
Estou para falar que nunca vi uma seleção de
vinhos em taça
tão grande e atraente como a do recém-inaugurado restaurante francês
Au bon vivant
(Rua Pium-I, 229, Cruzeiro; 31 3227-7764), tema de
matéria
minha no caderno
Divirta-se
dessa última sexta (clique
aqui
para lê-la). A carta de vinhos tem
35 rótulos da França
que chegam ao freguês com preços razoáveis graças à logística de
exportação e importação
mantida pelo restaurante entre o país europeu e o Brasil. Os preços (garrafa de 750ml) vão de
R$ 38 a R$ 184
, mas a maioria dos rótulos fica em torno de
R$ 50
. Esses são os donos da ideia,
Philippe
e
Silvana Watel
:
Daniel Protzner/Divulgação
A
barbada
em relação às taças? Dos 35 rótulos, nada menos que
32
são oferecidos em taça, a maioria vendida entre
R$ 8 e R$ 12
. E esses mesmos 32 são vendidos também em
jarra de 500ml
, com preços geralmente
R$ 10 a R$ 20 mais baixos
que os das garrafas inteiras. Uma tacinha de branco para começar? R$ 8 se for um sauvignon blanc do vale do Loire. Quer ver qual tinto vai melhor com o cordeiro? Há um Bordeaux de R$ 10 e um Saint-Emilion Grand Cru de R$ 25. E ninguém precisa ficar a seco durante a sobremesa, pois há três vinhos doces também em taça, incluindo um Sauternes (R$ 26).
Bom não é?
No início do mês publiquei matéria (clique
aqui
para lê-la) sobre o menu especial que o restaurante francês
Taste-Vin
(Rua Curitiba, 2.105, Lourdes; 31 3292-5423) está promovendo esta semana para comemorar seus
25 anos
de existência. Não é um cardápio temporário qualquer, mas a interessantíssima
reapresentação de algumas das melhores receitas
que foram servidas na casa desde sua inauguração. Umas são feitas até hoje, outras foram apreciadas apenas durante curto período. Era para terminar hoje, mas a procura foi tão grande que o chef e proprietário
Rodrigo Fonseca
resolveu
esticar a temporada
, que recomeça nessa
segunda-feira, dia 20
, e termina sábado que vem, dia 25. Sempre no
jantar
, à partir das 19h30. Eis o
anfitrião
da festa:
Paula Huven/EM
Só de
suflês
são
12 variedades
, sempre identificados com as
datas
em que foram servidos pela primeira vez. Olha só:
-
Espinafre
com passas e maçã (1988)
-
Gruyère naciona
l (1988)
-
Gorgonzola
(1988)
-
Surubim defumado
e gruyère (1988)
-
Camarão
com gruyère e cogumelos (1988)
-
Queijo de cabra
, tomilho e azeite (1998)
-
Aspargos
verdes frescos (1997)
-
Gruyère suíço
(1999)
-
Bacalhau
com alho-poró e azeitona preta (1997)
-
Chocolate
(1997)
-
Maracujá
(1997)
-
Café
e chocolate (2006)
Não vou listar aqui todas as
entradas e pratos principais
, pois são muitos, mas aqui vão alguns dos mais interessantes (também com “data de nascimento”). Começo pela
bochecha de porco
(2007)...
2ByFood/Reprodução
... que comi recentemente lá e estava realmente
deliciosa
, acompanhada por legumes glaçados.
Recomendo!
Mais algumas pedidas:
-
Coxa e sobrecoxa de pato
confitadas ao molho de amora com salada verde (1996)
-
Salada de folhas verdes
com pancetta, gorgonzola, vinagrete morno de limão capeta e torradas (2006)
-
Cherne
em crosta de macadâmia, banana da terra e ketchup de pimentão (2011)
-
Codornas
grelhadas ao vinho do porto com cogumelo shiitake (1999)
-
Coelho
ao molho de mostarda dijon (1997)
-
Peito de pato
grelhado molho de vinho tinto e pimenta dedo-de-moça com chutney de pêra (1997)
-
Galinha d’angola
grelhada ao próprio molho com batata dauphinoise (2004)
-
Trouxinhas de rabada
envoltas na taioba com arroz branco (2009)
Os
preços
acompanham os do cardápio regular, com entradas a partir de R$ 27, pratos individuais entre R$ 42 e R$ 92 e sobremesas começando em R$ 16. Ah, as
sobremesas
! Tem
amor em pedaços
(receita da mãe de Rodrigo) com creme de mascarpone e raspas de limão (2012),
pêra Saint-Laurent
(1990) e
profiteroles ao chocolate
(1988).
Vale a pena!
Sei que tem gente que não acha graça e que outros preferem o Olivier Anquier, mas eu estou achando o
maior barato
essa nova temporada do programa do
Claude Troisgros
, intitulada
Que marravilha! Revanche
. Já vi uns três episódios, que vão ao ar sempre às
quintas
,
21h
, no canal
GNT
. Agora, em vez de ensinar um leigo e dar nota ao prato dele, o chef francês tem de aprender uma
receita tradicional de família
e tentar conquistá-la com a sua versão. Missão dificílima, claro...
Fotos: Jardim Móvel/Divulgação
Modificar um programa de culinária como esse é um
risco
, pois, a meu ver já funcionava muito bem. Além do talento na cozinha, Claude demonstrou perante as câmeras ser
engraçado
e
espontâneo
. Encarnou bem o papel de crítico da cozinha dos leigos e sem deixar ninguém constrangido ou chateado. Tudo com o maior
bom humor
. Por esse motivo, difere da maioria das atrações do gênero, seja nos canais abertos ou pagos.
Uma
ressalva
: na temporada anterior,
Que marravilha! Verão
, houve mais
papo com celebridades
do que gastronomia. Algumas receitas interessantes mas, sinceramente, não gostei do formato.
O desafio de Claude começou na casa da família
Mosci
, de origem italiana, onde provou centenária receita de
capeletti
. Aprendeu a fazê-la e foi para seu restaurante
Olympe
, no Rio de Janeiro, para oferecer aos anfitriões
nova versão do prato
. Ah, antes disso, teve de tentar advinhar qual era o
ingrediente secreto
usado na receita caseira - nesse caso, era canela, mas o chef
não conseguiu descobrir
, apesar do palpite ter sido ter sido bom.
Agradou, mas não o suficiente. Como resultado, ganhou um
prato em branco
e não o colorido (que o mostra ao lado da família). Os Mosci gostaram do caldo e do cogumelo que o chef acrescentou, mas ninguém aprovou os retalhos de massa que ele fritou para dar toque crocante ao capeletti. Detalhe: Claude acompanha a
reação da família
por circuito fechado de TV,
sem ouvir o que é dito
, trancado na despensa do restaurante.
Mesmo assim, garante o chef, a
experiência tem sido ótima
. “Conhecer as famílias e o que comem é o melhor do antigo formato do programa. Agora, conheço ainda mais e isso é ótimo. Aprendo muito. Sou um cara experiente na cozinha francesa e conheço um pouquinho sobre comida brasileira, italiana e espanhola”, observa ele. Até o final desta temporada ele terá encarado a
feijoada
dos Pinheiro, a
moqueca
baiana dos Britto, o
filé recheado de cogumelos
dos Cavalieri e o
vatapá paraense
dos Bezerra.
Uma
observação
: nem todas as famílias entendem o
propósito
do programa do mesmo jeito e acabam
comparando
sua receita à do Claude de um jeito que não leva a nada. Não é por aí, vamos combinar...
“Poderia ser algo fácil, mas não é. São receitas de família, com
muita tradição
, passadas de geração em geração e que vêm até de outros países. É uma dificuldade. Primeiro, porque não conheço bem algumas comidas de
outros lugares
. Depois, por estarem ligadas à
emoção
das pessoas. Elas têm aquele sentimento de não querer mexer nas receitas. Diria que é um desafio impossível”, conclui Claude. Ele chegou a receber
nota 5
(em 10) ao cozinhar
pratos típicos judaicos
. “Fiquei muito chateado”, confessa.
O chef conta que faz questão de receber o
mínimo possível de informação
sobre a família que vai visitar. “Tem que ser algo espontâneo, natural”, justifica. O mesmo vale para seu assistente e braço-direito no Olympe, o chef
Batista
, que agora tem
participação mais ativa
.
Que marravilha! Revanche
terá
12 episódios
, oito dos quais já foram gravados. O
formato original
do programa (Claude ensina e avalia) será retomado na
próxima temporada
, a ser exibida ainda este ano.
Outro dia falei aqui sobre
brigadeiro
e agora me chega por e-mail a informação de que há mais gente fazendo
experimentos
com o tradicional docinho brasileiro. Na brigaderia
Brigadeiromania
(Rua Engenheiro Osvaldo Andrade, 184, Caiçara; 31 3309-2384 e 31 8723-5309),
Danniella Farias
aposta em receitas inspiradas em
sabores brasileiros
, incluindo ingredientes e combinações típicas. O chocolate com o qual trabalha também é
nacional
, fornecido pela
Harald
, empresa fundada por herdeiro da extinta
Neugebauer
- no caso, é da linha
Melken Unique
, com cacau extraído de fazendas no
Pará e Bahia
.
Brigadeiro Mania/Divulgação
Vamos ao que interessa. Enrolados na hora, os brigadeiros da nova leva da brigaderia estão disponíveis nas versões
tradicional
(R$ 2,50) e de
colher
(R$ 3,50) e são os seguintes:
- Brigadeiro de chocolate
53% de cacau
originário da
Fazenda M. Libânio
(em Gandu, na
Bahia
);
- Brigadeiro de chocolate
65% de cacau
originário da
Fazenda João Tavares
(em Uruçuca, na
Bahia
);
- Brigadeiro de chocolate branco com polpa de
pequi
e castanha de
baru
;
- Brigadeiro de
café
com
rapadura
e mix de chocolates de diferentes teores de cacau;
- Brigadeiro de
doce de leite
e chocolate ao leite coberto com
coco queimado
;
- Brigadeiro de chocolate branco com
cachaça
;
- Brigadeiro de chocolate branco com
queijo e goiabada
;
- Brigadeiro de chocolate branco com
milho verde
e
erva doce
;
- Brigadeiro de chocolate
70% de cacau
originário de fazenda no
Pará
(em Tomé-Açu)
A conferir
.
Depois de ter participado do Festival de Cultura e Gastronomia de Tiradentes em 2009, o chef francês
Emmanuel Ruz
virou
figurinha fácil no Brasil
. Aproveitou a vinda a Minas, naquele mesmo ano, e fez festival no Dádiva, em Belo Horizonte. Posteriormente, passou por Búzios e pelo Nordeste comandando outros jantares e ministrando cursos. Seu restaurante é o
Lou Fassum
(uma estrela Michelin), que fica em
Grasse
, na região francesa da
Provença
.
Lou Fassum/Divulgação
Agora, o simpático chef (simpático mesmo, não lembra em nada colegas franceses sisudões) volta ao país para cozinhar durante
curta temporada
, que começa no
Rio de Janeiro
(nessa segunda, dia 20), passa por
BH
(quarta e quinta da semana que vem, dias 22 e 23) e
Pirenópolis
(dia 25) e termina em
Aracaju
(dia 28). Aqui, seu festival terá lugar no
Vecchio Sogno
e seu anfitrião, o chef
Ivo Faria
, garante que o menu foi criado pelo francês mesmo, com pouquíssimos ajustes (em Tiradentes esses ajustes são mais que frequentes).
O
cardápio
que ele apresentará aqui custa
R$ 178
(individual; sem bebidas) e é composto pelas seguintes etapas:
-
Verrine de creme de abacate
, camarões e gelificação de toranja;
-
Salmão marinado
, creme du Barry (de couve flor), crocante de couve flor e ovas de salmão;
-
Terrine de pot au feu
, foie gras, aspargos verdes e molho de manjericão;
-
Costeleta de tambaqui
, compota de cebolas com especiarias e açafrão marroquino, galette de batata baroa e molho balsâmico;
-
Peito de pato ao próprio molho
(reduzido com goiabada), crème brulée de milho e purê leve de feijão;
-
Torta de limão
com merengue e sorvete de caipirinha
"Tudo o que está no cardápio foi o Emmanuel que pesquisou. Ele gosta muito de trabalhar com
produtos locais
e quis colocar
jiló
no festival de Aracaju, mas o aconselhei a não fazer isso. Lá o pesoal não tem hábito de comer jiló. Aqui não seria arriscado, mas lá é perigoso”, afirma Ivo. Uma curiosidade: o francês tem recebido muitos brasileiros para
estagiar
em seu restaurante (um deles foi
Nélio Rezende
, chef do restaurante do Automóvel Clube) e na próxima leva deverá estar
Naiara Costa
, filha de Ivo.
É preciso compartilhar com vocês uma descoberta que fiz (me fizeram fazer, quero dizer) nesse mar de
brigaderias
e ateliês do doce que estão abrindo em BH. Recentemente recebi das mãos da chocolatier
Carolina Fernandes
, da
Xocolatl
, caixa com brigadeiros gourmet feitos por ela. Todos feitos com chocolate belga Callebaut e muito bons, sendo que alguns me impressionaram mais que outros. A consistência é
cremosa
, diferente dos brigadeiros mais puxentos da “velha escola”.
Para mim, o que mais chamou a atenção foi o
brigadeiro de chocolate branco com roquefort
, caracterizado por
equilíbrio incomum
e bem feito entre esses dois ingredientes. Realmente
muito interessante
. Outros sabores que se destacaram foram os de
curry
(curry com chocolate fica ótimo; já comi numa sobremesa do Alex Atala, inclusive) e de
flor de sal com azeite
. Todos esses são da coleção “vanguardista” e há também as
coleções
“clássicos”, “especiarias”, “floral”, “etílica” e “brasileiríssima”.
Só para não ficar dúvida: a Carolina também prepara
sabores mais tradicionais
.
O ateliê dela trabalha ainda com bolos e cupcakes e atende a
encomendas
pelo telefone (31) 9466-5760 ou pelo e-mail info@xocolatlcarolinafernandes.com.br. E vale ficar de olho nos eventos que ela promove para
harmonizar
seus doces sobretudo com cervejas e vinhos. O próximo será dia
20 do mês que vem
, no
Rima dos Sabores
, bar cervejeiro bacana que fica no Prado (rua Esmeralda, 522). Entre os inusitados casamentos da ocasião, estarão chocolate com flor de sal e Colorado Demoiselle, bacon com chocolate e Falke IPA e cupcake de rapadura com Wäls 42. Reservas e informações com Juliano: (31) 3243-7120 ou contato@rimadossabores.com.br.
Mais uma boa dica de
Madri
. Um bar de tapas chamada
Juana La Loca
, que fica na Plaza de Puerta de Moros, 4, em La Latina (região central da cidade), não muito longe da Plaza Mayor. Ambiente mais escurinho e informal, com
pintxos criativos e saborosos
. Vale a pena conhecer.
Comecei com dois bons pintxos: um de
presunto cru de pato com tomate
...
... e outro com
crepe de espinafre recheado com minienguias
:
Este segundo bem superior ao primeiro, realmente
delicioso
, com ardor potente que me pareceu wasabi.
São pintxos
fartos
, montados sobre fatias de pão, com preços que variam entre
6 e 10 euros
(cada). Arranjei mais apetite para provar (com a ajuda de um bom amigo) mais petiscos. O primeiro deles foi o
medalhão de carne rabada
desfiada ao próprio molho sobre rodelas de batata...
... que estava bom e saboroso. Depois encarei esse curioso
fideuá
(massa fina típica) de tinta de lula com
butifarra
(espécie de embutido) feita com o próprio molusco:
Estava ótimo. Para encerrar, uma
sobremesa
sem riscos, à base de massa sablé, chocolate branco e framboesas desidratadas, que não fez feio de jeito nenhum.
Vejam que bonita
:
E ainda ficou
muita coisa por provar
, como isso aqui...
... isso aqui...
... e isso aqui:
Só voltando!
Comi um dos melhores
tropeiros
dos últimos tempos na
Mercearia 130
(Rua Ivaí, 130, Serra; 31 3658-3395), semana passada. Na página da casa no Facebook ele foi anunciado para o almoço simplesmente como "Lombo acebolado com cachaça e tropeiro". É uma
injustiça
...
Farto
(apesar de não parecê-lo na foto), o tropeiro foi feito com
feijão roxinho
, estava muito bem temperado e o equilíbrio de
farinha e gordura
foi bem feito. Nem engordurado/empaçocado demais, nem seco/farinhento demais. Perfeito! Por cima dele,
cebolas
passadas na frigideira até ficarem meio docinhas e dois imponentes
bifes de lombo
marcados pela grelha. Importante falar também do
perfume
que o prato tinha, certamente culpa da
cachaça
. Ah, e uns
alhos assados
surgiram aqui e ali.
Incluindo uma rápida
saladinha
de entrada (e arroz, para quem quiser), esse beleza de tropeiro sai por incríveis
R$ 21
(individual).
Barbada da Semana
com louvor! Nessa
quinta
, dia 25, o tropeiro será novamente o prato dia no almoço, mas não sei se estará no quadro negro semana que vem. Portanto...
recomendo darem um pulo lá
!
Tenho saído sempre muito feliz da Mercearia 130, casa que tem sido uma das campeãs no quesito
custo/benefício
em BH. O almoço de lá é realmente um achado e ainda trago na memória o excelente
filé à parmegiana
que comi meses atrás: belo contrafilé
rosado
por dentro e
crocante
por fora, graças à empanação feito com farelo de
cascas de baguete
! Bom molho de tomate, boa muçarela e um purê de batata lisinho. Também por
R$ 21
, esse lindo parmegiana é a pedida do dia nos
almoços de quarta
. Também
vale a pena
conferi-lo.
A saber: tem
tilápia
com escamas de abobrinha no almoço de
terça
e
feijoada
no de
sexta
, sempre a
R$ 21
e incluindo acompanhamento e salada de entrada. Aos
finais de semana
, há sempre bons pratos na casa
R$ 20
ou
R$ 30
, também com guarnição e salada. Comi um
truta
ótima lá, inclusive. O
bacalhau
(que custa uns R$ 40) é bem bonito, mas ainda não o provei. Só precisam
melhorar os risotos
!
