
A Nova Saga Pelo Velho Mundo
VIIIª Parte - Pont l'Èvêque a capital dos queijos e do Calvados




Depois de quase dez anos voltei a Pont l'Èvêque, de lembrança inesquecível. A terra do Calvados Pére Magloire, uma das dez maravilhas do mundo para se beber depois da água e do vinho. Na minha liquida e etílica concepção, está fazendo par com o terceiro da lista que é o Whisky o “cão engarrafado” ou o melhor amigo do homem como bem definiu o poeta Vinicius de Morais, e que deixa as pessoas “lindas”.
Depois de algum tempo perdidos numa pequena estrada secundária da maravilhosa Normandia, chegamos a uma cidadezinha, e logo na primeira rotatória, avistamos aquela marca conhecida, e meus olhos não resistiram lacrimejando de emoção.Seguimos direto para a cave. Estava eu lá, de novo degustando e apreciando, mas acima de tudo, recarregando a munição para divulgar esta maravilha.Já havia visitado outra cave próximo dali, e degustei não somente o calvados como também os outros produtos como os licores, cidras, sucos e geléias. Como as nossas cachaças, cada um dos inúmeros produtores de calvados na normandia tem sua receita e seu segredo, mas o Pere Magloire continua imbatível. É a Havana deles.
Sem muitas palavras, e ainda meio engasgado partimos para um lugarejo chamado Camembert, perto dali, no caminho de St Hyppolyte, do queijo Livarot, outro ícone da gastronomia francesa.
Antes que eu me esqueça, o que mais me fez feliz, foi neste contexto, lembrar que em Minas nós temos muitas coisas como estas por aqui na França, mas o que ainda nos falta é a cultura de preservar e exaltar estas maravilhas artesanais, e ensinar aos pequenos produtores a receber e a valorizar suas preciosidades. Nós chegaremos lá em breve,mas é preciso resistir às incursões indiscriminadas de alguns órgãos de regulamentação e de saúde pública, que se omitem da responsabilidade de ensinar as boas práticas, e oportunamente, por falta de estrutura ou de conhecimento, criam regras inatingíveis aos grandes responsáveis pela nossa cultura gastronômica, os pequenos artistas e artesãos das cozinhas. Se conseguirmos salvá-los da fúria destes burocratas, profissionais que geralmente não tiveram a oportunidade de conhecer ou viver o campo, e conseguirmos tirá-los, nem que seja por alguns instantes, de trás de suas mesas para visitar e conhecer as emocionantes e saborosas histórias de famílias de produtores, que há gerações vivem e criam seus filhos com estas atividades artesanais, nós poderemos sensibilizá-los.Só assim teremos, num futuro breve, um país culturalmente forte e reconhecido internacionalmente também por sua rica cozinha.
Até o próximo capítulo!
A NOVA SAGA PELO VELHO MUNDO
VIª Parte - Boulangerie, parada obrigatória


Nestes dias em que passamos na Normandia, e em toda a França, uma parada diária e obrigatória era nas padarias ou Boulangeries, não somente para comprar e degustar baguetes puras, mas para escolher e pesquisar as melhores pâtisseries e vienoiseries do mundo. Massas folhadas, quiches comuns, salgadas ou doces, de massa comum ou folhada, croissants, pães de chocolates, tortas de damasco, de frutas vermelhas, éclairs, etc etc etc etc..... Olha pessoal, isto em quase todas as pequenas vilas em que passamos nas viagens. Se tinha boa aparência (como na maioria) parávamos, nem que fosse para comprar uma água e ver as vitrines. Vocês podem imaginar?.
Saudações!!!!
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VIª Parte - Omelete de Mme Poulard




Até a próxima!
Vª Parte - Honfleur “um sonho”

Volto na esclamação dos amigos nordestinos... “ Home, Pense! ”
Pense numa cidadezinha linda, cheia de bistrôs, de galerias de arte, de lojas de artesanato, de hoteizinhos maravilhosos, gente bonita, gentil e hospitaleira e uma arquitetura única normanda, onde tudo funciona, mesmo com 20 cm de neve caindo dia e noite.
“ Pense! ”
É melhor ainda! È um verdadeiro sonho.
Quando morei em Paris, por várias vezes fugi para Honfleur, em diferentes épocas do ano, o que não altera muito o ritmo das coisas, apenas os perfumes e a paisagem que se alternam. Cada estação reserva suas surpresas, cada uma disputando ser a melhor e as pessoas se superando, agora comprovadamente, mesmo num inverno bravo, com 3° abaixo de zero e muita neve. Vale uma conferida. Para mim um dos melhores lugares do mundo. È bem fácil chegar, a cerca de 200 km de Paris, bem na foz do rio Sena, com opções de viajar por auto-estradas maravilhosas ou em encantadoras estradas secundárias, que vão acompanhando o rio e “visitando” uma série de bucólicos vilarejos . Além do mais, a Normandia produz a melhor bebida quente que existe (Me desculpem os amantes do conhaque, mas o destilado de maçã Calvados ou o“true Normand” , assim chamado de buraco da Normandia, pois é o que ele faz no estomago após as refeições), ainda é o melhor digestivo inventado pelo homem. Sem falar dos frutos do mar da Normandia, e principalmente dos queijos, Camembert, Livarot, das cidras, dos cremes e manteigas, de Pont Levecq,dos cordeiros salées do Mont Saint Michel, etc., “ Pense! “
Deixo os sabores para a imaginação de cada hummm!
IVª Parte - A viagem e a primeira baguette em solo francês
Para completar a saga londrina, nossa reserva na Normandia nos aguardava e as nevascas colaboravam para aeroportos fechados, trens parados, etc . Partimos então para uma viagem cheia de obstáculos para sair da ilha, e enfrentamos um trem regional para Dover no sul, seguimos de barco para Calais na França. E foi depois de algumas horas de apreensão que comemoramos a chegada em solo francês com um belo sanduíche de baguette crudité( Presunto, queijo e alface com o melhor pão do mundo).
Ainda nesta viagem, seguimos para Lilly e enquanto o frio apertava , na estação gelada, nos deliciamos com os croissants crocantes e gigantescos, e com café ao leite e chocolate quente. Vive la France!
Seguimos rumo a Paris.
Aguardem!!! Amanhã falo de Honfleur na Normandia.