26 julho 2010 19:14

Dos quadrinhos pros cinemas

Críticos elegem melhores adaptações dos gibis para as telas

Na batalha das editoras, Marvel bate DC no TOP 10

 

A turma do Rotten Tomatoes, o maior site de crítica de cinema do planeta, aproveitou a onda da Comic Con para divulgar uma lista com os 118 melhores filmes inspirados em HQs, Mangás ou Graphic Novels. O ranking é baseado na média de pontuação levantada pelos habitués do canal e pode surpreender ou mesmo ofender alguns fãs mais radicais. O primeiro lugar não teve um super-herói, para desespero do meu colega Marcelo Jordy. Para horror do fanfarrão Leo Medina, Superman - O Filme está entre os cinco melhores. Chupa!

 

Na lista dos piores dos piores aparecem Yu-gi-Oh, Aço (péssima jogada de Shaq O'neal), além dos não menos terríveis Filho do Máscara, Supergirl (como Peter O'toole topou fazer aquilo?) e O Corvo - Cidade dos Anjos. A DC encabeça a lista dos maiores fracassos das editoras gigantes, com Mulher Gato, Batman & Robin e Superman IV. A produção menos cotada da Marvel, no ponto de vista do Rotten Tomatoes, é Elektra. "- Pior que aquele lixo da Liga Extraordinária, tio Robson?!" Sim, amiguinhos. Por pouco. 

 

Na lista completa aparecem ainda os mangás adaptados Akira e Ghost in Shell, o coreano Oldboy, as graphic V de Vingança e Watchmen de Alan Moore, os 300 de Esparta de Frank Miller, além de personagens clássicos como o Demolidor, Justiceiro, Motoqueiro Fantasma, Hellboy, Hulk, Monstro do Pântano, John Constantine, Barbarella, Gasparzinho, Tartarugas Ninja, Popeye, Josie e as Gatinhas, Pimentinha, Annie e Garfield, entre outros. Vamos conferir o TOP 10?

 

10) X-Men 2: de fato, o melhor da trilogia inicial dos mutantes

 

 

9) Homem-Aranha: que deu sinal verde para a Marvel cair matando no cinema

 

 

8) Homens de Preto: nascidos dos quadrinhos de Lowell Cunninghan nos anos 1990 

 

 

7) Ghost World (Mundo Cão): que chegou a disputar Globo de Ouro e Oscar

 

 

6) Homem-Aranha 2: outro sucesso de bilheteria que deu fôlego à Marvel na telona

 

 

5) Anti-Herói Americano: filme muito louco que mistura ator, autor e desenhos 

 

 

4) Superman - O Filme: o primeiro super-humano dos quadrinhos foi também o pioneiro a render bilheteria e boas críticas nos cinemas. O roteiro de Mario Puzo (de O poderoso chefão) e a direção de Richard Donner (mais conhecido pela série Máquina mortífera) tranformaram Christopher Reeve no próprio homem de krypton. Chupa, Medina!

 

 

3) Batman - Cavaleiro das Trevas: o melhor filme do morcegão de todos os tempos. A leitura dramática do vilão Coringa, bem casada com a visão das HQs, rendeu um Oscar póstumo ao grande Heath Ledger. Apesar do título, nada tem a ver com a Graphic Novel homônima de Frank Miller que colocou Batman novamente sob a mira dos fãs.

 

 

2) Homem-de-Ferro: melhor filme da Marvel em todos os tempos. Casando bem ação e humor, ao som de uma trilha sonora pefeita. Ainda fez reacender uma estrela dada como apagada para sempre - Robert Downey Jr! Muito superior à sequência recém-lançada.

 

 

1) Persépolis: é o exemplo perfeito de que uma boa história não precisa da alta-tecnologia para ser bem contada. O longa é fiel à história da iraniana Marjane Satrapi, desenhada e roteirizada por ela própria. Esta animação francesa teve os maiores prêmios nos principais festivais do mundo, inclusive o Oscar e o prêmio do júri em Cannes.

 

Clique no cartaz de PERSÉPOLIS para ver o ranking completo no site

 

E aí? Que tal a lista dos tomateiros? Agrada ou deixa a desejar? Eu confesso que gostei, embora tenha sentido falta do cult Conan, o Bárbaro, do Quarteto Fantástico trash de Roger Corman e da bomba Speed Racer by irmãos Wachowski na listagem final. Nem entre os 118?! Sei lá, hein. Tem coisa pior por lá. Dê sua opinião no espaço abaixo e colabore com o nosso blog.

 

Robson Leite

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21 julho 2010 18:10

Sonhos que não envelhecem

Adaptação de Meu pé de laranja lima será filmada em Minas

Roteirista de Central do Brasil será o diretor; fotógrafo de Amélie Poulain pode estar na equipe

 

Está em fase de casting a nova adaptação para as telas do clássico literário de José Mauro de Vasconcelos, que marcou várias gerações de leitores brasileiros. A história do menino Zezé, do amigo Portuga e do velho pé de laranja Minguinho, que já teve versões para teatro, tevê e cinema, será filmada em breve nas cidades de Cataguases e Leopoldina. Marco Ricca foi cogitado para o elenco, mas o ator está comprometido nos próximos meses com a novela Ti Ti Ti. Nomes conhecidos deverão ser escalados para papéis menores. Os realizadores dizem que as figuras centrais serão atores sem lastro com a telenovela brasileira. A maioria deverá ser composta por atores mineiros. O objetivo é conquistar o público com um time talentoso, capaz de "vender" às plateias de forma convincente todo o universo lúdico que enriquece a obra. Para ajudar nisso, estão tentando viabilizar a participação de Bruno Delbonnel, diretor de fotografia de O fabuloso destino de Amélie Poulain, no projeto.

 

 

Bernstein e a capa clássica do livro de José Mauro de Vasconcelos: de volta à natureza lúdica no cinema

 

Estive esta semana com o preparador de elenco Bruno Costa, mineiro de Pedro Leopoldo, que está de volta a BH para trabalhar na campanha eleitoral. Bruno, também envolvido no trabalho de seleção de atores para o longa, me disse que o projeto está nas mãos do roteirista carioca Marcos Bernstein. Além do premiado Central do Brasil, Bernstein assina ainda O Xangô de Baker StreetOriundi, além do recente Chico Xavier. O texto de Vasconcelos será o segundo desafio dele no roteiro e direção de um longametragem. O primeiro foi O outro lado da rua, com Raul Cortez e Fernanda Montenegro.

 

Cena da novela da Band de 1980: o menino Alexandre Raimundo comoveu o Brasil como Zezé

 

O meu pé de laranja lima foi lançado em 1968 e dois anos depois já ganhava versão para o cinema com direção de Aurélio Teixeira. Ainda em 1970, surgiu a primeira adaptação para a telinha, na extinta TV Tupi dos Diários Associados. Teve ainda dois remakes: um em 1980, escrito por Ivani Ribeiro, na Bandeirantes; outro em 1998, na mesma emissora, com reprise pelo canal pago Fox Life. Nas três versões para a televisão, nomes consagrados como Cláudio Corrêa e Castro, Dionísio Azevedo e Gianfrancesco Guarnieri encarnaram o solitário Manuel Valadares, o Portuga, figura paternal bondosa e amiga que o menino Zezé, alterego de José Mauro, adotou como mentor.  O pé de laranja lima da trama, entidade viva que se comunica com o garoto, nos ajuda a explorar e entender um pouco melhor a solidão de uma criança que cresce em meio às dificuldades de uma vida simples. 

 

Robson Leite

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Tags: meu  pe  laranja  lima  cinema  brasileiro  minas  seriado  cine  serie 
21 julho 2010 09:07

Não morra, Odorico!

Sucesso no palco e na TV, O Bem Amado chega aos cinemas

Guel Arraes chama o time de sempre para mais uma empreitada no cinema 


A saga de Odorico Paraguaçu, prefeito corrupto da fictícia Sucupira, nasceu como peça de teatro nos início dos anos 1960. Procópio Ferreira, pai de Bibi, encarnou o político nos palcos. O casamento da Globo com os grandes autores da época - como Oduvaldo Vianna Filho, Jorge Amado e outros - permitiu que o texto de Dias Gomes também pudesse ganhar uma versão para a TV em 1973. O Bem Amado acabou se transformando na primeira telenovela 100% colorida do Brasil, embora boa parte da produção de folhetins continuasse em P&B até quase o final daquela década. Em Estúpido Cupido, do mineiro Mário Prata, por exemplo, apenas o último capítulo (exibido em 1977) foi em cores. O sucesso de Odorico na TV gerou um seriado nos anos 1980, com o mesmo elenco reunido. Paulo Gracindo, no papel do prefeito, e Lima Duarte como o jagunço Zeca Diabo, tornaram-se ícones. A adaptação para o cinema tem a difícil missão de superar duas atuações tão marcantes. A direção, a cargo de Guel Arraes, é sempre uma incógnita quando o assunto é cinema. O projeto estaria mais seguro, talvez, se tivéssemos uma minissérie. Arraes, consagrado por produções antológicas para a TV como Armação Ilimitada, A Comédia da Vida PrivadaO Auto da Compadecida (feito para a telinha e lançado nos cinemas, assim como Caramuru), ainda está devendo na telona. O Coronel e o Lobisomem e Lisbela e o prisioneiro não convenceram. Pode ser agora. A cada novo filme ele está mais próximo de um grande êxito, com certeza.



Veja reportagem especial no quadro Planeta VIP, no Jornal do SBT


O time de sempre, ancorado por ele, está reunido para mais essa empreitada. Marco Nanini, Matheus Nachtergaele, Andréa Beltrão etc. Nanini esteve com Arraes no teatro fazendo o mesmo texto, e ambos prometem um outro Odorico Paraguaçu. Matheus é Dirceu Borboleta, que marcou a carreira de Emiliano Queiroz, e Beltrão é uma das irmãs Cajazeira, no elenco estelar que tem ainda José Wilker como um soturno Zeca Diabo. Vale uma conferida nessa reportagem especial do Jornal do SBT (exibido diariamente em duas edições, noturna e matinal). A colunista de Planeta Vip se encontrou com a equipe do novo filme, que estreia esta semana no circuitão.


Robson Leite

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Tags: bem  amado  telenovela  1973  cinema  seriado  cine  serie 
19 julho 2010 09:51

Sucesso de bilheteria

Reportagem especial mostra bastidores de Encontro Explosivo

Cruise diz que não deseja se tornar diretor e Diaz mostra que é boa de volante


A matéria é da minha colega em Los Angeles, a Renata Pereira, que está sempre atenta a tudo que rola em Hollywood para o SBT Brasil (segunda a sábado, 19h30 - aliás, imperdível o jornal do Carlos Nascimento). O vídeo tem entrevistas com a dupla de protagonistas, Tom Cruise e Cameron Diaz, que faz pequenas revelações: o astro de Missão Impossível diz que não cogita assumir a direção de filmes; e Diaz surpreende, dando um "cavalo de pau" sensacional no set de filmagem. Outro ponto bacana que a Renata menciona: a crise que ronda a indústria de cinema nos EUA. A gente fica pensando que é só alegria, até por conta do megassucesso bilionário de Avatar, mas o bicho anda pegando nos bastidores. Tem estrela aí sendo obrigada a segurar a onda na hora de pedir cachê, Tudo isso no vídeo abaixo. 


   


Robson Leite

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17 julho 2010 23:32

Dream about it

Blogueiro deseja "bombar" Copa 2014 com um toque de sonho

Internet facilita trabalho, oferecendo ferramentas e conteúdo

 

Esta semana, não sei se ainda sob o efeito do mundial da África, resolvi botar em prática uma ideia que tive. Algo sobre um teaser para 2014, que pudesse encorajar os gringos a baixar no país em função do evento máximo do futebol mundial. Ok, sabemos de todas as safadezas que cercam um evento desse tipo: empreiteiros, políticos, boleiros, todos ganhando horrores e o povão curtindo só o circo. Mas confesso que não consigo, ao mesmo tempo, não sentir um certo orgulho de receber o mundo por aqui. Paralelamente ao sentimento de que será um jogo de interesses extremamente delicado, caminha um desejo de que o resto do planeta possa compartilhar também do que temos de melhor. A pobreza, a violência, a política, muita coisa nos envergonha. Mas o cenário é deslumbrante, a devoção à bola idem e a pureza da nossa gente quando o assunto é a seleção canarinho, tudo isso sempre me tocou muito. É tão orgânico que eu considero impossível não render homenagens. Convoquei meu filho, que editou todo material selecionado na web usando a ferramenta mais básica disponível para o serviço, e resolvemos fazer o vídeo. Canibalismo puro. Imagens capturadas da internet, distribuídas pela Embratur, mais alguma coisa de fãs do esporte, com assinatura oficial. Nada que um video downloader e o bom e velho movie maker não possam processar e transformar em algo novo. O resultado é a peça abaixo, ao som de I can dream about it, tema do fime Ruas de Fogo, que teve certa badalação nos anos 1980.  Algo sobre sonhos que podem se realizar, casando ícones dessa fantasia de brasilidade com uma trilha empolgante. Se a nossa profissão de brasileiro é mesmo a esperança, quem sabe a Copa possa, ao menos, despertar igual sentimento nos milhares que estarão na nossa área em quatro anos. Se curtir, divulgue.

 

 

Robson Leite

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Tags: copa  mundo  mundia  FIFA  Brasil  2014  cine  serie 
14 julho 2010 22:04

30 anos de (excelente) Fama

Musical atravessa gerações com vigor e trilha inesquecível

Filme ganhou Oscars e uma série televisiva nos 80s, com parte do elenco

 

No IMDb, uma das referências na internet para cinema, consta a data de lançamento no Brasil como 7 de julho de 1980. Aceito, bem a calhar. Mais um motivo para escrever sobre um de meus filmes favoritos de todos os tempos. Lá se vão três décadas e eu juro - parece que foi ontem. Uma edição remasterizada acaba de ser lançada em Blu-Ray, para alegria de outros fãs. Não é fácil de achar e as cópias costumavam ser de péssima qualidade. Fama é uma pequena joia pop, pouco lembrada. Mas é só olhar em volta e perceberemos que a temática nunca esteve tão em evidência como agora.

 

 

A trajetória de jovens talentos na escola de artes de Nova York é mais que um simples relato de vaidades. O roteiro é muito feliz quando faz a opção por trabalhar perfis diferentes sob a mesma ótica. Pobres, ricos, gays, lésbicas, oportunistas, gente perdida, gente que se acha, performers... a fauna do estrelato está toda reunida na selva do sucesso. O filme busca resposta para uma pergunta nada simples: o que a arte é capaz de fazer à vida das pessoas?  O resultado é mais um belo trabalho de direção de Alan Parker (de The Wall, o filme, Evita,  Asas da liberdadeThe commitments, só pra citar outros musicais), com a trilha alavancada por megahits de Michael & Leslie Gore e Dan Pitchford.

 

Uma curiosidade sobre a cena: o tema não estava pronto para a filmagem, então Alan Parker usou a música Hot Stuff, de Donna Summer, para inspirar a garotada

 

Consta que Madonna fez teste para os elencos tanto do filme quanto da série, que veio no rastro do sucesso estrondoso após dois Oscar (melhor trilha e melhor canção). Levou bomba. O seriado teve seis temporadas, entre 1982 e 1987, sem Irene Cara (hoje cinquentona, que chegou a gravar vários sucessos depois, inclusive na trilha de Flashdance), mas com Lee Curreri (o mago dos teclados Bruno Martelli), Debbie Allen (como a professora de dança Lydia) e o impagável Albert Hague (o neurastêncio professor Shorofsky). Duas notas tristes: Hague morreu em 2001, vítima de câncer; e Gene Anthony Ray, o negão dançarino Leroy Johnson, morreu em 2003 vítima de um ataque cardíaco. Ele era HIV positivo.

 

 

Da trlha, toda boa, vale destacar três momentos singulares: o tema, que ganhou um momento eterno pelo olhar de Parker; Is it ok if I call you mine, voz e violão com uma interpretação simples mas singela de Paul McCrane; e novamente Cara com a tocante On my own.

 

 

Um baita filme, que ganhou uma nova versão, pífia e descartável, em 2009. Algo que pareceu ter vindo morder um pouco do sucesso de similares do gênero, como High School Musical e Glee, que caíram no gosto da molecada. É tão ruim que merece poucas linhas neste post. A pretensão do diretor foi tamanha que ele simplesmente esnobou o hit Fame, usando apenas para subir ficha. Ridículo. Só a cena da garotada na rua, parando o trânsito, no filme original, já coloca a releitura no chinelo. Enfim.

 

Mais e melhor Fama para quem sonha com um pouco dela. 30 anos, com corpinho de 15.

 

Robson Leite

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09 julho 2010 23:45

Reality show de horrores

Os monstros estão entre nós e não chegaram pelas mídias

O equívoco está na glamourização do sórdido

 

O Caso Bruno está aí, como bola da vez para a opinião pública. Cada detalhe estarrece. E antes que comecem a atacar as mídias pela situação, um pouco de bom senso. A crueldade humana, gente, é anterior. O fato de o noticiário e outros meios reproduzirem isso com tanto despudor é que assusta. Mas ela, a crueldade, sempre esteve entre os de nossa espécie. Os relatos de atrocidades vencem a tecnologia da (des)informação de lavada. Empalava-se, torturava-se, humilhava-se, assassinava-se, desossava-se, subjugava-se um igual - com todos os requintes - muito antes de o conceito de rede surgir como uma espécie de norteador do que há de pior nas sociedades. 

 

Faço parte do grupo que duvida que a divulgação desses atos extremos seja responsável direta por eles. Me deixem explicar, antes que seja condenado. Não aprecio videogames violentos, nem filmes como Jogos Mortais, Turistas ou coisa do gênero. O mórbido me enoja e faço minha parte contra ele, em minha tarefa diária de jornalista. Mas imputar a eles a responsa, não dá. A banalização causa desconforto, mas não delega ou sequer empresta a ninguém o direito de vida e de morte. Jamais será justificativa. A crise moral é muito maior que isso. Mais grave é o descaso das autoridades,  das políticas públicas que geram abandono social, o incentivo à competitividade sem escrúpulos, tudo sob a bandeira do cada um por si. Inclusive a atitude da imprensa diante do escândalo, em favor de números e cifras.

 

É a escola que passa por dificuldades, a família que não consegue administrar conflitos, o trabalho que não fomenta vislumbre de futuro e outros pilares para o espítiro. Eles que estão abalados. Os meios de comunicação - cinema, tv, internet, videogame e outros - entram no contexto como reveladores de tendências. Quando não se vestem de uma forma ética aceitável, aí sim, preocupam. Mas não causam as aberrações. Apenas não auxiliam a combater o que há de pior. E seria função deles, isoladamente? Não creio. Acabam servindo apenas para popularizar mitos, reforçar um sentimento de que estamos a caminho do fim. Mas não é que estamos. No máximo, continuamos. O mundo sempre foi assim. Os meios só reproduzem. E quando a visão crítica não aparece nem nas entrelinhas, é algo que realmente causa horror. Ou então aparece e a incapacidade de ler é que abala.

 

Acredito que a insanidade dos atos existe independentemente do olhar que se volta para ela. Está lá. O monstro não é causa, é efeito de uma conjunção de fatores. E o veículo de massa que se dignar a entendê-lo, explica-lo, ao invés de incentivá-lo de qualque forma que inspire glamour, apenas servirá melhor à sociedade. A criatura surge à imagem e semelhança do conjunto de fatores que lhe criem. A visibilidade é apenas um deles e não será o mais cruel - isso está comprovado. A menina rica que aniquila a família ou o rapaz pobre que assassina a prostituta são frutos da mesma doença social. Sem qualquer tipo de freio, moral ou legal, eles se manifestarão. E não adiantará de nada crucificar somente a plataforma onde ele aparece.

 

Não haveria um Hannibal Lecter, Zodíaco que seja? Vlad Drácula, Norman Bates, Jigsaw, um Jason qualquer, a quem temer longe dos holofotes da má-fama? O canibalismo, seria fruto das mídias? O primeiro psicopata registrado pela história do Brasil era um degenerado mineiro com a alcunha de Preto Amaral, num mundo ainda sem cinema. Um João Acácio, o bandido da luz vermelha; um Jack, estripador de putas vitorianas; um  Chico Picadinho? Giuseppe Pistone, na São Paulo dos anos 1920, matou a esposa, a cortou em pedacinhos e colocou numa mala -  fez isso inspirado em quê? Ditadores assassinos como Hitler, Stalin, Ceausescu,  Videla, Pinochet ou Médici? Um Charles Mason da vida? O History Channel, os canais Discovery, fazem vezes de canal educativo para atrocidades? O noticiário policial gerou um casal Nardoni? Um filme como Tiros em Columbine instiga jovens a saírem matando na escola?

 

Mesmo o que os olhos não vêem, existe. Isso serve para blindar os meios de comunicação, que nos emprestam olhares? De jeito nenhum. Eles estão no banco dos réus como qualquer instituição que se omite em servir como orientadora e se torna mera espectadora, sem visão crítica. O que dizer das demais instituições, igualmente (ir)responsáveis? Escola, família, política, polícia, justiça? Por que as falhas delas, ululantes, não merecem a mesma ira da consciência coletiva?  Genéricas demais? Eleger a mídia como vilã é muito fácil. Difícil é enxergar em nós mesmos as sementes do mal, galinhas-chocas do Ovo da serpente de Bergman. A passividade, o silêncio, a falta de atitude. Esses sim, são maiores responsáveis pelo que há. 

 

Ou a sociedade dá o grito ou continua posando de vítima no Jornal Nacional.

 

Robson Leite 

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08 julho 2010 23:33

Tragicômica Jabulani

Final inesperada? Só pra quem não conhece o roteiro das Copas...

E mais uma vez, o futebol se rende ao clichê (sem ser)

 

Já vi esse filme. 1950, no Brasil. O time favorito, com Maracanã lotado, cai diante da surpresa celeste. Quatro anos depois, é o supra-sumo húngaro que se rende à zebra alemã. E da mesma forma em 74, 82... laranjas que apodrecem, canarinhos que terminam com o bico aberto, dinamáquinas que estragam, um tango que descompassa... Enfim! O que não falta é explicação para uma certa aversão a favoritismos que alguns de nós alimentam. Há mais e mais histórias a contar sobre isso em se tratando do universo da bola, mas parece que a Copa do Mundo  é a que melhor resume a enciclopédia do futebol. Se alguém, algum dia, conseguir transpor tantos elementos dramáticos reunidos para um longa, pode se considerar o Pelé da película. Duvido. É uma arte tão cheia de acasos, nuances, que seria impossível reproduzir com a mesma felicidade.

 

Holanda e Espanha reunidos em uma decisão de Mundial é a verdadeira vingança dos derrotados. Nada que milhões de dólares possam reconstituir na mesma medida. Não são grandes, mas também não são pequenos. Chegam onde estão como meras peças, em mais um jogo que despreza camisas, tradições etc. O cinema, por vocação, prefere apelar para a solução fácil: vencedores contra vecidos. E como não torcer pelos vencidos? Mas o que fazer quando os dois personagens representam a derrota? Os holandeses, finalistas em duas ocasiões, uma delas como francos favoritos, contra os espanhóis, aqueles que jogam como nunca e perdem como sempre?  O futebol escapa da lógica, por isso jamais será representado à altura em qualquer tela a não ser enquanto documento. Fora disso será fábula. Conto da Carochinha.

 

A última vez em que dois times que nunca ganharam uma Copa se enfrentaram em campo foi em 1978. Argentina e Holanda em campo. Depois disso, temos mais de 30 anos de gigantes contra nanicos. Agora a história é diferente. Meu coração é de Orange, mas guarda sua fúria. Porque detesto finais óbvios e adoro bons protagonistas.

 

Robson Leite

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06 julho 2010 18:58

Im the king of the world!!!

Titanic terá versão em 3D em 2012, diz jornal estadunidense

Jim Cameron deverá recriar Exterminador em três dimensões

 

A notícia saiu no LA Times e tá bombando no twitter. O diretor de Avatar promete um relançamento do romance no transatlântico daqui há dois anos, em abril, garante o periódico. A data casa com o centenário do naufrágio mais famoso da história. Desta vez, Leo DiCaprio e Kate Winslet vão aparecer em 3D, confirmando o desejo do diretor em fortalecer o formato. A notícia havia sido veiculada pela revista Time no ano passado. Difícil imaginar o que a tecnologia terá a acrescentar ao megasucesso. Cifras, certamente. O filme não foi pensado assim, portanto, nos faz crer que é puro oportunismo. Um casamento milionário que nada tem a somar com a arte, mas é o tal negócio: desde quando a arte está no cerne da questão de um filme como Titanic ?

 

 

Outro interessado em faturar com o 3D é George Lucas, que (fala-se) poderá relançar mais uma vez a saga Guerra nas Estrelas seguindo a tendência. Cameron pode fazer o mesmo com seu Exterminador do Futuro 2. Sei que não gostei do que vi em Toy Story 1 e 2. Não houve ganho algum e me despertou certa antipatia, inclusive. Enfim, é a banalização de uma ferramenta muito interessante, que se rende a meros anseios de consumo de uma indústria que precisa (mais que tudo) faturar.

 

Robson Leite

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06 julho 2010 23:01

Na jugular

Eclipse faz melhor abertura do ano no Brasil e é recorde da franquia

Filme leva quase 2 milhões de espectadores aos cinemas do país na estreia

 

Os dados são do site FilmeB, especializado no mercado cinematográfico. O levantamento feito junto ao sindicato dos exibidores apontou que o terceiro longa da saga Crepúsculo atraiu 1,17 mi de pessoas neste fim de semana, confirmando a espectativa de melhor abertura em 2010.

 

 

Eclipse foi lançado no país na quarta-feira e já acumula público de 1,9 mi, com renda ultrapassando a casa dos R$ 12 mi. Com esse acréscimo de dias, o movimento de pagantes é superior ao das estreias de Lua Nova (1,4 mi) e de Crepúsculo (400 mil).

 

Robson Leite

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