Terça-feira, 23 de junho de 2009

RIO SAMBURÁ: O RETORNO E A QUEDA DE UM MITO

Há tempos temos notícias de dourados gigantes apanhados no rio Samburá, afluente do São Francisco que fica a aproximadamente 280 km de Belo Horizonte, entre os municípios de São Roque de Minas e Bambuí. Estive por lá o ano passado para conhecer o local, e trabalhando muito com iscas artificiais não vi nem sinal do Salminus Franciscanus (Dourado), apenas do seu primo menor o Salminus Hilarii (Tabarana). O rio é de água palha e muito rápido, com várias cachoeiras, muito empedrado, estreito e de relativa dificuldade de navegação, mas de uma beleza imensurável. Corre entre paredões, parecendo estar dentro de um canyon dentre a nossa Serra da Canastra.

 

Desta vez fomos mais bem preparados, com outras iscas alem das artificiais e munidos de novas informações, principalmente as que me foram dadas pelo amigo Beto, pescador profissional que mora às margens do velho Chiquinho (como eu gosto de chamá-lo) a quinze minutos da boca do Samburá.

 

Sem rodeios, nosso amigo Beto disse que dourados naquela região são tão fáceis de serem apanhados como de se ganhar um prêmio da Mega Sena: alguém acaba sendo premiado mas nunca se sabe quem, quando e como, portanto o prêmio pode ficar acumulado por muito tempo.

 

Também nos disse que a melhor época pra se tentar a captura dos mesmos é em setembro, o que confirma em parte uma tese que tenho sobre a piracema dos Salminus (Franciscanos, Hilarii e Brasiliensis), pois acredito que ela se antecipe às dos outros por pelo menos um mês, com seus primeiros exemplares subindo com dois meses de antecedência, tendo como referencia a legislação, que institui a piracema no início de novembro.

Portanto, pescar dourados a partir de setembro naquele lugar seria um crime contra a reprodução dos tão sonhados gigantes do Samburá, abatidos inescrupulosamente apenas para se afirmar numa falsa sensação de virilidade que rola entre os pescadores, de se ser o melhor pelo tamanho do peixe que se pega.

 

Assim lhes conto o resultado do dinheiro gasto em sarapós e minhocas: foi um divertido acampamento de pesca, no qual saíram muitos mandis (acho divertido pega-los e também come-los), tabaranas, um bagre e os sem vergonhas dos ladrões de iscas piaus, piaparas e timburés.

 

Deixo uma dica de viagem ao Rio Samburá: ao invés de uma caixa com grandes anzóis e grandes chumbadas mais sarapós e minhocas, economize espaço, dinheiro e os próprios animais, e leve uma boa máquina fotográfica e se possível uma filmadora para documentar algumas das mais belas paisagens que você verá em um rio brasileiro.

 

(Texto e fotos de autoria do Arthur Vaz)

 

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Sexta-feira, 19 de junho de 2009

Lembranças das primeiras pescarias


Como acontece com todos os bons momentos de nossas vidas, as lembranças de nossas primeiras pescarias também ficam gravadas para sempre.  Na maioria das vezes, esses episódios não são documentados. Entretanto, as lembranças nos acompanham à medida em que avançamos na prática do nosso esporte,  pois são experiências e emoções marcantes do nosso tempo de garotos e adolescentes.

 

Eu vim de uma família de agricultores, e embora meu pai tenha escolhido a profissão de dentista, suas raízes lhe deram o gosto pelas pescarias, que eu e meus cinco irmãos herdamos dele. Nascidos na cidade de Pains, no oeste de Minas,  fomos criados em Formiga, onde meu pai foi exercer sua profissão. Entretanto, nossas férias escolares inteiras eram aproveitadas nas fazendas dos tios, na nossa cidade de origem, onde nos juntávamos aos primos, todos vindos de famílias numerosas, e saíamos atrás dos primeiros peixes, nos açudes e ribeirões.

 

Como era a primeira tralha de pesca?  As varas eram muito fáceis de obter, nas moitas de bambu das fazendas (mais tarde substituídas pelas varas de cana da índia,  que descobrimos serem melhores).  No nosso caso, as primeiras linhas de pescar eram de um barbante bem fino, usado para embrulhos, que conseguíamos na farmácia de meu avô.  Como nosso primeiro objetivo era fisgar os lambaris e piaus três pintas,  tínhamos de usar anzóis bem pequenos, e imaginem a nossa dificuldade em fazer passar esse barbante no olho dos anzóis “olho de mosquito”, como eram chamados.

 

Os anzóis eram comprados por nós nos armazéns da cidade, com algum troco que ganhávamos dos parentes. Comprávamos uns dez anzóis cada um, que eram cuidadosamente enrolados em papel de embrulho e guardados.  E as chumbadas? Minhas lembranças dizem que eram improvisadas com o lacre de chumbo que era comum nas garrafas de vinho daquela época,  enrolado e amassado contra a “linha de pesca”.  Para transportar as iscas (minhocas  puladeiras ou de coleira, como eram chamadas), fazíamos dois furos com um prego em uma dessas latas pequenas de extrato de tomate, prendendo ali um pedaço de arame para servir de alça.

 

E olhe que com todo esse improviso a gente pegava os nossos peixinhos! Eram lambaris de rabo vermelho e amarelo,  piaus  de três pintas, bagrinhos e piaus listrados, que chamávamos de “peixe canivete”.

 

Mais tarde, descobrimos as primeiras linhas de nylon (que eram vendidas a metro nos armazéns) e aprimoramos o nosso equipamento:  passamos a usar varas de cana da índia de uns dois metros e meio de comprimento, onde amarrávamos o nylon, fazendo antes um “cabresto”, para o caso da vara se quebrar na ponta. O comprimento da linha era quase igual ao da vara, e a chumbada (oliva) já era comprada na loja, ficando retida pelo nó da linha a cerca de um palmo do anzol.  Começamos a usar os primeiros empates de aço, do tipo de enroscar, e aumentamos o tamanho dos anzóis, pois de vez em quanto uma trairinha era  atraída pelo pedaço de minhoca.  Toda essa miudeza era guardada numa capanga, ou sacola de pano que levávamos a tiracolo, onde também iam uns pedaços de rapadura, ou duas ou três laranjas.

 

Me lembro da primeira vez que fomos autorizados a ir pescar sozinhos no ribeirão dos Patos, na fazenda do Lambari. Minhas tias eram cuidadosas conosco e se preocupavam com os riscos eventuais de quedas, ou de toparmos com uma cobra ou com marimbondos, por isso ir pescar lá sem o acompanhamento de um adulto era um atestado de confiança.  Nos poços do ribeirão dos Patos tive uma das primeiras e maiores glórias de garoto pescador:  formar uma fieira com quatorze mandis verdadeiros, como chamávamos, todos com cerca de um palmo e meio, capturados em uma manhã.  (Rapidamente aprendemos a evitar os ferrões dos mandis, e também a quebrá-los com as mãos). Ali fisguei também meus primeiros piaus (piaparas) e muitos lambaris de rabo vermelho, que ultrapassavam os quinze centímetros.

 

À medida que a gente crescia, surgia nosso interesse por outros peixes, como as grandes traíras dos açudes, que eram fisgadas com varões mais pesados e linhas e anzóis de tamanho adequado, devidamente encastoados. A técnica era se aproximar com cuidado dos pontos de pesca, com o anzol iscado com um lambari, e bater a isca na água, para atrair as traíras.

 

Lembro-me da primeira pescaria “maior” de que  participei, levado por meu pai. Foi no rio São Miguel, que é afluente do São Francisco, em local próximo da pequena represa de Calciolândia.  Aquela pescaria foi o auge para os meus nove anos, pois passamos a noite na beira do rio,  “acampados” debaixo de uma lona de caminhão. Não me lembro de ter pescado nada de extraordinário dessa vez, mas as lembranças, as imagens, os sons, os cheiros do mato, a beleza dos peixes,  tanto dessa como de tantas outras pescarias, ficarão  para sempre.

 

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Quinta-feira, 28 de maio de 2009

SALTO DO THAIMAÇU: PESCANDO NO SÃO BENEDITO E NO TELES PIRES

 

Fomos à Pousada Salto do Thaimaçu, no final de abril.  Para os que não sabem, a Pousada agora oferece a oportunidade de se pescar em duas regiões de pesca, em um só pacote.  Pescamos no rio São Benedito (onde se encontra a Pousada) e no seu afluente rio Azul,  e numa segunda etapa, pescamos no rio Teles Pires, na região chamada de Sete Quedas, onde a Pousada tem um posto avançado.


Encontramos o São Benedito ainda cheio, situação anormal para a época. A visão do rio, da porta dos chalés da Pousada, é um espetáculo permanente, com o movimento e o barulho das corredeiras criando um  cenário inesquecível. As acomodações e os serviços da Pousada continuam impecáveis,  e a comida é nota dez.


Começamos a pescaria no rio Azul,  usando iscas artificiais (colheres Johnson e iscas de meia água), porém com o rio mais cheio a água estava literalmente “no mato” e os peixes estavam sumidos.  Mesmo assim, pegamos algumas matrinxãs, uma delas com cerca de quatro quilos (vejam a galeria de fotos) e um pacu curupetê, que atacou a colher. No segundo dia,  pescamos no São Benedito com isca viva (tuviras) e pedaços de peixes, e embora as piranhas estivessem roubando as iscas, começamos a pegar alguns jaús, pequenos no tamanho porém valentes. Um dos companheiros pegou um trairão dos seus dez quilos, e foram fisgadas também algumas cachorras de bom tamanho.


Conforme nosso grupo combinou, no terceiro dia fomos pescar no posto avançado do Teles Pires, saindo da Pousada às seis da manhã, em caminhonetes cabine dupla e tripla, e chegando lá por volta das oito horas.  Esse posto avançado é bastante pitoresco, todo construído em madeira, mas oferecendo conforto, com ventiladores, e também lá a comida estava ótima. Os barcos já estavam prontos, e em pouco tempo saímos para o Teles Pires.  O rio naquela região é muito bonito, com a floresta emoldurando uma correnteza mais forte em alguns trechos, que requer habilidade dos piloteiros.  Em meia hora de navegação rio acima, alcançamos o pé da primeira das corredeiras e saltos que dão a aquela região o nome de Sete Quedas.


Apesar do Teles Pires estar também em nível acima do normal, a pescaria foi realmente produtiva. Registramos a captura de vários jaús e de uma pirarara acima dos 25 quilos, e de um belo caparari,  que também atingiu os 25 quilos, fora outros peixes menores, como cacharas, jundiás, cachorras, e até um armao  (serrudo) de 11 quilos! Os peixes estavam pegando na tuvira, nos anzóis iscados com pedaços de peixes ou com peixes inteiros, e também no minhocuçu.


Depois de dois dias pescando no Teles Pires, na manhã do quinto dia estávamos de volta à Pousada, pescando nesse último dia novamente no São Benedito. O rio continuava com a água alta, porém a pescaria melhorou, com bons resultados com peixes de couro. Dois dos companheiros foram orientados pelo seu piloteiro e fizeram uma pescaria especial: arremessando do barranco, na ponta inferior do gramado bem em frente à Pousada, por volta das seis e meia da noite, eles se beneficiaram da cheia do rio e pegaram dois jaús de porte num poço formado no canto da corredeira, e ainda perderam um terceiro, que não conseguiram segurar e que “enlocou”. Na véspera, os piloteiros haviam saído para pegar iscas, e toparam com um cardume de tucunarés no rio, que atacaram os filés de peixe usados como isca,  tendo como resultado dois belos exemplares que foram trazidos para reforçar a cozinha.


A pescaria na Pousada Salto do Thaimaçu reúne, numa só viagem de pesca, duas pescarias espetaculares em pesqueiros distintos,  ótimas acomodações e ótimo serviço, tratamento cordial dos empregados e piloteiros competentes. Oferece também oportunidades incomuns de contato com a natureza, seja pelas matas da região, a beleza dos rios, e até mesmo pelos animais selvagens que circulam soltos na Pousada, como os mutuns e os patos selvagens, sem falar na anta Fofão, uma órfã criada solta desde pequena e que quase toda tarde vem comer sobras de verduras e legumes na porta da cozinha da Pousada. Essa é uma viagem de pesca que traz lembranças para sempre.

 

Confira as fotos:

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Sábado, 16 de maio de 2009

PEQUENA HISTÓRIA DOS ANZÓIS

A história dos anzóis de pesca é quase tão antiga quanto a história do próprio homem. É impossível atribuir a alguém  a invenção do anzol, uma vez que os primeiros anzóis foram manufaturados pelo homem pré-histórico usando os mais diversos materiais:  ossos, chifres, madeira, conchas.  Enfim, para aumentar suas chances de sobrevivência, nossos antepassados utilizaram sua habilidade adaptando e modificando o que encontravam na natureza. Mais ou menos em 4.000 A.C. é que surgiram os anzóis de cobre e posteriormente os de bronze, com o formato parecido com nossos anzóis modernos. Entretanto, nas últimas décadas os anzóis tiveram uma verdadeira revolução na sua fabricação: desde o material empregado até o seu formato, evoluíram de forma radical.

 

Anzol encontrado em Jortveit em Eide, no condado de Aust-Agder, na Noruega. Calcula-se que tenha 4.000 anos.
 


Hoje, os anzóis utilizados na pesca esportiva são fruto da mais moderna tecnologia. Os chamados anzóis em forma de J,  ou “J hooks” são certamente os anzóis mais usados  e conhecidos pelos pescadores. Eles pouco mudaram em sua forma original.

Outra curiosidade a respeito dos anzóis é que não existe um padrão em relação ao tamanho: ele pode variar de acordo com o fabricante.  Vale registrar que o padrão adotado pelo famoso fabricante Mustad é amplamente utilizado como referência, mas para aferirmos sua numeração é importante observarmos sua curvatura, e não o tamanho de sua haste, portanto anzóis de formatos (e tamanhos) diferentes podem ter a mesma numeração. Vamos tentar falar de maneira simples dos anzóis mais utilizados na pesca esportiva de água doce, e também dos anzóis adaptados a esta modalidade.


Começaremos com os tradicionais anzóis em forma de J.  O anzol 92247 da Mustad (e suas cópias) é provavelmente o anzol mais usado na pesca esportiva. Seu formato clássico, com farpas na haste, permite uma melhor fixação da isca, aumentando assim a eficiência da fisgada, e sua variedade de tamanhos  possibilita que seja usado desde a pesca ultra leve até a extra pesada. Enfim, este versátil anzol pesca de lambaris a piraíbas com total eficiência.

Outro anzol na forma de J é o famoso bengala, ou modelo “Carlisle”. Ele tem a haste mais longa e é mais fino, permitindo fisgadas mais eficientes, embora sua resistência seja menor. Outra vantagem deste modelo é que o tamanho de sua haste (longa) permite ser atado diretamente na linha, o que é importante para a pesca de determinadas espécies, eliminando assim o uso de empates de aço.


Os anzóis em forma de J de haste curta, na minha opinião, foram os que mais evoluíram. Eles tinham uma aplicação quase limitada à pesca de peixes redondos ( pacus, tambaquis, etc), mas com a ampliação de sua curvatura sua eficiência na captura de peixes de boca dura transformou-os nos preferidos dos pescadores de jumping jigs, para outras espécies de água doce, ampliando assim sua aplicação. Entretanto, a grande novidade no universo dos anzóis certamente são os anzóis desenvolvidos pelos pescadores de água salgada: os anzóis circulares ou “circle hooks” e suas derivações.

 
 


Esses anzóis foram desenvolvidos pelos pescadores de atum e têm como característica o fato de não serem engolidos pelo peixe. Sua forma circular e a ponta voltada para dentro fazem com que o anzol deslize pela boca do peixe, cravando normalmente na junção das mandíbulas ou “canivete”, como é popularmente conhecido. Provou sua eficiência na pesca dos grandes peixes de couro e hoje é amplamente usado na pesca esportiva, e naa prática do “pesque e solte” é o mais indicado.  Outra vantagem deste anzol é que não há necessidade de fisgar,  basta manter a pressão na vara e ele se crava sozinho.


Os anzóis  “wide gap”  ou robaleiros foram desenvolvidos  para a pesca de robalos usando como isca camarão. Eles são mais finos e seu formato permite que a isca permaneça viva por mais tempo, ficando assim mais atrativa. Estes anzóis estão sendo usados com muito sucesso na pesca de tucunarés e corvinas de água doce.


Tanto os anzóis tipo J como os anzóis circulares têm muitas variações. É preciso experimentar e definir quais nos atendem em nossas necessidades. É bom lembrarmos que ao fazer novas tentativas com modelos diferentes daqueles convencionais, estamos abrindo novas possibilidades para nosso sucesso na pesca esportiva.


Texto de autoria do Ailton Salgado

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Sábado, 11 de abril de 2009

Transportando as varas de pesca

 

Nossas viagens de pesca hoje nos levam aos mais variados destinos, desde lagos de pesque-e-solte perto de nossas cidades, até as pousadas de pesca em plena selva, só alcançadas por avião ou por veículos com tração  4 x 4. Para enfrentar os trancos que esses deslocamentos provocam em nossos equipamentos e  proteger nosso investimento em tralha, chegando aos destinos com tudo funcionando corretamente, temos que  acondicionar carretilhas, molinetes e varas de pesca de forma a lhes dar a máxima proteção. 


Devemos dar especial atenção a nossas varas de pesca,  pois elas são relativamente frágeis,  principalmente as de carbono ou grafite, seja pela sua própria estrutura (blank), como também com relação às ponteiras e aos passadores. Viagens a destinos distantes e isolados, em pescarias de cinco ou mais dias, requerem que levemos varas de dimensões variadas, de leves a pesadas, para as diversas situações de pesca. Assim,  é comum que levemos conosco cinco ou mais varas, que devem ser acondicionadas com segurança para o transporte.

 

 

A forma mais segura de transportarmos as varas é dentro de tubos de PVC, que podemos montar com facilidade com os tubos encontrados em casas de material de construção,  ou comprá-los nas lojas de pesca, prontos e revestidos de tecido, com alça para facilitar o transporte. Há inclusive alguns tubos, como os da marca Plano, que têm dimensão regulável, podendo acomodar varas de até sete pés (2,20 m). Entretanto, os produtos de PVC revestido são bem mais baratos, e este é um investimento que compensa pela proteção que oferece. Os tubos mais usados são os de dois metros, com diâmetros de 75 mm ou 100 mm.

 


 
Devemos obter dois pedaços de espuma de poliuretano mais densa,  cortados em círculo de diâmetro ligeiramente maior que o diâmetro de tubo, e de cerca de quatro centímetros de espessura, para serem colocados no fundo e na tampa do tubo, com o objetivo de proteger as ponteiras das varas.  As varas devem ser colocadas nos tubos previamente presas entre si, de modo que entrem todas de uma vez e não fiquem soltas, chacoalhando dentro do tubo. Para isso, podemos usar outros pedaços de poliuretano, presos com fita crepe nas duas extremidades e no meio do molho de varas,  ou aquele plástico de bolhas para embalagem, enrolado e fixado com fita nesses locais.  


Com a aplicação dessa proteção, as varas entrarão de forma  mais justa no tubo. O procedimento de prender as varas entre si facilita também a colocação de mais varas no tubo,  por exemplo, se vamos transportar seis varas, poderemos prendê-las sendo três em um sentido, e as outras três em sentido contrário. Isso ajuda também na proteção das ponteiras, pois podemos fazer a amarração deixando os cabos ligeiramente projetados em relação às mesmas.


Com as varas bem protegidas, vamos nos dedicar à pescaria, que é realmente a melhor parte de tudo isso...


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Segunda-feira, 30 de março de 2009

Meus filhos gostam de pescar


 

Eu  me considero um homem de sorte. Tenho três filhos homens, todos já adultos, que me alegram com sua convivência, cada um com sua personalidade própria. Meus filhos são pessoas comuns, mas têm o que se poderia esperar de homens de verdade:  caráter, honestidade, bom coração.
 

  Com minhas raízes interioranas, tive inúmeras oportunidades de levar meus filhos para pescar,  inicialmente nos açudes e ribeirões da minha terra, nos mesmos locais onde eu também comecei.  Hoje vejo que o contato com a natureza lhes ensinou a gostar de mato, de espaços abertos e, principalmente, de pescar. Foram também formando por si próprios uma consciência ecológica, aprendendo a respeitar essa mesma natureza que lhes trazia alegrias.  O brilho dos lambaris prateados de rabo vermelho se refletia em seus olhos de garotos, na medida do sucesso das  nossas primeiras pescarias.
 
Depois, pelo menos uma vez por ano íamos pescar no São Francisco, perto de Januária, já então embarcados e usando molinetes ou carretilhas. Essa nova fase coincidiu com sua adolescência, e hoje eu fico orgulhoso de eles quererem a minha companhia nessas viagens de pesca, numa idade em que poderiam muito bem optar por outros interesses próprios da juventude
.

Hoje, meus filhos  são donos de suas vidas. Dois deles já estão casados, e todos têm seu trabalho:  professor,  administrador, jornalista.  Seus novos compromissos e a luta do dia a dia limitam seu tempo,  e as oportunidades de pescar ficam assim limitadas aos seus  períodos regulares de férias. Já andaram comigo pelo rio Araguaia e pelo Pantanal, um de cada vez, vivendo experiências que só aumentaram seu gosto pelas pescarias.
 
Hoje, também tenho certeza:  a convivência e a camaradagem que nossas viagens de pesca nos permitiram ter,  certamente contribuíram para formar o seu caráter, além de consolidar nossa amizade de pai e filhos.

 

Abraços,

Vitor José de Paula

   


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Quarta-feira, 11 de março de 2009

AMAZÔNIA: EXPEDIÇÃO AO RIO BRANCO

Partimos de Manaus no Barco Hotel “Kalua”,  subindo o lendário rio Negro. Nosso destino desta vez seria o rio Itapará, afluente da margem direita do rio Branco. Para chegarmos até o rio Itapará teríamos aproximadamente 28 horas de navegação, subindo o rio Negro e passando pelo arquipélago fluvial de Anavilhanas, o qual pela sua beleza já compensa a viagem.
    

Uma vez atingida a desembocadura do rio Branco, seriam necessárias algumas horas de navegação até a boca do Itapará, o reduto dos grandes tucunarés, um dos nossos alvos da viagem.  A bordo do barco hotel, doze excelentes companheiros de viagem, alguns de BH e outros vindos da cidade mineira de Curvelo, todos “armados” de variada tralha de pesca e de muita esperança de medir forças com os gigantes amazônicos.
    

Na verdade, essa viagem começou com uma pequena complicação: logo antes do embarque um dos geradores do barco hotel apresentou defeito, o que obrigou a adiar por algumas horas a partida, causando alguma ansiedade nos companheiros, mas o problema foi devidamente sanado e o pessoal viajou com tranqüilidade, que foi uma constante durante toda a pescaria.
    

 

Durante a viagem, tivemos a oportunidade de praticar diversas modalidades de pesca esportiva:  fly e  iscas artificiais para tucunarés, aruanãs, traíras, jacundás,  e tralha reforçada para os bagrões amazônicos, com destaque para as pirararas, que fizeram a alegria dos apreciadores da força bruta.  Entre os tucunas, o maior exemplar pesou pouco mais de 6 quilos, já os peixes de couro tiveram seus pesos estimados, uma vez que nossas balanças eram limitadas a um máximo de 12 quilos. 

 


Na pescaria, dois fatos chamaram nossa atenção: o primeiro foi o nível das águas, que permaneceu alto devido às constantes chuvas, ao contrário do que se esperava para esta época do ano (final de fevereiro). Historicamente, o melhor período para a pesca de tucunaré naquela região é de outubro a março, mas na situação vivida a pesca do tucunaré é mais complicada, pois o peixe se abriga na mata alagada, dificultando sua localização e os arremessos. Outro fato foi o “loteamento” dos rios de Roraima por comunidades, pousadas e operadores internacionais, não permitindo a pesca nos seus “domínios”. Comprovamos este fato quando tentamos pescar em alguns lagos e fomos informados pelo “proprietário” de que estavam alugados para determinados operadores. O mais estranho é que essa prática é de conhecimento dos órgãos governamentais.  Eta Brasil grande e desconhecido...
    

 

Deixando de lado essas anormalidades, a viagem foi uma dessas experiências  que fazem bem ao corpo, à alma e  ao coração de todos os pescadores. O barco hotel “Kalua” é um empreendimento recente, que tem como um dos sócios o Ian Sulocki,  grande amigo e parceiro,  profundo conhecedor da região. O barco foi recentemente reformado, é muito confortável e tem capacidade para até 16 pescadores. Os barcos de pesca foram desenvolvidos para oferecer conforto durante a pescaria, com motores de 30 hp e motores elétricos. Os piloteiros são orientados para levar os pescadores a uma pescaria variada, não se concentrando somente na pesca de tucunarés. A tripulação é capacitada e muito simpática, com destaque para a chef de cozinha Neli, capaz de transformar comida em arte com suas delícias, que fazem a alegria de todos a bordo. 

 

 

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Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Aggeo Lucio G. Ribeiro, pescador e empresário

 

Setenta anos e uma saúde de ferro. Assim é o Aggeo, empresário do mercado imobiliário e um pescador esportivo do primeiro time.  Aliás, como ele mesmo afirma com bom humor,  hoje é mais pescador do que empresário. O Aggeo, nascido em Belo Horizonte, começou a pescar ainda garoto na fazenda do seu pai, onde é hoje o bairro Buritis, nas nascentes que formam o ribeirão Arrudas.  Já moço, pescou muito nos rios das Velhas e São Francisco, bem antes da construção da represa de Três Marias. Nessa época, pescava acampado ou em barcos cabinados.


No início dos anos setenta, construiu uma casa em Guarapari - ES, e começou a pescar no mar, uma experiência nova e que vem lhe trazendo até hoje muitas emoções e belos troféus. Ele acaba de regressar de uma pescaria marítima na costa da Guatemala – América Central (veja na primeira foto o belo sailfish  - peixe vela -  que ele pescou com o molinete que aparece na foto acima).


A experiência do Aggeo é vasta:  em pescarias de água doce ele já pescou no Brasil inteiro, inclusive com expedições a rios como o Teles Pires e Juruena,  datando de mais de  trinta anos atrás, quando nem se pensava em pousadas naquela região. Ele cita como grandes adversários peixes de rios como as piraíbas e pirararas, e os dourados como os que fisgou em Esteros de Iberá – Argentina. Já pescou também trutas e salmões na Argentina e no Chile, e tarpons na Costa Rica.


Hoje, o Aggeo tem uma casa em Santa Cruz Cabrália, na Bahia, litoral internacionalmente famoso como região geradora de grandes troféus na pesca de mar aberto. Sua coleção de peixes capturados no mar também é completa, se considerarmos os peixes que ocorrem na costa brasileira, e também no oceano Pacífico, na América Central..  Embora já tenha capturado um marlim de 236 quilos e outro de 198 quilos, no banco “Royal Charlotte”, no litoral baiano,  ele cita com orgulho uma cavala “wahoo” de 25 quilos e um marlim branco como peixes que lhe trazem grandes lembranças. Mas ele não se limita a aquela região:  recentemente esteve pescando em São Caetano de Odivelas, a pouco mais de cem quilômetros de Belém,  onde descobriu um ponto de pesca farto em tarpons, ou camarupins, peixes que ele considera extremamente combativos, e dos quais já capturou um de 40 quilos.


O Aggeo é essencialmente um pescador esportivo, ou seja, liberta os peixes que fisga, embora goste de saborear um peixe bem preparado. Ele é uma pessoa simpática e bem humorada, sempre pronto a dar informações e a repartir sua experiência e conhecimentos de pesca esportiva.

 

Clique aqui para conhecer o Blog do Aggeo


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Domingo, 15 de fevereiro de 2009

Iscas artificiais sem segredos (última parte)

Continuamos aqui a descrição dos tipos de iscas artificiais existentes:

 

Iscas de Meia-Água:


Essas iscas são plugs em formato de pequenos peixes, que se diferenciam por possuirem uma pequena barbela na parte inferior da cabeça, cuja função é fazer com que executem um movimento de natação quando puxadas pelo equipamento.  Podem ser flutuantes, afundando quando tracionadas,  ou  podem ter flutuação neutra (suspending) afundando muito lentamente e permanecendo em determinada profundidade quando puxadas. 

 

Outras iscas dessa espécie afundam, como as chamadas “sinking” ou  “count down”, e seu uso se faz contando em intervalos de um segundo até atingirem a profundidade desejada, quando então são tracionadas (cada segundo permite que afundem cerca de 30 centímetros).  As iscas de meia-água são usadas em situações de pesca de sub-superfície até profundidades de 1,5  metro.


Podemos incluir como iscas de meia água as chamadas “rattling”, iscas que ao invés de terem a barbela, têm a testa chanfrada,  e  cujo pitão é localizado nas costas. Estas iscas são muito versáteis, podendo ser trabalhadas em diferentes profundidades, dependendo da velocidade de recolhimento.  Sua ação imita um peixinho nadando freneticamente.


As iscas de meia água são das mais fáceis de serem usadas, pois em sua maioria respondem ao recolhimento contínuo da linha, executando os movimentos de natação que atraem os peixes predadores.
      

Iscas  de  Fundo:


São plugs semelhantes às iscas de meia-água, porém têm barbelas mais longas que fazem com que essas iscas trabalhem a profundidades maiores, podendo chegar a até 4 ou 5 metros.   Podem ser pescadas de arremesso com recolhimento constante, e também  são muito usadas na pesca de corrico.


Colheres,  Spinners  e  Jigs


Colocamos essas iscas  em uma só categoria porque, embora sejam diferentes, têm uma característica em comum:  são iscas metálicas,  ou em sua maior parte feitas de metal, e todas afundam.


As colheres têm esse nome porque quase todas têm um formato côncavo, e quando tracionadas executam um movimento oscilante que é um forte atrativo para os peixes predadores.  São usadas num movimento de recolhimento contínuo. Algumas colheres têm um dispositivo anti-enrosco, que facilita seu uso no meio de pauleiras e vegetação aquática.


Os  spinners são iscas formadas por um pequeno corpo metálico atravessado por um arame de aço rígido, tendo numa extremidade a garatéia ou anzol,  e na parte superior uma folha metálica que gira quando a isca é puxada, causando reflexos e turbulência na água.  Alguns spinners têm cerdas ou filamentos presos à garatéia, aumentando a atratividade da isca.  São utilizadas num movimento contínuo de recolhimento.


Os  jigs  têm uma cabeça ou corpo de metal presa ao anzol, o qual tem a haste dobrada próximo ao olho, de forma que quando a isca é recolhida, a tendência do anzol é ficar com a ponta virada para cima, evitando os enroscos.  Têm também uma “saia” de penas ou de fios sintéticos, cujo movimento é a atração que provoca os ataques dos peixes.


Companheiros, faltou falar sobre outras iscas artificiais, como as famosas moscas usadas no “fly fishing” ,  que demandam uma técnica especial e exclusiva. Faltou também  falar sobre as iscas  “soft”,  as  “swiming baits”, os “jumping jigs” e as minhocas e criaturas de plástico, mas essas serão motivos para outras escritas...

 

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Terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Iscas artificiais sem segredos (primeira parte)

Uma grande parte da comunidade de pescadores ainda não utiliza as iscas artificiais como instrumentos de pesca. Alguns pescam tradicionalmente com iscas naturais, na pesca de fundo ou de rodada. Outros praticam o corrico, usando colheres para esse fim. Muitos têm interesse em assimilar as técnicas para praticar essa forma de pesca, mas lhes têm faltado oportunidades, e mesmo alguém que já domine a técnica e os equipamentos, para ajudá-los nesse início.


A pesca com iscas artificiais, também chamada de pesca de arremesso,  é uma forma de pescar que dá ao praticante emoções jamais experimentadas, como ataques sensacionais dos peixes e belas batalhas. Dá também a satisfação de dominar um equipamento a ponto de convencer os predadores de que aquele pedaço de plástico (ou de madeira, ou de metal) é alimento,  e levá-los a atacar as iscas. É grande a lista de peixes que são capturados com iscas artificiais:  Tucunarés, Dourados, Matrinxãs, Traíras, Aruanãs, Cachorras, Bicudas, Piraputangas, Trairões, Piracanjubas, Corvinas, e vários outros, e mesmo os peixes de couro, em determinadas situações.


Pretendemos aqui descrever os tipos de iscas artificiais usadas na pesca de água doce, como forma de dar aos iniciantes  noções de como elas funcionam e como os peixes  são atraídos por elas.
 
 
Iscas de Superfície:


Essas iscas são chamadas assim porque seu “trabalho” para atrair os peixes ocorre na superfície ou logo abaixo da superfície da água (sub-superfície).  Essas iscas flutuam, e são utilizadas com recolhimento em velocidade média, com movimentos de ponta de vara  e, em alguns casos, com recolhimento em velocidade variada, conforme a situação de pesca.

 

Vejamos alguns tipos:

 


 -  Popper:   Estas iscas usualmente têm uma boca côncava  que produz  ruídos e a formação de bolhas na  superfície, como se pequenos peixes ou animais como sapos estivessem se alimentando na superfície ou se debatendo em fuga.    São trabalhadas com pequenos toques de ponta de vara enquanto recolhidas.

 -  Zara:  Iscas de superfície no formato de um charuto curto, que executam um nado em zigue-zague, muito atraente para os predadores.  São utilizadas em recolhimento contínuo, com pequenos toques de ponta de vara.

 -  Hélice:  Iscas de superfície que têm como característica a existência de uma ou duas hélices, presas na parte traseira ou nas duas extremidades da isca.  Essas hélices provocam ruídos e turbulência na superfície, que atraem os predadores. Devem ser recolhidas com  movimento contínuo, variando a velocidde, ou com pequenos toques de ponta de vara.

 - Stick: Estas iscas de superfície têm como particularidade um pequeno peso na sua extremidade, que faz com que a isca flutue na posição vertical e com a cabeça fora dágua,  como um pequeno peixe com dificuldade para respirar. Trabalhadas com pequenos toques de vara, afundam e em seguida voltam à superfície.

 

No próximo fim de semana, confira a segunda e última parte deste artigo.

 

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Neste blog, vamos falar de tudo relacionado à pesca esportiva. Ao lado de meu sócio Ailton Salgado, prestamos consultoria e serviços de Guias de Pesca em água doce, preparando e acompanhando pequenos e grandes grupos em viagens para todo o Brasil, e também para a Argentina.
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