Segunda-feira, 01 de setembro de 2014 12:35 pm

Imagens dos Sertões no asfalto...

Uma das maiores competições fora de estrada do planeta resolveu mudar o rumo e este ano, em vez de seguir em direção Norte/Nordeste, desceu para as Minas Gerais, onde encontrou estradas e paisagens dignas da tradição de 22 anos. E depois de atravessar rios, pontes, veredas, plantações das mais variadas e a poeira decorrente da falta de chuva, a caravana do Rally Internacional dos Sertões aportou em Belo Horizonte, pela primeira vez o ponto final da maratona para carros, motos, caminhões, UTVs e quadriciclos. Lógico que era ocasião para não perder e, se ainda não foi possível acompanhar o desafio do começo ao fim – e um dia espero que seja o caso, se bem que a vontade maior é de tentar encará-lo competindo, para ter as sensações que pilotos, navegadores e equipes revelaram ao cruzar o pórtico de chegada – ao menos deu tempo de ver, ouvir, conversar, sentir e fotografar o que foi a edição 2014. Por isso a semana começa com uma galeria de imagens das máquinas e de quem as comandou, para dar uma ideia de como foi a "brincadeira". Curta então...

Rally Internacional dos Sertões'2014

Imagens da chegada da prova a Belo Horizonte

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Sexta-feira, 29 de agosto de 2014 09:20 pm

Agenda tardia, mas ainda assim agenda...

Era para ter saído a tempo de ajudar você, amigo leitor, a se programar para o que viria pela frente no fim de semana da velocidade, como aliás ocorre em quase todos os finais de semana dos últimos cinco anos (ninguém é de ferro...). Só que estes dias foram de correria insana, digna de pista, especialmente considerando que a Grande BH recebeu, num mesmo dia, a etapa decisiva do Top Kart Brasil, em Vespasiano, e a chegada do 22º Rali Internacional dos Sertões. Quando foi a hora de se dar conta, boa parte da programação da telinha já havia ido ao ar, e não faria sentido apresentá-la – especialmente falando da prova decisiva da Indy, que decretou o primeiro campeão da temporada (o australiano Will Power, depois de longa e impressionante espera, sobre a qual eu falo ainda esta semana). Foi o caso de pensar então em manter não a programação da TV, mas sim a lista de eventos, para que um dia, quando você quiser saber o que rolava nos últimos dias de agosto, seja possível ter uma ideia bastante próxima da realidade.

Internacional
Mundial de Motoclismo: 12ª etapa – GP da Inglaterra (Silverstone)
Verizon Indycar Series: 15ª etapa – MAV TV 500 (500 Milhas de Fontana)
Nascar Sprint Cup: Oral B USA 500 (Atlanta)
Nascar Nationwide Series: Great Clips 300 (Atlanta)
Nascar Camping World Truck Series: Chevrolet Silverado 250 (Mosport-CAN)
Super GT (Japão): 1000km de Suzuka
Asian Le Mans Series: segunda etapa – 3h de Fuji

Nacional
Brasileiro de Stock Car: sétima etapa (rodada dupla) – Curitiba
Brasileiro de Turismo: quinta etapa – Curitiba
Top Kart Brasil: terceira e última etapa – RBC Racing (Vespasiano)
Rali dos Sertões

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Quarta-feira, 27 de agosto de 2014 09:09 pm

Gostou da máquina?

Como prometido, a Renault divulgou pontualmente neste 27 de agosto as linhas definitivas da máquina que vai completar seus finais de semana de velocidade (na Europa), que já contam com a World Series 3.5, o Europeu e as séries regionais da F-Renault, sem contar as exibições de Lotus, Red Bull e das máquinas históricas da Régie. O bólido, já se sabia, substituiria o modelo usado no Megane Trophy, na verdade um chassi tubular com motor entre-eixos traseiro que apenas reproduzia as formas do modelo de rua.

Especulava-se que seria uma versão revista do conceito Alpine A110-50, revelado há dois anos (com direito a passeio pelo circuito de Mônaco), que trazia a reboque a possibilidade de retomar a marca de esportivos criada por Jean Redelé e absorvida pela montadora francesa. Mas, o projeto encomendado à Dallara tem personalidade própria. Chassi em carbono, inspirado no que se faz no DTM e teoricamente mais seguro do que os GTs; motor V6 3.500cc biturbo de origem Nissan e as formas que você confere na foto. Gosto não se discute, cada um tem um seu, e nas redes sociais houve quem torcesse o nariz, mas eu achei bastante bem resolvido, com jeito de carro de corrida e linhas bastante inspiradas. O campeonato em 2015 será disputado por 20 duplas (um profissional e um amador), com prêmios bastante convidativos para os melhores. Gostou?



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Tags: Renault  Sport  RS01  monomarca  Régie  Megane  Trophy  World  Series  3.5  F-Renault  Alpine  Lotus  Red  Bull  Dallara  GT  DTM  pro  am  Nissan  V6 

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Terça-feira, 26 de agosto de 2014 05:31 pm

Ferrari na alma, mas não no coração...

Não sei se sou o único apaixonado por automobilismo a gostar especialmente de um carro de corrida, mas confesso, sem medo, que tenho um fraco pela Ferrari 333 SP, o último protótipo a sair não do Reparto Corse de Maranello, mas das oficinas da Michelotto, que se tornou uma espécie de extensão da escuderia do Cavallino Rampante para as categorias de GT/endurance. Estávamos na primeira metade da década de 1990 e, já sem o comendador, a equipe ainda não contava com Jean Todt e tentava se reencontrar depois de um jejum a cada ano mais incômodo. Investir em outra coisa que não fosse a F-1, nem pensar, apesar de toda a tradição esportiva nas provas de longa duração.

Mas eis que o saudoso Giampiero Moretti, o Momo (ele mesmo, da marca que se tornou sinônimo de motorsport), tanto insistiu, cobrou, pediu, que Piero Lardi Ferrari autorizou a construção de uma máquina simples, e ao mesmo tempo fantástica. Movida por um V12 que tinha por base o motor da F-1 (o da mal-sucedida F92A, de John Barnard), com capacidade aumentada para 4.000cc. Não havia um Mundial, como o WEC, mas entre as sopas de letrinhas nos EUA e Europa, havia espaço e mercado para várias – tivemos FIA Sportscars, ISRS, que virou SWRC; IMSA, Grand-Am, que já havia sido USRRC; ALMS, sem contar outras corridas específicas em que era possível alinhar. E, lógico, as 24h de Le Mans e Daytona e as 12h de Sebring. Na França, nunca foi possível vencer contra os times de fábrica ou com protótipos mais desenvolvidos mas, nas clássicas norte-americanas, a Ferrari venceu tudo e mais um pouco.



Só que, sem o suporte oficial de Maranello, a mecânica foi envelhecendo, enquanto surgiam rivais fortes, como as Lolas T98, as versões mais novas dos Riley & Scott, os Dome, as BMW V12 ex-oficiais, os Courage e Reynard, com propulsores mais fortes e confiáveis. Parecia um sacrilégio, até que o time suíço Horag, responsável pela Ferrari de Freddy Lienhard e Didier Theys "chutou o balde" e fez o que certamente levou o comendador a tremer no túmulo. Fora o V12 Ferrari, dentro o V10 Judd, confiável e algo mais moderno. E a mudança deu resultado, com a vitória na Road America 500 de 2001, além de pódios e algumas participações esporádicas na Europa. Ao mesmo tempo, o engenheiro e piloto (dizem as más línguas que mais o primeiro que o segundo) Giovanni Lavaggi fez o mesmo com a 333 do time GLV Brums, que andava no FIA Sportscar/ISRS/SRWC; sofreu com as quebras e problemas de adaptação, mas a máquina andou de forma razoável, enquanto era criado o protótipo que levaria o nome do ex-piloto da Pacific na F-1. E foi desta forma, com alma Ferrari e coração Judd, que a 333 acelerou oficialmente pela última vez, nos 500km de Monza de 2003. Desde então, ficou apenas o sonho de ver o cavalinho novamente desafiando Audi, Porsche, Nissan e Toyota – a bem da verdade, lá no céu, Enzo Ferrai deve ter tido orgulho mesmo do híbrido que, em parte, era fruto da engenhosidade de seus homens.


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Segunda-feira, 25 de agosto de 2014 10:44 pm

Maturidade zero – Coluna Sexta Marcha (GP da Bélgica)

* ** Ao longo de 24 horas muita coisa acontece, muito se diz e se especula, explicações são dadas e questionadas, e talvez algo do que escrevi possa não estar tão atual diante do que já se falou sobre o toque entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton em Spa-Francorchamps. Talvez não seja o caso de falar em intencionalidade, talvez não seja o caso de considerar o alemão um vilão e o inglês um santo, mas o mínimo que dá para acrescentar é foi descabida a tentativa de passar ali, e naquele momento. E que é muito mais fácil deixar o carro escorregar quando se tem vantagem na classificação, e o toque é da sua asa com o pneu do outro, e não o contrário. E não há elementos para uma punição por parte da FIA, mas é bom ficar de olho no que pode vir pela frente. O rádio da Mercedes vai esquentar e com certeza se tornará o foco das atenções. E cada ordem ou orientação vindas de Toto Wolff, Paddy Lowe ou Niki Lauda será alvo de questionamentos, de suspeitas. Pegou mal para a Mercedes, pegou mal para a F-1, pegou mal principalmente para Rosberg, que superou a linha tênue do que é guerra psicológica e o que é deslealdade...

Maturidade zero

Eu não queria estar na pele de Lewis Carl Hamilton. Tudo bem, você tem o melhor carro do grid, descobre que, apesar da reação dos rivais, dificilmente os títulos mundiais deixarão de ficar com sua equipe, mas começa o campeonato com um abandono, na Austrália, rema feito um condenado para conseguir recuperar a desvantagem, aí abandona no Canadá com o sistema de recuperação de energia em frangalhos. E, na Alemanha, sofre com os problemas nos treinos que o obrigam a largar em 20° - ainda assim, recebe a bandeirada em terceiro.

Chega a Spa-Francorchamps, sonho de qualquer piloto que se preza, alega falhas nos freios para não ser tão rápido quanto o companheiro (e pode ser jogo de cena), mas se recupera com uma largada digna de manual, para ser abalroado por Nico Rosberg quando nada mais parecia separá-lo de uma vitória consagradora. Nem é o caso de lembrar da edição de 2008, quando recebeu a bandeirada em primeiro, mas acabou punido por ter cortado caminho e Felipe Massa herdou o triunfo.

Porque se há algo que não pode ser dito do nativo de Stevenage, melhor do mundo em 2008, é que gosta de briguinhas de bastidores ou de duelos de palavras fora das pistas. E pode ser um piloto muito duro, mas costuma encarar as disputas com lealdade. E ao ver a outra Flecha de Prata se aproximar, terá pensado no sensacional duelo do Barein, quando as asas passaram a milésimos de milímetros umas das outras e a dupla chegou intacta ao fim, no que se tornou exemplo de briga justa, limpa e correta. Principalmente porque, na Bélgica, passar é uma tarefa bem menos crítica, mesmo que a um carro igual ao seu. Sem contar que haveria quarenta e tantas voltas para se tentar, não era o caso de comprometer tudo tão cedo.

Se, ainda por cima, o líder do campeonato admite, ao descer do carro, que tocou deliberadamente o companheiro para "lhe dar uma lição", aí mesmo é que a coisa está feia. Até agora louvado pela maturidade, pela frieza com que tem encarado o ano que pode ser o de sua consagração, o filho de Keke Rosberg conseguiu estragar tudo de bom que fez no espaço de segundos. Mostrou um comportamento de menino mimado que faz lembrar com saudade dos duelos Senna x Prost em 1989 e 1990, ambos incluindo acidentes e manobras discutíveis. Coisa de gente grande, de pilotos com P maiúsculo. E tão condenável que mesmo Toto Wolff e Niki Lauda não tiveram alternativa a não ser manifestar seu desagrado publicamente. Nada de panos quentes. Enquanto a F-1 prepara um menino de 16 anos para estrear, outro bastante mais velho quis lembrar os tempos de kart, em que este tipo de escaramuça é mais do que normal. Devia ser punido inclusive por colocar a vida de um colega de profissão potencialmente em risco. E se for campeão, terá manchado boa parte do merecimento...

"Meu carro é mais rápido"
Qualquer piloto que guia um F-1 pela primeira vez ou depois de muito tempo costuma ficar impressionado pela eficiência dos freios e pela absurda aderência, que permite fazer curvas em velocidades alucinantes. Não foi o caso do alemão Andre Lotterer, que estreou pela Caterham e, se saiu já na primeira volta da corrida, teve quatro sessões de treinos para se acostumar. Tricampeão das 24h de Le Mans, ele admitiu que esperava mais do carro. "Lógico que a potência é imensa, mas a aderência é muito mais crítica do que eu esperava. É preciso esperar a hora certa de reacelerar na saida de curva. Tenho certeza que consigo ser mais rápido em algumas delas com o protótipo", comentou, referindo-se à Audi R18 que comanda habitualmente.

Nem tudo está perdido
Vitórias de Felipe Nasr na segunda corrida da GP2, também em Spa, e de João Paulo de Oliveira na Superformula japonesa, em Motegi. Felizmente o verde-amarelo ainda tremula pelos pódios do mundo...


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