Blog do Vicente


19.11.2008

CRESCIMENTO DE 1,8% EM 2009

 

Em reunião com dirigentes de fundo de pensão de Brasília e analistas de mercado, o diretor da Atlântica Investimentos, André Barbieri, traçou perspectivas nada animadoras para a economia brasileira em 2009.

 

Pelas suas contas, o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá apenas 1,8% no ano que vem com inflação de 5,5%, acima, portanto, do centro da meta perseguida pelo Banco Central. Ou seja, a recessão que já assola os países mais ricos vai chegar por aqui nos próximos meses sem dó nem piedade. Para 2010, a previsão é de expansão econômica de apenas 2,6%.

 

Vamos ver quando o governo acordará para tal realidade. Não adianta ficar mascarando a realidade cruel que nos espera.

 

Brasília, 17h41min

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19.11.2008

DÓLAR VAI ROMPER OS R$ 2,50 RAPIDAMENTE, DIZ ANALISTA

 

Um dos mais atentos analistas do mercado de câmbio, Mário Paiva, da Corretora Liquidez, acredita que o processo de valorização do dólar está longe do fim. Para ele, até a próxima semana, a moeda americana já estará sendo negociada acima de R$ 2,50, tamanha é a escassez de divisas estrangeiras no mercado.

 

Nem mesmo as constantes atuações do Banco Central, que entre ontem e hoje (terça e quarta-feiras) despejou quase US$ 8 bilhões no mercado, serão suficientes, pelo menos neste momento de tanta incerteza, para conter a arrancada do dólar.

 

Brasília, 17h28min

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19.11.2008

SEM CRÉDITO, BANCOS ESTRANGEIROS DÃO DESCONTOS PARA PAGAMENTO ANTECIPADO DE DÍVIDA

 

Os operadores de câmbio identificaram grandes compras de dólares nos últimos dias por empresas e bancos que têm dívidas no exterior. Estão atendendo ao chamado de instituições financeiras de todas as partes do mundo, que, sem crédito, estão dando descontos de até 15% nos pagamentos antecipados.

 

Segundo José Roberto Carrera, da Fair Corretora, as antecipações de pagamento de dívidas são boas tanto para devedores quanto para credores. Do lado dos bancos e empresas brasileiras (incluindo importadores e exportadores), como há perspectiva de mais alta nos preços do dólar, o melhor é usar o desconto e pagar logo os débitos do que ver o endividamento crescer feito bola de neve. Para os bancos credores, sem liquidez, receber antecipado dá um alívio e tanto no caixa.

 

No meio da crise, que ninguém sabe quando e como vai acabar, os agentes de mercado vão buscando todo tipo de solução para sair do sufoco.

 

Brasília, 17h20min

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19.11.2008

FUGA DE R$ 1,3 BILHÃO DA BOVESPA EM DUAS SEMANAS

 

O analista Alexandre Marques Filho, da Elite Corretora, fez as contas: somente nas duas primeiras semanas de novembro, os investidores estrangeiros retiraram R$ 1,295 bilhão do pregão da Bolsa de Valores de São Paulo. Em um único dia, quarta-feira (12), as saídas chegaram a R$ 846,8 milhões.

 

Ainda hoje (quarta, dia 19), o Banco Central divulgará o fluxo cambial da primeira quinzena deste mês. Pelo que se viu na Bovespa, o déficit será grande.

 

Brasília, 12h06min

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19.11.2008

MEIRELLES SINALIZA QUE PICO DA INFLAÇÃO JÁ PASSOU

 

Quem participou da reunião de ontem (terça-feira, dia 18) no Palácio do Planalto, garante ter ouvido do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que pior do foco inflacionário passou. Os números preliminares da inflação de novembro, segundo o presidente do BC, já estariam refletindo a menor demanda mundial por commodities, reflexo da crise.

 

Mas, apesar da ressalva,  Meirelles não deu qualquer indicativo de que chegou a hora de o Brasil começar a cortar juros.

 

Brasília, 10h55min

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18.11.2008

CONSIDERAÇÕES DO BANCO PROSPER SOBRE NOTA DO BLOG


O Prosper, com sede no Rio de Janeiro, encaminhou o seguinte texto ao blog, o qual reproduzo na íntegra:



“O Prosper demitiu 46 funcionários em decorrência da crise financeira global. Como se sabe, todas as empresas que atuam no mercado financeiro estão enxugando seu quadro de pessoal para poder enfrentar este período de turbulência que não tem prazo para acabar.


Da unidade de crédito consignado que ficava na Senador Dantas, foram demitidos 14 funcionários, já inclusos no total de 46. A área de negócios não foi desativada totalmente. Quatro funcionários foram transferidos para a sede do banco em Botafogo e cinco estão trabalhando na loja  da Rua São José, no Centro do Rio, que aguarda liberação de alvará de funcionamento para abertura oficial.  Inclusive, várias instituições que atuam neste segmento estão paradas, esperando uma sinalização quanto à taxa de juros adequada a ser praticada no mercado.


Corrigindo: o Prosper tem filiais em São Paulo, Brasília e Salvador. Nunca tivemos filial em Belo Horizonte. As filiais de Salvador e Brasília demitiram apenas um funcionário cada e permanecem em funcionamento normal. Inclusive, contratamos mais uma pessoa para Salvador para tocar a área comercial localmente.


O banco conta com duas áreas que foram criadas recentemente: área de Novos Produtos e Novos Investimentos. A primeira tem por objetivo desenvolver operações sob medida para clientes, atendendo às novas e futuras demandas do mercado. Já a de Novos Investimento foi criada para capitalizar companhias de pequeno e médio portes. Nesse caso, o Prosper poderá auxiliar nas tomadas de decisões estratégicas, adquirindo parte das empresas, sem se tornar controlador.

 

O Marcelo Sharp saiu da corretora como decorrência de uma mudança na gestão da mesma, que agora está sob a responsabilidade de Armênio dos Santos Gaspar Neto, ex-Fator.”


Brasília, 20h17min


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18.11.2008

COMISSÃO DO ORÇAMENTO PREVÊ CRESCIMENTO ENTRE 2,8% E 3,5% PARA 2009


Tem muita gente da Comissão Mista do Orçamento insatisfeita com o excesso de otimismo do governo apesar de toda a gravidade da crise financeira mundial. Por isso, a ordem foi projetar cenários mais realistas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, usados para atualizar as projeções do Orçamento da União do ano que vem.


Nas contas dos técnicos, a variação do PIB deve ficar entre 2,8% e 3,5%. Qualquer percentual acima disso, alegam eles, será fantasia, terá um viés puramente político, o que não é recomendável quando se trata de estimar receitas e despesas para um país do porte do Brasil.


A expectativa é que ainda nesta terça-feira (dia 18), o governo feche suas previsões econômicas e as apresente amanhã (quarta-feira, dia 19) à Comissão, para que, na sexta-feira (dia 21), o projeto ganhe sua feição definitiva e seja encaminhado para votação no Congresso.


Brasília, 18h59min

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18.11.2008

BNDES QUER DINHEIRO DO FUNDO SOBERANO

 

A equipe econômica está se debatendo sobre o que fazer com o 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) destinado ao Fundo Soberano, caso este não seja aprovado pelo Congresso. A hipótese mais aventada entre os assessores do ministro da Fazenda, Guido Mantega, é de que os cerca de R$ 14,5 bilhões sejam gastos ao longo de 2009 em obras de infra-estrutura, com impacto bastante positivo para a economia, que, conforme informou o blog em nota abaixo, pode entrar em recessão.

 

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, diz que, se não houver a aprovação do Fundo Soberano e o governo não tiver projetos concretos para usar a bolada, o dinheiro pode ir para os cofres da instituição, que vem recebendo pedidos de financiamentos além da sua capacidade de atendimento.

 

O ideal, no entanto, seria o governo usar o dinheiro do Fundo para abater dívida. Com isso, dará um refresco e tanto ao Banco Central para manejar a política de juros.

 

Brasília, 16h22min

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18.11.2008

SERRA VEM A BRASÍLIA AMANHÃ PARA ANUNCIAR, COM LULA, A VENDA DA NOSSA CAIXA PARA O BB

 

Se não houver nenhuma mudança na agenda, o governador de São Paulo, José Serra, pousará em Brasília no início da tarde de amanhã, quarta-feira (dia 19), provavelmente para anunciar, com o presidente Lula, a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil.

 

Os dois combinaram o anúncio ontem (segunda-feira, dia 17), em São Paulo. O negócio deve movimentar cerca de R$ 7 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 5 bilhões irão para os cofres do governo paulista e R$ 2 bilhões para os acionistas minoritários da Nossa Caixa.

 

Brasília, 15h37min

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18.11.2008

MEIRELLES, OS JUROS E AS REFORMAS

 

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, decidiu encampar de vez o discurso pró-reformas. O objetivo é criar um contraponto à pressão que o BC enfrentará nos próximos meses para reduzir a taxa básica de juros (Selic), mesmo com a inflação muito acima do centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%.

 

Meirelles acha que, sozinho, os juros não vão resolver os problemas na economia criados pela crise externa. Para ele, a sociedade deveria encampar os projetos de reformas (tributária, trabalhista e previdenciária), que não só deixarão o país mais protegido de intempéries externas, como ampliarão o potencial de crescimento econômico.

 

Resta saber se todo o governo está disposto a endossar esse discurso. Pelo que tenho visto até agora, tudo não passa da blábláblá.

 

Brasília, 11h30min

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17.11.2008

BRASIL FLERTA COM A RECESSÃO


O que os analistas consideravam inimaginável um mês atrás, já começa a se desenhar no horizonte de muita gente: a possibilidade de o Brasil registrar um leve e curto período de recessão, com a queda do Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre deste ano e nos primeiros três meses de 2009, por causa do agravamento da crise internacional e da brusca retração do consumo e da produção. “Não será nenhuma catástrofe, pois logo a economia recuperará o fôlego, fechando o próximo ano com crescimento acumulado de 3%”, diz o economista-chefe do Banco BES Investimento, Janckiel Santos, à repórter Edna Simão, do Correio Braziliense. Pelas suas contas, o PIB encolherá 0,5% entre outubro e dezembro e 0,1% entre janeiro e março.


Ainda que sejam números inexpressivos, a teoria econômica assegura que, dois trimestres consecutivos de queda do PIB, já caracteriza recessão. “Mas não sei se essa é a melhor definição em relação ao Brasil. Para que pudéssemos dizer que o país realmente passará por uma recessão no sentido exato da palavra, teríamos que ver a diminuição da atividade e do consumo sendo acompanhada de um forte aumento do desemprego e de uma significativa queda da renda. O que não é o caso”, assinala Santos. “Os resultados do PIB do último trimestre do ano e dos primeiros três meses de 2009 pegarão o auge da crise mundial. Os números refletirão uma freada para arrumação, mas não uma economia em retração, como é visível nos Estados Unidos, na Europa e no Japão”, destaca.


Para Aurélio Bicalho, economista do Banco Itaú, independentemente da discussão de se o termo recessão caberá ou não ao Brasil, o certo é que os riscos de os PIBs do quarto e do primeiro trimestres serem negativos são muito elevados. Ele ressalta que, à primeira vista, é difícil imaginar uma economia que vinha se expandindo a um ritmo acima de 5% apresentar um tombo tão forte. Mas olhando o histórico do país e a forma como a crise o pegou, a queda “é mais fácil do que parece”. Ele, inclusive, se junta ao grupo mais pessimista de economistas, cujas estimativas apontam para crescimento de apenas 2% em 2009. “Em momentos de maior insegurança em relação ao futuro, as decisões de consumo e de investimento são adiadas. Logo, menor é a expansão do PIB”, afirma.


Na avaliação da economista-chefe do Banco ING, Zeina Latif, o fator determinante para a retração do PIB por dois trimestres consecutivo será a indústria automobilística, muito dependente do crédito, que anda escasso e caro. Ela ressalta que, pelas contas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor representa 7% de toda a indústria brasileira. Mas a Federação Nacional das Distribuidoras da Veículos (Fenabrave) diz que tal participação do setor vai muito além das montadoras, o que faz com que o peso de toda a cadeia automotiva chegue a 14% da indústria. “Como a produção e as vendas do setor estão em queda, a ponto de as empresas darem férias coletivas, não há como se esperar um resultado positivo da indústria e, muito provavelmente, do PIB no último trimestre do ano”, afirma Zeina, lembrando que a retração do crédito afetará quase todos os setores de bens duráveis.


Diretor da Concórdia Corretora, o economista Ricardo Amorim endossa essa visão. Mas, no seu entender, além do tombo no mercado interno, provocado pela expressiva redução na confiança dos empresários e dos consumidores, o Brasil se ressentirá do encolhimento das exportações. A despeito de o grosso das vendas externas brasileiras seguirem para os países emergentes, que, mesmo em um ritmo menor do que o ano passado, continuam em expansão, 42,42% dos produtos vão para a Zona do Euro, Reino Unido, Japão e Estados Unidos, todos em recessão e consumindo cada vez menos. “São tempos difíceis, que refletem todos os estragos da crise”, assinala.



Mais otimista, o economista-chefe da SLW Asset Management, Carlos Thadeu Filho, acredita que o aumento da renda dos trabalhadores, a formalização do mercado de trabalho e a injeção que quase R$ 80 bilhões na economia por meio do 13º salário farão com que o consumo das famílias se mantenha firme, segurando o PIB do último trimestre de 2008. Nos primeiros três meses do ano que vem, porém, não terá escapatória: os impactos da crise vão se somar à ressaca de início do ano e do Carnaval e derrubar o PIB, para desespero do governo. Ciente das projeções do mercado, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, garante que o Brasil sofrerá menos com a crise do que muitos países. Para o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, as estimativas dos analistas não têm consistência, devido à falta de números concretos sobre o desempenho da economia no terceiro e no quarto trimestres do ano.


Brasília, 21h53min

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17.11.2008

SERVIDORES GAÚCHOS DIZEM AMÉM



Depois de anos e anos sem saber se receberiam ou não o décimo-terceiro salário, os 319 mil funcionários do governo do Rio Grande do Sul vão poder respirar aliviados: a governadora Yeda Crusius avisou que o benefício será pago integralmente no dia 5 de dezembro próximo. Serão R$ 584 milhões, dinheiro que dará um gás extra na economia gaúcha nesses tempos de crise.


O salário será pago com recursos do próprio governo. Um feito e tanto se for levado em conta que, desde 1994, o governador de plantão era obrigado a recorrer a empréstimos bancários para arcar com tais despesas.


Brasília, 19h30min


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17.11.2008

DEMISSÕES E FECHAMENTO DE NEGÓCIOS NO BANCO PROSPER

 

Está péssimo o clima no Banco Prosper. Há um mês, a instituição vem sendo varrida por uma onda de demissões, de encerramento de negócios e de fechamento de filiais.

 

A unidade de crédito consignado, que funcionava na Rua Senador Dantas, no Centro do Rio, foi desativada e todos os trabalhadores foram para a rua. Os dois escritórios de consignado que funcionavam em Salvador e em Belo Horizonte tiveram o mesmo destino.

 

O Prosper também acabou com a área de novos negócios. E craques das áreas de bolsa e de renda fixa, como Marcelo Sharp, André Segadilha e Carlos Cintra, foram demitidos.

 

Tudo por causa da crise.

 

Brasília, 17h48min

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17.11.2008

PARA ZEINA LATIF, ALTA DO DÓLAR ESTÁ MAIS LIGADA À AVERSÃO A RISCO E À LIQUIDEZ

 

Sempre equilibrada e com uma ampla visão da economia, Zeina Latif, economista-chefe do Banco ING, discorda dos analistas que estão atrelando a forte alta do dólar à piora das expectativas para as contas externas, conforme nota publicada neste blog. Na sua avaliação, a arrancada da moeda americana está mais ligada a problemas de liquidez e à grande aversão a risco.

 

Zeina ressalta que a piora nas projeções para as contas externas começou muito antes do estouro da crise internacional, em setembro. Mesmo assim, os preços do dólar continuaram caindo. Por isso, não crê que a arrancada da moeda americana vá se manter por muito mais tempo. "Infelizmente, não estão olhando os fundamentos do país. Se isso estivesse acontecendo, certamento o real estaria com desempenho melhor do que o de outras moedas de países emergentes", destaca.

 

A economista está convencida, ainda, de que o impacto da alta do dólar na inflação será minimizado pela forte retração das commodities agrícolas e pela queda dos preços industriais no mercado internacional. "Muita gente não está levando esses dois fatores em consideração. Mas basta ver o resultado da segundo prévia do IGP-M de novembro, de 0,49%, para constatarmos que os alimentos já estão se sobrepondo à alta do dólar. E isso ficará mais claro nos índices de preços ao consumidor", afirma.

 

Por isso, Zeina mantém sua projeção de 4,5% para o IPCA em 2009, bem abaixo da mediana do mercado, de 5,2%, e dos 4,8% estimados pelo Banco Central.

 

Brasília, 17h13min 

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17.11.2008

DÓLAR REFLETE FORTE DETERIORAÇÃO DAS CONTAS EXTERNAS

 

Os analistas estão cada vez mais pessimistas em relação às contas externas brasileiras, o que vem se refletindo nas cotações do dólar, que bateram nos R$ 2,30 nesta segunda-feira (dia 17). Com a recessão declarada no Japão e na Zona do Euro e o tombo previsto nos Estados Unidos, as exportações brasileiras tendem a cair drasticamente, diminuindo o fluxo de dólares para o Brasil. Juntas, essas três regiões consomem mais de 40% de tudo o que é vendido pelo país.

 

Como não se espera uma queda na mesma proporção das importações, o saldo comercial deste ano, de pouco mais de US$ 20 bilhões, tenderá a se transformar em déficit em 2009. Com isso, o rombo nas transações correntes com o exterior ficará maior. Os analistas temem, porém, dificuldades para o financiamento desse buraco, uma vez que os investimentos estrangeiros diretos (na produção) e o fluxo de capitais para títulos públicos e para as bolsas de valores tendem a escassear.

 

E pensar que, durante um bom tempo, os analistas disseram que, do ponto de vista das contas externas, o Brasil deveria ter sido elevado a grau de investimento (investment grade) muito antes da chancela dada neste ano pela Standard & Poor's e pela Fitch Ratings. Nada como um crise para mostrar a realidade nua e crua.

 

Brasília, 16h31min

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17.11.2008

O LADO PERVERSO DA CRISE

 

ARTIGO

JOSÉ LUIZ RODRIGUES (*)

 

joseluiz@jlrodrigues.com.br

 

A máxima da última semana foi a notícia do restabelecimento do crédito, com preço salgado e prazos reduzidos. Até agora, o que mais vimos e ouvimos falar foi sobre a crise de Wall Street e da Avenida Paulista, referências de centros dos mercados financeiros dos Estados Unidos e Brasil. Ouvimos, sobre os grandes ajustes econômicos, sobre os governos injetando quantias incalculáveis para aquecer as economias, sobre a ajuda que veio nas mais diferentes formas: compra de ações, títulos, carteiras de crédito, oferta de linhas de crédito, renúncia fiscal e por aí vai.

 

Acredito que, por mais difícil que seja o entendimento da crise devido ao volume de informações e análises sofisticadas, ninguém tem mais dúvida de que ela começou com a negligência das autoridades reguladoras do mercado financeiro dos Estados Unidos. Começou com os especuladores que, com ganância de lucro rápido e fácil e a falta de controle das atividades por parte do Estado. supervalorizaram mercados e companhias, construindo um castelo de cartas que agora ruiu. É fácil encontrar no mercado companhias sérias e produtivas avaliadas em bolsas de valores com números menores do que o seu caixa. Nesse processo, o inverso prevaleceu, com companhias ruins e vazias avaliadas a valores espetaculares. Isto é possível? Você venderia seu porta-notas por valor inferior aos reais que carrega?

 

Em especulação tem os que ganham e os que perdem. Então, onde estão os trilhões que o mundo perdeu. Quem vai pagar a conta?  As necessidades dos países em desenvolvimento são muito diferentes dos desenvolvidos, situação reconhecida pelo G-20 que, neste final de semana, resolveu reconhecer e atacar a crise de frente, mesmo antes que o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tome posse.

 

Com tudo isso, a notícia perversa que passará a ocupar a mídia de agora em diante, é a de que, depois da orgia no crédito que fez a economia aquecer e endividar os cidadãos, é chegada a hora de o cidadão comum receber e pagar a fatura. A este, ninguém ajuda.  O processo Já começou. Crédito difícil, seletivo e caro. Em seguida, vêm os aumentos de preços que tiram o poder de compra. Depois, o desemprego e, daí, a inadimplência que, somada à falta de recursos no mercado, agrava-se e tira os pequenos e médios bancos, as financeiras e outros agentes do mercado, aumentando a concentração bancária e a estratificação na concessão de crédito, que inibe a rolagem das dívidas já assumidas.   O que vem depois, sabemos, é que as pessoas comuns devolvem as “credenciais de cidadão” ao governo e voltam para a margem da sociedade, perdendo para os seus credores grande parte do que conquistaram, com o produto de décadas de muito trabalho.

 

Não que todo este processo de ajuste econômico não seja necessário e importante, mas todas as medidas adotadas demoram e muito para chegar à sociedade. E enquanto não chegam, será que a sociedade receberá, também, garantia de emprego pelas indústrias ajudadas pelo governo com recursos do orçamento? Será que terá, também, flexibilização para pagamento de impostos e empréstimos bancários, ou vai, mais uma vez, ter que treinar para correr de cobradores e oficiais de justiça?

 

O caso é sério. Neste final de semana, foram vários os anúncios de oportunidades incríveis de negócios, principalmente na oferta de imóveis e de bens duráveis, incentivando o consumo a crédito. As declarações de países ricos e pobres estão iguais, mandando o povo gastar sem medo para aquecer os negócios e abreviar a crise. Não podemos nos esquecer de que a nossa necessidade é diferente.

 

Temos que, antes de mais nada, combater a inflação. Manter o crescimento adiando os custos da crise para o futuro é perverso. Já vivemos esta história. Governos tendem a manter suas políticas populistas para ganhar eleições. Será que não é o nosso caso?  Na hora de gastar, temos que pensar em nós mesmos, analisando se realmente temos condições. Temos que ser mais seletivos na hora de assumir compromissos. Não podemos nos esquecer de que a fatura vem.

 

(*) Sócio da JL Rodrigues, Carlos Atila & Consultores Associados, Organização de instituições e Normas do Sistema Financeiro.

 

Brasília,15h01min

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16.11.2008

ARMADILHAS PARA O GOVERNO

 

Por trás do otimismo que o governo tenta passar diante da severa crise internacional, que já empurrou os países mais ricos para a recessão, há um clima de extrema preocupação. Ao traçarem os cenários para os próximos dois anos, tanto o Banco Central quanto o Ministério da Fazenda reconhecem que o Brasil caiu em armadilhas das quais sairá muito arranhado. Qualquer que seja o ângulo de análise, a travessia da economia brasileira será turbulenta. Conciliar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) com inflação dentro das metas exigirá esforço monumental. O problema é que ninguém sabe até onde o governo está disposto a ir para manter as rédeas sob controle e não deixar que as importantes conquistas dos últimos anos se percam no meio do caminho.

 

“Teremos um teste duríssimo pela frente”, diz o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal. “Há o risco de a inflação chegar a 7% no acumulado de 12 meses no terceiro trimestre de 2009. Tecnicament