25.04.2012 07:12 pm

CADERNETA DE POUPANÇA NO BRASIL, UM BREVE HISTÓRICO


POR GUILHERME DA NÓBREGA (*)


De uma hora para outra, o debate no mercado sobre a política monetária não é mais apenas sobre como o Banco Central lida com a inflação. Com a Selic em 9% e ainda apontando para baixo, o debate passou a incluir a caderneta de poupança.


A poupança é um investimento bem simples. Paga uma taxa fixa de 0,5% ao mês – mais TR – a todo investidor, em qualquer banco, seja qual for o valor da aplicação (a idéia de se tributar saldos acima de R$ 50 mil surgiu em 2009, mas não vingou).


A taxa de 0,5% ao mês equivale a 6,2% ao ano, livre de impostos. Com a Selic apenas um pouco mais baixa do que o nível atual, a poupança passa a competir com fundos de investimento, possivelmente reduzindo a demanda por títulos públicos.


Na prática, portanto, a poupança define um piso para a Selic. Mesmo no nível atual, um fundo atrelado à Selic, dependendo da taxa de administração, já pode pagar menos do que a caderneta.


As ideias que têm surgido na imprensa para lidar com essa questão vão desde não fazer nada (já que a Selic pode não cruzar a barreira crítica ainda) até atrelar o rendimento da poupança à Selic, eliminando a TR. Fala-se, ainda, em uma solução provisória: reduzir a alocação da poupança ao crédito imobiliário, permitindo que os bancos comprem títulos públicos com recursos da poupança.


Há 150 anos, a poupança é sinônimo no Brasil de pé-de-meia simples e seguro. Por isso qualquer reforma é vista como tabu, especialmente se tocar no rendimento mensal de 0,5%. Em 2009, a proposta de tributação era justamente uma forma de lidar com essa questão, preservando a taxa de 0,5%.


Do Começo


Foi Dom Pedro II quem criou a Caixa Econômica da Côrte, em 1861, para “receber, a juro de 6%, as pequenas economias das classes menos abastadas”, com a garantia do governo. Os recursos eram usados para pequenos empréstimos. Em 1872, os “escravos de ganho” receberam permissão para abrir contas (em nome de seus donos). Em 1915, foi a vez das mulheres casadas – desde que o marido não se opusesse.


As regras sobre remuneração às vezes mudaram, mas a taxa de 6% continuou a ser a referência. Outras instituições de poupança foram criadas e, em 1915, o governo centralizou a fixação do rendimento. Houve tempo em que fixava taxas diferentes entre regiões do país.


Correção Monetária e Financiamento Imobiliário


Somente na década de 60 a poupança adquiriu papel importante no financiamento imobiliário. A correção monetária chegou em 1964. A partir daí, o poupador passou a receber a correção mais um juro “real” de 0,5% ao mês. E os bancos passaram a destinar 65% dos depósitos ao crédito habitacional.


No final da década de 80, por causa da inflação alta, a correção monetária passou de mensal a diária. As contas passaram a ter “aniversário” (todo mês, não todo ano). Todo dia, o Banco Central publicava um fator de correção para os próximos trinta dias. O sistema sobrevive até hoje. Desde 1991, o fator diário de correção é a TR – a Taxa Referencial.


A TR


No fim da década de 1980, a inflação galopante tornou a indexação pela inflação passada ineficaz. Surgiu como alternativa, em 1991, a TR.


A TR deriva, até hoje, de uma média diária de taxas de CDBs oferecidos pelos bancos, menos um redutor. Desde 1995, no entanto, deixou de acompanhar a inflação: mês a mês, nos últimos cinco anos a TR correspondeu a cerca de metade da variação do IPCA. A remuneração modesta levou os poupadores para os fundos de investimentos e para outras opções. Hoje, a caderneta representa 12% do M4. Era 40% no fim dos anos 80.


Reforma


A TR de 1991 e o regime tributário proposto em 2009 têm um traço comum: buscaram resolver um problema imediato, preservando a taxa mensal de 0,5%. Agora, em 2012, o governo pode fazer o mesmo, ou buscar uma solução mais duradoura.


As cadernetas de poupança e o financiamento imobiliário ainda têm ligação fraca com a política monetária no Brasil. Pode ser boa ideia dar-lhes mais proximidade. Não se trata apenas de criar espaço para o Banco Central cortar juros: uma reforma mais ampla poderia melhorar o arcabouço para o financiamento imobiliário, contribuindo para o crescimento sustentado do crédito.


(*) Economista do Banco Itaú Unibanco


Brasília, 19h12min

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25.04.2012 06:37 pm

MANTEGA DEU CHÁ DE CADEIRA DE MAIS DE DUAS HORAS NA PRESIDENTE DA PETROBRAS


A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, está na lista das 100 personalidades mais influentes do mundo, segundo a revista Time. Mas isso não a impediu de tomar um chá de cadeira de duas horas e meia do ministro da Fazenda, Guido Mantega.


Eles tinham uma conversa marcada para às 15horas. Mas Mantega só chegou à sede da Fazenda às 17h30min. Tanta demora pode ser explicada pelo tema principal do encontro: o reajuste dos combustíveis.


O ministro, que preside o Conselho de Administração da estatal, vem resistindo ao máximo endossar o aumento da gasolina e do diesel, para não pressionar a inflação e ajudar o Banco Central a continuar reduzindo a taxa básica de juros (Selic).


Brasília, 18h36min

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25.04.2012 10:29 am

GRAÇA FOSTER DEVE PEDIR A MANTEGA AUMENTO DA GASOLINA


Fontes da Petrobras garantem que a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, apresentará ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, na reunião marcada entre os dois, às 15 horas de hoje, em Brasília, uma planilha para o aumento dos combustíveis, mais precisamente da gasolina e do diesel.


Foster já vem indicando, em várias oportunidades, que não há mais como a Petrobras segurar os preços dos combustíveis, devido à insistência do barril de petróleo em se manter acima de US$ 115. Nesse valor, e com a necessidade maior de importação, a estatal está perdendo milhões de reais por dia. Somente nos últimos oito meses, a empresa trouxe de fora US$ 10 bilhões em gasolina


O governo acredita que esse pode ser um bom momento para reajustar os combustíveis, uma vez que a inflação perdeu força e está apontando para uma taxa abaixo do centro da meta, de 4,5%, neste ano, como ressaltou o próprio Ministério da Fazenda e já havia dito o Banco Central.


A Petrobras se contenta com um reajuste de 10% nas refinarias, apesar de o mercado falar em defasagem próxima de 30% nos preços. A equipe da Fazenda espera ainda poder usar a Cide para evitar o repasse para os consumidores e a inflação. Mas dificilmente conseguirá fazer milagre, pois o espaço do imposto para acomodar o aumento de preços está cada vez menor.


Brasília, 10h30min

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24.04.2012 04:44 pm

DILMA MANDA BANCO DO BRASIL REDUZIR JUROS DE VERDADE E NÃO ENGANAR A POPULAÇÃO


A presidente Dilma Rousseff ligou hoje para o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, cobrando explicações sobre matéria publicada hoje no Correio Braziliense, mostrando que a instituição não reduziu, da forma como anunciou, os juros para os consumidores.


Algunas taxas foram reduzidas sim, mas apenas para clientes especiais, que aceitaram assinar um contrato de fidelidade com o banco. Muita gente está indo às agências do BB pedir explicações sobre a propaganda estrelada pelo ator Reynaldo Gianecchini, mas está voltando para casa frustrada.


O Correio mostrou que, pelos dados captados pelo Banco Central, com base em operações de crédito informadas à instituição, os juros médios do cheque especial do BB baixaram de 8,65% para 8,62% ao mês, ou seja, o alívio foi insignificante. Já na Caixa, a taxa média do especial caiu de 8,05% para 5,09% ao mês.


Depois da cobrança de Dilma, a área de crédito do BB passou a trabalhar para efetivamente cortar juros e deixar de fazer propaganda enganosa. A presidente disse que vai cobrar, já que os jornais estão marcando cerrado essa briga do governo contra os bancos.


Brasília, 16h43min



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23.04.2012 01:03 pm

DILMA USARÁ GUERRA CONTRA BANCOS PARA DESVIAR ATENÇÃO DA CPI


POR ANA D'ANGELO


Aparentemente, a CPI do Cachoeira pegou a presidente Dilma Rousseff de surpresa. Exatamente no momento em que partia para a briga com um adversário poderoso: os banqueiros. Ela resolveu enfrentar o setor financeiro não antes de retomar as rédeas do Congresso, após aquele ensaio de rebeldia da base aliada no episódio de rejeição da sua indicação para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Dilma trocou as lideranças, num recado claro aos partidos para que não fizessem mais gracinhas para cima dela.


Os encontros oferecidos em março aos representantes sindicais dos trabalhadores e aos grandes empresários do país surtiram o efeito esperado, de mostrar que contava com o capital e o trabalho ao seu lado. Os parlamentares ficaram mansos. Como demonstração de que voltou a ter controle da situação, conseguiu aprovar no Congresso o fundo de previdência do funcionalismo e, na Câmara, a Lei da Copa. Está ainda na peleja pelo Código Florestal, que precisa ser negociado com a bancada ruralista, e com as possíveis mudanças na caderneta de poupança, a serem propostas ainda neste ano. Mas tudo dentro do script. O câmbio, que assustou bastante em fevereiro e março, já está entrando nos eixos e estabilizando num patamar que o governo considera ideal, próximo de R$ 1,90.


De novo às boas com o Congresso, a presidente decidiu enfrentar o problema das altas taxas de juros cobradas pelos bancos nos empréstimos e financiamentos aos consumidores e às empresas. É o tipo de briga que tem boa repercussão popular. Dilma tem hoje recordes de popularidade, acima da que obteve o governo de seu antecessor e padrinho, o ex-presidente Lula, no mesmo período, segundo pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana. Sua popularidade só tende a aumentar se conseguir que a banca, realmente, reduza os juros e as tarifas cobradas dos clientes. Sua última cartada foi mandar os bancos federais cortarem as taxas de administração dos fundos de renda fixa, que comem parte da rentabilidade, conforme antecipou o Correio na edição de sexta-feira.


De qualquer forma, a presidente Dilma está enfrentando interesses poderosos da sociedade, o que nenhum comandante do país encarou até hoje, nem mesmo Lula, no auge da sua popularidade. É nesse contexto que ela se depara com a CPI do Cachoeira, que pode trazer problemas políticos, justamente agora em que as relações com a base aliada estavam pacificadas.


Cutuca, vai


Na Esplanada dos Ministérios, circulam duas leituras sobre o caso. Uma, de que Dilma poderia até ficar satisfeita com a CPI, pois, até o momento, ela parece causar mais danos à oposição do que ao PT. Mesmo que sobre lama para todo lado, ainda assim a classe política é atingida e tende a ir para a defensiva. O que pode dar à presidente mais liberdade para governar. Um Congresso acuado fica humilde. Assim, ela poderá ter menos problema com a base aliada. Menos ainda com a oposição.


A questão, martelada nas últimas semanas, é que não se sabe como essa CPI vai terminar, que tem alto poder explosivo. Essa é a leitura que não agrada ao Planalto. As investigações batem na construtora Delta, já que rebate no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e nas obras para a Copa do Mundo de 2014. Enfim, pode atingir uma das vitrines da administração Dilma, que é a modernização da infraestrutura do país.


Na semana passada, como se soube, uma onça rondou a área próxima aos ministérios. As más línguas andam dizendo que é a onça que foi cutucada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira lá atrás, em 2004, que, agora, anda circulando leve e feliz por aí. Naquele ano, Cachoeira divulgou um vídeo em que ele pagava propina a Waldomiro Diniz, assessor do ministro José Dirceu na Casa Civil.


Semanas depois, a imprensa divulgou um novo vídeo, em que um funcionário dos Correios embolsava propina de empresários. O governo de Lula sangrou durante mais de um ano na crise do mensalão. A gravação foi recentemente atribuída à turma de Cachoeira. Na ocasião, foi divulgado que o então governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, teria avisado Lula da existência do mensalão. Hoje, tem-se conhecimento de que Perillo soube disso via Cachoeira.


Sintonia ameaçada


Em setembro de 2008, a revista Veja divulgou a transcrição de uma conversa do ministro do STF Gilmar Mendes com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), supostamente grampeada por gente do ex-diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, então comandando a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Lacerda caiu. O caso enlameou a imagem da PF. O áudio nunca veio a público e, em julho de 2009, a PF arquivou o inquérito, por falta de provas de sua existência.


Logo depois, a mesma PF tocava a Operação Monte Carlo, que culminou na prisão de Cachoeira há dois meses e flagrou e Demóstenes Torres de calças curtas. Coincidência ou não, são os três que participaram de episódios determinantes que desmoralizaram o governo petista e a PF. Estão caindo os três.


Embora não tenha a menor vontade de jogar mais álcool na fogueira como o ex-presidente Lula, Dilma também não pretende apontar o extintor na direção na CPI. Para não deixá-la fugir do controle, tem o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, advogado de Cachoeira, para segurar a boca do bingueiro. Ao mesmo tempo, o Planalto pretende usar a base aliada para conter os requerimentos de ampliação das investigações, de quebra de sigilos e de convocação de testemunhas.


O temor é de que os efeitos dos escândalos descobertos pela CPI possam gerar uma crise tal que afete o bom momento da economia, com inflação sob controle, juros em queda e câmbio controlado. Tudo que o governo de Dilma não quer é que a sintonia fina com que vem tocando a política econômica saia dos eixos, caso tenha que direcionar energias para estancar crises políticas surgidas no seio da CPI do Cachoeira.


Brasília,13h03min


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23.04.2012 12:01 am

JUROS DE ATÉ 688% AO ANO EM EMPRÉSTIMOS

A presidente Dilma Rousseff não escondeu a satisfação, nos últimos dias, diante do anúncio de que bancos públicos e privados haviam reduzido os juros aos consumidores. Mas, ainda que a pressão do governo tenha dado algum resultado, os brasileiros estão longe de comemorar. Quem precisa de dinheiro emprestado está sujeito a arcar com taxas de até 688,71% ao ano (18,78% mensais), cobrados pela Agiplan Financeira, conforme levantamento realizado pelo Banco Central. Se o cidadão ficar pendurado no cheque especial, correrá o risco de pagar encargos de até 275,68% anuais (10,34% ao mês) no Banco Santander.


"É preciso deixar claro que a redução dos juros dos empréstimos e financiamentos ainda está no começo. Há muito espaço para que as taxas recuem", diz o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes. Ele ressalta que o processo de barateamento do crédito será mais lento do que o desejado pela presidente Dilma, já que os bancos resistirão ao máximo em abrir mão de parte de seus lucros. A maior fatia dos ganhos do sistema financeiro, 32%, vem do que os especialistas chamam de spread. Trata-se da diferença entre o que as instituições pagam aos investidores e o que cobram dos devedores.


No Brasil, o spread médio é de 30 pontos percentuais, seis vezes maior do que os cinco pontos registrados nos países mais ricos, que integram a Organização para o Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No mundo, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), apenas o Zimbábue registra spread maior que o Brasil, com 70 pontos. "A grande pergunta que todos estão fazendo hoje é: os bancos vão continuar reduzindo os spreads? Infelizmente, não há sinais concretos de que isso ocorrerá. Mas não há outro caminho para se baixar as taxas de juros com maior vigor", diz Thadeu.


Agiotagem


Técnicos do Banco Central asseguram que, entre as grandes instituições, lideradas pelas públicas, já se percebe um movimento real de queda dos juros. Para ter acesso às taxas menores, no entanto, é preciso um amplo processo de negociação. "Mas os clientes não podem desistir. Devem cobrar a redução das taxas, se possível, apresentando aos gerentes as tabelas de encargos divulgadas em panfletos de publicidade. As instituições que resistirem devem ser denunciadas ao BC e aos Procons", aconselha um funcionário da autoridade monetária responsável pelo atendimento ao público.


Os mesmos técnicos do BC ressaltam que, no caso dos empréstimos pessoais, as maiores taxas são cobradas pelas financeiras independentes, não ligadas a bancos. E, normalmente, os que recorrem a elas já estouraram todas as linhas de crédito disponibilizadas em suas contas-corrente. "Só mesmo em situação de desespero uma pessoa aceita pagar juros de 18% ao mês", enfatiza um assessor do Ministério da Fazenda. Ele acrescenta que também as pessoas menos informadas, que não têm conta bancária, acabam sendo fisgadas "por essa agiotagem regulamentada". "E é muita gente, senão essas financeiras não estariam proliferando Brasil afora", afirma.


Apesar dos juros menores, nos financiamentos de automóveis também há exageros. Os carros financiados pelo Banco Azteca, por exemplo, têm taxas de 73,92% ao ano. Ou seja, em apenas 12 prestações, o comprador paga quase dois veículos. "Esse abuso ocorre mesmo com a instituição tendo a possibilidade de retomar o veículo em caso de não pagamento. Quer dizer: há garantia para o financiamento, o que, teoricamente, deveria jogar os encargos para baixo", assinala outro técnico do BC.


Ele não consegue entender como o Banco Ibi, que pertencia à rede de varejo C&A e foi comprado pelo Bradesco, cobra juros de 139,78% ao ano no crédito direto ao consumidor. "A única receita para que bancos e financeiras de menor porte reduzam os juros é a clientela se recusar a pagar o que cobram. Sabemos que vai demorar para que essas instituições entendam que o sistema está mudando e que o país não comporta mais taxas abusivas. Mas ou se adaptam, ou fecharão as portas", sentencia um assessor da presidente Dilma.


Brasília, 00h01min


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22.04.2012 04:13 pm

MUDANÇA NA POUPANÇA ATINGIRÁ CASA PRÓPRIA E FGTS, COM O FIM DA TR


A determinação da presidente Dilma Rousseff de mexer nos rendimentos da caderneta de poupança para facilitar a queda da taxa básica de juros (Selic) dos atuais 9% para até 8% nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) implicará mudanças em outros pontos sensíveis: o financiamento da casa própria e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).


As razões são claras. O crédito imobiliário para a classe média é bancado exclusivamente pelos depósitos na caderneta. De cada R$ 100 aplicados na mais tradicional modalidade de investimentos do país, no mínimo, R$ 65 devem ser obrigatoriamente destinados à casa própria. Além disso, as prestações são atualizadas pela Taxa Referencial (TR), que também corrige os recursos da poupança. Pelos dois projetos preparados pelo Ministério da Fazenda, para alterar o ganho da caderneta, a TR será extinta. É aí que entra o FGTS. Por lei, o dinheiro dos trabalhadores é remunerado em 3% ao ano mais a TR. A tendência é de que os depósitos feitos pelas empresas passem a ter somente a taxa fixa, compatível, no entender de técnicos da equipe econômica, com a nova realidade de juros no país.


“Todos terão de dar a sua cota de sacrifício, pois se ganhará de outro lado, com a diminuição dos juros dos empréstimos e financiamentos”, diz um assessor do Palácio do Planalto. “Não se pode esquecer que a possível diminuição do rendimento da caderneta e do FGTS será depois da vírgula. Já nos juros do crédito, o impacto é bem maior. Assim, a economia com as prestações cobrirá qualquer perda de rentabilidade”, acrescenta. Ele lembra que será esse o discurso difundido pelo governo para convencer a população de que está “fazendo o melhor para o país” e não um confisco da poupança, como houve em 1990, no governo Collor.


O Palácio do Planalto acredita que terá boas notícias a dar à classe média, que tanto preserva o patrimônio na poupança e recorre aos financiamentos habitacionais. Se a remuneração da caderneta diminuir um pouco e a TR for extinta, os juros cobrados no crédito imobiliário também poderão cair. “É com essa realidade que estamos trabalhando”, afirma um técnico do Ministério da Fazenda. A seu ver, tudo está apontando para o governo pôr fim ao entulho que ainda resta no mercado financeiro, ou seja, a indexação decorrente dos tempos de hiperinflação. “A TR é um deles”, acrescenta.


Distorção


Para o economista Carlos Thadeu de Freitas Gomes, ex-diretor do Banco Central, as mudanças propostas pelo governo são bem-vindas. Mas para que realmente a população tire proveito delas é preciso que, efetivamente, a taxa básica caia e permaneça em um patamar baixo por um longo período. E isso exige um controle efetivo da inflação. “Se os ganhos da caderneta forem realmente atrelados à Selic, como estão dizendo, em um momento de elevação dessa taxa os ganhos da poupança vão aumentar assim como as prestações da casa própria”, ressalta.


Na sua avaliação, o debate sobre mudanças na estrutura de um sistema financeiro criado para conviver com uma inflação alta é importantíssimo. Mas, a seu ver, o governo deveria propor as alterações somente a partir do segundo semestre, quando, efetivamente, os consumidores terão a exata noção se o prometido corte de juros pelos bancos públicos e privados é para valer. “Com a fraqueza atual da economia, a procura por crédito está contida. À medida que a atividade for ganhando força, a demanda por empréstimos e financiamentos se fortalecerá. É aí que poderemos ver se o anunciado barateamento do crédito foi real ou se não passou de uma campanha de marketing”, destaca.


O economista vai além. “Ainda há um longo caminho para que os juros do crédito no Brasil sejam comparados aos de países civilizados. Os bancos precisam reduzir muito o spread (diferença entre o que pagam aos investidores e o que cobram dos devedores”, diz. No Brasil, o spread médio é de 30 pontos percentuais contra cinco pontos nas nações que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne as nações mais desenvolvidas do planeta.


Brasília, 16h15min

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22.04.2012 10:30 am

VITAMINA INDUSTRIAL


POR ANTONIO MACHADO


Os industriais e muito mais o pessoal do governo, da presidente a seus ministros, se esfalfam para mostrar serviço neste momento em que se tornou evidente o que vem de anos e se agrava desde 2003: a "primarização" da economia, a reboque dos minérios, da agricultura e logo mais do pré-sal, em paralelo com o declínio da indústria.


A ficha caiu, descobrindo a anemia da indústria pelos juros e pela carga tributária, ambos excessivamente elevados, além dos custos da infraestrutura e dos aumentos salariais, com nenhum desses fatores que minaram a competitividade da produção nacional compensado — como se fazia no passado —, pelo câmbio depreciado. O governo acordou.


As providências emergenciais, tipo desoneração tributária da folha de salários, corte de juros, desvalorização cambial e novos aportes do Tesouro para reforçar o crédito subsidiado do BNDES à indústria, são bastante conhecidas. Assim como as sequelas de algumas delas.


É arroz com feijão. Lembra o chefe de polícia francês, no clássico Casablanca, mandando prender os "suspeitos de sempre" para distrair os nazistas que ocupavam a cidade e permitir a fuga do amigo Rick.


Estranho é que, há exato uma semana, a presidente Dilma Rousseff foi à Confederação Nacional da Indústria (CNI) prestigiar o lançamento de um programa, este sim, grandioso, inovador, sem contra-indicação nenhuma e efetivamente destinado a fortalecer a indústria. E é.

Falar o que desse lançamento, se nem os interessados, o governo e o empresariado, prestaram atenção? Não deviam, porque, se "não há hipótese de o Brasil dar certo sem indústria forte", como Dilma discursou, não será apenas com moeda fraca que ela vai sobreviver.


Alemanha, Japão e Coreia do Sul, potências industriais, serviram-se do câmbio, além de outros estratagemas, para fincar suas raízes fabris. Mas foi com o investimento em educação, em tecnologia de produto e de processos, em laboratórios de testes e com um massivo ensino profissionalizante que construíram os alicerces permanentes de sua indústria. A China está na transição desses dois movimentos.


Os EUA vivem o que é chamado de "renascimento industrial", graças à inovação, no que sempre foram fortes, e depois de se convencerem de que o setor de serviço, embora grande empregador, não basta para prover as demandas sociais, como Dilma também registrou na CNI.


Inspiração na Alemanha


A iniciativa que deverá oxigenar a produção é o Programa de Apoio à Competitividade da Indústria Brasileira, administrado pelo Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e com dotação de R$ 1,9 bilhão, dos quais R$ 1,5 bilhão fornecidos pelo BNDES.


O programa tem duas frentes. A primeira é voltada à prestação de serviços técnicos às indústrias em nível nacional, com a criação de 38 Institutos Senai de Tecnologia (IST), atuando em ensaios, testes laboratoriais para aferir a qualidade de produtos e metrologia.


Ao lado dessa rede, surgirão 23 Institutos Senai de Inovação (ISI) inspirados no Fraunhofer, da Alemanha, o maior centro de pesquisas aplicadas da Europa, trabalhando com todo tipo de demanda — de testes de resistência de materiais ao desenvolvimento completo de peças.


Fábricas de tecnologias


O ISI, tal qual seu similar alemão, será uma espécie de fábrica de projetos, ampliando o potencial de inovação das empresas, sobretudo de menor porte, que até então só podiam dispor do licenciamento de tecnologias. Agora, poderão desenvolvê-las com o suporte do Senai.


Dos 23 ISI, nove serão voltados à produção, quatro para materiais e componentes, um para microeletrônica, um para defesa e assim por diante. Às duas estruturas, dos 38 IST e dos 23 ISI, se adicionam a rede de 53 novos centros de formação profissional até 2014, além da compra de 81 unidades móveis de ensino, das quais 50 em operação já este ano onde haja demanda por profissionais qualificados e não tem escolas fixas do Senai, que atende 2,6 milhões de operários ao ano. A meta: 4 milhões de alunos/ano até 2014 com as 134 unidades novas.


Indústria poderá reagir


Embora privado, o projeto começou a tomar forma depois que o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, soube do Fraunhofer quando estava na pasta de Ciência e Tecnologia e entusiasmou Dilma com a ideia de replicar o sucesso alemão no Brasil. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, evangelista incansável da inovação tecnológica, abraçou a iniciativa e a CNI trabalhou para estar à frente dela.


"O programa abre o início do processo de reação da indústria", diz Coutinho. Sem falha na implantação, o país entrará num clube seleto — o da inovação, principal vacina contra males da competitividade, de moeda forte a custo salarial alto. Isso é política industrial.


A fila tem de andar


O caminho da mudança estrutural é mais promissor que caçar centavo para subsidiar a produção, se o governo não pode liderar uma ampla reforma, com corte de gasto e não só a redistribuição de encargos. Algum dia não se poderá evitar mais tais decisões. Enquanto isso, que se incentive o que deixará frutos, como a cultura da inovação.


Até agora, porém, vê-se o governo preocupado com a competitividade do que está consolidado, ignorando os empresários nascentes, da vertente dos startups de tecnologia, e os de setores tradicionais, que não crescem, embora tenham condições superiores às desfrutadas 40 anos atrás pelos grandes grupos de hoje, e nanicos na origem. A economia precisa de renovação e gente ousada. A fila tem de andar.


Brasília, 10h30min


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21.04.2012 12:05 pm

MANTEGA ESNOBA O BANCO MUNDIAL


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, adotou a prática de esnobar as reuniões de primavera do Banco Mundial. Como acontece há vários anos, Mantega só participa das discussões do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington.


Assim que as reuniões no FMI terminam, ele embarca em um trem para curtir o fim de semana em Nova York.


A falta de consideração pelo Banco Mundial tem deixado representantes de muitos países irritados, a ponto de questionarem como o Brasil pretende ser uma voz de liderança internacional se ignora os encontros que têm como objetivo principal discutir temas de relevância para as nações da região.


Brasília, 12h05min

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20.04.2012 10:55 am

DILMA ADMITE MUDAR AS REGRAS DA POUPANÇA


COM VICTOR MARTINS E CRISTIANE BONFANTI


A presidente da República, Dilma Rousseff, decidiu assumir o ônus político e vai mexer nas regras da caderneta de poupança. Para isso, convocou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para uma reunião que deve ocorrer na segunda-feira próxima. No encontro, será batido o martelo sobre a proposta a ser encaminhada ao Congresso Nacional, para que a mais tradicional modalidade de investimento do país, com remuneração fixa de 6,17% ao ano mais a variação da TR (Taxa Referencial), seja atrelada à taxa básica da economia (Selic). Dilma está decidida a levar a Selic a 8% ao ano, o que significa mais dois cortes de 0,5 ponto percentual, o primeiro na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de maio e o segundo, na de julho.


O Palácio do Planalto já preparou o discurso. Como o governo venceu a guerra com os bancos e reduziu os custos dos empréstimos e os spreads (diferença entre o que é pago aos investidores e o que é cobrado dos devedores), chegou a vez de os poupadores darem a sua cota de sacrifício no processo de se ter juros mais próximos do mundo civilizado. Segundo técnicos do governo, não se trata de confisco, mas de corrigir distorções. O modelo atual de poupança no Brasil, na visão deles, é uma herança do período de hiperinflação, quando se tentava, por decreto, preservar o mínimo de valor da moeda.


Com o projeto que será enviado ao Congresso, Dilma pretende resolver um dilema que sempre impediu a queda dos juros no Brasil. Segundo economistas ouvidos pelo Correio, não dá para levar a Selic para 8% ao ano, como deseja a presidente, sem que ocorra uma fuga em massa de recursos aplicados em fundos de investimento, os principais credores do governo. "A partir dessa taxa, os ajustes na poupança são necessários", observou Octávio de Barros, economista-chefe do Bradesco. A ideia do governo é colocar faixas de remuneração. Caso a Selic chegue a 8% ao ano, como quer Dilma, a caderneta pagaria 5,8% ao ano. Se a taxa básica da economia baixasse a um nível inferior a 4% ao ano, o Conselho Monetário Nacional (CMN) ficaria encarregado de decidir a correção da poupança. As novas regras, entretanto, valeriam apenas para novos investimentos.


"Vamos nos antecipar a todas as distorções que possam ocorrer com a Selic mais baixa. Preservaremos os fundos de investimentos e evitaremos uma fuga de recursos para a poupança, que deixaria os bancos em situação difícil", explicou um assessor do Planalto. "Por lei, as instituições financeiras são obrigadas a destinar, no mínimo, 65% dos depósitos para o financiamento da casa própria. Mas, diante de uma enxurrada de dinheiro, não teriam como fazê-lo, pois um empreendimento imobiliário pode levar até dois anos para ficar pronto. Portanto, estando desenquadrados, os bancos teriam de ser multados pelo BC", acrescentou.


Taxas de administração


A decisão de levar o projeto a frente foi tomada nesta semana pela presidente Dilma, que já tinha deixado os ministros de sobreaviso. Tanto que Tombini cancelou participação na reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, onde teria encontros na próxima segunda-feira com economistas e agentes do mercado financeiro. Mantega, que está nos Estados Unidos, deve voltar no domingo. O nome dele ainda aparece na programação do 2012 Brazil Summit, organizado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Ele falaria na segunda-feira.


Além de mudar as regras da caderneta, o governo reforçará o discurso contra os bancos para que reduzam as de administração dos fundos de investimentos. Hoje, parte dos ganhos dessas modalidades de aplicação é comido pelos encargos, que chegam a 5% ao mês. Estima-se que, após as sucessivas quedas da Selic desde agosto do ano passado, quase 40% dos fundos já registram rentabilidade inferior à da poupança. Segundo os analistas, quanto maior for a taxa de administração de um fundo e menor o período em que o dinheiro fica aplicado, mais vantajosa fica a caderneta. Isso porque há, também, sobre os rendimentos dos fundos, a cobrança de Imposto de Renda entre 15% e 22,5%. A caderneta de poupança não paga taxa de administração e é isenta de IR.


Para alcançar o objetivo, a equipe econômica usará, mais uma vez, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil a fim de pressionar o setor privado. Em entrevista ao Correio, Carlos Massaru Takahashi, presidente da BB DTVM, administradora de recursos do BB, admitiu que o banco já avalia cortar as taxas de administração dos fundos. "Com a Selic a 9%, ficamos no limiar da competitividade", disse. "Como sabemos que o Copom pode realizar novos cortes (nos juros), se isso acontecer, teremos que fazer ajustes", afirmou.


Pesquisa divulgada pela Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra que, com a Selic a 9% ao ano, a maioria dos fundos de investimento com taxa de administração a partir de 1% ao ano têm rendimento menor que a poupança. Em 16 das 20 simulações feitas, a caderneta aparece como melhor negócio (veja gráfico nesta página). "O problema é que mais de 80% das pessoas pagam taxas de administração nos fundos entre 1,5% e 2% ao mês. As mais baixas são para quem aplica acima de R$ 50 mil", observou Miguel Oliveira, vice-presidente da Anefac.


Brasília, 10h55min

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18.04.2012 08:34 pm

QUE VENHA A ATA DO COPOM


O Banco Central seguiu à risca o que seu presidente havia prometido à presidente Dilma Rousseff: a taxa básica de juros caiu de 9,75% para 9% ao ano. Pelo simples comunicado divulgado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), o BC não se comprometeu com mais nenhum corte da Selic.


A tendência é de os 9% permanecerem intocáveis até pelo menos a segunda metade de 2013, quando a autoridade monetária terá um quadro completo da inflação, que ameaça se assanhar no próximo ano. Agora, é aguardar a ata para que o Copom explicite o seu pensamento.


O BC deu motivos de sobra para o governo comemorar: o Brasil deixou de ter a maior taxa real de juros do mundo. Foi ultrpassado pela Rússia. Veja quadro abaixo:


1º Rússia    4,2

2º Brasil    3,4

3º China    2,9

4º Colômbia    1,8

5º Indonésia    1,7

6º Hungria    1,4

7º Filipinas    1,4

8º Chile    1,2

9º Austrália    1,1

10º Suíça    1,0


Fonte: Cruzeiro do Sul Corretora



A seguir, a íntegra da nota do Comitê de Política Monetária: "O Copom considera que, neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação. O Comitê nota ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária. Diante disso, dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 9,00% a.a., sem viés".


Brasília, 20h34min

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18.04.2012 03:00 pm

NO PLANALTO, TOMBINI "É O CARA"


Com os bancos privados sob controle (todos os grandes anunciaram redução dos juros, como queria o governo), as atenções do Palácio do Planalto se voltaram hoje para o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O motivo é óbvio: hoje, será definido mais um corte da taxa básica de juros (Selic).


A expectativa de todos, sobretudo da presidente Dilma Rousseff, é de que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, cumpra o que prometeu há alguns dias: baixar a Selic em 0,75 ponto percentual, de 9,75% para 9% ao ano.


No entorno de Dilma, por sinal, Tombini é visto como herói. Primeiro, porque está deitando e rolando sobre o mercado financeiro, ao acertar todas as previsões de que a atividade estava mais fraca do que o imaginado e que a inflação cairia com força. Segundo, porque está mudando o jeito de fazer política monetária no país. Está mostrando que não há porque o Brasil conviver com juros tão elevados. Está reforçando que, mesmo com os juros em queda, a inflação está baixando. E mais: está indicando que a política monetária vai muito além da Selic, dada a força das medidas macroprudenciais.


Assessores de Dilma dizem, inclusive, que muitos citam o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, como o "queridinho" da presidente. Ela realmente o tem em alta conta. Mas, para Dilma, Tombini se tornou uma referência. Na linguagem de Barack Obama, o presidente do BC "é o cara" para Dilma.


Brasília, 15h01min

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18.04.2012 11:41 am

DILMA VENCE A GUERRA CONTRA OS BANCOS PRIVADOS. E COMEMORA


A presidente Dilma Rousseff está eufórica. Assim que foi informada, há pouco, que os dois maiores bancos privados do país, Bradesco e Itaú Unibanco, não resistiram à pressão e reduziram as taxas de juros cobradas de consumidores e empresas, comemorou. Ela assegurou que sabia que não era interessante para as instituições privadas ficarem como vilãs junto à opinião pública e, sobretudo, perder mercado para o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, em campanha maciça para atrair a clientela insatisfeita com o crédito caro.


Para o governo, diante das últimas notícias ruins da economia (queda do PIB em janeiro e fevereiro, redução do ritmo de criação de empregos formais e a possível perda da sexta posição de maior economia do mundo), nada melhor do que afagar a parte mais sensível das pessoas: o bolso.


Dilma está convencida de que, com crédito mais barato, os consumidores e as empresas vão trocar suas dívidas por débitos com juros mais baixos e, assim, abrirem espaço para consumo e investimentos. Com isso, comércio e indústria voltarão a funcionar a pleno vapor, a tempo de salvar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. O governo quer, porque quer, crescimento de, no mínimo, 4%. Mas a maioria dos analistas fala em avanço inferior a 3%.


Resta saber se o anúncio dos bancos privados, de juros menores, não passa de mera campanha de marketing e um instrumento para fugir da pressão do governo.


Brasília, 11h42min

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18.04.2012 11:16 am

DEIXANDO CLARO O CORTE DE 0,5 PONTO NA SELIC


POR ANDRÉ PERFEITO (*)


Foi com algum espanto que recebemos a absoluta unanimidade dos economistas quanto a magnitude do corte de hoje, estimado em 0,75 ponto percentual, na reunião de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom). Ontem, estressamos a maioria, ao expôr os pontos que nos levam a pensar em um corte menor. Mas levando em conta que um call tão “fora da curva” sempre é polêmico, resolvemos reapresentar os principais motivos.


Em primeiro lugar, muita coisa aconteceu entre a última reunião do Copom e esta, com medidas por parte da Fazenda para incentivar a economia. Essas novas medidas devem ser levadas em conta pela diretoria do Banco Central nesta reunião, o que deve, no nosso entendimento, fazer voltar ao antigo planejamento de cortes de 0,50 ponto interrompidos na última reunião, com o corte de 0,75 ponto.


O segundo motivo é mais explícito. O Ministério da Fazenda colocou em prática uma política de redução dos spreads via bancos públicos, que terá um efeito análogo a um afrouxamento monetário. Logo, a Fazenda entrou no campo do BC e atravessou a instituição no que tange às prerrogativas da autoridade monetária. O próprio colegiado do Copom, na última ata, disse – explicitamente – que trabalha no seu cenário central com expansão moderada do crédito e que via como oportuna o fim de subsídios ao crédito. No parágrafo 27 o documento diz:


“O Copom destaca que o cenário central também contempla expansão moderada do crédito. Ainda sobre esse mercado, o Comitê considera oportuna a introdução de iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.”


Mais claro e direto impossível. Nesse sentido, como a Fazenda atropelou o BC na sua área, seria o caso de a autoridade monetária moderar o discurso expansionista e, com isso, dar sobrevida à Selic como instrumento.


Entraremos em um terreno difícil caso o BC corte de uma vez a Selic para 9% ao ano. Se fizer isso, ele e nós perderemos como referência a taxa básica para coordenar as expectativas, uma vez que, atingindo 9%, os juros devem permanecer nesse patamar por um bom tempo. Restará os instrumentos de comunicação (Ata, Relatório Trimestral, etc...) e as famigeradas medidas macroprudenciais que, apesar do nome pomposo, são tão amplas quanto desconhecidas. Fazer política monetária será um exercício muito diferente do quem sendo feito até agora.


O terceiro motivo é mais sutil, mas não menos poderoso. Sem querer faltar com respeito com a autoridade monetária, e quem lê nossos relatórios sabe que temos grande apreço pelo corpo técnico do BC, mas boa parte do mercado simplesmente não acredita mais que o sistema de metas esteja sendo cumprido de maneira integral pelo BC. Essa leitura, a nosso ver, é absolutamente equivocada, mas não cabe aqui reclamar dessa opinião “errada” do mercado, apenas constatar sua validade na formação de preço.


Acreditamos que o BC e a Fazenda estejam trabalhando juntos e no sentido correto: o governo tem entregado resultados fiscais positivos e o BC tem feito o possível para comandar os juros de maneira correta (e, nesse sentido, acertou muito mais que o mercado ao começar a cortar a Selic em agosto do ano passado, e imaginem onde estariam o câmbio e a atividade se o ciclo de aperto tivesse continuado como parte do mercado queria?). O problema é que o mercado, apesar dos esforços reiterados da autoridade monetária, não consegue acreditar em juros menores por um período prolongado.


O BC vem fazendo um trabalho muito importante ao apontar que a taxa de juros neutra recuou de forma significativa nos últimos anos, mas, fora poucos economistas, a maioria dos analistas vê como certa a volta da inflação e, com isso, a resposta altista dos juros.


O momento é de transição de patamares de juros, e isso, naturalmente, gera nervosismo, que, por sua vez, eleva a percepção de risco e a preferência dos agente pela liquidez. Ao cortar “apenas” 0,50 ponto seria um jeito de criar a independência em relação à Fazenda, que avançou sobre o BC na questão dos spreads e, também – como se diz coloquialmente –, jogar água na fervura. Se o cenário tem sido favorável ao BC neste inicio de ano, essa situação pode se inverter com relativa segurança no futuro e este mesmo mercado que, de forma quase cínica, vê a Selic em 8,50% neste ano, irá cobrar acima dos dois dígitos com a mesma velocidade.


Mas, como se diz, o que está feito está feit,o e o corte de 0,75 ponto está contratado. Só insistimos, nesse caso especifico, que a diferença entre 0,75 e 0,50 ponto é maior do que 0,25.


(*) Economista-chefe da Gradual Investimentos.


Brasília, 11h15min

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17.04.2012 11:20 am

JORNALISMO DE LUTO


Morreu, na madrugada de hoje, o jornalista Eduardo Santa Maria, 80 anos. Com uma carreira brilhante, foi um dos fundadores do Correio Braziliense. Ele se mudou do Rio de Janeiro para Brasília em 1959, com a equipe responsável para lançar aquele que seria o maior jornal diário da capital do país.


Desses tempos, por sinal, Santa Maria fazia questão de contar histórias envolvendo o então presidente Juscelino Kubitschek, que, depois de dar expediente no Palácio do Planalto, passava pela redação para acompanhar o fechamento das edições, sem, no entanto, fazer qualquer tipo de censura às notícias. Depois, acompanhava a tropa de jornalistas pela noite.


Santa Maria participou de coberturas históricas, como a deposição do ditador de Cuba Fulgêncio Batista e a ascensão ao poder de Fidel Castro. Entrevistou John Kennedy assim que ele tomou posse como presidente dos Estados Unidos.


Além do Correio, Santa Maria passou pelos jornais Última Hora, Jornal do Brasil e O Dia. Ele lutava há mais de 10 anos contra o mal de Alzheimer. Deixou a viúva Elza Santa Maria, os filhos Eduardo e Paula e cinco netos. Santa Maria será sepultado ainda hoje no Cemitério das Charitas, em Niterói.


Brasília, 11h20min

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15.04.2012 12:01 am

APOIO COM RESSALVAS


POR ANTONIO MACHADO


Encantado com o Rio de Janeiro, definindo como “glorioso” o pouco tempo que ficou na cidade no início de março, depois de uma palestra e de se atualizar sobre a economia brasileira, o economista Jim O’Neill, do Goldman Sachs, criador do acrônimo BRIC, disse em seu informe mensal que mantém as melhores expectativas sobre o país.


“Como alguém pode duvidar do “B” de BRIC?”, indagou, referindo-se à sigla também formada pelas iniciais de Rússia, Índia e China - e mais o “S” de África do Sul (South Africa), depois que os governos dessa sopa de letras decidiram reunir-se como um bloco geopolítico, levando a sério o que O’Neill só criara para ilustrar a visão sobre a ascensão, em 20 anos, das quatro maiores economias emergentes.


Por precisão, a Rússia, sucessora da União Soviética, não é bem um país emergente. Mas isso não vem ao caso. Importa o entusiasmo, mas com ressalvas, que expôs em seu informe sobre o Brasil, incluindo o registro de que passou “metade do tempo” falando de futebol, com direito a uma camisa autografada de Neymar, o astro do Santos.


Ele manifestou estranheza com o ceticismo de “larga parte da base de investidores brasileiros”, embora, com elegância, citou o ditado segundo o qual nunca se deve dar ouvido a quem fala sobre a própria economia. O que O’Neill ouviu diz respeito ao tempo perdido quanto ao que já deveria ter sido feito para elevar a taxa de crescimento potencial da economia. “A visão consensual durante anos foi de que o crescimento potencial [do Brasil] seria, no melhor cenário, de 4%”, disse. “Agora, isso parece ter descido para abaixo de 4%.”


O’Neill não é um palpiteiro qualquer, mas um dos mais influentes formadores de opinião no mercado internacional sobre o futuro dos países e as grandes tendências. Atualmente, é o chairman da área de administração de recursos do Goldman Sachs, além de chefe global de pesquisas do banco. Melhor que ele sustente, como bancou, a aposta de que, “exceto por um choque externo e com inflação mantida baixa e estável”, há mais chances de o país “surpreender positivamente” na década que o contrário. “A economia crescer 4% é muito viável.”


Na contramão do sucesso


O’Neill não descarta taxas maiores de crescimento econômico para o país. Ou não teria registrado ter ouvido de um interlocutor que em 2013 a expansão do PIB pode chegar a 5%/6%, embora, segundo ele, a mesma pessoa se mostrasse “bastante negativa” sobre o longo prazo.


Ele diz estar claro que o governo tem “muito interesse” em usar os gastos (supõe-se que se refira ao gasto público) como “ferramenta permanente para tentar impulsionar o crescimento”. Não é o melhor caminho, como ironizou: “O Brasil quer ser mais como a China, tanto quanto a China quer ser menos como a China”. Para O’Neill, isso é o oposto de para onde as políticas públicas deveriam encaminhar-se.


Coréia do Sul é o modelo


É interessante a visão de O’Neill. Apesar da fama do Goldman Sachs de o mais esperto entre os bancos de investimentos globais, nele há também um viés estrutural. É o caso do Growth Environment Scores (GES), um índice criado para acompanhar os BRIC e que hoje monitora 180 países a partir de um conjunto de 13 indicadores em cinco áreas – da estabilidade econômica (inflação, déficit fiscal) às condições da macroeconomia (taxa de investimento, grau de abertura), além das capacidades tecnológicas (penetração de internet, de telefonia), do nível de educação e expectativa de vida e das condições políticas.


Nesse indicador, Coréia do Sul tem, de 0 a 10, a maior nota, 7,5, comparada, por exemplo, a 6,9 dos EUA. Segundo O’Neill, se o Brasil seguisse “mais por este caminho”, como os demais BRIC e os Next—11, os emergentes seguintes em ascensão, “poderia atingir, facilmente, 5% a 6% como tendência de crescimento” sustentado.


Quem pensa como O’Neill


Em síntese, trata-se de investir mais para o futuro, da educação à infraestrutura e à tecnologia, e consumir menos no presente. A ala desenvolvimentista, de fato, do governo Dilma Rousseff pensa igual.


Se ela se permitisse sair da caixa, poderia discutir algo sugerido por O’Neill sobre o real valorizado. “Um real forte”, disse ele, “é infinitamente preferível ao dilema histórico do Brasil com moedas” - e foram inúmeras as crises cambiais que enfrentamos. Além disso, afirmou, moeda forte não “é barreira para os grandes exportadores, como Alemanha e Japão”. É vero, embora haja nuanças. A Panasonic, e o exemplo é dele, moveu suas fábricas do Japão. O câmbio tem de ser depreciado. Mas O’Neill está certo ao sugerir que só isso é pouco.


BC é ‘tipo-australiano’


Agora, quem está forte entre os estrategistas internacionais como O’Neill é o Banco Central heterodoxo de Alexandre Tombini. Ele diz ter ouvido de interlocutores brasileiros que o BC está se afastando do regime de metas de inflação, algo que, pontuou, “se for verdade, muito me incomodaria”. Mas O’Neill acha que há exagero na crítica.


“Gostaria de saber se, na verdade, eles estão se tornando mais [um BC] ‘tipo-australiano’ do que ‘tipo-neozelandês’ na sua abordagem”, propôs. Ambos adotam o modelo de meta de inflação, mas na Austrália há mais flexibilidade quanto à meta central que na Nova Zelândia. E arrematou: “Até agora, parece-me que eles têm sido muito sensíveis, e o último dado de inflação a mostrou em desaceleração maior do que a esperada”. O’Neill já havia sugerido, ao passar pelo Rio, o corte da Selic, acompanhado de aperto fiscal, como “melhor solução” para resolver “de uma vez”, segundo sua ênfase, a valorização cambial.


Brasília, 00h01min

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14.04.2012 09:03 pm

TOMBINI JÁ AVISOU A DILMA QUE JUROS VÃO CAIR PARA 9% NA QUARTA-FEIRA. DEPOIS DISSO, SÓ O TEMPO DIRÁ


A presidente Dilma Rousseff já foi avisada pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que o Comitê de Política Monetária (Copom) sacramentará, na próxima quarta-feira, o corte de 0,75 ponto percentual da taxa básica de juros (Selic), de 9,75% para 9% ano, como espera todo o mercado financeiro.


Tombini deixou claro, também, segundo interlocutores de Dilma, que a tendência do Copom será a de encerrar o processo de afrouxamento monetário, para que o BC possa avaliar, com cuidado, todos os efeitos dos estímulos dados à economia. A instituição acredita que, já no segundo semestre deste ano, a atividade estará respondendo a todos os incentivos, o que tende a impactar a inflação, mesmo que com pequena intensidade.


O BC já dispõe de números mostrando que o primeiro trimestre foi ruim para a economia, a despeito das ações tomadas pelo governo: juros em baixa, maior facilidade para o crédito e incentivos à indústria, como o corte do IPI sobre produtos da linha branca. Essa fragilidade, por sinal, será reforçada pelo próprio BC por meio do seu índice de atividade (IBC-br), que, nas contas do economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank (BES), Jankiel Santos, teria caído 0,4% em fevereiro, a segunda retração mensal seguida.


Jankiel endossa, por sinal, a redução de 0,75 ponto da Selic na próxima semana. "Em nossa opinião, não faria sentido acelerar o ritmo de baixa dos juros, como fizeram em março passado, para pisar no freio logo depois", diz. Ele ressalta que, apesar da importância da decisão, acredita que o aspecto mais relevante da reunião será o comunicado do Copom que a revelará. "Afinal de contas, se o BC pretende se manter fiel a sua sinalização, deveria anunciar que o corte da próxima semana será o último do atual ciclo de redução", acrescenta.


Para Jankiel, as expectativas de inflação dos agentes de mercado continuam sinalizando um resultado acima do centro da meta, de 4,5%, e o comportamento dos núcleos inflacionários também apontam para a mesma direção, o que deveria frear qualquer afrouxamento monetário. "Contudo, o BC afirmou, na ata da reunião anterior do Copom, que a taxa básica de juros será reduzida para um patamar ligeiramente acima do mínimo histórico (8,75% ao ano)", frisa.


No entender do economista do BES, caso a autoridade monetária não sinalize o fim do ciclo de cortes da Selic de maneira explícita, os agentes econômicos passarão a incorporar novas reduções, especialmente diante da obsessão do governo brasileiro em garantir uma expansão econômica de pelo menos 4% neste ano. "Contudo, é importante ter em mente que os efeitos dos recentes incentivos ainda não se materializaram e deverão se somar às pressões inflacionárias correntes. Por esse motivo é que julgamos ser importante o BC deixar muito claro que não irá conceder estímulo monetário adicional", enfatiza Jankiel.


Brasília, 21h04min

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14.04.2012 07:12 pm

"AMÉRICA LATINA APRENDEU A LIÇÃO DA CRISE", DIZ ALICIA BÁRCENA, DA CEPAL


Vale refletir sobre o discurso da secretária executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena, na abertura da VI Cúpula das Américas, que se realiza em Cartagena das Índias, Colômbia. Ela destacou que, em 2012, a crise da dívida que arrasou a América Latina está completando 30 anos. A década de 80, lembrou ela, foi totalmente perdida e os custos sociais ainda são sentidos até hoje.


Felizmente, disse Bárcena, a região se tornou, atualmente, uma fonte de lições sobre como enfrentar uma grande recessão mundial, como a advinda dos países ricos, com resiliência econômica e social. Para ela, a América Latina aprendeu a ser prudente do ponto de vista macroeconômico e progressista na área social, ao aplicar medidas anticíclicas diversas, desde moderadas e transitórias até estruturais, que evitaram, sobretudo na última década, custos sociais irreversíveis.


No entender de Bárcena, graças à ação dedicida dos governos, a América Latina tem visto diminuir  o número de pessoas que vivem na pobreza, de 48,4% (1990) para 30,4% (2011). A extrema pobreza ou indigência caiu, no mesmo período, quase 10 ponto percentuais, de 22,6% para 12,8% da população, ao mesmo tempo em que foram criados empregos de qualidade.


A secretária executiva da Cepal chamou, porém, a atenção para os ainda baixos níveis de investimentos na América Latina, de apenas 20% do Produto Interno Bruto (PIB), contra 40% na Ásia e no Pacífico. Ela também pregou maior ampliação do comércio intrarregional, hoje pouco explorado. Pelas suas contas, as trocas comerciais entre os países latinos representam somente 19% do total, enquanto na Ásia e no Pacífico chegam a 48% e na Europa, a 54%. "É preciso estimular o comércio Sul-Sul", afirmou.


Para Bárcena, o avanço dos países emergentes na economia mundial é irreversível. Até 2016, essas nações responderão por 53% do PIB global.


Brasília, 19h12min

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13.04.2012 06:30 pm

A INDÚSTRIA AINDA PATINA


O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) traça um quadro nada animador para o setor produtivo neste ano. Com base no que já se viu nos dois primeiros meses, projeta avanço de apenas 2% para 2012, resultado que, se confirmado, será uma total decepção, visto que, no ano passado, a indústria ficou estagnada, cresceu mero 0,3%.


No entender do Iedi, o resultado fraco do primeiro bimestre vale tanto para a produção quanto para o emprego industriais. No primeiro caso, a queda de 1,5% em janeiro foi seguida de um aumento de 1,3% em fevereiro (ambas as taxas relativa ao mês imediatamente anterior). Vale observar que esse resultado de fevereiro decorreu, sobretudo, do desempenho positivo das atividades industriais no Rio de Janeiro (3,7%), em Minas Gerais (3,0%) e em São Paulo (1,5%).


"À primeira vista, parece que a indústria nacional começou uma retomada, mas os resultados devem ser interpretados com muito cuidado, pois o desempenho recente da produção industrial nesses estados não é nada favorável. No caso de São Paulo, a alta de 1,5% em fevereiro “devolve” a queda de 1,0% registrada em janeiro. Já, para o Rio, isso não ocorreu, pois a retração em janeiro foi de 6,2% (após um recuo também expressivo em dezembro de 2011, de 3,4%). No caso de Minas, apesar de o crescimento de 3% mais que compensar a queda de 1,1% de janeiro, não repõe a retração de 2,6% de dezembro último", ressaltam os economistas do Iedi.


Por isso, frisam os economistas, é cedo para dizer que há uma retomada da produção no país a partir dos dados de fevereiro. Segundo eles, os números do IBGE ainda apontam para uma trajetória de retração da atividade industrial. Ao se tomar as taxas de variação de determinado mês contra o mesmo mês do ano anterior, por exemplo, observa-se que a evolução da produção está piorando no Brasil (–1,6%, –2,2%, –2,7%, –1,3%, –2,9%, –3,9%, respectivamente de setembro de 2011 a fevereiro deste ano) e, particularmente de modo mais sensível, nos três principais estados industriais. Mantendo o mesmo período de setembro de 2011 a fevereiro deste ano, a atividade vem caindo fortemente em São Paulo (–3,9%, –4,5%, –5,0%, –3,3%, –5,4%, –6,6%), no Rio de Janeiro (0,2%, –2,0%, –3,4%, –2,1%, –9,2%, –8,9%) e em Minas (–5,8%, –3,6%, 2,5%, –2,8%, –2,5%, –1,1%).


Quanto ao emprego industrial, o número de ocupados na indústria brasileira apresentou ligeiro aumento de 0,1% em fevereiro com relação a janeiro, a partir da série de dados com ajuste sazonal publicada pelo IBGE. Para o Iedi, é um resultado tímido, que não se opõe fortemente à evolução desfavorável do emprego industrial observada nos últimos meses (–0,4%, –0,5%, –0,1%, 0,1%, –0,2%, respectivamente, de setembro de 2011 a janeiro deste ano) e que não aponta, de forma inequívoca, para uma retomada da ocupação na indústria. "Portanto, ainda que positivo, o comportamento do emprego industrial em fevereiro também deve ser tratado com cautela", destacam os economistas do Iedi.


Para os próximos meses, os indicadores de evolução do emprego não são claros. O número de horas extras, por exemplo, apresentou um bom crescimento em fevereiro com relação a janeiro, de 1,3%. Mas, havia caído em janeiro 0,1% e não vinha apresentando bons resultados desde setembro do ano passado.


Um crescimento mais persistente do número de horas extras nos próximos meses poderá indicar o começo de uma retomada do emprego industrial no Brasil. "No entanto, a trajetória recente da ocupação industrial não é nada favorável e não permite apontar para uma reação do mercado de trabalho ligado à indústria, sobretudo ao se considerar o que vem ocorrendo em São Paulo", destacam.


Brasília, 18h30min

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22.03.2012 12:30 pm

DESEMPREGO NÃO PREOCUPA

No dia em que recebe o PIB do país no Palácio do Planalto para debater medidas que estimulem os investimentos produtivos, ampliem a oferta de empregos e deem novo fôlego à economia, a presidente Dilma Rousseff teve uma notícia nada agradável: a taxa de desemprego de fevereiro voltou a subir, de 5,5% para 5,7%, conform cálculos do IBGE.


Mas, apesar do resultado, o economista Felipe Queiroz, da Austin Rantings, garante que o governo não precisa se preocupar. Por trás da elevação da taxa, há dados animadores, conforme ele levantou. Vamos a eles:


i) A taxa de desocupação brasileira é a menor da série histórica para o período.


ii) o mercado doméstico se mantém aquecido, diferentemente dos países desenvolvido.


iii) O mercado de trabalho norte-americano se recupera em ritmo lento.


iv) Hoje, o Brasil registra taxa de desemprego semelhante às dos países desenvolvidos antes da crise de 2008 e 2009. A Zona do Euro registrou em dezezembro de 2011 mais de 10%. Somente o Japão, está com taxa de desemprego menor que a do Brasil.


v) A recuperação da Zona do Euro, principalmente os PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha), deve ser lenta, pois, com taxa de desemprego elevada e os governo não podendo gastar, não há consumo, e sem consumo, não há produção. Sem produção, não se cria emprego. Assim, as perspectivas não são nada positivas para os europeus por um bom tempo.


Brasília, 12h30min


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22.03.2012 11:30 am

IPCA15 ABRE ESPAÇO PARA REAJUSTE DA GASOLINA


Surpreendente. É assim que o economista do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, define o resultado do IPCA-15 de março, divulgado hoje pelo IBGE. O índice, que funciona como uma prévia da taxa oficial de inflação do país, registrou alta de 0,25%. Foi uma redução expressiva, tanto em relação ao 0,53% apurado em fevereiro, quanto ao 0,60% de março de 2011. Com isso, no acumulado em 12 meses, o indicador mostrou mais uma desaceleração, passando de 5,98%, em fevereiro, para 5,61%. No acumulado do 1º trimestre do ano, chegou a 1,44%, 0,43 ponto percentual abaixo do 1,90% projetado pelo Banco Central no Relatório de Inflação divulgado em dezembro do ano passado.


"O número foi realmente surpreendente, ficando abaixo tanto do piso das projeções do mercado, de 0,32%, quanto da nossa, 0,35%. Quando olhamos o resultado aberto não podemos identificar um grupo responsável por essa surpresa, pois boa parte dos grupos veio abaixo do esperado", diz Leal. Segundo ele, olhando para os itens, é preciso chamar a atenção para alguns pontos específicos que, sem dúvida, contribuíram para o recuodo IPCA-15: i) alimentação fora do domicílio, 0,22% contra 0,58% esperado e ii) aluguel residencial, 0,45% ante 1,25%. Cada um deles contribuiu com 0,03 ponto percentual para a desaceleração da taxa. Coincidentemente, ambos estão no grupo de serviços.


Leal destaca ainda outro item desse grupo que ajudou para a perda de fôlego da inflação, apesar de seu peso reduzido no cálculo do índice: condomínio, com alta de 0,48% frente o 0,74% esperado. "Por outro lado, o representante típico dos serviços, o item empregado doméstico, apresentou variação de 1,38% contra o 1,28% esperado. Esse resultado, junto com a alta de 1,35% das passagens aéreas, não deixou o grupo de serviços apresentar variação menor. Obviamente, o 0,51% apurado representa um grande alívio em relação ao 1,38% de fevereiro, que estava inflado pelo impacto do aumento das mensalidades escolares.", ressalta o economia.



De qualquer maneira, afirma Leal, retirando esse impacto, o resultado do mês anterior teria ficado em 0,62%, 0,11 ponto percentual acima deste mês. "Número ainda mais animador veio da média dos núcleos, que passou de 0,53% para 0,32% (a menor variação desde agosto de 2010), o que puxou o acumulado em 12 meses para 6,26%, ficando abaixo do teto da meta pela primeira vez desde junho de 2011", diz.


 


Leal vai além: "O resultado foi bom e, desta vez não há poréns. Não tivemos nenhum ponto fora da curva que poderia ser o responsável pela surpresa para baixo. Os núcleos vieram surpreendentemente baixos e o resultado dos serviços, se não pode ser considerado tranquilizador, uma vez que 0,51% anualizado representa uma inflação de 6,3%, também não pode ser considerado um resultado ruim. Principalmente, porque mostrou uma desaceleração razoável com relação ao mês anterior, mesmo expurgado do impacto das mensalidades escolares. Por conta  desse resultado, revimos a nossa projeção para o fechamento do mês de 0,45% para algo entre 0,35% e 0,40%, o que, se estiver correto, levaria a inflação ao fim do primeiro trimestre para algo próximo de 5,40% no acumulado em 12 meses, 0,50 ponto  abaixo do esperado pelo BC em dezembro de 2011", destaca.


Sendo assim, acredita Leal, talvez seja a hora de a Petrobras pensar seriamente um elevar os preços dos combustíveis. "Um aumento em torno de 10% na refinaria (o que reduziria pela metade a defasagem estimada) teria impacto de em torno de 0,40 ponto no IPCA, o que seria mais do que compensado pela folga que o BC ganhou nesse 1º trimestre, acabando com essa discussão, melhorando as perspectivas para a empresa, retirando um dos empecilhos para que o mercado de etanol volte a funcionar melhor e contribuindo para que tenhamos uma ajuda no controle da inflação dos serviços, via redução da renda disponível", conclui.


Brasília, 11h32min


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22.03.2012 10:57 am

EXEMPLO PARA OS BANCOS


Uma ação como essa é preciso registrar: a organização ambientalista WWF-Brasil e o Banco do Brasil se uniram para ajudar instituições financeiras a enfrentarem os desafios da incorporação do tema biodiversidade e de serviços ecossistêmicos em decisões de empréstimo. A meta é que o sistema bancário só financie empreendimentos que preservem o meio-ambiente.


Para isso, a WWF e o BB realizam o workshop “Biodiversidade para Bancos” nesta quinta, Dia Mundial da Água, e na sexta, em São Paulo. O evento foi aberto pelo vice-presidente de Gestão de Pessoas e Responsabilidade Socioambiental do BB, Robson Rocha, e pela secretária-geral do WWF-Brasil, Maria Cecília Wey de Brito.


Brasília, 10h57min

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19.03.2012 12:01 am

SELIC DEVE FICAR EM 9% POR PELO MENOS DOIS ANOS

Quem se surpreendeu com a nova postura do Banco Central, mais transparente na sua comunicação com os mercados, deve se preparar para o que está por vir. Se forem mantidos os passos dados em janeiro — quando o Comitê de Política Monetária (Copom) informou, claramente, que a taxa básica da economia (Selic) continuaria caindo, e neste mês, quando fixou um piso para os juros, de 8,75% ao ano —, a tendência é de que, em abril, sinalize aos analistas que manterá o indicador inalterado por pelo menos dois anos. Isso mesmo. O BC deverá dizer que, depois de cortar mais 0,75 ponto percentual da Selic no mês que vem, de 9,75% para 9%, não mexerá nos juros por um bom período.


Para Carlos Thadeu Filho, economista da gestora de recursos Franklin Templeton, ao seguir nessa direção, o BC brasileiro incorporará de vez o jeito Fed de ser. Ou seja, adotará, totalmente, a cartilha do Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos. A autoridade monetária norte-americana já avisou que a taxa básica local ficará oscilando entre zero e 0,25% ao ano até o fim de 2014, quando se espera que a maior economia do planeta esteja caminhando a todo vapor.


É bom que fique claro, no entender de Thadeu, que, ao incorporar o figurino da instituição comandada por Ben Bernanke, o BC de Alexandre Tombini ampliou o sistema de metas de inflação do Brasil, que, além da missão de manter os preços dentro das metas fixadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), focará o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).


O objetivo do BC brasileiro, ao mudar o estilo adotado até 2011, é ancorar as expectativas dos agentes econômicos. Ao indicar que manterá a Selic em 9% ao ano por um período prolongado de tempo, fará com que os investidores que atuam no mercado futuro de juros derrubem as taxas. Como esse segmento serve de parâmetro aos bancos para a formação do custo dos empréstimos e financiamentos às empresas e aos consumidores, o crédito ficará mais barato tanto para os investimentos produtivos quanto para o consumo. Dois pontos vitais para estimular o avanço do PIB, como quer a presidente Dilma Rousseff.


Ferramentas à disposição


Entre os auxiliares de Tombini, a conversa mais frequente é sobre a visão de alguns especialistas de que “o novo BC” teria rasgado o sistema de metas de inflação. Os técnicos garantem que não há a menor possibilidade de isso acontecer. Para eles, os analistas precisam se conscientizar de que a autoridade monetária dispõe de muitas ferramentas macroprudenciais para combater a alta dos preços. Uma delas, fechar a torneira do crédito, como se fez em dezembro de 2010. No caso do esperado aumento da gasolina, o Ministério da Fazenda tem condições de zerar a Cide e permitir um aumento de 8% nas bombas dos postos sem que isso impacte o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O BC está convencido de que, com a Selic a 9% ao ano, chegou-se próximo aos juros de equilíbrio, em que a atividade pode crescer entre 4% e 5% ao ano sem que a inflação fique muito distante do centro da meta, de 4,5%. Como, pelos cálculos da autoridade monetária, o PIB brasileiro vem se expandindo a um ritmo inferior a 3% ao ano, e o mundo fraquejará por um bom período, as pressões inflacionárias vão diminuir. O BC vê o IPCA deste ano rodando abaixo do centro da meta. Para 2013, a estimativa é de um índice na casa de 5%. Mas, segundo Thadeu Filho, é bem provável que feche o próximo ano em 4,8%.


Distorções e tsunami


O BC não fala oficialmente, mas não endossa a visão dos analistas de que a economia vai se recuperar mais consistentemente nos próximos trimestres. Tanto que acelerou o corte da Selic, mesmo com dois diretores discordando desse movimento. “Que a atividade ganhará força, não temos dúvida. Mas não será na velocidade esperada. Demorará um pouco mais de tempo”, ressalta um auxiliar de Tombini. Sobre a divisão do BC, ele ressalta que todos os integrantes do Copom reconhecem que é preciso derrubar a Selic para dar um novo gás à economia e para corrigir as distorções que estimulam o tsunami de dólares para o país. “A divergência só está no tempo do corte”, frisa.


E mais: o BC acredita que, nos próximos dois anos, a grande preocupação das autoridades monetárias não será com a inflação, mas com o crescimento econômico. Por isso — e com os preços ancorados — será possível indicar ao mercado como será a política monetária em um prazo mais longo, ação que terá de ser incorporada, sem traumas, mesmo que, em 2013, por exemplo, o Copom tenha de elevar a Selic.


Modelo esgotado


Na avaliação dos auxiliares de Tombini, o BC, até agora, acertou em todos os seus diagnósticos da economia. E para quem ainda não percebeu um outro sinal dado pelo governo, eles ressaltam que é bom prestar atenção na ordem dada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal, para que reduzam juros e ampliem a oferta de crédito. Além de as empresas estarem receosas em tomarem financiamentos para ampliarem a produção, detectou-se que o modelo de expansão do consumo das famílias por meio do endividamento está se esgotando.


A alavanca do crédito às pessoas físicas só voltará a ajudar no crescimento econômico se as taxas cobradas pelos bancos caírem. Juros mais baixos tornam as prestações menores, permitindo que elas voltem a caber nos orçamentos domésticos.


Brasília, 00h01min



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Tags: Banco  Central    taxa  de  juros    inflação    Alexandre  Tombini    Selic    Carlos  Thadeu  Filho    Templeton 

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12.03.2012 06:04 pm

A ESCOLHA DA PRESIDENTE

POR ANA D'ANGELO


No ano que o Brasil precisa reverter o desempenho pífio do seu Produto Interno Bruto (PIB), que cresceu apenas 2,7% em 2011, a queda de 2,1% da produção industrial em janeiro causou mais apreensão e despertou avaliações de especialistas de que a economia brasileira pode se deteriorar, com possibilidade de reflexos já nas eleições municipais do fim do ano. O fato é que a indústria está claramente em tendência descendente, com perda de competitividade por causa do real sobrevalorizado, que encarece as nossas exportações e deixa os produtos importados mais baratos. Assim, a indústria local perde dos dois lados: deixa de vender lá fora e aqui dentro. Mas está em nível desesperador? Isso depende do horizonte analisado.


No curto e médio prazo, pode-se dizer que não. O governo tem instrumentos para dar um gás na atividade do setor. Além da redução da taxa de juros básica, a Selic, para 9,75%, decidida na semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que cortará impostos dos setores que mais sofrem. Também aumentou a tributação sobre o capital externo que tem intenção de ficar no máximo três anos no país, aproveitando as gordas taxas de juros dos títulos públicos. Com essas medidas, Mantega pode aumentar a competitividade do produto nacional frente ao importado sem que haja reajuste de preço e pressão inflacionária.


De qualquer forma, são medidas paliativas que só deixam o governo da presidente Dilma Rousseff no fio da navalha, porque taxa de juros menor significa mais consumo, mais pressão sobre os preços, logo, mais inflação. O problema maior e de solução mais complexa, que demanda tempo, porém, continua sendo o custo Brasil, que encarece os produtos fabricados em solo brasileiro, e tem contribuído, junto com o câmbio valorizado, para desmantelar o parque industrial brasileiro.


Note-se que o tsunami de capital estrangeiro em direção ao Brasil não foi de apenas dinheiro especulativo para aproveitar as altas taxas de juros pagas pelos títulos públicos. Parte foi para investimento direto no setor produtivo — algo em torno de R$ 66 bilhões no ano passado. Mesmo assim, não está sendo vantagem produzir no Brasil. Até o iPhone 4, que está sendo fabricado numa unidade em Jundiaí (SP), custa o mesmo que o importado.


Desmantelamento


O problema do desmantelamento do parque industrial brasileiro é, pois, o que o país tem de mais importante a resolver. Sem capacidade industrial e tecnologia de ponta, o Brasil voltará à sua condição de economia primária, exportador de produtos agropecuários e minerais, ainda que, nesses setores, tenhamos tido uma avanço tecnológico expressivo nas últimas décadas.


Para ser desenvolvido, no entanto, um país tem que ter domínio tecnológico de ponta, um parque industrial forte, que gere produtos de maior valor agregado, fonte de empregos de melhor qualidade . Não que o nosso seja ruim, pois, ainda é o maior da América do Sul. O problema é que um país complexo como o Brasil não pode depender somente do setor agrário e mineral exportador. E se não conseguir ocupar posição de relevo em desenvolvimento tecnológico e ainda perder, nos próximos anos, o parque industrial que tem, o país corre o risco de se transformar numa Argentina, que chegou a importar até bala de caramelo.


Custos


O problema atual para reanimar a indústria , portanto, é de câmbio e de custos. Parte desses últimos se resolve com mais investimentos em infraestrutura, para garantir que a logística de transportes funcione melhor e diminua as despesas das indústrias. Ainda que o governo direcione mais recursos para investimentos, o que tem feito com timidez e muito aquém do necessário, leva-se tempo para dar retorno, pois são obras demoradas. Portanto, de imediato, a redução do custo industrial tem que ser via desoneração tributária e contenção das despesas com mão de obra, por meio de facilitações para entrada de trabalhadores estrangeiros, como o governo já vem fazendo.


Resta, porém, o problema do câmbio. As medidas adotadas — maior tributação sobre o investimento externo especulativo  e redução da taxa Selic — reduzem a pressão de entrada desse dinheiro que tem servido apenas para valorizar o real. O governo nega, mas tem na manga a propalada quarentena — prazo mínimo para que os recursos externos permaneçam no país. Mas essa medida embute o risco grande de afastar o investidor estrangeiro, elevando demais a cotação do dólar. Se isso por um lado beneficia a indústria exportadora, por outro, encarece os produtos importados e diminui a concorrência interna, provocando pressão sobre os preços internos e impacto inflacionário.


Controle cambial


Enfim, o fato é que o governo não conseguirá manter esse câmbio valorizado ad eternum, sem aniquilar o parque produtivo nacional, gerando desemprego e queda do salário real. A saída pode ser a criação de algum tipo de controle cambial, como defendido por diversos economistas. Mas isso significa mudar toda a lógica da política econômica que está aí, calçada no tripé, implantado em 1999 — superavit primário, meta de inflação e câmbio flutuante. Neste ano, o governo não deve fazer isso. Deixará para 2013? Ou esperará 2015, após a reeleição da Dilma?


A alteração do câmbio tende a ser impopular no curto prazo, pois significa aumento de preço de produtos importados e, em consequência, redução do poder aquisitivo dos trabalhadores. Foco de insatisfação popular, com possíveis reflexos nas eleições. Mas, no médio e longo prazo, o controle cambial reativa a indústria nacional e mantém a capacidade do país de gerar emprego e renda de qualidade. É essa escolha que a presidente Dilma Rousseff terá que fazer em breve.


Brasília, 18h04min

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Tags: Ana  D'Angelo    Dilma  Rousseff    indústria 

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11.03.2012 09:51 pm

MANTEGA E PIMENTEL, UMA RELAÇÃO ESGARÇADA


Já foram muito melhores as relações entre os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. Nos últimos dias, os dois discutiram com a presidente Dilma Rousseff medidas para ajudar o setor produtivo a se proteger da concorrência desleal dos importados.


Amigavelmente, como cabe a colegas de trabalho, acertaram ações conjuntas das respectivas pastas.


Mas a boa convivência começou a azedar. Mantega ficou fulo da vida com Pimentel, por ele confirmar o anúncio de medidas que ainda não estão sacramentadas para ajudar o país a enfrentar a inundação de dólares que vem supervalorizando o real.


O azedume de Mantega com o colega chegou ao cume na última sexta-feira. Em Minas Gerais, sua base eleitoral, Pimentou deitou a falar do prolongamento do IPI reduzido para eletrodomésticos e da extensão desse benefício para demais setores da indústria.


Quando foi avisado da língua grande de Pimentel, Mantega botou a sua assessoria para trabalhar e negar tudo o que o ministro do Desenvolvimento havia dito.


O Palácio assistiu a tudo de camarote, sem que a presidente Dilma desse uma palavra sobre os desentendimentos entre os subordinados.


Brasília, 21h5omin

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08.03.2012 10:43 am

OS ARGUMENTOS DO GOVERNO PARA A QUEDA DOS JUROS


O governo está empenhado em desfazer a imagem de divisão no Banco Central, que, ontem, reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, para 9,75% ao ano, com dois votos contrários. A análise que vem tanto do Palácio do Planalto, quanto do Ministério da Fazenda e do próprio BC, é a de que a divergência de opinião só reforça a independência da autoridade monetária. Não há, no entender do governo, um racha decorrente de pressões políticas por corte de juros.


Os diretores do BC que participaram dos encontros do G-20, no México, e do BIS (o BC dos bancos centrais), na Suíça, nas últimas semanas, voltaram para o Brasil convencidos de que os países ricos -- Estados Unidos, Europa e Japão -- não recuarão na estratégia de emitir moeda e de inundar as suas economias de recursos para tentar recuperar o nível de atividade e reduzir o desemprego elevadíssimo. A visão é de que essas nações estão dispostas a destruir, de preciso for, a indústria de transformação dos países emergentes, que estão vendo as suas moedas se valorizarem de forma alarmante.


Para o governo brasileiro, o discurso fiscalista adotado, sobretudo, pela Europa, não passa de meia promessa. Ou seja, o compromisso de buscar um equilíbrio das contas públicas está apenas nas palavras, já que não se quer aprofundar a recessão que assola metade da Zona do Euro. A ordem, entre os ricos, é emitir moeda e resgatar a atividade. Tanto isso é verdade que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA, já avisou que está disposto a fazer uma nova injeção de recursos na economia norte-americana, o que dará um novo impulso ao tsunami monetário criticado pela presidente Dilma Rousseff.


A ordem no Brasil é tomar todas as medidas necessárias para proteger a indústria de transformação, que está pagando um preço elevado por causa da desvalorização do dólar, do euro e o iene japonês. Isso passa por reduzir a taxa Selic para 9% ou mesmo 8% ao ano. O que não quer dizer que o BC abriu mão do compromisso com as metas de inflação. Na verdade, o que se está dizendo, neste momento, é que o mais importante é salvar a economia brasileira e um setor estratégico para o país: a indústria, que garante os empregos de melhor qualidade.


"Se não fizermos isso, como manteremos a competitividade dos nossos produtos tanto no mercado interno, inundado de importados, quanto no externo?" questiona um integrante da equipe econômica. "Optamos por corrigir uma distorção gritante, que é a maior taxa de juros do mundo. É o melhor caminho. Não adianta partirmos diretamente para o controle de capitais. O custo seria pior", acrescenta.


Outro técnico do governo lembra que a China está tomando todas as providências para proteger seu mercado. Está comprando o que pode dos dólares que entram no país, mas, como tem uma taxa de juros bem menor que brasileira, seu custo fiscal é inferior ao do Brasil, que gasta uma fortuna para enxugar da economia os reais injetados por meio da compra de divisas estrangeiras.


E mais: até a Austrália, que sempre foi alinhada com as políticas dos EUA e da Europa, já percebeu que, se não agir, verá a sua indústria de transformação ser massacrada pelas potências econômicas. Também vale lembrar que, no Chile, o BC já cortou as taxas de juros duas vezes, mesmo com a inflação rondando na casa dos 5%, bem acima do centro da meta.


Diante desse cenário, acredita a cúpula do BC, discutir se a autonomia da instituição está sendo colocada de lado é simplicar o debate. O que se está fazendo, neste momento, é usar as armas que o país dispõe para tentar sair ileso de uma guerra cambial que está longe do fim. O arsenal inclui redução dos juros, aumento do IOF para capital estrangeiro, estímulos à indústria e incentivos ao consumo. Ou é isso, ou é o desastre econômico.


Brasília, 10h43min

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07.03.2012 10:01 pm

NA VERDADE, OS VOTOS DISSIDENTES NO BC FORAM DE CARLOS HAMILTON E LUIZ PEREIRA



Fontes garantem que os votos dissidentes no Banco Central, contra o corte de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), não foram de Altamir Lopes e Carlos Hamilton, mas de Luiz Awazu Pereira e Carlos Hamilton.


Quem conversou com Altamir nos últimos dias garante que ele está preocupadíssimo com o nível de atividade da economia. E essa preocupação se acentuou com o péssimo desempenho da indústria.


Já Luiz Pereira vem dizendo que o BC não deveria pisar tanto no acelerador do corte dos juros, para não desandar tanto as expectativas do mercado, que andam se deteriorando ao mostrar inflação cada vez mais alta em 2013.


Para ele, há o risco de, com a baixa de 0,75 e não de 0,50 ponto, como defendeu na reunião de hoje do Copom, os analistas acreditarem que o centro da meta de inflação não é mais 4,5%, mas algo entre 5% e 5,5%.


Brasília, 10h01min

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07.03.2012 09:20 pm

DILMA FOI A PRIMEIRA A SABER DO CORTE DE 0,75 PONTO NA TAXA DE JUROS


O corte de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), para 9,75% ao ano, foi anunciado primeiramente para a presidente Dilma Rousseff pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.


Ele lhe relatou que houve muitas divergências entre os integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom). Mas acabou reunindo os votos suficientes para sair vitorioso na sua proposta de acelerar a queda dos juros. O placar foi de cinco a dois.


Votaram contra o corte maior da Selic o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton, e o diretor de Administração, Altamir Lopes.


É possível que na reunião do Copom de abril, os juros baixem para 9% ao ano. O governo quer, porque quer, reativar a economia, sobretudo estimulando os investimentos produtivos com dinheiro mais barato. A ordem é tirar a indústria do atoleiro.


Brasília, 21h18min

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07.03.2012 10:47 am

ATÉ SERVIDORES DO BC PRESSIONAM O BC POR JUROS MENORES


Que o Palácio do Planalto e o Ministério da Fazenda partam para cima do Banco Central, exigindo que a taxá básica de juros (Selic) caia mais rapidamente, é compreensível. Sobretudo por causa do fraco resultado da economia em 2011 e neste início de 2012.


Mas a gritaria contra os juros altos foi encorpada pelos representantes das carreiras do Ciclo de Gestão e do Núcleo Financeiro do Executivo. Nesse grupo estão os funcionários do Banco Central. Em nota encaminhada ao blog, eles dizem acreditar que há espaço para a taxa Selic cair rapidamente, começando pela redução de um ponto percentual na reunião de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom), de 10,50% para 9,50% ao ano.


Essa medida, no entender dos gestores federais, é condição necessária para se atingir crescimento de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 e para se proteger a economia brasileira do "tsunami monetário" internacional, problema tão alardeado pela presidente Dilma Rousseff nos últimos dias.


Na conta dos gestores, a cada ponto percentual na baixa na taxa Selic, o país economiza R$ 8 bilhões por ano em juros, um alívio aos cofres públicos. Eles ressaltam, ainda, que há capacidade ociosa na economia e a atual conjuntura econômica vem demonstrando sinais de redução da pressão dos preços de alimentos, de maneira que o IPCA tende a se aproximar do centro da meta de inflação, de 4,5%, ao longo dos próximos meses.


Brasília, 10h47min

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06.03.2012 03:56 pm

JOGO DE CENA NO CASO DOS JUROS E DE MARCO AURÉLIO GARCIA


O secretário de Relações Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, antecipou que a taxa básica de juros (Selic), de 10,50% ao ano, cairá nesta semana e, como esperado, levou uma reprimenda pública da presidente Dilma Rousseff. "Sobre juros só fala o presidente do BC", disse ela.


Tudo jogo de cena. Nas últimas semanas, em todas as conversas que teve com Dilma, Tombini reforçou a ela que a Selic continuaria baixando de forma moderada, pois a inflação está convergindo, ainda que lentamente, para o centro da meta de 4,5%.


E Dilma, como não é de ferro, repassou essas conversas a alguns de seus assessores, entre eles, Marco Aurélio Garcia.


Portanto, o recuo dos juros dentro do governo virou assunto rotineiro, alimentado pelo próprio BC.


O Palácio do Planalto só não contava que Garcia, depois de tratar do tema com a presidente no voo para a Alemanha, dispararia a antecipar a decisão do Copom logo na primeira conversa que teve com a imprensa assim que pisou em solo alemão.


O problema, nesse caso, é o tamanho da língua de Garcia.


Brasília, 15h56min

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Tags: Marco  Aurélio  Garcia    Dilma  Rousseff    Banco  Central    Hannover    Alemanha    juros    Selic    queda 

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