
Uma idéia realmente vanguardista: inversão de papéis e de épocas no áudio publicitário. Criação de peças publicitárias de produtos atuais – como celular, pen drives, TV de plasma ou carros com handsfree bluetooth - para um público das décadas de
E o contrário: desenvolver campanhas de produtos das primeiras décadas do século passado – como creme dental Eucalol, comprimidos Cafiaspirina, cobertores Parahyba, vinho reconstituinte Silva Araújo, e cigarros Veado – para os consumidores de agora.
É a Kundum, especializada em produções de áudio, que lançou o Desafio Kundum.
A iniciativa propõe que os redatores e diretores de criação convidados pela produtora criem propagandas vendendo produtos de ontem para o público de hoje. Já os estudantes de publicidade confeccionam peças direcionadas ao público das décadas de
Helder Lima, um dos donos da Kundum, explica que as agências das marcas escolhidas para a elaboração das peças pelos estudantes definirão os melhores trabalhos, que serão gravados pela produtora. Os redatores vão acompanhar todo o processo de produção. As empresas atuais que vão ganhar spots e jingles com textos e roupagem das décadas de
Eis os produtos das décadas de
- Sabonetes Lifebuoy, VT criado por G.Martins, veiculado nos anos 40 e 50 .Ganha jingles e spots atuais por Maurilo Andréas da Domínio Público.
- Creme Dental Eucalol - criada por G.Martins – anos 40-50 – tem jingles e spots atuais por Araceli Mesquita da 2004 Comunicação.
- Creme para cabelos Glostora - criada por G.Martins – anos 40-50 – jingles e spots atuais por Gustavo Passos da New 360º.
- Creme Rugol - criada por Gilberto Martins – anos 40-50 – jingles e spots atuais por Márcia Lima da Solution.
- Lonaflex - criada por Chico Oliveira da Pauta – 1962 – jingles e spots atuais por Luiz Oliveira da Sigla Comunicação.
- Calça Rancheiro – criação não identificada – 1954 – jingles e spots atuais por Robson Santos da New 360º.
- Pílulas do Dr. Ross - criada por W. Galvão – 1945 – tem jingles e spots atuais por Aniel de Jesus da Lápis Raro.
- Ceras Dominó - criada por Passarinho da Pauta – 1961 – jingles e spots atuais por Augusto Coelho da MPM Propaganda.
- Alka Seltzer - criada por Sivam – 1952 – jingles e spots atuais por Flávia Rennó, da Tom Comunicação.
- Cobertores Parahyba - criada por Erlon Cheves da Magisom – 1959 – jingles e spots atuais por André Maia da Pro Brasil Propaganda.
- Pílulas de Lussen – criação não identificada – anos 40-50 – jingles e spots atuais por Edmundo Bravo, da Asa Comunicação.
- Alivene – criação não identificada – anos 40-50 – jingles e spots atuais por Ricardo Mellilo, da Ilha Comunicação.
- Cafiaspirina – criação não identificada – anos 40-50 – jingles e spots atuais por Wagner Lanna, da On Idéias Interativas.
- Cigarros Veado - criação não identificada – anos 40-50 – ganhará jingles e spots atuais por Jorge Netto, da Orgânica Comunicação.
- Creme de Barbear Willians - criação não identificada – anos 50-60 – jingles e spots atuais por Paulo Alvim e Lucas Queiroz da Tom Comunicação.
- Comprimidos Entero Viofórmio - criação não identificada – 1961 – jingles e spots atuais por Bárbara Rossi da Agência Totum.
- Sheltox Inseticida - criação não identificada – anos 50-60 – jingles e spots atuais por Dan Zecchinelli, da Filadélfia Comunicação.
- Vinho Reconstituinte Silva Araújo - criação não identificada – anos 40-50 – jingles e spots atuais por Luciana Moretzsohn.
E Apringosol - criação não identificada – anos 40-50 – ganhará jingles e spots atuais por Flávio Chubes, da Lápis Raro.
Os comerciais gravados até agora já podem ser vistos no site www.kundum.com.br. Confiram.
(Na foto abaixo, o diretor de criação Jorge Netto, da agência Orgânica, que está recriando o comercial dos Cigarros Veado, ladeado por Simone Faquineli e Helder Lima, da Kundum)

"Às vezes quebramos a confiança de vocês ao deixar nossa qualidade cair abaixo dos padrões do setor, e nossos designs se tornaram sem brilho".
Esse pedido de desculpas não partiu de uma fábrica de queijos do Serro, nem de um alambique da região de Salinas. E muito menos de um dos lojistas do Shopping Oi.
O mea-culpa é da General Motors, feito através de um comunicado dirigido à população. A GM, uma das maiores empresas automobilísticas do mundo, admite no anúncio ter "decepcionado" e às vezes até "traído" os consumidores americanos. Motivo: o lobby que montou para garantir recursos do governo, indispensável à sua sobrevivência, depois de mortalmente ferida com a crise que se abateu sobre aquele país.
A agência de notícias Reuters explica que a carta aberta, sem assinatura e publicada no conceituado "Automotive News", representa uma nova atitude da empresa em relação ao público. Em novembro, ao justificar o pedido de ajuda ao governo, disse que a crise de crédito prejudicou sua atividade de uma maneira imprevisível para seus executivos.
O texto revela ainda que, embora a GM continue líder de vendas nos EUA, a indústria reconhece ter desapontado os consumidores.
O anúncio vai mais além: se a GM falir, a recessão dos Estados Unidos pode se aprofundar e há riscos de "milhões de empregos" serem perdidos, acrescentando que fará a reestruturação da indústria anunciando a intenção de começar a pagar a dívida com os contribuintes em 2011. Ou seja, não foi o governo, mas o cidadão americano, que emprestou dinheiro para a fábrica não quebrar.
Uma pergunta que não quer se calar: o governo brasileiro, desde o advento da República, empresa dinheiro para empresas, a juros até mesmo abaixo da inflação. Para políticos, então... E cito a falência da Minascaixa, a tradicional Caixa Econômica de Minas Gerais, como exemplo de corrupção. Dinheiro do povo – a Minascaixa era um banco estatal – indo parar no bolso de políticos, a título de “empréstimo”.
Repito o mea-culpa da GM: "Às vezes quebramos a confiança de vocês ao deixar nossa qualidade cair abaixo dos padrões do setor, e nossos designs se tornaram sem brilho".
Alguma empresa brasileira teria coragem de tomar essa atitude?
E termino o blog com uma imagem enviada por uma amiga, Regina Meirelles, um outdoor artesanal que dá um chega-pra-lá no fantasma da crise, abominando os profetas da desgraça. Valeu, Arnaldo José da Silva. E não são só as TV’s. Alguns jornais também!
E até quinta...

O governo federal lança nos próximos dias – deve começar dia 10 - uma megacampanha publicitária com um objetivo de alta importância: manter o mercado interno acelerado. A economia interna é, realmente, o principal ponto de sustentação do crescimento econômico diante do cenário internacional de “tsunami financeiro”.
Anúncios nos principais jornais do País, comerciais em rede nacional, spots e anúncios na internet farão parte da campanha, que desenvolverá o conceito “O mundo aprendeu a respeitar o Brasil, e o Brasil confia nos brasileiros”.
Através das peças, o governo quer fazer a população acreditar na estabilidade de nossa economia diante da crise internacional, e não parar de consumir. Principalmente agora, às vésperas do Natal, quando as lojas estão abarrotadas de mercadorias.
De maneira didática, anúncios e filmes na TV demonstrarão como a economia é dinâmica, e se houver queda no consumo, haverá reflexos imediatos na indústria, com demissões, que por sua vez gerarão dispensas também no comércio, serviços etc, no chamado efeito-dominó.
O ministro da Secom, Franklin Martins frisa, no entanto, que o objetivo maior não é estimular um consumo desenfreado, mas transmitir mensagem de confiança aos brasileiros. Mostrar que, com o mercado interno aquecido, os efeitos da turbulência serão menores aqui que em outros países emergentes.
Detalhe: nem o presidente Lula nem seus ministros participarão da campanha, para deixar a mensagem o mais informal possível, e apartidária.
Vamos torcer para que as peças publicitárias tenham o retorno esperado, e a população vá às compras, sem se contaminar pelo pessimismo dos apóstolos da desgraça.
Até quinta...
Tem hora para falarmos, e hora para ouvir os outros. “Somos donos dos ouvidos e escravos da língua”, já alerta um antigo ditado. E há também momentos de escrever, e momentos de ler o que os outros escrevem.
E crio – podem me chamar de preguiçoso – um novo momento: reproduzir o que os outros escrevem.
Com vocês, o editorial do jornalista Armando Ferrrentini, diretor da revista Propaganda & Marketing, do último dia 24. Assunto: É hora realmente de o empresário reduzir investimentos e deixar de anunciar?
Com a palavra Ferrentini:
“A roda da fortuna da atividade publicitária gira mais devagar diante da crise financeira que atingiu todos os mercados e pouco tem a ver, lamentavelmente, com uma simples marolinha.
O pior dessa gigantesca onda do mal é o medo que causa. Se a crise ficasse limitada às suas origens, seria menos danosa e mais previsível.
Mas como tantas outras que a antecederam no último século, costuma levar grande preocupação aos integrantes da economia mundial, gerando receio e paralisação.
Aí começa verdadeiramente a crise.
No mercado publicitário brasileiro, já se fala em primeiro semestre difícil para 2009, com os anunciantes postergando suas decisões de verbas e iniciativas, sempre para a próxima semana.
A postura lembra um pouco o aviso de “fiado só amanhã” de bares e restaurantes das grandes metrópoles brasileiras, cuja permanência torna insolúvel a promessa.
O que deve ser feito para evitar o mal maior é agir rotineiramente sempre que possível, evitando a síndrome do pânico.
Ao invés do seu negócio ser mais um a cortar funcionários e diminuir a compra de matéria-prima, indague-se se de fato você precisa reduzir os seus investimentos.
Pode ser que você esteja apenas entrando na onda e contribuindo inconscientemente para o agravamento da situação.
Evitar o pior pode significar, nestes tempos de incertezas, antecipar o pior.
Pense nisso antes de dar razão aos profetas do caos”.
***
Passo a palavra a outro expert, Franciscoi Gracioso, conselheiro da Escola Superior de Propaganda e Marketing. Em artigo na mesma edição da Propaganda & Marketing ele recorre a Otávio de Barros, economista chefe do Bradesco. O executivo apresenta algumas conclusões de seus estudos que acalmam muitos profetas do apocalipse, que estão prevendo dias negros para o Brasil em 2009.
Parte do texto de Gracioso:
“Contrariando os que já falam em recessão econômica, Barros diz que o Brasil, como outros grandes emergentes, continuará a crescer em 2009, embora a uma taxa menor – cerca de 3% contra os 5% deste ano.
O consumo das famílias, que é o dado principal para se prever as vendas, crescerá a uma taxa de 4,6% contra os 6% deste ano. Significa dizer que haverá mais dinheiro disponível para a aquisição de bens e serviços de todos os tipos, principalmente aqueles que tiveram maior valor emocional, no cenário de temor estimulado pela mídia.
A verdade é que este País mudou radicalmente nos últimos anos, mas muitos anunciantes, que já estão cortando as verbas para 2009, ainda não se deram conta disso. Somente nos últimos seis anos foram abertas no Brasil cerca de 43 milhões de novas contas bancárias, integrando no mercado de consumo as famílias que pela primeira vez passaram a ter uma renda regular, graças principalmente à formalização e crescimento do mercado de trabalho. Contra os mais de dois milhões de novos empregos criados este ano, haverá cerca de um milhão em 2009. É menos, mas não deixa de ser estimulante, quando se sabe que a europa está perdendo 10.000 empregos por dia.
Não tenho menor dúvida de que o mercado de consumo continuará crescendo em 2009, e os anunciantes que se encolherem estarão simplesmente abrindo espaço para seus concorrentes”.
O escriba deste blog concorda em gênero, número e grau.
E até segunda...
Volta e meia este blog está falando de marca ou imagem de clientes, pessoas jurídicas ou físicas. E alguns episódios recentes nos fazem retornar ao assunto, agora sob a ótica de um profissional de marketing, ou agência com expertise em famosos – cantores, atores, jogadores etc.
O mote de hoje está no título: quando os clientes não ajudam o profissional de marketing a trabalhar e aprimorar cada vez mais sua imagem junto ao público. Ou quando fazem justamente o contrário: se expõem, caem ou provocam enrascadas, virando destaques nas colun