Quarta-feira, 23 de abril de 2014 04:50 pm

Conhece o Vangest JH12? Então conheça...

Quem acompanha o blog há um bom tempo sabe que uma das diversões especiais deste espaço é encontrar máquinas de competição diferentes, exóticas, únicas, que por motivos dos mais variados não aparecem tanto, ou não receberam o devido destaque. A lista é grande, valeria um post inteiro – me lembro rapidamente do Praga GT, do Factory Five, do Shelby Can-Am, do McRae Rally (o buggy e o modelo de rali de velocidade, que acabou não vingando), do Backdraft, do Aquila V8. Seja na terra ou no asfalto, em provas rápidas ou de longa duração, tem lugar no blog.



E a última adição para o álbum de figurinhas (está na moda...) é o Vangest JH12 que, se você prestou atenção antes na foto, descobriu se tratar de um protótipo para competições de rali cross-country. O que você talvez não saiba é que a máquina foi desenvolvida em Portugal, que num tempo não muito distante tinha, em seus modestos UMM adaptados, a base do grid deste tipo de prova (a Baja Portalegre 500 é a mais conhecida delas).



Pois a Vangest é, na verdade,  um conglomerado de empresas ligadas ao setor automotivo e aeronáutico (serve inclusive à Embraer), com sede em Marinha Grande. Tudo começou em 2011, quando começou a ser desenhado e concebido o carro que você vê aqui. E que parte de uma combinação mais do que testada e aprovada pelos desertos do mundo: chassis tubular, câmbio sequencial Sadev de seis marchas e motor BMW 3.0 diesel biturbo. As linhas foram traçadas por João Ornelas, designer formado no Art Center College da Suíça e são do tipo ame ou odeie – particularmente eu gostei bastante do resultado. Com 1.900kg e 300cv, o JH12 começa agora a dar passos constantes, depois de muitos testes e participações esporádicas. Com certeza vai levantar muita poeira e pedras.

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Terça-feira, 22 de abril de 2014 04:08 pm

Não é o caso de xingar Xangai – Coluna Sexta Marcha


Nada me tira da cabeça que a bandeirada quadriculada que encerrou o GP da China duas voltas antes do previsto teve muito de jogo de equipe. Que Charlie Whiting, diretor de prova, recebeu no rádio uma ordem do tipo: “Lewis Hamilton é mais rápido que você. Que você, que Nico Rosberg, Fernando Alonso, Daniel Ricciardo, Sebastian Vettel...”. E diante da evidência de que nada mais mudaria com duas, oito ou 10 voltas – vá lá, o espanhol da Ferrari até poderia perder o pódio para o australiano da Red Bull – deu-se o término precoce. Tio Bernie bem que tentou e fez valer sua influência com São Pedro e as águas desceram no sábado, como que a tentar embaralhar as cartas e garantir emoção. Até serviu para uma das Flechas de Prata, não para as duas.


Mas por que Xangai não foi o Barein, a festa de ultrapassagens, de rodas travadas, de disputas no limite e além dele, das implacáveis mensagens no pé da tela “o incidente entre o carro x e o carro y está sob investigação”? Teríamos todos sido enganados pelo sonho de uma noite das Arábias, acreditando que a nova F-1 seria sempre assim? Se valesse apenas o lado torcedor eu diria que sim. Mas basta voltar um pouco no tempo e imaginar que, quaisquer que fossem as regras, as feras no grid, o contexto, sempre houve GPs de tirar o fôlego e outros de dar vontade de desligar a TV e arrumar outra coisa para fazer.


E olha que as 56 voltas (perdão, 54) do GP da China não foram das piores. Mas estávamos numa pista com curvas longas, intermináveis, não o freia forte e reacelera. Os pneus, especialmente os dianteiros, se desgastaram mais que o habitual para os padrões 2014. A farofa em torno da trajetória ideal desencorajava qualquer manobra mais agressiva, sem contar que quem já tem pontos na carteira começa a pensar duas vezes antes de fazer (nova) bobagem. E a estratégia seguida pelas equipes foi de encontro a qualquer lógica: esperava-se três paradas e pneus macios todo o tempo – na maior parte dele, pelo menos – e o que se viu foi uma postura conservadora, muito embora os médios fossem quase dois segundos mais lentos por volta.


O único em condições de manifesta superioridade técnica era Rosberg, e o alemão fez o que dele se esperava: largou em quarto, terminou em segundo, e salvou a liderança no Mundial. Fernando Alonso mostrou o quão robusta é a Ferrari, a ponto de suportar a pancada com Felipe Massa – lance de corrida –sem nenhum dano. E, talvez inspirado pela presença de um novo chefe que ouviu muito e falou pouco, voltou a ser Fernando Alonso. Quem está distante de si próprio é Sebastian Vettel, que ainda não se mostrou totalmente à vontade na F-1 versão 2014 e começa a sonhar com a mensagem: “Daniel está mais rápido que você, deixe-o passar”. De Felipe Massa o fiel escudeiro Rob Smedley já comentou e pediu desculpas, não adianta chorar o pneu invertido. E não será sempre que veremos GPs como o de ontem, como também não será sempre que veremos tanta movimentação numa corrida só como em Sakhir.

A história se repete

Ainda que Ferrari e Red Bull (a McLaren parece fora, ao menos por enquanto) consigam reduzir o abismo técnico que as separa da Mercedes, a equipe alemã sediada na inglesa Brackley pode se espelhar em sua antecessora. No Mundial de 2009, a Brawn, que se transformaria na própria equipe alemã sediada na inglesa Brackley, começou o ano arrasadora com seu difusor duplo e, quando o cenário se equilibrou, era tarde demais. Longe de dizer que é hora de administrar, mas a situação é confortável o suficiente para alguns passos em falso.


Grita, apesar de...

Nos bastidores, correu a notícia de que a Lotus estaria insatisfeita com o tratamento dispensado pela Renault, que, no entender dos dirigentes do time preto e dourado, teria oferecido melhores condições técnicas à Red Bull e à Toro Rosso – leia-se: unidades motrizes mais confiáveis e potentes. Os franceses não se pronunciaram, e muita gente diz que gastaram menos do que Ferrari e Mercedes. Mas o mais curioso foi ver, nas laterais dos carros de Romain Grosjean e Pastor Maldonado, num espaço normalmente usado pela Genii Capital, controladora da Lotus, por falta de quem pague, a marca da... Renault, com direito a versão em mandarim. Nem isso foi capaz de aplacar a insatisfação...

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Segunda-feira, 21 de abril de 2014 03:29 pm

Sobre o Mundial de Endurance...

Ainda bem que não estamos mais nos tempos de Max Mosley à frente da FIA, ou o que se viu no fim de semana em Silverstone, palco da primeira etapa do Mundial de Endurance, seria mais motivo para preocupação do que para alegria. Afinal, o advogado britânico, parceiro de primeira hora de Bernie Ecclestone, tinha alergia a qualquer categoria que pudesse ameaçar a hegemonia da Fórmula 1. E tanto fez que, na década de 1990, decretou a morte do Mundial de Protótipos, então a principal disputa de longa duração. Os GTs não eram motivo para medo por se tratarem de algo destinado a empresários endinheirados ou pilotos em fim de carreira.

Pois Jean Todt, felizmente, não é apenas um entusiasta das provas de endurance, como nelas fez boa parte da trajetória que o transformou de navegador competente na principal autoridade do automobilismo internacional. Pra fechar o raciocínio do primeiro parágrafo, basta dizer que a casa do esporte motor inglês recebeu o maior público num evento que não fosse a F-1 (43 mil torcedores ao longo dos três dias da prova), retomando a tradição do Tourist Trophy. E o espetáculo foi de primeira, mostrando que, este ano, mesmo as 24h de Le Mans serão um sprint implacável, sem tempo para administrar ou poupar. E que os erros ou passos em falso não serão perdoados – não só a Toyota saiu com uma dobradinha como a Porsche fez sua parte, enquanto a Audi, teoricamente mais experiente e rodada, ficou pelo caminho.

Tudo bem que as regras de consumo de combustível e recuperação de energia são ainda mais complicadas que as da F-1, que há categorias e categorias dentro da mesma, que a LMP2 está em vias de extinção – tomara que o Ligier, já pronto, e os novos modelos esperados para 2015 (Honda, Wolf, Oreca) voltem a animá-la. Mas com seis carros que são verdadeiros concentrados de tecnologia, é espetáculo garantido. Basta lembrar que o "sexteto da verdade" (Toyota, Audi e Porsche) andou tranquilamente na casa de 1min42, menos de quatro segundos mais lento do que Caterhams e Marussias – isso porque os LMP1 não têm um acerto específico de qualificação que faça tamanha diferença. Tivéssemos uma corrida virtual e seria complicado apostar quem terminaria na frente.

O que me faz lembrar história que ouvi de Raul Boesel, campeão mundial de endurance em 1987. No final da década de 1980, contava ele, os treinos nesta mesma pista de Silverstone (a versão antiga) eram abertos: andava F-1, protótipo, GT, F-3000. Pois ele comandava a Jaguar concebida por um certo Ross Brawn e, ao mesmo tempo, uma McLaren (F-1) era testada por Mark Blundell. "Nas retas ele ia embora, mas eu me divertia chegando nas curvas, tamanho o downforce e a eficiência daquele carro. No fim das contas a diferença era mínima". Por fim, divirta-se com um videozinho dos vencedores – parece que finalmente os japoneses investiram certo e sem cautela exagerada...


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Sexta-feira, 18 de abril de 2014 06:30 pm

Agenda (quase) perfeita para o feriado...

O automobilismo não é daqueles esportes que mais respeitam a Semana Santa e o feriado de Páscoa, ao menos na Europa, já que nos EUA os motores, em sua maioria, estão em silêncio, com Nascar, Indy e USCC e seus respectivos pilotos e equipes de folga. No Brasil também é um fim de semana tranquilo, mais por coincidência do que por tradição. Na Europa e na Ásia, no entanto, a movimentação será ampla, com nada menos que três mundiais e três europeus marcando presença e pedindo passagem. Se a F-1 já viaja em velocidade de cruzeiro, o FIA WEC começa em Silverstone a todo vapor e o WTCC (turismo) inventou de marcar sua segunda etapa sete dias depois da primeira, um quebra-quebra nas ruas de Marrakech que deixou bastante gente fora das corridas deste domingo, em Paul Ricard. A Blancpain Sprint Series, nova encarnação do FIA GT, larga em Nogaro, com direito a time brasileiro e Alex Zanardi competindo com uma BMW Z4. E tem European Le Mans Series, Europeu de F-3, Europeu de Rali, Auto GP.

... A notícia não tão boa assim é que as transmissões das provas do Mundial de Endurance, ano passado gratuitas e disponíveis a quem quisesse, agora são cobradas, além de exigir um cadastro pra lá de chato e trabalhoso. O que faz com que as corridas sejam muitas, mas as oferecidas nas telas nem tanto assim. Paciência, e boa Páscoa, que a agenda está à altura do feriado.



Internacional
Mundial de Fórmula 1: quarta etapa – GP da China (Xangai)
Mundial de Endurance (FIA WEC): primeira etapa – 6h de Silverstone
Mundial de Turismo: segunda etapa – Paul Ricard (FRA)
Auto GP: segunda etapa – Paul Ricard (FRA)
Europeu de F-3: primeira etapa – Silverstone
European Le Mans Series: primeira etapa – Silverstone
Europeu de Rali: terceira etapa – Circuit of Ireland
Blancpain Sprint Series: primeira etapa – Nogaro (FRA)
Inglês de Turismo (BTCC): segunda etapa – Donington

Na telinha

Sábado (19)
0h   Fórmula 1: GP da China – treino livre                                 Sportv                           
3h    Fórmula 1: GP da China – treino oficial                              Globo

Domingo (20)
4h    Fórmula 1: GP da China – corrida                                     Globo
9h15  Blancpain Sprint Series – corrida classificatória                Sportv

Segunda (21)
9h15  Blancpain Sprint Series – corrida principal                       Sportv

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Tags: FIA  WEC  WTCC  Silverstone  F-1  China  ELMS  Auto  GP  F-3  Europeu  Blancpain  Zanardi  BMW  Z4  Nogaro  Paul  Ricard  Nascar 

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Quinta-feira, 17 de abril de 2014 03:34 pm

Chegou a hora do WEC...

Claro que eu adoro toda e qualquer competição sobre duas e quatro rodas, mas não dá para esconder que tenho um fraco pelas provas de endurance, sensação que se tornou ainda mais forte ao acompanhar na pista, em 2012, a primeira edição das 6h de São Paulo, no que era a nova encarnação do Mundial, com protótipos e GTs (o FIA WEC). Não é apenas um campeonato de máquinas, mas de máquinas, homens, equipes e estratégia, que pode fazer com que seis, 12 ou 24 horas sejam igualmente emocionantes, atraentes, sensacionais. E quis o destino que eu testemunhasse a primeira vitória da Toyota no duelo com a Audi (na década de 1990 os japoneses haviam vencido uma prova do então Grupo C, em Monza, com a dupla Lees/Ogawa).



Pois o primeiro teste do primeiro protótipo LMP1 privado da nova geração – se é que dá para chamar assim uma máquina desenvolvida pela Oreca, de Hughes de Chaunac, também responsável pelas operações em pista da Toyota e seu TS040 – é um ótimo pretexto para falar do início da terceira temporada do World Endurance Championship (WEC), domingo, com as 6h de Silverstone. O Rebellion R-One não estará na pista ainda e, muito provavelmente, fará um campeonato à parte, diante da disputa entre Audi, Toyota e Porsche, cujas máquinas você já viu aqui. Não deixa de ser sintomático que a categoria LMP2, destinada a gentlemen drivers e orçamentos mais enxutos, seja agora a menos representada, o que mostra que a competição começa a ficar cara e seletiva (e aí é que mora o perigo).

Entre os GTs, a Porsche mantém seu esquadrão, a Manthey Racing (hoje de propriedade da fábrica) com as 911 (código 997), do mesmo modo que Ferrari (com a AF Corse, quase uma emanação da Scuderia) e a Aston Martin. Faltam a GM, com seus Corvettes C7R, vistos apenas nos EUA, assim como as BMW Z4 e as SRT Viper. Claro que um grid com 27 inscritos é mais do que razoável, mas a torcida é para que quem ainda não está pronto (Millenium Racing, na LMP2, e Lotus/Kodewa, com seu "novo" LMP1) e as inscrições pontuais, de acordo com as etapas, aumentem o número para uns 32, 34. Spa, logo a 3 de maio, será o teste final para as 24h mais famosas do mundo (Le Mans). Virão em seguida Austin, Fuji, Xangai, Barein e, o grand finale em Interlagos que, espera-se, venha a definir todos os títulos. É de salivar e acompanhar no site oficial, o www.fiawec.com que, até segunda ordem, exibirá todos os minutos de todas as etapas em live streaming. Que venha Silverstone...

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Tags: FIA  WEC  Silverstone  Audi  Toyota  Porsche  Ferrari  Aston  Martin  LMP1  Rebellion  Oreca  Lotus  Kodewa  Le  Mans  GT  997  AF  Corse  LMP2  TS040  6h  Interlagos  C7R 

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