Sexta-feira, 19 de dezembro de 2014 04:16 pm

Dakar: muito barulho sem barulho nenhum...

Quando chega esta época do ano, em que as atividades nas pistas caem ao mínimo, é natural que as atenções se voltem para mais uma edição do Rali Dakar, a principal maratona fora de estrada do planeta. E é natural também que a maior parte do interesse se volte para o retorno da Peugeot com um buggy protótipo (o 2008 DKR) de gigantescas rodas aro 37 e verdadeiros monstros do esporte ao volante – "apenas" Stephane Peterhansel, Carlos Sainz e Cyril Després. Mas outra iniciativa menos badalada promete ser igualmente marcante e fazer história pelos caminhos inóspitos de Argentina, Bolívia e Chile. Um carro que certamente fará muito barulho por não fazer barulho algum.



Não é de hoje que equipes e patrocinadores pensam em levar a propulsão híbrida para as dunas. Mas o que fizeram os espanhois da Acciona é inédito e ousado: com a evolução tecnológica e a busca por combustíveis naturais e não-poluentes, a empresa, que é a principal na exploração de energias renováveis em solo europeu, resolveu desenvolver um protótipo homologado na categoria FIA T1 movido apenas por energia elétrica. Capaz de encarar os 9 mil quilômetros de desafio sem produzir uma grama que seja de monóxido de carbono.

Acciona Dakar Ecopowered

Primeiro veículo com propulsão 100% elétrica a disputar o Rali Dakar...


Missão posta, missão cumprida, e o Acciona Dakar está no navio que, nos próximos dias, desembarca em Buenos Aires com os demais da caravana. Em termos de chassi, estrutura tubular integral em cromolibdênio; amortecedores com regulagens hidráulicas e curso monstruoso, como se deve; e direção elétrica. Quem se encarrega da propulsão é um motor elétrico síncrono, capaz de gerar 300cv e alimentado por um pacote de baterias de íons de lítio. Que podem ser carregadas na tomada, em qualquer fonte decente de energia elétrica. Mas o pacote que está na parte traseira do veículo garante autonomia de 350 quilômetros em condições de corrida, o que é suficiente para encarar os trechos cronometrados previstos para este ano (nas zonas de reabastecimento, enquanto os demais receberem gasolina, o Acciona estará plugado). A velocidade será limitada eletronicamente em 150km/h, o que, para quem pensa apenas em cumprir o percurso até o fim, está mais do que suficiente. E um detalhe interessante é a presença de painéis de energia solar na traseira, o que garantirá uma carga extra de emergência.

No comando do "bicho", o mais do que experiente espanhol Albert Bosch, veterano de oito participações, com Agustín Payá como navegador. Tudo bem que está longe de ser fácil garantir que o desafio será cumprido – resta saber como o conjunto resistirá a condições tão extremas – mas fica desde já a torcida para que o Acciona mostre que, mesmo sem petróleo, é possível ter velocidade e emoção...

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Quinta-feira, 18 de dezembro de 2014 04:45 pm

Niko Salamandra: isso corre, e vence...

Um dos grandes baratos do automobilismo é justamente este: no post anterior falei de um protótipo de última geração, desenvolvido pelo departamento de competições de uma montadora (a Honda) que, embora destinado a uma categoria, a LMP2, que define um teto máximo para o conjunto chassi/motor, não é nada barata ou acessível. Pois neste post o assunto é uma máquina que está no extremo oposto.





Já há algum tempo falei do automobilismo colombiano, que ganhou nova linfa com o sucesso de Juan-Pablo Montoya e passou a revelar pilotos com uma velocidade impressionante – Carlos Muñoz, Sebastián Saavedra, Gabby Chaves, Gonzalo Tunjo, Julián Leal e Tatiana Calderón são os principais, embora nem todos tão talentosos quanto o hoje piloto da Penske na Indy. E o mais interessante é que o país vizinho tem apenas um autódromo, Tocancipá, próximo a Bogotá. E é nele que são disputadas, todos os anos, as 6h de Bogotá, que já tiveram inclusive exemplares de Daytona Prototypes e carros reciclados da Trans-Am no grid.

Pois o grande vencedor da prova deste ano é este modelo que você vê no post. Sim, entre protótipos Radical, Van Diemen adaptados, máquinas de turismo de todos os tipos e potências, levou a melhor esse "amontoado de tubos de aparência questionável" (eu particularmente achei interessante), o Niko Salamandra.

Que vem a ser não mais do que um chassi tubular em cromolibdênio semelhante ao das gaiolas de autocross; rodas de pista aro 13, freios Wilwood, diferencial Quaife e mecânica derivada de uma Suzuki Hayabusa 1.340cc, devidamente preparada para superar os 200cv. Com cerca de 400kg a seco, é muito ágil, e nas mãos de Juan Manuel González, Juan Diego Alzate e Gabby Chaves, foi o grande vencedor desta edição. A Niko, apenas para explicar, é uma empresa especializada na produção de componentes mecânicos de precisão, que se propõe a ser "o primeiro construtor colombiano de carros de competição. Quem disse que tem que ser caro e complicado. Assim também se corre e vence...


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Segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 04:00 pm

Dois protótipos, duas histórias...

O blog começa a semana com as histórias de dois protótipos que, de alguma forma, estão ligados pela categoria, embora sejam de momentos completamente distintos. O mais recente – aliás, acabou de deixar a condição de projeto para percorrer seus primeiros metros na pista – é o Honda ARX-04b, novo herdeiro de uma dinastia iniciada pelo departamento de competições norte-americano da montadora (o HPD), em parceria com o escritório de projetos de Nick Wirth (o mesmo que concebeu o primeiro modelo da Virgin/Marussia apenas com a ajuda da computação, sem a ajuda do túnel de vento). Wirth e a Honda entraram no mercado modificando chassis da francesa Courage e chegaram a desenvolver um LMP1, que foi à pista com a equipe de Gil de Ferran, que formou forte dobradinha com Simon Pagenaud.





Com as novas regras e a exigência de modelos fechados também para a categoria LMP2, a Honda e a Wirth resolveram desenvolver seu primeiro projeto 100% original para a categoria, considerando que teriam um cliente para garantir a compra de dois chassis (a Extreme Speed Motorsports, de Scott Sharp e Ed Brown, o homem da Tequila Patrón). Pois o modelo final é bastante fiel aos desenhos e projeções e se torna o primeiro rival à altura da Ligier JSP2, que envelheceu a concorrência rapidamente ao ganhar a pista. É bem verdade que o envolvimento direto da montadora japonesa foge um pouco do espírito da P2, que deveria ser território de caça dos construtores privados (Oreca, Ligier/OAK, Lotus, Wolf e SMP). Mas, se os adversários não reclamaram, melhor assim. Aliás, tudo indica que o ARX-04b será o escolhido pela Brabham para seu retorno, no Mundial.

O segundo protótipo da história nasceu em 2000, quando SR1 e SR2 eram as classes principais nas competições da modalidade. Depois de lançar na Inglaterra os LM3000, que chegaram a formar um grid à parte, Mike Millard e Ian Flux resolveram produzir um modelo homologado para o ISRS/SRWC, então o principal campeonato da Europa. O Rapier ganhou motor Nissan V6 3.000cc, apareceu em pistas como Donington, Nurburgring e Spa-Francorchamps e, por oito longos anos, permaneceu guardado numa garagem britânica, até que voltasse a mostrar serviço na série Britcar de endurance. Mostra de que um carro de corrida, quando bem cuidado e projetado, não envelhece, ele segue dando trabalho a adversários bem mais novos. Porque, afinal, lugar de modelos como este é no asfalto, não pegando poeira....


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Tags: HPD  ARX-04b  ESM  Scott  Sharp  LMP2  Wirth  Racing  Tequila  Patrón  Ligier  Wolf  Oreca  SMP  SR2  SR1  Rapier  Millard  Flux  LM3000  SRWC  ISRS  Britcar  Nissan  P2 

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Sexta-feira, 12 de dezembro de 2014 08:35 pm

Pensa que acabou? Ainda tem agenda...

Campeonatos oficiais em atividade há poucos – a honrosa e principal exceção é a Fórmula E, que optou por uma temporada semelhante à do futebol na Europa, de julho a julho, e desembarca no Uruguai para a terceira etapa de sua primeira edição – olha que há muito tempo o vizinho não tem um evento automobilístico de tamanha importância, e Punta del Este é um cenário bastante interessante para a categoria. Mas o fim de semana reúne um bom bocado de eventos sobre rodas, aqui e pelo mundo, muitos deles típicos desta fase de final de ano, quando vários pilotos trocam as categorias habituais pelo kart, ou por outros desafios.

Pois as neves de Andorra recebem a segunda etapa do Troféu Andros, já em sua 25ª edição, e com participação especial de Romain Grosjean depois que Sebastien Loeb acelerou semana passada, em L'Alpe d'Huez. E depois de um ano sem o evento, a ROC, a Corrida dos Campeões, está de volta, desta vez no sol de Barbados. E com um formato diferente, sem uma competição entre países, mas entre times mistos – há o Nórdico, o da América Central, entre outros.

Nas terras verde e amarelas ainda há campeões a ser conhecidos, na Moto 1.000 GP e na Porsche Cup. Mas também é tempo de duas das mais tradicionais provas da nossa combalida endurance (e precisava marcar as 12h de Tarumã e os 500km de Londrina para a mesma data?). E as 500 Milhas que já foram da Granja Viana e agora são do Beto Carrero unem profissionais e amadores; brasileiros e estrangeiros, novatos e experientes. O RBC Racing, em Vespasiano, recebeu outra prova do gênero, que promete ser presença constante no calendário.

Internacional
Fórmula E: terceira etapa – Punta del Este (URU)
Troféu Andros: segunda etapa – Andorra Arcalis
Race of Champions (ROC): Barbados
Motor Show: Bolonha
Sul-Americano de F-4: última etapa – Concordia (ARG)




Nacional

Moto 1.000 GP: última etapa – Cascavel (PR)
Porsche Cup: última etapa – Interlagos
12h de Tarumã
500 km de Londrina
Brasileiro de Rali Cross-country: última etapa – Rali dos Amigos (Avaré-SP)
500 Milhas de Kart – Beto Carrero World
Endurance Kart 400 – RBC Racing (Vespasiano)

Na telinha
Sábado (13)
12h     Fórmula E: etapa de Punta del Este (treino oficial)        Fox Sports 2
15h30 Fórmula E: etapa de Punta del Este (corrida)               Fox Sports 2

Votos:
Tags: ROC  Barbados  Race  of  Champions  Andros  Andorra  Fórmula  E  F-E  Punta  del  Este  500  Milhas  de  Kart  12h  de  Tarumã  500  km  de  Londrina  endurance  Moto  1.000  GP 

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Sexta-feira, 12 de dezembro de 2014 02:34 pm

O Motor Show voltou....!!!!

Corria o fim da década de 1970 quando surgiu a ideia de se fazer, em Bolonha, um evento que fosse uma verdadeira festa do esporte motor; aliás, dos veículos sobre rodas, já que também haveria um salão com a apresentação dos mais novos lançamentos. Surgia então, no espaço da Fiera Bologna, o Motor Show, que foi ganhando reconhecimento e espaço ao longo dos anos. A área externa logo se transformou em pista de corrida e algumas das principais categorias do planeta se exibiram, seja em corridas pra valer, seja apenas para deleitar o público que enfrenta o frio e muitas vezes a chuva. No auge da década de 1980, houve inclusive um troféu para a F-1, com algumas das várias escuderias que povoavam o circo então – Coloni, BMS Dallara, EuroBrun, Lotus, Brabham, Rial e Minardi. E, pelo lado do rali, o mesmo espaço ganhava terra e se tornava palco do Memorial Bettega, homenagem a Attilio Bettega, que ao longo da história reuniu craques como Sebastien Loeb, Colin McRae, Richard Burns, Daniel Sordo, Sebastien Ogier, Gigi Galli, Marcus Gronholm e Petter Solberg, para citar os principais. Espetáculo da melhor qualidade.

Motor Show 2014

Imagens de mais uma edição da festa do esporte motorizado, em Bolonha




O evento acabou mudando de mãos – do idealizador Alfredo Cazzola para a francesa GL Events e, se os números do automobilismo e do motociclismo continuavam impressionantes, dentro dos pavilhões a crise se fez sentir e as montadoras eram cada vez menos representadas. Sem dinheiro, nada de Motor Show em 2013, mas a promessa de que tudo voltaria em 2014.

E felizmente voltou, muito embora Cazzola tenha criado uma manifestação “rival”, em Milão. Bolonha conseguiu garantir, no já lendário circuito do estacionamento da Área 48, a Auto GP, uma exibição da Fórmula E (que neste fim de semana acelera aqui ao lado, em Punta del Este); a Euro Nascar, a Euro V8 a Porsche Cup, a Seat Ibiza Cup, um GT Challenge e as várias diferentes disputas do Memorial Bettega – Robert Kubica, Ken Block e Jacques Villeneuve estão entre os confirmados para as disputas, a partir de hoje. Ao longo de dois finais de semana – o último e este –, o que não faltou, e não vai faltar, são corridas, com todas as modalidades e categorias muito próximas do público. Felizmente, o Motor Show segue, firme e forte, como você pode constatar pelas fotos...

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