
Devem sair do forno, em breve, três canções que João Gilberto, pai da Bossa Nova, está gravando no estúdio que tem em seu apartamento, no Rio de Janeiro. As informações são da Folha de São Paulo.
Os temas vão fazer parte da trilha sonora do filme O gerente, de Paulo César Saraceni. São duas regravações: Louco, de Wilson Batista e Henrique Almeisa, e Insensatez, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. A outra seria uma inédita, instrumental, de autoria do próprio João.

Seguindo a linha de songbooks que vem gravando nos últimos anos, Zé Ramalho dedicará seu próximo trabalho às canções de Jackson do Pandeiro. Depois de trabalhos dedicados a Raul Seixas, Bob Dylan e Luiz Gonzaga, Ramalho já está em estúdio sob o comando do produtor Marcelo Fróes.
Do total de 12 canções de Pandeiro, apenas seis são inéditas na voz do autor de Admirável gado novo. As outras serão pinçadas da discografia do cantor. Zé Ramalho canta Jackson do Pandeiro estará nas lojas ainda no mês de maio, de olho no mercado junino.
Sem querer criar alvoroço, mas fontes (muito) confiáveis garantem: Chico Buarque voltou a compor. Deve sair em 2011 o novo disco do compositor, cinco anos depois do lançamento de Carioca, seu último trabalho inédito. Seus músicos e equipe técnica preferidos (Chico só trabalha com a mesma equipe) já estão de sobreaviso para uma possível turnê, também no ano que vem. É esperar para ver.



Fotos e vídeos: Sidney Gomes
Ela é incansável. No último fim de semana, no Vivo Rio (RJ), Maria Bethânia gravou seu espetáculo Amor, festa, devoção, que estreou em outubro de 2009, para virar mais um DVD. Isso depois de lançar, simultaneamente, os CDs Tua e Encanteria, que serviram de base para o show. Tua é responsável pela parte amorosa; a festa e a devoção ficam por conta das canções de Encanteria. Bethânia é, de longe (bem longe mesmo), a artista mais produtiva de sua geração – quiçá das gerações seguintes também.
Para a gravação, o show não sofreu grandes modificações em relação ao que o público mineiro assistiu em novembro último. A surpresa ficou por conta da arrepiante interpretação de Serenata do adeus, de Vinicius de Moraes, que entrou no lugar de Drama (Caetano Veloso). Na parte em que homenageia a mãe, a centenária dona Canô Velloso – a quem o show é dedicado –, Bethânia incluiu a brejeira Curare, do compositor Bororó. No set caipira do concerto, entrou Guriatã (Roque Ferreira), do CD Tua. No mais, o roteiro permaneceu intacto.
O roteiro do espetáculo foi elaborado pela própria cantora, em parceria com seu mestre, o diretor teatral Fauzi Arap. A direção de cena é de Bia Lessa, responsável, também, pelos cenários simples, mas bem resolvidos, de Amor, festa, devoção. Porém, em se tratando de show de Maria Bethânia, a direção é quase irrelevante. Com sua personalidade forte e interpretações marcantes, a mão do diretor é algo invisível. Bia Lessa também comandou, ao lado do diretor de fotografia André Horta, a direção do DVD, que será lançado até o fim do ano – o sétimo a conter um registro de show da cantora.
O que é perceptível é a mão do diretor musical, e fiel escudeiro de Bethânia, o maestro Jaime Alem. De talento, sensibilidade e paciência inquestionáveis, Jaime trabalha com a cantora há 28 anos. A tarefa é árdua. Bethânia é uma artista que tem pleno domínio do que faz, e é um erro pensar que ela delegaria a quem quer que fosse a forma com deve se expressar. Jaime Alem é seu radar. Ele deve captar o sentimento dela e traduzir esse turbilhão de emoções em arranjos. Acontece que, ultimamente, com algumas exceções (casos de Você perdeu, da impressionante Balada de Gisberta, e de Estrela), as bases parecem insuficientes. O crime maior aconteceu com Vida, de Chico Buarque, que abre o show. Tem-se a impressão de que Bethânia puxa a canção para cima e Jaime faz o contrário. A força da música se perdeu, e o arranjo lembra só de longe as arrebatadoras roupagens registradas nos discos Nossos Momentos e Diamante Verdadeiro. Mesmo se comparando com a primeira fase da turnê, Vida perdeu vitalidade, o que é um pecado. As bases estão tão “ralas” que, muitas vezes, Bethânia precisa de um aceno de cabeça de Jaime para saber quando entrar na música. Só lembrando: não é o caso de se “culpar” o maestro. Tudo que se vê no palco tem o aval da cantora.
Amor, festa, devoção ensaia a volta de uma Bethânia que há muito tempo seus fãs não viam – aquela das canções de amor, da fossa, da dor-de-cotovelo. Ela quase chega lá. A vontade que o público tem de cortar os pulsos acontece em momentos como Explode coração (Gonzaguinha), Tua (Adriana Calcanhotto), É o amor outra vez (Dori Caymmi/ Paulo César Pinheiro), Bom dia (Herivelto Martins), É o amor (Zezé di Camargo) – esta com direito a citação de Vai dar namoro, de Bruno e Marrone. Alguém pode se perguntar se Bethânia está de brincadeira. A resposta é: sim. Há muito não se via a cantora tão descontraída no palco. Por essas e outras é que, fechadas as cortinas, nos esquecemos dos eventuais pontos negativos e queremos tudo outra vez. Do jeito que vier.
* * *
Segue o roteiro da apresentação do dia 14/03, em que não houve filmagens:
1º ATO
Santa Bárbara (Roque Ferreira)
Vida (Chico Buarque)
Texto: Olho de lince (Waly Salomão)
Feita na Bahia (Roque Ferreira)
Coroa do mar (Roque Ferreira)
Encanteria (Paulo César Pinheiro)
Linha de caboclo (Paulo César Pinheiro/ Pedro Amorim)
É o amor outra vez (Dori Caymmi/ Paulo César Pinheiro)
Tua (Adriana Calcanhotto)
Fonte (Saul Barbosa/ Jorge Portugal)
Explode coração (Gonzaguinha)
Queixa (Caetano Veloso)
Você perdeu (Márcio Valverde/ Nélio Rosa)
Dama do cassino (Caetano Veloso)
Serenata do adeus (Vinicius de Moraes)
Balada de Gisberta (Pedro Abrunhosa)
Solo banda
2º ATO
Não identificado (Caetano Veloso)
Curare (Bororó)
Estrela (Vander Lee)
Serra da Boa Esperança (Lamartine Babo)
Doce viola (Jaime Alem)
A pescaria (Wilson Ribeiro Pimentel/ Conceição Alves Ferreira)
Saudade dela (Roberto Mendes/ Nizaldo Costa)
Ê senhora (Vanessa da Mata)
Batatinha roxa (Domínio público)
A mão do amor (Roque Ferreira)
Saudade (Paulinho Moska/ Chico César)
É o amor (Zezé di Camargo)
Bom dia (Herivelto Martins)
Andorinha (Sylvio Caldas)
Bandeira branca (Max Nunes/ Laércio Alves)
Domingo (Roque Ferreira)
Pronta pra cantar (Caetano Veloso)
O que é, que é? (Gonzaguinha)
Encanteria (Paulo César Pinheiro)
Bis:
Reconvexo (Caetano Veloso)
Veja Bethânia cantando a música Tua, de Adriana Calcanhotto:
Veja Bethânia cantando É o amor, de Zezé di Camargo (com citação de Vai dar namoro, de Bruno e Marrone)
Basta deixarmos de prestar atenção para eles saírem de cena, de mansinho. Quando digo “parar de prestar atenção”, estou falando de abandono, mesmo. Johnny Alf foi abandonado. Sabe-se lá o motivo, pode ser até por vontade própria, mas ele não fazia parte da panela, não era acionista, nem tinha cotas naquele clubinho que virou a MPB.
Johnny Alf era nobre. Juntamente com João Donato, com seus sambas sincopados, cheios de ginga e harmonicamente complicadíssimos, apontou o caminho para o que viria a ser a Bossa Nova. João Gilberto entendeu o recado, só que percebeu que dava pra colocar tudo aquilo no violão.
De lá pra cá, cadê Johnny Alf? A última notícia que eu tive foi que ele vivia em dificuldades financeiras em um pequeno apartamento, em São Paulo. Lutando contra um câncer há três anos, aproveitou quando não estávamos olhando e partiu, discretamente. Eles sempre fazem isso. Bem feito pra gente.

Finalmente, um show de Nana Caymmi vai ganhar registro audiovisual. O primeiro DVD solo da filha de Dorival deve ser gravado até o fim do ano, e será pilotado pelo fiel produtor José Milton. Haverá a participação de orquestra em algumas faixas.
Nana participou de um DVD em homenagem aos 90 anos do pai, na companhia dos irmãos Dori e Danilo.


Parece que Gal Costa resolveu dar um basta na preguiça. Segundo o colunista Joaquim Ferreira dos Santos, do jornal O Globo, a baiana, dona de uma das vozes mais belas do mundo, vai ousar em 2010. Depois do marasmo que sua carreira se transformou, interpretando “clássicos” da música (o que só foi interrompido com o ótimo CD Hoje, de 2005), ela vai contar com uma colaboração de luxo no próximo trabalho: Caetano Veloso vai compor especialmente para a amiga.
Segundo o compositor, as músicas seguem o estilo alternativo, como as que ele compôs para os álbuns Cê e Zii e zie. A BandaCê também deve participar do próximo trabalho da musa da Tropicália. (Em tempo: o primeiro discos de Gal e Caetano foi em parceria: o belo Domingo, de 1967.)

Foto e video: Sidney Gomes
Está agendada para os dias 12, 13 e 14 de março a gravação do show Amor, Festa, Devoção, de Maria Bethânia. O novo registro ao vivo da baiana vai ser feito no Vivo Rio (RJ). O espetáculo tem como base os discos Tua e Encanteria, lançados simultaneamente em 2009.
Veja a abertura do show em BH, no dia 19/11/2009

Algumas celebridades, quando saem de cena, não deixam saudade – pelo menos não da sua arte. A pessoa, obviamente, faz falta para os familiares, amigos, alguns seguidores... mas efetivamente não deixam lacunas na cultura brasileira, até pelo fato de existirem identidades artísticas similares.
Mas quando morre um artista como o cantor sertanejo Pena Branca, vai-se com ele grande parte (do pouco que ainda resta) da música de raiz. É pertinente a comparação com a destruição de animais em extinção – quando morre um exemplar, tudo pode mudar, e para pior.
Pena Branca, junto ao seu irmão Xavantinho, cantou um país que muitos optaram por esquecer. Afinal, nos tempos modernos, quem quer saber de pescaria, luar, amor, terra, viola, orvalho e sereno? Cadê o tempo para a contemplação?
Amigos internautas!!! Depois de um breve período de ausência, o Cada Nota está de volta. E que volta! Vamos recomeçar com uma colaboração do jornalista João Marcos Veiga de Oliveira, que vai ser nosso "agente infiltrado" no Festival Mundo da Música, em Três Pontas.
* * *

Festival Música do Mundo homenageia Milton Nascimento e Wagner Tiso com show de estrelas da MPB em meio às montanhas de Três Pontas
JOÃO MARCOS VEIGA DE OLIVEIRA*
No início da década de 50, a sedução inconfundível de Frank Sinatra conquistava, através das ondas do rádio, as ouvintes nos afazeres domésticos, e as plantações de café faziam riqueza aos barões do “ouro verde” no sul de Minas. As calçadas eram espaços de convívio intenso para fofocas, namoros e brincadeiras infantis.
E foi numa calçada de Três Pontas que dois garotos se identificaram através de uma paixão comum: a música. Os meninos mais tarde se tornaram Milton Nascimento e Wagner Tiso. A amizade que já dura mais de cinquenta anos teve frutos como o Clube da Esquina e dezenas de gravações, onde as melodias e o timbre único de Bituca ganhavam arranjos memoráveis do pianista. Parceria reconhecida em inúmeros palcos de todo o mundo ,e que teve em “Coração de Estudante”, tema da redemocratização do Brasil, um de seus principais pontos.
Mas foi Três Pontas que instigou a fome musical deles, através das folias de reis, dos bailes da vida e das primeiras noções de harmonia com Walda, professora de piano e mãe de Tiso. Agora a cidade homenageia seus filhos ilustres com o Festival Música do Mundo. E a retribuição não tem caráter bairrista, a idéia surgiu a partir das páginas de uma das mais importantes revistas do segmento musical, a Billboard. Três Pontas foi a única cidade do país, com exceção das grandes capitais, a constar entre os principais celeiros musicais do planeta.

E a partir desta quinta-feira, as milhares de pessoas previstas para desembarcar na cidade sul-mineira poderão comprovar o porquê dessa escolha. Pelos palcos do evento desfilarão referências da música brasileira: Ivan Lins, Tom Zé, Rita Lee (substituindo Jon Anderson, da banda inglesa Yes, ausente por motivos de saúde), Toninho Horta, Fernando Brant, Telo Borges, além de Milton Nascimento e Wagner Tiso. A festa também vai ligar o holofote para um time de novos talentos de Três Pontas e do restante do estado, como Pedro Morais, Marcelo Dinis, Clayton Prosperi, Paulo Francisco, Heitor Branquinho e o Ânima Minas, grupo formado por jovens da região com apadrinhamento de Milton.
Três Pontas já havia recebido, em 1977, uma reunião de ídolos da MPB. No show do Paraíso, improvisado em uma fazenda da região, Bituca apresentou Chico Buarque, Gonzaguinha, Simone, dentre outros, para uma platéia extasiada de todo o Brasil. O encontro ficou conhecido como o “woodstock mineiro”. Com o Festival Música do Mundo pretende-se repetir a dose com oficinas, seminários, espetáculos e estrutura à altura do talento e das carreiras construídas por Milton Nascimento e Wagner Tiso. Mais do que nunca, ecoarão pelas belas paisagens de Três Pontas o verso profético de Fernando Brant. “Sou do mundo, sou Minas Gerais.”
*João Marcos Veiga de Oliveira é jornalista
Fotos e videos: Sidney Gomes Todas as vezes que grandes artistas dividem o palco, surge um tipo de preocupação: vai dar liga? Porque, boa parte das vezes, estes encontros não passam de shows improvisados, com clima de ensaio aberto, e costumam ser frustrantes. Mas pela terceira vez em Belo Horizonte, o cantor e compositor (e, acima de tudo, exímio violonista) Toquinho subiu ao palco do Music Hall na noite desta sexta acompanhado do não menos histórico grupo vocal MPB-4, para lançar CD e DVD da turnê que a trupe tem feito pelo país. Uma hora e quarenta e cinco minutos depois da hora marcada, o MPB-4 entra em cena e as dúvidas a respeito da coerência do espetáculo foram jogadas fora. Havia uma atmosfera mágica e de muito entrosamento. O show estava claramente bem roteirizado – até mesmo as histórias que Magro, Aquiles, Dalmo e Miltinho contaram pareciam ensaiadas, nem por isso menos divertidas. O grupo se saiu bem e escapou da armadilha em que, muitas vezes, caem os conjuntos vocais: o repertório populista. Apesar do roteiro escolhido pelo MPB-4 ser mais que conhecido, os clichês foram poucos. Quando os primeiros acordes de Tarde em Itapoã foram ouvidos, Toquinho ainda não estava no palco. Ouvia-se apenas o som perfeito de seu violão. Quando a plateia, enfim, pode vê-lo, foi recebido como merece: um dos maiores artistas vivos da nossa música popular. Delírio geral. O músico não se fez de difícil e tocou o que o público queria ouvir: seus temas infantis, as parcerias com Vinicius, e solos de violão – aliás, Toquinho, ao violão, parece que está acompanhado de pelo menos mais dois violonistas. Mas consegue fazer tudo isso sozinho, mesmo. No mais, ficou comprovado: o palco do Music Hall é resistente. Pois se não se abalou apesar do peso de tanta história... (Para não dizerem que não houve pontos negativos, gostaria de ajuda numa reflexão: Toda a publicidade do show anunciava o início da apresentação para as 22 horas. Pois bem. Muitos minutos depois deste horário subiu ao palco a banda de samba e choro Patuá, para abrir a noite. A grupo é legal, tem boas composições próprias... mas o público não deveria saber que haveria um show de abertura? Apesar de boa parte da plateia estar sentada, bebendo e se comportando como se estivesse em um churrasco, é justo fazer com que quem estava de pé esperasse uma hora e quarenta e cinco minutos para ver o show pelo qual haviam pago?) Confira o roteiro da apresentação: MPB-4: Cio da terra (Milton Nascimento/ Chico Buarque) De frente pro crime (João Bosco/ Aldir Blanc) Iolanda (Pablo Milanês/ Versão: Chico Buarque) Faz parte do meu show (Cazuza/ Renato Ladeira) Gago apaixonado (Noel Rosa) Chega de saudade (Tom Jobim/ Vinicius de Moraes) Retrato em branco e preto (Tom Jobim/ Chico Buarque) Samba do avião (Tom Jobim) Mandala (Dalmo) O que é, o que é? (Gonzaguinha) Toquinho e MPB-4: Tarde em Itapoã (Toquinho/ Vinícius de Moraes) Toquinho: Samba de Orly (Toquinho/ Vinicius de Moraes/ Chico Buarque) Este seu olhar (Tom Jobim) Se todos fossem iguais a você (Tom Jobim/ Vinicius e Moraes) Eu sei que vou te amar (Tom Jobim/ Vinicius e Moraes) Das rosas (instrumental) (Dorival Caymmi) Marina (Dorival Caymmi) Saudade da Bahia (Dorival Caymmi) Jesus, alegria dos homens (Bach) Bachianinha nº1 (Paulinho Nogueira) Aquarela (Toquinho/ Maurizio Fabrizio/ Guido Morra/ Vinicius de Moraes) Toquinho e MPB-4: Samba pra Vinicius (Toquinho/ Chico Buarque) A casa (Vinicius de Moraes) O ar (O vento) (Toquinho/ Bacalov/ Vinicius de Moraes) A bicicleta (Mutinho/ Toquinho) O pato (Toquinho/ Vinicius de Moraes/ Paulo Soledade) Ninguém me ama (Antônio Maria/ Fernando Lobo) O caderno (Mutinho/ Toquinho) Como dizia o poeta (Toquinho/ Vinicius de Moraes/ Albinoni) Testamento (Toquinho/ Vinicius de Moraes) Para viver um grande amor (Toquinho/ Vinicius de Moraes) Morena flor (Toquinho/ Vinicius de Moraes) Meu pai Oxalá (Toquinho/ Vinicius de Moraes) Maria vai com as outras (Toquinho/ Vinicius de Moraes) O bem-amado (Toquinho/ Vinicius de Moraes) Regra três (Toquinho/ Vinicius de Moraes) Bis: Quem te viu, quem te vê (Chico Buarque) Roda-viva (Chico Buarque) Veja o momento Samba pra Vinicius:

Veja a apresentação de Roda-viva, com o arranjo vocal do MPB-4 igual à gravação original com Chico Buarque:

Fotos e videos: Sidney Gomes
Fica difícil escrever qualquer coisa original a respeito de um show que está há dois meses na estrada, e que já passou pelo Rio de Janeiro e por São Paulo. A imprensa já escreveu o que teve de ser escrito, críticos apontaram o que havia para ser criticado e fãs elogiaram o que merecia ser elogiado.
E assim, já azeitado e maduro - apesar de jovem -, o espetáculo zii e zie, de Caetano Veloso, pousou em Belo Horizonte. A noite de 3 de julho, no Chevrolet Hall, foi quase mágica. Em impressionante forma vocal, Caetano surge no palco junto com os músicos e começa a apresentação com um vinheta de Cole na corda, da banda de pagode baiano Psirico, e Tem que ser viola, do Fantasmão. Imediatamente, ataca a grande surpresa da turnê - A voz do morto, feita especialmente para Aracy de Almeida, e a pedido dela. No meio da canção, a saudação: “Viva o Paulinho da Viola!” Alguém consegue pensar em algo mais original para começar um show de “transambas”?
Daí pra frente, Caetano faz um show sem concessões. Para “iniciados”. Desfia 11 das 13 faixas do CD zii e zie. Entre uma canção nova e outra, pequenas pérolas como Não identificado, Trem das cores, Maria Bethânia (que ele disse ter sido composta no exílio como um grito desesperado de socorro à irmã. A música, no show, é dedicada ao diretor teatral Augusto Boal, falecido este ano, o primeiro a dirigir Bethânia) e Irene, cantada em coro pela plateia. Não por acaso, as duas canções com nomes de irmãs do compositor aparecem juntas no roteiro.
Emoldurado pelo cenário de Hélio Eichbauer, que colocou uma asa-delta no palco - e uma tela para projeções de imagens da Lapa, de Cuba, cenas de mar e chuva -, Caetano, apesar de evitar seus sucessos, apresentou um show muito mais palatável que o anterior, Cê, de 2006. Se, em Cê, os clássicos eram mais abundantes (Sampa, Desde que o samba é samba, Fora da ordem e London, London), a crueza dos arranjos assustava os mais conservadores. zii e zie é mais melódico, e com a BandaCê (Pedro Sá, Marcelo Callado e Ricardo Dias Gomes) mais entrosada.

fator relevante foi o verdadeiro milagre que os técnicos de som da equipe de Caetano conseguiram realizar no Chevrolet Hall. O som estava impecável (com exceção de pontos mais longínquos) – o que pode ser comprovado no tradicional momento voz e violão. A interpretação de Caetano para Aquele frevo axé, que deu nome ao CD de Gal Costa lançado em 1998, estava completamente límpida. Porém, os técnicos também foram os responsáveis por dois erros inadmissíveis. O primeiro, quando a voz do cantor desapareceu por intermináveis segundos. Depois, quando o som desapareceu por completo. Tudo muito rápido, mas o suficiente para incomodar Caetano.
Uma arrebatadora e performática interpretação de Eu sou neguinha?, pôs fim à apresentação. Mas, é claro, ele voltou para o bis, quando fez uma emocionada interpretação de Força estranha. E mais uma saudação: “Viva Roberto Carlos!”
É emocionante poder ver um artista do porte de Caetano Veloso ainda em atividade, e num excelente momento da carreira. Enquanto alguns contemporâneos do baiano optam pela mesmice, Caetano inova. E acerta.
Abaixo, o roteiro da apresentação de zii e zie, em BH:
A voz do morto (Caetano Veloso)
Sem cais (Pedro Sá/ Caetano Veloso)
Trem das cores (Caetano Veloso)
Perdeu (Caetano Veloso)
Por quem? (Caetano Veloso)
Lobão tem razão (Caetano Veloso)
Maria Bethânia (Caetano Veloso)
Irene (Caetano Veloso)
Volver (Carlos Gardel)
Aquele frevo axé (Caetano Veloso/ Cézar Menezes)
Tarado ni você (Caetano Veloso)
Menina da Ria (Caetano Veloso)
Não identificado (Caetano Veloso)
Odeio (Caetano Veloso)
Falso Leblon (Caetano Veloso)
Base de Guantánamo (Caetano Veloso)
Lapa (Caetano Veloso)
Água (Kassin)
A cor amarela (Caetano Veloso)
Eu sou neguinha? (Caetano Veloso)
Bis:
Força estranha (Caetano Veloso)
Incompatibilidade de gênios (João Bosco/ Aldir Blanc)
Manjar de Reis (Jorge Mautner/ Nelson Jacobina)
Alguns trechos do show:
Caetano canta Eu sou neguinha?
Caetano canta Manjar de Reis
Caetano canta Irene

A noite de ontem mexeu com a cena musical brasileira, com a 22ª edição do Prêmio de Música Popular Brasileira (que já foi Prêmio Sharp e Prêmio Tim, que surpreendentemente suspendeu o patrocínio este ano). A festa só aconteceu por causa da soliedariedade dos artistas, que não cobraram cachê para participar.
Como é de praxe, a cada ano um artista é homegeado. Este ano, a noite foi da mineira Clara Munes (foto), que morreu em 1983. Lenine, Zeca Pagodinho, Zélia Duncan e Maria Bethânia foram alguns que subiram ao palco do Canecão (RJ) para reverenciar Clara.
Os grandes consagrados da noite foram Lenine e Milton Nascimento. Confira a lista completa dos ganhadores:
POP/ROCK:
Melhor disco: "Labiata", de Lenine
Melhor cantor: Lenine
Melhor cantora: Paula Toller
Melhor grupo: Bangalafumenga
MPB
Melhor disco: "Novas Bossas", de Milton Nascimento e Jobim Trio
Melhor cantor: Milton Nascimento
Melhor cantora: Áurea Martins
Melhor grupo: Pedro Luís e a parede
ELETRÔNICO:
Melhor disco: "I real", de DJ Dolores
CANÇÃO
"Uma prova de amor", (Nelson Rufino e Toninho Geraes), de Zeca Pagodinho
REVELAÇÃO
Artista: Zabé da Loca
DVD
Melhor lançamento: "Porqueestãoemcasa", Toni Platão
LÍNGUA ESTRANGEIRA
Melhor disco: "My baby just cared for me", Delicatessen
ERUDITO
Melhor disco: "Heitor Villa-Lobos nº2, 3, 10, 12" - Orquestra Sinfônica de São Paulo
INFANTIL
Melhor disco: "Carnaval Palavra Cantada", Paulo Tattit e Sandra Peres
PROJETO ESPECIAL
Melhor disco: "Omara Portuondo e Maria Bethânia", de Omara Portuondo e Maria Bethânia
SAMBA
Melhor disco: "Uma prova de amor", de Zeca Pagodinho
Melhor cantor: Zeca Pagodinho
Melhor cantora: Leci Brandão
Melhor grupo: Fundo de Quintal
REGIONAL
Melhor disco: "Francisco Forró y Frevo", de Chico César
Melhor cantor: Chico César
Melhor cantora: Renata Rosa
Melhor grupo: Fim de Feira
Melhor dupla: Chitãozinho e Xororó
INSTRUMENTAL
Melhor disco: "Passo de anjo ao vivo", da Spok Frevo Orquestra
Melhor solista: Hamilton de Holanda
Melhor grupo: Spok Frevo Orquestra
POPULAR
Melhor disco: "Confete e serpentina", de Maria Alcina
Melhor cantor: Zé Renato
Melhor cantora: Maria Alcina
Melhor grupo: Doces Cariocas
Melhor dupla: Zezé di Camargo e Luciano
ARRANJADOR
Jaques Morelenbaum, por "Roberto Carlos e Caetano Veloso e a música de Tom Jobim"
PROJETO VISUAL
"Francisco forró y frevo", de Chico César
Uma pequena homenagem a um dos artistas mais geniais de todos os tempos. Com certeza, o maior artista que minha geração assistiu. Grande Michael!

+ 29/08/1958
* 25/06/2009

O tempo fechou para três dos maiores nomes da música popular brasileira. A história caiu na imprensa especializada e é mais ou menos assim:
Chico Buarque e Ivan Lins compuseram Sou eu, a segunda parceria dos medalhões. Ivan, ao saber que Simone estava em estúdio gravando seu disco de inéditas a ser lançado pela Biscoito Fino, ofereceu a canção à amiga. Tudo normal, já que ela é grande intérprete das obras de Chico e de Ivan. Mas deu-se a desgraça.
Informações de bastidores dizem que Chico não gostou nem um pouco, porque acha que a música deveria ser interpretada por um homem, não por uma mulher. E entregou a música para o sambista Diogo Nogueira gravar - e mais: participou da faixa cantando com Diogo. Simone deu um passo atrás de desistiu de gravar a música.
Mas essa história é muito mal contada. Chico é conhecido no meio artístico, dentre outros atributos, por ser um gentleman. E todos sabem da preferência e da importância que as cantoras brasileiras têm na obra dele. Grandes canções foram feitas especialmente para serem gravadas por suas musas - Simone é uma delas. Ou alguém se esquece das interpretações da "cigarra" para O que será? e Sob medida?
E mais: na hipótese de ser tudo verdade, em se tratando de uma parceria, Ivan não tem o direito de dar a canção a quem bem entender?
Depois do sucesso da temporada de 2008, Ney Matogrosso volta a BH com o espetáculo Inclassificáveis. As apresentações acontecem nos dias 24, 25 e 26 de julho no Palácio das Artes. No ano passado, os ingressos se esgotaram muito antes dos dias de show, que tem direção musical de Emílio Carrera, ex-integrante do grupo Secos e Molhados, e que dá a sonoridade pop-rock ao concerto. No repertório, canções de Arnaldo Antunes, Cazuza, Marcelo Camelo, Caetano Veloso e Frejat. O cenário é do carnavalesco Milton Cunha.

A Biscoito Fino põe nas lojas, ainda no mês de junho, a reedição do DVD Chico e as cidades, que fazia parte do acervo da finada gravadora BMG. Gravado em 1999, o documentário traz cenas do show As cidades e mostra Chico Buarque falando sobre seu processo de criação e conversando com amigos - discos-voadores são um dos temas. Como novidade, entram extras que não existiam na primeira edição do DVD, como interpretações das músicas Cecília, Futuros amantes, Injuriado e O meu amor.


Foto: Beth Niemeyer/ Divulgação
A saia-justa chegou ao fim. Depois de uma demora de um ano e meio, chega às lojas o DVD Dentro do mar tem rio, de Maria Bethânia, gravado ao vivo em São Paulo em dezembro de 2007. Dirigida pelo cineasta Andrucha Waddington, a gravação aconteceu, primeiramente, no Rio de Janeiro, em agosto do mesmo ano. Informações de bastidores dão conta que Bethânia simplesmente detestou o resultado das imagens. Dos shows no Rio, aproveitou-se apenas o áudio para o CD homônimo – e um tanto redundante, já que o resultado é um mix das canções dos discos Mar de Sophia e Pirata, nos quais o show foi inspirado. Uma nova gravação foi agendada na capital paulista. Mas parece que a cantora também não gostou do que viu...
A implicância pode ter razão de ser. É notório que, em gravações de shows, muitas vezes há que se fazer adaptações de luz e cenário para a qualidade das imagens não serem prejudicadas. No caso de Dentro do mar tem rio, o cenário assinado por Bia Lessa, que já não era lá muito inspirado, perdeu parte da iluminação que coloria cada canção. Na primeira parte do DVD, praticamente não muda de tom.
A iluminação do palco também resultou ineficiente. Bethânia, muitas vezes, canta no breu – o que não acontecia nos dias “normais” de espetáculo.
(Não é a primeira vez que Maria Bethânia e Andrucha Waddington trabalham juntos. Recentemente, ele dirigiu o documentário Pedrinha de Aruanda, que mostra a visita da cantora à sua cidade natal, Santo Amaro da Purificação, na Bahia. Andrucha também dirigiu, junto com Walter Salles, a gravação do antológico show As canções que você fez pra mim, inspirado no disco em que Bethânia visita o repertório de Roberto e Erasmo Carlos, que a Universal Music pretende relançar ainda este ano em DVD.)
Por essas e outras, o lançamento de DMTR foi adiado sucessivas vezes, sendo atropelado pelo CD que Bethânia gravou com a cantora cubana Omara Portuondo, e, posteriormente, do DVD que registra o show que as duas fizeram no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em 2008. Depois de abaixo-assinado feito por fãs, a gravadora Biscoito Fino resolveu colocar o registro visual de Dentro do mar tem rio nas lojas.
No que diz respeito ao concerto em si, é a Bethânia de sempre. Um pouco mais introspectiva, talvez. Tudo no show está a favor do tema que a cantora escolheu pra permear seu espetáculo: a água. No primeiro ato, ela parece estar mais risonha, brincando com o tema. Já na segunda parte do espetáculo, mergulha em águas profundas. Por isso, não há espaço para sucessos dos mais de 40 anos de carreira da artista. A única canção do roteiro que poderia ser rotulada como “clássico” de Bethânia é Gostoso demais, de Dominguinhos e Nando Cordel. Musicalmente, não há falhas no DVD. O produtor musical Moogie Canazio soube como captar cada sutileza dos arranjos do maestro Jaime Alem, que acompanha Bethânia há mais de 25 anos.
Dentro do mar tem rio é para ser degustado em cada palavra, em cada acorde. Não é um show fácil, tem de se prestar atenção no que diz a cantora, que usa, além dos textos, subtextos para transmitir suas mensagens. Tudo conduzido com seu canto de sereia.

Reprodução da capa do DVD

Fotos e videos: Thiago Nogueira
Se a novela Caminhos das Índias terminasse um pouco mais tarde, o show de Rita Lee no Chevrolet Hall, na noite do dia 5 de junho, demoraria um pouco mais para começar. A roqueira é uma noveleira incurável, a ponto de gastar preciosos minutos do concerto comentando o capítulo do dia. Durante o espetáculo, saudou o público diversas vezes com gritos de “hare baba”. Mas tudo faz parte da performance de Rita.
O show Picnic já está há mais de um ano na estrada, e passou por Belo Horizonte pela segunda vez. Seu registro audiovisual, com a grife do canal Multishow, acaba de ser lançado. Se o que se vê em casa é um DVD frio (e, de certa forma, desnecessário, já que é o segundo trabalho ao vivo consecutivo de Rita Lee – seu MTV ao vivo saiu em 2004), no palco as músicas funcionam bem melhor. Neste caso, críticas e elogios devem ser endereçados ao diretor musical e guitarrista da banda, Roberto de Carvalho, marido da cantora há 33 anos.
Performances da mutante, que no DVD ficam meio sem sentido, têm lá sua graça ao vivo. Como quando canta a boa Bwana substituindo as palavras “bwana, bwana” por “Obama, Obama”. Não sem antes fazer um discurso pró-democratas – o que deixa desnecessariamente datados CD e DVD. Há ainda uma espécie de “homenagem” a Gal Costa, na interpretação do hino tropicalista Baby, de Caetano Veloso, com direito a peruca e tudo. Mas graça mesmo tem a interpretação de O bode e a cabra, a versão forrozeira de I wanna hold your hand, dos Beatles. Teve gente que perdeu as forças, de tanto rir.
Rita não decepcionou quem queria ouvir seus sucessos. Mas pode ter deixado chateada outra parcela do público, pois muitas figurinhas fáceis de seu repertório ficaram de fora. Coisa de quem tem muitos clássicos.
Agora, a esperança é ver Rita lançando um bom disco de inéditas, como aconteceu com Balacobaco, em 2003. Porque três trabalhos ao vivo em dez anos é um exagero – principalmente se não forem discos conceituais, mas apenas um apanhado de canções mais que batidas com uma roupagem semi-nova.
Abaixo, o roteiro do show em BH:
Flagra (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)
Saúde (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)
Mutante (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)
Bwana (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)
Cor-de-rosa-choque (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)
Todas as mulheres do mundo (Rita Lee)
Tão (Rita Lee)
Vingativa (Rita Lee)
O bode e a cabra (I wanna hold your hand) (John Lennon/ Paul McCartney / versão: Renato Barros)
Roll over Beethoven (Chuck Berry)
Vítima (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)
Se manca (Rita Lee/ Beto Lee)
Baby (Caetano Veloso)
Doce vampiro (Rita Lee)
Ovelha negra (Rita Lee)
Agora só falta você (Rita Lee/ Luiz Sérgio)
BIS
Ando meio desligado (Arnaldo Baptista/ Sérgio Baptista/ Rita Lee)
Mania de você (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)
Erva venenosa (Jerry Leiber/ Mike Stoller / versão: Rossini Pinto)
Lança-perfume (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)
Chiquita Bacana (Alberto Ribeiro/ João de Barro)
Obs.: Rita fez um afago em Minas Gerais durante Ovelha negra. E ainda revelou de que lado está no futebol mineiro. Confira abaixo:
E um humilde registro de Agora só falta você:

Foto: Site oficial
Depois de participar de projetos menos "pessoais", como a turnê com os Mutantes e de Amigo é casa, em parceria com Simone - além de inúmeras participações especiais em trabalhos de outros artistas, Zélia Duncan volta os olhos para a própria carreira e finaliza o CD Pelo sabor do gesto, nas lojas a partir de semana que vem. Sai via Universal Music, e tem produção do mineiro John Ulhôa, do PatoFu. O último trabalho inédito de ZD foi Pré-pós-tudo-bossa-band, de 2005.
Com isso, Zélia deve amenizar um pouco a fama de arroz de festa, que ganhou por não saber recusar convites. Cantora competente, sua própria carreira merece mais atenção.