
- Como está quente, não?
- Sim, quente até demais. Mais do que nunca esteve.
Então é isso? É a realidade? Ou um fenômeno isolado do El Niño? Temos de aceitar esse clima insuportável, que deixa todo mundo cansado, mal humorado e suando? Vai ficar assim pra sempre?
Ok, você deve estar rindo de mim. Assim desse jeito não vai ficar não...
- Vai é piorar! Se está quente agora, imagina ano que vem, daqui a cinco anos, dez?
Ah tá! Então temos de nos preparar comprando mais ventiladores e carros com ar condicionado? Usarmos menos roupas?
É isso? Ninguém aí vai fazer nada não?
Antes que você me lembre que a culpa é da emissão de gases, desmatamentos e aquecimento global, aviso que disso tudo eu já sei. Sei que temos de economizar isso e aquilo, reciclar isso e aquilo outro (isso tudo eu já faço). Sei também do tratado de Kioto, do encontro de Copenhagem. E todo o resto.
Mas o que as autoridades mais próximas de mim estão fazendo a respeito? Existe algum plano, algum investimento para que esse clima melhore um pouco na nossa cidade? Ou é só o trânsito que merece estudos e financiamentos?
É justamente isso que quero levantar. Não temos de esperar que nossos governantes assinem um tratado lá na Dinamarca. E não temos de cobrar apenas deles. O que o prefeito de BH está fazendo a respeito? A PBH tem algum órgão que se preocupa com isso? Alguma comitiva de especialistas em meio ambiente?
- Mas o aquecimento global é global! É a Terra que está aquecendo. Isso acontece em todo lugar. Não dá pra fazer nada de uma hora para outra não.
Ah não??? E o que dizer do excesso de prédios altos na beirada da Serra do Curral que bloqueia a circulação de ar em BH e deixa o clima mais pesado? Por que deixam construtoras derrubarem casas nos bairros para a construção desses pombais de mais de 20 andares?
O que dizer da falta de parques em BH? Eles deveriam ser obrigatórios em todos os bairros e do tamanho de um quarteirão inteiro.
O que falar dessas obras que cortam as árvores dos canteiros centrais para aumentar as ruas, sendo que as mesmas já deveriam ter sido planejadas?
Como explicar o desmatamento constante ao redor da Grande BH feito por mineradoras e empresas do gênero em nome do progresso?
Por que a gente não vê o setor de Parques e Jardins repor as árvores mal plantadas que caem nos carros depois das chuvas?
Eu me pergunto... A Prefeitura de BH discute isso? Os vereadores pensam em algo além de dar nomes às ruas? Tem alguém lá dentro fazendo algum estudo ambiental para a cidade ganhar mais árvores dentro e ao redor da cidade? Um reflorestamento maciço aqui perto?
Já viram como temos avenidas inteiras, limpas, sem uma arvorezinha sequer? Plantar novas árvores não deveria ser algo urgente?
Tem dinheiro sendo levantado para a construção de lagoas artificiais que promovam a umidade do ar? Projetos diretores que proibam a construção de prédios muito altos ou aumento da densidade populacional em bairros que nem estrutura para isso tem?
Alguém lá dentro tem algum plano para que a temperatura da cidade consiga ser um pouco mais amena no futuro? Gente pelo menos discutindo isso localmente?
Duvido muito. E se alguém faz seria bom divulgar.
Sei que o buraco é mais embaixo e que não é tão simples assim. Mas também sei que um especialista ou cientista pode bolar um plano B para começarmos a agir regionalmente e pelo menos começar a melhorar as coisas um pouquinho que seja.
Imagine uma cidade com o dobro de árvores, parques, jardins, lagoas, canteiros? Uma cidade com menos construções de prédios altos?
Imagine uma Lei que deixe um espaço maior entre as construções para que o ar circule mais? Outra que fiscalize rigidamente a emissão da poluição dos carros mais velhos?
Enfim, imagine uma administração que pense menos na arrecadação de IPTUs e mais na distribuição ecologicamente mais inteligente da ocupação urbana?
Sim! Ás vezes temos de abrir mão do progresso, das construções faraônicas, dos prédios enormes, da destruição de casas e pensarmos mais no coletivo ecológico.
Não sei se isso ia ajudar muito. Não sou expert. Só sei que quente assim não podemos ficar. É desumano. Algo precisa ser feito já em BH! E alguém lá de dentro dos gabinetes poderia estar se preocupando mais com isso do que eu. Não dá para esperar apenas por Obamas e Chinas assinarem um tratado que só vai fazer efeito daqui a cem anos.
BH já foi uma cidade jardim. Já teve clima ameno. Já recebeu gente até para tratar de doenças respiratórias. Alguém aí reparou que BH está mais quente que Rio e SP e que antigamente não era assim?
Eu ia para a escola às seis da manhã de moletom. As crianças de hoje raramente usam isso. Comprava blusa de frio para usar nas festas juninas no inverno. Imagens de um tempo não muito distante, mas que, pelo jeito, nenhuma autoridade se preocupa em querer de volta mais.
Então, alguém aí me responda: alguém está mesmo se preocupando com tudo isso?
Porque eu estou me preocupando. E muito. Nem consigo mais dormir.
Aliás, quem é que consegue dormir com um calor desses?
"Que bando de mulher fresca, melosa e chata!", "Que marido mala!"
Toda novela do Manoel Carlos, e "Viver a Vida" está incluída, tem um bom ibope. Basta ouvir os comentários em todos os lugares. Gente que está acompanhando o drama do acidente da Luciana e os pequenos casos que povoam os outros núcleos menos importantes do folhetim das oito (que há muito virou das nove).
Mas uma coisa também é certa. Muitos comentam como o autor conseguiu reunir um grupo grande de personagens antipáticos, chatos, mimados ou simplesmente melosos demais.
Os dramas do Maneco tem algumas coisas em comum. Sempre favorecem as belezas naturais do Rio de Janeiro (é a vez de Búzios). E agora do exterior. Petra, Amã e Jerusalém foram um show de imagens.
As cenas, pra variar, são recheadas de ações cotidianas banais com longuíííííssimos diálogos vazios e sem importância. Algo como comentar sobre o pãozinho no café da manhã, o que fazer para o almoço, o tempo, a roupa ou outros bate-papos que levam o nada para o lugar nenhum. Sabe-lá como seguram o telespectador.
Ok, tudo bem. Até porque a coisa demora, mas quando acontece é um dramalhão e um exagero só. Iates, jatinhos, lua-de-mel de um milhão de reais, mil traições, capotamento que termina com gente tetraplégica, ricaço que vai perder tudo, duas grávidas ao mesmo tempo de um mesmo garanhão, irmão que beija irmã sem saber que na verdade seu pai não será o pai biológico da outra e por aí vai.
Mas e os chatos? Ah tá, os chatos. Foi por causa deles que essa coluna começou. Então vamos lá.
Quem não acha a Helena uma chata? É um chororô só. Uma frescurada. "Amor" pra cá, "amor" pra lá. Um jeito de falar infantil e uma tentativa frustrada de parecer uma mulher madura que não é. Nada contra a atuação da Taís Araújo. Ai, essas Helenas do Manoel Carlos!
Jorge. O irmão gêmeo chato. Um é divertido, mas o jeito almofadinha e antipático do outro é de dar preguiça. Sempre de cara amarrada. um mala! Sem falar na Ingrid, a mãe dos dois gêmeos, feita pela bonitona Natália do Vale, e que só pensa em casar os meninos com gente rica e da alta sociedade. Ah! E aquelas duas que trabalham com o Jorge no escritório, hein? Paixão? Isso é nome? Uma chatinha. E a outra também.
A namorada do irmão do Jorge, a Renata, bebe, bebe e bebe e ainda reclama que o namorado não dá atenção suficiente pra ela. Coitado do Miguel, o gêmeo gente boa e mais bonitinho (o que um cabelo não faz?). Ela é um porre! (com direito a trocadilho). Barbara Paz está arrasando, mas é outra marrenta.
A Franjinha de Morais, ou melhor, a Luciana, é a patricinha mimadinha. Ir ao casamento do pai, o Marcos, de viúva negra foi terrível. Uma mulher grande daquela quer o papai só pra ela. E ainda morre de ciúmes do sucesso da madrasta. Uma mala cheia de dentes...
Gustavo é o marido sem vergonha que vive correndo atrás da prima da esposa Betina. As cenas são engraçadas, mas o cara é um psicopata neurótico com aquela economista. Um grude. Para piorar, teve a cara de pau de sentir ciúmes da mulher. Bobagem! Um ciúmes sem sentido. Afinal é um casalzinho comum, básico, bem nada a ver, tipo Letícia Spiller com um Carlos Casagrande.
A Tereza, a mãe da Franjinha de Morais, ops, da Luciana, é aquela mulher que amou muito e não sabe mais viver sem o ex-marido, ainda que o casamento já tenha terminado há muito tempo. Lilia Cabral ainda vai acabar com a chata da Taís, ops, da Helena, por vingança.
O bicho ainda vai pegar. Isso porque a biscate de Búzios, aquela que é mãe daquela menina fofa, ainda nem apareceu grávida para complicar. Aliás, esse Marcos pelo jeito vai terminar na novela com dez filhos. Que empresario rico é esse que não usa camisinha? Ele vai falir sim. Mas de tanto pagar pensão.
E tem o pessoal do nucleo 2. Aquela japonesinha do hospital, a Ellen, também não fica de fora. O namoradinho loiro e bonitinho, o Ricardo, é só paixão e carinho e leva uma patada atrás da outra. Que mulher esnobaria um cara daqueles? Uma chata! Que fique sozinha. Manoel Carlos até já pensou num castigo pra ela. Em breve, o bonzinho vai cair nas graças da menina má.
Ah! Tem também a irmã da Helena, a Sandrinha, o Bené, namorado bandido, o caseiro Onofre, aquela, aquele...
Bom, a lista é enorme. Mas não dá para ficar sem fechar com a vilãzinha da história. A perversa e cruel irmã invejosa da Luciana, a Isabel. E olha que ela é a única filha verdadeira de Marcos e Tereza. Essa bonitinha mas ordinária ainda vai levar uns tabefes das pessoas na rua se não melhorar.
Manoel Carlos adora uma. Lembra daquela outra que maltratava os avós bem velhihos? E aquela outra chata que pegava no pé do casal lésbico da escola? Eta povo chato!
Então, quem você acha que é o personagem campeão da chatisse em "Viver a Vida"? Vou tirar a vilãzinha porque ela é mais maldosa do que chata. E ia ganhar de goleada.
Participe da enquete ao lado. E para finalizar, não brigue comigo. Fazer essa análise mostra que eu também assisto. E gosto. Nem que seja para criticar depois.
contato: catwritter@yahoo.com.br
Não dá para reclamar de 2009. BH já recebeu vários shows e para todos os gostos. Alanis Morissete, Living Colour, Pet Shop Boys, Cindy Lauper, Air Suply, Iron Maiden, Simple Plan... fora os nacionais de sempre, Skank, Titãs, Paralamas, Nando Reis, Seu Jorge... Toda semana tem um. Ou dois.
Quando era adolescente, sempre ia aos shows que aconteciam em BH. Me lembro que no final dos anos 80, o cenário nacional de novas bandas estava no auge.
Grupos como Ira, Legião Urbana, Capital Inicial, Kid Abelha, Paralamas, Plebe Ruge, Barão Vermelho, RPM, Zero, Biquine Cavadão e Dr. Silvana não saiam daqui.
O "Pop Rock Brasil", hoje feito no Mineirão, acontecia no Mineirinho e era ótimo!
Quem não se lembra do ginásio do Ginástico, no alto da Afonso Pena, hoje um supermercado? Muitos shows aconteceram lá. Todos lotados! Teve uma dobradinha do Sepultura com Kamikase histórica. Fora os do Lulu Santos, Kid Abelha, Biquine e até Raul Seixas. Dificilmente um evento ficava sem ingressos esgotados.
O mesmo acontecia com shows internacionais. Lembram do The Cure? Pois é. Vinte e cinco mil pessoas lotaram o Mineirinho para ver a banda. Eu, claro, também estava lá.
E hoje?
Bom, se não podemos reclamar da agenda, podemos reclamar da ausência de público. Eu estou começando a ficar com vergonha.
Não fui a todos os shows que aconteceram, por uma questão de gosto ou agenda, mas me contaram que a maioria tem levado muito pouco público. Onde estão os fãs de música, de rock? Cadê a garotada?
É aquela história de sempre. Todo mundo reclama que SP e Rio ganham shows e que BH fica de fora. Que a cidade às vezes perde datas para Curitiba e Porto Alegre.
Mas sabem de uma coisa? Desse jeito, os produtores estão mais do que certos. Basta ver o público dos shows do Garbage e do Gangue of Four, do Living Colour ou do Air Suply no último final de semana.
Fiquei com pena dos artistas. Pistas vazias, eco no ginásio, público frio, nenhuma matéria no dia seguinte. E não é porque são bandas menos famosas. Sabem qual show do Iron Maiden no Brasil teve o menor público? Pois é.
Precisamos ver os motivos disso. Será que mineiro não gosta de shows? Será que os preços estão salgados demais? Falta mais divulgação? As bandas que vem pra cá não interessam mais? Mas por que elas dão certo fora daqui? As casas noturnas são ruins, sem estrutura, com péssima acústica? As pessoas preferem ver pelo DVD? Faltam segurança e estacionamento?
Não sei. Só sei que não podemos mais reclamar que BH não tem shows. As bandas tem vindo sim. Mas daqui a pouco não virão mais. É uma vergonha receber uma banda de nome internacional com menos de 200 pessoas no ginásio. Tem alguma coisa errada com isso.
Ah! O Faith No More foi o último. Aliás, com um monte de exigência esquisita. Como será que foi, hein?
Produtores! Vamos baixar esses ingressos! Vamos divulgar mais! Conheço gente que sequer soube que o Pet Shop Boys havia voltado. E não ouvi ninguém contar como foi. Nem parece que existiu.
Numa cidade tão carente de eventos, o normal seriam shows lotados. E não o contrário.
Quem tiver uma explicação para isso, que comente por aqui.
Outro dia recebi a visita de um amigo de São Paulo aqui em Belo Horizonte. A primeira pergunta foi sobre a Savassi. Contaram para ele, antes mesmo de vir pra cá, que era lá que se concentravam os bares, restaurantes e lojas descoladas da cidade.
Era um sábado à tarde. Depois de almoçarmos no Redentor e tomarmos um chopp bem ao estilo carioca, já que a casa mais se parece com aquelas de Ipanema, saimos para bater perna. "Depois te levo num boteco pra umas cachaças", disse.
Fiquei com vergonha. Passava das 15h e quase todas as lojas da Savassi, que percebi nesse dia nem serem tantas assim, já estavam fechadas. Além disso, as melhores se mudaram para os shoppings. Meu amigo não iria conhecer nenhuma versão mineira da Oscar Freire.
As ruas já estavam vazias também. Não havia mais muita gente passeando por ali (e ele queria ver gente bonita). Sugeri um café. Pensei na Travessa, no Letras, na Status e no Três Corações. A maioria apenas tem mesas internas e o dia estava lindo. Acabamos indo a um destes que prefiro não citar. Para meu azar, o atendimento não foi muito bom, o pão de queijo estava minúsculo e, você sabe, paulista avalia prestação de serviço com uma lupa.
Depois do café, aí sim a Savassi parecia morta. Isso por volta das 16h de um dia claro. O único movimento era o de poucos carros na Getúlio Vargas com Cristovão Colombo. Não havia mais nada a se fazer por ali, nenhum lazer adicional, eventos públicos, cafés, nada. Pensei no Pátio. Mas que graça teria levar um paulista para ver um shopping já que São Paulo possui tantos?
Nesse dia percebi como a Prefeitura, associações de moradores, comerciantes, arquitetos, produtores, agentes de turismo e nós mesmos, belo horizontinos, não sabemos investir e aproveitar um bairro tão gostoso que poderia ser realmente nosso cartão postal ou ponto de lazer turístico.
Todas as grandes cidades do mundo tem lugares agradáveis que servem de visitação. Geralmente com boas lojas, bons bares e uma oferta de lazer constante para os moradores locais e turistas. Cafés abertos, mesas nas ruas, passeios em quarteirões fechados, arborizados, bancos, mesas, livrarias, sorveterias, praças, shows nas ruas, músicos, pintores, artistas e uma série de atrações.
BH, que sequer tem mar ou outra forma de entretenimento público, deveria, por isso mesmo, investir alto nisso. E a Savassi deveria ser esse lugar. Está tudo lá! É só fazer.
Já ouvi uma centena de gente cobrando isso em conversas com amigos. Dizem, nunca vi, que existem projetos que tornariam alguns quarteirões fechados e mais usuais para pedestres. Todos aqueles que dão na Praça da Savassi seriam fechados e reestruturados. Mas, como sempre, nada em nossa cidade vai pra frente. São projetos eternos, de gaveta. Não há liderença política, vontade, gente a fim de fazer isso virar realidade e investimentos. Ou, simplesmente, sempre aparecem as forças contrárias para estragar tudo (BH quase não tem eventos nas ruas porque somos um povo intolerante. Tem sempre um chato para reclamar ou proibir. Lembra do Carnabelô?).
A Savassi é linda. Já foi mais agradável é verdade, mas pode se tornar um local incrível. Não sou arquiteto, mas os canteiros, calçadas, bancos deveriam ser mais padronizados (o que existe é insuficiente e isolado, cada calçada é de um jeito, cada canteiro de árvores de outro). Tudo deveria ter uma identidade. Ruas mais comerciais poderiam ser fechadas para os carros, terem mais flores, bancos, luzes especiais e horários extendidos de funcionamento. Outras poderiam se tornar reduto de cafés, com cadeiras nas calçadas e policiamento.
A Prefeitura poderia investir em projetos com artistas plásticos e músicos que se apresentassem em locais específicos e vários eventos poderiam ser criados. Estacionamentos subterrâneos existiriam para desafogar as ruas assim como outras intervenções urbanas.
Por que será que nada disso vai pra frente e não sai do papel? Onde estão nossos vereadores além de aprovarem novos nomes de ruas e bobagens do tipo? Arquitetos engajados e gente a fim de fazer do turismo uma geração constante de renda?
Imagine se eu pudesse levar meu amigo a um quarteirão fechado para tomar um café, ouvindo um jazz e vendo gente bonita num sábado a tarde? Você gostaria? E se a Savassi tivesse vida o sábado inteiro, além do domingo?
A Savassi está morrendo. As casas antigas virando prédios (aí sim não teremos tempo de fazermos nada). Será que estamos fadados a virar apenas piolhos de shopping centers murados, com seus estacionamentos cada vez mais caros e sem ver ou sentir a luz do dia?
Fica aqui o meu protesto. Belo Horizonte precisa e merece ter uma Savassi melhor.
O último artigo sobre o Dia Mundial Sem Carro levantou várias questões sobre o trânsito em BH. Entre tantos outros problemas como segurança e saúde, o trânsito é também um dos problemas mais urgentes na nossa cidade. Não há uma só pessoa que esteja preocupada. E haja paciência nos horários de pico.
Conversando aqui e ali, levantei alguns problemas que coloco agora em forma de tópicos.
Avenida Senhora do Carmo:
Pronto. Já se passaram alguns dias desde a última intervenção da BHTrans na avenida e todo mundo viu que de nada adiantou inventarem aquela pista de ônibus na parte central da avenida. Você percebeu alguma melhora?
Passo ali com frequência nos horários de pico e pra mim a coisa só piorou. Teria sido bem melhor se a pista exclusiva dos ônibus tivesse sido colocada nas pistas laterais. Não ia nem precisar daquelas obras que fizeram. Melhor, inclusive para os pedestres, que hoje precisam atravessar o canteiro para pegarem o transporte. Além disso, os sinais a mais que foram instalados estão segurando mais o trânsito. Às 8h da manhã o engarrafamento vai até a curva do Ponteio. Antes fluia bem mais rápido.
Pista exclusiva de ônibus é uma ótima idéia, mas acho que erraram na posição. E essa confusão toda para o transporte público ganhar mais 3 segundos é rir da minha cara e do dinheiro público.
Aliás, a BHTrans é assim. Inventa as coisas, mas não tem coragem de dar o braço a torcer quando erra. Vocês já leram a seção de cartas do Estado de Minas? O leitor aponta situações graves e a BHTrans tem resposta pronta pra tudo. Não assumem nada nunca. Eta pessoal arrogante.
Sinais de trânsito
Até hoje os engenheiros da BHTrans não perceberam que o melhor para o trânsito é planejar melhor a posição, a quantidade e o tempo dos sinais. O tráfego em BH não flui! Vocês não acham que tem sinal demais em BH? Muitos a menos de 100 metros um do outro. E é um tal de sair de um e cair no próximo. Gente! Menos sinais! Quem quiser retornar que ande mais um pouco. Não dá para ter cruzamento em todas as ruas.
Pista da esquerda
Tem muito motorista por aí que tira a carteira, mas desconhece uma regra básica: mantenha-se à direita. Em avenidas, o erro é frequente. Gente devagar na esquerda impedindo aqueles que querem ultrapassar. O trânsito agarra. Se esse pessoal fosse mais educado, com certeza o trânsito de BH ia fluir bem melhor. Está sem pressa? Mantenha-se à direita! Dê passagem. Tem gente que anda devagar demais na pista errada.
Seta
Dar seta é uma ação rara. Seta e nada é a mesma coisa para muitos motoristas da cidade. Gente! Sinalize o que vai fazer para quem vem atrás. É uma questão de segurança inclusive. Avisar se vai estacionar, se vai virar. Tudo com a antecedência devida. Seta não é acessório não. É obrigação.
Estacionar ou entrar nas garagens
Você com certeza já passou pela desagradável situação de diminuir, dar seta e avisar que vai fazer uma baliza ou entrar numa vaga numa rua mais movimentada. E o que acontece? O motorista que vem atrás não espera, não pára, não deixa você estacionar e ainda te xinga! Será que ele pensa a mesma coisa quando acontece com ele? E entrar na sua própria garagem? É quase um crime. Quem vem atrás, não diminui, cola na sua traseira e ainda buzina. Será que esse fulano também não tem uma garagem ou vaga para entrar? Eu hein... Falta de educação. Gentileza no trânsito é fundamental.
Dar passagem a quem quer entrar
Essa é igualzinha a de cima... Será que os motoristas de Belo Horizonte acham que estão numa disputa para ver quem chega primeiro? Por que diabos as pessoas simplesmente não dão passagem às outras, não deixam as outras entrarem numa rua ou mudarem de pista? Alguns fingem que não estão vendo, olham pro outro lado, fingem que estão mudando a estação da rádio ou até mesmo fecham a passagem diante um sinal fechado. Grosseria das mais feias. Falta humanização no trânsito de BH.
Motoqueiros
Tá, motorista de carro não respeita motoqueiro. Mas nem eles se respeitam! É uma roleta russa ver aquele povo te ultrapassando pela direita, pela esquerda, roçando seu retorvissor pelo meio. Por causa da velocidade que eles se aproximam e por causa do ponto cego dos carros, às vezes a coisa complica. E depois a culpa é dos carros.
Fiscais da BHTrans
Por que será que tem centenas de fiscais multando faixa azul e não vemos os fiscais nos lugares e nas horas que mais precisa? Será que é mais importante multar gente que fica 20 minutos a mais numa vaga e que não está impedindo o trânsito do que gente mal educada que fecha cruzamento, que pára em fila dupla quando deixa criança na escola ou faz coisas muito mais graves? Se a preocupação máxima da empresa é mutar para educar, vamos multar quem mais precisa! O que não dá é a BHTrans só pensar em faixa azul 24 por dia. Aliás, por falar em 24h por dia, por que não vemos funcionários à noite, ou nas madrugadas? Pelo menos nos finais de semana? Fica a sugestão. Ah! E Guarda Municipal, cuja criação original foi proteger patrimônios públicos, deveria no máximo educar motoristas e pedestres, sem multar.
Ônibus
Por que motoristas de ônibus são tão mal educados? Não quero generalizar, mas muita gente reclama que eles não param nos pontos, que eles arrancam sem esperar, que correm e freiam demais. Que andam juntos com outros colegas (passar dois ônibus juntos é muito normal). Além disso, que profissão! Uma coisa é pegar um ônibus por algumas horas, outra é ficar com aquele ronco de motor na cabeça. Coitados! Será que é por isso que eles são tão mal humorados? E quando eles fecham os cruzamentos? Afe!
Taxistas
Sem generalizar, tem muita gente que também anda reclamando dos taxistas. É um tal de parar onde quer e na hora que quer. Virar sem avisar. Não dar seta. Todo mundo segue as leis do trânsito. Parece que os taxistas estão isentos desta obrigação. E mais... taxi em BH está pela hora da morte.
Pedestres
Assim como tem muita gente que continua passando fora da faixa de pedestre, vemos muitos motoristas parando seus carros nas faixas ou ultrapassando em sinais vermelhos ou arrancando antes do sinal abrir, correndo o risco frequente de atropelar alguém. A vida humana não vale nada, não é mesmo? Idosos são desrespeitados e todo motorista de carro acha que é mais importante que alguém que está a pé. Inversão de valores.
Governo e imprensa
Gente... o trânsito mata, o trânsito estressa, o trânsito está um caos. Mais do que obras, educação é a solução. Vamos investir mais nisso? Que as multas da BHTrans virem programas de educação maciças, em impressos, rádios, TV, internet. Que tal falar mais nisso?
Motoristas de BH estão precisando rever o Bê-a-bá!
Ô dona Maria, ô seu José! Está fazendo o quê na pista da esquerda? Deu seta antes de virar? Deixou seu vizinho entrar na garagem ou estacionar? Bebeu antes de pegar o carro? Viu que fechou o cruzamento? Está parado em fila dupla ou lugar proibido? Deixou o pedestre passar? E por que não deixou aquela moça entrar?
Mais gentileza gente... menos agressividade no trânsito também.
Bom pra você. Bom pra todo mundo.
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No último dia 22 de setembro, vários brasileiros foram "convidados" a deixar seus carros na garagem e utilizar o transporte coletivo ou meios alternativos, como bicicletas. A idéia surgiu na Europa há 11 anos e outros países acabaram adotando o movimento. O Brasil, mesmo que modestamente, também.
Na TV, matérias com aquela intenção bonita. Imagens de engarrafamentos, muita fumaça e poluição se contrastando com gente andando de bicicleta, indo para o trabalho de patins e coisas do tipo. O discurso era um só, dizer que era melhor para salvar o planeta. Tudo muito saudável. E inclusive, deve fazer bem para as pernas.
Seu colega, na mesa ao lado, sensibilizado, acaba dizendo a mesma coisa, ainda que ele também tenha ido, como você, de carro, e sozinho, para o trabalho.
Vamos lá leitor, sejamos honestos e sinceros. Você tem mesmo vontade de deixar seu carro na garagem para esperar um ônibus no ponto mais próximo da sua casa? Você já olhou os preços das marcas de bicicletas para planejar uma compra naquele site mais famoso? Está sensibilizado o suficiente para tornar esta intenção das matéria dos telejornais em uma ação prática? Ou vai ficar ai sentado esperando os "outros" deixarem seus carros em casa para você poder ir no seu e encarar uma rua mais tranquila?
Ok leitor, você já tem a sua conclusão a meu respeito (não deixei meu carro em casa). E acredito que você, infelizmente, aja da mesma forma. Não dá para ser hipócrita. Ligue a TV e lá estarão as várias propagandas sedutoras de carros, com seus preços maravilhosos e eternos últimos dias de feirões de fábrica para te convencer a comprar um zero KM. Com os galãs mais bonitos, as mulheres mais poderosas e o life style de felicidade. Afinal, se você não tiver um carrão daqueles jamais saberá o que é ser feliz não é mesmo?
O governo, para não deixar a peteca da economia cair, baixou os impostos e quer que as vendas de carros batam recordes. O mundo inteiro pensa assim. Quanto mais você consumir, mais empregos o país terá, mais gente ganhará salários para consumir ainda mais e assim a roda da fortuna continua.
Na opinião dos economistas, vamos todos comprar! Novos carros, novas geladeiras, novos computadores, novos tênis, sem se importar se eles são mesmo feitos no Brasil ou quanto se emite de CO2 para construir um novo ferro de passar roupas. O importante é comprar, comprar, comprar!
E lá vem o conto da carochinha do Dia Sem Carro. Deixe seu carro em casa! Pegue o ônibus! Vá a pé, skate, patins ou de bicicleta! Fácil falar. Ora! Antes que eu solte um palavrão, e que me chamem de inconsequente ambiental, quero deixar aqui meu protesto.
Deixarei meu carro sim, desde que a prefeitura de minha cidade não desvie as verbas e invista pesado em bom transporte público, com mais linhas de ônibus, com mais horários, com mais conforto, segurança e motoristas educados. Que invista em metrôs subterrâneos (se eu morasse em Londres, Paris ou NY jamais teria carro). E em obras para melhorar as vias como criação de high ways, duplicação, viadutos, tunéis, trincheiras, melhoria dos asfaltos, sinalização (de chão, porque desse excesso de sinais ninguém aguenta mais). E trânsito rápido polui menos.
Deixarei meu carro sim, desde que os governos do mundo entendam que não dá mais para segurar sua economia interna mandando seu povo comprar e consumir para que mais empresas e indústrias batam recordes de vendas e de impostos arrecadados. Querem criar empregos? Que tal democratizar os horários. Baixar de 44 horas para 30 semanais e aumentar o consumo do entretenimento. Assim as pessoas vão gastar ocupando de forma criativa o seu tempo.
Deixarei meu carro sim, desde que os órgãos ambientais consigam elaborar novos projetos de carros menos poluentes ou menores (por que os carros ainda tem o mesmo tamanho desde que foram inventados? Por que não criar carros de dois lugares, menos poluentes, menos possantes e próprios para cidades e pessoas que andam sozinhas?). Já repararam que tudo diminuiu de tamanho (nanotecnologia), menos o tamanho dos motores?
E deixarei meu carro em casa quando a discussão for mais séria do que estas pautas politicamente corretas de telejornais no tal Dia do Sem Carro, que mostram políticos indo para o trabalho de bicicleta para saírem mais simpáticos nas entrevistas. E de preferência sem essa repetição anual de imagens mostrando que em Amsterdã (cidade pequena e totalmente plana) todo mundo trafega de bike e deixa a sua tranquilamente na rua, sem medo de furtos.
Continuarei de carro sim, enquanto Belo Horizonte, com nossos morros, ruas íngremes e ladrões a solta não permitir qualquer sonho em duas rodas.
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PS (bem depois que a coluna foi escrita e publicada):
Curioso! Ao contrário do que imagina o leitor menos atento (vide comentários), este artigo não é contra o meio ambiente ou a favor dos carros. Muito pelo contrário. Está apenas questionando que tal movimento não faz cócegas. Infelizmente, ele é hipócrita. As pessoas acham bonito na TV, mas não seguem na prática. Os maiores anunciantes da TVs, que passam estas lindas matérias sobre o movimento, são justamente os fabricantes de carros (que inclusive prometem potência dos veículos, quando a gente sabe que alta velocidade é ilegal e perigoso). Não preciso nem falar da redução dos IPIs (você conhece alguém que foi contra?).
É isso!
Abraço a todos!
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