Blog do Douglas Cunha


14 de outubro de 2009 06:38 pm

O primeiro alívio

Ana Tereza era uma das belas filhas do comendador Gomes da Silva. Moça requintada e de beleza ímpar, era muito cortejada pelos varões das mais tradicionais famílias de São Luís, no tempo em que a capital do Maranhão era a “Athenas Brasileira”. Época em que a cultura era levada a sério, principalmente  a erudita.Todas as moças de família tinham que saber tocar piano. Assim era Ana Tereza.

Nos saraus de fim de semana, ela sempre executava peças de Catulo da Paixão, Villa Lobos e até mesmo de Chiquinha Gonzaga que não era bem vista pelas famílias, por ter ousado  em lançar-se artista em uma época em que isto não era permitido para mulheres.

Diariamente, sempre no início da noite, enquanto aguardava  Francisco de Assis Peçanha,seu namorado, ficava na saleta, ao piano, tocando Mozart, Chopin e outros. Quando Francisco chegava, iam para a sala onde sempre estavam o comendador e a esposa Dona Gertrudes e demais membros da família, conversando sobre políticas ou comentando os preços dos produtos chegados da Europa ou do eixo Rio-São Paulo, no navio  Raul Soares, e outras amenidades.

Num belo sábado de verão ludovicense, a família almoçou uma feijoada preparada por Maria Preta, cozinheira de “mão cheia”, que preparava os melhores quitutes da cidade. Ana Teresa adorava feijoada e comeu sem restrições. O pecado da gula não ficou sem castigo e desde o meio da tarde a bela Ana Teresa passou a soltar gazes de odor insuportável; Diante disto ela foi para a saleta onde passou a tocar o seu piano. De vez enquanto, suspendia o bumbum do acento e soltava os gases que enchiam a saleta de forte fedentina e ela exclamava com sua vozinha doce e terna:

- “Que alívio...

Assim Ana Tereza soltou cerca de seis “foguetes” e já no sétimo da série, observou um vulto na soleira da porta.Virou-se e viu o que não desejava. Ali estava  Francisco de Assis,um jovem bem apessoado, dentro de um terno de casimira azul marinho, barba bem feita e bigodes aparados, constituindo-se em um exemplar da espécie masculina da melhor estirpe da cidade,  que a olhavam com grandes olhos castanhos e um sorriso maroto nos lábios. Preocupada, Ana Tereza se apressou em perguntar:

- “Oh! Amor, estás aí há muito tempo?


Francisco respondeu sorrindo:


- “ Desde o primeiro alívio, meu amor”.


Ana Teresa  saiu correndo para o seu quarto e trancou-se, permanecendo ali até o dia seguinte, sem querer falar com ninguém. No início da tarde enviou por Mariquinha, a negrinha que trabalhava  em sua casa, um bilhete para Francisco de Assis, acabando com o namoro, e daí passou a evitá-lo. Até mesmo deixou de assistir às missas dominicais da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, no Largo dos Amores, somente para não dar de cara com Francisco.

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10 de julho de 2009 05:54 pm

O FOFÃO

Era período pré-carnavalesco e, todos os sábados, a Banda da Saudade  se concentrava na praça do mesmo  nome, reunindo centenas de foliões e grupos Carnavalesco. Os grupos carnavalescos da Madre Deus se faziam presentes e a animação era grande, regada a muito chope, catuaba e também com muitas mulheres, oriundas de todas as partes da cidade.

A turma da “munheca mole” também pontilhava, apresentando suas fantasias. Cada qual mais espalhafatosa e a cada instante soltavam-se gritinhos nervosos. No melhor estilo da qualhiragem. Ali se via também as fantasias tradicionais como o urso, pierrô, colombina, palhaços, arlequins e, principalmente, fofões. Eram muitos os fofões a pular na animação, dando um colorido especial à praça que neste período, ficava mais distante ambiente triste do “campo santo” ali localizado. Dizem que a festa era boa, que até mesmo as defuntos davam um tempo ao descanso eterno e saiam de suas tumbas, para cair na folia entre tantos muito vivos que ali se divertiam.

Mas nem tudo era festa. Vez por outra  apareciam alguns que excediam na catuaba e ficavam valentes. Para estes, os seguranças davam um “trato” especial e depois entregavam para a polícia.

Num destes sábados festivos, apareceu na praça um fofão diferente dos demais, que chamava atenção pela sua altura acima de 1.80. Pelas cores da fantasia azul com pica-paus vermelhos e flores amarelas. Tudo com tamanho excedente. O fofão era um dos mais animados, pulava mais que urubu na chapa quente e com o mesmo furor sorvia garrafas e garrafas de catuaba.

Lá prás quatro da tarde, o fofão já estava mais alto que o custo de vida e mal se mantinha em pé. Seus movimentos já eram lentos mas, mesmo altamente bêbado, não tirava a máscara de Diabo que lhe cobria a cara. Apesar do muito álcool tudo ia bem até que em negrão arruaceiro que morava no “Come Fedendo”, pisou de mal, no pé do fofão, que se agitou e respondeu a provocação, aplicando um sonoro tapa no pé do “escutador de reggae” (ouvido) do desafeto.

Os dois se engalfinharam e o fofão demonstrando muito habilidade com as artes marciais, conseguiu vencer e dominar o negrão. Nesse momento chegou uma patrulha da Policia Militar que pegou os dois valentões e os levou para o plantão da Reffesa. O fofão estava tão bêbado e cansado que não conseguia nem falar.

Ao chegar na permanência do plantão, o sargento comandante da patrulha se dirigiu ao comissário e perguntou pelo delegado de plantão. Neste momento o fofão tira a mascara.
-  “ Comissário, aqui estão estes dois vagabundos que estavam brigando na banda da Saudade. Quem é o delegado de plantão?
E o comissário retrucou pacientemente:
- É  este aí vestido de fofão.
Todos caíram em gargalhada geral.

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10 de julho de 2009 05:52 pm

MEDO DE ESTUPOR

“Paulão” era um mulatão gordo e saudável. Se gabava de não ter doenças e que para isso cuidava muito bem do corpo. Na verdade, “Paulão” nunca foi dado ao trabalho. Fazia da Zona do Baixo Meretrício seu habitat e sobrevivia de “enroladas”, comprando os produtos dos pequenos furtos praticados pelos vagabundos da ZBM. Isto lhe rendeu algumas horas de xadrez na Delegacia de Furtos e Roubos. Sua reputação não era das boas. Pois também era dado ao carteado (jogo de baralho). Era bamba no “relancinho” e os que o conheciam sabiam que costumava roubar também no jogo.

“Paulão” um dia teve uma idéia, que poderia lhe render um bom dinheiro e não hesitou em colocá-la em pratica. Alugou um sobrado na Rua da Saúde, adquiriu algumas camas e colchões no leilão do Colares, e na 4.400 algumas bacias plásticas, toalhas e etc. Montou tudo e fez uma viajem para a Baixada, passando por São Bento, Cajari, Bacurituba, Bequimão e Pinheiro, onde recrutou jovens entre 14 e 16 anos, a quem chamava de “galetinhos de primeiro de maio”. Estava montado o bordel do “Paulão”.

Em virtude da qualidades do “produto” que oferecia, “Paulão” passou a ganhar muito dinheiro, mas mesmo assim não deixava de jogar baralho e de comprar “bagulho” dos ladrões da ZBM. Sempre vestido de calças e camisa de linho branco, “Paulão” ficava dia e noite em um quarto nos fundos do sobrado, onde jogava baralho com seus parceiros. Um dia, “Sombra” , um vagabundo que vivia anunciando que estava regenerado, vendeu-lhe uma aliança grossa de ouro 18, que havia furtado de um aposentado bêbado que dormia na mesa do Bar do Chico Bicicleta. Era uma jóia de família, muito reluzente, coisa boa, que “Paulão” ostentava orgulhoso na mão esquerda.

Um dia, já cansado por ter passado quarenta e oito horas jogando “pif” ininterruptamente, “Paulão” dormiu na mesa de jogo e quando acordou estranhou estar sozinho no quarto, a mesa de jogo também estava completamente vazia, “Paulão” percebeu que sua mão esquerda também estava completamente vazia. A sua mão estava mergulhada em uma lata que continha água e sabão. Viu que haviam lhe roubado a aliança. Enfurecido o crioulo se dirigiu ao 1° Distrito Policial, onde apresentou denúncia ao comissário Djalma, de quem ouviu alguns “carões”, tendo aquela “autoridade” lhe perguntando como era que ele, um conhecido receptador tinha a audácia de apresentar queixa do furto de um objeto fruto de crime da mesma natureza. “Paulão”, meio sem jeito, respondeu:

- “Comissário Djalma, não é pelo furto, não senhor. Eu tô dando queixa é porque deixaram minha mão dentro d’água enquanto eu dormia. Isto podia fazer eu pegar um estupor”.

A gargalhada foi geral entre os plantonistas do 1° Distrito. “Fulo” da vida “Paulão” saiu dali com destino à Farmácia de Povo, na Rua Jacinto Maia, onde solicitou de “seu” Zequinha, uma caixa de pípulas contra estupor, e tomou os comprimidos, temendo ainda que o  pior pudesse lhe acontecer.

 

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10 de julho de 2009 05:35 pm

AJUDANDO NA ECONOMIA DOMÉSTICA

Aníbal e Rosinha formavam um belo casal. Ele era um homem de feições rudes mas de físico bem delineado, chegando a lembrar, com seus cabelos grisalhos, o ator José Mayer. Rosinha era uma loira que tinha corpo bem torneado, pernas grossas, nádegas firmes e bamboleantes, feições finas e rosadas. Era na verdade uma bela mulher que, por onde passava, chamava atenção de todos.

Eram pobres mas, felizes. Aníbal trabalhava em uma fabrica de calçados e ganhava pouco, motivo pelo qual estava sempre “aperriado”. Tudo que ganhava era pouco para pagar a quitanda do fim da semana. Mesmo enfrentando dificuldades, Aníbal se esforçava para aumentar sua produção e ganhar um pouco mais, visto que tinha que manter a esposa sempre bem vestida, bem arrumada. Para isso, não gastava com coisas supérfluas. Tomar  uma cerveja? Nem pensar. Sair com outra mulher? Nem em sonho.

Um dia Aníbal foi surpreendido por Rosinha que lhe falou de sua disposição em trabalhar, para ajudar no orçamento domestico. Aníbal questionou, pois sabia que emprego não estava fácil, mas Rosinha argumentou, que ia ser uma prestadora de serviço, fazendo faxina em apartamentos de famílias ricas, no Calhau.

Jeitosa como ninguém, Rosinha terminou fazendo com que Aníbal permitisse que trabalhasse. Logo na segunda-feira, os dois saíram e na parada de ônibus se despediram. Aníbal seguiu em direção ao Anil, onde estava localizada a fabrica de calçados e Rosinha em direção ao Calhau, onde muitas pessoas desejavam tê-la  como diarista, como dissera ao marido. Tudo ia bem e todo dia Rosinha chegava em casa no final da tarde. Banhada cheirosa com o cabelo bem lavado e com dinheiro na bolsa. Passando a ajudar nas despesas da família. Logo passou a comprar roupas e jóias, ficando um luxo, ainda mais bonita. Aníbal era ético e não perguntava a mulher, quanto ganhava. Semanas se passaram e a situação econômica da família era outra. As coisas se “folgaram” e Aníbal não comprava mais fiado na quitanda de “ Zé Linguarudo”. Que já estava levantando suspeitas contra Dona Rosinha, dizendo que ela só podia estar roubando na casa dos patrões, visto que até os móveis da sua casa já estavam sendo trocados por outros mais finos, comprados na Classe Decorações.

Aníbal estava mais “folgado” e até estava tomando cervejinhas com os amigos no final de semana, e sempre aos domingos, fazia um churrasco no quintal de sua casa com Rosinha e os vizinhos mais chegados, a quem dizia que pretendia logo comprar um carro prá passear com a “patroa” e os meninos.

Os cunhados, que não os visitavam, de vez em quando ali chegavam com os filhos e esposas, para se deliciarem na “boca livre”. Tudo era felicidade. Mas como o Diabo é moleque,  um dia Aníbal teve que ir ao Centro, comprar uns metros de tecido com que presentaria Rosinha no dia de seu aniversário, que seria no domingo vindouro. Assim fez, e levou consigo seu amigo “Totó Nigrinha”,  que tinha este apelido por gostar de falar da vida alheia e que não sabia guardar segredo de ninguém. Depois das compras e, como tinha sobrado algum dinheirinho, Aníbal convidou “Totó Nigrinha” para irem tomar uma cerveja no Bar São Sebastião, situado próximo a firma Oscar Frota, num lugar chamado “Xirizal”, na área do Mercado Central, onde iriam conferir se tinha alguma puta nova no “pedaço”.

Aníbal penteou o cabelo, ajeitou o colarinho, e estufou o peito para entrar no “puteiro” com ar de magnata. Assim fez, mas logo que passou no batente, deu de cara com uma cena que o deixou de boca aberta. Ali estava Rosinha dentro de um vestido modelo tubinho bem curtinho que a qualquer movimento mínimo, aparecia sua calcinha rendada mostrando os pelos pubianos, sentada no colo de um “coroa” a quem beijava sofregamente.

Aníbal nada disse e virou em cima dos calcanhares. Sabia que sua vida ia ser um inferno diante dos comentários que “Totó Nigrinha” ia fazer no bairro. Afastou-se alguns metros e sacou da faca de sapateiro, passando-a na garganta, tentando morrer. Rosinha e “Totó” correram em seu socorro e levaram para o hospital, onde Aníbal escapou da morte, mas ficou com seqüelas, não conseguindo falar mais. Até hoje “Totó” comenta com toda “nigrinhagem” do bairro, com riqueza de detalhes, o dia em que Aníbal descobriu que era mais um corno da Cidade dos Azulejos.

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10 de julho de 2009 05:32 pm

TERRÍVEL VINGANÇA

Ana Rita veio do interior do Maranhão, igual a muitas outras jovens, em busca de melhores dias, mas como não tinha nenhuma habilitação profissional, acabou na cozinha de Dona Gertrudes, uma funcionária pública, casada com o Dr. Rufino, um advogado atuante no Fórum da Praça Dom Pedro II. A família morava no bairro dos Remédios, numa morada inteira muito bonita e bem cuidada pelas quatro empregadas. Era uma moradia bonita com beira acentuada, que bem demonstrava o poder econômico da família.
Dona Gertrudes era uma senhora muito distinta e tratava as empregadas com muito carinho, sempre muito compreensiva, razão pela qual era muito estimada por todas as suas domésticas.

O doutor Rufino era totalmente diferente. Rabugento, reclamava de tudo. O piso de tábua corrida, tinha que estar brilhando sempre, os móveis impecavelmente limpos e “azeitados” com óleo de peroba. Os banheiros, então, tinham que estar com louças imaculadamente brancas. Até mesmo o das empregadas. O Doutor Rufino estava atento a tudo. Quando chegava em casa para o almoço, reparava tudo e, se achava alguma coisa fora dos conformes, era aquela esculhambação na criadagem. Doutor Rufino era obcecado por limpeza e por isso mesmo só usava termo branco de linho acetinado, que tinha que ser bem lavado e engomado, “bornido”. Ele, logo que viu Ana Rita, a quem as colegas passaram a chamar de “Ritinha”, não foi com a cara da jovem, e só tratava de “aquela negrinha”. O doutor era racista. Tudo que via ou julgava errado, atribuía a culpa a “Ritinha”.

O doutor Rufino estava transformando a vida da domestica num verdadeiro inferno.
Muito bonitinha de corpo, pernas grossas, cintura fina e bumbum arrebitado bamboleando dentro do vestido de chita, rosto de traços finos e boca carnuda, “Ritinha” mexeu com o coração de Ribamar, um lavador de carros que fazia ponto no Largo dos Remédios. Ela também se interessou pelo crioulo e os dois passaram a namorar. Todas as noites, quando se encontravam na Praça Gonçalves Dias para uns “acôchos”, Ritinha contava pro namorado, as esculhambações que lhe eram dadas pelas mínimas coisas, pelo doutor Rufino. Ela chorava e era consolada por “Ribinha”, que lhe dizia que era pra ela ter calma, pois já havia conseguido um terreno numa invasão lá pras bandas da Gancharia, no Anjo da Guarda, onde ia construir um barraco, onde iriam morar juntos e então ela não precisaria estar na cozinha de ninguém, sendo humilhada.

Meses se passaram e “Ribinha”, nos fins de semana trabalhava com afinco na construção do barraco. “Ritinha” continuava carregando sua cruz, ouvindo insultos e humilhações do doutor Rufino, que a cada dia se tornava mais chato, insuportável, não abria mão de perseguir a pobre da “Ritinha”. Ela por algumas vezes, chegou até a pensar abandonar o emprego, mas era demovida desta idéia pelas colegas e consolada por Dona Gertrudes, que tinha sempre uma palavra carinhosa para com ela a quem chamava de minha filha, longe, logicamente, de doutor Rufino. Os dias se passaram e “Ribinha” conseguiu terminar a construção do barraco, com a ajuda de alguns amigos que “batalhavam” em troca de mocotó e cachaça. Logo à noite avisou Ritinha, de que no dia seguinte, iria buscá-la para se amaziarem. A moça já não agüentava tanta pressão de doutor Rufino e aceitou a proposta de “Ribinha”, afinal era um jovem trabalhador que mostrava ser responsável. Acertaram tudo e “Ribinha” marcou a horas  em que iria buscá-la. Tudo certo, “Ritinha” comunicou a Dona Gertrudes a sua decisão e dela recebeu alguns conselhos e a franquia de que se o “casamento” não desse certo, sua vaga na cozinha estava garantida.

Logo à noite Dona Gertrudes pagou o salário de “Ritinha” dando-lhe mais alguns trocados como gratificação. “Ritinha” arrumou as coisas e foi dormir. Pela manhã, acordou cedo, fez o café, e aguardou os patrões levantarem para fazer a primeira refeição. Momentos depois, Dona Gertrudes e o doutor Rufino sentaram-se à mesa já pronta para o do café da manhã e para logo em seguida saírem para trabalhar. Doutor Rufino, como sempre, bem vestido no seu terno branco. “Ritinha”, muito solícita, serviu para o patrão um copo de refresco de graviola, que sabia ser sua fruta predileta. Ele até estranhou, mas como ela já estava mesmo de saída do emprego, pensou que era apenas um ato de manifesta gratidão por tê-la aceitado em sua casa.

Logo “Ribinha” chegou, e “Ritinha” se despediu das colegas que choravam enquanto “Ritinha” ria às gargalhadas. Enquanto isso doutor Rufino chegava ao Tribunal de Justiça onde tinha audiência marcada e parou na escada para conversar com os outros advogados, inclusive alguns desembargadores. Neste momento ele sentiu uma revolução na barriga e pensou que se tratava apenas de “libertação” de gases, mas o que aconteceu foi uma verdadeira desgraça. O peido saiu com molho quente, enchendo-lhes as calças, que em sendo brancas nada esconderam. Os sapatos também ficaram encharcados. Uma forte fedentina tomou conta de todo o prédio, e cabisbaixo, humilhado com as gargalhadas dos motoristas e seguranças que estavam em frente do Tribunal, se retirou para sua casa, de onde nunca mais saiu. “Ritinha” ficou sabendo de tudo no domingo seguinte quando recebeu em sua casa, a visita de “Cotinha” e Maria da Glória , suas colegas de serviço na casa do doutor. Ai foi que ele disse que tinha colocado um vidro inteiro de remédio para prisão de ventre  no refresco preferido do Dr. Rufino. A sua vingança estava feita.

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01 de abril de 2008 12:32 am

A devoção

Alonso era um homem pacato e muito caseiro. Era considerado pelos amigos da repartição, um autêntico "Barriga Branca". Depois que casou, nunca mais saiu só. Estava sempre na companhia da esposa Ana Clara.Ele e a família toda, eram católicos fervorosos, que tinham cadeira cativa na fila da frente na Igreja de São Procópio.Alonso não faltava um domingo e, sempre que podia, assistia à missa das quartas-feiras à noite. Todos os freqüentadores da igreja já o conheciam e o padre Anastácio tinha por ele a maior admiração, assim como aos seus familiares.Certo dia, quando Alonso, inclusive fez a leitura litúrgica, o bom homem e sua esposa foram chamados à sacristia e convidados pelo padre Anastácio a tomar o café da manhã em sua companhia, ao que prontamente aceitaram, sentindo-se muito honrados, afinal não era qualquer um que tinha o privilégio de tomar café com o padre, um crioulo de um metro e oitenta, corpo atlético, natural da Bahia.Durante a refeição, onde estavam servidas iguarias da cozinha nordestina como beiju de tapioca , cuscuz de milho e de arroz, bolo de tapioca, pão de milho, café torrado em casa com erva-doce, carne de sol, paçoca, leite de vaca puro, manteiga de garrafa, aipim cozido e outras, o sacerdote, que além de bom de garfo era muito delicado, um verdadeiro gentleman, fez um convite a Dona Ana Clara, uma morena de boa estatura e bem roliça, de pela macia e rosto rosado, lábios carnudos e sensuais, cintura fina destacando os quadris de bom tamanho e bumbum que bamboleava provocante quando ela andava, para ser a coordenadora da Comissão de Senhoras Filhas da Virgem.O convite foi aceito prontamente com a anuência de Alonso, que se sentiu muito honrado com o convite à sua esposa. Ana Clara assumiu o comando da comissão e logo passou a mostrar trabalho, desenvolvendo ações sociais na comunidade, onde ela e o esposo eram muito conceituados.Alonso se enchia de júbilo, todas as vezes que o padre Anastácio elogiava o trabalho desenvolvido por Dona Ana Clara. Tudo ia bem. Às mil maravilhas. Toda quinta-feira, a comissão se reunia para debater as ações e traçar planos. No final, a coordenadora permanecia na igreja para prestar contas ao padre Anastácio, o que geralmente durava até às 23 horas.Pacientemente Alonso ficava sentado à porta da moradia à espera da amada, visto que a Igreja de São Procópio, ficava a apenas dois quarteirões. Assim acontecia todas as quintas-feiras e Alonso não se preocupava com a vigília, já que sua esposa estava fazendo uma boa ação, a serviço do Senhor.Certo dia, porém, aconteceu um apagão inesperado e todo bairro ficou às escuras. Isto preocupou Alonso, que temendo pela segurança da esposa Ana Clara, muniu-se de uma potente lanterna e se dirigiu à igreja. Ali encontrou a porta somente encostada e entrou, com o propósito de ir até à sacristia, mas errou a porta e foi parar nos aposentos do padre Anastácio. Quando acendeu a lanterna, deparou com um quadro inusitado. O sacerdote e sua esposa Ana Clara estavam completamente despidos sobre a cama.Alonso baixou a cabeça e voltou para casa, onde passou a noite em claro, aguardando sua Ana Clara, para cobrar-lhe explicações. Porém, ela não retornou e pela manhã, também o padre Anastácio não mais foi encontrado. Os dois haviam fugido.Alonso hoje anda cabisbaixo e nunca mais entrou na igreja. A molecada do bairro comenta que Alonso deixou a Igreja de São Procópio para ser devoto de São Cornélio.

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20 de março de 2008 10:03 pm

Bebendo com o Diabo

Praxedes não se considerava um alcoólatra, mas sempre nos finais de semana, sentia falta de uma cervejinha bem gelada. Quando tinha algum no bolso, não deixava de tomar suas quatro "lourinhas", tirando gosto com torresmos, na quitanda de João Falador, na Rua do Fuxico. Um certo sábado, Praxedes estava com muito mais vontade de beber cervejas, que nos outros fins de semana, mas não tinha nenhum centavo no bolso, e não tinha o hábito de beber fiado,embora fosse muito amigo do quitandeiro. Foi até à porta de sua casa e ficou olhando para o estabelecimento comercial, onde alguns amigos estavam bebericando e jogando conversa fora.Chateado por não ter dinheiro para beber, Praxedes resmungou: - Hoje eu beberia uma cerveja, nem que fosse com o Diabo. Maria Rosa, sua esposa, estava à máquina de costura e falou: -  Tá doido homem.Não fala uma besteira dessa. Ele é capaz de aparecer pra ti. - Aparece, nada. Retrucou Praxedes, que continuava com os olhos fixos na quitanda de João Falador e naquele momento viu chegando ali um homem alto, branco, que trajava calça e camisa de linho branco, levando um chapéu preto de feltro na cabeça. Parecia um homem muito elegante e educado, que cumprimentou e apertou as mãos de todos. A atitude do desconhecido chamou a atenção de Praxedes, que com a curiosidade aguçada, foi até à quitanda, ficando em pé na soleira da porta. O desconhecido, um homem muito branco de rosto rosado, com  olhos muito azuis, estava sentado em um tamborete e tomando cerveja. Era conversador e tratava a todos como se fossem seus velhos conhecidos. Em dado momento se dirigiu a Praxedes e perguntou: - O amigo não gostaria de tomar uma cerveja? - É, siô, até que seria muito bom, respondeu Praxedes. - Bote uma geladinha pro moço, disse o desconhecido se dirigindo ao quitandeiro. Praxedes foi servido de uma, duas três e muitas, sempre a mando do desconhecido. Já alta madrugada, os demais freqüentadores da quitanda já havia enchido a cara e ido embora. João Falador, já doido de sono, cochilava com a cabeça apoiada no balcão, e então o desconhecido se dirigiu a Praxedes: - Você sabe quem sou eu ? - Sei. O senhor é uma pessoa muito boa, que me obsequiou com cervejas. Uma pessoa muito boa. Disse Praxedes, já bem cambaleante. - Estás enganado. Eu sou o Diabo. Retrucou o desconhecido, tirando o chapéu da cabeça, deixando à mostra um reluzente par de chifres bastante negros. Praxedes  olhou firmemente para os chifres que se sobressaiam entre os cabelos muito louros do desconhecido, e retrucou muito decidido: - Que Diabo, nada. O senhor é marido destas mulheres que vão ao  Paraguai fazer compras. O desconhecido soltou uma estridente gargalhada e desapareceu, deixando a quitanda de João Falador envolta em uma densa nuvem de fumaça  com forte odor de enxofre.

Obs.: Esta crônica teve origem em uma piada que me foi contada pelo amigo Manézinho do Rádio, nos bons templos da Rádio Timbira.

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12 de novembro de 2007 09:11 pm

O DEVOTO

Apolinário  era um homem muito brincalhão. Gostava de fazer gozação com os amigos e, habitualmente, botava apelido em todos. Em virtude de ser negro daquele que se costumava dizer "ritinto", pelo fato de ter sua negritude bem acentuada e por isso mesmo, Zeca Roela, o chamava, ironicamente, de "Alvaiade",  substância muito branca, ao contrário da cor da pele do Apolinário.Além de gozador, "Alvaiade" gostava muito de brincar na noite. Era do tipo notívago contumaz. Bandalho todo. Da "pá virada". Quando tirava pra "brincar", adentrava pela madrugada, porém nunca aos domingos. Este dia era sagrado. Era para ir à missa com a patroa que não abria mão deste costume.Num sábado "Alvaiade" saiu de casa logo cedo, dizendo para dona Maria do Carmo, sua esposa, de que iria visitar um amigo, que igual a ele, já estava aposentado, e que estava doente. Assim fez, mas foi esbarrar na Praia Grande e caiu na gandaia. Primeiramente tomou umas cervejas no cabaré da Faustina e depois caiu na roda do tambor de crioula, até às primeiras horas da madrugada.Já bastante alto de misturar cerveja e cachaça temperada com cravinho, saiu em direção ao Terminal de Transporte Urbano, mas ao atravessar a pista da avenida, ouviu um som de seresta que vinha do Bar Canal. O conjunto executava boleros. "Alvaiade", que era "pé de valsa", não pensou duas vezes. Se dirigiu para lá e deparou com uma crioula alta de bunda arrebitada, dentro de uma saia estoque bem apertada e de blusa imaculadamente branca. Aquela figura o fez lembrar das noitadas memoráveis que viveu no cabaré da Ziloca, e convidou a moça para dançar.O cantor  caprichou no bolero "En la orillla de mar", tentando imitar Bienvenido Granda. Alvaiade foi atacado de profunda nostalgia e caprichou nos breques, sendo acompanhado, com maestria, pela crioula, que marcava bem e estava muito perfumada. O casal dançou horas seguidas até que o cantor anunciou a saideira. Neste momento "Alvaiade" se deu conta de que já eram cinco horas da madrugada, e lembrou que às  seis horas deveria estar saindo de casa com a patroa para assistirem à missa de domingo, na igreja da Cohab.Nessa hora, temendo a "esculhambação" que pegaria, caso não estivesse em casa, no ponto,.na hora de costume, Alvaiade despediu-se da crioula e correu para o lado de fora do bar, pegando o carro do taxista conhecido como "Waldick Soriano", e pediu que o levasse para casa, o mais rápido possível. Waldick ainda cantou umas pérolas do cantor que imitava muito bem, mas Alvaiade não estava nem ouvindo. Queria chegar logo em casa. Ali chegando, abriu a porta da forma mais silenciosa possível, e se dirigiu para o quarto, onde Dona Maria do Carmo dormia plácidamente, dentro de uma camisola lilás."Alvaiade" pensou em deitar-se sorrateiramente, para que ela pensasse que ele havia passado a noite ali, mas no momento em que sentou-se à cama para tirar os sapatos, Dona do Carmo acordou, e foi logo gritando:- "Isto são horas, canalha, de você chegar em casa" ?- "Nada disso, meu amor. Já acordei a tempo, e estou acabando de me aprontar para irmos à igreja. Você sabe que não perco uma missa, pois sou devoto de São Benedito", retrucou "Alvaiade".Dona do Carmo acreditou e os dois foram felizes para o ofício religioso dominical.

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19 de outubro de 2007 07:35 pm

Essas mulheres...

Era sábado. Tarde de sol forte lançando sua luz dourada sobre os telhados, refletindo nos azulejos das fachadas dos velhos sobradões do Centro Histórico  de São Luís do Maranhão. Fazia calor, criando um ambiente propício para o deguste de uma boa "loura suada".O delegado Pafúncio não resistiu. Deixou o carro em casa e de ônibus foi para a praia Grande. Entrou na feira, mas já ali haviam muitos bêbados falando alto. O barulho fez com que o velho delegado saísse dali. Atravessou a praça Nauro Machado e subiu as escadarias, seguindo pelo beco da Pacotilha, em direção ao Largo do Carmo.Ao se aproximar do cruzamento com a rua da Palma, ouviu o som de uma música. Na esquina havia um bar. Era dali que vinha o som de um órgão e a voz de um cantor. Era o Stênio Johnny que cantava uma balada em inglês, tipo anos 70.O delegado Pafúncio não resistiu. Entrou, e para não chamar a atenção, se dirigiu, discretamente, para os fundos do prédio. Ali encontrou um pequeno quintal onde havia uma goiabeira. As escassas lufadas de vento balançavam, brandamente, as folhas que pareciam dançar ao som da voz do Stênio. Pafúncio pediu uma cerveja e foi servido, prontamente, pela garçonete.Ficou ali ouvindo e bebendo. Até que em dado momento, surgiu à sua frente uma mulher morena de cabelos muito negros, lisos e longos, emoldurando um rosto bonito, ornando por um alvo sorriso. Era uma mulher magra, mas de corpo bem delineado. Uma jovem de aproximadamente 30 anos, muito bonita. Trajava um vestido estampado, de saias largas, escondendo um bumbum bem feito e sensual.Ela pediu para sentar à mesa do delegado e se apresentou como Concita. Estava embriagada mas, conseguia  articular as palavras e conversava muito bem. Pediu para beber, mas o delegado Pafúncio, vendo o seu elevado estado etílico, convenceu-a a beber refrigerantes. Concita não ofereceu resistência e lhe foi servida uma Coca-cola bem gelada.Os dois conversaram sobre o momento político do estado e na nação e outros assuntos.Stênio Johnny fez uma seqüência de velhos boleros e o delegado Pafúncio foi convidado, pela sua acompanhante, para dançar. Concita dançava bem e colava seu corpo ao do velho delegado, que logo ficou animado. O corpo quente, os cabelos perfumados e a dança sensual daquela mulher, fizeram-lhe aflorar o libido. Pafúncio pensou que ia se dar bem.O casal voltou à mesa e, muito tagarela, Concita perguntou-lhe sobre o estado civil, tendo Pafúncio afirmado-lhe ser casado. Em tom solene, a mulher o encarou e fitando-lhe com olhos castanhos penetrantes, disse-lhe:- "Vá pra casa. Vá ficar junto da sua mulher que lhe está esperando. De que adianta ficar comigo? Sou uma prostituta. Sou apenas uma buceta. Sua mulher não merece ser traída".Ato contínuo, Concita levantou-se e meio cambaleante, saiu, desaparecendo  nas ladeiras que acessam à praia Grande. Aquelas palavras ficaram martelando na cabeça do delegado Pafúncio, que teve uma crise de consciência. Um grande sentimento de culpa. Pagou a despesa, levantou-se e foi para casa. Se dirigiu à cozinha, onde Dona Marieta, sua mulher, fazia um bolo e deu-lhe um beijo na cabeça. Ela perguntou-lhe, carinhosamente:- "Onde estavas, meu velho" ?- "Ali no boteco do Zé, tomando uma cervejinha", respondeu.Pafúncio tomou um longo banho, vestiu um pijama de seda azul cobalto e foi assistir televisão. Dona Marieta o chamou para o jantar. Depois da refeição voltou à sala e ficou assistindo o jornal televisivo. Deu a hora de deitar. Refastelou-se na macia cama e ficou observando, cheio de pensamentos pecaminosos, Dona Marieta, que já trajando uma transparente camisola cor de rosa, rezava o terço.Findada a oração, Marieta deitou-se. Pafúncio  se chegou para bem próximo e apalpou-lhe a peluda genitália, convidando-a para o sexo. Marieta deu-lhe uma palmada na mão saliente e disse-lhe:- Te sossega. Já estou velha para isso. Vai procurar mulher na rua.Pafúncio virou-se e  resmungou:- "Entenda as mulheres".Dormiu, maldizendo as palavras de Concita.

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05 de outubro de 2007 10:33 pm

O COMILÃO

O delegado Pafúncio nunca foi um homem do tipo "barriga branca", mas muito cauteloso nas suas incursões pelo mundo da infidelidade. Não tinha muita habilidade como adúltero. Todas as vezes em que se envolvia com alguma relação extra-conjugal, Dona Marieta, sua esposa, logo ficava sabendo que tinha alguém na sua vida. É que ele mudava de comportamento. Dava bandeira.Certa ocasião, foi transferida para sua delegacia uma escrivã muito bonita, sensual. Tinha boa altura e pernas bem torneadas com coxas grossas e um bumbum avantajado, durinho e arrebitado. Era uma mulata do tipo exportação e também muito provocante, que logo passou a investir pra cima do delegado.Tinha um andar bamboleante e quando notava que estava sendo observada pelo delegado Pafúncio, aí mesmo era que balançava o rabo. O delegado ficava embasbacado, olhando aquele monumento de mulher que estava dando mole para ele. Certa ocasião, a escrivã Maria foi trabalhar com um vestido bem colado, que mais parecia um tipiti, e com um decote muito extravagante.Abusada, ele foi levar um auto de prisão em flagrante para o delegado assinar e debruçou-se diante da autoridade, deixando os belos seios à mostra. Foi a gota d´água.O doutor Pafúncio convidou a escrivã Maria para almoçar em sua companhia, ao que ela prontamente aquiesceu. Fim do expediente matutino, e lá foram os dois para o restaurante Porto Seguro, na beirada do Desterro, onde consumiram uma boa peixada. Daí então, saíram sucessivamente para almoçar, jantar e nas sextas-feiras se faziam presentes na sede do Maranhão Atlético, para dançar boleros nas tertúlias animadas pelo vozeirão do Walber.Logo se tornaram amantes, e, todas as noites, o delegado Pafúncio, antes de ir para casa, dava uma passadinha no apartamento de Maria. Vez por outra dava uma "trepadinha" e ia embora. Em outras ocasiões, dizia para Dona Marieta que ia fazer uma diligência no interior e passava o fim de semana com a amada Maria.Nesta convivência diária, alguns segredos foram liberados, entre e os quais, Pafúncio falou que não fazia amor com o estômago cheio. Envolvida, Maria queria Pafúncio só para ela, e então não o deixou sair mais, sem jantar. Todas as noites aprontava-lhe lautos jantares.Empanturrava Pafúncio com as comidas que sabia que ele mais gostava.Isto fez com que Pafúncio passasse a rejeitar a comida de casa, e todas as vezes que Marieta investia para dar uma "trepada", Pafúncio a rejeitava, alegando estar sentindo-se mal, etc. A mulher passou a observá-lo melhor e notou que Pafúncio já chegava com a barriga cheia. Então, passou a exigir que o mesmo jantasse. Todo dia era uma confusão. E ele, então, passou a jantar também em casa.A comida era tanta, nas duas casas, que o delegado Pafúncio foi engordando cada vez mais e logo passou a sentir tonturas e outros tipos de mal estar, o que o forçou a procurar um médico. Os exames acusaram pressão alta, colesterol também pelas alturas e até a glicemia estava alterada, sendo aconselhado pelo facultativo, a fazer dieta. Chegou no apartamento de Maria e falou do problema, mas esta não concordou com a dieta, e exigia que ele comesse, embora passasse a fazer comidas mais leves de gordura. Embora Pafúncio não quisesse comer, ela com seu jeitinho carinhoso e sorriso brejeiro, sempre o convencia a comer. Em casa, Dona Marieta também não abriu mão. Pafúncio tinha que comer sempre que chegava. Os índices de colesterol e glicemia não baixavam.Um dia, o delegado Pafúncio desmaiou na delegacia e foi levado para o hospital. Passou três dias desacordado. Quando voltou a si, o médico disse-lhe que havia sofrido um enfarte e que tinha que fazer uma rigorosa dieta, caso contrário fatalmente iria morrer. Ao voltar ao trabalho, a primeira medida do delegado Pafúncio, foi passar a pronto a escrivã Maria e nunca mais pisou no seu apartamento.

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