
Na semana que antecedeu o carnaval de 2010, a equipe do Casca Grossa partiu para mais uma expedição do Projeto Paredes de Minas.
Passaram 05 dias em Itabirinha MG colocando em prática o projeto, que visa a exploração do montanhismo como forma de fomento dos esportes de aventura e turismo.
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Fui convidado a participar de uma conquista em Itabirinha – MG, Cidade com imenso potencial para prática de esportes de aventura, principalmente montanhismo.
Saímos de Belo Horizonte, eu, Aloysio, Gustavo Viana e Gustavo Piancastelli na manhã de quarta-feira dia 10/02/2010 e chegamos ao nosso destino no final da tarde deste mesmo dia.
Logo quando chegamos podemos notar que a face da pedra (conhecida como Itabirinha) voltada para cidade, além de positiva, projetava sombra por quase todo período do dia. O que seria ótimo para nós e para a promoção do esporte junto à comunidade local.
É importante deixar claro que esta expedição só foi possível com o apoio da Prefeitura da cidade. Por isso, nada mais óbvio que escalar a face sudeste como forma de propaganda épica e agradecimento ao apoio. Isso não seria nada ruim, pois como disse, escaparíamos de um sol escaldante e uma sensação térmica de aproximadamente 50° graus Celsius, provavelmente a escalada seria a mais prazerosa e fácil de toda a pedra. Mas quem buscava algo fácil para escalar?!!!
Decidimos circundar a pedra e fazer um reconhecimento no local antes de atacarmos a parede. No dia seguinte após um confortabilíssimo descanso e um ótimo café da manhã no hotel Beira Rio, custeado pelo patrocinador, saímos em direção a pedra.
Para nossa surpresa e alegria a estrada chegava ao lado da mesma, passando por um mirante no qual podíamos ver que realmente se tratava da Meca do montanhismo. Ao lado de outra formação fantástica e um salão de boulder pra gringo nenhum botar defeito, ficava o mirante onde a panorâmica de 360° graus era de pontões de pedra entre 500 a 800 metros de desnível vertical. Estávamos à uma hora de distancia da Pedra Riscada e meia hora da Pedra Baiana, alguns dos maiores monolitos do Brasil.
Acontece que no caminho, a nossa expectativa foi esfriada por uma chuva de verão, nos deixando tempo de sobra para nossa ansiedade embaçar os vidros do interior do carro, enquanto observávamos o pouco de rocha que a chuva nos deixava contemplar ao som da Nação Zumbi e outros que nos acompanharam por toda viagem.
Algumas horas depois a chuva cessou, então continuamos nosso caminho pela estrada observando a outra face da pedra, vislumbrando algo completamente oposto do que nos parecia o mais óbvio a ser feito.
Não sei se foi o que vimos naquele momento, nossa obsessão compulsória por desafios ou se nossa ansiedade havia afetado temporariamente nosso tão escasso juízo, que ali diante daquela face de 300m, formando uma onda de rocha negativa quase da base ao cume, e a proposta inicial de abrirmos uma via de média dificuldade à sombra, padecia por completo.

Lembro-me perfeitamente da cara dos loucos, obsecados por escaladas ousadas, e me incluo, olhando aquela imagem do mundo encantado dos montanhistas.
Enxergamos uma linha perfeita na face noroeste da pedra, uma linha de fendas e chaminés que culmina relativamente independente do cume principal, projetada por uma onda de rocha no formato do bico de uma águia.
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Aloysio ainda tentou nos chamar a lucidez, porém já era tarde, os olhares alucinados denunciavam a decisão tomada.
Então encaramos a linha que às 15 horas já era castigada pelo sol, como o flagelo de Deus a provação maior depois das lacas soltas e a negatividade acentuada da rocha.
Valeu a pena passar pelo purgatório, com certeza após as provações virá o céu ou algo parecido com 15 minutos de glória e satisfação completa por um feito realizado.
Devido ao pouco tempo que tivemos para explorar um potencial quase infinito deixamos a Insanidade Temporária para depois e aproveitamos o último dia para escalar outras pedras do local.
Como todo fanático inveterado, não paro de pensar na linha deixada, ansioso para voltar e sentir meus 15 minutos de satisfação ou meu céu tão necessário a razão de minha existência. E de uma coisatemos certeza, a rocha continuará lá.
Pablo de Almeida Gonçalves
| Na foto ao lado, nossa equipe com a agradável companhia do Prefeito Aurélio Cézar |

