Nas ultimas semanas o assunto “estádios de futebol” foi novamente recorrente em toda sábia imprensa brasileira. Alimentada por 3 assuntos essenciais:
· O show pirotécnico da implosão do Estádio da Fonte Nova em Salvador, que acompanhou a entrega de documentos solicitando a abertura da Copa para a capital baiana;
· A escolha do terreno em Itaquera para a construção de um novo Estádio em São Paulo, anunciado pelo poder publico como um projeto privado do Sport Club Corinthians Paulista e bancado pela iniciativa privada, nas reportagens tem sido citado o nome da Odebrecht;
· A lamentação de todos porque fecharão por completo o Maracanã, logo agora que finalmente o Fluminense parece lutar pelo título, já prevendo uma queda de rendimento assim como aconteceu com Cruzeiro e Atlético Mineiro com o fechamento do Mineirão;

Vista técnica ao Maracanão em Julho, quando o estádio ja deveria estar em obras
Sobre este ultimo tema vou me prender neste post. Já é de conhecimento geral que o Brasil seria a sede da Copa do Mundo de 2014 desde outubro de 2007 e, portanto que vários estádios brasileiros passariam por reforma para atender as demandas que um evento como esse suscita. É incrível que todos se mostrem surpresos e procurem achar culpados em todos os lados para um fato que todos sabíamos que aconteceria.
Reclamam do já atrasado fechamento do Maracanã que irá atrapalhar a trajetória do Fluminense ao título brasileiro. Choram por Cruzeiro e Atlético não terem uma casa fixa para o decorrer da competição e que por isso terão além do prejuízo técnico, uma perda na arrecadação próxima a 12 milhões de reais.
Amigos, francamente!
Os clubes estão sabendo destas reformas de maneira oficial há 3 anos. Neste tempo poderiam construir arenas provisórias (como no caso da Arena Petrobrás no Rio de Janeiro), pressionar o poder público para a reforma rápida do Estádio Independência (no caso de Cruzeiro e Atlético Mineiro), ou simplesmente se preparar estrategicamente para a situação. Procurar outros estádios e criar planos de Marketing para envolver a população desta cidade e/ou levar os torcedores da capital para os jogos no interior com planos para lucrar em cima. Ao invés disso todos se lamentam pelo incrível azar que deram com o repentino fechamento de suas casas.
Li um texto na coluna do Juca Kfouri onde ele critica o fechamento total dos estádios e lembra que na Copa da Itália muitos estádios permaneceram abertos durante as reformas. Bem, isso explica bem o comportamento da imprensa sobre determinados assuntos que não dominam. A imprensa esportiva discute sobre o futebol jogado entre 4 linhas e muitas vezes sobre fatores extra campo, mas opinar sobre construção civil acho um pouco demais para os colegas.
Imaginem que uma equipe técnica trabalhou por meses para concluir um projeto de reforma que no caso dos estádios passa por uma etapa de demolição de determinados setores. Mesmo com um planejamento muito grande, que possivelmente envolveria mais tempo, para se abrir um estádio durante obras desse porte, como solucionar acessos? Trânsito? Divisão interna de setores? Segurança? Estes são aspectos difíceis numa arena moderna pronta, num estádio de 40 anos em reforma é quase um tiro no pé! Outra! Haverá ainda rebaixamento de gramado no Mineirão, etapa que deve ser a primeira partindo da lógica de se tirar as coisas de dentro pra fora, aonde o jogo aconteceria?
Devemos pressionar o poder publico e os demais responsáveis pelo verdadeiro culpado. A falta de planejamento!