
O Congresso vive uma de suas piores crises, se não a pior.
Senado e os “atos secretos”.
A Câmara dos Deputados, pouco se lixando para a sociedade e para o cidadão comum, protegendo descaradamente Edmar Moreira, o “deputado do castelo”, e se recusa a cassar seu mandato.
Refazer a imagem do parlamento brasileiro não será fácil, se é que há interesse de algum congressista em que isso seja feito.
Mas a sociedade deve se mobilizar, como nas “diretas já”, como no impeachment do Collor, na moralização do Congresso, que está na contramão da imagem que o Brasil desfruta hoje no cenário internacional. Um país confiável, estável política e economicamente, em condições de receber aporte externo, euros, dólares, marcos, iens, libras e outras moedas de investidores dos mais diversos países.
Ir às ruas em defesa da “soberania do cidadão”, não apenas de nossos direitos, mas de nossa própria honra, como brasileiros.
E, se essa utopia, esse sonho conseguir ser realizado, Senado e Câmara dos Deputados com pessoas dignas e compromissadas com o pensamento e ética dos brasileiros, surge outra árdua tarefa. Resgatar a imagem da política brasileira no exterior, do nosso Poder Legislativo.
Uma tarefa que deverá envolver um mutirão de agências, um time com os melhores criativos da publicidade brasileira.
Um desafio e tanto. Resgatar imagem, e todo profissional de marketing sabe disso, é mil vezes mais difícil do que construir. Como fidelizar é mais difícil que conquistar cliente. Como reconstruir uma casa velha; muito menos trabalhoso edificar uma nova, a partir dos alicerces.
Mas chega de viajar... Vamos primeiro torcer para que um dia, e que não seja muito distante, possamos nos orgulhar de nosso Congresso. Como temos orgulho de nossa bandeira, de nosso hino, de nosso País.
Até segunda,
@Cefasalves.
Sem chororô, diploma de jornalista foi mesmo pras cucuias. Mas não custa falar de alguns vácuos que ficaram.
Como, por exemplo, o tradicional Prêmio Esso de Jornalismo. As inscrições para a 54ª edição da premiação foram abertas agora em junho e jornalistas que tiverem reportagens publicadas na imprensa ou veiculadas em emissoras de televisão, entre setembro de 2008 e agosto deste ano, podem concorrer.
Mas e se um um chef de cozinha – exemplo dado sem nenhum demérito para a profissão por Gilmar Mendes, do STF – ficar interessado em escrever uma reportagem. Poderá concorrer ao Prêmio Esso de Jornalismo? Pela atual legislação, sim. Afinal, não se exige o diploma no ato da inscrição das matérias.
Será que o Prêmio Esso vai acabar, indo para a mesma cova do diploma?
O próprio Supremo Tribunal Federal está com concurso aberto para o preenchimento de diversas vagas, inclusive jornalistas. Agora, qualquer um que tenha curso superior pode concorrer.
O presidente Lula também deu seu pitaco, grande bicão que é. Através das Agência Brasil, afirmou que não existem mais informações privilegiadas. “A informação já não é mais uma coisa seletiva, em que os detentores da informação podem dar golpe de Estado. A informação não é uma coisa privilegiada. O jornal da noite já está velho diante da internet”, disse, completando: “A humanidade vive um momento revolucionário. A imprensa já não tem mais o poder que tinha alguns anos atrás”.
Coincidência: Lula revelou isso durante evento onde foi apresentado o formato do seu blog, o Blog do Presidente, que estréia agora
Detalhe 1: será atualizado por uma equipe de cinco profissionais,e terá por conteúdo sobre atos e decisões do governo, em linguagem informal.
Detalhe 2: jornalistas vão ser os blogueiros, os ghost-writers do presidente? Ou os “aspones” do Planalto e adjacências vão escrever pelo chefe?
Ficam estas perguntas, estes vácuos.
E até quinta.
Abraços,
@cefasalves.

“Dedico este livro ao primeiro verme que devorar meu cadáver”. Foi como Machado de Assis fez a dedicatória de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, já iniciando a obra esbanjando humor e irreverência, ateu que era.
Mas não dedico este blog aos vermes que comerão meu cadáver – nem sei se vermes lêem blogs. Livro, segundo Machado, devem ler. Ou liam no século XIX, época em que leitura era prazer e diversão, sem a concorrência do rádio, TV, computadores e internet – só para ficar nestes...
Prefiro não dedicar, pois seria muita presunção desse blogueiro, mas ocupar o precioso tempo dos meus leitores falando sobre um amigo que perdi há poucos dias. Luiz Otávio Madureira Horta, o Tatá.
Amigo de redação, de bate-papo nos corredores do Estado de Minas (eu no Diário da Tarde e ele na editoria Internacional do EM). Amigo das biritas, dos cinzeiros do Bar do Chico ou Lanchonete Nacional, áureos tempos dos “rapazes alegres da rua Goiás”, como o Minhoca, então diretor e dono do Jornal de Minas, gostava de rotular os repórteres da concorrência. Tempos bons, do jornalismo romântico, da ideologia, do compromisso não só com a verdade, mas com a sociedade, com os desfavorecidos, que hoje ganharam um nome mais chique – só isso -, os “excluídos”.
Hoje sou um excluído, por decisão própria. Não bebo, não fumo e nem sou mais “rapaz alegre da rua Goiás”. Embora não tenha aberto mão da alegria, a idade chegou e a rua Goiás já não é mais a sede do Estado de Minas, hoje na av. Getúlio Vargas. Sexo? Sem a impetuosidade e empolgação de antes, embora muitos contemporâneos insistam em dizer que continuam a mil. Mas ninguém pode desafiar a idade e a lei da gravidade. Sobretudo quando juntas e somadas, uma “sinergia do mal”...
Tatá morreu semana passada, coincidentemente, acho até que no mesmo dia em que o STF do Gilmar Mendes acabou com o diploma de jornalista.
É, mas quem conhece o Tatá sabe que ele não morreu por causa disso. Para não usar o jargão popular brasileiro, opto pelo americanismo: deveria estar indignado, mas pouco se lixando pela crônica de uma morte anunciada. “E no Brasil tem justiça?”, diria, rindo e dando umas tragadas. “Só bobo poderia acreditar que o STF iria contrariar a Folha”, acrescentaria, coçando o olho por baixo dos grossos óculos.
Decidi escrever sobre o Tatá porque hoje cedo, voltando do EM, a pé, cismei de entrar em um sebo na Afonso Pena. Tem sebo na Afonso Pena, sim. Fica entre a av. Brasil e a rua Pernambuco.
Entrei, sou sebófilo assumido, e fiquei viajando pelas prateleiras. Vi um livro do Bial, mas não me seduziu. Acho o Bial um chato, mala. Está no lugar certo, BBB.
E aí vi outro livro e peguei em milésimos de segundo: “Reportagens Imaginárias. Devaneios sobre o Jornal e o Poder”. Autor? Luiz Otávio Madureira Hortas. Escrito em 2003, prefácio de Sebastião Martins, o Tião Martins. Produção independente, como independente era o próprio Tatá.
Livro novinho, nem parecia de sebo. Tinha sido dedicado a um casal que não deve ter lido a obra. Esses que vão a noites de autógrafos para fazer média com o autor ou aparecer nas colunas sociais.
Mas o Tatá deve estar pouco se lixando para esse descaso pós-mortem. E nem se lixando também para os vermes que estão devorando seu cadáver.
Preço do livro - que comecei a ler e terá cadeira cativa garantida na estante de meu escritório -: 9 reais.
Ainda bem que amizade não se mede pelo vil metal...
Até segunda,
@Cefasalves
É, agora não adianta chorar sobre o leite derramado. Nós, jornalistas, temos agora de enfrentar a realidade: qualquer pessoa pode escrever em jornais ou trabalhar em programas jornalísticos do rádio e TV.
Como bem definiu Jânio de Freitas, na Folha de S. Paulo de domingo, na plena lucidez de seus 73 anos, o STF, ao acabar com a obrigatoriedade do diploma, optou pela demagogia para justificar sua decisão: seria resquício da ditadura, que instituiu em 1969 o diploma para afastar das redações intelectuais da esquerda. Agora, como era comum na ditadura, também criou seu casuísmo: a concorrência desleal na profissão de jornalismo.
O combativo Jânio, na plena lucidez de seus 73 anos, foi na ferida: "Nem que fosse capaz de tanto, a ditadura precisaria adotá-lo (o diploma). Sua regra era mais simples: a censura e, se mais conveniente, a prisão”. Ou seja, o STF foi demagógico sem precisar desse artifício, já que decisão judicial cumpre-se, e acabou. Como era comum na ditadura, o Supremo também criou seu casuísmo: a concorrência desleal na profissão de jornalismo.
A Federação Nacional dos Jornalistas, a Fenaj, está liderando manifestações em todo o País de desagravo à decisão do Judiciário. Mas é apenas demonstração de revolta e sem qualquer chance de reversão, infelizmente. O leite está derramado, repito.
Os mais prejudicados? Os recém-formados, os formandos (estão gastando uma grana nas faculdades particulares para ingressarem na profissão) e as próprias instituições de ensino, que já estão prevendo uma debandada de alunos-clientes: “Pra quê diploma, se qualquer um pode ser jornalista agora?” – devem estar se perguntando os acadêmicos.
Mas acho que vale a pena fazer Jornalismo, se é realmente um desejo irrefreável, uma vocação, um DNA no sangue. Ora, qualquer um pode aprender a tocar trombone e se apresentar no Carnegie Hall em NY, mas a maioria dos grandes trombonistas não é autodidata. Fizeram curso superior, pós ou até doutorado (ou equivalente) em Música.
Outro detalhe que pode servir de incentivo: será que outros profissionais – advogados, médicos, filósofos ou nutricionistas (Gilmar Mendes não comparou jornalistas a chefs de cozinha?) topariam entrar para um jornal para ganhar um salário inicial (quando conseguem a vaga) de 800 reais? Ora, um flanelinha ganha mais que isso, lavando carros.
Então, ficou mesmo a vocação, o espírito investigativo, a vontade de ser repórter e ir galgando postos no jornal, rádio ou TV. E também nas assessorias de imprensa, que hoje dão mais emprego que os veículos.
E aprimoramento é agora palavra de ordem. Não existe mais jornalista “genérico”, o sabe-tudo, que tanto pode atuar na editoria de Economia quanto no Caderno de Cultura de um jornal. Há muito tempo defendo que jornalista deveria, a partir do quinto período, optar por uma área do jornalismo. Como engenheiro civil, mecânico ou de minas. Médicos pediatras, ginecologistas ou do trabalho. Advogado criminalista, trabalhista ou de meio ambiente.
Se o estudante escolher, de início, uma área de atuação e aprofundar-se nela, será um expert em política, economia, agropecuária, esportes, cultura, gastronomia ou turismo. E será fera em sua área, imbatível para os “simples mortais”, que podem saber muito de cultura, política, economia ou futebol, mas não distinguem um editorial de uma retranca, uma chamada de primeira página de uma frase de apoio, um lead de um intertítulo, segunda edição de suíte. E, ainda, não é qualquer um que tem DNAs de estilo, ética, ousadia e presença de espírito para se impor em entrevistas coletivas ou se misturar com a multidão para obter informações precisas, testemunhais.
Em jornalismo, conteúdo é fundamental. Mas para se ser um bom jornalista não basta apenas ter conteúdo, ser bem informado, saber escrever. Escrever bem, dominar a gramática, estar atualizado, é obrigação de todo e qualquer profissional.
Ser jornalista é ter faro de repórter, antecipar-se aos fatos, dominar de olhos fechados os processos de dedução e indução. Escrever porque gosta e não apenas por gostar de escrever, que pode ser apenas uma vontade ocasional, como aquela fissura de tomar uma Coca-Cola porque viu alguém tomando...
Até quinta,
@cefasalves.
Ele tem 23 anos, fala fluentemente o inglês, e agora quer aprimorar o espanhol até a Copa de 2014.
Não estou falando de um MBA em Marketing, de um diretor de planejamento de uma agência de publicidade, e muito menos de algum gerente do Copacabana Palace.
É o taxista Rodrigo Cordeiro, que através de um programa do SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) voltado para a Copa do Mundo de 2014, onde BH será uma das cidades-sedes, já está se preparando para ganhar mais dinheiro e atrair para seu táxi turistas de todos os países que falam ou entendem o inglês e o espanhol. Ele fez esta revelação no jornal “Estado de Minas” de domingo, em uma reportagem sobre as ações do SENAC voltadas para o outro Mundial.
Ora, se o taxista já está pensando cinco anos à frente – como faz um engenheiro projetista da Fiat, GM, Volks, Ford etc -, por que as agências de publicidade não agem da mesma forma, já preparando campanhas visando a posicionar e trabalhar a marca de clientes que, direta ou indiretamente, estejam no bojo da Copa de 2014?
Esse holofote, que já ilumina BH como palco dos jogos do Mundial, pode também ter sua luz direcionada para empresas não apenas do segmento esportivo, mas de outros setores que vão usufruir com a chegada dos turistas. Afinal, eles não vêm ao Brasil, a BH, apenas para assistir às partidas, mas para também conhecer as atrações culturais, artísticas e gastronômicas do país e de Minas.
Que o exemplo do taxista Rodrigo Cordeiro, que já está aperfeiçoando seu espanhol, seja entendido e assimilado pelas agências, sobretudo os diretores de planejamento, para se anteciparem à concorrência de seus clientes. Sinalizando desde já para os turistas de 2014 – e que virão aqui nos próximos anos – os diferenciais de Minas, suas potencialidades, seu barroco, nosso pão de queijo, tutu à mineira, estâncias hidrominerais, nosso jeito mineiro de ser, enfim.
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer, já diziam nossos garotos dos anos 70.
Até quinta.
@cefasalves