Fatos e Opiniões


Sexta-feira, 23 de julho de 2010 11:28 am

O medo da internet

Tem tempo que não posto aqui, mas hoje o assunto vai ser mais que política, vamos falar do medo que a Internet está causando no Brasil. O primeiro debate On Line no país foi cancelado porquê os dois grandes nomes na disputa, Dilma Roussef e José Serra, preferiram se esconder em suas conchas a enfrentar as perguntas dos brasileiros. Agenda lotada é a desculpa preferida de todo mundo que não quer ir a algum lugar, nós mesmos sempre dizemos que estamos ocupados quando aquela oportunidade aparece e você simplesmente não se sente seguro a comparecer, ou acha uma perda de tempo. O Debate On line, apesar de ser mediado por um jornalista, seria feito com perguntas de internautas, internautas eleitores que não teriam nenhum medo de perguntar o que todo mundo quer perguntar, sem passar pela peneira dos candidatos.

 

Somente Marina Silva não voltou atrás e estava disposta a comparecer sem medo. Afinal a única coisa que tinham contra ela era a suposta denúncia de construção ilegal do seu vice Leal. Acontece que, apesar de poucos terem realmente comentado, Leal tinha toda a documentação necessária, e o Ibama teve que pedir desculpas pelas acusações infundadas. Quem não tem teto de vidro não tem medo de responder o povo.

 

O que me deixou mais indignada foi a notícia de que o Google seria processado e o orkut fechado, por essa rede ter se tornado 'palco de pedofilia e prostituição". Novas pra o ministério Público do Rio de Janeiro: O BRASIL que é palco de Pedofilia e Prostituição. Elas acontecem nas ruas, nas praças, com pessoas públicas, por telefone, nas capitais e no interior. A Internet dinamiza a troca de conteúdos, todos os conteúdos. Os responsáveis por identificar, prender e acabar com os criminosos é O MINISTÉRIO PÚBLICO, e não a Google. Quer trabalhar EM CONJUNTO com a Google para se aproveitar do fato que os contraventores possam ser rastreados e presos? Ótimo. FAÇA ISSO! Mas processar o Google? Ameaçar fechar TODO o Orkut? Aplicar multa pra encher os cofres públicos? Querer controlar e rastrear TODAS as pessoas que usam a ferramenta, incluindo as pessoas de bem? É uma afronta aos nossos direitos humanos.

 

O que falar do senhor deputado federal Gerson Peres (PP-PA) que apresentou projeto pra impedir o anonimato na rede, cadastrar todos que derem sua opinião e ter registro para blogueiros. Sabe o nome disso senhor deputado? CENSURA! CONTROLE DA MÍDIA! Numa comparação extrema, é como os nazistas obrigando o cadastro dos judeus e sua identificação, para que os judeus soubessem que estavam sendo vigiados, controlados, impedindo-os de tentar qualquer manifestação contra aqueles que estão no poder.

 

NÃO! CHEGA! Não somos empregados do governo. Somos pessoas comuns com sua opinião. Sabe porquê precisamos do anonimato? Para sermos honestos! Sabe o que acontece se falamos o que queremos assumindo nossa identidade? REPRESSÃO! Repressão do livre pensamento, controle do que é "ético" ou não. Tentativa de nos tornar seres controláveis e sem pensamento próprio.

 

Eu estou aqui, num blog. Eu tenho coragem de dar minha cara à tapa, minhas informações verdadeiras e assumir minha identidade. Mas eu corro o risco de ser processada por falar o que EU penso. Eu corro o risco de ter meu blog fechado, por exercer o meu direito de liberdade de expressão. Meu site tem quase mil visualizações, e pouco mais de cinco comentários, sabe porquê? Porquê tem gente que tem medo! Medo de falar o que pensa de verdade e ser reprimido.

 

Eu respeito a opinião dos outros, eu estou disposta a ouvir. Mas eu tenho a MINHA opinião e o direito de verbalizá-la sem repressão. Ética? Sim, é necessária. Mas não essa ética que querem nos empurrar, que é ser condescendente com tudo e a todos, essa ética que diz que não podemos ter opinião, apenas nos ater aos fatos que tivermos provas concretas. Isso não é um jornal, isso é um blog. Onde se posta OPINIÕES! Minha opinião pessoal, que pode ser a opinião de outros. Não é uma verdade absoluta, mas é a minha verdade.

 

Sou ética para dar espaço a quem eu criticar responder. Sou ética em não ofender diretamente a pessoa, não difamo. Se acha que eu estou errada comente, mande um e-mail, corrija a informação que eu tenho. Eu ainda terei direito a manter minha opinião se não acreditar na sua verdade. Mas se eu estiver errada, eu assumirei. Sou ética em não confundir a pessoa com seu ofício, seu trabalho com sua vida particular.

 

Mas sou contra ao CONTROLE de informação. Ao CONTROLE da opinião pública. Sou contra a extinção do anonimato, que é a única coisa que protege muitas pessoas quando dizem a verdade, e a verdade vai contra os poderosos. A Ditadura desse país acabou já há vinte anos! Mas a nossa herança ainda é de pessoas com mente pequena que acreditam que a liberdade de expressão é o caos, e que ter uma opinião contrária é ser anti-ético, e que todo e qualquer comentário é passível de punição. NÓS NÃO PODEMOS SER PUNIDOS POR PENSARMOS E TERMOS OPINIÕES!

 

Querem diminuir a criminalidade na rede? Comecem a pensar em acabar com ela fora da rede. Se vocês pegarem os responsáveis, eles não terão acesso à rede dentro da cadeia (ao menos em teoria). Comandem operações, como vocês sabem fazer, vigiem e acompanhem os perfis criminosos, juntem material, identifique os endereços, peça às empresas que estas façam rastreamento de IPs dos perfis identificados, sigam os IPs até os computadores que estão sendo utilizados, peguem os endereços, armem tocaias, identifiquem os usuários criminosos e então os prendam. A internet é uma grande aliada, não o inimigo. A não ser que o que queiram de verdade seja acobertar e esconder o que acontece nas ruas do Brasil, tirando os vestígios da internet e iludindo o brasileiro.

 

Há inúmeros meios de combater crimes na internet seja quais forem, nenhum deles necessita o controle e registro prévio de toda uma população. Qualquer registro e controle de usuário que utilizam a rede para dar e trocar opiniões só tem uma finalidade: CENSURA! REPRESSÃO! CONTROLE! E isso nós não vamos permitir!

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Sexta-feira, 09 de julho de 2010 02:24 pm

Como fazer


Alguém já tentou comparar as promessas de Dilma e Serra? Melhor, vamos comparar as promessa de Dilma, Serra, Lula, FHC, e tantos outros candidatos a presidenciáveis. As promessas são sempre as mesmas: programas sociais, saúde, educação e trabalho. Sim, nós precisamos disso tudo! Mas nós já sabemos o que eles têm que fazer, o que precisamos saber é COMO!

Serra disse que vai dobrar o número de atendidos pelo Bolsa Família, Dilma diz que não se trata de dobrar, mas de atender a quem precisa. Certos! Palmas. Agora eu pergunto: De onde eles vão tirar o dinheiro necessário para aumentar o programa? De outros projetos? Aumentarão a dívida pública que já é astronômica? Porque do próprio bolso eu não vejo ninguém tirar. Agora, do nosso bolso... A lista kilométrica de impostos está aí pra provar. A candidata do PT também disse que o BF não é um programa irresponsável e que necessita de cadastramento. Ótimo. Agora me diga candidata, como você pretender aumentar o cadastramento de famílias que ainda não são atingidas pelo programa.

Dilma e Serra dizem o que há anos o Brasil já sabe: para investir em educação é necessário respeitar o professor. O professor que no Brasil é um zé ninguém, que ganha mal (muito mal se comparado a maioria dos servidores públicos), que sofrem com a falta de segurança e precariedade das escolas e não têm apoio para reciclagens e investimentos. Mas eu quero saber, como vocês vão realzar essa valorização dos docentes. Aumento de salários? Retirando essa verba de onde? Melhoria das escolas? As reais ou que ficam só no papel?

Eu, e muitos brasileiros, estamos cansados de ouvir promessas. Queremos compromissos. Queremos que vocês compartilhem conosco os manuais de instruções. Não importa se isso vai tornar os programas políticos menos "bonitos", talvez fiquem até mais chatos. Mas pelo menos nós saberemos que o que os candidatos falam não são apenas palavras jogadas ao vento. São metas, que têm estrutura, comprometimento, viabilidade e prazos!

Vocês são empreiteiros, que estamos contratando para melhorar nossa casa. Se queremso melhorar, sabemos o que está errado, o que tem de consertar, o que não precisa mexer. Queremos saber COMO! Como vocês vão corrigir os defeitos. Quando vão acabar cada etapa. Quanto vai nos custar. E SE vale a pena contratar vocês.

Acabem com as propostas. Comecem com os projetos.
Temos tempo. Temos horas por semana para assistir a tudo na TV e ouví-los pela rádio. Então já que temos que escutar vocês, por favor, tenham o que falar.


Só Conferindo:
 A mesma Dilma que abriu processo contra Indio da Costa por propaganda antecipada, ganhou a terceira condenação pelo mesmo "crime" e terá que pagar mais 5 mil reais. Quem tem teto de vidro não devia jogar pedra no dos outros.


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Quinta-feira, 08 de julho de 2010 02:54 pm

Já começou

E não é que a farra de acusações começou cedo?

Primeiro Serra cai em cima da candidata Dilma após o episódio de troca de planejamentos. O primeiro entregue seria as metas acordadas em assembléia do PT que a ex-ministra da Casa Civil assinou sem ler junto com seu coordenador de campanha. O substituto desse é um arquvo mais light e menos polêmico, mas enrolado ficou foi seu coordenador, que hora dizia ser o documento inicial o certo, e em seguida jurou de pé junto que nem sabia do que se tratava até começarem as ligações.
Realmente, assinar documento sem ler... Isso que é exemplo Senhroa Dilma. gostaria de saber se o titulo do primeiro documento também estava "trocado".

O segundo round foi a vez do PT. Dilma e cia entraram com processo contra o vice de Serra por propaganda antecipada no Twitter. Índio já estreou no banco "dos réus". talvez a candidata tenha esquecido que os twitters de sua conta eram bem ao estilo propaganda antecipada, assim como de todos os candidatos pra falar a verdade.

Terceiro round. Jornal Estado de Minas afirma que Marina elegeu Dilma como seu principal alvo. Interessante que a candidata apenas se pronunciou sobre a troca de documentos citada acima e isso ja a configurou como anti-Dilma mas não anti-Serra. Será que o jornalista esperava a invenção de algum podre do Serra pra igualar a balança de críticas?

Quarto round. Denúncia é feita por um fotógrafo e ambentalista de que a fazenda de Guilherme Leal, vice de Marina, estaria realizando desmatamento ilegal na área. O candidato e presidente da Natura, famoso exatamente por seu envolvimento com a sustentabilidade, afirma que tem os documentos que legalizam as obras. Curioso é o timing perfeito da abertura do processo.

Enquanto os tomates podres voam na guerra política das eleições os absurdos políticos não param.

No Distrito federal os deputados estaduais resolveram trabalhar somente um dia por mês na câmara, já que a maioria está tentando a reeleição e todos estão com medo de não erem tempo pra campanha. Ou seja, ter tempo pra fazer seu trabalho que é bom nada. Isso rpa não mencionar o novo palco das reuniões, um prédio que custou três vezes o valor nicial, saindo por 106 milhões de reais, onde cada gabinete tem o tamanho de um apartamento de três quartos. É que os políticos deitam e rolam em cima do povo, sabe como é. Enquanto isso coninuam recebendo 12 mil de salário mesmo trabalhando menos, e 11 mil com despesas extras (que vaid esde a gasolina do carro até as cartinhas dos deputados). Se no primeiro semestre eles votaram APENAS 41 propostas, imagina o que eles vão trabalhar em um dia por semana.

No congresso houve a aprovação do novo código florestal (ou podemos dizer código empresarial) e a câmara resolveu agradar o irmão mais velho, o senado, com a aproação do novo plano de carreira para servidores da casa. O impacto nos gastos do governo é de apenas 464 milhões de reais por ano, isso porquê o legislativo disse recentemente que sabe equlibrar muio bem seu orçamento. Bem, se o orçamento da dona de casa também crescesse todo mês era fácil fechar no azul. A dívida pública com gastos da máquna admnistrativa vem crescendo a anos e apesar das famosas promessas de reformas, até agora, ninguém qus por a mão no bolso e devolver dinheiro que ta sobrando.
Além do aumento no salário, os servidores do legislativo ganham de duas a três bonifcações durante o ano, duas apenas por serem da casa, e uma pelo seu desempenho. Cada bonificação é pelo menos 40% do salário recebido, e a previsão pro próximo ano é que essa base suba pra 60%.  No final das contas o maior salário da casa será de meros 26 mil reais.
Ainda na casa do legislativo os senadores utilizaram de uma artimanha básica, a falsa licença médica. Quatro senadores que são candidatos nessas eleições apelaram para a licença médica para que conseguissem completar o tempo mínimo necessário para que os suplentes possam assumir.

É povo. Mais uma dia normal em Brasília. Reeleger alguém virou um mau negócio.



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Terça-feira, 06 de julho de 2010 12:03 pm

Sai o coração do campo, e entra a cabeça nas eleições.

 

Acabou a festa. Acabou os feriados inexistentes. Acabou a copa. A pergunta é: nossa tristeza continuará até quando? Digo isso pois estamos diante de uma das eleições mais piadistas da história. Os nomes de peso da política acabaram, Lula é o único nome vivo que consegue manter alguma credibilidade, e ele não pode concorrer a estas eleições, confesso que até votaria para que ele pudesse.


O Brasil cresce, o salário mínimo cresce, a corrupção também, infelizmente. Nesse tempo de eleições devo fazer um agradecimento mais do que especial à produção do CQC, encabeçada pelo multifuncional Marcelo Tas. Obrigada por um programa de TV que podemos assistir. Obrigada por um programa humorístico que consegue ter mais jornalismo imparcial que todos os Jornais televisionados. Obrigada por sobreviverem a 100 programas (ou 100 anos como profetizou o Marcelo na bancada do programa 100).


Enquanto o CQC escancara os bastidores da política, dizendo o que todos querem dizer na cara dos políticos, escancara também que não somos os seres mais honestos do mundo com seu quadro “Teste de honestidade”. Esse quadro só comprova uma coisa: Somos os culpados pela política que temos, fomos responsáveis pela massa da pizza que os políticos se deliciam, eles só colocaram a cobertura. E por isso pergunto: nossa tristeza continuará por quatro anos?


Temos dois grandes candidatos, grandes por seus partidos, não necessariamente por quem são. Temos uma pequena candidata que, sem querer fazer propaganda política, aparenta ser a mais indicada entre os concorrentes mas que pouco conhecemos. Temos uma eleição piada. Pìada porquê não há nem carisma nem credibilidade no rosto dos grandes candidatos, e mesmo que a pequena seja eleita numa reviravolta surpreendente, jamais governará de fato graças a quase nenhuma representabilidade partidária no legislativo.


O grande Tas soltou essa pérola no Twitter “Que combinação de CANDIDATO e VICE é mais desfavorável: INDIO SERRA ou TEMER DILMA?” Eu pergunto que combinação não é desfavorável? Mesmo sem o uso dos trocadilhos. Quem é o deputado federal Índio da Costa além de uma atitude desesperada do DEM para abocanhar parte da presidência, mesmo que seja a menos representativa? Quem é Índio da Costa a não ser uma medida desesperada do próprio PSDB de não perder o apoio partidário do DEM? Quem é Índio da Costa a não ser a prova viva do troca-troca de interesses políticos que por tanto tempo ficou às escuras e hoje já nem se preocupa em ser escondido? Espero que descubramos durante o programa político, provavelmente no programa do PT (a não ser que a escolha do deputado para vice da presidência seja por ele ser o único teto que não é de vidro no DEM).


José Serra não é um nome desconhecido, tampouco é um nome querido. O ex-Governador de São Paulo teve seus próprios problemas na capital financeira do país, perdeu duas eleições para o atual presidente, e sempre se apresentou como o tipo inalcançável, independente de quantas crianças beije em seus programas. Zero de carisma. Sua grande vantagem(?) nessa eleição é ser figurinha carimbada, e por isso, entre quem a gente não sabe nada e quem ta tentando a 12 anos, quem sabe damos uma chance a ele pelo esforço. Não foi isso o que fizemos com Lula? Um prêmio pelo empenho unido a uma clara insatisfação com o partido dominante desde a redemocratização do país? A diferença agora é que o partido que está no poder agora pode ter tido seus podres escavados e expostos ao público, mas seu garoto-propaganda Lula manteve a simpatia dos brasileiros.


O que falar de Dilma? A primeira presidente do Brasil? Não sei, eu prefiro esperar. Confiar numa candidata que fraudou o próprio currículo quando estava em um ministério do governo é difícil. Confiar numa candidata que teve seu caso abafado pelo partido, mas cujo odor ainda incomoda mesmo embaixo do tapete? Confiar numa candidata que é mais conhecida por suas plásticas que por suas ações? Nada contra as plásticas dela, mas muito contra por não ter visto nada vindo dela que justifique um voto. Dilma é apenas uma fantoche numa ação desesperada do PT em manter o executivo, tem a mesma origem militante de Lula, mas sem seu carisma, sua “ingenuidade” e sua popularidade.


Michel Temer. Talvez o único nome para vice com experiência política relevante. Seis vezes eleito deputado federal, e três vezes presidente da câmara. Seis vezes deputado... Vinte e quatro anos de legislativo. Me pergunto porquê, sequer uma vez, foi ele direcionado a eleger-se em um cargo superior, como senador, ou governador. Provavelmente fruto da “linha de sucessão” que regia nesse país em todos os partidos, assim como a posição de segundo no comando quando se trata de PMDB em algumas questões. Tivesse o PMDB assumido as rédeas e lançado Michel Temer como candidato a presidente, ele provavelmente seria o melhor qualificado, com realizações de real importância. Mas ele é apenas o vice, e ter Dilma como nossa representante me assusta.


Vamos aos pequenos. Marina Silva e Guilherme Leal. Parceria interessante para assumir a presidência, uma professora e um empresário, ambos defensores do sustentável, ela tem o discurso, ele já instituiu isso na prática na Natura. A educação e o empresariado unidos. Uma mulher na presidência, e um nome forte no cenário econômico como vice. O único problema: um partido pequeno.


Na nossa democracia o legislativo pode ser a barreira das mudanças. Nosso legislativo vota como partidos, e não como defensores dos interesse que representam. Nossos deputados e senadores precisam votar pelos interesse políticos dos partidos, e não de seus estados e de seu povo. O legislativo se torna apenas um comércio de trocas de favores e perde muitas vezes sua razão de ser. Quando não votam em seus próprios interesses, como aprovar o aumento do INSS baseado na promessa de redução de custos do governo, e logo após aprovam aumento para funcionários da casa. Quem disse que é preciso lógica no congresso?


As eleições de outubro são uma caixinha de surpresas, mas cujo resultado dificilmente será positivo para o país. 2010 não tem remédio, mas ainda podemos escolher o menos desfavorável. Pense por si mesmo e não pela propaganda. Analise as propostas e não se encante com elas. Relembre o passado para não cometer os mesmos erros. Perceba que o governo é uma máquina completa, é preciso escolher todos os candidatos com a mesma preocupação, seja presidente ou deputado. Afirme na urna o que você pensa, e não o que querem que você pense. Não venda seu voto, dinheiro nenhum paga enfrentar problemas por um ano, quem vende seu voto não tem direito a reclamar. Acredite que há esperanças para esse país, mas não acredite em tudo que ouvir.


O povo brasileiro chorou com uma eliminação no futebol. Brigou pela escalação dos jogadores. Defendeu a liberdade de expressão do técnico, mesmo não gostando dele. Torceu até o fim dos acréscimos, lutou com os jogadores até o apito final. Se podemos ser tão apaixonados por nossa seleção, porquê não ser apaixonado pelo nosso país? Não queremos chorar por quatro anos. Então brigue pela escalação do governo, pois essa você que decide. Defenda a liberdade do voto, porquê é um direito seu. E lute pelo que acredita quando estiver naquela urna. O resultado só é certo após contabilizar o último voto.


Boa sorte pra nós. Votemos consciente! 

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Terça-feira, 02 de fevereiro de 2010 06:47 pm

“Pense no Haiti, Reze pelo Haiti. (Mas)O Haiti é aqui”

Música Haiti, Gilberto Gil e Caetano Veloso


A menção à musica dos tropicalistas não é nova e com certeza deve ter sido usada a rodo pela imprensa nesses últimos acontecimentos. Insisto, entretanto, em usá-la pela sua significância tão oportuna. O terremoto do Haiti no dia 12 de Janeiro abalou e mobilizou o globo inteiro na esperança de ajudarem um país tão miserável que perdeu o pouco que haviam conquistado. Mas o que esse país de 27.750 km², menor que o estado de Alagoas, perdeu afinal? A capital do país Porto Príncipe foi devastada, nela moravam 2 milhões dos mais de 8 milhões de haitianos do país(Alagoas tem apenas 3 milhões de pessoas, Maceió tem menos de 1 milhão). A início imagina-se que as proporções do terremoto são as mesmas de um desastre na cidade de São Paulo, mas não são. São Paulo tem 11 milhões de habitantes, mais de cinco vezes a população atingida no Haiti.


Nesse ponto, você leitor, deve estar se perguntando como posso minimizar um evento de proporções gigantescas, e principalmente, por que. Bem, deixe-me continuar minhas comparações enquanto você pensa sobre isso. O Terremoto no Haiti atingiu magnitude 7 e até agora cerca de 170 mil pessoas foram dadas como vítimas do desastre natural e em torno de um milhão estão desabrigados. O Tsunami de 2004, entretanto, foi causado por um tremor de magnitude 9 e causou mais de 200 mil mortes em toda a costa asiática e até africana, alem de um milhão e meio de desabrigados, 15 países foram atingidos ao todo. Não bastasse isso o terremoto de 2004 causou mudanças no formato e no movimento da terra, que podem ter agravado as mudanças climáticas globais.


“Aonde você pretende chegar com isso?” Você deve estar se preocupando enfurecido. Apenas continue lendo. Enquanto 2 milhões de pessoas tenham sido afetadas pela natureza no Haiti, só nos três primeiros trimestres de 2007 6,6 milhões de pessoas foram afetadas por fenômenos da natureza num país da América do Sul. Consegue adivinhar qual foi? Você está nele nesse exato momento. Em 2007 o Brasil registrou 730 desastres em 23 estados até setembro, 146 mil pessoas ficaram desalojadas, e não enfrentamos nenhum terremoto, furacão ou vulcão por aqui. De fato os fenômenos climáticos que prejudicam a vida do Brasileiro são comuns e antigos: Secas e Enchentes ou enxurradas. Basicamente ou chove demais ou chove de menos. Independente de qual seja esses fenômenos causam perdas econômicas, sociais, de infra-estrutura e principalmente, de vidas. Ao passar dos anos os efeitos se mostram cada vez mais permanentes e assustadores. Em 2009, o Brasil foi o sexto país a enfrentar o maior número de desastres naturais. 181 pessoas morreram no Brasil por causa de chuvas, deslizamentos e enchentes. Esses números, entretanto, dão como “desastres” apenas 10 eventos no Brasil, número muito baixo se contabilizarmos eventos rotineiros, ou de temporada.


Começamos 2010 com um susto. Em plena virada de ano a natureza dava indícios de que deveríamos nos preparar melhor. Angra dos Reis e Praia Grande, destinos turísticos dos mais caros do país foram acometidos por deslizamentos semelhantes aos que acontecem em favelas por todo o país. Sua localização e seu “timing” foram quesitos para fazer algo bem comum no Brasil se transformar em uma tragédia e alerta ao governo. Foram 53 vítimas que não puderam conhecer o novo ano que pouco antes haviam comemorado. Há a previsão de que cerca de 12 mil famílias sejam desalojadas por conta das áreas de risco somente no Rio de Janeiro. No mesmo 1° de Janeiro em São Luiz do Paraitinga, a 182 quilômetros de São Paulo, o nível do rio que corta a cidade subiu três metros e meio e duas mil pessoas, 20% da população, tiveram que deixar suas casas. O centro histórico ficou destruído e o cenário era de desolação.


Lembram que a cidade de São Paulo tem cinco vezes a população de Porto Príncipe, no Haiti? Acontece que essa mesma cidade tem sido castigada pela chuva durante todo o mês de Janeiro e desde Dezembro do ano passado. A situação é tão grave que no Jardim Romano, na Zona Leste da capital, as ruas estão alagadas a mais de 50 dias e o nível de água só tende a crescer. As cidades do interior que se encontram no Circuito das Águas estão em alerta, as comportas de algumas represas do Sistema Cantareira foram abertas por não poderem segurar mais as águas. O efeito acontece em escala dominó, quando uma represa solta seu excesso o rio tende a transbordar, alagar cidades vizinhas e pressionar a represa seguinte que por sua vez acaba por dar vazão às águas, repetindo o processo em uma nova região. Mais de 20 mil estão desabrigados somente no estado de São Paulo.


A situação calamitosa também andou afetando outros estados como Minas Gerais, onde a cidade de Patos de Minas vem sofrendo constantemente com alagamentos, e Paraná, onde a chuva abriu uma cratera de 15 metros de profundidade na estrada que liga a cidade de Itararé, a 354 km de São Paulo, a Sengés, no estado do Paraná. O mais assustador é perceber que toda essa situação acontece aqui, todos os dias, e que esses números vêm de apenas um mês. A falta de estrutura para conviver com esses fenômenos é visível, e sua constância já tem dado a esses casos status de normalidade. E o governo onde estava? A situação de São Paulo já é antiga e embora sempre há a velha acusação aos governos e as promessas de soluções na época eleitoral, sucessor nenhum faz nada. Os famosos piscinões são ineficientes por serem em um numero ridiculamente menor do que o necessário. O lixo espalhado em vias públicas que acaba nos rios junto com a impermeabilização do solo são as principais causas de alagamento, problemas que cidades como Tóquio já resolveram com um combate sério àqueles que sujam as ruas, a situação aparenta ser irreal quando se percebe que as ruas da capital do Japão são extremamente limpas mesmo sem a presença de lixeiras.


“Estamos vivendo hoje um desequilíbrio climático que expõe as vísceras dos nossos problemas de infra-estrutura, trânsito e transporte com reflexos sociais e econômicos desastrosos. (…) Não adianta acusar o passado, mas enfrentar o presente. Soluções complexas levam tempo e temos a consciência de estarmos realizando o possível”. Palavras do prefeito de São Paulo, Kassab. Junta-se a ele o discurso do presidente Lula que convidou o prefeito a juntar-se a ele para definir soluções para as enchentes em São Paulo à época do lançamento do PAC 2 em março, prometendo dar um “presente” à São Paulo. União de forças para combater as enchentes paulistas com certeza é uma boa idéia, mas creio que até março os paulistanos e brasileiros em geral continuarão vendo suas vidas serem afetadas e destruídas, não pelos fenômenos naturais, mas pela falta de ação do governo, que teve pulso para enviar imediatamente 900 soldados ao Haiti e ajudas diretas de 30 milhões de reais, mas não se dispôs a procurar soluções imediatas enquanto às de longo prazo são planejadas.


O Governo federal, claro, não está pensando na situação humilhante dessas famílias que perdem tudo o que têm várias e várias vezes, sem condições de abandonar suas casas por não ter para onde ir. Os pensamentos de Lula e do resto do PT está nas eleições de Outubro, quando Dilma Rouseff pretende assegurar o reinado da estrela vermelha até 2014, ano da Copa. Dizem pelos bastidores de Brasilia que as enchentes (pra variar) viraram armas do PT na campanha contra José Serra, atual governador do Estado de São Paulo, então quanto mais o governador se afundar em problemas na atual gestão, melhor para a atual Chefe da Casa Civil.


Para acalmar os ânimos a Presidência da República notificou que 614 milhões de reais serão destinados para atender as vítimas das catástrofes no Brasil. Em relação ao Haiti, o montante liberado é de 375,95 milhões. Os planos são de que “o Ministério da Integração Nacional ficará com R$ 394 milhões para atender diretamente as vítimas e recuperar a infra-estrutura das áreas atingidas. Outros R$ 150 milhões serão direcionados ao Ministério das Cidades para a construção e a reconstrução de casas para pessoas de baixa renda afetadas pelas enchentes e deslizamentos. A pasta da Agricultura terá ainda R$ 70 milhões para a recuperação de pequenas estradas que escoam a produção rural e foram destruídas por enchentes.”


Em primeiro lugar devo ressaltar que a palavra que grifei vem com uma leve armadilha. De fato a maior parte dos afetados pelas enchentes são pessoas de baixa renda que vivem em favelas e morros, entretanto, elas não são as únicas atingidas pela enchente. Muitas família da classe média baixa e média também são afetadas e entretanto não terão ajuda do governo. Acontece que essas famílias afetadas também perderam suas casas, seus móveis e pertences, e até o carro do qual ainda vão pagar as prestações, querendo ou não. Essas famílias também precisam de ajuda, mas o governo adora fazer uma distinção específica de renda para realçar sua aparência populista e aproximar Lula do “Pai dos Pobres” Getúlio Vargas. Mas nem deveríamos nos preocupar tanto com isso, já que como sempre acontece (inexplicavelmente) no Brasil, apenas menos da metade dos recursos chegam de fato a serem utilizados, enquanto a outra metade se perde em algum lugar da grande burocracia gerada pela máquina pública.


Normalmente, quando o governo brasileiro é cobrado sobre obras ou ações sociais, a desculpa é quase a mesma: falta de verbas. Entretanto, quando questionado sobre o montante enviado ao Haiti(do qual apenas 30 mil serão realmente doados ao Haiti, os outros 345 mil serão divididos entre setores do governo que devem usá-los no auxílio do filho adotado) a resposta do presidente de Relações Exteriores do Senado foi enfática “Não devemos faltar neste momento (no Haiti). O Brasil tem condições financeiras de fazer esse apoio”. Perguntaria ao senhor Azeredo se o país não teria condições financeiras de direcionar esse apoio ao combate da violência nas capitais, ou a melhorar as condições de saúde dos brasileiros que são caóticas, quem sabe 375 milhões não pudessem ser aplicados ao Combate ao tráfico de drogas e armas, ou à proteção ambiental. Afinal, o país tem condições financeiras de fazer esse apoio, de preferência ao próprio Brasil.


O que mais me impressiona, de fato, é que R$ 600 mil serão destinados à área de inteligência da Presidência da República, que coordena um gabinete de crise sobre o terremoto. Eu entenderia se tivéssemos um gabinete de Crise para a Seca do Nordeste, ou para as enchentes no Sul-Sudeste, pois ambas ameaçam a estabilidade nacional. Um gabinete da Inteligência da Presidência da República para um Terremoto que aconteceu a milhares de kilômetros do território nacional é que não me parece explicável. Os estados Unidos sim têm realmente que se preocupar, se não reconstruírem Porto Príncipe uma nova leva de imigrantes ilegais invadirá o país e a secretária de Segurança Nacional dos EUA, Janet Napolitano já avisou que os haitianos ilegais serão enviados de volta pra casa sem hesitação. O país aliás, parece ser de fato mais esperto que o Brasil. Desde o desastre tem movimentado seus artistas e emissoras para arrecadar doações para o Haiti. A grande sacada é que o dinheiro a ser enviado não sairá dos cofres públicos, mas dos bolsos de americanos comuns que mesmo após passarem pela crise ainda mantém o ideal de protetores do mundo.


Os organizadores do evento “Hope for Haiti Now”, que reuniu dezenas de celebridades internacionais nas emissoras dos Estados Unidos, disseram já ter arrecadado US$ 57 milhões (cerca de R$ 104 milhões) em doações para ajuda às vítimas do terremoto. De fato, As doações, prometidas ou já obtidas em todo o mundo já somavam pelo menos US$ 2,02 bilhões, segundo cálculo da ONU em Janeiro. Mesmo assim a ONU continua pedindo doações, e agora com restrições, no Fórum Econômico de Davos, na Suiça, os representantes das Nações Unidas pediram que as doações sejam feitas em “dinheiro vivo e não mercadorias”. O Haiti tem se transformado em uma grande arrecadação financeira, onde o número de zeros na conta é extremamente importante, e como a corrupção não foi invenção brasileira (como alguns ainda acreditam), só mesmo Deus sabe para onde tanto dinheiro vivo vai, no fim das contas.


O Haiti já tem o mundo inteiro ajudando a reconstruí-lo, o Brasil não precisa manter-se como pai adotivo, já que foi sumariamente substituído pelo Tio Sam, ainda não temos calibre pra brigar de frente com o país mais influente do mundo, mesmo que seja por um pedaço de terra destruído que mais lembra os vários pedaços de terra destruído no nosso país. O envio de mais 1.300 soldados ao Haiti não é uma tentativa de ajudar o policiamento da área, segundo Vicenzo Puguese, porta-voz da Missão da ONU para a Estabilização do Haiti a situação está sobre controle desde o dia 21 de janeiro, e a segurança não os preocupa. O Brasil entretanto planeja manter no país 2.600 soldados, apenas para fazer frente ao exercito norte-americano e defender o seu pedaço. A situação do Haiti lembra muito a colonização da áfrica, quando os Europeus aproveitaram a falta de estabilidade e unidade do continente para dividi-lo aos eu bel prazer entre si, aproveitando de suas riquezas. A situação aparenta ser a mesma, sob as roupas brancas e as ajudas, há a disputa de influência e poder, o novo determinante da ordem mundial.


Espero que agora o senhor leitor tenha entendido porquê minimizar a tragédia do Haiti que abalou o mundo, porque bem ao nosso lado existem centenas de tragédias acontecendo. Elas podem não serem tão impactantes, nem ocorrem condensadas em um único dia, mas mais trágico é vê-las acontecerem todos os dias. Ao senhor Lula um conselho, se pretende fazer propaganda ajudando pobres, afro-descendentes, marginalizados, miseráveis, com fome, sem saúde pública de qualidade, atingidos por desastres naturais, cercados de violência e criminalidade, sugiro ao excelentíssimo presidente que antes de olhar sobre o muro, veja dentro da própria casa a quantidade de Haitis que possui. Fica ao pernambucano, que já enfrentou seus próprios desastres,a sabedoria popular e religiosa: “Antes de apontar o cisco no olho do vizinho tire a trave que existe no seu.”


Por Pérola Cardozo

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