November 10, 2013 15:51

Vale a bandeira do coração




Jogadores que na década de 1970 atuaram com Marcelo Oliveira no Atlético deixam a paixão clubística de lado para torcer pelo título de campeão brasileiro do amigo celeste







Arquivo/EM




Contestado por boa parte da torcida quando foi contratado, por causa de suas raízes atleticanas, o técnico Marcelo Oliveira está perto de atingir o ápice de sua carreira à frente do Cruzeiro. Vice-campeão da Copa do Brasil em 2011 e 2013, o treinador pode confirmar o título do Campeonato Brasileiro diante do Grêmio, nesta tarde, no Mineirão, com cinco rodadas de antecedência. Nesta reta final, clubismo à parte, até mesmo velhos amigos dos tempos de Atlético assumem que deixarão a rivalidade de lado para cruzar os dedos por ele. Há só elogios ao técnico entre aqueles que ao lado de Pacote, apelido que Marcelo herdou do pai, formaram uma geração de craques no maior rival celeste em1976.


O ex-goleiro do alvinegro e agora deputado estadual João Leite comemora a conquista do ex-companheiro de time. “Sempre que me perguntavam sobre o Marcelo eu dizia que se ele conseguisse ser como treinador o que foi como jogador, passar para seus comandadosamesma
inteligência do atleta, teria muito sucesso. E foi o que ocorreu. Além de serumapessoa amável, teve uma formação com treinadores muito competentes, como o Barbatana e o Telê. Não poderia ser diferente. Estou muito feliz por ele.”

 
Amigo há mais de 30 anos e padrinho de casamento de Marcelo, além de colega de camisa alvinegra, o ex-lateral-direito Alves afirma que poucos são merecedores desse triunfo como o comandante da Raposa. E destaca o apoio do presidente Gilvan de Pinho Tavares ao treinador. “Marcelo é supermerecedor do título, é um cara batalhador, honesto, dedicado e muito profissional em tudo o que faz. É um amigo leal. E teve sucesso porque teve também o respaldo da diretoria. No futebol, senão tiver respaldo, não tem jeito.O presidente apostou nele e ele conseguiu se livrar do rótulo de atleticano.”

 
O ex-armador Paulo Isidoro reforça o discurso de Alves e emenda: “Sou o tipo de pessoa que acredita que a recompensa para as pessoas que merecem vem através de Deus. Marcelo quebrou uma barreira da desconfiança por ter sido jogador do Atlético. Diziam que ele não faria um trabalho benfeito. Estou muito feliz pelo projeto vencedor. Quando se é um bom profissional, independentemente do lugar, vai fazer um bom trabalho. Que sirva de exemplo para qualquer torcedor. Apesar de gostar do Atlético, jamais vou deixar de torcer para o futebol mineiro e, principalmente, para o meu amigo Marcelo.”



DEDICAÇÃO O ex-atacante Reinaldo, maior ídolo da história atleticana, que formou dupla infernal com o colega, é outro que despreza a rivalidade para torcer por Marcelo Oliveira. “Esse time do Cruzeiro tem a cara do Pacote, reflete toda a inteligência que ele tinha para jogar bola. Marcelo é merecedor do título, antes de tudo, porque foi um espetacular jogador e ama o futebol. Depois porque é um trabalhador, está no mundo da bola há mais de 40 anos e sua história não poderia ser outra. Parabéns para o Pacote!”


*Matéria publicada na edição de domingo, 10/11/2013, do Jornal Estado de Minas

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November 04, 2013 15:04

Bandeira na janela









A confirmação do título do Brasileiro, o terceiro do Cruzeiro em toda a sua história, é apenas uma questão de tempo. Ou melhor, de dias. Basta vencer o Grêmio no domingo. O Atlético-PR, agora vice, tem chances matemáticas. Mas acredito ser um missão improvável. Até mesmo impossível. Mesmo se o time celeste tropeçar, o Furacão tem de vencer todos os jogos restantes para tirar a taça da Toca da Raposa.



O clima da China Azul já é de festa. E com razão. A campanha da Raposa é de encher os olhos até do menos otimista dos cruzeirenses. A equipe de Marcelo Oliveira soma 68 pontos, resultado de 21 vitórias e cinco empates em 32 partidas. Se vencer na próxima rodada e o Atlético-PR perder, não poderá mais ser alcançado. Por isto, sobram provas de amor ao time. A mais recente espalhou-se pelas redes sociais com a hastag #bandeiranajanela. A ideia é que todo cruzeirense pendure a bandeira do clube na janela de casa como prova de confiança na conquista do time.


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Tags: cruzeiro    campeão  brasileiro 

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October 30, 2013 17:48

Tragédia ou comédia?






Diego Costa/Conmbeol.com



Não concordo com a profusão de jogadores nascidos em um país defendendo outro. Afinal, a ideia (pelo menos a ideia) é de seleções que representem uma pátria. Mas se no âmbito esportivo é permitida a troca de nacionalidade, não consigo entender as críticas ao atacante Diego Costa, o clima criado pelo técnico Luiz Felipe Scolari ao saber da escolha do jogador pela Espanha e, especialmente, a conduta da CBF diante do caso.


Ontem, a entidade ameaçou instaurar procedimento no Ministério da Justiça contra o artilheiro do Campeonato Espanhol. O objetivo, segundo o diretor jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes, seria solicitar "a perda da cidadania brasileira" do jogador. Seria cômico se não fosse trágico. Tentei imaginar como seria o cartório, a justiça, ou sei lá qual órgão, suspender a minha certidão de nascimento. Nem sei se isto é possível, afinal de contas eu NASCI no Brasil. Ninguém me concedeu cidadania brasileira. Peço, inclusive, aos amigos leitores/seguidores juristas que me expliquem se há esta possibilidade.


Achei petulância da CBF e muita covardia 
(além de incoerência) de Felipão, que abriu mão da Seleção Brasileira para comandar a Portuguesa e convocou, pelo menos, três brasileiros naturalizados portugueses: Deco, Liédson e Pepe. O treinador disse que Diego virou as costas para a nação. O que tanto Scolari quanto a CBF estão tentando fazer é tirar o caso da esfera esportiva.

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July 26, 2013 10:31

“Quando se sonha tão grande, a realidade aprende”



Todo e qualquer torcedor vai dizer que sua torcida é a melhor e a mais fanática. Este é um comportamento natural, inerente ao ser humano, pois ele é mais passional que racional. Portanto, compreensível. Mas se tivesse de escolher uma, eu escolheria a do Atlético. Antes que os mais passionais e incautos se revoltem, explico: não se trata de preferência clubística, mas de uma constatação depois de ouvir de pessoas inteligentes (acreditem!) tantas – e das mais absurdas - teorias da conspiração sobre a inédita conquista da Copa Libertadores pelos atleticanos na quarta-feira.

 


Desde que o paraguaio Gimenez acertou a trave direita do gol de Victor, os torcedores alvinegros não param de comemorar. Foram mais de 24 horas de festa, na sede do clube em Lourdes e na Praça Sete, mas ainda se escutam buzinas pelas ruas e foguetes pipocando pelos quatro cantos da cidade. Eles não dormiram. Faltaram ao trabalho. Ainda curtem o êxtase da conquista, afinal foram necessários mais de 42 anos de espera por um título expressivo e de reconhecimento internacional. E nesta árdua espera se inclui um rebaixamento e uma série de times medíocres.

 


Os atleticanos estiveram ao lado do Atlético em todos os momentos. Nos bons e nos ruins, que lhe custaram noites de sofrimento e angústia. Mesmo envolvida por total descrédito, a massa nunca deixou de acreditar. E por tudo isto eu me pergunto: como é possível sustentar um amor tão fiel, tão incondicional e ainda ganhar cada vez mais adoradores? Torcer para um time que ganha tudo, que conquista um título importante por ano é fácil demais. Difícil é manter a fidelidade sem perder a esperança.

 


“Quando se sonha tão grande, a realidade aprende”. A frase é do amigo e cineasta Mauro Reis e talvez defina o comportamento do atleticano. Ela será título do curta-metragem sobre a defesa memorável do goleiro Victor em jogo contra o Tijuana pelas quartas de final do torneio continental. (Leia mais sobre o curta aqui ). 



PS: Li, na quinta-feira, um texto despretensioso produzido pela amiga Márcia Cruz, minha ex-companheira de blog (vocês devem se lembrar dela), em seu perfil no facebook. Para quem, como eu, busca resposta para entender o comportamento da massa, as palavras da Marcinha podem ajudar. Por isso, peço licença a ela para compartilhá-lo com vocês leitores.


Por quê eu sou Galo?


Há um tempo ensaio escrever esse texto. Minha mãe, que é a pessoa que mais amo neste mundo, não é Galo. Logo, não foi algo que herdei, como, de maneira linda, muito de meus amigos o fizeram. Mas arrisco a dizer que nasci Galo, porque nunca foi uma escolha, é uma predestinação. Se um anjo torto disse a Drummond: "vai ser gauche na vida". Um outro desses peraltas me disse: "vai ser Galo, Márcia".



Aprendi muito cedo que para ser Galo era preciso lutar e essa certeza forjou meu espírito. Lapidou meu entendimento sobre futebol. Por uma escolha emocional, era contrária àqueles que viam, nas quatro linhas, o resultado de um cálculo certo. A paixão atleticana se tornava algo intangível, que não tinha correspondência matemática.



Quantificar o sentimento de um atleticano só com a métrica de Roberto Drummond: os versos. Mas para quem a poesia não basta. Recorro à Teoria da Relatividade para explicar essa paixão. O tempo se funde: acreditamos tanto, que rompemos a barreira da realidade. Fez-se o sonho! Nosso coração viajou à velocidade da luz e, de repente, estávamos em um universo alvinegro.



"Caiu no Horto, tá morto", "Eu acredito", "Yes, We CAM". Apostamos na mística. Como não acreditar se tudo mostrava que essa taça seria nossa? Ano 2013. Se Zagalo fosse atleticano, saberia porquê 13 não é número de azar. 13 é Galo! E até o santo papa, que foi fotografado com a camisa do Galo, alimentou nossa esperança: Papa Francisco são 13 letras.



O goleiro é o único que pode tocar na bola com as mãos, mas foi com o pé esquerdo que Victor virou santo. Vi alguém escrevendo que o destino não seria tão leviano a ponto de não conceder ao campeão tamanha sorte.



Mas o meu amor não é completamente metafísico. Ele se materializa no amor de meus amigos atleticanos. Lembro me como se fosse agora. Ronaldo Balbino prometeu fazer 13 horas de churrasco em praça pública para o Galo não ser rebaixado. E fez! Essa é uma das coisas mais legais que retrato no meu livro "Morro do Papagaio". O casamento de minha amiga Isabella Tavares, em Brasília, no meio da festa entre homens de terno e mulheres de vestido longo, o hino do Galo entoado: Clube Atlético Mineiro. Galo forte, vingador! O cartunista CAu Gomez, que me acolheu quando fui fazer parte do mestrado em Salvador, foi com quem compartilhei a alegria de assistir às partidas do Galo na segunda divisão!



Mas não para por aí. Jogo após jogo, a gente se reconhecia nos olhares de solidariedade: se era uma derrota, seguíamos firmes frente aos escárnios. Batíamos no peito e dizíamos: Aqui é Galo! E foi nas derrotas que meu sentimento ganhou corpo. Foi neste momento que entendi o que era ser Galo! 'Torcer contra o vento se houvesse uma bandeira hasteada', ensinou Roberto Drummond! Mas as derrota não nos calava. Nunca um resultado ruim nos calou.



Aprendemos a venerar Reinaldo, Dadá Maravilha, Marques, Éder! O meu favorito era Toninho Cerezo, que muitos diziam ser a cara do meu pai. Então, chegou Ronaldinho Gaúcho, um cara que há muito eu gostava pelo jeito alegre. Nunca entendi a empatia que tinha pelo Gaúcho, que chegou aqui sob críticas.



Confesso que tive dúvida da contratação, mas o jeito de Gaúcho se sobrepôs a qualquer desconfiança. A cada partida, ele me fazia entender o que era o futebol. Os seus lançamentos geniais me davam ideia de tempo e espaço e, como em um doutorado futebolístico, mostrava o que poderia ser feito dentro das quatro linhas. Passei a assistir aos jogos dos adversários para saber se poderiam ou não vencer o Galo! Consultava com minhas amigas Tetê Monteiro e Kelen Almeida sobre os esquemas táticos e para saber quais eram as nossas reais chances. Mário Henrique Caixa virou vício.



Confesso que meu coração se fortalecia frente ao escárnio dos que insistiam em dizer que não éramos nada. Uma certeza crescia: prefiro não ter título nenhum a torcer de forma pragmática e arrogante. Não, o meu Galão da Massa é diferente. Não precisava vencer todas para amá-lo. E a torcida mostrava isso, gritando: "Aqui é Galo!" Contra os prognósticos de muitos comentaristas de futebol, que desmereceram o Cuca e o elenco, o Galo avançava. Sob a generosidade daquele que fora duas vezes o melhor do mundo, outras estrelas começaram a brilhar. Jô, Bernard, Réver, Rosinei, Tardelli, Pierre, Leonardo Silva, São Victor! Mesmo com o Galo dando show, o escárnio permanecia, mas a torcida não arredava um centímetro a confiança.



Dizem que no futebol é assim: a rivalidade se sobrepõe a tudo. Então, a cada possibilidade de derrota do Galo, ouvimos e aguentamos os descrentes. Temos tantos títulos, tantas Libertadores, tanto, tanto, tanto... Mas nada disso era maior que o nosso Galão da Massa. Quando Ronaldinho entrou em campo com Dona Miguelina foi dos momentos mais bonitos, que não irá sair da minha memória. Pelo histórico de Ronaldinho, ele deveria ser aclamado, a massa não se fez de rogada e o incensou ao posto de ídolo. O choro de Ronaldinho, ontem, ao falar desse campeonato me representa! Fico feliz pelo fato de o Galo ter vencido com esse elenco e mais ainda nas circunstâncias que ganhamos! Um beijo nessa equipe e um beijo nessa torcida.



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June 16, 2013 12:14

Hora da reinvenção de Neymar




Neymar estreou, oficialmente, com a camisa 10 da Seleção Brasileira. Marcou um gol relâmpago no triunfo por 3 a 0 sobre o fraco Japão na primeira partida da Copa das Confederações e pôs fim ao jejum de nove jogos sem balançar as redes, contabilizando aí as partidas que fez pelo Santos. Foi ovacionado no Mané Garrincha pelos mesmos torcedores que já o vaiaram em jogos anteriores. Se foi uma resposta aos que o questionaram sobre a responsabilidade de vestir o manto imortalizado por Pelé, só o tempo dirá. Ainda é cedo para afirmar. O que, para mim, não é justo, é compará-lo aos craques do passado. 


O futebol mudou dentro das quatro linhas, mas se manteve o mesmo fora de campo. Todos os grandes craques da história foram contestados nas arquibancadas e pelos críticos. Difícil para o ser humano manter uma coerência diante da paixão. Entendo, mas também pondero. Quantas vezes Luiz Felipe Scolari foi questionado ao ter convocado Ronaldo para a Copa do Mundo do Japão e Coreia do Sul? Isto só para citar um exemplo recente. 


O Fenômeno, já com alguns quilinhos acima, estava desacreditado. Ronaldo, que já tinha se reinventado por causa das lesões no joelho, teve de se redescobrir novamente. No Japão, levou o Brasil ao pentacampeonato e se tornou o maior artilheiro de todas as copas.


Vejam Romário. Ele também teve de se reinventar por causa do peso da idade. Trocou as arrancadas em diagonal pela banheira. Tornou-se ainda mais mortal para os adversários e se transformou no "gênio da área".


Pois bem. Neymar chegou ao patamar atual porque jogava sem pensar, sem responsabilidade. Dava ao torcedor aquilo que ele buscava no futebol: a imprevisibilidade. Mas agora ele pensa mais do que joga. Simplesmente porque é o centro das atenções. Todos os holofotes estão voltados para ele. No Barcelona, Neymar, no auge da forma física e da idade, sem preocupações financeiras e usufruindo de uma das melhores estruturas do mundo, terá a chance de se reinventar e provar para o mundo que é digno de vestir a Camisa 10 na Copa do Mundo do Brasil em 2014.

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May 14, 2013 15:15

Coerência e ousadia Scolariana






Aizar Raldes/AFP

Um vai, outro fica




A não convocação de Ronaldinho Gaúcho foi mais badalada do que a convocação dos convocados propriamente ditos. Não por acaso, afinal o craque tem jogado um bolão no Atlético. Eu o convocaria, mas como não sou técnica da Seleção Brasileira, tento entender os critérios de Luiz Felipe Scolari. O treinador disse que teve seus motivos, mas não os revelou. Então, me instigou a imaginar quais foram. Se foi ou não por causa dos excessos do atleticano, como dizem, Felipão adotou postura conservadora e autoritária, evitando perguntas a respeito.


O que se sabe, o que todos vêem e pode ser comprovado é que, com ou sem os excessos, R10 é um dos melhores jogadores no Brasil em atividade. Quiçá o melhor. Mas não rende o esperado na Seleção. No Galo, ele tem um monte de jogador pra correr para ele. O que não acontece na equipe canarinho.


Não estou dizendo que futebol é correria. Não é isso. Estou tentando dizer que no Galo, R10, que já não é mais um garoto, tem mais liberdade para “pensar” o futebol, chama o jogo para si e arma as jogadas, explorando as características de seus companheiros. E aí a gente considera também o entrosamento do setor. Além disso, há vaidade demais na Seleção e ela não permitiria o jogo coletivo.


Entendi a convocação de Felipão. Acho que ele foi coerente, levando em consideração a proposta de renovação, embora tenha me surpreendido com a ausência de Ramires e a insistente presença de Hulk, que durante o período de preparação para a Copa das Confederações, não demonstrou merecimento de vestir a camisa amarela. Ramires não foi convocado por indisciplina segundo justificou o treinador, que priorizou a renovação. Felipão falou isto nas entrelinhas durante a entrevista coletiva quando afirmou que alguns jogadores precisavam ter a experiência de uma grande competição. Acredito que Bernard encaixa na justificativa.


Segundo Felipão, o jogador do Atlético não é surpresa como amplamente comentado. Ele só não teria sido convocado para o amistoso contra o Chile, no Mineirão, porque havia machucado o ombro. Que Bernard vive, desde o ano passado, excelente fase, todos devem concordar. Mas sua única convocação foi feita por Mano Menezes na ocasião da Copa Roca contra a Argentina - e ele foi reserva.


Não estou dizendo também que Bernard não mereça. Pelo contrário. Ele tem feito por merecer há muito tempo. Já disse isso. Tanto que está na mira do Borússia Dortmund. Quero dizer que essa convocação foi pertinente tanto para o jogador, quanto para o seu representante legal e mais ainda para o Atlético.

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April 24, 2013 14:35

Um pequeno gigante




Prometi mais frequência no blog, mas a correria do dia-a-dia não me permitiu. Peço desculpas mais uma vez aos leitores que ainda não desistiram de mim e agradeço pela companhia. A semana tem sido tensa por causa da Seleção Brasileira. Não é ainda A SELEÇÃO, mas merece respeito e muita atenção. Além do mais, o Brasil foi a razão da criação do blog, lá em 2010, a poucos dias da estreia verde-e-amarela na Copa da África. Éramos cinco e as atualiações era mais frequentes. Agora, sou o que lhes resta (rs) e tenho de me desdobrar. Enfim, vamos ao que de fato interessa.



Não é todo dia que o Brasil vem jogar em BH. Do último jogo - empate sem gols com a Argentina pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo - até hoje, já se passaram cinco anos. Além disso, será o primeiro grande evento, padrão Fifa, no Mineirão, antes da Copa das Confederações em junho. Literalmente, fiz plantão no hotel da Seleção, acompanheiro o treino no Mineirão e estarei no jogo nesta noite. Mas antes, passarei novamente na "concentração".



Rodrigo Clemente/EM DA Press




Nessa vigília diária, fiz algumas observações. Nunca escondi de ninguém que sou fã de Neymar. Acho o menino um craque (sem comparações, por favor!). Para mim, ele faz o futebol parecer tão fácil! De longe, deixa a impressão de ser um gigante. Fiz algumas coberturas dos jogos do Santos contra os clubes mineiros, mas nunca estive tão perto do garoto. Neymar, relamente, é um menino. Tem baixa estatura, é franzino, tímido e de pouquíssimas palavras. Mas gentil como nenhum outro. Não sei se, nesse caso, meu lado maternal aflorado - e mãe de dois meninos ainda! - me atentou para esse lado. Talvez. Mas, ao contrário do que os maiores críticos a Neymar dizem, o único topete dele está mesmo na cabeça. Já Alexandre Pato não distribuiu a mesma simpatia. Até entendo. Atuou na Europa e está acostumado com os moldes de lá. Na apresentação, simplesmente ignorou os repórteres ao passar pela zona mista. Não achei a melhor conduta. Poderia ter feito como fez Felipão. O treinador, ao ser chamado pelos jornalistas, disse que falaria depois. Pato, não. Virou o rosto e se foi. Embora muita gente não concorde, eu não me canso de defender que a mídia é uma via de mão dupla. Como diria a minha mãe, você está e não é.

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February 03, 2013 23:27

Faltou pão no circo. E o povo se rebela.




Vergonha, fiasco, deprimente. Vários são os adjetivos para classificar a inauguração do Mineirão. Um evento tão aguardado por milhares de torcedores não passou de uma tragédia. E tragédia anunciada antes mesmo de a bola rolar no gramado do novo Gigante da Pampulha. Cruzeirenses e atleticanos já sofriam três dias antes durante uma surreal venda de ingressos. Programada para iniciar às 8h de quinta-feira, começou depois das 16h na maioria dos postos e aos trancos e barrancos. O sistema de emissão de bilhetes funcionava de forma precária e demandava cerca de 10 min para efetivar uma compra. Muita gente desistiu. preferiu recorrer aos cambistas que, curiosamente, tinham o produto para ofertar pelo dobro do preço, aliás. Sem contar que 600 sócios torcedores do Cruzeiro ficaram sem as entradas porque a Minas Arena, administradora do estádio, havia comercializado os bilhetes solicitados pelo clube.



Tudo bem. Tratava-se de um clássico entre os maiores rivais de Minas e justamente na reabertura do principal palco do futebol mineiro, que ficou quase três anos fechado para se adequar aos padrões europeus, aqueles exigidos pela Fifa para receber a Copa do Mundo. O grande dia enfim, chegara. Aqueles mesmos torcedores que dormiram na fila para comprar ingresso foram cedo para o estádio, atendendo ao pedido da organização do evento e da administração do local. Mas a falta de bom senso deles resultou num mega congestionamento nas duas principais vias de acesso. É que o estacionamento só seria aberto quando os portões também fossem, às 14h deste domingo. Eu e o Rodrigo Clemente, fotógrafo do Estado de Minas, descemos do carro na entrada do Bairro Ouro Preto e seguimos à pé. Misturamo-nos aos torcedores, que preferiram estacionar os carros nas imediações a pagar R$ 30 no estacionamento do estádio. 



Tudo bem. Fazia parte do espetáculo. Dia de clássico sempre foi assim, sempre teve congestionamento. Apeguei-me a esse pensamento para não me estressar antes de efetivamente iniciar o meu trabalho. Chegamos quase 40 minutos depois. Fiquei encantada com o novo, com a facilidade ao acesso, com o conforto... Mas o pior estava por vir. Lá dentro não tinha água nem luz nos banheiros, faltou papel higiênico e apenas dois bares funcionavam precariamente. Também não havia água nos bebedouros, nem para vender aos torcedores. Esses foram apenas os problemas que atingiram diretamente os antigos e novos frequentadores do estádio, bastante revoltados. Outros tantos ocorreram.



Por intermédio da assessoria, a Minas Arena afirmou que iria pontuá-los e que responderia à imprensa por demanda. Segundo ela, não havia um porta-voz na casa. Uma coletiva, se necessário, seria marcada para responder às questões. Pois bem. Não tinha mais o que fazer. Só senti uma enorme falta do meu velho Mineirão, pois nele a gente era bem recebido. Não faltava água para ninguém. Não havia venda antecipada de ingressos e ninguém dos mais de 80 mil torcedores ficava sem ver o time do coração. Como diria a amiga Thaís Pacheco, faltou pão no circo. Quem sabe agora o povo se revolta, claro que de forma pacífica, para exigir seus direitos.

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January 23, 2013 18:31

Desabafo



Sou do tempo em que repórter gostava de furo, cultivava suas fontes, não se prendia, exclusivamente, às informações oficiais, investigava e, sobretudo, respeitava o colega de trabalho. Tinha a sabedoria e a humildade de também reconhecer um furo que levou. A cobertura do retorno do atacante Diego Tardelli ao Atlético me faz sentir saudades desse tempo e lamentar pelo rumo que o jornalismo tomou, ou pelo que fizeram dele, melhor dizendo.



O Portal Superesportes divulgou, em primeira mão, na semana passada, o retorno do jogador, ídolo da massa alvinegra. A fonte foi um dos representantes do jogador, Beto Fedato, que viajaria no dia seguinte para Doha, juntamente, com o sócio Giuliano Bertolucci e o advogado Breno Tannure, do Al-Gharafa,  para tratar da liberação do artilheiro. A mãe de Tardelli anunciou a volta do filho ao Galo para quem quisesse ler em seu perfil no Twitter. E o próprio confirmou sua despedida do clube árabe, na última terça-feira, ao divulgar uma foto ao lado de Nenê no Instagram. Mas como o Clube Atlético Mineiro não confirmou, não divulgou, a notícia  do Portal Superesportes não passou de uma invenção. Mesmo com todas os indicativos contrários. Pelo menos foi o que percebi nos últimos dias.


Tão logo a matéria foi publicada no site, companheiros (se é que podemos chamá-los assim) iniciaram um bombardeio contra o veículo de forma desrespeitosa e sem responsabilidade. Ouvi críticas absurdas ao trabalho e à credibilidade dos repórteres que produziram a matéria. Em vez de buscar novidades sobre o assunto, limitaram-se às informações do clube e tentaram desmentir, a todo custo, o que fora veiculado. Todo o episódio me fez repensar o jornalismo esportivo. O que fizeram dele?




Torcedores, leitores, telespectadores, ouvintes e o próprio jornalista tem de entender que repórter não é artista. Ele nada mais é do que um interlocutor, um investigador e um formador de opinião. E assim sendo, precisa ser responsável pelo que produz e saber das consequências do seu trabalho. O problema é que muitos colegas, cegos pelo glamour que a profissão proporciona, se confunde dentro do processo. Ele não consegue entender que não é o personagem da notícia. Esquece, ou simplesmente ignora, que sua única função é informar com precisão e responsabilidade os fatos do nosso cotidiano. E que há outras fontes no universo jornalístico além das oficiais, que há muitos lados de um só fato.


PS: Depois de um longo período de inatividade por questões pessoais, retomo o meu trabalho aqui e peço desculpas aos meus leitores e seguidores mais uma vez. E principalmente por retornar com esse post-desabafo.

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September 13, 2012 19:59

Covardia em nome do futebol








O verdadeiro sentido do futebol se perdeu. Não há mais a magia de torcer pelo time do coração com integridade e respeito pelo diferente. Torcer pelo time rival virou crime. O atleticano virou inimigo do cruzeirense, do rubro-negro, do tricolor, do colorado, do vascaíno e "vices-versas". A rivalidade clubística virou uma guerra sem precedentes. E em nome de quê? Fundamentalizada em quê?



Sou mãe, mas antes de tudo cidadã. Fiquei perplexa com a bandeira confeccionada por uma parte da torcida do Flamengo com alusão à doença grave de dona Miguelina, mãe de Ronaldinho Gaúcho. Para atingir o jogador, que deixou o clube carioca de forma nada amistosa, um grupo de torcedores se achou no direito de brincar com o problema de Dona Miguelina. Uma verdadeira covardia e brutalidade. Desculpem-me o desabado, caros leitores, mas seres como esses não podem ser humanos, não devem ter mãe. Ou pelo menos uma mãe de verdade, na acepção da palavra.



Lembro-me bem da união recente de atleticanos e cruzeirenses pelo apoio ao armador Montillo em razão da cirurgia do filho do jogador da Raposa, portador de síndrome de Down. Verdadeiros torcedores e, sobretudo cidadãos, agem assim, com dignidade e respeito ao próximo. Família é um bem que deve ser preservado. E atitudes como a daqueles flamenguistas não podem jamais serem banalizadas e consideradas normais.

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