Terça-feira, 29 de julho de 2014 10:13 pm

Não é no Brasil, infelizmente...

Semana passada eu comentei sobre a nova prova que integrará em 2015 o calendário do Mundial de Rallycross (FIA RX), criado este ano na esteira do crescimento da modalidade que, a bem da verdade, existe há mais de quatro décadas. E imaginei que poderia ser no Brasil, numa dobradinha com a prova argentina, considerando que a Europa já tem dois terços do campeonato. Sonho de uma noite de inverno: o mistério foi desfeito hoje e as feras vão acelerar é no Velho Mundo mesmo, em Barcelona. Para a alegria dos espanhois e para nossa tristeza, já que teríamos todas as condições de montar um circuito e uma estrutura à altura. Quem sabe em 2016...

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Segunda-feira, 28 de julho de 2014 05:25 pm

Pacto com São Pedro – Coluna Sexta Marcha


Pacto com São Pedro

Sorte (ou a falta dela) era o assunto da coluna da semana passada, sobre o GP da Alemanha e a fase atribulada de Felipe Massa, e eu lembrava que os pilotos de corrida não gostam muito da palavra, muito embora carreguem e acreditem em todo o tipo de amuleto imaginável. Mas de Bernie Ecclestone não dá para dizer que não seja bafejado pela sorte. Quando tantas peças do tabuleiro do circo apontam para uma temporada complicada do ponto de vista da popularidade da F-1 – domínio das Mercedes, a polêmica sobre o barulho (ou a falta) dos motores, a adoção de tantos sistemas e dispositivos que acabam por confundir o fã – eis que não apenas o dono do brinquedo é recompensado com uma corrida sensacional onde se poderia esperar – Hockenheim –, mas principalmente onde menos se imaginava.

Sim, porque o problema de Hungaroring, que era exemplo de circuito quando foi inaugurado, na década de 1980, até ser superado pelos palacetes asiáticos nascidos da imaginação de Herman Tilke, é que a pista "encolheu" à medida que os carros foram se tornando mais previsíveis, equilibrados. Há um caminhão de aderência mecânica, os freios são cada vez mais potentes e a potência dos motores, mesmo com toda a sopa de letrinhas em ação (ERS, DRS), está longe de ser absurda. Como não se erra troca de marchas e a eletrônica ajuda a dosar os excessos de torque, é normal que não se tivesse duelos a la "Piquet x Senna" de 1986 e 1987, ou desempenhos como o de Nigel Mansell em 1989. E víssemos um trenzinho comportado ao longo das 70 voltas.

Mas, como eu disse no começo, Mr. E deve ter pacto com São Pedro, ou ter nascido virado para a lua. Começou com mais um contratempo enfrentado por Lewis Hamilton no sábado e passou pela chuva que caiu o suficiente para embolar as cartas (pode ter certeza de que, se tivesse continuado, a prova não seria tão movimentada). E terminou com Red Bull andando mais rápido que Mercedes; Ferrari no pódio (melhor seria dizer Fernando Alonso, já que o carro, no caso, não ajuda) e o mesmo Hamilton que largou quando toda a tropa já tinha passado saltando da 20ª para a terceira posição.

Foi como se todo o grid (ou a grande maioria) tivesse sido abastecida com o energético que deu asas a Daniel Ricciardo. E uma categoria há não muito questionada pela falta de agressividade dos pilotos, se transformasse radicalmente. A começar pela linda manobra que valeu a vitória ao sorridente australiano. Mesmo com pneus mais rápidos e conservados, atacar Hamilton por fora num ponto com a zebra úmida e em que qualquer milímetro a mais no curso do acelerador seria sinônimo de rodada é coisa de gente grande. Alonso, mais tarde, foi presa fácil.

E se fizéssemos como os jogos de futebol e atribuíssemos notas ao desempenho dos pilotos, a turma quase toda teria passado com sobras. Ricciardo mereceu 10, mas Alonso também, e Hamilton igualmente. Nico Rosberg falou muito e fez pouco desta vez – em nenhum momento se aproximou o suficiente do companheiro para justificar a troca de posições e reagiu tarde demais – mas ainda assim mereceria um 8, tal como Felipe Massa e Jenson Button, atrapalhado que foi pela lambança estratégica da McLaren. Sobre o brasileiro, só questiono a afirmação de que teria sido muito mais rápido com os pneus macios. Teria sim, mas provavelmente ficaria sem borracha no fim e, ao invés de ganhar posições, o que seria difícil, acabaria por perder algumas.

O mais engraçado de tudo é saber que, se o "kartódromo" magiar foi capaz de proporcionar tanta emoção, será difícil esperar o mesmo daqui a três semanas, onde ela normalmente é tanta. Spa-Francorchamps é pista de motor, e nem é preciso dizer quem fala sozinho neste quesito. A não ser que chova (e isso lá é quase certo). Com a sorte de Bernie Ecclestone, não custa muito.



          Red Bull Racing/divulgação

Por isso é que...


Me estranha ver que o ex-dono da Brabham e patrão de Nelson Piquet pretende pedir a ajuda de Flavio Briatore para discutir formas de tornar a categoria ainda mais atraente. O problema é que, ao longo da história, não houve um formato que trouxesse muito mais emoção. Há, por várias circunstâncias, corridas e temporadas interessantes, outras menos, não necessariamente por causa das regras. E não sei se as ideias do italiano, que é bom nisso, teriam acolhida entre os donos de equipe. Homem de marketing que é, ele sempre se mostrou contra todo o tipo de complicação tecnológica e, se pudesse, faria duas corridas por GP, de preferência invertendo parte do grid da segunda, como se faz na GP2 (da qual foi um dos criadores). Além de pregar por um maior envolvimento e aproximação com o público, como existe na Nascar, na Indy ou no DTM alemão. Vale a tentativa, mas dificilmente sairá uma fórmula mágica para garantir sempre corridas de tirar o fôlego...

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Sexta-feira, 25 de julho de 2014 11:23 pm

Segura que lá vem agenda...

Sim, julho está indo embora, o ano voa, e nas pistas não faltam motivos de interesse para esquentar o fim de semana. A F-1 leva o circo à Hungria antes das férias e na expectativa, ainda que distante, que o espetáculo seja tão bom quanto o visto semana passada, em Hockenheim. É de se ficar de olho na primeira curva, onde se pode tentar alguma coisa – Nelson Piquet e Ayrton Senna não me desmentem, mas mesmo recentemente foi possível ver boas manobras. E também na Europa vem a última grande prova de 24h da temporada. Depois de Daytona, Nurburgring e Le Mans, é a vez de Spa-Francorchamps, que será invadida por nada menos que 61 GTs para duas voltas do relógio, com toda a carga de emoção e dramaticidade que uma prova deste tipo pode proporcionar.




A semana maluca teve corrida do Tudor United Sportscar Championship hoje, em Indianápolis, com vitória de Christian Fittipaldi/João Barbosa no geral e segundo lugar de Bruno Junqueira na LMPC. O oval mais famoso do mundo volta a receber as máquinas em seu traçado histórico domingo, com mais uma edição da Brickyard 400, que deveria ter se transformado numa clássica da Nascar, mas raramente oferece um espetáculo à altura. E no Brasil é bom ver 19 carros na etapa de Curitiba da F-3, mostrando que a categoria definitivamente decolou. Junto, o Brasileiro de Marcas e o Mercedes-Benz Grand Challenge. Bastante coisa boa, aqui e lá longe, na telinha ou fora dela...

Internacional
Mundial de F-1: 11ª etapa – GP da Hungria (Hungaroring)
GP2: sétima etapa – Hungaroring
GP3: quinta etapa – Hungaroring
Porsche Supercup: sexta etapa – Hungaroring
Tudor United Sportscar Championship: oitava etapa – GP de Indianápolis
Nascar Sprint Cup: 19ª etapa – Brickyard 400 (Indianápolis)
Blancpain Endurance Series: quarta etapa – Total 24h de Spa-Francorchamps
Global Rallycross Championship: quinta etapa – Charlotte

Nacional
Brasileiro de Marcas: quinta etapa – Curitiba
Brasileiro de F-3: quinta etapa – Curitiba
Mercedes-Benz Challenge: terceira etapa – Curitiba
Brasileiro de Kart (primeira fase – categorias Mirim/Cadete/Júnior Menor/Júnior/Sudam/Shifter/F-4 Graduados/F-4 Sênior) – Arena Schin, Itu

Na telinha
Sábado (26)
5h55    Fórmula 1: GP da Hungria (terceiro treino livre)    Sportv
8h55  Fórmula 1: GP da Hungria (treino oficial)        Sportv (*)
10h35    GP2: etapa de Hungaroring                                     Sportv
12h15    GP3: etapa de Hungaroring            Sportv

Domingo (27)
4h20        GP3: etapa de Hungaroring            Sportv
5h30        GP2: etapa de Hungaroring                                     Sportv
6h40        Porsche Supercup: etapa de Hungaroring    Sportv
9h        Fórmula 1: GP da Hungria                                        Globo
12h30    Brasileiro de Marcas: Curitiba                                 Band
14h        Nascar: Brickyard 400                                                 Fox Sports 2

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Sexta-feira, 25 de julho de 2014 04:53 pm

Teve Dakar no Paraguai. E legítimo...

A maior aventura fora de estrada do planeta ainda era disputada em solo africano quando o grupo A.S.O., na tentativa de aumentar o prestígio e a exposição da modalidade, resolveu criar uma Dakar Series, composta por provas menores que serviriam como teste para quem pretendia encarar o grande desafio. Saiu apenas uma prova, no Leste Europeu, e a coisa acabou perdendo força diante da concorrência de tantas outras maratonas fora de estrada pelo planeta.

Pois eis que o Dakar se mudou forçadamente para a América do Sul e a ideia voltou a ganhar força, até mesmo para estimular o surgimento de novos competidores e garantir uma preparação adequada, em condições de corrida. Talvez pela proximidade do Rali dos Sertões, que mobiliza esforços e orçamentos nada modestos, os brasileiros ainda não aderiram à novidade, mas tomara que seja apenas uma questão de tempo. Isso porque a primeira edição do Desafio Guarani, encerrada ontem, foi um sucesso.





            Fotos: Desafio Guarani/divulgação

Por Desafio Guarani, entenda-se uma prova de 1.300 quilômetros e cinco dias com Assunção e Encarnación como pontos nevrálgicos, e todo o apoio do governo paraguaio. E a experiência de quem, há décadas, organiza o Transchaco, um rali de velocidade mais duro do que muitas maratonas fora de estrada. E no lugar da areia o que se viu foi muita lama, com os mais que razoáveis 83 inscritos sofrendo para se manter no rumo. Paraguaios, argentinos, uruguaios, bolivianos e chilenos, com um ou outro europeu entre as motos e quads. E o evento foi um grande sucesso, lembrando sempre que faz parte do primeiro Sul-Americano da modalidade, que ainda terá o Desafio Rota 40 (Argentina) e o Rota Inca (Peru). Tomara que logo os brasileiros se juntem à competição, já que nossos pilotos e equipes entendem do assunto...

Sobre quatro rodas, a vitória ficou com os bolivianos Marco Bulacia e Abel Salazar, com uma Toyota FJ Cruiser. E o experiente e veloz chileno Francisco Chaleco López dominou entre as motos, com sua KTM. O mais interessante é que a competição deu ainda aos pilotos privados (por meio do Dakar Challenge) a condição de conquistar a inscrição gratuta para o Dakar (carro) ou uma bolsa de 50% de desconto (motos/quads). Ótima iniciativa, e que venha para ficar...

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Quarta-feira, 23 de julho de 2014 08:43 pm

Um autódromo que faz a luz...

Enquanto no Brasil a administração e o surgimento de novos autódromos são praticamente tabus, longe daqui há quem consiga enxergar formas de manter os números no azul mesmo não tendo corridas ou eventos todos os dias. Falo do trioval mais conhecido do planeta, o "Tricky Triangle", como é conhecida a pista de Pocono, em Long Pond, na Pensilvânia. Que, aliás, ficou por 25 anos vivendo apenas da Nascar e, ano passado, voltou a receber a Indy – não dá para esquecer as vitórias de Mario Andretti na década de 1980 e os tempos de Rick Mears, Al Unser Jr. e Emerson Fittipaldi.

Pois longe de administrar um elefante branco, um mundo de asfalto e concreto, os donos da pista encontraram uma forma sensacional de criar renda, ainda mais de um jeito ecologicamente responsável. Como ao lado do circuito há longas extensões desabitadas, que também integram o complexo, foram montadas 39.960 placas fotovoltaicas, capazes de transformar a luz solar em eletricidade. E quatro anos depois da iniciativa, comemoram a marca de 15 milhões de Kilowatts gerados. Quer saber o que isso significa? É energia para iluminar 86 mil lâmpadas de 60w oito horas por dia, durante um ano, ou salvar 270 mil árvores da derrubada. E dá dinheiro. Talvez seja uma boa ideia para as nossas pistas, onde espaço não falta, e sol muito menos...


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