
Jet Lag Social. É bom saber que isso engorda.
Por Dr. Ricardo Teixeira*
O cérebro da maioria das pessoas precisa de sete a oito horas de sono por dia para acordar com disposição e enfrentar o dia. Nossa vida moderna não tem dado muita bola para essas necessidades básicas e as demandas sociais, voluntárias ou involuntárias, são frequentemente discrepantes daquelas do cérebro. Esse conflito entre o relógio biológico e o relógio social tem recebido o nome de Jet Lag Social e as evidências têm apontado que esse é um fenômeno que tem a ver com o controle do peso.
Esta semana, foi publicado um estudo realizado pela internet com 65 mil europeus apontando que quanto maior o Jet Lag Social, calculado como a diferença entre o tempo de sono em dias de folga e nos dias de trabalho, maior a chance de sobrepeso (Current Biology). Os resultados também sugeriram que, não só a duração do sono, mas também o horário em que se vai para a cama, têm relação com o controle de peso. Trocar o dia pela noite não parece ser bom negócio.
Uma forma de entender esse efeito “Fuso Horário Social” é supor uma rotina em que viajamos toda sexta-feira depois do expediente em direção oeste para a Ilha de Páscoa e voltamos para casa na segunda-feira. Quando voltamos, teremos o desafio de trabalhar num horário que já estaríamos nos preparando para dormir na ilha.
Temos ainda evidências de que a privação de sono entre indivíduos com sobrepeso e submetidos a uma dieta de restrição calórica, além de provocar mais fome, induz à perda de mais massa magra do que gordura, o inverso do recomendável nesse tipo de dieta. Essa maior perda de massa magra sugere que há um aumento de conversão de proteína em glicose para manter os diferentes órgãos do corpo.
A ciência tem nos mostrado de forma inequívoca que, para quem quer manter o peso em dia, e também para quem precisa perder alguns quilos, dormir bem é fundamental. Vale lembrar que quanto mais tempo ficamos acordados, maior a chance de consumirmos calorias. Além disso, uma noite de pouco sono pode diminuir a disposição para a realização de exercícios físicos no outro dia.
* Dr. Ricardo Teixeira é neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília e professor da pós-graduação em divulgação científica e cultural da Unicamp. Ele escreve às segundas-feiras aqui no Blog a coluna Neurônios femininos
Responda a nossa enquete: Você se considera uma noiva...
Foto: Edilson Rodrigues/CB/DA Press
Pergutamos aos internautas, qual é o melhor programa do inverno. Confira as respostas:
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Quer compartilhar uma receita de chocolate quente? Mande para cbrevista@gmail.com
Por Maria Júlia Lledó
O alterego de Maris Misk Moysés
O que é, o que é? Cabe na palma da mão, promete ser seu amigo em aventuras por terra, água e ar e não faz cara feia? Se você pensou no playmobil, acertou! Desde a década de 1970 — caramba, o tempo voa, hein? —, bonecos e bonecas playmobil fazem sucesso entre crianças e também adultos. Mesmo que fora de circulação, por isso item precioso entre colecionadores, ele volta a dar o ar da graça depois de uma iniciativa bem-humorada da psicóloga Maria Misk Moysés. “Tive contato com playmobil na infância porque meu irmão tinha muitos, mas minha coleção começou por volta de 1998, quando percebi que os bonecos estavam desaparecendo das prateleiras. Foi quando a Estrela parou de fabricá-los. Nesse momento, passei a comprar todos que encontrava nas lojas, que já não eram muitos”, conta.
Fotógrafa nas horas vagas, Maria tirou das caixas a coleção, que já conta com 500 peças, para registrá-las onde estivesse. Fosse na cidade onde mora, Rio de Janeiro, ou por onde viajasse. “Escolho os bonecos, o local e levo uma pessoa para me ajudar na logística. O primeiro click foi no Arpoador. O dia estava lindo e o cenário ajudou bastante”, recorda. A brincadeira virou um projeto e ganhou nome — iloveplaymo — e centenas de admiradores. Só no Instagram — rede social de fotografia disponível para usuários de iPhone e androids —, ela contabiliza 47 mil seguidores. Aos leitores do blog da Revista do Correio, ela conta como essa brincadeira, levada a sério, fez tanto sucesso.
Você faz as fotos com periodicidade ou apenas quando viaja?
Fotografo sempre que posso. Geralmente, isso acontece nos fins de semana. Procuro postar (Facebook e Instagram) com certa frequência, pois as pessoas que acompanham esperam e, às vezes, até cobram por novas fotos. Gosto muito de fotografar em viagens porque, além de estar com o tempo livre, consigo cenários interessantes.
Como você escolhe os lugares e as situações onde fotografa os playmobils?
A escolha dos lugares e das situações depende de alguns fatores. Algumas vezes idealizo uma imagem e vou até determinado local para realizá-la. Outras vezes a escolha é feita já no local, considerando os recursos que tenho, a luz do dia, etc. E ainda há situações em que o tema é definido por estar ligado a alguma comemoração ou acontecimento atual.
Você acha que nas fotos e na caracterização dos ambientes há um certo saudosismo?
Penso que o brinquedo já tem uma conotação saudosista pelo fato de ter feito parte da infância de muita gente. Leio muitos comentários nesse sentido. Acho que o filtro da câmera caracteriza, sim, um aspecto mais retrô e isso acabou se tornando o estilo do projeto.
Você se sente realizada com esse projeto?
Iloveplaymo superou todas as minhas expectativas. Fico muito feliz todas as vezes em que é mencionado com elogios. Aos poucos, estou percebendo a dimensão que o projeto alcançou.
Confira mais fotos no perfil @iloveplaymo do Instagram e no facebook.com/iloveplaymo.
por Dr. Ricardo Teixeira *
A partir de hoje, todas as segundas-feiras, o neurologista Ricardo Teixeira participará do Blog da Revista com a nova coluna NEURÕNIOS FEMININOS. A proposta do Dr. Ricardo é trazer aos leitores uma melhor compreensão das particulridades do cérebro e da mente da mulher, com linguagem acesssível e descontraída. O primeiro artigo é bem apropriado para este dia 13 de maio. Boa leitura!
Cérebro de mãe é turbinado mesmo
Um dos fenômenos muito especiais da maternidade é o deslocamento do eixo de preocupações de uma fêmea: a vida orientada para suas próprias necessidades passa a se concentrar também no cuidado e bem-estar de seus filhos.
A natureza dá uma forçinha para que esse projeto de cuidar da cria seja bem-sucedido, já que as alterações hormonais características da gravidez, parto e lactação, permitem com que o cérebro das mães seja “turbinado” nessas fases. O cérebro materno é por definição um modelo espetacular do fenômeno de neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro em criar novas conexões em resposta a um estímulo.
A maior parte das evidências de incremento de funções cerebrais com a maternidade tem origem em estudos com mamíferos inferiores, especialmente os roedores. Pesquisas apontam que não só as alterações hormonais, mas também o ambiente rico em estímulos associados à maternidade (ex: múltiplas novas tarefas, sons, cheiros) têm um papel importante nesse upgrade cerebral das mães.
A maioria dos mamíferos compartilha instintos maternais de defender seu ninho e sua cria. Ao ter que optar entre sexo, drogas, alimento ou seu ratinho recém-nascido, mamães ratas fazem a escolha por seus ratinhos. O cuidado com os filhotes ativa nas mães centros cerebrais de recompensa ligados ao prazer, mesmo no caso de filhotes adotivos, e essa também é uma forma de explicar as raízes do altruísmo. Esse fenômeno também foi demonstrado entre as mães humanas ao ouvir o choro dos filhos, ou simplesmente ao olhar para eles.
Em ratinhas, temos evidências de que a maternidade provoca aumento do volume dos neurônios e mais conexões em algumas regiões cerebrais. Mais recentemente, tem sido demonstrado também o fenômeno de geração de novos neurônios. Essas mamães passam a apresentar melhor desempenho em orientação espacial e memória, ficam mais corajosas e rápidas para capturar a presa, e com menos sinais de ansiedade em situações de estresse. Tudo em prol de uma maior capacidade de alimentar as crias. Não é à toa que Artemis é ao mesmo tempo a deusa grega do parto e da caça.
E esses efeitos parecem durar bastante. As mamães ratinhas chegam ao equivalente humano de 60 anos de idade com melhor performance e coragem, além de menor declínio cognitivo e também menos sinais de degeneração cerebral quando comparadas a ratinhas virgens da mesma idade.
E com os pais? As pesquisas são menos abundantes do que com as mães, mas também revelam que tanto primatas como roedores apresentam mudanças cerebrais com a paternidade: aumento de conexões, melhor habilidade espacial e menos sinais de ansiedade.
É possível que a neurobiologia da maternidade humana não seja tão diferente daquilo que já foi demonstrado em mamíferos inferiores, já que a maior parte do código genético dos humanos é idêntica à dos ratinhos ou dos primatas. Não duvido que as mães modernas com suas rotinas de malabaristas apresentem adaptações cerebrais associadas à maternidade bem mais robustas do que das ratinhas, já que são submetidas a um nível de estimulação ambiental como nenhuma outra espécie. Além de cuidar da cria e de sua própria sobrevivência, frequentemente protagonizam diversos outros papéis simultâneos (esposa, amante, conselheira, provedora, profissional realizada ou em busca de realização, dona-de-casa, etc.). É estímulo para dar, vender e jogar fora.
* Dr. Ricardo Teixeira é neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília e professor da pós-graduação em Divulgação Científica e Cultural da Unicamp.
É para essas mulheres maravilhosas que nos amam incondicionalmente que dedicamos a matéria de capa do Dia das Mães deste fim de semana. O título não poderia ser diferente, Com ela, eu aprendi... Melhor dizer: Com elas, continuamos aprendendo. Parabéns a todas as mães e futuras mães!

Foto: Getty Images
Um pedacinho de Brasília esteve presente na Casa Branca. Pelo menos indiretamente. A primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, escolheu brincos da designer brasiliense Carla Amorim para usar no tradicional jantar para correspondemtes da imprensa, no último sábado.
O eleito da primeira-dama foi o par de ouro com cornalina e safiras na cor laranja, da coleção Pantone, lançado pela joalheria em 2011. Sempre elegante, Michelle usou ainda um vestido tomara que caia do estilista Naeem Khan.
Por Olívia Meireles
A experiência de ver Brasília em uma outra época é emocionante. Imaginar que um dia ninguém andava na rodoviária, a W3 ainda tinha algum glamour, a esplanada não tinha asfalto, o Centro de Convenções era completamente diferente e as pessoas iam caminhar no Parque Piton Farias e não no Parque da Cidade. Esses videos amadores, documentários e filmes de ficção que surgiram nas redes sociais são uma deliciosa viagem nostálgica para quem viveu aquela Brasília e uma descoberta para quem chegou recentemente na cidade.
Tesouro proíbido: Brasília, Contradições de uma Cidade Nova
Ano: 1967
Tempo: 22min46
História: O documentário Brasília, Contradições de uma Cidade Nova foi feito por Joaquim Pedro Andrade e narrado por Ferreira Gullar. Nele, o diretor passeia por Brasília em 1967. Ele anda de carro pela W3, passa pelo buraco do Tatu, mostra as tesourinhas vazias e filma as quadras residenciais.
http://www.youtube.com/watch?v=Fk7Hxsbhhqs
De volta aos anos 1980: Passeio em Brasília - 1983
Ano: 1983
Tempo: 9min13
História: Em 1983, com 34 anos, Paulo José da Costa morava em há cinco anos em Brasília. Mas resolveu voltar ao Paraná, seu estado natal. Antes de voltar resolveu registrar com uma câmera de video como era Brasília na época. Em um domingo à tarde, ele pegou a família, colocou no carro e fez o trajeto da sua casa na 315 norte até a esplanada, passando pela W3 e eixo monumental.
http://www.youtube.com/watch?v=i3uDcGICzTY&feature=related
O homem do Rio: L´homme de Rio
Ano: 1964
Tempo: 5min48
História: L´homme de Rio, filme de Philippe de Broca, foi protagonizado por Jean-Paul Belmondo e rodado em Paris, no Rio de Janeiro, em Brasília e na Amazônia. Na recém inaugurada capital, eles filmaram no barro vermelho. As sequência de imagens não são montadas na sequencia real, mas elas mostram uma Brasilia sem asfalto, vazia e ainda em contrução.
http://www.youtube.com/watch?v=b2CBmyIahx4&feature=relmfu
Do alto: Brasilia 1960
Ano: 1960
Tempo: 2min36
História: Um rapaz achou o video guardado dos avós que fizeram uma visita a Brasília nos anos 1960. Tem imagens do alto do avião, Brasília sendo contruída e um monte de barro vermelho.
http://www.youtube.com/watch?v=ZlQY5shMgcA&feature=fvwrel
Piton Farias: Parque da Cidade - Brasília - DF
Ano: 1983
Tempo: 5min09
História: Imagens feitas em uma câmera 8mm por uma família brincando no Parque da Cidade, então Piton Farias.
http://www.youtube.com/watch?v=iaFDiFY9JRQ&feature=related
As matérias
Pra inglês ver: Brasilia Segment from the shock of the new
Ano: Não especificado
Tempo: 6min08
História: Matéria transmitida pela BBC e feita pelo jornalista Robert Hughes.
http://www.youtube.com/watch?v=he4C7gWEpEU&feature=related
A nova Brasília: Dreamspaces - Brasilia (Featuring Justine Frischmann)
Ano: Entre 2003 e 2004
Tempo: 6min35
História: Um programa feito pela BBC que fala sobre arquitetura e design de interiores. Eles fizeram uma edição em Brasília.
http://www.youtube.com/watch?v=vm7RkZnLFbc&feature=related
Por Maria Júlia Lledó
A matéria Uma ideia só não basta, da repórter Flávia Duarte, está entre os 5 finalistas brasileiros da categoria Revista, TV, Rádio e internet (não diários) do 2º Prêmio de Jornalismo Iberoamericano IE Business School. Capa da edição de 4 de dezembro de 2011, a reportagem disputou com outros 310 textos jornalísticos – entre artigos e entrevistas – de mais de 180 meios de comunicação, assinados por 145 jornalistas da área de economia. Na matéria, seis mulheres vitoriosas em diferentes segmentos do mercado de trabalho mostram que empreender é "muito mais do que ter um lampejo de criatividade", como bem ponderou a jornalista.
Crédito: Cristiano Sergio/Divuolgação
Por Maria Júlia Lledó
A vida dele é explorar cada rincão do país, colher e plantar inspirações por onde passa. Principalmente nas comunidades mais humildes, onde os moradores dão um jeitinho de viver de forma digna, tendo a criatividade como ferramenta. Essa é a vida de Marcelo Rosenbaum, designer paulista que ganhou os holofotes da mídia por realizar o sonho de muita gente no programa de televisão Lar doce lar.
É dele também o projeto A gente transforma, com o qual modificou a vida de moradores de cidades e bairros abandonados pela gestão pública. Na primeira edição desse projeto, em 2010, o designer e sua equipe trabalhou no chamado Triângulo da Morte — Capão Redondo, Jardim Ângela e Jardim São Luís —, em São Paulo. Um trabalho de restauração de comuniddes e condições para melhoria da autoestima dos moradores.
Requisitado e conhecido dentro e fora do país, a fama não abafou as prioridades do profissional. Pelo contrário. Deu-lhe ainda mais impulso para conseguir levar sua expertise a cidades de norte a sul do Brasil, e também aprender com pessoas que aprenderam com diferentes realidades.
Em depoimento à Revista, para a matéria de capa, Arquitetura Popular Brasiliense, Rosenbaum destacou a importância de se conhecer o país e de se reconhecer brasileiro. Veja:
Tenho a oportunidade de viajar pelo país e conhecer muitos brasis, com culturas tão particulares. Temos um repertório enorme e um colorido que vem da própria natureza e da diversidade cultural. A inspiração está em todo lugar, está no cotidiano. E o que se vê é surpreendente, espaços que são fruto de um olhar sobre as coisas simples, elementos desse cotidiano, sobre o acaso e o improviso. E essa capacidade de improvisar é também uma capacidade de criar. A aparente imperfeição das moradias é de uma beleza única.
Um lançamento do meu escritório que me fez mergulhar em um universo muito rico foi a linha Caruaru. Em 2006, fui fazer uma palestra para industriais e comerciantes da região e visitei lugares da feira que são autênticos, intocáveis, e muito inspiradores pela sua simplicidade construtiva e improvisada. Dessa visita nasceu essa linha de móveis inspirada no improviso da Feira de Caruaru, uma das maiores feiras livres do mundo, patrimônio cultural do Brasil, há mais de 200 anos no agreste de Pernambuco.
O desenho dos móveis resgata os fundamentos construtivos e formas dos mobiliários de exposição da feira. O material principal é a madeira pinus cultivada, natural. Quando coloridos, os móveis ganham os tons de amarelo sol do agreste, de azul céu do agreste, de cinza guará, de verde mandacaru, preto carcará ou laranja caju. É uma homenagem ao pensamento simples, autêntico, que permite reinventar-se todo dia. Se precisasse definir com palavras decoração e arquitetura popular escolheria um repertório grande, entre elas, improviso, imperfeição, inclusão, inovação, memória, multiplicação e pluralidade.
(Marcelo Rosenbaum)
Se você é do time que ama Instagram e quer publicar uma foto na Revista do Correio, faça uma foto para edição especial do aniversário de Brasília. O nosso tema é Arquitetura popular Brasiliense. Só vale mandar até 3 fotos até 2 de abril. As fotos serão escolhidas pelos editores da Revista.
Poste as fotos no Instagram com as Hashtag:
#arquipop
#correiobraziliense
Acesse:
http://www.facebook.com/photo.php?fbid=2828746367073&set=o.144853728920452&type=1&theater
Por Maria Júlia Lledó
Enquanto andar distraído, a vida acontece.
Não porque você queira ou faça previsões.
Ela simplesmente acontece...
Nesse caminho, a pedra colocada pelo poeta é o medo.
Medo de chegar tarde demais, cedo demais,
de ir longe demais, falar demais ou de menos.
Medo de não conter as emoções ou de transbordar alegria e loucura.
A gente tem medo de quase tudo e o medo nos preserva da morte, mas também da vida.
Vida tão frágil...
Vida por um fio.
Interromper a vida é ter medo de não mais viver
Medo de cair no buraco quando atravessar a rua,
Medo de voar e perder-se no oceano...
Medo do medo e ponto.
Bem aventurado o distraído
Aquele que esqueceu de colocar o medo na bagagem
e ruma por aí,
pelo mundo,
livre de preocupações
e amarras.
Então, experimente fechar os olhos e se jogar...
Não, as boas surpresas não vão aparecer enquanto você estiver com medo.
Elas virão de mansinho, atentas
para te surpreender no momento certo.
Quando você estiver distraído, vivendo...
Sem medo.
Por Rafael Campos
Toda família tem lá suas histórias. Aqueles causos que sempre voltam a bailar em almoços de fartura, natais de presentes meia-boca ou qualquer aniversário que envolva a casa das dezenas. Na minha, há uma bem mais interessante que qualquer outra ouvida por aí. Nos idos de quase 1980, meu pai e um grupo de amigos foram passar uma temporada entre a Suíça e Portugal. Era a época de ouro da indústria têxtil no Brasil e toda a viagem foi bancada pela empresa em que ele trabalhava.
A ideia era que eles fizessem cursos e, com o savoir-faire do velho mundo, pudessem trazer mais dividendos. De quebra, claro, eles ganhariam um belo de um passeio pela Europa. Esse deveria ser o foco da história. Mas, claro, são os descaminhos que a tornaram, de fato, interessante. Naquela época, o voo para Lisboa saía de Salvador, na Bahia. Não sei por quê - e nunca perguntei, pois nada mais inconveniente que aquele chato questionando todos os pontos de um relato, certo? Pois bem, continuo. Meu pai ainda não era casado e, jovem, aproveitou a noite antes do embarque para sair pelas ruas soteropolitanas. Numa delas, um hostess da cidade acompanhava o grupo e, por volta das 5h, chegaram a um bar.
Numa mesa mais afastada, Gal Costa celebrava com poucos amigos que ainda se mantinham fortes depois da noitada. Não demorou para que meu pai se juntasse à mesa dela. Disse que um fã de verdade jamais poderia deixar uma oportunidade dessas passar. Queria conversar com ela, trocar ideias… Só isso já daria um conto familiar eterno. O fato é que, segundo papai, Gal gostou dele. Não “carnalmente” falando, calma gente. Gostou da conversa, dos assuntos, da história dele. Meu pai é incrível, um bom contador de causos e sabe bem como apresentar o Piauí para os de fora. Não é de surpreender que ela tenha se encantado. A surpresa vem agora. Quando o dia clareou, todos precisaram voltar para o hotel. Foi aí que Gal virou-se pro meu pai e disse: “Gostei muito de você, Mury. Vou te fazer uma surpresa. Espere por ela.”
Aqui, é bom explicar o nome do meu pai. Na verdade, ele se chama Gilberto. Mas, durante toda a adolescência, teve o apelido Muriçoca, por ser muito magro. O codinome virou nome, abreviado e com direito a “y” no final. Até hoje essa grafia causa problemas para ele, até em aeroportos. E é essa segunda identidade do meu pai que completa toda a história. Mury foi para a Europa, estudou, voltou e, no carnaval do ano seguinte, a surpresa de Gal, finalmente, deu as caras. Naquela época, o maior sucesso dela foi O Bater do Tambor. A letra fala por si…
“Toda a eletricidade
Trio-elétrico e o seu gerador
Toda energia que magnetiza a cidade
Para pra deixar ouvir o bater do tambor
Mão de preto no couro
E o Brasil grita em coro
ê muri muri ô babá
ê muri muri ô (…)”
O “y” não foi no muri e tem muita gente que ainda acrescentou ao nome o prefixo “o”. Mas, como disse antes, não venha ser aquele chato que critica tin tin por tin tin. Meu pai já foi muso de Gal Costa e isso é algo digno de ser contado em toda reunião familiar. Aposto que na Páscoa o mesmo disco vai tocar.
Por Maria Júlia Lledó
Verde que te quero ver...em forma de bolsas e lenços de seda da Gucci! Esses são alguns dos novos objetos de desejo lançados pela grife italiana, que se inspirou na fauna e na flora do Pantanal. Seguindo à risca os comandos da diretora criativa Frida Giannini, uma equipe pintou araras e folhagens exuberantes desse bioma do Centro-Oeste, que deve colorir as vitrines. Edição limitada criada para a abertura de uma megaloja da Gucci (5 mil metros quadrados) no shopping Cidade Jardim, em São Paulo, tem preços que variam entre R$ 3.240 (bolsa grande) a R$ 500 (echarpe). Quer uma também? Poucas dezenas desses produtos virão diretamente de Florença para Brasília. Agarre a sua!
Que valores são indispensáveis para uma vida melhor? Foi o que perguntamos aos nossos leitores. Veja o resultado de nossa enquete:
Por Maria Júlia Lledó
Por Maria Júlia Lledó
Por Maria Júlia Lledó
João Rafael Torres // Especial para o Correio
Um personagem interessante tem tomado grandes proporções em meu atendimento clínico: o Facebook. A rede social surge como um fantástico instrumento na arte de aproximar pessoas que há muito não se viam, ou como elo agregador para aqueles que enumeram gostos e ideais afins. Diverte a muitos, que, entre curtidas e compartilhagens, comentam a piada do dia. Mas o Facebook que me chega nas sessões é um tirano nefasto: destrói namoros, arrasa reputações, planta a discórdia e o ciúme. Um elemento satânico, se nos pautarmos pela etmologia do termo satã – aquele que está no meio do caminho, o adversário ou opositor.
Quem resolve abrir um perfil na rede tem de pensar antes no grau de exposição das intimidades que está disposto a enfrentar. Uma pesquisa recente, publicada pela Psychological Science, apontou para os danos que a rede pode causar à autoestima dos usuários. Isso porque leva a uma inevitável e desnecessária comparação com outros perfis – obviamente, com padrões distorcidos sobre felicidade, bem-estar e realização pessoal. Outros, num impulso, acabam por comentar excessivamente a própria vida, partilhando aos demais fatos negativos ocorridos, fraquezas e sensibilidades.
Por outro lado, a farta oferta de detalhes da vida alheia aguça a curiosidade. Fuxicar fotos, fatos e reflexões toma horas a fio de muitos por aí. As “curtidas”, comentários e compartilhamentos aparecem como pegadas no cimento: marcam não só a passagem, mas também a aprovação – ou não – do que foi publicado. Posts bem visitados são ostentados, com orgulho, pelo próprio sistema na página das atualizações de maior repercussão. Contabilizar amigos é sinal de status – mesmo que, ao cruzar com alguns deles na rua, falte coragem para a interação. O deus da discórdia também é o deus da vaidade.
É óbvio que o problema não está no Facebook. E nem em demonstrar vulnerabilidades para os demais. A questão é a forma e para quem isso é feito. Em clínica, percebo que muitas crises poderiam ser facilmente evitadas pela contenção. Quais os efeitos de tamanha investigação? O que estava procurando? E agora, que achou, o que fará? Na maioria das vezes, nada é feito – ao menos, de forma concreta. Mas comentários, fotos e curtidas nos perfis investigados ressoam horas na psique, plantam a insegurança e o descontentamento. Bloquear, então, é o fim no quesito da cortesia: banir do outro a possibilidade de acompanhar seus passos torna-se inconcebível, quase que desejar-lhe a morte.
A maior exposição não é praticada por quem relata os acontecimentos da vida na rede social, e sim de quem pauta pelo que lê no perfil dos outros. Não refletem sobre a subjetividade do método: conduzida por diferentes afetos, uma mesma palavra pode desembocar em diferentes sentidos – a depender do olhar de quem a lê. Nasce assim o desentendido, a maledicência, as conclusões injustas e precipitadas. Respeitar a própria intimidade é saber definir o crivo correto para separar o que merece atenção nesse meio, mas é principalmente saber afastar-se dessa fonte corrosiva dos relacionamentos, se isso for necessário. É medir a influência que as informações publicadas exercem sobre os rumos adotados para a condução da vida.
O mundo do Facebook é uma fantasia construída com fatos e personagens reais. Muitas vezes, o dano dessa fantasia é provocado pelo excesso dessa tal realidade: as pessoas se levam muito a sério. O momento de descontração se transforma em uma neurose altamente comprometedora – em certos casos, esbarra no comprometimento patológico da dependência. Tudo merece ser declarado, até mesmo a ausência de assuntos a declarar. Por outro lado, todas as atualizações ganham uma importância descabida. E o tempo vai passando uma miscelânea de inutilidades, que ganham uma estranha urgência para quem ultrapassa os limites razoáveis de envolvimento com essa e outras redes sociais.
Não teço essas considerações por criticar o Facebook, Twitter ou algo que o valha. Até porque sou adepto, praticante e fiel às novas mídias como sistema de comunicação e interação social. Enxergo esse como um caminho sem volta: o virtual, que antes configurava uma espécie de realidade paralela, é um fato cada vez mais presente, dinâmico e interativo na história contemporânea. Permeia a todos nós, já faz parte do nosso inconsciente coletivo. Mas isso não garante que todos estão aptos a usufruir dos benefícios oferecidos, sem provocar danos ou prejuízos. Não custa lembrar: o que diferencia uma ferramenta de uma arma é a habilidade de quem a manuseia.
* João Rafael Torres é psicoterapeuta junguiano e tarólogo. Contato: www.selfterapias.com.br
Por Maria Júlia Lledó
Em época de eleição, vale tudo. De declarações de amor em público em pleno Valentine's Dia a abraços em crianças fofinhas e rechonchudas e promessa de plano de saúde para todos. A lista não tem fim. Mas o camarada Obama pensou diferente. E o presidente eleito pela força das redes socias – especialmente do Twitter – repete a estratégia. Como brincava "O Jovem", personagem de Chico Anysio, "jovem que é jovem não pisa na bola". Pelo contrário. Mais uma vez, Barack Obama acertou em cheio quando escolheu criar e disponilibilizar na internet uma mixtape com músicas para todos os gostos. Até imaginamos um Earth Wind and Fire na lista, mas o presidente mostra que também é pop e inclui até mesmo o suíngue de Ricky Martin. Dá só uma olhada: http://open.spotify.com/user/barackobama/playlist/6J9kgSvipjimfDLYTsCOAv.
Aposto que agora, você também se considera mais íntimo do presidente.
"Different People" — No Doubt
"Got to Get You Into My Life (Live version!)" — Earth Wind & Fire
"Green Onions (Single/LP Version)" — Booker T. & The MG's
"I Got You" — Wilco
"Keep on Pushing" (Single version) — The Impressions
"Love You I Do" — Jennifer Hudson (Dreamgirls)
"No Nostalgia" — AgesandAges
"Raise Up" — Ledisi
"Stand Up" — Sugarland
"This" — Darius Rucker
"We Used To Wait" — Arcade Fire
"You've Got The Love" — Florence + The Machine
"Your Smiling Face" — James Taylor
"Roll With The Changes" — REO Speedwagon
"Keep Marchin'" — Raphael Saadiq
"Tonight's The Kind of Night" — Noah and the Whale
"Keep Me In Mind" — Zac Brown Band
"The Weight" — Aretha Franklin
"Even Better Than The Real Thing" — U2
"Home" — Dierks Bentley
"Everyday America" — Sugarland
"Learn To Live" — Darius Rucker
"Let's Stay Together" — Al Green
"Mr. Blue Sky" — Electric Light Orchestra
"My Town" — Montgomery Gentry
"The Best Thing About Me Is You" — Ricky Martin
"You Are The Best Thing" — Ray LaMontagne
"We Take Care of Our Own" - Bruce Springsteen
