Quarta-feira, 01 de outubro de 2014 03:44 pm

Sobre o V6 Honda...

Há quem diga que a imagem mostrada hoje pela Honda de seu V6 que marcará a volta da fábrica japonesa ao Mundial de Fórmula 1 chega com três meses de atraso. Mais do que qualquer coisa, os nipônicos foram bastante discretos (e nenhuma novidade aí) em termos de detalhes. Não se sabe nem mesmo se será mantida a tradicional nomenclatura, que começava sempre com as letras RA – se for para retomar de onde parou, em 2008, teríamos o RA110, mas, por enquanto, reina o mistério. Como a própria imagem, em si, não mostra praticamente nada. Eu explico: a Mercedes por boa parte do ano passado (e do começo deste), vendeu ao mundo uma configuração de seu propulsor que não se confirmava na prática. Nas imagens, projeções, fotos e vídeos, turbina e compressor estavam próximos um do outro, e já se constatou que a instalação de ambos nos extremos opostos do bloco é um dos segredos para a eficiência do conjunto. Fora que está tudo coberto pelos coletores em fibra de carbono. O único detalhe técnico interessante que transparece é o acionamento radial da turbina – veja como os coletores "abraçam" a turbina em forma de caracol, um por cima, outro por baixo, mesma solução de Mercedes e Renault, ao que tudo indica, esnobada pela Ferrari.



E o desenho dos cabeçotes, com dois grandes parafusos na dianteira, e um na traseira, é solução obrigatória por conta da configuração das power units – ali são instalados os reforços que ajudam a conter as vibrações. Se os japoneses observaram bem a concorrência (e motor é uma coisa que eles sempre souberam fazer como ninguém), o trocador de calor será instalado no chassi, tal como fizeram Mercedes e Williams. De resto, é justamente na eficiência de componentes periféricos, no seu posicionamento e na integração aerodinâmica que estará o segredo. E o problema da McLaren este ano definitivamente não é no motor, o que mostra que a turma de Woking terá de ajudar para termos um carro à altura dos rivais.

Menos discretos quando se trata de valorizar sua capacidade de inovar, a turma dos olhinhos puxados promete mostrar imagens do motor durante o fim de semana em Suzuka, assim como seu ronco, que certamente não será diferente do que já nos acostumamos a ouvir (pouco, é verdade). O que acabou ficando bom para a Honda foi a chance de acompanhar o que fez a concorrência antes de fechar seu pacote que, como os demais, deverá ser congelado. E como eles já se mostraram simpáticos à possibilidade de estender o fornecimento a clientes em 2016, sabe lá se teremos uma Lotus-Honda, ou uma Caterham-Honda, ou uma Sauber-Honda, se é que nomes e equipes serão mantidos até lá... A se confirmar...


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Segunda-feira, 29 de setembro de 2014 09:03 pm

Samba do carro doido: e adivinhe quem está por trás?

Era uma vez a equipe Kodewa, de um certo Colin Kolles, que se arvorou a construir um protótipo LMP2 por conta da Lotus, quando a atual emanação da marca, em mãos de capital malaio, achou que poderia e deveria competir em praticamente toda e qualquer categoria – em 2012 surgiu um motor para a Indy tristemente fraco; chegou a surgir um esboço de modelo para a Moto GP e o objetivo era trazer de volta para as competições de GT os modelos Elise e Exige. Pois o que fez o dentista romeno, cujas aventuras e desventuras foram devidamente comentadas neste espaço: contratou um escritório de projeto, a Adess, de Stephane Choose, para transformar a iniciativa em realidade. De onde surgiu a Lotus T128, que deu as caras nas pistas ano passado sem resultados mirabolantes (a Lola usada antes pelo time fazia melhor).

Eis que Kolles e Choose iniciaram uma disputa judicial em que cada lado alegou que o outro não cumpriu suas obrigações contratuais – e os carros chegaram a ser colocados sob custódia em Le Mans, até serem liberados para correr depois de uma guerra de limiares. Naquela de varrer a poeira para baixo do tapete, não apenas a coisa continuou, como a Lotus, ou Kodewa, ou como quer que se chame a equipe se arvorou a construir um LMP1, sem sistemas híbridos. Que deveria ter um motor V8 derivado dos usados pela Audi no DTM, mas a coisa naufragou, e foi necessário apostar no biturbo AER. O P1/01 foi apresentado no fim de semana das 24h de Le Mans deste ano, com pompa, circunstância e post no blog...



Foi só a máquina ganhar o público para que surgissem os primeiros questionamentos. A revista inglesa Racecar Engineering esmiuçou as imagens e mostrou que o chassi, teoricamente 100% novo, era uma versão recauchutada do da Lotus T128, com os devidos reforços e ajustes por conta da maior potência e das regras. Choose, a esta altura, deve estar preparando novamente a papelada para voltar à carga.

E como se não bastasse, em sua premiére diante do público, não mais havia qualquer referência à Lotus. O carro comandado por Christophe Bouchut, James Rossiter e Lucas Auer (sobrinho de Gerhard Berger) – ao menos o trio de pilotos é de qualidade – apareceu nas 6h de Austin como CLM P1/01, e ninguém na equipe fez qualquer referência. Os colegas mais espertos, de revistas e sites respeitadas, muito provavelmente mataram a charada: a sigla é de Caterham Le Mans, já que Kolles está à frente do grupo que assumiu o time da F-1 (como consultor)...

Entendeu tudo? Se não é o caso, eu explico – um carro nascido como Lotus, mas concebido por outra empresa, fez um time que não é a Lotus pensar em criar outro, 100% inédito, mas que pega emprestado o chassi da Lotus. E a nova Lotus estreia nas pistas como... CLM. Eita, doutor Kolles...

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Sexta-feira, 26 de setembro de 2014 10:29 pm

Agenda bacana... pra não ter reclamação

Atire a primeira pedra o amigo leitor que não se considerar satisfeito com a agenda da velocidade neste fim de semana. Tem Mundial, sobre duas e quatro rodas – e no segundo caso, a etapa italiana do FIA RX Rallycross é duplamente especial, já que marca o desembarque da modalidade num pais que não lhe dava o devido valor, e também a volta às competições de Gigi Galli, um dos mais espetaculares nomes do rali mundial, que correu muito menos do que merecia, esbarrando na falta de apoio (lá também acontece...) e nos orçamentos cada vez maiores exigidos para alinhar com um equipamento de ponta. Pois ele não só ajudou a desenvolver o circuito, que usa parte do traçado asfaltado de Franciacorta, coladinho em Brescia, como comandará um Ford Fiesta da equipe MSE Olsbergs, que teve a pintura escolhida por meio de um concurso da revista Auto Sprint. Na foto, a máquina ainda está imaculada...



E tem Stock Car lá e cá. Aqui as regras voltaram a ser convencionais e o desafio é simples: quem chegar à última etapa com mais pontos festeja. Na Nascar, não apenas o playoff (Chase) continua, como criou-se uma evolução. Neste domingo, em Dover, quatro dos 16 finalistas dançam, na primeira guilhotina da fase decisiva. Sem contar o DTM, de campeão antecipado (o alemão Marco Witmann, surpresa das surpresas); Renault World Series... Tá ou não tá bom demais?

Internacional
Mundial de Motociclismo: 14ª etapa – GP de Aragón (Alcañiz-ESP)
Mundial de Rallycross: 10ª etapa – Franciacorta-ITA
Renault World Series 3.5: oitava etapa – Paul Ricard
Europeu de F-Renault: sexta etapa – Paul Ricard
DTM: nona etapa – Zandvoort (HOL)
GT Open: sétima etapa – Monza
Euroformula Open: sétima etapa – Monza
Nascar Sprint Cup: 28ª etapa – AAA 400 (Dover)
Nascar Nationwide Series: 27ª etapa – Dover 200
Nascar Camping World Truck Series: Rhino Linings 350 (Las Vegas)
Sul-Americano de F-4: nona a 12ª etapas – Mercedes (URU)

Nacional
Brasileiro de Stock Car: nona etapa (rodada dupla) – Santa Cruz do Sul
Lancer Cup: penúltima etapa – Velo Cittá
Polaris Cup: quinta etapa – Inhaúma-MG

Na telinha
Sábado (27)
7h       Renault 3.5 World Series: etapa de Paul Ricard                                           Band Sports
7h30  Mundial de Motociclismo: GP de Aragón – treinos oficiais                  Sportv
14h    Brasileiro de Stock Car: etapa de Santa Cruz do Sul (treino oficial)    Sportv2
16h30     Nascar Nationwide Series: etapa de Dover                                             Fox Sports 2
23h Nascar Camping World Truck: etapa de Las Vegas                                       Fox Sports 2

Domingo
6h     Mundial de Motociclismo: GP de Aragón – Moto3/Moto2/Moto GP     Sportv
10h     Brasileiro de Stock Car: etapa de Santa Cruz do Sul                                  Sportv
15h     Nascar Sprint Cup: etapa de Dover                                                          Fox Sports 2

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Sexta-feira, 26 de setembro de 2014 09:14 pm

Ainda sobre a Brabham: alguém duvida que vai dar certo?

Terceiro dia da campanha de financiamento coletivo (crowdfunding, para ficar alinhado com os novos tempos) e a soma arrecadada para tirar do papel o Project Brabham se aproxima alegremente da marca das 100 mil libras (algo em torno dos R$ 400 mil), mais de um terço do valor previsto para esta primeira vaquinha que, na teoria, se encerra em 1º de novembro. Sinal de que é mais do que um sucesso, e muita gente (eu entre eles, já que sou um dos 500 "early bird fans") entendeu que a iniciativa é séria – e houve várias referências nas redes sociais à Lotus, cujo espólio nas pistas se tornou uma verdadeira bagunça – há um grupo na F-1 que mantém o nome mas não é mais patrocinado pela Proton, a montadora malaia que detém os direitos comerciais; outro liderado por Colin Kolles fabricando protótipos... que podem passar a se chamar CLM, ou Caterham Le Mans, já que o romeno se bandeou para o time verde.

Lógico que todo o romantismo de ver novamente nas pistas o legado deixado por Sir Jack Brabham, sozinho, não adiantaria. Como é lógico que David, o filho do meio do tricampeão e alma do projeto, não acredita que terá um time de ponta apostando "apenas" nas colaborações dos fãs. O nome vende, especialmente em se tratando de uma emanação direta do time original, herança de sangue, e não faltam empresas dispostas a ligar seu nome à empreitada – fornecedores de combustível, rodas, vestimentas e parceiros técnicos, que ajudam a fechar o quebra-cabeças financeiro. Sem contar que mesmo a escolha do pacote para acelerar na classe LMP2 do Mundial de Endurance pode render bons frutos. Com a Honda preparando um protótipo coberto (desenhado pela Wirth Design, de Nick Wirth, que comandou a Simtek, que teve um certo David Brabham como piloto...), seria uma escolha quase obrigatória. E um modo de corrigir uma injustiça histórica, já que Williams, Lotus e McLaren foram impulsionadas na F-1 pelos propulsores japoneses, mas a Brabham não. Felizmente não tem volta, e tudo conspira para esse nome de tamanha tradição ser novamente uma realidade – e que bacana seria ver David e o irmão Geoff, outro piloto com P maiúsculo; e os herdeiros Sam e Matthew envolvidos de alguma forma... Se quiser fazer parte da aventura também, clique na foto abaixo, que ela te leva direto ao ponto...



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Quarta-feira, 24 de setembro de 2014 06:24 pm

A volta da Brabham: que notícia para o post 1.500

Aqueles que acompanham o blog desde seus primeiros dias sabem que este que vos escreve gosta de brincar com os números, registrá-los, ainda que seja apenas... uma brincadeira. Mas quando se vê o contador de posts chegar ao 1.499, é sinal de que houve muitas histórias contadas, assunto para manter este espaço digno do nome; falar da velocidade com agilidade, sem ficar longos e intermináveis períodos quieto. E olha que, se dependesse da vontade, já estaríamos batendo nos 3.000...

Pois eis que o post 1.500, numa quarta-feira "qualquer" tinha tudo para ser um como os outros, não fosse outro post publicado semana passada, dando conta do lançamento de um certo "Projeto Brabham", anunciado por ninguém menos do que David, o filho do meio de Sir Jack, e um dos grandes nomes da endurance mundial nas últimas décadas. Olha que ele conseguiu manter o mistério, até que filtrassem as primeiras informações: depois de uma longa luta para reaver o direito de usar o próprio sobrenome nas pistas, a Brabham recomeça sua história, sem intermediários, pelo Mundial de Endurance (FIA WEC), com um protótipo LMP2, e a proposta de envolver investidores de forma inédita, com o chamado "Open Source Racing" – quem quiser colaborar poderá fazê-lo de várias formas, com acesso a plataformas digitais que permitirão mergulhar nos bastidores do time.

"Estou fazendo 49 anos e não sei por quanto tempo mais poderei pilotar de modo competitivo. Depois de muito pensar e trabalhar, finalmente as peças do quebra-cabeças se juntaram e nos permitiram começar. A ideia inicial é permanecer por três anos no Mundial, buscando vencer as 24h de Le Mans. Mais tarde, quem sabe, buscaremos uma vaga na Fórmula E e, se as condições permitirem, até mesmo retornar à F-1", acabou de revelar Brabs, com direito ao anúncio de que as cotas de participação começarão com 25 libras (menos de R$ 100) e irão até as 10 mil (neste caso, envolvendo um curso personalizado com o próprio em Silverstone).

Felizmente não se trata de uso indevido da marca ou de uma iniciativa oportunista, mas de uma digna forma de honrar o espírito do tricampeão mundial de F-1, primeiro homem a vencer com um carro que levava seu nome, e que nos deixou este ano. O vídeo abaixo é de arrepiar, e dá uma ideia de como será este retorno, e como fazer para ser parte dele. Tomara que em breve seja possível pensar num carro próprio, como certamente deixaria Sir Jack orgulhoso, ele que praticamente foi o primeiro construtor em série de máquinas de vencer corridas. E que os netos, Sam e Matthew, também façam parte do projeto – certamente será especial ver um time Brabham em Interlagos'2015.


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Tags: Brabham  retorno  Mundial  de  Endurance  LMP2  Jack  David  open  source  racing  Le  Mans  Brabs  post  1.500  blog 

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