
Por Vladimir Carvalho
O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro envelheceu, esclerosou-se e precisa urgentemente de uma reforma ampla, geral e irrestrita. É urgente repensá-lo, como de resto, todo o processo das relações da cultura com o Estado em Brasília.
Não pode viver de equívocos e soluções apressadas como foi essa dose dupla, aliás quádrupla, de documentários - e veja que é um inveterado documentarista que está falando. Além de ser uma medida unilateral e desconectada do quadro geral do cinema brasileiro, sempre diverso, concorreu para desorganizar a competição, que se apresentou caótica e frustrante, bastando examinar as reações do público. O júri que é outro termômetro do festival enfrentou sérios problemas, porque não havia filmes para premiar nas categorias previstas no regulamento, como foi o caso do elenco de atores. Não adiantou ficar até às cinco da manhã discutindo; saímos frustrados da reunião do júri.
Da mesma forma, foi imperdoável que filmes como os de José Eduardo Belmonte e André Luiz de Oliveira tenham ficado fora da competição. Uma sombra escura desceu sobre esse que já foi o maior e mais importante festival brasileiro de cinema. E logo na antevéspera do cinqüentenário da cidade.