09/09/2009

Sou do mundo, sou Minas Gerais

Amigos internautas!!! Depois de um breve período de ausência, o Cada Nota está de volta. E que volta! Vamos recomeçar com uma colaboração do jornalista João Marcos Veiga de Oliveira, que vai ser nosso "agente infiltrado" no Festival Mundo da Música, em Três Pontas.

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Festival Música do Mundo homenageia Milton Nascimento e Wagner Tiso com show de estrelas da MPB em meio às montanhas de Três Pontas

                                                                JOÃO MARCOS VEIGA DE OLIVEIRA*

           No início da década de 50, a sedução inconfundível de Frank Sinatra conquistava, através das ondas do rádio, as ouvintes nos afazeres domésticos, e as plantações de café faziam riqueza aos barões do “ouro verde” no sul de Minas. As calçadas eram espaços de convívio intenso para fofocas, namoros e brincadeiras infantis.

            E foi numa calçada de Três Pontas que dois garotos se identificaram através de uma paixão comum: a música. Os meninos mais tarde se tornaram Milton Nascimento e Wagner Tiso. A amizade que já dura mais de cinquenta anos teve frutos como o Clube da Esquina e dezenas de gravações, onde as melodias e o timbre único de Bituca ganhavam arranjos memoráveis do pianista. Parceria reconhecida em inúmeros palcos de todo o mundo ,e que teve em “Coração de Estudante”, tema da redemocratização do Brasil, um de seus principais pontos.

            Mas foi Três Pontas que instigou a fome musical deles, através das folias de reis, dos bailes da vida e das primeiras noções de harmonia com Walda, professora de piano e mãe de Tiso. Agora a cidade homenageia seus filhos ilustres com o Festival Música do Mundo. E a retribuição não tem caráter bairrista, a idéia surgiu a partir das páginas de uma das mais importantes revistas do segmento musical, a Billboard. Três Pontas foi a única cidade do país, com exceção das grandes capitais, a constar entre os principais celeiros musicais do planeta.     

 

           

           E a partir desta quinta-feira, as milhares de pessoas previstas para desembarcar na cidade sul-mineira poderão comprovar o porquê dessa escolha. Pelos palcos do evento desfilarão referências da música brasileira: Ivan Lins, Tom Zé, Rita Lee (substituindo Jon Anderson, da banda inglesa Yes, ausente por motivos de saúde), Toninho Horta, Fernando Brant, Telo Borges, além de Milton Nascimento e Wagner Tiso. A festa também vai ligar o holofote para um time de novos talentos de Três Pontas e do restante do estado, como Pedro Morais, Marcelo Dinis, Clayton Prosperi, Paulo Francisco, Heitor Branquinho e o Ânima Minas, grupo formado por jovens da região com apadrinhamento de Milton.  

            Três Pontas já havia recebido, em 1977, uma reunião de ídolos da MPB. No show do Paraíso, improvisado em uma fazenda da região, Bituca apresentou Chico Buarque, Gonzaguinha, Simone, dentre outros, para uma platéia extasiada de todo o Brasil. O encontro ficou conhecido como o “woodstock mineiro”. Com o Festival Música do Mundo pretende-se repetir a dose com oficinas, seminários, espetáculos e estrutura à altura do talento e das carreiras construídas por Milton Nascimento e Wagner Tiso. Mais do que nunca, ecoarão pelas belas paisagens de Três Pontas o verso profético de Fernando Brant. “Sou do mundo, sou Minas Gerais.” 

 

                                                                         *João Marcos Veiga de Oliveira é jornalista

 

 

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25/07/2009

A história da nossa música, ao vivo

 

 

                                                                                               Fotos e videos: Sidney Gomes

 

 

Todas as vezes que grandes artistas dividem o palco, surge um tipo de preocupação: vai dar liga? Porque, boa parte das vezes, estes encontros não passam de shows improvisados, com clima de ensaio aberto, e costumam ser frustrantes.

 

Mas pela terceira vez em Belo Horizonte, o cantor e compositor (e, acima de tudo, exímio violonista) Toquinho subiu ao palco do Music Hall na noite desta sexta acompanhado do não menos histórico grupo vocal MPB-4, para lançar CD e DVD da turnê que a trupe tem feito pelo país.

 

Uma hora e quarenta e cinco minutos depois da hora marcada, o MPB-4 entra em cena e as dúvidas a respeito da coerência do espetáculo foram jogadas fora. Havia uma atmosfera mágica e de muito entrosamento. O show estava claramente bem roteirizado – até mesmo as histórias que Magro, Aquiles, Dalmo e Miltinho contaram pareciam ensaiadas, nem por isso menos divertidas.

 

 

 

 

 

O grupo se saiu bem e escapou da armadilha em que, muitas vezes, caem os conjuntos vocais: o repertório populista. Apesar do roteiro escolhido pelo MPB-4 ser mais que conhecido, os clichês foram poucos.

 

Quando os primeiros acordes de Tarde em Itapoã foram ouvidos, Toquinho ainda não estava no palco. Ouvia-se apenas o som perfeito de seu violão. Quando a plateia, enfim, pode vê-lo, foi recebido como merece: um dos maiores artistas vivos da nossa música popular. Delírio geral.

 

O músico não se fez de difícil e tocou o que o público queria ouvir: seus temas infantis, as parcerias com Vinicius, e solos de violão – aliás, Toquinho, ao violão, parece que está acompanhado de pelo menos mais dois violonistas. Mas consegue fazer tudo isso sozinho, mesmo.

 

No mais, ficou comprovado: o palco do Music Hall é resistente. Pois se não se abalou apesar do peso de tanta história...

 

(Para não dizerem que não houve pontos negativos, gostaria de ajuda numa reflexão: Toda a publicidade do show anunciava o início da apresentação para as 22 horas. Pois bem. Muitos minutos depois deste horário subiu ao palco a banda de samba e choro Patuá, para abrir a noite. A grupo é legal, tem boas composições próprias... mas o público não deveria saber que haveria um show de abertura? Apesar de boa parte da plateia estar sentada, bebendo e se comportando como se estivesse em um churrasco, é justo fazer com que quem estava de pé esperasse uma hora e quarenta e cinco minutos para ver o show pelo qual haviam pago?)

 

Confira o roteiro da apresentação:

 

 

MPB-4:

Cio da terra (Milton Nascimento/ Chico Buarque)

De frente pro crime (João Bosco/ Aldir Blanc)

Iolanda (Pablo Milanês/ Versão: Chico Buarque)

Faz parte do meu show (Cazuza/ Renato Ladeira)

Gago apaixonado (Noel Rosa)

Chega de saudade (Tom Jobim/ Vinicius de Moraes)

Retrato em branco e preto (Tom Jobim/ Chico Buarque)

Samba do avião (Tom Jobim)

Mandala (Dalmo)

O que é, o que é? (Gonzaguinha)

 

Toquinho e MPB-4:

Tarde em Itapoã (Toquinho/ Vinícius de Moraes)

 

Toquinho:

Samba de Orly (Toquinho/ Vinicius de Moraes/ Chico Buarque)

Este seu olhar (Tom Jobim)

Se todos fossem iguais a você (Tom Jobim/ Vinicius e Moraes)

Eu sei que vou te amar (Tom Jobim/ Vinicius e Moraes)

Das rosas (instrumental) (Dorival Caymmi)

Marina (Dorival Caymmi)

Saudade da Bahia (Dorival Caymmi)

Jesus, alegria dos homens (Bach)

Bachianinha nº1 (Paulinho Nogueira)

Aquarela (Toquinho/ Maurizio Fabrizio/ Guido Morra/ Vinicius de Moraes)

 

Toquinho e MPB-4:

Samba pra Vinicius (Toquinho/ Chico Buarque)

A casa (Vinicius de Moraes)

O ar (O vento) (Toquinho/ Bacalov/ Vinicius de Moraes)

A bicicleta (Mutinho/ Toquinho)

O pato (Toquinho/ Vinicius de Moraes/ Paulo Soledade)

Ninguém me ama (Antônio Maria/ Fernando Lobo)

O caderno (Mutinho/ Toquinho)

Como dizia o poeta (Toquinho/ Vinicius de Moraes/ Albinoni)

Testamento (Toquinho/ Vinicius de Moraes)

Para viver um grande amor (Toquinho/ Vinicius de Moraes)

Morena flor (Toquinho/ Vinicius de Moraes)

Meu pai Oxalá (Toquinho/ Vinicius de Moraes)

Maria vai com as outras (Toquinho/ Vinicius de Moraes)

O bem-amado (Toquinho/ Vinicius de Moraes)

Regra três (Toquinho/ Vinicius de Moraes)

 

Bis:

Quem te viu, quem te vê (Chico Buarque)

Roda-viva (Chico Buarque)

 

Veja o momento Samba pra Vinicius:

 

 

Veja a apresentação de Roda-viva, com o arranjo vocal do MPB-4 igual à gravação original com Chico Buarque:

 

 

 

 

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Tags: toquinho  mpb-4  mpb4  mpb  4  bh  music  hall  show 
04/07/2009

Caetano Veloso voa alto na asa de 'zii e zie'

 

                                                                                     Fotos e videos: Sidney Gomes

 

 

Fica difícil escrever qualquer coisa original a respeito de um show que está há dois meses na estrada, e que já passou pelo Rio de Janeiro e por São Paulo. A imprensa já escreveu o que teve de ser escrito, críticos apontaram o que havia para ser criticado e fãs elogiaram o que merecia ser elogiado.

 

 

E assim, já azeitado e maduro - apesar de jovem -, o espetáculo zii e zie, de Caetano Veloso, pousou em Belo Horizonte. A noite de 3 de julho, no Chevrolet Hall, foi quase mágica. Em impressionante forma vocal, Caetano surge no palco junto com os músicos e começa a apresentação com um vinheta de Cole na corda, da banda de pagode baiano Psirico, e Tem que ser viola, do Fantasmão. Imediatamente, ataca a grande surpresa da turnê - A voz do morto, feita especialmente para Aracy de Almeida, e a pedido dela. No meio da canção, a saudação: “Viva o Paulinho da Viola!” Alguém consegue pensar em algo mais original para começar um show de “transambas”?

 

 

Daí pra frente, Caetano faz um show sem concessões. Para “iniciados”. Desfia 11 das 13 faixas do CD zii e zie. Entre uma canção nova e outra, pequenas pérolas como Não identificado, Trem das cores, Maria Bethânia (que ele disse ter sido composta no exílio como um grito desesperado de socorro à irmã. A música, no show, é dedicada ao diretor teatral Augusto Boal, falecido este ano, o primeiro a dirigir Bethânia) e Irene, cantada em coro pela plateia. Não por acaso, as duas canções com nomes de irmãs do compositor aparecem juntas no roteiro.

 

 

Emoldurado pelo cenário de Hélio Eichbauer, que colocou uma asa-delta no palco - e uma tela para projeções de imagens da Lapa, de Cuba, cenas de mar e chuva -, Caetano, apesar de evitar seus sucessos, apresentou um show muito mais palatável que o anterior, , de 2006. Se, em , os clássicos eram mais abundantes (Sampa, Desde que o samba é samba, Fora da ordem e London, London), a crueza dos arranjos assustava os mais conservadores. zii e zie é mais melódico, e com a BandaCê (Pedro Sá, Marcelo Callado e Ricardo Dias Gomes) mais entrosada.

 

 

 

 

 

fator relevante foi o verdadeiro milagre que os técnicos de som da equipe de Caetano conseguiram realizar no Chevrolet Hall. O som estava impecável (com exceção de pontos mais longínquos) – o que pode ser comprovado no tradicional momento voz e violão. A interpretação de Caetano para Aquele frevo axé, que deu nome ao CD de Gal Costa lançado em 1998, estava completamente límpida. Porém, os técnicos também foram os responsáveis por dois erros inadmissíveis. O primeiro, quando a voz do cantor desapareceu por intermináveis segundos. Depois, quando o som desapareceu por completo. Tudo muito rápido, mas o suficiente para incomodar Caetano.

 

 

Uma arrebatadora e performática interpretação de Eu sou neguinha?, pôs fim à apresentação. Mas, é claro, ele voltou para o bis, quando fez uma emocionada interpretação de Força estranha. E mais uma saudação: “Viva Roberto Carlos!”

 

 

É emocionante poder ver um artista do porte de Caetano Veloso ainda em atividade, e num excelente momento da carreira. Enquanto alguns contemporâneos do baiano optam pela mesmice, Caetano inova. E acerta.

 

 

Abaixo, o roteiro da apresentação de zii e zie, em BH:

 

 

 

A voz do morto (Caetano Veloso)
Sem cais (Pedro Sá/ Caetano Veloso)
Trem das cores (Caetano Veloso)
Perdeu (Caetano Veloso)
Por quem? (Caetano Veloso)
Lobão tem razão (Caetano Veloso)
Maria Bethânia (Caetano Veloso)
Irene (Caetano Veloso)
Volver (Carlos Gardel)
Aquele frevo axé (Caetano Veloso/ Cézar Menezes)
Tarado ni você (Caetano Veloso)
Menina da Ria (Caetano Veloso)
Não identificado (Caetano Veloso)
Odeio (Caetano Veloso)
Falso Leblon (Caetano Veloso)
Base de Guantánamo (Caetano Veloso)
Lapa (Caetano Veloso)
Água (Kassin)
A cor amarela (Caetano Veloso)
Eu sou neguinha? (Caetano Veloso)

Bis:

Força estranha (Caetano Veloso)
Incompatibilidade de gênios (João Bosco/ Aldir Blanc)
Manjar de Reis (Jorge Mautner/ Nelson Jacobina)

 

Alguns trechos do show:

 

Caetano canta Eu sou neguinha?

 

 

 

Caetano canta Manjar de Reis

 

 

 

Caetano canta Irene

 

 

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Tags: caetano  veloso  show  zii  zie  bh  belo  horizonte  minas  gerais 
02/07/2009

Lenine e Milton são os grandes vencedores de prêmio da MPB

 

A noite de ontem mexeu com a cena musical brasileira, com a 22ª edição do Prêmio de Música Popular Brasileira (que já foi Prêmio Sharp e Prêmio Tim, que surpreendentemente suspendeu o patrocínio este ano). A festa só aconteceu por causa da soliedariedade dos artistas, que não cobraram cachê para participar.

 

Como é de praxe, a cada ano um artista é homegeado. Este ano, a noite foi da mineira Clara Munes (foto), que morreu em 1983. Lenine, Zeca Pagodinho, Zélia Duncan e Maria Bethânia foram alguns que subiram ao palco do Canecão (RJ) para reverenciar Clara.

 

Os grandes consagrados da noite foram Lenine e Milton Nascimento. Confira a lista completa dos ganhadores:

 

POP/ROCK:

Melhor disco: "Labiata", de Lenine

Melhor cantor: Lenine

Melhor cantora: Paula Toller

Melhor grupo: Bangalafumenga

 

MPB

Melhor disco: "Novas Bossas", de Milton Nascimento e Jobim Trio

Melhor cantor: Milton Nascimento

Melhor cantora: Áurea Martins

Melhor grupo: Pedro Luís e a parede

 

ELETRÔNICO:

Melhor disco: "I real", de DJ Dolores

 

CANÇÃO

"Uma prova de amor", (Nelson Rufino e Toninho Geraes), de Zeca Pagodinho

 

REVELAÇÃO

Artista: Zabé da Loca

 

DVD

Melhor lançamento: "Porqueestãoemcasa", Toni Platão

 

LÍNGUA ESTRANGEIRA

Melhor disco: "My baby just cared for me", Delicatessen

 

ERUDITO

Melhor disco: "Heitor Villa-Lobos nº2, 3, 10, 12" - Orquestra Sinfônica de São Paulo

 

INFANTIL

Melhor disco: "Carnaval Palavra Cantada", Paulo Tattit e Sandra Peres

 

PROJETO ESPECIAL

Melhor disco: "Omara Portuondo e Maria Bethânia", de Omara Portuondo e Maria Bethânia

 

SAMBA

Melhor disco: "Uma prova de amor", de Zeca Pagodinho

Melhor cantor: Zeca Pagodinho

Melhor cantora: Leci Brandão

Melhor grupo: Fundo de Quintal

 

REGIONAL

Melhor disco: "Francisco Forró y Frevo", de Chico César

Melhor cantor: Chico César

Melhor cantora: Renata Rosa

Melhor grupo: Fim de Feira

Melhor dupla: Chitãozinho e Xororó

 

INSTRUMENTAL

Melhor disco: "Passo de anjo ao vivo", da Spok Frevo Orquestra

Melhor solista: Hamilton de Holanda

Melhor grupo: Spok Frevo Orquestra

 

POPULAR

Melhor disco: "Confete e serpentina", de Maria Alcina

Melhor cantor: Zé Renato

Melhor cantora: Maria Alcina

Melhor grupo: Doces Cariocas

Melhor dupla: Zezé di Camargo e Luciano

 

ARRANJADOR

Jaques Morelenbaum, por "Roberto Carlos e Caetano Veloso e a música de Tom Jobim"

 

PROJETO VISUAL

"Francisco forró y frevo", de Chico César

 

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25/06/2009

Who's bad?

Uma pequena homenagem a um dos artistas mais geniais de todos os tempos. Com certeza, o maior artista que minha geração assistiu. Grande Michael!

 

 

+ 29/08/1958

* 25/06/2009

 

 

 

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Tags: morte  homenagem  michael  jackson  rei  pop 
22/06/2009

Saia-justa no alto-escalão da MPB: Chico e Simone brigados?!?!?!?!

 

 

 

O tempo fechou para três dos maiores nomes da música popular brasileira. A história caiu na imprensa especializada e é mais ou menos assim:

 

Chico Buarque e Ivan Lins compuseram Sou eu, a segunda parceria dos medalhões. Ivan, ao saber que Simone estava em estúdio gravando seu disco de inéditas a ser lançado pela Biscoito Fino, ofereceu a canção à amiga. Tudo normal, já que ela é grande intérprete das obras de Chico e de Ivan. Mas deu-se a desgraça.

 

Informações de bastidores dizem que Chico não gostou nem um  pouco, porque acha que a música deveria ser interpretada por um homem, não por uma mulher. E entregou a música para o sambista Diogo Nogueira gravar - e mais: participou da faixa cantando com Diogo. Simone deu um passo atrás de desistiu de gravar a música.

 

Mas essa história é muito mal contada. Chico é conhecido no meio artístico, dentre outros atributos, por ser um gentleman. E todos sabem da preferência e da importância que as cantoras brasileiras têm na obra dele. Grandes canções foram feitas especialmente para serem gravadas por suas musas - Simone é uma delas. Ou alguém se esquece das interpretações da "cigarra" para O que será? e Sob medida?

 

E mais: na hipótese de ser tudo verdade, em se tratando de uma parceria, Ivan não tem o direito de dar a canção a quem bem entender?

 

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18/06/2009

Ney volta a BH com "Inclassificáveis"

 

Depois do sucesso da temporada de 2008, Ney Matogrosso volta a BH com o espetáculo Inclassificáveis. As apresentações acontecem nos dias 24, 25 e 26 de julho no Palácio das Artes. No ano passado, os ingressos se esgotaram muito antes dos dias de show, que tem direção musical de Emílio Carrera, ex-integrante do grupo Secos e Molhados, e que dá a sonoridade pop-rock ao concerto. No repertório, canções de Arnaldo Antunes, Cazuza, Marcelo Camelo, Caetano Veloso e Frejat. O cenário é do carnavalesco Milton Cunha.

 

 

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15/06/2009

"Chico e as cidades" ganha reedição

 

A Biscoito Fino põe nas lojas, ainda no mês de junho, a reedição do DVD Chico e as cidades, que fazia parte do acervo da finada gravadora BMG. Gravado em 1999, o documentário traz cenas do show As cidades e mostra Chico Buarque falando sobre seu processo de criação e conversando com amigos - discos-voadores são um dos temas. Como novidade, entram extras que não existiam na primeira edição do DVD, como interpretações das músicas Cecília, Futuros amantes, Injuriado e O meu amor.

 

 

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Tags: chico  buarque  cidades  dvd  show  biscoito  fino 
07/06/2009

Maria Bethânia lança DVD controverso dirigido por Andrucha

                                                                                                                         Foto: Beth Niemeyer/ Divulgação

 

A saia-justa chegou ao fim. Depois de uma demora de um ano e meio, chega às lojas o DVD Dentro do mar tem rio, de Maria Bethânia, gravado ao vivo em São Paulo em dezembro de 2007. Dirigida pelo cineasta Andrucha Waddington, a gravação aconteceu, primeiramente, no Rio de Janeiro, em agosto do mesmo ano. Informações de bastidores dão conta que Bethânia simplesmente detestou o resultado das imagens. Dos shows no Rio, aproveitou-se apenas o áudio para o CD homônimo – e um tanto redundante, já que o resultado é um mix das canções dos discos Mar de Sophia e Pirata, nos quais o show foi inspirado. Uma nova gravação foi agendada na capital paulista. Mas parece que a cantora também não gostou do que viu...


A implicância pode ter razão de ser. É notório que, em gravações de shows, muitas vezes há que se fazer adaptações de luz e cenário para a qualidade das imagens não serem prejudicadas. No caso de Dentro do mar tem rio, o cenário assinado por Bia Lessa, que já não era lá muito inspirado, perdeu parte da iluminação que coloria cada canção. Na primeira parte do DVD, praticamente não muda de tom.


A iluminação do palco também resultou ineficiente. Bethânia, muitas vezes, canta no breu – o que não acontecia nos dias “normais” de espetáculo.

 

(Não é a primeira vez que Maria Bethânia e Andrucha Waddington trabalham juntos. Recentemente, ele dirigiu o documentário Pedrinha de Aruanda, que mostra a visita da cantora à sua cidade natal, Santo Amaro da Purificação, na Bahia. Andrucha também dirigiu, junto com Walter Salles, a gravação do antológico show As canções que você fez pra mim, inspirado no disco em que Bethânia visita o repertório de Roberto e Erasmo Carlos, que a Universal Music pretende relançar ainda este ano em DVD.)

 

Por essas e outras, o lançamento de DMTR foi adiado sucessivas vezes, sendo atropelado pelo CD que Bethânia gravou com a cantora cubana Omara Portuondo, e, posteriormente, do DVD que registra o show que as duas fizeram no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em 2008. Depois de abaixo-assinado feito por fãs, a gravadora Biscoito Fino resolveu colocar o registro visual de Dentro do mar tem rio nas lojas.


No que diz respeito ao concerto em si, é a Bethânia de sempre. Um pouco mais introspectiva, talvez. Tudo no show está a favor do tema que a cantora escolheu pra permear seu espetáculo: a água. No primeiro ato, ela parece estar mais risonha, brincando com o tema. Já na segunda parte do espetáculo, mergulha em águas profundas. Por isso, não há espaço para sucessos dos mais de 40 anos de carreira da artista. A única canção do roteiro que poderia ser rotulada como “clássico” de Bethânia é Gostoso demais, de Dominguinhos e Nando Cordel. Musicalmente, não há falhas no DVD. O produtor musical Moogie Canazio soube como captar cada sutileza dos arranjos do maestro Jaime Alem, que acompanha Bethânia há mais de 25 anos.


Dentro do mar tem rio é para ser degustado em cada palavra, em cada acorde. Não é um show fácil, tem de se prestar atenção no que diz a cantora, que usa, além dos textos, subtextos para transmitir suas mensagens. Tudo conduzido com seu canto de sereia.

 

 

                                      Reprodução da capa do DVD

 

 

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Tags: maria  bethania  dvd  dentro  mar  rio  andrucha  waddington  show 
06/06/2009

O picnic "indiano" de Rita Lee

 

                                                           Fotos e videos: Thiago Nogueira

 

 

Se a novela Caminhos das Índias terminasse um pouco mais tarde, o show de Rita Lee no Chevrolet Hall, na noite do dia 5 de junho, demoraria um pouco mais para começar. A roqueira é uma noveleira incurável, a ponto de gastar preciosos minutos do concerto comentando o capítulo do dia. Durante o espetáculo, saudou o público diversas vezes com gritos de “hare baba”. Mas tudo faz parte da performance de Rita.


O show Picnic já está há mais de um ano na estrada, e passou por Belo Horizonte pela segunda vez. Seu registro audiovisual, com a grife do canal Multishow, acaba de ser lançado. Se o que se vê em casa é um DVD frio (e, de certa forma, desnecessário, já que é o segundo trabalho ao vivo consecutivo de Rita Lee – seu MTV ao vivo saiu em 2004), no palco as músicas funcionam bem melhor. Neste caso, críticas e elogios devem ser endereçados ao diretor musical e guitarrista da banda, Roberto de Carvalho, marido da cantora há 33 anos.


Performances da mutante, que no DVD ficam meio sem sentido, têm lá sua graça ao vivo. Como quando canta a boa Bwana substituindo as palavras “bwana, bwana” por “Obama, Obama”. Não sem antes fazer um discurso pró-democratas – o que deixa desnecessariamente datados CD e DVD. Há ainda uma espécie de “homenagem” a Gal Costa, na interpretação do hino tropicalista Baby, de Caetano Veloso, com direito a peruca e tudo. Mas graça mesmo tem a interpretação de O bode e a cabra, a versão forrozeira de I wanna hold your hand, dos Beatles. Teve gente que perdeu as forças, de tanto rir.


Rita não decepcionou quem queria ouvir seus sucessos. Mas pode ter deixado chateada outra parcela do público, pois muitas figurinhas fáceis de seu repertório ficaram de fora. Coisa de quem tem muitos clássicos.


Agora, a esperança é ver Rita lançando um bom disco de inéditas, como aconteceu com Balacobaco, em 2003. Porque três trabalhos ao vivo em dez anos é um exagero – principalmente se não forem discos conceituais, mas apenas um apanhado de canções mais que batidas com uma roupagem semi-nova.


Abaixo, o roteiro do show em BH:


Flagra (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)

Saúde (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)

Mutante (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)

Bwana (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)

Cor-de-rosa-choque (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)

Todas as mulheres do mundo (Rita Lee)

Tão (Rita Lee)

Vingativa (Rita Lee)

O bode e a cabra (I wanna hold your hand) (John Lennon/ Paul McCartney / versão: Renato Barros)

Roll over Beethoven (Chuck Berry)

Vítima (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)

Se manca (Rita Lee/ Beto Lee)

Baby (Caetano Veloso)

Doce vampiro (Rita Lee)

Ovelha negra (Rita Lee)

Agora só falta você (Rita Lee/ Luiz Sérgio)


BIS

Ando meio desligado (Arnaldo Baptista/ Sérgio Baptista/ Rita Lee)

Mania de você (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)

Erva venenosa (Jerry Leiber/ Mike Stoller / versão: Rossini Pinto)

Lança-perfume (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)

Chiquita Bacana (Alberto Ribeiro/ João de Barro)

 

 

Obs.: Rita fez um afago em Minas Gerais durante Ovelha negra. E ainda revelou de que lado está no futebol mineiro. Confira abaixo:

 


 

 

E um humilde registro de Agora só falta você:

 

 

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Tags: rita  lee  show  picnic  pic  nic  bh  mg   
01/06/2009

Zélia retoma, enfim, a própria carreira

                                                                                                     Foto: Site oficial

 

Depois de participar de projetos menos "pessoais", como a turnê com os Mutantes e de Amigo é casa, em parceria com Simone - além de inúmeras participações especiais em trabalhos de outros artistas, Zélia Duncan volta os olhos para a própria carreira e finaliza o CD Pelo sabor do gesto, nas lojas a partir de semana que vem. Sai via Universal Music, e tem produção do mineiro John Ulhôa, do PatoFu. O último trabalho inédito de ZD foi Pré-pós-tudo-bossa-band, de 2005.

 

Com isso, Zélia deve amenizar um pouco a fama de arroz de festa, que ganhou por não saber recusar convites. Cantora competente, sua própria carreira merece mais atenção.

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Tags: zelia  duncan  pelo  sabor  gesto  cd  2009 
22/05/2009

Pra quem perdeu, videochat com Armandinho!

Hoje eu conversei com o músico e compositor Armandinho, que esteve em BH para um show comemorativo de seus 45 anos de carreira. Este ano, Armandinho começa a preparar a grande festa de 60 anos do trio elétrico, a serem completados em 2010. O blogueiro Leandro Neves, do Abadá, participou da conversa, que estou postando pra vocês (está faltando um pedaço. Assim que eu souber o que aconteceu, coloco ele aqui).

 

Parte I

 

 

 

Parte III

 

 

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22/05/2009

Adeus, Zé Rodrix

"Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar do tamanho da paz"

(Zé Rodrix/ Tavito)

 

 

* 25/11/1947

+ 21/05/2009

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Tags:   rodrix  rock  rural  morre  morte 
22/05/2009

Administrador Gil canta para os contabilistas

                                                                         Fotos: Sidney Gomes e Leandro Neves

 

A turnê Banda Larga Cordel, de Gilberto Gil, passou por Belo Horizonte na noite dessa quinta, 21 de maio. Mais de um ano depois da última passagem do show por aqui, o que se viu foi uma celebração da carreira do compositor. Por ser um evento fechado, sem venda de ingressos (o concerto fez parte das comemorações da Semana do Contabilista), Gil, que é formado em administração de empresas, privilegiou sucessos dos mais de 40 anos de estrada, e cantou poucas canções do disco mais recente, que dá nome ao show - o que foi ótimo, porque o público que encheu o Chevrolet Hall, que estaria lá de qualquer maneira (uma vez que era de graça), tinha as músicas na ponta da língua.


A banda do cantor, apelidada de “banda larga”, foi o grande destaque da noite. Eles souberam conduzir clássicos da carreira do compositor com novas roupagens (apesar de Andar com fé ter ficado um pouco diferente demais – a introdução ficou irreconhecível). Acompanharam Gil: Arthur Maia (baixo), Gustavo di Dalva (percussão), Ben Gil (guitarra), Sérgio Chiavazolli (guitarra), Alex Fonseca (bateria) e Cláudio Andrade (teclados).


Abaixo, a íntegra do roteiro de “Banda Larga Cordel” em BH:


Banda Larga Cordel (Gilberto Gil)

Tempo Rei (Gilberto Gil)

A novidade (Gilberto Gil/ Herbert Vianna/ Bi Ribeiro/ João Barone)

Os pais (Gilberto Gil/ Jorge Mautner)

No woman no cry/ Não chore mais (V. Ford / Versão: Gilberto Gil)

Is this love? (Bob Marley)

Extra II – O rock do segurança (Gilberto Gil)

Luar (A gente precisa ver o luar) (Gilberto Gil)

Punk da periferia (Gilberto Gil)

Não grude não (Gilberto Gil)

Andar com fé (Gilberto Gil)

A paz (João Donato/ Gilberto Gil)

Estrela (Gilberto Gil)

Não tenho medo da morte (Gilberto Gil)

Something (George Harrison)

Esperando na janela (Targino Gondim/ Manuca Almeida/ Raimundinho do Acordeom)

Palco (Gilberto Gil)

Realce (Gilberto Gil)

Nos barracos da cidade (Gilberto Gil/ Liminha)


BIS

Vamos fugir (Gilberto Gil/ Liminha)

Citação: Tenho sede (Dominguinhos/ Anastácia)

Toda menina baiana (Gilberto Gil)

 

(Obs.1: este post não seria possível sem a ajuda do meu colega de TV Alterosa, Juscelino Ferreira. Valeu, Juscelino!)

(Obs.2: segue abaixo um registro (precário, como sempre) que eu fiz de Palco)

 

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21/05/2009

Amanhã, bate-papo com Armandinho!!

 

Amigos do Cada Nota!

 

Nesta sexta, dia 22, às 14h, vou bater um papo com o músico Armandinho, no portal Uai. Participam comigo meus amigos Leandro Neves e Rodrigão Kiko, do blog Abadá.

 

Armandinho vem a BH para um show em comemoração aos seus 45 anos de carreira, na Praça Marechal Deodoro, em Santa Efigênia. É nesta sexta, às 20h.

 

Participem e enviem suas perguntas: www.uai.com.br/chat

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19/05/2009

...e fez o povo inteiro cantar

 

Você já ouviu falar em Wilson Simonal? Se não, a culpa não é sua. Resumidamente, o cantor foi um dos artistas brasileiros mais bem sucedidos na década de 1960, e logo depois jogado nos porões do ostracismo após uma grave denúncia de cooperação com o governo militar. À época, quando pessoas eram torturadas e mortas em troca de informação, a delação era um “crime” sem perdão. Nada jamais ficou provado. Qual foi, enfim, o grande pecado de Simonal? Ser talentoso, fazer sucesso, ficar rico, andar em carrões, ter belas mulheres, mesmo sendo um negro-filho-de-empregada-doméstica? Além disso, nunca se fez de vítima, andava de cabeça erguida e se assumia como um negão metido à besta. Um prato cheio para a inveja.


Essas e (muitas) outras perguntas vêm à tona durante o documentário Simonal – Ninguém sabe o duro que dei, dirigido por Cláudio Manoel (Casseta e Planeta), Micael Langer e Calvito Leal. Nem todas encontram respostas.


Wilson Simonal, na década de 60, só encontrou rival, em popularidade, na figura de Roberto Carlos, para se ter uma vaga ideia do que conseguia fazer com as plateias delirantes. “Regeu” um coro de 30 mil pessoas no Maracanãzinho. Cantou com a diva do jazz Sarah Vaughan, com Elis Regina, foi testemunha ocular da conquista do tricampeonato da seleção brasileira no México (era amigo de Pelé e viajou como convidado da delegação). Era a glória. Muito dinheiro entrando, muito dinheiro saindo... e aí começaram seus problemas.


Simonal desconfiou que estava sendo roubado por seu contador. E decidiu resolver a parada de uma maneira, digamos, menos ortodoxa. Contratou uns caras para dar uma surra no sujeito. Só que um dos contratados era ligado ao temido e odiado Departamento de Ordem Política e Social do regime militar, o Dops. O contador Raphael Viviani diz, no filme, que foi torturado na presença do cantor. E resolveu denunciá-lo. Num misto de arrogância, ingenuidade e medo – queria se livrar logo daquela situação – o Simonal teve a infeliz ideia de dizer que era amigo “dos caras”. Assinou, assim, seu suicídio musical. Foi acusado de entregar seus colegas para o regime.


Colegas de trabalho, emissoras de televisão e jornais foram implacáveis. Um dois mais cruéis foi o Pasquim, o preferido dos esquerdófilos da época. Dois dos responsáveis pela publicação, os cartunistas Ziraldo e Jaguar, dão suas versões no documentário, e se mostraram mestres na arte de fazer humor – na hora errada. Não chegam a fazer um mea culpa. Ziraldo, ao contrário, apressa-se em dizer, mais ou menos com estas palavras: “Perseguimos sim, mas não fomos os primeiros.” A perseguição encontra explicação (não justificativa) na dicotomia bem/mal existente então. Quem não estava com o governo, estava com os comunistas, e vice-versa.


Simonal não cantava música engajada, não falava em política (apesar de ter-se declarado de direita),

fazia música pra dançar e divertir plateias – era um verdadeiro entertainer. As letras não traziam metáforas mirabolantes e não geravam teses acadêmicas. Assim como a música de Roberto Carlos, Tim Maia e Jorge Ben (Jor), seus contemporâneos. Por falar em Ben, Simonal chegou ao disparate de gravar País tropical em plena ditadura. Qualquer coisa que soasse ufanista era mal vista pelos intelectuais. Ser brasileiro era quase um crime. Decretou-se tacitamente um silêncio sobre o artista, que durou até sua morte, no ano 2000.

 

Um dos momentos mais emocionantes do documentário é quando Sandra, viúva de Simonal, conta que ele acompanhou os primeiros shows dos filhos Simoninha e Max de Castro escondido na plateia, para não "atrapalhar a carreira dos meninos".

 

Chico Anysio, um dos entrevistados, diz que até hoje não há uma só pessoa que possa dizer que foi entregue por Simonal. Nunca existiu qualquer prova de colaboração do cantor nesse sentido.


Como é dito no filme, a direita era perversa, mas a esquerda era, mesmo, muito intolerante.

 

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17/05/2009

Caetano cai do palco em Brasília

Foi só um susto: Caetano Veloso caiu do palco na noite do sábado, 16, na apresentação do show Zii e Zie em Brasília. Durante a execução de Força estranha, o cantor se empolgou ao chegar muito perto do público e caiu com violão e tudo. Ele passa bem. O show, que estava quase no fim, continuou de onde parou. Abaixo o video  da cassetada:

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Tags: caetano  veloso  tombo  brasilia  show  zii  zie 
15/05/2009

Cantoras exaltam Roberto Carlos em show

 

Como parte das comemorações dos 50 anos de carreira de Roberto Carlos, acontecerá, no próximo dia 26, o show "Elas cantam Roberto - Divas", no Theatro Municipal de São Paulo.

 

As convidadas são Ana Carolina, Alcione, Adriana Calcanhoto, Celine Imbert, Claudia Leitte, Daniela Mercury, Fernanda Abreu, Fafá de Belém, Hebe Camargo, Ivete Sangalo, Luiza Possi, Marília Pera, Marina Lima, Mart´nália, Nana Caymmi, Paula Toller, Rosemery, Sandy, Wanderléa e Zizi Possi.

 

De acordo com a organização, não será um show de duetos, como se previa. O Rei deve se juntar a elas apenas no número final. No concerto, será gravado um CD/DVD e um especial de TV. A direção geral é de Monique Gardemberg, direção musical de Guto Graça Mello e cenografia de Gringo Cardia. Os ingressos já estão esgotados.

 


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Tags: roberto  carlos  rei  50  anos  cantoras  divas 
13/05/2009

Bethânia canta para VIPs em BH

 

                                                                                                  Foto: Sidney Gomes

 

A cantora Maria Bethânia se apresentou na noite do dia 12 de maio na abertura da 3ª Bienal da Energia, promovida pela Cemig, no Palácio das Artes. Na plateia, autoridades e grandes clientes da companhia de energia.

 

O show não trouxe novidades. Bethânia costurou um roteiro com passagens de seus shows mais recentes, como Brasileirinho, Tempo tempo tempo tempo, Dentro do mar tem rio e Omara & Bethânia. Entre uma coisa e outra, apareceram muitos sucessos da artista, coisa que ela não faz há muito tempo em seus shows, cada vez mais conceituais. Deram as caras Explode coração, Terezinha, Olhos nos olhos e Reconvexo.

 

Muitas vezes, os arranjos do maestro Jaime Alem soaram um pouco “ralos”, sem dar a força necessária à artista. Por isso mesmo, os grandes momentos foram quando banda e cantora se entrosaram perfeitamente para fazer o que Bethânia tem de melhor: o poder de arrebatar. A cantora arrepiou os engravatados ao interpretar O nome da cidade, Cálice e Um índio, oportunamente precedida da declamação de Navio Negreiro, de Castro Alves. Era véspera de 13 de maio.

 

Bethânia está em estúdio preparando dois discos que serão lançados ainda este ano. O repertório é mantido em sigilo. Abaixo, a íntegra do roteiro do concerto em BH:

 

Abertura instrumental: Bachianas (Villa-Lobos)

Salve as folhas (Gerônimo/ Ildásio Tavares)

Gente Humilde (Garoto/ Vinicius de Moraes/ Chico Buarque)

Capitão do mato (Paulo César Pinheiro/ Vicente Barreto)

Viramundo (Gilberto Gil/ Capinam)

Canto do Pajé (Villa-Lobos/ C. Paula Barros)

Texto: “O poeta come amendoim” (Mário de Andrade)

De papo pro ar (Joubert de Carvalho/ Olegário Mariano)

Cigarro de paia (Armando Cavalcanti/ Klecius Caldas)

Boiadeiro (Armando Cavalcanti/ Klecius Caldas)

Cálix Bento (Adaptação: Tavinho Moura)

São João, Xangô Menino (Caetano Veloso/ Gilberto Gil)

Olha por céu meu amor (Luiz Gonzaga/ José Fernandes)

Explode coração (Gonzaguinha)

Formosa (Baden Powell/ Vinicius de Moraes)

Texto: “Soneto de separação” (Vinicius de Moraes)

Olhos nos olhos (Chico Buarque)

Volta por cima (Paulo Vanzolini)

Solo banda: Sargaço mar/ Temporal (Dorival Caymmi)

Beira-mar (Roberto Mendes/ Capinam)

Asa Branca (Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira)

O nome da cidade (Caetano Veloso)

Doce (Roque Ferreira)

A Bahia te espera (Herivelto Martins/ Chianca da Silva)

Sábado em Copacabana (Carlos Guinle/ Dorival Caymmi)

Terezinha (Chico Buarque)

Mensagem (Cícero Nunes/ Aldo Cabral)

Texto: “Todas as cartas de amor são” (Fernando Pessoa)

O ciúme (Caetano Veloso)

Reconvexo (Caetano Veloso)

Texto: “Quem castiga nem é Deus” (Guimarães Rosa)

Purificar o Subaé (Caetano Veloso)

Miséria (Arnaldo Antunes/ Paulo Miklos/ Sérgio Britto)

Cálice (Gilberto Gil/ Chico Buarque)

Texto: “Navio negreiro” (Castro Alves)

Um índio (Caetano Veloso)

Texto: “Pátria minha” (Vinicius de Moraes)

Sonho impossível (Versão: Chico Buarque/ Ruy Guerra)

Texto: “Soneto de fidelidade” (Vinicius de Moraes)

Céu de Santo Amaro (Bach/ Flávio Venturini)

 

BIS

O que é, o que é? (Gonzaguinha)

 

Abaixo, um registro (precário) de Cálice. 

 

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Tags: maria  bethania  cemig  bienal  energia  show  bh  belo  horizonte 
27/04/2009

Lobão, Bin Laden, Condoleezza, Leblon e Lapa: isso é “zii e zie”!

zii e zie: tios e tias, em italiano. Para dar um sotaque paulistano a um CD de paisagens cariocas. E porque somos todos tias e tias na frente dos moleques de rua que nos abordam no trânsito. Que vai além dos sambas: transambas. Que vai além do rock: transrock. Que junta Lobão, Osama bin Laden, Los Hermanos, e, acredite, Condolezza Rice. Sim, senhores, é o que parece: Caetano Veloso está de volta.

 

O novo disco é uma espécie de continuação do excelente (2006), onde Caetano lançou mão de um trio guitarra-baixo-bateria para dar uma luz roqueira às suas canções (o trio agora ficou batizado como bandaCê). Pedro Sá, o guitarrista, continua no comando, e produziu o disco ao lado de Moreno Veloso, filho do cantor. Ricardo Dias Gomes (baixo) e Marcelo Callado (bateria), participam da criação coletiva dos arranjos dos sambas transformados em rocks.

 

 

Mas o processo de criação de zii e zie não ficou restrito aos estúdios. Caetano fez uma série de shows no Rio de Janeiro para testar as novas canções, que chegaram ao palco quase cruas. Algumas foram ensaiadas apenas uma vez. Toda a “linha de produção” ficou disponível para o público no blog Obra em Progresso, onde as novas músicas foram apresentadas em vídeos, com comentários do compositor. Com o lançamento do CD, Caetano achou que a função do site foi cumprida, e decretou o seu fim.

 

No entanto,  o resultado é mesmo um disco com clima de ensaio geral. Nada é muito bem acabado. As distorções de guitarra “sujam” o CD em alguns momentos. As letras são conjuntos de frases aparentemente desconexas, mas que dão o seu recado. Como na faixa de abertura, Perdeu, onde uma enumeração de verbos sugerem a saga de um menino de favela do nascimento até a morte no tráfico de drogas.

 

Algumas faixas nada acrescentam à obra de Caetano, caso de Tarado ni você e Menina da Ria (essa última vale mais como auto-provocação, uma brincadeira com Menino do Rio). Lobão tem razão também é uma mera provocação com o roqueiro, que não perde a chance de dar suas alfinetadas no baiano sempre que pode. Lobão compôs Para o Mano Caetano, onde pedia: “Chega de verdade!” Caetano, por sua vez, parece jogar a toalha.

 

A ideia de tocar sambas com uma banda com formação de rock é mais bem resolvida, ironicamente, nas únicas faixas que não foram compostas por Caetano: Ingenuidade, do repertório de Clementina de Jesus, e Incompatibilidade de gênios, de João Bosco e Aldir Blanc. Caetano colocou no seu finado blog duas opções de arranjo para a parceria de João e Aldir. A eleita pelos internautas está no CD.

 

Algumas faixas já nasceram um pouco caducas. A Base de Guantánamo é um desabafo do compositor (O fato de os americanos desrespeitarem os direitos humanos em solo cubano é por demais forte simbolicamente para eu não me abalar), mas Barack Obama já se move no sentido de desativá-la.  Diferentemente, que fecha o disco, diz que “diferentemente de Osama e Condoleezza eu não acredito em Deus”. Talvez, se tivessem sido lançadas há dois ou três anos...

 

Todos os “poréns” e “senões” de zii e zie desaparecem na primeira audição da deliciosa A cor amarela, forte candidata à hit do disco. É uma espécie de “axé light”, misturado com o samba-de-roda do recôncavo baiano. Só ouvindo pra entender. E que fique o aviso: ela não sai dos ouvidos.

 

O show zii e zie chega a BH no dia 3 de julho. É esperar pra ver.

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Tags: caetano  veloso  cd  zii  zie  banda