23/07/2009 06:20

VIOLÊNCIA NA BALADA

Por Izabella Figueiredo

Sim, a violência está por toda parte. São sequestros, assaltos, violência doméstica contra a mulher, entre outros tipos. A coisa muda de figura quando esse comportamento prejudicial ao próximo invade espaços fechados, onde a única preocupação deveria ser com a diversão.

Há duas semanas, um incidente lamentável ocorreu em uma casa noturna da região centro-sul de Belo Horizonte. Um sargento da Polícia Militar atirou na perna de um homem durante uma discussão, cujos motivos ainda não estão claros. O advogado Rafael Mendes, de 23 anos, que estava presente na boate no dia do ocorrido, se mostrou surpreso com o fato de o policial ter conseguido entrar no local armado, afinal “os freqüentadores são obrigados a passar por um detector de metais antes de adentrarem o local”, ressalta. Em nota à imprensa, a boate disse que “o sargento negou-se a entrar sem a arma no local quando foi revistado, fazendo o uso de um direito seu na posição de policial”.

Por parte da Polícia Militar ainda não existem estatísticas concretas para os casos de violência ocorridos em shows, bares e boates, mas a negligência por parte do órgão, em alguns casos, é um dos motivos para que muitos prefiram ficar em casa a se arriscar na vida noturna de Belo Horizonte. É o caso da estudante de direito Marcela Nunes, de 23 anos, que teve sua blusa rasgada por um grupo de rapazes em um show de axé. “Após esse incidente, passei a me preocupar com o nível de segurança oferecido pelos lugares e comecei a selecionar mais os lugares que freqüento”, conta.

Obviamente, os lugares voltados ao entretenimento não devem ser transformados em um campo de batalha com policiais armados até os dentes, mas é imprescindível que uma atenção maior seja dada ao fato. A verdade é que grande parte dos casos de violência na balada se dão pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas e a falta de uma revista rigorosa dos freqüentadores na entrada dos eventos, facilitando a circulação de pessoas portando armas e drogas.

Quanto à iniciativa pessoal, é necessário que cada um faça sua parte para evitar conflitos em ambientes onde a alegria deve ser priorizada. É hora de dar um basta nas atrocidades vistas noite adentro e deixar que os momentos de lazer cumpram com seu objetivo primário, que é a entrega do indivíduo à atividades que só proporcionem prazer.

E você? O que acha de tudo isso? Opina aí!

 

DEPOIMENTOS DA GALERA

“As boates precisam adotar medidas práticas de combate a violência, como detectores de metal e revista. A violência está na rua, não dá para fechar os olhos e compactuar com a criminalidade”.

Thiago Fonseca, 19, Belo Horizonte

“Toda vez que saio, vejo alguma confusão. São roubos, brigas e discussões idiotas. Será que tá valendo a pena enfrentar tudo isso ou o melhor mesmo é ficar em casa?”

 

Júlia Campos Miranda, 16, Itabira

 

“Como nós, jovens, ficamos quando lemos coisas assim? Um é baleado em uma festa. Outro é esfaqueado na boate. Precisamos de espaço para divertir e é terrível ter que concordar com o medo dos nossos pais”.

 

Wellington Pipo, 18, Juiz de Fora

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16/07/2009 06:20

Breve leitura de férias

 Por Sabrina Abreu (editora da Revista Ragga)



Turista e viajante são sinônimos apenas no dicionário. Turistas são afeitos a crachás e bonés com nome de alguma empresa. Mesmo que viajem à paisana, é possível reconhecê-los, porque fazem questão de peregrinar ansiosamente por todos-os-pontos-turísticos-e-mais-alguns. Eles acham que se não tirarem foto de tudo, tudo, tudo e não subirem incontáveis e cansativas escadarias (do Convento da Penha, em Vitória, à Torre Eiffel, em Paris) a viagem não estará completa.

 

Mas viajar vai além do circuito mais conhecido de cada cidade e dos álbuns de fotos que serão preenchidos na volta para casa. Os viajantes sabem. Por isso, apesar de ser bacana conhecer os monumentos históricos, eles preferem abrir mão de certas atrações para curtir outros prazeres: tomar um café observando as pessoas que passam, se embrenhar no meio do mato, numa trilha que nem mesmo a população local conhece direito, ou andar pelas ruas, sem pressa, prontos para se deparar com alguma surpresa pelo caminho – pode ser uma loja de discos antigos ou a lanchonete com o melhor hambúrguer de todos os tempos.

 

Na verdade, é injustiça dizer que quem viaja em meio a grandes grupos, caracterizado por um boné e um crachá não é um viajante. Fica difícil fazer afirmações desse tipo, porque o que diferencia o turista do viajante é algo invisível: uma postura diante da vida, uma curiosidade genuína pelo mundo, pela sociedade, pela natureza. Uma postura que se traduz na humildade de se adaptar ao ritmo e à cultura do novo local, em vez de ser só um observador impermeável que se contenta em tirar fotos e comprar um monte de souvenir (não que eu não goste de levar uns presentinhos para minha família).

 

É tão legal ser um viajante. Por isso, sempre desconfiei de que o que leva as pessoas a se tornarem um turista é porque é mais fácil seguir à risca o guia que algum jornalista escreveu sobre uma certa cidade do que buscar um caminho alternativo. Mas vale a pena optar pela opção mais complexa, sendo um viajante. A boa notícia é que dá para fazer isso onde quer que você vá: na cidade do interior onde parte de sua família mora ou num outro continente. Basta aproveitar a oportunidade para se comunicar com quem mora noutra cidade, experimentar novas comidas, formas de lazer, formas de viver. O mais legal é que, se comportando assim, a gente volta para casa um pouco diferente. E essa é a melhor parte de qualquer viagem.

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