Terça-feira, 15 de abril de 2014 12:01 pm

2008 DKR: a nova máquina da armada dos desertos...

Se houve uma dupla que se transformou em sinônimo de sucesso nas areias africanas, nas décadas de 1980 e 1990, foi a formada por Peugeot e Citroën, irmãs de sangue que nunca se enfrentaram diretamente no Dakar, mas obtiveram sucesso sem precedentes. A primeira, aliás, criou uma verdadeira armada comandada por um "certo" Jean Todt, que se tornaria ainda mais lendário ao protagonizar um episódio que beira o inacreditável. Em 1989, Ari Vatanen e Jacky Ickx (precisam ser apresentados?) duelavam pela vitória com os 405 T16, verdadeiras obras de arte em aço e outros metais, quando, a cinco dias do fim, o chefe optou por uma escolha curiosa para determinar quem venceria. Um cara ou coroa. Jogada ao alto, a moeda de (então) 10 francos acabou beneficiando o finlandês, e o folclore de mais difícil maratona sobre rodas ganharia um capítulo extra.




Mas eis que mudamos de continente, a marca do leão preferiu encarar outros desafios (F-1, Endurance) e rivais como Mitsubishi, Mini e VW passaram a fazer a festa. Ainda às voltas com um momento financeiro delicado, mas ajudada pela injeção de capital chinês, a Peugeot decidiu voltar às origens, mesmo porque o Dakar ainda parece ser o investimento menos caro considerando-se as regras atuais. O que era boato virou notícia, e o que era notícia ganhou confirmação oficial, com direito à confirmação de Carlos Sainz e Cyril Després, outra dupla que dispensa palavras extras.

Entre teasers e informações filtradas pela imprensa francesa, já se sabia que o modelo escolhido seria um buggy com tração 4x2 e a cara do modelo 2008. Mostra um farol aqui, outro ângulo ali e... voilá. Hoje foram reveladas as imagens definitivas do modelo, herdeiro de 205 T16 e 405 T16 (que, no entanto, tinham como base os modelos de série, bastante modificados, é verdade).

Basta ver a foto acima (com o 205 amarelo) para se ter uma ideia do tamanho do bicho e de como ele é 100% protótipo, tão fiel ao modelo de verdade quanto podem ser um carro do DTM ou da Stock Car, ou seja, só a aparência. Ficou bonito e raçudo, com cara de Dakar. Só que a mecânica continua sendo o grande mistério. Embora apenas a Mini seja rival 100% oficial, os franceses não querem entregar os segredos do que está sob o capô. Diesel ou gasolina? Cilindros em linha ou em V? Eu apostaria, até para agradar o ex-patrão, hoje defensor das energias alternativas, que algo de híbrido estará escondido nas entranhas do 2008 DKR. Bienvenue, Peugeot...



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Segunda-feira, 14 de abril de 2014 07:46 pm

Bola dentro de Gene Haas...

Embora a chegada de cada novo time ao Mundial de F-1 (depois do trio de 2010 – Caterham, então Lotus; Marussia, então Virgin, e Hispania) mereça ser encarada com toda a cautela e três pés atrás (ou quatro, ou cinco...), o bilionário Gene Haas mostra que está disposto a fazer as coisas do jeito certo, que seja para desempenhar um papel decente no circo. Ao falar pela primeira vez oficialmente desde que foi escolhido pela FIA, deixou claro que pode esperar até 2016 para fazer sua estreia, caso não chegue a um acordo com um fornecedor de motores até então, o que parece improvável. Confirmou que delegará à Dallara a missão de conceber e fabricar o chassi ("eles são os melhores do mundo nesta área e eu seria irresponsável se tentasse fazê-lo por minha conta", comentou). E já encarregou a Gunther Steiner a missão de ser o Team principal da nova formação.

Apesar do nome, Steiner é italianíssimo e tem uma experiência considerável na Europa. Foi o comandante do programa da Ford no Mundial de Rali, projetando o Focus WRC (em sua primeira encarnação, antes que a M-Sport, de Malcolm Wilson, se tornasse time oficial); trabalhou na Jaguar e, quando ela se transformou em Red Bull, seguiu no barco. Como a marca do touro vermelho queria se estabelecer na Nascar,  foi encarregado de comandar a ambiciosa iniciativa, que não foi adiante porque o patrocinador (e financiador) não quis. Desde então, permaneceu nos EUA. Mas é calejado o suficiente para ser respeitado e ouvido pelos pares na F-1. Primeiros passos promissores...

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Domingo, 13 de abril de 2014 08:47 pm

É ou não é de outro mundo?

Não me lembro quando, mas vi uma ilustração sobre Sebastien Loeb que não podia ser mais perfeita: ao lado de seu Citroën, ele tirava a "máscara" do rosto real e, por baixo, estava uma figura verde, de olhos enormes, vinda sei lá de que planeta. Se alguém buscava uma prova, ela veio hoje, com um segundo lugar e uma vitória nas duas provas da abertura do Mundial de Turismo (FIA WTCC), no circuito de rua de Marrakech.



Claro que há alguns atenuantes – o carro francês, que tem chassi do C4 Lounge (Elysée em outros mercados), foi desenvolvido de forma extenuante por um time acostumado a vencer nos ralis, com um motor confiável e a dedicação total às novas regras, com rodas maiores e aerodinâmica mais parruda. A Honda faz um trabalho interessante, mas o time italiano JAS, que desenvolveu o Civic, não é capaz de milagres. A Lada não tem dinheiro e os Chevrolet Cruze são uma iniciativa privada da equipe Ray Mallock (RML). E também tem quem vá dizer que o francês de Haguenau viu a situação tranquila quando Tom Coronel, Mehdi Bennani e Yvan Muller bateram à sua frente e o companheiro José Maria López (vencedor da primeira prova), preferiu não atacá-lo.

Ainda assim, é mais uma façanha absurdamente grande de um piloto que se supera a cada dia. O menino que queria ser ginasta, começou a ganhar uns trocados como técnico em eletricidade e, a partir do dia em que sentou num carro de rali pela primeira vez começou a reescrever a história do automobilismo, parece não conhecer a palavra impossível.

Redimensionar adversários como Colin McRae, Marcus Gronholm, Petter Solberg e Carlos Sainz é a resposta para quem acha que ele não teve rivais à altura. E qualquer um que entenda um pouquinho da modalidade sabe que é bem mais complicado sobreviver a 200, 300, as vezes 400 quilômetros cronometrados do que dar voltas num traçado que se mantém o mesmo (não estou comparando uma coisa com a outra). E ele foi absurdas nove vezes campeão mundial. Sentou num protótipo LMP1 e... foi segundo colocado nas 24h de Le Mans. Ganhou corridas na Porsche Cup francesa e no GT Series de seu país, montou um time para se manter em ação no asfalto e, ao lado do português Álvaro Parente venceu corrida no Mundial de GT FIA. Foi medalha de ouro nos X Games (Rallycross) e, como se ainda faltasse alguma coisa, pulverizou o recorde da tradicional subida de Pikes Peak.



Confesso que tentei puxar pela cabeça algum piloto que, na história recente, tenha vencido em três mundiais diferentes, mas não consegui. E olha que um traçado de rua é o pior para quem ainda se adapta às novidades, ainda busca referências. E sobrenomes como Muller, Tarquini, Thompson ou Huff não são pouca coisa. Se as máquinas francesas se mostram bastante à frente das rivais, não se trata de sonho impossível, ainda que os companheiros sejam encardidos. A bem da verdade, nem seria preciso conquistar mais nada. Mas o apetite deste extraterrestre é proporcional a seu talento e basta 1% de possibilidade que ele se supera. E ainda tem o Dakar, quem sabe um dia as 500 Milhas de Indianápolis, ou as 500 de Daytona... Se tem quatro rodas e motor, eu apostaria em Mr.Loeb...

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Sexta-feira, 11 de abril de 2014 08:11 pm

Apertem os cintos que lá vem agenda...

Não sei se há um fim de semana em especial que seja perfeito para quem gosta da velocidade, mas este está muito próximo. Olha que nem temos F-1, mas começa outro Mundial, e com ótimas novidades: o de Turismo (WTCC), com máquinas mais potentes e de rodas grandes. Não que a geração anterior (que continua correndo, como TC2) seja desgraçada, mas a nova tem mais jeitão de carros de corrida. E com ela começa a Auto GP, nas ruas de Marrakech. E em Monza larga a Renault 3.5, que suou para reunir um grid decente, com vagas de sobra e pilotos em falta. Com ela, como atração principal, a primeira etapa do Blancpain Endurance Series, com participação brasileira. E ainda temos Stock Car, Brasileiro de Turismo, de F-3, F-Truck em Curitiba, cada vez mais próxima de desaparecer do cenário de nossos circuitos, e Indy, e Nascar, e United Sportscar Championship, e Moto GP, e Superbike, e Super Formula (novo nome da F-Nippon, com os Dallaras) e o que mais o blog conseguiu descobrir... Na torcida por um bom desempenho do quarteto brasileiro na abertura da Nascar Whelen Euro Series, em Valencia. Aliás, lógico, na torcida por todos os brasucas que estiverem por estas pistas do mundo... O Sportv promete a Moto GP ao vivo, tomara que cumpra desta vez...

Internacional
Mundial de Turismo (FIA WTCC): primeira etapa (Marrakech-MAR)
Verizon Indycar Series: segunda etapa (Long Beach)
United SportsCar Championship: terceira etapa (Long Beach) *
Indy Lights: segunda etapa (Long Beach)
Auto GP: primeira etapa (Marrakech-MAR)
F-Renault World Series 3.5: primeira etapa (Monza)
Mundial de Moto GP: segunda etapa – GP dos EUA (Austin)
Mundial de Superbikes: segunda etapa – Motorland Aragón-ESP
Super Formula: primeira etapa (Suzuka)
Japonês de F-3: primeira etapa (Suzuka)
Blancpain Endurance Series: primeira etapa (Monza)
Nascar Sprint Cup: oitava etapa – Bojangles Southern 500 (Darlington)
Nascar Nationwide Series: sétima etapa – Sport Clips helps a Hero 200 (Darlington)
Nascar Whelen Euro Series: primeira etapa (Valencia)

Nacional
Brasileiro de Stock Car: segunda etapa (Santa Cruz do Sul)
Brasileiro de F-3: segunda etapa (Santa Cruz do Sul)
Brasileiro de Turismo: segunda etapa (Santa Cruz do Sul)
Brasileiro de F-Truck: segunda etapa (Curitiba)
Copa São Paulo Light de Kart: terceira etapa (Interlagos)

Na telinha
Sexta (11)
21h Nascar Nationwide Series: Darlington                Fox Sports 2

Sábado (12)
14h    Stock Car (etapa de Santa Cruz do Sul) - treino oficial               Sportv
14h30 Mundial de Moto GP: GP dos EUA - treinos oficiais                 Sportv 2
19h30 Nascar Sprint Cup: Darlington                                                   Fox Sports 2

Domingo (13)
9h30      Renault World Series: etapa de Monza                                    Bandsports
10h55    Stock Car (etapa de Santa Cruz do Sul)                                 Sportv 2
13h        Mundial de Moto GP: GP dos EUA                                       Sportv 3
13h        Brasileiro de F-Truck: etapa de Curitiba                                  Band
17h        Indycar: GP de Long Beach                                                   Bandsports

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Sexta-feira, 11 de abril de 2014 03:50 pm

Lobo da montanha...

Ok, o blog não vai falar que Gene Haas ganhou o direito de ter a 12ª equipe no Mundial de F-1 a partir de 2015, muito provavelmente com o V6 desenvolvido pela Cosworth (ainda em estado de projeto), com uma possível retomada da dobradinha com a Ford – por motivos óbvios Tony Stewart, sócio de Haas, na Nascar, não está entre os pilotos cotados, já que Smokey simplesmente não caberia no carro. Mas tem bons motivos para ser uma iniciativa séria, que seja para abrir mais dois postos no circo.



O post ressucita uma marca que desembarcou no circo surpreendendo e impressionando, também impulsionada por um bilionário da América do Norte (Canadense, para ser mais exato) que resolveu encarar as feras com um sobrenome ameaçador: Walter Wolf (lobo) confiou primeiro nos serviços de um certo Frank Williams, comprou o que restou dos delírios de Lord Hesketh e, depois de uma temporada 1976 incolor, venceu a primeira corrida de 1977 com Jody Scheckter no volante do carro preto e dourado. Foram apenas três anos, suficientes para conseguir três vitórias e 10 pódios, mas a concorrência dos carros-asa levou o homem do petróleo (que praticamente lançou Keke Rosberg) a vender o pacote fechado para... Emerson Fittipaldi, já sem o apoio da Copersucar.

Seria apenas mais uma das histórias de uma era romântica do circo se a marca do lobo não estivesse mais ativa e atual do que nunca. Os direitos de uso foram adquiridos por um fundo de investimentos norte-americano (sempre eles) e repassados à equipe Avelon Racing, da família italiana Bellarosa (o filho, Ivan, é piloto dos bons), que resolveu desenvolver um protótipo CN2 em carbono, para competições como o VdeV e a Speed Euroseries.

Algumas dezenas de protótipos vendidos, na Europa, Ásia e EUA (nas categorias da SCCA há vários), surgiu o projeto de um monoposto para encarar as subidas de montanha, verdadeira febre nos países do Velho Mundo – este ano a FIA criou um Masters, em Luxemburgo, que premiará os melhores da modalidade. Surgiu então o projeto do GB08F1, que vai ganhar um V8 Zytek de cerca de 500 cavalos, para dançar entre as curvas e barrancos. Aliás, já ganhou, e faz os primeiros testes com o piloto luxemburguês David Hauser, responsável por comandar o monstro nas provas do Europeu e do Italiano. Só não tem a tradicional decoração em preto e dourado, mas a mesma logomarca dos tempos da F-1 está lá, firme. O lobo resolveu mostrar as garras na montanha, e a iniciativa promete... 


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