
Para quem acha que político é tudo igual…
(Montagem: watchingtheview.com)
| McCAIN | OBAMA |
Nome Completo | John Sidney McCain | Barack Hussein Obama |
Idade | 72 anos (29/08/1936) | 47 anos (04/08/1961) |
Senador por… | Arizona | Illinois |
Partido | Republicano (centro-direita) | Democrata (centro-esquerda) |
Mascote do partido | Elefante | Burro |
Esposa | Cindy | Michelle |
Filhos | Sete filhos, sendo quatro adotados | Duas filhas |
Signo | Virgem | Leão |
Invadiria o Paquistão? | Não disse | Sim |
Sabe quantas casas tem? | Não | Sim |
Vice | Caipira bonita e desconhecida do Alasca | Um cara mais velho que o criticou muito durante as primárias |
Se o Irã atacasse Israel, partia pra cima ou esperava autorização da ONU? | Partia pra cima | Partia pra cima |
- Cedê Silva
A senadora Dole é esposa de Bob Dole, o ex-candidato a Presidencia que perdeu para
Bill Clinton em 1996 (Foto: Cedê Silva).
RALEIGH (NC) - A senadora republicana Elizabeth Dole, candidata a um segundo mandato, fez um comicio num patio ao lado da sede de seu partido, no final da manha de segunda-feira.
Assistida por umas poucas duzias de pessoas, Dole criticou a adversaria, a senadora estadual Kay Hagan, dizendo que esta tem posicoes confusas, incertas.
Dole disse que paises que se recusam a receber nacionais deportados pelos Estados Unidos nao devem mais receber vistos para entrar no pais dela. Tambem disse ser favoravel ao "English-only", a ideia de que documentos do governo e ocasioes publicas devem usar somente o ingles. De qualquer forma, na Carolina do Norte o ingles e lingua oficial desde 1987. Nao existe lei federal sobre lingua oficial.
Dole, que no comeco do ano parecia ter a reeleicao assegurada, agora esta numa disputa dificil. Momento de procurar esperanca. (Foto: Cedê Silva).
O discurso da senadora era constantemente interrompido por aplausos, nao exatamente com muito entusiasmo, ja que a multidao era pequena (se e que existe multidao pequena; acho que é falta de uma boa expressao em portugues para crowd).
Chegamos muito perto de entrevista-la logo apos o comicio. A assessoria dela falou conosco (estudantes brasileiros) e ficamos na fila, esperando uma entrevista dela para uma TV. Infelizmente, estavamos muito atrasados (tanto a visita a primeira-dama quanto a Assembleia Legislativa demoraram mais que o previsto) e tivemos que ir pro campus da NCSU lidar com algumas burocracias e legalidades, fotocopiar passaportes, etc.
(Foto: Cedê Silva).
Fiquem com mais fotos do comicio.
(Foto: Cedê Silva).
(Foto: Cedê Silva).
(Foto: Cedê Silva).
(Foto: Cedê Silva).
(Foto: Cedê Silva).
- Cedê Silva
( Vejam como meu colega Thiago Rocha (Jornalismo -UFSE) cobriu o comicio de Dole. )
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RALEIGH (NC) - Logo apos a visita a primeira-dama, nossa delegacao fez um tour da Assembleia Legislativa da Carolina do Norte, que fica bem pertinho.
Ha tres diferencas grandes entre a Assembleia Legislativa deles e a nossa que vale a pena explicar logo de cara.
Primeira: a assembleia e bicameral. Ou seja, assim como acontece em nivel federal, existem deputados estaduais (state representatives); mas tambem senadores estaduais (state senators). O titulo "senador" nao e reservado para quem trabalha na capital federal, como no Brasil.
Os numeros sao um pouco maiores do que na AL mineira: sao 120 deputados estaduais mais 50 senadores estaduais. Em Minas temos 77 deputados estaduais. Os numeros parecem ainda maiores se levarmos em conta que a populacao mineira é de 19 milhoes, enquanto os norte-carolinenses sao 9 milhoes.
Os deputados estaduais mantem sua camara organizadinha, pelo menos na segunda-feira, quando nao tem sessao (Foto: Cedê Silva).
Segunda: nao existe lista aberta, como no Brasil. Em vez disso, imagine dois mapas da Carolina do Norte, um divindo-a em 120 pedacinhos, outro em 50 pedacinhos. Cada pedaco é um distrito, e um parlamentar, para se candidatar, deve residir no distrito que representa. Isto assegura um bom contato do representante com seus eleitores, ja que cada cidadao americano tem um deputado, seu deputado, enquanto em Minas, por exemplo, cada cidadao "tem" 77 deputados em seu nome.
Este maior contato fica ainda mais relevante se levarmos em conta...
O tour guiado da Assembleia Legislativa deu algum sono nos participantes, exceto os entusiastas de questões, votações e moções, como eu (Foto: Cedê Silva).
...a terceira diferenca: as eleicoes legislativas (tanto federais quanto estaduais) sao a cada dois anos, e nao quatro. Quer dizer, ou voce mostra resultados rapidamente, ou voce esta fora.
O prédio fica aberto ao publico, e la voce pode conseguir copias de todas as leis e projetos de lei. Tem tambem acesso a um computador.
Norte-carolinenses - ou qualquer um - podem usar este PC para acessar as leis e projetos...(Foto: Cedê Silva).
... ou simplesmente pedir fotocopias gratuitas. Eu peguei uma! (Foto: Cedê Silva).
DETOUR CONSERVADOR - Em um momento da visita, Nina (Relacoes Internacionais - USP) e eu ficamos curiosos com um certo gabinete de um senador (na segunda-feira alguns gabinetes estavam de portas abertas; mais no meio da semana o numero é maior). Havia muitas fotos, adesivos, estatuazinhas de elefantes...
Todos tem que admitir: o mascote do Partido Republicano (o elefante) é bem melhor do que o do Democrata (o burro) (Foto: Cedê Silva).
...abandonamos o tour no meio, e deixamos o grupo seguir, para entrar na sala. Acabamos descobrindo que o gabinete era de de ninguém menos que o lider do partido republicano no senado estadual. O nome dele é Senador Philip E. Berger. Ele nao estava la, mas seu assisente nos recebeu muito bem, até tirou fotos minha e da Nina na cadeira do senador.
"Senador estadual Cedê Silva (R-NC)"? (Foto: Gabinete do Sen. Philip Berger).
Bem, isso resume nossa aventura na AL, pelo menos por enquanto. De la, nos iriamos direto ao campus da NCSU... nao fosse o fato de que, no meio do caminho, vimos uma senadora (federal!) discursando.
Essa historia fica pro proximo post.
- Cedê Silva
O croissant com presunto e queijo que servem aqui é maravilhoso (Foto: Cedê Silva).
RALEIGH (NC) - Visitas importantes sao recebidas por anfitrioes importantes.
A delegacao brasileira foi recebida na manha de segunda, no dia seguinte a chegada, pela primeira-dama Mary Easley, esposa do governador democrata Mike Easley.
A visita foi otima. O cafe-da-manha la é certamente melhor do que o do hotel! Mas falando serio, a primeira-dama é uma pessoa agradavel, certamente muito a vontade com visitas. Gostou de nos mostrar a casa, fazer piadinhas, e ate deu uma mini-coletiva. Aproveitou para criticar Sarah Palin, e tambem dizer que espera centenas de criancas pedindo doces no Halloween.
Mary Easley é fonte de controvérsia, ja que fez viagens talvex exageradas com dinheiro publico, e recebeu um auimento salaria de 88% por seu trabalho na NCSU. Que pena que o foca [jornalista iniciante] aqui nao sabia disso no dia, e nao pôde fazer umas boas perguntas pra ela. (Foto: Cedê Silva).
MULHER FORTE - Ja em seu segundo mandato, Mike Easley nao pode concorrer a outra reeleicao. A candidata democrata para governadora da Carolina do Norte é Bev Perdue, que se eleita sera a primeira mulher no cargo. Como quase toda eleicao nos Estados Unidos, a corrida esta apertada.
Em tempo: poucos estados sao como a Carolina do Norte, que tem eleicao para governador e presidente no mesmo ano. Afinal, a eleicao presidencial pode distrair as pessoas das eleicoes locais, que tambem sao importantes. Por outro lado, ha um argumento em favor de faze-las juntas. Aqui nos EUA, as eleicoes para deputado federal sao a cada dois anos em vez de quatro. O que se nota e que nos anos de Olimpiada (que tem eleicoes para Presidente) existem mais eleitores do que nos anos de Copa do Mundo. Ou seja, as eleicoes presidenciais atraem tambem eleitores para outros cargos, ja que o voto nao e obrigatorio.
Mas o ponto que quero fazer e outro. O lance é, apesar de nao ter feito como Clinton e concorrido a governadora (ainda!), a primeira-dama fez questao de se mostrar como uma mulher forte, que trabalhou como advogada, assim como o marido; e trabalha em assuntos do Estado. Ela tambem tem um segundo emprego como professora de politicas publicas e direito de propriedade intelectual na Universidade Estadual da Carolina do Norte (NCSU), nossa universidade-anfitria para este programa.
Alguns governadores sao bastante honestos sobre suas prioridades no retrato oficial. No quadro, o governador democrata Dan Moore (1965-1969), morto em 1986 (Foto: Cedê Silva).
TABACO - Outra coisa que aprendemos na visita foi que a Carolina do Norte cresceu gracas ao... cigarro! Sim, por muito tempo o estado tinha como principais itens da economia o tabaco, os texteis, e mobilia.
O que varias pessoas - a primeira-dama, professores diversos - fazem questao de ressaltar e que a Carolina do Norte soube nas ultimas decadas se desvincular disso e investir pesadamente em educacao. E por isso que hoje muitas empresas de alta tecnologia tem instalacoes aqui. No centro, vi um predio da AT&T. E é na NCSU que fica o reator nuclear universitario mais antigo da America.
Entao nao e a toa que fomos tao bem recebidos ao chegar. A Carolina do Norte conhece suas prioridades.
- Cedê Silva
( Vejam como meu colega Thiago Rocha (Jornalismo -UFSE) cobriu o cafe com a primeira-dama ).
No clima festivo da Feira Estadual, atores divulgavam um joguinho de cirugias (Foto: Cedê Silva).
RALEIGH (NC) - Foi intenso.
Apos mais de oito horas de voo Sao Paulo-Washington (sob um ar condicionado glacial), chegamos no aeroporto da capital americana.
Fomos recebidos com uma longa fila (que boas-vindas!) mas o processo naimigracao foi bem tranquilo. Nos dividiram em algumas filas. Assim que os oficiais perceberam que iam receber as mesmas respostas ("o que voceveio fazer nos Estados Unidos?", e como se fosse ensaiado, "eu estouparticipando de um programa patrocinado pelo Departamento de Estado dosEstados Unidos"), deixaram os proximos passarem. Eu mesmo praticamentenao fui entrevistado.
Na fila ja se notava claramente que eramos brasileiros. E dificiljuntar vinte jovens universitarios do Brasil e mante-los quietos. Umacoisa muito legal e a mistura de sotaques. Tem gente de Sergipe, Para,Minas Gerais, Sao Paulo, Paraiba, Rio Grande do Sul, Parana, Goias, Riode Janeiro, Pernambuco. A impressao que tenho e que cada estrangeiroque ouve a gente pensa que somos de um lugar. Ninguem acha que falamosespanhol, mas ja ouvimos gente que nos dizendo que o portugues parecefrances, ou parece russo, ou parece italiano... acho que tem a ver como sotaque que cada um ouviu.
Opa, mas voltemos ao ponto.
A SALVADORA DA PATRIA - O voo Washington-Raleigh atrasou. Foi umagrande confusao, porque num certo momento o funcionario do aeroportoinformou que o voo so partiria num certo horario. Alguns do grupoaproveitaram, entao, para conhecer outras partes do aeroporto e sairamdo terminal.
So que, de repente, fomos chamados a entrar no voo! Como avisar os outros?
Fomos salvos por duas coisas. O Gregor,pernambucano que faz Ciencia Politica na UFPE, chamou, em portugues, osrestantes, pelo mesmo sistema de audio que o aeroporto usa. OK, elesestavam em outro terminal e nao ouviram, mas foi bacana e isso nos deu algum tempo.
Outra, tinha uma mulher que reclamava intensamente dentro do aviao. Naosabemos do que. Acho que no final ela atrasou a decolagem tanto que deutempo para que os outros voltassem ao terminal no tempo originalmenteprevisto pelo funcionario. Ela salvou a patria.
Alem de grandes coxas de peru por US$7.50 e dezenas de bichos de pelucia, a Feira
Estadual oferecia outras atracoes unicas, como a vaca de seis pernas e o zebrurro (Foto: Cedê Silva).
BIZARRICES - Chegando no aeroporto em Raleigh, fomos rapidamente apresentados aos professores Michael Bustle e David McNeill (ou simplesmente Michael e David, como os chamamos) da Universidade Estadual da Carolina do Norte. Tambem conhecemos o Derrick Lovick, gerente do escritorio internacional da universidade. Todos sao muito gente fina.
Do aeroporto fomos direto para a Feira Estadual. Era o ultimo dia, entao tinhamos que aproveitar a oportunidade!
Era exatamente como voce imagina em filmes.
Roda gigante, montanha-russa, joguinhos de atirar agua para ganharbichos de pelucia, dezenas de barraquinhas de comida e doces, familiassorridentes... e corrida de porco.
Corrida de porco?
Sim, corrida de porco! Vimos num cercadinho uma emocionante (e comnarracao!) corrida de porcos, e depois teve corrida de ganso,cachorro, o que voce imaginar. Um evento extremamente caipira,extremamente divertido, extremamente pointless, extremamente familia... mais americano impossivel, heh?
Mas nem so de mercadorias e animais e comida vive a feira estadual. Deu pra ver o tanto que Raleigh é bonita (e fria! brrr).
Lagoa na entrada da Feira, ao cair da tarde (Foto: Cedê Silva).
RACA - Algo sobre raça nosEstados Unidos nos chamou a atencao. Viamos familias negras e brancas,mas nao muita mistura. Entre jovens, porem, ocorre. Vi amigos deescola, negros e brancos, andando juntos. Falamos sobre isso com oDavid e ele disse que isso ocorreu mais por que era um evento familiar,entao era natural que vissemos grupos mais homogeneos. Ele esta certo.No comicio do Obama, quarta-feira, a integracao era maior (em breveposto sobre como foi o comicio).
Depois da feira - uma experiencia cultural inigualavel certamente - os professores pagaram um jantar para a gente no Red & Blue,restaurante de churrasco (ou o que os americanos chamam de churrasco,que e diferente do brasileiro mas nao menos saboroso). As porcoes eramgigantes - voces precisam ver o tamanto das costelas (ribs) - e quase tudo era muito bom.
Um dia cheio. Mas nada de descansar muito. Segunda de manha seriamos recebidos pela primeira-dama.
O que?
Yep. Essa historia eu conto no proximo post.
- Cedê Silva