
A saga continua
Após a conquista de 1976 (parte I), o Cruzeiro esteve perto de se sagrar bicampeão da maior competição de clubes da América já no ano seguinte, em 1977, quando perdeu o título para o Boca Juniors nos pênaltis por 5 x 4 depois da igualdade sem gols no jogo desempate disputado em campo neutro, dessa vez
1997
Do primeiro para o segundo título houve um intervalo de 21 anos e 14 dias, até partir do pé direito do ponteiro esquerdo canhoto Elivelton Rufino dos Santos o chute desferido após rebote de escanteio, que redundou no gol do 2º título do Cruzeiro na Taça Libertadores da América, em 1997. Era o final vencedor de uma campanha que não começou dessa forma.
Na primeira fase foram três derrotas consecutivas seguidas por três vitórias. Na segunda fase, já eliminatória, mais três derrotas e duas tensas decisões pela disputa de pênaltis. No total foram 7 vitórias, 1 empate e 6 derrotas com 15 gols a favor e 12 contra. Se a campanha é diminuída pelos adversários, pode ser creditada na conta cruzeirense uma grande capacidade de reação de toda a equipe, a maior da história da Libertadores até hoje, de acordo com registros oficiais. Era visível o empenho da equipe em superar-se nos jogos, com todos se entregando ao mesmo ideal na base da raça e da vontade, até para conter a instabilidade que o time apresentava, mas que se mostrou presente ao longo de todo o torneio.
Palhinha, por exemplo, destacava-se pela eficiência de marcação, ele que era mais conhecido por suas habilidades técnicas de armar as jogadas. Fabinho também sobrava na raça e na disposição e mais atrás o goleiro Dida em grande fase mostrava ser outro importante trunfo do time, protagonizando grandes momentos com defesas arrojadas que davam tranquilidade à zaga. A chegada de Wilson Gottardo – que iria levantar a taça na finalíssima – e o retorno de Marcelo Ramos fortaleceram os setores de meio campo e ataque. Tais fatores aliados à estratégia do técnico Paulo Autuori, que ocupava a vaga deixada por Oscar Bernardi, zagueiro da Seleção Brasileira na Copa da Espanha, em 1982, fez com que o time mostrasse todo seu potencial em momentos chave da competição.
As finais também foram jogos muito equilibrados (0 x 0 e 1 x 0) e apesar de ser contra um adversário de pouca tradição, o peruano Sporting Cristal, inspirava muitos cuidados, já que a equipe tornou-se sensação da competição por eliminar adversários de peso como os argentinos Racing e Vélez Sarsfield e ter inclusive vencido o Cruzeiro na fase de grupos. Até aquele chute de Elivelton, o passaporte para o Cruzeiro alçar novas glórias. E a terceira parte dessa saga cruzeirense, como você acha que virá nos próximos dias? A história, como sempre, está por ser escrita...

Time conseguiu superar adversidades e conquistar Libertadores pela segunda vez
Ficha Técnica:
Cruzeiro 1 x 0 Sporting Cristal
1º de julho de 2004 – Estádio Magalhães Pinto (Mineirão) – Belo Horizonte
Público Pagante: 96.000
Gol: Elivelton, 30´do 2º
Cruzeiro: Dida, Vítor, Gelson Baresi, Wilson Gottardo e Nonato; Donizeti Oliveira, Fabinho, Ricardinho (Da Silva), Palhinha; Marcelo Ramos, Elivelton. Técnico:Paulo Autuori.
Sporting Cristal: Balerio, Marengo, Rivera, Asteggiano; Solano, Jorge Soto, Torres, Garay, Amoako (Carmona); Bonnet (Habrahamson), Julinho. Técnico: Sérgio Markarian.
Árbitro: Javier Castrilli (ARG).
O início
A epopeia cruzeirense na Taça Libertadores da América remonta a 1967 – ano da primeira participação de uma equipe mineira na competição terminando na 5ª colocação – pelo fato do time celeste ter conquistado a Taça Brasil de 1966 contra um dos maiores esquadrões de futebol de todos os tempos, o Santos de Pelé, Carlos Alberto, Coutinho, Pepe e companhia. Nesta ocasião, a melhor de três jogos se tornou melhor de duas pois, para surpresa dos paulistas, o Cruzeiro se impôs no jogo
1976
Após participar novamente da maior competição de clubes do continente em 1975 e obter a 6ª colocação, a primeira conquista sulamericana deu-se em 1976 quando o time azul venceu o River Plate, da tradicional escola argentina que detém 21 dos 49 
Um time para a história: Darci Menezes, Nelinho, Morais, Zé Carlos e Vanderlei; Roberto Batata, Eduardo, Palhinha, Jairzinho, Joãozinho, Raul.
títulos disputados até hoje, um aproveitamento de 42%. Na melhor de três partidas da fase final, autêntico banho de bola no Mineirão, um 4 x 1 com brilhantes atuações de Palhinha, Joãozinho e Eduardo. Na Argentina, vitória portenha por 2 x 1, gerando a necessidade de disputa de uma 3ª partida em campo neutro, no Chile, para proclamar o campeão.
E eis que se deu uma das maiores finais da história da competição. Em jogo vibrante e aguerrido de ambos os lados, o Cruzeiro saiu na frente em pênalti convertido por Nelinho. A vantagem se ampliou aos 10´ do 2º tempo, com finalização de Eduardo após jogada inspirada de Ronaldo. O River descontou três minutos depois em cobrança de pênalti e empatou aos 17´ quando, em lance de oportunismo dos hermanos, Sabella cobrou falta rápida para Crespo que livre na área chutou e decretou a igualdade. Os jogadores do Cruzeiro cercaram o árbitro que validou o lance sem ter autorizado a cobrança.
Mas o troco veio implacável no incerto mundo da bola aos 43´do 2º tempo, quando Palhinha sofreu falta na entrada da área. Contrariando as determinações expressas do técnico Zezé Moreira, – que nomeara Nelinho como cobrador oficial de faltas do time por ter convertido 22 gols por esse fundamento na temporada e desbancado recorde de Tostão – Joãozinho anteviu a trajetória da bola até o gol e, antecipando-se à autorização do árbitro, cobrou de curva, no ângulo. A bola morreu nas redes, os argentinos reclamaram, mas o árbitro, já sem meios de voltar atrás por ter cometido o mesmo erro anteriormente, validou o gol.
Os cruzeirenses seguraram a vantagem na raça por mais 9 minutos e o apito final de jogo anunciava a 3ª conquista brasileira na história da Libertadores, após 13 anos do bicampeonato do Santos em 1962/63. Antes de receber a taça todos os jogadores e comissão técnica se ajoelharam no gramado do Estádio Nacional e rezaram em memória do camisa 7 Roberto Batata, morto dias antes em acidente automobilístico. E nos vestiários, mesmo com o título assegurado, o técnico Zezé Moreira - grande estrategista e irmão de Aimoré Moreira, o homem que comandou o bicampeonato da Seleção Brasileira naquele mesmo país, na Copa do Mundo de 1962 - bronqueou com Joãozinho, autor do gol decisivo, chamando-o de moleque por desrespeitar uma determinação sua, não sem antes cumprimentá-lo pelo belo gol...
E há quem diga que, em Minas, as micaretas tiveram origem naquele ano, com um dos maiores carnavais fora de época da história por parte da torcida celeste.
Ficha Técnica:
Cruzeiro 3 x 2 River Plate
30 de julho de 1976 – Estádio Nacional – Santiago, Chile
Público pagante: 35.182
Gols: Nelinho 24 do 1º, Eduardo 10, Crespo 13´, Urquiza 17´ e Joãozinho 43´do 2º
Cruzeiro: Raul, Nelinho, Moraes, Darci Menezes, Vanderlei; Piazza (Valdo), Zé Carlos, Eduardo, Ronaldo; João Carlos, Nelinho. Técnico: Zezé Moreira.
River Plate: Landaburu, Cornelles, Lonarde, Ártico, Urquiza; Merlo, Sabella, Alonzo, Pedro González; Luque, Más (Crespo). Técnico: Angel Labruna
Arbitragem: Alberto Martinez (CHI).