Quarta-feira, 23 de maio de 2012 22:18

Brasil se comprometerá na ONU a investir na melhoria do sistema penitenciário e humanizar formação policial


O Brasil assumirá diante da ONU o compromisso de adotar medidas urgentes para melhorar as condições do sistema penitenciário do país e humanizar a formação dos policiais, anunciou nesta segunda-feira a ministra da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes.

A superlotação das prisões e a brutalidade policial serão temas abordados no Exame Periódico Universal, que será apresentado nesta sexta-feira em Genebra, na Suíça, ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU), afirmou a ministra.

Maria do Rosário disse que o Brasil se comprometerá na ocasião a investir US$ 1 bilhão até 2014 na construção e ampliação de presídios.

Segundo a ministra, o investimento permitirá criar 48 mil novas vagas nas prisões, que atualmente abrigam 514 mil pessoas, número que supera em quase 20% a capacidade do sistema penitenciário, de acordo com denúncias de organizações de direitos humanos.

Maria do Rosário explicou que os fundos serão destinados inicialmente para acabar com a superpopulação nos presídios femininos, onde cumprem pena atualmente 38 mil mulheres. Segundo dados oficiais, nos últimos anos aumentou consideravelmente o número de representantes do sexo feminino presas.

Além disso, serão adotadas medidas para acelerar julgamentos e a aplicação de penas alternativas, assim como possibilitar que acusados respondam em liberdade.

Maria do Rosário admitiu que no Brasil 'não é possível dizer que exista um sistema que assegura os direitos humanos dos presos', mas garantiu que o governo está dando passos para transformar as prisões em locais de 'resgate' e de 'inserção social'.

Sobre as forças policiais, a ministra disse que torná-las mais humanas é 'um desafio da democracia'. Em sua opinião, a violência policial no Brasil faz parte de uma 'cultura que vem do uso dessas forças na repressão durante a ditadura'.

Por isso, o governo realizou esforços para 'investir na formação de policiais', 'enfrentar a impunidade' e 'promover o uso de armas não letais'.

Maria do Rosário disse que a Secretaria de Direitos Humanos está trabalhando na redação de um programa nacional que defenderá os direitos humanos dos próprios policiais, que também sofrem diversos abusos durante seu trabalho.

Entre os aspectos mais significativos do relatório que será apresentado na ONU, a ministra destacou o processo de 'democracia e inclusão' que começou no país há mais de uma década.

'É um processo de desenvolvimento que se constrói com uma aliança entre o crescimento econômico e a inclusão social', disse Maria do Rosário, para quem o Brasil apresenta a cada dia mais avanços nos 'direitos sociais, econômicos e culturais'.

Outro avanço apontado pela ministra foi a criação da Comissão da Verdade, que investigará as violações dos direitos humanos ocorridas durante a última ditadura militar.

Fonte:  EFE e Fórum Brasileiro de Segurança Pública

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Quarta-feira, 23 de maio de 2012 11:15

Novo Código Penal criminalizará atos contra os direitos humanos

A comissão de reforma do Código Penal decidiu inserir ao texto do anteprojeto que será entregue ao Senado diversas condutas previstas em tratados internacionais sobre os direitos humanos. Genocídio, tortura, extermínio e escravidão foram alguns dos pontos abordados pelos juristas na reunião que ocorreu nesta segunda-feira (21/5). Antes, os juristas já haviam tipificado a corrupção no setor privado e os crimes cibernéticos.

O título do novo CP sobre os crimes contra os direitos humanos trará um capítulo sobre os crimes contra a humanidade. Atualmente, a maioria dessas condutas está prevista no Estatuto de Roma, tratado do qual o Brasil é signatário e que instituiu o Tribunal Penal Internacional. Conforme o relator da comissão, procurador regional da República Luiz Carlos Gonçalves, o objetivo é recepcionar essas condutas na legislação brasileira. Caso contrário, ocorrendo qualquer uma delas, o Brasil ficaria sujeito a julgamento em um tribunal internacional.

De acordo com a proposta, “são crimes contra a humanidade os praticados no contexto de ataque sistemático, dirigido contra população civil, num ambiente de hostilidade ou de conflito generalizado, que corresponda a uma política de Estado ou de uma organização, tipificados neste capítulo” — dos crimes contra a humanidade, entre eles o genocídio, a tortura, o extermínio e a escravidão.

Genocídio
O texto que define o crime de genocídio adequa a legislação a eventos desse tipo que aconteceram depois de 1958, como em Ruanda e na Iugoslávia, e que tiveram características peculiares. Pela proposta aprovada, caracteriza genocídio praticar determinadas condutas “com o propósito de destruir, total ou parcialmente, um grupo, em razão de sua nacionalidade, idade, idioma, origem étnica, racial, nativa ou social, deficiência, identidade de gênero ou orientação sexual, opinião política ou religiosa”.

Entre as condutas capazes de caracterizar o genocídio estão matar alguém; ofender a integridade física ou mental de alguém; fazer qualquer ato com o fim de impedir ou dificultar um ou mais nascimentos no seio de determinado grupo; submeter alguém à condição de vida desumana ou precária; transferir, compulsoriamente, criança ou adolescente do grupo ao qual pertence para outro.

A pena prevista para o crime de genocídio é de 20 a 30 anos, sem prejuízo das penas dos tipos penais comuns. E a proposta vai além: na mesma pena incide quem defende publicamente a prática de genocídio.

A comissão também definiu o crime de tortura como crime contra a humanidade. O relator do anteprojeto explicou que a inclusão desse tipo penal não exclui o tipo penal que descreve a tortura praticada fora desse cenário – isto é, como ato contra um único indivíduo. A pena prevista é de dez a 15 anos de prisão. Também fica prevista a tortura qualificada: se resulta em lesão corporal grave ou gravíssima, pena de prisão de 12 a 18 anos; se resulta em morte, de 20 a 30 anos.

Outra conduta tipificada pela comissão é o desaparecimento forçado de pessoa. Pela proposta, o crime consiste em “apreender, deter ou de qualquer outro modo privar alguém de sua liberdade, ainda legalmente, em nome do estado ou de grupo armado ou paramilitar, ou com a autorização, apoio ou aquiescência destes, ocultando o fato ou negando informação sobre o paradeiro de pessoa privada de liberdade”. A pena é de prisão de dois a seis anos, sem prejuízo das penas correspondentes a outras infrações penais.

O crime de extermínio contra a humanidade foi definido pelos juristas como “sujeitar intencionalmente, à privação do acesso a água, alimentos, medicamentos ou qualquer outro bem ou serviço do qual dependa a sobrevivência de grupos de pessoas, visando-lhe causar a morte”. A pena é de 20 a 30 anos de prisão.

O novo Código Penal também vai incluir o crime de escravidão. A pena será de prisão de dez a 15 anos para quem “exercer sobre alguém qualquer poder inerente ao direito de propriedade, ou reduzir alguém à condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo por qualquer meio sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto”. Se a escravidão tiver finalidade libidinosa ou obscena, aumenta-se a pena de um terço até a metade.

Uma inovação aprovada pelos juristas foi a tipificação de condutas chamadas de crimes contra a memória. Entre eles, estão a omissão na publicação e sonegação de informações (pena de prisão de dois a quatro anos) e a destruição de documento público de valor histórico com a finalidade de impedir o seu conhecimento pela sociedade (pena de quatro a oito anos de prisão).

A comissão também aprovou um capítulo, inserido no título dos crimes contra os direitos humanos, que vai tratar dos crimes de preconceito e discriminação. Um dos objetivos é inserir os tipos penais constantes da Convenção de Nova Iorque sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. O tratado fala de condutas lesivas às pessoas deficientes, mas a proposta foi ampliada e deverá contemplar, também, outras minorias vítimas de preconceito.

A comissão de juristas, que é presidida pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça Gilson Dipp, volta a se reunir na próxima quinta-feira (24/5), às 10h, quando vai debater crimes contra o sistema financeiro, crimes previdenciários e os previstos na Lei de Licitações (Lei 8.666/93). O prazo para entrega do texto final à Presidência do Senado encerra-se no final de junho. Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ.

Fonte: Revista Consultor Jurídico, 22 de maio de 2012

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Terça-feira, 22 de maio de 2012 09:48

Violência Urbana e Inclusão Social: a necessidade de visão nacional em pesquisas sobre violência urbana


A falta de contato entre as pesquisas e os pesquisadores sociais brasileiros da área de violência urbana foi apontada pelo professor da Universidade de São Paulo (USP), Sergio Adorno, como um dos principais entraves à construção de uma percepção unificada sobre os estudos da área. "A Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior] podia investir em programas de formação de pesquisa na área de segurança, por meio de redes que envolvam intercâmbios e circulação de pesquisadores nacionais. Ao mesmo tempo que é importante conhecer as realidades locais e regionais, precisamos construir uma visão nacional da segurança brasileira", explicou Adorno.


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Em sua apresentação, José Luis Ratton apresentou a necessidade de reconstrução do conceito de segurança pública no país. "No senso comum o conceito de segurança pública está altamente associado a uma forma de exercício coercitivo da atividade policial, quando, na verdade, este deveria alcançar dimensões preventivas e ainda outras abordagens da ação coercitiva do estado", explicou.
 
Segundo Adorno, a relação entre cidade e violência deve ser pensada além da atuação governamental por meio políticas públicas tradicionais. A questão de valores deve ser repassada aos cidadãos, de acordo com sua história e costumes. "A educação não pode ser só a transmissão de conhecimento, ela tem que transmitir valores: cooperação, dignidade perante o outro, respeito às diferenças", explicou.

No painel, foram discutidos ainda a segurança privada, a violência na mídia, a formação de massa crítica na área, a governança, a segregação espacial, a cultura do medo e a quebra de estereótipos como facetas do tema. Participaram como relatores do debate Renato Sérgio de Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e Gabriel Feltran, da Universidade Federal de São Carlos, e como mediador Bruno Paes Manso, do Estado de São Paulo.

A afirmação foi feita nesta quarta-feira, 9, no painel Violência Urbana e Inclusão Social, parte da programação do seminário internacional Metropolização Brasileira e os Desafios da Gestão Urbana: o Papel da Pós-Graduação, realizado no edifício-sede da Capes, no período de 7 a 9 de maio. Para o presidente da mesa, Jacob Carlos Lima, a discussão permeou as mudanças na área. "Organizamos a mesa com pesquisadores de diferentes gerações de modo a transmitir o dinamismo da área nos últimos anos", disse Jacob.

César Barreira, da Universidade Federal do Ceará (UFC), ressaltou a importância da discussão do tema em núcleos de estudo nas universidades. "A pesquisa acerca da violência na academia mantém viva e ativa a discussão e favorece a adoção de soluções coletivas em detrimento das individuais (muros, grades, condomínios fechados etc)", afirmou. Barreira apontou ainda a interdisciplinaridade como elemento essencial aos estudos na área.

Políticas públicas
Ratton priorizou ainda o desafio à construção de políticas públicas para a área. "Não temos institucionalizado no Brasil ainda um campo de políticas públicas de segurança como temos para saúde e educação. Precisamos assumir essa estatura. Daí a importância da discussão que temos hoje", completou.

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Para Adorno, no entanto, para alcançar os resultados esperados, a ação do estado deve ser específica e orientada a cada situação. "As políticas de segurança não podem ser generalizadas. Elas devem levar em conta a diversidade e serem focalizadas. Precisamos de estudos etnográficos que possam descrever a vida dos bairros: como é a arquitetura, a mobilidade urbana, a redes de serviços públicos, sociabilidade e, sobretudo, o modo como se dão os vínculos entre os cidadãos e os governantes", disse.

Educação, valores e violência
O pesquisador continuou sua exposição afirmando que somente com essa consciência será possível entender que a segurança vai além da repressão aos crimes. "Hoje a segurança é pensada de forma que envolva qualidade de vida e enriquecimento da vida em sociedade. Se você não tem o mínimo de contato entre as classes será difícil construir uma cidade diferente", esclareceu.


Fonte: Gisele Novais - PORTAL CAPES

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Terça-feira, 22 de maio de 2012 07:58

Boa notícia: Projeto de Lei cria Sistema Nacional de Segurança Pública

Com o objetivo de reunir dados nacionais sobre segurança pública e criminalidade, o Senado aprovou nesta quarta-feira (16) um projeto que cria o Sistema Nacional de Segurança Pública, Prisionais e sobre Drogas (Sinesp). O sistema pretende reunir, em um banco de dados, informações sobre execuções penais, sistemas prisionais e combate às drogas em âmbito nacional.

Os estados e municípios ficam obrigados a enviar dados para alimentar o banco de dados do sistema, sob pena de não receberem recursos do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) e do Fundo Penitenciário Nacional. O projeto também prevê para quem deixar de fornecer informações ou atualizar seus dados o não recebimento de recursos da União para celebrar convênios ou financiar programas, projetos, ações de segurança pública e do sistema prisional.

Pelo texto, os dados devem ser organizados de forma a subsidiar a política de segurança pública do país. Será criado um conselho gestor responsável pela sua administração, com funções a serem definidas posteriormente por regulamentação do governo. Inicialmente, a regulamentação fica sob o comando do Ministério da Justiça.

Entre os dados que ficarão disponíveis no sistema, estão o registro de armas de fogo, apreensão de drogas, entrada e saída de estrangeiros, nomes de pessoas desaparecidas, recursos humanos e materiais dos órgãos e entidades de segurança pública, assim como condenações, penas, mandados de prisão, entre outros.

Na prática, o projeto amplia poderes do Fundo Nacional de Segurança Pública (Fnsp), criado em 2001 no âmbito do Ministério da Justiça, ao condicionar o recebimento de recursos ao envio das informações.

O projeto prevê como condição para o repasse de recursos do Fnsp a instituição de um plano de segurança pública por parte da unidade federativa. Para os municípios, a condição é a existência de guarda municipal.

O sistema será controlado inicialmente pelo Poder Executivo e os governos estaduais, mas o texto prevê a adesão dos municípios, do Poder Judiciário, da Defensoria Pública e do Ministério Público.

No início da tramitação no Senado, o projeto apenas previa novas condições para estados e municípios receberem recursos do Fnsp. O Senado, porém, acatou sugestões propostas pelo líder do governo, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), para a criação do sistema com informações nacionais de segurança. "Atualmente esse sistema não existe, por isso o projeto dá continuidade à política de segurança pública com cidadania", afirmou o líder.

O projeto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em caráter terminativo. Segue para votação na Câmara se não houver recurso para ser analisado pelo plenário do Senado.



Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Gazeta do Povo - PR

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Sexta-feira, 18 de maio de 2012 09:15

O pacotão da Segurança Pública

O governo de Minas, através da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), anunciou, nesta quinta (17/05) um pacote com várias ações visando uma melhor articulação do sistema de defesa social.

Veja, abaixo, as principais medidas:

Central de FlagrantesCriação de estrutura no Bairro Lagoinha (Noroeste de BH) para receber os flagrantes e desafogar os plantões das delegacias de polícia.

Sala de crises e grandes eventosVai funcionar no 9º andar da Cidade Administrativa. Terá 900 metros quadrados e deve reunir vários órgãos oficiais para garantir segurança em eventos. O teste será a Copa das Confederações e a previsão é de que esteja pronta em fevereiro de 2013.

Centro Integrado de Comando e ControlePrédio que será construído para centralizar dados e imagens da capital, para facilitar tomadas de decisões pelas polícias Militar, Civil e Federal, Defesa Civil, Bombeiros, PRF e PBH.

Centros de Prevenção à CriminalidadeTrês novas unidades do Fica Vivo, duas em BH (Primeiro de Maio, Região Norte, e Vila Pinho, no Barreiro) e uma em Contagem (Ressaca)

Plano de segurança dos shoppings de BHMilitares fardados nas áreas externas dos shoppings, pontos de apoio da PM nesses locais, compartilhamento de informações de inteligência e designação de um delegado para investigar esses crimes.

Integração entre Seds, MP e JudiciárioParticipação de todos os integrantes do sistema de segurança na hora de definir políticas públicas. A integração também pode facilitar autorizações da Justiça, mandados de prisão, busca e apreensão, além de
possibilitar operações conjuntas de uma maneira mais ágil.

Integração da gestão em segurança pública Diagnóstico da situação da criminalidade nas 15 Regiões de Segurança Pública (Risp) do interior e das três da região metropolitana, por meio de reuniões entre o secretário e autoridades maiores da PC e da PM, além das autoridades locais.

Comitê de monitoramento diário de crimes violentosComissão interinstitucional para acompanhar a violência em todo o estado e monitorar o surgimento de novos ondas de crime, como as recentes explosões de caixas eletrônicos. Criada em 14 de maio.

Reformulação da corregedoria da SedsÓrgão deve ser reformulado para investigar todas as denúncias dentro do sistema.

Modernização da Polícia CivilReforma de sete delegacias (a definir); capacitação de agentes; contratação de 700 estagiários para auxiliar no serviço das delegacias; construção de prédio integrado para a perícia criminal, que vai abrigar o Instituto Médico Legal e o Instituto de Criminalística. Início da construção neste ano.

Ampliação da Lei SecaBlitzes da Lei Seca todos os dias da semana na capital a partir de julho e ampliação para Contagem, Betim, Governador Valadares, Uberlândia e Juiz de Fora até dezembro.

Leilão de bens do tráfico de drogasVenda das mercadorias apreendidas com o tráfico de drogas para gerar recursos a serem investidos no sistema de segurança.

Ampliação de programas da PMMais 19 núcleos de Polícia e Família, 95 viaturas para policiar escolas de todos estado, 21 novas bases comunitárias para receber informações da população, novos veículos e armas para o Grupo Especializado de Policiamento em Áreas de Risco (Gepar).

Melhorias no sistema prisional e socioeducativo: - Construção, no segundo semestre, de quatro unidades da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apacs) em Sacramento, Araxá, Rio Piracicaba e Itajubá. - Inauguração, até o fim do ano, da primeira PPP para unidade prisional. Será em Ribeirão das Neves e terá 1.824 vagas. - Inauguração, em julho, de um presídio em Itaúna e outro em Oliveira, somando 418 vagas. - Construção de um presídio em Esmeraldas e ampliação de outros quatro em Divinópolis, Montes Claros, Itajubá e Muriaé. Cada ampliação vai custar R$ 7,5 milhões. - Inauguração, no segundo semestre, do Centro de Atendimento ao Autor de Ato Infracional (CIA) em Juiz de Fora. - Até 2014, construção de três centros socioeducativos: Santana do Paraíso, Lavras e Unaí - Até o fim do ano, quatro novos aparelhos body scan, nos presídios de Bicas I e Bicas II, em São Joaquim de Bicas, e Dutra Ladeira e José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves.


Comentários:

O plano é  positivo na medida em que volta a pensar a política de segurança pública de forma integrada. Porém, as ações planejadas precisam se tornar efetivas. Não adianta criar estruturas de gerenciamento, comitês e grupos de estudos se essa equipe não tem poder de fazer com que as ações propostas se concretizem.

A criação de novos centros de prevenção da criminalidade (Fica Vivo e  medição de conflitos), é uma medida positiva. Mas o número dos novos centros é muito pequeno. Hoje existem áreas de crimes violentos associadas ao tráfico de drogas numa quantidade muito maior do que os núcleos que foram anunciados.

O investimento na perícia criminal e na criminalística é fundamental. Nos últimos 10 anos, o menor investimento (proporcional) do sistema de defesa social foi na Polícia Civil. No modelo atual (que demanda uma ação articulada das duas polícias), não dá para se pensar numa política de segurança efetiva quando uma das principais pernas do sistema (a Polícia Civil) está manca. É importante a construção do prédio da perícia e do Instituto de Criminalística, mas é preciso investir em contratação de novos delegados, peritos e escrivães. A contratação de estagiários para atuarem nas delegacias é um remendo. O estagiário, pela atual Lei do Estágio, tem que estar acompanhado por um supervisor, um operador de direito. Será que o delegado vai ter tempo de acompanhar cada um?.

A inauguração de uma central de flagrantes vai garantir mais agilidade no atendimento policial.

O pacotão da Seds deixa transparecer, nas entrelinhas, que o modelo de segurança pública mineiro ainda resiste a mudança qualitativas. Por exemplo, ao anunciar a criação de um cinturão rodoviário, a Secretaria informa que investirá 25 milhões de reais na  compra de helicóptero, viaturas, fuzis, coletes balísticos, etc. Não trata em nenhum momento no aperfeiçoamento dos setores de investigação e inteligência, que são fundamentais para o sucesso desse tipo de ação. 

Outra medida que mostra um viés bastante repressivo: não obstante os gargalos do sistema prisional (que teve sua população duplicada em oito anos; que continua lotado; que é oneroso e ineficiente - cerca de 80% de reincidência criminal), o governo insiste em adensar ainda mais essa estrutura. Apesar do aumento no encarceramento, as taxas de crimes violentos continuaram altas, em Minas. Não seria o caso de se investir mais nos programas de prevenção; na criação de um número maior de centrais de acompanhamento de penas e medidas alternativas; de mais investimentos no sistema socioeducativo? 

Outra medida que julgo bastante panfletária: plano de segurança para shoppings. Ora, se a segurança pública for efetiva, todos ganharão com a diminuição dos crimes, inclusive os shoppings. Certamente, existe uma quantidade muito maior de crimes nos centros comerciais periféricos (dos nossos bairros, por exemplo). Por que, então, privilegiar os shoppings? 

Fala-se numa reestruturação da Corregedoria da Seds. É bom mesmo que o governo esteja atento aos mecanismos de controle da atividade policial. Dado que a Ouvidoria de Polícia transformou-se em órgão burocrático, é desejável que os mecanismos de correição funcionem de fato. Quero ver!

Há uma estranha integração entre o programa Fica Vivo e o projeto Rua Livre, da Subsecretaria de Política sobre Drogas. Espero que essa medida não seja tomada para criminalizar e segregar ainda mais os jovens usuários de drogas. Paira no ar uma dúvida sobre qual a política pública voltada para o enfrentamento do problema das drogas será efetivada pelo governo. Políticas de higienização, internação compulsória, de viés repressivo, não serão aceitas pela sociedade.

Por fim, a criação de posto de trabalho itinerante da campanha "Sou pela Vida. Dirijo sem bebida" é uma medida importante para diminuir os homicídios no trânsito. É preciso de efetividade dessa ação para desestimular os motoristas que insistem em dirigir sob o efeito do álcool e outras drogas. Como dizia Beccaria, "mas vale a certeza da punição que a dureza da lei".

O grande desafio do novo plano é sair do papel; ou seja, é preciso que as ações aconteçam na prática. A Seds terá "força política" para implementar as ações que anuncia? Vamos ver... 


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