Domingo, 28 de setembro de 2014 09:47

A grande mídia e a violência manipuladora nas eleições

Mesmo agonizante (com o advento das redes sociais, a perda de audiência e leitores e a gradual democratização da comunicação no Brasil), a grande mídia transformou, mais uma vez, a campanha eleitoral para presidente num espetáculo político-midiático, comandado pelos oligopólios da comunicação, suas apostas e preferências.

Uma reforma política , de verdade, precisa avançar no controle democrático e social da velha mídia.

Há que se enfrentar, sem medo, essas capitanias hereditá rias do ar que, de forma contumaz, tentam impor suas vontades. A mídia tradicional é o meio mais contundente de se propagar e exaltar a violência, inclusive a violência simbólica utilizada em doses cavalares nessas eleições.

Infelizmente, muitos marqueteiros dos partidos e candidatos embarcaram nessa estratégia violenta, ancorando suas apostas nas mentiras, escondendo informações, maquiando dados e fatos.

Como disse o   Papa Francisco : "Hoje o clima midiático tem suas formas de envenenamento. As pessoas sabem, percebem, mas infelizmente se acostumam a respirar da rádio e da televisão um ar sujo, que não faz bem. É preciso fazer circular um ar mais limpo. Para mim, os maiores pecados são aqueles que vão na estrada da mentira, e são três: a desinformação, a calúnia e a difamação".




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Sábado, 27 de setembro de 2014 20:58

Por que a VEJA persegue o PT?

Melancólico fim da revista “Veja”, de Mino a Barbosa

Fonte: B log  Balaio do Kotscho (*)

Uma das histórias mais tristes e patéticas da história da imprensa brasileira está sendo protagonizada neste momento pela revista semanal "Veja", carro-chefe da  Editora Abril, que já foi uma das maiores publicações semanais do mundo.

Criada e comandada nos primeiros dos seus 47 anos de vida, pelo grande jornalista Mino Carta, hoje ela agoniza nas mãos de dois herdeiros de Victor Civita, que não são do ramo, e de um banqueiro incompetente, que vão acabar quebrando a "Veja" e a Editora Abril inteira do alto de sua onipotência, que é do tamanho de sua incompetência.

Para se ter uma ideia da política editorial que levou a esta derrocada, vou contar uma história que ouvi de Eduardo Campos, em 2012, quando ele foi convidado por Roberto Civita, então dono da Abril, para conhecer a editora.

Os dois nunca tinham se visto. Ao entrar no monumental gabinete de Civita no prédio idem da Marginal Pinheiros, Eduardo ficou perplexo com o que ouviu dele. "Você está vendo estas capas aqui? Esta é a única oposição de verdade que ainda existe ao PT no Brasil. O resto é bobagem. Só nós podemos acabar com esta gente e vamos até o fim".

É bem provável que a Abril acabe antes de se realizar a profecia de Roberto Civita. O certo é que a editora, que já foi a maior e mais importante do país, conseguiu produzir uma "Veja" muito pior e mais irresponsável depois da morte dele, o que parecia impossível.

A edição 2.393 da revista, que foi às bancas neste sábado, é uma prova do que estou dizendo. Sem coragem de dedicar a capa inteira à "bala de prata" que vinham preparando para acabar com a candidatura de Dilma Rousseff, a uma semana das eleições presidenciais, os herdeiros Civita, que não têm nome nem história próprios, e o banqueiro Barbosa, deram no alto apenas uma chamada: " EXCLUSIVO - O NÚCLEO ATÔMICO DA DELAÇÃO _ Paulo Roberto Costa diz à Polícia Federal que em 2010 a campanha de Dilma Rousseff pediu dinheiro ao esquema de corrupção da Petrobras". Parece coisa de boletim de grêmio estudantil.

O pedido teria sido feito pelo ex-ministro Antonio Palocci, um dos coordenadores da campanha da então candidata Dilma Rousseff, ao ex-diretor da Petrobras, para negociar uma ajuda de R$ 2 milhões junto a um doleiro que intermediaria negócios de empreiteiras fornecedoras da empresa.

A reportagem não informa se há provas deste pedido e se a verba foi ou não entregue à campanha de Dilma, mas isso não tem a menor importância para a revista, como se o ex-todo poderoso ministro de Lula e de Dilma precisasse de intermediários para pedir contribuições de grandes empresas. Faz tempo que o negócio da "Veja" não é informar, mas apenas jogar suspeitas contra os líderes e os governos do PT, os grandes inimigos da família.

E se os leitores quiserem saber a causa desta bronca, posso contar, porque fui testemunha: no início do primeiro governo Lula, o presidente resolveu redistribuir verbas de publicidade, antes apenas reservadas a meia dúzia de famílias da grande mídia, e a compra de livros didáticos comprados pelo governo federal para destinar a esc0las públicas.

Ambas as medidas abalaram os cofres da Editora Abril, de tal forma que Roberto Civita saiu dos seus cuidados de grande homem da imprensa para pedir uma audiência ao presidente Lula. Por razões que desconheço,  o presidente se recusava a recebe-lo.

Depois do dono da Abril percorrer os mais altos escalões do poder, em busca de ajuda, certa vez, quando era Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República, encontrei Roberto Civita e outros donos da mídia na ante-sala do gabinete de Lula, no terceiro andar do Palácio do Planalto."

"Agora vem até você me encher o saco por causa deste cara?", reagiu o presidente, quando lhe transmiti o pedido de Civita para um encontro, que acabou acontecendo, num jantar privado dos dois no Palácio da Alvorada, mesmo contra a vontade de Lula.

No dia seguinte, na reunião das nove, o presidente queria me matar, junto com os outros ministros que tinham lhe feito o mesmo pedido para conversar com Civita. "Pô, o cara ficou o tempo todo me falando que o Brasil estava melhorando. Quando perguntei pra ele porque a "Veja" sempre dizia exatamente o contrário, esculhambando com tudo, ele me falou: `Não sei, presidente, vou ver com os meninos da redação o que está acontecendo´. É muita cara de pau. Nunca mais me peçam pra falar com este cara".

A partir deste momento, como Roberto Civita contou a Eduardo Campos, a Abril passou a liderar a oposição midiática reunida no Instituto Millenium, que ele ajudou a criar junto com outros donos da imprensa familiar que controla os meios de comunicação do país.

Resolvi escrever este texto, no meio da minha folga de final de semana, sem consultar ninguém, nem a minha mulher, depois de ler um texto absolutamente asqueroso publicado na página 38 da revista que recebi neste final de semana, sob o título "Em busca do templo perdido". Insatisfeitos com o trabalho dos seus pistoleiros de aluguel, os herdeiros e o banqueiro da "Veja" resolveram entregar a encomenda a um pseudônimo nominado "Agamenon Mendes Pedreira".

Como os caros leitores sabem, trabalho faz mais de três anos aqui no portal R7 e no canal de notícias Record News, empresas do grupo Record. Nunca me pediram para escrever nem me proibiram de escrever nada. Tenho aqui plena autonomia editorial, garantida em contrato, e respeitada pelos acionistas da empresa.

Escrevi hoje apenas porque acho que os leitores, internautas e telespectadores, que formam o eleitorado brasileiro, têm o direito de saber neste momento com quem estão lidando quando acessam nossos meios de comunicação.

(*)  Ricardo Kotscho, 65, é repórter desde 1964. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira, nas funções de repórter, repórter especial, editor, chefe de reportagem, colunista, blogueiro e diretor de jornalismo. É atualmente comentarista do  Jornal da Record.

LINK http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2014/09/27/melancolico-fim-da-revista-veja-de-mino-a-barbosa/

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Quarta-feira, 24 de setembro de 2014 14:23

EXCLUSIVO: AS PROPOSTAS DOS CANDIDATOS A PRESIDENTE PARA A SEGURANÇA PÚBLICA

A equipe do FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA (FBSP) consolidou algumas das principais propostas dos candidatos à Presidência da República (veja, quadro abaixo).

O blog CONVERSANDO DIREITO publica, com exclusividade, esse trabalho do FBSP.

“É importante destacar que muitas das propostas foram extraídas dos documentos enviados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE); outras foram extraídas de manifestações públicas das campanhas”, destaca Renato Sérgio de Lima, vice-presidente do Fórum.

 Apesar de um desnível de detalhamento das propostas, em função do grau de aprofundamento público que cada campanha optou por dar, a consolidação feita pelo FBSP é um importante instrumento de análise acerca da visão dos candidatos sobre a política de segurança pública brasileira.  

São muitas as demandas por reformas substantivas na segurança pública, haja vista os enormes indicadores de criminalidade existentes no país e a baixa eficiência das instituições do sistema de justiça criminal nas ações de prevenção e repressão ao recrudescimento criminal. Neste sentido, a melhoria da política de segurança pública torna-se fundamental para a consolidação da democracia brasileira.


Eixos/

Candidatos

Dilma (PT)

Aécio (PSDB)

Marina (PSB)

Luciana Genro (PSOL)

Eduardo Jorge (PV)

Integração e

Coordenação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Integração das instituições de Segurança Pública no país.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Articulação e integração das políticas de segurança pública com o Sistema Único de Assistência Social - SUAS, para atendimento de famílias residentes nas áreas vulneráveis.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Senasp fará a coordenação da Política Nacional de Segurança Pública e será responsável pela produção da informação criminal, prevenção do crime e da violência, gestão das polícias federais e coordenação do sistema prisional e de alternativas penais.

 

Favorável à PEC 51, que prevê polícias de ciclo completo, caráter civil e carreira única.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Abolição do serviço militar obrigatório e transformação do Exército em força de autodefesa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ensino

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Criação da Academia Nacional de Segurança Pública, para formação conjunta das polícias, formulação e difusão de procedimentos operacionais padronizados e formação de analistas.

Criação de políticas de valorização, apoio, aperfeiçoamento e qualificação de policiais federais e estaduais e dos demais integrantes dos sistemas de segurança pública.

 

 

 

Criação do Programa Nacional de Capacitação Policial e desenvolver um padrão de ensino e treinamento mais uniforme nas academias de formação desses profissionais.

Formação das crianças nas escolas a partir da cartilha "Carta da Terra", documento lançado pela ONU em 2000 que constitui guia ético e moral de convivência.

 

 

 

Homicídios

e crimes

 

violentos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ampliação do programa Brasil Mais Seguro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Criação de projetos integrados nas áreas mais críticas dos centros urbanos, nos quais o foco seja a prevenção da violência, especialmente entre jovens; Implantação, em parceria com Estados e Municípios, de programas de prevenção a acidentes de trânsito.

Federalização do Pacto pela Vida; Criação de política nacional de redução de homicídios; promoção de cultura de paz

 

 

 

 

 

 

 

Novo plebiscito visando o controle de armas, que deve ser mais restritivo e exclusivo às forças armadas e policiais em serviço; Fortalecer a segurança do pedestre e do ciclista e a direção
defensiva.

 

 

 

Política de

drogas

e fronteiras

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ampliação do programa Crack, é Possível Vencer; fortalecimento das ações de controle das fronteiras (Plano estratégico de fronteiras).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conta com 9 propostas específicas para esta área, das quais destacamos: criação de rede nacional para os dependentes químicos, em parceria com estados, municípios, empresas privadas e entidades do Terceiro Setor; estruturação de Protocolo Nacional de Tratamento e Prevenção para dependentes de drogas com participação das políticas de saúde, assistência social, defesa e justiça; combate e repressão a entradas de drogas no Brasil com fortalecimento da vigilância de fronteiras.

 

 

Enfrentar o tráfico de drogas e as diferentes ordens de facções que organizam sua produção e distribuição no país, bem como desenvolver e apoiar estratégias de redução de danos aos usuários; organizar de forma efetiva o policiamento de fronteiras, em particular das terrestres, inclusive atribuindo à PF a responsabilidade também por esse monitoramento, ao lado das Forças Armadas; combate do tráfico de armas.

 

 

Fim da guerra às drogas com a legalização da maconha.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As fronteiras serão  ocupadas pelo "novo" Exército, e os soldados deverão ter formação em engenharia e ciências naturais; Legalização para uso medicinal e recreativo da maconha.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Crime

 

organizado

 

 

 

 

 

 

Fortalecimento das ações de combate às organizações criminosas

 

 

Ampliação das prisões federais, de forma a abrigar especialmente as lideranças do crime organizado.

 

Coibir de modo efetivo a lavagem de dinheiro e os circuitos financeiros do crime organizado no Brasil e no exterior.

Redirecionar o trabalho da polícia ao combate às quadrilhas.

 

 

Sistema

 

prisional

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Investimento no programa de apoio ao sistema prisional, que repassa recursos aos Estados para ampliação da capacidade de vagas no sistema prisional.

 

 

 

 

 

 

 

 

Apoio às PPP no setor prisional e às Associações de Proteção e Assistência aos Condenados – APAC, para colaborar no fim do ciclo da reincidência criminal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Promover penas alternativas, incentivar justiça; Fixar critérios para a qualidade dos serviços prestados
pelos servidores penitenciários restaurativa para a superação de conflitos e estimular penas de restrição da liberdade como alternativas às penas de privação da liberdade.

Acabar com a política de encarceramento em massa, que aprisiona negros e pobres.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Investimento na política de reinserção do encarcerado, fortalecimento das defensorias públicas, incentivar a concessão de cautelares diversas da prisão privativa de liberdade.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Domingo, 14 de setembro de 2014 19:10

Comissão Pastoral de Direitos Humanos abre inscrições para o VI Curso de Educação Popular em Direitos Humanos


A Comissão Pastoral de Direitos Humanos da Arquidiocese de Belo Horizonte em parceria com o Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas  convidam para o VI Curso de Educação Popular em Direitos Humanos, que será realizado entre 27 de setembro e 10 de dezembro de 2014, sempre aos sábados, na sede do Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política da Arquidiocese de BH.

Taxa de inscrição:  R$10,00 (a ser pago no primeiro encontro).

O curso tem como objetivo trazer a discussão de grandes temas de direitos humanos, capacitando lideranças de movimentos sociais, agentes pastorais e comunitários, estudantes e promotores de direitos humanos.

Dia/horário:  Encontro semanal, aos sábados, das 14h00min às 18h00min.

Local:  Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política da Arquidiocese de BH – Rua Além Paraíba, 208, Lagoinha, Belo Horizonte - MG.

Para mais informações:   cpdireitoshumanos @gmail.com  ou (31) 3428-8360 Pastoral Carcerária.

Inscrições:  Telefone (31) 3428-8360, Pastoral Carcerária, ou pelo link:

https://docs.google.com/forms/ d/1vbWMMjdG0pF7MaYm2_ VXX2D21N73hRaKHSDJR-A-NyM/ viewform?c=0&w=1&usp=mail_ form_link

Programação:

27/09

Abertura - A história e as ações da Comissão Pastoral de Direitos Humanos da Arquidiocese de Belo Horizonte
Assessoria: Emely Vieira Salazar e Eliane Pacheco - Comissão Pastoral de Direitos Humanos.

11/10

Fundamentos e história dos direitos humanos
Assessoria: Egídia Almeida - Coordenadora do Fórum Mineiro de Direitos Humanos e do Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos.

18/10

Direitos Humanos e Justiça Ambiental

Assessoria: Maria Zélia - Comissão Pastoral de Direitos Humanos

25/10

Movimentos Sociais e Direitos Humanos

Assessoria: Adília Nogueira - Advogada da Rede Nacional de Advogados Populares

01/11

Política e Direitos Humanos

Assessoria: Antônio Faria Lopes - Comissão Pastoral de Direitos Humanos

08/11

Direitos Humanos e direito a diferença

Assessoria: José Luiz Quadros de Magalhães- UFMG/ PUC Minas

22/11

Direitos Humanos e sistema prisional
Assessoria: Maxemiliano Russo - Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Belo Horizonte.

29/11

Educação e Direitos Humanos
Assessoria: Robson Sávio - Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas e Comissão Pastoral de Direitos Humanos.

06/12

Mística e Direitos Humanos

Assessoria: Padre  Jaldemir Vitório –  Faculdade Jesuíta de Belo Horizonte e Comissão Pastoral de Direitos Humanos.

10/12  ( 16h00min - 18h30minh )

- Encerramento: Comemoração da Declaração Universal dos Direitos Humanos 

- Entrega dos certificados e celebração ecumênica


Será conferido certificado de participação a todos os presentes em pelo menos 75% dos encontros.

Realização:  Comissão Pastoral de Direitos Humanos da Arquidiocese de BH

Apoio:  

Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política da Arquidiocese de BH.  

Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Belo Horizonte. 

Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas (Nesp). 

Faculdade Jesuíta de Belo Horizonte (FAJE).

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Sábado, 13 de setembro de 2014 20:51

Piores indicadores de criminalidade da região sudeste são de Minas Gerais

Especialista comenta o quadro atual da segurança pública no estado

12/09/2014

Rafaella Dotta 
Belo Horizonte (MG)

A criminalidade em Minas Gerais apresenta, hoje, os piores índices do Sudeste. A entrevista desta semana traz uma análise da segurança pública no estado, passando pelo aprisionamento, a prevenção e as polícias. Robson Sávio Reis Souza, associado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor da PUC Minas, fala sobre as principais políticas divulgadas pelo governo estadual nos últimos 12 anos. Esta é a segunda entrevista de uma série que avalia a gestão de áreas estratégicas para o nosso estado: educação, saúde, cultura, economia e segurança pública.

Brasil de Fato: Como está a segurança pública em Minas Gerais?

Robson Sávio:   Temos que analisar dois momentos. A partir de 2003, foram feitas algumas reformas que melhoraram o setor, como a integração das atividades policiais, alguns ensaios de programas de prevenção à criminalidade e a reestruturação do sistema prisional. Houve também o investimento maior na política de segurança pública, até 2008, que surtiu bons efeitos. Depois disso, o Estado não conseguiu mais investir os 10% ao ano e, principalmente, teve uma administração política e não técnica no governo Anastasia. A partir de 2010, observamos o aumento dos indicadores de crimes. Houve uma interiorização muito grande dos crimes e, paralelo a isso, a incapacidade do Estado em responder a essa realidade. Hoje, os piores indicadores da região Sudeste são de Minas Gerais. 

De acordo com dados do governo estadual, o número de presos aumentou nos últimos 12 anos. Isso significa mais segurança?

Não necessariamente. Em Minas Gerais, quando Aécio assumiu, havia cerca de 22 mil presos e hoje há 60 mil. Mas, se a estratégia de aprisionamento é errada, não adianta achar que construir mais prisões vai resolver o problema da segurança, haja vista que, hoje, as prisões viraram centros de difusão da criminalidade. O modelo tradicional de prisões, que é enjaular as pessoas e controlá-las através da violência, cria facções para contrapor o sistema violento. E esses grupos passam a negociar com as direções do presídio formas de não serem vítimas dessa violência. Esta lógica está totalmente falida, pois produz novos criminosos para a sociedade, com taxas de reincidência no crime que giram em torno de 80%. 

Na política de contenção de crimes, os governos do PSDB divulgam como inovação as penitenciárias operadas por Parceiras Público Privadas (PPPs). Elas contribuem para mais segurança?

Existem outras penitenciárias PPPs pelo Brasil. A inovação de Minas é que temos a primeira construída e administrada pelo setor privado. Eu acho que não contribui em absolutamente nada. Para a sociedade, as penitenciárias existem para recuperar alguém que cometeu um crime, mas para a empresa significa lucro. É um empreendimento ótimo para a iniciativa privada, mas péssimo pra sociedade, porque não oferece nenhuma perspectiva de mudança. E se os defensores desse modelo sempre miram nos Estados Unidos, é bom lembrar que eles são o país com o maior número de presos do mundo, com 2 milhões e 700 mil presos. Agora, quem são os presos? São os pobres, os negros, os moradores de rua, os usuários de drogas que não têm bons advogados. 

Outra forma de pensar a segurança pública é através da prevenção, como o “Fica Vivo”. Qual sua opinião sobre esse programa?

Fiz um estudo em 2011 e percebi que somente 1% do orçamento estadual da segurança pública é voltado para as ações de prevenção. E o programa de prevenção que existe é o Fica Vivo, que é objeto de muita publicidade, mas carrega sérias contradições. Ele começou com um viés muito repressor, voltado mais para identificar e criminalizar usuários de drogas de regiões pobres do que ser um programa que oferece saídas. O Fica Vivo foi melhorando ao longo do tempo pela nova visão que a equipe técnica, que é terceirizada, deu a ele. O PSDB manteve o programa, não porque ele mudou a sua forma de atuação, mas porque dá um bom marketing ao governo. Para se ter uma ideia, quando Anastasia assumiu, existiam 32 núcleos do programa, ele falou que ia aumentar para 100 e hoje são 38. 

As polícias militar e civil também apresentam problemas. Existem propostas para melhorar o trabalho policial? A desmilitarização é uma opção?

Nós temos um sistema de segurança pública que existe para não funcionar. Porque há duas polícias que deveriam atuar de forma cooperativa e que funcionam de forma competitiva, disputando espaços de poder. Hoje os especialistas e alguns policiais conseguem visualizar que não dá para remendar mais. É preciso um novo sistema, que traga em si um novo modelo policial, que seja desmilitarizada. Ela poderia atuar de forma territorial ou por setor criminalístico, mas uniforme, na medida do possível. O problema é que os governos brasileiros nunca quiseram enfrentar o problema da reforma profunda da segurança pública. Apesar desse modelo ser péssimo, os governos preferem não mexer em polícia, porque acham muito perigoso e preferem se omitir. Então, uma reforma policial só sairá à medida que a sociedade perceber que segurança pública é importante.

( Fonte : Jornal Brasil de Fato - MG, edição 55, de 12.09.2014)

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