02 dezembro 2009 11:34

Você faz o Mondo Metal: A alta voltagem do hard rock





Christiano Gomes


onforme prometido, publicamos hoje a segunda resenha do mega show do AC/DC em São Paulo. Pela primeira vez temos duas resenhas de um mesmo show, o que mostra a grandeza da apresentação dos australianos no Brasil. O texto de hoje é da jornalista e amiga Pamella Berzoini. Vamos à ele!




A alta voltagem do hard rock
Por: Pamella Berzoini


Foram exatamente duas horas de apresentação e 19 músicas, entre clássicos e canções do novo “Black Ice”, que dá nome a turnê que presenteou brasileiros de toda parte no último dia 27 de novembro. Cerca de 70 mil pessoas lotaram o Estádio do Morumbi para conferir o que há 36 anos se consolidou como AC/DC e mostrou ao mundo como era feito o bom e velho rock ‘n’ roll.

O variado público presente, entre jovens, adultos, crianças e muitas famílias, enfrentaram a chuva antes da apresentação que veio dar boas-vindas ao grupo e, minutos antes do momento do show, resolveu se retirar e limpou o céu de São Paulo para receber os ícones mundiais.

Às 21h35, luzes se apagaram e telões, localizados nas extremidades do palco, apresentavam a história musical que estava por vir. Um mar de chifrinhos luminescente incendiava a pista e arquibancadas para receber os anciãos do hard rock. Dentro de alguns minutos, os irmãos Angus e Malcolm Young e sua trupe subiram ao palco para dar o seu recado. Brian Jhonson, 62, o maquinista da locomotiva que se estacionou como o cenário principal do espetáculo, soltava a voz e andava pelo longo palco que se estendia até o meio da pista no estádio em uma passarela do rock.

Uma escola musical se instalou pelo Morumbi e foi acompanhada de alta tecnologia de primeira, com direito a telões animados de alta definição, gigantesca boneca inflável, “a sexy” Rose, sino e canhão que deram ao espetáculo um show à parte que se completava a cada hit tocado em uma apresentação impecável.

O repertório não trouxe novidades. O set list foi praticamente o mesmo descrito em variados sites desde a nova turnê do grupo em 2008. Mas, mesmo já sabendo disso, ouvir todas aquelas músicas ao vivo com o pique dos “garotões” na margem dos 50 e 60 anos, emocionou o público que esperou praticamente um ano para conferir esse grupo que nem imaginava o quanto era aclamado no País.

Em uma destemida performance, Angus Young, assim como é de se imaginar, era o centro das atenções. Com a tradicional roupa de colegial, que agora não deve ser feita mais pela sua irmã, ele agita o público, arranca delírios e não para um segundo, desfilando seu espírito roqueiro e impressionando os fãs com os riffs poderosos aos 54 anos. Phill Rudd, Cliff Williams e Malcom Young também davam seu recado, de uma forma mais discreta e tímida, mas de se impressionar.

O colegial dos solos e de suas inusitadas expressões teve dois marcantes momentos. O primeiro foi o então já notado strip tease no blues do “The Jack”. Longe de ser um sexy simbol, sua fanfarrice empolgou o público. Tirou todos seus adereços – mas sem se desgrudar da guitarra – e mostrou a samba-canção com a logo do AC/DC. Momento único. Para os apreciadores de guitarra, cerca de dez minutos foram de puros solos em uma plataforma que se elevou na passarela e que foi comemorada com uma chuva de papel que caía sobre o público em uma grande festa.

Em mais de três décadas eles vem falando a língua do rock and roll, e, quanto mais velho, melhor. Os espetáculos se tornam palco de uma mistura de música com teatro, algo que extrapola a diversão da apresentação e emociona o público. A peculiaridade torna o show ainda melhor e, aqueles que conferiram de perto essa explosão musical, sabem bem o que estou falando. Será que poderíamos repetir todas as músicas mais uma vez? Quero mais overdose de AC/DC.


Leia também: Você faz o Mondo Metal: Let there be rock




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