Baden Powell e Vinícius de Moraes
O homem que diz "dou" não dá
Porque quem dá mesmo não diz
O homem que diz "vou" não vai
Porque quando foi já não quis
O homem que diz "sou" não é
Porque quem é mesmo é "não sou"
O homem que diz "tô" não tá
Porque ninguém tá quando quer
Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha, traidor
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor
Vai, vai, vai, vai... não vou!
Vai, vai, vai, vai... não vou!
Vai, vai, vai, vai... não vou!
Vai, vai, vai, vai... não vou!
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor
Amigo senhor, saravá,
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha, não vá
Que muito vai se arrepender
Pergunte ao seu Orixá, o amor só é bom se doer
Pergunte ao seu Orixá o amor só é bom se doer
Vai, vai, vai, vai... amar!
Vai, vai, vai... sofrer!
Vai, vai, vai, vai... chorar!
Vai, vai, vai... dizer!
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor
Ouça "Canto de Ossanha" com Vinícius, Baden e Quarteto em Cy

A celebração máxima do casamento da poesia de Vinícius de Moraes com o violão de Baden Powell está no disco "Afro-sambas". Gravado em 1966, após uma longa temporada de Baden conhecendo mais de perto a mistura de sons africanos influentes na musicalidade da Bahia, o LP com apenas oito faixas abençoou uma nova maneira de se gravar sambas no Brasil.
O disco, produzido por Roberto Quantin com arranjos do maestro Guerra Peixe, é o primeiro no país a misturar percussão primitiva com instrumentos clássicos como flauta, violão, sax e contrabaixo. As entidades e as batidas dos cultos afro-brasileiros conduziram o processo criativo, que culminaria num trabalho popular que não abria mão de arranjos requintados, num tom informal. Esse clima se apresenta logo na primeira faixa, em destaque neste post: "Canto de Ossanha".
Sobre isso, o próprio poetinha decreta na contracapa: "Essas antenas que Baden tem ligadas para a Bahia e, em última instância, para a África, permitiram-lhe realizar um novo sincretismo: carioquizar dentro do espírito do samba moderno, o candomblé afro-brasileiro, dando-lhe ao mesmo tempo uma dimensão mais universal".
Em tempo: Ossanha ou Ossãe é o Orixá das plantas medicinais e litúrgicas. Os filhos de Ossanha são calmos, ingênuos e pacíficos. Saravá!
fontes: Luis Américo Lisboa Júnior
Sociedade Beneficente Centro Africano Reino de Oxalá
de Silas de Oliveira e Joaquim Ilarindo
Sinto abalada minha calma
E embriagada minh’alma
Efeito da tua sedução
Oh! Minha romântica senhora tentação
Não deixes que eu venha sucumbir
Neste vendaval de paixão
Jamais pensei em minha vida
Sentir tamanha emoção
Será que o amor por ironia
Deu-me esta fantasia
Vestida de obsessão?
A ti confesso que me apaixonei
Será uma maldição?
Não sei...
ouça este samba na voz de Cartola
