Filó e Débora Junqueira
Nos dias 26 e 27 de setembro, foi realizado em Serra Negra, São Paulo, a II Capacitação para a Formação de Facilitadores de Diálogos IVE. Representanto o IVE Minas, eu e a Filó, tivemos a permissão de participar, com muita alegria e entusiasmo, juntamente com profissionais de Comunicação de diversas regiões do país.
O IVE é um projeto internacional, nascido há 10 anos em Nova York, que inspira profissionais da mídia a terem uma visão mais apreciativa e equilibrada dos acontecimentos. Seu propósito é fortalecer o papel da mídia com agente de benefício do mundo; expandir a consciência dos profissionais em relação ao impacto de suas ecolhas; elevar a confiança coletiva; gerar conteúdo construtivo; amplificar mensagens de esperança e aumentar a capacidade da sociedade em realizar ações que promovam a vida.
A capacitação se deu a partir da metodologia de Diálogos Apreciativos, conduzidos pelas facilitadoras Maria Fernanda Teixeira da Costa, coordenadora de Comunicação da Rede Elos e facilitadora de processos de mudança organizacional, e Christina Carvalho Pinto, do Portal de Sustentabilidade Mercado Ético e presidente do Grupo Full Jazz de Comunicação, ambas credenciadas em Appreciative Inquiry pela Case Western University. A Investigação Apreciativa é um processo que permite que cada pessoa seja ouvida e aprenda novas formas de ver seu trabalho passado e suas perspectivas futuras sob um ótica de realização e sucesso.

O local escolhido para o encontro (Retiro Serra Serena, da Brahama Kumaris) foi um “plus” a mais nas condições proporcionadas pelos organizadores. O local, com uma aura sagrada, rodeado de serras, água límpida e ar puro, foi mais que inspirador e revitalizador. Uma experiência gratificante.
Aliás inspiração e esperança foram sentimentos recorrentes no decorrer do curso. A empresária e publicitária Christina Carvalho relatou a experiência feita com dois ratinhos de laboratório, onde um ficou o tempo todo num recipiente com água quente. O outro era retirado de tempos em tempos da água. Esse último suportou por mais tempo a experiência, pois foi criado nele uma ponta de esperança de que em algum momento poderia ser retirado do recipiente definitivamente.
Aplicada à Comunicação, gerar imagens e vozes de esperança pode se traduzir em fazer um trabalho jornalístico investigativo e ético. Um exemplo citado foi a história de um garoto de 12 anos que saiu pela ruas de uma cidade dos EUA dirigindo um caminhão. A imprensa local noticiou o fato de forma sensacionalista, ressaltando o depoimento de pessoas que recriminavam a atitude irresponsável do menino e dos pais. Mas, um jornalista resolveu ir mais a fundo e descobriu que o pai do garoto, um caminhoneiro, havia falecido há poucos dias, o que que havia provocado na criança aquela atitude desesperadora. A reportagem gerou impacto e comoção nas pessoas. A escolha desse enfoque gerou uma série de benefícios ao garoto e a sua família.
Como foi dito, toda história é gerada por uma corrente de fatos, com várias possibilidades de versões. O IVE não quer negar a realidade, mas reafirmar que, enquanto na mídia só a tragédia sobressai, há coisas boas acontecendo. A teoria de que só notícias sobre violência vendem jornais está cada vez mais em baixa. Por que não pensar que os leitores são atraídos pelo impacto e que é possível gerar impactos positivos. É isso que a gente acredita e deseja que outros profissionais possam conhecer o IVE e vivenciar experiências positivas e enriquecedoras como o encontro realizado em Serra Negra. E que pouco a pouco possamos materializar os nossos ideais de uma comunicação mais humana e transformadora.

Débora Junqueira
Jornalista IVE