Quarta-feira, 10 de setembro de 2014 12:02 am

Muda de posição como de camiseta


Vamos combinar? Todos os anos deveriam ser eleitorais. A razão é simples. Nos dias de campanha, somos pra lá de bem tratados. Viramos amigos, companheiros, colegas, parceiros, patriotas, etc. e tal. Não só. Elogios pipocam a torto e a direito. O mais recente partiu de Dilma Rousseff. "Não somos vira-casacas", disse Sua Excelência em discurso dirigido a mulheres.


As palavras chamaram a atenção. Ouviram-se cochichos aqui e ali. Num deles, uma  ilustre senhora , morta de rir, manifestava curiosidade. Queria saber a origem da expressão "vira-casaca". Consultada, a coluna responde. A história vem  d e séculos atrás . Carlos Manuel III (1701-1771), rei da Sardenha, não descia do muro.


Pra evitar problemas com a França ou a Espanha, vestia as cores de um dos reinos de acordo com as circunstâncias. Ficou 43 anos no poder. De tanto troca-destroca da roupa de cerimônia com duas abas nas costas (casaca), o  hábito virou piada e ganhou a boca do povo. Vira a casaca quem defende opiniões, pessoas ou times que antes condenava. Em geral, tem objetivo oculto : tirar vantagem.


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Quarta-feira, 10 de setembro de 2014 12:00 am

Palanque eletrônico 8


Show às avessas


Dad Squarisi


A maior tragédia nacional? É a educação. Se alguém tinha dúvida, ela se evaporou ontem. No programa eleitoral, candidatos e padrinhos deram um show às avessas. Ao lado de declarações de amor ao povo, exibição de feitos, promessa de nirvanas, etc., etc., etc., elegeram o inimigo número 1 de todos. É a língua. O português apanhou feio.


A surra começa com o TSE. O tribunal escreve "lei 9.504/97". Numerada, lei vira Lei. Continua com Aécio & cia. "A proposta mantém a regra geral". Que desperdício, mineiro. Toda regra é geral. Basta regra. Passa por Marina: "PT e PSDB guerreiam entre eles". Entre eles? Não. Entre si. Caetano arremata: "Nesse momento, Marina representa nossos anseios". Ops! Ele fala do tempo presente? É neste momento.


Dilma faz a festa. Reprisa o programa sobre educação exibido na semana passada. Deslumbrada com o país maravilha criado por marqueteiros, nem se lembra do Brasil real. Pela primeira vez, nossa Pindorama caiu no Ideb. Andamos pra trás. Ela prova.


Bate na regência. "As mudanças chegaram no ensino superior". Nãoooooooo! Chegaram ao ensino superior. Maltrata o demonstrativo. Estava na sede do Senai. Em vez de esta unidade, refere-se a ela como essa unidade.


Lula amplia os estragos: "A partir do nosso governo, o Brasil começa a mudar". Xô, pleonasmo! A partir e começar dão o mesmo recado. Melhor: No nosso governo, o Brasil começa a mudar. A partir do nosso governo, o Brasil muda. A vovó, quietinha até então, desliga a tevê e cantarola: "Essa gente toda em vez de inglês / precisava um pouco mais de português".

 

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Terça-feira, 09 de setembro de 2014 02:30 pm

Erramos

"Em entrevista, Dilma disse não saber dos malfeitos e afirmou que se houve sangria já foi estagnada", escrevemos na capa. Cadê a vírgula? Sem ela, misturam-se Germanos com gêneros humanos. Melhor separar os termos como manda a normal culta. Assim: Em entrevista, Dilma disse não saber dos malfeitos e afirmou que, se houve, a sangria já foi estagnada.

 

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Terça-feira, 09 de setembro de 2014 02:00 pm

Leitor pergunta


Tenho dificuldade com o emprego de expressões construídas com o substantivo nível — ao nível de e em nível de . Pode me ajudar? (Cristina Perez)


As locuções são parecidas, mas não se conhecem de elevador:


Ao nível de significa à mesma altura : Santos está ao nível do mar. Meu cargo está ao nível do cargo de diretor.


Em nível de tem os sentidos de em instância , no âmbito , paridade : A decisão foi tomada em nível de diretoria. O consenso só será possível em nível político. Faço um curso em nível de pós-graduação.


Olho vivo, Cris:


O português contemporâneo gosta do texto enxuto. Excessos não têm vez com ele. Em muitos casos, o em nível de sobra. Quer ver? A decisão foi tomada pela diretoria. Faço um curso de pós-graduação .


A nível de ? Cruz-credo!   O trio não existe. É praga. Xô!

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Terça-feira, 09 de setembro de 2014 10:00 am

Vilão da língua?


Era manhã de segunda-feira. Conceição, como sempre faz, ouv ia a CBN. O programa corria solto e animado. Com entusiasmo, o apresentador se referia a mocinhos e a bandidos. De repente, não mais que de repente, convocou "vilões e viloas". Ops!


Ouvintes ligaram. Mandaram mensagens por e-mail. Tuitaram. Estêvão voltou atrás. "Vilões e vilãs", repetia sem parar. Com a pulga atrás da orelha, foi ao Aurélio. Lá estava. Vilão tem dois femininos. Um: vilã. O outro: viloa. Ele respirou aliviado. Escapou do risco de se tornar vilão da língua. Ufa!

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Segunda-feira, 08 de setembro de 2014 05:30 pm

Erramos


"Com base no estudo, outras unidades da Apae fecharam as portas, mas a maioria ainda se mantém aberta", escrevemos na pág. 5. Ops! Olha o pleonasmo. Mantém indica continuidade. Ainda tem a mesma acepção. Melhor ficar com um ou outro: … mas a maioria se mantém aberta. … mas a maioria ainda está aberta.

 

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Segunda-feira, 08 de setembro de 2014 05:00 pm

Cochilos da revisão 2


Flatônio José da Silva

No título "Pintou sujeira na eleição", saiu este texto:

"E o rastro de lixo na rua não deixa de ser uma imagem metafórica do que ainda assistimos na vida pública brasileira".

Corrigindo: E o rastro de lixo na rua não deixa de ser uma imagem metafórica do a que ainda assistimos na vida pública brasileira.


Explicação - Erro de regência: na acepção de ver, presenciar, comparecer, o verbo assistir é transitivo indireto e constrói-se com a preposição "a", que, no caso, deve preceder o pronome relativo "que".


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Segunda-feira, 08 de setembro de 2014 04:00 pm

Cochilos da revisão



Flatônio José da Silva

No título "A delação no centro da campanha", saiu o seguinte:

1. "A oposição vai exigir que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras convoque novamente o ex-diretor da Petrobras , Paulo Roberto Costa, para detalhar outros nomes dos beneficiários do esquema de corrupção na Petrobras" .

Corrigindo: ...convoque novamente o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa para detalhar outros nomes dos beneficiários do esquema de corrupção da Petrobras .

Explicação - Erro de pontuação: as vírgulas destacadas estão sobrando porque Paulo Roberto Costa não é o único ex-diretor da Petrobras. Trata-se, pois, de um aposto restritivo, que rejeita vírgulas.


2. "Coordenador jurídico da campanha presidencial do PSDB, o deputado Carlos Sampaio (SP) lembra que, apesar do tempo exíguo até o processo eleitoral - são exatos 28 dias até 5 de outubro - é fundamental deixar a população bem informada sobre o tema" .

Corrigindo: ...lembra que, apesar do tempo exíguo até o processo eleitoral - são exatos 28 dias até 5 de outubro -, é fundamental deixar a população bem informada sobre o tema .

Explicação - Erro de pontuação: falta vírgula após o segundo travessão. Eis a regra: Coloca-se depois do segundo travessão a vírgula que seria colocada depois da palavra anterior ao primeiro travessão (no caso, "eleitoral"). Se eliminarmos o trecho entre travessões, a frase fica assim: ...o deputado Carlos Sampaio lembra que , apesar do tempo exíguo até o processo eleitoral , é fundamental deixar a população bem informada sobre o tema . Note que as duas vírgulas servem para isolar a oração adverbial intercalada.

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Segunda-feira, 08 de setembro de 2014 12:00 am

Diquinhas infantis 27


Gulliver em Brobdingnag


Brobdingnag é um país especial. Lá só moram gigantes. As pessoas são da altura de um prédio de dois andares. Já imaginou? Pois Gulliver, ao fugir de Liliput, parou naquela terra de gente imensa.


Um agricultor quase pisou nele. Mas prestou atenção antes de baixar o pé. Epa! Achou a criatura engraçada. Enrolou-a num lenço de papel e a levou pra casa. Que medo! Ratos o atacaram. Ele escapou. Uma meninina o pôs na caminha da boneca.


No outro dia, o agricultou obrigou Gulliver a dançar no mercado. Foi um sucesso. A rainha gostou dele e o comprou para presentear o rei. E lá foi ele morar no palácio. Mas o anão da casa ficou com ciúme do rival. Quase o afogou numa tigela de creme. Assustado, Gulliver decidiu fugir. Numa viagem de barco, caiu na água e nadou até um navio inglês. Oba! Escapou.

 


Tamanhão


Em Brobdingnag tudo é grande. Por isso, os nomes aparecem no aumentativo. Homem é homenzarrão. Casa é casarão. Mulher é mulherão ou mulherona.

 

Agora você:


Mão é…………………

Nariz é ………………..

Pé é ……………………

 

Caça-palavras


Boca tem três aumentativos. Encontre-os:

BOLABOCONA

BOIBOCARRAB

BOCÃOBOBÃO

BETERRACAAD


Resposta

mãozona, narigão, pezão.

BOCONA, BOCARRA, BOCÃO.

 

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Domingo, 07 de setembro de 2014 01:00 pm

Cochilos da revisão



Fltônio José da Silva

No título "Delator dá nomes ligados à sangria na Petrobras", saiu este texto:

"Preso em março, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, teria dito que se abrisse a boca não haveria eleição no Brasil" .

Corrigindo: Preso em março, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, teria dito que , se abrisse a boca, não haveria eleição no Brasil .

Explicação - Erro de pontuação: a oração adverbial intercalada tem de vir entre vírgulas. Note que a oração adverbial (no caso, condicional) interrompe o fluxo normal da frase ao interpor-se entre a conjunção integrante "que" e a oração "não haveria eleição no Brasil", que funciona como objeto direto da locução verbal "teria dito".

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Domingo, 07 de setembro de 2014 10:00 am

Pátria amada, Brasil


Oba! Hoje é o Dia da Pátria. Nada de aula, nada de trabalho, nada de horários. Alguns vão à piscina. Outros, ao parque. Há os que ficam em casa ou assistem ao desfile militar. Aí, vão ouvir ou cantar o Hino Nacional. Muitos ficam de boca fechada. Por quê?


Talvez pela dificuldade de compreensão. Escrito em ordem inversa e recheado de palavras difíceis, o texto obriga muitos a fazerem o papel de papagaios — falar sem entender. O blogue lhes dá um socorro. Põe os versos em ordem direta e traduz as palavras menos comuns. Em suma: explica a obra tim-tim por tim-tim. Vamos lá?

 

Hino Nacional


Letra: Osório Duque Estrada

Música: Francisco Manoel da Silva

 

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heroico o brado retumbante,

E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,

Brilhou no céu da Pátria nesse instante.


(As margens plácidas (tranquilas, serenas) do Ipiranga ouviram o brado (grito) retumbante (estrondoso) de um povo heroico. E o sol da liberdade, em raios fúlgidos (cintilantes), brilhou no céu da pátria nesse instante.)


●●●


Se o penhor dessa igualdade

Conseguimos conquistar com braço forte,

Em teu seio, ó Liberdade,

Desafia o nosso peito a própria morte!


(Se conseguimos conquistar o penhor (garantia) dessa igualdade com braço forte, o nosso peito desafia até a morte em teu seio, ó liberdade.)


●●●


Ó Pátria amada,

Idolatrada (adorada, venerada)

Salve! Salve !



Brasil, um sonho intenso, um raio vívido

De amor e de esperança à terra desce,

Se em teu formoso céu, risonho e límpido,

A imagem do Cruzeiro resplandece.


(Brasil, um sonho intenso, um raio vívido (intenso, vivo) de amor e de esperança desce à terra se em teu formoso (belo) céu, risonho e límpido, (transparente) a imagem do Cruzeiro (constelação do Cruzeiro do Sul) resplandece (brilha).


●●●


Gigante pela própria natureza,

És belo, és forte, impávido colosso,

E o teu futuro espelha essa grandeza,

terra adorada,

Entre outras mil,

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,

Pátria amada,

Brasil!


(Gigante pela própria natureza, és belo, és forte, impávido (destemido, corajoso) colosso (gigante). E o teu futuro espelha (reflete) essa grandeza. Terra adorada, entre outras mil, és tu, Brasil, ó pátria amada! És mãe gentil (amável) dos filhos deste solo, pátria amada, Brasil!)


●●●


Deitado eternamente em berço esplêndido

Ao som do mar e à luz do céu profundo,

Fulguras, ó Brasil, florão da América,

Iluminado ao sol do Novo Mundo!


(Ó Brasil, florão (abóbada, cúpula) da América, (tu) fulguras (brilhas), iluminado ao sol do Novo Mundo, deitado eternamente em berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo.)


●●●


Do que a terra mais garrida

teus risonhos, lindos campos têm mais flores;

"Nossos bosques têm mais vida",

"Nossa vida" no teu seio "mais amores".


(Teus campos risonhos e lindos têm mais flores, nossos bosques têm mais vida, nossa vida no teu seio (tem) mais amores do que a terra mais garrida (enfeitada, graciosa).


●●●


Ó Pátria amada,

Idolatrada,

Salve! Salve!

Brasil de amor eterno seja símbolo

O lábaro que ostentas estrelado,

E diga o verde-louro desta flâmula:

— Paz no futuro e glória no passado.


(O lábaro (bandeira) que ostentas (exibe) estrelado seja símbolo de amor eterno. E o verde-louro desta flâmula (bandeira) diga: paz no futuro e glória no passado.)


●●●


Mas, se ergues da justiça a clava forte,

verás que um filho teu não foge à luta,

nem teme quem te adora a própria morte.


(Mas, se a clava (bastão usado como arma) forte da justiça (tu) ergues, verás que um filho teu não foge à luta, nem teme a própria morte quem te adora.)


●●●


Terra adorada,

Entre outras mil,

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,

Pátria amada,

Brasil!

 

 

 

 

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Sexta-feira, 05 de setembro de 2014 04:00 pm

Erramos


"Embora Margaret Chan ressalte que o problema seja comum a todos os países do mundo…", escrevemos na pág. 15. Ops! Há país que não seja do mundo? Xô, pleonasmo! Melhor: Embora Margaret Chan ressalte que o problema seja comum a todos os países…

 

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Sexta-feira, 05 de setembro de 2014 10:00 am

Mark Twain ensina


"As biografias são apenas as roupas e os botões da pessoa. A vida da própria pessoa não pode ser escrita."


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Sexta-feira, 05 de setembro de 2014 12:00 am

Palanque eletrônico 7


Sucursal do céu


Dad Squarisi


Só cego não vê. Há mais mistérios entre o céu e a Terra do que imagina nossa vã filosofia. Um deles salta aos olhos. Trata-se da semelhança Dilma-Aécio-Marina & cia. louquinha pelo Planalto. Não se fala em atributos físicos, claro.


A afinidade não está na forma. Reside no fundo. Uma marca os une indelevelmente. Todos são professores de Deus. Do elevado altar, dirigem-se aos homens. Sabem tudo. Têm resposta pra todas as perguntas. Têm receita pra problemas presentes e futuros.


Eles não se restringem ao blá-blá-blá. Matam a cobra e mostram o pau. Exibem obras. Dilma e Aécio expõem escolas, creches, hospitais, merenda gostosa etc., etc., etc. Provam que a dupla não veio ao mundo pra passear. Veio devolver o paraíso. Marina não tem obras pra apresentar. Mas tem sonhos. E dá-lhe esperança.


As acusações poupam o nome do santo. "Certa candidata", refere-se Dilma a Marina. "Não basta falar. É preciso ter experiência", diz Aécio para bons entendedores. "Temos propostas pra apresentar. Não precisamos de agressão", responde Marina. É mais ou menos como a história do diabo. Ninguém o cita com todas as letras com medo de lhe atrair o poder.


Conclusão: o Brasil é a sucursal do céu. Para se tornar matriz, falta um passo — fazer as pazes com o português. Dilma não se atualizou. Escreve mão de obra como antigamente, com hífen. Aécio contraria a fama dos mineiros. Esbanja pronome: "Pra saúde funcionar, é preciso se investir mais dinheiro". O se sobra. Xô!

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Quinta-feira, 04 de setembro de 2014 04:00 pm

Erramos


"Pesquisa detecta redução pequena mas contínua no valor do metro quadrado em Brasília, o terceiro mais caro do país", escrevemos na capa. Valor caro? Não. Valor, como preço, é alto ou baixo. O metro quadrado , sim, é caro ou barato. Melhor: Pesquisa detecta redução pequena mas contínua no valor do metro quadrado em Brasília, o terceiro mais alto do país.



 

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Quinta-feira, 04 de setembro de 2014 12:30 pm

Diquinha rimada


“Viagem substantivo,
O g é quem toma conta,
Mas, do verbo viajar,
É j de ponta a ponta.

Fretei uma condução

Pra fazer uma viagem,
E assim dou condição
Pra que outros viajem.” (Donzílio Luiz de Oliveira)

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Quinta-feira, 04 de setembro de 2014 12:00 pm

Presidenta e presidente


“`Presidenta´ é feio. Não é que seja errado. Está lá no Dicionário Houaiss. O caso é que, entre presidenta e presidente, que também pode ser usado para mulheres, a língua corrente escolheu a segunda forma, talvez levada pela estranheza de uma terminação em `ente´admitir ser distorcida para `enta´. O normal, como em adolescente, gerente, assistente, confidente ou conferente, é a palavra servir aos dois gêneros.” (Roberto Pompeu de Toledo)


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Quarta-feira, 03 de setembro de 2014 12:05 am

Palanque eletrônico 6


O Kapeta se chama Marina


Dad Squarisi


Estudiosos de Saussure, Pike, Bloomfield, Chomsky, Martinet, Jakobson e o brasileiríssimo Matoso Câmara estão intrigados. Querem explicações para o milagre. O Lula sumiu da telinha. Só ficou a Dilma, que virou fervorosa advogada de si mesma.


Até há pouco, a criatura não convencia nem as velhinhas de Taubaté. Precisava de aval do padrinho. Professor de Deus, ele punha a mão no fogo pela afilhada. Agora o cenário mudou. As palavras vêm do fundão das entranhas. Brotam aos borbotões — fortes, altas e valentes. Xô, comedimentos!


Qual a mágica? Linguistas pesquisam em livros, vasculham a internet, entrevistam medalhões. Nada de resposta. Alguns arriscam palpites. Lembram-se de crianças. Ao menor descuido, as arteiras enfiam o prego na tomada. Levam um choque e disparam a choradeira.


Há quem acredite que Dilma tomou estimulante. Não Kapeta, que se compra em farmácia. O remédio que animou a presidente se chama Marina. Com a acriana crescendo e aparecendo, pintou o medo. O PT perder o poder? Nãoooo ooooooooooooooooooooooo!

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Quarta-feira, 03 de setembro de 2014 12:00 am

Debate, pra que te quero?


Pôr candidatos frente a frente é pedagógico. A gente aprende com eles. Alguns apresentam propostas. Outros fazem balanço do que fizeram. Todos , gasta ndo sorrisos e palavras , e sbanjam vocábulos sem economia. O confronto da CNBB, na segunda-feira, não foi diferente. De olho no governo do Distrito Federal, os louquinhos pelo Buriti corr iam  atrás de votos. Na disparada, pisa ra m a língua sem compaixão.


Luiz Pitimam


"É importante que construa-se alternativa de emprego", disse  o homem todo-sorrisos. Esqueceu pormenor pra lá de importante. A gangue qu funciona como ímã. Atrai o pronome átono sem compaixão: É importante que se construa alternativa de emprego. Quem me telefonou? Quanto se pagou pelo carro? A obra a que Pedro se referiu está esgotada.


Rodrigo Rollemberg


"Cheguei em Brasília em 1960", disse Rodrigo Rollemberg ao se apresentar. Ops! Chegar em? Nem pensar. Melhor chegar a : Cheguei a Brasília. Chegamos ao clube. A que horas você chegou ao debate?


Toninho do Psol


"Se você vai em São Sebastião, verá que a área está sendo tomada por grileiros", acusou o eterno candidato. Ir em? Nunca. Há dois jeitos de ir:


Um deles: ir rapidinho e voltar. Aí, a preposição a pede passagem: Vou ao clube. Vamos ao cinema? Eles vão a São Paulo ver a exposição .


O outro: ir por período longo ou para ficar: Vou para Londres fazer minha pós-graduação. Foi para o Rio morar com o pai. Vou-me embora pra Pasárgada. 


José Roberto Arruda


"Independente da cor ou do sexo, há que evitar conflitos", ensinou o ex-governador. Bobeou. Independente quer dizer livre. Ele quis dizer independentemente (sem levar em conta): Independentemente da cor ou do sexo, há que evitar conflitos.


Perci


"Seria necessário as novas mobilizações", disse a bendito o fruto entre os homens. Cadê a concordância? Basta pôr a oração em ordem direta pra  ficar claro quem é quem: As novas mobilizações seriam necessárias .


Agnelo


"Muitos dos pontos fracos eles foram enfrentados pel o meu governo", frisou o governador. "Uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii", gemeram os presentes.  O modismo de repetir o sujeito machucou os ouvidos . O eles sobra: Muitos dos pontos fracos foram enfrentados pel o meu governo.

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Terça-feira, 02 de setembro de 2014 04:00 pm

Erramos


"…o Correio Braziliense vai ajudar os alunos se prepararem", escrevemos na pág. 21. Cadê o a ? Melhor devolvê-lo ao lugarzinho dele: o Correio Braziliense vai ajudar os alunos a se prepararem.

 

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Terça-feira, 02 de setembro de 2014 12:15 pm

Leitor pergunta 3


A maioria pede verbo no singular ou plural? (Marcelo Souza)


Ops! Trata-se do partitivo. No caso, o verbo fica em cima do muro. Ora olha pro núcleo do sujeito. Concorda com ele. Ora joga charme pro complemento. Flexiona-se como ele manda. Veja: A maioria dos candidatos falou bem. A maioria dos candidatos falaram bem . Metade das maçãs apodreceu . Metade das maçãs apodreceram . Um grupo de alunos saiu . Um grupo de alunos saíram . Parte dos eleitores se decidiu . Parte dos eleitores se decidiram .


Vale tudo? Nãooooooooooooooooo! O verbo concorda com o núcleo do sujeito ou com o complemento. Se os dois forem do mesmo número, a regra permanece. Assim: A maioria da população votou . A maioria da população votou . Parte da turma saiu . Parte da turma saiu . Metade da família viajou . Metade da família viajou .

 

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Terça-feira, 02 de setembro de 2014 12:05 pm

Leitor pergunta 2


O rádio? A rádio? Como acertar sempre? Luísa Cardoso)


O aparelho é machinho da silva. A estação, feminina de carteirinha: Meu rádio não sintoniza a Rádio Tupi. Mas sintoniza a Rádio Clube. E o seu?

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Terça-feira, 02 de setembro de 2014 12:00 pm

Leitor pergunta 1


Conserto ou concerto? Nunca sei.(Sandra Cavalcanti)


Depende. Ambas as grafias merecem nota 10. O xis da questão é empregá-las como manda a boa norma:


Conserto : assim, com s, a trissílaba quer dizer remendo, reparo. O carro pifou? Vai pro conserto. A estrada está cheia de buracos? Cadê conserto? O vestido se rasgou? A costureira conserta.


Concerto : com c, a palavra joga em time que todos amam, todos querem. Trata-se da equipe da harmonia: concerto da orquestra, concerto de violinos, conceerto das nações.


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Terça-feira, 02 de setembro de 2014 12:00 am

Nova ortografia


MARCELO NAVARRO


Membro eleito da Academia Rio-Grandense de Letras (mndantas@uol.com.br)


Os absurdos do ultimo acordo ortografico – em espesial, os atinentes ao uso do ifen, qe se tornou inteiramente arbitrario, com regras injustificaveis i qe impoem sempre a consulta ao VOLP, ou vocabulario ortografico da lingua portugeza – levaram a uma reasao de parte dos escritores, educadores i da intelligents ia, qe xegou ao climacs com o projeto de nova ortografia, ora no Senado, onde corre a ideia de uma simplificasao cuaze radical.


A baze da reforma consiste na tentativa de fazer corresponder a cada letra o som do fonema qe ela reprezenta. Assim, se o som e "k", as letras serao sempre "c" ou "q" (i no cazo deste ultimo, dispensado o "u" qe costumava seguilo). Se e "s" (sibilante), sera sempre "s", mesmo cuando se escrevia "ss", "ç", "sc", "xc", etc.; se o "s" soar como zumbido, usase o "z". O "ch" vai sempre ser reprezentado por "x" i asim por diante.


O "g" vai ser uzado apenas em palavras como "gato", "gravata" ou "gerra" (o contrario de paz). Em outras situasoes, devese escrever "jente" ou "jigante". Jenial, nao? Dezaparese o "h" mudo – sim, omem de Deus! – i some de vez o ifen.


Muitos estao estrilando, axando qe a mudansa e radical demais. Ja eu, embora axe uma maluqise, penso qe, se e para avansar nesa trilha absurda – de favoreser a pura pregisa de aprender i ensinar —, tinhamos qe ir mais lonje i eliminar todos os asentos e sinais diacriticos, como estou fazendo neste texto, escrito nos termos da proposta senatorial, acresida de dois outros – ra, ra! – avansos: o ja mensionado fim de todos os asentos, incluido o til, qe asento propriamente dito nao e — obrigado, obrigado pelas palmas, senhores dijitadores! –, i um truqezinho para rezolver o conseqente problema de saber cuando se trata da conjunsao antigamente grafada como "e", ou do presente do verbo ser, antes escrito "é": no segundo cazo, pasase a uzar "e", mas no primeiro, empregase o "i", como na lingua catalan.


O problema e qe esa reforma nao vai funsionar, seja do jeito que ora esponho, seja como consta do projeto qe corre na Camara Alta do Lejislativo Federal. I esplico por qe: primeiro, alguns fonemas são mesmo enganadores. Ai mesmo, em "mesmo", esse "s" reprezent—, respondam! I as variasoes regionais de pronuncia? "Txia", qe "djia" e oje? Salvo as criansas gauxas, as do resto do Brazil vao tender a escrever "Braziu"...


Aqui no nordeste, vamos grafar "nordexte", porque xiamos no meio desa palavra. "Cariocax" i "recifensex" vao por "x" no fim de "todox ox pluraix", porqe e asim qe os pronunsiam. Os paulistas vao grafar "subzidio"... i pelo pais afora vai ser uma luta saber se devese escrever "mininu", "normau", "ixto", etc., etc., etc. Vejam qe nem falo da pronuncia de Portugal – onde se pronuncia como "x" o "sc" da antiga "nascer", por ezemplo – e dos outros paizes luzofonos, porqe a proposta e escluziva do Senado brazileiro...


A reforma se pretende fonetica, mas esta depende muito da prosodia, qe varia demais... Em vez desa luta ingloria, vamos — iso sim — melhorar a educasao no noso pais. Alegase qe a ortografia vijente e muito difisil, porem muito mais e a do mandarim, i os xinezinhos estao cuaze todos alfabetizados. Na Coreia, cujo alfabeto tambem nao deve ser fasil – ou seria fasiu? —, praticamente nao a analfabetismo. Faltanos, parece, dispozisao para o trabalho, falta empenho, falta... vergonha! Vamos fazer, entao, em vez da ortografica, outra reforma, a da vergonha. Minha proposta: tomala. I na cara!

 

 (Artigo publicado no Correio Braziliense de 2.9.14.)

 

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Segunda-feira, 01 de setembro de 2014 01:00 pm

Erramos


"E quais as propostas para se chegar a ele?", escrevemos na pág. 4. Reparou? O se sobra. Xô! Melhor: E quais as propostas para chegar a ele?

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Segunda-feira, 01 de setembro de 2014 11:00 am

Entre tapas e beijos 6



 
Pronome este

 

Dilma, Marina, Aécio & cia. pidona se referem ao Brasil como "esse país" em vez de "este país". Ato falho? Talvez. Eles estão em Pindorama. Mas têm olhos em OZ.

 

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Segunda-feira, 01 de setembro de 2014 10:00 am

Entre tapas e beijos 5


Pronome eu


Não importa o partido. Nem o sexo. Nem a idade. Os candidatos têm uma característica comum. São ególatras. Adoram-se acima de tudo. Sem modéstia, rivalizam com Deus. Por isso, o eu é a grande vedete dos palanques eletrônicos . Ao usá-lo, porém,  os pidões caem em cilada que arrepia cabelos e afugenta  amigos, inimigos e nem uma coisa nem outra .


"Entre eu e o eleitor", dizem uns. "Entre eu e minha equipe", outros. Valha-nos, Deus! Na egolatria, homens e mulheres não deixam dúvida — foram maus alunos ou mataram aula. Não aprenderam que o pronome eu tem alergia à preposição. Antecedido por ela, bate asas e dá a vez ao irmãozinho mim : Gosta de mim. Trabalha para mim e para você. Nada existe entre mim e o eleitor. Só existe entre mim e minha equipe.

 


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Segunda-feira, 01 de setembro de 2014 09:00 am

Entre tapas e beijos 4


Regência


O verbo mais maltratado? É chegar. Cem em cada cem candidatos chegam "em" algum lugar. É pena. Com essa preposição, não chegam a lugar algum. Pra chegar lá, têm de fazer as pazes com o a: chegar ao Planalto, chegar a Brasília, chegar ao comício, chegar à casa do eleitor, chegar ao céu.

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Domingo, 31 de agosto de 2014 07:50 am

Entre tapas e beijos 3


Pleonasmos


"Nenhum país do mundo oferece um sistema de saúde universal como o nosso", alardeia Dilma no rádio e na tevê. Ouvintes e telespectadores ficam com o pé atrás. "Existem países fora do mundo?", perguntam os curiosos. Ora, se todos os países são do mundo, basta o substantivo pra dar o recado: Nenhum país oferece um sistema de saúde universal como o nosso.


Olho vivo! Todos os países são do mundo. Mas nem todos são da América, da Europa, da Ásia e por aí vai. No caso, a especificação é pra lá de bem-vinda: Nem todos os países da América têm um sistema de saúde como o nosso. Nenhum país da Europa ou da Ásia tem um sistema universal como o nosso.

 


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Domingo, 31 de agosto de 2014 07:00 am

Entre tapas e beijos 2

Pronúncia


Candidatos prometem remédios e passagens gratuitos . Mas, em vez de pronunciar o ditongo ui como em fortuito e circuito , acentuam o i . Dizem gratuíto. Bobeiam. Quebram o ditongo perdem eleitores.


*


Radicais juram de pés juntos: "Não daremos subsídios a

ricos". Convencem? Não. Eles dizem "subzídio". Esquecem-se de pormenor pra lá de importante. Subsídio e subsolo jogam no mesmo time. O s soa ss .

 


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