenta




Leitor assíduo de Favas Contadas, coluna publicada no Correio Braziliense, fiquei esperançoso ao ler:


''Alexandre comerciava queijos e vinhos..."


Uau! Finalmente alguém usa o verbo "comerciar"! Abaixo o "comercializar" (que deve vir de "comercial" e não de "comércio".






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Sexta-feira, 01 de maio de 2009 03:00 pm

Erramos


"Pode destruir vidas de pessoas privadas como temos visto nesse país", escrevemos na pág. 6. Que país? O Brasil. O falante encontra-se no Brasil. Teríamos de  ter dado a vez ao este : Pode destruir vidas de pessoas privadas como temos visto nes t e país.

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Sexta-feira, 01 de maio de 2009 08:43 am

Franz Kafka ensina



"Todo insulto desmantela a maior invenção do homem — a língua."


 

T




 


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