Domingo, 19 de outubro de 2014 10:35

Neoliberalismo é o oposto da democracia, diz estudioso francês

Dominique Plihon, professor da Universidade Paris 13, diz que se um neoliberal ganha no Brasil, ele ficará triste pelos brasileiros, mas também pela ordem internacional: 'Precisamos de líderes que saibam resistir às grandes potências e não que sejam seus aliados'

por  Bruno De Conti e Pedro Rossi, do Brasil Debate   publicado  18/10/2014 
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dominique plihon

Plihon: "Há conflito de interesses entre representantes do setor financeiro e suas prioridades para políticas públicas"

O francês Dominique Plihon é um dos principais estudiosos, no mundo, do que se denomina “capitalismo com dominância financeira” e de seus efeitos sobre a sociedade. Professor emérito da Universidade Paris 13 (Université Sorbonne Paris Cité), ele tem longa experiência profissional no Banque de France e é atualmente porta-voz do Attac, associação que defende a taxação das transações financeiras internacionais.

Na semana passada, esteve no Brasil para uma curta temporada de palestras e aulas no Instituto de Economia da Unicamp, e conversou com o   Brasil Debate . As reflexões de Plihon sobre as ideias econômicas, seus porta-vozes e interesses, e mesmo o seu poder de pressão por meio do controle dos veículos de comunicação são um necessário contraponto à visão quase única que domina a discussão econômica no Brasil.

Indo além, põe o dedo na ferida de uma questão muito explícita em alguns personagens do debate eleitoral brasileiro: o conflito de interesses entre representantes do setor financeiro privado e suas prioridades para as políticas públicas. Por fim, considera um enorme retrocesso, não só para o Brasil, a eleição de um candidato de perfil neoliberal neste segundo turno das eleições.

Confira os principais trechos da entrevista

Como você enxerga a relação do neoliberalismo com a democracia?

Aqui há um paradoxo. Os neoliberais nos fazem acreditar que a liberdade concedida a todos os atores econômicos faz prosperar a democracia e que o mercado é favorável à democracia. Como se democracia e livre mercado caminhassem juntos.

Essa visão é completamente equivocada. Se deixamos o neoliberalismo funcionar, isso se traduz no surgimento de atores sociais – grupos industriais, bancários – que dominam não somente a economia, mas também a sociedade. Esses atores investem na mídia para difundir análises que condicionam a opinião dos cidadãos e isso funciona como uma forma de dominação ideológica. Aqueles que divergem do pensamento dominante são considerados heréticos, arcaicos, gente que não é séria.

Portanto, o paradoxo é que, ao reduzir o Estado sob o pretexto de dar mais liberdade às pessoas, dá-se poder a alguns atores sociais, concentra-se a renda e cria-se um pensamento único. Eu vou ao limite de dizer que aqueles que defendem o neoliberalismo são por uma sociedade totalitária. Neoliberalismo é o oposto da democracia.

O discurso neoliberal é compatível com a construção de um Estado de Bem-Estar Social, que garanta serviços sociais públicos e universais?

Para o neoliberalismo, o Estado Social é visto como um inimigo, como um concorrente, o que é de certa forma verdade porque, a partir do momento em que o Estado Social se desenvolve, é uma parte do setor econômico que escapa do setor privado, dos investidores internacionais etc.  Eles querem controlar as escolas, controlar os hospitais, controlar as estradas, para obter lucros. É por isso que eles defendem a privatização, sob o pretexto de que o setor privado seria mais eficiente, mas a finalidade é o lucro.

O que devemos defender, enquanto economistas progressistas, é que o setor público é claramente mais eficaz do que o setor privado no que se refere à oferta de bens sociais, ao contrário do que dizem os neoliberais. Essa é uma briga ideológica importante. Eles dizem que se o Estado Social diminuir, todos vão ganhar, vão pagar menos imposto, a economia ficará melhor, os hospitais, as escolas e universidades serão melhores, o que é completamente falso.

Se pegarmos a Saúde, por exemplo, o sistema mais eficaz, menos custoso e que traz mais bem-estar para população é o público e não o privado. O sistema de saúde americano, que é praticamente todo privado, é muito mais custoso do que o francês, que é principalmente público. Mas esse discurso não é ouvido pela mídia controlada pelos grandes grupos privados.

Nessas eleições brasileiras, formou-se uma convenção na bolsa de valores segundo a qual o bom desempenho da presidenta Dilma nas pesquisas conduz a uma queda nos preços das ações. Como você vê o significado político dessa convenção?

Keynes é quem primeiro explorou essa noção de convenção no mercado financeiro. A convenção é uma representação da realidade que corresponde muitas vezes aos desejos do mercado. Quando vemos nas eleições que a bolsa sobe quando o candidato Aécio Neves aparece com mais chances, isso significa a expectativa do mercado de que esse candidato tomará medidas mais favoráveis a ele.

O que é perigoso, pois significa que um candidato que queira fazer uma política de enfrentamento aos interesses e privilégios do mercado terá a bolsa contra ele. E isso toma uma proporção maior porque a mídia e as elites passam a mensagem de que a opinião “correta” é aquela do mercado e não aquela das pessoas que trabalham, que produzem, que consomem. Isso é, evidentemente, contrário à democracia.

E o que é interessante é que Keynes ( John Maynard economista britânico ) mostrou a existência de componentes irracionais na formação dessas convenções. As pessoas se comportam de maneira mimética; de uma hora para a outra passam a agir todas da mesma forma, com base em uma determinada ideia. Essas convenções são frágeis, às vezes irracionais e desprovidas de uma reflexão séria e, mais do que isso, podem ser manipuladas, o que quer dizer que alguns agentes podem forjar opiniões e condicionar a psicologia dos mercados para fazer valer seus interesses.

Nos debates públicos, você tem chamado atenção para o conflito de interesses que envolve a profissão dos economistas. Qual é a importância desse tema?

Na sociedade, há dois tipos de economistas. A primeira categoria é composta por economistas independentes ou com vínculos explícitos com alguma instituição, como um sindicato, ou um banco. Quando ouvimos um economista de um sindicato, sabemos que ele está defendendo os interesses do sindicato, isso é normal e transparente.

A segunda categoria são os economistas que são pagos pelo sistema – recebem recursos de empresas, bancos, partidos – mas não se identificam. Eles geralmente defendem os interesses das classes dominantes e por isso são figuras muito presentes na mídia, dominada por essas classes. Eles são os cães de guarda do sistema.

O que estamos propondo na Europa é algo parecido com que está sendo discutido nos EUA por  Gerard Epstein : que haja regras precisas obrigando os economistas a publicarem o nome da entidade de quem recebem financiamentos, assim, quando eles falam na mídia, saberemos se estão defendendo o interesse de alguma empresa, banco, sindicato. Cada um fala o que quer, desde que seja transparente e não seja hipócrita.

E no caso de economistas de mercado que ocupam funções públicas?

Se há um candidato, como Aécio Neves, que anuncia um ministro que é um banqueiro, há um risco de conflito de interesse. Nesse caso, talvez seja o caso de declarar publicamente e, eventualmente, desnudar esta pessoa e os interesses que representa, já que tem muitos laços com o setor financeiro.

Na França, temos esse problema com os altos funcionários, por exemplo, da supervisão bancária, que após seu período no governo vão trabalhar nos bancos. O problema é que essas pessoas não ousam tomar medidas duras, sanções, contra os seus futuros (ou ex) colegas. Nesse caso, deve-se proibir a pessoa de trabalhar no setor que ela supervisionou durante três ou quatro anos, porque há conflitos de interesse.

Esse é o chamado fenômeno das “portas giratórias”, quando um economista vai para a administração publica, depois volta para o setor privado como um homem de negócio, e de novo para administração pública. Isso é muito perverso e antidemocrático.

Como intelectual de esquerda e observador externo como você enxerga a disputa eleitoral em curso no Brasil?

Primeiramente, vejo com bastante interesse porque o Brasil é um país muito importante, e a política que é definida aqui tem impacto sobre a América Latina e também sobre a construção da ordem mundial. Penso que os dirigentes europeus atuais são uma catástrofe para a ordem econômica mundial. Eles são fascinados pela ideologia neoliberal, pela competição, e não pela cooperação, pela solidariedade entre os países etc. Eles têm valores que certamente não são os meus, e que são extremamente perigosos.

Se um candidato neoliberal ganha no Brasil, certamente ficarei triste pelos brasileiros, mas também triste pela ordem internacional. Eu sei que a candidata progressista tem limites e problemas, mas penso que será melhor para o Brasil, pois ela já deu prova de independência frente aos Estados Unidos e frente a atores financeiros.

Precisamos de líderes que saibam resistir às grandes potências, ao setor financeiro, e não que sejam seus aliados. Portanto, vejo as eleições no Brasil com muito interesse e não escondo minha preferência por Dilma Rousseff.

Fonte: Rede Brasil Atual

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Quinta-feira, 09 de outubro de 2014 12:17

Mídia e formação da opinião


Uma das "pedras de toque" do bom jornalismo sempre foi – e continua sendo – a busca da imparcialidade e da isenção. Profissionais comprometidos com a ética e a verdade lutam por uma imprensa verdadeiramente cidadã e cumpridora dos ideais democráticos: a defesa da liberdade e da justiça.

À medida que o poderio econômico foi dominando a mídia e os “profissionais da pena” deixaram de ser ícones da verdade (muitos se transformando em marionetes dos patrões), presenciamos uma incestuosa relação no universo da comunicação: parte do jornalismo subjugado às conveniências do grande capital, conformado aos interesses econômicos dos grandes oligopólios midiáticos, que determinam o que deve ser pautado e publicado (melhor dizendo, publicizado — dado que o jornalismo tem se transformado em mercadoria).

As grandes redes de comunicação, as poderosas agências noticiosas, os grandes conglomerados da imprensa determinam o que deve ser divulgado e sob qual ótica os fatos são apresentados à opinião pública. Precisamos, urgentemente, de uma reforma agrária do ar; uma invasão às capitanias hereditárias dos barões da mídia brasileira.

Há muito se questiona a isenção e a imparcialidade dos meios de comunicação. Por um lado, em virtude das relações imbricadas e promíscuas que envolvem os donos dos veículos (muitos dos quais, editores de suas empresas de comunicação); por outro, pela fragilidade de parte de seus quadros profissionais, subjugados (e impotentes) frente às determinações patronais. Quem perde com essa situação é a democracia, que deixa de ter na imprensa o contraponto às mazelas sociais e políticas.

Restam esperanças: com a ampliação da internet e das redes sociais múltiplas vozes têm despontado no horizonte monofônico da comunicação brasileira. Que belos ventos!

Tenho acompanhado, com perplexidade e surpresa, a cobertura que a mídia tem dado às denúncias de corrupção que assolam frequentemente nossa República. A imprensa tem desprezado o aprofundamento das informações e demonstrado discricionariedade na cobertura. A guerra do bem  versus  o mal reproduz o velho estilo maniqueísta ( uma forma de pensar simplista em que o mundo é visto como que dividido em dois, reduzindo os fenômenos humanos e sociais a uma relação de causa e efeito, certo e errado, isso ou aquilo; sendo que a simplificação nasce da intolerância ou desconhecimento em relação a verdade do outro e/ou da pressa de entender e refletir sobre a complexidade de tais fenômenos.).  Quase não se fala, por exemplo, sobre os corruptores, os donos do capital por detrás dos políticos corruptos. Por quê? Será que a mídia deseja subjugar a opinião pública à opinião publicada?

Somos bombardeados com um vendaval de informações pontuais, muitas vezes descontextualizadas, passando a (falsa) impressão, por exemplo, de que todos os políticos e partidos são corruptos e desonestos. Ou que um partido é mais corrupto que o outro, ao apresentar somente um lado da informação, escondendo outras facetas de forma deliberada ou não. Essa situação tem provocando um misto de histeria coletiva, expressa na raiva, ódio e desilusão em relação aos políticos, e, por outro lado, um imobilismo cívico – a ideia de que este país não tem conserto.

Outro fenômeno que ressurge nessas eleições é um sentimento difuso de ódio e vingança, fazendo da disputa eleitoral uma verdadeira guerra, quando o processo democrático da escolha dos representantes deveria ser tão e somente um embate civilizado e respeitoso de ideias, opiniões e pontos de vista sobre os rumos do país. A quem interessa um país dividido; uma não já fragmentada pela desigualdade se transformando em guetos isolados entre seus cidadãos?

Frente a tanta (des)informação parece que estamos perdidos; que ninguém é honesto; que não vale a pena lutar pela ética, a verdade, a justiça. Vale a pena, então, ser desonesto e chafurdar-se nas pequenas corrupções do dia a dia? É essa a mensagem sub-reptícia que nos é passada?

O pior dos mundos é quando os cidadãos não reconhecem na mobilização social e na luta política o caminho para as mudanças.

Quão limitadas e distorcidas são as opiniões de alguns de nossos principais jornalistas e âncoras que corroboram este cenário da parcialidade e desinformação. Ora, os jornalistas têm todo o direito de dar sua opinião e de expressar suas convicções. O que é incompreensível é a parcialidade de certos julgamentos midiáticos; uma espécie de "opinionismo" sem a devida explicação dos argumentos que podem estar permeando os comentários de alguns dos nossos cronistas sociais e políticos, mestres em frases soltas e de efeito, que em lugar de explicar e informar acabam por confundir e desorientar ainda mais os cidadãos.

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Segunda-feira, 06 de outubro de 2014 21:43

O Brasil de Dilma e o Brasil de Aécio



A imagem acima é o mapa da votação para presidente, de ontem:
1. Onde a Dilma é mais conhecida, ela ganhou: Minas e RS. 
Onde Aécio é mais conhecido, ele perdeu: Minas e Rio de Janeiro. 
Isso é mera coincidência?
2. Aécio teve expressivo aumento de votos na reta final do primeiro turno porque o Texas brasileiro (leia-se, São Paulo), o estado mais conservador e, "coincidentemente" o mais rico do país, é o berço do antipetismo raivoso e violento. Onde, p. ex., se desenvolve com força o ódio aos nordestinos (que construíram aquela pauliceia desvairada).
3. O ódio de parte dos paulistas e de parte da classe média conservadora se deve ao fato, entre outros, que o PT governa para todos, mas principalmente para os mais pobres. Não é coincidência Dilma ganhar disparado no nordeste. Aquele pedaço de Brasil que está saindo lentamente do mapa da invisibilidade e mostrando, inclusive aos olhares dos estrangeiros, que o Brasil é muito mais rico, diverso e bonito do que o sul-maravilha. 
3.1. Tem sociólogo, ex-presidente, que chama os pobres de ignorantes. Ignorante é um sujeito escolarizado, mas desprovido de educação, inteligência (crítica) e sensibilidade.
4. Objetivamente, Aécio poderá até ganhar as eleições com a ajuda: dos setores mais conservadores e retrógrados da classe média; dos capitães-hereditários do agronegócio; de parte dos intelectuais saudosos da belíndia; dos barões da velha e podre mídia; de setores conservadores das igrejas (que gostam de manter uma boa cota de pobres pedintes e de joelhos para operarem seus milagres); de muitos eleitores ansiosos pelas "mudanças" travestidas de retrocesso; de muitos eleitores que caíram na cantilena do discurso midiático da corrupção que não expõe as mazelas do sistema eleitoral e dos corruptores e esconde parte dos verdadeiros saqueadores da nação (protegidos pela mídia do século 19 e pelo poder judiciário do século 13), e, finalmente, de algumas pessoas que, conscientemente, querem manter seus privilégios e detestam a justiça social (coisa de comunista).
5. O PT cometeu graves erros ao longo dos anos na presidência. Para a conseguir a governabilidade (num Congresso dominado por facções de interesses dos mais escusos), aliou-se com políticos da pior qualidade. Deu espaço em seus quadros para pessoas que envergonham quaisquer agremiações. Cedeu às pressões dos barões da mídia; dos banqueiros; dos empreiteiros-ladrões, como fez o PSDB quando governou o Brasil, diga-se de passagem. Nesse ponto, Luciana Genro tinha razão; ou seja, nesse quesito a briga do PT com o PSDB é como "o sujo falando do mal lavado". Mas, apesar dessas graves "derrapadas", o PT mudou o país, transformando-o numa nação mais justa, inclusiva, plural e democrática, superando o gueto dos 30% de brasileiros (aquele grupinho dos "inteligentes" do FHC). 
5.1. O PT errou feio ao aliar-se com Aécio na violência contra Marina. Deu novo fôlego ao pregador-mor do ódio ao PT. Isso terá um custo alto...
5.2. A maioria dos petistas quando exerce cargos públicos o fazem dentro dos parâmetros da boa gestão . Segundo dados da Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, de 2010, os dez partidos com mais políticos cassados por corrupção eram, nesta ordem: DEM (69); PMDB (66); PSDB (58); PP (26); PTB (24); PDT (23); PR (17); PPS (14); PT (10) e PPB (08). Outros partidos também tiveram políticos cassados... Isso a grande mídia não mostra.
6. Num país que ainda ostenta enormes desigualdades e que precisa de um estado interventor para a construção de um estado de bem-estar social, é legítimo votar num candidato que governará para 30% dos brasileiros... Mas, na minha opinião, não é ético.
7. Apesar de todas essas considerações, respeito quem pensa diversamente de mim.

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Sexta-feira, 03 de outubro de 2014 09:25

O debate da/na TV Globo



1. O sorteio feito pelo Bonner sem mexer com firmeza as plaquetas deixa mais uma suspeita sobre a lisura da emissora. Curiosamente, o primeiro tema "sorteado" foi sobre corrupção para a candidata que já estava anteriormente indicada, Dilma Rousseff.

2. O embate de ideias entre Fidelix e Luciana Genro mostra que as posições políticas devem ser explicitadas. E isso é democracia! É bom que o eleitor identifique as posições políticas. O pior dos mundos  é a dissimulação das posições políticas.

3. O papel ridículo desempenhado por Pastor Everaldo, colocando-se como preposto de Aécio, mostra que partidos de aluguel deveriam ser extintos.

4. O dedo em riste levantado para Luciana Genro derrubou, de vez, a máscara de bom moço de Aécio Neves.

5. As posições firmes de Eduardo Jorge e Luciana Genro em relação à homofobia de Fidelix compensou, em certa medida, o silêncio conivente dos candidatos, no debate da Record.

6. A cantilena em torno do tema da corrupção, num jogral maniqueísta entre os que se julgam do bem versus os que são rotulados de maus, é pura cortina de fumaça enquanto se mantiver o esquema de financiamento privado de campanha e a necessidade de coalizões que se baseiam na troca de favores entre políticos e partidos.

7. O G3: Dilma começou muito nervosa. Mas, a certa altura, era a candidata que se aparentava mais tranquila. Foi firme na maioria das resposta e não fugiu do debate. Aécio tentou partir para o ataque, mas recebeu respostas duras de Dilma e Mariana e ainda teve que ouvir Luciana Genro dizer o que ele não gostaria. Em alguns momentos articulou melhor suas ideias. Por fim, Marina, rouca e cabelo tipo touca, parecia abatida.

8. O debate foi cansativo até para o apresentador que, em certa altura, quase perdeu o controle da situação. Esse esquema de réplicas e tréplicas de 30 ou 40 segundos não permite aprofundar nenhum tema. Só serve para estimular ataques entre candidatos.

9. Por fim: os debates não têm mudado os rumos das eleições...

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Quinta-feira, 02 de outubro de 2014 20:22

As pesquisas de intenção de votos à beira do primeiro turno


Fonte : Folha/Instituto Datafolha/FolhaPress.

O velho ditado segundo o qual "eleição e mineração, só depois da apuração" ainda é atual. Nas últimas eleições, mesmo com a sofisticação das pesquisas de intenção de votos, observamos mudanças significativas na reta final de várias eleições e, inclusive, alguns resultados que contrariaram até pesquisas de boca-de-urna. Mas, pelo dados das pesquisas divulgadas hoje, podemos inferir que:

- Em Minas, Pimentel será eleito em primeiro turno (Qu em diria! Há três meses atrás, Aécio afirmava aos quatro ventos que teria 3 milhões de votos a mais no Estado. Ele está empatado com Dilma e seu candidato a governador não consegue chegar a 30% na preferência dos eleitores mineiros).

- No cenário federal: Dilma tem cerca de 30% de ser eleita já em primeiro turno. Alguns dados dão conta que ela tem 47% dos votos válidos. Ou seja, está a três pontos de liquidar a fatura de imediato. Pouco provável, mas não impossível. 

- A disputa do segundo colocado para um eventual segundo turno parece acirrada. Penso que, com os números divulgados pelos institutos de pesquisa hoje, Marina tem um pouco mais de chances que Aécio (tipo, 70% a 30%) de passar para o segundo turno. Então, o debate na Globo poderá, para esses dois candidatos, ser decisivo. Não sei se a tática que ambos anunciaram de atacar Dilma redundará em efeito a favor de um ou outro. Será que, com esses números de hoje, os dois entrarão num embate mais frontal? Vamos ver...

- Se Aécio conseguir levar a eleição para o segundo turno terá, pelo menos por enquanto, um respiro. Caso contrário, ele será o maior derrotado nessas eleições. E, nesse caso, com ele o PSDB que deixará de ser o partido referencial das oposições. 

- Numa disputa de segundo turno entre PT e PSDB, com o nível de violência dessa campanha, sairemos das urnas com um país dividido e o partido perdedor terá muita dificuldade de recomposição para as próximas disputas nacionais. Por isso, essa campanha é guerra de vida e morte para o PT e o PSDB.

- Por fim, o PT, único partido que tem um eleitorado fidelizado, tem demonstrado capacidade de reação: o caso mais emblemático é no Rio Grande do Sul. Disputar uma peleja com a senadora Ana Amélia, a queridinha da RBS/Globo não é fácil. E Tarso Genro está mostrando uma enorme capacidade de resiliência.

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