21 maio 2012 23:25

Barbada da Semana

A Barbada da Semana de hoje tem caráter mais informativo, genérico mesmo. Sem especificação. Não vou indicar um vinho com bom preço, nem um restaurante com comida boa e barata, por exemplo. Entretanto, não deixarei de cumprir o propósito "barbadeiro". É só para avisar aos que ainda não sabem que a loja Mamãe Bebidas, ponto de encontro dos cervejeiros em busca de variedade e promoções quentíssimas, inaugurou filial no Sion: está à rua Patagônia, 642, e fica aberta de segunda à sábado, das 9h às 20h, e aos domingos, das 9h às 15h. Para quem acha a unidade da Contorno (1.955, Floresta) fora de mão, está aí uma opção! O telefone geral é (31) 3213-9494 e o twitter da loja, pelo qual sempre fico sabendo dos preços especialíssimos para boas cervejas, é @MamaeBebidas.

 

Dica preciosa: fique atento às cervejas cujos rótulos estão com prazo de validade próximo do fim, pois os preços despencam e, geralmente, é possível tomá-las tranquilamente, já que demoram algum tempo depois da data especificada até se tornarem realmente impróprias para consumo. Mas prevalece o bom senso, combinado? Não vá tomar cervejas vencidas há anos!

Votos:
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20 maio 2012 17:40

A mandioca, a linguiça e a origem

O Patorroco (Rua Turquesa, 865, Prado; 31 3372-6293) foi o campeão da edição deste ano do Comida di Buteco deste ano. Seu petisco concorrente, que não provei, foi o Sheik de Minas (foto abaixo): queijo tipo chancliche feito com queijo minas temperado e lagarto na conserva agridoce. É a primeira vitória do bar no concurso, do qual participou pela sétima vez.


Beto Eterovick/Divulgação

O anúncio foi feito ontem à noite, durante a festa de encerramento Saideira. Os demais colocados, do segundo para o quinto lugar, foram Casa Velha (Lagoinha), Bar da Lora (Mercado Central), Autentico's Bar (Estoril) e Bar Temático (Santa Tereza). Vale ressaltar que o Casa Velha, segundo colocado, é estreante na competição - um resultado e tanto, portanto.

O tira-gosto vencedor foi eleito levando em conta votos do público e de 41 jurados que visitarão cinco estabelecimentos, cada um. As notas, que vão de 0 a 10, contemplam sabor do petisco (50%), apresentação do petisco (20%), atendimento (10%), higiene do bar (10%) e temperatura das bebidas (10%).
 
Ano que vem, os ingredientes obrigatórios do CdB serão linguiça e mandioca. Pode parecer uma escolha absolutamente banal, mas é possível interpretar isso com mais “maldade”. Se levarmos em consideração a ótica de valorização do ingrediente proposta pelo evento nos últimos anos, logo pensaremos não apenas em formas de cocção, apresentação e combinação, mas também em origem.

Essa é a palavra que, hoje, define muita coisa na gastronomia.

A origem está no centro das discussões do queijo minas de leite cru (um dos ingredientes do CdB este ano), por exemplo. Quem conhece e sabe usar os diferentes tipos de mandioca que temos? Quem ainda acredita que vale a pena produzir a sua própria linguiça ou, pelo menos, se esforça para selecionar bons produtores? Porque a linguiça de Formiga é diferente da de São Roque, que é diferente da de Paraopeba?

Bem, são apenas especulações. Não sei se os bares farão a mesma leitura do tema que eu, mas que essa conversa pode ir longe, não tenho dúvidas. Acredito que a questão, no caso do CdB, não é estimular a “invenção de moda” (como muita gente adora criticar), mas convidar os bares a refletir sobre o que estão fazendo. Pesquisar para fazer melhor e valorizar o que é nosso. E se for com criatividade, melhor ainda.

Votos:
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19 maio 2012 21:20

Comendo em Cabo Frio, parte 3

Havia iniciado aqui no blog trilogia sobre os melhores momentos gastronômicos da viagem que fiz à Cabo Frio (RJ), lugar que visito desde a infância, no início do ano. Descubro uma ou outra coisa por lá, mas vou sempre pensando em comer certas coisas, como já mostrei na parte 1 e na parte 2 deste post. Completo a trilogia com esse safári fotográfico pelo Mercado Municipal de Peixe, bom lugar não apenas para comprar pescados e frutos do mar, mas para um passeio sem compromisso. Pode começar ou terminar no restaurante instalado na parte de cima, onde matei minha curiosidade sobre ovas de abrótea:



Servitas fritas e com um gominho de limão, devem ser o item menos pedido do cardápio. Não foi aquela explosão de sabor de ova de peixe que eu imaginava e achei meio ressecada (será que todas ficam assim depois de fritas?), mas valeu a experiência. Comida no papinho, pé no caminho.



Mexilhões sem concha e polvos inteiros:



Há quanto tempo não vejo cavaquinha, um dos meus crustáceos favoritos!



Tem lagosta também, claro:



Camarão, camarões:



Que lagoa é essa?



Lulas também inteiras:



Seleção de lombos, mas de peixe:



Siri vivo, é só chegar!



Desculpa aí, mas adoro polvo....



Tudo junto e misturado:



Belas douradas:



O amarelado delas é bonito, não?



E o penteado, que tal?



Alguém aí sabe o nome desse peixinho de cara engraçada?



Aos interessados, aviso que há ovas para levar para casa por lá:



Ops!



Enfim, lagostim!



Anote aí: o mercado fica à avenida Wilson Mendes, 1, Jacaré. Para quem vem do centro de Cabo Frio, basta pegar a ponte que leva à Gamboa e virar a esquerda, sem entrar na temida rua dos biquinis, é lógico. Qualquer coisa, o telefone de lá é (22) 2620-1267. E quem encara esse restaurante que fica do outro lado da rua?


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18 maio 2012 20:04

Vitor Sobral em BH semana que vem

Um dos nomes maiores da gastronomia portuguesa atual, Vitor Sobral comandará duas noites de festival gastronômico no restaurante Gomide (Rua Tomaz Gonzaga, 189, Lourdes; 31 3292-4928), terça e quarta, dias 22 e 23. O menu terá como tema o poeta conterrâneo Fernando Pessoa: a partir de sabores evocados nas obras e preferências pessoais dele, o chef criou pratos que refletem a culinária de Portugal em perspectiva histórica, levando em conta as conexões com o Brasil e a África.


Fotos Luna Garcia/Divulgação

O cardápio será o seguinte:

Entrada
Creme frio de mandioquinha, coco e caviar
Primeiro prato
Camarão em salmoura, palmitos frescos confitados e vinagrete de maracujá
Segundo prato
Bacalhau no forno, creme de couve-flor, tomate assado e amêndoas torradas com especiarias
Terceiro prato
Empada de perdiz com guisado de cogumelos e alecrim.
Sobremesa
Azevia de mandioca e gengibre; creme de arroz doce com canela e hortelã; e creme brûlée com aroma de cumaru

Esse menu custa R$ 195 por pessoa (sem bebidas). Com vinhos harmonizados para todas as etapas, sai por R$ 260. É aconselhável reservar.

Vitor já viajou por vários países de língua portuguesa e é especialmente talentoso nessa fusão de influências, tendo sempre a matriz lusitana como referência. O chef  abriu ano passado outra unidade da Tasca da Esquina, em São Paulo - a "tasca mãe" fica em Lisboa. A proposta da casa é mais descontraída que a de seu extinto restaurante Terreiro do Paço (também na capital lusitana) e, pela entrevista que me deu por e-mail, não descarta inaugurar outras filiais dela por aí.

Essa foi, basicamente, nossa conversa:


Você já viajou por países de língua portuguesa. No caso do Brasil, que influências absorveu, em termos de técnicas, produtos etc?
A cozinha regional brasileira, ao longo dos últimos anos, tem sido uma grande fonte de inspiração para mim. Sobretudo porque a base é exatamente igual à cozinha regional portuguesa. O que difere são as misturas de ingredientes.

Como vê a ascensão do Brasil na lista da revista Restaurant?
Penso que a nível internacional é uma boa imagem para o Brasil.

Portugal teve apenas um restaurante contemplado, o Vila Joya. Avalia que esse resultado reflete bem o cenário gastronômico português?
Estranho seria se o Brasil não tivesse mais restaurantes que Portugal. O Brasil tem aproximadamente 200 milhões de habitantes e Portugal, aproximadamente 10 milhões. A diferença de votos é muito grande. Embora isso não tire mérito nenhum à votação brasileira, não podemos comparar em termos absolutos o cenário gastronômico português com o brasileiro, com uma votação de uma revista.

Pretende levar a Tasca da Esquina para outras cidades e países?
Sim. Se encontrar o parceiro e local certos, tenho isso como objetivo.

Pretende abrir outro restaurante nos moldes do que era o Terreiro do Paço?
Não. Penso que hoje a restauração tem que evoluir em função do que o cliente procura e a sociedade em geral, cada vez mais, procura restaurantes descontraídos e pouco formais. Talvez no futuro possa fazer um restaurante muito pouco formal, mas com uma cozinha mais elaborada do que aquela que faço hoje nas tascas. Se sentir que o mercado procura esse modelo, estarei atento. Hoje não sinto.

Apostar num restaurante que tenha pratos mais baratos significa repensar o que? O que muda em termos de ingredientes, técnicas e funcionários?
O que muda, basicamente, são os custos da estrutura e diminuir os desperdícios com uma cozinha mais simples. Os produtos são os mesmos.

Depois da Tasca da Esquina, outras casas portuguesas foram abertas em São Paulo. Podemos falar em tendência?
Talvez!



É um bom momento para a gastronomia portuguesa no Brasil?
Posso parecer suspeito, mas penso que é sempre um bom momento para abrir restaurantes de cozinha portuguesa no Brasil. A razão prende-se com a história. E costumo dar sempre um pequeno exemplo que é fácil de entender: quando se começa a cozinhar no Brasil, o que se faz? Um refogado/puxadinho. Quando se começa a cozinhar na cozinha portuguesa, o que se faz? O mesmo! Quero com isto dizer que, apesar de os mais distraídos não perceberem as semelhanças, as ligações são muito fortes, com muitos anos de existência. Na verdade, a forma de estarmos à mesa é idêntica.

A gastronomia portuguesa é riquíssima, mas até hoje os brasileiros lembram basicamente do bacalhau quando pensam nela. Isso te incomoda?
Na verdade não me incomoda. Motiva-me mais para dar a conhecer o que são as minhas raízes.

Você sente que essa percepção do público vem mudando?
Sim! Hoje não quero dar um número preciso, mas penso que, em termos de turistas brasileiros, recebemos apenas em Lisboa cerca de 800 mil visitantes por ano. Faz toda a diferença de uns anos para cá. Há dias em que a Tasca da Esquina de Lisboa mais parece a Tasca da Esquina de São Paulo, porque a língua oficial é português, mas do Brasil.

Você conhece bem a culinária mineira?
Sim. É das que mais valorizo, talvez por ter uma grande identificação com o Alentejo, terra de origem da minha família. O porco é um produto muito bem trabalhado na cozinha mineira.

Votos:
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17 maio 2012 22:44

Uma pequena notável do sorvete

Entre as diversas vantagens de andar a pé, está a possibilidade de descobrir lugares novos, que a gente demoraria um tempo danado para conhecer se estivesse para lá e para cá somente de carro. Sempre que posso, faço isso. E eis que no meio do caminho, num pacato (e agradabilíssimo) quarteirão da rua Grão Pará, no Santa Efigênia, avisto isso:

 

 

A sorveteria Inventiva está lá, no número 553, há nada menos que um ano e quatro meses. Lugar pequenino e charmoso, comandado pelo designer Carlos Sia, cuja profissão justifica o capricho com o ambiente, a identidade visual e outros detalhes que a gente logo percebe ao entrar na pequena loja. Não é bacana a tipografia da loja?

 

 

Falemos dos sorvetes. Carlos já era apreciador dos gelados e quando soube que certos bons sorvetes são feitos com creme de leite, aquela lâmpadazinha da boa ideia se acendeu na hora! A família é dona de um laticínio perto de BH! Logo, o acesso ao ingrediente é fácil e, obviamente, mais barato. Não é só: ele usa exclusivamente creme de leite fresco.

 

 

O sorvete de lá é realmente muito bom. Sabendo dessa particularidade de produção, fui de cara no de creme de nata (gostei!) e, na sequência, provei mais alguns sabores. O de panna cotta foi um dos melhores, seguido pelos de chocolate (não é um sorvete de chocolate qualquer), coco e doce de leite com nozes.

 

 

A loja também tem sorbets (o de limão siciliano é bom), alguns sorvetes sem lactose (à base de soja) e outros com bebidas alcóolicas (de caipirinha e de Amarula com rum). Os sabores variam constantemente e pela página dela no Facebook dá para acompanhar o que há de novo nos freezers. No final da tarde de hoje postaram lá que uma caixa de sorvete sabor iogurte com ameixa havia acabado de ser aberta. O quilo de qualquer um custa R$ 38,90.

 

Vou virar freguês.

 

Recapitulando, a casa fica na rua Grão Pará, 553, Santa Efigênia e abre diariamente, das 12h às 19h. O telefone de lá (31) 3241-2342.

 

P.S.: Dou parabéns à sorveteria pela grafia correta da palavra tiramisù, que pouca gente acerta nos cardápios. A propósito, é um dos sabores de lá, com pedacinho de biscoito e tudo mais.

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16 maio 2012 23:29

Vinhos lá do alto logo aqui

Estão para chegar nas gôndolas do supermercado Verdemar nos próximos dias 16 vinhos de cinco vinícolas da região argentina se Salta, mais especificamente da área de Cafayate. E daí? Bem, tal origem desperta mínima curiosidade, já que Mendoza é a região que responde por 70% a 80% da produção do país vizinho atualmente. Estive na loja recentemente para participar de uma prova incluindo dez desses novos rótulos e confesso que saí muito bem impressionado com a qualidade (e preço, em alguns casos) dos rótulos.

 

A seleção foi feita por Carlos Arruda, consultor de vinhos do Verdemar, que esteve em Cafayate com outros compradores brasileiros a convite da associação de vinícolas de Salta. Detalhe: a entidade começou esse plano de divulgação por Minas Gerais. A região fica no noroeste da Argentina, próxima aos Andes e à fronteira com a Bolívia. A altitude elevada, o sol forte e a grande amplitude térmica diária são algumas das principais características a influenciar a vinicultura local. Carlos contou que chegou a experimentar 28 graus durante o dia e 1 à noite! Há vinhedos plantados acima dos 2 mil metros.

 

Cafayate, onde está concentrada 70% da produção de Salta, sempre cultivou principalmente a uva branca torrontés e ainda hoje é muito conhecida por causa dela. Na ocasião, provei três rótulos elaborados só com essa casta, entre os quais destaco o Vasija Secreta pelo custo-benefício. Vinho de R$ 30 e com perfil um tanto diferente dos torrontés que já provei: muito aromático, como de costume, mas com untuosidade e mais corpo em vez de frescor total. Também me chamou a atenção o Tukma Gran Torrontés (R$ 47), que tem notas de especiarias e algum tostado.

 

 

Os sete vinhos restantes foram tintos, com predomínio de malbec e cabernet sauvignon. Entretanto, um dos pontos altos, na minha opinião, foi o tannat Nanni Reserva Organic Grapes (foto acima; R$ 63), elaborado com uvas de vinhedos orgânicos de diferentes idades (incluindo alguns com 50 anos). Chocolate bem marcado, com taninos equilibrados. Outro rótulo que muito me agradou foi o cabernet sauvignon Desvario (R$ 46), sem madeira e bastante equilibrado.

 

 

Nas seção de malbec, dois exemplares bem distintos e interessantes. A começar pelo Tukma Reserva (foto acima; R$ 38), também com bom custo-benefício: taninos bem presentes equilibrados com a doçura típica da casta; madeira bem integrada, sem apagar todo o frescor da fruta. Muito bom. Já o Desvario (foto abaixo; R$ 46) não tem o caráter “terroso” do rótulo anterior e apresenta-se bem mais leve, com maior frescor e taninos mais macios. Aliás, boa pedida é comprar os dois para fazer uma degustação comparada. Vale a pena.

 

 

A maioria desses rótulos recém-chegados nunca foi vendida no Brasil e o Verdemar tem exclusividade na sua comercialização em Minas Gerais. Dos 10 que provei, apenas três custam mais do que R$ 50 e pelo menos outros três têm boa relação custo-benefício. O desafio, acredito eu, é fazer com que o freguês menos ousado (ou curioso) “arrisque” trocar ao menos uma vez os tradicionais vinhos de Mendoza pelos de Salta na hora de comprar. Porque quem é minimamente interessado por vinho certamente vai querer prová-los.

 

Carlos Arruda analisa que, num futuro próximo, o preço dos vinhos da região poderá aumentar consideravelmente. Isso porque, para ele, em Cafayate não há para onde a produção vinícola crescer, já que a área é delimitada geograficamente (deserto, cordilheira etc). Para se ter ideia, a vinícola Tukma, que só faz três vinhos, vende 80% de sua produção para os Estados Unidos, país apreciador de seu malbec. E dizem que japoneses já estiveram por lá, interessados em comprar contêineres de vinhos da região.

Votos:
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14 maio 2012 11:29

Barbada da Semana

É sempre bom variar, mas quando tentadoras ofertas aparecem, não há como ignorá-las! Por isso, retorno ao supermercado Super Nosso para comunicá-los das seguintes barbadas:

- Adoro o tinto português Crasto, da região do Douro. Andava na casa dos R$ 60, mas felizmente voltou ao preço de outrora, R$ 49,90! Uma belíssima barbada! Tinta roriz, tinta barroca, touriga franca e touriga nacional entram na composição deste vinho macio, de taninos delicados e absolutamente delicioso de beber. Viva! Há o 2008 e o 2009 nas gôndolas.

- É sempre bom ter a mão uma boa mostarda dijon. Serve para uma infinidade de aperitivos (salmão, por exemplo), entra muitíssimo bem num molho de filé e casa finamente com carne de porco num sanduíche. A francesa Maille com pimenta verde está por R$ 6,98 (230g).

- Sei que esta é a terceira vez que falo do azeite português Quinta do Bispado, mas é por um motivo mais do que justo. Bom exemplar do Douro, suave e aromático, mas com validade próxima de vencer: dezembro deste ano. Vi por R$ 19, baixou para R$ 15 e hoje está à venda por ridículos R$ 7,90!

- A boa cerveja Weltenburger Kloster Anno 1050, feita no Brasil com receita alemã, está por R$ 10,90. Pelo que lembro, é um preço pouco abaixo do habitual.

- Outro bom azeite português com preço interessante é o Azeite Novo da Gallo, um dos meus preferidos em se tratando de relação custo-benefício. Já vi por R$ 19 num Carrefour Bairro em 2010 e, mesmo por R$ 23, continua sendo uma legítima barbada!

Votos:
Tags: barbada    azeite    vinho    mostarda    cerveja    super  nosso    oferta    promocao    barato    crasto    maille    gallo    novo    weltenburger  kloster    quinta  do  bispado 

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09 maio 2012 16:39

Receita de massa "meia estação"



Outro dia fui almoçar no D'Istinto (Rua Maranhão, 1.123, Funcionários; 31 3223-5327) e, como das outras vezes, saí contente com o que comi. Em dúvida entre dois ou três pratos, fui de farfalle com atum fresco. O que me chamou a atenção foi o quê "meia estação" dessa massa. Em outras palavras: tem creme de leite, mas não é pesada; tem a acidez do limão siciliano, mas sem a refrescância das "receitas para dias quentes". Há cogumelos de paris frescos para conferir alguma crocância e o atum fresco, quase desnecessário dizer, tem textura e sabor incomparáveis. Traduzindo: não use atum em conserva! Acho que vale a pena tentar fazer em casa.

Por isso, pedi a receita ao chef Wilson Gonzaga, que comanda o restaurante e gentilmente se dispôs a compartilhá-la conosco. Anote aí:


Farfalle com atum fresco
Para uma pessoa

Ingredientes
100g farfalle
100g atum fresco em cubos
3 ou 4 cogumelos de paris frescos
120ml creme de leite fresco
raspas e suco de limão siciliano a gosto
sal a gosto
pimenta-do-reino a gosto
salsinha picada a gosto
manteiga para saltear os cogumelos

Modo de preparo
Leve uma panela com muita água ao fogo e, quando ferver, adicione um punhado de sal. Adicione a ela a massa e cozinhe até que esteja al dente. Enquanto isso, tempere o atum com sal e pimenta-do-reino moída na hora. Fatie os cogumelos e salteie rapidamente numa frigideira com a manteiga. Na mesma frigideira, coloque o creme de leite e, quando estiver iniciando fervura, acrescente o atum. Deixe cozinhar por uns três minutos, acrescente as raspas e o suco de limão siciliano. Se necessário, ajuste o sal. Imediatamente, acrescente a massa (já cozida al dente e escorrida), envolva-a no creme, acrescente a salsinha e sirva em seguida.

Votos:
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07 maio 2012 23:17

Barbada da Semana

Mais uma vez, temos azeite na Barbada da Semana. E agora não português (ora pois!), mas espanhol. Trata-se da edição limitada da marca Hojiblanca, batizada de Primeira Colheita, à venda por menos de R$ 20 (garrafa de 500ml). Gostei dele. Aromático, de amargor moderado e pouca picância – e olha que adoro os azeites picantes! Em geral, um azeite de perfil diferente dos lusitanos que vinha usando em casa, em geral do Alentejo e Douro.

 

A acidez desse extravirgem, embalado em garrafa numerada, não passa de 0,15% e ele não é filtrado. O rótulo não informa que tipos de azeitonas são usados, embora ateste que são provenientes do início da colheita, em novembro do ano passado. Só dá para saber que a região de onde elas vêm é a Andaluzia, no sul da Espanha. A Hojiblanca, que tem sede lá, mais especificamente na cidade de Antequera, opera por meio de 51 cooperativas na parte central dessa região espanhola.

 

Aliás, a Hojiblanca, marca recém-chegada ao Brasil (representada aqui pela Sandéleh Alimentos), declara-se a maior produtora de azeite e azeitona de mesa do mundo. Espécie de reunião de cooperativas andaluzas (regiões de Córdoba, Málaga, Sevilha e Jaén), reúne 26 mil famílias de agricultores que cultivam 24 milhões de oliveiras espalhadas numa área de 200 mil hectares. A média anual de produção é de 85 mil toneladas de azeite de oliva virgem e 35 mil toneladas de azeitonas de mesa.

 

Além do Primeira Colheita, também chegaram ao mercado nacional três azeites monovarietais da marca (todos com 0,3% de acidez), feitos com azeitonas das variedades arbequina, cornicabra e verdial. Também estão nas prateleiras o extravirgem simplesmente intitulado Hojiblanca (0,3% de acidez) e dois vinagres, um de jerez DOP e outro balsâmico de Módena IGP. À exeção do Primeira Colheita, todos à conferir.

Votos:
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02 maio 2012 12:03

Algumas palavras sobre o queijo minas



Estamos em pleno Comida di Buteco. O evento gastronômico de maior popularidade em Belo Horizonte dura exatos 31 dias e termina no segundo domingo deste mês. Como nas últimas edições, a competição anual pelo título de melhor tira-gosto da cidade mobiliza 41 bares em torno de um tema. Desta vez é o queijo minas. Todos têm de usá-lo nas receitas concorrentes, seja ele frescal, padrão ou elaborado com leite cru (descrito como “artesanal” no evento).

Não é preciso muita pesquisa para descobrir que os melhores queijos de Minas, ou seja, aqueles que melhor expressam as características de sabor, aroma e textura da região onde são feitos, são os de leite cru. Especialmente aqueles já identificados como Canastra, Serro, Araxá e Cerrado. Não é conversa de especialista, pois qualquer um pode comprovar. Basta ter nas mãos um exemplar de leite cru e outro de leite pasteurizado, ambos da mesma região. Uma faca e um pouco de atenção. E só.

Entretanto, foram poucos os bares que optaram por esse produto de excelência: cerca de quatro (Chef Túlio, Escritório da Cerveja, Köbes e Pimenta com Cachaça), sendo que apenas um deles (Chef Túlio) especificou na descrição do petisco a origem do queijo (Serra do Salitre, na região do Cerrado). Eduardo Maya, um dos organizadores do evento, acredita que a baixa utilização do queijo de leite cru pelos bares participantes se deve sobretudo ao preço (elevado, em relação aos exemplares do tipo padrão e frescal) e ao volume de produção, insuficiente para atender a demanda durante a temporada.

Longe de ser considerado um fracasso, esse cenário deve ser interpretado como passo importante para a valorização e popularização dos queijos de leite cru no estado. Os botecos são parte essencial da personalidade gastronômica mineira e buscar neles aceitação desse produto é uma estratégia importante. Falar em queijo com denominação de origem num bar pode soar impensável hoje, mas os milhares e milhares de botequeiros atualmente em caravana por BH não podem ser desprezados.

Quilos
Para se ter ideia, Eduardo estima em 35 toneladas o consumo de queijo (somando os três tipos) pelos 41 bares da capital mineira durante o Comida de Buteco. Só nos primeiros três dias do evento, a cozinha do Chef Túlio (foto abaixo), por exemplo, usou 180 quilos do queijo de leite cru Ouro, produzido por Vitor Ferreira Silva na cidade de Serra do Salitre, na região do Alto Paranaíba. Na visão “queijeira”, é a região do Cerrado.



Até dia 13, calcula, venderá nada menos que uma tonelada do queijo por meio de seu “Pachá do cerrado mineiro”: três fatias grossas desse queijo empanadas e fritas, servidas em cama levemente apimentada de frutas vermelhas e com pão italiano que reproduz fielmente um queijo minas que acabou de ser experimentado. A porção custa R$ 22,90 (esse é o preço máximo em todos os bares).

“Acho que essa é uma grande oportunidade para o queijo minas se consolidar. Principalmente nos mercados fora de Minas Gerais. A quantidade de gente de outros estados aqui no bar é fantástica. O pessoal do Rio de Janeiro é o que mais vem, seguido pelo de São Paulo”, conta o proprietário da casa, Túlio Montenegro.

Este ano o Comida di Buteco é realizado simultaneamente em outras 14 cidades, como Rio de Janeiro (RJ), Belém (PA), Fortaleza (CE), Salvador (BA) e, no interior mineiro, em Montes Claros, Uberlândia, Poços de Caldas, Ipatinga e Juiz de Fora. O queijo é tema apenas em Minas Gerais; ano que vem, é provável que todas as cidades realizem o evento em torno de um mesmo assunto.

Na capital paulista, 16ª cidade a integrar o circuito nacional do Comida de Buteco, o concurso começa só dia 1º de julho. Isso ocorrerá apenas desta vez, já que o calendário da próxima edição será o mesmo para todas as cidades participantes. A propósito, as cidades paulistas de Ribeirão Preto, Campinas e São José do Rio Preto integram o circuito do Comida di Buteco desde 2010.



Surpresas
“Será difícil para o público perceber grande diferença entre os queijos usados nos petiscos do evento”, confessa Eduardo Maya. A fala dele se justifica pelo fato de muitos proprietários de bares terem optado por receitas nas quais nem sempre são preservadas as características dos queijos tais como quando são comprados. Traduzindo: houve diluição em molhos, misturas com ingredientes de sabor forte e, como esperado, frituras.

Novamente, é preciso lembrar que esse pode ser considerado um passo importante na difusão dos queijos de leite cru pelo estado. A intenção do Comida di Buteco, obviamente, não é desorientar o público com diferentes terroirs, mas despertar nele a curiosidade em torno de queijos sem similares no restante do país. A partir daí, está aberto o caminho para estimulá-lo a consumir mais e melhor. Segundo Eduardo, chegou a ser estudada a venda de queijos nos bares durante o evento, mas a ideia não saiu do papel.

“O queijo é o mais mineiro dos ingredientes e me surpreendeu o fato de ninguém saber exatamente o que é o queijo minas. Confundem com muçarela e outros queijos. Precisamos conhecer o queijo e utilizá-lo não só para tomar café, mas também como ingrediente na culinária. Dá para fazer grandes receitas valorizando o que é nosso. Já fiz experiências variadas com queijo minas, incluindo estágios de cura. Os de um ano são uma espécie de parmesão espetacular”, observa Eduardo.

Provocações
Ponto de encontro dos que procuram por queijo de leite cru em BH, o Mercado Central é representado pelo Bar da Lora. Contando com apenas uma boca de fogão e uma pequena chapa (diante de um balcão sempre apinhado de fregueses), a proprietária Eliza Cristina Fonseca - a Lora em questão, na foto abaixo - tem chegado ao local diariamente às 5h para conseguir atender a enorme demanda pelo que batizou de “Coisas da Lora”. É uma porção de cupim e costelinha com batatas, molho de queijo e cubinhos de queijo temperados com ervas.



Levando em conta que a criatividade nas receitas é uma das marcas do evento, nada mais natural do que explorar isso por meio da variedade presente na “paleta” de sabores, aromas e texturas do queijo minas. No caso dela, queijo meia cura de Araxá para o molho e frescal para os cubinhos temperados - tudo comprado ali mesmo no mercado. “O queijo curado tem sabor mais apurado e dá liga ao molho”, justifica Lora.

Por falar em criatividade, outro bar que chamou a atenção pelo uso do queijo minas foi o Família Paulista. Petiscos inventivos se tornaram a marca da casa no Comida di Buteco e, desta vez, a equipe decidiu não apenas diversificar o uso do ingrediente, mas também provocar o paladar do mineiro. Apesar de já ter escutado algumas críticas, o proprietário Nicola Vizioli decidiu manter intacta a receita do bolinho de queijo, que tem como principal ingrediente um canastra cujo sabor é considerado por alguns como forte e salgado.

“Ele é salgadinho mesmo, é ótimo para comer tomando cerveja”, garante ele. Além do polêmico bolinho, a porção intitulada “Entre tapas e queijos” é composta por “pirulito” de frango com presunto, crocante de queijo minas, rolinho de lombo defumado com azeitona preta ao molho de limão e, no centro, um potinho de chips de mandioca. E essa é apenas uma das 41 interpretações do queijo minas estimuladas pelo Comida di Buteco. Imagine o que pode estar por vir.

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