O House que todos amamos (inclusive a Cuddy) está de volta!
Personagem revê conceitos, mas continua neurastênico
Estava com medo dos rumos do meu seriado favorito. Não sei. Um House frágil, despido de vaidades e pronto para amar, não me parecia ter nada a ver com o cara que eu sigo há seis anos. Temi pelo que poderia resultar disso. Após dois episódios desta sétima temporada, pude respirar aliviado. Os roteiristas conseguiram encontrar o eixo dramático que permite ao médico continuar a ser quem ele é: Um cara ranzinza e com altas crises de egocentrismo. Só que, agora, encarando de frente o desafio de ter alguém a seu lado que consegue lidar com isso.
A temporada começa a partir dos eventos que vimos há alguns meses. Um House profundamente abalado com a perda de uma paciente, à beira de retomar o vício em Vicodin. Cuddy surge disposta a quebrar toda a tensão emocional que separava o casal. Abandona o antigo noivo e assume o que sente pelo seu médico mais problemático. Ele também baixa a guarda, exorciza os fantasmas da droga e se entrega à paixão. Cai pra dentro. Após horas de sexo intenso, surge a pergunta: e agora? Nesse meio tempo, os casos mais complicados da medicina seguem oferecendo as metáforas que ajudam a amarrar os nós que prendem a turma toda por mais um ano.
Achei perfeita a abordagem da nova relação dele com a diretora do hospital. São personagens antagônicos desde sempre. Cuddy é humanista, cartesiana. Conseguirá desenvolver uma relação sadia com um cara que só vê o lado dele e que prefere seguir pelas linhas tortas? Greg House dará conta de se dedicar a outra pessoa que não ele mesmo? A nova temporada aposta nesses questionamentos, da mesma forma que carrega nesse tesão louco que une pessoas tão diferentes. Eles sabem - se completam. Cenas com alto teor de sensualidade criam o clima romântico, sem apelações, mas com pequenas vulgaridades que dão o tempero certo à lógica dos personagens.
A sétima temporada só estreia oficialmente no Brasil no final de outubro. Treze faz uma participação curta, sai logo no primeiro episódio. Olivia Wilde dá um tempo, parece que vai fazer um longa. Jennifer Morrison, a Cameron, deixou a série e a Fox. Transferiu-se para How I met your mother, da CBS. O resto da troupe continua lá, novos personagens interessantes vão surgindo. E o melhor: House não mudou. Está apenas se adaptando à nova situação. Continua cínico e sem papas na língua, como sempre. Apenas se vê diante do dilema que qualquer ser humano normal enfrenta quando conquista o amor de sua vida: posso me dar ao direito de ser feliz, sem ter que me anular totalmente? Em apenas duas semanas de retomada, os roteiristas parecem estar no caminho certo.
Vamos ver se conseguem manter o ritmo.
Robson Leite
Os seriados que amamos (e/ou odiamos) estão voltando!
Setembro chegou e com ele o que há de melhor e pior das séries até 2011. Pesquisando na rede, encontrei uma listinha bem completa com a maioria dessas voltas. É duro encontrar no meio Smallville, que está custando a encontrar o caminho do fim - parece que o Superboy não quer crescer de jeito nenhum. Mas deve ser mesmo a última temporada. Bom é conferir as voltas de House (parece que também é season finale) e Modern Family. Esta última foi, merecidamente, a grande comédia vencedora do Emmy, o Oscar da TV americana. Todas as datas se referem às retomadas nas emissoras originais. Ainda não há agenda mais completa disponível para os retornos à televisão brasileira. As séries com o asterisco são estreantes. Anote aí:

Setembro
Terça-Feira, dia 7 de Setembro
Quarta-Feira, dia 8 de Setembro
Quinta-Feira, dia 9 de Setembro
Sábado, dia 11 de Setembro
Segunda-Feira, dia 13 de Setembro
Terça-Feira, dia 14 de Setembro
Quarta-Feira, dia 15 de Setembro
Quinta-Feira, dia 16 de Setembro
Domingo, dia 19 de Setembro
Segunda-Feira, dia 20 de Setembro
Terça-Feira, dia 21 de Setembro
Quarta-Feira, dia 22 de Setembro
Quinta-Feira, dia 23 de Setembro
Sexta-Feira, dia 24 de Setembro
Domingo, dia 26 de Setembro
Terça-Feira, dia 28 de Setembro
Quarta-Feira, dia 29 de Setembro
Outubro
Sexta-Feira, dia 1 de Outubro
Domingo, dia 3 de Outubro
Quarta-Feira, dia 27 de Outubro
Domingo, dia 31 de Outubro
Novembro
Domingo, dia 10 de Novembro
Segunda-Feira, dia 29 de Novembro
Ainda sem data
Janeiro 2011
Domingo, dia 9 de Janeiro
Segunda-Feira, dia 10 de Janeiro
fonte: www.filmescomlegenda.net
Estrelas da TV dos EUA e do Brasil enchem os bolsos
Participação nos lucros dos programas ajuda no fim do mês
Todo mundo tá falando da lista da TV Guide com os megassalários dos principais nomes do entretenimento na telinha americana. Mas e no Brasil-sil-sil?


No Brasil os números não são confiáveis. Há algumas listas aí, circulando na internet, mas nenhuma com o peso de um TV Guide, que é referência total. A maioria dos astros brasileiros, como os de lá, recebe benefícios na divisão dos lucros com as emissoras. Encontrei numa pesquisa rápida valores referentes a 2009 que me parecem bem plausíveis. Mas acreditem: - a maioria das pessoas que trabalham na TV brasileira ganham bem menos. Confira a mesada da turma:
1) Fausto Silva se vira nos 30, digo, nos R$ 5 mi que recebe da Globo para trabalhar só no Domingão
2) Gugu Liberato, meus Deus!, foi para a Record para não fazer audiência e mesmo assim faturar R$ 3 mi
3) Xuxa ainda tem status de estrela na casa dos Marinho - levaria R$ 2,5 mi
4) Consta que o Ratinho já foi o maior salário da TV no Brasil, mas depois da degola promovida por Sílvio Santos no SBT, seus ganhos teriam caído para R$ 1,5 mi
4) Roberto Justus, e eu aposto 100 contra 1 que é por aí mesmo, ganharia mais de R$ 1 mi no SBT. Idem para Ana Maria Braga na Globo. Em uma reportagem publicada recentemente pela revista Veja, ficou apurado que outro global com igual vencimento seria... haaaaja dinheirão... Galvão Bueno!
5) Eliana colocaria os dedinhos em R$ 600 mil, o mesmo que aparece debaixo do nariz de Luciano Hulk no cheiro do Caldeirão
6) Hebe Camargo teve seu salário reduzido, mas continua uma gracinha na fita com R$ 500 mil mensais. Raul Gil, que pegou seu banquinho, saiu da Band e foi pra mesma emissora da loituda, deve estar ganhando o mesmo. Fala-se que William Bonner e Fátima Bernardes também têm seus salários nesse patamar, com Bonner levando um pouco mais (além de apresentador é o editor-chefe do Jornal Nacional). Idem para Luciana Gimenez na Rede TV!, mas o faturamento dela como primeira-dama da emissora e ex do pé-frio Mick Jagger deve aumentar bem essa soma. O The Sun, aquele tablóide sensacionalista inglês, disse que o processo de reconhecimento beneficiou Luciana em R$ 7,5 mi, mais R$ 30.000 por mês para o filhote Lucas, até que ele complete 21 anos. Mais uma década de benefícios pela frente. Oh pulada de cerca cara...
7) Parece é que as Anas estão se dando muito bem na rede do Bispo. Ana Paula Padrão e Ana Hickman ganham em torno de R$ 300 mil
8) Um ator experiente na Globo chegaria a ganhar R$ 200 mil, mas a ralé começaria aí dos R$ 1 mil. Deve-se considerar que um galãzinho de Malhação, por exemplo, cobra entre cinco e dez mil reais para comparecer a um evento... tipo festa de aniversário, formatura etc. Ou seja, a evidência, o fato de estar com a cara na tela, também rende divisas
9) Contam que Adriane Galisteu, mamãe do ano, abre seu holerite na Band e lá encontra, no mínimo, R$ 150 mil
10) Não consegui saber quanto ganham os sacanas do CQC. Li uma vez que Danilo Gentili renovou com a Band recentemente ganhando quatro vezes o salário inicial, algo na casa dos R$ 25 mi. O dinheiro dos shows não entra nesse saldo. A pequena Maísa também ganharia o mesmo no SBT. Os sem-noção do Pânico na TV ganhariam entre R$ 35 e R$ 15 mil ao mês
Obs: aqui em Minas, um salário excelente em TV atinge fácil a casa dos R$ 25 mil. Mas é costume abrir brechas para que as estrelas envolvidas no produto faturem também na negociação de patrocínios etc. Cada empresa tem sua política de ganhos. Às vezes o salário é até baixo, mas o fim do mês melhora bastante praqueles que também atuam como uma espécie de contato comercial. E vale dizer novamente... é privilégio de minoria... tem gente ganhando menos de R$ 500 e que rala horrores...
Sobre o que rola lá fora? Assim. Ver Oprah Winfrey no topo do ranking de vencimentos nos EUA não é novidade, há anos tem sido desse jeito e o valor era até esperado. Impressionante é perceber que, apesar da tão falada recessão da indústria de entretenimento estadunidense, eles continuam ganhando muito. Confira os números dos apresentadores, de acordo com o TV Guide:

1) Oprah, a queridinha da América, embolsa US$ 315 mi. Ok, a mulher é poderosa
2) Judith Sheindlin (quem?!), protagonista de Judge Judy, faz US$ 45 mi
3) David Letterman, com seu Late Show, tem seus US$ 28 mi
4) Jay Lenno, no comando do seu Tonight Show, outros US$ 25 mi
5) Ryan Seacrest, do American Idol, é o pobrezinho do grupo... só US$ 15 mi ao ano, pouco mais de seis zeros por mês na conta! Mas é quem ganha mais entre os apresentadores de reality shows

Os protagonistas das séries de maior sucesso nos EUA ficam um pouco atrás. O faturamento deles é por episódio. Uma temporada normal costuma ter entre 22 e 24 capítulos - faça as contas. Entre os dramas, Hugh Laurie, o House, é o campeão. As sacadas nos diagnóstico só não são maiores do que as sacadas no banco no final do ano, quando ele chega a acumular algo na casa dos US$ 9,5 mi.

1) Charlie Sheen (Two and a Half Men) US$ 1.25 mi
2) Jon Cryer (Two and a Half Men) ganha bem menos - US$ 550 mil
4) Christopher Meloni e Mariska Hargitay (Law & Order: SVU) ganham US$ 395,000
5)David Caruso (CSI: Miami), Marg Helgenberger, Laurence Fishburne (CSI), Mark Harmon (NCIS), Kyra Sedgwick (The Closer) e Denis Leary (Rescue Me) levam US$350,000
6) Tina Fey (30 Rock) e Jeremy Piven (Entourage) levam US$350 mil
7) Steve Carell (The Office) está rindo à toa por US$297 mil, mas vai deixar a série
8) Gary Sinise (CSI: NY ), Patrick Dempsey (Grey's Anatomy) e o ex-garotinho Angus T. Jones (Two and a Half Men) levantam US$250 mil
Robson Leite
não ganha nada para fazer este blog...
Mineirão perde pedaços de solo (con)sagrado na reforma pra Copa
Assista ao videclipe com alguns momentos eternos de geraldinos
Acabou geral. O templo do futebol em Minas ficará sem seu espaço mais democrático de fé, mas os fiéis não se perderam. Debaixo dos escombros, certamente repousarão sonhos imortais. O amigo Leo Medina sugeriu, eu aderi: escrevi e narrei o texto, ele editou, o Henrique Stênio produziu as cenas da demolição. Deu nisso: uma singela homenagem de pouco mais de dois minutos, levada ao ar no Alterosa Esporte desta quarta 11/08. Em alguns momentos, temos cenas do documentário Garrincha, alegria do povo, responsável pela iconografia do "homem da geral" que prevalece até hoje nos corações e mentes dos fãs de futebol. A trilha é do filme 11 homens e um segredo. Acompanhe abaixo.
Robson Leite
Exclusividade abala processo de democratização da informação
Comprometimento com fontes empobrece cobertura esportiva
O tema é vasto, abrange todos os noticiários, mas vou tentar fazer da cobertura esportiva uma amostra mais simples de um jogo de poder e grana. Acabei de ver o colega blogueiro Maurício Stycer, do UOL, reproduzir a foto em destaque na coluna de outro blogueiro forte na rede, o Ancelmo Gois, de O Globo. Um pedido de desculpas da CBF, por tudo que rolou na Copa da África, em forma de presente para o Alex Escobar. Foto que eu tomo a liberdade de re-reproduzir abaixo. Robinho foi o portador do regalo, em nome da seleção, para que fique claro que os tempos são outros e acabou de vez a truculência da Era-Dunga com a Globo. O incidente na coletiva durante o mundial gerou um desgaste desnecessário mas foi também bastante revelador.

Os meios de comunicação estão sempre afoitos pela informação exclusiva. A forma de obtê-la nem sempre é a competência. Costuma-se oferecer presentinhos, até dinheiro, para conseguir isso. O esporte parece ser a única editoria que se sente orgulhosa em tornar público que usou o caixa para tal. Emissoras de TV compram os direitos de eventos, anunciam os gastos e tudo. No rádio e no impresso a moeda é outra e a briga parece mais parelha. Mas na televisão esse interesse pela exclusividade a todo custo é uma ameaça ao espectador. Houve um tempo em que você podia escolher ver um jogo de bola na Globo, no SBT, na Band, na Record e outros canais. Hoje isso se resume a duas fontes na TV aberta, salvo um ou outro campeonato estrangeiro e ocasiões especiais.
Não vamos misturar a exclusivividade obtida pelas vias naturais, fruto de boa investigação, percepção e apuração junto a fontes confiáveis, com aquela pode só pode ser obtida recorrendo a práticas que remetem ao suborno ou à extorsão. Você fala? Quanto você quer para falar? Você tem o documento tal e tal? Investir nisso, muitas vezes, é contribuir para com a falta de ética de quem, provavelmente, infringiu alguma regra para cobrar tão caro assim. Precificar, por exemplo, algo que deveria fazer parte de um documento oficial, obtido através de recursos públicos. Está mais comum do que deveria ser. Diferente de um flagrante de rua, de uma cena única, que ganha valor pela oportunidade, o sigiloso pode vazar através de uma relação promíscua que envolve troca de benefícios com gente igual ou pior do que a que é alvo da denúncia. Credibilidade vale isso?
Quando a informação se torna um bem de consumo que gera lucro, ela funciona com as mesmas leis que regem o capitalismo. Quem tem o recurso, compra. Quem não tem, se vira com as migalhas ou parte pra guerrilha, investindo na criatividade. O que tem acontecido em relação ao esporte é uma concorrência desleal. Se os meios podem garantir abertamente uma sociedade financeira com o que é notícia, qual a qualidade da informação que advém? A resposta pode estar na cobertura da Globo para a Copa 2010. Sem os privilégios extra-transmissões, a emissora teve que se juntar aos guerrilheiros e correr atrás das migalhas, temperadas pelo resto de prestígio que ainda restava. Perdeu até a briga pra o UOL, que quebrou na Justiça uma imposição sobre exclusividade de imagens também na internet.
No mano-a-mano, fica patente: vale mais o profissional que se tem em mãos pela competência que pelos privilégios. O bom jornalista tira leite de pedra, o outro usa a pedra apenas para ferir. Se todos tivessem a mesma oportunidade, sem regalias que mantenha reféns as palavras, o público sairia ganhando nesse jogo. O Caso Escobar é o de menos. O Alex é um baita jornalista, pessoa boníssima, que não merecia o que teve. Mas Dunga não é vilão. Ele apenas falhou em particularizar uma situação mais ampla, que não tem nome nem sobrenome. Existe uma cultura predatória nos meios de comunicação: "devoro-te para que somente eu te decifre". O problema é quando se complementa isso com o "pago-te caro por isso".
Assim, a paixão vai ficando nas mãos de poucos, que sempre lançarão olhares simpáticos entre si. Comportamento afetivo capaz de gestos carinhosos, como o de oferecer camisas, selando a paz, com entrelinhas de "Tamo junto!". Essa proximidade afeta a leitura, distorce. Sem o olhar crítico, à distância segura, a sociedade perde parâmetros de bom senso. E é fundamental na formação de opinião o cruzamento de fontes, a colisão de ideias contrárias. Quando uma emissora impede a outra de exibir gols ou mesmo que os concorrentes entrem com seus equipamentos nos estádios, está ferindo de morte a democracia. Apenas um ponto de vista, uma leitura, não nos permitirá oferecer todos os ângulos do objeto de análise. Apenas os que ela entender que merecem ser vistos. Se preservam das comparações. De igual pra igual, sabem que não fazem tanta diferença assim. E é saudável concorrer quando isso reflete no esforço em qualidade e não oportunismo.
Pessoas públicas podem ser extremamente suscetíveis a críticas. Não se fala mal da polícia porque podemos receber sanções para cobrir o noticiário policial? Não se fala mal do político ou do regime porque dinheiro público fomenta nosso jornalismo? Se fez algo que é, foi ou será contra o interesse da nossa empresa, "batemos" nele até o fim? Só falo àquele jornalista porque ele me trata bem, enche a minha bola? O órgão ou jornalista que se rende à essas relações perigosas está matando a galinha dos ovos de ouro chamada credibilidade. O público não é bobo. É fácil saber de que lado o veículo ou o profissional está. Melhor permanecer ao lado dos fatos. Se é pra elogiar, que se elogie. Se é para atacar, que ataque. Mas fechar os olhos esperando algo em troca, é um crime contra a sociedade.
Como criticar quem facilmente pode quebrar uma sociedade que rende milhões? Como denunciar, se amanhã estarão todos sentados à uma mesma mesa, comemorando resultados comerciais? A exclusividade premiada é um mal. No caso do futebol, deveria-se estabelecer por lei cotas fixas, facultando a entrada de outras emissoras no rateio para transmissões, algo baseado (talvez) em percentuais de receitas, oportunizando a todas mostrar o que tiver que ser mostrado. Se as empresas não forem atrás, não poderão se queixar. A legislação pode, sim, preservar melhor o público de mais essa desigualdade calçada em dinheiro. Hoje ela permite apenas que as emissoras não-tetentoras de direitos exibam uma fração mínima de campeonatos. Amanhã não se sabe, porque a luta nos bastidores é pelo banimento. Um único olhar em terra de cego.
Os clubes não se importam porque recebem milhões e nem o poder público deseja o enfrentamento, isso está claro. Então, caberá ao cidadão-torcedor fazer algo. Talvez o que faz de melhor. Gritar. Se está satisfeito em assistir ao futebol em só um canal, que se cale. Se não, manifeste-se. Organizadamente, como toda boa torcida deve agir, sem agressões e com atitudes responsáveis, cidadãs. Uma cultura que pode se espalhar para outros assuntos, até mais importantes. Dunga tinha alguma razão, mas errou na tática. Foi truculento. Revolução se faz primeiro é com a cabeça, para escolher as armas certas para a mudança que se quer. Se nos achamos mais espertos que a maioria dos treinadores, taí uma coisa boa de maquinar: como conquistar a Copa Libertadores da Escolha?
Robson Leite
Arrecadação de bilheterias no Brasil ultrapassa os R$ 700 mi
Mês a mês, mercado confirma resultado bilionário
Julho acabou e os primeiros números das catracas no país reforçam a previsão de um ano com muitos zeros pro cinema-brasilis, ao menos na receita de quem exibe os filmes por aqui. De acordo com o site Filme B, referência da categoria, o mês voltou a apresentar resultados melhores que os de 2009. A renda na boca do caixa tem se mantido acima do obtido no ano anterior, com excelente participação dos lançamentos 3D. Até então, Janeiro era o campeoníssimo com 15 milhões de espectadores. Mas as férias levaram mais gente às salas no meio deste ano, apesar da Copa.

A presença de Shrek para sempre pela quarta semana consecutiva no topo da lista dos mais vistos reforça o bom resultado, num ano que começou espetacular. Difícil imaginar que depois das coisinhas azuis de James Cameron o público continuaria invadindo as salas de projeção. Mas ele continua faminto pelo formato tridimensional, campeão de audiência, ainda que não represente a maior parte do todo disponibilizado às plateias. Alice, Toy Story 3, Percy Jackson e Fúria de Titãs melhoraram as filas, mas Homem de ferro 2 e Lua Nova, no jeitinho tradicional, também não podem ser desprezados. Idem para A origem, que estreia esta semana. O novo longa de Leo diCaprio tem enchido os olhos de público e crítica e deve fazer bonito também no Brasil.

Sherek já ultrapassou a marca dos R$ 60 mi de bilheteria, a segunda melhor da temporada, perdendo somente para Avatar. Do azulzinho para o verde, passando por vampiros esbranquiçados, a cor da grana está preta como nunca. 2010 já acumulou o montante de R$ 726 mi e caminha pro primeiro bilhão da história a passos largos. No ano passado, os distribuidores chegaram bem perto - R$ 966 mi arrecadados, com 112 milhões de espectadores. O ano ainda promete, com atrações sedutoras: tem novo Harry Potter, mais Jogos Mortais e Crônicas de Nárnia, Garfield 3D, Atividade paranormal 2, os policialescos brasileiros Tropa de Elite 2 e Federal, além de Scott Pilgrim, Tron e outros.

Até Julho deste ano, 77 milhões de ingressos foram vendidos - mais da metade, em relação ao total de 2009, com folga. O incremento de renda nestas férias da molecada foi de 21%, com quase 20 milhões de espectadores no mês. Uau! Tudo isso com a pirataria comendo solta! Enquanto o 3D não chega aos Shoppings Ois da vida, os distribuidores comemoram. Só está faltando o filme nacional do ano nessa festa. Chico Xavier é o melhor (em resultado) que teremos? Ou será que Selton Mello vai ficar de fora pela primeira vez em três anos?
Joga no liquidificador e espera.
Robson Leite
Liberdade, uma palavra que deve ser alimentada com escândalos?
Webvideos repetem o vazio de conteúdo dos meios convencionais
Felipe Neto, @damzinho, #barracoemsorocaba. Quem esteve navegando nas últimas semanas certamente trombou com esses aí em algum momento. Se não viu online, certamente teve o desprazer de acompanhar alguma coisa a respeito por rádio, impresso ou TV. Pra quem anda meio desligado, as pessoas envolvidas e o evento tornaram-se célebres, ainda que por 15 minutos, graças à internet. Beberam de uma água podre, o H2Óbvio, que provoca um desejo terrível em algumas pessoas de aparecer de qualquer maneira. Repito. Qualquer maneira. A fonte? Claro, a mídia tradicional, contaminando a irmã mais nova e uma geração que desconhece uso melhor para imagem e atitudes.
Felipe Neto e a verborragia sobre o que é Fiukar
Felipe recebeu olhares pelo jeito tão agressivo quanto debochado de atacar ídolos jovens da hora. O alvo principal era Fiuk, ator de Malhação, filho do cantor Fábio Jr. O twitter ajudou a bombar videocasts provocativos, que viraram caixa de ressonância para garotos intolerantes como o autor dos mesmos. E essa zuação, esse desdém com a fama instantânea, que a turma do Pânico jogou no ventilador, criou mais um fenômeno de audiência. Felipe, muito bom no verbo e no jogo de cena, gargarejou e atacou com a mesma poção mágica: H2Óbvio2 neles! Vem cá. Não é assim que a mídia funciona? O escandaloso, o chocante, o conflito aberto: não é isso que as pessoas querem quando acessam as mídias? Ou, pelo menos, aquelas que se deixam agredir com a mesma gratuidade que recebem os modismos?
Pega-pega no twitcam: o caso @damzinho ganhou os telejornais
Parece que sim. @damzinho era o perfil de um moleque de 16 anos no twitter, hoje deletado. Ele e uma amiguinha de 14 resolveram pagar uma aposta online. Os dois se expuseram para milhares de errantes navegantes, direto do quarto da menina, através do twitcam - uma ferramenta do miniblog que permite transmissão de vídeo ao vivo, com direito a contagem de audiência. Não contavam era que as carícias provocantes poderiam ser gravadas e reproduzidas em sites de pedofilia. Virou caso de polícia. Os dois foram parar numa delegacia do RS e os pais pagaram um carão danado. E daí? A duplinha queria ser vista? Pensam que são só eles? Digite 'twitcam' em sites como o 4Shared ou o Megaupload e vai ver outros casos, idênticos, que policiais e advogados não barram. Costumam fazer isso só com os que ameaçam a posição deles, ganhando espaço na opinião pública.
As barraqueiras do interior de São Paulo: não é Fantástico?
Já o caso de Sorocaba estourou no Youtube. A mulher descobriu que a melhor amiga era amante do marido e resolveu colocar a coisa toda na rede. Barraco. A traída chamou a traidora em casa, apresentou suas provas e gravou o encontro, sem conhecimento da outra. Ofensas, espancamento, um show e tanto, hoje à disposição de milhões. Ela garante que era pra meia-dúzia, mas vazou. Mais uma vez, vida real com detalhes sórdidos, direto de câmeras ocultas. Opa, mas... um instante... isso não é o Big Brother, maior audiência da TV mundial? Óbvio. Mais uma vez, certamente sem a medida exata da amplitude de seu gesto, alguém usa a internet oferecendo atração digna de qualquer veículo. As pessoas não estão preparadas pra isso. O gesto é totalmente mecânico. Aproveita-se uma oportunidade de atingir as massas e corre-se o risco de ficar famoso. Se ficar, bem. Se não, ao menos está vingado. Alguém acha que ficou bem na fita... ou no arquivo... essa que é a verdade. A vaidade fala mais alto.
O Madshow10 polêmico: Madson e reservas do Santos pedalam pra cima do bom senso na internet
Hoje me deparo com os reservas do Santos falando um monte de abobrinhas no twitcam. Destratando torcedores - atacando até o Robinho, colega de time. Um papo de boteco à vista de milhares, mais uma vez pensando apenas no meio e não na mensagem. Garotos vaidosos, despreparados que, como os casais destemperados, estão invadindo a selva eletrônica com o que têm à mão. Ou não têm, sei lá. Porque falta bagagem. Não os culpo. Tiveram nos últimos 20 anos os piores professores. Soltam o verbo, partem pra ação, num tom despreocupado de quem diz "Falo mesmo, mostro mesmo, e que se dane". As atitudes revelam mais entrelinhas que uma simples imagem, a tal das mil palavras. Algo que já merece tese não só dos comunicólogos, mas também dos estudiosos da filosofia, pedagogia, psicanálise, antropologia, direito, psicologia etc.
A não ser o Felipe Neto, não creio que os demais quisessem a fama que encontraram. O desdém para com o próximo é algo tão presente no rádio, no jornal e na TV, que alguns aí entendem que é assim que deve ser feita a comunicação. Um casal adolescente troca carícias... o outro vai lá... copia, manda pra um site de compartilhamento, sem pensar nas consequências. Dane-se! O mesmo acontece com um caso de adultério, que vira chacota, e com jovens vaidosos trocando farpas. Essas coisas surgem e são repassadas sem reflexão, mas por reflexo. Assim eu vejo, assim eu aceito, assim eu reproduzo - sem questionar. A prova disso é que são rapidamente assimilados, retornando às plataformas originais. Não são vanguarda, não são nada. São simplesmente clones do pior. O melhor parece perdido entre toneladas de bytes, desinteressante por não provocar instintos básicos como ciúme, inveja ou tesão.
É importante ressaltar que não acho que os casos mencionados representem a web. Penso que são apenas amostras ruins da diversidade de um mundo novo e que ainda tem muito a oferecer, essa tal de internet. Não representam, assim como Luciana Gimenes, Ratinho, Gugu, Faustão e outros não são a TV encarnada. Há muito mais o que se ver. Mas esse comportamento em piloto-automático dos usuários/telespectadores deixa o sinal de alerta acionado pra quem vive no ar. As ferramentas estão aí, nas mãos de cada vez mais gente. Quem é que vai por ordem na casa? Polícia, Justiça? Precisamos deles? Melhor melhorar os parâmetros, investindo em mais informação e, me perdoem se virou mesmice, também num troço chamado educação. Precisamos é aprender com os mestres certos.
Difícil está sendo encontrá-los, se perdemos tempo, 15 minutos que sejam, com tantas bobagens. Mas qualé, blogueiro? Não se pode dizer o que pensa? Claro. Numa mídia que permite essa mão-dupla e que não é só fala-que-eu-te-escuto, mostra-que-eu-te-vejo, é impossível a gente não querer contribuir com alguma coisa que nos parece pertinente. Mas será de qualquer jeito, a qualquer preço? Será pisando? Usar de agressividade ou de ponderação? Dizer na lata ou no bom senso? Construir, destruir ou desconstruir? Todo aprendizado sobre como usar da liberdade passa por esse tipo de dúvida. Quem tem o comando do meio precisa ter responsabilidade por inteiro em cada coisa que disponibiliza.
Robson Leite
Críticos elegem melhores adaptações dos gibis para as telas
Na batalha das editoras, Marvel bate DC no TOP 10
A turma do Rotten Tomatoes, o maior site de crítica de cinema do planeta, aproveitou a onda da Comic Con para divulgar uma lista com os 118 melhores filmes inspirados em HQs, Mangás ou Graphic Novels. O ranking é baseado na média de pontuação levantada pelos habitués do canal e pode surpreender ou mesmo ofender alguns fãs mais radicais. O primeiro lugar não teve um super-herói, para desespero do meu colega Marcelo Jordy. Para horror do fanfarrão Leo Medina, Superman - O Filme está entre os cinco melhores. Chupa!
Na lista dos piores dos piores aparecem Yu-gi-Oh, Aço (péssima jogada de Shaq O'neal), além dos não menos terríveis Filho do Máscara, Supergirl (como Peter O'toole topou fazer aquilo?) e O Corvo - Cidade dos Anjos. A DC encabeça a lista dos maiores fracassos das editoras gigantes, com Mulher Gato, Batman & Robin e Superman IV. A produção menos cotada da Marvel, no ponto de vista do Rotten Tomatoes, é Elektra. "- Pior que aquele lixo da Liga Extraordinária, tio Robson?!" Sim, amiguinhos. Por pouco.
Na lista completa aparecem ainda os mangás adaptados Akira e Ghost in Shell, o coreano Oldboy, as graphic V de Vingança e Watchmen de Alan Moore, os 300 de Esparta de Frank Miller, além de personagens clássicos como o Demolidor, Justiceiro, Motoqueiro Fantasma, Hellboy, Hulk, Monstro do Pântano, John Constantine, Barbarella, Gasparzinho, Tartarugas Ninja, Popeye, Josie e as Gatinhas, Pimentinha, Annie e Garfield, entre outros. Vamos conferir o TOP 10?
10) X-Men 2: de fato, o melhor da trilogia inicial dos mutantes

9) Homem-Aranha: que deu sinal verde para a Marvel cair matando no cinema

8) Homens de Preto: nascidos dos quadrinhos de Lowell Cunninghan nos anos 1990

7) Ghost World (Mundo Cão): que chegou a disputar Globo de Ouro e Oscar

6) Homem-Aranha 2: outro sucesso de bilheteria que deu fôlego à Marvel na telona

5) Anti-Herói Americano: filme muito louco que mistura ator, autor e desenhos

4) Superman - O Filme: o primeiro super-humano dos quadrinhos foi também o pioneiro a render bilheteria e boas críticas nos cinemas. O roteiro de Mario Puzo (de O poderoso chefão) e a direção de Richard Donner (mais conhecido pela série Máquina mortífera) tranformaram Christopher Reeve no próprio homem de krypton. Chupa, Medina!

3) Batman - Cavaleiro das Trevas: o melhor filme do morcegão de todos os tempos. A leitura dramática do vilão Coringa, bem casada com a visão das HQs, rendeu um Oscar póstumo ao grande Heath Ledger. Apesar do título, nada tem a ver com a Graphic Novel homônima de Frank Miller que colocou Batman novamente sob a mira dos fãs.

2) Homem-de-Ferro: melhor filme da Marvel em todos os tempos. Casando bem ação e humor, ao som de uma trilha sonora pefeita. Ainda fez reacender uma estrela dada como apagada para sempre - Robert Downey Jr! Muito superior à sequência recém-lançada.

1) Persépolis: é o exemplo perfeito de que uma boa história não precisa da alta-tecnologia para ser bem contada. O longa é fiel à história da iraniana Marjane Satrapi, desenhada e roteirizada por ela própria. Esta animação francesa teve os maiores prêmios nos principais festivais do mundo, inclusive o Oscar e o prêmio do júri em Cannes.
Clique no cartaz de PERSÉPOLIS para ver o ranking completo no site
E aí? Que tal a lista dos tomateiros? Agrada ou deixa a desejar? Eu confesso que gostei, embora tenha sentido falta do cult Conan, o Bárbaro, do Quarteto Fantástico trash de Roger Corman e da bomba Speed Racer by irmãos Wachowski na listagem final. Nem entre os 118?! Sei lá, hein. Tem coisa pior por lá. Dê sua opinião no espaço abaixo e colabore com o nosso blog.
Robson Leite
Adaptação de Meu pé de laranja lima será filmada em Minas
Roteirista de Central do Brasil será o diretor; fotógrafo de Amélie Poulain pode estar na equipe
Está em fase de casting a nova adaptação para as telas do clássico literário de José Mauro de Vasconcelos, que marcou várias gerações de leitores brasileiros. A história do menino Zezé, do amigo Portuga e do velho pé de laranja Minguinho, que já teve versões para teatro, tevê e cinema, será filmada em breve nas cidades de Cataguases e Leopoldina. Marco Ricca foi cogitado para o elenco, mas o ator está comprometido nos próximos meses com a novela Ti Ti Ti. Nomes conhecidos deverão ser escalados para papéis menores. Os realizadores dizem que as figuras centrais serão atores sem lastro com a telenovela brasileira. A maioria deverá ser composta por atores mineiros. O objetivo é conquistar o público com um time talentoso, capaz de "vender" às plateias de forma convincente todo o universo lúdico que enriquece a obra. Para ajudar nisso, estão tentando viabilizar a participação de Bruno Delbonnel, diretor de fotografia de O fabuloso destino de Amélie Poulain, no projeto.

Bernstein e a capa clássica do livro de José Mauro de Vasconcelos: de volta à natureza lúdica no cinema
Estive esta semana com o preparador de elenco Bruno Costa, mineiro de Pedro Leopoldo, que está de volta a BH para trabalhar na campanha eleitoral. Bruno, também envolvido no trabalho de seleção de atores para o longa, me disse que o projeto está nas mãos do roteirista carioca Marcos Bernstein. Além do premiado Central do Brasil, Bernstein assina ainda O Xangô de Baker Street e Oriundi, além do recente Chico Xavier. O texto de Vasconcelos será o segundo desafio dele no roteiro e direção de um longametragem. O primeiro foi O outro lado da rua, com Raul Cortez e Fernanda Montenegro.
Cena da novela da Band de 1980: o menino Alexandre Raimundo comoveu o Brasil como Zezé
O meu pé de laranja lima foi lançado em 1968 e dois anos depois já ganhava versão para o cinema com direção de Aurélio Teixeira. Ainda em 1970, surgiu a primeira adaptação para a telinha, na extinta TV Tupi dos Diários Associados. Teve ainda dois remakes: um em 1980, escrito por Ivani Ribeiro, na Bandeirantes; outro em 1998, na mesma emissora, com reprise pelo canal pago Fox Life. Nas três versões para a televisão, nomes consagrados como Cláudio Corrêa e Castro, Dionísio Azevedo e Gianfrancesco Guarnieri encarnaram o solitário Manuel Valadares, o Portuga, figura paternal bondosa e amiga que o menino Zezé, alterego de José Mauro, adotou como mentor. O pé de laranja lima da trama, entidade viva que se comunica com o garoto, nos ajuda a explorar e entender um pouco melhor a solidão de uma criança que cresce em meio às dificuldades de uma vida simples.
Robson Leite
Sucesso no palco e na TV, O Bem Amado chega aos cinemas