Terça-feira, 31 de março de 2015 06:52 pm

Só falta uma – Coluna Sexta Marcha (GP da Malásia)

*** Então as primeiras previsões para o desfecho da temporada no circo foram frustradas já na segunda corrida do ano, com um sucesso da Ferrari que nem mesmo o mais otimista torcedor do Cavallino esperava vir tão cedo. E a coluna publicada nas páginas do Estado de Minas, e agora reproduzida no blog, como de costume, fala justamente do que pode representar o resultado para o campeonato. A reação da imprensa italiana é menos de euforia e expectativas exageradas e mais de alívio, pelo fim de uma seca que incomodava. Lógico que surgem as comparações com Michael Schumacher e sua era de sucessos na Scuderia, mas o que fica claro é que na própria equipe a postura ainda é de cautela, mais que justificada, como eu comento abaixo...

Só falta uma

Alegremos-nos pois, fãs da velocidade, já que a temporada que prometia um domínio avassalador das Mercedes terá a marca do duelo entre campeões mundiais; a volta da Ferrari e de Sebastian Vettel, alijados que estavam das posições que contavam no campeonato de 2014.


Será mesmo? E o desfecho totalmente inesperado do GP da Malásia, em que Lewis Hamilton e Nico Rosberg estiveram na pista até a bandeirada, sem problemas mecânicos, e nenhum fator externo interferiu no resultado, pode ser interpretado como uma tendência que se repetirá da China em diante? Mais do que isso, a recuperação vermelha em tão pouco tempo pode ser analisada como consequência da revolução iniciada com a dispensa de Luca di Montezemolo, a saída de Fernando Alonso, Stefano Domenicali, Pat Fry, Luca Marmorini, Marco Mattiacci e outros?


A resposta para todas as perguntas é... talvez, ainda sem tanta convicção. Lógico que dá prazer ver um piloto como o alemão de Heppenheim calar os críticos ao mostrar que não precisa do melhor carro para vencer, quanto mais mostrando tamanha identificação com o time de Maranello. E que a Ferrari 2015 é infinitamente melhor do que a antecessora é fato – tanto assim que a comparação com a Williams é impiedosa –, era algo que podia se considerar já nos testes de pré-temporada, quando o SF15T mostrou ter velocidade de reta e pressão aerodinâmica (que o F14T não tinha). Daí a dizer que Sergio Marchionne era o presidente de que o Cavallino Rampante precisava; que Maurizio Arrivabene é o comandante de tropas perfeito e que homens das sombras como Simone Resta e Mattia Binotto são os próximos candidatos a gênio da categoria, vai um longo caminho.


Para começo de conversa, a influência de James Allison na concepção da máquina fracassada de 2014 foi mínima, já que ele retornou à Scuderia no meio do projeto. Era de se esperar que, com mais tempo para trabalhar, o resultado fosse mais digno de sua reputação. E o mesmo vale para o motor. No ano passado, Marmorini foi obrigado a "empacotar" tudo por exigência da turma do chassi. E o regulamento não dava brecha para correções. Do jeito que cada unidade de potência foi homologada, teve de terminar o ano. Aprendidas as lições, desta vez foi possível alterar quase a metade dos componentes, e com certeza a turma que carrega a herança do comendador Enzo Ferrari não desaprendeu como se faz.


Mas, daí a dizer que Arrivabene e seus comandados terão de andar desnudos pelo frio da Emilia Romagna, como o dirigente brincou caso seu time fosse além da previsão – ele afirmou que considerava sensacional um balanço de duas vitórias no ano, e metade da missão já foi cumprida – vai um longo caminho. O próprio Arrivabene é o primeiro a não se deixar iludir pelo resultado de domingo, quanto mais fazer promessas de circunstância que os tifosi adorariam ouvir. A Mercedes ainda tem a vantagem a seu lado. É mais rápida com os compostos de pneus macios e supermacios; sua unidade de potência consome menos e ainda ostenta alguns cavalos a mais. E tem orçamento, estrutura e profissionais talentosos o suficiente para reagir sem pânico. Some-se a isso a característica principal das Williams – compromete o equilíbrio aerodinâmico nas curvas em nome de um melhor desempenho nas retas (e nas pistas de alta). Lógico que uma disputa a três – pode ser a quatro se a Red Bull finalmente se entender com a Renault – seria o sonho de qualquer fã, mas é melhor ir devagar com o andor e esperar ao menos até a Espanha para traçar os primeiros prognósticos. De todo modo, como diria o "professor" Zagallo, para quem queria duas vitórias, só falta uma. Difícil vai ser se contentar com o que pode ser bem mais...


Tristes tempos

Causou um certo efeito ver os carros da Manor na pista (mais o de Roberto Merhi) com a decoração praticamente imaculada. Pequenas logomarcas da Pirelli e, na lateral da asa traseira, o nome da Errea, que é apenas a fornecedora de material esportivo (não o dos pilotos) do time inglês. E nada mais. Houve um tempo, não muito distante, em que mesmo os times obrigados a encarar a pré-qualificação (que deixava cinco ou seis carros de fora já na sexta-feira) ostentavam adesivos e decorações dos mais variados, que fossem da padaria da esquina ou da loja de móveis e utensílios do vizinho. Se a principal categoria do automobilismo mundial não consegue se vender, a coisa é realmente séria. E não é Bernie Ecclestone defender revolução no regulamento ou uma versão feminina da F-1 que mudará o cenário.



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Segunda-feira, 30 de março de 2015 05:37 pm

Vanessa venceu a primeira...

Enquanto esperava pela largada do GP da Malásia, lembrei que a segunda corrida da TCR International Series, apresentada e comentada pelo blog, seria transmitida ao vivo e de graça pelo canal da categoria no YouTube (TCR TV). E depois de alguns minutos trocando impressões com a turma dos quatro cantos do mundo que esperava pelo surgimento das imagens (e tentava entender o que ocorria em Sepang), não me arrependi por insistir. Bastou se aproximar o momento da largada e a imagem, até então parada e silenciosa, ganhou toda a extensão da pista, com padrão F-1 – resta saber se será assim também nas etapas que não forem preliminares do circo.

Mas o que realmente me agradou foi a qualidade das disputas, mesmo com um grid encolhido em dois carros. Os 15 que foram incapazes de proporcionar um bom espetáculo na F-1 em Melbourne, fizeram uma corrida daquelas em Sepang, com tudo o que uma categoria de turismo deve ter: muito equilíbrio, disputas agressivas sem dispensar alguns toques; mudanças constantes de posição. Tudo bem que o experientíssimo Jordi Gené largou na pole (foi o 10º na qualificação e contou com a ajuda do grid invertido), mas pagou caro pela vitória. E Seat, Honda, Audi (que vai virar VW) proporcionaram um belo espetáculo – um Opel largou, mas com um reparo improvisado no radiador, e apenas para fazer número.



Considerando-se que os grids serão maiores ao longo do ano, não faltam motivos para acreditar no sucesso da categoria. E o mais interessante foi descobrir que Vanessa foi a vencedora da primeira corrida. Vanessa que vem a ser o nome carinhoso dado pelo suíço Stefano Comini a seu Seat León Cup Racer. Ele que já tinha apelidado o Renault Clio com que se tornou campeão da Eurocup e, depois de um ano de resultados abaixo do esperado, resolveu que não mais escolheria nomes que tivessem a letra I. Enfim, teve bom, e o começo foi promissor...

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Sexta-feira, 27 de março de 2015 07:09 pm

A Indy também acelera – agenda

Então março se aproxima do fim e, embora muitas categorias pelo mundo ainda não tenham roncado seus motores oficialmente, dá pra dizer que a temporada é mais do que uma realidade, com boa parte dos principais campeonatos a todo vapor. O fim de semana marca a chegada de mais dois - o da Moto GP estrearia de todo modo domingo, no Catar, enquanto a Indy, sempre é bom lembrar, deveria ter figurado aqui (nos dois sentidos, no blog e no Brasil) há três semanas, mas, como já é mais que notório, não tivemos Brasília, e sabe-se lá se um dia teremos novamente os Dallaras por estas bandas. Ficou para Saint Petersburg então, um traçado que é meio rua, meio aeroporto, e costuma proporcionar corridas movimentadas. Do início da TCR Series eu já comentei em um post anterior e, sobre a F-1 na Malásia, reforço agora, na expectativa de que sejamos brindados com um espetáculo bem mais promissor que o de Melbourne. Olha que eu nem falo da dominação das Mercedes, que tem tudo para prosseguir, mas do GP como um todo, mesmo porque não dava para esperar grande coisa numa corrida em que 15 largaram, vários ficaram pelo caminho e, quem sobrou, na maioria dos casos procurou salvar os pontos sem qualquer risco. Tomara que Sepang reserve coisa melhor...

Internacional
Mundial de Fórmula 1: primeira etapa – GP da Malásia
Verizon Indycar Series: primeira etapa – Saint Petersburg
TCR International Series: primeira etapa -  Sepang (Malásia)
Indy Lights: primeira etapa - Saint Petersburg
Mundial de Moto GP: primeira etapa – GP do Catar (Losail)
Pirelli World Challenge: segunda etapa – Saint Petersburg
Nascar Sprint Cup: sexta etapa – STP 500 (Martinsville)
Nascar Camping World Series: terceira etapa – Kroger 250 (Martinsville)
V8 Supercars: terceira etapa – Tasmania

Nacional
Mitsubishi Cup: primeira etapa – Ribeirão Preto
Mineiro de Kart: segunda etapa – RBC Racing (Vespasiano)
Brasileiro de Velocidade na Terra: primeira etapa – Cordeirópolis (SP)

Na telinha

Sábado (28)

3h      Mundial de F-1: GP da Malásia (terceiro treino livre)   Sportv
6h      Mundial de F-1: GP da Malásia (treino oficial)            Sportv/Globo (*)
(*) os 30 minutos finais
12h50  Mundial de Moto GP: GP do Catar (treinos oficiais)   Sportv 3


Domingo
3h      Mundial de F-1: GP da Malásia        Globo
12h    Mundial de Moto GP: GP do Catar – Moto GP/Moto 2/Moto 3      Sportv
13h50 Nascar Sprint Cup: etapa de Martinsville   Fox Sports

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Sexta-feira, 27 de março de 2015 02:25 pm

Esta logomarca, aqui à direita...

Para quem está chegando agora no blog, ou não viu o post da semana passada, surgiu aqui ao lado, abaixo da foto deste que vos escreve, uma logomarca com um link. Sim, a Sportsplace é, como diz o outro, um "projeto paralelo"; uma forma de dividir a paixão pela velocidade com outros apaixonados e oferecer produtos que você muito provavelmente não encontrará com facilidade por aí. Aliás, tem um macacão Sparco de 1985 que foi de Nelson Piquet, na Brabham, e foi repassado pelo proprietário, que também é piloto e ganhou a relíquia do tricampeão mundial de F-1.  Mesmo porque muita coisa será autografada, com autenticidade reconhecida. E você ainda poderá oferecer o que estiver ocupando espaço em casa, de um adesivo a um carro de corrida. Fica mais uma vez o convite para que você clique na logo e descubra a Sportsplace, ajude a fazer dela um ponto de encontro de quem curte o esporte sobre rodas em suas mais diversas formas...

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Quarta-feira, 25 de março de 2015 04:30 pm

Bem mais que a F-1 em Sepang

O blog já contou a história do italiano Marcelo Lotti, principal responsável pela consolidação do Mundial de Turismo (FIA WTCC) e jogado para escanteio assim que a Eurosport, organizadora e dona dos direitos da competição, achou por bem tocar a criatura por conta própria. Lotti passou um ano longe dos holofotes, mas respondeu à altura, criando um novo campeonato global que tem como um dos atrativos o custo menor na comparação com as máquinas do "irmão maior", além de favorecer o desenvolvimento de carros partindo de uma base já existente ou independentemente dos fabricantes. O que nasceu como TC3 acabou se transformando em TCR International Series, para não passar a impressão de inferioridade (os carros do WTCC compõem a categoria TC1).

O italiano ainda tinha um coelho na cartola e, com a aprovação de Bernie Ecclestone, conseguiu fazer de sua nova criatura a preliminar do GP da Fórmula 1 da Malásia, neste fim de semana, em Sepang. E se nem todos os times conseguiram se preparar a tempo, serão 17 carros no grid, com nomes de respeito como Gianni Morbidelli, Jordi Gené, Pepe Oriola, Andrea Belicchi, Stefano Comini e Michael Nykjaer. Motores turbo 2.0, potência na casa dos 260cv, tração dianteira, câmbio sequencial e pneus Michelin formam a receita de um campeonato que conseguiu bons apoiadores técnicos e dará origem a várias séries pelo mundo (Benelux, EUA, Portugal, Itália e Nacam – Colômbia/Venezuela/Costa Rica/Peru/República Dominicana terão seus campeonatos ou categorias à parte até o ano que vem). Seat, Honda, Ford, Opel e VW têm tudo para vender muitas máquinas pelo mundo, e dos certames nacionais e regionais surgirem pilotos e equipes para correr na série principal.

Se eu já critiquei quem andou enchendo o panorama internacional de categorias, neste caso considero bastante interessantes a fórmula e a proposta, especialmente por envolver países que andavam na periferia do esporte – o Chile, por exemplo, apareceu no calendário original, e só preferiu adiar sua estreia para 2016 para adequar o Autódromo de Codegua. Taí uma opção interessante para quem cresce no kart brasileiro sonhando com algo mais do que as rodas descobertas. Em tempo, o espírito reinante é por enquanto tão amistoso que a equipe de Franz Engstler, que deixou o WTCC, teve autorização para alinhar três Audi TT devidamente depotenciados, enquanto os VW Golf GTI do time não ficam prontos. Olha que ninguém chiou...





TCR International Series

Inscritos

Franz Engstler (ALE)   Engstler Liqui Moly        Audi TT/VW Golf GTI
Mikhail Grachev (RUS) Engstler Liqui Moly        Audi TT/VW Golf GTI
Lorenzo Veglia (ITA)           Engstler Liqui Moly        Audi TT/VW Golf GTI
Gianni Morbidelli (ITA)       West Coast Racing       Honda Civic TCR     
Kevin Gleason (EUA)         West Coast Racing       Honda Civic TCR     
René Munnich (ALE)          West Coast Racing        Honda Civic TCR     
Michael Nykjaer (SUE)      Target                           Seat León Cup Racer
Stefano Comini (SUI)          Target                           Seat León Cup Racer
Andrea Belicchi (ITA)         Target                          Seat León Cup Racer
Jordi Oriola (ESP)              Campos Racing            Opel Astra OPC
Igor Skuz (UCR)                Campos Racing             Opel Astra OPC
Diego Romanini (ITA)         Proteam                        Ford Focus ST
Ferenc Ficza (HUN)           Zengo Motorsport           Seat León Cup Racer
Frank Yu (HKG)                Craft-Bamboo                Seat León Cup Racer
Pepe Oriola (ESP)             Craft-Bamboo Lukoil       Seat León Cup Racer
Jordi Gené (ESP)               Craft-Bamboo Lukoil       Seat León Cup Racer
Sergiy Afanasiev (RUS)      Craft-Bamboo Lukoil       Seat León Cup Racer

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