Prometi mais frequência no blog, mas a correria do dia-a-dia não me permitiu. Peço desculpas mais uma vez aos leitores que ainda não desistiram de mim e agradeço pela companhia. A semana tem sido tensa por causa da Seleção Brasileira. Não é ainda A SELEÇÃO, mas merece respeito e muita atenção. Além do mais, o Brasil foi a razão da criação do blog, lá em 2010, a poucos dias da estreia verde-e-amarela na Copa da África. Éramos cinco e as atualiações era mais frequentes. Agora, sou o que lhes resta (rs) e tenho de me desdobrar. Enfim, vamos ao que de fato interessa.
Não é todo dia que o Brasil vem jogar em BH. Do último jogo - empate sem gols com a Argentina pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo - até hoje, já se passaram cinco anos. Além disso, será o primeiro grande evento, padrão Fifa, no Mineirão, antes da Copa das Confederações em junho. Literalmente, fiz plantão no hotel da Seleção, acompanheiro o treino no Mineirão e estarei no jogo nesta noite. Mas antes, passarei novamente na "concentração".
Rodrigo Clemente/EM DA Press
Nessa vigília diária, fiz algumas observações. Nunca escondi de ninguém que sou fã de Neymar. Acho o menino um craque (sem comparações, por favor!). Para mim, ele faz o futebol parecer tão fácil! De longe, deixa a impressão de ser um gigante. Fiz algumas coberturas dos jogos do Santos contra os clubes mineiros, mas nunca estive tão perto do garoto. Neymar, relamente, é um menino. Tem baixa estatura, é franzino, tímido e de pouquíssimas palavras. Mas gentil como nenhum outro. Não sei se, nesse caso, meu lado maternal aflorado - e mãe de dois meninos ainda! - me atentou para esse lado. Talvez. Mas, ao contrário do que os maiores críticos a Neymar dizem, o único topete dele está mesmo na cabeça. Já Alexandre Pato não distribuiu a mesma simpatia. Até entendo. Atuou na Europa e está acostumado com os moldes de lá. Na apresentação, simplesmente ignorou os repórteres ao passar pela zona mista. Não achei a melhor conduta. Poderia ter feito como fez Felipão. O treinador, ao ser chamado pelos jornalistas, disse que falaria depois. Pato, não. Virou o rosto e se foi. Embora muita gente não concorde, eu não me canso de defender que a mídia é uma via de mão dupla. Como diria a minha mãe, você está e não é.
Vergonha, fiasco, deprimente. Vários são os adjetivos para classificar a inauguração do Mineirão. Um evento tão aguardado por milhares de torcedores não passou de uma tragédia. E tragédia anunciada antes mesmo de a bola rolar no gramado do novo Gigante da Pampulha. Cruzeirenses e atleticanos já sofriam três dias antes durante uma surreal venda de ingressos. Programada para iniciar às 8h de quinta-feira, começou depois das 16h na maioria dos postos e aos trancos e barrancos. O sistema de emissão de bilhetes funcionava de forma precária e demandava cerca de 10 min para efetivar uma compra. Muita gente desistiu. preferiu recorrer aos cambistas que, curiosamente, tinham o produto para ofertar pelo dobro do preço, aliás. Sem contar que 600 sócios torcedores do Cruzeiro ficaram sem as entradas porque a Minas Arena, administradora do estádio, havia comercializado os bilhetes solicitados pelo clube.
Tudo bem. Tratava-se de um clássico entre os maiores rivais de Minas e justamente na reabertura do principal palco do futebol mineiro, que ficou quase três anos fechado para se adequar aos padrões europeus, aqueles exigidos pela Fifa para receber a Copa do Mundo. O grande dia enfim, chegara. Aqueles mesmos torcedores que dormiram na fila para comprar ingresso foram cedo para o estádio, atendendo ao pedido da organização do evento e da administração do local. Mas a falta de bom senso deles resultou num mega congestionamento nas duas principais vias de acesso. É que o estacionamento só seria aberto quando os portões também fossem, às 14h deste domingo. Eu e o Rodrigo Clemente, fotógrafo do Estado de Minas, descemos do carro na entrada do Bairro Ouro Preto e seguimos à pé. Misturamo-nos aos torcedores, que preferiram estacionar os carros nas imediações a pagar R$ 30 no estacionamento do estádio.
Tudo bem. Fazia parte do espetáculo. Dia de clássico sempre foi assim, sempre teve congestionamento. Apeguei-me a esse pensamento para não me estressar antes de efetivamente iniciar o meu trabalho. Chegamos quase 40 minutos depois. Fiquei encantada com o novo, com a facilidade ao acesso, com o conforto... Mas o pior estava por vir. Lá dentro não tinha água nem luz nos banheiros, faltou papel higiênico e apenas dois bares funcionavam precariamente. Também não havia água nos bebedouros, nem para vender aos torcedores. Esses foram apenas os problemas que atingiram diretamente os antigos e novos frequentadores do estádio, bastante revoltados. Outros tantos ocorreram.
Por intermédio da assessoria, a Minas Arena afirmou que iria pontuá-los e que responderia à imprensa por demanda. Segundo ela, não havia um porta-voz na casa. Uma coletiva, se necessário, seria marcada para responder às questões. Pois bem. Não tinha mais o que fazer. Só senti uma enorme falta do meu velho Mineirão, pois nele a gente era bem recebido. Não faltava água para ninguém. Não havia venda antecipada de ingressos e ninguém dos mais de 80 mil torcedores ficava sem ver o time do coração. Como diria a amiga Thaís Pacheco, faltou pão no circo. Quem sabe agora o povo se revolta, claro que de forma pacífica, para exigir seus direitos.
O verdadeiro sentido do futebol se perdeu. Não há mais a magia de torcer pelo time do coração com integridade e respeito pelo diferente. Torcer pelo time rival virou crime. O atleticano virou inimigo do cruzeirense, do rubro-negro, do tricolor, do colorado, do vascaíno e "vices-versas". A rivalidade clubística virou uma guerra sem precedentes. E em nome de quê? Fundamentalizada em quê?
Sou mãe, mas antes de tudo cidadã. Fiquei perplexa com a bandeira confeccionada por uma parte da torcida do Flamengo com alusão à doença grave de dona Miguelina, mãe de Ronaldinho Gaúcho. Para atingir o jogador, que deixou o clube carioca de forma nada amistosa, um grupo de torcedores se achou no direito de brincar com o problema de Dona Miguelina. Uma verdadeira covardia e brutalidade. Desculpem-me o desabado, caros leitores, mas seres como esses não podem ser humanos, não devem ter mãe. Ou pelo menos uma mãe de verdade, na acepção da palavra.
Lembro-me bem da união recente de atleticanos e cruzeirenses pelo apoio ao armador Montillo em razão da cirurgia do filho do jogador da Raposa, portador de síndrome de Down. Verdadeiros torcedores e, sobretudo cidadãos, agem assim, com dignidade e respeito ao próximo. Família é um bem que deve ser preservado. E atitudes como a daqueles flamenguistas não podem jamais serem banalizadas e consideradas normais.
A Polícia Militar, em comum acordo com os clubes, diga-se de passagem, deu outro tiro no pé nesta terça-feira. Ao contrário do que esperavam atleticanos e cruzeirenses com o retorno das partidas à capital mineira, os dois clássicos entre Atlético e Cruzeiro, mais uma vez, serão com torcida única. Alvinegros e celestes juntos? Só no ano que vem, quando o novo Mineirão estiver efetivamente pronto. A PM ainda mantém o mesmo discurso da segurança para justificar a determinação.
As vias de acesso ao estádio do Horto são únicas, o que dificultaria a ação da polícia para evitar os confrontos entre torcedores rivais. A integridade dos moradores do entorno do Independência, que teriam demonstrado preocupação com o clássico, também deve ser preservada de acordo com a PM. Essas foram apenas duas das justificativas da polícia para manter os confrontos entre Galo e Raposa com torcida única.
A decisão, na verdade, foi cômoda para todos os envolvidos. A PM vai trabalhar menos. É bem mais fácil controlar confrontos entre facções rivais de uma mesma torcida no estádio como recentemente ocorreu em partidas do Cruzeiro. Só espero que ela esteja se preparando para possíveis focos de confronto em toda a capital. Para o Cruzeiro, mandante no domingo e mal no Brasileiro, pode representar ganho real com o estádio cheio apenas com seus torcedores. Financeiro e dentro das quatro linhas. Já o Atlético, em fase alucinante, tem a possibilidade de confirmar o título em casa, diante apenas de alvinegros, em 2 de dezembro.
Não acho que essa é a medida certa. É dever constitucional da polícia assegurar a segurança de todos, sem distinção. Quem vai ao estádio com predisposição para brigar é bandido e, assim sendo, tem de ser preso. Integrantes de torcidas organizadas têm de ser cadastrados. Há inúmeras ações de segurança e prevenção que não seja a adotada em Minas Gerais. E só em Minas Gerais. Definitivamente, futebol está ficando chato.
Em jogo histórico, paredão russo não é capaz de parar a oposto belo-horizontina de 29 anos. Ela salva seis match-points e faz 27 pontos para levar o Brasil à semifinal
Sheilla comemorou a classificação dramática do Brasil às semifinais do torneio feminino de vôlei dos Jogos Olímpicos de Londres com um desabafo: “Eu falei: não perco mais para as russas, ainda mais no tie-break”. Para a oposto mineira, especialmente, a vitória sobre a Rússia de virada por 3 a 2 (24/26, 25/22, 19/25, 25/22 e 21/19) foi a redenção perfeita. Afinal, ela vinha tendo atuações apagadas. Acompanhou a toada da equipe de José Roberto Guimarães em sua campanha ruim na fase classificatória, que definiu o ingrato encontro com as russas, algozes verde-amarelas, logo nas quartas de finais. As atuais campeãs olímpicas estavam, assim, longe de serem uma dos favoritas.
Mas jamais se pode duvidar do que Sheilla é capaz. Quando o assunto é a Rússia, ela é especialista. Já havia perdido três títulos importantes para as rivais – os dois últimos Mundiais no Japão e a chance de lutar pelo ouro em Atenas’2004. A grande jogadora brasileira, que na véspera tanto havia falado sobre as “ovas”, não deixaria as gigantes acabarem com o sonho do bi de forma dramática.
Assim, diante da muralha advdersária, a belo-horizontina de 29 anos se agigantou. Decisiva até o quarto set, não seria diferente no tie-break. Como fazem os grandes líderes, chamou para si a responsabilidade. Salvou seis match-points na última parcial, somou 27 pontos na partida e viu o Brasil recuperar o moral na terra da rainha. “O importante é que na hora todo mundo jogou. Já havia avisado que a gente tinha voltado. O campeão voltou, se Deus quiser”, assegurou.
Em Belo Horizonte, a mais de um oceano de distância, dona Therezinha las Casas, de 81 anos, a avó da atleta, sempre esteve certa disso. Nem mesmo o início ruim foi capaz de abalar o otimismo dela com a neta. Ontem, em frente à TV, ela conteve a euforia para vibrar no fim. “Sheilla é guerreira. Quando quer, ela corre atrás e conquista. Quando salvou o primeiro (match-point), tive a certeza e a confiança de que terminaria como terminou.”
Mas o caminho até o segundo ouro ainda é tortuoso. Passa pelo Japão, de Ebata e Kimura, e termina em duelo com norte-americanas ou sul-coreanas. Que a bravura de Sheilla e cia. perdure até lá!
*Texto publicado na capa da edição desta quarta-feira do caderno Superesportes do Estado de Minas