Terça-feira, 14 de maio de 2013 01:10 pm

Infinito enquanto dura


O mundo dá voltas. Lá por 1960, Cuba mandava os homossexuais pra campos de trabalho. Agora promove passeatas anti-homofobia. A psicóloga Marieta Castro lidera o movimento. Ela não é nem mais nem menos que filha de Raúl Castro, presidente do país.


Ao noticiar o fato, perguntas pintaram a torto e a direito. Uma delas: como se escreve anti-homofobia? Assim mesmo. Prefixos seguidos de h pedem hífen sim, senhor: super-homem, contra-história, anti-higênico .

 

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Terça-feira, 14 de maio de 2013 01:00 pm

Pra cima e pra frente


Prevenir ou remediar? "Prevenir", decidiu Angelina Jolie. A bela baseou-se no histórico familiar. Dados os antecedentes, tinha 87% de risco de desenvolver câncer:


— Eu, hein? Tenho 37 anos, seis filhos pra criar e a vida pela frente.


Retirou os dois seios. Submeteu-se a uma mastectomia . O palavrão vem do grego mastós , que quer dizer teta, seio. A greguinha formou ampla família na linguagem científica. Entre os membros mais ilustres, sobressaem mastologista (médico especialista em mama), mastite (inflamação das mamas), mastoide (que tem formato de mama).

 


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Segunda-feira, 13 de maio de 2013 08:00 pm

Cochilos da revisão


Flatônio José da Silva

No título "Com a compreensão da família", saiu este texto:
 
"A paixão de Bernardo pela astronomia não o permitia frequentar festas" .

Corrigindo: A paixão de Bernardo pela astronomia não lhe permitia frequentar festas .

Explicação: Erro de regência: o verbo permitir constrói-se com objeto direto de coisa (frequentar festas) e indireto de pessoa (lhe = a ele). A frase original se desvia da norma porque possui dois objetos diretos: de coisa (frequentar festas) e de pessoa (o = ele).

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Segunda-feira, 13 de maio de 2013 05:00 pm

Erramos


"Portanto, estaria na hora de deixá-la constrangida ao ponto de pedir para sair", escrevemos na pág. 4. Ao ponto de ? Não. O artigo sobra. Xô! Melhor: Portanto, estaria na hora de deixá-la constrangida a ponto de pedir para sair.
 

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Domingo, 12 de maio de 2013 12:05 am

Os hebreus dizem


"Como não podia estar em todos os lugares, Deus criou a mãe."


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Domingo, 12 de maio de 2013 12:04 am

Meu filho não é meu filho


A voz do povo é a voz de Deus? Há controvérsias. As mães não têm dúvida: "Meu filho", dizem elas, "é meu filho até casar-se. Minha filha é minha filha por toda a vida". O Talmude põe lenha na certeza: "Quando se casa, o rapaz se divorcia da mãe". Verdade? Talvez. Mas, como toda unanimidade é burra, há quem tire a alegria das mães de filhas. O escritor libanês Gibran Khalil Gibran põe todas as mamas no mesmo barco:


"Vossos filhos não são vossos filhos.

São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.

Vêm através de vós, mas não de vós.

E embora vivam convosco, não vos pertencem.

Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,

Porque eles têm os próprios pensamentos.

Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;

Pois suas almas moram na mansão do amanhã,

Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.

Podeis esforçar-vos por ser como eles,

mas não procureis fazê-los como vós,

Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.

Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.

O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força

Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.

Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:

Pois assim como ele ama a flecha que voa,

Ama também o arco que permanece estável."

 



 

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Domingo, 12 de maio de 2013 12:03 am

A segundona

 

Mãe é mãe. Ela fala e diz. Eis por que só existem duas opiniões — a dela e a errada. Tanto poder tem origem divina: Deus a criou porque não pode estar em todos os lugares. Ao moldar tão especial criatura, foi cauteloso. Inventou a madrinha. Na origem, madrinha é diminutivo de mãe. Quer dizer mãezinha. Daí o peso da responsabilidade. Na falta da mãezona, a madrinha a substitui. Simples assim.


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Domingo, 12 de maio de 2013 12:02 am

A outra

Deus criou a madrinha. E a madrasta? Em tempos idos e vividos, dizia-se que era obra do diabo — mulher má, incapaz de bons sentimentos. A literatura se encarregou de reforçar o  preconceito . Quer criatura mais perversa que a madrastas da Branca de Neve? Ela existe. É outra madrasta.


Com a mudança dos costumes, as famílias ganharam novos contornos. Deixaram a tradição pra lá e entraram nos tempos modernos. Mães, madrinhas, madrastas, filhos, enteados convivem com pais, padrinhos, padrastos, filhos, enteados. Todos vão bem, obrigado.



 

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Sexta-feira, 10 de maio de 2013 05:00 pm

Erramos


"Não há fiscalização neste tipo de operação no DF", escrevemos na capa. Como a operação foi citada antes, o este não tem vez. O esse pede passagem. Seja bem-vindo: Não há fiscalização nesse tipo de operação no DF.
 

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Sexta-feira, 10 de maio de 2013 04:00 pm

História de português


José Sarney foi a Portugal, quando presidente da República. Percorreu, em Lisboa, algumas livrarias à procura do livro A velhice do padre eterno , de Guerra Jungueiro.  O proprietário, muito solícito, informou que no momento não tinha o livro, mas que iria providenciar na editora.

-- Então virei buscar depois. Vocês fecham no sábado?, perguntou o presidente.

-- Não. Não fechamos aos sábados, Excelência, informou o vendedor.

- Então, sábado pela manhã, virei apanhar o livro, disse Sarney.

-- Mas no sábado estaremos fechados, senhor presidente.

E Sarney, surpreso:

-- Mas o senhor não disse que não fechava aos sábados?

-- Mas é claro que não fechamos. Se não abrimos, como vamos fechar?, encerrou o livreiro.

(Colaboração de Roberto Freire)

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Sexta-feira, 10 de maio de 2013 10:00 am

Enem, de novo

 

"Enterraram caveira de burro aí" é a forma bem-humorada usada em situação em que ocorrem sucessivos erros. Corrige-se um aqui, aparece outro ali. Consertado, surgem novos buracos que, tapados, originam outros, outros e outros. O dito vale para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Desde a criação, em 1998, o teste exibe histórico de falhas que denunciam amadorismo inaceitável em processo que envolve quase 6,5 milhões de estudantes.


Os ataques à credibilidade se sucedem com inaceitável frequência. Vão do vazamento de questões, passam por erros nos cadernos de provas, furto de cópias na gráfica e problemas no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e chegam a descaso na correção. Examinadores deram nota máxima a redações que apresentavam falhas ortográficas primárias e avaliaram com grau superior textos que enxertaram temas alheios ao assunto desenvolvido. É o caso de introduzir o hino do Palmeiras ou a receita de miojo no desenvolvimento de raciocínio que nada tinha a ver com tais assuntos.


Além de escandalizar pais, professores e especialistas, o fato motivou piadas em mesas de bar e frequentou programas de humor de norte a sul do país. Faz parte da cultura do brasileiro rir para não chorar. De erro em erro, de improviso em improviso, uma certeza sobressai. Falta seriedade na condução do exame que veio ao encontro de velha expectativa de pais, educadores e estudantes — encontrar alternativa para o ultrapassado e injusto vestibular.


Previsto inicialmente para avaliar os concluintes do ensino médio, o Enem ganhou novo formato um ano depois de criado. Em 2009, passou a ser a principal forma de acesso ao ensino superior no país. Além de abrir as portas das instituições públicas — que oferecem cursos de excelência nas diferentes áreas do saber — passou a ser o instrumento de seleção do ProUni, que dá acesso a bolsas integrais e parciais em instituições privadas Brasil afora.


Em entrevista na quarta-feira, o titular da pasta, Aloizio Mercadante, anunciou medidas que tapam o mais recente buraco do Enem — a inserção de textos alheios ao assunto e a desconsideração de falhas ortográficas como "enchergar" e "trousse". O remédio: mais rigor. Quem fugir ao tema terá a prova anulada. Quem tropeçar em letras e acentos perderá pontos. Nada mais acaciano.


Vale a pergunta: por que só agora — depois de mais um passo rumo à desmoralização do teste —, o Ministério da Educação descobre que precisa avaliar com seriedade o desempenho dos estudantes? Processo seletivo premia o mérito. Em bom português: escolhe o melhor. Chegar ao excelente pressupõe, necessariamente, correção atenta, exigente e precisa. Improvisação e amadorismo não têm vez em tal universo. O Enem, convém lembrar, é importante demais para ser objeto de remendos.

 
(Editorial do Correio Braziliense de hoje)

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Quinta-feira, 09 de maio de 2013 10:40 am

Erramos


"Além de punir os deboches, o Enem 2013 também pretende apertar os critérios de correção", escrevemos na pág. 8. Reparou no pleonasmo? Além e também jogam no mesmo time.  A mbos indicam adição. Melhor ficar com um ou outro. Assim: Além de punir os deboches, o Enem 2013 pretende apertar os critérios de correção. O Enem 2013 vai punir os deboches e, também, apertar os critérios de correção.

 

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Quinta-feira, 09 de maio de 2013 10:10 am

Leitor pergunta

Sou invocado com este tipo de frase: "Lindinha passeia em sua própria história". Se é sua não é própria?(José Fernandes Costa)


Isso mesmo. A duplinha joga no time do pleonasmo. Melhor ficar com uma ou outra. Assim: Lindinha passeia na própria história. Lindinha passeia na sua história.



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Quinta-feira, 09 de maio de 2013 10:00 am

Grávida em pleno voo?


A mulher que dá à luz um filho pare um filho. Esquisito, não? O verbo parir, embora não pareça, é regular. Conjuga-se em todas as pessoas, tempos e modos. Mas algumas são pra lá de esquisitas. O nó da questão? É o presente do indicativo. A primeira pessoa do singular -- eu pairo -- c onfunde-se com o verbo pairar.  É perigoso. Uma grávida voando pode dar confusão. Melhor  fugir da enrascada : use parir só nas formas em que o r é seguido de  i   : pa ri mos, pa ri r, pa r i , pa ri u, pa amos, pa ri rei, pa ri sse, pa ri rmos.


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Quarta-feira, 08 de maio de 2013 03:00 pm

Erramos


"…casa situada à Seymour Avenue, no bairro de West Side", escrevemos na pág. 16. Viu? Tropeçamos na regência. A casa é situada em algum lugar — na rua, na avenida, no bairro, na cidade, no país, no continente. Melhor: … casa situada na Seymour Avenue, no bairro de West Side.

 

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Quarta-feira, 08 de maio de 2013 02:14 pm

Fale certo


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Quarta-feira, 08 de maio de 2013 01:30 pm

Rolando Boldrin alerta


"Muito elogio atrapalha."


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Quarta-feira, 08 de maio de 2013 12:00 pm

Quero nota 10


João Eduardo quer tirar 10 na redação do Enem. Mas tem duas pedras no caminho. Uma delas: não gosta de escrever. A outra: considera impossível fazer um bom texto em 30-40 linhas. A limitação de espaço o inibe. Ele fica paralisado. As ideias se vão. Quando reaparecem, é tarde. O tempo acabou. "Me dá uma ajudinha?", pede o garotão. "Claro que sim", respondemos nós.


Sem mistérios


Escrever é como preparar uma sobremesa gostosa ou uma festa nota mil. Uma e outra não caem do céu. Exigem planejamento e tempo. Para dar uma bela festa, temos de escolher a data, o lugar, os convidados, a bebida, a comida, a música. Depois, bolar e encaminhar os convites, comprar ingredientes, fazer as delícias, contratar garçons, providenciar pratos, copos, talheres e guardanapos. Ufa!


Redigir também dá trabalho. Várias providências antecedem a marcha da locomotiva. Há que delimitar o tema, traçar o objetivo, definir a ideia central, escolher argumentos, buscar uma introdução atraente, descobrir um fecho de ouro. Não é pouco. Mas está ao alcance da mão.


que é?


Escrever é mandar recado. A receita de uma sobremesa é um recado. O convite para a festa de 15 anos é um recado. O horóscopo publicado no jornal é um recado. A redação da escola é um recado. Ensaios, dissertações e teses também.


Mandamos e recebemos recados todos os dias. A doméstica anota a mensagem para a patroa ausente. O médico prescreve remédios para o enfermo. O professor dá o tema da pesquisa. Você escreve um e-mail para o amigo. Seu colega manda um bilhete pra você. É tudo recado.


O trabalho escolar – de qualquer nível – é recado. Então, por que o frio na espinha? Só de pensar nele as mãos gelam. O coração dispara. O suor jorra. Esses sintomas têm nome – medo. Dois monstros respondem pelo pavor. Um: o que dizer. O outro: como dizer.


Desafio


Sobre o que escrever? Eis o grande desafio. Sem enfrentá-lo, nada feito. Uma ideia vaga na cabeça, a folha em branco e o teclado do computador? Acredite. Só com eles você não chega a lugar nenhum. É preciso pôr os pés no chão. Pensar. E deixar as ideias bem claras.


Guarde isto: você vai escrever um pequeno texto, não um verbete de enciclopédia. O primeiro passo é traçar uma rota. Uma só. Especifique a ideia vaga que tem em mente, restrinja o tema, ponha-lhe limites. Em suma: selecione um item particular no leque de possibilidades.


Escolha


Digamos que o tema seja moda. Ele oferece uma gama enorme de aspectos: a indústria da moda, quanto custa andar na moda, a moda ditada pela televisão, a moda dos anos 60, a moda hippie, a moda do verão, a história da moda, dize-me como te vestes e dir-te-ei quem és, os destaques dos desfiles de Milão, a moda no circuito Paris-Milão-Nova York. Etc. e tal.


Viu? Os tópicos destacam galhos de uma imensa floresta. Mais restrito, o tema se torna mais concreto. Ao se decidir por um, esquecem-se os demais. Concentram-se os esforços no desenvolvimento do eleito.


Olho vivo


A escolha exige cuidados. O mais importante: não fugir do tema. Impõe-se ter certeza de que o aspecto está relacionado com ele. Bem amarradinho. Mais ou menos não vale. Suponha que o tema seja criminalidade. Você optou pelo tópico violência na  tevê . Meio fora, não? Deixe-o de lado. Busque um mais claramente ligado ao tema. Por exemplo: relação do consumo de drogas com o aumento da criminalidade.


Resumo da ópera


Definido o rumo, adeus, sensação de que só um livro seria capaz de esgotar o assunto.

 

Diquinha útil 1


Escrever é habilidade como nadar, saltar, digitar. Exige treino. Escreva muito e sempre. Todos os dias. Não se preocupe com a correção. Escreva e jogue no lixo. A prática desinibe a cabeça e solta a mão. Com ela, adeus, sensação de que não há nada a dizer. Adeus, sensação de que só um verbete de enciclopédia pode dar o recado.


Diquinha útil 2


Sobre o que escrever? Sobre qualquer assunto. Você escolhe. Gosta de futebol? Fale sobre a partida que você viu na tevê. Prefere novela? Escreva sobre um aspecto — um personagem especial, uma passagem inesperada, o encontro amoroso. Tem uma quedinha pelo telejornal? Redija sobre o tópico que lhe chamou a atenção.


O importante é escrever — muiiiiiiiiiiiiiito e semmmmmmmmmmmpre.

 

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Terça-feira, 07 de maio de 2013 03:30 pm

Erramos


"Com diversas exposições realizadas e livros publicados, sendo co-autor de seis livros com Luis Fernando Veríssimo, o autor comemora a boa fase", escrevemos na pág. 7 de Diversões&arte . Ops! Esquecemos pormenor pra lá de importante. O prefixo co- tem alergia ao hífen. Com ele é tudo colado: coautor, corresponsável, coordenação.
 

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Terça-feira, 07 de maio de 2013 01:00 pm

Raymond Queneau concluiu


"A ortografia é mais que um mau hábito. É uma vaidade."


 


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Terça-feira, 07 de maio de 2013 10:00 am

Propriedade vocabular


"Sai da frente, que atrás vêm rodas", dizem motoristas sem juízo. Eles transformaram o volante em arma. Enchem a cara de álcool ou droga e pisam o acelerador. Resultado: de cada 100 mortos no país, 25 perderam a vida em batidas e atropelamentos. Muitos pedem penas mais duras para os irresponsáveis. Pedem passagem, então, dois tipos de crime — o doloso e o culposo.


O doloso ocorre quando a pessoa resolve praticar ato violento ou assume o risco de produzi-lo. Valem exemplos dos dois casos. No primeiro, alguém discute com outro alguém. No auge do bate-boca, dispara tiro de revólver contra o interlocutor. Quer matá-lo. No segundo, alguém dispara um tiro em meio à multidão para comemorar a vitória do time. Atinge um adulto ou uma criança. Ele não queria agredir ninguém. Mas sabia que um disparo em meio à multidão poderia ferir ou matar.


O culposo ocupa outro patamar. É fruto da imprudência, imperícia ou negligência. Exemplos pululam a torto e a direito. Um: o médico vai operar uma pessoa que tem um tumor no rim esquerdo. Mas opera o direito. Ele não examinou o enfermo. Foi negligente. Outro: o cirurgião plástico deixa o pobre cliente com a boca torta, o nariz descentrado e os olhos fechadinhos. É imperícia. Em bom português: barbeiragem.


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Segunda-feira, 06 de maio de 2013 04:00 pm

Erramos


"Quem está no banco traseiro sem cinto será jogado para frente, a 6km/h, contra o encosto do banco dianteiro", escrevemos na pág. 17. Cadê o artigo? Joga-se "para a frente". Na dúvida sobre a presença do artigo, basta substituir o nome feminino por um masculino. O pequenino fica claro como a luz do sol: …será jogado para o lado.

 

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Segunda-feira, 06 de maio de 2013 11:00 am

Vida inteligente


Oba! Há vida inteligente neste país continental. Lya Luft serve de prova. Em artigo na Veja, escreve na pág. 24: “Eram três mulheres de uns 50 anos, simples, robustas, cansadas e suadas, esperando ônibus havia mais de uma hora”. Reparou no emprego do havia? Na contagem de tempo, o verbo haver tem duas manhas:

1. impessoal, só se conjuga na 3ª pessoa do singular: Moro aqui há 10 anos. Há duas semanas não vai ao cinema. Chegamos há pouco.

2. exige respeito à correlação verbal — presente com presente, passado com passado. Compare a diferença: São três mulheres de uns 50 anos, simples, robustas, cansadas e suadas, esperando ônibus mais de uma hora. Eram três mulheres de uns 50 anos, simples, robustas, cansadas e suadas, esperando ônibus havia mais de uma hora.

É isso: lé com lé, cré com cré -- cada chinelo no seu pé.

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Domingo, 05 de maio de 2013 12:00 am

Viva a Vivo


Oba! A Vivo prova que há vida inteligente na publicidade. Em anúncio publicado em jornais de norte a sul do país, a operadora apregoa: "Por que ter um 4G? 4G é internet até 10x mais rápida para você ter a melhor experiência de conexão. Você pode assistir a vídeos em alta definição sem interrupções, jogar on-line e ainda baixar músicas e arquivos com muito mais velocidade". O texto estende tapete vermelho para a norma culta. Por quê?


A pergunta


"Por que ter um 4G?" Nota 10 para a questão. Em perguntas diretas, o pronome aparece separadinho — um pedaço lá e outro cá. Na resposta, as duas partes ficam coladas como unha e carne: Por que ter um 4G? Porque 4G é internet até 10x mais rápida.


Internet


Houve tempo em que se tratava internet com nobreza. Escrevia-se a palavra com inicial maiúscula. Agora a rede de computadores entrou no time de rádio, jornal e televisão . Grafa-se com letra pequenina — perfeita vira-lata.


Assistir


Parece brincadeira. Mas não é. Assistir aparece no texto com a regência aplaudida pela norma culta: "Você pode assistir a vídeos em alta definição". Viva! No sentido de presenciar, o verbo pede a preposição a . Na acepção de prestar assistência , é direto — dispensa intermediários: Prefiro assistir a filmes de arte. Assistimos a todas as aulas antes das provas. O governo assiste os flagelados da seca. Os bombeiros assistem as pessoas acidentadas nas estradas.


On-line


As línguas adoram bater papo. Umas influenciam as outras. Quanto maior o contato, maior o contágio. No século 19, o português sofreu grande assédio do francês. Assimilou várias palavras do idioma de Victor Hugo. Entre eles, abajur, garagem, bufê. No 20, o inglês chegou com força total. Falado pela potência planetária, que vende como ninguém sua música, seu cinema e sua tecnologia, impôs-se como língua internacional. O português incorporou vocábulos pra dar e vender.


On-line é um deles. Alguns o grafam colado. Outros, separado. Não falta quem o brinde com o hífen. E daí? Qual é a da inglesinha? O

Vocabulário ortográfico da língua portuguesa ( Volp ) traz relação de palavras estrangeiras mais usadas no dia a dia tupiniquim. Ali está on-line — assim, com hífen.

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Sexta-feira, 03 de maio de 2013 04:00 pm

Erramos


"Todos os 25 réus da Ação Penal 470 apresentam recursos ao STF e aguardam a análise dos ministros", escrevemos na pág. 2. Reparou? O pronome indefinido sobra. O artigo informa que são todos os réus. Melhor tirar o pneuzinho inimigo da boa forma. Assim: Os 25 réus da Ação Penal 470 apresentam recursos ao STF e aguardam a análise dos ministros.

 

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Sexta-feira, 03 de maio de 2013 10:00 am

Duas perguntas


Tenho duas dúvidas. Pode me ajudar?


1. Bem vindo, bem-vindo, benvindo. Qual o certo?


2. "Dez por cento das vagas no concurso são reservadas – a, à, às, as – pessoas com deficiência". Qual o correto? (Janete Maia)


Como ensina o esquartejador, vamos por partes:


  1. Bem-vindo
  2. se escreve assim, separadinho da silva. Benvindo é nome de pessoa: Bem-vindo a Brasília, Benvindo. Benvindo, seja bem-vindo à cidade. Você, Benvindo, é pra lá de bem-vindo à capital do Brasil.

  3. Com o acentinho indicador da crase? Sem o acentinho? Vamos ao tira-teima. Basta substituir a palavra feminina por uma masculina. Não precisa ser sinônima. Mas precisa manter o número — singular ou plural. Se no troca-troca aparecer ao ( aos ), é sinal de crase: Dez por cento das vagas no concurso são reservadas aos estudantes com deficiência. Logo : Dez por cento das vagas no concurso são reservadas às pessoas com deficiência.
 

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Quinta-feira, 02 de maio de 2013 04:00 pm

Erramos


"A Medida Provisória sobre a destinação dos recursos perde a validade em 16 de maio", escrevemos na pág. 2. Letras maiúsculas pra quê? Texto legal só pede grandonas em duas ocasiões. Uma: quando acompanhado de número. A outra: quando recebe nome. No mais, é tudo pequenino. Veja exemplos: Lei 5.312, Medida Provisória nº 134, Lei das Falências, Medida Provisória das Mensalidades Escolares . A medida provisória sobre a destinação dos recursos perde a validade em 16 de maio.

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Quinta-feira, 02 de maio de 2013 01:00 pm

Cochilos da revisão


Flatônio José da Silva

No título "O 'fico´ de Serra", saiu o seguinte:
 
1. "Espera-se no partido que hoje, na convenção da seção paulista, o ex-governador e ex-ministro José Serra deixe claro que não sairá do PSDB para se filiar ao Mobilização Democrática nascido da fusão do PPS-PMN" .

Corrigindo: ... para se filiar ao Mobilização Democrática, nascido da fusão do PPS-PMN .

Explicação - A vírgula é obrigatória porque "Mobilização Democrática" é substantivo próprio (Afinal, existe apenas um partido político com esse nome). A frase que se segue ("nascido da fusão do PPS-PMN") tem, pois, caráter explicativo, não restritivo.
 
2. "Certamente  contribuíram também para o esperado 'fico' de Serra o fato de nenhum de seus mais leais seguidores tucanos estarem dispostos acompanhá-lo numa eventual migração para o MB" .

Corrigindo: Certamente contribuiu também para o esperado "fico" de Serra o fato de nenhum de seus mais leais seguidores tucanos estar disposto a acompanhá-lo numa eventual migração para o MB .

Explicação - (a) Sujeito no singular (o fato) exige verbo igualmente no singular (contribuiu); (b) Seguido de pronome ou substantivo plural, nenhum (a) exige o verbo no singular: Nenhum de nós chegou lá. / Nenhuma das feras nos atacou. / Nenhum deles é inocente. / Nenhuma de vocês assistiu ao festival? ; (c) O adjetivo "disposto" rege a preposição "a".
 

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Quinta-feira, 02 de maio de 2013 11:30 am

Curiosidades pra dar e vender


O atentado de Boston provocou algo mais do que pânico. Gerou curiosidades. Uma delas: como se chama a pessoa nascida no Cazaquistão? É cazaque sim, senhores.


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Quinta-feira, 02 de maio de 2013 11:00 am

Deixei pra amanhã. E agora?


Brasileiro tem uma marca. Deixa pra amanhã o que pode fazer hoje. Há quem deixe pra depois de amanhã. Com o Imposto de Renda não é diferente. Os dias voam. A declaração vai sendo empurrada com a barriga. Aí, não dá outra. Chega o fatídico 30 de abril. É véspera de 1º de maio. Muitos aproveitam o feriado pra viajar, receber amigos ou beber um chopinho com a turma do bar.


Passada a farra, ops! E agora? A Receita, que não nasceu ontem, fez os cálculos de multas & cia. faminta. Não é pouco. Corra, porque a coisa piora sem compaixão. Enquanto você azeita as canelas, lembre-se de diquinha pra lá de útil. Ei-la: quem perde o prazo entra no time do s — de atra s ado. Filho de trá s , atra s ado faz companhia aos familiares atrá s , detrá s , tra s eiro, atra s o, atra s ar e demais retardatários.

 

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