
Feriadão chegando, mas nada de descanso nas pistas. O fim de semana mais uma vez é repleto e, o que é melhor, com programação destacada na TV aberta. Tem Stock Car, Indy, MotoGP, confira:
Sábado, 4/9
21h30 - GP de Kentucky (F-Indy) - Band
Domingo, 5/9
6h às 10h - GP de San Marino (Mundial de MotoGP) - Sportv
11h - Corrida do Milhão (Stock Car) - Globo
O Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em Brasília (DF) determinou, com base em solicitação do Ministério Público Federal, a prisão de seis pessoas por envolvimento em um esquema de desvio de recursos da Secretaria Municipal de Saúde de Belém. E o que tem o automobilismo tem a ver com isso, você haverá de perguntar? A questão é que um dos detidos é o atual vice-presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), Antônio dos Santos Neto, ex-presidente da Federação Paraense. Dentro dos meus conhecimentos jurídicos limitados, só posso afirmar que uma decisão como essa só é tomada quando há indícios graves de irregularidade, ou o risco de a liberdade dos investigados atrapalhar o sucesso das investigações.
Ainda na seara do direito, vou evitar qualquer juízo de valor porque todo cidadão é inocente até provado o contrário. E as atividades do senhor Santos Neto como empresário nada tem à ver com a de dirigente esportivo (pelo menos é o que se espera). Mas, ainda que posto em liberdade, ele não pode, em qualquer hipótese, se envolver na organização, coordenação ou supervisão de qualquer evento ligado à CBA, para o bem do esporte brasileiro. Do contrário, aí sim teremos um senhor escândalo. Não custa lembrar que, qualquer que seja a ocupação, desviar dinheiro público é crime...
Lá vai Robert Kubica acelerar nos ralis. Basta uma brechinha no calendário da F-1 e o polonês de Cracóvia troca a Renault por um... Renault. Um Clio Super 1600, verdadeira bomba de tração dianteira e quase 200cv, que exige uma pilotagem limpa e correta para não passar do ponto. Desta vez, ele disputa o Rali del Friuli-Alpi Orientali, quinta etapa do Campeonato Italiano, em torno de Udine, brigando pela vitória em sua categoria. Com humildade, reconhece que os grandes nomes do fim de semana são o tcheco Jan Kopecky e os italianos Luca Rossetti, Paolo Andreucci, Giandomenico Basso e Renato Travaglia. Mas já mostrou que vai ser seguido de perto não apenas por ser a estrela do circo, e sim por ter luz própria quando se trata de cumprir o que o navegador, sentado a seu lado, determina.
Poderia gastar posts e mais posts falando da tradição das famílias nas pistas, dos filhos que nascem nas pistas e herdam dos pais a paixão, que acaba, quase obrigatoriamente, misturada a uma cobrança sem tamanho. Muitos como Michael Andretti, Damon Hill ou Jacques Villeneuve, acabam justificando as expectativas, outros nem tanto, já que talento passa pelo DNA, mas não todo. Muitos pais velozes até preferem que os herdeiros pratiquem outros esportes, no que não estão errados.
Mas há um bom exemplo de quem resolveu seguir o mesmo caminho sem se cobrar; sem a obrigação de ser "o filho de", e se diverte acelerando com luz própria. Não sonha com a F-1, não se exige as vitórias sempre e pode aprender sem pressão. Mais curioso ainda é quando se trata de uma mulher, que não deixou de lado os estudos e hoje, aos 35 anos, bióloga formada, integra o trio que comanda um protótipo Lola Aston Martin na Série Le Mans de resistência (LMS). Poderia ser apenas Vanina, se o sobrenome não fosse Ickx. Sim, a filha do seis vezes vencedor das 24h de Le Mans Jacky Ickx, que para os brasileiros se transformou em sinônimo da primeira vitória tomada de Ayrton Senna nas ruas de Mônaco em 1984, mas que é bem mais do que isso,
Pois bem, a diminuta (1,55m) Vanina não apenas pilotou carros do DTM, GTs, carros de turismo como foi navegadora do pai no desafiador Rali Dacar. Ok, talvez ela não seja uma Danica Patrick e sabe que nunca igualará as marcas do pai, mas nem quer. Se diverte fazendo o que gosta, não é apenas um rostinho bonito na multidão e, sem trocadilhos, é uma senhora piloto. Papai Jacky tem todo o orgulho da filhota, não sem razão...
Site oficial Vanina Ickx
Peço perdão pelo atraso mas, antes tarde do que nunca, aí vai o texto da coluna de segunda-feira no Correio Braziliense...
No princípio, eram raros os circuitos permanentes no cenário internacional do automobilismo. Indianápolis, a inglesa Brooklands, Monza eram exceções num mar de pistas provisórias, que tomavam emprestadas ruas e estradas, com todo o perigo que isso comportava. Nem faz tanto tempo assim - quem teve o prazer de ver as impressionantes imagens do clássico Grand Prix, de John Frankenheimer, sabe do que estou falando. Casas, cercas, muros, postes e milhares de pessoas estavam ali, a metros de distância da trajetória ideal. Sair dela era sinônimo (ou quase, nos casos de mais sorte), de tragédia. Alguns monumentos daquela época resistiram, como Le Mans e seus mais de 13 quilômetros; Mônaco, e Spa-Francorchamps.
Sim, Spa-Francorchamps que, originalmente, emprestava uma fatia de 14 quilômetros das estradas entre as cidades que ainda dão nome ao traçado, na região das Ardennes, próximo a Liége. A pista "sumiu" do mapa entre as décadas de 1970 e 1980, até a magia do local fizesse com que as autoridades belgas a fizessem reviver, numa nova configuração, com metade da extensão, mas várias curvas e o caráter desafiador preservados. Ainda que a cada ano a pista passe por mudanças, apareçam áreas de escape asfaltadas e a segurança seja prioridade (mais do que justo), não há arquiteto ou projetista capaz de desnaturar o mito.
Com certeza o circuito atual é bem mais moderno (em termos de estrutura, principalmente) do que naquele 28 de agosto de 1994 quando, ainda sob o impacto da morte de Ayrton Senna, Rubens Barrichello conquistava sua primeira pole na F-1. Já ali a chuva andava fazendo das suas e ajudou o brasileiro, com uma limitada Jordan Hart, a superar Schumacher, Hill, Hakkinen, Coulthard e outros tantos. Passadas 18 temporadas, Rubinho completa, nesta mesma Spa, a marca de 300 largadas. Sem muito o que fazer, abalroou o carro de Fernando Alonso na freada do Bus Stop, ao ser surpreendido pelo asfalto molhado. Com todo o respeito que ele merece, e a marca também, era de se esperar um desfecho assim. Afinal, de todas as provas com números redondos, ele só não abandonou no 100º, quando foi terceiro. O que não apaga a honesta temporada.
Por mais que seja uma das pistas mais velozes do calendário, palco de pilotos diferenciados, Spa, por conta da meterologia incerta típica da região, premia não apenas o mais rápido mas, muitas vezes, o mais inteligente. Quem é capaz de identificar as mudanças nas condições do asfalto, diminuir o ritmo o suficiente para manter o carro na linha certa. E mesmo quem faz o que deve ser feito leva seus sustos - não é, mister Lewis Hamilton? Brincadeiras a parte, a vitória foi mais do que merecida. Desmerecido foi o golpe sofrido por um incauto Jenson Button, que pode ter jogado as esperanças do bicampeonato pela janela graças ao alemão Sebastian Vettel. Que mostra cada vez menos ter o estofo que diferencia os campeões dos grandes pilotos. E, ao contrário do novo líder do campeonato, pode ser obrigado a esperar muito tempo até ter a maturidade necessária, se é que ela um dia vai chegar.
Sobre Fernando Alonso, vale um discurso parecido. Apesar dos dois títulos, mostra inexperiência de iniciante - quem é que não viu a roda dianteira esquerda da Ferrari tocando a faixa verde da zebra, escorregadia como quiabo? Se os deuses das pistas forem justos, um, como o outro, não terminarão o ano com o número 1. Por uma questão de justiça, Hamilton, Button e Webber são os três que merecem seguir na luta - qualquer dos três será um campeão digno.