Quarta-feira, 12 de junho de 2013 03:03 pm

Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo

No início desta semana morreu Arturo Vega, considerado o "quinto" Ramone. Ele não era músico, mas, ao desenhar o logotipo da banda norte-americana, passou a fazer parte da vida de milhões de pessoas tanto quanto Joey, Johnny, Dee Dee ou Tommy e seus três acordes certeiros.

Os Ramones foram pioneiros em "vestir" os fãs. Foi por causa deles, e de Arturo Vega, que adolescentes do mundo todo passaram a usar as camisetas das bandas que gostavam, o que acabou se tornando quase "uniforme" dos rockeiros.

Mas, como sempre, os seres humanos conseguiram estragar a brilhante ideia. O que era um meio de expressar sua preferência musical, uma homenagem ao ídolo, acabou tornando os fãs alvos fáceis de gente intolerante, idiotas que partem para a violência simplesmente por não gostarem que quem escuta outro tipo de som ou pertence a outra "tribo urbana", para usar uma expressão da minha época de adolescente.

Fato semelhante ocorreu com as camisas de times de futebol. Ao mesmo tempo que o desenvolvimento de materiais melhorou a qualidade das vestimentas, os tornou mais baratos e, consequentemente, mais acessíveis. Assim, desde os anos 90, ficou fácil ver garotos e também adultos, de ambos os sexos, desfilando com camisa igual a vestida por seus ídolos dos gramados.

E, até mais que na música, exprimir o amor a um clube através de uma camisa se tornou algo perigoso. E nem precisa ser dia de jogo contra o maior rival. Basta passar perto de uma concentração de torcedores adversários para se correr risco.

Os exemplos acima só reforçam minha dúvida quanto ao fato de sermos viáveis socialmente. Se não precisamos matar para sobreviver, como outros animais, estamos fazendo isso por pura imbecilidade.  

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Quinta-feira, 30 de maio de 2013 05:48 pm

Futebol é muito chato. Só que não

Vendo entrevista ao vivo do presidente do Atlético, Alexandre Kalil, me lembrei de uma outra que ele concedeu. Na oportunidade, quando questionado se iria acompanhar a Copa do Mundo de 2010 ou ao menos os jogos da Seleção Brasileira no torneio, ele respondeu que não. "Acho tudo isso muito chato. Gosto mesmo é do Atlético", afirmou, na ocasião.

Essa deve ter sido apenas uma de suas grandes tiradas, pois duvido que uma pessoa que entende tanto de futebol fique alheio ao que acontece no resto. Seria, no mínimo, uma irresponsabilidadepara quem ocupa cargo tão importante.

O certo é que a maioria dos torcedores segue extamente o discurso do mandatário alvinegro. Por isso, costumam não se informar com o dia a dia dos outros clubes, salvo quando seu time do coração vai enfrentá-los. Se for no caso do rival, se informam apenas o suficiente para descobrir como desmerecê-lo ou ridicularizá-lo.

Me sinto à vontade para falar do assunto, pois, na última transferência da cobertura do Atlético para a do Cruzeiro, para os Diários Associados, no início de 2012, perdi muitos seguidores no Twitter (twitter.com/paulogalvaobh), provavelmente alvinegros, enquanto ganhei tantos outros, a maioria celestes, pois costumo dar mais informações do clube que estou cobrindo, ainda que não deixe de me manter informado sobre o outro. Se existisse o microblog no início de 1999, quando deixei a cobertura da Toca da Raposa para me dedicar aos fatos da Vila Olímpica pelos próximos dois anos, tenho certeza que teria ocorrido o movimento contrário.

Uma pena que as pessoas se limitem tanto, ainda mais agora, quando temos mais facilidade que nunca para acompanhar o que acontece nos campos em praticamente qualquer lugar do mundo. Comecei a trabalhar com esporte porque sempre fui apaixonado por futebol, independentemente de clube, seleção, país. Me encatava com histórias de jogadores como Puskas sem nem saber onde ficava a Hungria.

Provavelmente as pessoas se divertiram mais se abrissem um pouco mais sua visão. Esse é o esporte magnífico. Mas cada um é responsável por seus atos. Ou ao menos espero que seja.

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