06 de agosto de 2012 06:57

Barraco em Londres


''Só podia ser comigo!'' Todos vocês devem conhecer, bem, essa expressão. Tem coisas incríveis que acontecem com a gente. Pois na madrugada dessa segunda-feira, eu voltava do vôlei feminino. Pela primeira vez desde que os Jogos Olímpicos começaram, consegui voltar pra casa sem ser de táxi. É que aqui, o transporte oficial da organização do evento não funciona para a imprensa. Pior, ele para em determinada hora, assim como os trens. Mas dessa vez, tudo deu certo. Peguei um trem, depois outro e cheguei para o ponto do ônibus, um noturno que passa de hora em hora. Se você perde, a solução é um táxi, caro pra burro. Mas dessa vez, sai da estação de trem e lá vinha o ônibus. ''Ôba!''


Pois bem, encontrei com um voluntário brasileiro, que trabalho no vôlei de praia e que me reconheceu da competição. Vamos conversando, ele contando os bastidores de quem trabalha, o que é ser voluntário.


Mas eis que estoura uma discussão. Uma mulher acusa a outra de ter roubado seu celular. A outra se sente ofendida e começa o maior bate-boca. O motorista para o ônibus e, pelo auto-falante, pede para encerrarem a discussão.


Mas nada. Outras mulheres, amigas das personagens centrais entram na discussão. Uma desce gritando e a outra vai atrás. Daí a pouco, entram novamente no coletivo, discutindo, aos berros. E a coisa fica assim, um entra e sai, berra daqui, berra dali.


Pronto! O motorista perdeu a paciência. Desliga o motor e chama a polícia. São 10 minutos até que essa chega. E vêm numa van. Nem assim a discussão para. O bate-bocaprossegue, uma das mulheres pega sua bolsa, abre e derrama tudo ali mesmo, no passeio sujo, imundo.

Os policiais, enfim separam as duas e tentam conversar. Pelo menos a gritaria acaba.


''Pois bem, vamos embora''. Foi o que pensei, mas não. O caso segue sem solução e nós, uns 30 passageiros, estamos todos assentados dentro do ônibus. Já faz meia hora. Ninguém pode sair. Todo mundo é testemunha.  ''Tá todo mundo à disposição das brigonas e da polícia'', penso.


E depois de 40 minutos, preciosos 40 minutos que poderia ter dormido, aumentando a média de três horas por noite, o tempo que tenho pra pregar o olho, finalmente o motorista liga o motor novamente. As mulheres não entram. Ficam e lá se vai o ônibus, finalmente. poderia espera tudo, mas um barraco, ao vivo, daqueles de novela, em Londres, jamais!


PS: Peço desculpas pelos erros de digitação anteriores, mas é que aqui tudo é corrido e eu, na ânsia de contar-lhes essas histórias, acabei postando sem reler. Desculpem.



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Tags: Ônibus    briga    celular    polícia 

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31 de julho de 2012 08:58

Ora bolhas


Estou na quinta olimpíada e, sinceramente, a mais bem organizada continua sendo a de Sydney`2000. Eu pensava que nunca mais teria de ficar correndo para cima e para baixo como foi em Pequim'2008, mas estava enganado.


Tudo aqui em Londres é longe. A cidade é fantástica, não há dúvida. Afinal de contas, a cidade é toda baixinha e espalhada. São casas geminadas por todos os lados e prédios  baixos nos bairros, aqui chamados de subúrbios, no máximo com três ou quatro andares. Dá para ver o céu, sentir o sol, de qualquer lugar.


Pra se ter ideia, o judô fica numa extremidade, no leste, em Excel. O vôlei, fica do outro lado, a 30, 40 milhas de distância. O tênis, em Wimbledon, está mais perto do vôlei, em Earls Court, mas a distância ainda assim é grande. Isso, sem falar no Parque Olímpico, onde as instalações são afastadas uma das outras e, lá dentro, para chegar à maioria delas, só a pé, correndo muito.

Já não sei mais quantas bolhas eu tenho no pé! Mas não vai ser isso que vai me impedir de trabalhar. Sou alucinado por isso, confesso. E com o condicionamento que estou ganhando aqui, daria perfeitamente para disputar a marcha atlética, se for possível sem requebrar, ou a maratona. Se precisar, é só o COB chamar.

Tenho agora a certeza da recuperação da fratura de quase dois anos, na tíbia. O remendo feito pelo Dr. Ronaldo Nazaré ficou perfeito e já penso até em voltar a jogar um futebol.

Quanta saudade disso!

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Tags: bolhas    futebol    maratona    marcha  atlética 

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27 de julho de 2012 17:48

Não é festa pra inglês ver, mas pro mundo apreciar


Participar da festa de abertura dos Jogos Olímpicos, pela quinta vez, é sempre um privilégio. Dessa vez, em Londres, foi diferente. Nada foi escondido como nas outras vezes. Já na chegada ao estádio Olímpico me vi dentro da solenidade de abertura, como um figurante.


Lá estavam vassalos, camponeses da Inglaterra do Século XVIII. Passaram a emoção e o orgulho de estarem ali, bastante empolgados. Caminhavam pela passarelam, quase todos com máquinas e celulares nas mãos. Faziam questão de registrar cada momento, cada minuto. Posavam para fotos. Não resisti e fiz o mesmo. Foi bom. Diferente.


A verdade, é que Londres pôs todo mundo na festa, pra dançar, pra cantar, como foi com a música de Frank Turner. Em seguida, a Orquestra Sinfônica de Londres, tudo à espera de Sir Paul MaCartney. Por enquanto, Londres deu um show, principalmente na maneira alegre e divertira de contar a história de seu povo, de seu crescimento, da passagem do mundo rural para o industrial.

O estádio Olímpoco transformou-se em um grande teatro, cheio de música, dança, teatro tudo muito alegre, como deve ser o esporte sempre.

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Tags: música    dança    Sinfônica  de  Londres 

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24 de julho de 2012 04:38

Bernardinho e Giba, estratégia pura



De repente uma notícia de causar pânico: Giba pode ficar de fora dos Jogos Olímpicos! Pronto, o jogador símbolo de uma geração, o capitão das conquistas do tricampeonato mundial, em 2002, 2006 e 2010, e também, de duas medalhas olímpicas, ouro em Atenas`2004 e prata em Pequim`2008. O ponteiro vem enfrentando problemas já há algum tempo. No final do ano passado, foi submetido a uma cirurgia para a colocação de uma haste de carbono, dentro da tíbia da perna direita, para a correção de uma fratura por estresse. E penou na recuperação, aliás, feita com sacrifício. Contou que todos os dias fazia sessões de fisioterapia, pela manhã e à tarde. Além disso, exercícios físicos que não envolvessem utilizar a perna. Quase tudo era dentro dágua, numa piscina. Por sete meses, Giba se tratou, impulsionado pelo desejo de jogar mais essa olimpíada, em busca de mais uma medalha de ouro. Agora, essa ameaça, com a sensação de ter sido esse, os sete meses, um tempo perdido.


Mas estaria, mesmo, o ponteiro correndo risco de ser cortado? Essa é a pergunta que todos os jornalistas que estão aqui em Londres fazem, sem resposta. Mas o que poderia levar à certeza de um corte do capitão? Bernardinho faria isso, trazer o jogador para dispensá-lo aqui?


Em primeiro lugar não é uma decisão que dependa do desejop do jogador ou do treinador. Além do mais, não é só Giba quem preocupa. Tem também as situações de Dante, com problemas nos joelhos, e Murilo, no ombro direito. Ou seja, dos quatro ponteiros convocados para essa olimíada, três estão baleados e apenas um, Thiago Alves, está inteiro.

Eis aí, mais de um motivo para Bernardinho trazer Lucarelli, do Minas. Aliás, três motivos mais que suficientes.


Mas para quem conhece Bernardinho, sabe que esta não é a primeira vez que toma uma decisão como essa, principalmente se o motivo de ter um ponteiro a mais for mesmo Giba, seu capitão, aquele que todos escutam. Em 2000, na Olimpíada de Sydney, ele teve a mesma atitude com Ana Flávia. Ela estava contundida, mas a mantev e no grupo até a véspera do embarque, quando anunciou que ela ficaria de fora.


Bernardinho sabe muito bem a importância de um capitão, de ter por perto alguém que tenha ascendência sobre o grupo e a capaciadade de mantê-lo unido. Naquela época, com na Flávia, teve nmas mãos um time coeso, que brigou atyé chegar ao pódio, levando para o Brasil sua segunda medalha de bronze consecutiva.


O que acredito que Bernardinho esteja fazendo agora é repetir o que deu certo em Sydney. Com Giba aqui, o grupo estará mais forte, mesmo com ele fora da quadra e do bando. É o líder do técnico e desse tipo de atleta, não se abre mão.
 

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22 de julho de 2012 20:54

Perdidos no parque

O dia começou bem mineiro, com direito a pão de queijo, isso mesmo, aqui em londres tem pãp de queijo, feito por um paulista, Marcos Vargas, que tem um restaurante junto com uma pequena venda, que tem feijoada, picanha, pronta e crua, farinha, quibe, esfirra, a infeliz da coxinha, pudim de leite, brigadeiro. Pois foi assim que o dia começou.


Fomos para a concentração do Brasil, em Crystal Palace, afinal de contas, o melhor lugar para encontrar atletas e contar suas histórias. Até aí, tudo bem. O problema é o tamanhão do lugar. Quem não conhece a música na qual se canta ''uai, mas que lagoa grande'', a história de um mineirinho que acabava de conhecer o mar? Pois a história é a mesma por aqui.


O lugar não é nada mais, nada menos, que um parque, enorme. Dá uns 50 do Parque Municipal, em BH. E o centro de treinamento que a delegção brasileira ocupa, fica bem no meio. E lá vamos nós, eu e o Marcondes, do Correio Braziliense. É por aqui ou por ali? Coçamos a cabeça e escolhemos o caminho da esquerda. Parece que está certo, pois logo avistamos a torre do lugar, com um enorme letriro dizendo ''Time Brasil''. Então está perto, festejamos. Que nada.


O local é cercado por campos e mais campos, de futebol, rúgbi, tênis, críquete, enfim. Tem-se de dar uma volta enorme, ou seja, como na véspera, acabamos ''Perdidos no Parque''. O pior é que aqui se caminha muito, isso sem contar o sobe e desce de escadarias, pois tudo termina em escadaria, no metrô, nos locais de competição, de treino.


Ainda faltam quatro dias para o início dos Jogos, na sexta. Mas como o atletismo é só na segunda semana, acho que vai dar tempo de entrar em forma e a prova da marcha de 20 quilômetros vai ser barbada. Se precisarem é só chamar, pois estarei pronto. E não é que isso tá parecendo novela, pois na véspera foi assim também, perambulando pelas ruas do centro de Londres, perdidos. Tá até parecendo sina.


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Tags: salgadinhos    feijoada    pão  de  queijop    escadarias 

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