
Trailer da equipe Casca Grossa na Chapada Diamantina. Mergulhos em cavernas, escaladas esportivas em Lençois e escaladas móveis na Pratinha e no famoso Morro do Pai Inácio.
Apresentado no programa Horizonte Aberto, que fez grande sucesso em 2008 na TV Horizonte, em breve deverá ser visto também com produções inéditas, no Casca Grossa na TV alterosa.
Na semana que antecedeu o carnaval de 2010, a equipe do Casca Grossa partiu para mais uma expedição do Projeto Paredes de Minas.
Passaram 05 dias em Itabirinha MG colocando em prática o projeto, que visa a exploração do montanhismo como forma de fomento dos esportes de aventura e turismo.
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Fui convidado a participar de uma conquista em Itabirinha – MG, Cidade com imenso potencial para prática de esportes de aventura, principalmente montanhismo.
Saímos de Belo Horizonte, eu, Aloysio, Gustavo Viana e Gustavo Piancastelli na manhã de quarta-feira dia 10/02/2010 e chegamos ao nosso destino no final da tarde deste mesmo dia.
Logo quando chegamos podemos notar que a face da pedra (conhecida como Itabirinha) voltada para cidade, além de positiva, projetava sombra por quase todo período do dia. O que seria ótimo para nós e para a promoção do esporte junto à comunidade local.
É importante deixar claro que esta expedição só foi possível com o apoio da Prefeitura da cidade. Por isso, nada mais óbvio que escalar a face sudeste como forma de propaganda épica e agradecimento ao apoio. Isso não seria nada ruim, pois como disse, escaparíamos de um sol escaldante e uma sensação térmica de aproximadamente 50° graus Celsius, provavelmente a escalada seria a mais prazerosa e fácil de toda a pedra. Mas quem buscava algo fácil para escalar?!!!
Decidimos circundar a pedra e fazer um reconhecimento no local antes de atacarmos a parede. No dia seguinte após um confortabilíssimo descanso e um ótimo café da manhã no hotel Beira Rio, custeado pelo patrocinador, saímos em direção a pedra.
Para nossa surpresa e alegria a estrada chegava ao lado da mesma, passando por um mirante no qual podíamos ver que realmente se tratava da Meca do montanhismo. Ao lado de outra formação fantástica e um salão de boulder pra gringo nenhum botar defeito, ficava o mirante onde a panorâmica de 360° graus era de pontões de pedra entre 500 a 800 metros de desnível vertical. Estávamos à uma hora de distancia da Pedra Riscada e meia hora da Pedra Baiana, alguns dos maiores monolitos do Brasil.
Acontece que no caminho, a nossa expectativa foi esfriada por uma chuva de verão, nos deixando tempo de sobra para nossa ansiedade embaçar os vidros do interior do carro, enquanto observávamos o pouco de rocha que a chuva nos deixava contemplar ao som da Nação Zumbi e outros que nos acompanharam por toda viagem.
Algumas horas depois a chuva cessou, então continuamos nosso caminho pela estrada observando a outra face da pedra, vislumbrando algo completamente oposto do que nos parecia o mais óbvio a ser feito.
Não sei se foi o que vimos naquele momento, nossa obsessão compulsória por desafios ou se nossa ansiedade havia afetado temporariamente nosso tão escasso juízo, que ali diante daquela face de 300m, formando uma onda de rocha negativa quase da base ao cume, e a proposta inicial de abrirmos uma via de média dificuldade à sombra, padecia por completo.

Lembro-me perfeitamente da cara dos loucos, obsecados por escaladas ousadas, e me incluo, olhando aquela imagem do mundo encantado dos montanhistas.
Enxergamos uma linha perfeita na face noroeste da pedra, uma linha de fendas e chaminés que culmina relativamente independente do cume principal, projetada por uma onda de rocha no formato do bico de uma águia.
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Aloysio ainda tentou nos chamar a lucidez, porém já era tarde, os olhares alucinados denunciavam a decisão tomada.
Então encaramos a linha que às 15 horas já era castigada pelo sol, como o flagelo de Deus a provação maior depois das lacas soltas e a negatividade acentuada da rocha.
Valeu a pena passar pelo purgatório, com certeza após as provações virá o céu ou algo parecido com 15 minutos de glória e satisfação completa por um feito realizado.
Devido ao pouco tempo que tivemos para explorar um potencial quase infinito deixamos a Insanidade Temporária para depois e aproveitamos o último dia para escalar outras pedras do local.
Como todo fanático inveterado, não paro de pensar na linha deixada, ansioso para voltar e sentir meus 15 minutos de satisfação ou meu céu tão necessário a razão de minha existência. E de uma coisatemos certeza, a rocha continuará lá.
Pablo de Almeida Gonçalves
| Na foto ao lado, nossa equipe com a agradável companhia do Prefeito Aurélio Cézar |


Sem comentários, as imagens falam por si. Valeu moçada foi show encontrá-los no reveilon e fazer as imagens mais loucas que tenho de Base Jump. Vocês são os caras!


Assistam no Casca Grossa dessa sexta-feira 26/02/2010 no Alterosa Esporte `as 12:20h TV Alterosa MG para toda Minas Gerais, minha 2ª escalada na via Ana Lisa, considerada uma das vias de escalada em aderência mais difíceis do Brasil.
E confira aqui no Blog Casca Grossa, o relato da 1ª repetição dessa via em 06 horas de escalada da base ao cume na companhia dos montanhistas Fábio Faria, Matheus Sanches e Joaquim o"Alemão".

Pico Ana Moura - Timóteo MG
Depois de conversarmos algumas vezes sobre as famosas escaladas em aderências do granito da Ana Moura em Timóteo MG. Fabinho e eu resolvemos concluir a primeira repetição da via "Ana Lisa".
Essa é uma das vias mais difíceis do Brasil no quesito aderência, esta via tem cerca de 550 metros de escalada.
A parede é linda, e apesar da inclinação positiva possui trechos extremamente verticais e agarras imaginárias, que utilizei sem que me inspirassem a menor confiança.
Domingo 08 de junho de 2003. Matheus e Joaquim resolveram nos acompanhar. Saímos de BH por volta das 6:00 horas da manhã em direção a Timóteo. As 9:30 horas estávamos parando o carro na estrada junto à pedra. Separamos todo o equipamento que precisaríamos: corda, 15 costuras, sapatilha, cadeirinha, freio, magnésio, água, lanterna, barras de proteínas e saches de carboidratos.
Ah!!! e um par de estribos e dois cliffs para os trechos ainda não superados em livre. Subimos a imensa rampa de pedra que nos levaria até o primeiro grampo da via.
Nos dividimos em duas duplas, o primeiro a entrar guiando foi Joaquim ..., excelente companheiro, determinado e extremamente prestativo, a quem eu conheci duas semanas antes, durante uma conquista em Pedra Grande através do Matheus Sanches.
Por último cito Fabio Faria, o Fabinho que idealizou a via e participou das primeiras investidas durante a conquista. Fabinho ainda não tinha atingido o cume da Ana Moura por esta via, alias já havia tentado anteriormente com Juan Kemppel, mas não conseguiram concluir devido ao tempo.
As equipes de cordadas se dividiram entre Joaquim e eu, em seguida Fabinho e Matheus. Determinados a concluir a via em pouco tempo, levamos o mínimo de equipamentos e suprimentos de água e um 1 barra de proteína para cada um. Para agilizar ainda mais, resolvemos nos revezar da seguinte forma: em cada parada, quem subisse de segundo (top rope), recolhia as costuras e seguia guiando a próxima cordada passando direto pelo segurança.
A rocha muito lisa e o sol muito forte impossibilitava ver as agarras que eram extremamente pequenas ou simplesmente não existiam. Com o sol a pino, a luz refletia na rocha e ficava extremamente difícil guiar sem a proteção de um óculos solar. Com isso a estratégia de revezamento foi abortada logo no início. Retornando de uma lesão no tendão do braço direito e afastado da rocha a quatro meses a primeira e a terceira cordada foi o suficiente para Joaquim parar de guiar. Estar bem preparado técnica e fisicamente é fundamental para este tipo de empreitada.
Durante os primeiros 450 metros, escalávamos pressionando as laterais e as pontas dos pés contra a parede em ondulações quase imperceptíveis na rocha. Das mãos, as palmas com as pontas dos dedos viradas para baixo eram cruciais para manter o equilíbrio. Em alguns trechos utilizava agarras menores que um grão de feijão enquanto os pés se posicionavam fazendo um ballet movido a toda adrenalina das inúmeras vezes em que quase caí.
A dificuldade da via foi comprovada. Com vários lances conquistados em artificial de buracos de cliff, a via se mostrou insuperável totalmente em estilo livre. Não creio que seja possível. Até que inventem alguma coisa melhor do que carbonato de magnésio para passar nas mãos, alguma coisa como uma gosma grudenta.
Com o privilégio de ter sido um dos primeiros escaladores a repetir o que a revista Universo Vertical citou como a via de aderência mais difícil do Brasil, acredito que esta continuará sendo mista entre livre e alguns furos de cliff para superar uns metros que restaram em artificial. Quem quiser se aventurar vale a pena tentar.
Das 11 cordadas da via, guiei 09, utilizei um cliff e um estribo em não mais que quatro furos de 3/8”. Eliminei alguns artificiais e passei um crux em livre que me impressionou pela dificuldade, e as vezes ainda me pergunto: Quem é que colocou aquele minúsculo cristalzinho em baixo do meu pé, justamente quando eu ia caindo? Como pude por diversas vezes acreditar naquelas agarras quase insignificantes?
Perguntas ainda sem respostas, porém sei que chegamos ao cume cansados, mas ilesos às 16:15 horas seguidos por Fabinho e Matheus.
No cume reverenciamos nossos deuses e pegamos um táxi até nosso carro. É isso mesmo!! Ligamos para um táxi que já esperava nosso chamado, e ele nos levou até nosso carro, pois como já estava escurecendo, descer pela rocha seria coisa de rapeleiro.
A escalada de aderência é extremamente técnica e para quem quiser experimentar, a Ana Moura é uma excelente pedida, não são necessários equipamentos móveis, apenas costuras, um cliff, um estribo, corda, muito magnésio e uma boa sapatilha, mas prepare-se, não haverão agarras de verdade.
Gostaria de agradecer aos meus companheiros de escalada, Matheus e Fabinho e principalmente meu companheiro de cordada Joaquim, que me inspirou confiança para tentar não cair na primeira repetição da Ana Lisa.
Por: Gustavo Piancastelli Sales



A Pedra da Boca é um imenso monolito entre os municípios de Teófilo Otoni e Carlos Chagas na rodovia conhecida como Estrada do Boi, região de grandes rebanhos bovinos e exploração agropecuária no estado de Minas Gerais.

Alguns afirmam que esse grande monolito tem o formato de uma baleia, sendo que a fenda frontal em formato de uma boca deu origem ao nome da pedra.

A boca na verdade, é o que restou de um grande desmoronamento, formando uma fenda horizontal em forma de arco com cerca de 200m de extensão e um negativo de 20m de altura a 100m da base da pedra.

A Pedra da Boca está perto do distrito de Pedro Versiane, na BR418 e é facilmente avistada da estrada por quem segue para Carlos Chagas.

O sol é por quase todo o ano o maior impecílio para escaladas na região, sendo assim, decidimos abrir uma nova rota em direção à boca, com o intuito de escalar parte da fenda que na maior parte do dia fica totalmente à sombra.


Depois de nos abastecermos de água e comida partimos para o reconhecimento da futura via de escalada.
Chegando na fazenda, pedimos autorização ao capataz, um senho muito arredio e cabreiro como um bom mineiro. Sr. João, nos informou que não estava autorizado a deixar ninguém entrar na propriedade, nos informou também que deveríamos ir até uma fazenda pouco a frente e procurar o Sr. Rogério (Dono da Fazenda) e que somente ele poderia nos autorizar a entrar pela fazenda.
Algumas centenas de metros a frente no asfalto e chegamos na entrada da propriedade, lá encontramos com o Cleiton, genro do dono e que nos passou um telefone de contato do tal Rogério. Fomos num armazem ali bem perto e ligamos pra ele. Leandro assumiu o discurso e antes de terminar de falar, já tinha a liberação e aquela frase soou como um convite: _Fiquem a vontade !!!

Imediatamente seguimos para a fazenda, Sr. João jurava que era tudo conversa fiada nossa, que sequer tínhamos conseguido falar com Sr. Rogério, foi até engraçado ver aquele mineiro cabreiro nos olhando de banda.
Ressabiado ele nos deixou entrar e foi muito prestativo nos fornecendo água sempre gelada que congelava aos montes em seu freezer.
No 1º dia chegamos na base por volta das 15:40h, com o calor beirando os 40º C. Desgastados com o sol forte, tentávamos nos proteger com lonas enquanto Leandro deu início à conquista, subiu por uns 20m em aderência e desceu, assumi a conquista dalí pra cima naquele dia.
Entre ascensões em artificial e em livre, boas imagens foram feitas e 50m foram conquistados naquele fim de tarde.
Voltamos à Pousada do SESC a melhor opção de hospedagem

No 2º dia o objetivo era ir para bivacar na fazenda e escalar nos próximos 02 (dois) dias, nosso prazo limite para aquela empreitada.
Assim o fizemos, durante a manhã ficamos
À tarde por volta das 16:00h estávamos novamente na parede, que à aquela altura estava quente como uma frigideira. Leandro novamente foi o 1º a escalar, conquistou mais uns 25m e quando estava para escurecer resolveu descer. Peguei a ponta da corda e dei continuidade ao trabalho. Já estava escuro e sem lua, usando uma lanterna de cabeça, conquistei cerca de 15m em artificial, até alí já se somavam-se quase 90m de conquista. Por volta das 21:30h descemos da parede.
Último dia, só tínhamos até à tarde pois teríamos que pegar estrada naquele mesmo dia. Depois de uma noite bem dormida na rede montada entre o porta malas do carro e uma cerca da fazenda, tomamos e um café da manhã reforçado com frutas do quintal do Sr. João e seguimos pra parede.
Às 8:00h já estávamos na base. Eu subi 1º jumareando e me posicionei para filmar, Leandro repetiu os 1ºs 50m de escalada em seguida, Alexandre também subiu até a 1ª parada e se posicionou para assegurar a escalada do Leandro, subi mais 40m para onde havia terminado a conquista e filmei Leandro passando o trecho onde usamos algumas peças móveis.
Dalí pra cima a parede continuava virgem e era minha vez de dar sequência.
Com a ponta da corda cheguei até a fenda horizontal sem instalar novas proteções fixas e comecei a conquistar a fenda, Leandro nessa hora assumiu a filmadora e Alexandre minha segurança. Colocando peças móveis e “pisando em ovos” ou melhor em imensas lacas soltas segui pela fenda até quase acabar a corda. Leandro assumiu minha segurança, sem proteções fixas dalí pra cima, ele subiu assegurado por mim somente em móveis e estabeleceu uma parada fixa e dupla uns 5m abaixo da fenda, e desceu-me até alí. Trocamos a ponta da corda e eu assumi a segurança. A missão agora seria desmontar todo o sistema de segurança móvel montado por mim durante a escalada da fenda. Com muitas lacas soltas Leandro se viu numa grande “roubada”, mas mandou muito bem, algumas peças móveis eram complicadas de tirar, trechos bem expostos e as lacas nos pés dele e bem acima de nós comprometiam a segurança e nos assustavam a cada grito: PEDRAAAA!!!

Finalmente depois de alguns sustos, muito equilíbrio e nenhuma queda, Leandro desescalou até a 2ª parada e descemos. Por volta das 14:00h já estávamos na base, retornamos à fazenda e depois de um bom banho no laguinho e de beber muita água gelada, pegamos a estrada para Mucurici.
No posto “Kaladão” conseguimos uma carona para o Alexandre voltar a Teófilo Otoni e seguimos viagem.
A via batizada de “Fissurados nos Lábios Teus” foi graduada em 6º VIIa 120m mista.

Agradecimentos especiais ao amigo e companheiro de escalada Alexandre “Galeto”, ao excelentíssimo presidente da Federação de Montanhismo e Escalada de Minas Gerais, amigo e parceiro de escaladas Leandro Reis, ao profissionalismo da ESCALE! por toda a logística dessa escalada.
À EQUINOX por todo apoio que vem dando ao montanhismo em todos esses anos, à Casca Grossa por ceder para todas as minhas roubadas os equipamentos de filmagem de última geração, à AM420NIA www.am420nia.com.br pelas camisetas mais maneiras que uso pra escalar, à pousada do SESC pela hospedagem, ao Bruno do Circuito das Pedras Preciosas que com muito custo e dedicação fez tudo que estava ao seu alcance para promover essa conquista e é claro aos parceiros da ABETA Clarice e Brazil.
Por fim agradecimento a Deus por ter criado aquele monumento natural e por ter nos dado a saúde e oportunidade de escalá-lo.
Assistam ao vídeo completo dessa conquista em breve no CASCA GROSSA da TV Alterosa.
Texto e fotos : Gustavo Piancastelli
Obrigado AM420NIA!!!
Equinox a melhor mochila do Brasil. Fabricada totalmente em CORDURA, o tecido mais resitente à abrasão no mercado mundial.
Só CORDURA atura. Não compre poliéster como CORDURA a diferença está na resistência cerca de 6 vezes superior ao melhor poliéster. www.equinox.com.br
Irauçuba-CE, a cidade mais seca do Brasil
Texto de Pepê de Oliveira.
Partimos rumo a Irauçuba. Localizada a 155km de Fortaleza. Ao chegarmos a cidade, que é considerada o lugar de menor índice pluviométrico no estado fomos surpreendidos por um verdadeiro dilúvio. Iriamos escalar o pico do Machadão no mês de Março, época em que chove bastante no Ceará.

1ª INVESTIDA
O primeiro dia foi só de observação.
Devido a aproximação da aresta ser muito desgastante, optamos por outra linha vista pelo Kido na época em que ele veio abrir a trilha de acesso. Achei a idéia bem mais interessante do que a própria aresta. A outra linha estava repleta de fendas e fissuras que iam de encontro ao topo.
Acordamos cedo e começamos a carregar parte dos equipamentos encosta acima. Alguns trechos da trilha estavam muito escorregadios devido a chuva que caiu no dia anterior. Chegamos a base da linha e comecei a escalar.
Devido a chuva, as fissuras iniciais estavam escorrendo um filete d´agua. Instalei uma chapa em um trecho intermediário e entrei novamente em outra fissura. O tempo estava meio instável, a chuva iria chegar à tarde.
Continuei escalando. Entrei em uma fissura em transversal que me deu muito trabalho.Perdi bastante tempo tentando passar este trecho que não tinha mais que 7 metros. Coloquei umas dez peças moveis para melhorar em caso de uma eventual queda. Quando de repente senti como se fosse um terremoto.
Na verdade estava despencando. Dois nuts que havia colocado desprenderam-se. A queda foi de uns dez metros. Passado o susto e com o ombro doendo bastante, voltei ao ponto em que tinha caído. Escalei mais alguns metros e a pré-dita chuva começou a cair com toda força.Deixamos a corda instalada e começamos a descer a encosta.
As cachoeiras que se formaram ao longo da descida me meteram mais medo do que a própria queda que havia levado.
Ao chegarmos na casa em que o morador do vilarejo nos cedeu para nos servir de alojamento, conversamos e decidimos prudentemente adiarmos a escalada para outra data. Resgatamos o material deixado na via e retornamos pra Fortaleza ansiosos por voltar novamente.
2ª
INVESTIDA
Voltamos em setembro agora com o reforço do escalador mineiro Gustavo Piancastelli. Na terça feira do dia 13,saimos eu, Kido Aranha Gustavo Piancastelli e Fernando Leal rumo a Iraucuba.
O pico do Machadão fica na vila de São José, próximo a Irauçuba. As primeiras vias abertas neste local foram feitas pelo escalador carioca André Ilha e sua esposa Kate Benedict. Não sabia ao certo quais foram os picos que eles haviam escalado. Achávamos que eles não tinham escalado o Pico do Machadão, pois pelas informações que tínhamos suas vias eram bem menores em relação a altura do deste pico em todas as suas faces.
1º Dia
Chegamos na vila de São José no final da tarde e fomos fazer um reconhecimento do pico. Pela manhã colocamos todo o material na pick up e fomos rumo a base do Machadão. Enquanto o Kido e o Fernando montavam o acampamento, eu e o Gustavo fomos escalar a via. Por nossa sorte nesta época do ano toda a linha da via encontrava-se na sombra. Gustavo começou a guiar e liberou com maestria um trecho que eu havia feito anteriormente em artificial.

Gustavo livrando o trecho conquistado em artificial
No primeiro dia já havíamos escalado mais de 80 metros. Logo adiante havia uma extensa chaminé. O Kido e Fernando entraram na via com o objetivo de entrar e terminar a chaminé. Mas como na escalada as coisas as vezes não funcionam como nós esperamos, os dois pegaram uma enfiada bem mais difícil do que eles imaginaram.
Algumas fendas bem sujas, com um enorme risco de queda. Escalaram mais 20 metros e completaram duas enfiadas instalando mais uma parada de correntes. Devido a algumas incompatibilidades de escalada entre eu e o Gustavo resolvemos trocar as duplas e o Fernando optou por escalar dois dias seguidos, um negócio muito cansativo. Resolvemos por não montar os porta ledges. Decidimos por deixar as cordas fixas na via. Novamente o Gustavo mandou quase tudo em livre.Escalou toda a chaminé que era bem complicada.Foi instalada uma só chapa nesta enfiada. Fernando jumareou até onde ele estava, e aí montaram a terceira enfiada.
Olhando pelo binóculo notei que havia uma outra fenda bem acima deles. O Fernando começou a guia-la e não sei porque desceu depois de alguns poucos metros. Quando eu e o Kido pensávamos que eles iam começar a descer, o Gustavo começou a escalar de novo. A terceira enfiada havia sido bem desgastante, mas mesmo assim, mostrando uma enorme resistência física, ele emendou a quarta enfiada instalando duas chapas e outra parada de correntes. Havíamos combinado na noite anterior que eu e o Kido levaríamos o restantes das cordas pedra acima. Um trabalho muito duro pois tínhamos 200 metros de jumareada.
Chegamos a enfiada do dia anterior bem cansados. Devido ao cansaço e a uma unha encravada que me perturbava a dias, nem retruquei quando o Kido se lançou na guiada.
Mandou todos os lances em livre usando muito equipamento móvel. Novamente tive que levar todo o material 50 metros acima.O peso era grande , pois tinha o martelete que havia ficado na curva do diedro onde ele havia instalado uma chapa, as cordas e todo o equipo deixado na enfiada.
Finalmente chego até o Kido. Ainda esbocei uma guiada mas devido ao cansaço e o adiantamento da hora resolvemos descer. Tínhamos alcançado o grande diedro então as expectativas de fazermos o cume no outro dia eram muito grande.
O Fernando e o Gustavo começaram a jumarear bem cedo. O Gustavo fez tudo bem rápido e chegou num corredor que tinha muitos cipós. Depois se lançou na enfiada final. Lá pelas 11h da manhã falou pelo rádio que nós poderíamos começar a subir que ele estava no cume.

Foi o que fizemos e às 15h do dia 19/09/05 estávamos no cume do pico do Machadão. Comemorações a parte, começamos a logística da descida.
O risco da corda enganchar em uma das enfiadas era eminente devido as curvas que existem na via. Na puxada das cordas da quarta enfiada uma delas resolveu não ceder. Depois de algumas puxadas em vão, resolvi jumarear na corda para tentar resolver o problema.
Com uma guiada dada pelo Fernando jumariei até o final de um teto e constatei mais acima que a corda já não possuia capa e a alma já estava bem desgastada.
A capa cortou em atrito entre um mandacaru e a rocha que agiu como uma serra.
Passado o susto fui até a parada e resolvi o problema rapelando numa corda só e depois colocando uma fita de abandono em uma chapa mais abaixo para chegar até meus amigos. Rapelei o resto das enfiadas e fiquei esperando junto com o Gustavo, o Kido e o Fernando limparem o resto da via, trabalho que só terminou às 23h.
Ficha técnica
"Sombra e Água Fresca" (350mts + 240m costão, 7 enfiadas, primeira ascensão em 19 de Setembro de 2005
Classificação sugerida
A2+ VI sup 8a E4
Conquistadores
Gustavo Piancastelli, Pepê Oliveira, Kido Aranha, Fernando "Paulista".
Camalots 1,2,3,4,5;
02 jogos de friends, 02 jogos de nuts excentrics e alguns tricans.
Muitas costuras e disposição!!!
Como Chegar
Pela BR 222 vindo de Fortaleza. Vila de São José dobrando a direita de uma grande torre de telefone. O pico fica no final do vale em frente a um açude. Os moradores que são o Sr. Sé que mora em uma caverna perto do pico e o Sr. Gerardo o "Cé" são de uma receptividade inquestionável.
Por sorte existe uma nascente na base com água o ano inteiro.

Assistam logo abaixo o vídeo produzido pela Casca Grossa com imagens de Gustavo Piancastelli dessa incrível conquista em pleno sertão cearense.


Mais um ano se passou, e nós agradecemos aos nossos telespectadores com uma retrospectiva cheia de escaladas, ladeiras, saltos, quedas e mergulhos incríveis, um pouco do que mostramos em 2009 nos esportes mais casca grossa da atualidade.
Muita paz e um ano novo repleto de aventuras conscientes, cuidando de nossas florestas, rios, mares e montanhas, para vivermos em um mundo cada vez melhor, para todos.
Obrigado pela "audiência e paciência!"
FELIZ 2010!!!
Segue abaixo o vídeo exibido no dia primeiro de janeiro de 2010 no Casca Grossa.


O ano que passou deixou muitas boas lembranças, de pessoas e lugares incríveis que conhecemos. Mostramos aos nosso público o que há de mais CASCA GROSSA nos esportes de ação.

Na foto acima tirada por Marcelo Andrê, Papai Noel mandando a via "Diretoria" 7c no Aldeia Casa Branca MG.
Agradecemos a todos os nossos familiares, parceiros, colaboradores e é claro aos nossos telespectadores. Esperamos que tenham um Natal e um ano novo repleto de paz, saúde e sucesso! Aqui só deixamos uma promessa: Um 2010 ainda mais CASCA GROSSA!!!

Nas fotos acima tiradas por Cláudio "Caitif", Papai Noel na via "Fósseis do Velho Mundo" 7b no Sítio do Rod em Lagoa Santa MG
E para quem não assistiu o Especial de Natal Casca Grossa na TV 25/12 as 12:15h no Alterosa Esporte SBT MG, pode conferir aqui.
Obrigado a todos que nos prestigiam!


E os ganhadores da promoção Natal Casca Grossa são:
Sebastião Wanderley de Souza de 33 anos do bairro campo Alegre BH, ganhou um dia de escalada com Gustavo Piancastellli;
Carlos Eduardo Silva Coelho de 24 anos do bairro Eldorado de Contagem ganhou um salto duplo de paraquedismo com a equipe da Avis Rara Paraquedismo, na Serra do Cipó.
E Rúbia Maria Dornas de 51 anos, moradora do bairro Padre Eustáquio ganhou um curso de mergulho com a Maramar.
Nossa equipe entrará em contato com os ganhadores e essa experiência Casca Grossa de nossos telespectadores você vai poder conferir nos próximos programas e aqui.
Parabéns aos ganhadores e Feliz Natal!
O festival faz parte do 30Th aniversary Bridge Day ou Dia da Ponte – o maior evento de BASE JUMP do mundo realizado em West Virginia, Estados Unidos. O filme BASE JUMP MINAS GERAIS, BRAZIL foi premiado no BASE Vídeo Fest - Bridge Day como "melhor documentário". Muito bem representados por Gustavo Abah nosso BASE JUMPER que realizou um salto da ponte com roupa seca de mergulho para pousar nas águas geladas do rio. O filme foi muito aplaudido e sem dúvida é mais uma grande conquista para a produtora especializada em vídeos de esportes de ação.
Best Documentary
"BASE JUMP MG BRAZIL” Casca Grossa" by Gustavo Abah, Evandro Araújo e Gustavo Piancastelli - CASCA GROSSA VIDEO- Brazilian brothers breaking new ground in the sport. A Message from Videofest MC Tony "Donk" DiCola: Thank you to all the contestants. Being a fellow video guy I know the dificulty and challenges in creating a quality video. Most people do not realize or appreciate how much work goes into each video. And a special thanks to the audience and our "special friends" for participating in our little games during the show; without the audience participation the event would not be nearly as "entertaining".
O documentário também selecionado para o BANFF Brasil 2009, trata-se de uma coletânea de BASE Jumps realizados em Minas Gerais, com saltos da cachoeira de Tabuleiro, Cânion do Peixe Tolo e a famosa Pedra do Fritz, o mais alto "objeto" para salto de BASE Jump do Brasil.
Segue abaixo o vídeo exibido pelo CASCA GROSSA na TV Alterosa com algumas cenas do documentário.


E nessa próxima sexta feira, 20/11 assistam no Casca Grossa o BaseEcoFritzFestival 2009 com 34 saltos de BASE realizados por 16 atletas sendo 15 homens e uma mulher, nos dias 11 e 12 de outubro.
Com várias câmeras subjetivas (visão do atleta) e alguns two ways (saltos em dupla), vale a pena conferir. No Alterosa Esporte as 12:20h.

