Pierre-Philipe Marcou/AFP

Cada vez mais eu me impressiono com a falta de critério e a bipolaridade no futebol. A eliminação do Barcelona na Liga dos Campeões pelo Chelsea nesta terça-feira foi comemorada mundialmente. E o futebol retranqueiro do time inglês foi exaltado. Não estou dizendo que o time de Ramires não teve méritos. Teve sim. Defendeu o quanto pode durante os pouco mais de 180 minutos e arrancou o empate (2 a 2). Messi perdeu um pênalti que poderia, sim, ter dado a vaga ao time espanhol e, por isso, deixou de ser o melhor do mundo para algumas pessoas que acreditam que o time de Guardiola não passa de modinha.
Se assim for, eu prefiro aderir à modinha. Simplesmente porque gosto do futebol envolvente do time catalão. Esse sim, na minha opinião, é o futebol de resultados. O Barcelona mais venceu do que perdeu nos últimos tempos. Mas até o melhor futebol do planeta, o mais bonito, está condicionado ao fracasso. Quem tem entre 30 e 40 anos vai defender sempre que a Seleção Brasileira de 1982 é a melhor de todos os tempos. Ela, no entanto, perdeu a Copa. Quem não lamenta até hoje essa fracasso? Mesmo assim aquele Brasil não deixou de ser o melhor. Nem o Messi deixou de ser o melhor do mundo. E o Barcelona? Ah, o Barcelona continua sendo o Barcelona.
O que mais me estranha é que as mesmas pessoas que comemoraram a eliminação dos catalães e exaltaram a retranca inglesa, condenam o futebol medroso do Brasil de Mano Menezes. Exigem do treinador uma equipe mais ofensiva. Quanta incoerência! Vai entender...
Juarez Rodrigues/EM/ DA Press
Antes de mais nada, é bom que fique claro que tudo o que dissermos agora não passa de achismo e especulação. Dirigentes e políticos adotaram a postura condizente com o momento, a de não dizer nada, claro. O contrato entre Atlético e BWA existe. E se não houver nenhum vício, será excelente para o alvinegro. Terá direito a 45% de tudo o que for arrecadado lá, com jogos, shows, ou qualquer outro tipo de evento. A BWA ficaria com fatia idêntica e os outros 10% seriam divididos entre América e o governo do estado, que investiu R$ 120 milhões na reforma do Independência.
O que me preocupa é a situação do Mineirão. Não se sabe ainda quem irá administrá-lo. Os clubes, neste caso, Cruzeiro ou América, sabe-se que não. Não é permitido por contrato. Muito menos seus conselheiros ou qualquer empresa vinculada a eles. O Consórcio Minas Arena, responsável pela reforma, deve repassar a administração quando o estádio ficar pronto no ano que vem.
Esse é o meu motivo de preocupação. Se quem for administrar, cobrar um valor do aluguel considerado absurdo pelos clubes, Raposa e Coelho não terão outra alternativa que a de buscar outro estádio para mandar seus jogos. No caso, a Arena do Jacaré. E o gigante da Pampulha não passaria de mais um elefante branco da capital mineira.
Aos 82 anos, Vaduca, herói de Villa Nova e Atlético na década de 1950, permanece no futebol e declara seu amor ao esporte
O olhar é duro, tão firme quanto o caminhar, sempre com uma toalha estendida sobre um dos ombros para enxugar o suor que lhe cai pela testa. Quem o vê, num primeiro momento, tem a impressão de rispidez. Mas basta a troca inicial de palavras para se envolver numa longa e boa prosa. Osvaldo Liberato é assim. Ou melhor, o seu Vaduca é assim. E o que não lhe falta é assunto. Afinal, aos 82 anos, o homem que fez história como ponta de lança vestindo as camisas dos centenários Villa Nova e Atlético agora vai comemorar com o América, onde trabalha desde 1981, mais 100 anos de história de um clube.
Vaduca começou a jogar futebol no Leão do Bonfim em 1938. Foi um caminho quase que natural. Nasceu e passou boa parte da adolescência dentro do Estádio Castor Cifuentes, quando o Alçapão do Bonfim era apenas um campo enlameado.
O pai, José Liberatto, era o zelador, e a mãe, Maria Joana Liberatto, lavadeira e passadeira do time. “Ela também era uma segunda mãe para os atletas. Lembro-me de quando o Nelsinho, um dos jogadores, engravidou uma moça de Nova Lima e os familiares dela queriam matá-lo. Minha mãe o escondeu debaixo da cama e depois, passados uns dias, ela chamou o padre, o juiz de paz e os familiares da menina e fez o casamento deles na sala lá de casa”, recorda.
No Leão ele permaneceu por 12 anos. Mas, antes de se transferir para o Galo, marcou o gol do título alvirrubro sobre o alvinegro no Campeonato Estadual de 1951. O marco histórico completou 60 anos em 27 de janeiro. “Era uma época de dar gosto, éramos todos nascidos em Nova Lima e não tinha essa história de empresário, de agente de futebol”, conta Vaduca, sem se esquecer de um nome sequer daquela equipe campeã mineira. “Arizona; Madeira e Anísio; Vicente, Lito e Tão; Osório, Vaduca, Chumbinha, Foguete e Escurinho.” Daquele time, apenas ele, Escurinho e Arizona estão vivos.
NO RIVAL Cinco anos depois, ele foi contratado pelo Galo, com o qual foi campeão em 1956 marcando o gol do 1 a 0 sobre o arquirrival, Cruzeiro, depois de dois confrontos que terminaram em 1 a 1 e 0 a 0. O time daquela conquista também é vivo em sua memória. “É impossível me esquecer. Éramos Sinval, Afonso, Benito e William; Aroldo, Mussi, Murilinho, eu, Tomazinho, Alfredo e Amorim. Era um sonho jogar no Atlético.”
No alvinegro Vaduca ficou até 1958. Depois foi para o Valério Doce, de Itabira, no Leste de Minas, seduzido pela promessa de emprego. “Ofereceram-me trabalho na Vale do Rio Doce para eu me aposentar lá. E assim foi até eu parar de jogar. Quando isso aconteceu, fui ser gerente do centro de treinamento do Valério.”
A aposentadoria veio em 1981 e junto dela o retorno a Belo Horizonte com a família – a esposa, Olívia, e as filhas, Tânia Mara e Viviane. Mas Vaduca não conseguia se ver longe do futebol. Naquele mesmo ano, aceitou convite para ser supervisor das divisões de base do América, que vai comemorar o centenário em 30 de abril.
Da supervisão passou à gerência do CT Lanna Drumond, cuja função exerce há 12 anos. No Coelho, ele já passou por experiências que foram do céu ao inferno, mas declara amor a essa entrega. “Minha vida é o futebol. Não fosse por ele, eu não estaria aqui. E no América aprendi a viver um outro lado. Tivemos muitas tristezas e alegrias, passamos por muitas dificuldades, mas não sei me ver longe disto daqui”, confessou Vaduca, com o olhar marejado de lágrimas.
*Matéria publicada no Jornal Estado de Minas de segunda-feira, 6/2/12
Olá, amigos! De volta depois das minhas merecidas férias. E já retorno no olho do furacão. Mas futebol é sempre assim em início de temporada. É uma chuva de assédios e especulações até que se feche a primeira janela de transferências. Depois, no meio do ano, recomeça tudo outra vez. Parece-me que a novela Montillo teve um final azul e feliz. Graças à Lei Pelé, que assegura aos clubes a permanência de seus atletas com contrato vigente mesmo que eles não queiram. E, também, à teimosia do presidente Gilvan de Pinho Tavares. O mandatário celeste fez valer os direitos da Raposa, bateu o pé e não cedeu à investidas do Corinthians. O camisa 10 celeste tem contrato com o clube, que detém a maior parte de seus direitos econômicos (60%), até meados de 2015. O restante pertence a outros dois investidores (20% para cada).
Gilvan foi taxativo, em entrevista ao site Superesportes, no último dia 6, que não aumentaria o salário de Montillo para abafar a proposta corintiana feita ao jogador. “Ele tem um salário, já conversamos com ele várias vezes e isso para ele estava ótimo até essa proposta do Corinthians. Não podemos ficar sujeitos a isso, que eu nem sei se vai pagar, se vai honrar, ou se é conversa do empresário dele. É por isso que existe contrato, para ser cumprido. O salário dele está estabelecido em contrato.”
Ele venceu a batalha. Mas não acredito que não tenha dado nenhum aumento salarial ao jogador. Nem sempre a teoria condiz com a prática quando o assunto é futebol. Mesmo com salário já determinado em contrato, nada impede que haja melhoria. O único problema é a conseqüência desse superfaturamento salarial para o próprio clube. Isso tem sido uma prática nos clubes brasileiros. A maioria deles estão numa quebradeira só, devendo milhões, e continuam contratando jogadores por vencimentos que beiram o absurdo.
Recentemente, o Fluminense, por exemplo, venceu a disputa com o Flamengo para ter Thiago Neves. Pagou ao Al Hilal, com ajuda do patrocinador, R$ 16 milhões por 90% dos direitos do jogador e ainda dará a ele salário de R$ 720 mil, R$ 200 mil a mais do que pagava o rubro-negro carioca. É, ou não, de fato, um descompasso? De qualquer forma, ponto para o presidente do Cruzeiro, que conseguiu manter Montillo para apagar, este ano, a imagem do time arranhada no segundo semestre do ano passado, como ele mesmo disse.
Mais um ano se caminha para o apito final e 2012 se aquece para entrar em campo. Então, que sejamos, a partir deste domingo, bem melhores do que fomos nos últimos 365 dias. Que tenhamos mais alegrias do que tristezas dentro e fora dos gramados. Saúde e paz, porque do resto a gente corre atrás (E um pouquinho de ambição não faz mal a ninguém!).
Aproveito ainda para agradecer a vocês, leitores e seguidores, pela parceria. Quando o De Salto Alto foi criado, pouco antes da Copa da África'2010, não imaginávamos o sucesso que atingiríamos. Éramos cinco (parece nome de livro, né?). Hoje estou só, na linha de frente. As outras quatro tomaram rumos profissionais diferentes, mas sempre serão lembradas. Mesmo porque, não fosse a dedicação de todas elas, o blog não teria chegado até aqui. Obrigada Elen Cristie, Liliane Corrêa, Liliane Pelegrini e Márcia Maria Cruz. Então, que a nossa parceria se fortaleça mais no próximo ano.
Até dia 13!

Fim da temporada esportiva, aproveito para tirar as minhas merecidas férias. É tempo de curtir os meus filhos o máximo possível, o que não pude fazê-lo em 2011 em razão do trabalho. Em respeito aos meus leitores e seguidores, comunico uma pausa em nossa relação. Tentarei passar por aqui vez ou outra para discutirmos um pouco do que vem por aí. Não prometo assiduidade, pois pretendo me dedicar aos João Lucas e Davi quase em tempo integral. Um abraço em todos, feliz Natal e que tenham uma virada de ano maravilhosa. Até breve!
Jorge Gontijo/EM/D.A Press - 28/8/11
Fim do Campeonato Brasileiro, é hora de repensar a péssima campanha em 2011 , resultado de uma série de tropeços das diretorias de Cruzeiro e Atlético ao longo da temporada, para não cometer os mesmos erros no próximo ano. Na Raposa, foram pelo menos sete motivos que puseram fim ao planejamento deste ano, deixando o clube celeste sob sério risco de rebaixamento. O time celeste livrou-se da queda com o triunfo histórico (6 a 1) sobre o maior rival na última rodada do Brasileiro.
Troca de técnicos
Diante dos resultados longe do esperado, o Cruzeiro teve quatro técnicos na temporada, mas o problema não foi resolvido. O time já dava sinais de que algo estava errado com a saída de Cuca logo no início do Brasileiro. Depois de três empates e duas derrotas, o treinador pediu demissão e o experiente Joel Santana assumiu o time. Mas a campanha também não agradou a diretoria (oito triunfos e sete derrotas) e logo foi demitido, dando lugar a Emerson Ávila, coordenador da base, que amargou cinco derrotas e duas igualdades. Vagner Mancini foi contratado com o clube já em crise. Não conseguiu dar padrão de jogo à equipe, jmas evitou a queda com uma goleada história sobre o maior rival Atlético.
Venda de jogadores importantes
Sob o discurso do equilíbrio financeiro, a cúpula cruzeirense abriu mão de jogadores importantes, que formavam a espinha dorsal do time, no meio da temporada. O atacante Thiago Ribeiro, artilheiro da Libertadores de 2010, foi vendido para o italiano Cagliari, o promissor Dudu acabou negociado com o Dínamo de Kiev e o zagueiro Gil, com o Vallencienes. O volante Henrique transferiu-se para o Santos, seguindo o mesmo caminho do lateral-direito Jonathan, agora na Internazionale. A diretoria não obteve êxito com as novas contratações. O zagueiro Cribari e os atacantes Keirrison e Bobô chegaram fora de forma e não conseguiram se firmar entre os titulares. Diante da fragilidade ofensiva, o atacante Wellington Paulista, pouco aproveitado pelo técnico Luiz Felipe Scolari no Palmeiras, retornou de empréstimo como uma solução e não deu o retorno esperado.
Contusão de Wallyson
A grave lesão do atacante Wallyson diante do Internacional, ainda no turno do Brasileiro, também enfraqueceu o time. Ele era o goleador do time até então. Marcou 17 gols com a camisa celeste antes de fraturar o tornozelo.
Divergência entre jogadores
Os armadores Gilberto e Roger estabeleceram uma espécie de guerra fria interna, alimentada por mútuas críticas públicas. A briga acabou envolvendo outros jogadores, como o volante Fabrício, já insatisfeito por ter sido cortado pelo então técnico Cuca do confronto com o Fluminense no turno do Brasileiro. Os problemas culminaram com a saída de Gilberto.
Queda de rendimento
Jogadores importantes que permaneceram no clube caíram de rendimento. Bastante criticado, Roger perdeu espaço entre os titulares. Dois dos pilares, Fabrício e Marquinhos Paraná não renderam como nas duas temporadas anteriores e Montillo, sobrecarregado, não conseguiu manter a regularidade no fim.
Vácuo no poder
O anúncio prematuro de Zezé Perrella de que não concorreria à reeleição caiu como uma bomba no clube e coincidiu com o declínio do time no Brasileiro. O mandatário celeste, envolvido na vida política desde a morte do senador Itamar Franco, em julho último, delegou funções e pôs em evidência a figura de Gilvan de Pinho Tavares, então vice-presidente. Mais tarde, Gilvan seria eleito presidente.
Pênaltis perdidos
O Cruzeiro perdeu pênaltis em jogos decisivos - contra Santos, Corinthians e Flamengo - e evidenciou a crise. Nos dois primeiros jogos, Montillo desperdiçou penalidades em momentos importantes do jogo. Contra o Rubro-negro, quem desperdiçou foi o zagueiro Victorino.
Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press - 28/8/11
Fim da temporada e o Atlético não tem nada para comemorar além da permanência na elite. Desde que o Campeonato Brasileiro passou a ser disputado por pontos corridos, o sucesso alvinegro resumiu-se a escapar da queda, ou na melhor das hipóteses, conseguir vaga na Copa Sul-Americana. Resultado de uma sucessão de erros que se repetem a cada ano na Cidade do Galo. Como no ano passado, neste o Galo se salvou do descenso na penúltima rodada, quando goleou o Botafogo, por 4 a 0, na Arena do Jacaré. A derrocada alvinegra iniciou especificamente em abril, motivada por três pontos fundamentais pelo menos.
Desmanche do time
Na reta final do Campeonato Mineiro, às vésperas de decidir o futuro na Copa do Brasil contra o Prudente e a menos de dois meses de estrear no Nacional, decidiu começar de novo e desmanchou o time que enchera o torcedor de esperança. Já não contava mas com os atacantes Diego Tardelli, Obina e Jobson. O meio-campo perdeu o armador Diego Souza, maior contratação no ano passado, além do também armador Ricardinho e o volante Zé Luís.
Contratações equivocadas
A cúpula alvinegra apostou em reforços com idade avançada, ou que já não atuavam algum tempo em seus clubes de origem, como o atacante Guilherme. O jogador, que pertencia ao Dínamo de Kiev, não vivia boa fase no time ucraniano. Ainda assim chegou no Galo com status de contratação mais cara do futebol brasileiro à época, custando aos cofres atleticanos US$ 8,5 milhões (R$ 14 milhões). O jogador não deu o retorno esperado, passando mais tempo no departamento médico. Jogou 16 partidas, a maioria como reserva, e fez dois gols. A situação do outro atacante, Marquinhos Cambalhota, é semelhante. O jogador, de 35 anos, que estava no Japão, também foi vítima de seguidas lesões e não se firmou. Fez três jogos este ano e marcou uma vez. Houve ainda jogadores que foram afastados do grupo, ou negociados com outros clubes, como o lateral-esquerdo Guilherme Santos, o volante Toró e o lateral-direito Patric, todos contratados em 2011 a pedido do então técnico Dorival Júnior.
Perda de comando
Depois de salvar o Atlético do rebaixamento em 2010, o técnico Dorival Júnior iniciou o ano com crédito. Mas se perdeu ao longo do turno do Brasileiro. Já não tinha o time nas mãos e acumulou uma série de maus resultados, que resultaram em sua demissão e na contratação de Cuca.