May 14, 2013 15:15

Coerência e ousadia Scolariana






Aizar Raldes/AFP

Um vai, outro fica




A não convocação de Ronaldinho Gaúcho foi mais badalada do que a convocação dos convocados propriamente ditos. Não por acaso, afinal o craque tem jogado um bolão no Atlético. Eu o convocaria, mas como não sou técnica da Seleção Brasileira, tento entender os critérios de Luiz Felipe Scolari. O treinador disse que teve seus motivos, mas não os revelou. Então, me instigou a imaginar quais foram. Se foi ou não por causa dos excessos do atleticano, como dizem, Felipão adotou postura conservadora e autoritária, evitando perguntas a respeito.


O que se sabe, o que todos vêem e pode ser comprovado é que, com ou sem os excessos, R10 é um dos melhores jogadores no Brasil em atividade. Quiçá o melhor. Mas não rende o esperado na Seleção. No Galo, ele tem um monte de jogador pra correr para ele. O que não acontece na equipe canarinho.


Não estou dizendo que futebol é correria. Não é isso. Estou tentando dizer que no Galo, R10, que já não é mais um garoto, tem mais liberdade para “pensar” o futebol, chama o jogo para si e arma as jogadas, explorando as características de seus companheiros. E aí a gente considera também o entrosamento do setor. Além disso, há vaidade demais na Seleção e ela não permitiria o jogo coletivo.


Entendi a convocação de Felipão. Acho que ele foi coerente, levando em consideração a proposta de renovação, embora tenha me surpreendido com a ausência de Ramires e a insistente presença de Hulk, que durante o período de preparação para a Copa das Confederações, não demonstrou merecimento de vestir a camisa amarela. Ramires não foi convocado por indisciplina segundo justificou o treinador, que priorizou a renovação. Felipão falou isto nas entrelinhas durante a entrevista coletiva quando afirmou que alguns jogadores precisavam ter a experiência de uma grande competição. Acredito que Bernard encaixa na justificativa.


Segundo Felipão, o jogador do Atlético não é surpresa como amplamente comentado. Ele só não teria sido convocado para o amistoso contra o Chile, no Mineirão, porque havia machucado o ombro. Que Bernard vive, desde o ano passado, excelente fase, todos devem concordar. Mas sua única convocação foi feita por Mano Menezes na ocasião da Copa Roca contra a Argentina - e ele foi reserva.


Não estou dizendo também que Bernard não mereça. Pelo contrário. Ele tem feito por merecer há muito tempo. Já disse isso. Tanto que está na mira do Borússia Dortmund. Quero dizer que essa convocação foi pertinente tanto para o jogador, quanto para o seu representante legal e mais ainda para o Atlético.

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April 24, 2013 14:35

Um pequeno gigante




Prometi mais frequência no blog, mas a correria do dia-a-dia não me permitiu. Peço desculpas mais uma vez aos leitores que ainda não desistiram de mim e agradeço pela companhia. A semana tem sido tensa por causa da Seleção Brasileira. Não é ainda A SELEÇÃO, mas merece respeito e muita atenção. Além do mais, o Brasil foi a razão da criação do blog, lá em 2010, a poucos dias da estreia verde-e-amarela na Copa da África. Éramos cinco e as atualiações era mais frequentes. Agora, sou o que lhes resta (rs) e tenho de me desdobrar. Enfim, vamos ao que de fato interessa.



Não é todo dia que o Brasil vem jogar em BH. Do último jogo - empate sem gols com a Argentina pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo - até hoje, já se passaram cinco anos. Além disso, será o primeiro grande evento, padrão Fifa, no Mineirão, antes da Copa das Confederações em junho. Literalmente, fiz plantão no hotel da Seleção, acompanheiro o treino no Mineirão e estarei no jogo nesta noite. Mas antes, passarei novamente na "concentração".



Rodrigo Clemente/EM DA Press




Nessa vigília diária, fiz algumas observações. Nunca escondi de ninguém que sou fã de Neymar. Acho o menino um craque (sem comparações, por favor!). Para mim, ele faz o futebol parecer tão fácil! De longe, deixa a impressão de ser um gigante. Fiz algumas coberturas dos jogos do Santos contra os clubes mineiros, mas nunca estive tão perto do garoto. Neymar, relamente, é um menino. Tem baixa estatura, é franzino, tímido e de pouquíssimas palavras. Mas gentil como nenhum outro. Não sei se, nesse caso, meu lado maternal aflorado - e mãe de dois meninos ainda! - me atentou para esse lado. Talvez. Mas, ao contrário do que os maiores críticos a Neymar dizem, o único topete dele está mesmo na cabeça. Já Alexandre Pato não distribuiu a mesma simpatia. Até entendo. Atuou na Europa e está acostumado com os moldes de lá. Na apresentação, simplesmente ignorou os repórteres ao passar pela zona mista. Não achei a melhor conduta. Poderia ter feito como fez Felipão. O treinador, ao ser chamado pelos jornalistas, disse que falaria depois. Pato, não. Virou o rosto e se foi. Embora muita gente não concorde, eu não me canso de defender que a mídia é uma via de mão dupla. Como diria a minha mãe, você está e não é.

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February 03, 2013 23:27

Faltou pão no circo. E o povo se rebela.




Vergonha, fiasco, deprimente. Vários são os adjetivos para classificar a inauguração do Mineirão. Um evento tão aguardado por milhares de torcedores não passou de uma tragédia. E tragédia anunciada antes mesmo de a bola rolar no gramado do novo Gigante da Pampulha. Cruzeirenses e atleticanos já sofriam três dias antes durante uma surreal venda de ingressos. Programada para iniciar às 8h de quinta-feira, começou depois das 16h na maioria dos postos e aos trancos e barrancos. O sistema de emissão de bilhetes funcionava de forma precária e demandava cerca de 10 min para efetivar uma compra. Muita gente desistiu. preferiu recorrer aos cambistas que, curiosamente, tinham o produto para ofertar pelo dobro do preço, aliás. Sem contar que 600 sócios torcedores do Cruzeiro ficaram sem as entradas porque a Minas Arena, administradora do estádio, havia comercializado os bilhetes solicitados pelo clube.



Tudo bem. Tratava-se de um clássico entre os maiores rivais de Minas e justamente na reabertura do principal palco do futebol mineiro, que ficou quase três anos fechado para se adequar aos padrões europeus, aqueles exigidos pela Fifa para receber a Copa do Mundo. O grande dia enfim, chegara. Aqueles mesmos torcedores que dormiram na fila para comprar ingresso foram cedo para o estádio, atendendo ao pedido da organização do evento e da administração do local. Mas a falta de bom senso deles resultou num mega congestionamento nas duas principais vias de acesso. É que o estacionamento só seria aberto quando os portões também fossem, às 14h deste domingo. Eu e o Rodrigo Clemente, fotógrafo do Estado de Minas, descemos do carro na entrada do Bairro Ouro Preto e seguimos à pé. Misturamo-nos aos torcedores, que preferiram estacionar os carros nas imediações a pagar R$ 30 no estacionamento do estádio. 



Tudo bem. Fazia parte do espetáculo. Dia de clássico sempre foi assim, sempre teve congestionamento. Apeguei-me a esse pensamento para não me estressar antes de efetivamente iniciar o meu trabalho. Chegamos quase 40 minutos depois. Fiquei encantada com o novo, com a facilidade ao acesso, com o conforto... Mas o pior estava por vir. Lá dentro não tinha água nem luz nos banheiros, faltou papel higiênico e apenas dois bares funcionavam precariamente. Também não havia água nos bebedouros, nem para vender aos torcedores. Esses foram apenas os problemas que atingiram diretamente os antigos e novos frequentadores do estádio, bastante revoltados. Outros tantos ocorreram.



Por intermédio da assessoria, a Minas Arena afirmou que iria pontuá-los e que responderia à imprensa por demanda. Segundo ela, não havia um porta-voz na casa. Uma coletiva, se necessário, seria marcada para responder às questões. Pois bem. Não tinha mais o que fazer. Só senti uma enorme falta do meu velho Mineirão, pois nele a gente era bem recebido. Não faltava água para ninguém. Não havia venda antecipada de ingressos e ninguém dos mais de 80 mil torcedores ficava sem ver o time do coração. Como diria a amiga Thaís Pacheco, faltou pão no circo. Quem sabe agora o povo se revolta, claro que de forma pacífica, para exigir seus direitos.

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January 23, 2013 18:31

Desabafo



Sou do tempo em que repórter gostava de furo, cultivava suas fontes, não se prendia, exclusivamente, às informações oficiais, investigava e, sobretudo, respeitava o colega de trabalho. Tinha a sabedoria e a humildade de também reconhecer um furo que levou. A cobertura do retorno do atacante Diego Tardelli ao Atlético me faz sentir saudades desse tempo e lamentar pelo rumo que o jornalismo tomou, ou pelo que fizeram dele, melhor dizendo.



O Portal Superesportes divulgou, em primeira mão, na semana passada, o retorno do jogador, ídolo da massa alvinegra. A fonte foi um dos representantes do jogador, Beto Fedato, que viajaria no dia seguinte para Doha, juntamente, com o sócio Giuliano Bertolucci e o advogado Breno Tannure, do Al-Gharafa,  para tratar da liberação do artilheiro. A mãe de Tardelli anunciou a volta do filho ao Galo para quem quisesse ler em seu perfil no Twitter. E o próprio confirmou sua despedida do clube árabe, na última terça-feira, ao divulgar uma foto ao lado de Nenê no Instagram. Mas como o Clube Atlético Mineiro não confirmou, não divulgou, a notícia  do Portal Superesportes não passou de uma invenção. Mesmo com todas os indicativos contrários. Pelo menos foi o que percebi nos últimos dias.


Tão logo a matéria foi publicada no site, companheiros (se é que podemos chamá-los assim) iniciaram um bombardeio contra o veículo de forma desrespeitosa e sem responsabilidade. Ouvi críticas absurdas ao trabalho e à credibilidade dos repórteres que produziram a matéria. Em vez de buscar novidades sobre o assunto, limitaram-se às informações do clube e tentaram desmentir, a todo custo, o que fora veiculado. Todo o episódio me fez repensar o jornalismo esportivo. O que fizeram dele?




Torcedores, leitores, telespectadores, ouvintes e o próprio jornalista tem de entender que repórter não é artista. Ele nada mais é do que um interlocutor, um investigador e um formador de opinião. E assim sendo, precisa ser responsável pelo que produz e saber das consequências do seu trabalho. O problema é que muitos colegas, cegos pelo glamour que a profissão proporciona, se confunde dentro do processo. Ele não consegue entender que não é o personagem da notícia. Esquece, ou simplesmente ignora, que sua única função é informar com precisão e responsabilidade os fatos do nosso cotidiano. E que há outras fontes no universo jornalístico além das oficiais, que há muitos lados de um só fato.


PS: Depois de um longo período de inatividade por questões pessoais, retomo o meu trabalho aqui e peço desculpas aos meus leitores e seguidores mais uma vez. E principalmente por retornar com esse post-desabafo.

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September 13, 2012 19:59

Covardia em nome do futebol








O verdadeiro sentido do futebol se perdeu. Não há mais a magia de torcer pelo time do coração com integridade e respeito pelo diferente. Torcer pelo time rival virou crime. O atleticano virou inimigo do cruzeirense, do rubro-negro, do tricolor, do colorado, do vascaíno e "vices-versas". A rivalidade clubística virou uma guerra sem precedentes. E em nome de quê? Fundamentalizada em quê?



Sou mãe, mas antes de tudo cidadã. Fiquei perplexa com a bandeira confeccionada por uma parte da torcida do Flamengo com alusão à doença grave de dona Miguelina, mãe de Ronaldinho Gaúcho. Para atingir o jogador, que deixou o clube carioca de forma nada amistosa, um grupo de torcedores se achou no direito de brincar com o problema de Dona Miguelina. Uma verdadeira covardia e brutalidade. Desculpem-me o desabado, caros leitores, mas seres como esses não podem ser humanos, não devem ter mãe. Ou pelo menos uma mãe de verdade, na acepção da palavra.



Lembro-me bem da união recente de atleticanos e cruzeirenses pelo apoio ao armador Montillo em razão da cirurgia do filho do jogador da Raposa, portador de síndrome de Down. Verdadeiros torcedores e, sobretudo cidadãos, agem assim, com dignidade e respeito ao próximo. Família é um bem que deve ser preservado. E atitudes como a daqueles flamenguistas não podem jamais serem banalizadas e consideradas normais.

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September 05, 2012 17:05

Superação: o querer além do limite


Ao longo dos meus 38 anos, tive muitos exemplos de superação. Venho de uma família de cinco cegos. Meus tios paternos têm retinose pigmentar e perderam a visão muito cedo. Foram obrigados a vencer preconceitos e superar tabus para exercerem a profissão que escolheram com primazia. Todos, atualmente, são bem sucedidos. São prova para mim de que tudo na vida é possível.


Nesta quarta-feira, tive ainda mais certeza disso, depois que o italiano Alessandro Zanardi conquistou o ouro na bicicleta de mão dos Jogos Paralímpicos de Londres (Leia mais sobre a conquista na edição desta quinta-feira do caderno Superesportes do Jornal Estado de Minas).
Zanardi é ex-piloto de automobilismo e perdeu as pernas durante grave acidente na CART, antigo campeonato de monopostos dos EUA, em 2001. Sete anos depois, viu no ciclismo a chance de se consagrar nas pistas. “Quando temos o que buscar, impulsionados por nossa paixão, todo dia é uma grande oportunidade de encontrar a felicidade. E esse é quase o último dia dessa grande aventura. A partir de segunda-feira, eu não tenho dúvidas que vou descobrir uma outra coisa para fazer. Quando se tem um talento, sempre acontece”, resumiu o agora campeão paralímpico depois da prova.


Andrew Winning/Reuters


A luta de Zanardi e a persistência dos meus tios me obrigou a rever a minha opinião sobre o atacante Adriano. Antes, eu considerava o (ex?) jogador um pobre coitado. A perda do pai, em 2006, talvez tenha causado danos psicológicos irreparáveis ao atacante. Desde da morte de seu Almir, Adriano nunca mais foi o mesmo. Era essa a impressão que eu tinha. Agora, já não a tenho mais.


Bruno Domingo/Reuters



Não acho mais que Adriano é um doente. Mas também não o considero um vagabundo. Penso que o melhor adjetivo para definir o Imperador é “descompromissado”. Ele tem muito dinheiro e pode se dar ao luxo de faltar ao trabalho para fazer um churrasco na comunidade onde viveu. Adriano, simplesmente, não quer voltar a ser o que era. Se quisesse, ele conseguiria. Assim como Zanardi, assim como os meus tios. Afinal, não existe limite para o querer.

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August 21, 2012 20:34

Duas torcidas? Só no Mineirão.



A Polícia Militar, em comum acordo com os clubes, diga-se de passagem, deu outro tiro no pé nesta terça-feira. Ao contrário do que esperavam atleticanos e cruzeirenses com o retorno das partidas à capital mineira, os dois clássicos entre Atlético e Cruzeiro, mais uma vez, serão com torcida única. Alvinegros e celestes juntos? Só no ano que vem, quando o novo Mineirão estiver efetivamente pronto. A PM ainda mantém o mesmo discurso da segurança para justificar a determinação.


As vias de acesso ao estádio do Horto são únicas, o que dificultaria a ação da polícia para evitar os confrontos entre torcedores rivais. A integridade dos moradores do entorno do Independência, que teriam demonstrado preocupação com o clássico, também deve ser preservada de acordo com a PM. Essas foram apenas duas das justificativas da polícia para manter os confrontos entre Galo e Raposa com torcida única.


A decisão, na verdade, foi cômoda para todos os envolvidos. A PM vai trabalhar menos. É bem mais fácil controlar confrontos entre facções rivais de uma mesma torcida no estádio como recentemente ocorreu em partidas do Cruzeiro. Só espero que ela esteja se preparando para possíveis focos de confronto em toda a capital. Para o Cruzeiro, mandante no domingo e mal no Brasileiro, pode representar ganho real com o estádio cheio apenas com seus torcedores. Financeiro e dentro das quatro linhas. Já o Atlético, em fase alucinante, tem a possibilidade de confirmar o título em casa, diante apenas de alvinegros, em 2 de dezembro.


Não acho que essa é a medida certa. É dever constitucional da polícia assegurar a segurança de todos, sem distinção. Quem vai ao estádio com predisposição para brigar é bandido e, assim sendo, tem de ser preso. Integrantes de torcidas organizadas têm de ser cadastrados. Há inúmeras ações de segurança e prevenção que não seja a adotada em Minas Gerais. E só em Minas Gerais. Definitivamente, futebol está ficando chato.

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August 11, 2012 20:41

Triunfo do improvável





Ivan Alvarado
/Reuters






Parecia improvável antes da Olimpíada. O vice no Grand Prix de vôlei feminino, somada à renovação promovida pelo técnico José Roberto Guimarães no ciclo olímpico, provocou a insegurança. O treinador havia trocado a levantadora a dois meses dos Jogos e fez cortes polêmicos.



Parecia impossível na primeira fase dos Jogos de Londres, depois da desastrosa derrota para a Coreia do Sul, por 3 sets a 0, a segunda no torneio até então. Já havia perdido para os Estados Unidos e dependia, ironicamente, de um triunfo das norte-americanas sobre a Turquia para avançar. Aconteceu. Mas parecia ainda mais impossível diante da vexatória derrota, por 25 a 11, no primeiro set da decisão, justamente, contra o time de Logan Tom.



Contra todos os prognósticos, no entanto, o Brasil de Zé Roberto, agora três vezes campeão olímpico, foi um time coeso, determinado e surpreendente nas três outras parciais. Não seria exagero dizer que ressurgiu das cinzas para deixar uma nação de joelhos. “A gente teve uma historia muito bonita. Se pedisse para o Woody Allen fazer um filme, nem ele conseguiria. A gente não saiu do buraco à toa. Depois do primeiro set a gente falava: ‘vamos lutar’. É uma emoção que não tem como dizer”, desabafou a líbero Fabi, depois da conquista do bicampeonato.



Essa sim, foi a vitória da superação. Um exemplo a ser seguido. Que ninguém mais duvide do que Zé Roberto e sua trupe são capazes!

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Tags: Brasil  EUA  Jos  de  Londres  Vôlei 

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August 08, 2012 14:05

Foi você, Sheilla!



Em jogo histórico, paredão russo não é capaz de parar a oposto belo-horizontina de 29 anos. Ela salva seis match-points e faz 27 pontos para levar o Brasil à semifinal






uol.com.br



Sheilla comemorou a classificação dramática do Brasil às semifinais do torneio feminino de vôlei dos Jogos Olímpicos de Londres com um desabafo: “Eu falei: não perco mais para as russas, ainda mais no tie-break”. Para a oposto mineira, especialmente, a vitória sobre a Rússia de virada por 3 a 2 (24/26, 25/22, 19/25, 25/22 e 21/19) foi a redenção perfeita. Afinal, ela vinha tendo atuações apagadas. Acompanhou a toada da equipe de José Roberto Guimarães em sua campanha ruim na fase classificatória, que definiu o ingrato encontro com as russas, algozes verde-amarelas, logo nas quartas de finais. As atuais campeãs olímpicas estavam, assim, longe de serem uma dos favoritas.


Mas jamais se pode duvidar do que Sheilla é capaz. Quando o assunto é a Rússia, ela é especialista. Já havia perdido três títulos importantes para as rivais – os dois últimos Mundiais no Japão e a chance de lutar pelo ouro em Atenas’2004. A grande jogadora brasileira, que na véspera tanto havia falado sobre as “ovas”, não deixaria as gigantes acabarem com o sonho do bi de forma dramática.


Assim, diante da muralha advdersária, a belo-horizontina de 29 anos se agigantou. Decisiva até o quarto set, não seria diferente no tie-break. Como fazem os grandes líderes, chamou para si a responsabilidade. Salvou seis match-points na última parcial, somou 27 pontos na partida e viu o Brasil recuperar o moral na terra da rainha. “O importante é que na hora todo mundo jogou. Já havia avisado que a gente tinha voltado. O campeão voltou, se Deus quiser”, assegurou.


Em Belo Horizonte, a mais de um oceano de distância, dona Therezinha las Casas, de 81 anos, a avó da atleta, sempre esteve certa disso. Nem mesmo o início ruim foi capaz de abalar o otimismo dela com a neta. Ontem, em frente à TV, ela conteve a euforia para vibrar no fim. “Sheilla é guerreira. Quando quer, ela corre atrás e conquista. Quando salvou o primeiro (match-point), tive a certeza e a confiança de que terminaria como terminou.”


Mas o caminho até o segundo ouro ainda é tortuoso. Passa pelo Japão, de Ebata e Kimura, e termina em duelo com norte-americanas ou sul-coreanas. Que a bravura de Sheilla e cia. perdure até lá!


*Texto publicado na capa da edição desta quarta-feira do caderno Superesportes do Estado de Minas

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August 06, 2012 17:24

Certeza do dever cumprido




Franck Fife/AFP







O judô feminino nunca obteve resultado tão expressivo em Jogos Olímpicos quanto em Londres. Depois de uma semana de disputas, retornou ao país com o ouro inédito conquistado por Sarah Menezes, na categoria Ligeiro, e o bronze, de Mayra Aguiar, na meio-pesado. Uma das principais responsáveis pelas duas conquistas, a técnica Rosicleia Campos fala, em rápida entrevista ao
De Salto Alto , sobre a evolução do esporte e um pacto firmado para chegar até o ouro, dos erros e frustrações em Londres e da alegria de estar à frente da Seleção Brasileira.



Salto:
O ouro inédito no feminino veio afinal, depois de muito trabalho e longa espera. Foi surpresa ter sido logo com a Sarah Menezes?



Rosicleia: Não foi surpresa, a Sarinha teve uma campanha bastante solida nesses ultimos dois anos e quando vimos a japonesa perder eu particularmente comemorei muito, pois era a unica adversária que a Sarah não tinha vencido. Quando ela venceu a semifinal comemorou muito e eu tive que interromper aquele momento de felicidade e lembrá-la que ainda nao tinha terminado, que o ouro ainda nos aguardava. A luta contra a ROU foi bem tranquila, Sarinha venceu a ex-campeã olímpica por duas vezes esse ano, no Master em janeiro e em seguida no Grand Slam de Moscou, com isso a medalha de ouro foi a consagração. Bom né!? (rs)



Salto: Você acredita que a conquista da Sarah pode ter, de alguma forma, sobrecarregado as outras atletas com relação à obrigatoriedade de conquistar uma medalha? Pode ter atrapalhado?




Rosicleia: Não. Pelo contrário. A medalha da Sarah tirou o peso e a responsabilidade de cada atleta, as derrotas foram erros e limitações individuais de cada uma, e cada uma com um motivo, uma razão diferente.



Salto: Qual foi a maior decepção, ou tristeza, digamos assim, no torneio?




Rosicleia:
Sem dúvida, a maior tristeza foi a desclassificação da Rafa (Rafaela Silva). Jesus, foi muito dificil! Ela estava muito tranquila na luta, a adversária era boa, mas sem nenhum risco dela perder a luta, como os três árbitros pontuaram, nunca imaginei que seria desclassificada. No momento em que a luta parou, achei que iriam dar ippon, já que a Rafa rolou por cima. Quando deram hansokumake, eu simplesmente não acreditei...duro foi nao saber o que fazer, nao sabia se subia para buscá-la, pois ela nao saia da área...tive que ampará-la, pois ela sequer conseguia caminhar sozinha, foi muito duro. A chave dela estava perfeita, sem duvida chegaria a final, a POR (portuguesa) que ela nunca tinha lutado é campeã europeia. Perdeu na primeira rodada e, com isso, o caminho ficaria mais tranquilo. Enfim, orei muito para Deus me mostrar entendimento para o que aconteceu.


Salto: Nesses quase 10 anos à frente da Seleção, qual a evolução no judô feminino?



Rosicleia:
Evoluiu em tudo. Tivemos evolução de estrutura, evolução técnica, evolução física, evolução tática e a manutenção do espírito de grupo alcançado lá, em 2006, quando viajamos para um centro de treinamento, em Cuenca, e a equipe masculina tinha ido treinar na Europa. Fizemos um pacto de que faríamos uma limonada de todo limão.E foi com esse espírito que chegamos até aqui. Estou muito feliz por estar a frente desse grupo. As atletas nunca tiveram uma preparação como nesse ciclo. Não faltou nada. A equipe multidisciplinar está de parabéns!

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