Quarta-feira, 23 de julho de 2014 08:43 pm

Um autódromo que faz a luz...

Enquanto no Brasil a administração e o surgimento de novos autódromos são praticamente tabus, longe daqui há quem consiga enxergar formas de manter os números no azul mesmo não tendo corridas ou eventos todos os dias. Falo do trioval mais conhecido do planeta, o "Tricky Triangle", como é conhecida a pista de Pocono, em Long Pond, na Pensilvânia. Que, aliás, ficou por 25 anos vivendo apenas da Nascar e, ano passado, voltou a receber a Indy – não dá para esquecer as vitórias de Mario Andretti na década de 1980 e os tempos de Rick Mears, Al Unser Jr. e Emerson Fittipaldi.

Pois longe de administrar um elefante branco, um mundo de asfalto e concreto, os donos da pista encontraram uma forma sensacional de criar renda, ainda mais de um jeito ecologicamente responsável. Como ao lado do circuito há longas extensões desabitadas, que também integram o complexo, foram montadas 39.960 placas fotovoltaicas, capazes de transformar a luz solar em eletricidade. E quatro anos depois da iniciativa, comemoram a marca de 15 milhões de Kilowatts gerados. Quer saber o que isso significa? É energia para iluminar 86 mil lâmpadas de 60w oito horas por dia, durante um ano, ou salvar 270 mil árvores da derrubada. E dá dinheiro. Talvez seja uma boa ideia para as nossas pistas, onde espaço não falta, e sol muito menos...


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Terça-feira, 22 de julho de 2014 05:48 pm

Rallycross em 2015: e se for o Brasil?

Então a IMG, que organiza o Mundial de Rallycross, acena com mais um país no calendário do Mundial da modalidade em 2015, e tudo indica, apesar do silêncio, que este está localizado fora da Europa. Considerando que a ideia é racionalizar a logística e evitar os custos desnecessários, fico eu a pensar: e se for o Brasil? Vale lembrar que uma das provas deste ano será na Argentina (a dobradinha funcionaria perfeitamente) e no ano passado a modalidade ganhou bastante espaço com a realização dos X Games em Foz do Iguaçu, além de termos Nelsinho Piquet, Átila Abreu e Guilherme Spinelli entre os nomes que encararam (ou encaram) as principais competições do esporte. E o time brasileiro da Mitsubishi era capitaneado pela XYZ Live, de Geraldo Rodrigues, acostumado a encarar grandes eventos. Enquanto não aparece a confirmação oficial do local – nos EUA, que poderiam fazer outra dobradinha, com o Canadá, é praticamente impossível, por conta da concorrência com o GRC – o jeito é torcer...


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Segunda-feira, 21 de julho de 2014 07:28 pm

Hora de turbinar o amuleto – Coluna Sexta Marcha


Hora de turbinar o amuleto

Sorte. Taí uma palavra que não costuma fazer parte do vocabulário dos pilotos, algo que se aprende desde os tempos do kart. A famosa peça de R$ 5 quebrou a duas curvas da bandeirada? Coisa de corrida. Um acidente por conta de uma manobra mais arrojada ou da tentativa de desafiar as leis da física? Sempre tem um culpado, de acordo com o ponto de vista. E se os comissários discutem, observam, deliberam e decidem não apontar um responsável, entra para a galeria dos incidentes de corrida. Nunca é resultado de alguma conjunção astral desfavorável, ou de uma nuvem carregada sobre determinado capacete.

Mas aí você começa a temporada animado, depois de brilhar na preparação e... leva com uma Caterham sem freios a meia-nau. Tem a chance de terminar entre os primeiros na China, mas sua equipe o deixa um minuto no box, à espera de que uma roda caprichosa finalmente seja presa. Faz um corridão no Canadá e, talvez movido pela ansiedade, tenta uma ultrapassagem justamente quando o rival começa a ter problemas. Acaba traído pela estratégia na Inglaterra, sofre com a embreagem na largada e, quando começa a recuperação, é abalroado pela Ferrari em perdição de Kimi Räikkönen. Pouco? Como a cereja do bolo, a real chance de um pódio vira, literalmente, de cabeça para baixo nos primeiros metros em Hockenheim.

Como definir então a maré de Felipe Massa? Mesmo porque, falar de sorte quando se viveu uma experiência como a do grave acidente na Hungria’2009; se teve a chance de voltar às pistas e continuar fazendo o que mais gosta talvez faça sentido ao notar que a cena assustadora de ontem não teve qualquer consequência desagradável. Que há algo mais entre o céu e o asfalto do que pode supor nossa vã filosofia parece claro, mas eu não consigo definir o quê. Olha que eu vi, revi e vi de novo os fatídicos primeiros metros e não consigo encontrar nada que incrimine Kevin Magnussen. A principal culpada na história parece ser a configuração atual da pista. Nos tempos do traçado de 6.800m que mergulhava pela Floresta Negra, a reta era mais curta e a curva 1 tinha raio maior. Não resolve, nem traz a corrida perdida de volta, mas explica.

E sempre é bom lembrar que os pilotos, embora fujam da palavra sorte, costumam se apegar a todo o tipo de amuleto. A luva (ou até a cueca) da primeira vitória se tornam parte integrante do vestuário – até onde me consta, lavados regularmente. E medalhinhas, moedas, santinhos se tornam inseparáveis companheiros. Também há superstições, embora uma das mais famosas tenha caído em desuso. Dizia-se que estrear um capacete era sinônimo de acidente. A julgar pela quantidade de desenhos diferentes e versões especiais, com certeza não mais. Estou para dizer que é culpa dos atuais macacões que, para economizar alguns gramas, perderam os bolsos. Sabe-se lá se algum amuleto não ficou sem lugar. Se for o caso, que se cole no cockpit, ou no banco, que é exclusivo do piloto, por ser moldado com as suas formas. Uma virada justamente a partir de Hungaroring, das lembranças assustadoras, não seria um mau negócio...

Bottas, enquanto isso...

E não é boa coisa ficar estacionado na pontuação justamente quando o companheiro chega ao terceiro pódio consecutivo e confirma tudo de bom que dele se falava já nos tempos da GP3. A Williams ainda não está em situação que justifique favorecimento a Valtteri Bottas, assim como Massa não pode ficar obcecado com o companheiro, ou a situação pode ficar ainda pior. É o caso de pensar que, nas atuais condições, ser mais rápido que Alonso, Vettel, Ricciardo, Button e Räikkönen é mais que apenas uma perspectiva. E das melhores.

A TV derrapa

Dito isso, a corrida foi bastante emocionante – e olha que embora pareça, nem sempre a nova configuração do traçado de Hockenheim proporcionou disputas assim. Talvez o menor grip aerodinâmico e o delicado equilíbrio das máquinas atuais tenham ajudado, o fato é que as disputas no pelotão intermediário foram furiosas e não faltaram fragmentos de fibra de carbono voando pelo caminho. Pena que a TV que detém os direitos de transmissão rume em sentido contrário e comece a dar os primeiros passos para imitar o que ocorre na Itália, por exemplo (todas as provas ao vivo só num canal por assinatura; a RAI pode exibir nove delas em tempo real e as demais só em VT). Limitar o treino oficial aos 12 minutos do Q3 é, como diria o filósofo, de lascar o cano.


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Sexta-feira, 18 de julho de 2014 08:31 pm

Agenda boa, e notícias nem tanto...

Então a Copa do Mundo se foi e a temporada da velocidade no Brasil recomeça, para a felicidade geral da nação. A F-Truck tem o privilégio de retomar as corridas com a devida cobertura televisiva o que, em tempos de Mundial, seria inviável. E lá fora, os campeonatos continuam a todo vapor, com F-1, Indy, ELMS, Auto GP como os destaques. A Sprint Cup tem de seus poucos finais de semana de folga, já que no próximo faz o já tradicional reencontro com o oval de Indianápolis. E basta ver a segunda parte da tabelinha do blog para constatar que não vão faltar treinos e corridas transmitidos, o que é sempre motivo de satisfação para quem curte o esporte motor.

Só que... você já deve ter ficado sabendo que o sábado será o momento de uma experiência triste. Já no ano passado eu comentava sobre a tendência de tirar a F-1 da TV aberta e levá-la, ao menos em parte, para os canais por assinatura. E citei o exemplo da Itália onde, pelo segundo ano, a Sky F1HD transmite tudo ao vivo e a RAI tem a possibilidade de mandar ao ar apenas nove GPs em tempo real, com os demais transmitidos em VT. Parecia uma realidade ainda distante, especialmente com a permanência de Felipe Massa no circo, e ainda por cima brigando pelas primeiras posições.

Mas, o que conta são os frios números da audiência, pouco importando o que esteja indo ao ar. Se bate a concorrência e garante números interessantes, fica como está. Se não é o caso, muda-se. E assim está sendo feito. Caso você queira acompanhar as duas primeiras fases da qualificação, não ligue na TV Globo, ou vai ficar vendo desenhos animados. E se não for assinante de nenhuma provedora de sinais de TV, limite-se a ver os 12 minutos finais – literalmente, pegar o trem (ou o treino) em movimento. Lógico que preocupa, porque eu, você e tantos outros nos acostumamos a ver tudo, sem cortes. E nem adianta fazer abaixo-assinado ou reclamar. Quem tem os direitos de transmissão pode fazer o que bem entender, desde que com a autorização de Bernie Ecclestone. Que, pelo visto, não se opôs...

*** Como ninguém é perfeito, aí vai a correção de uma derrapada publicada na agenda passada. A quarta etapa do Global Rallycross Championship (GRC), em Nova York, com Nelsinho e Pedro Piquet, é neste fim de semana


Internacional

Mundial de Fórmula 1: 10ª etapa – GP da Alemanha (Hockenheim)
GP2: sexta etapa – Hockenheim
GP3: quarta etapa – Hockenheim
Verizon Indycar Series: 11ª etapa – GP de Toronto (*)
Nascar Nationwide Series: 16ª etapa – EnjoyIllinois 300 (Chicagoland)
European Le Mans Series: terceira etapa – Red Bull Ring
Auto GP: sexta etapa – Red Bull Ring (AUT)
GT Open: quinta etapa – Silverstone
Euroformula Open: quinta etapa – Silverstone
Mundial de Rally Cross-country: Baja Aragón (ESP)
Europeu de Rali: sétima etapa – Rally Estonia
Global Rallycross Championship: quarta etapa – Nova York
Porsche Supercup: quinta etapa – Hockenheim

Nacional
Brasileiro de F-Truck: quinta etapa – Cascavel
Brasileiro de Rally Cross-Country/Baja: 8º Rali Barretos
Gaúcho de Rali de Velocidade: terceira etapa – Rali de Estação
Lancer Cup: quarta etapa – VeloCittá

(*) rodada dupla

Na telinha
Sábado (19)
5h55        Fórmula 1: GP da Alemanha (terceiro treino livre)           Sportv
8h55        Fórmula 1: GP da Alemanha (treino oficial)                        Sportv/Globo (**)
10h35     GP2: etapa da Alemanha                                                             Sportv 2
12h15     GP3: etapa da Alemanha                                                            Sportv 2
16h30      Indycar: GP de Toronto                               Band/BandSports
21h30      Nascar Nationwide: etapa de Chicagoland                           Fox Sports 2

Domingo (20)
4h25        GP3: etapa da Alemanha                                                            Sportv
5h30        GP2: etapa da Alemanha                                                             Sportv
6h40        Porsche Supercup: etapa de Hockenheim        Sportv
8h40        Fórmula 1: GP da Alemanha                                                    Globo
13h          F-Truck: etapa de Cascavel                                                        Band
16h30      Indycar: GP de Toronto                BandSports

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Tags: treino  da  F-1  no  Sportv  Globo  Q3  GP  da  Alemanha  Hockenheim  Sky  F1HD  RAI  Indy  ELMS  Band  Red  Bull  Ring  agenda  F-Truck  Cascavel  Nascar  Chicagoland  GP2   

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Quarta-feira, 16 de julho de 2014 08:35 pm

InMotion: ambicioso sonho holandês...

Tudo bem que sonhar não custa, e não fossem os projetos movidos por uma razoável dose de loucura e grandiosidade, provavelmente ainda estivéssemos na idade da pedra, ou quase. Mas imagine só você um projeto desenvolvido por um grupo de estudantes e duas instituições de ensino holandesas que nasce com objetivos como "estabelecer um novo recorde de volta para o Nordschleife de Nurburgring e disputar as 24h de Le Mans". Fácil? Nem de longe. Tanto assim que os 6min11s13 estabelecidos pelo saudoso Stefan Bellof  em 1983, com uma Porsche 956, resistem ao tempo e já superaram as três décadas de vida.






Pois estudantes e professores da Universidade Técnica de Eindhoven e da Universidade
Fontys de Ciências Aplicadas resolveram sonhar grande. Acostumados a projetar bajas para as disputas da F-SAE e a levar para a prática o que aprendem nas salas de aula, eles se valeram da ideia do Automobile Club d'Ouest (A.C.O) que, desde 2012, passou a reservar uma vaga no grid das 24h de Le Mans para uma máquina inovadora, que traga novos conceitos e valorize energias alternativas. A primeira, você há de lembrar, foi o DeltaWing, ainda com motor Nissan e cockpit aberto. Neste ano, a mesma Nissan resolveu criar uma variação sobre o mesmo tema e mandou à pista o Zeod, com propulsão mista eletricidade/combustão. Nenhum dos dois foi longe, mas o conceito está valendo.

Pois o grupo se juntou no consórcio InMotion e resolveu tirar do papel o protótipo IM01, com os objetivos citados lá em cima. E propostas nada modestas: valendo-se de um apurado estudo de aerodinâmica, criar o máximo de downforce e o mínimo de resistência. E contar com a força de quatro motores elétricos, um por roda, que se alimentam da energia dissipada pelos freios sob a forma de calor. E o calor ainda seria dissipado sob pressão nas laterais, criando um efeito semelhante ao difusor explodido, hoje banido na F-1. E como ainda é impossível armazenar energia elétrica para 24 horas de desafio, haveria a ajuda de um motor rotativo (tipo Wankel, como o do Mazda 787 campeão da prova em 1989). Mas com uma eficiência térmica de 60%, enquanto os mais modernos propulsores atuais não chegam aos 30% – um primeiro modelo encontra-se em testes iniciais. Tem site, tem perfil no Facebook e já provocou uma grande movimentação no meio. Uma primeira maquete está sendo montada para as verificações no túnel de vento e para mostrar a eventuais patrocinadores. É coisa para 2017 e tomara que saia. Afinal, nem só de times oficiais e orçamentos milionários é feito o automobilismo.

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