Sexta-feira, 22 de agosto de 2014 01:50 pm

Palanque eletrônico 2


Mais que amuletos, muletas


Padrinho? É a pessoa que batiza outra. Ou serve de testemunha de casamento, duelo & similares. A figura é tão importante que merece um provérbio: "Quem não tem padrinho morre pagão". O destaque nasceu na antiga Roma. Os moradores dos pagus (aldeias) não aderiram ao cristianismo. Politeístas, ignoraram o batismo. Eram pagãos.


No país dos privilégios, padrinho ganhou outras denominações. Uma delas: QI (quem indica). Outra: REC (recomendada). Mais uma: pistolão. Ganhou, também, outras caras. Antes eram artistas. Chico Buarque & constelação global faziam campanha pra este ou aquele candidato. Eles sumiram. Novas vedetes ocupam a vaga.


Um deles é Tancredo. O neto Aécio o convoca lá do túmulo pra lhe ungir a a campanha. Outro, Lula. Vivinho da silva, o ex-presidente não pede votos pra si. Pede pra Dilma. Sem modéstia, diz que fez muito. Precisa da afilhada pra continuar a obra que mudou a cara do país. Etc. e tal.


Marina não foge à regra. Na estreia, convocou Eduardo Campos. Até chorou. Sem produção e sem olhar o público, leu parte do discurso feito quando virou candidata oficial. Não faltaram promessas ao padrinho: "Tudo aquilo que fizemos juntos faremos daqui pra frente". "Não vamos desistir do Brasil." Etc. e tal. A conclusão é uma só. Os romanos tinham razão.

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Sexta-feira, 22 de agosto de 2014 01:00 pm

Palanque eletrônico 1


Viva o povo brasileiro


Dad Squarisi


Oba! No ar, o programa eleitoral gratuito. Os presidenciáveis se apresentam. São 11. Oito parecem meteoros. Surgem, prometem milagres, batem asas e voam. Os outros dispõem de mais tempo. Eduardo Campos ressuscita e reafirma promessas. Dilma e Aécio têm complexo de Deus. Ela fez e aconteceu. Ele acha pouco. Fará mais. Ela, mais ainda.


Na tela, coisas de campanha. Faixas, bandeiras, santinhos. E, claro, a grande vedete — o povo. Povo? Que povo? Alguns o chamam de povinho. Outros, de zé-ninguém. Massa serve. Povão também. Na França foi denominado de terceiro estado — tudo que não era clero nem nobreza.


Aqui ganhou outras especificações. “Apenas um detalhe”, rotulou-o Zélia Cardoso de Mello. “É o dono da Praça Castro Alves”, cantou Caetano. “É o porta-voz do Senhor”, afirmam os pais de santo. E explicam: “A voz do povo é a voz de Deus.


Seja como for, é comovente. Os corações moles derramam oceanos de lágrimas. Os durões também. Ninguém resiste a tanto afeto. Sobram abraços, beijos e juras de gratidão. Os louquinhos pelo Planalto só falam “esse país, nesse país”. E dá-lhe povo.


Alguém (do povo) pergunta: “A que país eles se referem? Outro (do povo) responde: “Este país não é. Deve ser uma Suécia melhorada”.


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Quinta-feira, 21 de agosto de 2014 05:00 pm

Erramos


"A magistrada considerou que o agressor denegriu a imagem da vítima em público e causou-lhe constrangimento", escrevemos na pág. 35. Um período, dois tropeços. Um deles: o emprego do pronome átono. Mesmo distante, a conjunção (que) atrai o pequenino. O outro: o reforço do preconceito. Denegrir é palavra vetada. A saída? Buscar sinônimo. Melhor:
A magistrada considerou que o agressor manchou a imagem da vítima em público e lhe causou constrangimento.

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Quinta-feira, 21 de agosto de 2014 12:00 am

Palmas


"O último volume da biografia de Lira Neto confirma que, havia mais de duas décadas, Getúlio Vargas contemplava o suicídio como única forma de vencer a derrota", escreveu a Veja na pág. 122. Palmas. A revista escapou da cilada do verbo haver na contagem de tempo.


O haver indica tempo passado: Cheguei há duas horas. Viajou há pouco mais de um mês. Trabalho nesta empresa há uma década .


Muitos pensam que contar o tempo é exclusividade do presente (há). Bobeiam. Vez ou outra, o havia pede passagem. Trata-se da correlação verbal. Imperfeito pede imperfeito. É o caso da Veja . O pretérito imperfeito contemplava pede o irmãozinho havia : … havia mais de duas décadas , Getúlio Vargas contemplava o suicídio.


Mais exemplos? Ei-los: Encontrava-se às escondidas com a prima havia mais de cinco anos. Trabalhava na mesma empresa havia 10 anos. Havia cerca de três meses que anunciava a venda do apartamento. Só há dois dias conseguiu interessados. Viva!


Sem confusão


Tempo passado pesa. Daí ter uma letra a mais na referência a ele. Tempo futuro é leve. Fica satisfeito só com a preposição a . Compare: Cheguei há pouco (passado). Chegarei daqui a pouco (futuro). As eleições estão próximas. Daqui a menos de dois meses os brasileiros vão às urnas .

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Quarta-feira, 20 de agosto de 2014 02:57 pm

Fale certo

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Quarta-feira, 20 de agosto de 2014 02:00 pm

Erramos


"Novamente apenas três portões foram abertos: um virado para o Ginásio Nilson Nelson e outros dois perto do Clube de Choro", escrevemos na capa do Super Esportes . Ops! Tropeçamos no desperdício. O pronome outros sobra. Melhor: … um virado para o Ginásio Nilson Nelson e dois perto do Clube de Choro.

 

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Quarta-feira, 20 de agosto de 2014 12:01 am

Tropeços no adeus 1


Puxa! Um mar de pessoas acompanhou o enterro de Eduardo Campos. A imprensa, claro, fez o que tinha de fazer. Cobriu o evento. Foram horas de narração que obrigaram repórteres a tirar leite de pedra. O esforço sem fim cobrou preço alto — tropeços na língua. Um deles: dar passagem a pleonasmo. O outro: desrespeitar o emprego d o prefixo ex .


Xô, excesso


"Mais de 500 mil pessoas seguem atrás do carro que transporta os restos mortais de Eduardo Campos", repetiam profissionais que se revezavam na cobertura. Ops! Seguir atrás joga no time d o encarar de frente , manter o mesmo, subir pra cima ou descer pra baixo . Só se encara de frente, só se mantém o mesmo, só se sobe pra cima, só se desce pra baixo. E, claro, só se segue atrás.


A redundância sobra. Veja: O pai encara o filho. O técnico mantém a equipe. O elevador sobe. Depois, desce. O garoto segue a mãe. O filho segue o exemplo do avô. As pessoas seguem o carro de bombeiros .

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Quarta-feira, 20 de agosto de 2014 12:00 am

Tropeços no adeus 2


Qual é?


Liana Sabo acompanhava o enterro com interesse. De folga, sentou-se no sofá em frente da televisão e de lá não arredou pé. Mas, como dizem os chineses, "as árvores querem ficar quietas, mas o vento não deixa". E não deixou. Narradores, ao se referir em a Eduardo Campos, falavam em "ex-político". Ela saltou como boneco de mola. Indignada, ligou pra coluna:


— Falar em ex-político é como falar em ex-pessoa. Mesmo morto, Eduardo deve ser referido como político. É por isso que placas homenageiam o "presidente Getúlio Vargas", o "escritor Graciliano Ramos", o "jogador Garrincha".


É isso, Liana. Quem foi rei, como diz o povo sabido, não perde a majestade. A morte é passaporte para a outra vida. Não para cassar características.


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Terça-feira, 19 de agosto de 2014 07:00 pm

Diquinhas infantis 25


Merlin, o mago


Merlin foi criatura especial desde que veio ao mundo. Ele nasceu com barba e pelos no corpo. Falava tudo. Pra lá de sabido, lia o pensamento e conhecia o passado, o presente e o futuro. Ele, que inventou a Távola Redonda, ajudou o rei Artur a governar.


O mágico também desvendava mistérios. Um dia, o rei estava desesperado. Sabe por quê? Ele tentava construir uma torre, mas a obra não ficava de pé. Merlin matou a charada. Dois dragões lutavam embaixo da terra onde era erguida a torre. O movimento não deixava pedra sobre pedra. O soberano matou os intrusos e oba! Fez uma grande inauguração.


Merlin conheceu a fada Morgana. Apaixonou-se por ela. Caidinho de amor, fazia tudo o que a amada pedia. Ela quis aprender os truques da feitiçaria. Ele ensinou. Ela os usou contra o amado. Sabe como? Depois que ele dormiu, ela o cobriu com o véu branco. Ele ficou envolvido em brumas. Preso pra sempre.


Lenda


Merlin, Morgana, o rei Artur, os cavaleiros da Távola Redonda são lendas. O que é isso? Histórias fantásticas inventadas por escritores ou pelo povo.


Personagem


Merlin, Artur, Morgana, Lancelot são personagens. Fazem de conta que são gente. Mas gente não são. São de mentirinha.


Dois times


Sabia? O substantivo personagem joga em dois times. Pode ser masculino ou feminino. Tanto faz dizer:


Artur é o personagem principal da saga arturiana.

Artur é o personagem principal da saga arturiana.

Morgana é a personagem que prendeu Merlin.

Morgana é o personagem que prendeu Merlin.


Agora você


Que personagem da televisão você prefere? Conte pra nós.

 

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Terça-feira, 19 de agosto de 2014 05:00 pm

Erramos

"O ataque aconteceu na noite do último sábado passado", escrevemos na pág. 6. Exagero, não? Na corrida, faltou releitura. Melhor cortar o excesso. Há duas saídas. Uma: O ataque aconteceu na noite do último sábado. A outra: O ataque aconteceu na noite de sábado passado.

 

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Terça-feira, 19 de agosto de 2014 11:00 am

Leitor pergunta


Pode me explicar por que, num texto, ocorre crase e noutro não?


1. Horário reservado à propaganda eleitoral gratuita – Lei 9504/97.


2.Começa nesta terça-feira (19) e segue até 2 de outubro a propaganda eleitoral na televisão e no rádio de candidatos às eleições. (Hemily Raiky)


Trata-se, Hemilly, de mandamento da regência. No primeiro exemplo, ocorre o encontro de dois aa. Reservado pede a preposição a (reservado a alguma coisa). Propaganda exige o artigo a ( a propaganda eleitoral gratuita) — a + a = à.


No segundo exemplo, só aparece um azinho — a propaganda eleitoral. O verbo começar , intransitivo, dispensa a preposição. Sem o encontro dos dois iguais, nada feito. O acentinho não tem vez. Xô! A propaganda eleitoral funciona como sujeito.


Na dúvida, basta apelar para o tira-teima. Substitua o substantivo feminino por um masculino (não precisa ser sinônimo). Se no troca-troca der ao, sinal de crase. Caso contrário, o a fica livre e solto: Horário reservado ao candidato mais votado. Começa nesta terça-feira (19) e segue até 2 de outubro o anúncio eleitoral na televisão e no rádio de candidatos às eleições.

 

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Segunda-feira, 18 de agosto de 2014 10:55 am

Erramos


"Cidades ganham arranhas-céu", escrevemos na pág. 21. Ops! Arranha-céu joga no time de guarda-chuva. O primeiro elemento é verbo. Não se flexiona. Só o substantivo ganha s. Assim: arranha-céus, guarda-chuvas .

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Segunda-feira, 18 de agosto de 2014 09:55 am

Leitor pergunta


Tenho duas perguntas. Ambas, apesar de comentadas pela coluna, me deixaram dúvidas. A primeira: a criança anda no banco de trás ou detrás? A outra: há pleonasmo em multidão de pessoas? (Efas, BH)


Detrás joga no time de donde e duma . Trata-se da combinação da preposição de com outra classe gramatical: donde (de + onde), duma (de + uma), detrás (de + trás). Ambas as formas merecem nota 10: De onde ele veio? (Donde ele veio?) Saiu de uma discussão acalorada. (Saiu duma discussão acalorada.) A criança se senta no banco de trás. (A criança se senta no banco detrás.)


***


Multidão de pessoas pertence ao time de elo de ligação, sorriso nos lábios ou subida pra cima . Todo elo é de ligação, todo sorriso aparece nos lábios, toda subida leva pra cima. Ao ouvir a notícia "uma multidão aguardava o jogador", ninguém pensa em ajuntamento de bois, formigas ou lagartos. Mas de pessoas. Daí por que o dicionário define assim o vocábulo multidão: "Grande quantidade ou ajuntamento de pessoas ou coisas".

 

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Segunda-feira, 18 de agosto de 2014 08:10 am

Pra dar e vender


Planaltina é cidade do Distrito Federal. Este ano, a população está em festa. Comemora recorde na agricultura. A urbe tornou a capital do Brasil autossuficente em pimentão. Não só. Além de Brasília & arredores, abastece estados vizinhos. A fartura, claro, virou notícia. Ao escrevê-la, pintou a dúvida: por que autossuficente se grafa assim, com ss.


Eis a resposta: auto- pede hífen quando seguido de h (auto-higiene) e o (auto-orientação). No mais, é tudo juntinho, como Cosme e Damião. Pra manter a pronúncia, o s precisa vir em dose dupla. Sem isso, soa z (casa, mesa, pesquisa).

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Segunda-feira, 18 de agosto de 2014 08:00 am

Cadê a elegância?


Maria Marta, a ricaça interpretada por Lílian Cabral na novela das 9h, perdeu a elegância. Não no vestir. Mas no falar. Ao se dirigir ao filho protegido, impôs que ele "encarasse o problema de frente". Ops! Baita pleonasmo. Encarar deriva de cara. Segundo o dicionário, quer dizer "olhar para a cara de alguém; olhar de frente, nos olhos". Logo, encarar o problema dá o recado. Só pode ser de frente.


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Segunda-feira, 18 de agosto de 2014 07:00 am

Maioral


Artur Ávila brilhou. O carioca de 35 anos conquistou a Medalha Fields — o mais importante prêmio do mundo destinado a matemáticos. A comenda é tão espetacular que a denominam "Nobel". Olho vivo. Nobel se pronuncia como papel e Mabel. A sílaba tônica é a última sim, senhores.

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Sexta-feira, 15 de agosto de 2014 04:00 pm

Erramos


"O filho mais velho de Eduardo, é tido como sucessor do pai", escrevemos na capa. Ops! Separamos o sujeito do verbo. A ação tem nome. É frasecídio.  Que tal  ressuscitar o enunciado ? Assim : O filho mais velho de Eduardo é tido como sucessor do pai.

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Sexta-feira, 15 de agosto de 2014 09:00 am

Afetação


Theo, além de rancores, coleciona dúvidas de português. Como quem não quer nada, o afetado blogueiro da novela Império levanta questões. A mais recente se refere à palavra recorde. "É récord ou recórde?", pergunta ele. A pronúncia da inglesinha naturalizada brasileira tira o sono de muita gente. É o seu caso? Guarde isto: recorde pertence à equipe de concorde . Paroxítona, exige que o acento tônico recaia na penúltima sílaba: con- cor -de.

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Sexta-feira, 15 de agosto de 2014 08:00 am

Leitor escreve


Querida Dad:


Te leio sempre com imenso prazer. A coluna é publicada semanalmente em O Sul . Me divirto com a jovialidade das tuas dicas. Outro dia, comprei o e-book de “Escrever melhor”. na Amazon.


Chamou-me a atenção, hoje, a pergunta do Carlos Peixoto, sobre “suicidar” ou “suicidar-se”. Suponho que tenha origem em equívoco de um antigo professor de português, do qual também fui aluno quando guri (há mais de 70 anos!).


Aquele professor ensinava que “cidare” em latim já significava “matar-se” e “suicidar-se” era redundância.. Durante muito tempo, tive isso como certo. Certo dia, passando os olhos pelo “Dicionário de Expressões e Frases Latinas”, do professor Henerik Kocher , descobri o “Non occides” (Não matarás) da Vulgata, e também que “dare” (dar) nada tem a ver com matar (“occidere”). Enfim, rematada asneira.


Nem arrisco hipótese de como o “mestre” chegou àquela conclusão. Meu latim não dá nem para o gasto, Suponho que a memória e o ouvido o enganaram, mas a bobagenzinha aparentemente engenhosa deve ter ficado em algumas cabeças e transmitidas a outras. O Carlos Peixoto, incluso.


Só para tua diversão, e meio a propósito, frase de Suetônio, extraída do mesmo dicionário:

Tu énim, Cáesar, civitatem dare potes homínibus, verbo non potes (Tu, César, podes dar cidadania a homens, mas a uma palavra não podes dar)


Lamentavelmente, a obra do professor Henerik Kocher permanece inédita. Tenho cópia dos originais que ele me confiou, para tentar publicá-la aqui no Rio Grande do Sul. Ele vive no Rio de Janeiro.


Não consegui nada. O Brasil é um país aberrante. A hierarquia é das inutilidades e porcarias publicadas às toneladas.


O melhor abraço do

Jayme Copstein

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Quinta-feira, 14 de agosto de 2014 05:00 pm

Erramos


"Jesús Zabalza, presidente do Santander Brasil, instituição que foi alvo da fúria do governo porque um dos seus analistas escreveu que a reeleição de Dilma seriam ruim para o país, disse que o Brasil perdeu um de seus mais importantes homens públicos"" escrevemos na pág. 15. Viu a pisada na concordância? Melhor: … a reeleição de Dilma seria ruim para o país.

 

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Quinta-feira, 14 de agosto de 2014 02:15 pm

Fale certo

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Quinta-feira, 14 de agosto de 2014 10:00 am

Eduardo no céu


Dizem que, quando morremos, reencontramos a nossa turma. Com Eduardo não foi diferente. Ao entrar, recebeu o abraço do avô. O velho Miguel Arraes não estava só. Acompanhavam-no atletas do time político que foram na frente. Getúlio, Ulysses, Juscelino, Tancredo o esperavam alegres, ansiosos por notícias fresquinhas desta alegre Pindorama. Eles, como o caçula recém-chegado, seguem mandamento pétreo: "Não vamos desistir do Brasil".


Fronteira do fim do mundo


Reencontro deu nó nos miolos de repórteres. Eles sabem que uma das regras de ouro do emprego do hífen é esta: os iguais se rejeitam. Se o prefixo acaba com determinada letra, e a palavra a que se une começa com a mesma letra, não dá outra. Choques e curtos-circuitos entram em cartaz. Pra evitar o pior, o tracinho pede passagem: anti-imperialismo, contra-ataque, super-região, sub-bloco.


Há exceções? Claro que sim. Elas confirmam a regra. Com os prefixos re- e co-, cessa tudo o que a musa antiga canta. Alérgicos, os pequeninos enxotam o hífen pra fronteira entre o inferno e o fim do mundo — um passo depois de onde o vento faz a curva. Com eles é tudo colado. Assim: reencontro, reeleição, reler, cooperação, coobreiro, corréu.

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Quarta-feira, 13 de agosto de 2014 05:00 pm

Erramos


"Um dos ausentes era Sebastião Rodrigues de Moura, conhecido por major Curió", escrevemos na pág. 4. Reparou na troca de tempos verbais?  Melhor: Um dos ausentes foi Sebastião Rodrigues de Moura.

 

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Quarta-feira, 13 de agosto de 2014 08:00 am

Exterminadores de negócios 1


O salão  de beleza começou a toda. Clientes de ambos os sexos e de todas as idades mantinham ocupados cabeleireiros, manicures, massagistas, maquiadores, estilistas de sobrancelhas. O negócio foi de vento em popa durante pouco mais de seis meses. Depois, pintou a crise. Em primeiro lugar, os homens sumiram. A mulheres desapareciam aos poucos.


Preocupado, o empresário reagiu. Contratou um gerenciador de crises. O profissional analisou a trajetória do empreendimento desde que abriu as portas. Ouviu fregueses, freguesas e freguesinhos. Eureca! Descobriu. Em reunião com a equipe, desvendou o mistério:


— A língua é a grande vilã. Um cartaz espantou os homens. O diminutivo, as mulheres.

 

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Quarta-feira, 13 de agosto de 2014 07:00 am

Exterminadores de negócios 2


O cartaz


"Corto cabelo e pinto", diz a faixa exibida. A moçada bate os olhos e dá no pé. A razão: como no jogo do bicho, entende o que está escrito. O quê? A tesoura, além de comprimentos, cachos e franjas, corta o pênis. Fica, então, a pergunta: sem o órgão, como fazer xixi? Valha-nos, Deus! Xô!


Nova redação


Propôs, então, novo texto. Bastou a mudança na colocação do termo que provocou a debandada. Pinto , depois de cabelo , deu a impressão de que era substantivo. Mas é verbo como corto . Melhor aproximar os irmãos. Assim: Corto e pinto cabelo .

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Quarta-feira, 13 de agosto de 2014 06:00 am

Exterminadores de negócios 3


Diminutivo


A mania vem de longe. Mas se agrava dia a dia. Virou vício. Profissionais parecem treinados a não usar o grau normal dos nomes. É um tal de sapatinho lá, comidinha pra cá,  cortininha pracolá. O salão foi atrás. A pedicure pede o "pezinho" da cliente que calça 40. O cabeleireiro corta o "cabelinho" que bate na cintura. A esteticista promete boa "limpezinha" de pele da adolescente com a cara coberta de cravos. Desaforada, a garota deu o recado:


— Não quero limpezinha. Quero limpeza. Quero limpezão.


Deu meia-volta, bateu asas e voou. Com ela, as clientes que não querem ser clientezinhas. E daí? Profissionais tiveram curso. Reaprenderam o grau normal. Pra evitar recaídas, o gerenciador de crise leu este texto de Juarez Fonseca. O personagem é o escritor gaúcho Mário Quintana:


Obrigadinho


Autografa um de seus livros com a tranquilidade costumeira, dizendo uma coisa ou outra para as crianças da fila, quando é apresentado a um ministro de Estado de passagem por Porto Alegre que estava ali para cumprimentá-lo. Curvando o corpo, o político confessa, tentando ser gentil:


— Gosto muito de seus versinhos.


Quintana, abrindo aquela sua expressão típica de incredulidade, revida no mesmo instante:


— Muito obrigado pela sua opiniãozinha.

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Quarta-feira, 13 de agosto de 2014 02:00 am

Exterminadores de negócios 4

 

A vez

 

Diminutivo nunca tem vez? Tem. Quando indica tamanho pequeno (o pezinho do bebê) ou carinho. O filho chama o pai de 1,90m de paizinho. Também exprime ironia e desqualificação (advogadinho de porta de cadeia).Exemplo em que o diminutivo exprime afeto? Eis um. É do escritor Álvaro Moreira:


Quando eu morrer, com certeza vou pro céu. O céu é uma cidade de férias, férias boas que não acabam mais. Assim que eu chegar, pergunto onde mora lá minha gente que foi na frente. Dou beijos. Dou abraços.


E depois? Depois vou à casa de São Francisco de Assis pra ficar amigo dele, amigo de verdade, tão amigo, tão íntimo que ele há de me chamar Alvinho e eu hei de lhe chamar Chiquinho.

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Terça-feira, 12 de agosto de 2014 05:00 pm

Erramos


"O tema ganhou jurisprudência local e, a cada ano, renova o tema, mas sempre sob a mesma liderança do presidente da entidade", escrevemos na pág. 19. Reparou no desperdício? O sempre dispensa o pronome mesma . Melhor descer do muro. Assim: … a cada ano, renova o tema, mas sempre sob a liderança do presidente da entidade. Ou: … a cada ano, renova o tema, mas sob a mesma liderança do presidente da entidade.

 

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Terça-feira, 12 de agosto de 2014 04:31 pm

Benjamin Franklin ensinou


"Escreve as ofensas no pó; os benefícios, no mármore."



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Terça-feira, 12 de agosto de 2014 04:00 pm

Suicidar-se


Robin Williams desistiu de viver. Ele suicidou? Ele se suicidou? Acredite. Não existe o verbo suicidar. Só existe suicidar-se. O dicionário, que sabe tudo, só registra a forma pronominal (suicidar-se). Por isso, diga, sem medo de errar: Robin Williams se suicidou .

 

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