Revelando


Sábado, 10 de março de 2012 05:32 pm

Mãos inspiradoras

Quando no meio da correria do dia a dia, na angústia de um problema, na ansiedade de um novo desafio me encontro sem rumo, sempre me lembro das marcas das mãos da minha avó materna. Quando criança gostava de me deitar no colo dela no sofá e ficar admirando as preguinhas das suas mãos. As marcas daquelas mãos fortes me inspiravam força sem que eu nem me desse conta. De cabeça erguida andando pela cidade para resolver suas coisas, vovó Mocinha, a avó que eu tive a honra de conhecer, parecia aquelas rochas firmes no meio do mar que não se abalam nem com a força das ondas. O gênio forte herdado pela dureza da vida não apagou para mim a doçura que havia por trás daquela durona. Carrego nas veias e no coração as marcas dessa mulher e lembrando o dia internacional da mulher gostaria de fazer um convite a todos a relembrarem suas raízes familiares.

Votos:
|

Sexta-feira, 02 de março de 2012 08:01 am

A gente sempre aprende

Nesta sexta gostaria de voltar a compartilhar um texto antigo.

Lições


Um dia a gente aprende que brincar com fogo pode deixar queimaduras
Que sereno demais dá dor de garganta
Que falar pelos cotovelos pode incomodar a si próprio
Que ficar chorando pelo passado não ajuda muito
Um dia a gente aprende que mesmo fazendo o melhor, dando todo o amor do mundo, alguém pode não se apaixonar pela gente
Que reclamar demais faz mal à saúde
Que ser grato aumenta a longevidade
Que ser humilde não arranca pedaço
Um dia a gente se toca e percebe que existe hora de dormir e de acordar, principalmente quando se trata dos sentimentos alheios
Que comer manga e tomar leite ainda não matou ninguém
Que ficar carente de vez em quando não é vergonhoso
Que demonstrar o que sente não é sinal de fraqueza
Um dia a gente aprende que dizer clichês de vez em quando faz parte do cotidiano, e que até as frases repetidas fazem algum sentido
Que até os que se dizem espertos sofrem
Que é ruim ficar e deixar alguém só
Que falar bobagem algumas vezes é até bom
Um dia a gente aprende que por mais que a gente sofra para aprender e ache que não vai mais cair para aprender, a gente aprende mais uma lição

Votos:
|

Segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012 09:57 pm

Sonho de menina

Júlia. Anne. Amanda. Priscila. Clarissa. Pedro. Augusto. Lucas. Quase toda menina tem esse sonho. Desde pequenas alimentamos essa vontade. Ganhamos logo cedo bonecas bebês. Passamos o dia, depois da escola, claro, cuidando dos nossos bebês bonecas. A gente dá banho, dá comidinha, leva para passear. Sim, e damos os nomes aos nossos queridos. E o tempo passa, deixamos as bonecas de lado para trilhar os desafios do dia a dia adulto. Doadas para alguma menininha, ou guardadas em caixas no armário velho. Lá estão eles, bonecas e bonecos, as sementinhas do nosso grande sonho, ser mãe.

E um dia, com um exame positivo em mãos damos entrada nesse sonho desafiado e nesse desafio sonhado. As primeiras horas após o resultado são de puro êxtase. Não se sabe ao certo descrever a emoção. É uma vontade de sair correndo e abraçar todo mundo, colocar um desconhecido nos braços, contar para a multidão do shopping inteiro que nosso sonho de menina agora é real. Aí a gente não sabe se conversa logo com aquele serzinho dentro de nós, se é para esperar mais uns dias. As incertezas e as certezas se misturam num emaranhado de desejos.

Os desafios são diários e num piscar de olhos a gente começa a entender muita coisa que nossas mães passaram anos nos dizendo e não tínhamos noção. Que esse amor não tem tamanho, nem cor, nem muros, nem dores que o supere. É um amor que fortalece. De meninas “buchudas” passamos a mães corajosas. Sim, porque surge força de onde você nem sabia que existia para arrancar os espinhos que surgem.

E quando aquele choro invade o seu ser é como se Deus tivesse tocando no seu coração de menina. E o primeiro sorriso do seu bebê só mostra o quão misericordioso é Deus.

Votos:
|

Sábado, 07 de janeiro de 2012 11:55 am

Nascer e renascer

Volta, nascimento, renascimento, vida. Todos os dias nos deparamos com um significado novo dessas palavras na nossa existência. A cada situação que nos deparamos vivemos um pouco de ontem, nascemos e renascemos, pois temos que aprender a viver uma nova história, ou a mesma história de forma diferente.

Uma nova descoberta. Um despertar. Um sabor diferente. Uma pessoa desconhecida. Um filho. Uma conquista e até um erro, que com a experiência, não nos deixa sofrer errando de novo.

No choro de um bebê, a melodia de uma nova jornada.

Votos:
|

Quinta-feira, 01 de setembro de 2011 05:51 pm

Volto sempre!

O tempo, a correria, as mudanças, a vida. A gente sempre fala nisso quando deixa algumas prioridades de lado a favor de outras. Nesse mês passado não dei a atenção devida ao meu canto, meu revelando, o lugar dos meus sonhos, das minhas letras, viagens e pensamentos. E por isso me redimo.

Escrever, falar, pensar, amar, viver. Frases, cores, poesias. Ventos sopram segredos, contos, idéias. Os grilos cantam intensamente. As estrelas parecem sorrir no céu negro. Em companhia, a espera e a paz. Seduzir a vida, o mundo sem forçar a natureza do ser. Pegar carona no sol amarelo queimado dos entardeceres e viajar... Partir para onde? Para outros lugares...

Os sonhos e os desejos tomam os espaços vazios da mente. De repente você sente como se não só os pássaros lá fora estivessem cantando anunciando um novo dia. Tudo fica mais colorido e os sinos parecem começar a tocar dentro de cada um de nós. Isso acontece quando nos deixamos entusiasmar. Então surge a pergunta...o que faz você sentir o coração cantar? Penso em citar todas aquelas sensações verdadeiras e naturais. Mas cada um traz dentro de si um segredo, uma vontade, um sonho, um chamego.

Votos: 0
|

Segunda-feira, 11 de julho de 2011 03:44 pm

Viva Sant´Ana

No Seridó, o mês de julho é um período de genuíno encantamento em torno da manifestação cultural e da religiosidade do sertanejo. Tempo fervoroso. Fé, festa, alegria, reencontros. Cheiro de algodão doce, batata frita, docinho e cachorro quente na praça. Por todo canto da cidade um colorido diferente. Uma imagem, um clima empolgante. Há 123 anos, a festa em homenagem a Sant´Ana em Currais Novos, reúne milhares de pessoas. São quase dez dias de intensa festividade religiosa, social e cultural.

O lugar ganha uma movimentação peculiar do momento de festividade. É um corre-corre no comércio, nas pracinhas, na igreja. As costureiras trabalham sem cessar para dar tempo terminar as encomendas até os dias da festa. Roupa enfeitada, da moda para participar das comemorações nas ruas e nos clubes.

O coral ensaia dia e noite para fazer bonito nas noites de novena. Quem passa perto da Matriz nos dias que antecedem a festa escuta um pouco das canções religiosas que embalarão as novenas. O folheto com a programação e os cantos são impressos. Artistas são chamados para arrumar o altar, fazer a decoração em torno da imagem de Sant´Ana. Quem sempre fez isso muito bem foram os queridos Joabel e Zé Milton. O padre acompanha os preparativos para que a Matriz inicie o novenário. Tudo cuidado com muito capricho e amor. E nessa hora também lembramos com saudade do monsenhor Ausônio de Araújo.

No Seridó, é costume as pessoas fazerem promessas religiosas para pagar durante a Festa de Sant´Ana. Assistir as novenas de branco e descalço. Caminhar a procissão sem sandálias. Levar algum objeto  na cabeça durante a caminhada. Carregar um fruto durante a festa do agricultor para agradecer as bênçãos da chuva. As procissões em homenagem à santa padroeira da cidade são espetáculos à parte. A multidão devota se une em oração.

Na segunda-feira que antecede o fim da festa é um dia especial para o agricultor. Festa do Agricultor em homenagem à Sant´Ana. Vem gente de toda redondeza agradecer a Deus e à santa as colheitas, as chuvas que abençoaram a terra seridoense durante o ano. È bonito demais ver a cavalgada, o desfile das escolas rurais. Menininhas com seus vestidos engomados que encantam a quem pára a admirar.A Missa do Agricultor, idealizada pelo saudoso padre José Dantas Cortês, é um dos eventos de maior expressividade das tradições culturais do sertanejo. Na missa campal, os instrumentos da Banda Musical Maestro Santa Rosa refletem a luz do sol quente nos olhos do sertanejo. “Obrigado ao homem do campo!”, canta o coral. Agricultor que enche o altar com os produtos do campo, manifestando assim sua gratidão e a prece por um inverno bom.

Na data 26 de julho, dia de Sant´Ana, ponto auge da comemoração, a procissão de encerramento da festa é marcada para às 16 horas, mas logo cedo o povo começa a se aglomerar em frente à igreja matriz.  Quem vai ajudar na condução do andor da santa? Fiéis disputam um lugar próximo ao andor. Na frente, uma fileira de padres e religiosos. Seguindo, milhares de devotos sem cansar.  Ao longe se vê a procissão. Mães cuidadosas carregam seus filhos. Senhoras vestidas de branco organizam-se em filas. Mais do que uma festa, a celebração à Sant´Ana representa a união do povo, uma maneira de construir história através da fé. E viva Sant´Ana!

Votos: 0
|

Quinta-feira, 30 de junho de 2011 06:07 pm

Fazer o bem

Dar bom dia a um desconhecido. Não colocar cara feia gratuitamente. Sorrir para vida. Abraçar uma causa. Coisas do bem são simples e muitas vezes passam despercebidas.

Colo de mãe, cheiro de pão quentinho no fim da tarde, visita de um amigo distante, um dia de folga no meio da semana, abraço apertado. Coisas do bem.

Por incrível que possa parecer, é difícil para alguns de nós ou para todos nós em alguma situação fazermos o bem. Por exemplo, fazer o bem a quem nos deseja mal não é fácil, mas faz um bem enorme, ainda que não percebamos de imediato. O bem não pode ser medido.

Acredito que todas as coisas cooperam para o bem, mas cabe a nós escolhermos o caminho. 

Votos: 0
|

Terça-feira, 21 de junho de 2011 12:22 pm

Sonhos recorrentes


Acho que todos já tiveram algum dia ou têm um tipo de sonho recorrente. Imagens que insistem em aparecer no subconsciente quando finalmente deitamos para relaxar. Fechamos os olhos e abrimos a mente. Nos sonhos que me lembro, quase sempre estou no colégio em que estudei 12 anos da minha vida. O Jesus Menino, lá na minha Currais Novos. Sonho com as escadarias do colégio, sonho que pintaram e eu não gostei da cor. Sonho dentro da sala de aula da minha infância, mas vivendo coisas atuais. É muito louco e real.

Sonho fazendo coberturas jornalísticas lá na escola. Com entrevistas coletivas. Sonho reencontrando antigos amigos e pessoas que desconheço na minha vida real. Nunca estudei sobre sonhos, mas acredito que eles devam ter algum significado. A última vez que entrei no colégio deve fazer mais de seis anos. Tenho curiosidade de saber como estão as coisas lá. Se o jardim de infância é no mesmo lugar. Como estão os corredores de acesso às salas. Os cantos da infância que solidificaram minha vida.

E você quais os seus sonhos recorrentes?

Votos: 0
|

Quinta-feira, 09 de junho de 2011 03:51 pm

Em clima de São João

Em clima de são João gostaria de lembrar uma antiga crônica que escrevi:


Juramentos de comadre e compadre, quadrilha, milho assado, adivinhação. O clima junino toma conta. Simpatias para Santo Antônio, São João e São Pedro. Nessas festividades a cultura popular aflora, e dentro de nós reacende antigas tradições. Um bolo de milho à mesa. Fogueira em frente da casa. Meninos soltando chumbinho. A apresentação da quadrilha começa. Vamos todos para o forró na praça! Os rapazes disputam a vaga para subir no pau de sebo, mas nenhum deles consegue.

Em casa, vovó prepara a bacia com água, as meninas acendem as velas. É véspera de São João, hora de fazer a adivinhação para saber qual a letra do nome do futuro marido. Por baixo da cama, Santo Antônio está amarrado de cabeça para baixo. Rosinha quer casar a qualquer custo. Carlos também deseja saber o nome da sua futura esposa e coloca a faca no pé de bananeira para esperar a inicial no dia seguinte. E as vezes que a aliança emprestada da vizinha bater no copo, indicam quantos anos faltam para Ana se casar. Dedos cruzados para ela bater o mínimo de vezes possível.

O brilho dos fogos de artifício ilumina a pracinha. Bandeirolas multicores. Fogueiras acesas. Dia de pedir a benção de São João e de aguardar o São Pedro. O fogo esquenta as noites frias de junho. No Boqueirão, na Sussuarana, no Riacho, por todo canto do Seridó, tem família reunida para preservar a tradição e aproveitar o bom do mês junino. O arraiá só tem graça quando o sanfoneiro chega. Antônio dá as primeiras notas na sanfona, Dedé chega com o triângulo e Francisco com a zabumba. Não falta animação no arraiá do Seridó.

Tem festival de quadrilha, tem noiva, tem padre, casamento e tributo a Gonzagão. Tem pai da noiva com carroça improvisada, sendo a carroagem encantada para a apresentação incrementar. Tem madrinha de fogueira. Tem vestido cheirando a guardado. Tem sapato emprestado para a quadrilha dançar. Estilizada ou matuta, os meninos ensaiam o ano inteiro para na praça brilhar. As meninas rodopiam com suas saias coloridas a encantar. Na voz do puxador, versos rimados para agradar o público e animar os dançarinos. Os olhos da platéia ficam parados a contemplar. Quem será a campeã deste ano? No Seridó, noite de São João é mágica. Na cidade ou nos sítios dos arredores.

Votos: 0
|

Sexta-feira, 03 de junho de 2011 11:08 am

Observadores crônicos



Sumida. Exagerada. Displicente. Sonhadora. Observadora...Crônica. Olhar, ver, assistir. Na tela, inúmeras notícias. Na rua, os pingos tímidos da chuva. Dentro das pessoas, um desejo indecifrável. Quando vir no canto, alguém que pouco fala, suspeite, pode se tratar de um observador crônico. Mas não tema, esses tipos não costumam fazer mal a ninguém. Observam com o canto de olho e raramente intimidam. Quem muito olha, muito sonha, muito viaja e age sim, mas sem ser percebido.

 
Ficar na espreita às vezes é o melhor caminho para se dar bem na vida. Isso não é falta de expressão. O silêncio fala tanto. Possibilita a comunicação corporal. Quando não há vozes o corpo fala. Os olhos brilham, as mãos suam. Os gestos afloram. Tudo que queríamos ou não, dizer, acaba eclodindo sem darmos uma só palavra.
 
Mas apesar de ter no silêncio o refúgio, os observadores crônicos também se rebelam pelas palavras e não gostam nenhum pouco de ficar engasgados. É raro, mas acontece e causa tumulto. Quando se pronunciam é sempre com o objetivo maior, como o de salvar a vida de alguém, ou quem sabe a sua própria.

Votos: 0
|


« primeira    « anterior    
Mostrando (1-10) de 15 resultados.