Que tal aprender a cultivar bonsais para aumentar a renda de sua pequena propriedade? A prática pode ser interessante: não precisa de muito espaço, serve como terapia e cada pequena árvore pode ser vendida a partir de R$ 30, dependendo da sua idade e do trabalho artístico envolvido na poda. Confira abaixo dicas para plantar bonsais. E, se quiser saber mais, confira a matéria no Caderno Agropecuário do Estado de Minas.
Manual para principiantes
Traduzido do japonês para o português, bonsai quer dizer árvore em bandeja. Trata-se do cultivo de plantas em pequenos recipientes. Portanto, se o espaço demandado é reduzido, a área disponível para cultivo também pode ser menor, o que possibilita o plantio em apartamentos e torna-o interessante para pessoas que de alguma forma tentam reencontrar a natureza em meio à selva de pedra. O Estado de Minas faz um curto manual com os primeiros passos para iniciantes que desejam transformar uma muda (ou pré-bonsai como é chamada por alguns especialistas) em um bonsai vigoroso.
O passo número um é selecionar a árvore. Muitas vezes, leigos vão em floras e escolhem aleatoriamente, de acordo com a exuberância da muda. Mas o mais indicado é que antes pesquise sobre a planta e procure casas especializadas, nas quais pode ter mais dicas sobre as opções. Um detalhe muito importante é distinguir entre coníferas e aquelas de folhas largas. Isso porque, aos olhos do iniciantes, as coníferas muitas vezes chamam mais atenção. Entre outros, o principal motivo é o formato de seus troncos, quase sempre curvilíneo. Mas são as de folhas largas as de mais fácil manejo por serem na maioria das vezes espécies nativas do Brasil, o que facilita seu aproveitamento climático. Especialistas indicam quatro delas para quem tem pouca experiência e deseja ver resultados rápidos: jabuticabeira, ficus, pitangueira e bouganville. As quatro são apropriadas para as condições de Minas.
O passo seguinte é buscar fotografias da espécie selecionada com mais de um século de vida. A proposta é reproduzir aquela imagem na muda. Obviamente em tamanho muito menor do que o encontrado na natureza. “É preciso respeitar as características da árvore”, afirma o mestre bonsaísta, Rock Júnior, um dos principais especialistas da arte no Brasil, que iniciou sua coleção com o cultivo de mais de 100 mudas em um apartamento pequeno no Bairro Santo Antônio.
A escolha do substrato e do vaso que será usado no plantio são tarefas essenciais. Para aumentar a capacidade de drenagem, o que facilita a proliferação de fungos e bactérias importantes para o crescimento, não é indicado o uso de terra, mas, sim, de areia misturada com matéria orgânica, caco de telha, pedrisco e outros. As combinações variam de acordo com cada espécie. No caso do recipiente, o indicado é que as mudas sejam dispostas em vasos apropriados para o crescimento da raiz. Assim, na fase de crescimento, periodicamente é preciso fazer o transplante do bonsai para um recipiente maior até que ele seja depositado numa bandeja de cerâmica para ser exposto.
Atenção com a luz e a água
Depois de feito o plantio da muda, é preciso definir o local onde o vaso será posicionado, de acordo com a incidência de sol. O indicado é que a planta fique exposta por pelo menos quatro horas diárias à luz solar, independente do calor. Mas em dias mais quentes é preciso prestar atenção para não deixar o substrato secar e, por consequência, correr o risco de queimar as folhas, galhos e tronco. Em relação à água, o solo pode ser encharcado assim que se acorda, mas a próxima rega deve ser feita somente com o substrato quase seco.
Assim como a água, o solo e o sol, a adubação é fator importante para garantir que o bonsai seja suprido de nutrientes básicos que não estão disponíveis na quantidade adequada. Os principais são nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio. O primeiro favorece o crescimento, enquanto o segundo a floração e a frutificação e o último aumenta a resistência e ajuda na frutificação. Eles podem ser encontrados em alta concentração em produtos químicos ou em alimentos, como torta de mamona.
Por último, entra em cena a habilidade de cada um para dar nova forma à muda na tentativa de retratar uma espécie encontrada na natureza. A busca é por proporções semelhantes ao que se vê em seu hábitat. Para isso, duas técnicas são habitualmente usadas: aramação e podação. Com arames de cobre ou alumínio é possível dar direção ao caule e aos galhos, moldando-o até se aproximar ao expresso na fotografia. Quanto à poda, tem a função de garantir a estruturação do bonsai. É a partir dela que se engrossa o tronco, dando ares de uma planta madura.
Jair Amaral/EM/D.A Press
Quanto maior a arte envolvida, mais valorizado o bonsai