Já são quase 190 jogos de Adilson Batista a frente do Cruzeiro. Aconteceu e irá acontecer da equipe atuar bem ou mal, como é próprio do esporte. A partida contra o Deportivo Itália foi, no entanto, uma das piores do time celeste nos últimos anos. Mal assim, o Cruzeiro atuou pela última vez contra o Atlético-PR, em agosto.
Em 2010, ainda sem contar com Fabrício, Adilson tenta liberar mais Jonathan para atuar pelo meio, jogando ora com Henrique, ora com Pedro Ken. Com Fabrício no time, Henrique não sai tanto, Jonathan joga pelo lado aproveitando melhor sua velocidade e explosão física. O time cresce em saída de bola e velocidade.
Pela esquerda, Diego Renan está mais solitário que esteve na temporada anterior – seja na defesa ou no ataque. Os dois gols venezuelanos foram marcados no setor. Pela direita a cobertura já é definida a mais tempo. Seja Diego, seja Gilberto quem vá atuar por ali durante a temporada, fica evidente o problema: os laterais sobem, os volantes devem cobrir, falta gente para recompor no meio.
O jogo ruim contra o Deportivo Itália mostra problemas que já haviam aparecido contra Atlético e Colo Colo, mas que Adilson tentou minimizar. O empate contra um adversário bem mais fraco tecnicamente deve trazer reavaliação – e deve ser rápida. Restam 9 pontos em disputa na Libertadores e o Cruzeiro precisa de pelo menos sete.
O absurdo do campeonato poderia ser oito times se classificando entre os 12 que disputam a competição. Poderia ser o baixo nível técnico – segue a pergunta: que jogador ou técnico o interior revelou nos últimos anos, a exceção do hiato Ipatinga? O absurdo poderia ser a fraca arbitragem que mostra cartão por pura falta de qualidade.
Poderia ser tudo isso, e é. Mas como se não bastasse, o interior de Minas Gerais é pobre em campos minimamente decentes para se praticar futebol profissional. Ou Nova Lima, Ituiutaba e Teófilo Otoni possuem locais adequados para se jogar?
Alagamento de campo, como se viu nesta quarta-feira no jogo entre América-TO e Atlético, é passível de acontecer em qualquer praça dependendo da intensidade das chuvas – vide Atlético x Corinthians no Mineirão, em dezembro. A questão é: Teófilo Otoni tem condições de receber um time profissional mesmo sem chuva? Para a federação mineira sim.
Diego Tardelli saiu de campo contundido, assim como ocorreu com Fábio Santos, volante do Cruzeiro em 2005, que precisou passar por cirurgia no joelho após pisar em um dos muitos buracos do estádio do Guarani de Divinópolis.
O Villa Nova manda seus jogos no tradicional Castor Cifuentes. Tão tradicional que nada muda no “Alçapão do Bonfim”. O Villa é um clube centenário e que até hoje não tem um lugar onde a bola role durante os jogos.
Em uma competição cheia de absurdos, talvez a alegria dos torcedores do interior - que podem ver os grandes clubes do Estado uma vez por ano em sua cidade - valha a pena. Não vale: 10 mil pessoas em Uberlândia, maior cidade do interior mineiro, para acompanhar o time local contra o Atlético. Em Ituiutaba foram 1.800 ver o Cruzeiro jogar e é certo: em Juiz de Fora, no final de semana, o time de Adilson não atrairá lotação máxima.
Enquanto se discute os absurdos em Minas, o mesmo é (ou deveria) ser feito no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e até São Paulo, onde é preciso jogar 19 vezes na primeira fase.
Poderíamos ter um campeonato brasileiro começando mais cedo (sem a necessidade de espremer 15 jogos nos meses de junho e julho), a Copa do Brasil poderia durar o ano inteiro, ter a participação de todos os times das séries A e B e terminar em dezembro com “as finais que o Brasileiro tanto gosta” como alguns tentam vender. E os Estaduais? Já que não temos campo para jogar, já que tecnicamente não acrescenta e já que o interior não liga tanto, talvez não seja um grande absurdo que deixem de existir.
Atualização:
O post está no ar desde quinta-feira e a maioria tem o considerado preconceituoso ou oportuno pelo “blogueiro atleticano” que tenta explicar os maus resultados. Sugiro que leiam outros dois textos que estão disponíveis aqui mesmo no blog. O objetivo é repensar o estadual. Do jeito que está, continuo afirmando: é melhor acabar.
A noite de 24 de fevereiro vai ficar marcada na memória do atacante Obina. O artilheiro marcou cinco vezes na vitória por 7 a 0 sobre o Juventus-AC e entrou para a lista dos 10 atleticanos a marcar cinco ou mais gols em uma única partida na história do clube. O fato só ocorreu 15 vezes em 101 anos de história do Atlético.
O primeiro a conseguir o feito foi Meireles que fez 5 na vitória do Galo (que na época nem era Galo) sobre o Granbery em 1913. O último havia sido do finado Gérson em 1991 na vitória alvinegra por 11 a 0 sobre o Caiçara do Piauí, pela Copa do Brasil.
Guará, o mesmo que dá nome ao tradicional Troféu entregue pela rádio Itatiaia, foi quem realizou o feito por mais vezes: quatro entre 1935 e 1936.
Confira a lista completa por ordem cronológica:
04/05/1913: Atlético 7 x 0 Granbery – Meireles, 5 gols.
11/08/1929: Atlético 13 x 0 Calafate – Jairo, 5 gols.
22/09/1929: Atlético 11 x 0 Santa Cruz – Said, 5 gols.
10/11/1929: Atlético 10 x 2 Palmeiras-NI – Jairo, 9 gols.
30/08/1931: Atlético 10 x 0 Sete – Orlando, 5 gols.
17/09/1935: Atlético 9 x 1 Gráfica – Guará, 5 gols.
13/10/1935: Atlético 9 x 1 Carlos Prates – Guará, 5 gols.
27/12/1936: Atlético 9 x 1 Retiro – Guará, 7 gols.
18/02/1937: Atlético 9 x 1 Caldense – Guará, 5 gols.
14/09/1941: Atlético 6 x 1 Aeroporto – Baiano, 5 gols.
12/04/1969: Atlético 6 x 0 Usipa – Dário, 5 gols.
29/05/1969: Atlético 6 x 3 Uberlândia – Dário, 5 gols.
09/11/1977: Atlético 6 x 2 Fast-AM – Reinaldo, 5 gols.
28/02/1991: Atlético 11 x 0 Caiçara-PI – Gérson, 5 gols.
24/02/2010: Atlético 7 x 0 Juventus-AC – Obina, 5 gols.
A ascensão de Dorival culmina com o favoritismo do Santos.
Dorival Júnior apareceu para o futebol brasileiro - como Dorival e não como Júnior, ex-meia do Palmeiras – com o vice-campeonato paulista comandando o São Caetano em 2007. Nas semifinais, a equipe do ABC goleou o São Paulo por 4 a 1 no Morumbi.
Depois, assumiu o Cruzeiro em frangalhos após derrota para o Atlético por 4 a 0 no Estadual. Chegou a brigar com o São Paulo no Brasileirão e levou a equipe mineira à Libertadores. Ramires surgiu para o futebol nacional sob o comando de Dorival.
Foi para o Coritiba em 2008, venceu o Paranaense (que o clube não levava havia quatro anos) e foi nono lugar no campeonato brasileiro – 2ª melhor colocação do Coxa desde 2003.
Ano passado, Júnior assumiu o Vasco e cumpriu o objetivo: levou uma equipe limitada tecnicamente ao acesso à primeira divisão e ainda conquistou o título, além de lançar Philippe Coutinho.
No Santos, Dorival dá ao time o direito de ser ofensivo. A equipe alvinegra é leve e utiliza disso como sua principal qualidade. Neymar e Paulo Henrique Ganso jogam bem numa frequência muito maior do que acontecia em 2009, assim como Wesley e Felipe.
Hoje começa a Copa do Brasil para o Peixe. Depois de sete vitórias seguidas no campeonato paulista e três anos de bons trabalhos por onde passou, pode-se dizer que o time da Vila aparece como candidato forte à conquista. O Santos hoje é de Robinho, principal estrela, tanto quanto é de Dorival Júnior que mudou em dois meses a forma da equipe jogar – e para muito melhor.
Jair Albano Félix errou ao assinalar impedimento no gol de Diego Tardelli. Guilherme Dias Camilo também falhou ao não perceber que o mesmo Tardelli estava impedido no cruzamento de Coelho, que resultou no empate atleticano. Não há interpretação, há o fato. Como já foi dito aqui, não é intenção do blog colocar em discussão erros ou acertos de arbitragem. Vale voltar ao tema do recurso eletrônico utilizado para tirar dúvidas.
Durante o clássico mineiro de sábado, a imagem da TV foi clara ao apontar o gol legal marcado pelo Atlético no segundo tempo. A transmissão da TV Globo não mostrou – ao vivo – o lance do primeiro gol pelo ângulo da câmera do impedimento. Ninguém reclamou, a jogada foi rápida e passou desapercebida. Até que no domingo, a imagem da TV Record elucida o acontecimento.
Fazendo um exercício de imaginação, se as imagens fossem utilizadas para tirar dúvidas, o gol de Jairo Campos dificilmente seria anulado e o marcado por Tardelli, validado. Um dia depois, outra emissora de televisão mostra o erro. Ora, a imagem da TV não consegue ser conclusiva, assim como a visão dos árbitros.
Em 2008, Cruzeiro e Flamengo disputavam, na antepenúltima rodada do campeonato brasileiro, uma vaga no G-4. O time mineiro vencia por 3 a 2 quando, aos 45 minutos do segundo tempo, Diego Tardelli cai na área após uma disputa com Léo Fortunato. As imagens da transmissão ao vivo pareciam que não dariam margem a interpretações: Carlos Eugênio Simon, árbitro do jogo, errou ao não marcar o pênalti. Dois dias depois, a ESPN Brasil mostrou o lance: não houve contato entre os dois. Não foi pênalti. Como voltar atrás dois dias depois?
Mais uma vez, a imagem que parece clara, não é conclusiva. A crítica não é a TV Globo e seus profissionais. Assim como toda história tem várias versões, uma imagem tem vários ângulos. A tecnologia pode ajudar sim, mas não será sempre e, assim como os árbitros, ela poderá até mesmo atrapalhar.
Nos contra-ataques, o Atlético voltou a ser melhor que o Cruzeiro.
O tabu continua: são 14 jogos sem vencer o time principal do Cruzeiro. Neste sábado, pela primeira vez em três anos, o Atlético foi melhor do que o rival e a derrota não faz justiça ao que foi a partida. O erro de Jair Albano Félix foi crucial, mas há de se ver o futebol que aconteceu apesar da falha do assistente que anulou mal o segundo gol atleticano. Atualização: até hoje, domingo, não havia visto o lance do 1º gol do Atlético pelo ângulo da câmera do impedimento: mesmo sem encostar na bola, Diego Tardelli participa do lance. Outro erro crucial. Quem é acostumado a seguir o blog sabe que não é costume dedicar espaço a discussões a cerca da arbitragem. Prefiro falar sobre futebol.
Vanderlei Luxemburgo abriu mão do estilo ofensivo das primeiras rodadas e armou o bote: bola longa de Correa e Ricardinho para Diego Tardelli e principalmente Muriqui. Adilson inverteu o posicionamento de Elicarlos e liberou Diego Renan para jogar. Jonathan foi meia desde o início, segurando Leandro no campo de defesa praticamente os 90 minutos. A boa marcação tirava os espaços e a velocidade do Cruzeiro.
Com seu jogo pronto, faltou ao Atlético melhor sorte nas finalizações. Especialmente na bola em cima da linha que Leonardo Silva cortou no primeiro tempo, o escorregão de Muriqui no segundo e a tímida aproximação de Renan Oliveira nos contra-ataques.
A entrada de Obina mudou a forma do Atlético jogar. A bola deixou de ser lançada em velocidade e passou a ser entregue ao centroavante. Aí o bote era do Cruzeiro. Com a roubada rápida dos zagueiros e um meia mais participativo como foi Roger, o gol poderia ter saído com Thiago Ribeiro, que livre finalizou à esquerda de Carini.
Depois do segundo gol, o time de Adilson Batista controlou o jogo e chegou ao terceiro em um lance individual de Roger.
O Atlético que esteve mais próximo do gol durante boa parte do jogo tem a participação de Vanderlei Luxemburgo que armou bem a armadilha que o Cruzeiro caía até a metade do segundo tempo. A Raposa foi mortal quando Vanderlei voltou a apostar no esquema com três atacantes e deu o campo que a equipe de Adilson não teve nos primeiros 70 minutos de partida.
A boa atuação enquanto esperou o Cruzeiro e a derrota quando o time tinha o trio ofensivo aponta para os problemas que o treinador ainda vai ter para montar o time da maneira que pretende. O Atlético do contra-ataque chegou a liderar o campeonato brasileiro do ano passado, mas não é o que Vanderlei quer.
O único comentário que se fará sobre a arbitragem de Martín Vasquez é este: Gilberto não merecia ser expulso. Pelo menos dois lances idênticos aconteceram no primeiro tempo. Somoza chutou Kléber no chão e levou apenas o amarelo. Apesar de tudo isso há pontos a se avaliar.
O que foi latente no jogo em Buenos Aires é o descontrole do time mineiro no que diz respeito à catimba adversária. Desde o cartão vermelho mostrado ao camisa 10, o Cruzeiro preocupou-se mais em igualar o número de jogadores em campo do que jogar futebol. No segundo tempo, mesmo com dois a menos, a equipe foi sóbria, sofreu pressão apenas territorial e por pouco não encaixa dois contra-ataques com Pedro Ken e Henrique.
A partida desta quarta-feira me fez lembrar o confronto entre São Paulo e River Plate pelas semifinais do torneio em 2005. Após um primeiro tempo absolutamente tenso no Morumbi, o São Paulo se encontrou na segunda parte do jogo, fez 2 a 0 e depois conseguiu uma grande vitória na Argentina. Era o que faltava ao time de Paulo Autuori para ser campeão: maturidade. Quando o São Paulo esqueceu a tão falada “catimba de Libertadores” e jogou futebol, mostrou ser um time que fez 5 a 2 no placar agregado com enorme autoridade.
Vale lembrar que ano passado, depois de bons jogos fora de casa contra Universidade do Chile, São Paulo e Grêmio, a equipe aprendeu a se portar longe do Mineirão e como fruto veio a vaga na Libertadores de 2010, graças a invencibilidade como visitante no Brasileiro. Outro lembrete válido é que o destempero após o primeiro gol do Estudiantes causou a perda da competição sul-americana.
A Libertadores é um campeonato que ensina, mas também pune. A punição foi o resultado adverso em um confronto direto. Que sirva de lição.
Nem consistente, nem bom. Esse é o retrato do Palmeiras de Muricy Ramalho após seis meses de trabalho. O treinador havia encontrado no São Paulo uma forma segura de vencer os jogos: o time se defendia com absoluta tranqüilidade e conseguia superar os adversários com um bom conjunto.
Quando assumiu o Palmeiras, no final de julho, Muricy começou a alterar a forma do time jogar. Parecia claro que demandaria tempo para a equipe absorver a mudança do estilo de jogo rápido e ofensivo de Vanderlei Luxemburgo para a filosofia do novo comandante. A mudança pode ter custado o título brasileiro, embora Muricy não tenha pegado o time na liderança do campeonato.
Em 2010 já são sete jogos e o Palmeiras venceu três. Os triunfos sobre Monte Azul (1x0) e Bragantino (3x2) não mostraram um futebol vistoso e a equipe correu riscos. No teste mais efetivo que teve até aqui, contra o Corinthians, jogou mais de 80 minutos com um homem a mais e o domínio territorial do campo, poucas vezes se traduziu em domínio da partida.
As saídas de Obina e Vagner Love contribuíram para a dificuldade do início da temporada. A equipe se tornou ainda mais dependente de Diego Souza e Claiton Xavier no setor ofensivo enquanto a saída dos laterais deixa espaço demais para contra-ataques.
Até mesmo no São Paulo, Muricy não costumava começar bem o ano, mas seguro o Tricolor sempre foi. Sem a defesa sólida e um futebol apoiado na individualidade de seus dois principais nomes, o Palmeiras sai atrás na briga pela Copa do Brasil. Nem os três títulos brasileiros de Muricy, impedem de dizer: ele precisa mostrar a que veio.
Qualquer avaliação que se arrisque fazer agora sobre o Atlético é injusta e desnecessária. São três jogos, o time não precisa estar pronto agora. A pista possível de apontar nas primeiras rodadas do campeonato é o que Vanderlei Luxemburgo pretende fazer com sua equipe.
O Atlético não é um time leve, ainda não é rápido, mas é técnico. O meio-campo que enfrentou o Tupi tinha quatro jogadores de bom toque de bola, que levantam a cabeça para jogar; o que atuou diante do Ipatinga tinha a proteção de Zé Luís e só mais dois homens. Isso para Diego Tardelli e Muriquí se aproximarem do gol adversário com mais rapidez, aproveitando o posicionamento de Obina e servindo-o, além de ser servido por ele.
Luxemburgo tenta dar ao Atlético a velocidade que os jogadores de meio, que ele tem à sua disposição, parecem incapacitados de fazê-lo. Individualmente, eles não precisam ser rápidos, precisam dar, coletivamente, velocidade ao jogo. Os laterais ainda não avançam. Leandro, aos 30 anos, e Coelho, aos 27, têm natureza ofensiva, mas chegam ao momento da carreira em que se dosar vai garanti-los em alguma equipe.
Com um meio-campo que ainda não consegue ser veloz e laterais que não poderão ser ofensivos durante todo o jogo, parece claro que o Atlético irá jogar em torno da movimentação dos atacantes. Talvez por isso, Vanderlei tenha saído do Mineirão mais satisfeito do que nas últimas semanas: Obina, Tardelli e Muriquí foram mais interessantes do que Tardelli e mais um.
O problema daqui pra frente é como testar e assegurar que o time está no caminho certo. Definitivamente, eventuais goleadas sobre Uberaba, Villa Nova, América-TO e companhia não servirão para colocar o novo Galo à prova. Só saberemos se a equipe está pronta nas fases agudas de Campeonato Mineiro e Copa do Brasil. Até lá e confiar e acreditar em Vanderlei Luxemburgo. Sem maiores pistas.
A volta de Robinho e o renivelamento do futebol brasileiro.
Robinho teve apresentação apoteótica em Santos. O retorno do principal expoente da equipe bicampeã brasileira no início da década pode ser encarada de duas formas: a primeira delas é brilhantemente mapeada no livro “Bola Fora – A história do êxodo do futebol Brasileiro” de Paulo Vinícius Coelho, o PVC. A segunda demonstra uma tendência: depois de muito tempo, o futebol nacional começa a ser atrativo.
PVC mostra que os jogadores deixam o Brasil para atuar na Europa desde a década de 30. Há 80 anos, existem casos vitoriosos e de total adaptação a outras terras como Mazolla, no futebol italiano dos anos 60 e Juninho Pernambucano, só para citar alguém da atualidade. Casos opostos são igualmente comuns: os atletas não recebem o mesmo carinho que no Brasil, sentem saudade do feijão, do mar, do sol, de uma série de coisas que o impedem de jogar futebol. É o caso de Robinho, insatisfeito com a reserva no Manchester City apesar do salário estratosférico?
A situação do atacante poderia ser definida como pontual, mas o Brasil passa a ter, nos últimos anos, jogadores fazendo o caminho de volta. Roberto Carlos e Ronaldo estavam há 15 anos na Europa, Adriano praticamente 10, Robinho e Fred, cinco. Você poderá dizer: jogadores vão e vem a todo o momento. De fato. A CBF tem números precisos até 2008 quando saíram 1176 atletas e 659 retornaram. Diferença de 517. Em 2007, havia sido de 596. A diferença está no nível dos jogadores que passam a fazer o caminho inverso e voltar ao nosso futebol. Temos hoje no Brasil os quatro atacantes que disputaram a última Copa do Mundo.
O futebol nacional continua perdendo seus bons jogadores para o mercado externo de forma desproporcional. Agora, pelo menos, comemora o momento de tê-los juntos por algum tempo. Depois do ótimo campeonato brasileiro de 2009 e com os clubes apresentando bons nomes em 2010 parece que finalmente chegou a hora de dizer que o futebol brasileiro não está nivelado por baixo.
Confira a relação entre “brasileiros/estrangeiros” convocados para as últimas 5 Copas do Mundo e quatro anos depois, quantos deles haviam retornado ao país.
1990 – 9 convocados do Brasil, 13 de fora. Em 94, 5 atuavam no país.
1994 – 10 convocados do Brasil, 12 de fora. Em 98, 10 atuavam no país.
1998 – 8 convocados do Brasil, 14 de fora. Em 2002, dois atuavam no país.
2002 – 13 convocados do Brasil, 10 de fora. Em 2006, 7 atuavam no país.
2006 – 3 convocados do Brasil, 20 de fora. Em 2010, 9 jogam no país